Cinco Pontos a Ter em Mente na Hora da Compra de Vinhos

 

cincoSempre bom lembrar, mesmo para os que já iniciaram seu caminho pelas estradas de Baco, e esse texto publiquei mês passado na revista Cotiana da Aetec. As duvidas podem ser muitas e as armadilhas idem (tipo o melhor vinho do mundo), mas não se sinta só, pois duvidas é que não faltarão nessa fantástica viagem  por nossa vinosfera e nunca cessarão, mas espero que estas dicas possam lhe ajudar em suas próximas compras.

1 – A uva no vinho. Não dê demasiada importância neste quesito, explore! Será que aquele Cabernet ou  Malbec que você tanto gosta realmente é elaborado com 100% dessa uva que é o que dizem ser um varietal? Você sabe o que está bebendo? Pessoalmente tenho uma queda pelos blends, prefiro sempre o conjunto da obra, porém o que poucos sabem é que muito desses varietais realmente são blends, uma composição de diversas uvas. A legislação na maioria dos países produtores, determina que se um vinho tiver no mínimo 85% de uma uva, este pode ser rotulado como tal sem que haja qualquer informação quanto aos 15% de conteúdo restantes! Não se prenda a uma única uva ou uma única origem, explore pois o melhor desse mundo prazeroso de Baco é o garimpo, a viagem por novos sabores.

2 – Comprando Pontos? Pontuações nos vinhos são indicações ou tendências de qualidade e não devem servir de única base para sua escolha, tão pouco serem tomadas como conceitos de absoluta qualidade. Esse é mais um equívoco que muitos praticamos com maior ou menor parcimônia e há que se desmistificar essa prática até porque alta pontuação num vinho não quer dizer que ele agradará seu palato da forma como o fez a quem pontuou. MUITO cuidado com as chamadas dos marqueteiros de plantão para os ditos “melhores do mundo”, isso é uma tremenda enganação que não existe, uma verdadeira armadilha para pegar os mais desavisados! Há um monte de rótulos de muita qualidade sem qualquer pontuação e outros altamente pontuados que nem sempre performam como esperado em nossas taças, então não dê demasiada importância a esse tema, parcimônia é nome do jogo aqui.

3 – Idade, quanto mais velho melhor? – Ledo engano, verdadeira história para boi dormir e uma das maiores falácias de nossa vinosfera que provoca muitos erros na hora da compra. Existem vinhos feitos para serem tomados jovens, a grande maioria, e outros para guardar ou deixar para serem tomados com mais idade e mesmo estes com capacidade de guarda é importante saber onde e em que condições foram guardados. Muitos descontos grandes são dados em vinhos “mortos”, olho vivo. Não compre vinhos antigos (mais de cinco/seis anos) sem saber de seu histórico de vida e se forem vinhos brancos então, mais cuidado ainda!

4 – Só vinhos caros são bons. Mais uma falácia que o mercado e os maus vendedores tentam repassar para o apreciador do vinho. Vinhos bons são caros sim, mas o inverso não é verdadeiro existem vinhos bons em todas as faixas de preço. Se você está na fase dos Reservados, não adianta sair queimando uma nota num “Brunelão” que provavelmente você não irá apreciar, mas há coisas bem melhores por preços similares. Vá “crescendo” gradativamente dando chance ao seu palato para apreciar alguns grandes néctares, tudo a seu devido tempo, não dá para tirar a carta num dia e no seguinte entrar numa Ferrari a 200 por hora, a probabilidade de se dar mal será imensa!

5 – Avalie o local onde está comprando vinho. Vinhos ao sol e ambientes quentes e abafados, são grandes inimigos do vinho. Ambientes e vinhos bem tratados mostram cuidado e respeito para com estes caldos de Baco então, conheça seu fornecedor e a origem de seus vinhos!

Para terminar este papo de hoje a melhor dica, que tem a ver com a primeira, SEJA INFIEL! Fidelidade é um valor importante social e comercialmente, mas furado na relação com o vinho. O maior barato do mundo do vinho é exatamente essa diversidade de uvas (mais de 3.000), origens, sabores e prazeres que eles despertam em nós então, para quê ficar Cinco lembretessempre tomando as mesmas coisas? Tudo bem, tenha seus “portos seguros”, mas como já dizia o poeta, navegar é preciso e um bom timoneiro (comerciante/sommelier) de confiança é importante nessas horas.  Um último toque; vinho é prazer, não status, então aproveite a viagem, explore muiiito e deixe o vinho cumprir seu papel, o de lhe dar prazer, sem preconceitos. Na próxima vez que for comprar vinhos, lembre-se dessas 5 dicas e libere-se, seja feliz!! rs Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer outro ponto de nossa vinosfera, que tal na Patagônia em Novembro nos feriados??

