Confraria Frutos do Garimpo

Amigos, nesse garimpo que venho fazendo há anos por nossa vinosfera, toda a hora me deparo com algumas pérolas e bons vinhos porém nem sempre ao preço certo. Mais raramente, no entanto, dou de cara com algumas belas ofertas desses mesmos vinhos que merecem ser compartilhados com os amigos então decidi começar esta exclusiva Confraria Frutos do Garimpo - Logoconfraria de compras e oportunidades como forma de compartilhar esses Frutos do Garimpo. Não, não é mais um clube de vinhos, é uma Confraria, não havendo quaisquer cobranças mensais ou obrigação de compra.

Mensalmente, a partir de Setembro, sujeito a disponibilidade montarei uma série limitada de caixas (avisarei a quantidade disponível nas chamadas mensais) com 4 garrafas destes achados, frutos do meu garimpo. A cada mês os valores mudam (devendo ficar entre R$200 a 350) e os vinhos mudam, podendo até haver maior disponibilidade num ou noutro mês ou não haver nenhuma oferta já que, lembrando, são Frutos do Garimpo e aquela “pepita” nem sempre dá as suas caras e quando dá são de pouca monta! Podem ser duas garrafas de um mesmo vinho e as outras de dois vinhos diferentes, podem ser duas garrafas de dois rótulos, a cada mês a história será diferente, o objetivo é compartilhar as pepitas achadas nas entranhas de nossa vinosfera. Passo os preços com minha resenha dos vinhos e você compra se quiser e quando quiser, tendo tempo para pesquisar, porém como as quantidades serão limitadas a venda será realizada aos primeiros que confirmarem e somente uma caixa por pessoa.

O foco será, obviamente, na qualidade atrelada a um preço abaixo da média do mercado, diversidade de estilos e uvas, sendo coerente com tudo o que venho escrevendo já faz anos. Eventualmente poderei me deparar com outros frutos que não vinho, por exemplo um acessório, no qual o conceito também se aplique e o incluirei para apreciação dos confrades. Pintou oportunidade na minha praia, a idéia será compartilhá-la com você e disponibilizá-la aos confrades e confreiras se houver quorum. A confirmação da reserva se dará através de depósito em conta, após o qual faremos a entrega que será gratuita em Cotia,Alphaville e nos seguintes bairros de São Paulo > Morumbi, Vila Olímpia, Itaim, Jardins, Pinheiros e Butantã. Qualquer outro local de entrega ficará sujeito a cobrança de frete junto com o depósito da reserva e avisado antecipadamente. Eventualmente, poderá ser retirada na Vino & Sapore por aqueles que moram na região da Granja Viana, no entanto os Frutos do Garimpo não estarão disponíveis na loja e, caso venham a estar nas prateleiras, estarão com preço de mercado.

Gostou da idéia, tem interesse em participar? Pois bem, preencha o formulário em clicando aqui e assim que tenha o primeiro “KIT” pronto, deve ser Setembro, lhe enviarei e-mail com os Frutos do Garimpo do mês e as resenhas. Estes achados não serão divulgados na internet ou em redes sociais, então sua inscrição na Confraria “Frutos do Garimpo” será a única forma de você vir a ter acesso a eles.

Kanimambo a todos que vierem a apoiar este novo projeto que se inicia agora em Setembro de 2015. Bem vindos a bordo e espero que a viagem seja prazerosa!

Gewurztraminer & Curry, Deliciosa Combinação!

Clássica harmonização, Gewurztraminer e pratos condimentados asiáticos.  Uma uva cultivada em muitas regiões, principalmente na Alsacia (França) e nas regiões do Rhein e Pfalz (Alemanha), mas também na Austria, Itália (Alto Adige), Nova Zelândia, Austrália, Chile, Estados Unidos e alguma coisa por aqui no Brasil em que a Angheben elabora um que aprecio bastante.

Os vinhos de Gewürztraminer normalmente são de cor amarelo intenso, quase dourados. Por conta de sua composição e características da casca, são vinhos com grande estrutura em boca. Uma de suas “fraquezas” é a acidez, muito delicada e, que em anos mais quentes, tende a ser muito baixa e um açucar residual por vezes alto demais para os secos mas que é providencial para os vinhos de sobremesa como os Spätlese. São sempre muito aromáticos, com notas marcantes e características lembrando lichias e pétalas de rosas com toques, de maior ou menor intensidade, de especiarias. Apesar de, à primeira vista não parecer, graças às suas características aromáticas e gustativas, os vinhos de Gewürztraminer secos e jovens são ótimos parceiros para a culinária, especialmente pratos com riqueza aromática e bem condimentados, como a cozinha asiática – chinesa e indiana. Curries mais suaves aceitam bem os mais maduros como foi o caso deste Gustav-Lorentz 2013* de cor dourada brilhante e aromas intensos de damasco e lichias que nos convidam a levar a taça à boca que é onde o vinho realmente interessa!

O prato, um Curry de Frango com Maçã, chutney de manga levemente apimentado e coco polvilhado por cima, uma receita da família que dá um ibope danado aqui em casa. O vinho com suas nuances de frutos tropicais, levemente especiado, corpo médio e acidez equilibrada com um toque mineral de final de boca casou á perfeição e repetirei esta harmonização em muitas e muitas outras ocasiões porque o resultado, para o meu gosto obviamente, foi excelente! Tudo aquilo que buscamos numa harmonização, equilíbrio e uma “turbinada” nos sabores, quando 2 + 2 somam 6!! rs Melhor ainda a companhia, porque sem isso a harmonização fica manca, rs, bão demais da conta sô!

Curry e Gewurztraminer

 

Penso que deve ficar muito interessante com Moqueca, mas ainda não provei, vou colocar na minha lista de experiências enogastrônomicas. Por hoje é só, espero que curtam e partam para vossas próprias experiências porque como já dizem os ingleses, “practice makes perfect” então vamos praticar é muiiiito!! Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui, na Vino & Sapore ou em qualquer outra esquina de nossa deslumbrante vinosfera. Fui, saúde!!

 

* Disponível na Vino & Sapore e outras boas lojas do ramo

Roncier Branco, o Último dos Mohicanos!

É sempre triste quando abrimos uma última garrafa de um vinho que sabemos não existir mais no mercado. Foi o caso deste delicioso Roncier Branco trazido pela saudosa Vínica de tantos bons vinhos com preços idem. Gostava de tomar diversos de seus vinhos e os vendia bem pois a relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer) era ímpar no mercado e triste por ver que nenhum dos outros importadores ainda não tenha aberto os olhos quanto aos produtores excepcionalmente bem garimpados pela amiga Paula Kerr.

Um desses produtores era a Maison Tramier & Fils que entre outros bons rótulos produz os vinhosHarmonizando roncier (2) Roncier (branco e tinto) que eu apelidei de Vin de Bistro! Um vinho descompromissado, sem safra, sem região determinada e as uvas, bem essas só para quem soubesse! rs Vinhos com qualidade e precinho, coisa muito rara quando falamos de França. Por incrível que pareça ainda tinha algumas garrafas (do tinto ainda tenho, mas acho que vou matar! rs) na Vino & Sapore e entrou na promoção. Ao final, sobrou uma solitária garrafa na prateleira abaixo das 50 pratas como meu amigo Didu gosta e eu também, não resisti e levei a moça para casa, um verdadeiro Ménage à Trois com minha loira!

Fruto de um corte de Aligoté, Chardonnay e Colombard, o que indica Borgonha, o vinho depois de mais de três anos seguia fresco e vibrante, boa pegada de boca com uma certa untuosidade, porém mantendo uma certa leveza de ser. Num almoço descompromissado com um peixe (filés de dourado) que faço no forno, foi uma manjar dos mais agradáveis que vai deixar uma enorme saudade. Sem muita complicação, sem muita explicação, sem firula, só prazer. Bão demais da conta sô e fiquei com aquele gostinho, neste caso frustrante, de quero mais! Paulinha, traz de volta vai???

Sei que falar de vinhos que não tem no mercado é sacanagem, por isso evito postagens do tipo, mas tinha de compartilhar com os amigos essa deliciosa experiência. Por outro lado, quem sabe não volta, aí já tem o registro! Fui, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aí. Saúde

Roncier branco

Produção e Consumo de Vinho pelo Mundo

Ao preparar uma aula no meu curso de vinhos, levantei dados sobre o tema e fiquei algo surpreso, tenho que confessar. Afinal, o maior consumidor per capita do mundo tirando alguns Estados cidades como Vaticano, Turks & Caicos, Andorra e outros similares com população ínfima, não é que Portugal se tornou o primeiro com um consumo anual de cerca de 54 litros! Dados colhidos nas estatísticas publicadas pela OIV (Organização Internacional do Vinho) referente a 2016.

Compilei alguns deles e montei a tabela que agora publico abaixo, muito em função de ter visto algum interesse de confrades amigos. Clique na imagem para aumentar.

Consumo Mundial de Vinhos

Outros países de consumo superior a 20 litros anuais per capita, mas de produção pequena ou inexistente por isso não constantes da tabela que foca os principais países produtores, são; Reino Unido, Suécia, Suiça, Bélgica, Hungria, Grécia e Canada. Daí você me pergunta, mas e o Brasil?

De acordo com dados da Ibravin, que lamentavelmente (sem entrar no mérito do porquê) se restringem quase que exclusivamente a tão somente o Rio Grande do Sul, indicam uma produção em 2017 estimada em cerca de 305 milhões de litros dos quais somente 49 são de vinhos finos elaborados com Vitis Vinífera. Essa produção nos coloca como o 14º produtor mundial de vinhos e o consumo per capita no Brasil beira os 2 litros (maior parte de vinhos de mesa – não vítis vinífera) ou seja, há muito espaço para crescer e melhorar o nível do caldo! rs

Por hoje é só, kanimambo pela visita e seguimos nos vendo por aqui, na Vino & Sapore ou qualquer outra esquina desta nossa saborosa vinosfera. Fui!

Vinho tem Calorias? Tem Sim Senhor!

E não só vinho, todas as bebidas alcoólicas pois o álcool é resultado da fermentação de uma fonte natural de açúcar. No entanto, quando penso que uma barra de cereais tem entre 80 a 120 calorias, sou mais uma taça de vinho! rs Sério, deem uma olhada neste artigo de 2015 da Deco Proteste (clique no link,) empresa portuguesa, que comenta o assunto baseado em suas análises. Eu cito só o último parágrafo aqui pois me parece recomendação das mais sérias, mas a matéria inteira poderá ser lida em seu site, vai lá vai! Que barra de cereais que nada!!

“A roda dos alimentos não contempla as bebidas alcoólicas. Mas tal não significa que vinho, cerveja, licores, aguardentes e demais bebidas com álcool sejam incompatíveis com uma alimentação saudável. Em doses moderadas (até um máximo de dois copos de vinho por dia, nos homens, e um copo, nas mulheres), a acompanhar a refeição, o álcool favorece o sistema cardiovascular e pode ser benéfico. Já nas crianças, jovens, grávidas e aleitantes, as bebidas alcoólicas são totalmente desaconselhadas.”

Valor calórico por tipo de bebida

O artigo original da Proteste dá uma fórmula para calcular calorias baseado no conteúdo alcoólico das bebidas que vale conhecer, especialmente quando divulgam por aí que o gin é light, geração fitness sendo enganada!! rs Enfim, pelo que pesquisei se você tem uma pegada saúde, quer tomar algo alcoólico mais “light” nas calorias, vai de uma taça de vinho, vai! Menos calorias e ainda é antioxidante (maior que Vitamina E), reduz colestorol, ajuda na produção de insulina, inibe alzheimer, etc.,etc., etc.! rs Sem contar que não contém gluten e é lowcarb!!

Kanimambo pela visita, saúde!

Menos, vai? Vinho é Prazer, Curta a Viagem Sem Medos Nem Preconceitos!

Ontem fui dar uma primeira aula sobre vinhos para um grupo de estudiosos sobre os mistérios da vida que, neste semestre, optou por se debruçar sobre o mundo do vinho. Muita matéria para pouco tempo, mas creio que a maior mensagem, que espero poder ter começado a passar, é a da wine Snob_LI“desconstrução” do pedestal em que o vinho foi colocado.

Hoje pela manhã o Face, por coincidência, me lembrou deste post que publiquei há três anos que me fez querer voltar ao tema repostando o que disse antes e reitero agora, DESCOMPLICA, baixa a guarda, vinho tem que dar prazer e ponto!

“Uma das coisas que me irritam em nossa vinosfera ainda é a mania de alguns em colocar o vinho num pedestal onde, em minha opinião, ele não deveria estar! Acho que o vinho é algo social, culturalmente uma bebida que nasceu para acompanhar comida, jantares, amigos em volta de uma mesa, coisa simples como o pão e o azeite. Não deveria ser algo complicado e cheio de mistérios, frescuras e salamaleques.

Está certo, existem segredos e misticismos que envolvem o vinho e o fazem especial entre o mundo das bebidas, por isso vale estudá-lo, porém devemos tratá-lo de uma forma mais simples e tentar não complicar. Deu prazer, ponto, objetivo alcançado! Um de meus melhores momentos com vinho foi numa tasca do interior de Portugal com um primo que há anos não via; direto da barrica num copo de requeijão acompanhando pataniscas de bacalhau feitas na hora! Um outro momento desses foi um Pinot fresquinho tomado num dia de sol numa praia em Floripa com algumas das pessoas que mais amo na vida, da garrafa para um copinho de plástico!! Tudo simples, tudo ótimo, e como Fernando Pessoa já dizia; “Tudo vale a pena Se a alma não é pequena.”

Tudo isso só para passar uma mensagem, solte-se! Tem gente que coloca gelo em vinho, outros coca-cola, ginger-ale ou seven up, tudo bem. Eu posso até não gostar ou discordar, mas dependendo do contexto e dos vinhos envolvidos, why not?! Viaje, experimente, faça coisas diferentes, quebre o establishment, seja infiel, curta a diversidade, se divirta. Nossa vinosfera não é tão séria e “amarrada” como alguns podem tentar lhe vender, então relaxe e curta a viagem sem preconceitos! O bom de nossa vinosfera é que não existem regras nem dogmas a serem seguidos então explore o infinito com vontade, aqui você pode e, numa dessas, você pode se dar bem, como eu!”

Kanimambo pela visita e, aos poucos, voltamos a nos encontrar por aqui até que chegue minha próxima neta daqui a alguns dias! rs Cheers.

Safra de 2018 Brasileira Promete!

