João Filipe Clemente

Vinhos da Semana

              Nesta ultima semana provei alguns fantásticos vinhos, já que tive o privilégio de participar do Encontro Mistral ou, como eu o chamei, Mistral Experience! Bem, mas provar não é tomar e aqui falo, somente, dos vinhos que efetivamente tomei. É interessante, mas apesar da experiência que é você provar vinhos e conhecer novos produtos, este exercício de degustações nos deixa é com uma vontade danada de tomar vinho! Vamos lá, vamos aos vinhos que por mera coincidência são todos de 2004.

  • Clos de Torribas Crianza 2004. Este é um vinho bastante confiável e regular com comportados 12.5º de teor alcoólico. Já tomei de diversas safras e apresenta uma qualidade bastante constante que sempre agrada e satisfaz e supera a expectativa em função do preço, ou seja, entrega mais do que cobram por ele. Elaborado na região de Penedés, próximo a Barcelona, com Tempranillo e um leve “tempero” de 10% de Cabernet Franc, é um vinho frutado, fresco, elegante de taninos finos, muito bem equilibrado, boa estrutura, é um porto seguro quando na duvida do que comprar por um preço abaixo de R$30,00. Como o San Roman Crianza, é um vinho que não tem erro e os dois melhores custo x beneficio dos vinhos Espanhóis disponíveis no mercado. Pão de Açúcar, quando não em oferta, tem um preço ao redor de R$28,00. Um vinho que aprecio bastante e, volta e meia, freqüenta minha mesa. 

          I.S.P. $   

  • Dezem 2004 Cabernet Sauvignon. Vem de Toledo, no Paraná, mais um Terroir Brasileiro não muito conhecido. A Dezem vem recebendo boas criticas e comprei este Cabernet para formar uma opinião própria sobre este vinho. Por sinal, dizem que o Merlot deles também é de muito boa qualidade. De cor rubi, aromas não muito intensos apontando para frutas escuras, madeira e algo resinoso. Na boca é cheio, de corpo médio, taninos maduros muito bem equacionados, boa acidez, saboroso, fácil de agradar e no ponto para ser tomado. Uma agradável surpresa que acompanhou bem um bacalhau à Brás. O preço poderia ser mais convidativo, já que nessa faixa de preço existem opções bem mais interessantes tanto nacionais como importados, mas sem duvida um bom vinho equilibrado com seus 13º de teor alcoólico. Este comprei na Vinea Store, preço similar ao que tenho visto por aí, por R$48,00. I.S.P.  .
  • Ciclos 2004. Um corte de Malbec e Merlot produzido pela Michel Torino (Del Esteco) na região de Salta e que já tinha recomendado quando da matéria sobre os vinhos Argentinos. Com 15 meses de barrica e surpreendentes 13.5º de álcool para um vinho Argentino, é um vinho de muito boa qualidade. Com uma paleta aromática que não chega a empolgar, ganha força na boca com boa estrutura, frutas vermelhas com algo de baunilha, acidez média, muito bem equilibrado, soboroso, com taninos finos e macios, formando um conjunto de boa complexidade e persistência. Bom para acompanhar pratos mais condimentados ou uma boa chuleta. Na Portal dos Vinhos, está por volta de R$58,00.

          I.S.P  

  • Meia Pipa 2004. Produzido na região de Terras do Sado pela Bacalhôa Vinhos. É um vinho que me agrada muito. Envelhecido por 12 meses em meias pipas (250 litros) de carvalho Português, usadas em primeiro uso para envelhecer o famoso Quinta da Bacalhôa, é um corte elaborado com as uvas Castelão, Cabernet Sauvignon e Syrah.. Outro vinho que é um porto seguro para mim. Já tomei diversas safras e nenhuma me desapontou, mas há que dar um tempo para que ele alcance seu apogeu. Por experiência, acho que este vinho alcança seus máximos sabores, tornando-se macio e aveludado no quarto ano da safra. Este 2004, está no ponto, muito saboroso, apetecível, bom corpo, cheio na boca, boa fruta com toques de tostado e algo de especiarias. Boa acidez, longo, elegante, teor alcoólico de 13.5%, um vinho de primeira. Como dicas de harmonização, um coelho à caçadora, bacalhau á lagareira e um bom churrasco. Já comprei este vinho por R$37,00, não faz muito tempo, subiu para algo ao redor de R$45,00, faixa em que ganharia o simbolo de boa compra, e agora já se encontra por aí com preços ao redor de R$55,00 (em Portugal este entre 4,50 a 5 Euros). Cada um sabe de si, mas acho que o importador está indo com muita sede ao pote, comprovado pela performance dos preços do restante de sua linha de produtos, e saindo fora de preço. Uma pena, porque o vinho é realmente muito bom. Bom que ainda tenho umas duas garrafas que comprei por R$38,00! Em São Paulo você pode encontrar na Kylix e na Portal dos Vinhos, nossos parceiros, entre outras lojas. I.S.P  

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção  “ONDE COMPRAR” 

Que não seja imortal, …….

Para finalizar esta seqüência de posts de Sábado em que homenageei todos; os namorados, os que amam, os que buscam o amor e, em especial, a pessoa muito especial que é minha esposa e meu eterno amor, as palavras de um grande poeta que soube louvar a vida e o amor de forma absolutamente simples, coloquial e divina. Com vocês, o poetinha Vinícius de Moraes.

Soneto de fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

E, como não poderia deixar de ser, duas lindas canções que falam da eternidade, de estar lá para manter a chama acesa e manter o relacionamento infinito. Muito fácil com o fruto de um grande amor, nossos filhos, mas nem tanto com nossos parceiros.

 [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=obbW6y6esDo&feature=related]

 

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=-MnINEAQBkU]

 

Salute, kanimambo, um beijo no coração e até Segunda, com mais papo sobre vinhos!

França, Bordeaux e Languedoc, Vinhos que Tomei e Recomendo – Parte II

                Antes de entrar na próxima faixa de preços, queria aproveitar para fazer uma inclusão à faixa de preços de R$30 a 50,00. É que a amostra chegou tarde o que motivou atraso na prova. O vinho é, todavia, tão cativante que fiz questão de fazer esta inclusão de uma forma não habitual. De Philippe Bouchard, que também faz alguns maravilhosos Borgonhas, um delicioso Syrah* 100% Vin des Pays D’OC 2006, (Vinea) da região de Languedoc. Vinho pronto, muito agradável, teor alcoólico comportado com 12.5º, boa concentração com uma paleta olfativa muito agradável. È fresco, equilibrado, leve com toques de especiarias típicos da casta e muito saboroso. Um vinho realmente fácil de agradar e fácil de harmonizar. Agora vamos aos restantes dos vinhos provados:

De R$50 a 80,00 – Passando a barreira dos R$50,00, como na maioria dos países produtores, já se encontram vinhos de uma qualidade superior e alguns realmente muito bons e sedutores. É onde, também, encontrei o maior numero de rótulos que me encantaram, sendo poucos os que provei e reprovei.

 

 

Languedoc-Roussillon; desta região saem alguns dos melhores custo x beneficio destas listas como o A d’Aussiéres Rouge* 04 (Mistral), Chateau des Erles Cuvée des Ardoises* 04 e Domaine du Ministre St. Chinian* 04 (estes últimos dois da Zahil, também na Portal dos Vinhos) que são três opções de vinhos diferenciados entre si, mas todas apontando para um estilo de bom frescor, redondos, elegantes, que enchem a boca de prazer e gostinho de quero mais. Uma outra grande opção nessa linha de vinhos é, também, o Cuvée Marie-Gabrielle* 03 (Expand) da Domaine Cazes, um produtor biodinâmico, um vinho que me encantou. Todos rótulos para você não gastar mais de R$60,00 ou muito próximo disso, e fazer bonito.

Bordeaux; Vários bons rótulos, com vinhos de muito boa qualidade e, alguns, verdadeiros achados para esta faixa de preços, considerando-se que falamos de vinhos Franceses. Chateau Belle-Garde*05 (Nova Fazendinha – RJ) impressiona pelos aromas, muito fresco e frutado extremamente agradável e harmônico, Chateau Jealosie* 04, de boa paleta aromática, redondo, fruta madura e boa acidez e o Chateau Rocher Calon*05 (ambos Expand) mais encorpado e denso, apresentando boa intensidade de sabores e bem balanceado, o Chateau Jourdan*04 (Zahil) fácil de agradar, de corpo médio, delicado e sedutor. Mas há mais; La Reserve du Chateau Tour de Mirambeau 05 (Mistral), Chateau Bel Air Perponcher Reserve*05 (Decanter) que há tempos não tomo, mas que sempre mostrou muitas qualidades num conjunto para tomar com calma deixando-o abrir na taça, Chateau Puycarpin 05 (Zahil) Bordeaux Superieur do Sudoeste de St. Emilion que apresenta boa fruta madura, encorpado e bem equilibrado, necessitando de tempo para se abrir, Chateau Graves de Peyroutas St. Emilion Grand Cru 04 e o Chateau Molin de Castillon Medoc Cru Bourgeois*03 (os dois últimos da Nova Fazendinha) todos belos exemplares de Bordeaux, alguns já com uma certa complexidade. Uma grande pedida também, o Bordeaux Superieur Chateau Timberlay Cuvée Marie Paule Prestige* 2005 (Portal dos Vinhos/Casa Palla), vinho de grande tipicidade no nariz em que sente aromas de frutas negras e café torrado, muito bom na boca com boa estrutura, denso, harmônico, taninos finos e belo final de boca.

Para finalizar, dois vinhos que acho estarem num nível superior; O Chateau Haut Badon Grand Cru de St. Emilion *03 (Mistral) um ótimo vinho com maior participação de Merlot no corte, como de praxe na região (veja mais no post sobre Bordeaux), que gera um vinho com boa concentração, cheio na boca, acidez correta e taninos redondos de muita elegância  e o Les Granjes de Domaine Rotschild*04 (Zahil), um vinho encorpado, de boa persistência, taninos finos ainda bem presentes, mostrando enorme potencial, mas claramente necessitando de algum tempo mais na garrafa para mostrar todas as suas facetas.

              Todos vinhos que certamente agradarão. Uns mais fáceis do que outros, mas todos muito bons e, alguns achados como os; Belle-Garde, Jealosie,  Molin de Castillon, BelAir Perponcher, Cuvée Marie Paule Prestige, Haut Badon e o Les Granjes nos Bordeauxs e todos os de Languedoc acima mencionados.

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção  “ONDE COMPRAR” 

Mistral Experience !

             Sim, muito mais que um evento, um encontro magnífico, esta é uma experiência realmente impar no mundo do vinho. Cerca de 56 vinhos provados em cinco horas, alguns verdadeiros néctares, aproximadamente 16 produtores de primeiríssima linha visitados. Ficaram por ver, da lista programada, pelos menos mais 16 produtores com cerca de 45 vinhos que queria conhecer para poder compartilhar tudo isto com os amigos que não puderam estar lá, e também alguns outros, como o Eduardo, que encontrei por lá. Precisava de mais tempo, ou mais dias, mas não posso reclamar não, foi um enorme privilégio ter podido participar deste encontro da nata do mundo do vinho.

            Depois, aos poucos, publicarei alguns posts sobre esta experiência, mas, lamentavelmente, não com o nível de detalhe que gostaria. Por um azar dos diabos, todas as minhas anotações se extraviaram. Um cara, penso que inadvertidamente, se equivocou e pegou minha agenda e guia de produtores, questão de segundos. A agenda era nova, graças a Deus porque aí seria um verdadeiro desastre, mas tudo o que anotei e algum material que me foi cedido por produtores, foi-se! Uma lástima, mas enfim, não adianta ficar chorando sobre o leite derramado, quem sabe alguém se toca, lê este post ou devolve à Mistral, seria 10!

Amanhã, a segunda parte de Tomei e Recomendo com vinhos de Bordeaux e do Languedoc. Até lá, salute e kanimambo.

Only You!

                 Chegou o dia nacional do romantismo. Para quem ama, parabéns aproveitem o dia da melhor forma possível. Para quem ainda busca seu par, desejos de boa sorte. Para quem só fica, bem que fique, mas saiba que é muito pouco. A todos, que tenham um dia muito feliz e, importante, não deixem de investir no longo prazo. Para aquele ser unico que amo e nem sempre tenho a oportunidade de demonstrar ….

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=OWCZ9WQPm3w]

 George Harisson também teve seus momento de genialidade lirica, não só na guitarra, e esta canção é especial “Something in the way she moves”. A homenagem de seus amigos, absolutamente divina!

[youtube=http://youtube.com/watch?v=mqQbrQEhSfY&feature=related]

Um salute muito especial no dia de hoje, com uma taça do muito bom espumante Pizzato Brut. Ao amor!

Região Vinícola de Bordeaux – II

               Como prometido, eis a segunda parte da matéria sobre a região de Bordeaux. Aqui, damos uma passada pelas principais classificações aplicadas à vinicultura da região.

AOC Bordeaux, é o Bordeaux básico elaborado com uvas de qualquer parte da região de Bordeaux, seguindo as normas da AOC, e que não tenha sido agraciado com alguma outra classificação especifica. Devem ter um rendimento máximo de 55 hectolitros por hectare e entre 10 e 13º de teor alcoólico. Alguns vinhos de boa qualidade com preços relativamente acessíveis que devem ser tomados relativamente jovens, entre três a quatro anos.

AOC Bordeaux Superieur, é a classificação um degrau acima, que cobre vinhos da mesma região, mas com maior exigência de qualidade, com redução no rendimento máximo para 50 hectolitros por hectare, mesma norma de teor de álcool e exigência de envelhecer por pelo menos 9 meses antes de ser colocado no mercado. Vinhos, normalmente, de maior qualidade, mais estruturados e concentrados, fechados quando jovens podendo ser guardados por cerca de 6 a 7 anos. Vinhos de bons a ótimos com uma enorme variação de preços, mas que ainda dá para bancar.

AOC Regional, gera vinhos normalmente melhores que o Bordeaux Superieur. Por exemplo, um vinho que contenha no rótulo a indicação de Appellation MEDOC Controllée, ou simplesmente Medoc e a denominação Appellation d’Origen Controllée  abaixo, será como um Bordeaux básico, porém produzido dentro das normas do Medoc com uvas de qualquer parte daquela região especifica que, tradicionalmente são bem mais rigidas que a genérica. Estes são os principais sistemas de classificação de AOC’s Regionais com sua escala de qualidade:

        No Medoc, sistema Cru Bourgeois de 2003 em que foram auditados 490 chateaus e classificados 247 em ordem de qualidade baseado no terroir, vinificação e outros quesitos técnicos. Ou seja, se você vir um rótulo em que conste Cru Bourgeois, já saberá que; este vinho é produzido no Medoc, que fica na margem esquerda e, conseqüentemente, tem como cepa preponderante a Cabernet Sauvignon.

  • Cru Bourgueois Excepcionnel – 9 Chateaus
  • Cru Bourgeois Superieur – 87 Chateaus
  • Cru Bourgeois – 151 Chateaus

Existe também uma nova classificação criada por Decreto Ministerial em Janeiro de 2006, chamada “Crus Artisans” que contempla 44 vinícolas familiares que cuidam de tudo, desde o plantio, passando pela vinificação até à venda de seus próprios vinhos.

             Em Graves, somente um nível de classificação, Cru Classé dividido por produtores de excelência produtores de tintos, brancos e aqueles que produzem ambos.

  • Tintos – 7 Chateaus
  • Branco – 3 Chateaus
  • Tintos & Brancos – 6 Chateaus

               Saint Emilion, depois da revisão de 2006, 61 vinhos foram classificados como Cru Classé, mas numa metodologia diferente da usada em Graves. Aqui se dividiram como segue:

  • Premier Grand Cru Classé A – 2 Chateaus
  • Premier Grand Cru Classé B – 14 Chateaus
  • Grand Cru Classé – 47 Chateaus

Nestes segmentos de vinhos classificados nas normas especificas de AOC’s Regionais e Comunais, o vinho melhora bastante e os preços aumentam consideravelmente. Dependendo da classificação dentro da AOC, são vinho para poucos, pois os do topo da pirâmide rivalizam, em preço e qualidade, com os da Classificação de 1855.

AOC Comunal, é quando dentro de uma região de AOC, uma cidade ou vinhedo especifico é AOC, por exemplo Margaux (Medoc) e Montagne (St. Emilion) entre outros. Nem todos são excepcionais, muitos se aproveitam da fama de seus vizinhos bem classificados e da reputação que estes trouxeram para a comuna, mas na maioria são vinhos de boa para ótima qualidade.

Classificação de 1855, crém de la crém da produção mundial, são uma classe especial de vinhos que se encontram na elite das elites, custam uma fortuna e poucos lhe têm acesso. São um total de 61 vinhos tintos e 27 brancos, divididos em 5 níveis, chamados de Crus, sendo que no topo da pirâmide, Premier Crus,  estão os Chateaus; Haut-Brion, Latour, Margaux, Lafite Rotschild e Mouton Rotschild tendo este ultimo entrado neste “clube” na única revisão efetuada em 1973. Todos estão situados em AOCs da margem esquerda, fundamentalmente nas AOC regionais de Medoc e Graves. Nos brancos são somente 3 níveis, e o único Premier Cru Superieur, sozinho no topo, é o famoso Chateau D’Yquem. Todos ficam situados nas AOCs de Sautern e Barsac. São vinhos para tomar com mais de 8 anos e por mais 20, 30 ou 40, quando não mais.

Para ver as listas completas dos Chateaus contemplados nas diversas classificações, acesse o site oficial de vinhos de Bordeaux clicando aqui.

            Aí você me pergunta, e o Chateau Petrus, um dos vinhos mais caros do mundo, como ele se encaixa nessas classificações? Esta vinícola está situada na AOC Pomerol, que não tem nenhuma classificação especifica então ele é, “simplesmente” um AOC Pomerol. Na prática, é considerado como um sexto Premier Cru, um verdadeiro ícone no mundo do vinho. Ou seja, tudo isso para que você tenha uma idéia do que é o mundo de Bordeaux. Os grandes experts de vinhos de Bordeaux, são pessoas altamente qualificadas, com décadas de estudos e que vivenciam esse mundo quase que diariamente. Arrisco dizer, que é um culto, um projeto de vida!

            Para finalizar, eis uma lista das grandes safras de Bordeaux nos últimos 15 anos. Marcado com um asterisco as consideradas excepcionais. – 90*, 95, 96*, 98, 00*, 01, 03*, 04 e 05*.

Bibliografia – Para quem tiver interesse em se aprofundar no assunto, sugiro a leitura do livro Tintos & Brancos de Saul Galvão, o livro Os Segredos do Vinho de José Osvaldo Amarante e o Larousse do Vinho todos com uma boa cobertura da região de Bordeaux e muito mais informações detalhadas sobre a França e o restante do mundo produtor de vinhos. Uma boa opção para estudar os vinhos da França, incluindo Bordeaux, sem gastar, são os sites http://www.vins-bordeaux.fr e www.terroir-france.com. Boa parte do que está nestes posts, foi pesquisado nessas fontes.

Dicas de Compras

                 Eis algumas boas dicas de promoções que recebi estes dias e que quis compartilhar com os amigos:

Zahil – Quando da matéria sobre o Chile, tive a oportunidade de tomar e recomendar, o Domaine Conté Selección Barricas Carmenére 2006. Em não sendo fâ desta uva, fui positivamente surpreendido por este vinho que me agradou muitíssimo. Posteriormente provei o Cabernet Sauvignon em um restaurante e, mesmo não me empolgando como o Carmenére, provou ser um vinho correto, agradável e fácil de tomar. O preço de lista é R$34,00, mas não não é que a Zahil está com uma oferta de três por dois. Você paga dois, R$68,00, e leva três garrafas o que dá R$22,67 por garrafa. Grande promoção e, cá entre nós bem no pé de ouvido, eu iria de 2 x Carmenére + 1x Cabernet!

Expand – Acho que o grande achado do mês dentre as promoções da Expand, é mesmo o Goats do Roam Red 2005, sob o qual já publiquei um post. Se já achava uma grande pedida esta qualidade por apenas R$38,00, agora por R$33,00 é uma pechincha imperdível! Quem gosta de vinhos do Rhône (França), não pode perder esta oportunidade para provar este Sul Africano que é um belo vinho, elaborado com o mesmo estilo mas com alma própria.

WalMart – Este fim de semana passei lá, e vi que as adegas climatizadas voltaram. Tenho recomendado estas adegas para alguns amigos e meu genro tambémjá comprou uma. Aparentemente, porque ninguém ainda me xingou, parece que funcionam bem. São simples, mas uma adega de 24 garrafas por cerca de R$580,00 e pagamento em no minímo 6 vezes no cartão, acho que chegam a 10, é uma baba e uma ótima opção para quem está começando sua vida de enófilo. Melhor que isso só comprando as do Free-shop (quando há) de 46 garrafas por USD490. Dessa eu tenho uma em casa!

Salute e kanimambo!

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção  “ONDE COMPRAR”

Roteiro de viagem a Bordeaux

                Visita a grandes vinhedos, degustando os principais vinhos. Uma viagem inesquecível pelo berço da Cabernet, Merlot, reunindo história e cultura. Hospede-se no Chateau Pavillon Margaux, passeie de barco pelo rio Garonne, conheça Paris. Orientação e acompanhamento da enóloga Maria Amélia Duarte Flores. Pelos passeios e degustações especiais, o tour tem vagas limitadíssimas. Confira o roteiro completo!

  • 1° DIA – 25/09 : quinta -feira – saída do Brasil às 19 :15 de Porto Alegre
  • 2° DIA – 26/09: sexta -feira – Paris / Bordeaux
    Pegaremos um TREM até Bordeaux; Acomodação no hotel Best Western Grand Hôtel français
  • 3° DIA – 27/09: sabado – Percurso da rota dos vinhos de Bordeaux Regiao dos Graves: Grands Crus Classés com degustação; Château Pape Clement  com degustação; Château Haut Brion  com degustação; Mission Haut Brion com degustação, almoço na regiao (entre 30 a 60 euros o menu nao incluso no pacote). Noite livre
  • 4° DIA – 28/09 : domingo – Passeio em Bordeaux a pé e passeio de barco no rio Garonne e dependendo do horario almoçaremos num restaurante na borda do rio (o almoço não está incluso) Noite livre
  • 5° DIA – 29/09 : segunda-feira – Visita Haut Medoc : Château Margaux com degustação; Saint Estephe com degustação; Saint Julien com degustação; A tarde, visita a regiao de Medoc (Grands crus classées) :
    Château Rothschild com degustação; Mouton Rothschild com degustação; Château Latour com degustação (provavelmente conseguiremos fazer todos ou na indisponibilidade não faremos um). Noite livre
  • 6° DIA– 30/09 : terça -feira – Visita a Fronsac no Château La Riviére com visita à cave e degustação; Almoço em Saint Emilion (nao incluso), Visita de Saint Emilion (pitoresco vilarejo medieval produzindo vinho mundialmente famosos sua vinha e paisagem estao inscritas no Patrimonio Mundial da Humanidade pela Unesco – a visita sera feita à pé), passeio em Van pela regiao de Saint Emilion e arredores(Pomerol, Libourne, …) Noite livre
  • 7° DIA – 01/10 : quarta-feira – Chegada e Hospedagem em Margaux no Château Pavillon Margaux; Jantar no Chateau Marojallia – jantar de gala incluso no pacote
  • 8° DIA– 02/10 – Saida 9h – Passeio a Dordogne – No caminho beirando o rio Dordogne encontraremos vários vilarejos medievais, com possiveis paradas; Chegando em Sarlat (cidade medieval ), acomodação no Hotel. Selves sarlat . Almoço : não incluso. Passeios pela região: visita ao Château Beynac (castelo medieval magnificamente conservado, onde foram realizados varios filmes) com degustação
    Château Feudal de Castelnaud – com degustação. Jantar : Sarlat ou Roque Gageac(classificado como um dos mais lindos vilarejos da França, um vilarejo “colado” nas altas falésias com seus fortes trogloditas que se visitam. Não incluso no valor do pacote)
  • 9° DIA – 03/10 : quinta-feira – Continuaçao à visita de Dordogne, com seus vestígios trogloditas e grutas. Visita aos santuários de Rocamadour (extraordinário sítio medieval construído num penhasco) Gouffre de Proumeyssac ou Gauffre de Padirac . Almoço – não incluso. Noite livre
  • 10º DIA – 04/10/2007- embarque para Paris TREM . Partida para Brasil ( o vôo de Paris p/ Brasil sai as 23:00)

                Valor por pessoa em apartamento duplo: € 2750,00 à vista ou 5 x, sob consulta, com possível alteração de valores. Grupo limitado a 14 pessoas. Confirmações até 05 de julho, com Maria Amélia Duarte Flores da Vinho e Arte – WineMarketing Consultoria e Eventos, Andradas, 211 – 201, Centro, Porto Alegre RS, tel. (51) 9331 6098 ou via e-mail mariaamelia@vinhoeartebrasil.com.br.

             Ó pessoal, não os conheço, mas gostei muito do programa e adoraria poder estar nessa viagem. Andei pesquisando e verifiquei que a Maria Amélia é enóloga e bastante conceituada na região Sul, então acredito que estarão em boas mãos. Por outro lado, isto se encaixa perfeitamente no tema do mês, então aproveitem. Para aqueles que podem, tempo e dinheiro permitindo, parece um prato cheio. Aproveitando, em Setembro eles estão com uma programação de um encontro de Vinho e Arte lá no Vale dos Vinhedos, para quem estiver por lá, pode ser um bom programa.

          Lembrando, o Enólogo tem formação acadêmica. De acordo com Aldolfo Lona, esmerado produtor e enólogo Argentino radicado em Garibaldi, o Enólogo é aquele que diante do vinho, toma decisões, já o Enófilo é aquele que diante das decisões, toma o vinho! Eu sou aquele que toma o vinho eheheh. Salute!

Região Vinícola de Bordeaux – I

                Au Bord de L’eau (à beira d’água) é a origem do nome desta importante região produtora, não só francesa, mas mundial. Alguns dos vinhos mais importantes e caros do mundo, verdadeiros ícones de nossa vinosfera. Se puder bancá-los, ótimo fico feliz por você e, se der, pode me convidar para uma taça que eu, até por uma questão de educação, não recusarei! rsrs Os melhores Bordeauxs, todavia, estão fora do alcance da maioria de nós pobres mortais. Apesar disso, alguns bons vinhos estão disponíveis por preços razoáveis, o que nos permite, vez ou outra, fazer uma estripulia sem atrapalhar demasiadamente o orçamento. Alguns importadores como Expand, Mistral, Zahil, Wine Premium, Vinci, De la Croix, Decanter e Nova Fazendinha (RJ), entre outros, possuem um vasto catálogo com produtos muito interessantes. Alguns poucos rótulos desses estarão na seção Tomei e Recomendo, mas agora vamos conhecer um pouco da região de Bordeaux e seus segredos.

               A região, uma das principais da França junto com a Borgonha (Bourgogne) e Champagne, tem grande reconhecimento tanto nacional como internacional. Ela se divide em duas principais sub-regiões situadas, uma à margem esquerda do Estuário de Gironde e a outra à sua margem direita. No Estuário de Gironde desembocam dois rios, Dordogne e Garonne, criando entre eles, uma terceira sub-região menos conceituada, chamada Entre-deux-Mers. Esta posição geográfica fica muito clara no mapa abaixo e este conhecimento nos ajuda muitíssimo na escolha dos vinhos a comprar.

   

             Porquê da importância de saber a localização geográfica na escolha do vinho? A resposta vem da regulamentação de AOC que o INAO (Institut National des Appellations d’Origine) instituiu e que não permite que no contra rótulo sejam mencionadas as cepas usadas no corte, algo da tradição vinícola da região. Só que, dependendo da margem de onde é elaborado, o vinho apresenta características bem diferentes. Do lado esquerdo do rio, a casta dominante é sempre a Cabernet Sauvignon e do lado direito é Merlot. O corte baseado nessa composição de cepas, isto a grosso modo porque existem inúmeras variáveis que podem mudar esta afirmação, indica que os vinhos do lado esquerdo deverão ter uma tanicidade e estrutura maiores, resultando em vinhos mais encorpados e de maior longevidade, do que os vinhos da margem direita. Sem indicação do corte ou localização, fica dífícil descobrir o que estamos comprando, então a única opção é decorar as AOCs por margem!

              Para complicar um pouco mais, cada AOC, tem sua própria classificação ou primam pela ausência de uma. Cada AOC regional, como por exemplo, o Médoc, possui várias outras AOC comunais, ou seja especificas dentro da região, total disto tudo? “Só” 57 AOCs com cerca de 7000 produtores (Chateaus) e 13000 vinhedos com, pelos meus cálculos, pelo menos uns 35 a 40.000 rótulos.  Acha que isto está ficando difícil, não é? Pois relaxa que tem mais, tem a complicação dos nomes dados aos vinhos. Por exemplo, só de Belair e suas variáveis tipo; Bel Air, Bel-Air, Bellair, são quase quinze! Mas existem muitos outros casos como; Chateau Latour e o La Tour, Cânon Langue e Cânon Moueix ou Cânon-Fronsac, Haut-Brion e Haut Badon e Bellegrave com Belles-Graves. É aquela história, para que facilitar se podemos complicar! Para o apreciador de vinhos comum, isto pode parecer muito complicado, e é! Aqui há que se guardar nome, sobrenome e região do rótulo desejado, pois o risco é grande de comprar algo bem diferente do que você buscava. Recentemente estive conversando com uns produtores da região, e eles mesmo afirmaram que a grande maioria dos Franceses desconhece tudo isso também. O que vale lá é o gosto e a marca. Gostou, registre a marca (Rótulo/Produtor/Região) na memória e pronto. De qualquer forma, acho que temos que tentar reduzir riscos de compra o máximo possível, então vou tentar simplificar este emaranhado de informações com algumas dicas que talvez possam ajudar na hora de sua escolha:

  • Lista das principais AOCs por margem do Estuário de Gironde. Manter mapa na carteira. rsrsrs
  • Entre-deux-Mers (entre dois mares) é uma AOC somente de vinhos brancos. Todos os tintos produzidos nesta região deverão ser classificados somente como AOC Bordeaux ou, eventualmente, AOC Bordeaux Superieur se atenderem á regulamentação especifica.
  • Sauterne e Barsac são AOCs especificamente de vinhos brancos doces, de onde saem os melhores néctares do mundo nesta categoria.
  • Lembrar que, “Gran Vin de Bordeaux”, não que dizer absolutamente nada. Exceção feita ao Chateau Petrus (AOC Pomerol), que estampa em seu rótulo “Gran Vin”. Nada a ver com classificação, todavia, e sim com o fato de que ele é, efetivamente, un “GRAAAAN VIN”! 
  • Preferir vinhos com a inscrição “Mis em Bouteille aux Chateau”, que significa que o vinho foi engarrafado na origem, na vinícola. Apesar de existirem “negociants” (compram uvas e elaboram vinhos) sérios e com boa qualidade, alguns até possuindo vinhedos, o fato de o próprio vinicultor engarrafar, traz sempre um pouco mais de segurança.
  • Lembrar que AOCs e Classificações, não são, necessariamente, sinônimo de qualidade, mas sim indicações.
  • Vinhos com classificação Bordeaux Superieur, e acima, são vinhos que, normalmente, necessitam de um pouco mais de tempo em garrafa para o amadurecimento de seus taninos. Prefira este vinhos com quatro ou cinco anos de vida, para os grandes vinhos pelo menos de oito a dez, pois certamente você tomará um vinho mais equilibrado e elegante com menor adstringência e maior  complexidade de  aromas e sabores. Se for abrir antes disso, dê uma decantada de pelo menos uns 30 a 45 minutos, pois o vinho se beneficiará muito com isso.
  • Por estas bandas, não se aventure, especialmente nos mais caros, sem alguma indicação, o tombo pode ser grande.

As principais classificações existententes veremos nesta Quarta, em novo post. Este já está ficando longo demais! Na Sexta, mais dicas de vinhos que Tomei e Recomendo e, na semana que vem, o inicio dos destaques de nossos parceiros em Boas Compras. Salute e kanimambo.

Está Chegando a Hora

                É, dia 12 está quase aí, o que você já fez de especial? Vai esperar dia 12 mesmo, nè? Tudo bem, pelo menos vê se capricha já que essa é uma data única, pois se compartilha a dois. Seja saindo para jantar, um acordar com espumante, uma flor ao almoço, não há que se gastar muito, lembre-se que o que mais conta é a criatividade. É você mostrar que se interessa, que saiu de seu caminho para fazer algo diferenciado para agradar sua pessoa amada, que fez aquele algo mais do que sacar de seu cartão de crédito ou talão de cheque.

              Existem aqueles que ainda estão na busca de sua alma gêmea, de seu grande amor, assim como há aqueles que somente depois de velhos, vão sacar a falta que lhes fez a ausência dela. Outros, como eu, já tiveram a sorte de ter achado esse parceiro/a dos bons e maus momentos há tempos. Para estes a musica abaixo, é a minha homenagem nesta quase véspera de dia dos namorados.

 

               [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=TSvgv3FOlAI]

 

Para estes mesmos casais que já se descobriram, uma linda canção Francesa, aproveitando que estamos falando de vinhos da França, que diz; ” Se você não existisse, me diz ………..porque eu existiria?”. Isto, só os sortudos entenderão. Salute!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=CQsWaC4ZiYw]

Musica faz bem ao coração e á alma, se acompanhada por um bom vinho, melhor ainda. O extâse, é curtir a musica, tomar o vinho e compartilhar tudo isso com a pesoa amada. Bom demais da conta, sô! Salute.