Confraria Frutos do Garimpo

Amigos, nesse garimpo que venho fazendo há anos por nossa vinosfera, toda a hora me deparo com algumas pérolas e bons vinhos porém nem sempre ao preço certo. Mais raramente, no entanto, dou de cara com algumas belas ofertas desses mesmos vinhos que merecem ser compartilhados com os amigos então decidi começar esta exclusiva Confraria Frutos do Garimpo - Logoconfraria de compras e oportunidades como forma de compartilhar esses Frutos do Garimpo. Não, não é mais um clube de vinhos, é uma Confraria, não havendo quaisquer cobranças mensais ou obrigação de compra.

Mensalmente, a partir de Setembro, sujeito a disponibilidade montarei uma série limitada de caixas (avisarei a quantidade disponível nas chamadas mensais) com 4 garrafas destes achados, frutos do meu garimpo. A cada mês os valores mudam (devendo ficar entre R$200 a 350) e os vinhos mudam, podendo até haver maior disponibilidade num ou noutro mês ou não haver nenhuma oferta já que, lembrando, são Frutos do Garimpo e aquela “pepita” nem sempre dá as suas caras e quando dá são de pouca monta! Podem ser duas garrafas de um mesmo vinho e as outras de dois vinhos diferentes, podem ser duas garrafas de dois rótulos, a cada mês a história será diferente, o objetivo é compartilhar as pepitas achadas nas entranhas de nossa vinosfera. Passo os preços com minha resenha dos vinhos e você compra se quiser e quando quiser, tendo tempo para pesquisar, porém como as quantidades serão limitadas a venda será realizada aos primeiros que confirmarem e somente uma caixa por pessoa.

O foco será, obviamente, na qualidade atrelada a um preço abaixo da média do mercado, diversidade de estilos e uvas, sendo coerente com tudo o que venho escrevendo já faz anos. Eventualmente poderei me deparar com outros frutos que não vinho, por exemplo um acessório, no qual o conceito também se aplique e o incluirei para apreciação dos confrades. Pintou oportunidade na minha praia, a idéia será compartilhá-la com você e disponibilizá-la aos confrades e confreiras se houver quorum. A confirmação da reserva se dará através de depósito em conta, após o qual faremos a entrega que será gratuita em Cotia,Alphaville e nos seguintes bairros de São Paulo > Morumbi, Vila Olímpia, Itaim, Jardins, Pinheiros e Butantã. Qualquer outro local de entrega ficará sujeito a cobrança de frete junto com o depósito da reserva e avisado antecipadamente. Eventualmente, poderá ser retirada na Vino & Sapore por aqueles que moram na região da Granja Viana, no entanto os Frutos do Garimpo não estarão disponíveis na loja e, caso venham a estar nas prateleiras, estarão com preço de mercado.

Gostou da idéia, tem interesse em participar? Pois bem, preencha o formulário em clicando aqui e assim que tenha o primeiro “KIT” pronto, deve ser Setembro, lhe enviarei e-mail com os Frutos do Garimpo do mês e as resenhas. Estes achados não serão divulgados na internet ou em redes sociais, então sua inscrição na Confraria “Frutos do Garimpo” será a única forma de você vir a ter acesso a eles.

Kanimambo a todos que vierem a apoiar este novo projeto que se inicia agora em Setembro de 2015. Bem vindos a bordo e espero que a viagem seja prazerosa!

Sacando Rolhas de Vinhos Uruguaios

Mais uma vez a Confraria Saca Rolha viajou por águas desconhecidas para a maioria, os vinhos do Uruguai. Gosto bastante do estilo dos vinhos deste simpático país, algo mais tradicionais com uma tocada mais europeia do que novo mundista já tendo escrito aqui sobre ele, já faz um par de anos! Não é só de Tannat que o mundo vitivínicola uruguaio é composto, porém nossa experiência deste encontro se debruçou sobre ela e alguns blends onde ela é protagonista. Ainda faremos outras incursões por estas terras, mas hoje a surpresa foi grande, pois ninguém botava muita fé não! Eis o que nossa porta-voz, confreira e amiga tem a compartilhar conosco sobre mais esta gostosa noite!

Quando decidimos escolher os vinhos do Uruguai como tema do nosso encontro, confesso que senti pouco entusiasmo geral da turma, ou mesmo uma postura “burocrática”, como quem pensa: Afinal, temos que conhecer de tudo!

O Uruguai é um país pequeno, que faz fronteira com o Brasil e Argentina. Tem sido destaque na mídia, seja pelo estilo de governo implementado por seu ex-presidente, José Mujica, ou como a nova rota turística que tem atraído muitos visitantes, que agora não mais procuram só cassinos ou praias. Entre polêmicas e excentricidades que caminham na contra mão das altas performances, tecnologia de ponta, consumo sem freios, via-se uma ação mais voltada ao humano, simples e verdadeiro. O fato é que o Uruguai está na moda e o franco desenvolvimento do enoturismo faz parte de tudo isso.

