Falando de Vinhos

Revista quase que diária sobre os encantos e segredos de nossa vinoesfera.

Nem Todos os Dias São De Grandes Vinhos

Salvo você seja um felizardo com bolso recheado e grandes vinhos na adega, fico feliz por você, a maioria de nós abre grandes garrafas apenas em alguns poucos momentos que assim o peçam. Seja numa reunião de amigos “doentes” pelos caldos de baco, aquele momento de celebração, necessidade de se tratar bem depois de uma semana difícil, ou outras coisas do gênero, são nesses momentos que vamos atrás daquela garrafa guardada a sete chaves esperando o momento certo.
Fora isso, a maioria de nós busca satisfação com menos gasto só que aí é que mora o perigo porque, ao baixarmos o nível, corremos o risco de tomar vinhos não muito agradáveis, então garimpar nesse segmento é ainda mais necessário! Considerando-se os preços do vinho no Brasil, onde mais 60% é imposto, mais uma razão para garimpar muiiiito!!
Como a maioria dos amigos, também vivo do fruto de meu trabalho. A coisa anda difícil e meu chefe não me dá moleza mesmo, então procurar prazer a baixo custo, algo que sempre fiz, se tornou prática cada vez mais corriqueira em meu dia a dia. Hoje quero compartilhar com vocês um momento que vivi recentemente e que faz este garimpo valer muito a pena, desta feita revisitando um vinho que há muito não frequentava minha taça e que recém voltei a comprar.
confidencial-e-arroz-de-bacalhau
Este vinho me foi apresentado numa Master Class  de vinhos Portugueses proferida pelo Master of Wine Dirceu Vianna (único Master of Wine Brasileiro), nomeado pela Viniportugal para escolher 50 vinhos portugueses para o Brasil há uns três ou quatro anos atrás. Confidencial Tinto, foi minha escolha para acompanhar um singelo Arroz de Bacalhau e Brócoli.
Harmonização por simplicidade, um prato simples não carece de grandes vinhos que podem até não dar liga, aqui deu e muito!! Um daqueles vinhos que encantam ao primeiro gole e o produtor faz questão de não divulgar o blend que, dizem, tem cerca de sete a oito diferentes uvas, advindo da região Lisboa. Um vinho redondo, harmônico, médio corpo, rico, frutas silvestres, taninos maduros e suculentos, gostoso e fácil de agradar tanto os amigos de maior litragem quanto os iniciantes desbravadores do mundo de Baco. Preço entre R$50 a 55,00 o que me parece uma ótima relação Preço x  Qualidade x Prazer o verdadeiro PQP!! rs Daquelas garrafas que acabam rápido e pedem bis o que nem é muito complicado pelo preço.
Gente, bom fim de semana para todos e meu chefe aumentou meu objetivo de vendas para este final de ano, então quem estiver a fins de dar uma força pode passar lá pela Vino & Sapore e fazer suas compras de Natal tanto para uso próprio quanto para presentear, eu agradeço. Quem sabe o pão duro não me dá um bônus!! rs Kanimambo amigos e seguimos nos encontrando por aqui conforme for dando tempo, o trampo está bravo!

Borbulhas, Borbulhas, Borbulhas, é Tempo de Festa!

Gente, desculpem mas o excesso de trabalho, cansaço e até um certo desanimo têm me impedido de escrever, mas prometo que a partir de segunda voltarei à ativa com bastantes posts novos. Até lá, não quis deixar este blog abandonado e optei por rever um post do ano passado com algumas poucas correções. Os preços podem ter variado um pouco em função do aumento de impostos, mas a grosso modo devem seguir esses mesmo patamares.

Borbulhas, borbulhas, borbulhas, hoje começa a temporada de festas em que mais http://www.falandodevinhos.com/wp-content/uploads/2015/12/Champagne-Bubbles-Ministry-of-Alcohol.jpgespumante se consome. Optei por relacionar uma série de rótulos com preços de referência que acho que valem muito a pena! Não foi fácil chegar nesta reduzida lista já que são inúmeros os rótulos de boa qualidade disponíveis no mercado, porém espero vos ajude na escolha. É uma lista composta de vinhos que eu compraria tranquilamente, espumantes que tomo ou já tomei e voltariam a minha taça, razão para eles estarem aqui, afinal, não posso recomendar o que não conheço! Separei por faixa de preço e fui no máximo até R$210,00 pois acima disso o céu é o limite e certamente você não precisará de ajuda para escolher.

A ordem é alfabética e os os preços me baseei no Estado de São Paulo, um dos mais caros do país, e em preços de mercado sem considerar eventuais promoções, são uma mera referência gente! Aproveitem, façam a festa, afinal você sobreviveu a mais um ano e que ano!!