Bem, pelo menos nos vinhos, espero que em outras, searas também, mas isso não é assunto para aqui onde o vinho é protagonista. Recebi da assessoria de imprensa da Miolo a seguinte nota que achei importante compartilhar com os amigos:

“A Vinícola Miolo está próxima de finalizar a colheita 2018 com uma constatação: há pelo menos 6 anos não se via clima tão propício para a qualidade da vindima no Rio Grande do Sul. Até agora, nesta década, foram 2 safras de qualidade excepcional: 2011 e 2012, mas nenhuma superará a qualidade da de 2018. Nos 3 projetos da Miolo no RS foram colhidos 2/3 do total previsto, que é de 6,2 milhões de quilos de uvas. Desta forma, já é possível afirmar com segurança sua qualidade superior

Comportamento climático x qualidade da uva da safra 2018

O inverno de 2017 foi um dos mais amenos registrados nos últimos anos, com baixo acúmulo de horas de frio (abaixo de 7,2 °C). Inicialmente isto causou muito temor, pois poderia gerar reflexos negativos na quebra da dormência das gemas das videiras, interferindo no volume de produção em 2018. Entretanto, o bom estado fitossanitário da copa das videiras no pós-colheita de 2017 compensou a falta de frio e a brotação foi vigorosa e uniforme. O frio menos intenso do inverno e a primavera com temperaturas favoráveis desencadearam o início da brotação, com 15 a 20 dias de antecipação na maior parte das variedades.

A primavera transcorreu dentro da normalidade, sem altos e baixos de temperatura, o que acarretou crescimento contínuo da vegetação e floração dentro do esperado. Por influência do frio reduzido do inverno, algumas variedades apresentaram menor número de flores por cacho, deixando-os um pouco mais “ralos”, o que influenciou em um peso médio menor. Em compensação, proporcionou uma maturação com ótima qualidade e sanidade nas uvas precoces, normalmente de cachos mais compactados e suscetíveis às podridões. 

As chuvas da primavera e início do verão também ocorreram dentro da normalidade climatológica e apenas no mês de outubro houve uma semana com chuvas um pouco mais intensas, que não causaram danos nas variedades que ainda estavam em floração.

O verão vem transcorrendo com chuvas bem abaixo da média por influência do fenômeno “La Niña”, com reflexos muito positivos na qualidade e sanidade da uva. As temperaturas amenas noturnas estão sendo uma constante no período de maturação, com amplitude térmica média de 16 °C, chegando em alguns casos a ultrapassar 20 °C, favorecendo, assim, o acúmulo de matéria corante nas variedades tintas. ”

Agora resta-nos aguardar a chegada dos vinhos tanto da Miolo como dos outros produtores e conferir, ojo!

Kanimambo pela visita e um ótimo fim de semana a todos.

 

Time Off

Amigos, desde Sexta passada com dificuldades de sentar e escrever por uma série de acidentes ocorridos que usurparam meu tempo. Aí Domingo de madrugada, com uns dez dias de antecedência, nasce minha primeira neta, a Nina. Digo primeira porque dentro de mais uns 15 dias deve nascer a outra, a Mariana. para fazerem companhia a meu querido neto que em breve completará 8 aninhos. Tempo de alegria, de festa, de agradecer por ter chego com saúde e todos estarem bem, de babar!! rs Deem-me um tempo, volto semana que vem com mais coisas, causos e experiências no mundo do vinho. Por enquanto vou ficar assim, quando posso, e na loja para servir os amigos. Assim que der retomo as atividades por aqui. Saúde, cheers!

Vô & Nina

Que Vinhos Guardar?

Desde seu começo, Falando de Vinhos teve como seu propósito não só compartilhar experiências como também difundir conhecimento, quebrar alguns paradigmas, desmistificar a  nossa vinosfera de forma simples numa linguagem coloquial, sem frescuras. Parte desse “trabalho” está contido na categoria ABC do Vinho aqui do lado, porém alguns posts se tornaram campeões de acesso, um deles, por sinal, mencionei há dias em meu post sobre as falácias do mundo do vinho, o tempo de guarda de um vinho, que escolhi para repostar hoje em mais uma passagem por minha Retrospectiva 10 anos de Falando de Vinhos.

Nesse sentido, uma dica baseado em minha experiência é usar o preço como parâmetro lembrando que sempre haverão exceções.  Está em dúvida quanto ao vinho que você tem no armário ou na adega, joga no google e veja a faixa de preço, compare com a lista abaixo e tire suas próprias conclusões sobre o tempo de guarda que se pode esperar deles. É uma forma bem simplista de análise, mas funciona bem, vai por mim. Este post teve os valores revisados em Junho de 2023.

  • Vinhos até uns  80Reais, dois a três anos está de bom tamanho, tome logo não enrola não! rs
  • Vinhos de 80 a 120 Reais, até quatro/cinco anos há bastante segurança
  • Vinhos de 120 a 180 Reais, certamente um degrau acima, entre cinco a seis anos numa boa.
  • Vinhos de 180 a 300 Reais, falar de seis a 10 anos é uma aposta bastante segura.
  • Vinhos de 300 a 500 Reais deverão chegar fácil nos 12 anos
  • Vinhos acima de 500 Reais, aí já embarcamos num outro patamar e se você já está nessa fase acho que seguir lendo este post não deverá lhe agregar nada! rs Mais de 12 anos, obviamente, e o quanto depende de um monte de outras variáveis, entre elas as condições de guarda.

Abaixo o post publicado em 2008 com mais algumas dicas genéricas que podem lhe ajudar na compra e na avaliação do que você tenha na adega. Ao final, seguem alguns outros links que valem ser explorados.

