Falando de Vinhos

Revista quase que diária sobre os encantos e segredos de nossa vinoesfera.

Taças de Vinho, Redescobrindo Sabores e Aromas.

Mesmo não sendo um xiita sobre o assunto, já deixei claro por aqui que uma boa taça pode sim fazer uma diferença enorme sobre o vinho nela tomado. Lógico que há momentos para tudo, já me diverti à beça tomando vinho num copo de requeijão numa tasca em Portugal ou de plástico na praia em Floripa, so what, como disse numa gravação há época, tudo vale a pena quando a alma não é pequena ! Agora, um bom vinho na temperatura e taça certa fazem toda a diferença e não há como negar!

Clipboard Riedel Tasting 2016

Semana passada realizei a terceira edição da Riedel Tasting Experience em parceria com ela mesma, a Mistral e minha amiga Nazaré, chef e proprietária do restaurante Vedhanta aqui no centrinho da Granja Viana, quando degustamos alguns bons vinhos em taças especificas para quatro varietais. É uma degustação de taças onde exercitamos nossa capacidade sensorial através de um exercício em que o vinho vai mudando de taça e, no processo, sabores e aromas, vão e vêm como mágica! Só que não é mágica não, é pura engenharia, que faz com que possamos tirar ao máximo tudo aquilo que um vinho varietal de qualidade pode nos oferecer e não só.

Clipboard Riedel tasting GlassesA Riedel estudou isso a fundo e como tal se tornaram ao longo dos anos especialistas em tirar o máximo de cada caldo em suas taças. Do vinho, ao café, passando pela Coca-Cola e Malt Whisky ou Cognac, para cada caldo uma taça para realçar todo o potencial que cada um tem. Tá, sei que pode ser exagero e preciosíssimo excessivo, mas que funciona, funciona. Tenho vários amigos que não acreditavam, inclusive alguns engenheiros professores que vieram conferir e comprovaram o fato. O mais legal é que agora, no caso de dúvida se pode usar um app que eles disponibilizam que possibilita que você possa tirar dúvidas na hora que precisar com relação à taça mais indicada para o vinho que vai servir, clique aqui e baixe.

Campeão nesse tipo de evento é sempre a taça de Chardonnay para vinhos com passagem por barrica, em que conforme você troca de taça o vinho vai literalmente sumindo, tanto no nariz quanto na boca, morre e ao voltar para sua taça ressuscita retomando todas as suas características, algo que normalmente deixa as pessoas boquiabertas! Desta feita, no entanto, me surpreendi muito positivamente com um vinho que há poucas semanas Porcupine ridge syrah-viogniertinha usado numa confraria, um Syrah/Viognier Sul-africano, o Porcupine Ridge. Em taças comuns de degustação, o vinho estava bom, porém apresentou pouca fruta, aromas animais intensos e baixa percepção das características notas de especiarias. Na Riedel Tasting Experience usando a taça própria para Syrah, a Hermitage, o vinho estava exuberante com a fruta bem presente, nuances animais idem porém de forma bem mais integrada ao conjunto e o final claramente especiado com notas de pimenta. Era um vinho de outro patamar de qualidade e caso não soubesse, diria que se tratava de outro vinho, show!

Enfim, sem exageros, porém de nada adianta comprar um ótimo vinho de 200, 300, 500 ou 900,00 Reais e tomá-lo numa taça “comum”, certamente boa parte do que você pretensamente comprou não estará em sua taça e você não irá usufruir de tudo o que o vinho teria a lhe oferecer, grana jogada fora. Ah, mas eu não compro vinhos desse valor! Argumento aceite, porém o vinho de que falei, o Porcupine Ridge ou o Catena Chardonnay tomados são vinhos na casa dos 100 a 120 Reais! É, deixei você pensativo sobre o tema né? Pois bem, vá fazendo seus testes e comprove por conta própria pois sei bem o que é ser “São Tomé”, porém certamente os 35 participantes que estiveram lá nessa noite não me deixarão mentir! Grato aos amigos que lá estiveram, à Nazaré, à Cristina Geremias, brand manager da Riedel para o Brasil e uma maestra no assunto, à Mistral e à Riedel. Kanimambo, saúde e desculpem pela ausência semana passada, mas o trampo está bravo! rs Uma ótima semana para todos.

