Córdoba, na Argentina, Produz Vinho??

Sim, desde o século XVI quando os jesuítas plantaram as primeiras vinhas nas Sierras de Cordoba, região rica em microclimas porém muito pouco conhecida entre nós. Sabemos que 90% ou mais do vinho argentino vem de Mendoza  e, no máximo, é de conhecimento geral que há produção também na Patagônia, Salta, San Juan e Rioja, porém dos cerca de 15 produtores de Cordoba, pouco se sabe e eu tão pouco, primeiros goles estes! rs
Quando há cerca de dois meses participei de um almoço/degustação com Matias Michelini e seus vinhos, fomos surpreendidos pela presença de dois outros produtores. O Germán de que já falei aqui, e Pablo Asef de quem venho falar hoje. Um produtor biodinâmico, La Matilde comarca biodinâmica produzindo queijos de cabra, mel, ervas, verduras, compotas de tomate e agora vinho com a consultoria do Matias. Por enquanto a capacidade instalada é de 15.000 garrafas anos em quatro hectares de onde sai este bom e raro Tannat, da qual apenas 1.300 foram produzidas. Com cinco ovos de concreto a Bodega instalada a cerca de 800 metros de altitude na base do Cerro Champaquí, tirará da safra de 2017 suas primeira garrafas totalmente integradas (vinhedos e bodega próprios) e estou curioso por conhecê-lo.
Pelo que me informaram, a região ainda em em formação e desenvolvimento de vinhas, tem boas Sierra Roja tannatcondições climáticas para as uvas que pedem regiões mais quentes. Até perguntei sobre a Petit Verdot e sim, poderá até vir a ser uma casta a ser explorada. No momento o projeto é também de um Malbec, o Tannat, um Cabernet Sauvignon e no futuro um blend dos três. Se conseguirem um tico de Petit Verdot só para colocar nesse blend, deverá ficar da hora!! rs
Enfim, o vinho que nos foi apresentado foi esse Sierra Roja Tannat 2016, a primeira safra do vinho, que nos surpreendeu e ainda não está disponível no Brasil. Muito fresco nos aromas, na boca mostra sua raça, meio de boca bastante estruturado e denso, frutos escuros, final com taninos  sedosos e arredondados ainda por integrar porém mostrando já bom equilibrio, alguma especiaria, fresco e longo. Em minha modesta opinião, diferente dos uruguaios (menos austero) e os de Salta (menos fruta), por isso mesmo um vinho de personalidade própria que reflete o seu terroir de forma mais verdadeira, sem querer ser mais nada do que ele é, um vinho minimalista! Não é um vinho barato, lá creio que anda na casa dos 950 pesos, mas certamente gente em quem tem que se prestar atenção no futuro já que novas fronteiras começam a ser desbravadas de forma mais atuante.
Uma ótima semana para os amigos e grato pela visita, espero continuar vendo-os por aqui ou qualquer esquina desta nossa  imensa vinosfera. Saúde e kanimambo!

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Bruschetta de Alheira c/Espinafre e Otras Cositas Más!

Tarde Luso- italiana com um toque mendocino!!! Um fim de semana gordo, um Domingo especial em que o almoço terminou já passava das cinco da tarde, dia bom demais. Família reunida, quase toda, e inventei de fazer algo diferente que descobri na internet, uma receita de Alheira à Pedro Jorge que eu chamei de Bruschetta de Alheira e Espinafre e um belo nhoque ao sugo com raspas de parmesão, ambos os pratos escoltados por vinhos do amigo Matías Michelini.
As alheiras com espinafre você poderá ver a receita completa clicando aqui, porém vou adiantar deAlheira com Agua de Roca tão fácil que é. Dá uma escaldada no espinafre (eu usei o já picado e congelado usando uma peneira fina) e nessa mesma água faz o mesmo com as alheiras, depois retira-se lhes a pele e desfaça a alheira.  Refogado básico de cebola e alho, joga o espinafre, depois a alheira e misture bem fazendo uma pasta, sempre caprichando no azeite, leve espremida de laranja para dar uma acidez maior sem lhe dar sabor. Pão tipo italiano levemente torrado, esfrega o alho e joga um fio de azeite em cima, leva ao forno por dois minutinhos, forra o pão com finas fatias de mussarela de búfala e sobre elas colocar essa massa de espinafre e alheira e uma raspa de limão siciliano. Volta ao forno com um fio de azeite por cerca de dez minutos e está pronto. Coloquei bastante azeite, mas também olha só o azeite, da Malhadinha não filtrado presente de meus amigos, o casal Curioso, nunca é demais! Para servir, pode colocar azeite agosto, gente, delícia, sente-se bem o gosto da alheira (adoro!!) porém mais suave. O legal é que dá para preparar antes e só montar levar ao forno poucos minutos antes de servir. Para umas 12 pessoas, duas alheiras e 400grs de espinafre deram conta. Para acompanhar, escolhi um delicioso Agua de Roca Sauvignon Blanc que “ornou” muito bem com seu frescor e mineralidade se contrapondo à untuosidade do prato. Vou repetir, mas terei que trazer mais algumas garrafas porque só me sobrou uminha!! sniff
Nhoque ao sugo, não não fiz o nhoque porque a Beth Massas (daqui do pedaço) já faz um bem bom, para quê me dar ao trabalho?? rs Só o molho Calcáreo e Nhoquefoi caseiro, mas o resultado ficou excelente ao abrir um delicioso Calcáreo Bonarda, que vinho (fruta abundante, equilíbrio, acidez e mineralidade médio corpo e taninos muito sedosos) e que deliciosa harmonização. Me parece que o Matías disse que descontinuou a produção deste vinho, tenho que conferir, então vou tentar que comprar algumas garrafas por lá antes que acabem e a produção não é grande.
Fim de semana pleno de sabores, misturas e harmonizações para lá de diferentes, loira e filhotes (quase todos) por perto, não me canso disso, quero mais é me empanturrar desses momentos de felicidade! rs Saúde, kanimambo e dia 24 tem Saturday Afternoon Wine Tasting na Vino & Sapore com a presença dos vinhos da Almeria, da Galeria dos Vinhos, do Mestre Queijeiro e dos Pães Artesanais da Raquel, não dá para perder e é baratinho! Veja mais aqui, vagas limitadas, e quem sabe nos vemos por lá??

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Bacalhau e Otra Piel, Não é Que Deu Tango!

Cada um presenteia da forma e como pode, assim foi neste Dia das Mães! Três mães em casa para almoçar, minha Loira, a sogra e minha filha Cátia a mãe do Bruninho. A singela forma de as homenagear foi preparar um prato especial  para o almoço que pouco faço, Bacalhau à Lagareira. Gosto de bacalhau e o preparo de um monte de formas, porém esta receita só em momentos especiais e, sem querer me gabar não (rs), ficou da hora. Gadus Morhua é o nome do bicho e este era de primeira belos lombos!!

Primeiro os deixei descansar por umas três horas no azeite com um leve toque de pimenta mixta moída na hora. Leve empanada nos lombos, rápida passagem pela frigideira com um pouco de azeite, depois forno (com mais azeite) com azeitonas pretas, tomate cereja (pouco antes do final), alho á vontade, batata ao murro, brócoli e cebola palito (toque meu) e um refogado de cebola azeite e alho jogado por cima. Esta receita, existem diversas, esta que uso é a do Restaurante Antiquarius, também praticada no A Bela Sintra, e é a que gosto de fazer, veja receita completa aqui.

Bacalhau à lagareiro Dia das Mães - JFC

Podia ter harmonizado com um bom tinto português, mas optei por correr riscos e alçar diferentes vôos, peguei na adega um vinho da Bodega Gen d’Alma, o vinho Otra Piel Blend 2014 elaborado a quatro mãos pelos enólogos Gerardo Michelini (sou fã dessa família) e Andreia Mufatto. Como quase tudo o que vem dessa família, um vinho Bacalhau e Otra Pieldiferenciado, corte de Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon cofermentadas e com passagem de 9 meses por ânfora de cimento de 2000ltrs enterrada com adição de Pinot Noir ao final do processo. Meu amigo Didu sei que é fã desse vinho orgânico que faz uso de leveduras selvagens e me lembro que a primeira vez que tomei este vinho foi exatamente na companhia dele lá na Vinoteca JÁ em Buenos Aires. Um vinho vibrante com muita fruta e mineralidade, médio corpo, terroso, muito boa acidez, vinho vibrante, um leve toque fumado, taninos suaves como convém para combinar com o bacalhau.