Tempo de Guarda – Vinho, quanto mais velho melhor

Uma das mais emblemáticas, e falsas, crendices do universo do vinho, é de que “quanto mais velho  melhor”. O conceito é, comprovadamente, furado! O vinho passa por vários estágios de evolução. O vinho tem infância, passa pela juventude e maturidade, alcança a velhice e morre. Idealmente, o vinho se deveria tomar no auge de sua maturidade quando o vinho adquire um equilíbrio perfeito entre taninos e o buquê de aromas adquirido com o tempo. Como nós seres humanos, todavia, cada vinho tem seu ponto de maturidade, cada um apresenta caráter e personalidades únicos o que torna esta definição de tempo de guarda ainda mais difícil. É neste aspecto que a avaliação da idade de um vinho se complica pois, um vinho leve, feito para ser tomado jovem, pode estar decrépito aos três anos e um outro clássico, estar extremamente jovem e duro aos dez!

Apesar de alguns, muito poucos, vinhos já trazerem, no rótulo do verso, uma indicação de validade ou ponto de maturação, este serviço ao consumidor ainda não é comum. Para os apreciadores de vinho e enófilos de plantão, este é realmente um dilema a ser encarado especialmente quando de grandes ofertas feitas pelas lojas. Será que ainda estão bebíveis? Será que não passaram do ponto? Cuidado, sempre repito isto, com grandes ofertas. Nesta época em que importadores e lojas começam suas grandes liquidações, há que se prestar bem atenção quanto à idade dos vinhos oferecidos.

De qualquer forma, enquanto os produtores, que são quem melhor conhecem as características de seu produto, não nos brindarem com esta gentileza, seguem algumas dicas genéricas, mesmo que falíveis pois sempre há exceções, que acho podem ajudar nesta definição.

Até 4 anos – Vinhos mais jovens, normalmente mais baratos, não ganham nada com a guarda e perdem bastante qualidade ao serem guardados por tempo excessivo. Os vinhos brancos jovens e leves, assim como os rosés, não se devem tomar após três anos quando já perdem muito de seu frescor e estão em fase declinante, melhor nos primeiros dois. Já os tintos, eventualmente podem ter alguma evolução no primeiro e segundo anos, alguns podem chegar nos 4 anos. Vinhos baratos são vinhos para serem tomados jovens, não têm estrutura para guarda, entre eles os famosos “reservados” da vida.

. Vinhos Verdes

. Vinhos varietais básicos de Sauvignon Blanc, Torrontés, etc.

. Espumantes comuns, Proseccos e Cavas. Como não são safrados, muito cuidado onde se compram e se estiverem muito baratos cuidado, podem estar mortos.

. Beaujolais. Se for Beaujolais Noveau não tome com mais de um ano, este vinho é elaborado para consumo rápido, idealmente 6 meses.

. Tintos leves e jovens, especialmente os do Novo Mundo, quase todos os tintos Brasileiros, Chiantis e Valpolicellas básicos.

4/8 anos – Apesar da maioria dos vinhos brancos deverem ser tomados jovens, alguns melhoram com o tempo. Existem tintos que devem ser tomados jovens, dependendo da variedade das uvas ou se passaram por carvalho, dando-lhes uma estrutura diferenciada. No caso dos tintos, quanto mais elaborados mais podemos aumentar o tempo de guarda com a certeza da evolução do mesmo.

. Bordeaux brancos e Chardonnays de qualidade.

. Vinhos tintos do Sul da França.

. Topo de gama dos tintos Brasileiros.

. Varietais de Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Malbec  e Pinot Noirs mais simples.

. Vinhos tintos de gama média, da regiões do Alentejo, Dão, Tejo, Lisboa e Setubal em Portugal

. Champagnes não safrados, muito cuidado onde se compram e se estiverem muito baratos cuidado, podem estar mortos.

. Vinhos genéricos (básicos) de Bordeaux e Bourgogne.

8/12 anos – Aqui já entramos num nível superior de vinhos, tanto em qualidade como preço, e a maioria dos vinhos top de qualquer região do planeta, produtora de vinhos, estará presente nesta lista.

. Tintos reservas da Espanha e Portugal.

. Champagnes safrados, Chablis 1er Cru

. Varietais de Syrah, Merlot e Cabernet Sauvignon de produtores de primeira linha.

. Vinhos de Bordeaux  e Bourgogne com denominação de origem

. Vinhos top do novo mundo; Argentina, Chile, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Uruguai

12 anos e acima – Vinhos fortificados, tintos elaborados e até alguns brancos especiais aparecem nesta lista. Neste nível encontramos o “Crém de la Crém” da produção mundial e normalmente a preços inacessíveis para a maioria dos mortais. Certamente são, na sua imensa maioria, grandes vinhos que requerem imenso cuidado na sua guarda. Neste caso uma boa adega climatizada é essencial. Não compre vinho antigo sem histórico de guarda, prefira uma loja especializada de confiança sua. Vinhos de guarda são como animais de raça pura, precisam de cuidados especiais já que são mais delicados, há que serem guardados em adegas climatizadas para garantir uma evolução adequada e saúde do vinho.

. Vinhos superiores e de safras excepcionais da região de Bordeuax e Bourgogne na França.

. Vinhos Gran Reserva.

. Vinhos fortificados como Madeira, Porto e Jerez.

. Os grandes Italianos; Super Toscanos, Barolos e Brunello de Montalcino entre outros.

. Grandes vinhos Portugueses em especial os da região do Douro

. Grandes vinhos do Velho mundo.

. Grandes vinhos do Novo Mundo

Eis alguns links para outros interessantes temas a rever e que estão entre os mais lidos. Kanimambo pela visita e aproveite a viagem!

A importância da temperatura de serviço dos vinhos

Decantar ou Aerar vinho – o que é, quando e porquê faze-lo

A Importância, ou não, das safras.

A Importância das Taças

O que é Filoxera?

Sur Lie, que bicho é esse?

Falácias do Mundo do Vinho

São diversas e não são poucas, nossa vinosfera é pródiga em produzi-las! rs Hoje cito aqui algumas que acredito sejam as mais comuns e em que a maior parte dos iniciantes nesta incrível viajem por terras de Baco tende a acreditar por falta de informação.Pinocchio por Enrico Mazzanti

Quanto mais velho o vinho melhor – essa talvez seja a maior delas e com isso muitos vinhos são tomados já em fase de decrepitude e outros viram vinagre. Há vinhos para serem tomados jovens (até uns quatro anos), de média guarda (4 a 8 anos), “longa” Guarda (8 a 12 anos) e os grandes vinhos que são quase que intermináveis obtendo seu ápice com mais de 15/20 anos são vinhos para poucos bolsos. Sabe aquela garrafa velha que você está guardando há sete anos ou achou num armário do tio e quer saber se ainda está bom? Vai no Google e digita o nome do vinho, dependendo do preço que apareça por lá você já terá uma boa ideia lembrando que não tem vinho de guarda de 50 pratas, não se iluda, esse tem que tomar jovem preferencialmente no segundo ano de vida, quiçá até uns quatro, no más! Agora, só se sabe se está bom abrindo, algumas surpresas podem ocorrer. Quanto maior estrutura tem o vinho para uma guarda longa mais caro ele vai ser, não tem como não ser. Quer ver mais, clica AQUI.

Vinho bom é o que você gosta – fruto de uma campanha de marketing bem sucedida de um importador. O correto seria, vinho que você gosta é o que é bom para você. O fato de você gostar não transforma vinho ruim em vinho bom, só é o que você gosta e tudo bem que assim seja, afinal tomar o que não gosta só pelo o que os outros dizem não tem nada a ver né? A cerne da questão é que qualidade e gosto são duas coisas diferentes que podem, ou não, caminhar juntos.

Melhor Vinho do Mundo – mais um fruto do marketing e na minha opinião uma tremenda sacanagem e mentira promovida por alguns produtores e importadores. O melhor vinho de um concurso, de um evento só é o melhor daquele concurso ou evento tendo mais ou menos importância dependendo do nível e respeitabilidade dos mesmos. Melhor Vinho do Mundo é só papo para boi dormir, para enganar os menos incautos , cai nessa não! Aliás, Melhor do Mundo é sempre muito relativo para qualquer coisa ou qualquer um a não ser que possa ser, de alguma forma, mensurado e comparado, caso contrário é mera opinião menos ou melhor fundamentada.

Vinho toma-se a temperatura ambiente – na Europa e mesmo assim depende de onde e em que estação do ano! rs Tomar um vinho tinto a 36 graus numa tarde no Rio é insano e certamente um desastre! Eis uma sugestão de temperaturas médias adequadas ao serviço do vinho para melhor usufruir desses caldos de Baco, cai nesse papo de temperatura ambiente não!

Espumantes e brancos doces e leves 6 a 8° C. / Champagnes e brancos frescos de 7 a 10° Centígrados /  Brancos secos e evoluídos ou um Jerez fino de 10 a 12° Centígrados / Rosés, mais leves entre 8 a 10º e, os mais evoluídos, no máximo até uns 12º Centígrados. / Tintos de taninos leves, de 12 a 15° Centígrados / Brancos encorpados e Madeira ou Porto (Tawnies our Ruby básico), de 10 a 14° Centígrados / Tintos de médio corpo e Vinhos do Porto Ruby Reserva, de 15 a 17° Centígrados. / Tintos encorpados e Vinhos do Porto LBV e Vintage, de 17 a 20° Centígrados.

Vinho de Mulher – antes de ser machista é uma aberração. Teoricamente se diz que as melhores gostam de brancos, rosés docinhos e tintos leves. Há homens que seguem o mesmo gosto, não tem nada a ver com o gênero de cada um. Conheço um montão de mulheres amantes do vinho que não abrem mão de vinhos encorpados, questão de gosto, ponto!