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Conhecendo o que faz o MOVI

Muito bem, já falamos aqui dos vinhos, das regiões, das empresas, mas o que é que realmente faz com que o MOVI seja o que é? Entrevistei a amiga Angela Mochi que com seu marido Attilio (o quietinho da dupla – rs) iniciou suas atividades com uma loja em Campinas, virou importadora, fechou e se mudou de mala e cuia para o Chile com um sonho que se concretizou, produzir vinhos de identidade própria no Chile. Assim nasceu a Attilio & Mochi uma das vinícolas associadas do grupo:

Falando de Vinhos: Angela, o que é necessário para entrar no grupo, quais os parâmetros básicos que são considerados para aceitar um novo produtor no grupo?

Angela: Primeiro, que o vinho seja produzido em escala humana, ou seja, que os sócios estejam diretamente relacionados com o negócio, que não sejam apenas “acionistas”. Depois, que o vinho seja muito bom (isso é bastante subjetivo, mas a ideia é que não existam vinhos “Chilenos” no MOVI e sim vinhos que façam a diferença dentro do panorama vitivinícola Chileno. Para tanto, cada produtor que quer entrar para o MOVI precisa submeter os vinhos a uma degustação do Diretório. Também, é preciso que quem postule a entrada conheça algum membro que esteja disposto a patrociná-lo dentro do Movimento. O conceito por detrás é que quem entra sabe exatamente o que esperar da associação, uma vez que o padrinho já fez o trabalho de explicar tudo. Além do mais, está o sentido de cobrar dos membros responsabilidade quando se indica alguém, que essa pessoa/empresa seja compatível com os princípios do grupo de trabalhar em conjunto pelo grupo.

FV: Quantos sócios compõem o MOVI hoje?

Angela: Hoje somos 32, do extremo norte ao extremo sul, desde o Atacama até a Patagônia.

FV: Qual a produção total anual estimada do MOVI?

Angela: Essa é uma boa pergunta. Não temos essa estimativa feita, mas eu diria que estamos provavelmente bordeando umas 80.000 caixas de 12 ou seja, algo ao redor de 960 mil garrafas anuais.

FV: Quais das vinícolas associadas possui a maior e menor produção e quanto?

Angela: A maior é von Siebenthal, com umas 20.000 caixas (cerca de 25% da produção estimada do grupo) e a menor é Rukumilla, com umas 500 caixas.

FV: De forma resumida Angela, qual o objetivo e mote que rege o MOVI?

Angela: Principalmente permitir que pequenos vinhateiros sejam capazes de criar vinhos com personalidade, numa escala humana e de maneira sustentável ao longo do tempo. Também, interferir, de maneira positiva, na maneira como o Chile produz vinhos hoje, além de mostrar esse outro lado do país em termos de vitivinicultura.  MOVI é o Movimento de Vinhateiros Independentes do Chile, apresentando uma perspectiva moderna como país vitivinícola. Complementamos e contribuímos, uma contra cultura que apresenta resposta a noção antiquada de que os vinhos chilenos padecem de personalidade. Trabalhando em conjunto, costuramos um mosaico do vinho chileno, mostrando através do vinho, uma coletânea da personalidade individual de nossos membros. Através da associatividade, damos voz e uma marca para os vinhateiros independentes que se atrevem a pensar “pequeno”, num projeto maior em que a ênfase é mostrar a existência de um Chile vinhateiro mais puro, profundo e verdadeiro – o Chile real!

Bem amigos, aqui no blog há diversos posts sobre este tema desde 2012 então basta digitar MOVI em pesquisa (search – canto direito superior) e sair lendo. Agora, fica óbvio que a conclusão final só pode ser alcançada de uma única forma, provando! Então amigos, vamos ás compras? Que Baco guie seus passos, saúde, kanimambo pela visita e um belo final de semana olímpico para todos. Semana que vem seguimos por aqui, fui!!