Vinho na Taça, Não no Tubo!

“Todo o grande vinho é caro, mas nem todo o vinho caro é grande!”, digo isso há mais de dez anos e por isso mesmo gosto de aplicar degustações ás cegas quando as pessoas provam um vinho sem saber seu preço, sua origem ou produtor. Sim, porque não é só preço que influencia sua capacidade de avaliação! O que faz um vinho ser caro ou barato é papo para um monte de outros posts, as variáveis são enormes entre elas a própria lei da oferta e demanda, porém é claro que a tendência é acharmos que quanto mais caro o vinho melhor ele seja o que não está errado pois na maioria das vezes o é e isso vale para qualquer produto.

Hora, se falo isso por uma década, para que este post e porquê desse título? Calma, é que está circulando por aí no Face um artigo publicado pelo jornal virtual Nexo repicando um teste científico alemão realizado pela universidade de Bonn em que pesquisadores usaram de ressonância magnética para avaliar a reação das pessoas ao tomar o mesmo vinho porém lhes sendo mostrado etiquetas de preços diferentes. Acho um desperdício de tempo e grana o teste e o resultado é mais do que óbvio, porém há quem tenha necessidade de comprovar o óbvio então respeitemos. Ao ler o artigo, no entanto, fiquei estarrecido vejam só a fórmula usada para a realização do “experimento” e meus comentários em azul:

 

Os pesquisadores avaliaram 30 participantes, dos quais 15 homens e 15 mulheres, com idade média em torno dos 30 anos. (já acho que a faixa etária deveria ser mais alta e/ou existir um mix de idades) Eles ficaram deitados (argh) em um aparelho de ressonância magnética para que sua atividade cerebral fosse gravada em tempo real enquanto tomavam doses de vinho. A bebida foi servida por meio de um tubo que ia para a boca do participante (mon Dieu!!). Antes de cada nova dose, a pessoa deveria lavar a boca com enxaguante bucal (PQP!!).” É para acabar com qualquer palato e, aparentemente, nenhum dos doutores pesquisadores tem qualquer liga com gastronomia ou o mundo do vinho, coisa de louco! Vinho por tubo e enxague bucal, ca-ce-ta-da!!! rs O texto completo e resultados você poderá ter aceso clicando no link a seguir > https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/08/14/Por-que-vinho-mais-caro-tem-gosto-melhor-segundo-a-ci%C3%AAncia

 

Não vou colocar em xeque o experimento dos nobres doutores alemães, quem sou eu, mas convenhamos que as premissas… Enfim, não tinha como deixar de comentar aqui, mas deixemos claro que nem todo o vinho barato é ruim, apesar das probabilidades e da falácia de que vinho bom é o que você gosta, e nem todo o vinho caro é bom apesar das probabilidades também. Já provei grandes vinhos que me decepcionaram e já fui surpreendido por vinhos baratos bem legais, então deixemos os preconceitos de lado e exploremos o mundo de Baco como ele deve ser explorado, com vinho na taça, jamais em tubo!!! rs

Kanimamabo, saúde e acho que vou ter pesadelos pensando nesse tubo e no enxague!!! rs Gente, apesar disso, uma boa semana para todos.

 

O Que Você Quer Ler Numa Descrição de Vinho?

Hoje o post é simples e curto, muito mais uma pesquisa do que qualquer outra coisa. Quando você acompanha um blog, lê uma revista, o que você gostaria de ler numa resenha sobre um vinho. Dos frutos do bosque nos aromas, do tipo de madeira usada, da região produtora, uvas usadas, corpo do vinho, se tânico, ácido, floral, do tipo de Question-mark-clip-art-question-mark-image-image-2barricas, o quanto estas informações são importantes para vocês e lhe dizem alguma coisa?

O que você gostaria de ver mencionado nessas resenhas e que hoje não está presente? Afinal, quais são os dados sobre o vinho que você gostaria que um escriba do vinho colocasse na tela ou no papel para lhe ajudar a entender esse vinho e facilitar sua compra? Até que ponto uma nota é ou pode ser importante?

Sinto que por muitas vezes escrevemos sem norte e talvez esse seja um dos temas que vêm me incomodando, me deixando algo frustrado quanto ao “trabalho” que venho desenvolvendo por aqui há quase dez anos! Gostaria de aprimorar isso e vossa ajuda com esta interatividade que tanto prezo, me seria muito útil então agradeço desde já a todos que possam despender uns minutinhos num comentário sobre o tema, creio que todos podemos ganhar com isso, eu certamente sim.

