Signature de Susana Balbo, um Torrontés Diferenciado

Tem gente que torce o nariz para os vinhos elaborados com Torrontés na argentina, mas poucos tentaram se atualizar sobre o tema nos últimos anos. Tem vinhos de muita susana balbo torrontés com tapasqualidade no mercado que surpreenderiam a maioria dos céticos de plantão. Eu não estou nem aí, gosto do que tenho provado e entre os melhores está este que é diferenciado!

A semana estava fria, então não resisti; lareira acesa, na companhia da loira e Fondue de queijo. Sou gamado neste Torrontés argentino muito especial o Signature de Susana Balbo que é fermentado em barrica sendo um dos melhores vinhos brancos argentinos do momento e olha que tem muito vinho branco top por lá, sempre tenho um na adega, pelo menos tento ter porque duram pouco! rs Sei, já sei que sempre falo para se afastar de brancos amadeirados com Fondue de Queijo, mas este é diferenciado, a madeira é toda ela muito sutil sem prejudicar o conjunto e ainda fiz uns “pinchos” com uma torradinhas de pão italiano, azeite, presunto parma e brie, ficou da hora! Por outro lado, estava com vontade de ambos então, porquê não? Como sempre falo, harmonizar é bom, mas não é tudo, sem fobias!! rs

Na verdade, tenho que confessar que com; friozinho, lareira acesa, tapas, fondue e minha loira, qualquer vinho ornava!! rs Agora falando sério, pela primeira vez abri uma garrafa destas, já abri muitas, e senti um pouco mais de madeira do que o usual. Acho que pode ser coisa dessa garrafa especificamente, porque a anterior que tomei há poucos meses (mesma safra o origem) não estava assim ou pode ser que na harmonização a madeira apareceu mais, a maior probabilidade. Na verdade e no fritar dos ovos, pouco me importou, diferentemente da Confraria onde afora a farra havia uma conotação mais clara de estudo e experimento, aqui o tema era outro então, sem ressalvas! rs

Susana Balbo Torrontés com fondue

Bem meus amigos, a frente fria chegou de novo e não deve durar muito então aproveitem porque não devemos ter muitas mais este ano. Kanimambo pela visita e nos vemos em breve por aqui ou em algum outro ponto de nossa vinosfera. Fui!

 

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Frutos do Garimpo de Maio foi de Malbec

Porém algo diferente, mostrando a versatilidade da uva que produz os mais diversos estilos de vinho. Para ilustrar isso e contando com a parceria da Wine Lovers e da Galeria de Vinhos assim como da Barrica Negra que lamentavelmente encerrou as atividades como importadora, trouxe aos confrades e confreiras cadastrados um espumante, um vinho tradicional tinto e um late harvest. Vejam abaixo o que rolou:

Vicentin Rosado brutVicentin Rosado de Malbec Brut, da Galeria de Vinhos, elaborado pelo método clássico, 12 meses de autólise, com um mix de uvas de cinco vinhedos diferentes em Lujan de Cuyo (Mendoza). Linda cor salmonada, fresco, ótima perlage, cítrico, bom volume de boca, acidez equilibrada que combinou ás mil maravilhas primeiramente com o bate papo entre os amigos e posteriormente com uma deliciosa Burrata sob uma cama de tartar de salmão. Um espumante que surpreende por sua textura e de que gosto muito e olha que provo de montão! rs Preço sugerido pela importadora, R$148,00

Penedo Borges Reserva Malbec é isso, um vinho de boa pegada, porém refinado.penedo Borges Malbec Reserva Elaborado com um toque de Cabernet Sauvignon e Syrah que lhe dá um tempero especial, o vinho passa por envelhecimento em barricas francesas (70%) do vinho e americana por 8 meses e posteriormente afina em garrafa por mais uns seis meses antes de sair ao mercado. Muita fruta negra (ameixa), ótima textura de boca com uma entrada marcante, boa estrutura de meio de boca terminando com toque de especiarias e notas tostadas com taninos finos bem presentes, mas sem ferir o palato. Extração no ponto, sem exageros, harmônico, um vinho que dá prazer tomar e certamente acompanhará um bom bife de chorizo com galhardia. O preço de mercado indicado pela  importadora parceira (Wine Lovers) é de R$99,00

vinserusVinserus Malbec de Otono, da Barrica Negra (com ativididades encerradas), um colheita tardia tinto que surpreende quem o prova em função da qualidade que ele entrega por um preço bem camarada. Os bons colheitas tardias tintos de Malbec existentes no mercado costumam andar na casa dos 100 reais e este a cerca de 60 já era um achado, pena que acabou! Desde o primeiro momento que o conheci há um bom par de anos atrás, me encantei, doçura no ponto, muito equilíbrio balanceado por uma acidez muito bem trabalhada. Notas frutadas típicas da malbec, porém compotada, toque levemente doce de açúcar mascavo e taninos aveludados, macios já muito bem integrados ao longo de seus dez anos de vida, pois este é de 2007.

Para acompanhar o Vinserus, excepcionalmente, um saquinho das famosas (aqui na Granja Viana) Ballas de Chocolate da Isabela Amaral, receita de família elaborada BallasChocolate_22artesanalmente com muito esmero e absolutamente deliciosas, para você harmonizar. No entanto,  sobremesas de chocolate a nível geral são uma ótima pedida e se tiverem um toque de frutas vermelhas então! Costumo dizer que esta Ballas vão muito bem acompanhadas de um bom vinho de sobremesa, Porto Ruby, Banyuls, Late Harvest de Malbec, etc., mas o gostoso delas é que também vão muito bem só! De qualquer forma, a Balla já escolhida, o acompanhamento fica por sua conta ou, neste caso, por minha! Clique no link para ver mais e fazer suas encomendas, rs.

Um bom fim de semana para todos, com ou sem Malbec (rs), porém sempre com boa companhia pois faz muita diferença! Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer esquina desta vasta vinosfera, fui!

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“Actualmente No Hay Vinos Pesados y Ni Exagerados en Argentina”

Assim disse James Suckling, critico internacional, em uma matéria parcialmente reproduzida no último dia 22 de Junho pelo site argentino WINE MDQ . Quase verdade, na minha opinião porque há gente que persiste por filosofia, gosto ou por meras razões james sucklingcomerciais por ainda existir quem compre. Nada contra, há gosto e mercado para tudo, porém fica claro que há uma revolução ocorrendo, uma mudança radical de filosofia em resposta aos mercados e suas demandas. Não é de hoje, para quem presta atenção e é menos conservador, essa onda já vem faz um tempo e eu falo disso aqui já faz alguns anos. Está se deixando de lado as bombas tânicas e alcoólicas, os vinhos super extraídos, por vinhos de maior elegância, mais finos com maior estudo dos terroirs.

Esse estudo maior dos terroirs, dos microclimas existentes fez com que novas áreas de plantio fossem desbravadas, castas fossem exploradas e novos vinhos surgissem. Os excessos foram substituídos pela moderação e equilíbrio com o surgimento de grandes vinhos brancos, vinhos single vineyards, cabernet francs, deliciosos e complexos blends, uma pena que essa nova realidade tenha tanta dificuldade de se tornar conhecida da maioria dos consumidores brasileiros.

“Not heavy and not overdone—that’s where Argentine wines are now”  diz James Suckling, e nisso eu concordo com ele, pelo menos quanto a uma boa leva dos novos vinhos hoje sendo elaborados por lá. Leia a matéria de James Suckling sobre o tema clicando aqui, com as notas dadas aos vinhos, talvez algo exageradas na minha opinião que sou mais mão fechada nesse quesito, que comprovam essas mudanças. Dos 900 vinhos provados neste tour dele de 2017, nada menos que 56 tiveram notas acima de 95 pontos entre eles (ver a lista completa no link da MDQ acima) selecionei os top 10 listados :

CATENA ZAPATA CHARDONNAY MENDOZA ADRIANNA VINEYARD WHITE STONES 2014
99 Puntos
EL ENEMIGO CABERNET FRANC GUALTALLARY GRAN ENEMIGO SINGLE VINEYARD 2013
99 Puntos
VIÑA COBOS MALBEC MENDOZA COBOS CHAÑARES VINEYARD 2014
99 Puntos
TERRAZAS DE LOS ANDES MALBEC LAS COMPUERTAS LUJÁN DE CUYO SINGLE PARCEL LOS CEREZOS 2013
98 Puntos
CATENA ZAPATA MALBEC MENDOZA ADRIANNA VINEYARD FORTUNA TERRAE 2014
98 Puntos
TRAPICHE MENDOZA ISCAY SYRAH VIOGNIER 2014
98 Puntos
TERRAZAS DE LOS ANDES MALBEC VALLE DE UCO SINGLE PARCEL LOS CASTAÑOS 2013
97 Puntos
CATENA ZAPATA MALBEC MENDOZA ADRIANNA VINEYARD MUNDUS BACILLUS TERRAE 2014
97 Puntos
EL ENEMIGO CABERNET FRANC MENDOZA GRAN ENEMIGO CHACAYES SINGLE VINEYARD 2013
97 Puntos
SUSANA BALBO WINES VALLE DE UCO NOSOTROS 2012
97 Puntos

Agora, se você for algo São Tomé, faça que nem eu, confira, Prove! Meu maior desejo neste momento, falando de vinhos argentinos, é o Chardonnay White Stones que vem sendo altamente elogiado e é o topo desta lista! Imaginem, quem diria que um dia um chardonnay poderia ser topo de uma lista dos melhores vinhos argentinos??? Ansioso por provar, só preciso achar e ter o din-din para isso, rs, porque o bicho não é fácil de achar e é carinho, doações serão aceitas!! rs Por sinal, o amigo Alejandro Vigil deu show nessas notas do Suckling, afinal desses top 10 ele e sua equipe são responsáveis por cinco dos vinhos e na lista de acima de 95 pontos tem bem mais que isso! Enfim, por hoje o tema foi esse, mas sigo antenado e compartilhando com os amigos sempre que possível. Saúde e kanimambo pela visita.

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Córdoba, na Argentina, Produz Vinho??

Sim, desde o século XVI quando os jesuítas plantaram as primeiras vinhas nas Sierras de Cordoba, região rica em microclimas porém muito pouco conhecida entre nós. Sabemos que 90% ou mais do vinho argentino vem de Mendoza  e, no máximo, é de conhecimento geral que há produção também na Patagônia, Salta, San Juan e Rioja, porém dos cerca de 15 produtores de Cordoba, pouco se sabe e eu tão pouco, primeiros goles estes! rs
Quando há cerca de dois meses participei de um almoço/degustação com Matias Michelini e seus vinhos, fomos surpreendidos pela presença de dois outros produtores. O Germán de que já falei aqui, e Pablo Asef de quem venho falar hoje. Um produtor biodinâmico, La Matilde comarca biodinâmica produzindo queijos de cabra, mel, ervas, verduras, compotas de tomate e agora vinho com a consultoria do Matias. Por enquanto a capacidade instalada é de 15.000 garrafas anos em quatro hectares de onde sai este bom e raro Tannat, da qual apenas 1.300 foram produzidas. Com cinco ovos de concreto a Bodega instalada a cerca de 800 metros de altitude na base do Cerro Champaquí, tirará da safra de 2017 suas primeira garrafas totalmente integradas (vinhedos e bodega próprios) e estou curioso por conhecê-lo.
Pelo que me informaram, a região ainda em em formação e desenvolvimento de vinhas, tem boas Sierra Roja tannatcondições climáticas para as uvas que pedem regiões mais quentes. Até perguntei sobre a Petit Verdot e sim, poderá até vir a ser uma casta a ser explorada. No momento o projeto é também de um Malbec, o Tannat, um Cabernet Sauvignon e no futuro um blend dos três. Se conseguirem um tico de Petit Verdot só para colocar nesse blend, deverá ficar da hora!! rs
Enfim, o vinho que nos foi apresentado foi esse Sierra Roja Tannat 2016, a primeira safra do vinho, que nos surpreendeu e ainda não está disponível no Brasil. Muito fresco nos aromas, na boca mostra sua raça, meio de boca bastante estruturado e denso, frutos escuros, final com taninos  sedosos e arredondados ainda por integrar porém mostrando já bom equilibrio, alguma especiaria, fresco e longo. Em minha modesta opinião, diferente dos uruguaios (menos austero) e os de Salta (menos fruta), por isso mesmo um vinho de personalidade própria que reflete o seu terroir de forma mais verdadeira, sem querer ser mais nada do que ele é, um vinho minimalista! Não é um vinho barato, lá creio que anda na casa dos 950 pesos, mas certamente gente em quem tem que se prestar atenção no futuro já que novas fronteiras começam a ser desbravadas de forma mais atuante.
Uma ótima semana para os amigos e grato pela visita, espero continuar vendo-os por aqui ou qualquer esquina desta nossa  imensa vinosfera. Saúde e kanimambo!