Espumantes até R$60,00 (17 )

Aracuri Brut Chardonnay Brut – Brasil/RS

Bossa 2 Demi-sec – Brasil/RS
Cava Cristallino Brut – Espanha/Penédes
Cave Amadeu Brut – Brasil/RS
Don Giovanni Stavagganza Brut – Brasil/RS
Marco Luigi Reserva Brut – Brasil/RS
Miolo Cuvée Tradition – Brasil/RS
Pizzato Fausto Brut – Brasil/RS
Ponto Nero Brut – Brasil/RS
Prosecco Corte Viola – Itália/Veneto
Quinta de Santa Maria da Princesa Brut – Brasil/SC
Salton Prosecco Brut – Brasil/RS
Salton Intenso Brut – Brasil/RS
Santa Augusta Brut – Brasil/SC

Santa Augusta Moscatel – Brasil/SC (o melhor Moscatel do Brasil)
Valduga Arte Brut – Brasil/RS
Villaggio Grando Brut – Brasil/SC

 

De R$65,00 a 90,00 (17)

Abreu Garcia Festividade Brut – Brasil/SC

Campos de Cima Extra-brut – Brasil/RS
Cava Bonaval Nature – Espanha
Cava Castel de la Comanda Brut e Nature – Espanha/Penédes
Cava Codorniu Brut – Espanha/Penédes
Cava Freixenet Brut – Espanha/Penédes
Cave Geisse Brut – Brasil/RS
Cave Geisse Nature – Brasil/RS
Eternity Sparkling Cuvée – Austrália
Lagarde Altas Cumbres Extra-brut – Argentina/mendoza
LH Zanini Extra-brut – Brasil/RS

Lirica Crua – Brasil/RS
Miolo Millésime – Brasil/RS
Moinet Prosecco Extra-dry – Itália/Veneto
Prosecco Villa Sando DOCG – Itália/Veneto
Salton Evidence – Brasil/RS
Valmarino & Churchill NV – Brasil/RS

De R$90 a 140,00 (14)

Angas Brut Cuvée – Austrália
Anna de Codorniu Reserva Brut – Espanha/Penédes
Barton & Guestier Chardonnay Brut – França/Loire
Bueno Cuvée Prestige – Brasil/RS
Case Bianche Vigna Del Cuc Prosecco Brut DOCG – Itália/Veneto
Cava Sumarroca Reserva Brut – Espanha/Penédes
Cave Geisse Terroir Nature – Brasil/RS
Chandon Excellence – Brasil/RS
Collin Cremant de Bourgogne – França/Borgonha
Francois Montand brut – França/Jura
Herdade do Perdigão Brut 2012 – Portugal/Alentejo
Luis Pato Maria Gomes Bruto – Portugal/Bairrada
Prosecco Bedin Extra-dry – Itália/Veneto
Valduga 130 Brut – Brasil/RS

De R$140 a 210,00 (6)

Casa Valduga Maria de Valduga – Brasil/RS
Champagne Lanson Brut – França/Champagne
Franciacorta Lo Sparviere Brut – Itália/Franciacorta

Herdade do Perdigão Bruto 2009 – Portugal/Alentejo
Labet Cremant de Bourgogne Brut – França/Borgonha
Vigneau-Chevreau Vouvray Brut – França/Itália

Espumantes Rosés (13)

Adolfo Lona Rosé Brut – Brasil/RS – na casa dos R$50

Adolfo Lona Orus Pas Dosé – Brasil/RS – R$160,00
Bueno Bellavista Desirée Brut – Brasil/RS – na casa dos R$70,00

Burson Brut Rosato – Itália/Emilia Romagna – na casa dos R$85 a 90,00

Champagne Vollereaux Brut Rosé – França/Champagne – na casa dos R$160,00

Filipa Pato 3B Brut Rosé – Portugal/Bairrada – na casa dos R$80,00
Gouguenheim Rosado de Malbec Extra-brut – Argentina/Mendoza – na casa dos R$75
Labet Cremant de Bourgogne – França/Borgonha – na casa dos R$180,00
Santa Augusta Rosé Brut – Brasil/RS na casa dos R$50
Vicentin Rosado de Malbec Brut – Argentina/Mendoza – na casa dos R$140,00
Villaggio Grando Rosé – Brasil/SC – na casa dos R$60,00

Salton Lucia Canei – Brasil/RS – na casa dos R$190,00

Amigos, semana que vem volto a postar e com alguns comentários também sobre espumantes, mas não só obviamente. Kanimambo  pela paciência e compreensão, pela visita e seguimos nos encontrando por aqui.Brinde com espumantes

Deu França nos Frutos do Garimpo

Em Junho, numa parceria com a importadora Almeria de meu amigo Juan,tive o privilégio de compartilhar dois saborosos vinhos franceses, uma oportunidade e tanto para os amigos confrades e confreiras da Frutos do Garimpo. Uma mostra de que bons vinhos com preços idem estão presentes em todos os países, inclusive nos mais conceituados, só precisa garimpar e não se impor limites decorrente de preconceitos saindo fora de sua zona de conforto!