Fica aqui a abertura e tenham um ótimo fim de semana. Se tiverem um tempinho, passe na Vino & Sapore neste Sábado, vos espero lá para uma tacinha de vinho e dois dedos de prosa. Kanimambo pela visita e nos vemos, fui!

Salvar

Salvar

Como Falar de Vinhos, Eis a Questão!

Ainda recentemente escrevi sobre a necessidade de descer do salto xv e olhar, sentir o vinho de forma diferente sem os estereótipos que se criaram em torno do tema. O tema levantou algumas celeumas, e mais tarde vi no Face um monte de gente falando sobre a linguagem no vinho, tirando sarro de alguns termos usados por diversos blogueiros ou simples apreciadores de vinho que usam palavras tipo “guloso”, o que significaria tal palavra? Em sendo face, os comentários foram imediatos e dos mais diversos, porém o que mais me chamou a atenção foram os comentários algo pejorativos a uma série de termos usados. Está certo alguns são excessivos, mas gente deixemos as pessoas se expressarem da forma que mais lhes convier, qual o problema? Muitas vezes um simples gosto ou não gosto cai bem! Afinal, quantos sabem o significado de Sur Lie, Botritizado ou Sous Bois na descrição de um vinho??

Acho que a forma e o conteúdo têm muito a ver com quem lê o que você escreve e qual a mídia em que é publicado. Com minha atividade comercial neste nossa vinosfera tupiniquin, canso de ver gente sem qualquer base, gente que confunde taninos com acidez e acidez com amargor, tudo bem, afinal isso ocorre nas nações consumidoras mais antigas onde a o vinho faz parte da cultura do povo à gerações! O vinho pode ser guloso para uns, gordo, raquítico ou esquálido para outros e eu gosto de vinhos que falam comigo! Uns são brutos, outros elegantes, uns me dizem pouco, outros possuem um papo bem cabeça, importante é que me transmitam algo que valha a pena ou simplesmente não me fazem falta, como algumas pessoas! A linguagem figurativa por muitas vezes nos diz mais sobre o vinho e seu impacto sobre quem o consumiu, do que frases cheias de termos mais técnicos a não ser que vocês esteja numa reunião de experts. Eu, por exemplo, quanto mais um vinho me empolga mais adjetivos uso!

Andamos críticos demais, acho que se deixarmos fluir as sensações sem querer estabelecer regras canônicas sobre este tema, respeitando a todos e lendo aqueles que nos interessam, talvez o tal  de “descomplicar” o vinho  (que tantos alardeiam e tão poucos praticam) efetivamente ocorra. Viva e deixe viver, cada um do seu jeito, com seu estilo com sua dialética, o resto meu amigo, o resto é só “broma” para valorizar passe! rs Importante, a meu ver, é deixar os sentimentos fluírem dentro de uma certa razoabilidade em que se consiga, de forma figurativa, facilitar a linguagem do vinho de forma mais coloquial e menos técnica, deixando esta última para momentos mais adequados.

Abraço, kanimambo e um bom fim de semana com vinhos de bom papo, repletos de adjetivos positivos e um belo Dia dos Pais!

 

Sem Inspiração ou Writer’s Block!

Writers block 0Achei que uma semana ia dar, mas virou dez dias e nem assim! rs Stress, depressão, cansaço, irritação, frustração, questionamentos, dúvidas, decepção, perda, vazio de criatividade, etc. e etc. e etc., as razões podem ser muitas ou até estarem todas se manifestando ao mesmo tempo! Na verdade, depois de quase dez anos na labuta aqui no blog com mais de 1900 posts publicados, fica a sensação de que a inspiração se esvaziou, que você chove no molhado, que as coisas se tornam repetitivas, que pouco ou nada está acrescentando!

Chega a frustração, as palavras não vêm, as dificuldades de expressão aparecem com mais frequência a falta de tesão pela escrita se torna cada vez mais aparente e aí você se dá conta de que talvez, só talvez, esteja sendo exageradamente crítico consigo mesmo. Por outro lado, escrever dá trabalho, não se engane e quando sua mente já está ocupada com mil outras atividades, então … !

Writers block 2

Daí fico pensando, exercício de auto análise (rs), o que fazer para quebrar essa corrente? O que posso mudar? Essa placa que descobri me indicou o caminho, simplesmente escreva, quem sabe sai algo que se aproveite? Parar, se entregar é que não é solução a não ser que haja a real e pensada decisão de cessar com esta atividade e isso ainda não é o caso, então reagir é preciso!