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Bruschetta de Alheira c/Espinafre e Otras Cositas Más!

Tarde Luso- italiana com um toque mendocino!!! Um fim de semana gordo, um Domingo especial em que o almoço terminou já passava das cinco da tarde, dia bom demais. Família reunida, quase toda, e inventei de fazer algo diferente que descobri na internet, uma receita de Alheira à Pedro Jorge que eu chamei de Bruschetta de Alheira e Espinafre e um belo nhoque ao sugo com raspas de parmesão, ambos os pratos escoltados por vinhos do amigo Matías Michelini.
As alheiras com espinafre você poderá ver a receita completa clicando aqui, porém vou adiantar deAlheira com Agua de Roca tão fácil que é. Dá uma escaldada no espinafre (eu usei o já picado e congelado usando uma peneira fina) e nessa mesma água faz o mesmo com as alheiras, depois retira-se lhes a pele e desfaça a alheira.  Refogado básico de cebola e alho, joga o espinafre, depois a alheira e misture bem fazendo uma pasta, sempre caprichando no azeite, leve espremida de laranja para dar uma acidez maior sem lhe dar sabor. Pão tipo italiano levemente torrado, esfrega o alho e joga um fio de azeite em cima, leva ao forno por dois minutinhos, forra o pão com finas fatias de mussarela de búfala e sobre elas colocar essa massa de espinafre e alheira e uma raspa de limão siciliano. Volta ao forno com um fio de azeite por cerca de dez minutos e está pronto. Coloquei bastante azeite, mas também olha só o azeite, da Malhadinha não filtrado presente de meus amigos, o casal Curioso, nunca é demais! Para servir, pode colocar azeite agosto, gente, delícia, sente-se bem o gosto da alheira (adoro!!) porém mais suave. O legal é que dá para preparar antes e só montar levar ao forno poucos minutos antes de servir. Para umas 12 pessoas, duas alheiras e 400grs de espinafre deram conta. Para acompanhar, escolhi um delicioso Agua de Roca Sauvignon Blanc que “ornou” muito bem com seu frescor e mineralidade se contrapondo à untuosidade do prato. Vou repetir, mas terei que trazer mais algumas garrafas porque só me sobrou uminha!! sniff
Nhoque ao sugo, não não fiz o nhoque porque a Beth Massas (daqui do pedaço) já faz um bem bom, para quê me dar ao trabalho?? rs Só o molho Calcáreo e Nhoquefoi caseiro, mas o resultado ficou excelente ao abrir um delicioso Calcáreo Bonarda, que vinho (fruta abundante, equilíbrio, acidez e mineralidade médio corpo e taninos muito sedosos) e que deliciosa harmonização. Me parece que o Matías disse que descontinuou a produção deste vinho, tenho que conferir, então vou tentar que comprar algumas garrafas por lá antes que acabem e a produção não é grande.
Fim de semana pleno de sabores, misturas e harmonizações para lá de diferentes, loira e filhotes (quase todos) por perto, não me canso disso, quero mais é me empanturrar desses momentos de felicidade! rs Saúde, kanimambo e dia 24 tem Saturday Afternoon Wine Tasting na Vino & Sapore com a presença dos vinhos da Almeria, da Galeria dos Vinhos, do Mestre Queijeiro e dos Pães Artesanais da Raquel, não dá para perder e é baratinho! Veja mais aqui, vagas limitadas, e quem sabe nos vemos por lá??

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Bacalhau e Otra Piel, Não é Que Deu Tango!

Cada um presenteia da forma e como pode, assim foi neste Dia das Mães! Três mães em casa para almoçar, minha Loira, a sogra e minha filha Cátia a mãe do Bruninho. A singela forma de as homenagear foi preparar um prato especial  para o almoço que pouco faço, Bacalhau à Lagareira. Gosto de bacalhau e o preparo de um monte de formas, porém esta receita só em momentos especiais e, sem querer me gabar não (rs), ficou da hora. Gadus Morhua é o nome do bicho e este era de primeira belos lombos!!

Primeiro os deixei descansar por umas três horas no azeite com um leve toque de pimenta mixta moída na hora. Leve empanada nos lombos, rápida passagem pela frigideira com um pouco de azeite, depois forno (com mais azeite) com azeitonas pretas, tomate cereja (pouco antes do final), alho á vontade, batata ao murro, brócoli e cebola palito (toque meu) e um refogado de cebola azeite e alho jogado por cima. Esta receita, existem diversas, esta que uso é a do Restaurante Antiquarius, também praticada no A Bela Sintra, e é a que gosto de fazer, veja receita completa aqui.

Bacalhau à lagareiro Dia das Mães - JFC

Podia ter harmonizado com um bom tinto português, mas optei por correr riscos e alçar diferentes vôos, peguei na adega um vinho da Bodega Gen d’Alma, o vinho Otra Piel Blend 2014 elaborado a quatro mãos pelos enólogos Gerardo Michelini (sou fã dessa família) e Andreia Mufatto. Como quase tudo o que vem dessa família, um vinho Bacalhau e Otra Pieldiferenciado, corte de Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon cofermentadas e com passagem de 9 meses por ânfora de cimento de 2000ltrs enterrada com adição de Pinot Noir ao final do processo. Meu amigo Didu sei que é fã desse vinho orgânico que faz uso de leveduras selvagens e me lembro que a primeira vez que tomei este vinho foi exatamente na companhia dele lá na Vinoteca JÁ em Buenos Aires. Um vinho vibrante com muita fruta e mineralidade, médio corpo, terroso, muito boa acidez, vinho vibrante, um leve toque fumado, taninos suaves como convém para combinar com o bacalhau.

Foi um risco, mas não me preocupei não porque tinha back up de monte na adega (rs) aos quais não tive que recorrer porque deu tudo certo. Belo vinho, belo prato, grande companhia, mais uma delicia de Domingo e só senti pena porque faltou gente! Quer tentar essa harmonização ou simplesmente tomar uma garrafa de Otra Piel? Bem, não tem jeito, só em Buenos Aires, ao que eu saiba, e lá anda na casa dos 350 a 400 pesos e sei que na JÁ tem, trouxe de lá! Um duo luso-argentino sobre a mesa num bailado atlântico, dois portos, um fado tangado! rs

Kanimambo pela visita, saúde e seguimos nos encontrando por aí nas estradas de nossa vinosfera.

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Brutal Harmonização, Mais Uma Surpresa na Taça e no Prato!

Uau, realmente há momentos no mundo enogastronomico que mexem com a cabeça e para sempre ficam na memória, este foi um deles! Como sabem, pelo menos a maioria, tive uma formação inglesa quando jovem pois dos 11 aos 18 estudei na África do Sul. Um resultado disso é que em algumas situações, por incrível que pareça, ainda tenho dificuldade de expressar pensamentos e emoções em português, não é frescura não, juro! Ás vezes uma expressão em inglês diz tudo como neste caso, pois “there is never a dull moment” no conviver com a alma inquieta e criativa do Matías Michelini e esta experiência só vem comprovar isso. Aliás, o difícil é acompanhar tanta novidade que a família Michelini gera anualmente!! rs

Digo isto porque o Matías nos traz sempre algo novo, inventa, viaja e busca emoções diferentes no que faz e da forma que faz. Como as produções são  limitadas, ele se dá ao luxo de “inventar” um vinho para acompanhar determinado alimento ou prato, não é uma coisa de louco? rs Louco no bom sentido, obviamente, e ainda bem que existe gente assim que nos faz abrir a mente para coisas diferentes saindo da mesmice, seja um enólogo ou chef de cozinha.