Hoje compartilho com os amigos leitores o que os confrades e confreiras provaram na taça, podem procurar por aí, os vinhos valem muito a pena! Os comentários dos confrades e confreiras que tiveram oportunidade de pegar o kit, se esgotaram rapidamente, serão super bem vindos.

Chateau Bujeau la Grave 2010, Bordeaux, um vinho que vem quebrar alguns chateau-la-graveparadigmas, entre eles o de que não existe Bordeaux bom abaixo de R$100,00. Sim existe e este rótulo é um claro exemplo disso, uma ótima opção de entrada nesta região de grandes e conceituados vinhos. Tradicional corte bordalês de 50% Cabernet Sauvignon,  42% Merlot e 8% Cabernet Franc,  uma cor rubi brilhante, aromas de frutos do bosque frescos com algumas sutis notas herbáceas, textura gostosa, estrutura média,  e boa concentração de fruta, terminando com  taninos sedosos e um final de média persistência. A safra  de 2010 foi um grande ano em Bordeaux, então o que já é normalmente bom ficou ainda melhor, um vinho muito saboroso e sedutor.  O preço médio do mercado em Sampa gira entre R$92 a 98,00.
Chateau Fontaréche Vielles Vignes Rouge 2014, entre Narbonne e Perpignan em pleno Corbiére no Languedoc, sul da França, o Chateau está na família chateau-fontareche-rougehá mais de 300 anos, desde 1682. Na taça, um corte de uvas regionais 40% Syrah, 30% Mouvédre e 30% Carignan, envelhecido parcialmente  em barricas de Carvalho francês por 12 meses, mostra uma generosa paleta olfativa de frutos vermelhos vivos, com leve toque especiado e nota animais. De médio corpo +, é um vinho que possui ótimo meio de boca, boa estrutura, mas sem perder a elegância de final de boca com taninos aveludados mostrando muito equilíbrio. O produtor elabora também um bom rosé e, na minha modesta opinião, um belo branco de vinhas velhas no qual você deve também ficar de olho caso você também aprecie bons e complexos brancos, o melhor dos três na minha opinião. O preço médio deste vinho no mercado em Sampa é de R$110 a 120,00
Mais duas belas dicas, garanto, para você procurar no mercado e curtir. Durante a semana tem mais e desta vez sem feriados emendados, ufa! Kanimambo, saúde e seguimos nos vendo por aqui ou num dos muitos e sedutores caminhos de nossa vinosfera, saúde!
wine-smile-despagne

 

Salvar

Salvar

Salvar

Harmonizando Caldeirada de Lulas

Ao celebrar seis anos da Confraria Enoladies, a qual tenho a honra de hospedar na Vino & Sapore, decidimos “brincar” de harmonização. Sempre que fazemos esse experimento, escolhemos um prato e servimos três vinhos diferentes entre si para provocar o sensorial ladiesdos presentes!

Primeiro provamos os três vinhos e elegemos um como o melhor. Depois repetimos a prova só que desta vez devidamente acompanhado, comendo. Invariavelmente a coisa muda e o resultado desta feita não poderia ser diferente.

O prato escolhido foi Caldeirada de Lulas que o nosso chef preferido aqui da Granja (Ney Laux) preparou especialmente para nós. O cheirinho da panela ao chegar me remeteu à minha juventude, minha mãe era mestre nesse prato!! Para tentar harmonizar, sim são sempre tentativas por mais que haja uma certa técnica aplicada, umas vezes acertamos outras não, parte da “brincadeira”! rs Escolhi três vinhos sendo que para um deles tive que consultar meu amigo Pingus (Pingas no Copo) lá em Portugal, um mestre da escrita e do copo. Me faltou um encruzado (uva lula-e-vinhosautóctone do Dão) que era minha primeira escolha e meu Soalheiro Alvarinho estava novo demais, então o terceiro vinho foi difícil de definir, mas queria que fosse luso e, obviamente, tinha que ter em estoque! Minha memória olfativa não é aquelas coisas, mas minha memória gustativa é ótima, mesmo assim estava faltando aquela centelha de inspiração que casasse os sabores na minha mente, mas o papo com o Pingus ajudou a clarear!

