Uau, que vinho!

Adoro quando isto acontece! rs De repente, não mais que de repente, apareceu-me este vinho, um total desconhecido. Fui atrás de informações, pouco ou nada achei então só tinha um jeito, abri a garrafa e … tchan, tchan, tchan, paixão ao primeiro olhar, que cor sedutora! Já me animei e cada vez mais curioso para levar a taça à boca e desvendar os sabores que prometiam.

20171008_133429Clos D’ Ascarracordes 2009, esse é o nome dele. Vem de uma região pouco conhecida, IGP Castelló entre a Catalunha e Valencia. Esta IGP (Indicación Geográfica Protegida), criada recentemente, é um estágio anterior à celebração de DOC, e hoje conta com apenas uma dúzia de produtores e uma produção ao redor de míseros 600 mil litros. A Bodega Baron D’Alba que elabora este vinho (seu topo de gama hoje entre cerca de 12 rótulos) possui apenas uns 15 hectares de uvas entre elas Macabeo (branca), Cabernet Sauvignon, Garnacha, Merlot, Monastrell, Syrah y Tempranillo. Neste vinho, usa um blend de Cabernet Sauvignon, Merlot, Tempranillo y Syrah que me chamou a atenção na taça pela cor que mostra uma evolução já bem presente traindo sua idade. Se você gosta de vinho cheios de potência, de grande extração, vinhos power, não embarque neste barco porque certamente não apreciará esta viagem. Sorry, mas a pegada aqui é outra! rs

São dezessete meses de barricas francesas e americanas sendo engarrafado sem 20171008_133215filtração, porém não encontrei muitos sedimentos não! A madeira está já integrada, presente mas integrada em perfeito equilíbrio, notas terrosas, couro, bosque, alguma salumeria, frutos negros, taninos aveludados, acidez balanceada, rico e complexo meio de boca com um final bem persistente, a cada gole uma viagem, novos sabores, vinhos velhos têm dessas coisas e por isso são tão encantadores e vibrantes a seu modo. Nem todos apreciam, mas para quem gosta este é um prato cheio e vale bem as 140 pratas, mas vai ter que fuçar por aí! rs

Eu abri a dois, não sobrou gota (!), e só acompanhei com uns pinxos de Jamon Serrano e Brie, precisa de mais nada não! Um achado da Cavisteria do amigo Fabio Barnes que compartilhou comigo esta beldade e permitiu que eu também colocasse algumas garrafas no portfolio da Vino & Sapore. Não costumo indicar se vendo ou não os vinhos que aqui compartilho, por questão de isenção, mas como é raridade e algo especial achei que deveria, mesmo não sendo o objeto do post.

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Sabe aquela coisa de sair da mesmice de que tanto falo, então … (rs). Bem gente é isso, demorei uma semana para chegar com mais este post, mas espero ter mais ao longo da semana que espero seja divina e não esquece, dia 23 tem prova de Cabernets Franc de Mendoza com jantar no bom Antonietta Cucina! Kanimambo, saúde e inté.

 

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Bom Tempranillo na Taça dos Frutos do Garimpo!

Para os Frutos do Garimpo do mês passado a escolha foi por vinhos mais acessíveis, dois do velho mundo e dois do novo mundo, especificamente chilenos. Do velho mundo em parceria com a importadora Almeria, escolhi um vinho que é sempre uma grata surpresa na taça pois entrega muto mais do que se paga por ele, é a tal de percepção de valor!

Pois bem, minha escolha para compor a seleção do mês foi um tempranillo, uva de diversos nomes na península ibérica, da região de La Mancha onde é mais conhecida como Cencibel! Não é das regiões produtoras espanholas de maior destaque, apesar de ser a Campor realesmaior, porém é de lá que vêm alguns dos melhores custos benefícios do mercado nos dias de hoje. Muitos vinhos nesta faixa  tendem a ser algo esqueléticos, ligeiros e sem qualquer estrutura, porém o Campos Reales é uma prova viva de que se pode tomar bons vinhos sem arrombar o bolso no processo assim como comprova que os vinhos ibéricos compõem hoje algumas das melhores relações PQP (Preço x Qualidade x Prazer) no mercado brasileiro. Nove meses de passagem por madeira (americana e francesa de segundo e terceiro usos), taninos sedosos, boa estrutura, corpo médio, fruta fresca abundante (cereja bem presente), acidez presente e bem balanceada um ótimo gama de entrada para esta uva, um vinho que diz a que veio! Para acompanhar carnes grelhadas, queijo manchego, chorizo (lingüiça) fatiado, tapas & pinchos, risoto de funghi, até uma morcilla!

Ah, querem ter uma idéia de preço, então aqui vai, no mercado de Sampa se encontra entre R$65 a 70,00 e vale cada centavo em minha opinião, mas talvez os confrades que adquiriram o kit do mês possam reiterar, ou não, minha opinião. Depois falo dos outros três rótulos que compuseram o kit, por hoje fico por aqui. Kanimambo, saúde e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer outro canto de nossa vinosfera, fui!

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Chovendo no Molhado, Marqués de Murrieta!

Falar de Marquês de Murrieta é chover no molhado, o que falar de novo sobre esse produtor que é um dos clássicos de Rioja desde o ano de 1852 e que outros já não tenham falado? Difícil tarefa essa, então vou simplesmente constatar um fato, estamos diante de grandes vinhos e um grande produtor que tem suas exportações sobre a gestão de um amigo que há muito não via, o competente executivo português João Machetta Pereira que conheço desde seus tempos na Graham’s e que tive o enorme prazer de rever recentemente na World Wine Experience de vinhos Ibéricos.

Meus destaques, ficam para três vinhos que se destacaram entre alguns outros de grande qualidade:

murrieta 1

Marqués de Murrieta Reserva 2012 – um clássico Rioja con 20 meses de barrica americana e 12 em garrafa, para só depois chegar ao mercado. Corte tradicional de 89% Tempranillo, 5% Mazuelo, 4% Graciano, 2% Garnacha, é um vinho que encanta, mostra bem a tipicidade da região e possui um preço algo mais acessível, comparando com seus outros rótulos, na casa das 220 pratas.

Marqués de Murrieta Gran Reserva Limited Edition 2009 – Uau, esse eu não conhecia e entrou para minha lista de preferidos de Rioja, grande vinho com apenas 32 mil garrafas produzidas. Corte de 90% Tempranillo, 5% Mazuelo, 3% Garnacha, 2% Graciano com 24 meses de barricas americana sendo engarrafado um ano depois onde permanece por mais 36 meses de garrafa, mostrando um equilíbrio, riqueza e textura de boca cativantes, baita vinho!

Castillo de Ygay Gran Reserva 2005 – a jóia da coroa, para mim, um vinho inebriante em que o rótulo foi desenhado e segue intocado há mais de 100 anos. Só sai em grandes safras, quando o vinho atinge a qualidade exigida o que ocorreu somente em 50 vezes desde 1852! Corte 86% Tempranillo (barrica americana), 14% Mazuelo (barrica francesa), total de 30 meses em barrica, após o blend mais 6 meses de tanque de cimento e 36 meses de garrafa, quando finalmente nos é dado o privilégio de tomá-lo. Verdadeira poesia engarrafada, são este tipo de vinhos que fazem a fama da Rioja tradicional e este 2005 está simplesmente divino. Ótima paleta olfativa e um meio de boca exuberante e complexa, final longo, fino, mostrando taninos muito elegantes mas ainda vendendo saúde, vinho para muitos anos ainda e com enorme capacidade de evolução. Preço na casa dos 800 a 850 Reais (o 2007), para poucos, mas …

Já tinha tido oportunidade de tomar e falar destes vinhos aqui no blog em 2008 e minha opinião segue a mesma, vinhos soberbos e ainda tem o Dalmau que é outro grande vinho, só que num estilo mais moderno e gordo, gosto mais do estilo mais tradicional! rs Como curiosidade, somente o Dalmau em toda a Rioja tem o direito de usar um pouco de Cabernet Sauvignon no corte. Isto se deve porque esse pequeno vinhedo já existia antes da criação da DOC, para todos os outros a Cabernet Sauvignon é proibida.

Essa foi minha primeira parada no World Wine Experience, em breve falo de alguns outros produtores visitados. Bom feriado e sábado estarei na Vino & Sapore aguardando você, venha tomar uma taça de espumante comigo, conhecer a casa, muita coisa interessante! Saúde e kanimambo pela visita.

 

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Frutos do Garimpo de Dezembro foi Espanhol!

A Espanha foi o país protagonista da seleção de Dezembro que se esgotou como sempre e a Almeria a parceira de sempre, ela que importa todos esses rótulos porém não atende consumidor final e respeita seus canais de distribuição, coisa rara hoje em dia! Quis selecionar rótulos que de alguma forma poderiam caber nas festas natalinas e de inicio de ano, de potencial harmonização com os pratos mais comumente servidos na época. Quem pode dizer se a escolha foi certa são os confrades que levaram os poucos kits disponíbilizados.

Eis os vinhos selecionados, sendo que desta vez optei por uma garrafa de cada vinho. Vinhos garimpados, provados por mim e que reunem as condições básicas para serem apontados como uma bela relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer), e que na confraria se tornam verdadeiros achados. vamos aos vinhos, uma viagem pelas regiões de Espanha, sem tempranillo, sem Rioja e sem Ribera del Duero, porque ampliar horizontes também é preciso!

CFG Dez 2016

Visigodo 2015 – a uva Verdejo é a alma dos vinhos de Rueda, autóctone da região mesmo que também plantada em outras, gosto bastante de seu frescor, de seu perfil olfativo intenso em que aparecem notas florais bastante sedutoras. Este vinho tem bem essa tipicidade com muita fruta tropical presente, tanto no nariz como na boca onde ele confirma as primeiras impressões, leve toque herbáceo, final fresco e de média persistência. A meu ver, um vinho vibrante que trará felicidade aos que curtem os Sauvignon Blanc da vida, o estilo é similar. Para ser tomado só, acompanhado de um bate papo entre amigos e até um belo risoto de aspargos e brie ou frutos do mar dos mais variados aproveitando o verão e as férias. Preço sugerido pela importadora, R$64,00.

 

Campos Reales Rosado 2014 – a uva é a Garnacha, muito comumente vinificada em rosé na Espanha, e a região é La Mancha. Notas de framboesa, acidez bem equilibrada que elimina eventuais sensações doces, uma mineralidade presente que me surpreendeu, boa textura com interessante volume de boca, mais corpo do que estamos acostumados quando falamos de vinhos rosés, e o escolhi em função de sua aptidão gastronômica. Mais do que aqueles rosés mais leves e ligeiros, este vi acompanhando o peru de Natal com frutas, talvez até o Tender em função de sua boa acidez e bom volume de boca, seco, final longo. Se quiser explorar, fica da hora com arroz de mariscos, paella, ….Preço sugerido pela importadora, R$62,00.

 

Punto Y Comma 2009 (RP 90)- mais uma vez a Garnacha só que desta vez vinificado em tinto e elaborado com vinhas velhas de mais de 40 anos com passagem de 4 meses em barricas francesas. De Calatayud, próximo a Saragoça, um vinho que apresenta um nariz inicialmente tímido, fruta escura, especiarias, notas balsâmicas, taninos bem macios, vinho redondo já plenamente integrado, uma ótima companhia ao Tender ou até o Bacalhau para os que curtem este prato nesta época do ano. Recentemente o coloquei com uma Paella Mista (carnes brancas e frutos do mar), tendo harmonizado muito bem, e penso que com uma massa no almoço também poderá se dar muito bem. Com sete anos nas costas, talvez esteja em seu apogeu e creio que uma garrafa será pouco! preço sugerido pela importadora, R$100,00.

 

Altos del Cuadrado Triple V 2010 – um delicioso e surpreendente blend de Monastrel (70%), Cabernet Sauvignon (20%) e Petit Verdot (10%) de vinhedos com mais de 50 anos da região de Jumilla e ainda com um par de anos de vida pela frente, vendendo saúde. O contra rótulo está com indicação de uvas errado, e a informação de dados do blend foram colhidas junto ao produtor. Revi recentemente e confesso, peguei uma caixa para mim! O tipo de vinho que me encanta; cativante entrada de boca, nariz complexo de boa intensidade e notas de frutos secos. Na boca mostra ótima textura e volume de boca, de médio corpo para encorpado, salumeria, taninos finos ainda bem presentes, frutado sem exageros, notas terrosas, alguma especiaria, acidez equilibrada, mineral, final longo um vinho que faz salivar e pedir mais.

Os doze meses de carvalho (francês e americano) se mostram presentes porém perfeitamente integrados e acho que pode ser uma belo companheiro para o pernil com farofa, ou só com bons amigos, família, curtindo cada gole. Um baita vinho que vale cada centavo e mais dos R$110,00 sugerido pela importadora!

Bem, esses foram os vinhos da Frutos do Garimpo em Dezembro, na sexta falo de um branco português, do Alentejo e com o quê o harmonizei, gostei muito e mais um achado, o primeiro de 2017! rs Fui, saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando pelos caminhos regidos por Baco.

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Sotanillo & Clericot

Verão, calor o que você pede como bebida? Drinks frescos, com frutas, como o Clericot, que está na moda invadindo praias, restaurantes, encontros, etc.. Mas o que é isso? Para quem ainda não sabe, é uma variação da Sangria espanhola com origem, aparentemente na França. O site “Aventuras Gastronomicas“, explica a diferença entre Sangria, Ponche e Clericot, sendo de lá que extrai o seguinte texto; “A maioria das fontes de pesquisa indica que o clericot é de origem francesa. Uma mistura de suco de limão, brandy, xerez e soda. E, não diferente do ponche e da sangria, quando foi exportada para a Argentina e para o Uruguai – o Clericot é uma das bebidas mais pop`s em Punta del Leste -, também teve sua receita original alterada. Atualmente, as receitas mais conhecidas têm vinho branco seco, ou espumante brut,sotanillo-clericot-1 como ingrediente principal.” Virou moda por aqui também!

As receitas são as mais variadas e os vinhos usados também. Eu optei por fazer o meu Clericot neste final de semana em encontro familiar, com um recém chegado Espanhol da gema, o frisante Sotanillo, de baixo teor alcoólico (8%), seco com muito leve dulçor residual e bem refrescante por si só. Importação dos amigos Juan e Alexandre da Almeria, sempre parceira, chegou num momento bem propicio do ano e é para comprar de caixa já que o preço de R$39,00 é muito convidativo! Versátil, vai muito bem no Clericot, solo, mas certamente deverá também dar uma liga muito boa com frutos do mar grelhados ou fritos.

A receita varia demais e cada um acaba dando seu próprio toque que, na minha opinião, deverá se adequar ao público presente. Neste caso optei pela leveza, não acrescentei licor de laranja ou qualquer outra bebida mais alcoólica para turbinar o drink. Queria algo que as pessoas pudessem tomar de gole, sem medo de serem felizes, acho que deu certo, afinal foram 3 jarras dessas!! rs Clericot Sotanillo, sucesso garantido, deixa eu fazer meu merchandising, vai?? rs

Eis uma receita para você curtir:

  • 1 garrafa de SOTANILLO FRIZZANTE BIANCO
  • 1 xícara (café) de licor de laranja (deixar marinar uns quinze a vinte minutos sobre as frutas)
  • 2 maçãs verdes cortadas em fatias
  • 6 morangos grandes cortados ao meio (eu usei Kiwi)
  • 1/2 abacaxi maduro picado em pedaços
  • 1 cacho de uvas vermelhas sem semente (eu usei verdes, mas tanto faz, congeladas por sugestão da amiga Raquel Santos)
  • 3 nectarinas frescas em pedaços
  • 2 colheres de sopa de açúcar ou uma latinha de soda limonada. Eu não usei nada, o doce das frutas já ficou de bom tamanho.
  • Gelo a gosto

Pode variar frutas, licor, adicionar um pouco de vodka ou gin, suco de laranja se faltar licor, enfim, pode soltar sua imaginação, mas o Sotanillo deve prevalecer! rs Gente, por hoje é só, tenham todos uma ótima semana, fim de semana é Natal símbolo de paz e harmonia, depois a chegada de um Novo Ano com novos desafios, novas conquistas, ufa, muita coisa por acontecer!

Saúde, muita, e kanimambo pela visita. Que possamos seguir nos encontrando por aqui, por aí nos caminhos de nossa vinosfera ou, quem sabe, na Vino & Sapore! rs

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Bayanegra, Mais Um Tempranillo na Taça.

Se pudesse, meu negócio seria um estabelecimento Ibérico com vinhos, produtos gourmet, acepipes diversos da região, bar de tapas e iguarias só desses dois países que bayanegra-tacafazem a minha cabeça, Espanha e Portugal! Se algum investidor se interessar pelo projeto em Sampa, me liga!! rs

A Tempranillo tem papel preponderante na vinosfera Ibérica tanto na Espanha como em Portugal, com a Tinta Roriz no norte e a Aragonez no sul, tanto como varietal como em cortes, gosto muito desta casta que gera vinhos tradicionalmente de muita qualidade, dos mais simples e descompromissados, aos mais complexos e longevos mostrando grande versatilidade.

Muitos exemplares de tempranillo (clique para acessar um monte de posts sobre a uva e outros rótulos) já passaram em minha taça, e ainda na semana passada postei mais uma experiência, o Montes Reales, mas hoje quero compartilhar com vocês um outrobayanegra-tempranillo rótulo que me agradou bastante, é o Bayanegra Tempranillo que “ornou” tão bem com meu nhoque com picanha suína que quando me dei conta de tirar uma foto já só tinha um tico de carne no prato! rs Vem da região de La Mancha (Bodega Celaya), maior região produtora de Espanha, de onde costumam sair vinhos mais descompromissados, porém bem feitos, redondos, sem muita complexidade, produzidos para agradar à maioria. Este vinho reproduz bem o conceito regional, jovem, sem passagem por madeira, de fruta fresca abundante, sua boa acidez, que deu a liga no molho de tomate, me surpreendeu. Final de boca de taninos macios, redondo, com teor alcoólico baixo (12%) e com boa persistência para este estilo de vinho algo mais ligeiro, um vinho fácil de gostar devendo ser refrescado (algo em torno de 15º) para ressaltar esse frescor que ele apresenta. Pelo preço, entre R$50 a 55,00, certamente um vinho muito honesto que entrega o que se paga e se encontrar mais barato pode ser opção para comprar caixa!

É isso meus amigos, por hoje é só. Tenham uma ótima semana, saúde e kanimambo pela visita.

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Vinho na Dose Certa!

Às vezes, só ás vezes (rs), 187ml basta! Cá tenho guardadas umas garrafinhas dessas para aqueles momentos onde o vinho vai bem porém estou só ou minha loira só esteja a fim de bicar. Ás vezes me dou mal com esse “bicar”, rs, mas neste dia tudo nos conformes, deu certinho. Abrir uma garrafa, mesmo considerando que estas garrafas são, porcentualmente falando, mais caras que comprar uma normal de 750ml, evita o desperdício tanto de vinho quanto de din-din.

As garrafas de 375ml são práticas para o casal que não esteja a fins de tomar muito, mas aí sou fã e recomendo comprar a garrafa inteira de 750ml e na hora usar uma de 375 só para guardar o restante, compensa mais. Ah, mas como assim? Explico, calma! rs Ao abrir uma garrafa de 750 ml e já sabendo que é dia de moderação e não de pé na jaca, encho uma garrafinha de 375ml, de rosca e bem limpa, até a boca, fecho e geladeira nela. O vinho não tem tempo de aerar e tão pouco fica volume alto de campos-reales-e-risoto-funghioxigênio na garrafinha evitando potencial oxidação, o frio retarda a evolução tudo contribuindo para que esse vinho possa ser tomado normalmente em até a uma semana sem diferenças perceptíveis. Mais que uma semana não sei, os meus nunca duraram mais que isso! rs Muito melhor que qualquer VacuVin, garanto.

Voltando à minha garrafinha de 187ml, minha dose certa para Domingo passado. Estávamos só eu a loira, preguiça danada até para dar um pulo n mercado! Assei um hamburguer de Angus (passou demais! sniff) e preparei um risoto de Funghi que ficou da hora! Para acompanhar, o Montes Reales Tempranillo 187ml, foi perfeito. Acho esse vinho demais e até esta safra vinha ao Brasil sob o nome de Canforrales Classico. Como já mencionei antes, mas vale a pena repetir; “Vem de La Mancha,onde a uva é conhecida como Cencibel e é um vinho jovem (menos de 8 meses de barrica) , tem leve  passagem por madeira (americana e francesa de segundo e terceiro usos), taninos sedosos, boa estrutura, fruta fresca abundante (cereja bem presente), acidez presente e bem balanceada um ótimo gama de entrada para esta uva, um vinho que diz a que veio, porém com preço camarada!” Para acompanhar carnes grelhadas, queijo manchego, chorizo (lingüiça) fatiado,uma morcilla, gosto muiito, e deu muito certo com esse prato de risoto de funghi e hamburguer no prato.

Enfim, mais uma gostosa experiência que quis compartilhar com os amigos, porque há momentos para tudo e a enogastronomia não é só o glamour que muitos por aí lhe tentam impingir. Fui, ótimo fim de semana, saúde e kanimambo pela visita!

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Bodegas Valdemar, Constatações e Surpresas

Recentemente fui convidado pela Mistral, importador desta bodega espanhola, e participar de uma degustação com diversos rótulos por eles importados, oito no total. A Bodega riojana tem ampla reputação no mercado, porém nunca tinha tido a oportunidade de provar seus vinhos. Me recordo que ainda nos idos do inesquecível Saul Galvão, creio que foi ele, o Conde de Valdemar Crianza 09 (USD40,00) foi apontado como um ótimo acompanhante a pratos de bacalhau e realmente tenho que concordar pois seus taninos finos, riqueza de sabores,corpo médio, mostram muito equilíbrio e boa persistência que devem fazer frente a um gostoso bacalhau de forno, belo vinho e boa relação Custo x Beneficio.

Tínhamos, no entanto, mais sete vinhos a provar, então eis minhas anotações feitas ali, na hora. Quem sabe lhes possam ser úteis em algum momento.

Inspiración Valdemar Tempranillo Blanco 2013 – não, não é um blanc de noir não, é um vinho elaborado com uma mutação da uva tinta, coisa rara e muito apreciada pela maioria dos presentes. Gosto de provar coisas diferentes e gostei deste, porém não fez a minha cabeça como fez da maioria.Gordo, seco, bom corpo, me fez lembrar da Viognier. USD50,00

Conde Valdemar Viura  Fermentado em barricas 2012 – nunca tomei um Viura barricado como este, muito bom! Bom volume de boca, fresco, complexo e longo, um vinho que surpreende e seduz! USD45,00

Conde Valdemar Rosado 2014 – de Garnacha com Tempranillo, groselha, aromas doces que se repetem na boca, não me agradou, porém quem gosta de rosés mais docinhos vai se dar bem com ele. USD26,00

Fincas Valdemar Roble 2012 – huummm, esse me pegou! Uma experiência fora de Rioja, este Ribera del Duero me encantou por sua vivacidade e frescor sem perder  a característica regional. Taninos muito finos, guloso, fruta abundante, frescor muito presente, talvez até um leve toque mineral que me seduziu e tomaria muitas dele! USD40,00

Inspiración Valdemar 2010 – ótima paleta olfativa de boa intensidade, taninos finos, algo defumado, bom corpo, macio, firme sem ser austero, boa textura de meio de boca, um Rioja mais moderno, fácil de agradar e bastante saboroso. Gostei, bom vinho. USD50,00

Conde de Valdemar Reserva 2006 – vinho marcante, freco, notas mentoladas, salumeria, rico e complexo, vinho de outro patamar mostrando bem a tipicidade dos vinhos de Rioja com um final algo abaunilhado. USD56,00

Conde de Valdemar Gran Reserva 2005 – uau, vinhaço, daqueles com “V” maiúsculo mesmo! Escalamos um bom número de degraus o que também se confirma no preço (USD97,00), mas para quem pode e aprecia os vinhos da região, certamente satisfação garantida. De cara um vinho com 11 anos de vida, porém vendendo saúde sem grandes mostras visuais de sua idade ou evolução a não ser nas notas terciárias tanto nos aromas como na boca. Complexo, um nariz incrível, daqueles que dá gosto ficar fungando (rs),ótima entrada de boca, concentrado sem excessos, algo mais encorpado sem ser pesado, frutos negros, notas especiadas, com nuances terrosas e animais, grande vinho, gostei e muito, um clássico.

Tendo passado rapidamente por eles, complementaria minhas observações dizendo que, pensando na relação Preço x Qualidade x Prazer, certamente me esbaldaria com o Finca Valdemar Roble e em seguida com o Conde de Valdemar Viura fermentado em barrica que me encantou assim como o Inspiración tinto. Não são necessariamente os melhores vinhos, mas são os que eu compraria, os que se destacaram e me chamaram a atenção. Ótima linha de produtos, mas estes três me seduziram por completo e possuem preço algo mais condizente com o tamanho de meu bolso, ou quase! rs

Bodega Valdemar na Mistral

Ah, os preços arredondei, ok? É isso amigos, por enquanto é só e espero vos encontrar por aqui novamente em breve ou pelas esquinas desta nossa vinosfera. kanimambo, saúde e explorem, porque navegar é preciso!

 

 

Vinhos que Podemos Pagar + Dois Bons e Baratos Europeus

Enquanto uns provam grandes e caros vinhos, utopia para a maioria, gosto mesmo é de garimpar, buscar vinhos que façam bonito na taça por um preço que a maioria de nós pobres mortais possam pagar. É aquela história de desmistificar o mundo do vinho na prática e não só na teoria! Nada contra provar e beber grandes vinhos, mas o que eu acrescentarei ao que tantos e mais classificados colunistas do vinho já não disseram Valor na Taça 2sobre esses vinhos para lá de exclusivos? Será que você está mesmo interessado em ler que o Sassicaia é um grande vinho, ou que um grande Barolo de Gaja ou Brunello da Poggio di Sotto é inesquecível e todos acima de R$1.500? Óbvio que tomá-los é, normalmente, uma experiência incrível e gosto tanto como qualquer um, mas hoje ando mais na fase de me perguntar; o que isso me acrescenta? Para tomá-los há que se fazer uma poupança com um cofrinho especial e tenho tanta coisa mais importante para fazer com essa grana! rs Agora, por outro lado fica a indagação, acrescento algo ao meu leitor ou meu cliente falando dele? Recomendo que que vão nesse tipo de eventos, é certamente uma bela experiência para qualquer um e é um belo capital investido, mas eu ficar aqui falando deles não sei se faz sentido e tenho cá minhas dúvidas, porém quem sabe você me diz algo?

Nesse sentido sou mais baixo clero, mais pé no chão e acredito numa outra vertente de nossa vinosfera, os achados e olha que os conseguimos em várias faixas de preço! Vinhos em que a percepção de valor é superior ao preço pago, a harmonização do bolso! rs Com esse foco, hoje compartilho com você mais dois bons e baratos (com toda a subjetividade da palavra “barato”) vinhos aqui no blog e os dois europeus de origem, inclusive um francês!!

Linteau cotes du rhoneMaison L.Tramier Linteau Côtes du Rhône. Quando os vinhos da região trazem o nome da comuna no nome, já falamos de um Côtes-du-Rhône diferenciado e qualidade um patamar acima da maioria e o que tem por aí beeeem baratinho não são vinhos de grande valia. Este está numa faixa de preço intermediária (entre R$75 a 80) e já nos traz um “papo” mais evoluído, um vinho que usa tão somente uvas da comuna e não de tudo o que é lugar do Rhône. Um blend de 70% de Grenache e 30% de Syrah, gosto, gera um vinho de médio corpo versátil e muito saboroso. Toques defumados, frutos vermelhos maduros, rico meio de boca, balanceado, toques terrosos, taninos aveludados e marcantes com boa persistência de final de boca. Leve passagem por madeira, cerca de seis meses, é uma grata surpresa de média complexidade podendo harmonizar de hambúrguer a costela de porco ou lingüiça de pernil com ervas, até bacalhau no forno ou lagareiro para quem gosta de sair da mesmice.

Canforrales Classico Tempranillo – La Mancha não é das regiões produtoras espanholasDSC03739 de maior destaque, apesar de ser a maior, porém é de lá que vêm alguns dos melhores custos benefícios do mercado nos dias de hoje. Muitos vinhos nesta faixa  tendem a ser algo esqueléticos, ligeiros e sem qualquer estrutura, porém este rótulo é uma prova viva de que se pode tomar bons vinhos sem deixar um rombo no bolso no processo. Nove meses de passagem por madeira (americana e francesa de segundo e terceiro usos), taninos sedosos, boa estrutura, fruta fresca abundante (cereja bem presente), acidez presente e bem balanceada um ótimo gama de entrada para esta uva, um vinho que diz a que veio! Para acompanhar carnes grelhadas, queijo manchego, chorizo (lingüiça) fatiado, até uma morcilla! Entre R$65 a 70,00, um bom achado que há tempos habita minha taça.

Finalizando o post de hoje, me lembrei de um vinho que tomei neste último Domingo e publiquei no face, que exemplifica bem o que falo sobre achados nas mais diversas faixas de preço. Vinhos que dão uma percepção de valor superior ao preço pago, o Diamandes de Uco 2008, um vinho soberbo por cerca de R$190 mas que parece custar bem mais. Depois falo dele, um grande vinho, mas hoje fico por aqui. Saúde, kanimambo pela visita e seguimos nos vendo por aí!

 

Vinhos Europeus Bons e Baratos

Como sempre, fuçando o mercado e garimpando bons vinhos com preço idem. Vinhos que não nos causem maiores rombos ao bolso e que nos gerem uma percepção de valor superior ao preço pago, é isto que busco desde o dia 1 deste blog há oito anos atrás e, mais que nunca, sigo firme nesse caminho do garimpo. Estes dois vinhos são, em minha opinião, dois bons exemplos de que, contrariamente à opinião de alguns e de um paradigma que se criou ao longo dos tempos, há sim vida em vinhos europeus de baixo preço, neste caso abaixo das 60 pratas. Na minha opinião, batem a maioria dos vinhos dos hermanos na mesma faixa e sugiro montar uma degustação ás cegas para quebrar esse preconceito.

Clos lagoruClos Lagoru – Da região de Jumilla (Espanha) – Um corte que tem como protagonista a Monastrel, principal uva da região, com Syrah e 20% de Petit Verdot. O mosto é fermentado separadamente com leveduras indígenas e o blend elaborado ao final com o afinamento sendo feito em barricas americanas por quatro meses. Boa parte dos vinhedos são de vinhas velhas e boa parte deles de cultivo orgânico.

A região bem quente favorece um melhor amadurecimento da Petit Verdot e o resultado é um vinho onde a Monastrel dita os rumos, porém a PV deixa sua marca que se sente bem no final de boca, no corpo e na cor do vinho. Cor violácea, boa intensidade aromática, chocolate escuro e frutos negros , algo herbáceo  com sutis notas de especiarias. Bom corpo, de médio para encorpado, rico e algo terroso, meio de boca denso com taninos presentes mostrando uma estrutura algo mais rústica, com ligeiro apimentado de final de boca, mostrando-se fresco e de média persistência.

Mandorla Syrah – Da Sicilia, Itália  – A Syrah se deu muito bem nestas terras maismandorla syrah quentes com forte clima mediterrâneo e este vinho vem mostrar, mais uma vez, que garimpar vale a pena! Tipicidade á flor da pele com fruta vermelha abundante e especiarias desde o olfato ao último gole. Na boca mostra boa textura, médio corpo, taninos macios, meio de boca muito rico, notas tostadas e um final levemente apimentado de boa persistência, tudo muito bem balanceado sem arestas, um syrah deveras apetecível e acessível! Parece ter alguma passagem por madeira, porém sem dados técnicos disponíveis fica difícil dizer o tipo, no entanto alavanca o produto sem o maquiar. Pastas ao funghi, queijos maturados, carnes ensopadas podem ser bons companheiros e cada vez que penso em comida para harmonizar me vem à cabeça coelho à caçadora! Será que é desejo?? rs

Mais dois vinhos que recentemente compuseram seleções disponibilizadas aos confrades e confreiras da Confraria Frutos do Garimpo com em parceria com o importador, a Galeria dos Vinhos. Lembre-se; saia da mesmice, trace novas rotas, explore o desconhecido, descubra novos sabores, pois essa é a parte mais enigmática e interessante de nossa vinosfera. Saúde e kanimambo pela visita. Na Sexta, mais um dia do Tour Pelos Vinhos de Altitude Santa Catarina, espero você por aqui!