Pois bem, já falei demais e não falei nada da Brutal Harmonização que tomou conta de meu recente encontro com ele, o Guilherme da VinoMix, do Deco (Enodeco) e outros amigos e conhecidos do mundo do vinho num almoço no pequeno, charmoso e gostoso restaurante Chef Vivi na Vila Madalena aqui em São Paulo. À mesa veio um prato de Cordeiro com redução no próprio cozimento, Couscous Marroquino com castanhas, Crispy de palmito pupunha e laminas de rabanetes tudo ôrganico. Gente, derretia na boca, as diferentes texturas se completavam maravilhosamente, prato divino e aí veio o vinho, o La Via Revolucionaria Bonarda. Mais um Bonarda? Ledo engano, maceração carbônica (que não é muito a minha praisa e muito comum na Espanha), um tinto com frescor de vinho branco, ótima textura, muita fruta, foi bem com o prato mas tenho que confessar, na harmonização não encantou. De acordo com o Matías, foi elaborado pensando no pré-churrasco, para tomar refrescado com Brutal TorrontésMorcilla e Chorizos e só de pensar já babei, aí sim! de qualquer forma, pela primeira vez me curvei a um vinho de maceração carbônica e preciso arrumar umas garrafas dessas para acompanhar morcillas bem temperadas, pois o jeitão do vinho tem tudo a ver com pratos mais condimentados, inclusive asiáticos. Tomaria muitas!!! rs

Ué, mas cadê a Brutal Harmonização do títulos, deve estar perguntando você? Bem, essa chegou na hora que o  Matías sacou de uma garrafa de La Via Revolucionaria Brutal de Torrontés! Falei dele pela primeira vez aqui, numa visita à vinoteca JÁ (Joaquin Alberdi) em Buenos Aires, minha vinoteca preferida na terra dos hermanos, um Torrontés laranja, um vinho branco vinificado como tinto com suas películas (cascas) o que resulta num branco alaranjado (vinhos laranja) com bastante corpo. Um vinho complexo, diferente, que gosto bastante, mas que nunca consegui pensar em com o quê o tomar, até este dia! Uau, que harmonização genial, o prato e o vinho juntos explodiram na boca com outra intensidade de sabores, um verdadeiro êxtase hedonístico, adorei!! A chef Vivi bem que poderia introduzir o vinho em sua carta e sugerir esta harmonização, eu certamente passaria por lá de forma amiúde para me esbaldar nesses prazeres.

São essas experiências e esses resultados que me fazem entender do porquê que eu um dia embarquei nesta viagem enogastronomica. Certamente entre as cinco mais incríveis experiências gustativas que já time o privilégio de viver, lembrando que sou um mero mortal! rs

Gente, valeu pela visita, fico por aqui hoje e babando depois de escrever estas linhas movido pela emoção e prazer em mim despertados. Um kanimambo enorme ao Matías e à Chef Vivi “for having swept me off my feet” (desculpem! rs), assim como do Deco e Guilherme pelo gentil convite que culminou nisso! Dos seis vinhos provados no dia, com este post já falei de cinco! Na próxima semana falarei do sexto e de mais uma agradável surpresa, o Sierra Roja, um saboroso Tannat biodinâmico de Córdoba.

Matias na chef vivi

Um ótimo fim de semana para todos, e seguimos nos encontrando por aqui ou por aí, na Vino & Sapore ou qualquer outro canto de nossa vinosfera, fui!

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Blanc de Piel e Blanc de Alba, Que Blanc Experiência!

A convite da VinhoMix, jovem importadora que começa a trazer alguns dos rótulos dos irmãos Michelini, tive o prazer e privilégio de almoçar no restaurante Chef Vivi (adorei e falarei dele em outro momento) na Vila Madalena aqui em Sampa, na companhia de alguns jornalistas o Matías Michelini e mais dois produtores amigos dos quais um já falei aqui (post anterior). Cada vinho uma emoção e sensações diferentes, razão porque esse almoço ainda vai gerar diversos outros posts por vir. Hoje vou falar só desses dois brancos que, para variar, me encantaram.