Os três vinhos escolhidos foram o Clos la Neuve um delicioso rosé de Provence, o Kiké um vibrante e super aromático Traminer da Sicilia que leva um toque de Sauvignon Blanc e ……. Herdade do Sobroso Branco elaborado com 100% da uva Antão Vaz, uma casta regional alentejana. Como melhor vinho solo, sem duvida o Kiké foi o que produziu o maior número de uaus e suspiros, um vinho realmente marcante, intensamente aromático, fresco, vibrante marcado final de boca com especiarias e de muito boa persistência. O segundo nesse quesito foi o Clos la Neuve, um belo exemplar de rosé de Provence, um vinho sedutor e marcante, sutil.

A forra veio quando acompanhamos o vinho com o prato! O Kiké se mostrou demasiado, cheio de arestas, simplesmente não deu liga com o prato, um puxava para um lado e o outro para o lado oposto. O Clos la Neuve mostrou predicados, porém não me satisfez totalmente mesmo que para algumas das ladies tenha sido o escolhido, creio que um camarão na moranga daria mais liga. O Herdade do Sobroso Branco, no entanto, sobroso-branconadou de braçada, um bom vinho que explodiu com o casamento com o prato mostrando que uma boa harmonização pode sim fazer uma baita diferença. Como já disse antes, não precisamos fazer disso uma religião, mas não tem como negar que quando conseguimos fazer uma harmonização dar certo o nirvana pode sim ser alcançado numa refeição! rs Essa combinação deu muito certo mostrando que 2 + 2 podem sim dar 5! Mais uma vez ganhou a harmonização por origem e fiquei feliz com o resultado porque as outras partes da equação de harmonização já estavam lá presentes, boa companhia e razão para estarmos reunidos, o momento! A maioria, e eu acompanho, achou essa a melhor harmonização com a Lula.

Falando rapidamente do Herdade do Sobroso Branco, o vinho é fermentado em tanques de inox para preservar a fruta e fica cerca de três meses “sur lie“, sendo finalizado com uma passagem curta por barrica o que lhe dá bastante complexidade sem perder o frescor. Muito rico meio de boca, nariz mais sutil, boa acidez que se contrapôs à untuosidade do prato, corpo médio e final que pede bis, um vinho que prima pelo equilíbrio.

Para finalizar ainda tivemos como sobremesa Crostata de Figo, nozes e maçã caramelizada sobre o qual o nosso chef derramou uma calda de laranja dando um contraponto à massa da crostata, divino toque. Por falar em divino, difícil explicar as sensações ao ser harmonizado com uma taça de Henrique & Henriques Bual 15 anos, um vinho madeira para lá de especial! Uma grande finalização para uma deliciosa noite enogastronômica.

Noite maravilhosa, mais uma, e um deleite para o paladar, o olfato e a alma! Me sinto um felizardo por poder participar de momentos como este com gente tão especial. Um tremendo privilégio, uma honra e, porquê não, também uma tremenda responsa! Meu kanimambo especial de hoje, pós feriado, vai para todas as Enoladies que já passaram por este grupo ao longo dos seis anos de vida da confraria. Algumas são fundadoras e estas, ao longo de cerca de 65 encontros realizados no período, já provaram mais de 390 rótulos diferentes de vinhos tranquilos e uns 60 espumantes, certamente um marco!

vinhos-enoladies-ano-6

Antes ainda provamos dois Champagnes Vollereaux, mas destes falarei em outro post, por agora é isso e seguimos nos vendo por aqui ou em qualquer canto desta nossa diversa e grande vinosfera, saúde!

wine-smile-despagne

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Frutos do Garimpo – Seleção de Outubro

Depois de um Setembro garimpando sem achar nada, ou preço ou qualidade não passaram no crivo, mais dois vinhos bastante interessantes pintaram na minha peneira. Um duo Luso-Italiano fruto de parceria com a Mr. T Vinhos e a Lusitano Imports sendo que o italiano veio da Lusitano! rs Um Alentejano de boa cepa e um vinho de Monferrato no Piemonte.

Agora, sempre com um mês de atraso, compartilharei com os amigos leitores, aquilo que alguns dos confrades e confreiras da Confraria Frutos do Garimpo tiveram oportunidade provar. Eis minha opinião sobre esses vinhos que disponibilizei no kit mês passado:

Santa Vitória Reserva Tinto 2012 –  Alentejo. O que mais me atraiu neste vinho foi seu frescor e santa-vitoria-reservaequilíbrio, sem aquela fruta excessivamente madura que por muitas vezes assolam os vinhos alentejanos sem, no entanto, perder as características regionais. Composto por Touriga Nacional (30%), Trincadeira (20%), Cabernet Sauvignon (20%), Merlot (15%) e Syrah (15%), este blend passa por envelhecimento em barris de carvalho francês novo por nove meses. Cremoso, corpo médio, muito bom meio de boca, taninos macios e fruta marcante com a madeira bem colocada servindo de aporte ao conjunto. Preço médio de mercado hoje em Sampa, em torno de R$80 a 85 pratas. Da Mr. T, distribuidor dos vinhos da Santa Vitória por estas bandas. Aliás, vale conhecer seu Inevitável, preço é puxado, mas é um grande vinho!