Foi um risco, mas não me preocupei não porque tinha back up de monte na adega (rs) aos quais não tive que recorrer porque deu tudo certo. Belo vinho, belo prato, grande companhia, mais uma delicia de Domingo e só senti pena porque faltou gente! Quer tentar essa harmonização ou simplesmente tomar uma garrafa de Otra Piel? Bem, não tem jeito, só em Buenos Aires, ao que eu saiba, e lá anda na casa dos 350 a 400 pesos e sei que na JÁ tem, trouxe de lá! Um duo luso-argentino sobre a mesa num bailado atlântico, dois portos, um fado tangado! rs

Kanimambo pela visita, saúde e seguimos nos encontrando por aí nas estradas de nossa vinosfera.

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Brutal Harmonização, Mais Uma Surpresa na Taça e no Prato!

Uau, realmente há momentos no mundo enogastronomico que mexem com a cabeça e para sempre ficam na memória, este foi um deles! Como sabem, pelo menos a maioria, tive uma formação inglesa quando jovem pois dos 11 aos 18 estudei na África do Sul. Um resultado disso é que em algumas situações, por incrível que pareça, ainda tenho dificuldade de expressar pensamentos e emoções em português, não é frescura não, juro! Ás vezes uma expressão em inglês diz tudo como neste caso, pois “there is never a dull moment” no conviver com a alma inquieta e criativa do Matías Michelini e esta experiência só vem comprovar isso. Aliás, o difícil é acompanhar tanta novidade que a família Michelini gera anualmente!! rs

Digo isto porque o Matías nos traz sempre algo novo, inventa, viaja e busca emoções diferentes no que faz e da forma que faz. Como as produções são  limitadas, ele se dá ao luxo de “inventar” um vinho para acompanhar determinado alimento ou prato, não é uma coisa de louco? rs Louco no bom sentido, obviamente, e ainda bem que existe gente assim que nos faz abrir a mente para coisas diferentes saindo da mesmice, seja um enólogo ou chef de cozinha.

Pois bem, já falei demais e não falei nada da Brutal Harmonização que tomou conta de meu recente encontro com ele, o Guilherme da VinoMix, do Deco (Enodeco) e outros amigos e conhecidos do mundo do vinho num almoço no pequeno, charmoso e gostoso restaurante Chef Vivi na Vila Madalena aqui em São Paulo. À mesa veio um prato de Cordeiro com redução no próprio cozimento, Couscous Marroquino com castanhas, Crispy de palmito pupunha e laminas de rabanetes tudo ôrganico. Gente, derretia na boca, as diferentes texturas se completavam maravilhosamente, prato divino e aí veio o vinho, o La Via Revolucionaria Bonarda. Mais um Bonarda? Ledo engano, maceração carbônica (que não é muito a minha praisa e muito comum na Espanha), um tinto com frescor de vinho branco, ótima textura, muita fruta, foi bem com o prato mas tenho que confessar, na harmonização não encantou. De acordo com o Matías, foi elaborado pensando no pré-churrasco, para tomar refrescado com Brutal TorrontésMorcilla e Chorizos e só de pensar já babei, aí sim! de qualquer forma, pela primeira vez me curvei a um vinho de maceração carbônica e preciso arrumar umas garrafas dessas para acompanhar morcillas bem temperadas, pois o jeitão do vinho tem tudo a ver com pratos mais condimentados, inclusive asiáticos. Tomaria muitas!!! rs

