Falando de Vinhos

Revista quase que diária sobre os encantos e segredos de nossa vinoesfera.

Dois Bons Espumantes Para as Festas de Final de Ano.

Cá entre nós, para mim final de ano é toda a semana, porque eu celebro com espumantes ao menos 52 vezes ao ano! rs Espumantes são vinhos de celebração sem necessidade de motivo, abriu uma garrafa, pronto celebração, simples assim. Por outro lado, se existe uma época do ano para celebrar, é o final de ano com o Natal e especialmente o Reveillon. Mesmo em casa, a dois, sem festa, uma garrafa de espumante já faz a diferença. Seja para celebrar conquistas ou o simples fato de ter sobrevivido, desculpas certamente não faltarão.

Hoje quero compartilhar com você dois espumantes Brut, portanto seco, que me agradam bastante e, inclusive entraram na Confraria Frutos do Garimpo deste mês. Um Branco o outro rosé Rosé, um nacional outro italiano, os dois igualmente prazerosos com estilos bem diferentes.

O Santa Augusta Brut descobri em 2015, bem antes dos guias que agora o pontuam com 88 pontos (muito bom), e desde então nunca mais faltou em minha adega. Tem muito espumante por aí com marca que não chega aos pés nesta faixa de preços e até acima, é muito bom mesmo, realmente um achado! Gosto de colocar santa-brut-na-taca-1meus vinhos às cegas para terceiros e perguntar qual a percepção de valor apurada. Neste caso a percepção é sempre de um espumante de valor bem maior ao preço pago e isso é o que sempre busco, mais valia nos vinhos. Do Oeste Catarinense, especificamente de Videira, nos chega este espumante branco fruto  de um equilibrado blend de Cabernet Sauvignon (majoritariamente), Chardonnay e Merlot elaborado pelo método charmat longo (borbulha mais finas e consistentes) com seis meses sobre leveduras o que lhe confere mais complexidade e elegância de perlage (borbulhas). Boa intensidade aromática, mas é na boca que ele demonstra ao que veio com uma perlage intensa, fina, abundante, persistente que explode na boca com notas citricas, bom volume de boca, sutil toque de “padaria/brioche” e muito boa acidez num final de média persistência seco e muito agradável. Adicionado a tudo isso temos um fato deveras importante, especialmente nos dias de hoje, é barato. No site do produtor está por R$55,00 e em Sampa vi entre 50 e 56,00, uma ótima relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer)! Distribuidor em Sampa, Almeria Importadora de meu amigo Juan, pode ligar lá que ele avisa onde mais próximo de você este espumante está disponível.

 

Randi Burson Rosato Brut – Espumante italiano que já começa a surpreender pela uva usada em sua elaboração, a LONGANESI! Este descobri em 2016 e, como no Santa Augusta, volta e meia está na minha taça! A Itália está repleta destas surpresas regionais para quem topa se aventurar além da Toscana e Piemonte, regiões de burson-rosatoexcelência sem dúvida alguma, porém há muito mais a ser descoberto por lá.

Burson (apelido de Antonio Longanesi) é o nome dado pelos produtores ao vinho elaborado com a uva Longanesi na Emilia Romagna (mais conhecida entre nós pela produção de lambruscos), tendo como epicentro a cidade de Bagnacavallo. A uva possui uma história relativamente recente tendo sido “descoberta” por Antonio Longanesi ao comprar uma propriedade na região onde encontrou essa vinha que subia num grande carvalho, lá nos idos de 1920. Encantado com a uva, após quase 30 anos nos anos 50, começou um processo de reproduzir esse clone desenvolvendo uma produção especifica para elaboração de vinho.

De perlage fina (seis meses de Charmat), boa espuma, cor coral acobreada bonita, vivaz e paleta olfativa de boa intensidade. Na boca surpreende com um meio de boca bastante rico e complexo, bom volume, seco, boa acidez, final fresco com leve toque de especiarias, compondo um conjunto bastante harmonioso e diferente do que estamos acostumados. Preço médio em Sampa entre 85 a 90 pratas, que é preço justo pelo que ele entrega. Este é da Lusitano Import, que não fica só em vinhos lusos não!

Nos próximos dias postarei mais dois textos sobre o tema de espumantes para este final de ano. Um com dois espumantes/frisantes mais doces, porém nada enjoativos e outro com três pepitas nacionais, quem sabe um a mais, se houver tempo, só com uma seleção de dois ou três importados que também valem muito a pena. Uma boa diversidade de produtos, preços e estilos, por hoje fico por aqui, saúde e kanimambo pela visita.

 

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Luca Syrah, Um Vinho que fez Minha Cabeça!

Há poucos meses tive a oportunidade de provar boa parte da linha de vinhos produzidos por Laura Catena neste projeto solo iniciado em 99 trabalhando com vinhedos antigos de parceiros terceirizados e alguma coisa própria. É o projeto Luca que também possui outras linhas baixo o nome de la Posta e o famoso Beso de Dante. Foram um total de 12 vinhos que apresentaram boa qualidade, não poderia ser diferente em função de quem se trata e da região dos vinhedos, mas dois deles despertaram mais minha atenção, afora o Syrah que me seduziu, e o que é melhor, foram os mais baratos!

La posta - Linha

La Posta Angel Paulucci Malbec 2012 – USD28,00 (Vinci), um Malbec com passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês, só 10%novas, com um nariz muito atraente, na boca muito saboroso, vibrante, de taninos finos, redondo, já integrado, fácil de se gostar entregando muito prazer. Fácil tomar a garrafa!! rs

La Posta Glorieta Pinot Noir 2013 – USD28 (Vinci) frutos de um vinhedo a mais de 1000 metros de altitude com um mix de cinco clones trazidos da Borgonha. Doze imperceptíveis meses de carvalho francês de segundo uso que lhe aportam complexidade. Difícil encontrar tanta tipicidade num Pinot sul americano nesta faixa de preços, uma enorme surpresa. Prima pelo equilíbrio, gostei muito.

Luca Double Select Syrah 2013, show! – Vinhedos cultivados em parral desde 1971 em La Consulta no Vale do Uco, baixa produção (cerca de 18 mil garrafas) e esmero no trato da uva resultaram num vinho que me entusiasmou. São 14 meses de barrica francesa (40% nova e o restante de segundo uso) que nos trazem boa concentração, nariz frutado com uma boa presença de notas de especiarias,  cor escura, ótima textura de boca, encorpado, taninos aveludados bem presentes mas sem qualquer agressividade, meio de boca muito rica, algum defumado presente, final longo levemente apimentado com boa acidez, um grande Syrah em minha modesta opinião e um dos melhores que já provei de terras mendocinas. Não sou de pontuar, a não ser em bancas degustadoras quando se faz necessário, e costumo ser bem comedido quando o faço. Na maioria das vezes minhas notas estão sempre abaixo da maioria dos críticos, mas desta vez, confesso, estaria acima! rs Enfim, USD50 (Vinci), que no lamentável contexto de preços tupiniquim, vale bem a pena.

Luca Syrah

Linha de produtos muito boa, os Lucas têm uma legião de seguidores, estilo mais encorpado com bastante extração, porém sempre com taninos de muita qualidade buscando o equilíbrio. Gostei bastante do Chardonnay e o Beso de Dante é sempre um vinho de excelência que aprecio muito, mas a meu ver esse incrível Syrah, que não conhecia, me seduziu e me fez lembrar muito do Siesta (não mais produzido) de seu irmão Ernesto. Por hoje é só, em breve compartilho outras experiências com vocês, fui! Kanimambo pela visita

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Na Hora de Borbulhar, Quais e Quantas Garrafas??

Na hora de selecionar os espumantes de final de ano, e essa hora é agora, sempre um monte de duvidas né? Pois bem, o post de hoje tem o objetivo de dar uma mão nessa escolha. Chegamos a mais um final de ano e como já dizia Napoleão, “Espumante, merecido nas vitórias e necessário nas Brindesderrotas” ou seja, não tem desculpa! rs Para ele era Champagne, não tinha outra opção o coitado, mas nós temos um monte por onde escolher o que pode, até, nos deixar algo indecisos na hora da escolha. Seja para uma celebração especial a dois onde dá para caprichar algo mais, para casamentos, formaturas, festas de final de ano, batizados, etc. para cada uma dessas ocasiões existem alguns parâmetros importantes a considerar como; com quem, com quantos, onde, estilo, quantidade e preço.

1 – Com quantos e tipo de festa. Para uma formatura ou outras festas do tipo onde a número de pessoas é enorme e o foco é outro, espumante simples e baratos bem geladinhos, o que encobre qualquer defeito do vinho que só será conhecido no dia seguinte, no estilo aquela cerveja mais baratinha, “estupidamente gelada”!rs Há exceções nesse grupos enormes de gente, mas a maioria tem outros objetivos para a noite do que prestar atenção no que está bebendo. rs Já uma festa ou encontro com um número mais reduzido de pessoas requer um pouco mais de atenção né?

2 – Com quem e onde – uma reunião de amigos, um jantar especial, casamento, cada um tem seu estilo e depende do ambiente e dos amigos convidados. Num salão ou local chique com uma baita refeição o espumante tem que acompanhar, já se for na praia com ambiente mais descontraído, o espumante pode ser mais festivo. Se os convivas forem amantes do vinho e seguidores de Baco, algo mais sofisticado e diferenciado, não necessariamente caro, poderá ser uma opção a se considerar o que já não vale para uma turma mais cervejeira ou defensores de destilados.

3 – Gosto e preço – compre e sirva o que você gosta, porém sem perder de vista oBrinde com espumantes todo. Veja seu orçamento antecipadamente e usando os dois parâmetros anteriores, defina valores a serem gastos. Se for uma turma, convide uns dois ou três mais chegados nos caldos de Baco compre uma garrafa cada de três ou quatro rótulos dentro do orçamento e prove às cegas para escolher um e melhor não misturar rótulos ou estilos! Hoje há muitos rótulos bons nas mais diversas faixas de preço, porém também há as enganações e os maus comerciantes se aproveitando do momento para desencalhar estoques por muitas vezes já velhos, cuidado nessas horas e lembre-se sempre do famoso ditado popular, ” se a esmola é demais o Santo desconfia”!

4 – Estilo – existem espumantes Moscatel (doces), Demi-sec, Brut, Extra Brut, Nature, (saiba mais dos diversos estilos clicando aqui) e essa costuma ser também uma forte dúvida nestas horas, especialmente para os menors “litrados” rs. Lembre-se que o docinho que você eventualmente gosta pode não dar certo no grupo de convivas e normalmente não dá, especialmente se for um evento longo, com jantar. O doce enjoa, se faltar equilíbrio (acidez) então, nem se fala. Afora um brinde com bolo onde um Moscatel deve cair bem, sempre vá de Brut, mais chance de dar certo. Evite o Extra-brut e o Nature se sua galera não for de aficionados pois a chance de não agradar será grande.

5 – Quantidade – este ponto é sempre uma duvida cruel! A média que se conveniou estipular é de uma garrafa para cada três pessoas, mas há controvérsias! Costumo dizer que quem conhece sua galera é quem convida então; são tomadores, só bebericam? O espumante vai acompanhar o evento do inicio (recepção) ao fim? Será servido jantar? ChampagneQuantas horas durará o evento? Será usado só num brinde? Haverão outras bebidas alcoólicas sendo servidas concomitantemente? Todas estas perguntas precisam ser respondidas para adequar a quantidade que pode subir para uma garrafa por pessoa ou diminuir para uma garrafa para seis pessoas no caso de só um brinde! Por via das dúvidas e pensando em eventos de longa duração em que o espumante rola desde o inicio, gosto de recomendar o padrão de uma garrafa para cada 3 pessoas que bebem no caso de convivas “genéricos” e uma para dois se a maioria for de seguidores de Baco. Feitas as contas, adicione mais 10% por precaução, se sobrar algo certamente você certamente fará bom uso delas depois! rs

Por hoje ficam essas dicas que creio podem ajudar nessas horas de “stress”, a hora de tomada de decisão lembrando a máxima de Napoleão. Seja para afogar as mágoas de um ano especialmente difícil ou para celebrar a sobrevivência ao mesmo, uma boa taça de espumante, ou duas, é essencial. A boa notícia é que dá para tomar um espumante (não frisantes que são outro bicho!) já bem legal a partir das 40 pratas e os rótulos são muitos por aqui em nossa terra brasilis! Algumas dicas do de rótulos legais com destaque em negrito para aqueles que eu compraria numa boa, estão neste link.

Espero ter ajudado algo, afinal este é o propósito tanto do post como de Falando de Vinhos. Tenham todos uma ótima semana, kanimambo pela visita e tchin-tchin!

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Vinhos Brasileiros x Importados

Interessante este tema que segue atual há anos! rs A polêmica é sempre a mesma e normalmente gera debates bem acalorados. No fim de semana quando quando indaguei no Face sobre qual o Melhor Chardonnay Brasileiro, os comentários foram os mais diversos, desde criticas ao produto brasileiro, elogios e o sempre quente tema dos preços como impeditivo de crescimento do consumo e reconhecimento. Daí ter surgido a necessidade, para mim obviamente, de mais uma vez voltar a escrever sobre o tema.

A indagação colocada, visava buscar um rótulo nacional para enfrentar algumas feras de outros países representados por excelentes vinhos de Napa, Borgonha, Sicília, Argentina, Chile e Austrália. Lógico que cá tenho a minha opinião e até já tenho um em mente caso o consiga encontrar, porém quis ter um feedback dos amigos ligados ao mundo do vinho e vieram sugestões bastante interessantes, tanto de reconhecidos grandes vinhos como de vinhos bons, saborosos mas que dificilmente teriam porte para encarar as feras, mas esse é papo para outro momento pois me deu uma ideia que espero poder vir a colocar em prática brevemente.

Creio que o que tem que ficar claro, é que a grande maioria de nós não mais nega a qualidade dos vinhos nacionais, especialmente os espumantes, mas também de uma série de brancos e tintos. O grande problema, em minha modesta opinião, segue sendo política comercial e marketing, que atinge também diversos importadores com suas crises de personalidade, de precificação e obviamente cultural por parte do consumidor que segue achando que por ser nacional deve ser mais barato. Viver no Brasil é caro, produzir no Brasil é caro e ponto final! O mercado de vinhos finos brasileiro não cresce essencialmente por isso e quem toma vinhos finos é a classe média que perdeu poder de compra de forma implacável e devastadora nos últimos anos, então …

Voltando ao cerne da questão, há que se comparar alhos com alhos, não com bugalhos, e o preço no Brasil é a referência a ser levada em consideração em qualquer análise comparativa séria e isenta que obrigatoriamente deverá ser executada às cegas. Vou dar dois exemplos disso que aconteceram em minha vida de enófilo ao longo deste últimos 10 anos em que compartilho idéias e experiências aqui com os amigos.

1 – publiquei durante anos meus Melhores Vinhos do Ano por faixa de preços, pois meu foco como consumidor sempre foi esse, Melhores Vinhos com a Melhor Relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer)! Num determinado ano me vi deixando de lado um vinho que tinha ganho todos os uaus de degustadores e meus porque eu o achava fora da faixa de preço, “era caro para um nacional”! Mas espera aí, ele não bateu todos seus concorrentes, entre eles diversos estrangeiros, com preços até mais altos? Então que tipo de descriminação idiota eu estava fazendo? Óbvio que, no final, entrou né? Não como um vinho brasileiro, não faço esse tipo de distinção entre meus vinhos, mas por ser bom e se encaixar no preço de seus pares.

2 – mais recentemente o mercado todo e críticos renomados decidiram eleger mais um campeão de pontuação que acabei comprando para conferir. Demorei um tempão para o fazer, estava bastante cético. Esperei o momento certo, uma degustação ás cegas daquela determinada uva. Juntei seis rótulos de muita qualidade e em duas confrarias coloquei esse vinho ás cegas e ele ganhou ambas! É um vinho de valor alto, sim, mas ganhou de gente mais cara!! Ficaram meio soberbos, opinião minha, porém a qualidade é indiscutível e dentro do contexto, preços aqui com toda a carga tributária que assola o setor assim como custo Brasil que é altíssimo, sendo sim páreo para qualquer vinho de alta gama no mundo.