Vinho com Tampa de Rosca é Ruim – normalmente usado em vinhos jovens onde a rolha de cortiça tem menos ou nenhuma utilidade prática já que se busca manter o frescor do vinho e não sua evolução. Da Austrália, pioneiros no uso de “screw cap”, já provei vinhos com mais de dez anos que envelheceram maravilhosamente bem. Um pode até não gostar do visual, achar que perde o charme, etc., porém a qualidade e tampa de rosca podem sim coexistir! Para o que ainda tiverem dúvida, vale ler o artigo que o Miguel Angelo de Almeida (enólogo da Miolo) escreveu e permitiu que eu compartilhasse aqui.

Vinho Barato é Ruim – outra balela, mas obviamente depende do quão barato ele é! rs Provavelmente não será tão bom quanto um vinho de maior valor, porém já vi, por diversas vezes, vinho de preço mais módico levar vantagem sobre vinhos de maior valor em provas ás cegas. Óbvio que quanto mais caro o vinho maiores serão as possibilidades de estarmos frente a vinhos melhores, mas não necessariamente. Já provei grandes vinhos que me decepcionaram e já fui surpreendido por vinhos baratos bem legais, então deixemos os preconceitos de lado e exploremos o mundo de Baco como ele deve ser explorado, escolhendo seu vinho de acordo com o momento, com quem compartilhar e com seu bolso. Costumo dizer que “Todo o grande vinho é caro, mas nem todo o vinho caro é grande!” então cuidado e repetindo, qualidade e gosto são coisas diferentes. Uma dica se você for um iniciante nessa viagem, mesmo que com grana para torrar, deixe os vinhos caros para quando tiver mais litragem, vai por mim.

Se alguém tiver algumas mais a agregar, “be my guest” já que os comentários estão aí para isso. Tenham todos uma ótima semana e seguimos nos vendo por aqui ou por aí numa das curvas de nossa imens! vinosfera. Kanimambo pela visita, saúde!

Cheers Smile

Ilustração – Pinóquio de Enrico Mazzanti datada de 1883

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Melhores Degustações dos Últimos 10 anos!

Eleger uma fica complicado, mas algumas me saltam à mente quando puxo pela memória. Entre elas três se destacam, uma de Portos Antigos da Andresen quando provei o melhor vinho de minha vida até agora, um magnifico Tawny 1910 que já postei aqui por duas vezes e que foi uma experiência mística! rs A do Conzorzio di Montalcino quando finalmente pude entender a razão de tanto auê sobre a região, com uma diversidade de estilos em que descobri este aqui, talvez o melhor Brunello que já tomei, um vinho que transcende os conceitos de elegância, sofisticação e complexidade, um deleite hedonístico, o Poggio di Sotto!

Houveram grandes degustações da Mistral, da Decanter, de diversos outros produtores, do Wines of Argentina Premium Tasting, quando confirmei a existência de uma outra Argentina, enfim o que não faltou ao longo destes últimos dez anos foi degustação marcante e grandes eventos. Uma no entanto faço questão de repostar aqui hoje, foi a apresentação que a associação de produtores Grand Cru fez aqui em 2012 promovendo a grande safra de 2009! Até hoje sinto os aromas e sabores de três vinhos que me colocaram de joelhos agradecendo a Baco por tamanho privilégio! O Chateau Figeac de Saint-Emilion, o Malescot Saint-Exupery de Margaux e o Chateau Coutet de Sautern/Barsac entre outras preciosidades. Veja mais aqui abaixo no post que intitulei como:

As Portas do Céu se Abriram e eu Entrei ou, Bordeaux Extasy!

Postado em Setembro de 2015, demorou três anos para conseguir decifrar minhas emoções. A experiência foi tamanha que fiquei sem palavras e sigo sem as encontrar, já que descrever emoções é sempre um exercício dos mais difíceis. Todos ou pelo menos a maior parte dos aficionados por vinho, sabe que 2009 foi um graaande ano para os vinhos de Bordeaux e em 2012 os produtores de Grand Crus estiveram em São Paulo para dar a provar alguns néctares da região. Grandes produtores, vinhos com pontuações perfeitas (100 pontos), brancos, tintos, doces, um festival hedonístico difícil de ser esquecido, daqueles que ficam na memória ad eternum.

A grande maioria, para não dizer todos, está longe dos bolsos de nós pobres mortais então minha sugestão é, tem interesse, vai viajar, traga de fora! São esses grandes vinhos que, em minha opinião, devem ser aproveitados nas viagens e, neste caso, mesmo assim precisa ter um bolso algo gordo! Para não dizer que nunca falo das estrelas, ganhei coragem e decidi compartilhar com vocês alguns destaques do que provei e que comporiam maravilhosamente uma grande degustação com uma visão regional deveras interessante, vamos lá!

Bordeaux Pessac

Pessac- Léognan – esta AOC, mesmo tendo uma maior produção de tintos, gera os melhores e mais importantes brancos de Bordeaux. Três grandes vinhos de muita classe, Chateau Carbonnieux, Chateau Pape Clement e, para mim o destaque entre eles, o incrível Chateau Larrivet Haut-Brion, uma grande forma de se iniciar uma degustação deste porte.