Ué, mas cadê a Brutal Harmonização do títulos, deve estar perguntando você? Bem, essa chegou na hora que o  Matías sacou de uma garrafa de La Via Revolucionaria Brutal de Torrontés! Falei dele pela primeira vez aqui, numa visita à vinoteca JÁ (Joaquin Alberdi) em Buenos Aires, minha vinoteca preferida na terra dos hermanos, um Torrontés laranja, um vinho branco vinificado como tinto com suas películas (cascas) o que resulta num branco alaranjado (vinhos laranja) com bastante corpo. Um vinho complexo, diferente, que gosto bastante, mas que nunca consegui pensar em com o quê o tomar, até este dia! Uau, que harmonização genial, o prato e o vinho juntos explodiram na boca com outra intensidade de sabores, um verdadeiro êxtase hedonístico, adorei!! A chef Vivi bem que poderia introduzir o vinho em sua carta e sugerir esta harmonização, eu certamente passaria por lá de forma amiúde para me esbaldar nesses prazeres.

São essas experiências e esses resultados que me fazem entender do porquê que eu um dia embarquei nesta viagem enogastronomica. Certamente entre as cinco mais incríveis experiências gustativas que já time o privilégio de viver, lembrando que sou um mero mortal! rs

Gente, valeu pela visita, fico por aqui hoje e babando depois de escrever estas linhas movido pela emoção e prazer em mim despertados. Um kanimambo enorme ao Matías e à Chef Vivi “for having swept me off my feet” (desculpem! rs), assim como do Deco e Guilherme pelo gentil convite que culminou nisso! Dos seis vinhos provados no dia, com este post já falei de cinco! Na próxima semana falarei do sexto e de mais uma agradável surpresa, o Sierra Roja, um saboroso Tannat biodinâmico de Córdoba.

Matias na chef vivi

Um ótimo fim de semana para todos, e seguimos nos encontrando por aqui ou por aí, na Vino & Sapore ou qualquer outro canto de nossa vinosfera, fui!

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Blanc de Piel e Blanc de Alba, Que Blanc Experiência!

A convite da VinhoMix, jovem importadora que começa a trazer alguns dos rótulos dos irmãos Michelini, tive o prazer e privilégio de almoçar no restaurante Chef Vivi (adorei e falarei dele em outro momento) na Vila Madalena aqui em Sampa, na companhia de alguns jornalistas o Matías Michelini e mais dois produtores amigos dos quais um já falei aqui (post anterior). Cada vinho uma emoção e sensações diferentes, razão porque esse almoço ainda vai gerar diversos outros posts por vir. Hoje vou falar só desses dois brancos que, para variar, me encantaram.

Os irmãos Michelini são um caso à parte na competitiva e criativa vinicultura argentina, uma lufada de ar fresco numa indústria que busca sair do lugar comum com uma série de jovens enólogos comprometidos com excelência e mudanças assim com a busca de maior presença dos terroirs nativos em seus vinhos. O resultado de mudança de métodos, processos e filosofias tanto nas bodegas como nos vinhedos, é uma consequente e clara mudança no estilo dos vinhos com Malbecs “menos” Malbec e uma diversidade de novos experimentos que estão dando, na minha opinião, muito certo!

blanc de albaBlanc de Alba 2014 – um projeto a dois, Juan Pablo (Juampi) Michelini e a sommelier argentina Augustina Alba. O vinho se ajustará ao resultado da safra dependendo de como as castas se apresentem, neste ano de 2014 foi Sauvignon Blanc, Riesling e Semillon porém a nova safra de 2015 vai ser de Sauvignon Blanc, Semillon e Chardonnay todas de Gualtallary e biodinâmicas. Quantidade limitada a cerca de 2400 garrafas em 2014, fermentado em ovo de cimento de 2000 litros, sem correção, leveduras selvagens e um certo tempo sur lie resultam num vinho untuoso, muito aromático, bom volume de boca mas mantendo uma certa leveza e ótimo frescor com final longo mieral e muito, muito agradável. Um vinho verdadeiramente sedutor que pede bis, Suenõs Blancos de Gualtalarry!

Via Revolucionaria Sauvignon Blanc de Piel 2015 – para falar deste vinho tenho que começarRevolucionaria Blanc de Piel falando de Água de Roca, um incrível Sauvignon Blanc que o Matías Michelini faz na Passionate Wines, sobre o qual já falei e você pode rever clicando aqui, tenho uma tara por esse vinho!! rs O Água de Roca não passa por prensagem com imediata retirada do mosto (suco da uva) para obter o mais puro e fresco caldo. Sobram as películas ainda com um monte de mosto dentro que é então prensado ficando o mosto em maior contato com as borras (sur lie) e películas. O resultado é que de cada 1000kgs dessas películas se extraem apenas cerca de 100 litros de mosto o que resulta num vinho que nada tem a ver com aquela leveza do Água de Roca. É um vinho delicioso que mantém a acidez característica da cepa e do terroir, porém com mais corpo e complexidade, ás cegas dificilmente diria que é Sauvignon Blanc. Surpreendente, mais uma vez, o Matías tem essa mania! rs

Mais dois vinhos para meu arsenal de brancos que tanto aprecio e mais uma mostra que o Vale do Uco y Gualtalarry em especial, são ótimos para estes vinhos. A família Michelini tem hoje cerca de 84 vinhos diferentes em seu portfolio e muitos deles de pequenas produções. Fazem vinhos de que gostam e, por suerte como disse o Matías, tem outros que gostam! rs Eu sou um deles e mais uma vez me rendo a seus vinhos, dois brancos que certamente farão parte de minha adega assim que possível. Tem mais, mas essas experiências compartilharei mais tarde .

Kanimambo pela visita, saúde e nos vemos novamente por aqui em breve, tenham uma ótima semana.

 

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Um Malbec Surpreendente, LIVVERÁ!

Muito recentemente tive o privilégio de almoçar com uma pessoa que respeito e admiro muito e ele trouxe junto um amigo do face que não conhecia pessoalmente, o Germán Massera, enólogo de mão cheia com passagem pela Bodega Noemía e Finca Sophenia. Com um perfil naturalista, biodinâmico, orgânico (mesmo não sendo seguidor sou um apreciador) ele apresentou na companhia do amigo Matías Michelini, seu LIVVERÁ (vivas e verás ou vida de verdade?) é uma singela obra prima engarrafada obtida de uvas de três diferentes vinhedos de Gualtalarry co-fermentados,de maceração suave em ovos de cimento, baixa extração e afinado por 12 meses em barricas de carvalho muito (rs) usadas buscando a fruta e elegância.

Deixemos de lado as experiências vividas com algumas bombas tânicas , vinhos super extraídos, alcoólicos e mastigáveis que Livverá malbecalguns adoram, mas que a meu ver não têm nada a ver e não fazem minha cabeça! O bicho aqui é outro, estamos diante de um dos únicos dois produtos (o outro é um Malvasia que não provei) que este jovem projeto – Escala Humana Wines – deste jovem enólogo nos traz e é pura felicidade e prazer. Muita fruta, textura de boca saborosa, fresco, uma riqueza e equilíbrio naturais que nos trazem um sorriso à boca e uma alegria à alma, taninos finos tremendamente elegantes e suculentos, um vinho que fez querer tomar garrafa e não taça! Apenas 13.5% de teor alcoólico, boa acidez e poucas garrafas! Adorei ler no rótulo, “Botella nº1 de Pocas”, genial, mostra bem o espírito da concepção da obra. Parabéns Germán, espero não só provar, mas tomar algumas dessas preciosidades que, por enquanto e ao que saiba, ainda não está no Brasil mas vi que tem por lá na origem por volta dos 80 Reais.

Mais uma gostosa experiência num almoço divino sobre o qual ainda tenho muita coisa a falar, aguardem. Por enquanto a produção aqui no site está baixa, a sobrevivência tem tomado meu tempo (rs), mas tem bastante material engatilhado. Abraço, saúde, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui e, porquê não, na Vino & Sapore onde sempre haverá uma taça a desfrutar com os amigos que se identificarem como leitores. Fui, se der tempo tem mais na semana, se não só após o feriado, vamos ver …

 

Dose Certa da Bicicleta!

Dose certa, da sua sede, do momento, algo que acho todos; comerciantes, restaurantes e consumidores deveríamos praticar mais. Gosto dessa idéia de chegar num restaurante pedir vinho em taça e ter uma garrafinha de 187ml aberta para mim. Me dá mais segurança em vários sentidos; seja de o vinho não estar velho, adulterado ou sequer ser o que foi pedido já que na maioria das vezes já chega na taça! O mesmo vale para a garrafa de 375ml, o que muitas vezes dá para dois que somente querem algo para acompanhar uma refeição o equivalente a duas boas taças. Está certo, sempre se pode pedir a garrafa de 750ml e pedir para levar o que eventualmente tenha sobrado para casa, mas …..

Enfim, recebi da assessoria de imprensa da La Pastina (importador), duas garrafinhas de Dose Certa para provar e avaliar. Ambas da Cono Sur, a famosa linha BICICLETA, vinhos de bom preço e que anos atrás fizeram um auê no mercado com um saborosíssimo Riesling. Desta feita veio um Cabernet Sauvignon de 187ml e um Pinot de 375ml. Eis meus comentários sobre a prova.

Bicicleta Cabernet Sauvignon 187ml – mostrou-se condizente com os vinhos nessabicicleta cab 187ml faixa de preço chilenos (referência de cerca de R$50 a garrafa de 750ml). Muita fruta, taninos macios, algo ligeiro, com um final de boca algo mais doce em virtude da uva proavelmente sobremadura, mas que não afeta o conjunto. Não encanta, porém a principio não se deve esperar isso de um vinho nessa faixa, mas não faz feio e dá conta do recado. Um vinho simples, companhia descompromissada para seu hamburguer ou pizza.

Bicicleta PinotBicicleta Pinot Noir 375ml – Lembra que escrevi acima que não se deve esperar encantamento de um vinho nessa faixa, SURPRISE!! rs Existem diversos níveis de encantamento, pelo menos penso assim, e este é daqueles que encanta o dia a dia e o bolso! Tenho vinhos na adega que não são grandes vinhos, mas são encantadores, me fazem feliz sem ter que gastar muito e este perfaz exatamente esse perfil, eta vinho gostoso de tomar! Bonita cor, típica da casta, muita harmonia entre fruta fresca, taninos suaves e textura aveludada com um final de boca que pede bis! Nada de extrações excessivas de cor e fruta sobremadura que, a meu ver e sei que há controvérsias, nada têm a ver com a tipicidade da Pinot. Leveza sem ser ligeiro, tem sustança, oito imperceptíveis meses de passagem por barrica, foi puro prazer na taça. Não conheço um Pinot tão Pinot (rs) e saboroso como este nessa faixa de preço, parabéns ao produtor, me seduziu e me surpreendeu muito positivamente, tanto que vou querer colocar na minha adega.

Por hoje é só, vinhos bons e baratos na dose certa, boa pedida e queria mais surpresas dessas nessa faixa de preços, porque lá em cima fica fácil! Melhor ainda, como o Didu apontou, os vinhos são orgânicos, o que mostra para outros produtores deste estilo que têm sim como se produzir vinhos deste conceito sem chegar ao mercado com preços nas alturas. Saúde, kanimambo e seguimos nos vendo por aí ou por aqui. Bom fim de semana e vem me visitar na Vino & Sapore, vem!

Ps. Clique nas imagens para ampliar

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Blends de Malbec na Vino & Sapore

Mais uma viagem de descobrimentos sensoriais na Vino & Sapore com uma passagem por vinhos argentinos  que tenham a Malbec como protagonista em seus cortes. Desta feita selecionei cinco vinhos de R$79,00 a R$195,00 em que a Malbec está presente com no mínimo de 50% do blend.
A Malbec surgiu em Bordeaux como uma uva de corte e mesmo em Cahors a uva leva normalmente um porcentual de outras coadjuvantes sendo difícil encontrar vinhos desta casta vinificados a 100%. Foi mesmo na Argentina que ela desabrochou como uma casta essencialmente usada como varietal, fazendo a fama dos “hermanos” e dando um boost na casta mundialmente .
Agora eles descobrem novamente a característica primária dela como uva de corte  e vêm apresentado belíssimos vinhos elaborados como blends que é o que visamos explorar aqui.  Vejam só o a seleção que estarei disponibilizando nesta degustação
Finca Altorfer Malbec/Cabernet Sauvignon  2013- 50/50%
Penedo Borges Reserva Malbec/Syrah e Cabernet Sauvignon 2014  – 50/40/10%
Amancaya Gran Reserva  Malbec/Cabernet Sauvignon 2012 – 50/50%
Vicentin Malbec Blend 2011 – um blend de quatro diferentes vinhedos de Malbec
O. Fournier B-Crux Malbec/Tempranillo/Touriga Nacional 2009 – 50/35/15%
malbec-blends
    
Para acompanhar, prato de Queijos artesanais e frios, pão, água e café. Para abrir os trabalhos, um espumante que é campeão de vendas por aqui o Santa Augusta Brut e lembro que o estacionamento é gratuito. Na Vino & Sapore, dia 27 de Outubro, uma Quinta-feira, a partir das 20 horas. Só 14 vagas disponíveis a R$100 por pessoa, pagos no ato da reserva, sendo que meia dúzia já foram reservadas no lançamento.  Vai dar mole?
Aguardo seu contato, abraço e já antecipo, reserve dia 24 de Novembro quando teremos uma degustação temática especial de final de ano, ESPUMANTES! O que é, como é elaborado, quais as diferenças, etc.. Aguarde, mas reserve o dia!! 
 
Vino & Sapore – Rua José Felix de Oliveira 875, Centrinho da Granja Viana, Km 24 da Rod. Raposo Tavares,  Tels (011) 4612-6343/1433 de Terça a Sábado a partir das 14 horas .

Semillon e Risoto de Camarão

Me dando bem! Ando na fase de harmonizar, não que seja uma fobia, mas como gosto de tomar vinho ás refeições (especialmente aos Domingos) tento sempre fazer com que haja uma certa harmonia entre prato e taça! rs Ás vezes dá certo, outras não, mas  me divirto sempre até porque a companhia é sempre muito boa e valoriza o todo, mas que quando acerto me divirto mais, isso não posso negar.

Eu e minha loira estávamos só e decidimos nos tratar. Achei uns camarõezinhos de bom preço, o vinho já estava na geladeira, e optei por por um singelo risoto com um leve toque de brie na finalização. Ficou bom o danado do prato e quase não sobra para meu almoço de Segunda! Ainda bem que exagerei na dose, porque quase que me ferro!! rs

A esta altura os amigos já estão perguntando, mas esse tuga não vai falar do vinho?? Calma, vou sim, mas como diz o ditado, ” o apressado come cru”! Gente, tinha na geadeira aguardadno um momento destes um Mendel Semillon, do qual somente umas 10 mil garrafas são produzidas por safra e que é uma obra prima do Roberto de La Mota, um dos grandes enólogos argentinos. Já o destaquei aqui no blog como um dos melhores vinhos brancos argentinos e, mais uma vez, não negou fogo não, um vinho marcante de personalidade própria que a Expand traz ao Brasil.

mendel-semillon-e-risotoA Semillon já foi mais presente na Argentina,de acordo com a Wines of Argentina, “a casta é amante dos climas frescos e moderados, existindo somente dois lugares no país onde dá bons resultados: no Valle de Uco (Mendoza) e no Valle de Río Negro (Patagônia). Trata-se de um vinho seco, equilibrado, de bom corpo e sabor de notas frutadas. Em Cuyo adquire nuances aromáticos de frutas brancas com um interessante toque de mel, ao passo que na Patagônia aparecem toques de maçãs e terra. Em ambos os casos, evolui muito bem em garrafa até formar complexos nuances olfativos”. Roberto de la Mota explica assim do porquê ter elaborado este vinho; “lo primero que destaco es el valor histórico del varietal para la vitivinicultura local. El Semillón llegó al país junto con el Malbec de la mano de Michel Pouget y no tardó en convertirse en una de las cepas más cultivadas. su principal virtud son sus aromas y sabores sutiles ideales para definir equilibrio. Si bien en Argentina la historia la ubicó en el mismo lugar y más tarde como componente vital para los espumosos locales, hoy la apuesta es por varietales tranquilos.”

Neste caso falamos de uvas do Valle do Uco, vinhedos de mais de 70 anos plantados em pé franco, sendo que de quinze a vinte porcento do vinho passa em barrica por uns seis meses, que é o que lhe dá a untuosidade porém sem cobrir o frescor e a fruta muito presentes. Floral (frutos secos) nos aromas, meio de boca rica, fresco, médio corpo e muito boa persistência com uma acidez muito bem balanceada. A untuosidade do vinho bateu muito bem com o toque de brie do risoto enquanto seu frescor “maridou” perfeitamente com os camarões grelhados.

Enfim, mais um dia de privilégios apesar da fase difícil que atravessamos e são estes momentos que fazem a vida valer a pena depois dos sessenta!! rs Abastecido para mais um tempinho, vamos tocar porque se pararmos o bicho pega e assim, talvez, consigamos escapar. Amigos um ótimo fim de semana, kanimambo pela visita e muita sabedoria na hora de votar. Não lave as mão, nem que seja para escolher o menos ruim, porém não deixe de comparecer nas urnas e fazer valer sua cidadania neste próximo Domingo. Que Baco lhe dê serenidade e sabedoria nesta hora!

 

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Quatro Quimera, Um Sonho Alcançado!

Já falei aqui desse incrível vinho da Achaval Ferrer, na minha opinião a melhor relação custo x beneficio por eles elaborada, e por mais de uma vez pois é daqueles vinhos que para mim estão sempre na minha lista de vinhos argentinos a ter na adega. Agora, não é todo dia que aparece a oportunidade de num mesmo dia provar quatro dessas belezuras, quatro safras muito diferentes entre si, uma verdadeira esbórnia hedonista que somente foi possível pela amizade dos confrades e pela generosidade tão peculiar aos enófilos.

Como sempre digo, apesar de Quimera (um ser mitológico) querer dizer “o sonho inalcançável”, nestas garrafas o sonho foi amplamente realizado mostrando que a busca, a dedicação e a competência podem sim realizar sonhos. Todos estupendos, mas cada um apresentando sua própria personalidade, até porque existem algumas pequenas variações de castas na composição ano a ano e, obviamente, as condições climáticas de cada safra.

2006 – Divino néctar já mostrando notas terciárias, mas de cor ainda viva, boca incrívelmente apetitosa, rica e complexa, me esbaldei! Malbec, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot

2007 – Fruta bem mais presente, vibrante, grande equilíbrio, fresco,longo com a marca da Malbec algo mais presente, excelente vinho mostrando muita classe! Mesmo corte do 2006

2008 – Muito bom, mas talvez o mais errático deles. Já tomei outros que estavam melhores. Este mostrou que ainda necessitará de um par de anos em garrafa para terminar de se integrar encontrando seu melhor equilíbrio. Às uvas já usadas nas safras anteriores, foi acrescentada uma pitada (3%) de Petit Verdot.

2011 – Grande, um 2006 in the making! Um pouco mais de Petit Verdot no corte e faz uma tremenda diferença. Dei uma passada no magic decanter e uau, que complexidade, ótima paleta olfativa que convida à boca, novo porém mostrando uma pujança e elegância ímpares. Para tomar já e se divertir, mas quem tiver paciência vai se esbaldar daqui a uns três a quatro aninhos! Basicamente o mesmo corte que o 2008, porém creio que há um pouco mais de Petit Verdot por aqui.

quimera vertical

A busca da perfeição, por isso uma Quimera, é um deleite para nós enófilos, um vinho que creio mostra bem a evolução do vinho argentino no quesito blends. Muita coisa boa na terra dos hermanos e este é certamente um dos melhores que eu gostaria de ter sempre em minha adega, um baita vinho e um porto seguro para grandes prazeres enófilos! Que bom ter amigos assim, um baita privilégio, saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui. Uma ótima semana, com poucas aporrinhações e belos vinhos na taça.