 

 

 

Uma Outra Visão do MOVI

Não pude estar presente no último evento do MOVI então pedi à Raquel Santos, que os amigos já conhecem de outros posts por aqui, que me representasse e tecesse seus comentários sobre esta experiência, acho legal comparar opiniões. Como saber que vinhos são do MOVI? Bem,movi-logo-preto1 você pode ver a lista de produtores no meu post anterior clicando aqui e no contra rótulo da garrafa buscar o logo do movimento impresso,este aqui do lado, simples assim. Eis o que a amiga, confreira e sommelier Raquel têm a nos dizer do que viu, escutou e provou no MOVI Night.

“Aconteceu no dia 10/08 mais uma edição do encontro dos produtores independentes chilenos aqui em São Paulo. Esse grupo, que existe desde 2009, reúne jovens apaixonados pela vitivinocultura do seu país que buscam incansavelmente a qualidade e excelência em seus vinhos. São pequenos na produção individual, mas quando se juntam tornam-se grandes. O vínculo que carregam é a preservação mais pura da expressão e identidade,do seu terroir.

Esse ano a apresentação foi dividida em três flights:

  1. O novo Chile com mais personalidade.
  2. Os clássicos recarregados.
  3. O antigo agora é o novo – do Atacama ao Maule.

Começando pelo “novo Chile” procurei primeiramente pelos vinhos brancos. As opções eram bem pequenas em relação aos tintos. Apenas 1 espumante, 4 ou 5 Sauvignon Blanc e só 1 Chardonnay. Todos da região de Casablanca que fica no caminho entre Santiago e o litoral, local de clima frio, ensolarado e com grande influencia dos ventos marítimos vindos do Pacifico.

Merecem destaque o Catrala–Sauvignon Blanc – Cítrico, com toques de grapefruit, limão siciliano e notas florais. Acidez que faz salivar, pedindo comida para acompanhar. Outro Sauvignon Blanc que chamou minha atenção foi o Marina – Garcia+Schwaderer – igualmente fresco, com mais corpo e mineralidade bem presente, quase salino. O único Chardonnay era excelente: Villard – Chardonnay – fresco e complexo, com madeira bem delicada. Boa acidez, encorpado. A fermentação começa em tanques de inox e termina em barris de madeira francesa por 6 meses com malolática, que conferem aromas amanteigados, com baunilha e boa estrutura.

Seguindo a sequencia estabelecida, parti para os tintos e confesso que não notei bem a diferença entre o “novo”, “os clássicos” e “os antigos”…No geral, as diferenças eram mais aparentes pelas características do clima.

1-Litoral, que recebe os ventos frios do Pacífico=frescor, mineralidade e boa acidez.

2-Entre cordilheiras, com muita luminosidade e calor= vinhos potentes, frutados e com taninos presentes.

3-Andes, amplitude térmica com muito sol durante o dia e muito frio no nascer e por do sol=vinhos aromáticos, frutados, com taninos mais macios.

Passada essa primeira impressão, aparecia obviamente as características das castas locais, onde a tinta Carmenére reina absoluta. Vinhos varietais ou em cortes eram a maioria e apesar do alto nível de qualidade, esse estilo robusto e potente não fazem muito a minha cabeça. Mas o mais importante aqui era a assinatura do enólogo que não deixava passar incógnita alguma expressão pessoal, algum toque que fazia diferença entre cada vinho provado. Entre eles, gostaria de destacar os que mais me encantaram:

Peunayen- Carmenére, potente, cheio de frutas maduras e final achocolatado.

Laura Hartwig-Cabernet Sauvignon, harmonioso e bem feito.

Vultur- Carmenére+PetitSyrah+PetitVerdot, da região de Colchagua. Corpo com elegância.

Aluvion(Lagar de Bezana)-Alto Cachoapal. Cabernet Sauvignon+Syrah+PetitVerdot+Carmenére. Fresco e boa estrutura.

Own- Carmenére+PetitVerdot+Petit Syrah. Produção mínima, com garrafa numerada.

Rukumilla-Syrah+CabernetFranc+CabernetSauvignon+Malbec. Orgânico que mostra personalidade.

Erasmo-Cabernet Sauvignon+Merlot+Cabernet Franc. Orgânico do Maule, muito elegante.

MELI Dueño de la Luna-Carignan. Do Maule, muito delicado, fresco e cheio de sutilezas.

Fillo-Carignan-(Bowines)-Frutado e vibrante.

Garage-Carignan Field Blend 2013- Do vale de Itata, nasceu literalmente na garagem de seu criador(Mosman Derek). Fermentação natural, com leveduras selvagens, mostra muita fruta com especiarias, flores e ervas aromáticas, evoluindo para notas terrosas. Muito expressivo, genuíno e equilibrado.

O vinho, como qualquer produção agrícola é um elemento cultural importante que reflete o desenvolvimento da humanidade. As mudanças climáticas, com drásticas elevações da temperatura, já é uma realidade mais que visível e a preocupação com o manejo do meio ambiente deve ser encarado como fator de qualidade do produto.Adaptações de abordagem de mercado se fazem cada dia mais necessárias para que se possa colocar em prática uma filosofia que dê continuidade aos elementos intrínsecos à nossa cultura.

Foi um belo panorama do que está sendo feito de novo naquele país. Quando pequenos se juntam e ganham visibilidade, mostram que de uma célula pode-se formar algo maior. Quando você estiver levando aquela taça de vinho à boca, lembre-se que tudo começou de uma semente que se transformou numa parreira que por sua vez transformou-se em cachos suculentos de uva. Destas uvas foram feitas o vinho, que engarrafaram para que você pudesse ter uma pequena amostra de todo um terroir”

Processo de Elaboração – Vinho Tinto

Já postei aqui, arquivados sob a Categoria “ABC do Vinho”, diversos diagramas didáticos e fáceis de entender sobre os diversos processos de elaboração de vinho passando por brancos, rosés e espumantes. Ao falar sobre tintos, quero deixar claro que estes posts não visam entrar em detalhes técnicos nem aprofundar o assunto, a idéia é desmistificar e descomplicar, facilitando o entendimento básico de como os vinhos são, de forma genérica, elaborados. Lógico que existem enormes variáveis no processo (tanques de inox, cimento, barricas de carvalho, tipos de leveduras, etc.), mas a grosso modo é assim que os vinhos são elaborados.

Neste exemplo, de origem espanhola, há que entender o que é vinho de “crianza” o que muitos entendem como vinhos jovens e, não, não é vinho para criança!!! rs Crianza aqui tem o significado de criar, de maturação. Existem os vinhos jovens que são engarrafados e colocados no mercado no ano da própria safra, sem nenhum processo de afinamento e “maturação” e existem aqueles que passam um tempo (estágio) em garrafa ou em tanques, barricas, etc. ou numa composição dessas diversas variáveis o que lhe dá um maior o tempo de “crianza” . Quanto maior for esse tempo,não só porém é um fator preponderante, mais complexo e mais caro se torna o vinho ganhando uma estrutura que permitirá sua guarda por tempo mais longo.

Processo elaboração de tintosSaúde, kanimambo pela visita e durante a semana voltamos a nos encontrar por aqui ou em alguma outra esquina de nossa vinosfera. Uma ótima semana para todos.

MOVI – Quem Sabe faz a Hora Não Espera Acontecer!

Há uns quatro anos atrás conheci e celebrei essa lufada de ar fresco vindo do Chile. Era o MOVI que se criava e hoje demonstra robustez dentro de um projeto quase lúdico que deu muito certo. MOVIMovimento dos Vinheteiros Independentes do Chile é uma associação de um grupo de produtores loucos por vinho que põem a mão na massa para produzir apenas algo ao redor de 40.000 caixas ano, ou por volta de 500 mil garrafas no total! Tem gente nesse grupo que produz ínfimas 1000 caixas ano ou seja, são produtores artesanais movidos por um projeto pessoal onde a paixão é colocada em prática “refletindo o caráter e identidade do terroir de seu local de origem”.