Writers block

Tenho uma lista infindável de tópicos a me dedicar, uma lista grande de experiências , ideias e conceitos a compartilhar então nos próximos dias retorno com meus posts Falando de Vinhos, mesmo que não estejam à altura do que eu espero de mim mesmo e espero que os amigos que me seguem entendam e “aguentem” (rs) o período de transição. Talvez teste algumas fórmulas novas, enfim, vamos ver o que sai! Kanimambo pela visita e paciência, sáude e até breve. Abraço e boa semana.

Salvar

Meus Mantras no Mundo do Vinho

Desde que comecei a divulgar e comentar este mundo dos vinhos regido por Baco, tentando compartilhar experiências e promover aquilo que encontro de bom em nossa vinosfera, tenho tentado fazê-lo de forma a desconstruir a imagem snobista e elitista que alguns construíram, pois nossa vinosfera precisa efetivamente de um trabalho forte de desmistificação e desconstrução! Quando dou cursos ou promovo alguma degustação temática, tomo por base esse conceito e uso como exemplo estes três pensamentos ou, talvez melhor, ensinamentos passados adiante por gente de respeito neste meio.  São meus mantras (rs) que hoje gostaria de compartilhar com os amigos leitores pensando sempre numa vinosfera mais real, com menos firulas, mais simplista porém não menos poética quando tem que ser na expressão das sensações que nos despertam.
Me fez lembrar quando com cerca de 14 para 15 anos desafiei meu professor de literatura inglesa ao ele me dar uma nota baixa quando da interpretação de um poema. Afinal, uma obra de arte não possui a capacidade de alcançar sua mente e coração de forma diferente gerando emoções diferenciadas em cada um? Por quê a minha percepção estava equivocada e não a dele? Ele esteve com o poeta ou este deixou algum escrito dizendo o que ele queria que cada um sentisse ao ler suas palavras? Lembro que tinha 14 anos, porém deixando de lado o aspecto mais ingênuo das colocações que fez com que minha nota fosse reduzida um pouco mais (rs), acho que isso se aplica muito à nossa vinosfera porque muito destes vinhos são poesias engarrafadas que falam (sim, quer os esnobes queiram ou não, eles falam) conosco de forma diferente, nos tocam e geram emoções diferentes em cada um de nós, deixando claro, a meu ver, que por estas bandas não existem verdades absolutas. Bem, já falei de mais, como de costume, então vamos aos mantras que regem minhas atividades no setor:
AlejandroDe Alejandro Vigil – Enólogo argentino, considerado um dos 30 mais importantes da vinosfera mundial, responsável por alguns dos melhores vinhos argentinos da atualidade
Porque tenemos la tendencia de lo absoluto ? Porque alguien tiene que decir su verdad como única ?  Los vinos para cada persona significan algo distinto, siente algo distinto , ven cosas distintas … Cada quien sentirá la mineralidad , verticalidad , frutas rojas o negras, para otros simplemente le gustara o no . Pero nadie puede decirte a vos que sentís o que piensas . El vino por definición es plural y diverso, nadie tiene la última palabra es tus gustos y sensaciones solo vos “.

De Saul Galvão – Saudoso e insubstituível mestre da crônica enogastronômica de nossa vinosferasaul 11 tupiniquim que com todo seu conhecimento não só pregava a humildade  no trato do vinho como a praticava em seus escritos, palestras e até nos eventuais encontros com seus seguidores como eu que tive a rara oportunidade de o encontrar uma vez tomando sua taça no shopping Iguatemi e trocado com ele dois dedos de prosa.Uma pessoas extremamente afável, faz falta!

“Quando se fala em vinhos, nunca há uma palavra final, mas sim opiniões, que podem ou não ser bem sustentadas. No final, só uma opinião importa, a sua. O vinho só existe para dar prazer, se ele deu prazer, cumpriu sua função, independentemente de regras cânones e opiniões alheias. Costumo dizer que o vinho precisa descer do pedestal no qual foi colocado por alguns esnobes e pretensos entendedores e ser colocado em seu lugar, que é o copo. Nada mais chato que um esnobe do vinho, que fala pomposamente, como se ele fosse o único ungido a entender termos herméticos”

Aubert-de-Villaine-1-docAubert de Villaine – é co-proprietário e co-diretor do Domaine de la Romanee-Conti na Borgonha, responsável de alguns dos vinhos mais caros do mundo, sendo proprietário de uma vinícola em Bouzeron na mesma Borgonha e outra ainda, na Nappa Valley tendo sido um dos juízes no famoso Julgamento de Paris em 1976.  

“Não fico surpreso que as pessoas não identificam estes aromas todos nos vinhos que compram, eu mesmo não sou capaz de reconhecê-los. Aliás, acho isso muito aborrecido, não estou interessado nisso e sim na personalidade do vinho.

