Frutos do Garimpo de Dezembro foi Espanhol!

A Espanha foi o país protagonista da seleção de Dezembro que se esgotou como sempre e a Almeria a parceira de sempre, ela que importa todos esses rótulos porém não atende consumidor final e respeita seus canais de distribuição, coisa rara hoje em dia! Quis selecionar rótulos que de alguma forma poderiam caber nas festas natalinas e de inicio de ano, de potencial harmonização com os pratos mais comumente servidos na época. Quem pode dizer se a escolha foi certa são os confrades que levaram os poucos kits disponíbilizados.

Eis os vinhos selecionados, sendo que desta vez optei por uma garrafa de cada vinho. Vinhos garimpados, provados por mim e que reunem as condições básicas para serem apontados como uma bela relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer), e que na confraria se tornam verdadeiros achados. vamos aos vinhos, uma viagem pelas regiões de Espanha, sem tempranillo, sem Rioja e sem Ribera del Duero, porque ampliar horizontes também é preciso!

CFG Dez 2016

Visigodo 2015 – a uva Verdejo é a alma dos vinhos de Rueda, autóctone da região mesmo que também plantada em outras, gosto bastante de seu frescor, de seu perfil olfativo intenso em que aparecem notas florais bastante sedutoras. Este vinho tem bem essa tipicidade com muita fruta tropical presente, tanto no nariz como na boca onde ele confirma as primeiras impressões, leve toque herbáceo, final fresco e de média persistência. A meu ver, um vinho vibrante que trará felicidade aos que curtem os Sauvignon Blanc da vida, o estilo é similar. Para ser tomado só, acompanhado de um bate papo entre amigos e até um belo risoto de aspargos e brie ou frutos do mar dos mais variados aproveitando o verão e as férias. Preço sugerido pela importadora, R$64,00.

 

Campos Reales Rosado 2014 – a uva é a Garnacha, muito comumente vinificada em rosé na Espanha, e a região é La Mancha. Notas de framboesa, acidez bem equilibrada que elimina eventuais sensações doces, uma mineralidade presente que me surpreendeu, boa textura com interessante volume de boca, mais corpo do que estamos acostumados quando falamos de vinhos rosés, e o escolhi em função de sua aptidão gastronômica. Mais do que aqueles rosés mais leves e ligeiros, este vi acompanhando o peru de Natal com frutas, talvez até o Tender em função de sua boa acidez e bom volume de boca, seco, final longo. Se quiser explorar, fica da hora com arroz de mariscos, paella, ….Preço sugerido pela importadora, R$62,00.

 

Punto Y Comma 2009 (RP 90)- mais uma vez a Garnacha só que desta vez vinificado em tinto e elaborado com vinhas velhas de mais de 40 anos com passagem de 4 meses em barricas francesas. De Calatayud, próximo a Saragoça, um vinho que apresenta um nariz inicialmente tímido, fruta escura, especiarias, notas balsâmicas, taninos bem macios, vinho redondo já plenamente integrado, uma ótima companhia ao Tender ou até o Bacalhau para os que curtem este prato nesta época do ano. Recentemente o coloquei com uma Paella Mista (carnes brancas e frutos do mar), tendo harmonizado muito bem, e penso que com uma massa no almoço também poderá se dar muito bem. Com sete anos nas costas, talvez esteja em seu apogeu e creio que uma garrafa será pouco! preço sugerido pela importadora, R$100,00.

 

Altos del Cuadrado Triple V 2010 – um delicioso e surpreendente blend de Monastrel (70%), Cabernet Sauvignon (20%) e Petit Verdot (10%) de vinhedos com mais de 50 anos da região de Jumilla e ainda com um par de anos de vida pela frente, vendendo saúde. O contra rótulo está com indicação de uvas errado, e a informação de dados do blend foram colhidas junto ao produtor. Revi recentemente e confesso, peguei uma caixa para mim! O tipo de vinho que me encanta; cativante entrada de boca, nariz complexo de boa intensidade e notas de frutos secos. Na boca mostra ótima textura e volume de boca, de médio corpo para encorpado, salumeria, taninos finos ainda bem presentes, frutado sem exageros, notas terrosas, alguma especiaria, acidez equilibrada, mineral, final longo um vinho que faz salivar e pedir mais.

Os doze meses de carvalho (francês e americano) se mostram presentes porém perfeitamente integrados e acho que pode ser uma belo companheiro para o pernil com farofa, ou só com bons amigos, família, curtindo cada gole. Um baita vinho que vale cada centavo e mais dos R$110,00 sugerido pela importadora!

Bem, esses foram os vinhos da Frutos do Garimpo em Dezembro, na sexta falo de um branco português, do Alentejo e com o quê o harmonizei, gostei muito e mais um achado, o primeiro de 2017! rs Fui, saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando pelos caminhos regidos por Baco.

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Sotanillo & Clericot

Verão, calor o que você pede como bebida? Drinks frescos, com frutas, como o Clericot, que está na moda invadindo praias, restaurantes, encontros, etc.. Mas o que é isso? Para quem ainda não sabe, é uma variação da Sangria espanhola com origem, aparentemente na França. O site “Aventuras Gastronomicas“, explica a diferença entre Sangria, Ponche e Clericot, sendo de lá que extrai o seguinte texto; “A maioria das fontes de pesquisa indica que o clericot é de origem francesa. Uma mistura de suco de limão, brandy, xerez e soda. E, não diferente do ponche e da sangria, quando foi exportada para a Argentina e para o Uruguai – o Clericot é uma das bebidas mais pop`s em Punta del Leste -, também teve sua receita original alterada. Atualmente, as receitas mais conhecidas têm vinho branco seco, ou espumante brut,sotanillo-clericot-1 como ingrediente principal.” Virou moda por aqui também!

As receitas são as mais variadas e os vinhos usados também. Eu optei por fazer o meu Clericot neste final de semana em encontro familiar, com um recém chegado Espanhol da gema, o frisante Sotanillo, de baixo teor alcoólico (8%), seco com muito leve dulçor residual e bem refrescante por si só. Importação dos amigos Juan e Alexandre da Almeria, sempre parceira, chegou num momento bem propicio do ano e é para comprar de caixa já que o preço de R$39,00 é muito convidativo! Versátil, vai muito bem no Clericot, solo, mas certamente deverá também dar uma liga muito boa com frutos do mar grelhados ou fritos.

A receita varia demais e cada um acaba dando seu próprio toque que, na minha opinião, deverá se adequar ao público presente. Neste caso optei pela leveza, não acrescentei licor de laranja ou qualquer outra bebida mais alcoólica para turbinar o drink. Queria algo que as pessoas pudessem tomar de gole, sem medo de serem felizes, acho que deu certo, afinal foram 3 jarras dessas!! rs Clericot Sotanillo, sucesso garantido, deixa eu fazer meu merchandising, vai?? rs

Eis uma receita para você curtir:

  • 1 garrafa de SOTANILLO FRIZZANTE BIANCO
  • 1 xícara (café) de licor de laranja (deixar marinar uns quinze a vinte minutos sobre as frutas)
  • 2 maçãs verdes cortadas em fatias
  • 6 morangos grandes cortados ao meio (eu usei Kiwi)
  • 1/2 abacaxi maduro picado em pedaços
  • 1 cacho de uvas vermelhas sem semente (eu usei verdes, mas tanto faz, congeladas por sugestão da amiga Raquel Santos)
  • 3 nectarinas frescas em pedaços
  • 2 colheres de sopa de açúcar ou uma latinha de soda limonada. Eu não usei nada, o doce das frutas já ficou de bom tamanho.
  • Gelo a gosto

Pode variar frutas, licor, adicionar um pouco de vodka ou gin, suco de laranja se faltar licor, enfim, pode soltar sua imaginação, mas o Sotanillo deve prevalecer! rs Gente, por hoje é só, tenham todos uma ótima semana, fim de semana é Natal símbolo de paz e harmonia, depois a chegada de um Novo Ano com novos desafios, novas conquistas, ufa, muita coisa por acontecer!

Saúde, muita, e kanimambo pela visita. Que possamos seguir nos encontrando por aqui, por aí nos caminhos de nossa vinosfera ou, quem sabe, na Vino & Sapore! rs

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Bayanegra, Mais Um Tempranillo na Taça.

Se pudesse, meu negócio seria um estabelecimento Ibérico com vinhos, produtos gourmet, acepipes diversos da região, bar de tapas e iguarias só desses dois países que bayanegra-tacafazem a minha cabeça, Espanha e Portugal! Se algum investidor se interessar pelo projeto em Sampa, me liga!! rs

A Tempranillo tem papel preponderante na vinosfera Ibérica tanto na Espanha como em Portugal, com a Tinta Roriz no norte e a Aragonez no sul, tanto como varietal como em cortes, gosto muito desta casta que gera vinhos tradicionalmente de muita qualidade, dos mais simples e descompromissados, aos mais complexos e longevos mostrando grande versatilidade.

Muitos exemplares de tempranillo (clique para acessar um monte de posts sobre a uva e outros rótulos) já passaram em minha taça, e ainda na semana passada postei mais uma experiência, o Montes Reales, mas hoje quero compartilhar com vocês um outrobayanegra-tempranillo rótulo que me agradou bastante, é o Bayanegra Tempranillo que “ornou” tão bem com meu nhoque com picanha suína que quando me dei conta de tirar uma foto já só tinha um tico de carne no prato! rs Vem da região de La Mancha (Bodega Celaya), maior região produtora de Espanha, de onde costumam sair vinhos mais descompromissados, porém bem feitos, redondos, sem muita complexidade, produzidos para agradar à maioria. Este vinho reproduz bem o conceito regional, jovem, sem passagem por madeira, de fruta fresca abundante, sua boa acidez, que deu a liga no molho de tomate, me surpreendeu. Final de boca de taninos macios, redondo, com teor alcoólico baixo (12%) e com boa persistência para este estilo de vinho algo mais ligeiro, um vinho fácil de gostar devendo ser refrescado (algo em torno de 15º) para ressaltar esse frescor que ele apresenta. Pelo preço, entre R$50 a 55,00, certamente um vinho muito honesto que entrega o que se paga e se encontrar mais barato pode ser opção para comprar caixa!

É isso meus amigos, por hoje é só. Tenham uma ótima semana, saúde e kanimambo pela visita.

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Vinho na Dose Certa!

Às vezes, só ás vezes (rs), 187ml basta! Cá tenho guardadas umas garrafinhas dessas para aqueles momentos onde o vinho vai bem porém estou só ou minha loira só esteja a fim de bicar. Ás vezes me dou mal com esse “bicar”, rs, mas neste dia tudo nos conformes, deu certinho. Abrir uma garrafa, mesmo considerando que estas garrafas são, porcentualmente falando, mais caras que comprar uma normal de 750ml, evita o desperdício tanto de vinho quanto de din-din.

As garrafas de 375ml são práticas para o casal que não esteja a fins de tomar muito, mas aí sou fã e recomendo comprar a garrafa inteira de 750ml e na hora usar uma de 375 só para guardar o restante, compensa mais. Ah, mas como assim? Explico, calma! rs Ao abrir uma garrafa de 750 ml e já sabendo que é dia de moderação e não de pé na jaca, encho uma garrafinha de 375ml, de rosca e bem limpa, até a boca, fecho e geladeira nela. O vinho não tem tempo de aerar e tão pouco fica volume alto de campos-reales-e-risoto-funghioxigênio na garrafinha evitando potencial oxidação, o frio retarda a evolução tudo contribuindo para que esse vinho possa ser tomado normalmente em até a uma semana sem diferenças perceptíveis. Mais que uma semana não sei, os meus nunca duraram mais que isso! rs Muito melhor que qualquer VacuVin, garanto.

Voltando à minha garrafinha de 187ml, minha dose certa para Domingo passado. Estávamos só eu a loira, preguiça danada até para dar um pulo n mercado! Assei um hamburguer de Angus (passou demais! sniff) e preparei um risoto de Funghi que ficou da hora! Para acompanhar, o Montes Reales Tempranillo 187ml, foi perfeito. Acho esse vinho demais e até esta safra vinha ao Brasil sob o nome de Canforrales Classico. Como já mencionei antes, mas vale a pena repetir; “Vem de La Mancha,onde a uva é conhecida como Cencibel e é um vinho jovem (menos de 8 meses de barrica) , tem leve  passagem por madeira (americana e francesa de segundo e terceiro usos), taninos sedosos, boa estrutura, fruta fresca abundante (cereja bem presente), acidez presente e bem balanceada um ótimo gama de entrada para esta uva, um vinho que diz a que veio, porém com preço camarada!” Para acompanhar carnes grelhadas, queijo manchego, chorizo (lingüiça) fatiado,uma morcilla, gosto muiito, e deu muito certo com esse prato de risoto de funghi e hamburguer no prato.

Enfim, mais uma gostosa experiência que quis compartilhar com os amigos, porque há momentos para tudo e a enogastronomia não é só o glamour que muitos por aí lhe tentam impingir. Fui, ótimo fim de semana, saúde e kanimambo pela visita!

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Bodegas Valdemar, Constatações e Surpresas

Recentemente fui convidado pela Mistral, importador desta bodega espanhola, e participar de uma degustação com diversos rótulos por eles importados, oito no total. A Bodega riojana tem ampla reputação no mercado, porém nunca tinha tido a oportunidade de provar seus vinhos. Me recordo que ainda nos idos do inesquecível Saul Galvão, creio que foi ele, o Conde de Valdemar Crianza 09 (USD40,00) foi apontado como um ótimo acompanhante a pratos de bacalhau e realmente tenho que concordar pois seus taninos finos, riqueza de sabores,corpo médio, mostram muito equilíbrio e boa persistência que devem fazer frente a um gostoso bacalhau de forno, belo vinho e boa relação Custo x Beneficio.

Tínhamos, no entanto, mais sete vinhos a provar, então eis minhas anotações feitas ali, na hora. Quem sabe lhes possam ser úteis em algum momento.

Inspiración Valdemar Tempranillo Blanco 2013 – não, não é um blanc de noir não, é um vinho elaborado com uma mutação da uva tinta, coisa rara e muito apreciada pela maioria dos presentes. Gosto de provar coisas diferentes e gostei deste, porém não fez a minha cabeça como fez da maioria.Gordo, seco, bom corpo, me fez lembrar da Viognier. USD50,00

Conde Valdemar Viura  Fermentado em barricas 2012 – nunca tomei um Viura barricado como este, muito bom! Bom volume de boca, fresco, complexo e longo, um vinho que surpreende e seduz! USD45,00

Conde Valdemar Rosado 2014 – de Garnacha com Tempranillo, groselha, aromas doces que se repetem na boca, não me agradou, porém quem gosta de rosés mais docinhos vai se dar bem com ele. USD26,00

Fincas Valdemar Roble 2012 – huummm, esse me pegou! Uma experiência fora de Rioja, este Ribera del Duero me encantou por sua vivacidade e frescor sem perder  a característica regional. Taninos muito finos, guloso, fruta abundante, frescor muito presente, talvez até um leve toque mineral que me seduziu e tomaria muitas dele! USD40,00

Inspiración Valdemar 2010 – ótima paleta olfativa de boa intensidade, taninos finos, algo defumado, bom corpo, macio, firme sem ser austero, boa textura de meio de boca, um Rioja mais moderno, fácil de agradar e bastante saboroso. Gostei, bom vinho. USD50,00

Conde de Valdemar Reserva 2006 – vinho marcante, freco, notas mentoladas, salumeria, rico e complexo, vinho de outro patamar mostrando bem a tipicidade dos vinhos de Rioja com um final algo abaunilhado. USD56,00

Conde de Valdemar Gran Reserva 2005 – uau, vinhaço, daqueles com “V” maiúsculo mesmo! Escalamos um bom número de degraus o que também se confirma no preço (USD97,00), mas para quem pode e aprecia os vinhos da região, certamente satisfação garantida. De cara um vinho com 11 anos de vida, porém vendendo saúde sem grandes mostras visuais de sua idade ou evolução a não ser nas notas terciárias tanto nos aromas como na boca. Complexo, um nariz incrível, daqueles que dá gosto ficar fungando (rs),ótima entrada de boca, concentrado sem excessos, algo mais encorpado sem ser pesado, frutos negros, notas especiadas, com nuances terrosas e animais, grande vinho, gostei e muito, um clássico.

Tendo passado rapidamente por eles, complementaria minhas observações dizendo que, pensando na relação Preço x Qualidade x Prazer, certamente me esbaldaria com o Finca Valdemar Roble e em seguida com o Conde de Valdemar Viura fermentado em barrica que me encantou assim como o Inspiración tinto. Não são necessariamente os melhores vinhos, mas são os que eu compraria, os que se destacaram e me chamaram a atenção. Ótima linha de produtos, mas estes três me seduziram por completo e possuem preço algo mais condizente com o tamanho de meu bolso, ou quase! rs

Bodega Valdemar na Mistral

Ah, os preços arredondei, ok? É isso amigos, por enquanto é só e espero vos encontrar por aqui novamente em breve ou pelas esquinas desta nossa vinosfera. kanimambo, saúde e explorem, porque navegar é preciso!

 

 

Vinhos que Podemos Pagar + Dois Bons e Baratos Europeus

Enquanto uns provam grandes e caros vinhos, utopia para a maioria, gosto mesmo é de garimpar, buscar vinhos que façam bonito na taça por um preço que a maioria de nós pobres mortais possam pagar. É aquela história de desmistificar o mundo do vinho na prática e não só na teoria! Nada contra provar e beber grandes vinhos, mas o que eu acrescentarei ao que tantos e mais classificados colunistas do vinho já não disseram Valor na Taça 2sobre esses vinhos para lá de exclusivos? Será que você está mesmo interessado em ler que o Sassicaia é um grande vinho, ou que um grande Barolo de Gaja ou Brunello da Poggio di Sotto é inesquecível e todos acima de R$1.500? Óbvio que tomá-los é, normalmente, uma experiência incrível e gosto tanto como qualquer um, mas hoje ando mais na fase de me perguntar; o que isso me acrescenta? Para tomá-los há que se fazer uma poupança com um cofrinho especial e tenho tanta coisa mais importante para fazer com essa grana! rs Agora, por outro lado fica a indagação, acrescento algo ao meu leitor ou meu cliente falando dele? Recomendo que que vão nesse tipo de eventos, é certamente uma bela experiência para qualquer um e é um belo capital investido, mas eu ficar aqui falando deles não sei se faz sentido e tenho cá minhas dúvidas, porém quem sabe você me diz algo?

Nesse sentido sou mais baixo clero, mais pé no chão e acredito numa outra vertente de nossa vinosfera, os achados e olha que os conseguimos em várias faixas de preço! Vinhos em que a percepção de valor é superior ao preço pago, a harmonização do bolso! rs Com esse foco, hoje compartilho com você mais dois bons e baratos (com toda a subjetividade da palavra “barato”) vinhos aqui no blog e os dois europeus de origem, inclusive um francês!!

Linteau cotes du rhoneMaison L.Tramier Linteau Côtes du Rhône. Quando os vinhos da região trazem o nome da comuna no nome, já falamos de um Côtes-du-Rhône diferenciado e qualidade um patamar acima da maioria e o que tem por aí beeeem baratinho não são vinhos de grande valia. Este está numa faixa de preço intermediária (entre R$75 a 80) e já nos traz um “papo” mais evoluído, um vinho que usa tão somente uvas da comuna e não de tudo o que é lugar do Rhône. Um blend de 70% de Grenache e 30% de Syrah, gosto, gera um vinho de médio corpo versátil e muito saboroso. Toques defumados, frutos vermelhos maduros, rico meio de boca, balanceado, toques terrosos, taninos aveludados e marcantes com boa persistência de final de boca. Leve passagem por madeira, cerca de seis meses, é uma grata surpresa de média complexidade podendo harmonizar de hambúrguer a costela de porco ou lingüiça de pernil com ervas, até bacalhau no forno ou lagareiro para quem gosta de sair da mesmice.

Canforrales Classico Tempranillo – La Mancha não é das regiões produtoras espanholasDSC03739 de maior destaque, apesar de ser a maior, porém é de lá que vêm alguns dos melhores custos benefícios do mercado nos dias de hoje. Muitos vinhos nesta faixa  tendem a ser algo esqueléticos, ligeiros e sem qualquer estrutura, porém este rótulo é uma prova viva de que se pode tomar bons vinhos sem deixar um rombo no bolso no processo. Nove meses de passagem por madeira (americana e francesa de segundo e terceiro usos), taninos sedosos, boa estrutura, fruta fresca abundante (cereja bem presente), acidez presente e bem balanceada um ótimo gama de entrada para esta uva, um vinho que diz a que veio! Para acompanhar carnes grelhadas, queijo manchego, chorizo (lingüiça) fatiado, até uma morcilla! Entre R$65 a 70,00, um bom achado que há tempos habita minha taça.

Finalizando o post de hoje, me lembrei de um vinho que tomei neste último Domingo e publiquei no face, que exemplifica bem o que falo sobre achados nas mais diversas faixas de preço. Vinhos que dão uma percepção de valor superior ao preço pago, o Diamandes de Uco 2008, um vinho soberbo por cerca de R$190 mas que parece custar bem mais. Depois falo dele, um grande vinho, mas hoje fico por aqui. Saúde, kanimambo pela visita e seguimos nos vendo por aí!

 

Vinhos Europeus Bons e Baratos

Como sempre, fuçando o mercado e garimpando bons vinhos com preço idem. Vinhos que não nos causem maiores rombos ao bolso e que nos gerem uma percepção de valor superior ao preço pago, é isto que busco desde o dia 1 deste blog há oito anos atrás e, mais que nunca, sigo firme nesse caminho do garimpo. Estes dois vinhos são, em minha opinião, dois bons exemplos de que, contrariamente à opinião de alguns e de um paradigma que se criou ao longo dos tempos, há sim vida em vinhos europeus de baixo preço, neste caso abaixo das 60 pratas. Na minha opinião, batem a maioria dos vinhos dos hermanos na mesma faixa e sugiro montar uma degustação ás cegas para quebrar esse preconceito.

Clos lagoruClos Lagoru – Da região de Jumilla (Espanha) – Um corte que tem como protagonista a Monastrel, principal uva da região, com Syrah e 20% de Petit Verdot. O mosto é fermentado separadamente com leveduras indígenas e o blend elaborado ao final com o afinamento sendo feito em barricas americanas por quatro meses. Boa parte dos vinhedos são de vinhas velhas e boa parte deles de cultivo orgânico.

A região bem quente favorece um melhor amadurecimento da Petit Verdot e o resultado é um vinho onde a Monastrel dita os rumos, porém a PV deixa sua marca que se sente bem no final de boca, no corpo e na cor do vinho. Cor violácea, boa intensidade aromática, chocolate escuro e frutos negros , algo herbáceo  com sutis notas de especiarias. Bom corpo, de médio para encorpado, rico e algo terroso, meio de boca denso com taninos presentes mostrando uma estrutura algo mais rústica, com ligeiro apimentado de final de boca, mostrando-se fresco e de média persistência.

Mandorla Syrah – Da Sicilia, Itália  – A Syrah se deu muito bem nestas terras maismandorla syrah quentes com forte clima mediterrâneo e este vinho vem mostrar, mais uma vez, que garimpar vale a pena! Tipicidade á flor da pele com fruta vermelha abundante e especiarias desde o olfato ao último gole. Na boca mostra boa textura, médio corpo, taninos macios, meio de boca muito rico, notas tostadas e um final levemente apimentado de boa persistência, tudo muito bem balanceado sem arestas, um syrah deveras apetecível e acessível! Parece ter alguma passagem por madeira, porém sem dados técnicos disponíveis fica difícil dizer o tipo, no entanto alavanca o produto sem o maquiar. Pastas ao funghi, queijos maturados, carnes ensopadas podem ser bons companheiros e cada vez que penso em comida para harmonizar me vem à cabeça coelho à caçadora! Será que é desejo?? rs

Mais dois vinhos que recentemente compuseram seleções disponibilizadas aos confrades e confreiras da Confraria Frutos do Garimpo com em parceria com o importador, a Galeria dos Vinhos. Lembre-se; saia da mesmice, trace novas rotas, explore o desconhecido, descubra novos sabores, pois essa é a parte mais enigmática e interessante de nossa vinosfera. Saúde e kanimambo pela visita. Na Sexta, mais um dia do Tour Pelos Vinhos de Altitude Santa Catarina, espero você por aqui!

Garrafa e Taça Vazias, Bom Sinal

Ontem recebi a visita de um amigo na Vino & Sapore e como já estava na hora, abri uma garrafinha para harmonizar o papo. Fazia tempo que estava na adega e olha, ando bem de garimpo! Classificação BBG: Bom, Barato e Gostoso!! Uma tremenda relação Qualidade x Preço x Prazer, um vinho de Rioja com cerca de 12 meses em tonel (não barrica), não Lealtanza Edicion ltdaconsegui muita informação técnica dele, tempranillo 100% porém me pareceu ter algum “tempero” adicional, mesmo que em pequena dosagem.

Bem frutado, equilibrado, nariz muito interessante com notas algo fumadas, frutos vermelhos, na boca mostra uma acidez muito bem trabalhada, taninos aveludados com uma leve rusticidade, madeira delicada, daqueles vinhos que enchem a boca de prazer enaltecendo qualquer papo e pedem mais e mais, e mais! Me entusiasmei com o vinho e alguns pontos extras para o preço, entre R$65 a 70,00 o que, convenhamos, nos dias de hoje está cada vez mais difícil de encontrar.

Certamente um vinho que estará em minha taça de forma mais amiúde e um belo exemplo dos vinhos desta Bodega que entrega qualidade em todas as gamas de qualidade com preço bacana. Gracias!

Kanimambo e um ótimo feriado de carnaval para todos. Na Vino & Sapore esperamos vocês nesta Sexta e Sábado, depois só Quarta a partir das 14h. Nos vemos por aí, ou por aqui mesmo no blog, fui!

Alejandro Fernandez é o Homem Por Trás dos Vinhos Pesquera!

Sim, é através dele que podemos nos deliciar com vinhos como Dehesa la Granja, Tinto Pesquera, Condado de Haza e el Vínculo! Diversos vinhedos e bodegas, uma só uva; Tempranillo e um só país, Espanha. A marca Pesquera já virou um clássico na Ribera del Duero de onde também vêm os vinhos de Condado de Haza. Com o tempo as fronteiras ultrapassaram as de Ribera del Duero e nasceram Dehesa la Granja em Toro e El Vinculo em La Mancha, porém mantendo a filosofia do homem que as criou, só plantar e produzir vinhos com 100% Tempranillo e só produzir vinhos de grande classe com muita qualidade. Estamos acostumados a ver esse tipo de coisa em bodegas centenárias, mas aqui falamos de uma verdadeira façanha, pois no curto espaço de tempo de 40 anos, já virou ícone, fato esse que tem que se referenciar.

Tive o privilégio de junto com alguns colegas, estar numa apresentação destes vinhos na Mistral onde pude provar alguns destes grandes vinhos. Não é de agora que falo aqui deste importante e mítico produtor espanhol, tendo em meados de 2009 me apaixonado por um Dehesa la Granja Seleccíon 2000. Agora, minha paixão foi outra, o incrível Tinto Pesquera Reserva Especial 2003 sobre o qual já teci meus entusiasmados comentários aqui mesmo, porém provei alguns outros grandes vinhos sobre os quais tecerei alguns curtos comentários:

Pesquera wine selection
Alejairen, um branco elaborado com Airen, uma uva pouco usada em vinhos finos e muito menos em varietal 100%. Dois anos de barrica francesa, muito complexo, grande volume de boca, faz a cabeça de muitos porém é uma uva e vinho algo polêmicos. Pessoalmente não me encantou, porém é um vinho diferenciado e segue o padrão de qualidade da casa.

Dehesa la Granja – já com toques de evolução sem perder o frescor, rico, boa tipicidade mostrando uma tempranillo de maior estrutura. Muito bom.

El Vínculo Crianza com 18 meses de barrica. Vinho intrigantes, marcante com uma personalidade muito própria. Vinho para tomar devagar tentando destrinchar todas as suas virtudes. Belo vinho!

Condado de Haza Crianza 2009, 18 meses de barrica e o segundo vinho entre todos os que provei no dia só ficando atrás do inesquecível Tinto Pesquera Reserva Especial. Paleta olfativa divina, sedutora, onde os frutos negros se mostram em todo seu fulgor, notas tostadas, harmônico, ótimo volume de boca e taninos muito finos. Longo final que pede bis a cada gole, amei e entre todos, talvez a melhor relação Qualidade x Preço x Prazer.

Pesquera Crianza, mais um vinho de tirar o chapéu! Grande presença de boca onde o vinho mostra enorme complexidade, taninos aveludados, muita classe aqui! Grande vinho seguido de mais dois rótulos irretocáveis!

El Vinculo Reserva e Condado de Haza Reserva, ambos com 24 meses de barrica e mais doze em garrafa onde riqueza, estrutura e elegância se mesclam em total harmonia, porém com uma mínima dianteira do El Vínculo com uma personalidade mais marcante! Esses dois mais o Pesquera Crianza, são de tirar o fôlego, mas o preço já fica um pouco salgado para a maioria de nós.

El Vinculo Parage La Golosa Gran Reserva 2003 foi um “regalo” aos presentes e já o tinha comentado também lá em 2009! Um Gran Reserva e único que passa em barricas francesas por 24 meses. Prova engarrafada de que em La Mancha não só se faz quantidade, como se faz qualidade também! Mais um grande vinho na taça que só veio confirmar que onde este homem põe a mão só podemos esperar o melhor.

Mais uma grande prova de vinhos que deixou marcas e mostra que a pessoa certa por trás de um projeto pode e faz a diferença. Gracias por la oportunidade de catar tan buenos vinos de una sola vez. Salud, kanimambo e tenham todos uma ótima semana.

Vega-Sicilia Único 99, Uma Lenda na Taça

Não é todo dia que temos a possibilidade e privilégio de estarmos diante de um vinho ícone. Na minha vida me lembro de alguns poucos encontros desses como com o Opus One e o Sassicaia, que nem fizeram tanto assim a minha cabeça. Não que não sejam bons, são ótimos, porém não achei que faziam jus a tanta fama. Por outro lado, outros foram inesquecíveis como, por exemplo, “meu” Andresen 1910!

Aproveito para contar um causo que ocorreu com um amigo meu daqui da loja e uma garrafa deste ícone espanhol. Esse Sr. X estava de visita a um amigo em Barcelona tendo marcado para se encontrarem num restaurante na cidade. Não querendo chegar de mãos abanando, até porque seu amigo espanhol lhe fazia os maiores mimos cada vez que vinha ao Brasil, passou antes numa loja de vinhos e comprou um Vega Sicilia Único. Ao chegar ao restaurante, desconhecendo os costumes da região, mostrou-se preocupado não sabendo se poderia abrir a garrafa e se havia taxa de rolhas, etc tendo solicitado a seu amigo que conferisse com o dono do restaurante se não haveria qualquer objeção. Seu amigo se levantou e foi em busca do proprietário voltando em seguida com ele que carregava a garrafa a garrafa nos braços como se segurasse um recém nascido. O proprietário lhe agradeceu a honra de trazer um Vega Sicilia Único para ser aberto em seu restaurante porque isso só dignificaria sua cozinha e que, não só não lhe cobraria rolha, como não lhe cobraria o prato para o acompanhar!

Pois bem, era uma garrafa dessas que abria, tremenda responsa e vega siciliaprivilégio! Nestes casos fica difícil falar do vinho, pois certamente há gente muito mais capaz que já escreveu um monte então pouco vou acrescentar ao que, provavelmente, você já leu por aí em revistas, livros e na net. O que posso falar sim, é do que eu senti. Jovem, absolutamente jovem de taninos finos bem marcados e muito presentes ainda apesar de seus 12 aninhos nas costas, anunciando que estamos diante de um vinho de longa guarda que tem tudo para evoluir muito positivamente por mais de uma década. A evolução aqui é menos aparente com a fruta ainda muito presente tanto no nariz quanto na boca, cor rubi, muito expressivo em boca com uma riqueza de sabores impressionante para um vinho produzido, também, num ano que não foi dos melhores. Aliás, nesses anos o bom senso pede que se compre vinhos de grandes produtores, sempre mais seguro! Possui um corpo de boa textura, seus taninos são sedosos e o final de boca é surpreendentemente fresco para um vinho que passou tanto tempo em barrica, muito longo, mineral e algo especiado, que nos deixa implorando por mais um gole e outro e outro ……… fazendo com que a garrafa acabe rapidamente. Um Ribera del Duero muito fino, cativante e elegante sem perder os traços de robustez típicos de seu terroir e vendendo saúde!

Muitos acham que este vinho é elaborado somente com Tinta del País (Tempranillo) porém ele normalmente leva um corte de alguma outra uva francesa; Cabernet Sauvignon, Malbec ou Merlot, muitas vezes das três dependendo muito do ano. Esta mescla de cepas nos vinhedos da bodega, data de 1864 quando Don Eloy Lecanda Chaves trouxe uma série de mudas de suas viagens a Bordeaux e só por causa disso são castas autorizadas na DOC. Neste caso, pelo que pude pesquisar, foram 10% de Cabernet Sauvignon e passa, entre os mais diversos tipos de madeira e cascos, algo como 82 meses em barricas sendo comercializado somente 10 anos após a safra correspondente, neste caso 2009! Não é o melhor vinho espanhol que já provei, tenho que confessar, mas é certamente o mais eloquente e mais marcante pois não é todo o dia que podemos levar à boca uma lenda.

Um vinho que não precisa de um momento especial para ser aberto, pois ao sê-lo faz dele um momento Único! Ainda me falta conseguir provar um Barca Velha, é sei, realmente uma falta grave em minha formação de enófilo ainda mais sendo luso, mas não tem sobrado din-din para isso e nenhum amigo ainda me convidou! rs Uma hora ainda quero tomar esses dois vinhos de uma mesma safra num Desafio Ibérico, alguém se habilita? Busco seis companheiros, mais eu sete, rachamos a conta!!

Kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui! Cheers, salud, salute, …..Brinde