Os irmãos Michelini são um caso à parte na competitiva e criativa vinicultura argentina, uma lufada de ar fresco numa indústria que busca sair do lugar comum com uma série de jovens enólogos comprometidos com excelência e mudanças assim com a busca de maior presença dos terroirs nativos em seus vinhos. O resultado de mudança de métodos, processos e filosofias tanto nas bodegas como nos vinhedos, é uma consequente e clara mudança no estilo dos vinhos com Malbecs “menos” Malbec e uma diversidade de novos experimentos que estão dando, na minha opinião, muito certo!

blanc de albaBlanc de Alba 2014 – um projeto a dois, Juan Pablo (Juampi) Michelini e a sommelier argentina Augustina Alba. O vinho se ajustará ao resultado da safra dependendo de como as castas se apresentem, neste ano de 2014 foi Sauvignon Blanc, Riesling e Semillon porém a nova safra de 2015 vai ser de Sauvignon Blanc, Semillon e Chardonnay todas de Gualtallary e biodinâmicas. Quantidade limitada a cerca de 2400 garrafas em 2014, fermentado em ovo de cimento de 2000 litros, sem correção, leveduras selvagens e um certo tempo sur lie resultam num vinho untuoso, muito aromático, bom volume de boca mas mantendo uma certa leveza e ótimo frescor com final longo mieral e muito, muito agradável. Um vinho verdadeiramente sedutor que pede bis, Suenõs Blancos de Gualtalarry!

Via Revolucionaria Sauvignon Blanc de Piel 2015 – para falar deste vinho tenho que começarRevolucionaria Blanc de Piel falando de Água de Roca, um incrível Sauvignon Blanc que o Matías Michelini faz na Passionate Wines, sobre o qual já falei e você pode rever clicando aqui, tenho uma tara por esse vinho!! rs O Água de Roca não passa por prensagem com imediata retirada do mosto (suco da uva) para obter o mais puro e fresco caldo. Sobram as películas ainda com um monte de mosto dentro que é então prensado ficando o mosto em maior contato com as borras (sur lie) e películas. O resultado é que de cada 1000kgs dessas películas se extraem apenas cerca de 100 litros de mosto o que resulta num vinho que nada tem a ver com aquela leveza do Água de Roca. É um vinho delicioso que mantém a acidez característica da cepa e do terroir, porém com mais corpo e complexidade, ás cegas dificilmente diria que é Sauvignon Blanc. Surpreendente, mais uma vez, o Matías tem essa mania! rs

Mais dois vinhos para meu arsenal de brancos que tanto aprecio e mais uma mostra que o Vale do Uco y Gualtalarry em especial, são ótimos para estes vinhos. A família Michelini tem hoje cerca de 84 vinhos diferentes em seu portfolio e muitos deles de pequenas produções. Fazem vinhos de que gostam e, por suerte como disse o Matías, tem outros que gostam! rs Eu sou um deles e mais uma vez me rendo a seus vinhos, dois brancos que certamente farão parte de minha adega assim que possível. Tem mais, mas essas experiências compartilharei mais tarde .

Kanimambo pela visita, saúde e nos vemos novamente por aqui em breve, tenham uma ótima semana.

 

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Um Malbec Surpreendente, LIVVERÁ!

Muito recentemente tive o privilégio de almoçar com uma pessoa que respeito e admiro muito e ele trouxe junto um amigo do face que não conhecia pessoalmente, o Germán Massera, enólogo de mão cheia com passagem pela Bodega Noemía e Finca Sophenia. Com um perfil naturalista, biodinâmico, orgânico (mesmo não sendo seguidor sou um apreciador) ele apresentou na companhia do amigo Matías Michelini, seu LIVVERÁ (vivas e verás ou vida de verdade?) é uma singela obra prima engarrafada obtida de uvas de três diferentes vinhedos de Gualtalarry co-fermentados,de maceração suave em ovos de cimento, baixa extração e afinado por 12 meses em barricas de carvalho muito (rs) usadas buscando a fruta e elegância.

Deixemos de lado as experiências vividas com algumas bombas tânicas , vinhos super extraídos, alcoólicos e mastigáveis que Livverá malbecalguns adoram, mas que a meu ver não têm nada a ver e não fazem minha cabeça! O bicho aqui é outro, estamos diante de um dos únicos dois produtos (o outro é um Malvasia que não provei) que este jovem projeto – Escala Humana Wines – deste jovem enólogo nos traz e é pura felicidade e prazer. Muita fruta, textura de boca saborosa, fresco, uma riqueza e equilíbrio naturais que nos trazem um sorriso à boca e uma alegria à alma, taninos finos tremendamente elegantes e suculentos, um vinho que fez querer tomar garrafa e não taça! Apenas 13.5% de teor alcoólico, boa acidez e poucas garrafas! Adorei ler no rótulo, “Botella nº1 de Pocas”, genial, mostra bem o espírito da concepção da obra. Parabéns Germán, espero não só provar, mas tomar algumas dessas preciosidades que, por enquanto e ao que saiba, ainda não está no Brasil mas vi que tem por lá na origem por volta dos 80 Reais.

