África do Sul

Nederburg Noble Late Harvest – Amazing Grace!

No Facebook, todo o dia recebemos um lembrete de alguma lembrança legal postada. Hoje me deparei relendo este texto e me deu uma vontade danada de tomar um gole de um bom Late Harvest com uma fatia de panetone de frutas (tá na época), daí ter tomado a liberdade de compartilhar este texto novamente com os amigos. Alguns já leram, outros não, enfim, está aí! rs

Depois que participei daquele evento promovido pela Wines of Argentina harmonizando vinhos e música, fiquei mais ligado nesse lance e ontem, ao tomar este vinho de agradecer de joelhos, me veio essa canção à mente que, tal qual o vinho, não me sai da cabeça!! Já faz um bom tempo que esta garrafa estava aqui em casa, porém só ontem a oportunidade apareceu para tomá-la e que grande vinho de sobremesa!

Adoro ser surpreendido desta forma e me empolgo quando acontece nessa intensidade. Não é aquele energético não, Nederburg Noble Late harvestmas que me deu asas, deu! rs Aromáticamente envolvente, de grande intensidade e absolutamente sedutor, daqueles que você não sabe se funga ou se bebe! A presença de aromas de casca de laranja confeitada é bem marcante, mel de laranjeira já mostrando um lado cítrico bem marcante e notas de damasco em passa. Chenin Blanc (73%) responsável pela ótima acidez, Muscat de Frontignan (26%) a doçura e inebriantes aromas e 1% de Semillon para aquele toque especial, esse blend explode na boca com redobrada intensidade e nos faz cair de joelhos em preces de agradecimento ou ataques egoístas querendo tomar conta da garrafa! rs Muiiiito bom!!!

Um vinho perfeitamente harmônico em que a Botrytis* (Podridão Nobre, daí o nome do vinho) se faz sentir de forma elegante, extremamente equilibrado (uma acidez de quase 10 grs/l que se contrapõe muito bem às 200 grs/l de açúcar residual) e um leve toque de baunilha no retrogosto mesmo não havendo maturado em madeira. Na minha infância na África do Sul eu adorava Peach Rolls (pêssego desidratado e prensado depois enrolado em rolinhos, um certo toque azedinho doce) e me senti transportado a essa época.

Aí, inebriado que estava de tanto prazer, entrei na net para pesquisar um vídeo com a canção “Amazing Grace” e me deparei com esta linda gravação do grupo  “Celtic Woman” que vale muito ver, espero que curtam. A gravação é longa, cerca de cinco minutos de puro deleite, mas garanto que acaba antes de você terminar sua garrafa de Nederburg Noble Late Harvest, um vinho que me seduziu e é para ser curtido sem pressa. Recomendo, ainda mais pelo preço na casa dos R$80 a 85,00. O principal crítico de vinhos sul africanos, John Platter, lhe deu cinco estrelas e tendo a concordar com ele. Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui. Uma ótima e doce semana para todos se possível harmonizado com um pedaço de de um destes deliciosos queijos que harmonizam à perfeição; Bleu d’Auvergne, Gorgonzola ou Stilton!

Amazing Grace Na Versão Celta com Gaita de Foles – “Celtic Woman”

Aumente o som!

* Botrytis -De forma simplista, é um fungo que dá na uva gerando perfurações que “esvaziam” o suco da uva fazendo com que ela se desidrate e concentre açucares. Para quem quiser saber mais a fundo o que é e como ele influencia os vinhos, siga esse link para a ótima matéria escrita pelo respeitado José Luiz Alvim Borges da ABS >  http://www.artwine.com.br/edicoes/wine-style-6-botrytis-cinerea-um-fungo-de-multiplas-facetas.pdf

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Mandela (o vinho) na Taça, Uma Experiência Africana

Há algumas semanas tive a oportunidade de participar de mais um saboroso evento do Winebrar, uma degustação virtual, com os amigos Alexandre Frias, Daniel Perches e o Rogério da Ravin. Nessa oportunidade, provamos dois vinhos que recém chegaram ao mercado pelas mãos dessa importadora.

Os vinhos da House of Mandela têm por trás de si, toda a experiência e sabedoria do grupo Fairview na produção o que por si só já é uma boa razão para nos aventurarmos por seus aromas e sabores. Dois vinhos de gama de entrada que a importadora estava vendendo com desconto promocional de lançamento, não sei se ainda está, e saía por R$39 em vez do preço de tabela que é de R$49,00. Vieram três varietais, um Sauvignon Blanc, um Pinotage e um Syrah, porém nessa noite provamos somente os primeiros dois:

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Sauvignon Blanc – Gostei bastante pela ausência dos aromas e sabores fortes de aspargos no vinho, algo que não me agrada nos vinhos desta cepa. Este se apresenta bem fresco, mais citrino com grama molhada bem presente numa presença de boca toda ela mais sutil e elegante e balanceada terminando com uma certa mineralidade. Um vinho muito agradável de se tomar e certamente uma bela companhia para os queijos de cabra e frutos do mar grelhados ou fritos.

Pinotage – a meu ver mui agradável e cativante  no olfato, apresentando-se  franco e bem integrado, final saboroso e surpreendente persistência. Nada daquela típica borracha queimada mais presente nos vinhos de entrada de gama, aparecendo uma fruta pouco comum e um final com alguma especiaria.

Pessoalmente creio que o Sauvignon Blanc é mais harmonioso e vibrante com um potencial mais interessante para ser tomado solo, sem comida, enquanto o Pinotage tende a cansar um pouco depois da segunda taça o que poderia mudar com pizza de, peperoni , linguiça de javali e coisas do gênero. Pensei até num belo X-Picanha! Vale a prova e é uma boa introdução aos bons vinhos sul-africanos. Salute e kanimambo!

Uma Experiência Enófila na África do Sul

      O Guilherme Cezaroti, assíduo leitor deste blog, esteve por terras sul africanas recentemente com sua familia. Eu que estive por lá dos meus tenros 11 anos até aos 18, sei o quanto esse país é lindo e complexo culturalmente. Uma experiência única com uma diversidade incrível de paisagens e culturas, seja em Durban, Cape Town, Johannesburg ou Nelspruit. O Guilherme, a meu convite, compartilhou conosco um pouco dessa experiência e dá algumas dicas de quem por lá queira se aventurar.

A viagem para a África do Sul é muito agradável.

         Cape Town é uma cidade bonita, arejada, limpa e organizada. A sinalização é muito boa e depois que a gente se acostuma em dirigir do lado direito tudo fica mais fácil. Há uma variedade muito grande de restaurantes e os preços de comida e bebida são bastante atrativos se comparados aos brasileiros. O conhecido vinho The Wolftrap Blend, do produtor Boekenhoutskloof, é quase onipresente nos restaurantes e lojas da cidade e não custa mais do que R$25 nos lugares mais caros.

       Depois de conhecer Cape Town, vale a pena alugar um carro e ir para Franschhoek, capital gastronômica da África do Sul. Franschhoek fica a cerca de 1h30 de Cape Town, por estradas boas e fáceis e dirigir. As estradas que levam a Franschhoek são ladeadas de pequenas vinícolas, sendo que na última delas (R45) há praticamente uma ao lado da outra, todas com pequenas produções que são vendidas localmente, dificilmente chegando ao exterior. Existem diversas “guest houses”, um conceito diferente de pousada, porque os quartos são grandes e quase sempre há uma sala e uma cozinha onde o hóspede pode preparar seu almoço ou seu jantar, se aproveitando da proximidade de um mercado. Além disso, em geral a guest house tem uma sala de jogos/lazer onde se pode passar algum tempo degustando uma garrafa de vinho apreciando a vista ou batendo papo.

     Todavia, com a presença de inúmeros restaurantes, com preços bastante atrativos para os brasileiros (a comida custa de um terço a um quarto do que custa aqui), é pouco provável que alguém prefira fazer a refeição nos quartos. Em Franschhoek, a avenida principal é uma continuação da estrada R45, e há poucos quarteirões para cada lado da avenida.

      Bem próximas de Franschhoek, mas ainda na estrada, temos a La Motte Private Cellar, muito conhecida por lá por seus vinhos brancos. Nós fomos visitar duas vinícolas pequenas, a Haute Cabrière e a La Petite Ferme. A primeira tem um restaurante bastante conhecido na região, mas fomos pela manhã e não pudemos aproveitá-lo. É uma vinícola jovem e pequena, com vinhedos ao redor, muitos nas encostas dos morros. Provei o Pinot Noir 2008, Chardonnay/Pinot Noir 2011 e o Unwooded Pinot Noir 2011, vinhos bons e simples, sem algum destaque especial. Os espumantes da linha Pierre Jourdan (provei o Cuvée Brut, o Blanc de Blanc e o Belle Rose) são bons, mas ainda falta uma certa evolução em termos de frescor. A segunda vinícola – La Petite Férme – tem um restaurante muito bom (em geral é necessário reserva), com vista para os vinhedos e para o vale onde está a cidade (tintos e brancos maravilhosos e a bom preço. Possuem um sauvignon blanc fumé que só estava sendo vendido para consumo no restaurante, para quem nunca provou sauvignon blanc com notas tostadas é uma excelente dica.

     Na cidade, a Wine-Wine é um excelente (talvez o melhor) local para a compra de vinhos regionais. Como ainda ia rodar bastante de carro e achei que poderia comprar aqueles vinhos em outros lugares, deixei passar a oportunidade. Recomendo não cometerem o mesmo erro, porque o preço e a variedade são imbatíveis. Lá podem ser encontrados produtores como Capaia, Mellasat (que tem um pinotage branco) e Philip Jonker (produtor de um infinidade de espumantes muito bons).

       A outra loja que indico é a La Cotte Inn Wine Sales, uma loja ainda com prateleiras de madeiras com aspecto mais antigo, mas é a loja que representa o maior número de produtores da região e com preços razoáveis. Lá comprei o Klein Constantia Vin de Constance 500ml e o Nederburg late harvest 2011 por cerca de R$ 100 os dois. Para que procura vinhos doces e champagnes franceses, esta loja tem uma variedade excelente. E foi o único lugar onde encontrei o vin de Constance à venda.

      Próxima destas duas lojas esta a Chocolates Huguenot, feitos artesanalmente com cacau de origens variadas. Não é barato, mas passa longe dos preços que se vê por aqui e há um horário do dia em que é possível acompanhar a produção. É um ótimo lugar para quem gosta de passar férias tranquilas, passeando pelo campo, sem muito agito.

      Além disso, a variedade de vinhos no free shop de Johannesburgo era muito pequena, ainda que com preços estupidamente atraentes para os padrões brasileiros.

Este blog está aberto a colaborações deste tipo, opiniões hedonísticas de viagens e visitas a regiões vinícolas do mundo dos amigos leitores seguidores de Baco. Não se acanhe e faça como o Guilherme, compartilhe essas emoções registrando os melhores momentos dessas aventuras.Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui ou no Happy Wine Time da Vino & Sapore às Sextas.

Polkadraai Branco

               O vinho do mês escolhido pelo Luis Sérgio (http://vitisvinifera.wordpress.com) . para a Confraria dos enoblogs foi um Sauvignon Blanc da África do Sul. Bem, eu tinha escolhido o Fairview, porém o amigo Jeriel já o tinha comentado no mês anterior e eu gosto de aproveitar estas oportunidades para trazer algo novo, então consultei o Gil e mudei. É sul africano, é branco, tem Sauvignon Blanc, porém a cepa protagonista é a Chenin Blanc, uva do Loire que se deu muito bem na região do Cabo. Este é o Polkadraai Branco, assemblage de 60% Chenin com Sauvignon Blanc que nos chegou recentemente pelas mãos da Mercovino e que comento agora.

Antes de falar do vinho, no entanto, falemos de Polkadraai Hills uma AOC nova na região e que por aqui se denomina W.O. (Wine of Origin). Polkadraai se refere a uma região de colinas acompanhando uma estrada sinuosa, porta de entrada para Stellenbosch. Draai, em Afrikaans, quer dizer curva e polka a dança que os carros faziam na antiga estrada repleta de curvas apertadas e perigosas. Hoje, uma estrada ainda sinuosa, porém menos perigosa, nos leva a vinhedos que em sua maioria se encontram na face sul e sudeste das colinas recebendo o efeito das brisas oceânicas que refrescam a região e dão ás uvas brancas uma característica muito própria. Polkadraai Hills comporta cerca de 12 produtores entre eles esta vinícola, Stellenbosch Hills que também produz um Pinotage/Merlot muito saboroso e possui uma linha de gama alta que me pareceu bastante interessante.

O Polkadraai Branco com 12.5% de teor alcoólico é um vinho suave, seco, que marca pela acidez muito presente sendo ótima companhia para pratos de comida oriental, especialmente os sushis e sashimis, saladas, frutos do mar grelhados, camarãozinho frito, lulas á dorê, etc. Possui uma paleta olfativa simples, direta, bem frutada com um toque floral e algo de grama molhada de intensidade média. Na boca é uma profusão de frutas tropicais, muito fresco, agradável e balanceado, final de boca seco com algum amargor final que deverá sumir se servido mais próximo dos 6º. Não é nenhum blockbuster, mas dá conta do recado e agrada fácil, tendo se dado bem com um queijinho de cabra e um bom e descompromissado papo entre familia antes do jogo Argentina e México. Custa em torno de R$37,00.

É isso aí, navegue pelos vinhos sul africanos e os blogs da confraria para conhecer um pouco mais dos rótulos de Sauvignon Blanc disponíveis no mercado. Por hoje é só, salute e kanimambo pela visita.

Goats do Roam Red, um Tinto Jovial.

               Pela primeira vez participo da degustação/post tema da CBE, para os menos íntimos a Confrararia Brasileira de Enoblogs, que mensalmente, no mesmo dia, publicam seus posts sobre o vinho (s) de acordo com um tema pré-determinado por um dos confrades. Neste mês de Junho abriram uma exceção e aproveitando a Copa escolheram um tema extra para que os confrades comentassem nesta Quarta  dia 16 de Junho, dia de ressaca após um joguinho muito meia boca, e eu embarquei nessa viagem. Vinhos sul africanos, uma grande coleção de rótulos provados que os amigos devem explorar visitando o site dos Confrades que listo abaixo com os links. Deverão ser cerca de 31 rótulos diferentes avaliados e comentados, que certamente aguçarão a curiosidades dos amigos apreciadores de bons caldos. Eu certamente fuçarei muito, pois gosto de viajar por esta vinosfera atrás de novidades e sabores nunca dantes provados. Vamos á lista dos blogues:

Amando Vinhos / De Vinho em Vinho / Atlan Vitis / Azpilicueta / Bebendo com Os OlhosEnodeco / Blog do JerielDegusteno / Diário de Baco /  / Enoleigos / Escrivinhos / Gourmandise / I Vini Vinhos / Le Vin Au Blog / Nosso Vinho / O Avaliador de Vinhos / O Tanino / Pequenos Prazeres / Vim, Vinho, Venci / Vinho com Prosa / Vinhos de Corte / Vinhos e Vinhas / Vitis Vinifera / Viva o Vinho / Vivendo Vinhos / Tintos, Brancos e Borbulhas / Notas Etilicas / Vinho Para Todos / Le Vin Quotidien / Marcelo di Morais e espero não ter esquecido nenhum.

        Eis alguns rótulos, entre vários outros, que serão ou foram, acho que dei um fora na data e era ontem (15) postados, então há que navegar:

  • AVONDALE RESERVE MUSCAT  BLANC 2007 (Le vin Au Blog) 
  • ENGELBRECHT ELS 2007 (Notas Etílicas)
  • THE WOLFTRAP BLEND 2008 (Vinhos de Corte)
  •  NEDERBURG CABERNET SAUVIGNON 2008 (De Vinho em Vinho)
  •  RUST EN VREDE MERLOT 2008 (EnoDéco)
  •  SPICE ROUTE PINOTAGE 2008 (Blog do Jeriel)
  •  TRIBAL ESPUMANTE (Marcelo Di Morais)
  •  CLUB DES SOMMELIERS PINOTAGE (Amando Vinhos)
  • AVONDALE CHENIN BLANC (Pequenos Prazeres)
  • THE WOLFTRAP BLEND 2008 (Vinho para Todos)
  • GUARDIAN PEAK CABERNET SAUVIGNON 2007 (Nosso Vinho)
  • NEDERBURG TWENTY 10 DRY ROSÉ 2009 (Enoleigos)

              A minha escolha recaiu sobre um vinho que não visitava minha taça já fazia dois anos e mostrou que, mesmo de cara nova, preferia o rótulo mais clássico, o vinho continua sendo um belo achado mesmo que com mudanças no blend. Goats do Roam Red, que tem esse nome tanto por razões criativas já que o produtor também é criador de cabras e bodes, como para criar uma certa alusão aos vinhos de Cotes du Rhône já que é um blend de Syrah, Cinsault, Grenache, Mourvedre e Carignan, originárias das regiões de Paarl e Swartland na província do Cabo. A Goats do Roam Wine Company pertence ao grupo Fairview capitaneado pelo criativo Charles Back e produz além deste vinho alguns outros que hoje fazem parte do portfólio da Ravin.

                O vinho é franco, sedutor, produzido num estilo moderno com fruta vermelha (ameixa) abundante tanto no olfato como no palato, notas defumadas e um certo toque de anis. Na boca mostra-se  fresco, médio corpo, taninos equacionados e sedosos, macio e redondo, vibrante, fácil de gostar com um final de boca de média persistência e algo mineral com toques de especiarias que convidam á próxima taça. O 2005 possuía Cabernet e Pinotage o que lhe dava um pouco mais de corpo e estrutura, mas segue sendo um vinho muito agradável e saboroso para ser tomado jovem, entre dois a quatro anos de vida, enquanto ainda mantém essa personalidade jovem e sedutora por um preço que acredito seja bastante convidativo já que seus R$42,00 são bastante justos versus o prazer que ele nos proporciona. Como dica, sugiro servi-lo um pouco mais refrescado que o normal, mais para os 15/16º dos que os 17/18º.

Por hoje é só, amanhã tem mais Curiosidades do País da Copa. Salute e kanimambo.

Vinhos da Semana – Um Pouco de Tudo

          Um período interessante com vinhos de diversas regiões e cepas. Uns vinhos conhecia, outros não, uns confirmaram outros, não. Enfim, a diversidade e surpreendentes sabores que fazem com que nossa vinosfera seja um eterno processo de garimpo e descobertas.

 

semana-interessante

 

La Posta Bonarda 2006 – da Estela Armando Vineyards, este foi uma recomendação do Luiz Horta que, mais uma vez acertou na cabeça. Esta cepa quando bem trabalhada, produz caldos muito interessantes e agradáveis o que se confirmou neste vinho. De bonita cor rubi intensa, aromas de frutas silvestres e nuances de fumado advindos da madeira, tudo muito sóbrio e bem harmonizado na taça. Na boca é muito saboroso de taninos amistosos e aveludados, bem equilibrado, boa estrutura com um final de boca de média persistência e algo apimentado. Um vinho que me agradou sobremaneira. Em agosto do ano passado o comprei por R$39,00. Com o Dólar do jeito que está, creio que o preço é hoje em torno de R$50 na Vinci Vinhos. I.S.P.  

 

Lyngrove Reserve Shiraz/Pinotage 2005 – Não é o primeiro Lyngrove que provo e este só veio confirmar a primeira impressão quando provei o varietal shiraz deles há cerca de um ano atrás. São vinhos que necessitam de tempo e de uma decantação bastante longa para arredondar um pouco seus duros taninos. Álcool um pouco alto, 14.5% o que convém manter a temperatura um pouco mais próximo de 16º. Paleta aromática de boa intensidade, bem frutada e com presença de especiarias. Na boca a madeira está bem presente, taninos firmes, concentrado, final de média persistência apresentando um retrogosto um pouco defumado um vinho austero para acompanhar pratos de igual porte. Importação da Wine Company, custava R$53,00 em Outubro, agora não sei. I.S.P.  

 

Casa de Santar DOC 2003 – Um Dão elaborado com um corte de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Afrocheiro com 13% de teor alcoólico. Comprei devido à boas criticas que o 2005 vem recebendo e porque gosto bastante do Reserva. Este não me agradou não. Achei demasiado rústico, taninos duros com uma certa agressividade e uma acidez cortante. Na boca mostra-se bastante encorpado, terroso, tostado com grande concentração. O amigo Álvaro Galvão costuma dizer que há que se dar três chances ao vinho; a primeira porque a garrafa pode não estar boa, a segunda porque pode ser que você não esteja bem no dia e a terceira, bem, essa é a derradeira! Acho que vou fazer isso com este vinho e nos darmos uma nova chance antes de eu tecer mais comentários já que corro o sério risco de estar sendo injusto.

 

Achaval Ferrer Malbec 2004 – Meu porto seguro, um Malbec de muita personalidade e bastante constante. Este 2004 está no ponto para ser tomado, macio e redondo, fruta vermelha madura, boa acidez ainda presente, taninos doces, cremoso, harmônico e elegante com final de boca agradável, longo e prazeroso invitando à próxima taça. Companhia que alegrou meu primeiro churrasco do ano tendo sido ótimo parceiro para uma maminha na brasa. Um dos melhores Malbecs disponíveis no mercado e só lamento que o preço não seja assim tão convidativo. Importação da Expand onde a safra de 2005 se encontra por R$85,00 e a de 2006 (excelente) por R$98,00 ou por volta disso. I.S.P.  

 

Muralhas de Monção 2006 – Um dos vinhos verdes mais consumidos em Portugal e por aqui tem os seus seguidores também, eu sendo um deles. Corte de Alvarinho com Trajadura, muito cítrico com nuances florais, sempre apresentando grande frescor e muito balanceado, é um vinho que safra pós safra mostra uma consistência impar e substância, algo nem sempre disponível nos vinhos verdes disponíveis no mercado. Tem um final de boca muito agradável e de boa persistência apresentando um retrogosto de frutas tropicais e algo mineral. Um vinho muito saboroso, ótimo para o verão acompanhando uns camarõezinhos grelhados ou uma lula à dorê enquanto o sol se põe sobre as águas do mar tranqüilo. Não é de grandes complexidades, mas é certeiro, direto diz logo ao que vem e nos deixa bem felizes e satisfeitos, missão cumprida com honras e bom preço, por volta dos R$38,00. Importador Barrinhas e disponível num grande numero de lojas, inclusive a Casa Palla, um dos bons pontos de venda aqui na região Oeste de Sampa e Cotia/Granja Viana

 I.S.P.  

 

Quer contatar importadores ou lojas aqui mencionados, veja detalhes em “Onde Comprar” .

Salute e Kanimambo

Vinhos da Semana, Um Bom Mix.

Como de praxe, meus Vinhos da Semana tratam sempre de períodos bem mais variados que isso e, invariavelmente, estão atrasados. Mas vamos lá, deixemos de lado o nome da coluna e tratemos do que interessa, dos vinhos. Desta vez um emaranhado de rótulos de tudo o que é lugar, mas que dá uma idéia muito clara de que provo e bebo sem preconceitos.

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Ochotierras Cabernet Sauvignon 2006 com 13.5º, absolutamente redondo e pronto a tomar. Depois da degustação em que provei a boa linha de seus produtos, o elegi como um dos rótulos a serem tomados em casa, com calma e podendo senti-lo em toda a sua essência. Pois bem, só fez confirmar as minhas primeiras impressões, mostrando uma paleta olfativa com boa fruta madura e nuances florais, enquanto na boca apresenta taninos doces e sedosos, algo achocolatado, absolutamente elegante e fino com um final de boca longo e levemente especiado. É um Cabernet Chileno diferenciado, muito equilibrado, suave no palato e cativante. Desta feita acompanhou um prato de filé grelhado com molho de champignons e se deu muito bem. Realmente um vinho muito agradável, fácil de harmonizar por um excelente preço de cerca de R$42,00 na Br Bebidas e importação Brasart.  I.S.P.  $ 

 

Panarroz 2004, um vinho que vem da região de Jumilla na Espanha e que, entra ano sai ano e segue me dando muito prazer tomar. É um vinho de grande personalidade, corte de Grenache, Mourvedre e Syrah, sempre demonstrando bastante estrutura, firme, rico e denso com aromas de frutas negras e algo terroso. Na boca seus taninos estão firmes, porém arredondados sem mostrar qualquer agressividade, aveludado e bem equilibrado com um final de boca saboroso e de média persistência. Um vinho constante no sabor, mas não tanto no preço. Já comprei por R$36, já andou pela casa de R$42,00 e agora anda por volta de R$48,00. Este comprei na Casa Santa Luzia e a importadora é a Grand Cru.  I.S.P.

 

Filipa Pato Ensaios 2006. Dizem que filho de peixe, peixinho é e nunca este ditado foi tão certeiro quanto neste caso. Filipa Pato, filha de Luis Pato,o mago da Bairrada, e também autora do 3b belíssimo espumante português que me deixou perplexo e encantado tendo me levado a colocá-lo entre os meus TOP 25 espumantes de 2008 e arrumado um lugarzinho na adega para algumas garrafas. Este Ensaios elaborado com a uva típica da região, a Baga, adicionada de Touriga Nacional e Alfrocheiro, é absolutamente delicioso com seu toque moderno mostrando uma boa intensidade de fruta, taninos finos e macios num médio corpo de bastante elegância, saboroso e fácil de tomar que nos faz querer mais e mais.  Leves nuances florais sobre um fundo frutado perfazem uma paleta olfativa muito agradável. Um gostoso vinho que comprei na Casa Palla por ótimos R$36,00 sendo de importação da Casa Flora.  I.S.P. $

 

Robertson Winery Pinotage 06. Esta foi uma dica do Luiz Horta, aliás tenho mais duas dele excelentes que constarão de outras seleções de Vinhos da Semana, e esta é a ultima das duas garrafas que tinha comprado. Uma pena que o câmbio tenha tomado o rumo que tomou, porque apesar de ainda ser um belo custo x beneficio, a R$30 era um verdadeiro achado. Por outro lado, é para provar que nunca devemos fechar as portas a nada. Já tinha provado alguns vinhos Sul Africanos elaborados com Pinotage e não tinha gostado. Este acabou com qualquer ranço que eu pudesse ter para com vinhos desta uva. È delicioso, harmônico, no nariz apresenta-se bem frutado com algo de salumeria . Já na boca, mostra um lado algo especiado sobre um fundo macio e equilibrado, corpo médio, boa persistência e taninos aveludados de boa textura. Acompanhou bem uma carne na brasa. Um bom vinho com o preço, por volta de R$35,00 e a importação é da Vinci.  I.S.P. $

 

Domaine Conte Late Harvest Semillon 07, foi a finalização do almoço em que servi o Pinotage com a carne na brasa. Um vinho de sobremesa Chileno, de bom preço, saboroso, mas lhe falta um pouco mais de acidez para atingir um melhor equilíbrio. Para o meu gosto, ficou doce demais e, conseqüentemente, um pouco enjoativo, com a torta de morangos. Certamente teria se dado melhor com uma salada de frutas e sorvete de creme. Na Zahil por R$38,00.  I.S.P. $ 

 

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

 

Salute e kanimambo.

 

De Wetshoff Estate – Chardonnay

                   O amigo e profundo conhecedor de vinhos, Luiz Horta, me sugeriu alguns vinhos Sul Africanos, entre eles o Pinotage da Robertson Winery e o Chardonnay Lesca da “De Wetshof Estate”. Na verdade, o grupo produtor é o mesmo, só que são diferentes conceitos e linhas de vinhos. Eu, que nunca me encantei com os vinhos elaborados com a casta Pinotage, uva símbolo da África do Sul, achei uma delicia, fácil de beber, diferente e com um preço muito bom, em torno dos R$30 a 33,00. Mas não é sobre o Pinotage que quero falar e sim sobre o Lesca, um branco elaborado com Chardonnay. Bem, não é bem do Lesca, porque estava esgotado, mas de seu irmão, o Bom Vallon Chardonnay Sur Lie 2007.

                 Eu que adoro vinhos brancos bem minerais e com boa acidez, em especial os Chablis, me encantei com este delicioso vinho. Fermentado em tanques “Sur Lie”, sem passagem por madeira gerando um vinho extremante elegante, muito fresco e refrescante. O teor alcoólico, apesar de alto para um vinho branco, em torno de 14º, não se nota em nenhum momento tamanho seu equilíbrio, passando, raspando, por meu teste da Terceira Taça. Vibrante com grande mineralidade, maçã verde, algo de limão, com muita delicadeza como que se acariciasse a boca com vagas de prazer. Não é um vinho de guarda, talvez dois a três anos, devendo ser tomado jovem com frutos do mar, ostras, peixes pouco condimentados, ou até como aperitivo, pois é um vinho leve e suave. Muito agradável, é mais uma boa dica do Luiz, mesmo que indiretamente, de que gostei muito. Agora, assim que der ($), tenho mesmo é que provar o Lesca!

  • Produtor – De Wetshof Estate.
  • Importador – Mistral
  • Região – Robertson Valley, Southern Cape
  • País – África do Sul
  • Composição uvas – 100% Chardonnay.
  • Detalhes Produção – Fermentado em tanques, Sur Lie por alguns meses e remexido semanalmente.
  • Teor de álcool – 14º.
  • Safra – 2007.
  • Preço médio em Abril/08 – R$50,00
  • I.S.P –