Desde a época da tentativa da indústria nacional do vinho ter tentado emplacar as malfadadas SALVAGUARDAS, (quem não lembra ou não viveu o momento siga o link, para entender) peguei a reputação de ser contra o vinho brasileiro, tremenda asneira! Quem quiser saber minha opinião basta ler um pouco do que escrevi sobre os vinhos brasileiros que provei, basta clicar aqui do lado em Categorias, Brasil e fuçar, depois faça seu juízo de direito. Fui e sou contra qualquer ação que afete o consumidor enófilo tupiniquim (como eu), só isso, e sou critico da filosofia comercial e de marketing da maioria, mas há muiiito tempo que não mais discuto qualidade. Há coisas ruins por aqui, há coisas boas e até algumas muito boas beirando a excelência, apesar de mais raros, como o é em muita parte do mundo produtor.

Ao fazer comparações entre importados e nacionais no mercado brasileiro há que fazê-lo com todos o custo Brasil e impostos embutidos. Não dá para comparar preço aqui versus um em qualquer outro país produtor, aí é covardia! rs Em minhas confrarias e desafios o preço é seleção essencial, mas que pagarmos caro o vinho não há dúvidas, porém fica aqui uma indagação; o que é que no Brasil não é caro?

Nos meus Desafios de Vinho, volta e meia colocava um vinho brasileiro como um intruso na prova que sempre era ás cegas e dentro de uma faixa de preço pré-determinada, em muitos levou e em outros foi a surpresa do evento Minha recomendação é só uma, sem preconceitos nem com xiitismos nacionalistas, mente aberta!

Finalizando, apesar do tema não ter fim e a diversidade de opiniões ser enorme, cada um sabe de si, de seu bolso e de seu gosto.  Compare, não caia nos contos dos Melhores do Mundo (tem até site de produtor com essa aberração!), use seu discernimento para seguir viajando por nossa imensa vinosfera colocando qualidade como quesito número um adequando-o a seu bolso, não importa se é brasileiro ou importado. Como já dizia o saudoso Saul Galvão, “o vinho existe para te dar prazer, se o fez cumpriu com seu papel!”, que assim seja.

Entre importados ou nacionais não tome partido, opte por você. Compre seu vinho pensando no momento, na companhia, no seu prazer, sendo bom e cabendo no seu bolso, pode ser de qualquer lugar, who cares!  Saúde, kanimambo pela visita e nos vemos aqui em breve ou por aí numa das esquinas dos caminhos de Baco. Boa semana

 

 

 

Frutos do Garimpo de Novembro foi Orgânico

   Na Frutos do Garimpo tento sempre trazer novidades regularmente com preços de oportunidade e desta feita, mesmo o produtor não sendo novidade no Brasil, achei que em função do conceito Orgânico praticado e devidamente certificado, valia a pena explorar o tema junto aos confrades. Em parceria com o novo distribuidor da Domaine Bousquet, a Almeria, neste mês o resultado do garimpo pegou carona no tema não só para explorá-lo, mas especialmente possibilitar a prova de forma a que cada um dos confrades que optaram pelo kit, possam fazer seu próprio juízo de valor. Afinal, neste mundo enófilo, não existe melhor forma de aprender do que abrir garrafas e explorar, a essência de tudo!
   A Domaine Bousquet é um projeto francês na altitude de Gualtallery, Tupungato, Mendoza. O compromisso com a agricultura orgânica impulsiona o melhoramento da biodiversidade dos vinhedos. Quanto mais saudáveis os vinhedos, melhor a uva e consequentemente (na maioria das vezes) o vinho elaborado sendo esse o principal objetivo desta família francesa que chegou a Tupungato em 1997 depois de 4 gerações produzindo vinhos na terra natal.  As raízes de vinhedos cultivados de forma orgânica tendem a ser mais profundas  permitindo que as plantas absorvam e distribuam melhor os minerais  e intensifiquem sabores já que o rendimento das vinhas tende a ser menor. O uso de leveduras selvagens, compactuam com o trabalho nos vinhedos de forma a trazer o melhor retrato do terroir. O resultado são vinhos menos industrializados, mais verdadeiros, mas obviamente têm que ser bons antes de qualquer coisa e isso eu conferi, só assim para estar aqui!
    A altitude de Gualtallary, 1200 metros de altitude, permite uma melhor e mais tardia maturação da uva e uma acidez mais presente nos vinhos por lá produzidos devido à amplitude térmica bem acentuada na região. Resultado; vinhos mais frescos, fruta madura no ponto (sem sobremadurez), taninos mais finos.  Este kit do Frutos do Garimpo do mês contemplou uma garrafa de cada de um branco, um rosé e dois tintos com duas uvas diferentes e gamas diferentes na linha de de rótulos elaborados pela bodega de forma dar uma visão ampla da linha de produtos da Domaine Bousquet.  meus comentários sobre os vinhos provados segue abaixo, porém cabe a você fazer seu juízo de valor, experimente e tire sua próprias conclusões, sempre melhor do que simplesmente ler a opinião de terceiros, não acha? rs Duas características são inerentes a todos os vinhos provados; frescor e elegância.
Domaine Bousquet
Domaine Bousquet Premium Chardonnay 2016 –  uma saborosa e fresca versão de Chardonnay sem passagem por madeira com notas cítricas, acidez acentuada, um verdadeiro vinho de verão, divertido, vibrante, alguma fruta tropical, porém tudo isso presente de forma delicada e muito, muito agradável de tomar. Um Chardonnay diferenciado, fora dos padrões a que estamos acostumados. Preço médio em Sampa hoje, entre R$65 a 70,00
Domaine Bousquet  Premium Rosé de Malbec com Cabernet 2016 –  muita riqueza de sabores com fruta fresca abundante num rosé muito bem feito, leve, fresco e sedutor que combina muito bem com nosso verão e com frutos do mar e pratos orientais. Possui cor linda, a la “Provence”, boa paleta aromática que convida a levar a taça à boca. Preço médio em Sampa hoje, entre R$65 a 70,00
Domaine Bousquet Reserve Cabernet Sauvignon 2014 – um vinho para abrir e deixar respirar por uma meia hora, tempo que ele precisa para se mostrar. Notas terrosas, frutos negros, fresco com notas minerais, couros, bosque, é um vinho complexo que demanda tempo para se descobrir todas as suas camadas. Talvez o vinho deste kit que mostre mais as características de terroir mais puras, fruto do processo de orgânico de vinificação com leveduras selvagens. Wine Spectator 90 pontos. Preço médio de mercado em Sampa hoje, entre R$95 a 100,00
Domaine Bousquet Grande Reserve Malbec 2013 –  Um belo vinho, um malbec mais fresco, denso, escuro em que o equilíbrio prevalece. leva 5% cada de Merlot, Cabernet Sauvignon e Syrah, tecnicamente ainda um varietal, o que lhe aporta complexidade. Nariz de boa intensidade com frutos negros bem presentes,  na boca um vinho de corpo médio para encorpado de taninos muito finos, toque defumado, aveludados, longo com final algo apimentado, mostra bem sua estirpe francesa, estrutura e bom volume de boca porém com grande finesse. Doze meses de barrica francesa nova aparecem de forma delicada projetando a fruta mais que o carvalho, num conjunto de muita qualidade. James Suckling, ex-editor da Wine Spectator, lhe deu 93 pontos, algo conferir. Preço médio de mercado em Sampa, entre  R$150,00 a 160,00.
Enfim, nem sempre o Garimpo dá o resultado que queremos, mas gostei do que pintou na peneira este mês. Quem comprou o kit que comente, mas se você ainda não faz parte do Frutos do Garimpo tudo bem, procure estes vinhos numa loja mais próxima de você e explore este veio orgânico. Afinal se é bom e é mais natural, melhor! Por hoje é só, bom final de semana para todos e kanimambo pela visita. Sáude!

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SPERI – Grandes Vinhos de Valpolicella

Dando continuidade e finalizando meus comentários sobre os vinhos de Valpolicella provados na degustação promovida pela Mistral, chego na SPERI. Diz o Gambero Rosso que a SPERI tem notável importância histórica na região com 60 hectares de vinhedos orgânicos todos eles localizados na região de Valpolicella Classico. Eu não conheço o bastante para comentar essa afirmação, mas o que eu posso dizer é que provavelmente seja o melhor que eu já provei e isso, lamentavelmente, quer dizer preços mais altos! Não tem jeito, como sempre digo, “nem todo vinho caro é excelente, porém não existe vinho de excelência barato”, especialmente no Brasil!!

Neste caso, só vinhos de Valpolicella e difíceis de comentar, pois o nível aqui começa alto desde seu DOC Classico até um néctar dos deuses chamado Recioto la Roggia que entrou para meu wish list, inebriante. Da sPERI ClipboardSperi foram “apenas” cinco vinhos sobre os quais tecerei abaixo alguns comentários sobre as sensações despertadas, mais do que a qualidade em si que, a meu ver, é irrepreensível. Um toque antes, sempre que possível gosto de mostrar preços no mercado, sempre checando antes porque tem muito importador que chuta preços nesses eventos, e neste caso como no post sobre os vinhos da Campagnola os preços estão em dólares americanos pois assim trabalha a Mistral. Creio importante sempre colocar o preço pois, especialmente no Brasil, é fator preponderante na análise de um vinho quando falamos com seguidores de Baco, como faço aqui.

Valpolicella DOC Classico 2016 – para quebrar todos os eventuais preconceitos que um possa ter para com vinhos desta classificação. Bem frutado, fresco, gostosa textura de meio de boca com taninos suaves, mas presentes, formando um conjunto muito equilibrado de médio corpo que pede abrir diversas garrafas! Uma grande partida para vôos algo mais altos em sua linha de produtos. Preço USD38,00

Valpolicella Ripasso Classico Superiore 2015 – sedutor no nariz com bastante intensidade aromática, suculento na boca mostrando muito equilíbrio, bom volume,, taninos finos e aveludados mostrando garra e elegância, um vinho que surpreende por sua complexidade. Preço USD66,00

Sant’Urbano Apassimento Classico Superiore 2014 – é um single vineyard de um dos principais vinhedos da região, Sant’Urbano. As uvas passam por cerca de 20 a 25 dias no processo de apassimento (desidratação) o que lhe aporta mais concentração e complexidade. Potente, algo austero, mostrou-se ainda jovem com taninos firmes e denso na boca. Um vinho de respeito, maturado por 18 meses em barricas de 500 litros de carvalho francês, num patamar acima! Preço USD74,00

Amarone Vigneto Monte Sant’Urbano 2012 – do mesmo vinhedo do anterior, e para resumir tudo, um baita vinho! Certamente entre os TOP 3 amarones que já tive oportunidade de provar e não hesitaria em o guardar por pelo menos mais uns dois anos antes de o “descorchar”, mas se o esquecer na adega por mais cinco certamente sua paciência será muito bem recompensada! Grande estrutura, vigoroso sem perder a elegância, frutos secos bem presentes, denso, alguma especiaria num final de boca interminável, vinhaço e o preço acompanha, não tem jeito quando um vinho chega neste patamar de qualidade, USD185,00. Para quem pode, uma adega cheia, se não pelo pelo menos três garrafas, uma para agora, outra para daqui a dois anos e a última para daqui a cinco!! rs

Recioto la Roggia 2013 (500ml) – Uau, paixão á primeira fungada! rs Inebriante foi o primeiro adjetivo que me veio à cabeça, uau! Também de um single vineyard, são 110 dias de apassimento até que as uvas percam 40 a 45% de seu peso, concentrando açúcar. Maceração em tanques de inox por 25 dias, posterior estágio de fermentação em barricas de 500 litros em adega refrigerada para posterior estágio de afinamento em barricas de carvalho por 24 meses com um um tempo de descanso em garrafa para finalmente ser colocada no mercado. Um vinho de meditação, para curtir tranquilo sem pressa, petiscando um eventual queijo, vendo o sol se pôr no horizonte agradecendo aos deuses pela possibilidade do momento. Precisa falar que gamei?? Preço USD140, que falta faz um din-din!!! rs

Bem amigos, foi uma viagem e tanto pela região com os mais diversos vinhos, estilos e preços neste 15 vinhos provados da Campagnola e agora da Speri e uma conclusão; quem ainda seguir com preconceitos a respeito deste pedaço de bom caminho está perdendo “big time” e sejam estes, sejam outros rótulos, explore!!! Saúde, kanimambo pela visita e uma ótima semana para todos.

 

 

 

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Educar é Essencial!

Isso vale para todos os setores da sociedade, um povo educado adquire conhecimento sendo este uma arma que possibilita que sejamos mais exigentes demandando qualidade em tudo, de nossos governantes ao produto que consumimos.

Não é de agora que bato nessa tecla e tenho tentado, sempre que possível, traçar esse caminho em meus posts aqui em Falando de Vinhos. Desmistificar nossa vinosfera passa por aí, quanto maior for a cultura do vinho em nossa terra brasilis, menor a chance do consumidor ser enganado e maior será a chance um dia vermos o consumo do vinho bater a meta dos míseros 2 litros per capita ano!! Olha que falo de vinhos, geral, porque se formos ver os números com relação a vinhos finos acho que esse consumo não passa de 1litro. Triste constatação essa, mas é a realidade.

Uma de minhas severas criticas sobre este tema é com relação ao pouco que os importadores, orgãos de classe e produtores, nacionais no caso, investem nisso. Emwineschool compartilhar conhecimento educando os seguidores de Baco, o tão falado wine education. Alguns wine bloggers como o Além do Vinho, Academia do Vinho (+ de 20 anos), Tintos & Tantos, Wine Folly, e o amigo Didu com seus vídeos “Aprendiz de Sommelier”, são alguns dos muitos outros que prezam por fazer esse trabalho espalhando conhecimento e experiências, mas poucos que realmente deveriam fazer isso, o fazem. Óbvio que só ler e estudar não bastam, o maior investimento é sempre num saca rolha e em degustações porque nesta nossa busca por conhecimento enófilo a litragem é fundamental, mas sem frescuras! rs Enochatos are a pain in the butt!!

Quando um desses importadores lança seu catálogo com foco não só no aspecto comercial, afinal é um negócio, mas também a educar o consumidor sobre o tema de forma didática e clara, isso é motivo de celebração, ação a ser devida e merecidamente aplaudida e fica aqui o recado para os outros, mais por favor!!

Meu relacionamento com eles vem lá detrás, faz tempo, por isso fico imensamente feliz em poder compartilhar com os amigos o novo catálogo virtual da Zahil, tradicional importadora paulista. Apesar de não trabalhar com seus produtos na Vino & Sapore, por meras restrições de cunho comercial já que seu portfolio é deveras interessante e tem muita coisa de qualidade a explorar, tenho por eles um grande carinho e respeito que só veio a aumentar com o lançamento deste novo catálogo que vai muito além do vinho, muito além do querer “simplesmente” vender. Muita informação que muitos carecem de ter e que ajudará no entender deste nosso mundinho do vinho. Clique na imagem abaixo para acessar o catálogo e curta seu conteúdo, eu o fiz e gostei bastante do que vi.

Zahil - Capa catálogo

Saúde, kanimambo e um ótimo fim de semana lembrando para não gastar todo seu din-din lá não, deixa algum para gastar na Vino & Sapore, o tuga aqui agradece! rs

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Campagnola e Speri – Valpolicella, Soave, Bardolino

Como disse na Segunda-feira, estive na Mistral para conhecer os vinhos destes dois produtores que agora compartilho com os amigos. Como disse anteriormente, afora vinhos de Valpolicella, eles também produzem vinhos em outras regiões do Veneto como Soave e Bardolino.

veneto-wine-map 2

Antes de falar dos vinhos, duas observações; Soave e Bardolino, duas outras DOCS do Veneto encostadas em Valpolicella.

1 – Soave não tem nada a ver com “suave” (rs) e sim com a charmosa cidade de Soave onde reina uma outra uva a Garganega, uma doc que produz vinhos brancos.

2 – Bardolino, a doc mais próxima do lago de Garda com tintos e rosés usando as uvas tintas principais de Valpolicella.

Giuseppe Campagnola – Com 110 anos ou seja, a parte mais difícil de fazer vinho já passou (rs), a vínicola produz vinho nas três regiões e o que me agradou foi a relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer) de seus vinhos vis-à-vis nosso status quo tupiniquim de preços. Deles provei 10 vinhos sendo estes os meus destaques:

Pinot Grigio Veneto IGT 2016 – fresco, notas de grama molhada, cítrico, fácil de agradar a gregos e troianos, preço USD21. Na mesma faixa de preço, o Bardolino Campagnola entryChiaretto Classico 2016 é um vinho sedutor e intrigante, mostrando uma personalidade bastante gastronômica.

Soave Clássico DOC le Bine 2016 – branco delicioso e vibrante à base de Garganega e 30% de Trebbiano de um “cru” de Soave de Monte Foscarino. Um vinho que apaixona, pegada seca porém com o frescor da Trebbiano levantando o conjunto, complexo meio de boca, grande companheiro para pratos de frutos do mar ou um spaghetti alle vongole,  gostei demais!! Preço USD32,00

Valpolicella Classico DOC le Bine 2015 – o vinho possui um plus, 15% das uvas são passificadas (desidratadas) por 60 dias e adicionadas ao mosto provocando uma Campagnola le Bine Tintosegunda fermentação. extraindo mais cor e sabores. Posteriormente é envelhecido em tonéis de 5 mil litros de carvalho eslovenio. Nariz sedutor, na boca a fruta madura está bem presente, fresco, longo, um Valplolicella que quase parece um Ripasso, para tomar de montão. Preço USD34,50

Amarone, dois bons exemplares de boa tipicidade, porém algo diferentes entre eles. O DOCG Classico vigneti Vallata di Marano 2013 é um vinho já pronto e muito saboroso, por USD110,00. O Classico Riserva DOCG Caterina Zardini 2012 é seu mais premiado vinho com 94 pontos (11) no guia Veronelli e suas uvas passam por um período de 10 dias passificação e afinado em barricas de carvalho francesas por 18 meses. Muito complexo, potente, ainda muito novo em seus pouco mais de 3 anos de garrafa. Vinho para abrir daqui a mais uma meia dúzia de anos e se esbaldar certamente. USD180 é o preço.

Bem, este post já está se alongando demais, mesmo para meus parâmetros (rs), então vou deixar para falar da Speri e seus vinhos na próxima semana, pois o post de Sexta-feira já está agendado. Viram que não falei dos Bardolinos tintos, tinha um, mas é que sigo tentando encontrar um que realmente me agrade. Este foi bem melhor que a maioria, mais conteúdo (sim vinho também tem! rs), mas ainda não me seduziu, os tintos da região tendem a ser meio esquálidos, tem quem goste, mas não fazem a minha cabeça, até agora! Agora acabei, rs, bom feriado, saúde e kanimambo pela visita.

 

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Valpolicella – Vinhos Pouco Valorizados, Mas …

Se tem coisa difícil de vender são os vinhos de Valpolicella, aliás como muitos chiantis, porque a história não nos traz boas lembranças. Durante muito tempo mandaram zurrapa para cá, vinhos raquíticos, precinho baixo, ficou a fama, uma pena porque há muita coisa boa por lá a explorar.

Pouca gente sabe que o Amarone vem de lá, apesar de idolatrarem o vinho, demonstrando que há muito ainda a fazer para elevar o nível de conhecimento dos seguidores de Baco, mas muita da culpa é também de importadores que não estão nem aí, qualquer coisa em troca do vil metal! As histórias desses atentados ao consumidor são muitas e até hoje o vinho alemão paga o preço do desgaste das famosas garrafas azuis e, nesta caso, um agravante que é o preço dos vinhos que vêm de lá hoje em dia. Enfim, coisas do mercado que deixam marcas que ficam, mesmo que não demonstrem efetivamente a realidade, porém a região tem muito bons vinhos, que ao provar as pessoas elogiam e compram só há que trabalhar mais e mostrar esses bons rótulos, mostrar a região e seus vinhos.

Valpolicella

Nesta sub região do Veneto, nas colinas ao redor de Verona, os vinhos são elaborados com uvas autóctones regionais; a Corvina (protagonista), a Rondinella e Molinara assim como a Corvinone e algumas de menor uso como a Barbera, Sangiovese e Rossignola assim como algumas uvas internacionais mais recentemente introduzidas como a Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc .

Valpolicella e Valpolicella Classico Vinhos mais macios, algo ligeiros, taninos leves, baixo teor alcoólico (11 a 12%) e acidez de média para alta. A classificação clássico se dá para vinhos produzidos na região produtora mais antiga ao redor de cinco municipalidades; Sant’Ambrogio di Valpolicella, Fumane, San Pietro in Cariano, Marano e Negrar e normalmente apresenta vinhos de melhor qualidade, fuçando se encontram vinhos interessantes.

Valpolicella Classico Superiore, um degrau acima com passagem obrigatória de 12 meses em barrica, vinhos de maior extração, cor, álcool um pouco mais alto (entre 12 a 13%), taninos mais presentes apresentando maior estrutura, corpo médio uma classificação que faz a minha cabeça e há muito vinhos sedutores por aqui.

O Valpolicella Ripasso, que passa por uma segunda fermentação nas borras dos Amarones por 15 a 20 dias, ganhando estrutura e complexidade, corpo médio para encorpado, vinhos redondos, harmônicos muito bem balanceados e de teor alcoólico um pouco mais alto  que o superiore e bem gastronômicos

Amarone, só o nome já deixa muitos suspirando sem que a maioria saiba que é um vinho de Valpolicella. Um vinho encorpado seco, elaborado com uvas que passam por um processo de desidratação de cerca de quatro meses quando as uvas perdem cerca de metade de seu peso concentrando açucares porém a fermentação segue até o fim resultando em teores alcoólicos bastante altos (15 a 17%) e vinhos densos com um minímo de 2 anos de envelhecimento antes de sair ao mercado, uva passa bem presente. Envelhecimento ocorre em toneis grande de carvalho da Slavonia e/ou barricas francesas de 225ltrs. Vinhos longevos (10 anos + dependendo do produtor), grandes parceiros para um bate papo e lascas de Grana Padano ou queijos similares.

