Falando de Vinhos

Revista quase que diária sobre os encantos e segredos de nossa vinoesfera.

Frutos do Garimpo de Novembro foi Orgânico

   Na Frutos do Garimpo tento sempre trazer novidades regularmente com preços de oportunidade e desta feita, mesmo o produtor não sendo novidade no Brasil, achei que em função do conceito Orgânico praticado e devidamente certificado, valia a pena explorar o tema junto aos confrades. Em parceria com o novo distribuidor da Domaine Bousquet, a Almeria, neste mês o resultado do garimpo pegou carona no tema não só para explorá-lo, mas especialmente possibilitar a prova de forma a que cada um dos confrades que optaram pelo kit, possam fazer seu próprio juízo de valor. Afinal, neste mundo enófilo, não existe melhor forma de aprender do que abrir garrafas e explorar, a essência de tudo!
   A Domaine Bousquet é um projeto francês na altitude de Gualtallery, Tupungato, Mendoza. O compromisso com a agricultura orgânica impulsiona o melhoramento da biodiversidade dos vinhedos. Quanto mais saudáveis os vinhedos, melhor a uva e consequentemente (na maioria das vezes) o vinho elaborado sendo esse o principal objetivo desta família francesa que chegou a Tupungato em 1997 depois de 4 gerações produzindo vinhos na terra natal.  As raízes de vinhedos cultivados de forma orgânica tendem a ser mais profundas  permitindo que as plantas absorvam e distribuam melhor os minerais  e intensifiquem sabores já que o rendimento das vinhas tende a ser menor. O uso de leveduras selvagens, compactuam com o trabalho nos vinhedos de forma a trazer o melhor retrato do terroir. O resultado são vinhos menos industrializados, mais verdadeiros, mas obviamente têm que ser bons antes de qualquer coisa e isso eu conferi, só assim para estar aqui!
    A altitude de Gualtallary, 1200 metros de altitude, permite uma melhor e mais tardia maturação da uva e uma acidez mais presente nos vinhos por lá produzidos devido à amplitude térmica bem acentuada na região. Resultado; vinhos mais frescos, fruta madura no ponto (sem sobremadurez), taninos mais finos.  Este kit do Frutos do Garimpo do mês contemplou uma garrafa de cada de um branco, um rosé e dois tintos com duas uvas diferentes e gamas diferentes na linha de de rótulos elaborados pela bodega de forma dar uma visão ampla da linha de produtos da Domaine Bousquet.  meus comentários sobre os vinhos provados segue abaixo, porém cabe a você fazer seu juízo de valor, experimente e tire sua próprias conclusões, sempre melhor do que simplesmente ler a opinião de terceiros, não acha? rs Duas características são inerentes a todos os vinhos provados; frescor e elegância.
Domaine Bousquet
Domaine Bousquet Premium Chardonnay 2016 –  uma saborosa e fresca versão de Chardonnay sem passagem por madeira com notas cítricas, acidez acentuada, um verdadeiro vinho de verão, divertido, vibrante, alguma fruta tropical, porém tudo isso presente de forma delicada e muito, muito agradável de tomar. Um Chardonnay diferenciado, fora dos padrões a que estamos acostumados. Preço médio em Sampa hoje, entre R$65 a 70,00
Domaine Bousquet  Premium Rosé de Malbec com Cabernet 2016 –  muita riqueza de sabores com fruta fresca abundante num rosé muito bem feito, leve, fresco e sedutor que combina muito bem com nosso verão e com frutos do mar e pratos orientais. Possui cor linda, a la “Provence”, boa paleta aromática que convida a levar a taça à boca. Preço médio em Sampa hoje, entre R$65 a 70,00
Domaine Bousquet Reserve Cabernet Sauvignon 2014 – um vinho para abrir e deixar respirar por uma meia hora, tempo que ele precisa para se mostrar. Notas terrosas, frutos negros, fresco com notas minerais, couros, bosque, é um vinho complexo que demanda tempo para se descobrir todas as suas camadas. Talvez o vinho deste kit que mostre mais as características de terroir mais puras, fruto do processo de orgânico de vinificação com leveduras selvagens. Wine Spectator 90 pontos. Preço médio de mercado em Sampa hoje, entre R$95 a 100,00
Domaine Bousquet Grande Reserve Malbec 2013 –  Um belo vinho, um malbec mais fresco, denso, escuro em que o equilíbrio prevalece. leva 5% cada de Merlot, Cabernet Sauvignon e Syrah, tecnicamente ainda um varietal, o que lhe aporta complexidade. Nariz de boa intensidade com frutos negros bem presentes,  na boca um vinho de corpo médio para encorpado de taninos muito finos, toque defumado, aveludados, longo com final algo apimentado, mostra bem sua estirpe francesa, estrutura e bom volume de boca porém com grande finesse. Doze meses de barrica francesa nova aparecem de forma delicada projetando a fruta mais que o carvalho, num conjunto de muita qualidade. James Suckling, ex-editor da Wine Spectator, lhe deu 93 pontos, algo conferir. Preço médio de mercado em Sampa, entre  R$150,00 a 160,00.
Enfim, nem sempre o Garimpo dá o resultado que queremos, mas gostei do que pintou na peneira este mês. Quem comprou o kit que comente, mas se você ainda não faz parte do Frutos do Garimpo tudo bem, procure estes vinhos numa loja mais próxima de você e explore este veio orgânico. Afinal se é bom e é mais natural, melhor! Por hoje é só, bom final de semana para todos e kanimambo pela visita. Sáude!

