Falácias do Mundo do Vinho

São diversas e não são poucas, nossa vinosfera é pródiga em produzi-las! rs Hoje cito aqui algumas que acredito sejam as mais comuns e em que a maior parte dos iniciantes nesta incrível viajem por terras de Baco tende a acreditar por falta de informação.Pinocchio por Enrico Mazzanti

Quanto mais velho o vinho melhor – essa talvez seja a maior delas e com isso muitos vinhos são tomados já em fase de decrepitude e outros viram vinagre. Há vinhos para serem tomados jovens (até uns quatro anos), de média guarda (4 a 8 anos), “longa” Guarda (8 a 12 anos) e os grandes vinhos que são quase que intermináveis obtendo seu ápice com mais de 15/20 anos são vinhos para poucos bolsos. Não tem vinho de guarda de 50 pratas, não se iluda! Quanto maior estrutura tem o vinho para uma guarda longa mais caro ele vai ser, não tem como não ser.

Vinho bom é o que você gosta – fruto de uma campanha de marketing bem sucedida de um importador. O correto seria, vinho que você gosta é o que é bom para você. O fato de você gostar não transforma vinho ruim em vinho bom, só é o que você gosta e tudo bem que assim seja, afinal tomar o que não gosta só pelo o que os outros dizem não tem nada a ver né? A cerne da questão é que qualidade e gosto são duas coisas diferentes que podem, ou não, caminhar juntos.

Melhor Vinho do Mundo – mais um fruto do marketing e na minha opinião uma tremenda sacanagem e mentira promovida por alguns produtores e importadores. O melhor vinho de um concurso, de um evento só é o melhor daquele concurso ou evento tendo mais ou menos importância dependendo do nível e respeitabilidade dos mesmos. Melhor Vinho do Mundo é só papo para boi dormir, para enganar os menos incautos , cai nessa não! Aliás, Melhor do Mundo é sempre muito relativo para qualquer coisa ou qualquer um a não ser que possa ser, de alguma forma, mensurado e comparado, caso contrário é mera opinião menos ou melhor fundamentada.

Vinho toma-se a temperatura ambiente – na Europa e mesmo assim depende de onde e em que estação do ano! rs Tomar um vinho tinto a 36 graus numa tarde no Rio é insano e certamente um desastre! Eis uma sugestão de temperaturas médias adequadas ao serviço do vinho para melhor usufruir desses caldos de Baco, cai nesse papo de temperatura ambiente não!

Espumantes e brancos doces e leves 6 a 8° C. / Champagnes e brancos frescos de 7 a 10° Centígrados /  Brancos secos e evoluídos ou um Jerez fino de 10 a 12° Centígrados / Rosés, mais leves entre 8 a 10º e, os mais evoluídos, no máximo até uns 12º Centígrados. / Tintos de taninos leves, de 12 a 15° Centígrados / Brancos encorpados e Madeira ou Porto (Tawnies our Ruby básico), de 10 a 14° Centígrados / Tintos de médio corpo e Vinhos do Porto Ruby Reserva, de 15 a 17° Centígrados. / Tintos encorpados e Vinhos do Porto LBV e Vintage, de 17 a 20° Centígrados.

Vinho de Mulher – antes de ser machista é uma aberração. Teoricamente se diz que as melhores gostam de brancos, rosés docinhos e tintos leves. Há homens que seguem o mesmo gosto, não tem nada a ver com o gênero de cada um. Conheço um montão de mulheres amantes do vinho que não abrem mão de vinhos encorpados, questão de gosto, ponto!

Vinho com Tampa de Rosca é Ruim – normalmente usado em vinhos jovens onde a rolha de cortiça tem menos ou nenhuma utilidade prática já que se busca manter o frescor do vinho e não sua evolução. Da Austrália, pioneiros no uso de “screw cap”, já provei vinhos com mais de dez anos que envelheceram maravilhosamente bem. Um pode até não gostar do visual, achar que perde o charme, etc., porém a qualidade e tampa de rosca podem sim coexistir! Para o que ainda tiverem dúvida, vale ler o artigo que o Miguel Angelo de Almeida (enólogo da Miolo) escreveu e permitiu que eu compartilhasse aqui.

Vinho Barato é Ruim – outra balela, mas obviamente depende do quão barato ele é! rs Provavelmente não será tão bom quanto um vinho de maior valor, porém já vi, por diversas vezes, vinho de preço mais módico levar vantagem sobre vinhos de maior valor em provas ás cegas. Óbvio que quanto mais caro o vinho maiores serão as possibilidades de estarmos frente a vinhos melhores, mas não necessariamente. Já provei grandes vinhos que me decepcionaram e já fui surpreendido por vinhos baratos bem legais, então deixemos os preconceitos de lado e exploremos o mundo de Baco como ele deve ser explorado, escolhendo seu vinho de acordo com o momento, com quem compartilhar e com seu bolso. Costumo dizer que “Todo o grande vinho é caro, mas nem todo o vinho caro é grande!” então cuidado e repetindo, qualidade e gosto são coisas diferentes. Uma dica se você for um iniciante nessa viagem, mesmo que com grana para torrar, deixe os vinhos caros para quando tiver mais litragem, vai por mim.

Se alguém tiver algumas mais a agregar, “be my guest” já que os comentários estão aí para isso. Tenham todos uma ótima semana e seguimos nos vendo por aqui ou por aí numa das curvas de nossa imens! vinosfera. Kanimambo pela visita, saúde!

Cheers Smile

 

 

 

 

 

Ilustração – Pinóquio de Enrico Mazzanti datada de 1883

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar