Degustações

Luca Syrah, Um Vinho que fez Minha Cabeça!

Há poucos meses tive a oportunidade de provar boa parte da linha de vinhos produzidos por Laura Catena neste projeto solo iniciado em 99 trabalhando com vinhedos antigos de parceiros terceirizados e alguma coisa própria. É o projeto Luca que também possui outras linhas baixo o nome de la Posta e o famoso Beso de Dante. Foram um total de 12 vinhos que apresentaram boa qualidade, não poderia ser diferente em função de quem se trata e da região dos vinhedos, mas dois deles despertaram mais minha atenção, afora o Syrah que me seduziu, e o que é melhor, foram os mais baratos!

La posta - Linha

La Posta Angel Paulucci Malbec 2012 – USD28,00 (Vinci), um Malbec com passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês, só 10%novas, com um nariz muito atraente, na boca muito saboroso, vibrante, de taninos finos, redondo, já integrado, fácil de se gostar entregando muito prazer. Fácil tomar a garrafa!! rs

La Posta Glorieta Pinot Noir 2013 – USD28 (Vinci) frutos de um vinhedo a mais de 1000 metros de altitude com um mix de cinco clones trazidos da Borgonha. Doze imperceptíveis meses de carvalho francês de segundo uso que lhe aportam complexidade. Difícil encontrar tanta tipicidade num Pinot sul americano nesta faixa de preços, uma enorme surpresa. Prima pelo equilíbrio, gostei muito.

Luca Double Select Syrah 2013, show! – Vinhedos cultivados em parral desde 1971 em La Consulta no Vale do Uco, baixa produção (cerca de 18 mil garrafas) e esmero no trato da uva resultaram num vinho que me entusiasmou. São 14 meses de barrica francesa (40% nova e o restante de segundo uso) que nos trazem boa concentração, nariz frutado com uma boa presença de notas de especiarias,  cor escura, ótima textura de boca, encorpado, taninos aveludados bem presentes mas sem qualquer agressividade, meio de boca muito rica, algum defumado presente, final longo levemente apimentado com boa acidez, um grande Syrah em minha modesta opinião e um dos melhores que já provei de terras mendocinas. Não sou de pontuar, a não ser em bancas degustadoras quando se faz necessário, e costumo ser bem comedido quando o faço. Na maioria das vezes minhas notas estão sempre abaixo da maioria dos críticos, mas desta vez, confesso, estaria acima! rs Enfim, USD50 (Vinci), que no lamentável contexto de preços tupiniquim, vale bem a pena.

Luca Syrah

Linha de produtos muito boa, os Lucas têm uma legião de seguidores, estilo mais encorpado com bastante extração, porém sempre com taninos de muita qualidade buscando o equilíbrio. Gostei bastante do Chardonnay e o Beso de Dante é sempre um vinho de excelência que aprecio muito, mas a meu ver esse incrível Syrah, que não conhecia, me seduziu e me fez lembrar muito do Siesta (não mais produzido) de seu irmão Ernesto. Por hoje é só, em breve compartilho outras experiências com vocês, fui! Kanimambo pela visita

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Vertical de Catena Chardonnay

Há tempos que falo aqui sobre os vinhos brancos argentinos aos quais poucos dão a atenção devida, mas afinal no Brasil, poucos dão bola para os vinhos brancos mesmo! Uma pena, mas enfim, há que se respeitar idiossincrasias culturais de cada região mesmo que não deixemos de trabalhar para tentar mudar esse status quo! rs

São inúmeros os bons rótulos, inclusive de chardonnays, especialmente agora que se exploram novos terroirs, mais frios, de maior amplitude térmica e de solos mais calcáreos o que tem resultado em vinhos mais complexos e de acidez e mineralidade mais acentuadas. Um dos grandes exemplos disso são os Catenas White Stones e White Bones, vinhos que alcançaram um nível de qualidade, na opinião de diversos críticos internacionais porque ainda estou por provar, inimaginável há 15 anos atrás. Tim Atkins, um desses renomados críticos, o ano passado apontou o White Stones, caso não esteja equivocado, como um dos melhores se não o melhor vinho argentino provado. James Suckling, outro desses renomados críticos, acabou de soltar seu TOP 100 vinhos de 2017 em que o vinho mais pontuado argentino, em 6º lugar, foi exatamente esse White Stones 2014 de que falei anteriormente e, lógico, com a mão do amigo Alejandro Vigil, um maestro da enologia.

Recentemente estive na Catena e provamos um incrível Catena Alta Chardonnay, o El Enemigo Chardonnay é de se tirar o chapéu, gosto muito do Ruttini Chardonnay, enfim são inúmeros os ótimos vinhos sendo elaborados pelos hermanos em terras mendocinas com esta nobre uva. Uma revolução está ocorrendo por lá à qual precisamos prestar mais atenção e parar de achar que a Argentina é só terra de tintos e a casa dos Catena (e agregados! rs) arrebenta com bons chardonnays em todas as faixas de preço!

Bem depois desse preâmbulo todo, falemos desta vertical que descobri tinha na adega da Vino & Sapore, uma garrafa cada de Catena Chardonnay, uma de 2013, outra de 2014 e finalmente a mais nova e por onde iniciamos este pequeno e informal desafio de safras, a de 2016. Sem muita  treta, como diz meu amigo Pingus do bom blog Pingas no Copo, e bastante objetivo:

Catena chardonnay

2016, obviamente que foi o que apresentou a melhor acidez, mais jovem e irrequieto que seus irmãos. Fruta tropical, muito aromático, boa tipicidade, boca com algum toque cítrico que o diferenciou dos demais, final com notas minerais e leve amargor que não chegou a me incomodar. Um vinho que deverá evoluir muito bem e acho que vou guardar umas garrafas! rs MB

2014, tudo o acima (sem as notas cítricas) com uma acidez mais equilibrada e umas notas herbáceas que não apareceram no seu irmão mais novo. O que menos me entusiasmou neste estágio da vida dele, mas creio que deve evoluir bem por mais um bom par de anos. Legal se tivesse mais uma garrafa, gostaria de o provar daqui a um ou dois anos! B

2013, para mim a estrela da tarde; super cremoso, abacaxi, baunilha, um vinho de muita classe, harmônico, acidez ainda bem viva e balanceada, longo final de boca mostrando toda a sua maturidade e complexidade. O primeiro a acabar, entre idas e vindas, e o que mais deixou saudades. MB+

Esta linha da Catena, é um blend de chardonnay advindo de três vinhedos em regiões e terroir diferentes; Pirâmide (Agrelo/Lujan de Cuyo), Domingos (Bastías/Tupungato) e Adrianna (Gualtallary/Tupungato) exceto pelo 2016 que também leva uvas do vinhedo El Cepillo (sul do Vale do Uco). Fermentação sur lie num mix de barricas de carvalho e tanques de inox,leveduras selvagens, passa posteriormente por cerca de dez meses em barricas novas e de segundo e terceiro uso e só cerca de 60% do vinho faz malolática. Na casa dos 120 Reais é um bom exemplar de Chardonnay que merece uma boa taça para que que possa mostrar todos seus atributos.

Por hoje é só, uma ótima e produtiva semana para todos, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou qualquer outro canto desta nossa vasta vinosfera, sáude!

 

 

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Prova de Cabernet Franc no Antonietta Cucina

Dia 23 próximo no restaurante Antonietta Cucina em Higienópolis, São Paulo, ás 20 horas, uma degustação temática em que apresentarei seis exemplares de Cabernet Franc de Mendoza explorando diversos estilos e terroirs, para tão somente 12 pessoas com reservas antecipadas. Ao final da degustação será servido um prato de “Paleta deAntonietta salão reservado Cordeiro com Polenta Mole o qual será acompanhado com, obviamente, uma taça 150ml de um outro Cabernet Franc. O evento de dia 17 na Granja Viana já se encontra esgotado.

A Argentina e em especial Mendoza, vêem surpreendendo consumidores e críticos mundo afora com ótimos exemplares de Cabernet Franc tanto em varietais 100% como com um tempero de algo mais (como os incríveis exemplares do Gran Enemigo), porém ainda varietais por possuírem um mínimo de 85% da uva declarada, e em blends dos mais diversos estilos e sabores. Na França, seu berço, é quase que só usada nos famosos cortes bordaleses (Bordeaux margem esquerda e direita) e na forma de varietais no Vale do Loire, especialmente em Chinon e Bourgueil.

Nos últimos anos temos visto um aumento paulatino de novos vinhedos na Argentina, porém mesmo com toda a fama que vem ganhando no mercado, seus poucos mais de 900 hectares seguem tendo uma tímida participação se comparado aos mais 40.000 hectares de Malbec plantados! Nesta degustação temática, só com vinhos 100% varietais de Cabernet Franc originários de Mendoza, que serão realizadas ás cegas, vamos explorar a diversidade numa mesma uva mostrando como o homem, parte do terroir, pode influenciar o produto final! Os primeiros três rótulos trouxe de minha recente viagem e, consequentemente, não haverão garrafas para vender, dos outros sim caso haja interesse.

Zorzal Eggo Franco Cabernet Franc 2015 – vinhedos de Gualtallary, 1350 metros de altitude, Vale do Uco elaborado em ovos de cimento sem revestimento, orgânico e sem passagem por madeira. Preço de mercado R$230,00 (RP94)

Ernesto Catena Siesta en el Tahuantinsuyu 2013 – vinhedos de Vistaflores, 1100 metros de altitude, também do Vale do Uco. Oitenta por cento passam em barricas francesa e o restante em americanas, sendo que 70% são novas e o resto de segundo e terceiro usos. Não tem por aqui, mas seus similares estão na casa dos R$260,00. James Suckling 92 pontos

Matías Riccitelli Cabernet Franc 2012 – Um blend de uvas de duas diferente regiões, 50% de Agrelo em Lujan de Cuyo e Vistaflores (maior altitude) no Vale do Uco. Afinamento por 16 meses em barrica francesa e também não está disponível no Brasil. Seu Cabernet Sauvingon está e o preço é de R$295,00 então podemos nos basear no mesmo patamar. Guia Descorchados (Patricio Tapias) 93 pontos.

Cabernet Franc - Degustação Mendoza

Casarena Lauren´s Single Vineyard Cabernet Franc 2013 -uvas de Agrelo (920 metros), Lujan de Cuyo elaborado com leveduras naturais e fermentado em barricas de 500 litros para posterior afinamento em barricas francesas novas por um período de 18 meses. Seu preço no mercado gira em torno de R$230,00 e recebeu 92 pontos de Tim Atkins.

Fabre Montmayou Cabernet Franc Reserva 2015 – uvas de Vistalba (950 metros de altitude), Lujan de Cuyo com vinificação tradicional e maceração longa de 20 dias, 60% do lote passa por barrica francesa de primeiro uso e o restante se mantém em inox para o blend final e engarrafamento. Seu preço gira na casa dos R$125,00 e recebeu 94 pontos de Tim Atkins e ganhou o Troféu Regional de Melhor Cabernet Franc da Revista inglesa Decanter.

DeVita Cabernet Franc 2014 – uvas de Perdriel (950 metros de altitude), Lujan de Cuyo, uso de leveduras indígenas, maceração de 20  a 25 dias, passas 12 meses em barricas francesas de primeiro e segundo usos com mais um ano de afinamento em garrafa antes de sair ao mercado. Primeira experiência de nosso amigo Deco “Cabernet Franc” Rossi (rs) na produção de vinhos em parceria com a Lagarde, quantidade limitada e preço na casa dos R$150,00.

Local – Antonietta Cucina Rua Mato Grosso, 402, Higienópolis, São Paulo

Horário – 20 horas

Valor – R$220,00 pagos no ato da reserva

Lugares – Limitado a 12 lugares com reservas antecipadas.

Reservas e mais informações: jfc@falandodevinhos.com ou por telefone/Whatsapp (11) 9.9600-7071

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Vinhos do Chile em Dois Tempos – I

Recentemente se realizou em São Paulo a sétima edição da Wines of Chile. Estive presente na maioria, mas desta feita por outros compromissos já assumidos não pude comparecer, porém não queria deixar os fiéis leitores sem uma retrospectiva do que por lá aconteceu, em especial na Master Class onde se costuma ter um insight melhor sobre o que por lá anda acontecendo já que é uma apresentação feita pelos enólogos das bodegas para um publico mais especializado no tema. Ah, mas como fazer isso já que por aqui só escrevo sobre o que vivi?? Pois bem, para isso existem os amigos e minha fiel escudeira e amiga Raquel Santos (experiente enófila e sommelier) que se prestou a esse “sacrifício” esteve presente me representando! rs Eis o que a amiga teve a dizer sobre essa experiência e que, em função da extensão, optei por dividir em dois posts, Fala Raquel!

” Representado por 37 rótulos de grande relevância tendo 10 deles sido apresentados por seus criadores na Master Class, tentarei relatar aqui o que mais me chamou atenção dentre tantas novidades nesta edição da Wines of Chile.

Wines of Chile 2017 - Taças

Concha Y Toro

A vinícola Concha Y Toro, maior da américa latina e quinta no mundo em volume comercializado, se destacou com um Pinot Noir – Marques de Casa Concha Edição Limitada 2016, da região de Biobio, ao sul. Seu criador, o enólogo Marcelo Papa descreveu a rica potencialidade do terroir chileno e como suas diversas características de solo e clima, influenciam em tanta diversidade entre os vinhos. Este Pinot Noir de Biobio, reflete as características do solo argiloso com muita drenagem. A região localiza-se entre o rio Biobio e a cordilheira e neste ano apresentou uma temperatura mais baixa que o usual. Muito fresco, equilibrado, ressaltando frutas e madeira bem colocados, complexidade ao estilo do velho mundo chegando bem perto de um Bourgogne. Interessante a comparação desse vinho com outro Pinot Noir da região do vale do Limari, ao norte. Também com ótimo frescor, muito frutado (cerejas compotadas, framboesas), e equilíbrio perfeito entre corpo, acidez e álcool. Elegante e potente, esse mais ao estilo do novo mundo.

 Casa Donoso

Apresentou seus vinhos da linha “Sucesor”. Apostando em um projeto inovador onde cada enólogo teve plenaWines of Chile 2017 - Donoso Sucesor Red liberdade para propor um blend inusitado. O resultado foi muito audacioso. O Limited Release Sucesor Romano 2015 foi elaborado com a casta Cesar Noir (85%), nativa da AOC Irancy na borgonha e Carigñan (15%), nativa da Espanha, mas que tem grande destaque e vem ganhando bastante espaço atualmente no Chile. O resultado disso é um vinho muito diferente que vai se mostrando aos poucos, ou seja para ser apreciado sem pressa. No nariz começa bem discreto com nuances de frutas silvestres de bosque, e dando pistas do seu DNA da Pinot Noir. Na boca, sensação de secura, dos taninos presentes e dóceis, onde dá para sentir a presença nada discreta da Carigñan. Depois de um tempo na taça ele cresce muito, tanto no nariz como em boca. Podemos perceber um corpo exuberante e complexo que suporta todo um leque de aromas e sabores muito bem equilibrados e agradáveis. O final de boca é longo e surpreendente, deixa um gosto de doce de leite de lembrança!

Posteriormente provei outro corte muito ousado. O Sucesor Red 2013 que foi elaborado com Carmenére (80%) e  Malbec (20%). Duas castas tão personificadas em países onde elas brilham sem coadjuvante (Chile e Argentina) e com um casamento perfeito. Quando um não se sobrepõe ao outro, mas serve de trampolim para que qualidades se apresentem, hora um, hora o outro, pode-se chamar de casamento perfeito, né? Por fazer pouco tempo que o João e eu tínhamos conversado sobre a inexistência (de nosso conhecimento) de um corte destas duas uvas emblemáticas de nossos hermanos, foi uma surpresa muito agradável ver e provar este vinho.

Garcés Silva

A família produz no Vale de Leyda há pouco mais de 10 anos. Mais conhecidos pela linha dos vinhos Amayna, começaram com um projeto de renovação no estilo de interpretar  seu próprio terroir. Nasceu então a nova marca Boya, que evoca mais elegância e sutileza. Os vinhedos foram plantados em pequenos lotes, com vista para o mar, como descreveu uma das enólogas que veio apresentar seu BOYA Syrah, elaborado com 100% desta casta. Pode-se perceber todo o frescor das brisas marítimas, tanto no nariz como em boca. Notas  mentoladas e frutas maduras incorporadas com muita harmonia, num corpo macio e elegante onde o equilíbrio entre a acidez, taninos e álcool é muito expressivo. Final de boca mineral com destaque salino. Nesta mesma linha, produzem um Chardonnay com ótimo corpo, sem madeira e mineralidade discreta. Dois destaques da nova expressão do terroir chileno.”

Bem, por hoje ficamos por aqui e ainda esta semana postarei o restante dos comentários da Raquel. Uma ótima semana a todos, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou por aí em algum lugar de nossa vasta vinosfera.

Mariana Mudou e Para Melhor!

O vinho logicamente! rs Há uns meses tive a oportunidade de participar de uma degustação de vinhos Ibéricos da World Wine e um dos pontos em que mais me demorei foi na Herdade do Rocim, onde o prazer se cultiva (gostei disso!). O Pedro Ribeiro, diretor geral e enólogo da Herdade, tem algo em comum comigo, ambos desfrutamos por algum tempo do convívio com a saudosa amiga Inês Cruz e “só” isso já rendeu um bom papo.

Antes de falar do Mariana, provei bastante coisa, deixa eu comentar o excelente trabalho que o Pedro e a Herdade vêm fazendo por lá e já coloquei esta casa produtora em minha wish list para uma próxima viagem ao Alentejo. Vejamos:

Herdade do Rocim Branco – um tradicional corte de Antão Vaz, Arinto e Roupeiro muito rico, equilibrado, seco, boa fruta puxando para as notas cítricas, e de boa persistência. Na casa dos 100 reais, um vinho bastante interessante e cumpridor!

Olho de Mocho Reserva Branco 2014 – grande vinho na minha modesta opinião, um 100% Antão Vaz com uvas de vinhedos de mais de 70 anos com passagem de seis meses por barricas francesas. A Antão Vaz vinificada só, normalmente gera vinhos de bom corpo, untuosidade e frescor, este não foge á regra. Madeira muito bem aplicada, levanta o conjunto e dá-lhe complexidade sem comprometer, longo, cremoso, boa textura, fresco com uma certa mineralidade de final de boca que persiste por um tempão! Na casa dos R$140,00.  Para quem não sabe, mocho é coruja lá na terrinha.

Herdade do Rocim Tinto 2014 – Corte de Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Aragonês de taninos finos e macios, aromas algo tímidos com notas florais, fruta mais madura em boca com um toque final de especiarias e um certo frescor. Vinho fácil de agradar ao palato da maioria, passagem de 8 meses por barricas francesas. Na casa dos 110 Reais.

Olho de Mocho Reserva Tinto 12 – Pisa a pé, corte de Touriga Nacional, Alicante Boushet e, surprise, Tannat! A cada ano o corte pode sofrer mudanças e para 2013 o Pedro me disse que foi Alicante Bouschet, Tinta Miúda e Petit Verdot e me deixou muito curioso por provar. Quem sabe não pinta uma oportunidade logo e se in loco melhor ainda! rs Um vinho que salta alguns degraus na minha opinião e que me seduziu não só por sua complexidade, mas por sua finesse mesmo que apresentando maior austeridade e corpo, 16 meses de barrica francesa, vinho ainda jovem com muitos anos para evoluir e nos dar prazer certamente. Muito bom vinho e como tal já na casa das 200 pratas.

Pois bem, estava deixando de lado o Mariana, um vinho de entrada que já conhecia de velhos carnavais e, bem, não era ruim mas também nunca me seduziu. Tinha igual de monte por aí e, até em função disso, sem personalidade. Só que o Pedro me convenceu a prová-lo, me garantiu que o vinho era outro após as mudanças feitas por ele e equipe. Ora pois, não é que o gajo estava certo!!

Mariana Tinto – Deixei por último não porque seja o melhor ds vinhos provados, mas porque foi o que mais me surpreendeu e porque é o mais acessível o que, nesta crise e com os preços em nossa terra brasilis, é sim um fator preponderante para a maioria na hora de se comprar um vinho, pelo menos para mim é! Corte de Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Aragonês com passagem de seis meses por barricas francesas de 2º e 3º uso, ganhou corpo e complexidade sem perder seu caráter mais jovial e fresco, com fruta vermelha madura mais presente, taninos aveludados e finos (característica de tudo o que provei deles) compondo um conjunto de muito boa qualidade, rico e equilibrado sem arestas que dá muito prazer de tomar. Na casa dos R$75,00 (preços atualizados porém podem existir estoques antigos por aí) um vinho que cabe no meu bolso e me entrega prazer ao tomar, destaque a meu ver e certamente achará seu caminho para minha adega! rs Gosto de vinhos que falam comigo e este tem um papo que me agradou, rs.

Herdade do Rocim - Prova

Bem, por hoje é só e na dúvida já sabem, o vinho é luso!! rs Kanimambo pela visita e seguimos nos vendo por aqui ou por aí nas estradas de nossa vinosfera. Saúde, fui.

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Destaques do Wine Tasting de Maio

Há poucas semanas tive a oportunidade de, em parceria com a Lusitano Import e a Wine Lovers, promover um Sábado de provas com 14 vinhos, queijos e pães artesanais na Vino & Sapore. Todos os 50 convivas presentes aproveitaram bem o evento, mas como bom anfitrião fiz questão de provar tudo, mesmo tendo selecionado os vinhos pessoalmente antes. Baseado em minha percepção pessoal e ao resultado de vendas, mesmo sabendo que todos eram de muita qualidade em sua faixa de preço, oito vinhos se destacaram e gostaria de os compartilhar aqui com quem não pôde estar presente.
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Burson Rosato Brut (Lusitano) – Espumante rosé á base de uma uva rara e pouco conhecida, a Longanesi. Um espumante marcante, com personalidade própria, boa estrutura que surpreende quem acha que todos os espumantes rosés são aquela groselha clara e sem graça, este é um outro mundo! Cor acobreada, complexo, vale experimentar!!
Chateau la Thou Rouge Collection (Wine Lovers) – Languedoc, de vinhedos com mais de 30 anos, blend de Syrah (70%) com Grenache, bem frutado, macio, descomplicado, vinho bem versátil, blend francês de ótimo preço que surpreende, abaixo das 70 pratas! Quem foi que disse que vinho francês barato é ruim???
Nancul Malbec Reserve Collection (Lusitano) – achei muito legal este Malbec chileno num estilo menos potente e mais elegante de taninos finos e fruta abundante porém sem aquela fruta super madura muitas vezes encontrada nos vinhos argentinos de baixo preço. Numa faixa abaixo das 60 pratas, um vinho que, junto com o Le Thou acima , formou a dupla de Best Buys do dia.
Tricky Rabbit Pinot Noir/Syrah Reserva (Wine Lovers) – também do Chile, a leveza da Pinot Noir com o tempero da Syrah que lhe dá um final especiado e um pouco mais de corpo, um vinho muito agradável e fácil de agradar quem gosta de vinhos mais leves porém não abre mão de uma certa complexidade. Oito meses de barricas usadas que só enaltece o vinho sem jamais se sobrepor, aromas florais e notas algo defumadas, fruta acentuada na boca com final levemente tânico e sedoso de média persistência.
Finca Agostino Chardonnay/Viognier (Wine Lovers) – um branco argentino para quebrar preconceitos de quem diz que vinhos branco não emplacam, emplacam sim, desde que as pessoas os conheçam, um dos vinhos que mais venderam no dia apesar de um preço algo mais alto, pouco acima dos 100 Reais. Aromas de boa intensidade de frutos tropicais, muito saboroso, com notas de maçã verde sobre uma base algo abaunilhada típica da Chardonnay com passagem de seis meses por barrica sur lie. Um vinho sedutor e bem balanceado.
Finca Agostino Syrah/Malbec (Wine Lovers) – mais um belo vinho deste produtor mendocino, muito rico, frutado e de corpo médio, com meio de boca muito rico, taninos aveludados e um final de boa persistência que pede a próxima taça. Com 70% de Syrah, as uvas são vinificadas em separado e passam por um estágio de 10 meses de barrica francesa antes do blend ser feiro repousando em garrafa por seis meses antes de sair ao mercado. Especiarias e fruta muito bem equilibrados num vinho que, a meu ver, se mostrou complexo e encantador.
Nancul Family Reserve (Lusitano) – belo e encorpado corte de Cabernet Sauvignon e Syrah que, dentro de sua categoria, arriscaria dizer ser também um Best Buy porque a percepção de valor é bem superior ao preço. Ainda novo, mostra bastante estrutura com taninos firmes, robustos mas finos, bom volume e textura de boca, sem goiabas nem pimentão (apesar de chileno), fruta abundante, complexo e denso na boca, aromas de frutos do bosque negros (mirtilos e coisas do tipo) com um toque de especiarias, a meu ver um vinho que poderia até passar por uns 30 minutos de aeração ou até guardar por mais uns dois anos, mas acho isso tarefa das mais difíceis! rs  Dez meses em tanques de inox, depois passa for 15 messes de barrica e descansa 10 meses em garrafa para afinamento e nosso deleite, senhor vinho!
Burnside Road Sunset Road Red Blend (Wine Lovers)- Sub região de North Coast na Califórnia um vinho não safrado, blend de  que seduziu a maioria por sua sutileza, equilíbrio e finesse. Para quem gosta de vinhos robustos, esta não deve ser sua escolha pois este exemplar prima pela elegância e sutileza de sabores formado um conjunto muito harmônico.
Neste próximo Sábado (24/06/17) tem mais uma gostosa experiência dessas com a realização do segundo Saturday Afternoon Wine Tasting na Vino & Sapore, centrinho da Granja Viana, com a participação das importadoras Almeria e Galeria de Vinhos assim como do Mestre Queijeiro com seus queijos artesanais e da Raquel com seus deliciosos pães. Vale conferir, mas confirme antes se há vagas, pois são limitadas. Fui, kanimambo, saúde e seguimos nos encontrando por aí ou por aqui. Bom fim de semana.

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Saturday Afternoon Tasting na Vino & Sapore

Prova de vinhos de sábado à tarde, dias 27 de Maio e 10 de Junho próximos das 16 às 19:30h, na Granja Viana. Com o apoio de nossos parceiros, dois a cada dia, iremos disponibilizar para prova entre 12 a 14 vinhos dos mais variados estilos, uvas e origens. Teremos vinhos do Chile, Argentina, Espanha, Portugal, Itália, EUA e França. Vinhos espumantes, rosé, brancos e tintos, vinhos ligeiros, vinhos mais encorpados, um pouco de tudo para que você navegue por nossa vinosfera sem sair do lugar! rs
    Os convites serão vendidos antecipadamente e serão limitados a 50 pessoas por dia. O custo será de R$40,00 por pessoa dos quais R$15 reverterão em desconto na compra de qualquer um dos rótulos em prova, exceção feita a eventuais rótulos com promoção especifica ou seja, o desconto não é cumulativo nesses casos. Caso você queira já garantir seu lugar no segundo evento, de dia 10 de Junho, comprando os dois convites de uma só vez, haverá desconto de 10% sobre o segundo convite. Convites disponíveis na loja no horário normal de funcionamento, porém em caso de dificuldade basta me ligar que tenho um plano B para os amigos algo mais distantes!  
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    Cada um de nossos parceiros estará presente com seus sócios diretores e/ou sommelier para poder lhe dar mais informações sobre os vinhos em prova, mas veja já o que há a provar no dia 27 clicando aqui!. Para acompanhar a prova, haverão alguns petit-fours salgados, patés, pãozinho e água. Outros produtos de parceiros, para venda, poderão pintar no evento, vamos ver, ainda trabalhando! Uma ótima oportunidade para você provar uma série de vinhos que ainda não conhece possibilitando futuras compras mais conscientes e seguras. Lembrando a todos que é uma prova de vinhos e as taças usadas deverão ser retornadas ao final do evento.
    Ao final, seu convite será depositado numa urna e uma caixa de vinhos (6 garrafas) será sorteado por um dos presentes e entregue na hora ou posteriormente caso o ganhador já tenha se retirado. Por agora, kanimambo, saúde e quem sabe nos vemos por lá, será um prazer vos receber!
Local: Vino & Sapore – Rua José Felix de Oliveira 875, Km. 24 da Rod. Raposo Tavares, km 24 (Granja Viana) direção Cotia das 16 às 19:30. E-mail vinoesapore@gmail.com / Contato por Tel.: (11) 4612-6343 das 14 às 19h de Terça a Sábado.

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Desafio de Blends do Novo Mundo.

Na minha opinião os blends primam pelo equilíbrio e complexidade obtidos através do uso de duas ou mais uvas no sentido de entregar mais que a soma dos produtos, para tanto o conhecimento do enólogo é essencial, o/a cara tem que ser bom! rs É o estilo de vinho que mais me atrai e não é à toa  que alguns dos melhores rótulos do mundo são blends. Supertoscanos, Chateauneuff-du-Pape e Bordeauxs só para citar alguns exemplos, então explorar este estilo de elaboração de vinhos é uma experiência que os seguidores de Baco não podem perder. Montei na Vino & Sapore, dois DESAFIOS:
Neste próximo dia 19 o primeiro deles, um DESAFIO DE BLENDS DO VELHO MUNDO
    Às cegas, após a abertura com espumante Santa Augusta Brut para preparar o palato, provaremos cinco vinhos de cinco diferentes países; EUA, Brasil, Uruguai, Argentina e Chile!
Desafio de blends Abril
    Para somente 12 pessoas, vinhos numa faixa de preços entre R$110 a 170,00 , petiscos, água, pão, café e estacionamento na faixa, tudo por apenas R$130,00 por pessoa. Faça já sua pré reserva e assim que tenhamos o grupo fechado haverá a necessidade de pagamento antecipado para efetivá-la.
    O segundo desafio se dará no dia 24 de Maio, DESAFIO DE BLENDS DO VELHO MUNDO, então já reserva a data, no inicio do próximo mês informo quem serão os desafiantes do embate.
   Não deixe para a última hora, garanta já seu lugar e não deixe de visitar a Vino & Sapore que começou a reformular seu portfolio com muitas novidades chegando ao longo do mês,  de R$40,00 até 500,00, bons vinhos para todos os gostos e bolsos. Muita coisa legal, vem!
    Kanimambo pela visita, saúde e nos vemos por aqui ou por aí nas estradas e esquinas de nossa vinosfera, quem sabe na Vino & Sapore (clique no link no topo da página para ver como chegar.

 

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Carmignano e Capezzana, a Toscana Desconhecida!

Carmignano DOCG, seu maior representante, a Tenuta di Capezzana com documentos que mencionam a região datados de 804!! Tive contato com a Tenuta di Capezzana no encontro da Mistral de 2009, os famosos Tour Mistral que encantam com tantos produtores de excelência, e adorei, tanto que já tive alguns rótulos na Vino & Sapore inclusive seu gama de entrada Monna Nera que é da hora e um pouco mais acessível. Desta feita fui convidado a participar de uma degustação matinal com a presença de Leone Contini Bonacossi o representante da 5º geração da família. Muitos e ótimos vinhos com alguns rótulos que me entusiasmaram e todos orgânicos desde 2009, exceção feita (creio eu) ao Monna Nera.

Toscana carmignanoCarmignano é uma DOCG desde 1990, localizada a noroeste de Firenze, porém há mais de 12 séculos produz vinho. Foi a primeira região da Toscana a ter a Cabernet Sauvignon homologada dentro de uma DOC ou DOCG sendo que exige (dentro da DOCG) que esta cepa represente um mínimo de 10%. Os vinhos da região exigem um minímo de participação de 50% de Sangiovese e permitem a inclusão de outras uvas como; mínimo de 10 até 20% de Cabernet Sauvignon ou Franc, até 20% de Canaiolo Nero, até 5% de Mammolo e Colorino, até 10% das uvas brancas Malvasia e Trebbiano. Como curiosidade, as primeiras mudas de Cabernet chegadas na região foram importadas do Chateau Lafite Rotschild, Bordeaux. São apenas cerca de 200 hectares e 13 produtores que até 1975 quando obtiveram classificação DOC, estavam sob as normas de Chianti.

Com uma produção estimada em apenas cerca de 500 mil garrafas ano e a primeira safra engarrafada dentro da atual família datada de 1925, a Tenuta di Capezzana produz vinhos brancos e tintos usando tão somente leveduras selvagens. Eis o que tivemos o privilégio de provar:

Capezzana tasting 2

Tenuta di Capezzana Chardonnay 2013 – uma das mais gratas surpresas desta prova. Muito cremoso, baunilha na boca, fruta fresca, incrível frescor para um vinho de 2013 sem madeira. No nariz e na boca dá para jurar que passa em barrica, mas niente!! Delicia e longo na boca, gostei muito.

Trebbiano VDT 2015 – aqui a madeira já aparece, porém sem qualquer agressividade preservando a fruta. Vinhedos de mais de 60 anos, boca mais densa, mineralidade bem aparente, um bom vinho, gosto dessa uva!

Monna Nera 2015 – o vinho entrada deles que conheci há cerca de dois anos e que gostei muito, um blend de Sangiovese, Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah e Canaiolo com apenas 5 meses de barrica, muito equilibrado, fresco, frutado e fácil de se gostar.

Barco Reale di Carmignano (uma DOC) 2012 – um degrau acima e 10 dólares mais caro que o Monna, blend de Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Canaiolo maturado em tanques de inox e passagem por botti (toneis) de 12 mil litros da Slavonia. Notas mais verdes, médio corpo, taninos aveludados, bom mas não me encantou.

Villa di Capezzana Carmignano 2013 – velho conhecido e um vinho alguns degraus acima que me encanta. Encorpado, complexo, blend de Sangiovese e Cabernet Sauvignon que mostra bem o potencial da região. Chegando nos 80 Dólares, já é menos acessível, mas está em linha com vinhos de qualidade similar, para quem tem ($) eu recomendo, um belo vinho que impõe respeito.

Trefiano Carmignano 2010 – Uau! Blend de Sangiovese, Cabernet Sauvignon e canaiolo, profundo, grande estrutura, taninos se fazem mais presentes e apresenta uma certa rusticidade de final de boca, porém sem agressividade. Um grande vinho e uma grande opção para quem gosta de vinhos algo mais robustos e pode guardar por mais uns dois ou três anos que esse vinho só vai melhorar na garrafa.

Ghiaie della Furba IGT 2010 – Curto e grosso, vinhaço!! É um IGT porque sai fora das normas estipuladas pela DOCG já que seu blend tem em sua composição 10% de Syrah e não tem Sangiovese. A protagonista qui é a Cabernet Sauvignon (60%) com Merlot (30%) e Syrah. Um show na taça e na boca, um adolescente que evoluirá muito positivamente por mais uma década e fui atrás de alguns exemplares de 2004, achei! rs Enfim gente, vinho que passa 14 meses em barricas francesas mostrando ótima textura, grande volume de boca, rico, frutos negros, alguma especiaria de final de boca, um grande supertoscano e, nessa faixa, com precinho pois seus cerca de 400 pratas é cerca de metade do que alguns de seus principais concorrentes. Babando para provar o 2004!!

Capezzana 804 IGT 2004 – uma jovem criança, 100% Syrah e apenas 300 caixas produzidas. Um grande vinho com um grande preço e acho que abrir por agora é um desperdício. Depois do Ghiaie della Furba e do impacto que ele me causou, difícil avaliar ou comentar qualquer coisa, sorry, fiquei prejudicado! rs

Capezzana tasting 1

Ufa, mais uma bela prova matinal promovida pela Mistral e um encontro deveras especial com este produtor escondido numa Toscana pouco conhecida. Saúde, uma ótima semana e kanimambo pela visita. Hoje tem World Wine Experience Ibérico, depois falo como foi, fui!

 

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Desafiando Preconceitos!

Adoro colocar vinhos ás cegas para quebrar preconceitos e recentemente tive mais uma oportunidade para isso. Uma das coisas que tento passar adiante para todos os que me procuram para falar de vinho é que não existe essa de não gostar de uma determinada cepa. São muito comuns aos aficionados dos caldos de Baco o posicionamento contrário a uma determinada casta, porém as variáveis (terroir, enólogo, safra, método de vinificação, etc.) são tão grandes que dizer que vinho dessa uva não beberei é quase uma heresia! rs Minha visão, você só não encontrou ainda o vinho certo. Óbvio que muito no vinho, como na música, é momento; é como você se sente, é com quem você vai compartilhar, é onde você está e há momentos em que o porto seguro é a melhor escolha. Há, no entanto, também o momento de se aventurar, de mergulhar na busca de coisas e sensações novas, então manter a mente e, neste caso, os sentidos abertos a provar coisa nova e desafiar seus conceitos acho que é sempre um exercício que vale a pena!

Depois de mais de duzentas degustações promovidas nos últimos nove anos, há que puxar pela criatividade para encontrar mais um tema a ser colocado na taça. Desta feita propus à Confraria Brinde à Vida um DESAFIO! Os confrades me diriam que vinhos, regiões ou cepas não gostam e eu colocaria exemplares desses caldos na degustação, porém às cegas. Desafio aceite eis o que os confrades colocaram como seus “desafetos” pessoais: Bordeaux, Chianti, Cabernet Sauvignon, Carmenére e Malbec, sendo que metade dos confrades topam qualquer uva ou terroir na taça! Ou quebrava preconceitos ou quebrava a cara, porém não sou de refutar desafios, então lá fomos nós!

brinde á vida marçoComo sempre abri com um espumante que neste mês foi o Adolfo Lona Rosé, um vinho que dispensa apresentações. A maioria dos confrades este mês teve oportunidade de o conhecer e foi aprovado pela grande maioria, no entanto foge do lugar comum, da coisa mais leve, frutada e, até, algo docinho. Este espumante possui mais corpo e é bastante complexo, muito devido à alta porcentagem de Pinot Noir no corte com Chardonnay. Aí foi tempo de abrir as outras garrafas na ordem em que estão na foto.

Bordeaux – Quem não gostava de Bordeaux amou, melhor vinho da noite para ele! A safra, ausência de madeira e a Merlot como protagonista o derrubou. Eh, eh, 1 x 0 para mim!

Chianti – Quem não gostava de Chianti não degustou, mas também não amou. 0 x 0.

Cabernet Sauvignon – Quem não gostava de Cabernet Sauvignon, segue não gostando! sniff, empatados 1 x 1.

Malbec – Optei pelo Villaggio Grando, elaborado em Mendoza, porém o vinho não vingou estando muito longe do que eu o conheço. Não estava prejudicada, mas … preferi abrir mais um exemplar, desta vez de Cahors, França. Resultado, quem não era muito chegado gostou, oba!! 2 x 1 para mim.

Carmenére – O Falernia Reserva com seus 60% de uvas passificadas (a la amarone) no processo de vinificação, derrubou quem não era chegado em Carmenére para quem este foi o melhor vinho da noite! Eh, eh, mais um ponto para euzinho aqui! rs 3 x 1

Quem toma de tudo, gostou de alguns e não se entusiasmou com outros, mas acho que consegui mexer um pouco com esses preconceitos que alguns criam. Podem achar que 3 x 1 foi uma goleada, mas não foi não porque esse não foi o resultado final. Pois é, teve confrade que torceu o nariz para a maioria e não se empolgou com nenhum dos vinhos apresentados, então gol contra (acontece!) e o resultado final 3 x 2 suado!!! rs  Pena que por uma questão de preço não pude colocar alguns vinhos nesse desafio, mas mesmo tendo saído algo chamuscado do embate, creio que valeu muito o exercício e agora desafio os amigos a fazerem igual exercício em suas confrarias. A diversão é garantida!!

Moral da história, jamais diga que desta fonte não beberei! Saúde, kanimambo pela visita e uma ótima semana para todos.

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