Creio que fica claro, não por minhas palavras mas nas deles, que não há porquê se assustar ou se sentir frustrado se você não achar nos aromas ou nos sabores o que o produtor imprimiu no contra rótulo ou o que determinado crítico tenha escrito sobre o vinho. No final, tudo isso são meras indicações e serem sorvidas com a devida parcimônia. Curta os vinhos que achar que valem a pena, da forma que mais lhe convier lembrando que, se lhe deu prazer o resto é acessório! Pode até agregar, mas o importante mesmo é que o você sentiu. Fui, fico por aqui hoje, uma ótima semana para os amigos que hoje me deram o privilégio de sua visita, Kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou por aí nas estradas de nossa vinosfera tupiniquim!

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

O que o Contra Rótulo Não Diz, Mas eu Gostaria de Saber

Quantos dos amigos leem um contra rótulo? Também, cá entre nós o que interessa à imensa maioria saber a quantos graus foi fermentado o vinho e por quantos dias? Muita firula, querendo falar muito para quem entende do riscado mas pouco, muito pouco “user friendly” para com o consumidor em geral! Já toquei neste assunto há uma meia dúzia de anos atrás, porém achei que estava na hora de retomar o tema que, a meu ver, é deveras importante, especialmente no Brasil

Informações sobre a produção mais práticas e objetivas, mesmo que haja alguma descrição lúdica do caldo, são uma forma de contribuir para um maior esclarecimento que ajudaria em muito o consumidor na hora da compra. Considerando-se que o Brasil é um país ainda engatinhando no conhecimento enófilo, esclarecer é educar e a educação, afora o preço, é um dos caminhos para o crescimento do mercado.  Não só os produtores locais, mas também os importadores que já têm que obrigatoriamente providenciar contra rótulos em português, poderiam ajudar muito nesse processo pois um sommelier de qualidade em cada local de venda é totalmente inviável e uma compra mal feita faz um estrago danado! Cabe a quem vende tentar sanar esta falta, não ao consumidor que pode, ou não, se interessar ao ponto de correr atrás.

Luis Lopes, editor da revista de Vinhos em Portugal, foi especialmente feliz em um de seus editoriais lá atrás 2009, por sinal de um humor sarcástico ao ponto, do qual extraí três frases elucidativas, mas recomendo acessar o texto completo aqui.

  • “É uma inutilidade tão diversificada que até pode ser agrupada por temas. Há os contra-rótulos auto avaliativos: “este magnífico vinho”; “este néctar precioso”; “um tinto cheio de personalidade e carácter” (a garrafa custava €1,90, a personalidade é barata hoje em dia).
  • Aprecio igualmente o contra rótulo gastronómico: “óptimo com peixe e saladas”; “perfeito com caça de pena e queijo” (a julgar pelo número de vezes que esta sugestão se repete, acho que metade dos vinhos portugueses são para beber com caça e queijo.
  • A temática tecnológica incide sobretudo na adega. “fez a maloláctica na barrica“ (malo quê? dirão os mais distraídos, mas esta preciosa informação é só para especialistas); “passou 16 meses em barricas de carvalho francês de Allier grão fino tosta média” (nah, esse é para amadores, vou levar este outro que passou 22 meses em barricas de carvalho Nevers, grão médio, tosta forte, coisa de macho).

Jancis Robinson também comentou este mesmo tema na Prazeres da Mesa de Maio de 2011 sob o titulo, “O Que Diz o Rótulo” ao qual respondo, quase nada!

Todos os comentaristas têm sua parte de razão e visões diferentes sempre existirão, até porque, como já disse Nelson Rodrigues, a unanimidade é burra e a divergência serve de fluido para o desenvolvimento. Já vi alguns rótulos, agora não me lembro os produtores, que apresenta um gráfico com uma curva de maturidade estimada do vinho que achei bastante interessante, até porque a maioria dos consumidores ainda acredita na falácia de que vinho quanto mais velho melhor e sabemos que não é bem assim e, por outro lado, não tem ninguém melhor para conhecer o potencial de guarda de um vinho que seu produtor já que vinho pode ter prazo indeterminado de vida, mas uma hora também chega a seu fim! Quem sabe isso não inibiria a atividade de comerciantes e importadores inescrupulosos que saem por aí dando descontos imensos em vinhos que sabem estarem moribundos, um verdadiro desserviço a nossa vinosfera. Já vi promoção de Beaujolais Noveau com DOIS ANOS!!!  Enófilos e apreciadores de vinho dotados de mais conhecimento certamente não caem mais nessa, mas e a maioria dos consumidores sem o mesmo conhecimento? Não nos iludamos, o mercado ainda é imensamente incipiente de conhecimento e por isso acredito piamente que, especialmente nos vinhos de entrada de gama, quanto mais informação melhor pois isso também é educação.