Mais uma gostosa experiência num almoço divino sobre o qual ainda tenho muita coisa a falar, aguardem. Por enquanto a produção aqui no site está baixa, a sobrevivência tem tomado meu tempo (rs), mas tem bastante material engatilhado. Abraço, saúde, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui e, porquê não, na Vino & Sapore onde sempre haverá uma taça a desfrutar com os amigos que se identificarem como leitores. Fui, se der tempo tem mais na semana, se não só após o feriado, vamos ver …

 

Dose Certa da Bicicleta!

Dose certa, da sua sede, do momento, algo que acho todos; comerciantes, restaurantes e consumidores deveríamos praticar mais. Gosto dessa idéia de chegar num restaurante pedir vinho em taça e ter uma garrafinha de 187ml aberta para mim. Me dá mais segurança em vários sentidos; seja de o vinho não estar velho, adulterado ou sequer ser o que foi pedido já que na maioria das vezes já chega na taça! O mesmo vale para a garrafa de 375ml, o que muitas vezes dá para dois que somente querem algo para acompanhar uma refeição o equivalente a duas boas taças. Está certo, sempre se pode pedir a garrafa de 750ml e pedir para levar o que eventualmente tenha sobrado para casa, mas …..

Enfim, recebi da assessoria de imprensa da La Pastina (importador), duas garrafinhas de Dose Certa para provar e avaliar. Ambas da Cono Sur, a famosa linha BICICLETA, vinhos de bom preço e que anos atrás fizeram um auê no mercado com um saborosíssimo Riesling. Desta feita veio um Cabernet Sauvignon de 187ml e um Pinot de 375ml. Eis meus comentários sobre a prova.

Bicicleta Cabernet Sauvignon 187ml – mostrou-se condizente com os vinhos nessabicicleta cab 187ml faixa de preço chilenos (referência de cerca de R$50 a garrafa de 750ml). Muita fruta, taninos macios, algo ligeiro, com um final de boca algo mais doce em virtude da uva proavelmente sobremadura, mas que não afeta o conjunto. Não encanta, porém a principio não se deve esperar isso de um vinho nessa faixa, mas não faz feio e dá conta do recado. Um vinho simples, companhia descompromissada para seu hamburguer ou pizza.

Bicicleta PinotBicicleta Pinot Noir 375ml – Lembra que escrevi acima que não se deve esperar encantamento de um vinho nessa faixa, SURPRISE!! rs Existem diversos níveis de encantamento, pelo menos penso assim, e este é daqueles que encanta o dia a dia e o bolso! Tenho vinhos na adega que não são grandes vinhos, mas são encantadores, me fazem feliz sem ter que gastar muito e este perfaz exatamente esse perfil, eta vinho gostoso de tomar! Bonita cor, típica da casta, muita harmonia entre fruta fresca, taninos suaves e textura aveludada com um final de boca que pede bis! Nada de extrações excessivas de cor e fruta sobremadura que, a meu ver e sei que há controvérsias, nada têm a ver com a tipicidade da Pinot. Leveza sem ser ligeiro, tem sustança, oito imperceptíveis meses de passagem por barrica, foi puro prazer na taça. Não conheço um Pinot tão Pinot (rs) e saboroso como este nessa faixa de preço, parabéns ao produtor, me seduziu e me surpreendeu muito positivamente, tanto que vou querer colocar na minha adega.

Por hoje é só, vinhos bons e baratos na dose certa, boa pedida e queria mais surpresas dessas nessa faixa de preços, porque lá em cima fica fácil! Melhor ainda, como o Didu apontou, os vinhos são orgânicos, o que mostra para outros produtores deste estilo que têm sim como se produzir vinhos deste conceito sem chegar ao mercado com preços nas alturas. Saúde, kanimambo e seguimos nos vendo por aí ou por aqui. Bom fim de semana e vem me visitar na Vino & Sapore, vem!

Ps. Clique nas imagens para ampliar

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