Bordeauxs Tintos – mesmo não sendo um expert nas apelações (AOCs) de Bordeaux, tenho as minhas regiões preferidas e na prova confirmaram na taça as razões de minhas preferências. Destas AOCs, escolhi alguns vinhos (tinha mais de 50 não dava para ver tudo) para provar e destes alguns destaques que certamente colocaria na mesa dessa imaginária degustação, caso houvesse “cascalho” o bastante para tal.

Bordeaux Saint Emilion
Saint-Émilion – Por aqui reinam a Cabernet Franc e Merlot, vinhos teoricamente mais suaves (na prática nem sempre), de menor estrutura porém de boa guarda, profundo equilíbrio com fruta mais presente e macios. Alguns grandes vinhos como os; Chateau Troplong Mondot, Chateau Pavie Macquin, Chateau Angélus e meu preferido, um dos melhores, se não o melhor, vinho do evento. O Chateau Figeac! ABSOLUTAMENTE ESPETACULAR, um daqueles vinhos que figuram entre meus TOP 10 de todos os tempos e não dá para descrever, tem que lhe sacar a rolha e desfrutar com um outro grande apaixonado por este néctares. Este já estava divino, imagino daqui a mais uns cinco ou seis anos!

Bordeaux Pomerol

Pomerol – Terra do famoso Chateau Petrus e por isso muito valorizada, gera vinhos elegantes e finos porém de maior estrutura que os de St Émilion, idade média de maturação entre 6 a 8 anos com alguns grandes vinhos de guarda. Daqui se destacaram o Chateau Clinet a quem Robert Parker deu 100 pontos. Provei, não mudou minha vida (rs), não vale a nota perfeita (que não dou a nada nem ninguém), mas é um grande vinho. Com ele, mais dois destaques, o Chateau L’Évangile e meu xodó deste AOC, o Chateau Gazin do qual tomaria garrafas se a grana permitisse. Rico, delicado e complexo, absolutamente sedutor.

Bordeaux margaux
Margaux – Nas grandes safras estes vinhos costumam se superar e é, certamente uma das mais emblemáticas apelações de Bordeaux. Mesmo tendo a Cabernet Sauvignon como protagonista, são conhecidos como os vinhos mais elegantes, perfumados e sedosos de Bordeaux, especialmente da margem esquerda. Curto os vinhos desta parte de Bordeaux! Provei algumas preciosidades, entre elas os; Chateau Angludet, Chateau du Tertre e Chateau Giscours foram destaque e são todos grandes representantes da AOC, mas o Chateau Malescot Saint-Exupery está, em minha modesta opinião, um degrau acima dos outros escolhidos e é o que eu colocaria para representar a região nesta verdadeira seleção de craques. Pura poesia engarrafada, nada a falar, só beber!!

Bordeaux Pauillac

Pauillac – Três dos cinco Premier Crus de Bordeaux, vêm desta região, vinhos algo mais potentes e muito estruturados com enorme potencial de guarda, décadas! Aqui provei menos e só dois rótulos ambos muito parelhos; o Chateau Lynch-Bages e por nariz, ficaria com o Chateau Pichon-Longueville mesmo sabendo que o melhor seria guarda-lo por mais uns 15 anos antes de abrir. O problema é que já fiz 60, então guardar vinhos ficou meio relativo! rs Graaande e complexo vinho que mostra bem todo seu potencial de guarda.

Bordeaux Sautern
Sautern et Barsac – Mais que uma apelação (AOC), uma marca mundial de excelência em vinhos doces que harmoniza maravilhosamente bem com Foie Gras (ops é proibido! rs) e queijos azuis e frutas frescas, mais que com sobremesas. Dizem que um Sautern deve ser tomado com mais de quatro anos e os bons (como estes baixo) precisando de tempo para mostrarem todo seu esplendor. Os “velhos” com trinta ou quarenta anos nas costas, dizem ser verdadeiros elixires, não sei, nunca provei, mas topo convites! rs Para encerrar em grande estilo dois grandes representantes e um que extrapola e nos deixa boquiabertos com tanto esplendor. Chateai Doisy Daëne e Chateau Guiraud, ambos excelentes, mas o Chateau Coutet é verdadeiramente um vinho classe I, de Inesquecível e Incuspível! DIVINO, um conjunto de emoções na taça indescritível, e a uma fração do preço dos mais famosos, muito próximo da perfeição!

O que pode causar estranheza é como vinhos que são de longa guarda como estes podem já despertar tais emoções e prazer hedonístico. Pois bem, o que tenho verificado ao longo destes longos anos de provas, é que a grande safra costuma apresentar esse perfil, vinhos com grande capacidade de guarda, porém já muito palatáveis desde cedo! Só para citar alguns; Safra 2007 e 2011 em Portugal, 2006 na Itália, 2005 no Chile, 2015 no Uruguai entre outros, e agora 2009 em Bordeaux. Enfim, mais uma grande experiência e as características de cada uma dessas regiões foram colhidas no livro de meu saudoso mestre e mentor, Tintos & Brancos de Saul Galvão, que segue sendo meu principal socorro em momentos de dúvida sobre nossa vinosfera.

Fui, espero que tenham curtido e semana que vem tem mais. Um ótimo fim de semana e kanimambo pela visita, saúde!