Recioto della Valpolicella que é um vinho doce também obtido através da secagem das uvasdesta feita por períodos de até 200 dias , porém a fermentação é interrompida resultando em vinhos de teor mais alto de açucares e menos álcool. Vinhos que envelhecem bem podendo se tornar verdadeiros néctares.

Todo este preâmbulo sobre a região de Valpolicella, tem a ver com uma degustação que tive na Mistral para conhecer dois novos produtores da região que eles começaram a trazer ao Brasil. Em função da proximidade com Bardolino e Soave, outras DOC no Veneto, boa parte dos produtores de Valpolicella também acabam produzindo vinhos dessas regiões e tive a oportunidade de provar alguns mais uma vez. No próximo post falarei dos vinhos provados da Campagnola e da Speri que mais me chamaram a atenção. Até Quarta, saúde e kanimambo pela visita.

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Elaborando e Provando Vinhos na Casarena

Uma das bodegas onde sempre levo os grupos de enófilos que me honram com sua preferência e confiança nos tours que faço por Mendoza. O lugar é lindo, a comida é de primeira e criativa, os vinhos nem se fala e ainda fazemos um exercício de elaborar um vinho próprio! Desta vez também descobri dois novos vinhos que me encantaram.

Após uma breve visita à bodega, fomos para a sala exclusiva onde o grupo, dividido em equipes de três, teria que desenvolver um blend próprio. Na mesa, pipetas e três garrafas de vinho base todos de Agrelo; Cabernet Sauvignon, Malbec e Petit Verdot. Cada trio desenvolveu sua sensibilidade provando primeiro cada vinho individualmente e depois montando seu blend. Super divertido, acalorado, um exercício muito bacana que já tive o prazer de montar, de forma algo mais lúdica, em uma de minha degustações ao montarmos cortes bordaleses, sempre uma ótima e divertida forma de desenvolver nosso conhecimento e aguçar nossos sentidos. O ganhador foi escolhido pelo grupo ás cegas, pois de cada rótulo foram feitas duas garrafas, uma para a prova e a outra para a dupla que elaborou levar para casa. O vinho vencedor? “Na Medida”, elaborado pela Liane, Martha e Ivete onde a Cabernet Sauvignon foi protagonista com 60% tendo como coadjuvante 30% de Malbec que foi completado com a mágica Petit Verdot, corte bordalês (com a malbec fazendo as vezes da Merlot) a la margem esquerda de Bordeaux!! rs

Já embalados a esta altura do campeonato, nos dirigimos ao restaurante para uma deliciosa e muito criativa refeição harmonizada com menu degustação de seis pratos. Afora os vinhos relacionados, ainda tivemos o privilégio de finalizar no terraço tomando o impressionante Ícono de Casarena, coisa de louco!!  De forma reduzida e concisa, eis meus comentários lembrando sempre que os grandes produtores se conhecem por seus vinhos básicos, e esta linha 505 que aqui no Brasil anda na casa dos 56 Reais mostra bem o compromisso da bodega com seus vinhos:

  • 505 Chardonnay – levemente amadeirado, fresco, um vinho muito agradável de uma linha de gama de entrada.
  • 505 Rosé de Malbec com Cabernet Franc – o mercado não é muito chegado em Casarena Naoki Malbecrosés, mas eu gosto e este me encantou, sedutor e muito saboroso.
  • Ramanegra Cabernet Sauvignon Reserva – nesta linha de produtos, gama média alta, o vinho que mais me encanta e que fez que eu um dia introduzisse o produtos no portfolio da Vino & Sapore. Prima pelo equilíbrio.
  • Naoki Single Vineyard Malbec Agrelo – Esta linha de produtos é topo de gama, e aqui encontramos um ótimo Cabernet Franc e um Malbec do vinhedo Lauren´s de que gosto muito, porém este me arrebatou, seduziu, me encantou, vinhaço! Um Malbec que prima pela finesse, um nariz de boa intensidade que convida a levar á taça à boca onde explode em emoções, gamei!!
  • Ramanegra Cidra Brut – Diferente, mas não chega a encantar, ajudou a harmonização.
  • Casarena Ícono -“O” vinho da casa, o nome diz tudo. Um blend que junt20170904_170311a as melhores uvas das melhores parcelas de seus vinhedos, fermentadas inteiras em barricas de 500 litros com leveduras selvagens, a quintessência do terroir!! Sessenta porcento de Cabernet Sauvignon parcelas com mais de 90 anos e Malbec compõem este incrível vinho que passa ainda por 18 meses de barricas francesas novas e um breve afinamento em garrafa antes de sair ao mercado. Vinho classudo, inebriante, denso com ótima textura, meio de boca complexo, taninos presentes mas muito finos, para tomar nas calmas olhando aquela linda paisagem, show de encerramento, vinhaço!

Bem amigos, e assim terminou mais um dia de visitas em Mendoza que se iniciou com a Belasco de Baquedano e terminará com o jantar no incrível Azafrán que está soberbo como sempre, talvez um degrau acima depois da mudança de chefs. Para curtir um pouco mais clique na imagem abaixo e viaje comigo virtualmente.
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