Falando de Vinhos

Revista quase que diária sobre os encantos e segredos de nossa vinoesfera.

Curry de Frango e Rosé de Malbec Francês, Yummy!

Estava com uma garrafa deste vinho para provar e a oportunidade pintou neste último fim de semana. Curry, ou caril como chamamos por terras lusas, é uma herança que os portugueses receberam das ex colônias indianas (Goa, Damão e Diu) assim como de Moçambique onde essa influência é também muito forte. Só lembrando que Ghandi andou por aquelas bandas do continente nos idos de 1894 a 1913 quando esteve na África do Sul, mais precisamente em Durban.

Uma das receitas herdadas de minha mãe é um curry de frango com maçã que minha loira prepara divinamente , sob o qual adicionamos chutney picante, preferencialmente, e coco ralado. Achei que poderia dar samba e como deu! O vinho por si só já é bastante saboroso, fresco, ótima acidez, ligeiro mas saboroso num estilo que faz lembrar osles-temps-rose-de-malbec vinhos de Provence, diferentemente dos vinhos argentinos similares que tendem a ser algo mais pesados. Georges Vigouroux Les Temps des Vendanges Rosé de Malbec, de Cahors/França o berço da Malbec, mais uma descoberta de um vinho muito agradável com preço idem.  Tomar vinho bom e caro é fácil, qualquer zé mané com o bolso recheado chega lá, difícil é encontrar vinhos que satisfazem sem rasgar o bolso e é desse garimpo que gosto! Este tem um preço na mesma faixa do Lagoalva Branco do qual falei recentemente e o selecionei para compor minha “coleção Primavera/Verão” deste ano (rs)! O vinho casa muito bem com a nova estação e com o bolso, porque a maioria de nós não ganha vinho de graça e sobra mês no final do salário ou pro-labore!

A grande parada, no entanto, foi com a comida. Dizem que a harmonização não é essencial e não é mesmo, não deve se tornar uma fobia, porém quando dá certo é muito legal e prazeroso, aumentando nossa satisfação sensorial o que faz com que queiramos mais! rs Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu aqui, deixou uma sensação de quero mais, mas a garrafa era uma só e tinha bastante gente! rs O vinho cresceu com o prato condimentado, uma bela harmonização que certamente vou querer repetir outras vezes.

O vinho em si é muito agradável, frutas vermelhas frescas sutis, seco com final de boca apresentando um leve residual de açúcar que não incomoda por estar muito bem equilibrado pela acidez pungente sendo, talvez, o segredo para o bom casamento com o prato mais condimentado. Descomplicado e descompromissado, porém cumprindo com seu papel de ser um vinho alto astral, fácil de agradar e bem feito, o que é essencial. Deve dar um samba legal também com pratos da culinária japonesa, algo a testar proximamente. Se não fosse a sede do governo e o aumento de IPI no inicio do ano, poderia estar uns 10% mais barato, o que seria ótimo, mas …. enfim, esse é o nosso Brasil, sil, sil!

Fui! Kanimambo pela visita, saúde, uma ótima semana para todos e que Baco vos abençoe com taças cheias de bons vinhos, saúde e alegria.

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Harmonizando Paella e Vinho.

Nestes dias recebi uma consulta aqui sobre que vinho usar para “maridar” paella e pensei em resumir aqui algumas experiências vividas. Já fiz ao menos três provas com amigos confrades, dois deles com as já famosas Enoladies que há seis anos tenho a honra de receber mensalmente para viajar um pouco por esta nossa misteriosa e sedutora vinosfera. Tantas taças, tantas emoções! Enfim, voltando no foco do post, que vinho harmonizar com Paella Mixta (frutos do mar e carnes brancas). Me refiro a esta porque é a mais comum no Brasil seguida da Marinara só com frutos do mar. Sem querer dar uma de doutor especialista, até porque verdades absolutas não existem, quero aqui compartilhar com os amigos essas experiências vividas que refletem a avaliação e opinião de um grupo que, coincidentemente, tendo a acompanhar.

Costumo sempre usar três estilos de vinho; um Rosé, um tinto leve de poucos taninos e um branco algo amadeirado sem que esta seja excessiva. Nem sempre o Rosé leva, mas na maioria das vezes foi ele a estrela do evento. Veja o que ocorreu em cada um desses momentos vividos com os amigos:

Em 2011 – http://www.falandodevinhos.com/2011/01/06/rito-de-passagem/ Clique aqui

Em 2012 – http://www.falandodevinhos.com/2012/06/26/paella-y-vino-the-day-after/ Clique aqui

Em 2016 – http://www.falandodevinhos.com/2016/04/27/paella-valenciana-e-vinho/ Clique aqui

Um vinho que acho perfeito nessa harmonização é o Protos Rosé, mas faz tempo que não chega a nossa terra brasilis, uma pena. Enfim, a pedido estão aí algumas dicas e ainda tem mais este link abaixo que achei bem interessante >  http://www.vino-españa.es/Que-vino-elijo-para-acompanar-una-paella-Todo-lo-que-debes-de-saber-antes-de-comprar.html Clique aqui

Boa Paella e pode convidar que eu vou! rs kanimambo, saúde e bom fim de semana

É do Tejo, Mas Poderia ser Vinho Verde!

O mundo do vinho vive surpreendendo e isso é que o faz tão enigmático e sedutor. Um whisky 18 anos de um produtor será aquilo eternamente, ano após ano. Ruim? Não necessariamente, mas …. Nossa vinosfera tem esse Q de diferente, da busca pela novidade e os enólogos, nem todos convenhamos, gostam dessa viagem por novas fronteiras, de desafiar o “establishment” possibilitando que o resultado possa nos surpreender. Esses que pensam dessa forma são gente que respeito demais e um exemplo deles é o Diogo Campilho da Quinta da Lagoalva que faz algumas maravilhas por lá, tirando alguns coelhos da cartola. Aliás, perto de “casa”, da Vila Nova da Barquinha!

Há dois anos um dos melhores vinhos tomados no ano (Deuses do Olimpo) foi um vinho dele, o Quinta da Lagoalva de Cima Alfrocheiro Grande Escolha que é o melhor que já provei dessa uva vinificada como monocasta e um dos grandes vinhos de Portugal, adoro. Um outro vinho surpreendente é o Lagoalva de Cima Late Harvest, um vinho de sobremesa produzido em limitadíssimas quantidades com Gewurztraminer e Riesling botritizado encostado nas margens do Tejo! Numa faixa de vinhos mais “terrenos” (rs) lagoalva-brancogosto muito do Quinta da Lagoalva Tinto um corte meio a meio de Castelão e Touriga Nacional que é um belo companheiro para pratos de bacalhau.

Agora mais uma surpresa que provei muito recentemente, um delicioso, vibrante e fresco branco, com um rótulo singelo que nos remete aos azulejos portugueses porém na cor verde, é o Lagoalva Branco. Não tenho a mínima idéia de que uvas o Diogo usou para gerar este vinho, mas às cegas eu juraria que estava tomando um Vinho Verde, coisa que gosto demais, e em consequência acho que até sei de algumas uvas que ele deve ter usado. Tem aromas cítricos acentuados, uma acidez vibrante que lhe dá um frescor ímpar, um vinho divertido para tomar solo, acompanhando camarõezinhos fritos, lula à doré, manjubinha, felicidade total!! rs Não perguntei nada, não sei de nada, só sei que é alto astral, que me diverti com ele, um “Wine for Fun” que só acredito que é da região Tejo e não do Minho porque eles dizem, mas que ficou uma pulga atrás da orelha, lá isso ficou!! rs

Verão chegando, para encher a geladeira. Praia, piscina, tira gosto, conversa, amigos, férias, tudo a ver. Como diria se estivesse por lá, deu-me grande gozo este vinho! Vinho na casa de R$65 a 70,00, importado pela Mistral e, óbvio, que já arrumei um espacinho para ele lá na Vino & Sapore pois, mesmo se ninguém comprar não me importo não, bebo com prazer!! rs Saúde e kanimambo.

 

PS Bingo! O Diogo me deu um retorno sobre as uvas; Alvarinho (sabia!), Arinto (pensei em Loureiro, porém pela região achei que podia ser Arinto) e Verdelho (esta não ia acertar nunca!), acidez na veia. rs

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Quebrando Paradigmas Com Vinhos Brasileiros

Apesar de ter ficado para alguns uma falsa percepção de que tenho algo contra os vinhos brasileiros, há anos que sou um entusiasta. Esse “ranço”, na verdade ficou em função de meu forte posicionamento contra a tentativa de golpe contra o consumidor com a adoção das famigeradas salvaguardas (quem chegou mais recentemente à nossa vinosfera não conheceu e os mais velhos se esqueceram rapidamente) e de quem bancou essa irracionalidade que, graças a essa firme oposição de diversas pessoas, acabou não passando tendo prevalecido o bom senso. Há muito que falo que já fazemos bons vinhos, meu problema com grande parte dos produtores está mais na área comercial onde não compartilho de suas estratégias, então espero que isso fique claro de vez e vamos em frente porque chega dessas baboseiras.

Na semana passada tive a oportunidade de preparar para a Confraria das Enoladies uma degustação só de vinhos que reputo como de boa e muito boa qualidade que surpreendeu a todos. Compartilho com os amigos um pouco de minhas impressões sobre o que chegou na minha taça.

vinhos-brasileiros

Villa Francioni Rosé (Serra Catarinense)- não tenho conhecimento de um vinho rosé fruto de um blend de 8 uvas – Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Sangiovese, Merlot, Petit Verdot, Malbec, Syrah e Pinot Noir. Apesar de caro, passa dos R$120 o que rivaliza com bons Provence, prima pelo frescor e equilíbrio sem contar que a garrafa é linda.

Villaggio Grando Innominabile lote V (Meio-Oeste Catarinense) – Um clássico muito fino, delicioso corte de sete uvas e seis safras! A cada safra, 20% do vinho é guardado para se fazer o corte de safras do ano seguinte. Neste lote V, são seis safras, de 2004 a 2009. As uvas, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Marselan, Malbec, Merlot e Petit Verdot. Um vinho que já comentei aqui por diversas vezes. São vinhos que sempre se apresentam prontos a beber, porém evoluem muito bem com o tempo. taninos sedosos, fruta abundante, corpo leve para médio, òtima textura, boa persistência de boca, um vinho que agrada fácil a gregos e troianos, a entendidos e outros nem tanto. melhor, preço bacana, na casa dos R$80,00.

Bueno Paralelo 31 2103 (Campanha Gaúcha) – Bom exemplar dos tintos da Campanha, região de onde ainda vamos ver muita coisa boa sendo criada. Este já tem a mão do respeitado enólogo italiano Roberto Cipresso na finalização do vinho, porém na próxima safra já se espera que ele acompanhe o processo na íntegra. Mudou o estilo, mais escuro e denso, um corte saboroso de Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot com maior volume de boca. Frutos negros, madeira um pouco mais aparente porém bastante equilibrado que se integra melhor com um tempo em taça ou num decanter para aerar por uma meia hora a quarenta e cinco minutos, pois o vinho ganha muito com isso. Preço hoje beira os 100 Reais, mas acho que está em linha com o que apresenta.

San Michele Tridentum Teroldego (Vale de Itajaí) – situada em Rodeio fortemente colonizada por italianos do norte da itália, especificamente do Alto-Ádige, região de Trento, de onde a uva é originária. Ver essa uva por aqui foi uma alegria, pois gosto muito tendo nos vinhos da Angheben, que também é originário da região italiana, minha referência local. Esta uva sempre produz vinhos retintos, escuros de boa “pegada” e esse não foge à regra, muito bom, um vinho que foge aos aromas e sabores mais comuns a que estamos acostumados, um vinho de personalidade própria e marcante. Notas mais terrosas, algo de defumado, boa acidez, médio corpo, denso, um vinho complexo que me agradou sobremaneira e a minhas confreiras idem. Com preço na casa dos R$80,00 vale muito a pena.

Miolo Lote 43 – 2011 (Vale dos Vinhedos) – Um clássico com a mão do Adriano Miolo e de meu amigo Miguel de Almeida, enólogos que cuidam da criança. rs Um lorde, a finesse em pessoa e um vinho que tomaria a dois de bom grado, pois uma tacinha é pouco! Falar deste vinho e chover no molhado, mas este 2011 está especialmente bom apesar de não ter degustado muitos. O provei pela primeira vez há três anos atrás num Challenge de Vinhos Brasil x América Latina (Wine In promovido há época pelo amigo Breno Raigorodski) e já me impressionou, tendo ganho na classe acima dos R$50,00. De lá para cá só cresceu e mostrou ainda muita estrutura para nos seguir presenteando com alegria por muitos e muitos anos. O preço está ficando algo salgado, por volta dos R$170 a 200 dependendo de região, mas é um vinho marcante que por R$150,00 seria uma ótima compra.

VF Villa Francioni Tinto 2009 (Serra Catarinense) – de volta a esta região com este delicioso corte bordalês de Cabernet Sauvignon, Merlot,Cabernet Franc e Malbec. Em 2009  coloquei o 2005 como intruso num Desafio de Bordeauxs, até R$100,00 e desbancou meio mundo. Desde aquela época o reputo como o melhor vinho tinto produzido por esta vinícola e recentemente tive a oportunidade de confirmar isso ao provar toda a linha deles.Com sete anos de vida, o vinho está tinindo! rs Boa e complexa paleta olfativa com frutos negros abundantes, tabaco, café, estrutura  com elegância e taninos finos, rico meio de boca, longo, um belo vinho em que os aromas seguem nos encantando mesmo depois de terminado a taça. O preço, bem os vinhos desta casa sempre estiveram na parte mais alta da pirâmide, então prepare-se para pagar algo ao redor dos R$200 aqui em Sampa. Como no Lote 43, se achar por R$150 a 160,00 será uma ótima compra em linha com produtos similares importados.

Enfim, esta foi uma bela seleção de vinhos para quebrar preconceitos de qualquer um quanto à qualidade de nossos vinhos e tem um monte de outros rótulos que poderiam estar por aqui.Uma ótima e prazerosa noite passada junto à minha primeira e mais antiga confraria, as Enoladies que em Novembro estará completando SEIS anos de vida! Fiz as contas, neste período foram 65 reuniões e mais de 400 vinhos provados entre tintos, brancos, rosés, espumantes de todas as regiões e países do mundo, mas seguimos encontrando rótulos novos e experiências refrescantes para não deixar a paixão morrer, eta coisa boa esta nossa vinosfera!

Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui, na Vino & Sapore, ou em qualquer esquina deste maravilhoso mundo do vinho.

 

 

Uma Razão Para Visitar a Moldavia!

Bem, pelo menos uma,mas dizem que a região é linda e os vinhos possuem qualidade. Quem sabe um dia?? Por enquanto, que tal passear virtualmente por mais de 100kms de adegas subterrâneas na, dizem, maior adega do mundo.  Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, então fico por aqui, veja o vídeo!

Diversidade No Mundo do Vinho

Nossa vinosfera é um vasto ambiente no qual não cabem verdades absolutas, aprendi isso faz tempo e volta e meia sou lembrado disso pelos fatos. Diversidade de uvas, de formas de vinificação, de terroirs, de enólogos, de sabores, de aromas porquê nos vino-globeatermos a um só quando podemos nos divertir na busca? Quem disse que na argentina só sabem fazer Malbec, que no Chile só sabem fazer Carmenére ou Tannat no Uruguai? Quem disse que no Brasil não se faz bons vinhos ou que todo o vinho sul-africano é pinotage? Se você acredita em qualquer uma dessas premissas e outras de gênero, vai aqui meu desafio para abrir sua mente a novas experiências e explorar esse mundo mágico. Como? Degustando, provando coisas novas e hoje trago aqui uma oportunidades dessas. Na Granja Viana, Vino & Sapore por supuesto (rs), daqui a dez dias.

 

Diversidade Argentina – Dia 22 de Setembro ás 20 horas na Vino & Sapore! Descubra uma argentina diferente através de seis vinhos tintos e um espumante sendo que somente este último será de Malbec. A idéia é desconstruir essa imagem de que os hermanos somente sabem produzir bons Malbecs, ledo engano meus amigos! Minha experiência, no entanto, viajando mais de 5 mil quilômetros por regiões produtoras provando de tudo um pouco e conhecendo algumas centenas de rótulos, me dizem o contrário e convido vocês a conferir, não precisa acreditar em mim não! Para apenas 12 pessoas, seis vinhos e mais o espumante, vejam a lista de rótulos que estão numa gama de preços entre 100 a 230 Reais.:

Vicentin Rosé Extra-brut Rosé de Malbec
Penedo Borges Cabernet Sauvignon Reserva
Lagarde Guarda Cabernet Franc
El Enemigo Bonarda
Vicentin Backbone Co-Fermented Blend*
Las Moras Gran Syrah 3 Valleys
Fabre Montmayou Gran Reserva Merlot
 
Durante a degustação, os costumeiros queijos, frios, pão e água e ao término serviremos empanadas da Caminito, um de nossos parceiros de longa data.O preço da descoberta será de R$150,00 por pessoa a serem pagos no ato da reserva, vai dar mole? Contatos de Terça a Sábado das 14 às 19h pelo telefone (11) 4612-6343 ou pelo e-mail comercial@vinoesapore.com.br .
 Por hoje fica esta dica, mas durante o resto da semana tem mais. Saúde, kanimambo pela visita e nos vemos por aí!

Salvar

Salvar

Costela Suína e Vinho, Brincando de Harmonizar

Mesmo não sendo essencial, sempre bom quando dá certo! rs Se o vinho é bom e a companhia idem boa parte da harmonização já está pronta, mas quando o prato acompanha, a festa fica melhor ainda. Em minha modesta opinião de cozinheiro de meia-tigela, porém de bom garfo (rs), a costela suína é um prato bastante versátil que possibilita muitas harmonizações. Pode ser uma boa cerveja de abadia, um vinho branco ou tinto, pois como na maior parte dos pratos, depende muito de como é feita.

Costelinha de porco na brasa, por exemplo, sou um fã incondicional com vinho verde e já escrevi sobre isso aqui, “ um perfeito companheiro para a costela ou um lombinho de sunday Oct 11th 004porco no forno. De um intenso frescor e acidez rasgante, perfeitamente balanceado e pleno de sabor é uma perfeita combinação com comidas mais gordurosas. Há pouco tempo o usei numa harmonização com feijoada e tanto eu como os convivas,  pode ter sido mera cortesia dos amigos, adoramos também essa combinação. A acidez corta a gordura e realça sabores com ótimos resultados, uma de minhas harmonizações preferidas e um corte que me agrada muito, Alvarinho com Trajadura.“. Naquela época (2013) andava caidinho pelo Varanda do Conde, já hoje (fidelidade no vinho não é meu forte! rs) ando apaixonado mesmo é pelo Dona Paterna, bão demais da conta!

Como disse, depende de como você prepara e cozinha a costelinha suína então o vinho muda de acordo. Neste feriado aproveitei que tinha no freezer da loja umas costelinhas temperadas e prontas para irem ao forno da Srs. da Carne e simplifiquei a minha vida. tem a Lemmon Pepper, mas desta feita optei pela molho Barbecue. Não sou fã da americana que tende a ser muito adoçicada e algo puxada demasiado no ketch up, mas costela-e-urceuso tempero desta me atrai pelo equilíbrio. Como opção de vinho fiquei na dúvida entre um Zinfandel e um Primitivo, mas optei por este último, escolhi o Urceus Primitivo di Manduria. A uva tem por característica uma leve doçura de final de boca que combina e combinou à perfeição neste caso.

O Urceus é um vinho intermediário entre os Primitvos mais ligeiros e comerciais no mercado e os grandes, potentes e caros (mais que o dobro do preço) expoentes da uva disponíveis no mercado. Nariz intenso de frutos negros, notas de especiarias que se confirmam na boca, corpo médio, taninos aveludados e rico meio de boca com um final de boca macio que se integra muito bem ao molho barbecue que deixei secar um pouco no forno para não sobrar no prato.

A carne muito saborosa, se soltava do osso e se desmanchava na boca onde encontrava o Urceus formando uma harmonia que fez meu dia e de quem teve a oportunidade de compartilhar desse momento para lá de agradável. Para completar um arroz biro-biro (com ovo e batata palha),uma saladinha e ótima companhia, can’t ask for more!

costela-e-urceus-clipboard

Por hoje é só gente mas já deixem reservado o dia 22 de Setembro quando promoverei uma degustação diferenciada com vinhos argentinos, “Diversidade Argentina para Além do Malbec” na Vino & Sapore às 20h. Vinhos marcantes escolhidos a dedo por mim e no final, uma seleção de empanadas da Caminito com quem já trabalho faz quatro anos. Saúde, kanimambo pela visita e sigo aguardando vocês por aqui ou pelas mais diversas esquinas de nossa vinosfera.

Chegar é Fácil, Difícil é Permanecer!

Este blog estará completando nove anos nos próximos meses e 2017 será um ano especial pois alcançaremos a marca de 10 anos; muitos posts, muitos vinhos, muitos novos amigos, muita troca de experiências. Tem sido uma viagem e tanto e me orgulho dos resultados, especialmente no que se refere à interatividade com meus leitores, pois já passam de 8000 comentários recebidos e respondidos nesse período. Mas porquê estar falando disto hoje? Bem, porque recebi uma mensagem de minha amiga Camila Coletti, editora da revista Eno Estilo, de que eu estava no ranking dos top sites/blogs/portais do setor e fui conferir.

Gostei do que vi e a primeira coisa a fazer é levantar um brinde a você que clicou aqui,DSC03242A valeu gente! Em tempos de tecnologia criativa chegar no topo pode ser mais fácil do que aparenta, aliás a cada ano que a Enoeventos do Oscar Daudt publicava a lista (desde 2010), aparecia um blog novo em que o cara subia que nem um foguete e no ano seguinte voltava lá para baixo, tudo fruto de “contratos de cliques”! Outros pegam carona nos nomes de blogs já estabelecidos e até que as pessoas descubram que eles não são quem aparentam, lá se adicionam uns cliques a mais! Como em todos setores da sociedade, tem gente mais séria, trabalhos mais perenes e aqueles que só jogam para a galera com o intuito de usufruir de uma degustação grátis, do jantar chique ou do eventual jabá. Faz parte e, como tudo e em todos os lugares, há que se separar o joio do trigo.

Chegar lá, então, pode sim ser fácil, porém permanecer é complicado e depende de conteúdo. Já estive em quinto, já estive em vigésimo, porém Falando de Vinhos tem se mantido nessa elite de produtores de conteúdo em nossa vinosfera desde quando o Oscar começou a elaborar essas listas e esta última, desta feita elaborada pela Camila, me trouxe uma satisfação extra. Essa satisfação extra vem do fato de que apesar de minhas atividades comerciais na Vino & Sapore que exigem presença diária, o conteúdo seguiu sendo gerado (volta e meia com alguns hiatos maiores do que desejaria, rs) e o leitores seguiram seguindo este escriba apesar disso, entendendo a forma isenta como o conteúdo é elaborado. Calculo que hoje tenhamos no Brasil mais de 450 blogs de vinhos, na língua portuguesa certamente mais que 500, então estar entre os TOP 3% e me manter lá nos últimos nove anos é para festejar, ou não?

O Alexa é um site mundial que segue cerca de 30 milhões de web sites e blogs pelo mundo afora fazendo uma contagem analítica de visitas diária montando um ranking próprio e provendo ferramentas de trabalho para os autores. Usando esta tabela a Camila montou este ranking que, como tudo na vida, tem que se digerido com a devida parcimônia, como mero indicador que é, mas de qualquer forma, é uma fonte bastante confiável. Tem gente de grande gabarito, muito maior que o meu e que que se dedicam full time a isso, abaixo de mim o que só valoriza este resultado que me deixa especialmente feliz. Como adoro compartilhar coisas boas, aqui estou e trazendo comigo um enorme KANIMAMBO para todos vocês que são os responsáveis por isso! Abaixo segue o Ranking atual publicado na revista Eno Estilo onde você poderá ler o artigo completo clicando aqui. Uma ótima semana todos e espero seguir contando com vosso apoio.

Enoestilo quem-e-quem-no-vinho-2016-04-set-16

 

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Fui Revisitar Um Alentejano e Achei um Francês!

Foi com prazer que estive recentemente na importadora Premium para rever vinhos que há muito andaram por minha taça, desde as boas épocas da Lusitana há cerca de uns sete anos. Com o fechamento da importadora, veio um iato e depois vim a descobrir o produtor novamente, agora na Porto Mediterrâneo com quem nunca consegui levar adiante negociações. Esta importadora também fechou e agora o produtor reaparece na Premium. Feliz porque a casa é amiga e preocupado porque …, bem sal grosso e reza nunca fizeram mal a ninguèm! rs

Gente, brincadeiras à parte, fiquei feliz porque os vinhos da Herdade Paços do Conde são muito bons, desde sua linha mais básica com o Albernoa, seja com seu top o Paços do Conde Reserva que é um vinhaço e digno representante dos grandes vinhos do Alentejo.Deles falarei em outro post, pois hoje quero falar deste espumante francês que me surpreendeu. O representante já tinha me falado dele, porém confesso que tinha ficado com um pé atrás e explico porquê abaixo.

Comte Bailly Blanc de Blanc Brut, um vin mousseaux (espumante elaborado pelo método charmat na França) produzido na Borgonha com uma uva rara por aquelas bandas, a Airén e aqui a causa de minha aprrensão. A uvas branca mais plantada no mundo é esta Bailly Brutespanhola que por lá ainda representa cerca de 25% (vem caindo) de todas as uvas plantadas. No mundo, só perde para a Cabernet Sauvignon e Merlot! Incrível né, e você provavelmente não a conhecia. Pois é, vivendo e aprendendo. Como sempre digo, desconfie daquele que diz que sabe tudo sobre qualquer coisa, estarás frente a frente com um enganador, cai nessa não!

Já conhecia a uva que na Espanha gera alguns vinhos meia boca, pouquíssimos dignos de destaque e nenhum que eu provei até hoje fez a minha cabeça. Alcóolica, caráter algo oxidativa, é usada básicamente para a produção de álcool vínico e brandies. Imagina me convidarem para provar um espumante com esta uva!! De qualquer forma não me fiz de rogado não e agradeço por ter a mente aberta a novas experiências, gostei bastante, como é bom ser surpreendido!!

Pesquisei o diabo, mas não consegui encontrar literatura que mostrasse como ela veio parar na Borgonha nem a quantidade, mas verdade é que encontrei uma boa porção de rótulos de espumantes da região com Airén. Se achar algo depois publico, mas por hoje vos deixo com mais este achado. Aromas mais complexos, fresco de média intensidade, mas sem aquele perfil mais cítrico que estamos acostumados a ver nos espumantes brasileiros. Na boca isso fica claro, com um perlage bem fino e delicado, notas frutadas que me levaram a pensar em pêssego e frutas de gênero, uma ponta mineral de final de boca completa o conjunto que me agradou bastante e fica aí na casa dos R$70 a 75,00 o que me parece justo pelo que entrega de qualidade e prazer ao tomar. Uma ótima opção para quem quer trazer à mesa e apresentar aos amigos, algo diferente. Eu gostei! Dizem que o Cremant (método champenoise) deles também é muito bom, mas esse não conheci, quem sabe numa próxima oportunidade e aí vos conto.

Bem gente, é isso. Um ótimo fim de semana para todos e semana que vem tem mais quando falarei dos vinhos da Herdade Paços do Conde. Saúde, kanimambo e nos vemos por aí!

Salvar

Salvar

Taças de Vinho, Redescobrindo Sabores e Aromas.

Mesmo não sendo um xiita sobre o assunto, já deixei claro por aqui que uma boa taça pode sim fazer uma diferença enorme sobre o vinho nela tomado. Lógico que há momentos para tudo, já me diverti à beça tomando vinho num copo de requeijão numa tasca em Portugal ou de plástico na praia em Floripa, so what, como disse numa gravação há época, tudo vale a pena quando a alma não é pequena ! Agora, um bom vinho na temperatura e taça certa fazem toda a diferença e não há como negar!

Clipboard Riedel Tasting 2016

Semana passada realizei a terceira edição da Riedel Tasting Experience em parceria com ela mesma, a Mistral e minha amiga Nazaré, chef e proprietária do restaurante Vedhanta aqui no centrinho da Granja Viana, quando degustamos alguns bons vinhos em taças especificas para quatro varietais. É uma degustação de taças onde exercitamos nossa capacidade sensorial através de um exercício em que o vinho vai mudando de taça e, no processo, sabores e aromas, vão e vêm como mágica! Só que não é mágica não, é pura engenharia, que faz com que possamos tirar ao máximo tudo aquilo que um vinho varietal de qualidade pode nos oferecer e não só.

Clipboard Riedel tasting GlassesA Riedel estudou isso a fundo e como tal se tornaram ao longo dos anos especialistas em tirar o máximo de cada caldo em suas taças. Do vinho, ao café, passando pela Coca-Cola e Malt Whisky ou Cognac, para cada caldo uma taça para realçar todo o potencial que cada um tem. Tá, sei que pode ser exagero e preciosíssimo excessivo, mas que funciona, funciona. Tenho vários amigos que não acreditavam, inclusive alguns engenheiros professores que vieram conferir e comprovaram o fato. O mais legal é que agora, no caso de dúvida se pode usar um app que eles disponibilizam que possibilita que você possa tirar dúvidas na hora que precisar com relação à taça mais indicada para o vinho que vai servir, clique aqui e baixe.

Campeão nesse tipo de evento é sempre a taça de Chardonnay para vinhos com passagem por barrica, em que conforme você troca de taça o vinho vai literalmente sumindo, tanto no nariz quanto na boca, morre e ao voltar para sua taça ressuscita retomando todas as suas características, algo que normalmente deixa as pessoas boquiabertas! Desta feita, no entanto, me surpreendi muito positivamente com um vinho que há poucas semanas Porcupine ridge syrah-viogniertinha usado numa confraria, um Syrah/Viognier Sul-africano, o Porcupine Ridge. Em taças comuns de degustação, o vinho estava bom, porém apresentou pouca fruta, aromas animais intensos e baixa percepção das características notas de especiarias. Na Riedel Tasting Experience usando a taça própria para Syrah, a Hermitage, o vinho estava exuberante com a fruta bem presente, nuances animais idem porém de forma bem mais integrada ao conjunto e o final claramente especiado com notas de pimenta. Era um vinho de outro patamar de qualidade e caso não soubesse, diria que se tratava de outro vinho, show!

Enfim, sem exageros, porém de nada adianta comprar um ótimo vinho de 200, 300, 500 ou 900,00 Reais e tomá-lo numa taça “comum”, certamente boa parte do que você pretensamente comprou não estará em sua taça e você não irá usufruir de tudo o que o vinho teria a lhe oferecer, grana jogada fora. Ah, mas eu não compro vinhos desse valor! Argumento aceite, porém o vinho de que falei, o Porcupine Ridge ou o Catena Chardonnay tomados são vinhos na casa dos 100 a 120 Reais! É, deixei você pensativo sobre o tema né? Pois bem, vá fazendo seus testes e comprove por conta própria pois sei bem o que é ser “São Tomé”, porém certamente os 35 participantes que estiveram lá nessa noite não me deixarão mentir! Grato aos amigos que lá estiveram, à Nazaré, à Cristina Geremias, brand manager da Riedel para o Brasil e uma maestra no assunto, à Mistral e à Riedel. Kanimambo, saúde e desculpem pela ausência semana passada, mas o trampo está bravo! rs Uma ótima semana para todos.

Salvar

Salvar