Enfim esta matéria pode gerar discussões acaloradas, mas os produtores e importadores poderiam dar uma forcinha ao consumidor, não? Sem necessidade de leis ou imposições, simplesmente a aplicação de bom senso comercial e recolhi aqui alguns poucos contra rótulos que creio mostram que há luz no fim do túnel e não é um trem em sentido contrário!

Este do TRIO podia ter algumas cositas más, mas gostei da proposta

Este da MILLS até acho que tem algumas coisas interessantes, porém há informação demais e faltou objetividade

O que eu gostaria mesmo de ver nos rótulos:

Gráfico de Pico estimado de Consumo / Tipo de madeira (Barrica/chip/tábua) e por quanto tempo. / Nos blends as uvas e, mesmo que sucintamente, o que cada uma aporta ao corte. Nos vinhos muitas uvas (tipo os portugueses) complica, mas …

Temperatura de serviço / Vinhos e Espumantes NV (não safrados) – data de engarrafamento / Nível de SO2 colocado de forma prática; baixo – médio – alta. Para quem sofre com isso no dia seguinte é uma mão na roda! / Nível de Acidez da mesma forma que o SO2; baixo – médio – alto / Nível de açucar residual, especialmente nos espumantes e vinhos de sobremesa, mas acho que vale para todos.

Sugestão genérica de harmonização / idade média das vinhas usadas / Corpo do Vinho; Leve – médio – médio para encorpado – encorpado e, já que isso começa a tomar conta do mercado com força, porquê não se o uso de leveduras são naturais (selvagens/nativas) ou selecionadas (compradas).

Agora, se é para não dizer nada, diga-se nada com classe como mostra o Oscar da Quevedo no Douro. Criatividade a mil!!

Traduzindo

Olá! Eu sou o Oscar, queria apenas agradecer-te por teres escolhido meu vinho. Convido-te a te comunicares comigo, seja fazendo uma pergunta no Twitter @oscarswine, comentando uma receita do meu blog, www.oscarswine.com, ou, melhor ainda sugerindo-me uma! Não vou encher este rótulo com o habitual palavreado técnico e sugestões gastronomicas ridículas, mas continuarei a mostrar a nossa vida nas margens do Douro através de vídeos que partilho no Youtube. Espero que saboreies este vinho com boa comida e, mais importante, com um ou dois amigos… é que foi mesmo para isso que o fiz!

Salvar

Salvar

Salvar

De Novo, O Melhor Vinho do Mundo Não Existe!

Entra ano sai ano e nada muda, as falácias continuam as mesmas e cada vez fico mais desesperançoso quanto à seriedade de diversos players do mercado que na ânsia de faturar uns trocados a mais seguem em suas toadas de desserviço a nossa vinosfera tupiniquim, uma pena! Nas últimas semanas, mais uma vez um monte de mails recebidos com essa informação falsa. Meus amigos menos antenados nessas coisas do mundo do vinho, caiam nessa não!

Em função disso, achava que tinha que republicar este post de 2015 que segue mais atual que nunca.

Tem algumas coisas em nossa vinosfera que me incomodam uma barbaridade e dizer que um determinado vinho é o melhor do mundo para tentar vender seu peixe é uma delas sendo, no mínimo, falso! Primeiramente porque o fato de um determinado vinho ter ganho um concurso qualquer pelo mundo afora, por mais prestigioso que este seja, não faz dele melhor de nada a não ser daquele concurso, para aqueles jurados num determinado momento assim como o melhor vinho do ano da Wine Spectator é só o melhor vinho do ano de acordo com eles, nada mais do que isso, mesmo já sendo muito!

Já vi importador publicar essa asneira, já vi produtor fazer a mesma coisa e agora tenho recebido, por diversas vezes, um mail marketing de mais um Melhor Vinho Tinto do Mundo! Desculpem, mas acho um tremendo equivoco de quem sai para o mercado fazendo isso, pois está enganando o povo, pelo menos os que eventualmente possam vir a acreditar nisso. Existem no mundo algumas centenas de milhares de rótulos, alguns deles de reconhecida qualidade que não participam desses concursos, não havendo como colocá-los lado a lado numa competição em que se pudesse, eventualmente, chegar a uma conclusão desse naipe. Mesmo que isso fosse viável, ainda assim seria impossível chegar nessa definição devido à subjetividade e às variáveis inseridas no tema.

Quando um corredor detém um recorde mundial, fato matematicamente registrado, ele é o melhor do mundo até que alguém bata sua marca, já a maioria de outros Melhores do Mundo são meros atos mercadológicos sem fundamento mensurável. O futebol brasileiro, por mais que queiramos, não é o melhor do mundo ele só o foi em cinco copas o que já lhe dá um tremendo prestigio, mas é só isso. Nem Pelé, especialmente para os argentinos (rs), é reconhecido unanimemente como o melhor jogador de todos os tempos assim como Muhammad Ali não é o melhor boxeur de todos os tempos para muitos. Subjetividade, avaliadores, concorrentes diretos e momento, fatores importantes a serem levados em conta em qualquer comparativo do tipo.

Hà pouco mais de uma ano, em Abril de 2014, já mencionei algo sobre o tema mostrando como são premiados os vinhos nesses concursos e dava uma cutucada nos que insistem nessa propaganda enganosa do Melhor do Mundo. Gente, quando receberem o próximo mail marketing ou lerem algo nesse sentido na mídia,lembrem-se deste post. Você poderá até estar frente a frente a um belo vinho, mas jamais do melhor do mundo, pois NÃO EXISTE MELHOR VINHO DO MUNDO, mero fruto marketeiro, e já fique com o pé atrás com quem dissemina essa falácia! Condeno essas ações, acho-as anti éticas e um desserviço ao mundo do vinho. Para quem milita no ramo há a obrigação moral de educar e estes procedimentos não estão em linha com essa filosofia confundindo ainda mais a cabeça do consumidor.

Vivemos os tempos do tanto faz como eu faça desde que obtenha os resultados imediatos desejados, os fins justificam os meios, onde cada um quer levar vantagem sobre o outro de qualquer forma, da falta de moral e ética, então vá lá, numa dessas até dá para entender a tentativa de engodo, agora aceitar jamais!

Acredito que podemos ser melhores e, sem querer ser o arauto da verdade, ainda penso que a melhor forma de educação é a retidão dos exemplos dados e esse tipo de atitude não ajuda em nada o setor pois enrolar o consumidor não me parece prática saudável. Sorry, precisava fazer este desabafo em forma de alerta, ojo! Best wine in the world, bull, there is no such thing!!

Kanimambo e tenham todos uma ótima semana! Cheers

Natural, Ôrganico ou Bio?

Tenho que confessar, entendo é patavina disso! rs Em minha vida, no entanto, tenho por filosofia estar aberto a novas experiências, conhecimentos, então não me nego a conhecer mais a respeito destes conceitos que fazem a felicidade de muitos, sejam eles consumidores ou produtores. Me parece óbvio que se algo for bom, bem feito e me agrade, melhor se ele for o mais natural possível, até porque certamente entregará um sabor mais autêntico refletindo seu terroir de forma mais verdadeira. Por outro lado, não acredito em xiitas (de qualquer origem ou viés), nem tanto ao céu nem tanto à terra, não basta ser natural para ser bom e já provei algumas coisas intragáveis ( para meu gosto) de ícones biodinâmicos! Há produtos naturais que matam, então “só” isso não basta e precisa também ser palatável e fazer sentido econômico para mim, caber no bolso também é importante, ainda mais num país onde o vinho já custa os olhos da cara normalmente. Aí talvez o maior senão para estes produtos e o maior desafio para os produtores, ter uma precificação que permita com que seus produtos e conceitos se popularizem e não se restrinjam a uma elite consumidora de alto poder aquisitivo.

Óbvio que este assunto é deveras polêmico, nada simplista, e traz no seu bojo uma boa dose de controvérsia. Apesar do aparente crescimento de demanda que faz com que alguns poucos focados no setor tenham conseguido sucesso, verdade seja dita que em meus 6 anos de comércio (Vino & Sapore), pouquíssimas foram as vezes que alguém entrou buscando vinhos orgânicos e na maioria das vezes por mera curiosidade. Nos últmos seis meses, talvez umas duas ou três pessoas ! De qualquer forma, um sintoma de que algo começa a mudar no comportamento das pessoas e alguns players se especializaram nisso por crença e/ou comércio, não importa, fazendo nascer aí um nicho de mercado interessante que, parece, começa a crescer. Nunca coloquei um vinho no portfolio porque ele era orgânico ou qualquer outra versão do conceito, como também nunca escolhi um vinho por sua pontuação, escolho porque é bom e seu preço faz sentido para mim e meus clientes! Tendo dito isso, sim descobri que tenho alguns rótulos orgânicos na loja (rs) e a eles darei mais atenção doravante.

