Boa Família de Vinhos Chilenos – Nancul!

Já faz um tempinho que não comento vinhos chilenos, porém pretendo mudar isso a partir de hoje compartilhando com vocês alguns rótulos chegando ao Brasil agora e outros há tempos aqui porém pouco conhecidos. Hoje começo falando do Nancul, uma linha de vinhos produzida pela Hugo Casanova e importada pela Lusitano Import com exclusividade para o Brasil.

nancul familyNancul Family Reserve 2012, um jovem ainda em plena adolescência! Na minha percepção de valor é um vinho para algo ao redor de uns R$150 a 160,00 e só por isso já me dá muita satisfação apresentá-lo aqui pois seu preço médio é de R$115 a 125 ou seja, ficamos com a sensação de que nos demos bem! rs

Um blend de Cabernet Sauvignon com Syrah, Ainda novo, mostra bastante estrutura com taninos firmes, robustos mas finos, bom volume e textura de boca, sem goiabas nem pimentão (apesar de chileno – rs), fruta abundante, complexo e denso na boca, aromas de frutos do bosque negros (mirtilos e coisas do tipo) com um toque de especiarias, a meu ver um vinho que poderia até passar por uns 30 minutos de aeração ou até guardar por mais uns dois anos, mas acho isso tarefa das mais difíceis! rs  Dez meses em tanques de inox, depois passa for 15 meses de barrica e descansa 10 meses em garrafa para afinamento e nosso deleite, senhor vinho!

Nancul Collection Reserva Malbec 2015 – Gama média desta linha e arriscaria dizerNancul malbec que a percepção de valor deste vinho andaria ao redor de 70 a 75,00 a garrafa, porém para nosso deleite o preço final ao consumidor está em torno de 60 pratas, mais uma ótima compra.

A Malbec, de um terroir menos conhecido mas que gera varietais muito interessantes só que em estilo diferente do que estamos acostumados da Argentina. Pessoalmente achei muito legal este Malbec chileno num estilo menos potente e mais elegante de taninos finos e fruta abundante porém sem aquela fruta super madura muitas vezes encontrada nos vinhos argentinos de baixo preço. Um vinho que surpreende, até em função do preço, muito agradável de tomar, de corpo médio e sedoso final de boca, para tomar sem parcimônia e muito versátil de harmonização, do hamburguer, passando pela pizza até um bacalhau ao forno! Para tomar muitas sem cansar, o que nem sempre se consegue com os vinhos argentinos similares, com os amigos num bate papo informal, um vinho que fez minha cabeça nesta gama de preços.

Este primeiros dois vinhos fizeram parte dos Frutos do Garimpo de Junho, mas já tive oportunidade de conhecer o Cabernet Sauvignon da linha básica deles, a Classic, que está numa faixa de preços entre R$40,00 a 45,00. Mostrou boa densidade de boca, aromas convidativos típicos da cepa, taninos aveludados, médio corpo, apresentando características de um vinho de valor mais alto. Dei a degustar a mais dois amigos que fizeram uma avaliação muito positiva pois o acharam um vinho de uma faixa  entre R$60 a 70,00. Nessa faixa encontrar qualidade está cada vez mais difícil, então fiquei bastante feliz ao me deparar com este rótulo.

Ainda tenho mais dois vinhos a provar, o Merlot e o Carmenére da linha Elegant, vinhos que ficarão colocados num segmento entre o Classic e o Reserva. Deles falarei em outro post semana que vem, mas o que começa a se firmar como marca característica desta família de vinhos é de que estamos diante de rótulos muito competitivos em todas as faixas de preço entregando bem mais do que pagamos por eles, verdadeiros achados que fazem a alegria de nós consumidores. A precificação, ainda mais nos dias de hoje, é essencial e acho que a Lusitano Import (importador da marca Nancul) acertou a mão, pelo menos do ponto de vista do consumidor, trazendo-nos vinhos com excelente relação Qualidade x Preço x Prazer!

Por hoje é só, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou por aí numa das muitas esquinas de nossa vinosfera. Fui, saúde e boa semana a todos.

 

Conhecendo o que faz o MOVI

Muito bem, já falamos aqui dos vinhos, das regiões, das empresas, mas o que é que realmente faz com que o MOVI seja o que é? Entrevistei a amiga Angela Mochi que com seu marido Attilio (o quietinho da dupla – rs) iniciou suas atividades com uma loja em Campinas, virou importadora, fechou e se mudou de mala e cuia para o Chile com um sonho que se concretizou, produzir vinhos de identidade própria no Chile. Assim nasceu a Attilio & Mochi uma das vinícolas associadas do grupo:

Falando de Vinhos: Angela, o que é necessário para entrar no grupo, quais os parâmetros básicos que são considerados para aceitar um novo produtor no grupo?

Angela: Primeiro, que o vinho seja produzido em escala humana, ou seja, que os sócios estejam diretamente relacionados com o negócio, que não sejam apenas “acionistas”. Depois, que o vinho seja muito bom (isso é bastante subjetivo, mas a ideia é que não existam vinhos “Chilenos” no MOVI e sim vinhos que façam a diferença dentro do panorama vitivinícola Chileno. Para tanto, cada produtor que quer entrar para o MOVI precisa submeter os vinhos a uma degustação do Diretório. Também, é preciso que quem postule a entrada conheça algum membro que esteja disposto a patrociná-lo dentro do Movimento. O conceito por detrás é que quem entra sabe exatamente o que esperar da associação, uma vez que o padrinho já fez o trabalho de explicar tudo. Além do mais, está o sentido de cobrar dos membros responsabilidade quando se indica alguém, que essa pessoa/empresa seja compatível com os princípios do grupo de trabalhar em conjunto pelo grupo.

FV: Quantos sócios compõem o MOVI hoje?

Angela: Hoje somos 32, do extremo norte ao extremo sul, desde o Atacama até a Patagônia.

FV: Qual a produção total anual estimada do MOVI?

Angela: Essa é uma boa pergunta. Não temos essa estimativa feita, mas eu diria que estamos provavelmente bordeando umas 80.000 caixas de 12 ou seja, algo ao redor de 960 mil garrafas anuais.

FV: Quais das vinícolas associadas possui a maior e menor produção e quanto?

Angela: A maior é von Siebenthal, com umas 20.000 caixas (cerca de 25% da produção estimada do grupo) e a menor é Rukumilla, com umas 500 caixas.

FV: De forma resumida Angela, qual o objetivo e mote que rege o MOVI?

Angela: Principalmente permitir que pequenos vinhateiros sejam capazes de criar vinhos com personalidade, numa escala humana e de maneira sustentável ao longo do tempo. Também, interferir, de maneira positiva, na maneira como o Chile produz vinhos hoje, além de mostrar esse outro lado do país em termos de vitivinicultura.  MOVI é o Movimento de Vinhateiros Independentes do Chile, apresentando uma perspectiva moderna como país vitivinícola. Complementamos e contribuímos, uma contra cultura que apresenta resposta a noção antiquada de que os vinhos chilenos padecem de personalidade. Trabalhando em conjunto, costuramos um mosaico do vinho chileno, mostrando através do vinho, uma coletânea da personalidade individual de nossos membros. Através da associatividade, damos voz e uma marca para os vinhateiros independentes que se atrevem a pensar “pequeno”, num projeto maior em que a ênfase é mostrar a existência de um Chile vinhateiro mais puro, profundo e verdadeiro – o Chile real!

Bem amigos, aqui no blog há diversos posts sobre este tema desde 2012 então basta digitar MOVI em pesquisa (search – canto direito superior) e sair lendo. Agora, fica óbvio que a conclusão final só pode ser alcançada de uma única forma, provando! Então amigos, vamos ás compras? Que Baco guie seus passos, saúde, kanimambo pela visita e um belo final de semana olímpico para todos. Semana que vem seguimos por aqui, fui!!

 

 

 

Uma Outra Visão do MOVI

Não pude estar presente no último evento do MOVI então pedi à Raquel Santos, que os amigos já conhecem de outros posts por aqui, que me representasse e tecesse seus comentários sobre esta experiência, acho legal comparar opiniões. Como saber que vinhos são do MOVI? Bem,movi-logo-preto1 você pode ver a lista de produtores no meu post anterior clicando aqui e no contra rótulo da garrafa buscar o logo do movimento impresso,este aqui do lado, simples assim. Eis o que a amiga, confreira e sommelier Raquel têm a nos dizer do que viu, escutou e provou no MOVI Night.

“Aconteceu no dia 10/08 mais uma edição do encontro dos produtores independentes chilenos aqui em São Paulo. Esse grupo, que existe desde 2009, reúne jovens apaixonados pela vitivinocultura do seu país que buscam incansavelmente a qualidade e excelência em seus vinhos. São pequenos na produção individual, mas quando se juntam tornam-se grandes. O vínculo que carregam é a preservação mais pura da expressão e identidade,do seu terroir.

Esse ano a apresentação foi dividida em três flights:

  1. O novo Chile com mais personalidade.
  2. Os clássicos recarregados.
  3. O antigo agora é o novo – do Atacama ao Maule.

Começando pelo “novo Chile” procurei primeiramente pelos vinhos brancos. As opções eram bem pequenas em relação aos tintos. Apenas 1 espumante, 4 ou 5 Sauvignon Blanc e só 1 Chardonnay. Todos da região de Casablanca que fica no caminho entre Santiago e o litoral, local de clima frio, ensolarado e com grande influencia dos ventos marítimos vindos do Pacifico.

Merecem destaque o Catrala–Sauvignon Blanc – Cítrico, com toques de grapefruit, limão siciliano e notas florais. Acidez que faz salivar, pedindo comida para acompanhar. Outro Sauvignon Blanc que chamou minha atenção foi o Marina – Garcia+Schwaderer – igualmente fresco, com mais corpo e mineralidade bem presente, quase salino. O único Chardonnay era excelente: Villard – Chardonnay – fresco e complexo, com madeira bem delicada. Boa acidez, encorpado. A fermentação começa em tanques de inox e termina em barris de madeira francesa por 6 meses com malolática, que conferem aromas amanteigados, com baunilha e boa estrutura.

Seguindo a sequencia estabelecida, parti para os tintos e confesso que não notei bem a diferença entre o “novo”, “os clássicos” e “os antigos”…No geral, as diferenças eram mais aparentes pelas características do clima.

1-Litoral, que recebe os ventos frios do Pacífico=frescor, mineralidade e boa acidez.

2-Entre cordilheiras, com muita luminosidade e calor= vinhos potentes, frutados e com taninos presentes.

3-Andes, amplitude térmica com muito sol durante o dia e muito frio no nascer e por do sol=vinhos aromáticos, frutados, com taninos mais macios.

Passada essa primeira impressão, aparecia obviamente as características das castas locais, onde a tinta Carmenére reina absoluta. Vinhos varietais ou em cortes eram a maioria e apesar do alto nível de qualidade, esse estilo robusto e potente não fazem muito a minha cabeça. Mas o mais importante aqui era a assinatura do enólogo que não deixava passar incógnita alguma expressão pessoal, algum toque que fazia diferença entre cada vinho provado. Entre eles, gostaria de destacar os que mais me encantaram:

Peunayen- Carmenére, potente, cheio de frutas maduras e final achocolatado.

Laura Hartwig-Cabernet Sauvignon, harmonioso e bem feito.

Vultur- Carmenére+PetitSyrah+PetitVerdot, da região de Colchagua. Corpo com elegância.

Aluvion(Lagar de Bezana)-Alto Cachoapal. Cabernet Sauvignon+Syrah+PetitVerdot+Carmenére. Fresco e boa estrutura.

Own- Carmenére+PetitVerdot+Petit Syrah. Produção mínima, com garrafa numerada.

Rukumilla-Syrah+CabernetFranc+CabernetSauvignon+Malbec. Orgânico que mostra personalidade.

Erasmo-Cabernet Sauvignon+Merlot+Cabernet Franc. Orgânico do Maule, muito elegante.

MELI Dueño de la Luna-Carignan. Do Maule, muito delicado, fresco e cheio de sutilezas.

Fillo-Carignan-(Bowines)-Frutado e vibrante.

Garage-Carignan Field Blend 2013- Do vale de Itata, nasceu literalmente na garagem de seu criador(Mosman Derek). Fermentação natural, com leveduras selvagens, mostra muita fruta com especiarias, flores e ervas aromáticas, evoluindo para notas terrosas. Muito expressivo, genuíno e equilibrado.

O vinho, como qualquer produção agrícola é um elemento cultural importante que reflete o desenvolvimento da humanidade. As mudanças climáticas, com drásticas elevações da temperatura, já é uma realidade mais que visível e a preocupação com o manejo do meio ambiente deve ser encarado como fator de qualidade do produto.Adaptações de abordagem de mercado se fazem cada dia mais necessárias para que se possa colocar em prática uma filosofia que dê continuidade aos elementos intrínsecos à nossa cultura.

Foi um belo panorama do que está sendo feito de novo naquele país. Quando pequenos se juntam e ganham visibilidade, mostram que de uma célula pode-se formar algo maior. Quando você estiver levando aquela taça de vinho à boca, lembre-se que tudo começou de uma semente que se transformou numa parreira que por sua vez transformou-se em cachos suculentos de uva. Destas uvas foram feitas o vinho, que engarrafaram para que você pudesse ter uma pequena amostra de todo um terroir”

MOVI – Quem Sabe faz a Hora Não Espera Acontecer!

Há uns quatro anos atrás conheci e celebrei essa lufada de ar fresco vindo do Chile. Era o MOVI que se criava e hoje demonstra robustez dentro de um projeto quase lúdico que deu muito certo. MOVIMovimento dos Vinheteiros Independentes do Chile é uma associação de um grupo de produtores loucos por vinho que põem a mão na massa para produzir apenas algo ao redor de 40.000 caixas ano, ou por volta de 500 mil garrafas no total! Tem gente nesse grupo que produz ínfimas 1000 caixas ano ou seja, são produtores artesanais movidos por um projeto pessoal onde a paixão é colocada em prática “refletindo o caráter e identidade do terroir de seu local de origem”.

Cada um tem seus canais de venda específicos e toca seu negócio de forma independente, porém a associação trata de promover conjuntamente as empresas e seus produtos e que produtos! Fazia tempo que não participava de uma degustação tão marcante com presença de vinhos deste patamar de qualidade mostrando que a vida para além dos grandes conglomerados e rótulos midiáticos chilenos existe e é de primeira linha.Uma pena que não pude comparecer esta semana no MOVI Night! Nascido em 2008 com doze produtores, hoje totaliza 26 porém o grupo segue aberto a outras inclusões.

Clipboard Full Movi

Quando provei há 4 anos atrás, esta semana não pude participar porém minha amiga Raquel Santos me representou e certamente em breve teremos seus comentários por aqui, o que mais me impressionou foram dois pontos; a diversidade e a qualidade. Fora dos padrões de massificação bem feitinha e padronização com a qual o Chile ficou famoso, mostrando claramente que o vinho pode sim mostrar personalidades diferentes dependendo do terroir e da gente (que faz parte desse terroir) que os faz. Fique de olho nos rótulos desse pessoal, valem muito a pena serem conhecidos!

Não sou de dar nota para vinhos, exceto em concursos e degustações do qual participo e haja essa necessidade, porém se tivesse que o fazer nesse dia creio que 80% desses vinhos teriam pontuação acima de 90 pontos o que, para mim, não é comum fazer. Afora uns três ou quatro rótulos “somente” bons, todos vinhos de grande categoria e uma meia dúzia marcantes.

Na época em que escrevi sobre este tema, uma parte do objetivo era dar um toque aos pequenos produtores artesanais brasileiros que não participaram da excrescência de tentativa de golpe pelas elites produtoras nacionais contra o consumidor brasileiro com a instituição Salvaguardas ao Vinho Brasileiro (leia-se aumento de impostos para os importados fora do mercosul), para que se aventurassem com sua própria associação com projetos mercadológicos conjuntos, saindo pelo Brasil mostrando sua cara aos formadores de opinião e publico em geral. Que deixassem de ficar se lamentando pelos cantos, que agissem, tomassem uma atitude tipo MOVI e fizessem acontecer porque como já dizia Vandré; “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”, porém lamentavelmente não vi nada nesse sentido acontecendo depois de 4 longos anos, acho uma pena!

Enfim, deixemos isso para lá já que o tema é mesmo o MOVI, seus produtores e seus vinhos. Enquanto a Raquel não nos traz seus comentário, caso você queira saber um pouco mais, clique aqui e veja o que achei de alguns desses vinhos que provei em 2012. Kanimambo pela visita e um ótimo final de semana.

Salvar

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Um Novo Pinot na Taça, Gostei.

No extremo sul do Chile, três regiões vêm num crescendo como fronteiras ainda a serem melhor exploradas e conhecidas. Bío-Bío a mais conhecida de que maioria já ouviu falar assim como Malleco, mas o Vale de Itata é um pouco mais recente. Apesar de produzir vinhos desde os idos de 1600, somente em 1994 foi oficialmente designada como uma D.O. (denominação de origem).

O Vale de Itata está pouco mais que 500kms ao sul de Santiago onde, de acordo com especialistas chilenos, se geravam os melhores vinhos do país durante a era colonial. Situadas em pitorescas colinas, as vinícolas tentam agora resgatar esse antigo legado de vinificação introduzindo novas castas, recuperando antigos vinhedos e focando na produção orgânica de mínima intervenção. Solo de rocha granítica, terra úmida descartando necessidade de rega, clima mais frio, variações térmicas grandes, trazem aos vinhos um caráter mineral, de boa acidez e taninos suaves.

Casa Diego PinotFoi desta região que me chegou às mãos este Casa Diego Reserva Pinot Noir, vinho que se situa aí na casa dos R$55 a 60,00 e que provei junto com uma amigo visando colocá-lo, ou não, no portfolio da Vino & Sapore. Ao abrir e no primeiro gole já me veio à cabeça um certo preconceito que tenho contra os Pinots do novo mundo que geram até vinhos de qualidade, porém escuros, bastante extração de taninos e cor, a meu ver sem qualquer tipicidade da cepa e, se às cegas, poucos a identificariam. Mais um pensei eu, lego engano!!

Com passagem de dez meses por barrica, que imagino sejam de segundo e terceiro uso,a presença da madeira não se sente tanto, estando algo sutil. Na primeira fungada o que me veio à mente foi fruta madura, na boca médio corpo, com essa fruta aparecendo de forma mais compotada o que, a meu ver, não combina muito com a Pinot. Com um tempo em taça,no entanto, essa sensação de fruta mais madura foi sumindo e a tipicidade da Pinot começou a aparecer de forma mais convincente e sedutora. Frutos mais frescos e delicados, algumas notas animais, taninos finos, boa acidez, e um final algo mineral. Pelo preço achei bem bacana então acabei por tomar um tempinho a mais pesquisando a região para poder compartilhar o vinho com os amigos.

Mais um que passou pelo meu crivo e aprovou e lhes digo, cada vez mais complicado encontrar bons vinhos nessa parte mais baixa da pirâmide de preços, então fico contente quando acho um. Espero que quem tiver a oportunidade de o conhecer acabe tendo a mesma impressão que tive, saúde! Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aí! Uma ótima semana para todos.

La Playa Claret, Petit Verdot em Ação!

Tenho uma queda por vinhos elaborados com esta casta, difícil em varietais, mas que possui a tendência de aportar complexidade aos vinhos assim como uma enorme capacidade de os “arredondar”.  Nos últimos tempos temos visto ótimos exemplares de varietais de Petit Verdot vindo do Chile, da Argentina e da Espanha, regiões mais quentes onde a uva atinge seu nível de maturação de forma mais regular. Um dos meus favoritos é o Finca Decero Petit Verdot que há dois anos ganhou o Troféu de melhor vinho de Mendoza pela Wines of Argentina, assim como os chilenos Perez Cruz Chaski e o Casa Silva, todos grandes vinhos, porém de preço idem!

petit_verdotMais acessíveis são aqueles vinhos em que encontramos a Petit Verdot como participante de blends e garimpar esses vinhos é algo que me agrada bastante, pois, ao que me lembre, dos muitos provados só um não fez minha cabeça! Normalmente, inclusive em Bordeaux de onde é originária, é usada em porcentual pequeno, entre 7 a 10%, porém não é incomum ver belos blends onde esse porcentual é amplamente ultrapassado. Antes de falar deste La Playa em que 40% do corte é desta uva, compartilho com você a opinião de dois amigos enólogos que prezo muito:

1 – Miguel de Almeida é o enólogo do projeto Seival da Miolo, jovem e competente, de origem lusa. Lhe perguntei o que ele achava desta casta, veja o que ele respondeu:  “sobre o Petit Verdot, no Seival temos 2 hectares desta uva [o único vinhedo do Grupo Miolo a tê-la no encepamento]. A Petit Verdot é uma uva de cacho e grão pequenos que entrega aos vinhos sempre muita cor, acidez e tanino. Das não tintureiras, é a seguir ao Tannat a uva que mais cor e estrutura coloca nos vinhos. Por aqui é uma uva de boa maturação, média resistência à umidade, quase tardia e generosa em produção. Gosto de Petit Verdot como monovarietal, mas como temos pouco PV, usamo-la sempre em corte e sempre intensifica o visual do vinho e prolonga a longevidade do mesmo.”

2 – Tomás Hughes – Argentino, enólogo da ótima Finca Decero (Mendoza), que possui, na minha opinião, o melhor Petit Verdot da Argentina e o usa também no seu vinho ícono onde participa como coadjuvante no corte, o Amano. Eis o que ele me respondeu: “De mi punto de vista , cuando usamos PV en cortes, este ayuda a terminar la boca, dándole elegancia, largo y un toque de jugosidad. En lo que se refiere a nariz aporta notas a especies frescas las cuales se combinan muy bien con los aromas de malbec y cabernet,  generando un marco de aromas sutiles y elegantes que forman base de una gran complejidad.  Es un varietal de gran personalidad que rápidamente toma protagonismo en los cortes, por ende si uno quiere trabajar sobre un corte donde no quiere el PV como driver, tiene que trabajar con proporciones inferiores al 10%. Por ej, en nuestro “Blend Amano”.

Este é um corte inusitado e muito bem feito onde a Peti Verdot tem papel de protagonista avaliado em 2014 pela Wine Enthusiast (http://www.winemag.com/buying-guide/la-playa-2011-block-selection-reserve-claret-red-c ) com 88 pontos e classificado com um dos melhores 100 Best Buys desse ano com um preço médio de USD12 nos EUA, o vinho está no ponto!

Tradicionalmente este vinho segue uma composição de castas bordalesas, mas o enólogo se permite variar isso ano a ano dependendo da safra e da evolução das uvas no ano. Em 2010 seu corte foi composto de Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Carmenére, porém neste anos de 2011 esse blend sofreu variações. O corte deste vinho de safra 2011 é uma composição da Petit Verdot (40%)  com Malbec, Cabernet Franc e Syrah, que é uma uva do Rhône, que resultou muito bem.La Playa

Ao abrir uma garrafa para prova com os amigos, a primeira percepção foi de qualidade, muito boa paleta aromática, com uma boca densa, complexo, porém de taninos aveludados. O fato de ter um forte porcentual de Petit Verdot no vinho, contradiz um pouco os conceitos emitidos por diversos enólogos e especialistas o que me faz crer que há ainda muito a estudar sobre a enorme capacidade de desenvolvimento que esta casta ainda tem pela frente e, por outro lado, confirma de que não existem verdades absolutas em nossa vinosfera. Por sinal, me lembro bem de um vinho português marcante que se foi e deixou saudades, o Terras do Pós Syrah/Petit verdot 50/50 outro belo vinho!

Neste caso do La Playa Block Selection Reserve Claret 2011 (que de claret não tem nada), mais uma vez fica comprovada a característica da casta em gerar blends de muita qualidade sem que necessariamente os vinhos tenham que ser caros. Os aromas com notas florais e frutadas, pedem para levar o vinho á boca e a entrada de boca é impactante para um vinho deste valor. Ótima estrutura, boa acidez, frutos negros (ameixas e cerejas?), algum defumado, muito harmônico e vibrante, final de boca de boa persistência com notas de baunilha e cafés fruto de seus doze meses de barricas americana e francesa.

Mais um vinho que fez parte da seleção de Fevereiro da Confraria Frutos do Garimpo (link no banner acima aqui no canto direito do blog) que também teve a presença do Clos Lagoru espanhol de Jumilla. Uma ótima semana a todos e seguimos nos encontrando por aqui, pelas estradas de nossa vinosfera ou, quiçá, na Vino & Sapore onde sempre haverá uma taça para compartilhar com os amigos. Saúde e kanimambo pela visita.

Mais Um Branco na Taça, Desta Feita um Riesling!

Desde o inicio do ano que venho me deliciando com os mais diversos rótulos de vinhos brancos, alguns já comentados, outros ainda na linha de produção! rs Quando estive em Floripa trouxe alguns vinhos da Apaltagua comprados no Armazém Conceição e de importação própria.
Gostei muito do espumante, tenho um Chardonnay e um Syrah ainda por provar, mas desta feita abri foi um Riesling da linha reserva. O Chile produz alguns bons Rieslings e descobri que este é um deles.

apaltagua rieslingOntem fui para a cozinha preparar a janta e como não consigo cozinhar sem vinho, optei por abrir esta garrafa e foi uma ótima opção. Na comida não coloquei nada não, mas na taça, bem deixa para lá! rs Cor linda, amarelo pálido, brilhante como uma espiga ao sol, só a foto que não mostra, linda e convidativa! Notas cítricas, leve floral e um petrolato bem sutil característica da casta no olfato. Esse petrolato em excesso me incomoda, mas quando sutil é convidativo e forma um bouquet bastante interessante, gostei deste. Na boca é muito balanceado, fruta abundante, fresco, o mineral bem presente, final seco com retrogosto de quero mais! Preciso armar mais uma daquelas harmonizações de Eisbein com Riesling e botá-lo á prova na mesa, fiquei curioso.

Tenho gostado do que venho provando deste produtor, agora estou com o Chardonnay em ponto de mira, acho que deste fim de semana não passa não! Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando pelas estradas de nossa vinosfera ou por aqui a qualquer momento.

Uau, Isso que É Perlage!

Nas minhas curtas férias provei alguns vinhos novos que aos poucos compartilharei aqui com os amigos. Um deles foi uma surpresa para um amante de espumantes que nem eu e que vem confirmar que os chilenos também estão de olho nesse mercado brasileiros produzindo bons vinhos com preços bastante razoáveis. Os nossos produtores que abram o olho!

Apaltagua CosteroApaltagua Extra Brut Costero – um Blanc de Blancs, Chardonnay e Sauvignon Blanc, da ótima região de San Antonio conhecida por seus vinhos brancos de excelência em função de um terroir privilegiado, elaborado pelo método champenoise. A primeira fermentação é feita em tanques de inox, permanecendo o vinho em contato com as borras (Sur Lie) por três meses antes de ir para a garrafa para a segunda fermentação onde permanece cerca de sete meses antes do degorgement e encapsulamento.

Esse blend, bastante usados em vinhos tranquilos no Chile, é muito interessante pois o Sauvignon Blanc traz um frescor muito interessante ao vinho enquanto o Chardonnay aporta mais complexidade e corpo. O resultado é um espumante vigoroso com uma perlage que impressiona, bonito colar de espuma, aromas cítricos e algo de maçã verde. Na boca a perlage realmente impressiona mas o cítrico aparece menos, despontando notas mais maduras de frutos tropicais com nuances de amêndoas, leveduras e um intrigante retrogosto algo salgado que mexe com nossas papilas gustativas de forma diferenciada e marcante, final bem seco, fresco e creio que com ostras frescas deve ficar da hora! Não tomei nota de nada na hora, mas ao começar a escrever cerca de 10 dias após o ter tomado, as sensações que vivi simplesmente começaram a aparecer na mente, o que em si já é um bom sinal.

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Surpreendente Sauvignon Blanc Chileno

Costumo dizer que vinho sem adjetivo é um vinho mudo e sem alma, porém este é tagarela e já no olfato diz ao que vem. Me aguardem, cheguei, disse-me ele meio fanfarrão e olha que não perdi por esperar!

hamb_salmaoEste encontro se deu neste último Sábado quando promovi um evento enogastronomico luso com o Food Truck Perfil de Chef do Gonçalo e Liliane em que harmonizamos pratos e vinhos da terrinha. Aí você me pergunta, que diabos faz um chileno nesse meio e eu explico! É que uma das marcas registradas do Perfil de Chef é um Hamburguer delicioso de Salmão com dill e creme de wassabi que optamos por levar ao evento como uma opção fora da curva e aí a ideia de colocar esse Sauvignon Blanc. Decisão para lá de perfeita, soberbos o prato e o vinho que juntos foram show!!

William Févre Little Quino Sauvignon Blanc 2012 da nova fronteira mais ao sul do Chile, o Valle del Malleco, ótimo para uvas que gostam do frio como Chardonnay, Pinot Noir e Sauvignon blanc como este vinho mostra. Aromas de grande expressão; frutos brancos, Little Quino Sauvignon Blancgrama molhada, notas cítricas e um tanto de maracujá, para fungar por um tempão! Na boca explode cheio de energia e frescor, muito balanceado e cítrico bem presente, com um final de boca que não acaba nunca e nos deixa com um sorriso nos lábios, eta sensação gostosa.

Sobrou uma meia garrafa do evento e trouxe para casa já pensando no almoço de Domingo a dois. Lula grelhada com um molho de azeite, limão e alho, purê de batata e arroz porque já estava prontos e eu tava com uma preguiça danada. Mais uma harmonização da hora e um belo vinho na taça que já deixou saudades. Na casa das 80 pratas, antes do aumento (mais um!!) da ST, uma bela escolha um vinho para lá de porreta!

Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer esquina de nossa vinosfera. Uma ótima semana para todos

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Hummmm, que Delicia!!

Camarões á piri-piri (Moçambique), já publiquei aqui inclusive com a receita, e quando dá ($!) me lambuzo inteiro! Desta feita me tratei em dose dupla, a primeira com esse excelente Sauvignon Blanc da Loma Larga, Camarão piri-piri com Loma Larga Sauvignon Blancelaborado em Casablanca/Chile, que casou à perfeição não sobrando gota para contar a história. Bela acidez bem balanceada, frutos tropicais, fino, grama molhada sem excessos verdes, inebriante e sedutor, notas cítricas de final de boca com alguma mineralidade, estilo mais Loire de ser,  um vinho que certamente voltará mais vezes a minha taça! De entrada tivemos deliciosos mexilhões à vinagrete elaborados por meu genro Julio (bom de cozinha o garoto!) e o casamento com esse Loma Larga foi sublime.

.O segundo na taça, um ótimo branco luso, não poderia faltar um, o Morgado de Sta. Catherina Reserva da região Lisboa, DOC Bucelas. Um Arinto 100% fermentado em barricas borgonhesas,com 8 meses morgado e camarãosur-lie, que se integra com perfeição á fruta e acidez típicas da casta,com um final mineral e algo especiado. Cremoso e sedutor, é um vinho que me encanta normalmente e que mais uma vez confirma sua aptidão gastronômica. Um grande parceiro ao camarão, num estilo diferente do Loma Larga, um pouco mais encorpado, mas igualmente prazeroso.

Mexilhões, camarão, salada tropical, dois belos vinhos brancos, ótima companhia, nesses momentos a gente até esquece os problemas. Pena que no dia seguinte caímos na real, enfim, life must go on! Este foi meu presente de aniversário comemorado com quem mais amo (minha família) apenas faltando algumas peças nesse quebra-cabeça.Cheers, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui. Ótima semana para todos e espero que 2015 possa ser repleto desses momentos para todos nós.

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