Cada um tem seus canais de venda específicos e toca seu negócio de forma independente, porém a associação trata de promover conjuntamente as empresas e seus produtos e que produtos! Fazia tempo que não participava de uma degustação tão marcante com presença de vinhos deste patamar de qualidade mostrando que a vida para além dos grandes conglomerados e rótulos midiáticos chilenos existe e é de primeira linha.Uma pena que não pude comparecer esta semana no MOVI Night! Nascido em 2008 com doze produtores, hoje totaliza 26 porém o grupo segue aberto a outras inclusões.

Clipboard Full Movi

Quando provei há 4 anos atrás, esta semana não pude participar porém minha amiga Raquel Santos me representou e certamente em breve teremos seus comentários por aqui, o que mais me impressionou foram dois pontos; a diversidade e a qualidade. Fora dos padrões de massificação bem feitinha e padronização com a qual o Chile ficou famoso, mostrando claramente que o vinho pode sim mostrar personalidades diferentes dependendo do terroir e da gente (que faz parte desse terroir) que os faz. Fique de olho nos rótulos desse pessoal, valem muito a pena serem conhecidos!

Não sou de dar nota para vinhos, exceto em concursos e degustações do qual participo e haja essa necessidade, porém se tivesse que o fazer nesse dia creio que 80% desses vinhos teriam pontuação acima de 90 pontos o que, para mim, não é comum fazer. Afora uns três ou quatro rótulos “somente” bons, todos vinhos de grande categoria e uma meia dúzia marcantes.

Na época em que escrevi sobre este tema, uma parte do objetivo era dar um toque aos pequenos produtores artesanais brasileiros que não participaram da excrescência de tentativa de golpe pelas elites produtoras nacionais contra o consumidor brasileiro com a instituição Salvaguardas ao Vinho Brasileiro (leia-se aumento de impostos para os importados fora do mercosul), para que se aventurassem com sua própria associação com projetos mercadológicos conjuntos, saindo pelo Brasil mostrando sua cara aos formadores de opinião e publico em geral. Que deixassem de ficar se lamentando pelos cantos, que agissem, tomassem uma atitude tipo MOVI e fizessem acontecer porque como já dizia Vandré; “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”, porém lamentavelmente não vi nada nesse sentido acontecendo depois de 4 longos anos, acho uma pena!

Enfim, deixemos isso para lá já que o tema é mesmo o MOVI, seus produtores e seus vinhos. Enquanto a Raquel não nos traz seus comentário, caso você queira saber um pouco mais, clique aqui e veja o que achei de alguns desses vinhos que provei em 2012. Kanimambo pela visita e um ótimo final de semana.

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Um Best Buy na Taça por 25 Pratas, Pode? Pode!!

“O mundo do vinho é estimulante, complexo, prazeroso, porém, excessivamente pedante e caro. Eis uma constatação que tem uma boa dose de razão já que no Brasil esta é a imagem, muita vezes, projetada tanto por parte da imprensa especializada, quanto por restaurantes que teimam em salgar os preços dos vinhos servidos em suas mesas, como por alguns importadores. Vinhos de R$100, 150, 250 e 400 são bons? Tem obrigação de o ser, muitos são ótimos, mas quantos de nós os podemos tomar com regularidade. Como explorador, ou garimpeiro, que sou, quero achar alegria e prazer em vinhos bons de R$30 (que são poucos) nos de R$60 (que já são muitos) e nos de  80 e 100 (que são um montão) e compartilhar isso com quem nutre os mesmos valores e interesses.”

Escrevi isso acima nos idos de 2007 e segue tudo igual, piorado pela instabilidade cambial e o aumento desacerbado de impostos tanto Estaduais como Federais que fazem com que cerca de 65% de uma garrafa seja imposto! Porquê falo disso, porque hoje vou falar de um vinho que tem tudo a ver com meus conceitos e minhas buscas que têm sido cada vez mais improdutivas na faixa de preço mais baixa da pirâmide, a de R$30. Não que não não hajam muitas opções no mercado, há, porém a maioria de qualidade “imbebível” ou próximo disso e nessas horas melhor escolher tomar menos e melhor! Quando temos a felicidade de nos deparar com um caldo que surpreende nessa faixa, então há que enaltecer o produtor/importador e compartilhar com os amigos.

Obviamente que tudo tem que ser entendido dentro de seu contexto de preço. Um Palio pelado não pode ser comparado com um veículo top de linha da montadora, o que devemos nos perguntar é; esse Palio pelado dentro de sua faixa de preço atende minhas necessidades de momento e me satisfaz com uma performance adequada? A mesma pergunta devemos nos fazer ao avaliar um determinado vinho, pelo menos é o que penso! Nesse contexto, o Classic Malbec da Salton produzido em parceria com a Salton Classic MalbecPenaflor lá em Mendoza me surpreendeu!

Neste último Domingo abri a garrafa que recebi do Winebar promovido pela Salton (ao qual não pude comparecer), num gostoso almoço familiar em que o foco era um belo Hamburguer. Achei que devia dar samba e deu! Tenho que confessar, no entanto, que faltou vinho para uma prova mais consistente e explico. Abri antes de colocar o hamburguer na grelha e o pessoal virou! Um pouquinho ficou mas dois goles foi pouco para testar a harmonização. O vinho é pura fruta, leve, fresco com taninos suaves elaborado somente em inox e acho que é um grande acompanhamento para lanches, esfiha de carne e pizza em geral. Um vinho que não possui qualquer intenção de se mostrar mais do que ele é, franco, saboroso, fácil de beber e agradável inclusive no final de boca. Por 25 pratas ou algo próximo disso dependendo do Estado ou cidade que esteja, difícil encontrar melhor e confesso, sem vergonha de ser feliz, gostei. Não procure complexidade aqui, ele é o que é, para tomar de golão! rs Não tivesse em supermercados e nas condições comerciais adequadas, seria um vinho que tranquilamente colocaria na Vino & Sapore, porque há momentos para tudo, o que não pode é tomar vinho ruim!

É isso, um verdadeiro Best Buy para orçamentos curtos que eu precisava compartilhar com os amigos sem frescura que me seguem. Nem todos os vinhos que recebo para prova e avaliação alcançam estas páginas pois,nem todos satisfazem minhas exigências gustativas de qualidade, mesmo alguns bem caros, então fico especialmente feliz quando isso ocorre num vinho tão em conta. Saúde, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou por aí lembrando que Dia dos Pais está chegando, já fez sua listinha??

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Degustando Taças de Vinho ou Desmistificando Enochatices

Afinal meus amigos, qual a real importância da taça de vinho na apreciação de um bom vinho? Necessidade ou pura frescura? Um de meus posts mais lidos trata exatamente da necessidade, ou não, de possuir boas taças e como este conceito pode ser exagerado! Por outro lado, um bom vinho merece uma boa taça e isso. eu garanto.

No entanto, esqueça o que eu ou qualquer outro diz, a melhor e única forma de descobrir se isso é só mais uma enochatice de nossa vinosfera, é provando! A Vino & Sapore se associou pela terceira vez ( a cada dois anos) à Riedel para promover mais um tira-teima, é a Riedel Tasting na Granja Viana agora no próximo dia 25 de Agosto. Limitado a 30 pessoas, dezoito dessas vagas já está pré-reservadas, vamos descobrir o quanto a diferença de formato de uma taça pode ou não mudar sua percepção de sabor e aromas.

Clipboard Riedel Tasting 2016

Lógico que para provar as taças precisamos de vinhos e por uma exigência da própria Riedel, os vinhos não poderão ter menos do que 90 pontos, afinal; para as melhores taças os melhores vinhos, ou vice versa! Com isso em mente e a parceria com a Mistral e a Almeria, creio que caprichamos na escolha, porém, mais uma vez, cabe a você conferir.