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SPERI – Grandes Vinhos de Valpolicella

Dando continuidade e finalizando meus comentários sobre os vinhos de Valpolicella provados na degustação promovida pela Mistral, chego na SPERI. Diz o Gambero Rosso que a SPERI tem notável importância histórica na região com 60 hectares de vinhedos orgânicos todos eles localizados na região de Valpolicella Classico. Eu não conheço o bastante para comentar essa afirmação, mas o que eu posso dizer é que provavelmente seja o melhor que eu já provei e isso, lamentavelmente, quer dizer preços mais altos! Não tem jeito, como sempre digo, “nem todo vinho caro é excelente, porém não existe vinho de excelência barato”, especialmente no Brasil!!

Neste caso, só vinhos de Valpolicella e difíceis de comentar, pois o nível aqui começa alto desde seu DOC Classico até um néctar dos deuses chamado Recioto la Roggia que entrou para meu wish list, inebriante. Da sPERI ClipboardSperi foram “apenas” cinco vinhos sobre os quais tecerei abaixo alguns comentários sobre as sensações despertadas, mais do que a qualidade em si que, a meu ver, é irrepreensível. Um toque antes, sempre que possível gosto de mostrar preços no mercado, sempre checando antes porque tem muito importador que chuta preços nesses eventos, e neste caso como no post sobre os vinhos da Campagnola os preços estão em dólares americanos pois assim trabalha a Mistral. Creio importante sempre colocar o preço pois, especialmente no Brasil, é fator preponderante na análise de um vinho quando falamos com seguidores de Baco, como faço aqui.

Valpolicella DOC Classico 2016 – para quebrar todos os eventuais preconceitos que um possa ter para com vinhos desta classificação. Bem frutado, fresco, gostosa textura de meio de boca com taninos suaves, mas presentes, formando um conjunto muito equilibrado de médio corpo que pede abrir diversas garrafas! Uma grande partida para vôos algo mais altos em sua linha de produtos. Preço USD38,00

Valpolicella Ripasso Classico Superiore 2015 – sedutor no nariz com bastante intensidade aromática, suculento na boca mostrando muito equilíbrio, bom volume,, taninos finos e aveludados mostrando garra e elegância, um vinho que surpreende por sua complexidade. Preço USD66,00

Sant’Urbano Apassimento Classico Superiore 2014 – é um single vineyard de um dos principais vinhedos da região, Sant’Urbano. As uvas passam por cerca de 20 a 25 dias no processo de apassimento (desidratação) o que lhe aporta mais concentração e complexidade. Potente, algo austero, mostrou-se ainda jovem com taninos firmes e denso na boca. Um vinho de respeito, maturado por 18 meses em barricas de 500 litros de carvalho francês, num patamar acima! Preço USD74,00

Amarone Vigneto Monte Sant’Urbano 2012 – do mesmo vinhedo do anterior, e para resumir tudo, um baita vinho! Certamente entre os TOP 3 amarones que já tive oportunidade de provar e não hesitaria em o guardar por pelo menos mais uns dois anos antes de o “descorchar”, mas se o esquecer na adega por mais cinco certamente sua paciência será muito bem recompensada! Grande estrutura, vigoroso sem perder a elegância, frutos secos bem presentes, denso, alguma especiaria num final de boca interminável, vinhaço e o preço acompanha, não tem jeito quando um vinho chega neste patamar de qualidade, USD185,00. Para quem pode, uma adega cheia, se não pelo pelo menos três garrafas, uma para agora, outra para daqui a dois anos e a última para daqui a cinco!! rs

Recioto la Roggia 2013 (500ml) – Uau, paixão á primeira fungada! rs Inebriante foi o primeiro adjetivo que me veio à cabeça, uau! Também de um single vineyard, são 110 dias de apassimento até que as uvas percam 40 a 45% de seu peso, concentrando açúcar. Maceração em tanques de inox por 25 dias, posterior estágio de fermentação em barricas de 500 litros em adega refrigerada para posterior estágio de afinamento em barricas de carvalho por 24 meses com um um tempo de descanso em garrafa para finalmente ser colocada no mercado. Um vinho de meditação, para curtir tranquilo sem pressa, petiscando um eventual queijo, vendo o sol se pôr no horizonte agradecendo aos deuses pela possibilidade do momento. Precisa falar que gamei?? Preço USD140, que falta faz um din-din!!! rs

Bem amigos, foi uma viagem e tanto pela região com os mais diversos vinhos, estilos e preços neste 15 vinhos provados da Campagnola e agora da Speri e uma conclusão; quem ainda seguir com preconceitos a respeito deste pedaço de bom caminho está perdendo “big time” e sejam estes, sejam outros rótulos, explore!!! Saúde, kanimambo pela visita e uma ótima semana para todos.

 

 

 

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Educar é Essencial!

Isso vale para todos os setores da sociedade, um povo educado adquire conhecimento sendo este uma arma que possibilita que sejamos mais exigentes demandando qualidade em tudo, de nossos governantes ao produto que consumimos.

Não é de agora que bato nessa tecla e tenho tentado, sempre que possível, traçar esse caminho em meus posts aqui em Falando de Vinhos. Desmistificar nossa vinosfera passa por aí, quanto maior for a cultura do vinho em nossa terra brasilis, menor a chance do consumidor ser enganado e maior será a chance um dia vermos o consumo do vinho bater a meta dos míseros 2 litros per capita ano!! Olha que falo de vinhos, geral, porque se formos ver os números com relação a vinhos finos acho que esse consumo não passa de 1litro. Triste constatação essa, mas é a realidade.

Uma de minhas severas criticas sobre este tema é com relação ao pouco que os importadores, orgãos de classe e produtores, nacionais no caso, investem nisso. Emwineschool compartilhar conhecimento educando os seguidores de Baco, o tão falado wine education. Alguns wine bloggers como o Além do Vinho, Academia do Vinho (+ de 20 anos), Tintos & Tantos, Wine Folly, e o amigo Didu com seus vídeos “Aprendiz de Sommelier”, são alguns dos muitos outros que prezam por fazer esse trabalho espalhando conhecimento e experiências, mas poucos que realmente deveriam fazer isso, o fazem. Óbvio que só ler e estudar não bastam, o maior investimento é sempre num saca rolha e em degustações porque nesta nossa busca por conhecimento enófilo a litragem é fundamental, mas sem frescuras! rs Enochatos are a pain in the butt!!

Quando um desses importadores lança seu catálogo com foco não só no aspecto comercial, afinal é um negócio, mas também a educar o consumidor sobre o tema de forma didática e clara, isso é motivo de celebração, ação a ser devida e merecidamente aplaudida e fica aqui o recado para os outros, mais por favor!!

Meu relacionamento com eles vem lá detrás, faz tempo, por isso fico imensamente feliz em poder compartilhar com os amigos o novo catálogo virtual da Zahil, tradicional importadora paulista. Apesar de não trabalhar com seus produtos na Vino & Sapore, por meras restrições de cunho comercial já que seu portfolio é deveras interessante e tem muita coisa de qualidade a explorar, tenho por eles um grande carinho e respeito que só veio a aumentar com o lançamento deste novo catálogo que vai muito além do vinho, muito além do querer “simplesmente” vender. Muita informação que muitos carecem de ter e que ajudará no entender deste nosso mundinho do vinho. Clique na imagem abaixo para acessar o catálogo e curta seu conteúdo, eu o fiz e gostei bastante do que vi.

Zahil - Capa catálogo

Saúde, kanimambo e um ótimo fim de semana lembrando para não gastar todo seu din-din lá não, deixa algum para gastar na Vino & Sapore, o tuga aqui agradece! rs

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Campagnola e Speri – Valpolicella, Soave, Bardolino

Como disse na Segunda-feira, estive na Mistral para conhecer os vinhos destes dois produtores que agora compartilho com os amigos. Como disse anteriormente, afora vinhos de Valpolicella, eles também produzem vinhos em outras regiões do Veneto como Soave e Bardolino.

veneto-wine-map 2

Antes de falar dos vinhos, duas observações; Soave e Bardolino, duas outras DOCS do Veneto encostadas em Valpolicella.

1 – Soave não tem nada a ver com “suave” (rs) e sim com a charmosa cidade de Soave onde reina uma outra uva a Garganega, uma doc que produz vinhos brancos.

2 – Bardolino, a doc mais próxima do lago de Garda com tintos e rosés usando as uvas tintas principais de Valpolicella.

Giuseppe Campagnola – Com 110 anos ou seja, a parte mais difícil de fazer vinho já passou (rs), a vínicola produz vinho nas três regiões e o que me agradou foi a relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer) de seus vinhos vis-à-vis nosso status quo tupiniquim de preços. Deles provei 10 vinhos sendo estes os meus destaques:

Pinot Grigio Veneto IGT 2016 – fresco, notas de grama molhada, cítrico, fácil de agradar a gregos e troianos, preço USD21. Na mesma faixa de preço, o Bardolino Campagnola entryChiaretto Classico 2016 é um vinho sedutor e intrigante, mostrando uma personalidade bastante gastronômica.

Soave Clássico DOC le Bine 2016 – branco delicioso e vibrante à base de Garganega e 30% de Trebbiano de um “cru” de Soave de Monte Foscarino. Um vinho que apaixona, pegada seca porém com o frescor da Trebbiano levantando o conjunto, complexo meio de boca, grande companheiro para pratos de frutos do mar ou um spaghetti alle vongole,  gostei demais!! Preço USD32,00

Valpolicella Classico DOC le Bine 2015 – o vinho possui um plus, 15% das uvas são passificadas (desidratadas) por 60 dias e adicionadas ao mosto provocando uma Campagnola le Bine Tintosegunda fermentação. extraindo mais cor e sabores. Posteriormente é envelhecido em tonéis de 5 mil litros de carvalho eslovenio. Nariz sedutor, na boca a fruta madura está bem presente, fresco, longo, um Valplolicella que quase parece um Ripasso, para tomar de montão. Preço USD34,50

Amarone, dois bons exemplares de boa tipicidade, porém algo diferentes entre eles. O DOCG Classico vigneti Vallata di Marano 2013 é um vinho já pronto e muito saboroso, por USD110,00. O Classico Riserva DOCG Caterina Zardini 2012 é seu mais premiado vinho com 94 pontos (11) no guia Veronelli e suas uvas passam por um período de 10 dias passificação e afinado em barricas de carvalho francesas por 18 meses. Muito complexo, potente, ainda muito novo em seus pouco mais de 3 anos de garrafa. Vinho para abrir daqui a mais uma meia dúzia de anos e se esbaldar certamente. USD180 é o preço.

Bem, este post já está se alongando demais, mesmo para meus parâmetros (rs), então vou deixar para falar da Speri e seus vinhos na próxima semana, pois o post de Sexta-feira já está agendado. Viram que não falei dos Bardolinos tintos, tinha um, mas é que sigo tentando encontrar um que realmente me agrade. Este foi bem melhor que a maioria, mais conteúdo (sim vinho também tem! rs), mas ainda não me seduziu, os tintos da região tendem a ser meio esquálidos, tem quem goste, mas não fazem a minha cabeça, até agora! Agora acabei, rs, bom feriado, saúde e kanimambo pela visita.

 

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Valpolicella – Vinhos Pouco Valorizados, Mas …

Se tem coisa difícil de vender são os vinhos de Valpolicella, aliás como muitos chiantis, porque a história não nos traz boas lembranças. Durante muito tempo mandaram zurrapa para cá, vinhos raquíticos, precinho baixo, ficou a fama, uma pena porque há muita coisa boa por lá a explorar.

Pouca gente sabe que o Amarone vem de lá, apesar de idolatrarem o vinho, demonstrando que há muito ainda a fazer para elevar o nível de conhecimento dos seguidores de Baco, mas muita da culpa é também de importadores que não estão nem aí, qualquer coisa em troca do vil metal! As histórias desses atentados ao consumidor são muitas e até hoje o vinho alemão paga o preço do desgaste das famosas garrafas azuis e, nesta caso, um agravante que é o preço dos vinhos que vêm de lá hoje em dia. Enfim, coisas do mercado que deixam marcas que ficam, mesmo que não demonstrem efetivamente a realidade, porém a região tem muito bons vinhos, que ao provar as pessoas elogiam e compram só há que trabalhar mais e mostrar esses bons rótulos, mostrar a região e seus vinhos.

Valpolicella

Nesta sub região do Veneto, nas colinas ao redor de Verona, os vinhos são elaborados com uvas autóctones regionais; a Corvina (protagonista), a Rondinella e Molinara assim como a Corvinone e algumas de menor uso como a Barbera, Sangiovese e Rossignola assim como algumas uvas internacionais mais recentemente introduzidas como a Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc .

Valpolicella e Valpolicella Classico Vinhos mais macios, algo ligeiros, taninos leves, baixo teor alcoólico (11 a 12%) e acidez de média para alta. A classificação clássico se dá para vinhos produzidos na região produtora mais antiga ao redor de cinco municipalidades; Sant’Ambrogio di Valpolicella, Fumane, San Pietro in Cariano, Marano e Negrar e normalmente apresenta vinhos de melhor qualidade, fuçando se encontram vinhos interessantes.

Valpolicella Classico Superiore, um degrau acima com passagem obrigatória de 12 meses em barrica, vinhos de maior extração, cor, álcool um pouco mais alto (entre 12 a 13%), taninos mais presentes apresentando maior estrutura, corpo médio uma classificação que faz a minha cabeça e há muito vinhos sedutores por aqui.

O Valpolicella Ripasso, que passa por uma segunda fermentação nas borras dos Amarones por 15 a 20 dias, ganhando estrutura e complexidade, corpo médio para encorpado, vinhos redondos, harmônicos muito bem balanceados e de teor alcoólico um pouco mais alto  que o superiore e bem gastronômicos

Amarone, só o nome já deixa muitos suspirando sem que a maioria saiba que é um vinho de Valpolicella. Um vinho encorpado seco, elaborado com uvas que passam por um processo de desidratação de cerca de quatro meses quando as uvas perdem cerca de metade de seu peso concentrando açucares porém a fermentação segue até o fim resultando em teores alcoólicos bastante altos (15 a 17%) e vinhos densos com um minímo de 2 anos de envelhecimento antes de sair ao mercado, uva passa bem presente. Envelhecimento ocorre em toneis grande de carvalho da Slavonia e/ou barricas francesas de 225ltrs. Vinhos longevos (10 anos + dependendo do produtor), grandes parceiros para um bate papo e lascas de Grana Padano ou queijos similares.

Recioto della Valpolicella que é um vinho doce também obtido através da secagem das uvasdesta feita por períodos de até 200 dias , porém a fermentação é interrompida resultando em vinhos de teor mais alto de açucares e menos álcool. Vinhos que envelhecem bem podendo se tornar verdadeiros néctares.

Todo este preâmbulo sobre a região de Valpolicella, tem a ver com uma degustação que tive na Mistral para conhecer dois novos produtores da região que eles começaram a trazer ao Brasil. Em função da proximidade com Bardolino e Soave, outras DOC no Veneto, boa parte dos produtores de Valpolicella também acabam produzindo vinhos dessas regiões e tive a oportunidade de provar alguns mais uma vez. No próximo post falarei dos vinhos provados da Campagnola e da Speri que mais me chamaram a atenção. Até Quarta, saúde e kanimambo pela visita.

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Elaborando e Provando Vinhos na Casarena

Uma das bodegas onde sempre levo os grupos de enófilos que me honram com sua preferência e confiança nos tours que faço por Mendoza. O lugar é lindo, a comida é de primeira e criativa, os vinhos nem se fala e ainda fazemos um exercício de elaborar um vinho próprio! Desta vez também descobri dois novos vinhos que me encantaram.

Após uma breve visita à bodega, fomos para a sala exclusiva onde o grupo, dividido em equipes de três, teria que desenvolver um blend próprio. Na mesa, pipetas e três garrafas de vinho base todos de Agrelo; Cabernet Sauvignon, Malbec e Petit Verdot. Cada trio desenvolveu sua sensibilidade provando primeiro cada vinho individualmente e depois montando seu blend. Super divertido, acalorado, um exercício muito bacana que já tive o prazer de montar, de forma algo mais lúdica, em uma de minha degustações ao montarmos cortes bordaleses, sempre uma ótima e divertida forma de desenvolver nosso conhecimento e aguçar nossos sentidos. O ganhador foi escolhido pelo grupo ás cegas, pois de cada rótulo foram feitas duas garrafas, uma para a prova e a outra para a dupla que elaborou levar para casa. O vinho vencedor? “Na Medida”, elaborado pela Liane, Martha e Ivete onde a Cabernet Sauvignon foi protagonista com 60% tendo como coadjuvante 30% de Malbec que foi completado com a mágica Petit Verdot, corte bordalês (com a malbec fazendo as vezes da Merlot) a la margem esquerda de Bordeaux!! rs

Já embalados a esta altura do campeonato, nos dirigimos ao restaurante para uma deliciosa e muito criativa refeição harmonizada com menu degustação de seis pratos. Afora os vinhos relacionados, ainda tivemos o privilégio de finalizar no terraço tomando o impressionante Ícono de Casarena, coisa de louco!!  De forma reduzida e concisa, eis meus comentários lembrando sempre que os grandes produtores se conhecem por seus vinhos básicos, e esta linha 505 que aqui no Brasil anda na casa dos 56 Reais mostra bem o compromisso da bodega com seus vinhos:

  • 505 Chardonnay – levemente amadeirado, fresco, um vinho muito agradável de uma linha de gama de entrada.
  • 505 Rosé de Malbec com Cabernet Franc – o mercado não é muito chegado em Casarena Naoki Malbecrosés, mas eu gosto e este me encantou, sedutor e muito saboroso.
  • Ramanegra Cabernet Sauvignon Reserva – nesta linha de produtos, gama média alta, o vinho que mais me encanta e que fez que eu um dia introduzisse o produtos no portfolio da Vino & Sapore. Prima pelo equilíbrio.
  • Naoki Single Vineyard Malbec Agrelo – Esta linha de produtos é topo de gama, e aqui encontramos um ótimo Cabernet Franc e um Malbec do vinhedo Lauren´s de que gosto muito, porém este me arrebatou, seduziu, me encantou, vinhaço! Um Malbec que prima pela finesse, um nariz de boa intensidade que convida a levar á taça à boca onde explode em emoções, gamei!!
  • Ramanegra Cidra Brut – Diferente, mas não chega a encantar, ajudou a harmonização.
  • Casarena Ícono -“O” vinho da casa, o nome diz tudo. Um blend que junt20170904_170311a as melhores uvas das melhores parcelas de seus vinhedos, fermentadas inteiras em barricas de 500 litros com leveduras selvagens, a quintessência do terroir!! Sessenta porcento de Cabernet Sauvignon parcelas com mais de 90 anos e Malbec compõem este incrível vinho que passa ainda por 18 meses de barricas francesas novas e um breve afinamento em garrafa antes de sair ao mercado. Vinho classudo, inebriante, denso com ótima textura, meio de boca complexo, taninos presentes mas muito finos, para tomar nas calmas olhando aquela linda paisagem, show de encerramento, vinhaço!

Bem amigos, e assim terminou mais um dia de visitas em Mendoza que se iniciou com a Belasco de Baquedano e terminará com o jantar no incrível Azafrán que está soberbo como sempre, talvez um degrau acima depois da mudança de chefs. Para curtir um pouco mais clique na imagem abaixo e viaje comigo virtualmente.
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Vertical de Catena Chardonnay

Há tempos que falo aqui sobre os vinhos brancos argentinos aos quais poucos dão a atenção devida, mas afinal no Brasil, poucos dão bola para os vinhos brancos mesmo! Uma pena, mas enfim, há que se respeitar idiossincrasias culturais de cada região mesmo que não deixemos de trabalhar para tentar mudar esse status quo! rs

São inúmeros os bons rótulos, inclusive de chardonnays, especialmente agora que se exploram novos terroirs, mais frios, de maior amplitude térmica e de solos mais calcáreos o que tem resultado em vinhos mais complexos e de acidez e mineralidade mais acentuadas. Um dos grandes exemplos disso são os Catenas White Stones e White Bones, vinhos que alcançaram um nível de qualidade, na opinião de diversos críticos internacionais porque ainda estou por provar, inimaginável há 15 anos atrás. Tim Atkins, um desses renomados críticos, o ano passado apontou o White Stones, caso não esteja equivocado, como um dos melhores se não o melhor vinho argentino provado. James Suckling, outro desses renomados críticos, acabou de soltar seu TOP 100 vinhos de 2017 em que o vinho mais pontuado argentino, em 6º lugar, foi exatamente esse White Stones 2014 de que falei anteriormente e, lógico, com a mão do amigo Alejandro Vigil, um maestro da enologia.

Recentemente estive na Catena e provamos um incrível Catena Alta Chardonnay, o El Enemigo Chardonnay é de se tirar o chapéu, gosto muito do Ruttini Chardonnay, enfim são inúmeros os ótimos vinhos sendo elaborados pelos hermanos em terras mendocinas com esta nobre uva. Uma revolução está ocorrendo por lá à qual precisamos prestar mais atenção e parar de achar que a Argentina é só terra de tintos e a casa dos Catena (e agregados! rs) arrebenta com bons chardonnays em todas as faixas de preço!

Bem depois desse preâmbulo todo, falemos desta vertical que descobri tinha na adega da Vino & Sapore, uma garrafa cada de Catena Chardonnay, uma de 2013, outra de 2014 e finalmente a mais nova e por onde iniciamos este pequeno e informal desafio de safras, a de 2016. Sem muita  treta, como diz meu amigo Pingus do bom blog Pingas no Copo, e bastante objetivo:

Catena chardonnay

2016, obviamente que foi o que apresentou a melhor acidez, mais jovem e irrequieto que seus irmãos. Fruta tropical, muito aromático, boa tipicidade, boca com algum toque cítrico que o diferenciou dos demais, final com notas minerais e leve amargor que não chegou a me incomodar. Um vinho que deverá evoluir muito bem e acho que vou guardar umas garrafas! rs MB

2014, tudo o acima (sem as notas cítricas) com uma acidez mais equilibrada e umas notas herbáceas que não apareceram no seu irmão mais novo. O que menos me entusiasmou neste estágio da vida dele, mas creio que deve evoluir bem por mais um bom par de anos. Legal se tivesse mais uma garrafa, gostaria de o provar daqui a um ou dois anos! B

2013, para mim a estrela da tarde; super cremoso, abacaxi, baunilha, um vinho de muita classe, harmônico, acidez ainda bem viva e balanceada, longo final de boca mostrando toda a sua maturidade e complexidade. O primeiro a acabar, entre idas e vindas, e o que mais deixou saudades. MB+

Esta linha da Catena, é um blend de chardonnay advindo de três vinhedos em regiões e terroir diferentes; Pirâmide (Agrelo/Lujan de Cuyo), Domingos (Bastías/Tupungato) e Adrianna (Gualtallary/Tupungato) exceto pelo 2016 que também leva uvas do vinhedo El Cepillo (sul do Vale do Uco). Fermentação sur lie num mix de barricas de carvalho e tanques de inox,leveduras selvagens, passa posteriormente por cerca de dez meses em barricas novas e de segundo e terceiro uso e só cerca de 60% do vinho faz malolática. Na casa dos 120 Reais é um bom exemplar de Chardonnay que merece uma boa taça para que que possa mostrar todos seus atributos.

Por hoje é só, uma ótima e produtiva semana para todos, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou qualquer outro canto desta nossa vasta vinosfera, sáude!

 

 

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Cabernet Franc Abaixo das 100 Pratas!

Eis aí algo difícil de se encontrar, um Cabernet Franc de qualidade abaixo das 100 pratas, mas eu achei depois de muitos provar. Certamente que outros deverão existir, nem entro no mérito, porém sempre falo só de minhas experiências e este pequeno fruto do garimpo é o 59N Cabernet Franc 2016, com origem em Mendoza, especificamente de Maipu, da Kalós Wines que 59Nvinifica seus vinhos na Melipal. O vinhedo tem cerca de 20 anos, produção restrita a 25 mil garrafas, e o nome (59N) possui uma origem algo inusitada, pois tem a ver com o vovô Calixto, patriarca da família Losada, que se gabava de ter tido 59 Novias (namoradas) em sua juventude!

Mostrou-se muito amável de boca sem perder a tipicidade com notas florais, frutos vermelhos e alguma especiaria no nariz, corpo médio, rico meio de boca, notas herbáceas sutis, fresco, expressivo final de boca levemente apimentado, de média persistência e taninos aveludados. Um vinho que me agradou bastante ainda pelo preço que por aqui em Sampa está chegando com preços entre R$90 a 95,00.

Certamente um vinho que visitará minha taça com uma certa regularidade pois afora o colocar no Frutos do Garimpo de Outubro, também aproveitei e fiquei com uma caixa. Como está bem novo, terei um tempinho para o desfrutar ao longo dos próximos dois anos, se é que durará tanto na adega!! rs É isso por hoje, mais um bom vinho de Mendoza para você descobrir que aquelas terras não fazem só Malbec não e  que a Cabernet Franc não é mais só moda, veio para ficar. Fui, bom fim de semana prolongado para quem puder ainda desfrutar desse privilégio, eu estarei de plantão sexta e Sábado na Vino & Sapore. Kanimambo pela visita.

 

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Infidelidade é Tudo!

Agora que já chamei sua atenção, deixemos claro que me refiro ao consumo de vinho, obviamente, não levemos isso ao pé da letra em nossas relações sociais! rs Não é de hoje que bato nessa tecla, de suruba vínica (rs), e há um tempinho me deparei com um artigo que gostaria de ter escrito e que deixa claro que a infidelidade no vinho é essencial e como já dizia Tim Maia, Vale Tudo! Sair da mesmice, diversificar, descobrir novos sabores e histórias, isso é o que seduz nesse mundo colorido do vinho. O título é sugestivo, “Sejam Infiéis aos Vinhos de Costume (menos apelativo que o meu! rs) e foi escrito pelo jornalista Edgardo Pacheco no jornal português Correio da Manhã em  Dezembro de 2015.

Esqueçam  a menção aos portugueses, um pouco provinciana a meu ver pois a diversidade está presente em todas as regiões produtoras, inclusive na Argentina, e vinhos padronizados os há também em todos os lugares, inclusive em Portugal! O Tema, no entanto, tem tudo a ver com todos os que se auto proclamam enófilos, pois não existe vinosfera enófila sem navegantes e viajar por mares nunca dantes navegados é essencial! Agora, importante se ater ás colocações dele sobre a diversidade dos vinhos portugueses, uma mar em si!

Destaco aqui alguns trechos de seu texto, que adoraria ter escrito, mas o todo só poderá ser lido clicando no link que passei acima.

“Um dos inimigos do vinho é a fidelidade esquisita que muitos consumidores devotam prolongadamente a determinadas marcas. Todos os dias nascem novos brancos, tintos, rosés, espumantes ou colheitas tardias (por vezes em excesso, verdade se diga), pelo que se compreende mal a falta de interesse dos portugueses pela experimentação de novos aromas ou sabores e, acima de tudo, de novas regiões.”

“Nesse sentido, as pequenas garrafeiras de bairro fazem diferença porque é aqui que encontramos vinhos resultantes de pequenas produções do Dão, da Península de Setúbal ou de Trás-os-Montes. E se o dono da garrafeira for competente, seguramente contará histórias sobre esses vinhos que, depois, replicaremos à mesa.” 
Uma das frases do Edgardo que entra para meu rol das clássicas sobre o vinho é; “Não há nada mais chato do que levar um vinho sem história para a casa de um amigo”   achei precisa! Leiam o texto completo no link lá no inicio deste post.
Tudo bem ter seu porto seguro, eu também os tenho pois nem sempre queremos experimentar coisas novas, mas daí a deixar de embarcar nessa viagem de descobertas acho uma pena! Boa semana a todos e lembrem-se de, nessa viagem, fazerem uma parada na Vino & Sapore (rs) para reabastecimento e levar um pouco mais de história e novidades à taça e à mesa. Kanimambo pela visita aqui e espero vê-los por aqui ou por aí nas estradas de nossa vinosfera, cheers!