Mariana Mudou e Para Melhor!

O vinho logicamente! rs Há uns meses tive a oportunidade de participar de uma degustação de vinhos Ibéricos da World Wine e um dos pontos em que mais me demorei foi na Herdade do Rocim, onde o prazer se cultiva (gostei disso!). O Pedro Ribeiro, diretor geral e enólogo da Herdade, tem algo em comum comigo, ambos desfrutamos por algum tempo do convívio com a saudosa amiga Inês Cruz e “só” isso já rendeu um bom papo.

Antes de falar do Mariana, provei bastante coisa, deixa eu comentar o excelente trabalho que o Pedro e a Herdade vêm fazendo por lá e já coloquei esta casa produtora em minha wish list para uma próxima viagem ao Alentejo. Vejamos:

Herdade do Rocim Branco – um tradicional corte de Antão Vaz, Arinto e Roupeiro muito rico, equilibrado, seco, boa fruta puxando para as notas cítricas, e de boa persistência. Na casa dos 100 reais, um vinho bastante interessante e cumpridor!

Olho de Mocho Reserva Branco 2014 – grande vinho na minha modesta opinião, um 100% Antão Vaz com uvas de vinhedos de mais de 70 anos com passagem de seis meses por barricas francesas. A Antão Vaz vinificada só, normalmente gera vinhos de bom corpo, untuosidade e frescor, este não foge á regra. Madeira muito bem aplicada, levanta o conjunto e dá-lhe complexidade sem comprometer, longo, cremoso, boa textura, fresco com uma certa mineralidade de final de boca que persiste por um tempão! Na casa dos R$140,00.  Para quem não sabe, mocho é coruja lá na terrinha.

Herdade do Rocim Tinto 2014 – Corte de Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Aragonês de taninos finos e macios, aromas algo tímidos com notas florais, fruta mais madura em boca com um toque final de especiarias e um certo frescor. Vinho fácil de agradar ao palato da maioria, passagem de 8 meses por barricas francesas. Na casa dos 110 Reais.

Olho de Mocho Reserva Tinto 12 – Pisa a pé, corte de Touriga Nacional, Alicante Boushet e, surprise, Tannat! A cada ano o corte pode sofrer mudanças e para 2013 o Pedro me disse que foi Alicante Bouschet, Tinta Miúda e Petit Verdot e me deixou muito curioso por provar. Quem sabe não pinta uma oportunidade logo e se in loco melhor ainda! rs Um vinho que salta alguns degraus na minha opinião e que me seduziu não só por sua complexidade, mas por sua finesse mesmo que apresentando maior austeridade e corpo, 16 meses de barrica francesa, vinho ainda jovem com muitos anos para evoluir e nos dar prazer certamente. Muito bom vinho e como tal já na casa das 200 pratas.

Pois bem, estava deixando de lado o Mariana, um vinho de entrada que já conhecia de velhos carnavais e, bem, não era ruim mas também nunca me seduziu. Tinha igual de monte por aí e, até em função disso, sem personalidade. Só que o Pedro me convenceu a prová-lo, me garantiu que o vinho era outro após as mudanças feitas por ele e equipe. Ora pois, não é que o gajo estava certo!!

Mariana Tinto – Deixei por último não porque seja o melhor ds vinhos provados, mas porque foi o que mais me surpreendeu e porque é o mais acessível o que, nesta crise e com os preços em nossa terra brasilis, é sim um fator preponderante para a maioria na hora de se comprar um vinho, pelo menos para mim é! Corte de Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Aragonês com passagem de seis meses por barricas francesas de 2º e 3º uso, ganhou corpo e complexidade sem perder seu caráter mais jovial e fresco, com fruta vermelha madura mais presente, taninos aveludados e finos (característica de tudo o que provei deles) compondo um conjunto de muito boa qualidade, rico e equilibrado sem arestas que dá muito prazer de tomar. Na casa dos R$75,00 (preços atualizados porém podem existir estoques antigos por aí) um vinho que cabe no meu bolso e me entrega prazer ao tomar, destaque a meu ver e certamente achará seu caminho para minha adega! rs Gosto de vinhos que falam comigo e este tem um papo que me agradou, rs.

Herdade do Rocim - Prova

Bem, por hoje é só e na dúvida já sabem, o vinho é luso!! rs Kanimambo pela visita e seguimos nos vendo por aqui ou por aí nas estradas de nossa vinosfera. Saúde, fui.

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Alejandro Fernandez é o Homem Por Trás dos Vinhos Pesquera!

Sim, é através dele que podemos nos deliciar com vinhos como Dehesa la Granja, Tinto Pesquera, Condado de Haza e el Vínculo! Diversos vinhedos e bodegas, uma só uva; Tempranillo e um só país, Espanha. A marca Pesquera já virou um clássico na Ribera del Duero de onde também vêm os vinhos de Condado de Haza. Com o tempo as fronteiras ultrapassaram as de Ribera del Duero e nasceram Dehesa la Granja em Toro e El Vinculo em La Mancha, porém mantendo a filosofia do homem que as criou, só plantar e produzir vinhos com 100% Tempranillo e só produzir vinhos de grande classe com muita qualidade. Estamos acostumados a ver esse tipo de coisa em bodegas centenárias, mas aqui falamos de uma verdadeira façanha, pois no curto espaço de tempo de 40 anos, já virou ícone, fato esse que tem que se referenciar.

Tive o privilégio de junto com alguns colegas, estar numa apresentação destes vinhos na Mistral onde pude provar alguns destes grandes vinhos. Não é de agora que falo aqui deste importante e mítico produtor espanhol, tendo em meados de 2009 me apaixonado por um Dehesa la Granja Seleccíon 2000. Agora, minha paixão foi outra, o incrível Tinto Pesquera Reserva Especial 2003 sobre o qual já teci meus entusiasmados comentários aqui mesmo, porém provei alguns outros grandes vinhos sobre os quais tecerei alguns curtos comentários:

Pesquera wine selection
Alejairen, um branco elaborado com Airen, uma uva pouco usada em vinhos finos e muito menos em varietal 100%. Dois anos de barrica francesa, muito complexo, grande volume de boca, faz a cabeça de muitos porém é uma uva e vinho algo polêmicos. Pessoalmente não me encantou, porém é um vinho diferenciado e segue o padrão de qualidade da casa.

Dehesa la Granja – já com toques de evolução sem perder o frescor, rico, boa tipicidade mostrando uma tempranillo de maior estrutura. Muito bom.

El Vínculo Crianza com 18 meses de barrica. Vinho intrigantes, marcante com uma personalidade muito própria. Vinho para tomar devagar tentando destrinchar todas as suas virtudes. Belo vinho!

Condado de Haza Crianza 2009, 18 meses de barrica e o segundo vinho entre todos os que provei no dia só ficando atrás do inesquecível Tinto Pesquera Reserva Especial. Paleta olfativa divina, sedutora, onde os frutos negros se mostram em todo seu fulgor, notas tostadas, harmônico, ótimo volume de boca e taninos muito finos. Longo final que pede bis a cada gole, amei e entre todos, talvez a melhor relação Qualidade x Preço x Prazer.

Pesquera Crianza, mais um vinho de tirar o chapéu! Grande presença de boca onde o vinho mostra enorme complexidade, taninos aveludados, muita classe aqui! Grande vinho seguido de mais dois rótulos irretocáveis!

El Vinculo Reserva e Condado de Haza Reserva, ambos com 24 meses de barrica e mais doze em garrafa onde riqueza, estrutura e elegância se mesclam em total harmonia, porém com uma mínima dianteira do El Vínculo com uma personalidade mais marcante! Esses dois mais o Pesquera Crianza, são de tirar o fôlego, mas o preço já fica um pouco salgado para a maioria de nós.

El Vinculo Parage La Golosa Gran Reserva 2003 foi um “regalo” aos presentes e já o tinha comentado também lá em 2009! Um Gran Reserva e único que passa em barricas francesas por 24 meses. Prova engarrafada de que em La Mancha não só se faz quantidade, como se faz qualidade também! Mais um grande vinho na taça que só veio confirmar que onde este homem põe a mão só podemos esperar o melhor.

Mais uma grande prova de vinhos que deixou marcas e mostra que a pessoa certa por trás de um projeto pode e faz a diferença. Gracias por la oportunidade de catar tan buenos vinos de una sola vez. Salud, kanimambo e tenham todos uma ótima semana.

Bodega Vicentin na Taça

Recentemente tive a oportunidade de me juntar com uma série de ilustres colegas no Restaurante Piselli para conhecer os vinhos desta bodega que chegam ao Brasil pelas mãos da Galeria dos Vinhos do meu amigo Leandro Chicarelli com a assessoria de um profundo conhecedor desse mundo de Baco, o também amigo Breno Raigorodsky que um dia já foi colunista aqui do blog onde compartilhou um pouco de seu vasto conhecimento e experiência conosco.

Vicentin Rosado brutFomos recepcionados com um, a meu ver, belíssimo espumante de Malbec, o Vicentin Champenoise Rosé de Malbec, elaborado pelo método clássico, 12 meses de autólise, com um mix de uvas de cinco vinhedos diferentes em Lujan de Cuyo (Mendoza). Linda cor salmonada, fresco, ótima perlage, cítrico, acidez equilibrada que combinou ás mil maravilhas primeiramente com o bate papo entre os amigos e posteriormente com uma deliciosa Burrata sob uma cama de tartare de salmão. Para mim um dos destaques do almoço.

Combinando com a mesma entrada, foi servido um malbec branco, ou Vicentin Blanc de Malbecseja, um blanc de noir, o Vicentin Blanc de Malbec. Na verdade, não chega a ser branco e mais parece um rosado. Vinhedos de La Consulta e Vista Flores (Vale do Uco) com quase 15% de teor alcoólico, seis meses de barrica francesa aparentemente nova. Um vinho no mínimo diferente e marcante onde seu frescor equilibra bem a madeira que lhe aporta complexidade. Ficou bem com a entrada, mas explodiu mesmo quando no final da refeição foi servida uma incrível tábua de queijos do Capril do Bosque de Joanópolis (queijos de cabra) e deu tango! Para quem quer sair da mesmice e buscar algo bem diferente no mundos vinhos brancos, surpreenda-se!

Em seguida uma bateria de tintos onde dois vinhos roubaram a cena. Da linha de entrada o Dorado Blend com um corte majoritário de Bonarda com Malbec e um tico de Cabernet Franc com leve passagem de somente 15% do vinho por barricas de segundo uso, estava bem saboroso com taninos macios, fruta madura algo compotada, um vinho “cumplidor”, agradável e fácil de agradar o consumidor brasileiro em geral. Desta mesma linha o Malbec não fez muito minha cabeça tendo apostado Vicentin Malbec Blendminhas fichas no Cabernet Sauvignon.

O papo ficou sério mesmo quando chegou á mesa o Blend de Malbecs de La Consulta, Chacras de Coria, Tupungato e Las Compuertas com 9 meses em barricas francesas. Elegante, aromático, firme de boca, especiado, fruta, tudo muito equilibrado, sem arestas, tentador! Um belo vinho que seduziu a maioria dos presentes e a mim também.

Seu vinho top é o Colosso com 24 meses de passagem por barrica francesa. Vinho de boa estrutura, denso, porém sem excessos, mostrando potência mas de forma bastante elegante, longo, tendo acompanhado muito bem o Brasato di Vitello al Vino Rosso, uma feliz e muito bem trabalhada harmonização.

Na linha de seus produtos, eles possuem uma caixa de madeira Vicentin Backbonecomposta de algumas preciosidades da Bodega. A meu pedido, kanimambo, eles retiraram dessa caixa um exemplar do vinho Vicentin Backbone, um blend cofermentado de Cabernet Franc, Malbec e Petit Verdot, UAU! Uma pena que este vinho não vem solo (apesar de eles estarem estudando isso) e a quantidade produzida é ínfima, porque tomaria caixas caso tivesse o din-din para isso! Realmente a experiência só me comprova prova após prova que, colocou Petit Verdot no blend, pronto, garantia de um bom vinho e este não negou a regra. Grande vinho que já encanta no olfato e na boca é só prazer. Complexo, perfeita harmonia entre taninos finos, estrutura, acidez e riqueza de sabores, gostei demais, vinho para curtir sem pressa!

São cerca de 1400 Bodegas na Argentina, então sempre haverão novidades, umas boas, outras nem tanto, porém desta eu gostei e recomendo aos amigos fuçarem por aí e se permitirem aventurar nesses caldos “Vicentinos” ! Kanimambo pela visita e em breve mais algumas notas sobre outros vinhos e bodegas provadas. Salud e uma ótima semana para todos.

Vicentin Collection

Winebar Salton, Um Ano Depois!

Salton Lucia 1 - cápsulaSalvo engano, faz quase um ano que participei do encontro que a vinícola também promoveu neste Winebar e agora cá estamos de novo. Por filosofia de vida, sou extremamente coerente e há muito deixei de falar aqui de diversos produtores nacionais em função das tentativas de golpe contra o consumidor ao sugerir implantar salvaguardas contra os importados. A Salton, entre os grandes, foi o único que teve uma atitude à altura declarando-se, publicamente, contrário á aberração que alguns tentaram nos enfiar goela abaixo e, por isso, sigo falando deles. Me chamen de xiita, mas é assim que penso e pago o preço, mas deixa pra lá!

Enfim, o papo é outro, hoje venho compartilhar com os amigos minha opinião sobre os vinhos que degustei desse último Winebar de que participei, por alguns poucos minutos, tendo posteriormente e com mais calma degustado os dois espumantes e vinho tinto recebido. Acho que já comentei isso aqui, mas nunca é demais frisar, a Salton possui uma das melhores relações custo beneficio entre os produtores nacionais e é um porto bastante seguro pois desde seus vinhos de entrada de gama a qualidade costuma estar sempre presente.

Desta feita a vinícola nos enviou, a mim e diversos outros escribas do vinho, três vinhos para provar e comentar, vejam o que achei:

Salton proseccoProsecco – não entendo porquê ainda seguem usando essa marca nos espumantes produzidos no Brasil com a uva Glera (ex-prosecco) e acho que precisamos nos adequar ás normas mesmo que estas sejam somente inerentes à produção na união europeia (não sei se a OIV chancelou essa mudança de 2009), mas enfim esse é um outro papo para um outro momento, porém achei que cabia o toque. O espumante é saboroso, boa perlage (apesar de a foto não mostrar!), que é uma característica da casa, algo magro e leve que me pareceu ser feito pensando claramente no mercado de festas e eventos descompromissados. Fácil de tomar, fresco, cítrico, brut não muito seco porém menos doce que os Extra-dry italianos, certamente deverá ser um hit no verão (inclusive pelo preço na casa dos 35/40 Reais) quando o consumo aumenta e muiiito! Ótima opção para quem busca algo no estilo e melhor que a maioria dos vero proseccos italianos nesta faixa de preço.

Salton Desejo Merlot – Como o Talento, que prefiro já que sou fissurado em blends,Salton Desejo um vinho muito bem feito e sempre cumpridor! Este Merlot mostra bem porquê desta uva ser tão marcante no Sul especialmente no Vale dos Vinhedos, para mim a melhor uva “brasileira” produzindo ótimos vinhos e não deixa nada a desejar para a maioria dos chilenos e argentinos que por aqui andam! Um vinho muito prazeroso, sutil e equilibrado, boa paleta olfativa que convida à taça, madeira (tem um ano de barricas) bem integrada dando suporte e não se sobrepondo á fruta,( talvez em função do ano de maturação em adega antes de ser lançado ao mercado), corpo médio, frutos negros, com algumas notas terrosas mostrou ser uma grande companheiro para o strogonoff (bastante cogumelo) de Domingo e não sobrou gota. Foto horrível, mas por um preço na casa dos 65 a 75 Reais me parece uma barbada!

Salton Lucia 2Lucia Canei Brut – Um grande espumante em minha modesta opinião e uma enorme surpresa! Com pouco mais de cinco mil garrafas produzidas, é um assemblage de uvas Pinot Noir de vinhedos próprios, homenagem à Nonna, a matriarca da família Salton, produzido pelo método tradicional com 18 meses de autólise. No visual (Garrafa/Rótulo/Cápsula) primeiro impacto positivo que já indica estarmos diante de algo diferente e traz, para a taça, uma responsa e tanto! Ao abrir, a primeira impressão visual se confirma, um rosé salmonado de cor sedutora e um buquê sutil de notas florais e frutos vermelhos que convida a levar á boca. Perlage abundante e persistente, boa espuma que forma um bonito colar e na boca não deixa duvida de que estamos tomando um dos espumantes top do Brasil, pelo menos para meu gosto e na minha modesta avaliação hedonística, tendo me seduzido por completo, uau! Frutado, fresco, toques sutis de brioche, de pedir bis e bis e bis! O preço de R$150,00, todavia, achei que ficou algo salgado, mas está em linha com seus pares no mercado.

É isso meus amigos, uma ótima semana para todos e namorem muiiiito, afinal dia 12 está aí e esse Lucia Canei pode ser uma ótima escolha de brinde! Não deixem para o dia, aproveitem e façam festa a semana inteira. Saúde, kanimambo e se precisarem de algo especial para dia 12, estarei de plantão na Vino & Sapore a partir de amanhã (Terça) das 14 até as 20 horas, vem!

Um Domingo em Mendoza!

Dia complicado de visitas a bodegas em Mendoza, pois tem gente por lá que também precisa de descansar! Afora isso era dia de eleições locais, mas mesmo assim, dois grandes momentos; a visita á Decero e à O. Fournier onde também almoçamos. No dia anterior tínhamos iniciado nossas atividades com uma visita para lá de especial, à Michelini Bros então estávamos ávidos por mais neste lindo dia de Domingo e as surpesas que ele nos traria.

finca-decero-logo-rgbA Decero é uma Bodega muito jovem começada do zero em 1999 por um casal de Suiços que tinham em mente um projeto especifico a executar e por isso mesmo queriam algo que eles mesmos pudessem moldar ao seu jeito e forma. É linda, perfeitamente integrada a uma paisagem encantadora. Uma voltinha rápida para uma visita às instalações da bodega, prova de barricas com o enólogo residente Tomás Hughes e chegamos numa linda sala de degustações com uma vista que faz com que qualquer vinho tenha um gosto para lá de especial, imagina quando os vinhos possuem esta qualidade!

Os vinhedos chamados de Remolinos, em função dos redemoinhos (foto no slide show abaixo) que se formam no campo, começaram a ser plantados em 2000 e as primeiras colheitas experimentais realizadas em 2004 e 05. Finalmente em 2006 as primeiras colheitas comerciais foram realizadas, lançadas ao mercado dois anos depois e o sucesso veio rapidamente. Hoje se produzem cerca de 420 mil garrafas anuais e os troféus e medalhas começam a se amontoar. Para quem não conhece, recomendo a visita, o lugar e os vinhos merecem atenção sem desmerecer o atendimento muito simpático e eficiente, porque isso é essencial!

Já esteve presente no Brasil, porém em função do fechamento da importadora, busca outro representante para nossas terras e eu espero que achem logo, pois seus vinhos valem muito a pena, dois deles em especial são grandes destaques e vinhos inesquecíveis. Localizada em Lujan de Cuyo em uma de suas principais sub-regiões; Agrelo, só produz vinhos tintos. Você pode ver mais da bodega clicando aqui, mas agora deixa eu compartilhar com vocês os vinhos que lá provamos e nos foram apresentados pela simpática Daiana.

Decero Malbec 2012 – Boa tipicidade, floral, taninos finos bem presentes, boa persistência e harmônico, acidez bastante equilibrada. Bom vinho

Decero Cabernet Sauvignon 2013 – Frutos negros bem presentes, especiarias, jovem, taninos firmes e elegantes, gostei muito e, a meu ver, entre os três desta gama o vinho mais vibrante que mais me entusiasmou mostrando que estas terras de Agrelo realmente dão ótimos Cabernets!

Decero Syrah 2012 – Taninos doces, especiarias, boa intensidade e textura, amável na boca, um vinho bastante agradável, bem feito e fácil de tomar.

Decero Mini Ediciones Petit Verdot 2011 – somente cerca de 12.000 garrafas produzidas e um vinho surpreendente para a maioria que o prova pela primeira vez. Não é a toa que na safra 2012 levou o Troféu de melhor Vinho de Mendoza na Wines of Argentina Awards e Melhor Vinho Argentino entre USD30 a 50! Absolutamente sedutor, na contramão de tudo o que, a principio, se espera de um varietal 100% desta uva. Sem excessos, fino, nariz intenso e boca extremamente elegante com taninos de grande finesse. Uma garrafa é pouco!!

Decero Amano 2011 – baita vinho, encantador, conheci pela primeira vez na degustação Premium da Wines of Argentina em Setembro/14 (veja aqui meus destaques) e depois voltei a prová-lo em Novembro quando em Mendoza e agora novamente. Em todas as vezes senti enorme prazer ao tomá-lo, um grande vinho, um assemblage de primeira linha em que o viés velho mundista mais tradicional de perfeito equilíbrio, elegância, daqueles vinhos que já nos seduz na primeira fungada! Blend de Malbec, Cabernet Sauvignon, Tannat e Petit Verdot é um grande vinho, complexo e sedoso na boca, fruta exuberante um vinho que me encanta e não é à toa que foi o único vinho argentino a ganhar por três vezes o troféu de Melhor Red Blend acima USD50 na Wines of Argentina Awards!!

Clique na imagem abaixo para ver o slide show da visita à Decero. Dia lindo e a imagem é a vista que tínhamos da mesa de degustações, não é deslumbrante?!

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O. Fournier – saímos da Decero e rodamos pouco mais de uma hora até chegarmos à incrível O. Fournier com seu O Fournier logoprojeto arquitetônico ímpar, moderno e marcante. Conheci a O. Fournier e o José Manuel Ortega Fournier, em uma degustação aqui em Sampa no ano passado (relatado aqui) e me encantei por seus vinhos e diversidade de uvas trazendo um pouco da cultura ibérica para este longínquo recanto de Mendoza no extremo sul do Vale do Uco. Em função do atraso, a visita á bodega e suas instalações foi algo corrido, porém sua estrutura e design, das torres de concreto que são tanques, á enorme e incrível sala de barricas e coleção de arte, um momento realmente marcante que nos deu sede e abriu o apetite para o que estava por vir, um delicioso almoço harmonizado no restaurante Urban capitaneado pela Chef Nadia, esposa do José Manuel.

Deles, no entanto, falo em um post em separado porque este já tá longo demais. Inté, saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer outro lugar de nossa vinosfera. Uma ótima semana para todos.

Mais Que Vinho, Um Conceito de Vida – Família Michelini

Em Mendoza existe gente fazendo coisas diferentes de forma diferente, só precisa ter a mente aberta e a indicação certa para descobrir essas coisas. Mais do que vinho, este projeto é um conceito de vida então permitam-me lhes apresentar, para quem ainda não conhece, o Matías Michelini e sua família. São quatro irmãos, três enólogos (Matías, Gerardo e Juan Pablo) e o Gabriel, que têm a pureza da terra como preceito maior, seja no vinhedo, na bodega, mesa e na vida como um todo. Mas vão além disso, são revolucionários na busca de suas quimeras e liberdade de criação.

Na primeira parada de nossa visita de Abril a Mendoza, tivemos o privilégio de sermos recebidos pelo Matías Michelini em suas novas instalações em Tupungato, no condomínio The Vines, onde ele mantém a sede da Michelini Bros em que produz com seus irmãos algumas preciosidades em seus tanques de cimento (ovos) e ânforas que ele próprio desenhou. Este novo projeto é todo biodinâmico, buscando a essência e pureza da natureza em volumes limitados. É um local para deixar fluir a inspiração e criatividade num processo de plena liberdade possuindo uma energia especial. Aqui ele pacientemente esperou por nossa chegada com quase uma hora e meia de atraso devido a problemas de voo, nos recebendo com o fogo aceso e uma taça de espumante na mão, incrível simpatia, homem de poucas palavras e muito carismático, cativou a todos os presentes. Por aqui tudo é pequeno; instalações, numero e tamanho de tanques, sala de barricas e produção, as exceções são a grandeza dos personagens e a qualidade de seus produtos.

A comida, tudo orgânico, estava maravilhosa, os vinhos divinos e os convivas radiantes, não poderíamos ter começado melhor e em pouco tempo as agruras da viagem tinham ficado para trás! Hoje, compartilho virtualmente com vocês alguns desses  momentos e os vinhos provados aproveitando para dar uma dica, quando comprarem um vinho, tentem conhecer o enólogo por trás dele. Se estiverem frente a frente com um vinho do Matías, Gerardo ou Juan Pablo podem mergulhar de cabeça pois a experiência certamente será diferente do que estão acostumados a provar de caldos mendocinos! Ainda farei uma matéria sobre eles, mas por enquanto fiquem com seus vinhos e o vídeo abaixo com imagens de nossa visita.

A Passionate Wines é um projeto do Matías tão somente e melhor nome não poderia ter escolhido, pois é fruto de sua paixão e inquietude refletida em cada garrafa. Provamos vinhos dos diversos projetos dos irmãos, porém foi através de minha introdução à Passionate Wines que aqui viemos parar.

Espumante Zorzal Extra-Brut – devido ao atendimento a um de nossos companheiros de viagem que não estava bem, perdi esta prova, porém os comentários de quem o tomou foram altamente elogiosos. Elaborado com Semillon (cerca de  2/3) com Chardonnay. Da El Zorzal e um vinho a rever!

Montesco Água de Roca Sauvignon Blanc – pura mineralidade e sutilezas num vinho único fermentado em tanques de plástico de 1000 litros! É a natureza em sua forma mais pura em Gualtallary, uma das partes mais altas de Mendoza no Vale do Uco na base dos Andes, onde a acidez também aflora. A uva é colhida em 5 diferentes momentos durante o mês de colheita, de forma a poder-se retirar delas diversas características que comporão esta obra de arte engarrafada. Limitado a 5000 garrafas ano, é um vinho único e diferenciado até no teor alcoólico, meros 9,5%!! Vibrante, sutil e elegante, adoraria ter sempre em casa! Projeto Passionate Wines

Matias Clipboard Bodega

Calcáreo Bonarda – fermentado em ânforas desenhadas pelo próprio Matías, únicas no pedaço, uvas advindas de um vinhedo orgânico de Gualtallary plantado em 2005, amadurece em barricas de 1º e 2º uso francesas passando posteriormente por um estágio de 6 meses de garrafa antes de finalmente chegar a nossas taças. A Bonarda em sua quintessência, uva de pouco valor até cerca de 15 anos atrás, mostra aqui todo o seu valor de forma apaixonante e marcante. Mineral mostrando bem seu terroir, fruta abundante, ótima estrutura tânica e textura agradável que enche a boca, alguma especiaria, concentrado longo, um belo vinho que surpreendeu a maioria dos presentes e precisa de tempo para mostrar todo seu esplendor. Projeto Michelini Bros e produção limitada a apenas 6.000 garrafas por safra.

Demente – um projeto demente de unir uvas provenientes de quatro vinhedos distintos de Cabernet Franc e Malbec, de Diferentes alturas e solos. Depois, colhidas em tempos diferentes e adicionadas ao mosto já em fermentação. Um vinho decorrente da liberdade de criação e veia revolucionária de um enólogo em constante busca do diferente, do inusitado. O vinho arrebatou os presentes, eu já conhecia, confirmando toda a exuberância que eu já relatei; uma paleta olfativa intensa, um verdadeiro bosque de frutos silvestres com nuances florais. Entrada de boca marcante, ótima textura, acidez gostosa se fazendo presente e pedindo um teco de bife de chorizo (rs), taninos finos, final longo algo mineral e muito apetitoso. Doze meses de barrica francesa e limitado a apenas 3.000 garrafas e difícil de achar até por lá!

Já quase meia-noite e nós lá! Dó do anfitrião e sua equipe que tão bem nos recebeu, mas ele ainda tinha mais asas na manga. Como costume de alguns na Argentina, terminou a degustação com um branco seco que acompanharia a sobremesa, pouco doce, e daria uma refrescada na boca após dois vinhos tão intensos. Acho interessante esse conceito que vale usar em degustações.

Via Revolucionaria Semillon Hulk – não pela força, mas pelo verde! Sim, aqui a acidez é bem acentuada, vido de um vinhedo com pouco mais de 40 anos, sem passagem por madeira e com uma produção ínfima, não passa de 500 garrafas. Com apenas 11% de teor alcoólico, colhido cedo, preservou a fruta em sua essência. Nuances florais, cítrico, fresco e muito bem balanceado, só lamento que tão tarde e no final de uma incrível refeição e grandes vinhos tintos, muita emoção à flor da pele, não tivemos tempo de apreciá-lo com o devido cuidado. Na próxima passagem por lá vou querer comprar algumas par melhor curtir o vinho.

Matias Clipboard jantar

Bem, primeiro dia finalizado e de cara mostrando toda a diversidade de uma região produtora. Sem nenhum Malbec, viriam às taças em outros dias, mas descobrindo novos sabores pelas mãos de alguém muito especial e de uma família, tanto quanto ele, sonhadora e sem medo de ousar, nos presenteando generosamente com os frutos dessa picardia, da liberdade bem manejada e com conhecimento. Verdadeiros vinhos de autor, vinhos com alma que me fazem finalizar este texto de hoje, citando Gerado Michelini no livro do Matías (Los Otros):

Los padres son la tierra, el suelo, la raiz.
Los hermanos las ramas, los cargadores, la fuerza.
Nuestras mujeres, grandes compañeras, la brisa fresca de la mañana.
Nuestros hijos, la flor, la fruta dulce, el racimo que crece
El vino es el encuentro

Por hoje chega, já fiquei com uma saudade danada deste momento! Um ótimo fim de semana e kanimambo pela visita.

Fotos minhas e do amigo e companheiro de viagem, Godinho. Para ampliar clique nelas.

O. Fournier, Uma das Gratas Surpresas de 2014

José manuelNo ano passado tive a oportunidade de participar de uma degustação promovida pela Vinci Importadora para a imprensa e especialistas do setor, em que fomos apresentados ao José Manuel Ortega Fournier, proprietário dessa vinícola ou melhor, grupo vitivinícola já que possui vinícolas na Espanha (originalmente), Argentina (onde hoje reside) e ultimamente, Chile e a seus vinhos. Fazia tempo que buscava essa oportunidade e o que provei foi bem além do que previa, uma grata surpresa que comentarei em diversas etapas.

1 – A qualidade presente de forma uniforme em tudo o que provamos e não foi pouco. Depois ainda me aventurei por seus gama de entrada (linha Urban) que confirmaram as impressões dos vinhos de gama mais alta. Importante isso, porque fazer vinhos top todos fazem de uma forma ou de outra, melhores ou piores, mas com quantidades menores de produção e alto custo, fica mais fácil. Produzir um bom gama de entrada com preço justo não é para todos!

2 – O José Manuel, uma personalidade e tanto. Franco, direto, sem floreios e ciente do que faz sempre buscando o melhor e a imprimir a seus vinhos um estilo próprio. Sua bodega em Mendoza é um claro exemplo disso e sua gentileza ao nos oferecer um regalo de final de evento que me seduziu, uma prova de Magnum A-Crux 2001, adorei, ou melhor, adoramos!

3 – o uso de uvas ibéricas pouco usuais em Mendoza; a Tempranillo e, especialmente, a Touriga Nacional. Vinhos muito interessantes e diversos do main stream, vinhos com personalidade própria que me seduziram. Gosto dessa busca pela diversidade.

Foram nove os vinhos provados, um mais saboroso que o outro e alguns grandes vinhos que me fizeram ver o quão poucos produtores e vinhos conseguimos conhecer ao longo de nossas vidas e olha que eu provo bastante! Eis um resumo dos vinhos provados e seus preços em US Dólares já que a Vinci, como a Mistral, trabalham com taxa do dia.Celular 29-09-14 003

Começamos por dois Sauvignon Blanc, o B-Crux Sauvignon Blanc (USD40,00) de Mendoza e o Alfa Centauri (USD67) do Vale do Leyda no Chile com passagem por barricas de carvalho. Ainda não consegui provar um Sauvignon Blanc varietal com passagem por madeira que me agradasse e sigo dessa forma, pois o vinho ficou algo pesado, mas tem gente que se encantou. Preferi o de Mendoza que apresenta mais tipicidade da uva com bastante frescor e grama molhada presente, gostoso de beber.

B-Crux Blend 2009, um vinho que me encantou pois afora usar 50% de uvas ibéricas (Tempranillo e Touriga Nacional) no blend, o resto é Malbec, foi uma enorme surpresa saber que a Touriga também está em Mendoza! De gama média alta, frutado, sem excessos, boca de boa estrutura e complexa, taninos finos presentes, um vinho de muita personalidade com um preço condizente com a qualidade ofertada, USD50,00. Belo vinho e aquele que eu poderia pagar, então minha melhor relação Qualidade x Prazer x Preço entre os tintos provados.

Alfa Crux Blend 2006, um senhor vinho onde a Tempranillo é protagonista tendo a malbec (25%) como coadjuvante. Vinho de alta gama com 20 meses em barricas novas que apresentava chocolate logo á primeira fungada (rs)! Taninos finos, boca redonda sem arestas, muito diferente do que se espera de um vinho mendocino e adoro surpresas destas mesmo não sendo mais para meu bolso, USD86,00. Vinho denso na boca, cremoso, acidez bem balanceada, final apetitoso que pede bis.

Alfa Centauri Blend 2008 é do Maule, chile e combina cabernet Sauvignon, franc e merlot, este último com um porcentual menor. Excelente vinho que passa 18 meses em barricas novas francesas e já custa USD100,00. Entrada de boca deliciosa e sedutora, um vinhaço que ainda vai crescer muito nos próximos três ou quatro anos quando o gostaria de revisitar. Muito equilíbrio e complexidade num estilo bem europeu (tradicional) de ser!

O. Fournier Clipboard

O. Fournier 2008, também do Maule e agora já entramos na seara de vinhos top do produtor. O corte por si só já é inusitado, Cabernet Franc (80%) e partes iguais de Cabernet Sauvignon e Carignan com passagem de 17 meses em barricas novas francesas. Elaborado só com uvas de vinhedos entre 60 a 120 anos plantadas em pé franco. Perfumado, frutos negros, taninos finos (marca registrada pelos vistos), complexo, fresco e sedutor. O meio de boca é tão saboroso que você tende a o deixar lá por um tempo a mais que o normal para só depois o deixar escorregar pela garganta. Para quem tem USD189 para bancar uma garrafa destas, eu recomendo, gamei!!

O. Fournier Ribera del Duero 2005, chegamos na Espanha e em mais um vinho top da casa com outra pegada. Tinta del país (tempranillo) 100% e 20 messes de carvalho francês é um vinho que mesmo com nove anos de vida ainda mostra muita jovialidade e promete evoluir por mais anos a fio. Concentrado, escuro, meio de boca algo mineral, carnudo, um vinho que exala o terroir de Ribera del Duero e o menos pronto a tomar de todos mesmo sendo o mais velho, com preço também na casa dos USD 189.

Urban Carignan 2011 elaborado com uvas de vinhedos com 80 anos no Chile foi uma solicitação adicional do José Manuel para que provássemos também o outro extremo de sua gama de vinhos, o de entrada. Custa USD24 e o vinho é realmente uma enorme surpresa valendo cada centavo. Posteriormente provei um Urban Tempranillo/Malbec de Mendoza e foi outro vinho que me agradou muito. Penso que quem consegue produzir bons vinhos nesta faixa de preços, certamente produz bons vinhos nas gamas acima e o inverso nem sempre é verdadeiro. Se quiser conhecer o perfil de um produtor, prove seus vinhos de entrada!

Ainda tinha mais, uma surpresa e uma enorme gentileza de José Manuel para os jornalistas, colunistas e blogueiros de vinho presentes a esta deliciosa degustação, um delicioso, fino e elegante exemplar de Alfa Crux 2001 em garrafa magnum, seu primeiro vinho produzido em Mendoza do qual sobram poucas garrafas no mundo e que detem um Troféu de Melhor na Categoria na Wines of Argentina Awards. Tempranillo de 70 anos de idade, Malbec de 80 anos e Merlot de vinhedos mais jovens. Acidez bem presente ainda mostrando que ainda terá alguns anos pela frente, fino, sofisticado, daquele estilo de vinho que deveria vir á mesa de fraque e cartola. Um regalo e um privilégio que fazem os caminhos por nossa vinosfera valer a pena.

Alfa Crux Magnum 2001 Clipboard

Hoje compartilhei com vocês mais uma experiência que ficou marcada em minha memória, os verdadeiros vinhos de grande persistênca, e que me levou a combinar uma degustação especial com ele (salvo algum imprevisto) em sua bodega em Abril, feriado de Tiradentes, quando quem for comigo poderá confirmar, ou não, se meu entusiasmo tem fundamentos. Cheers, Kanimambo e seguimos nos encontrando pelos caminhos de Baco!

Os Grandes da Patagônia

CAM00797Depois de um dia intenso em que terminamos jantando no La Toscana, um belo restaurante em Neuquen, com Julio Viola e os vinhos da Fin del Mundo, tínhamos mais um dia de muitas descobertas pela frente. Antes porém, preciso falar desse jantar onde pela primeira vez comi rinones por indicação do amigo Didu. Muito bom!! Uma consistência diferente (me pareceu moelas), e o prato dava para três, sem chance de terminar.
Para acompanhar o jantar tivemos a companhia do Julio que nos apresentou alguns vinhos da Fin del Mundo e da NQN (Malma) bodega recentemente comprada por eles e que iríamos visitar no dia seguinte.

Muito bom espumante extra-brut á base de chardonnay com Pinot Noir para nos preparar o palato para o que estava por vir. Vinhos potentes e o famoso Fin del Mundo Blend segue não me encantando mesmo fazendo a cabeça de muitos, sei bem disso. Sigo preferindo vinhos menos excessivos e a este há que se lhe dar tempo para que encontre seu equilíbrio, coisa nem sempre fácil de executar. Dos vinhos que tomamos nessa noite; Fin del Mundo Reserva Chardonnay, Malma Finca La Papay Pinot, Fin del Mundo Single Vineyard, Fin del Mundo Single Vineyard Pinot 2010 e o Special Blend, tenho que confessar que meu coração bateu mais forte com o Sinlgle Vineyard Pinot e o Cabernet Franc que “maridou” perfeitamente com os rinones! Cansados, nos arrastamos para a van que nos esperava para nos levar ao hotel e um merecido repouso.

Temprano, saímos para visitar as bodegas Fin del Mundo e NQN, uma do lado da outra, e me deparei com algo que nunca tinha visto, escondidos atrás de uma cortina de alamos 800 hectares de vinhas e cerca de 9 milhões de litros de vinho de todas as gamas. O verdadeiro significado de “indústria do vinho”. Adorei a coleção de barricas antigas pintadas por diversos artistas plásticos, prática que posteriormente vimos em outras bodegas, porém sem a mesma quantidade e foco.

CAM00810Na Fin del Mundo, cerca de 2.200 barricas e a maior produção, cerca de 7.5 milhões de litros (9 milhões o com a NQN) com diversas linhas de produtos das quais as linhas de entrada Ventus e Postales representam cerca de 50% da produção. Fomos recebidos com uma taça de espumante que me encantou ao ponto de o trazer na mala para a minha já tradicional Degustação da Mala quando tenho a oportunidade de compartilhar com quem não foi, alguns frutos de meu garimpo.
Espumante Nature de Pinot Noir – Não vem ao Brasil e somente são produzidas cerca de 15.000 garrafas ano. A primeira fermentação é feita em cubas de carvalho francês e 10557272_932568523421519_1302182506060255175_npassa 36 meses sur lie. Um vinho complexo, estruturado, ótima perlage e personalidade própria, daquelas que você não esquece.
Postales Rosé – simples, saboroso, sem compromisso.
Newen Sauvignon Blanc – fácil, pouca expressão da casta
Postales Malbec – na linha do Rosé, sem compromisso
Newen Malbec – 12 meses de barrica ainda por integrar, comercial, boa extração.
Fin del Mundo Reserva Malbec – de 12 a 14 meses de barrica francesa, ainda muito jovem (2013), madeira bem presente, fruta madura, feito para agradar uma fatia de mercado interessante que consome malbec deste estilo, mas a meu ver faltou a tipicidade regional.
Fin del Mundo Gran Reserva – para mim, junto com o Cabernet Franc provado na noite anterior, o melhor vinho da casa. De 12 a 14 meses de barrica francesa (70%) e americana, um delicioso e muito harmônico blend de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec e Merlot cheio de fruta vibrante, especiarias, meio de boca muito rico, taninos de muita qualidade, fino e elegante mostrando um estilo mais patagônico de ser!

CAM00838Na “camioneta”, rapidamente até ao outro lado da estrada e já estávamos na NQN (Malma) onde iríamos almoçar e também fomos recebidos com um espumante, um extra-brut meio estranho já que deixava um retrogosto doce mostrando um residual de açúcar bem acima do esperado num extra-brut. O prédio e esculturas em ferro velho são marcantes e fiquei impressionado com as esculturas que podem ser vistas no slide show que vou colocar aqui abaixo daqui a mais uns momentos já que não quis atrasar o texto. Fomos á sala de degustação onde nos foram dados à prova cinco vinhos com a mão, importante frisar, de Roberto de la Motta o enólogo consultor da bodega.
Finca Papay Malbec – 30% do vinho passa em barrica por seis meses. Um vinho agradável, não chega a encantar porém é bem feito, fresco, sem arestas nem excessos, gostoso de beber.
Reserva da Familia Pinot Noir – misto de roble francês e americano, mais deste último, CAM00845muito fresco, equilibrado, boa fruta e elegante, taninos suaves muito bem trabalhados, um pinot que me agradou bastante.
Reserva da Familia Malbec – mais um bom vinho repleto de fruta viva, fresco, taninos sedosos e madeira muito bem integrada. Aqui uma ressalva, o Merlot deles da Reserva da Familia, que conhecia de outros carnavais mas que não provamos no dia, é também de muito boa qualidade. Esta gama de produtos é toda de qualidade muito boa.
Universo Malbec , a gama top da casa – 100% de roble francês por 15 meses e um teor alcoólico alto, 14.6% perfeitamente integrado não deixando marcas. Pelo menos na prova, não sei depois da terceira taça! rs Fruta bem presente,, fresco, taninos finos,um vinho de classe e este 2010 ainda está jovem devendo evoluir bem na garrafa por mais uma meia dúzia de anos.
Universo Blend – um grande vinho com muito futuro pela frente e, na minha opnião, algo melhor que o Malbec. Blend e Malbec (60%) com Cabernet Sauvignon, apresenta-se muito bem equilibrado, untuoso, especiado e com notas mais tostadas mostrando a madeira que ainda precisa de tempo para uma maior integração pois o vinho era 2012, uma criança engatinhando!

Esse foi nosso passeio pela patagônia e ficou a vontade de voltar uma outra vez, quem sabe com a Wine and Food Travel Experience, para conhecer algumas outras bodegas como a Noemia, Chacras e Patritti entre outras. Hora de voltar ao hotel para um breve descanso e encarar dez horas de ônibus até Mendoza, confesso que estava preocupado!

Finalizei o slide show e para vê-lo basta clicar na imagem abaixo que ela te levará lá! Uma ótima semana para todos e não deixem de estudar a possibilidade de vir comigo a Mendoza dia 21 de Janeiro, um roteiro para enófilo nenhum botar defeito! Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

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Mandela (o vinho) na Taça, Uma Experiência Africana

Há algumas semanas tive a oportunidade de participar de mais um saboroso evento do Winebrar, uma degustação virtual, com os amigos Alexandre Frias, Daniel Perches e o Rogério da Ravin. Nessa oportunidade, provamos dois vinhos que recém chegaram ao mercado pelas mãos dessa importadora.

Os vinhos da House of Mandela têm por trás de si, toda a experiência e sabedoria do grupo Fairview na produção o que por si só já é uma boa razão para nos aventurarmos por seus aromas e sabores. Dois vinhos de gama de entrada que a importadora estava vendendo com desconto promocional de lançamento, não sei se ainda está, e saía por R$39 em vez do preço de tabela que é de R$49,00. Vieram três varietais, um Sauvignon Blanc, um Pinotage e um Syrah, porém nessa noite provamos somente os primeiros dois:

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Sauvignon Blanc – Gostei bastante pela ausência dos aromas e sabores fortes de aspargos no vinho, algo que não me agrada nos vinhos desta cepa. Este se apresenta bem fresco, mais citrino com grama molhada bem presente numa presença de boca toda ela mais sutil e elegante e balanceada terminando com uma certa mineralidade. Um vinho muito agradável de se tomar e certamente uma bela companhia para os queijos de cabra e frutos do mar grelhados ou fritos.

Pinotage – a meu ver mui agradável e cativante  no olfato, apresentando-se  franco e bem integrado, final saboroso e surpreendente persistência. Nada daquela típica borracha queimada mais presente nos vinhos de entrada de gama, aparecendo uma fruta pouco comum e um final com alguma especiaria.

Pessoalmente creio que o Sauvignon Blanc é mais harmonioso e vibrante com um potencial mais interessante para ser tomado solo, sem comida, enquanto o Pinotage tende a cansar um pouco depois da segunda taça o que poderia mudar com pizza de, peperoni , linguiça de javali e coisas do gênero. Pensei até num belo X-Picanha! Vale a prova e é uma boa introdução aos bons vinhos sul-africanos. Salute e kanimambo!

Cadus na Casa de Nieto, Boas Surpresas na Taça

Cadus Brut NaturePara quem não conhece, a Casa de Nieto Senetiner, onde em companhia de outros colegas blogueiros fomos recebidos com muita hospitalidade pelo “gerente” da casa e sommelier Mauricio Marcondes, é a base deste importante produtor argentino em São Paulo. Para a maioria de nós, a Nieto é sinônimo de vinhos simples e baratos, fama feita em cima de muitos anos de Benjamim e outros vinhos similares. Quem nesta vida de enófilo pode dizer que nunca provou um desses vinhos? Eu, por exemplo, sempre gostei de seu Benjamin Chardonnay, um vinho gostoso, fresco e fácil. Mas esta vinícola em atividade desde 1888 e desde 1998 nas mãos do grupo alimentício argentino, Molinos tem bem mais a oferecer e o ícone dos Bonardas, o Edicion Limitada, é um exemplo do que podem fazer e revolucionou a produção de vinhos com essa uva em terras argentinas. O que poucos conhecem, no entanto,  é sua linha top, a Cadus (ânfora no dialeto local), e eu também não, então deixa eu compartilhar com vocês essa experiência.

Fomos recebidos por um espumante Cadus Champenoise Brut Nature, um  Blanc de Noir elaborado com Pinot Noir  (70%) e Malbec. Como a maioria dos Blanc de Blanc, sua cor nos remete a um rosado claro no estilo casca de cebola. Os vinhos base passam por um período de 3 a 6 meses de barrica e a segunda fermentação é de 18 meses sur lie e uma peculiaridade (nunca vi antes) que faz a diferença, um leve toque de grappa  no degorgement em vez de licor de expedição. Muito interessante, não é fácil, mas é muito interessante para os que curtem bons e diferente espumantes. Marcante de personalidade muito própria e inconfundível, harmonizou muito bem com os diversos canapés, especialmente com os de salmão e kani. Tomamos a garrafa 65 das poucas 7.000 produzidas.

Posteriormente fomos apresentados a três tintos e mais uma surpresa para lá de agradável ao final. Falemos dos tintos:

Cadus Grand Vin 08, elaborado pela primeira vez em 94, é um blend muito equilibrado de Malbec (50%) com Cabernet Sauvignon e Bonarda que passam por 24 meses de barricas novas francesas e pelo menos 12 meses de afinamento em garrafa antes de sair ao mercado. Um belo vinho que só vem confirmar o que venho falando já faz um tempo sobre os vinhos argentinos, os blends estão melhores, mais elegantes e complexos que os varietais por lá produzidos, ojo! O corpo e estrutura estão lá, o álcool mais comedido e bem integrado também, mas é cavalheiro de fino trato como demonstra na taça. Muito bem harmonizado com o filé com shiitake, é um vinho com preço ao redor dos R$170.

Cadus Blend of Vineyards Malbec 08, a primeira safra deste vinho que é composto de uvas de diversas sub-regiões de Lujan de Cuyo; Agrelo/Vistalba e Vistaflores, todos terroirs privilegiados! Doze meses de barrica e doze de garrafa, é um vinho franco de grande impacto na entra de boca, “amansa “ no meio de boca e temina com taninos fino e sutis com um frescor agradável e supreendente. Ótima fraldinha com legumes e um preço por farrafa ao redor dos R$150,00.

Cadus Single Vineyard 07, de Agrelo, foi elaborado pela primeira vez em 2000 com vinhas de mais de 35 anos de idade. Vinho premium, com 24 meses de barrica nova francesa e 24 messes de garrafa, é um vinho de guarda e mostrou isso na taça. Escuro, potente, grande estrutura, boca densa, álcool na casa dos 15,5% bem integrados no conjunto, um  bom vinho para os amantes deste estilo tomarem agora e quem aprecia mais elegância, como eu, terá um grande vinho em mãos dentro de três ou quatro anos. Bom já, mas certamente valerá a pena esperar um pouco mais. Aliás, já diz o ditado, o apressado come cru! Vinho já na casa dos R$200 que ficou divino com o ragu de cordeiro sobre polenta cremosa com que foi harmonizado. Uma bela “maridaje”!

Por falar em ditado, best things for last, como dizem os gringos! O Mauricio saiu e voltou com um vinho que decantava fazia 4 horas e nos ofereceu uma prova às cegas. Malbec, sem duvida! Cor rubi, escuro e denso, aromáticamente muito complexo com a tradicional fruta peculiar á casta, mas também notas animais e sutil floral. Muito estruturado, rico, vivo, poderoso, notas de frutos negros, final com chocolate, cacau, taninos aveludados muito presentes e longo, muito longo. Certamente um vinho TOP ainda muito jovem, acreditamos todos nós. Ledo engano!! Cadus Estiba 39, safra, pasmem, 2000!!!!!!!!!! Um vinho também single Vineyard (Agrelo) de vinhedos com idade superior a 45 anos de rendimento médio com fermentação e maceração prolongada por 25 dias a 28-32ºC em pileta (tanques de cimento) de pequeno volume (entre 3000 e 5000L) com amadurecimento por 24 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso e dois anos de amadurecimento em garrafas.  Uma prova de que os vinhos argentinos podem sim ser longevos e envelhecer muito bem, pois a não ser alguns indicativos no nariz, só identificados após a divulgação da safra, não havia nada marcante que denotasse a idade avançada do vinho. Os privilegiados presente tiveram a possibilidade de tomar uma das últimas doze garrafas disponíveis com o produtor. Na importadora (Flora) o estoque está zerado e na maior parte das lojas também, mas na pesquisa (google) vi que essa raridade ainda existe em alguns poucos lugares a preço ao redor de R$280,00! Adoraria ter uma grana para comprar umas três garrafas e acompanhar seu amadurecimento nos próximos quatro a cinco anos, certamente deverá ser uma experiência e tanto para quem pode.

Noite extremamente agradável, ótimos vinhos e comida impecável (chef Lula está de parabéns) e muito bem harmonizada. São momentos preciosos  destes que nos fazem ver o quão pouco conhecemos de nossa vinosfera e do quanto ainda há por aprender. Aos amigos que tão bem nos receberam, meu muito obrigado pela oportunidade, salute e um kanimambo muito especial. As fotos, essas adicionarei em breve, meu celular está em recuperação!! rs