Catena Chardonnay (RP92) –  uma das grandes referências para brancos maturados em barricas de carvalho produzidos na América do Sul, mostrando muita concentração e finesse. Sempre muito elogiado pela critica internacional, é um excelente branco com bouquet cativante de frutas brancas e nota mineral. Na boca é macio e pleno, com frutas maduras, mel, baunilha e um agradável e sutil toque tostado

Alma Negra Pinot Noir (RP92) – vinhedo a 1.300 metros de altitude em Tupungato, com grande amplitude térmica, permite que a Pinot Noir seja colhida perfeitamente madura na região de Mendoza, dando origem a este cativante vinho da linha Alma Negra. Para respeitar o caráter delicado da casta, apenas 50% do vinho é maturado em barricas de carvalho francês, sendo o restante vinificado em cubas de aço. Um vinho fresco, aromático e de grande profundidade.

Perez Cruz Reserva Cabernet Sauvignon (Guia Descorchados 91) – rubi com reflexo violáceo intenso, aromas de frutas vermelhas, licor de cassis. Na boca exibiu taninos macios, redondos, quase aveludados. boa acidez e álcool integrado. Longo, intenso e bastante frutado, um vinho que reflete bem a tipicidade e seu terroir chileno do alto Maipo.

Porcupine Ridge Syrah/Viognier (WS 90)– um surpreendente corte a La “Cote-Rotie” elaborado na África do Sul, mostrando como a Syrah se deu bem por aquelas terras próximo a Cape Town. Vinho muito rico, fino e envolvente.

Nosso segundo parceiro neste evento é um local super aconchegante e de boa comida, o restaurante Vedhanta da amiga e confreira  Chef Nazaré Peixoto, aqui no centrinho da Granja Viana. Ao final da degustação, serviremos um prato de Raviolone de Mussarela e Manjericão com molho ao Sugo ou Al Limone, você escolhe na hora, acompanhado de um quinto vinho, o saboroso Paxis Douro (WE90) do qual será servida uma taça de 100ml para cada participante. Para finalizar, um cafezinho porque ninguém é de ferro (rs). Clique na imagem para aumentar e visualizar o gostoso lugar.

Clipboard Vedhanta

O kit degustação usado (as 4 taças varietais) poderá ser comprado a um preço especial no dia, assim como encomendas poderão ser feitas para taças avulso. Os vinhos servidos poderão ser comprados no dia com um preço especial com desconto de 10% sobre o preço de prateleira na Vino & Sapore. Tudo isso por apenas R$130,00 por pessoa com efetivação das reservas mediante pagamento. Nossos eventos têm tido, graças a Deus e apoio dos amigos, lotação esgotada em poucos dias do lançamento e como já temos 18 pré-reservas, sugiro ligar ou enviar seu mail já!

Parceiros neste evento, sem o qual nada conseguiríamos realizar/ Restaurante Vedhanta, Mistral, Almeria e Riedel. Um kanimambo enorme a eles e a você que segue fazendo deste blog um dos mais lidos no Brasil. Salute e aguardo vossas reservas lá na Vino & Sapore.

Local: Restaurante Vedhanta – Rua José Felix de Oliveira, 1032 / Centrinho da Granja Viana acesso pelo km 24 da Rodovia Rapose Tavares / Cotia

Dia: Dia 25 de Agosto às 20h

Reservas: Vino & Sapore – Rua José Felix de Oliveira, 875 – e-mail comercial@vinoesapore.com.br ou telefone (11) 4612-6343 ou 1433 das 14 às 19h

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Pensamento do Dia

Li na Revista la Nación um gostoso texto sobre um grupo de jovens e talentosos enólogos argentinos da atualidade, gente pela qual tenho o maior respeito. Pois bem, diz o artigo que para Alejandro Vigil, Marcelo Pelleriti, Alejandro Sejanovich, Matias Michelini y Matías Riccitelli, grupo de amigos, que o grande segredo de um bom vinho é somente saber “si está rico o no, si te gusta o no te gusta, si te tomás una copa o querés abrir tres botellas”.

Mendoza Boys 1

Certamente mais um frase que adornará minhas apresentações e textos sobre nossa vinosfera. Tem tudo a ver com minha percepção e sempre digo a meus clientes na Vino & Sapore que me pedem um bom vinho ” amigo, vinho ruim não entra aqui pois é barrado antes na minha taça já que provo tudo, agora, pode ser que você goste ou não”. Gosto e bolso são coisas muito pessoais que têm que ser respeitados. Estudemos, mas não compliquemos, estou com os moços e adoro os vinhos que me fazem querer tomar três!!

Recomendo a leitura do artigo completo mostrando essa verdadeira banda de enólogos, clique aqui. Kanimambo, saúde e desfrutem sem preconceitos!

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Processo de Elaboração – Espumantes

Uau, o tema de espumantes é meu campeão de visitas e me sinto à vontade para falar dele,pois não só o estudei tendo iniciado meus escritos falando deles lá nos idos de 2007, como sou um apreciador já tendo pesquisado (provado/bebido) muiiito! Um de meus primeiros posts mostra bem o que é espumante, deixa claro que lambrusco não o é, fala das diferenças entre brut, nature, demi sec, doce, fala dos vários nomes que um espumante pode ter (Champagne, Prosecco, Sekt, Sparkling, Mosseaux, Cava, Franciacorta ou bollettino, Cremant) e explica o que são os métodos de produção, Charmat, Tradicional (champenoise) e Asti, mas faltavam lá esses dois gráficos que torna a leitura mais clara e facilmente entendível. O Asti é na verdade um “Charmat” de uma única fermentação em tanque, então para todos os efeitos e do ponto de vista mais simplista, são apenas dois os processos a considerar. O Charmat com duas fermentações em tanque (exceção feita ao Asti) autoclave e o Tradicional que passa pela segunda fermentação em garrafa.

Método Charmat

Diagrama de vinificação espumantes pelo método charmat

 Método Tradicional (Champenoise)

Poster sobre elaboração de Espumantes II

 Por legislação, somente três DOCs exigem o método tradicional e tem mais uma a caminho (ainda por definir) que deverá ser em Pinto Bandeira no Rio Grande do Sul; Champagne, Franciacorta (Itália) e Cava (Espanha), sendo que este último é o único DOC não regional pois abrange sete diferentes regiões produtoras. Tem dúvidas, sugestões, correções, não deixe de me contatar que responderei na medida do possível.

Kanimambo  pela visita, saúde e e lembre-se que não há necessidade alguma de esperar uma data especial para abrir um espumante. A abertura de um torna qualquer momento especial então curta, pois espumante é vida, é festa, é alto astral!

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Mais um Paradoxo

Há cerca de dois anos falei aqui sobre um outro Paradoxo, o Merlot. Esta linha de produtos é da Salton e desta vez me foram enviados novos vinhos para um evento do Winebar que lamentavelmente chegaram tarde não possibilitando minha participação. Ontem então, decidi abrir este Paradoxo Cabernet Sauvignon para acompanhar um almoço simples mas bem gostoso temperado pela presença da família salvo um santista doente que está desculpado! rs Fettucine com linguiça e ovos, sabor de infância para meus filhos e que volta e meia curto fazer porque também gosto bastante e não dá muito trabalho.

Como estava com esta garrafa em casa, achei que seria uma boa companhia para o prato e deu certo, fiquei contente. O vinho tem passagem de seis meses por barricas americanas, mas acredito que sejam de segundo ou até, provavelmente, de terceiro uso pois a influência da madeira é pouco notada no conjunto que previlegia a fruta. Boa tipicidade num vinho que não busca complexidade, é franco, bem equilibrado, fresco, corpo leve mas não esquálido, fácil de agradar e que acho que vale os R$45/50,00 que encontrei por aí na internet.Um problema todavia, duvido que uma garrafa dê!! rs Por aqui fez falta a segunda.

salton paradoxo cabernet

Gostei, agora falta provar um Malbec que eles fizeram na terra dos hermanos e um Late Harvest, mas isso fica para uma outra oportunidade. Por enquanto é só, uma ótima semana para todos e seguimos nos vendo por aqui ou por aí, nessas esquinas de nossa vinosfera. kanimambo pela visita.

 

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