Pelo pouco que me debrucei sobre estes vinhos, sinto que os orgânicos (vinhos biológicos na Europa) são os que você menos sente diferença tanto nos aromas como no sabor, o que muda bastante quando os vinhos são os ditos naturais (não é um nomenclatura oficial, pelo que eu conheça) e biodinâmicos. Por outro lado, a lógica me faz crer que as safras são, mais que nunca, um fator importante a considerar no ato da compra pois existe pouco ou nenhum espaço para correção. O amigo Didu, conhecido de muitos em nossa Vinosfera e um grande incentivador do uso das leveduras selvagens no vinho, recentemente me presenteou com uma garrafa de Riesling Itálico, um vinho da Dominío Vicari de produção natural e biodinâmica, ele que é um entusiasta, grande incentivador e promotor destes conceitos mais naturais na alimentação. Óbvio que fiquei deveras curioso, até porque curto muito os vinhos do Matías Michelini (Argentina) que é um verdadeiro druida, explorador, produtor e promotor do biodinamismo como forma de vida, então não demorei muito para abrir não!

Pisa a pé, maceração em tanques de polipropileno, uso de leveduras selvagens, semvicari riesling itálico clarificar, sem filtrar e sem quaisquer aditivos outros. O primeiro impacto tanto visual como aromático deixa bem claro que estamos frente a algo diferente na taça. Como não foi filtrado nem clarificado, mostra-se turvo na taça porém mantém um certo brilho e vivacidade que mostra que é um produto em pleno gozo de sua saúde. Nariz bem frutado com toques sutis de flor de laranjeira e algo mais que não pude precisar! rs Na boca mostrou boa presença de fruta que me levou a pensar em algo de carambola, tem um toque de ervas frescas, talvez casca de limão e, como a Raquel, que também estava presente, lembrou – Kombuchá (não me perguntem como é, isso foi coisa dela! rs) Algo denso meio de boca, demora para se acostumar, curioso no paladar sem muita semelhança a nada, tem que buscar bem lá no fundo da memória e aí sai essa miscelânea de coisas que mencionei! rs Talvez o que mais me tenha chamado a atenção foi sua ótima acidez e equilíbrio final, porém não me parece um vinho que seja de fácil “digestão” pelos menos iniciados no mundo do vinho, não é um vinho fácil de se gostar, requer ter que “pensar” e a maioria não está muito a fins disso quando bebe, ele busca prazer! rs Para quem está no ramo, no entanto, algo a se prestar atenção pois o mercado está em ascenção.

Em Sampa vi que a Lis o comercializa na Saint Vin Saint que tem a enogastronomia “natureba” como seu foco. Creio que anda na casa das 120 pratas, caso alguém esteja interessado em provar um vinho diferente com uma marca de terroir própria e única. Valeu pelo presente Didu, sempre bom buscar novos horizontes e ver novos conceitos tendo me incentivado a estudar um pouco mais sobre o assunto e explorar um pouco mais essa fronteira. Quem sabe me verás na próxima feira da Lis?

Ah, não falei nada sobre o que é a produção Natural, Bio e Orgânica né? Bem, falei do vinho que tomei e minha opinião sobre o tema, já é algo (rs) quanto aos conceitos, pesquisei e não vou repetir aqui o que muitos já falaram. O que me pareceu mais didático e com fundo mais técnico foi este texto do Roberto Rabachino publicado no site As Boas Coisas da Vida, boa leitura para quem quer conhecer um pouco mais. Saúde e kanimambo pela visita, um ótimo fim de semana para todos.

 

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Aos Aproveitadores de Plantão!

Hoje, quero só deixar aqui um recado aos que acham que podem levar vantagem em tudo, aos que acham que pegar carona no trabalho dos outros é legal, que enfiaram a ética no saco e, aparentemente jogaram fora, aos oportunistas de plantão. Meus caros, Stop and do the right thingpor favor PAREM de fazer comentários aqui tentando promover seus negócios com links, não vai rolar e automaticamente já o classifico como spam, pronto, lixeira est!

O aviso e, ao mesmo tempo, desabafo se dá devido aos inúmeros comentários recebidos com esse propósito. Só neste carnaval foram quatro, neste ano já deve ter chego a uns dez,haja!! Gente, um deles, mesmo eu não liberando seu comentário, tentou por três vezes, incrível a cara de pau!

Não cobro por links que faço, compartilho o que acho que vale a pena, daquilo que conheço, de amigos e de parceiros, mas se realmente achar que vale a pena divulgar seu site ou loja aqui, por favor me envie mensagem que terei prazer em lhe locar um banner, não é tão caro assim e meus contratos são válidos por seis meses pagos antecipadamente.

Kanimambo saúde e, agora que o Carnaval passou, vamos produzir porque o ano finalmente começou!! rs

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar