Confraria Frutos do Garimpo

Amigos, nesse garimpo que venho fazendo há anos por nossa vinosfera, toda a hora me deparo com algumas pérolas e bons vinhos porém nem sempre ao preço certo. Mais raramente, no entanto, dou de cara com algumas belas ofertas desses mesmos vinhos que merecem ser compartilhados com os amigos então decidi começar esta exclusiva Confraria Frutos do Garimpo - Logoconfraria de compras e oportunidades como forma de compartilhar esses Frutos do Garimpo. Não, não é mais um clube de vinhos, é uma Confraria, não havendo quaisquer cobranças mensais ou obrigação de compra.

Mensalmente, a partir de Setembro, sujeito a disponibilidade montarei uma série limitada de caixas (avisarei a quantidade disponível nas chamadas mensais) com 4 garrafas destes achados, frutos do meu garimpo. A cada mês os valores mudam (devendo ficar entre R$200 a 350) e os vinhos mudam, podendo até haver maior disponibilidade num ou noutro mês ou não haver nenhuma oferta já que, lembrando, são Frutos do Garimpo e aquela “pepita” nem sempre dá as suas caras e quando dá são de pouca monta! Podem ser duas garrafas de um mesmo vinho e as outras de dois vinhos diferentes, podem ser duas garrafas de dois rótulos, a cada mês a história será diferente, o objetivo é compartilhar as pepitas achadas nas entranhas de nossa vinosfera. Passo os preços com minha resenha dos vinhos e você compra se quiser e quando quiser, tendo tempo para pesquisar, porém como as quantidades serão limitadas a venda será realizada aos primeiros que confirmarem e somente uma caixa por pessoa.

O foco será, obviamente, na qualidade atrelada a um preço abaixo da média do mercado, diversidade de estilos e uvas, sendo coerente com tudo o que venho escrevendo já faz anos. Eventualmente poderei me deparar com outros frutos que não vinho, por exemplo um acessório, no qual o conceito também se aplique e o incluirei para apreciação dos confrades. Pintou oportunidade na minha praia, a idéia será compartilhá-la com você e disponibilizá-la aos confrades e confreiras se houver quorum. A confirmação da reserva se dará através de depósito em conta, após o qual faremos a entrega que será gratuita em Cotia,Alphaville e nos seguintes bairros de São Paulo > Morumbi, Vila Olímpia, Itaim, Jardins, Pinheiros e Butantã. Qualquer outro local de entrega ficará sujeito a cobrança de frete junto com o depósito da reserva e avisado antecipadamente. Eventualmente, poderá ser retirada na Vino & Sapore por aqueles que moram na região da Granja Viana, no entanto os Frutos do Garimpo não estarão disponíveis na loja e, caso venham a estar nas prateleiras, estarão com preço de mercado.

Gostou da idéia, tem interesse em participar? Pois bem, preencha o formulário em clicando aqui e assim que tenha o primeiro “KIT” pronto, deve ser Setembro, lhe enviarei e-mail com os Frutos do Garimpo do mês e as resenhas. Estes achados não serão divulgados na internet ou em redes sociais, então sua inscrição na Confraria “Frutos do Garimpo” será a única forma de você vir a ter acesso a eles.

Kanimambo a todos que vierem a apoiar este novo projeto que se inicia agora em Setembro de 2015. Bem vindos a bordo e espero que a viagem seja prazerosa!

Dicas da Semana

      Dia 17 Vino & Paella na Vino & Sapore, dia 22 Curso de Degustação (também lá, eheh), férias de Julho (programe-se) atividades em Campos de Jordão e Floripa, enfim uma série de atividades para enriquecer sua bagagem enófila. Está preparado para ler, então relaxe e aproveite, por tem coisa aqui hoje!

Vino & Paella – Neste próximo dia 17 e para somente 13 felizardos participantes, a Vino & Sapore apresentará um exercício de exploração sensorial, a tentativa de busca pela melhor harmonização entre Vino & Paella. Na Granja Viana a reputação da Paella preparada no forna a lenha pela Dona Sagrario é irretocável e célebre há décadas, então a fonte do alimento sólido para esta experiência enogastronomica só  poderia vir de lá! Já os vinhos, aí a escolha foi bem mais difícil pois as potencialmente boas “maridajes” no mercado são um mar de opções!! Optei por mixar o tradicional ao inusitado, rótulos mais conhecidos com aqueles menos midiáticos e só provando para ver o que dará certo.

  • Ramon Bilbao Branco – um Viura fermentado em barrica de que gostei muito quando visitei o tradicional e famoso Don Curro. Ótima acidez com bom corpo, deverá se dar bem.
  • Señorio de Sarría Rosado – um vinho de Navarra, região famosa por seus rosés, elaborado com a uva símbolo da região, a garnacha. Menos residual de açúcar do que estamos acostumados a ver nos vinhos deste estilo, mais seco e com uma acidez bem presente, deverá acompanhar o prato com galhardia.
  • La Calandria Cientruenos Garnacha – um vinho que acaba de chegar ao mercado, pequeno produtor que cria mais que vinhos, cria poesia engarrafada. Tentando restaurar a essência e tradição da Garnacha nos vinhos tintos de Navarra, um vinho diferenciado  que relutei muito em escolher, já que o vinho mais jovem de maceração carbônica que eles produzem, me chamou muito a atenção também. Quem sabe até ao último instante ainda não mude!!
  • Finca San Martin Crianza – um Rioja delicioso e sedutor que provei o ano passado e me surpreendeu mito positivamente já que, inclusive, possui um preço muito bom. Mas é na boca que ele realmente ostra a que veio.
  • Trapezio Plus – nenhuma degustação que armo fica completa sem algo diferente e este vinho, fruto do corte entre a cabernet franc e merlot produzido na Argentina, pode chacoalhar o status quo! Será que algo tã diferente, seja de origem ou cepas, pode casar legal com a Paella valenciana de Dona Sagrario? Só tem um jeito de saber!

Por apenas R$140 com desconto de 10% para grupos de duas pessoas ou mais, vagas se esgotando rapidamente, um encontro gostoso e informal para curtir tudo o que de bom a enogastronomia tem a nos oferecer! Ligue para (11) 4612.6343 ou envie mensagem para comercial@vinoesapore.com.br . Para ver a localização clique aqui.

Foundue no All Seasons – friozinho chegando e a temporada dos Fondues idem! Semana que vem promete fazer bastante frio e ainda por cima húmido já que a chuva também ameaça chegar, então aproveitar a temporada já a partir do próximo dia 15 parece ser uma ótima opção! Eis o release recebido e que repasso aos amigos.

“O restaurante All Seasons, do Chef suíço Christophe Besse, localizado na Alameda Santos, anuncia o seu Festival do Fondue que começa no dia 15 de maio e vai  até 24 de agosto. “Uma pequena antecipação da data tradicional pela demanda de clientes, que assim que começa a esfriar ligam para o All Seasons para saber se podem degustar nossos fondues”, conta o Chef. São muitas as histórias da origem do fondue. O Chef conta que a Suiça “ é a verdadeira”  e conta que o prato foi inventado pelos soldados na guerra suíça de 1291, quando o país foi criado. Na época do frio, os soldados pegavam os queijos que tinham para comer e derreteram na panela para comer algo quentinho, pegando com o pão. O queijo era algo muito farto em todo o pais, sendo uma das poucas opções que os soldados dispunham pra comer. Obviamente era outro estilo de queijo, diferente do que conhecemos agora. “O queijo na suíça é como a farinha no Brasil, é a comida nacional”, compara o Chef.

       A Suíça é o país de origem dessa iguaria, por isso Christophe se esmera na criação de novos estilos inspirados em sabores de sua terra. Dessa vez a novidade é o  de Funghi Porcini, feito a base de queijo com funghi picado, ou Cêpe, o nome francês.  Apesar da criatividade do chef em buscar novos estilos de fondue, ele observou nestes 10 anos que promove o festival que os clientes tendem a escolher sempre os mesmos, não arriscando muito seus pedidos. Para atender os tradicionalistas, oferece a opção Fondue Completo (R$98,00) com os três favoritos dos brasileiros: queijo, carne e chocolate.

        Ao todo, no Festival Do Fondue do All Seasons são oferecidos 8 tipos de fondues, sendo cinco a base de queijos suíços, além do Fondue de carne, um dos mais apreciados pelos brasileiros, o de camarão e uma versão doce, o de chocolate. De entrada, antes do fondues de queijo, o Chef serve o couvert especial ao estilo suíço composto de  três tipos de frios que são carne de grisons (um tipo de carne dessa região parecido com a bresaola italiana); Tessinês (presunto cru) e salaminho suíço com pepinos em conserva e cebolinha. Para os fondues de carne e camarão servem o couvert tradicional, valor incluído no preço do Fondue.

      O Fondue de Queijo do All Seasons é feito com queijo suíço e queijo raclette importados (R$68,00); o Fondue Grand ST Bernard, nomeado em homenagem a ao vale Grand Saint Bernard, uma região na suíça, é feito a  base de queijos com ervas orgânicas trazidas especialmente pelo Chef Christophe, composta de um tempero criado para fondue (R$ 70,00), exclusividade do All Seasons, não está a venda no Brasil. O Fondue de Queijo Suíço e Queijo de Cabra oferece a mesma base de queijos acrescentando o queijo de cabra, o que o deixa mais cremoso (R$ 68,00);  outro também a base de queijo é o Fondue de Champignons com Pimenta Verde, com pedacinhos de champignon e de pimenta verde cortados acrescentando um gosto picante ao queijo (R$ 72,00). Como novidade para esse ano, criou o Fondue Funghi Porcini, também elaborando com queijos e funghi picado (R$86,00)

     O Fondue Bourguignonne do All Seasons, de carne, oferece os cubos de filé para serem fritos no óleo,  acompanhados de uma pequena salada e batata Suíça, além de 5 molhos especias: o Tartaro, feito a base de maionese temperada com cebola, salsinha e pepino em conserva; o Curry com maça verde; o Calypso um molho rose com pimenta dedo de moça; o Aioli também com maionese com gema de ovo duro, salsinha e alho e o Béarnaise, uma emulsão quente com estragon, que é novidade na casa.

     O Fondue de Camarões Crocantes é muito especial. Feito com camarão rosa empanado, ao estilo tempurá, frito no óleo da panela do fondue. Acompanha risoto parmegiano, tomate assado recheado com frutos do mar na flor de açafrão e também acompanha cinco molhos: o Shoyo; o Tartare; o Curry; o Calypso; o Raiz Forte, e um ultimo feito a base de dill (endro);

     Para finalizar  não pode faltar o Fondue de Chocolate, no qual usam chocolate belga callebaut meio-amargo para ser degustado com as tradicionais frutas além de Chamalon, uma espécie de maria-mole francesa temperada com flor de laranjeira, água de rosa e maracujá. Acompanha também o allumette crocante, um palito de massa folheada doce que mergulhado no chocolate fica delicioso. 

    O restaurante All Seasons está localizado no lobby do hotel Golden Tulip Paulista Plaza, na Alameda Santa, num espaço amplo e confortável, com iluminação discreta. O ambiente é adequado tanto para encontros românticos quanto para jantares de negócios pela distancia entre mesas, além de estar localizado na área central dos negócios da cidade. Na frente do restaurante um grande lounge com telhado de vidro que dá ao visitante a sensação amplitude e espaço ao ar livre, ganhando uma atmosfera romântica com a iluminação noturna.

Para mais informações, consulte o restaurante através dos contatos no site clicando > http://www.restauranteallseasons.com.br/default.asp

Curso de Degustação na Vino & Sapore dia 22 de Maio– a ser ministrado pelaenóloga portuguesa radicada no Brasil, Inês Cruz. Para iniciados e iniciantes, uma aula de cerca de duas horas com posterior degustação de três vinhos, para praticar a teoria aprendida. Uma forma de melhorarmos nossa percepção dos caldos na taça e no palato. Eis o roteiro do que será ministrado no dia:

A Vitis vinífera

Ecossistema Vitícola – Terroir

Classificação dos diversos tipos de vinhos  – Brancos, Rosés, Tintos, Tranquilos, Frisantes, Espumantes, Vinhos de Sobremesa e Fortificados.

Princípios de degustação

Critérios para apreciação e prova de vinhos

  • Visão – Aspecto, Limpidez, Intensidade e Cor
  • Olfato – Limpeza do Cheiro, Intensidade, Desenvolvimento, Caráter da Fruta
  • Paladar – Doçura, Acidez, Tanino, Álcool, Caráter da Fruta, Intensidade e Final
  • Os sabores elementares – Doce, Ácido, Salgado e Amargo

Classificação dos aromas do vinho – Aromas primários, secundários e terciários

A guerra das rolhas – Rolha de cortiça vs. Rolha sintética

O serviço do vinho – Acessórios, Temperatura e Decantação

Interpretação do rótulo e contra-rótulo

Armazenamento e guarda – Condições ideais para a conservação do vinho

Degustação – Três rótulos a serem definidos

O custo de investimento, pago no ato da reserva, será de apenas R$150,00 sendo que grupos de duas pessoas ou mais terão desconto de 10%. Somente 12 pessoas então reserve logo e garanta seu lugar

Campos de Jordão Vinho e Gastronomia – em Agosto, aviso agora porque as vagas costuma acabar rapidamente, o amigo Luiz Otavio (Enopira – Piracicaba) porá toda sua expertise a serviço dos apaixonados pelos bons caldos de Baco. O GourVin 2012 ocorrerá no Orotour Garden Hotel e terá uma programação para lá de extensa. Pessoalmente fiquei extremamente tentado a participar da Apresentação de Vinhos Madeira, porém tem Bordeaux, Jerez, Califórnia, etc, assim como diversos Wine Dinners. Se quiser saber mais, acesse o link clicando aqui.

Wine Weekend no Costão do Santinho em Julho – já passei por lá e o lugar é dos Sonhos. Aliás, a ilha é paradisíaca e se há um lugar em que não me incomodaria nada de viver, esse lugar é Floripa! Este release me chegou já faz um tempinho, mas venho guardando para compartilhar com os amigos na hora certa. Eis aqui uma boa opção de reunir num mesmo fim de semana uma série de prazeres!

“De 6 a 9 de julho, o Costão do Santinho promove o “Wine Weekend” em Florianópolis, para quem deseja ter a sublime experiência de degustar vinhos num dos mais belos resorts do país. Para os paulistas, que curtem o feriado no dia 9, os pacotes são de três noites; para os demais estados, o Costão oferece a opção com duas noites de intensa programação. Quem estiver no resort vai poder desfrutar de degustações e de almoços e jantares harmonizados com excelentes vinhos, com rótulos de diferentes nacionalidades, como os de vinícolas de Portugal, França, Itália e Espanha, em uma seleção especialmente elaborada para o Costão pela Decanter. Os elogiados restaurantes do Costão – com base nas cozinhas internacional e regional de Santa Catarina – são mais um atrativo nessa aventura enogastronômica.

         O “Wine Weekend” terá ainda palestras com os experts Eduardo Viotti e Renato Francino, e o Espaço Wine Experience, onde a proposta é trazer um vinho e compartilhar histórias.  O fim de semana também terá atrações musicais, como o show com o Duo Sciotti (com destaque para o sax de Derico, do Sexteto do Jô); e diversão noturna, com o cassino Roulette Night, que utiliza moeda exclusiva, os carijós, distribuídos entre os hóspedes maiores de 18 anos para tentarem a sorte na roleta, pôquer, Black Jack e outros jogos de um cassino profissional – os carijós acumulados são trocados depois por prêmios oferecidos pelo resort.

        Eleito o melhor resort de praia do Brasil por seis vezes consecutivas, o Costão do Santinho fica na praia do Santinho, em meio a dunas e costões, com opções de hospedagem em apartamentos que vão das charmosas unidades com vista para o mar na Ala Internacional até verdadeiras casas de praia com até três dormitórios, distribuídas em vilas inspiradas no estilo açoriano. Além de receber amantes do bom vinho e da gastronomia o Costão possui estrutura completa para adeptos de esportes ao ar livre e do lazer à beira da piscina, fãs de caminhadas e do contato com a natureza, praticantes do golfe e muitas outras “tribos”.

         Quem busca equilíbrio e qualidade de vida não pode deixar de conferir os tratamentos oferecidos pelo Spa do Costão, que podem ser contratados avulsos ou no pacote “Day Spa”. Entre as opções, um tratamento perfeito para o Wine Weekend: ritual de vinoterapia com banho de champanhe, esfoliação com sementes de uva e massagem relaxante com óleo da mesma fruta. O ritual é exclusivo para os participantes do Wine Weekend, oferecido pelo Costão em parceria com a Vinotage”

Curtiu, ficou com água na boca? Então acesse o site deles para mais informações > http://www.costao.com.br/Products/138-1-wine-weekend-2012.aspx?gclid=CJnUspHB-K8CFQbznAodRgvkSw

Um ótimo fim de semana e segunda tem mais! Salute e kanimambo, um Domingo maravilhoso para todas as mães que têm que ser veneradas sempre! Beijo grande!!!!!!

Coluna da Eliza – O Languedoc

            Antes dela se apresentar e começar a introduzi-los no mundo enogastronomico do Languedoc, deixa eu falar um pouco da Eliza. Durante muitos anos ela foi a alma e força motora por trás da Lusitana de Vinhos, uma importadora que fechou há uns anos e deixou saudades. Lembro bem dos; Quinta Giesta, especialmente o rosé, vinhos bem honestos da região do Dão, do incomparável e inesquecível S. Leonardo Tawny 20 anos, dos Portos da Quinta de Baldias em especial o delicioso Tawny que mais parecia um reserva e os Barão do Sul e Barão do Sul Reserva que eram incríveis relações Qualidade x Preço x Prazer. Fechou a empresa e a Eliza alçou voo rumo a uma terra distante porém encantadora e repleta de cultura, conhecimento e muito vinho! Agora, enquanto não encontra seu caminho de volta, compartilhará conosco suas experiências. Benvinda amiga e espero ansioso por mais posts.

 

            Atualmente moradora do Sul da França (quelle chance) e completamente apaixonada pela cultura local, aproveito esse espaço (gentilmente cedido pelo queridíssimo João Filipe) para compartilhar com vocês algumas descobertas, minhas impressões e ainda muitas novidades do mundo vinícola francês, disponíveis ou não no Brasil.

            Neste primeiro momento, eu proponho um resumão da história da vinha e do vinho na região Languedoc-Roussillon. Preparados?

            Foram os gregos os primeiros a cultivar a vinha na região méditerrannée, 5 séculos A.C.. Naquela época, o vinho era uma importante moeda de troca e os proprietários das vinhas possuíam poder e prestígio.

            No entanto, quem realmente expandiu a cultura da vinha, desenvolveu o comércio do vinho e até criou as primeiras regras de produção, foi o povo romano. Imaginem que, um século antes do nascimento de Cristo, ao longo de toda a voie domitienne, os centuriões romanos cultivavam a vinha e vendiam o seu fruto mais precioso: o vinho. Mas, como nada dura para sempre, com o declínio do Império, as invasões germânicas e a expansão da presença muçulmana, o comércio se desestabilizou e muitos vinhedos foram esquecidos ou arrancados…

            Por mais de 15 séculos, a região perdeu a sua vocação vinícola… apenas os monges pareciam se interessar pelas práticas vinícolas herdadas da época romana. Muitas Abadias possuíam um pequeno vinhedo, instalações para a vinificação e ainda uma cave para estocar as preciosas garrafas. Mas atenção: tudo isso para consumação própria.

            Foi somente durante os séculos XV e XVII que algumas personalidades se interessaram em desenvolver o comércio no sul da França e, em consequência, a vinha. Mesmo sendo a rota de passagem mais importante entre a Itália e a Espanha, as estradas da região eram muito perigosas e o mar repleto de piratas, o que dificultava énormément o desenvolvimento do comércio. Com a construção do Canal du Midi, em 1681, tudo mudou! A vinha expandiu, expandiu sem parar… o Languedoc tornou-se, em apenas um século, o maio produtor de eau-de-vie, aguardente de uva, do mundo. E, logo em seguida, tornou-se o maior produtor de vinho barato da França. Títulos que marcam a reputação da região até os dias de hoje.

            Mas, atualmente, muita coisa mudou por aqui. Após anos de crise e de falências de caves cooperativas, os antigos produtores preocupados com a quantidade, cederam espaço à uma nova geração de vignerons. A região, enquanto produtora de vinho, se estrutura, descobre seu terroir, tão diverso e tão rico. E nós, hoje, podemos fazer parte dessa história, degustando os vinhos da região, com toda a atenção e o carinho que eles merecem!

Petição Contra as Salvaguardas – Já Passamos de 10.000 !

        Um recadinho a quem de direito, já são mais de 10.000 chatos que subscreveram a Petição Publica contra essa excrescência que pretendem nos enfiar goela abaixo! Esses são consumidores que certamente já estão vendo a produção nacional de forma diferenciada e, lamentavelmente, de forma negativa. Mesmo que quisessem, os concorrentes como as cervejas gourmet, não seriam tão eficientes quanto foram Ibravin, Uvibra e seus patrocinadores em derrubar a boa imagem do vinho brasileiro que vinha sendo contruída. No entanto, como bem disse o amigo Rogério em seu comentário, ainda é muito pouco para o tamanho da indignação e é importante que tomemos atitude em vez de só ficar resmungando pelos cantos então, se ainda não o fez, assine logo clicando no link aqui do lado

       A luta continua!

Vinhos da Semana

Hoje quero falar de dois vinhos que tomei neste último mês de Abril  e que me deixaram muito feliz, pois possuem uma ótima relação Qualidade x Preço x Prazer  e é sempre motivo de jubilo quando, num mercado marcado por preços altos, especialmente aqui em Sampa, conseguimos garimpar bons vinhos a preços mais módicos.

 Da Espanha, chega-nos um vinho elaborado com 100% da uva Tempranillo na região de La Mancha onde esta é mais conhecida por Cencibel. É fermentado em tanques de inox passando por um processo de micro oxigenação que lhe assegura um frescor e intensidade de fruta muito saborosos e de bom corpo com ótima textura . É o Canforrales Classico,  vinho que gira em torno dos R$45,00 e vale cada centavo, uma ótima pedida para se beber bem, sem ter que gastar muito e sem ter que cair nos eternos vinhos e sabores dos Hermanos. Considerado o melhor vinho jovem da Espanha e disponível nos aviões da Iberia, é um belo exemplar para quem quiser entrar no mundo maravilhoso da Tempranillo!

Ainda neste tema de vinhos de grande relação custo x beneficio, provei um vinho australiano que fez minha cabeça, um Richland Shiraz , vinho que leva cerca de 14% de uma uva francesa de nome Durif, que hoje praticamente inexiste em seu país de origem. Sob o nome de Petit Syrah, é muito presente na Califórnia (EUA) e Israel assim como na Austrália onde segue sendo conhecida por seu nome original. Neste caso, ela traz ao vinho uma acidez mais presente, frutos do bosque e boa textura de boca que complementa de forma muito saborosa as especiarias do ótimo Shiraz australiano formando um conjunto rico, muito agradável e de um final de boca bastante longo para um vinho de apenas R$58,00, uma barganha ainda mais para os vinhos de “down under”! Um amigo o harmonizou com pimentão recheado, diz que fiou da hora!!

Esta diversidade e achados deste porte estão em risco caso as salvaguardas sigam adiante, então é importante que você se engaje na luta para preservar os direitos que conquistamos depois das trevas em que vivemos por tanto tempo com produtos de qualidade duvidosa e sem acesso a esta enormidade de rótulos com boa relação de preços x qualidade. Já subsreveu a Petição CONTRA as Salvaguardas? se não o fez não deixe para mais tarde, faça-o já clicando no link aqui do lado.

Salute, kanimamo e amanhã tem concurso de Vinopiadas!

Mais uma Triste Noticia na nossa Tumultuada Vinosfera Tupiniquim

       Hoje não falo das Salvaguardas, mas sim da pequinês de boa parte de nossos produtores nacionais e não falo de dinheiro ou porte, mas sim de visão empresarial ou falta dela, sei lá! Sei que quanto mais leio e vejo as coisas por baixo dos panos, mais me decepciono com o que vejo e leio. Não é á toa que nos encontramos na situação em que estamos e a leitura completa do link que relacionarei abaixo é um “must” para que possamos entender o imbróglio em que essas entidades nos meteram, lembrando que elas são a cara de seus associados e tentar desvincular isso é um exercício inútil e vazio pois carece de qualquer fundamento lógico!

       Para quem ainda não conhece a Academia do Vinho, link aqui do lado em “Meus Sites Preferidos” desde os primórdios deste blog, deveria! Quando pouco ou nada havia no mercado que ajudasse os apreciadores de vinho a se aprofundarem neste mundo mágico do vinho, este site era um porto seguro repleto de informações num estilo fácil de entender. Foi e segue sendo, um exemplo de apoio ao enófilo, uma fonte de informações imensa e bem estruturada. Aliás, em junho de 2008 publiquei um post “chupado” deles (com os devidos créditos obviamente) em que uma frase se destacava;

“No século 17, a Igreja Católica dava pão e vinho às famílias pobres! Vinho era considerado item de primeira necessidade, fazia parte da cesta básica! Todo mundo deveria ter a oportunidade de aprender a tomar vinhos, sem achar que o vinho e sua cultura representam chatice ou um bicho papão, cheio de mistérios e dificuldades”.

 Essa junto com algumas outras poucas, especialmente do Saul Galvão e do Albert de Villaine, se tornaram meus mantras particulares nesta minha cruzada do vinho que trata, entre outras coisas, de desmistificar o vinho.

        Posteriormente, deram inicio a um projeto que também se tornou o norte, o mais completo informativo disponível no mercado, para quem se interessava pelo vinho brasileiro, nascia o Site do Vinho Brasileiro. Me ajudou muito quando ao iniciar meu blog com uma série de matérias sobre países, tive que falar de Brasil, seus vinhos, cepas e regiões. Não existe nada igual até hoje, ou melhor, EXISTIA! Recebi para minha enorme tristeza, decepção e perplexidade a noticia do fechamento do site, acabou-se!  Isso, mesmo que triste, pode até se entender porém as causas, essas são estarrecedoras assim como os fatos por trás da decisão. Vai-se um sonho, mas ficam as pessoas, sua reputação e seu caráter, parabéns Carlos e Karin Arruda pela dedicação á causa do vinho e por compartilhar conosco tanto conhecimento e informação necessária à formação do enófilo de língua portuguesa e em especial, dos brasileiros amantes do vinho. Leia a nota integral na página do Site do Vinho Brasileiro  mas vou adiantar  para vocês a razão básica para esse triste acontecimento, as vinícolas não queriam pagar R$39,00, sim todo esse absurdo de dinheiro, para ajudar na manutenção do site e a Ibravin, bem sobre essa é melhor ler a nota e aí tirar sua próprias conclusões. Eu já tirei as minhas faz tempo e estas informações só vêm corroborar com tudo o que já sabia!

       Amanhã falo de vinhos, duas descobertas frutos de meu garimpo, Quarta tem Vinopiadas (concurso está terminando dia 16/05), Quinta a Eliza Leão, direto do Languedoc, estreia sua coluna aqui e sexta, bem aí é dia de Dicas da Semana. Quanto a Salvaguardas, os “Chatos das Salvaguardas” não param nunca e no Face o grupo já passa dos 830, com noticias diárias,  e por aqui não haverá dia especifico, todo  o dia é dia, para falar dessa  excrescência. Semana que vem vou falar de mais vinhos, coisas novas bem interessantes, de um encontro enogastronomico no histórico e respeitado Dom Curro, enfim, há muito que compartilhar então fique por aqui.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos. A Luta Continua!

Dica da Semana

     Algumas dicas para a semana e também para o Dia das Mães que está chegando. Aliás, um bom vinho para acompanhar o encontro da familia nesse dia tão importante, é um “must’! Muitos dos vinhos colocados em promoção na Vino & Sapore já se foram no fim de semana prolongado, mas ainda há uma série de ótimo rótulos disponíveis e neste Sábado tem Taste & Buy com quatro rótulos  á prova, venha!

Promoção de Vinhos, Aproveite Enquanto Dura – Para ajuste de portfolio abrindo espaço para novidades, mais de trinta rótulos com descontos variados de até 40%. Eis uma lista de rótulos, apenas parte do que estará por lá, para você aproveitar e já se estocar para o inverno. Temos rótulos com apenas uma garrafa e  no máximo seis então o que vai imperar é a diversidade não a quantidade então, como já dizem os ingleses, venha logo porque “the early bird catches the worm” e quem chegar tarde vai perder os melhores vinhos:

  • Montessu, Villard Assemblage Gran Vin, Calvulcura, Quinta Mendes Pereira Reserva Touriga Nacional,  Rocca de la Macie Sasyr, Pacifico Sur Pinot Noir, Crios Malbec, Crios Rosé, Quinta do Vallado Douro, Strabon Crianza Plata, Cavas de Crianza Blend, Don Giovanni Espumante Moscatel e Stravagganza, Gloria Alvarinho, Equus Cabernet, Don Giovanni Merlot, Tomero Cabernet, Vistalba Corte C, Entre II Santos, Marco Luigi Reserva da Familia Brut, Casa Marin Pinot, Batassiolo Barbaresco, Caligiore Bonarda, Baffarela Reserva Douro entre diversos outros, inclusive uma vodka da Estonia e um gin inglês!

        Na Vino & Sapore enquanto durarem os estoques que já são limitados! Veja como chegar clicando aqui! Aproveite e venha passear nesta bucólica região e provar também os pratos de nossos bons restaurantes, como o Emilia Romagna, nosso vizinho, e o Restaurante do Ney no Pattio Viana, uma instituição aqui do pedaço! Tudo a poucos passos da Vino & Sapore.

Saturday Taste & Buy – neste Sábado, a Vino & Sapore colocará quatro vinhos selecionados para você provar, na faixa, e só compra se gostar, legal né? Um Chardonnay chileno, um Rosado espanhol, um Tinto australiano e um francês todos com ótima relação Qualidade x Preço x Prazer, vai conferir?! Se não vier terei que tomar tudo!!!!!!

Senhor Brigadeiro para o Dia das Mães – minha amiga Vanessa faz uns brigadeiros da hora! Tanto que o Sr. Brigadeiro está virando mania lá em Campinas, porém agora também podemos ter acesso a estas delicias através de sua loja virtual. Experimente um Porto junto, fica melhor ainda! Pois bem, tem produtos novos para este dias especial, então veja abixo e clique na imagem para acessar o site!

Almoço de Dia das Mães no La Marie – sou fã deste restaurante, mesmo não o frequentando com a assiduidade que gostaria! Comida muito boa, preços camaradas e uma carta de vinhos não muito grande, mas honesta nos preços e de boa qualidade sem contar o serviço que é de prima. “bistrô de cozinha mediterrânea em Pinheiros, oferece no Dia das Mães um menu especial com um prato principal e uma sobremesa, como opção além do seu cardápio tradicional mediterrâneo. O chef Edson di Fonzo criou o Filet Mignon suíno ao molho de mostarda laranja acompanhado de Risoto de Pinhão e Mousse de Chocolate de sobremesa, por R$ 45. Além desse menu fechado, a casa mantém o a la carte no Dia das Mães, sempre com várias opções, das entradas às sobremesas, que agradam as mamães dos diferentes perfis.

       Entre os suflês, uma das especialidades da casa, as versões salgadas de bacalhau, de camarão, de cogumelos e de queijo brie são as mais pedidas. Entre os suflês doces, o de Chocolate e o de Gran Marnier são os campeões. Nos pratos principais, há sempre pelo menos uma opção de cada tipo de carne ou frutos do mar: coelho, codorna, pato, marreco, filé, cordeiro, mesclam-se a lagosta, camarões e ao famoso Polvo Mediterrâneo, um clássico doLa Marie.”

Reservas: Fones. (11) 3086-2800 – (11) 3063-5033 – Horário de atendimento no domingo: das 12h às 17h. Rua Francisco Leitão, 16 – Pinheiros. Este eu recomendo.

         Por hoje é só, um bom fim de semana para todos, salute e kanimambo por seguir prestigiando este escriba do vinho e suas cruzadas (rs).

 

 

Salvaguardas – Pensamentos Soltos

       Semana que vem volto a falar de vinhos e experiências gastronômicas, tenho um monte de coisas represadas em função desta excrescência chamada Salvaguardas! Também iniciarei a postar os textos de uma amiga que se mandou para terras francesas (Eliza Leão) e que agora nos falará esporadicamente sobre a região do Languedoc e seus vinhos, enfim vou retomar as rédeas de meu blog antes que seja tarde! Rs Hoje, como chato (de galocha) assumido contra as salvaguardas que sou, ainda vou tecer alguns comentários com algumas das coisas que tenho ouvido e visto, porém antes deixo aqui um pensamento para reflexão:

“Quase todos os homens podem suportar a adversidade,

mas se você quiser testar o caráter de um, dê-lhe  poder.” Abraham Lincoln 

Debate do Vinho:

     O debate ficou aquém do desejado, até porque os homens da Ibravin falaram tanto que pouco tempo sobrou para debate. No entanto algumas coisas ficaram claras, para mim pelo menos, e gostaria de ressaltar alguns tópicos para reflexão:

1 – todas as decisões são unânimes e a ACAVITIS faz parte da Ibravin, então me parece que os produtores Catarinenses têm que buscar resposta em sua associação que aderiu, ou se absteve, quando, pelo menos ao que consta, a maioria de seus associados é contrária ás Salvaguardas. Seria interessante uma manifestação oficial de sua presidência.

2 – O Sr. Leocir Bottega, que deveria falar do custo de produção no Brasil, passou o tempo inteiro numa manifestação de defesa da Ibravin e de números pouco falou. Quando o fez, me lembrou aquela frase do economista Rodrigo Constantino que diz que estatísticas são o “ato de torturar números até que eles confessem qualquer coisa”. Ninguém acreditou naquela salada apresentada de forma apressada!

3 – Interessante o quanto a Ibravin faz questão de dizer que os produtores não têm nada a ver com a ação tomada e que isto foi orquestrado pelas entidades peticionárias. Chegaram a instruir produtores a não se manifestarem, mas estes não têm nada com isso! As entidades não são formadas por associados? Estes não são consultados pelas entidades, especialmente quando de um assunto tão sério?

4 – Orlando Rodrigues, diretor da importadora Premium, ressaltou o fato de que o Brasil é o dos poucos mercados, se não o único, em que não existe uma sistemática de distribuição pré-estabelecida. Aqui todo mundo vende para todo mundo, transformando clientes em concorrentes. Realmente algo a se repensar até em função da guerra fiscal que gera brechas e práticas comerciais desleais e predadoras inclusive no âmbito do comércio virtual.

5 – O mesmo Orlando informou que o setor, através de suas entidades, estaria apresentando uma proposta de reconciliação e discussão construtiva do caminhos do vinho no Brasil e se a Ibravin aceitaria recuar em seu pedido de Salvaguardas para discutir o tema no fórum adequado. Vejam aqui a Carta Aberta, item 9. Disse o Paviani, diretor geral da Ibravin, que ao recebê-la a analisaria, mas não senti firmeza não!

Vinhos Finos e a Similaridade de Produtos X Salvaguardas ao Vinho Nacional

Este tema será, certamente, um dos mais discutidos no âmbito do Ministério e cito um exemplo, sem qualquer desrespeito á história e importância da marca no âmbito nacional como uma porta de entrada á nossa vinosfera tupiniquim, mas é difícil, se não impossível, entender a validade das salvaguardas quando a Cooperativa Garibaldi diz querer dobrar sua participação em vinhos finos com a compra da Granja União! Ora, as salvaguardas não contemplarão a Argentina de onde vem a vasta maioria de vinhos de entrada de gama e maior concorrente da produção nacional e sim atingirão, do ponto de vista da circular, os “similares” vinhos da Borgonha, Bordeaux, Rioja e Douro. Em sã consciência, isso não faz o mínimo sentido!

Entrevista do Adriano Miolo à Revista Menu

A ibravin diz que consultou as víncolas, já o Adriano diz que a Miolo não foi! Quem se esqueceu do quê? O Adriano diz que falou com seus clientes, quais? Lojistas, restaurantes distribuidores? Sim, porque o consumidor, esse nunca recebeu nenhuma resposta, inclusive eu e pelo menos mais um dos leitores que já se manifestou aqui no blog sobre esse mesmo tema. Lavar as mãos e dizer que isso é coisa das entidades, é lamentável e traz uma percepção ao mercado (consumidores) que não condiz com a história da empresa e do empresário. Parafraseando  o conceituado jornalista Sardenberg da CBN, meteu o pé na jaca, uma pena!

Resumo da Ópera

O enófilo apreciador de vinhos finos de qualidade certamente pagará mais caro porém não deixará de tomar bons vinhos, sejam eles importados ou não, deixando as zurrapas de qualquer origem á margem.  Os grandes concorrentes da produção nacional são; os impostos locais e federais, a quem os salvaguardistas e seus defensores deveriam dirigir suas ações e seu forte lobby politico, os vinhos baratos da Argentina (que não serão atingidos por essas Salvaguardas) e do Chile, vinhos de origem duvidosa (se policiarem e controlarem as fronteiras reduzindo os estimados 40 milhões de litros de contrabando seria ótimo para todo o setor) não os vinhos da Borgonha, Bordeaux, Rioja ou Douro que as Salvaguardas atingirão diretamente. Aumento de vinho nacional por decreto é uma utopia tal que fica dificil entender e aceitar que ainda haja gente que nos dias de hoje ainda acredite nisso! Tem hora que penso que deve haver algo mais por trás desta estratégia adotada ao botarem o bode na sala, só não consegui ainda solucionar o inigma, pois ignorantes eles não me parecem ser!! As pessoas tomarão menos preservando a qualidade a que se habituaram ou migrarão para outras bebidas e toda essa zorra que armaram só trará prejuizos para o setor como um todo.

      Sou um ferrenho adversário das Salvaguardas como enófilo estudioso do vinho e do mercado, comerciante de vinhos e colunista que sou. Me sinto ultrajado, desrespeitado porque não buscam soluções de fato para os problemas do setor e sim formas absurdas e prepotentes de atingir a livre concorrência sem atacar os problemas essenciais, fazendo-nos de idiotas com suas explicações sem nexo para um ato absolutamente truculento e desnecessário. Sou a favor do vinho brasileiro, especialmente dos pequenos produtores que penam para levar o dia a dia num ambiente tributário inóspito, mas sou radicalmente contra a ganância, o oligopólio, a ditadura e truculência, a falta de democracia e transparência, a politização das entidades, o peleguismo, a Ibravin e restante das entidades peticionárias das Salvaguardas que não nos levarão a lugar nenhum como o Selo Fiscal não o fez!

      Amanhã Dicas da Semana e outros papos. Na Semana que vem voltarei a Falar de Vinho, porém não esquecerei as Salvaguardas não!  Aproveitando, a petição publica está chegando em 10.000 assinaturas e você, já assinou? Acesse o site e vamos em frente porque a luta continua. Salute e kanimambo.

Quarta de VinoPiadas > Respostas Vazias = Taças Vazias

     É meus amigos, só mais duas semanas para participar e depois daremos inicio á votação aberta dos leitores para ver quem irá faturar o prêmio. Hoje a participação é do amigo Josmar que travou minha caixa postal (rs) com o envio de uma imensidão de cartoons bem elaborados e criativos, especialmente alusivos ao difícil momento pelo qual passa nossa vinosfera tupiniquim. Esta foi a que mais me agradou, espero que curtam tanto quanto eu.

Salvaguardas – Finalmente o Adriano Falou

         Suzana Barelli (Revista Menu) conseguiu entrevistar Adriano Miolo que, aparentemente, fala pela primeira vez sobre o imbroglio das Salvaguardas. Eu cá tenho a minha opinião, mas leia você a entrevista clicando aqui neste link e faça seu juizo de valor. Para mim, me chamaram a atenção três pontos abordados:

“Por que a Miolo demorou a se pronunciar?

Assim que saiu a notícia da salvaguarda, começou o tiroteiro. Decidimos deixar as coisas acontecerem antes de nos pronunciarmos na imprensa. Mas temos falado com nossos clientes desde o primeiro dia, explicado nossa situação. Só não dá para dizer que foi a Miolo que pediu a salvaguarda. A Miolo não é sócia do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho). Foi o Ibravin que apresentou a proposta da salvaguarda e não as empresas. O Ibravin fez isso a partir de seus sócios, que são 52 associações. As associações de produtores são os sócios do Ibravin. A Apex-Brasil é sócia do Ibravin. A Abrabe é sócia do Ibravin. Não são as vinícolas que são sócias. E o setor tem fóruns legítimos para estas discussões, que é a Câmara Setorial da Uva e do Vinho.

Mas a salvaguarda não foi discutida nesta câmara. O Ibravin e mais três entidades do setor apresentaram a proposta diretamente para o Ministério da Indústria.

Não entendo porque a salvaguarda não foi discutida neste fórum. Mas não adianta atacar as empresas. Temos de fazer a discussão de como resolver a crise do vinho brasileiro. E nós, da Miolo, somos pelo entendimento, não pelo enfrentamento, como algumas empresas, alguns importadores e alguns jornalistas.

A Ibravin diz que a ideia da salvaguarda foi discutida antes com as vinícolas.

Nunca fomos convidados para discutir este tema com o Ibravin.“

         Pelo acima exposto, acho incrível a autonomia que a Ibravin tem para tomar as rédeas da vitivinicultura gaúcha e brasileira sem consulta nem satisfação aos grandes produtores nacionais! Por outro lado, pelo que outras vinicolas têm falado e pelas respostas acima, me parece que existe aqui um festival de incongruências, mas enfim……..cada um que acredite no que quiser; Papai Noel, Coelhinho da Páscoa,……….

A luta continua!

Salvaguardas – o Mundo Questiona o Protecionismo do Brasil

        Tanto fizeram que conseguiram! Quando as razões não fazem sentido e não há justificativa plausível, o mundo é contra e só “elles” enclausurados em seus castelos ainda seguem recitando seus mantras!

1 – Deu no Estadão, um dos principais jornais paulistas e brasileiros.

“Jamil Chade, correspondente de O Estado de S.Paulo

GENEBRA – Os maiores exportadores de vinho do mundo levam queixas às reuniões da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o Brasil, que anunciou recentemente estudar a imposição de salvaguardas contra o vinho importado. Produtores nacionais já indicaram que esperam que a medida seja válida por três anos.

Uma coalizão de países que inclui Chile, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, além de países europeus, cobrou respostas por parte do Brasil ontem, em Genebra, apelando para que as investigações realizadas no País estejam em conformidade com as leis internacionais e exigindo explicações sobre o motivo da medida protecionista.

Não se trata ainda de uma disputa nos tribunais da OMC, e não haverá, por enquanto, um processo judicial. Mas a decisão dessa série de governos de levar o assunto a um encontro na entidade serviu de recado ao governo brasileiro de que esses países vão defender seus interesses, inclusive nos fóruns internacionais.

Essa é a primeira vez, porém, que as críticas vêm tanto de países ricos quanto de outros emergentes. O Brasil anunciou a abertura de uma investigação para estabelecer salvaguardas contra vinhos de qualquer origem, exceto dos países do Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai).

Produtores nacionais não escondem que a meta da barreira é a de permitir que o setor nacional possa ganhar competitividade e a esperança é a de que sejam estabelecidas cotas. O que se quer evitar é que o crescente mercado consumidor de vinho nacional acabe dominado por marcas estrangeiras. Dados oficiais indicam que, em 2010, o Brasil importou 75,3 milhões de litros de vinho. Desse total, 26,5 milhões de litros vieram do Chile, ante 18 milhões da Argentina, 13 milhões da Itália e 8 milhões de Portugal.

Briga. Na sexta-feira, 27, não por acaso, os chilenos foram os maiores queixosos. Segundo a delegação de Santiago, suas exportações seriam as mais afetadas, lembrando que seus principais concorrentes – Argentina e Uruguai – ficarão isentos da barreira por serem parte do Mercosul.

A Europa também questionou o Brasil. Segundo a missão europeia, Bruxelas tem pelo menos quatro preocupações. A primeira é o fato de que apenas um tipo de vinho está sob investigação, e cobra explicações sobre o motivo pelo qual esse segmento foi escolhido. Bruxelas ainda alerta que não houve um aumento drástico na exportação de vinhos para o Brasil nos últimos dois anos, insinuando que não haveria motivo para a salvaguarda.
 
A UE ainda alertou que a presença do vinho estrangeiro no mercado nacional, mesmo que represente 80% do consumo, teria pouco impacto na produção nacional e não haveria sinais de prejuízos aos fabricantes brasileiros. Segundo os europeus, os produtores nacionais estão “desfrutando de altas vendas e lucros”.

A Europa ainda criticou o fato de a Argentina ter ficado isenta da barreira, apesar de ser um dos principais exportadores de vinhos ao Brasil.

A União Europeia já havia manifestado ao Brasil preocupação em relação à atitude. O comissário de Agricultura europeu, Dacian Ciolos, enviou uma carta às autoridades brasileiras no dia 15 de março, justamente alertando que a barreira não seria justificável. Na Europa, produtores vêm enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada do vinho do “Novo Mundo”, e o fechamento do mercado brasileiro seria mais um golpe.
Ontem, na OMC, o governo americano também alertou ao Brasil que está “monitorando o caso” e diz “compartilhar as preocupações” de outros exportadores.

O governo brasileiro, como vem adotando em outras disputas, afirmou que está convidando as delegações de Austrália, Chile, África do Sul e Estados Unidos a participar de consultas bilaterais e investigações em curso no Brasil.”

2 – Conforme comunicação recebida do Carlos Arruda, Academia do Vinho, o Comité de la Communauté économique européenne des Industries et du Commerce des Vins, Vins aromatisés, Vins mousseux, Vins de Liqueur et autres Produits de la Vigne (CEEV) já apresentou um requerimento solicitando o arquivamento do processo de Salvaguardas como peticionado pela Ibravin, Uvibra e Cia, patrocinados pelos grandes produtores de vinho brasileiro. Já tinha aqui comentado de que tecnicamente essas Salvaguardas não passam por falta total de embasamento e da premissa básica essencial aos processos desta natureza, “prejuízo grave ou risco de” baseado em dados públicos divulgados nos próprios sites desses produtores assim como por seus assessores de imprensa. A CEEV no entanto, com todo o seu expertise, vai bem mais fundo e faz uma análise detalhada e muito bem construída que vem demonstrar a falácia apresentada pelos peticionários ao Ministério e que os levou a uma primeira análise equivocada. Vale muito a pena acessar este link ( http://www.academiadovinho.com.br/fotos/Manifestacao_CEEV.pdf) e ler as muitas páginas que compõem esse requerimento, mas duas coisas me chamaram a atenção:

  • A alegação das Peticionárias de que a redução do consumo na europa iniciou inesperadamente em “meados de 2009” é simplesmente falsa. É fato que o consumo de vinho na Europa segue uma tendência decrescente há diversos anos. Essa tendência decrescente no consumo de vinho europeu é devida a questões estruturais. Os consumidores europeus alteraram, durante um período de 20 a 30 anos, os seus padrões de consumo: passaram a consumir vinhos de qualidade mais alta e de forma mais moderada e responsável. O consumo de vinho na Europa reduziu em 15 milhões de hectolitros nos últimos 20 anos, com um decréscimo de mais de 20% nos países que são tradicionais produtores (França, Itália, Espanha e Portugal) desde 1996. Essa tendência estrutural se manteve estável por diversos anos, conforme demonstrado na tabela do Anexo 1. O impacto da crise econômica (sentido com maior força em 2008 e 2009) é dificilmente visível nos dados de consumo. Consequentemente, a redução do consumo de vinho na Europa não pode ser descrita, conforme alegam as Peticionárias, como “evolução imprevista das circunstâncias”. Trata-se de um fenômeno conhecido, que foi desenvolvido durante diversos anos e é desconexo com a recente crise econômica. A redução do consumo europeu de vinho é uma tendência estrutural que é completamente desconexa da crise econômica e financeira de 2008/2009.
  • O padrão estabelecido pelo Órgão de Apelação da OMC requer os seguintes fatores: “É necessário que as autoridades analisem importações recentes, e não simplesmente as tendências durante os últimos cinco anos – ou, para essa finalidade, durante qualquer outro período de diversos anos.  De fato, os dados apresentados pela Circular são imprecisos, pois se baseiam em um período de 5 anos, de 2006 a 2010, e não contém dados recentes (2011 e o início de 2012). Isso afeta a relevância das provas apresentadas e está em discrepância com os requisitos estabelecidos pelo Órgão de Apelação da OMC. De fato, as estatísticas disponíveis de 2011 demonstram que não houve aumento nas importações de vinhos classificados no código 22.04.21.00 (aumento de 3% em comparação a 2010).

De qualquer modo, os dados apresentados na Circular (até 2010) demonstram uma tendência estável no aumento de importações de vinhos finos no Brasil, ao invés de um surto “repentino, recente e acentuado”, conforme exigido pela jurisprudência da OMC. A única aceleração genuína de importações de vinho fino pode ser notada em 2010. Isso pode ser explicado pelo fato de que as autoridades brasileiras introduziram uma nova regulação fiscal (selo de controle) no referido ano. De modo a evitar esse custo adicional, importadores reorganizaram a cadeia de fornecimento para importar vinhos antes da entrada em vigor da referida medida., coisa que começa a repetir neste inicio de 2012 com as ameaças de estabelecimento de eventuais salvaguardas. Esse evento específico inflou artificialmente o nível de importações em 2010, mas os dados de 2011 demonstram que o aumento nas importações notado em 2010 não foi contínuo. O Anexo 4 contém artigos confirmando os efeitos da imposição da medida supracitada pelo governo brasileiro em 2010, dentre os quais há um comunicado de imprensa do próprio IBRAVIN reconhecendo que as importações voltaram a se estabilizar em 2011 após o impacto da nova regulação fiscal ser absorvido pelo mercado.

Em suma, os fatos apontam claramente que:

  • Nenhuma “evolução imprevista das circunstâncias” pode ser comprovada, que possa ter resultado em um aumento de importações de vinhos finos no Brasil.
  • O aumento de importações do produto investigado não é recente, repentino ou acentuado, conforme requerido pelas normas e jurisprudência da OMC.

 O caldo está engrossando! No geral, quanto mais vejo o que os peticionários escreveram e o que falam, mais me lembro de uma frase que li um dia em algum lugar, de que “estatistica é a arte de torturar os números até que alcancem o resultado desejado”! 

Salute e kanimamb0.