 
Bricco San Giovanni Monferrato Rosso 2011 – Piemonte. Um vinho que conheci recentemente na bricco-monferratobusca por vinhos desta região para uma degustação temática. O frescor e fruta típica da Barbera (60%) se alia ao Merlot que aporta algo mais de corpo, cor e notas herbáceas ao conjunto. Passa seis meses em barrica de carvalho e afina em inox por mais seis meses antes de sair para o mercado. O resultado é um vinho bastante rico, boa textura, paleta olfativa de boa intensidade lembrando frutos do bosque, que deve acompanhar bem pratos de carnes com molho, pastas, risotos, mostrando-se bastante versátil. A Lusitano Import é a parceira e o preço sugerido por aqui é de R$110,00.

Bem, promessa feita, promessa cumprida, agora só Sexta, espero! rs Fui, como já dizia uma propaganda antiga, “O Mundo Gira e a Gente Roda” (rs) ou, ainda, de acordo com Ibrahim Sued, famoso colunista social do final dos anos 80,  “Ádemã que eu vou em frente” . kanimambo, saúde e nos vemos por aí nas esquinas de nossa vinosfera, por aqui ou, porquê não, na Vino & Sapore onde meu leitor será recebido com uma taça de espumante cortesia em sua primeira visita!

wine-smile-despagne

Abreu Garcia Chardonnay e O Almoço de Domingo!

Neste Domingo, a sós com minha loira, decidi preparar um prato que qualquer cozinheiro meia boca, tipo euzinho aqui, pode fazer e se dar bem! Para acompanhar já tinha img_20161106_144348376separado minha última garrafa de Abreu Garcia Chardonnay que, lamentavelmente, terei que esperar um bom tempo até ter outra para tomar e vender, porque a safra não deu este ano devido a pésssimas condições climáticas e a de 2015 esgotou. Sou fã deste vinho sem madeira nenhuma, melhor que o amadeirado deles que acho excessivo, e de bom preço (R$60) que me dá especial prazer por seu equilíbrio sem perder a tipicidade do que se espera de um bom chardonnay. Já falei dele aqui quando o harmonizei com Fondue de Queijo, mas desta feita optei por acompanhá-lo com filé de Pintado coberto por um refogado (super simples de executar) de cebola, alho, tomate cereja, azeitona preta portuguesa e um punhado de alcaparras, acompanhado de purê de batata, ficou da hora!

Desta feita vou dar o passo a passo desta gostosa receita para quem estiver a fins, não requer grande habilidade, afinal, se eu que sou um zé mané na cozinha consigo,qualquer um consegue e é bastante rápido. Para duas ou três pessoas, separe dois ou três filés de pintado, uma cebola média fatiada fina,um dente de alho picado fino, umas oito azeitonas picadas, dez a doze tomatinhos cereja cortados em pedaços pequenos, 3 colheres de chá de alcaparra. Tempere os filés a gosto, eu uso um pouco de sal, pimenta branca moída na hora, um pouco de suco de limão, um fiozinho de vinho branco e uma pitada de tomilho. Deixe marinar uma meia hora. Enquanto isso prepare os outros ingredientes.

Primeiro dê uma selada dos filés usando uma frigideira com um fiozinho de azeite e meia colher de manteiga enquanto esquenta o forno. Depois de selados os filés (tipo 2 minutos de cada lado), separe e guarde numa forma que posteriormente irá ao forno. na mesma frigideira coloque mais um pouco de azeite e uma colher de manteiga, sobre o qual jogue toda a cebola e quando ela começar a ganhar cor, jogue o alho, em seguida o tomate e as azeitonas, refogue bem e no final termine com as alcaparras.

clipboard-pintado-1

Jogue esse refogado sobre o peixe de sua escolha (eu gosto muito do Pintado – peixe de rio) e leve ao forno já quente, 180º, por no máximo dez minutos. Retire sirva com purê ou arroz, tem gente que gosta dos dois, você escolhe. Isso tudo não dura mais do que meia hora, enquanto isso vá acompanhando com umas taças de vinho e um queijinho ou patê com torradas, porque cozinhar sem vinho não tem graça! rs O problema é que, como já comentou no face meu amigo Rui Miguel, quando sentamos à mesa já sobrou pouco espaço para acomodar mais comida, “but what the hell”, Domingo é mesmo para esses abusos gastronômicos! Prato sem frescura, mas o sabor!!! Estava bom demais da conta.

clipboard-pintado-2

Não precisa dizer que o vinho harmonizou perfeitamente e que o condimento principal, a presença de minha loira, fez a diferença. Essa última, a companhia, cabe a você achar a sua ou seu, mas garanto que faz a diferença porque sózinho não tem a mesma graça! Gente, uma ótima semana para todos e na Quarta tem mais, kanimambo e saúde, fui!!

Ps. Ia me esquecendo, vai fazer bonito, garanto!! rs

wine-smile-despagne

Salvar

Os Vinhos da Confraria Frutos do Garimpo

Todos os meses, ou quase porque nem sempre as pepitas pintam, compartilho alguns confraria-frutos-do-garimpo-logo-para-e-mailkits de 4 garrafas com aqueles que se filiaram a essa confraria virtual que promovi aqui no blog. Sem obrigações mensais e poucos kits, compra quem quiser e quem tiver disponibilidade naquele mês, esta seleção com preços especiais, exclusiva aos confrades, em parceria com os importadores participantes, teve alguns rótulos muito interessantes que ainda não tinha compartilhado com vocês.

Vejam o que rolou em Agosto:

Da Toscana , Badia di Morrona Rosso dei Poggi – A protagonista é a Sangiovese, que aqui é complementadarosso-dei-poggi por Cabernet Sauvignon, Merlot e um tico de Syrah. Um vinho que desde a primeira fungada me seduziu e o produtor tem história pois se situa num outrora mosteiro beneditino do século XI. Sem passagem de madeira, mostra-se muito aromático e intenso no nariz com aromas de frutas vermelhas e ervas aromáticas. Médio corpo, rico, saboroso, macio e equilibrado é uma ótima companhia para massas e pratos de carne menos estruturados ou condimentados, um vinho que meu dá muito prazer tomar. No mercado o preço gira em torno dos R$90 a 95,00 e a distribuição é feita pela Lusitano Import.
 
De Mendoza, Vicentin Backbone, com o perdão da palavra, um vinhaço! Um inusitado corte de Cabernet Franc (30%), Petit Verdot (30%), Cabernet Sauvignon (30%) e 10% de Malbec. Grande volume de boca, vicentin-backbonepotente porém sem excessos de extração, taninos firmes mas aveludados e um final que parece não terminar nunca. Para tomar com calma e deixar evoluir enquanto o papo rola ou para acompanhar um prato mais untuoso e marcante. Há muito que falo que os blends são os vinhos do momento na Argentina e este só vem comprovar essa premissa. Ainda vai chegar ao mercado, por enquanto compunha parte de um kit (caixa) com seis vinhos diversos comercializada pelo produtor por um valor ao redor dos R$800,00. Quando chegar vai ficar na casa dos R$165 a 180,00 , uma importação da Galeria de Vinhos. Para tomar agora ou guardar por alguns anos, uma experiência marcante que deixa para trás muito rótulo famoso por aí.

Em Setembro por mais que eu tenha garimpado, não apareceu nada que conseguisse suprir as exigências básicas para compor o kit, Qualidade + Preço, então pulei e retomei em Outubro quando novas pepitas apareceram no meu garimpo, mas sobre elas eu falo na Segunda! Kanimambo pela visita e nos vemos por aí, nessas estradas de nossa vinosfera. Saúde e bom fim de semana.

wine-smile-despagne

Burson Rosé Brut de Longanesi na Taça!

Adoro ser surpreendido tão positivamente e, paralelamente, descobrir como nossa vinosfera é grande permitindo que mesmo com tanta litragem taça degustada ao longo dos últimos dez anos de estudo, ainda aparece uma uva que não conhecía!

longanesi-burso-e-acino-verdeLonganesi é o nome da uva e a Itália está repleta destas surpresas regionais para quem topa se aventurar além da Toscana e Piemonte. Regiões de excelência sem dúvida alguma, porém há muito mais a ser descoberto por lá. No último encontro da Confraria Vinhos de Segunda em São Paulo (por sinal com vaga aberta para quem esteja interessado) que realizamos na Lusitano Import mensalmente, abrimos os “trabalhos” com este espumante de distribuição exclusiva deles aqui em Sampa que todos presentes curtiram bastante. Obviamente fui atrás de saber mais da uva!

Burson (apelido de Antonio Longanesi) é o nome dado pelos produtores ao vinho longanesi-cartello-burson-3-773x580elaborado com a uva Longanesi na Emilia Romagna (mais conhecida entre nós pela produção de lambruscos), tendo como epicentro a cidade de Bagnacavallo. A uva possui uma história recente tendo sido “descoberta” por Antonio Longanesi ao comprar uma propriedade na região onde encontrou essa vinha que subia num grande carvalho, lá nos idos de 1920. Encantado com a uva, após quase 30 anos nos anos 50, começou um processo de reproduzir esse clone desenvolvendo uma produção para a especifica elaboração de vinhos. Homologada em 2000, desde 1997 possui um Consorzio regulador para proteger e preservar os vinhos e região que hoje é liderado por Daniel Longanesi, possuindo cerca de 17 produtores. A uva também é conhecida pelo grão verde que é o que indica que o cacho está no ponto de colheita (foto acima).

Existem basicamente três estilos de vinhos sendo elaborados com esta uva; Burson burson-rosatoEtichetta Blu (tintos secos), Burson Etichetta Nera (vinhos doces Passito) e espumantes, porém você pode ampliar seu conhecimento sobre esta uva e região clicando no link do Consorzio acima. Nós provamos na confraria e, neste último Domingo, tomamos brindando os 42 aninhos de meu genro (Márcio), este gostoso exemplar de espumante Rosé e mais uma vez confirmou minha primeira impressão. Randi Burson Rosato Brut, perlage fina (seis meses de Charmat), boa espuma, cor coral acobreada bonita, vivaz e paleta olfativa de boa intensidade. Na boca surpreende com um meio de boca bastante rico e complexo, seco, boa acidez e um final mais ligeiro e fresco compondo um conjunto bastante harmonioso e diferente (mais para frutos negros que vermelhos) com leve toque de especiarias que seduz. Na Confraria a percepção de valor apurada bateu com o preço sugerido pela Lusitano, entre R$85 a 90,00 o que acho bem razoável pela qualidade na taça.

Enfim, começando a semana com novidades Falando de Vinhos diferentes, de uva pouco conhecida produzida tão somente num local, gosto disso e gostei do vinho. Vale a experiência para quem busca sempre algo pouco comum, recomendo e na Vino & Sapore também tem. Uma ótima semana para todos e kanimambo pela visita, saúde!

wine-smile-despagne

Salvar

Salvar

Nederburg Noble Late Harvest – Amazing Grace!

No Facebook, todo o dia recebemos um lembrete de alguma lembrança legal postada. Hoje me deparei relendo este texto e me deu uma vontade danada de tomar um gole de um bom Late Harvest com uma fatia de panetone de frutas (tá na época), daí ter tomado a liberdade de compartilhar este texto novamente com os amigos. Alguns já leram, outros não, enfim, está aí! rs

Depois que participei daquele evento promovido pela Wines of Argentina harmonizando vinhos e música, fiquei mais ligado nesse lance e ontem, ao tomar este vinho de agradecer de joelhos, me veio essa canção à mente que, tal qual o vinho, não me sai da cabeça!! Já faz um bom tempo que esta garrafa estava aqui em casa, porém só ontem a oportunidade apareceu para tomá-la e que grande vinho de sobremesa!

Adoro ser surpreendido desta forma e me empolgo quando acontece nessa intensidade. Não é aquele energético não, Nederburg Noble Late harvestmas que me deu asas, deu! rs Aromáticamente envolvente, de grande intensidade e absolutamente sedutor, daqueles que você não sabe se funga ou se bebe! A presença de aromas de casca de laranja confeitada é bem marcante, mel de laranjeira já mostrando um lado cítrico bem marcante e notas de damasco em passa. Chenin Blanc (73%) responsável pela ótima acidez, Muscat de Frontignan (26%) a doçura e inebriantes aromas e 1% de Semillon para aquele toque especial, esse blend explode na boca com redobrada intensidade e nos faz cair de joelhos em preces de agradecimento ou ataques egoístas querendo tomar conta da garrafa! rs Muiiiito bom!!!

Um vinho perfeitamente harmônico em que a Botrytis* (Podridão Nobre, daí o nome do vinho) se faz sentir de forma elegante, extremamente equilibrado (uma acidez de quase 10 grs/l que se contrapõe muito bem às 200 grs/l de açúcar residual) e um leve toque de baunilha no retrogosto mesmo não havendo maturado em madeira. Na minha infância na África do Sul eu adorava Peach Rolls (pêssego desidratado e prensado depois enrolado em rolinhos, um certo toque azedinho doce) e me senti transportado a essa época.

Aí, inebriado que estava de tanto prazer, entrei na net para pesquisar um vídeo com a canção “Amazing Grace” e me deparei com esta linda gravação do grupo  “Celtic Woman” que vale muito ver, espero que curtam. A gravação é longa, cerca de cinco minutos de puro deleite, mas garanto que acaba antes de você terminar sua garrafa de Nederburg Noble Late Harvest, um vinho que me seduziu e é para ser curtido sem pressa. Recomendo, ainda mais pelo preço na casa dos R$80 a 85,00. O principal crítico de vinhos sul africanos, John Platter, lhe deu cinco estrelas e tendo a concordar com ele. Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui. Uma ótima e doce semana para todos se possível harmonizado com um pedaço de de um destes deliciosos queijos que harmonizam à perfeição; Bleu d’Auvergne, Gorgonzola ou Stilton!

Amazing Grace Na Versão Celta com Gaita de Foles – “Celtic Woman”

Aumente o som!

* Botrytis -De forma simplista, é um fungo que dá na uva gerando perfurações que “esvaziam” o suco da uva fazendo com que ela se desidrate e concentre açucares. Para quem quiser saber mais a fundo o que é e como ele influencia os vinhos, siga esse link para a ótima matéria escrita pelo respeitado José Luiz Alvim Borges da ABS >  http://www.artwine.com.br/edicoes/wine-style-6-botrytis-cinerea-um-fungo-de-multiplas-facetas.pdf

Salvar

Salvar

Salvar

O Valor dos Pontos No Vinho!

Semana passada um cliente novo pediu para ver vinhos com 90 pontos ou mais, daí eu voltar a este tema! Já comentei este tema por aqui e repito, são interessantes indicadores de qualidade a serem digeridos com uma boa dose de parcimônia! São muitos os críticos que dão notas a suas avaliações, alguns até por aqui, já eu somente pratico pontuação quando participo de concursos ou bancas degustadoras e isto se torna absolutamente necessário. No blog não o faço por uma questão filosófica! Já tomei vinho de 100 pontos e ….. nada. Nesse mesmo dia tomei um outro de 94 e UAU!! Mas tem gente que compra vinho por ponto, fazer o quê, cada um com sua neura e tudo bem, há espaço para todos e para todas as tendências, mesmo que eu não seja simpatizante da causa. Nesse caso, lembro que um vinho de 86/87 pontos é um muito bom vinho, pelo menos na minha avaliação, não se pode ficar restrito aos vinhos acima de 90. Eu, por exemplo, sou munheca dando nota, tem que ser um grande vinho para eu dar mais de 90 pontos!

Há críticos bons e outros nem tanto, há os que confio e outros nem tanto, tudo é uma questão de confiança e conceito. Uma vez mudaram os críticos convidados num importante evento de vinhos no Chile. Anualmente eram os críticos americanos os convidados e nesse ano foram europeus, para variar um pouco. O que se viu foi uma reviravolta geral nas premiações dadas! Uns preferem um estilo (maior extração e potência) e outros buscam um outro (maior elegância e complexidade), tudo acaba se resumindo numa questão de preferências individuais e por isso essa notas são tão relativas.

Pior é que uns dão notas de uma forma e outros de outras, então como entender e compará-las? Um dos críticos que acompanho, especialmente quando se trata de Espanha, é Penin  que, por uma questão didática, adotou desde 1992 a pontuação americana como seu padrão e não a europeia que segue a tendência de pontuar de 0 a 20. Neste padrão americano a pontuação começa em 50 e é a que mais comumente usamos por aqui em nossa vinosfera tupiniquim. Veja o que significam estes pontos:

50 a 59 é um vinho defeituoso/ruim

60 a 69 não recomendável

70 a 79 um vinho correto/honesto

80 a 84 um vinho bom

85 a 89 um vinho muito bom

90 a 94 excelente

95 a 100, vinhos excepcionais lembrando que a perfeição não existe então, em meu conceito, 100 pontos não dou para nenhum vinho! rs Aliás, vinhos desse calibre (próximo dos 100 pontos) não são para serem pontuados e sim apreciados e contemplados preferencialmente de joelhos agradecendo a Baco pela oportunidade! Na tabela (elaborada pela www.delongwine.com) abaixo, uma equiparação das principais formas de pontuação. A imagem pode ser vista ampliada aqui > http://srv.delongwine.com/how_we_rate_wines.pdf .

wine-ratingsMinha dica; use com cuidado pois tem muito vinho que não participa de concursos e a pontuação é muito relativa. Muitos destes concursos são de qualidade e reputação duvidosa, outros não possuem qualquer relevância, então devagar com o andor e, especialmente, cuidado com os tais vinhos “melhores do mundo” engodo marqueteiro!! Podem até ser bons, mas longe do que afirmam até porque tal coisa inexiste.

Saúde e kanimambo pela visita, ótima semana para todos.

Salvar