A historia da vitivínicultura no Uruguai começa em 1870, quando os imigrantes bascos trouxeram mudas da cepa Tannat. O clima temperado com influência marítima do Atlântico e do rio da Prata, o solo argiloso e calcário, garantindo a drenagem, os ventos das correntes marítimas dissipando o alto índice de umidade, favoreceram o desenvolvimento das vinhas. Atualmente a Tannat que tem como berço o sudoeste francês (Madiran), é sua uva ícone. Sua principal característica é a tanicidade, por isso o nome, muito presente. Pode-se comparar até com a Baga portuguesa, cuja vinificação exige muito trabalho para domá-la. É sempre um desafio transformá-la em vinhos dóceis e macios.

Chegada a data, já com a seleção dos vinhos feita, partimos para desvendar essa terra ainda desconhecida.
Para preparar as papilas, tivemos o elegante espumante italiano Contessa Borghel Rosé Dry. Sua delicadeza com aromas de rosas e frutas de bosque nos colocou no ponto inicial do que vinha pela frente.

Saca Rolha Uruguai

A principal região produtora, Canelones, fica ao sul do país, próximo à Montevideo. E o primeiro vinho veio de lá: Pisano – Rio de los Pájaros – Tannat 2011.
Sutil no nariz demonstrando alguma fruta e traços defumados. Na boca é bem equilibrado, com boa acidez, taninos macios e bom corpo. Evolui bastante na taça. Fácil de beber.

A região de Carmelo, à sudoeste, tem se desenvolvido muito nos últimos tempos por conta do turismo nos arredores de Colônia do Sacramento. Com pequenos produtores investindo no local, apareceram novas vinícolas e entre elas está a Narbona que tem a assessoria do enólogo Michel Rolland. Narbona Blend I 2013 é um vinho assinado por ele, cujas variedades e safras não são divulgadas (faz parte do marketing). A cor intensa e aromas complexos reforça esse mistério. A princípio aparecem aromas de tabaco e cacau. Depois vai se abrindo num leque intenso e bem amalgamados de frutas em compota, defumados e algo mineral. Na boca tudo isso se confirma com um toque alcoólico que se evidencia, sem atrapalhar o equilíbrio. Muito aromático e longo.

A família Carrau tem grande tradição na produção de vinhos na região de Rivera e em Canelones (39 kms de Montevideo) onde se encontram seus primeiros vinhedos. Rivera, por outro lado, está localizada no centro-norte do país, quase na divisa com o Brasil. Bodegas Carrau – Grand Tradicion 1752 foi uma edição comemorativa aos 250 anos de existência da vinícola. Essa safra, de 2010 mescla as melhores uvas Tannat, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc obtidas no ano. O resultado foi um vinho delicado, com elegância e sutileza. Mostra equilíbrio com taninos muito finos, acidez e corpo médios. Vale ressaltar que durante a degustação ficou a impressão de tratar-se de um vinho inferior. Mas a meu ver ele ficou prejudicado pela forte presença e opulência do anterior. Isso acontece quando comparamos vinhos e mostra que a interferência da situação deve ser levada em conta.

A região de Maldonado, já em direção às praias banhadas pelo Atlântico, bem conhecida pelo turismo próximo à Punta del Leste, também tem se desenvolvido na área vitivínicola. A Alto de la Ballena é uma nova bodega, estabelecida nos anos 2000 nessa área, e teve sua primeira colheita em 2005. Um dos destaques da sua produção nos foi apresentado: Alto de la Ballena – Reserva Tannat/Viognier 2010.
Muito aromático, cheio de flores e frutas. Leve tostado e frescor mineral. Na boca mostrou-se bem equilibrado, com taninos presentes, corpo com muita fruta e acidez que fez salivar. Evolui bem na taça realçando a madeira bem colocada, com especiarias e final herbáceo.

Também da região de Canelones, a Bouza Bodega Boutique se destaca como produtora familiar que investe numa pequena escala de produção em prol de qualidade. Elaborado com 100% Tannat, provenientes de uma única parcela dos vinhedos:Tannat A8 Parcela única 2011.A cor muito escura e a densidade quase sem transparência já chamou a nossa atenção de imediato! Nariz complexo, mostrando sua passagem por madeira, onde os aromas tostados e de especiarias dão abertura para os vários que ainda vieram na sequencia. Quando provamos dava até a sensação de viscosidade, pelo grande volume que apresentava em boca. Os taninos bem presentes, equilibravam-se na mesma proporção com a acidez. Um vinho “musculoso”, potente, que sustentaria muito bem uma refeição com carnes gordurosas, defumados, queijos maturados, etc. Muito bem feito e agradável, apesar da sua robustez, que mostra à que veio.

Definitivamente, acho que aquela pré- disposição de pouco interesse em conhecer os vinhos do Uruguai, caiu por terra com tanta qualidade na taça! O clima propício, continental de influência marítima(que vai desde ao norte do país com verões quentes e invernos muito frios, até à beira do estuário do rio da Prata), já foi até comparada com a mesma situação geográfica existente em Bordeaux. E apesar das comparações, sua história é única, assim como seus vinhos. Seja pela simplicidade de seu povo de alma camponesa, espírito de luta, ou pelas paisagens pampas com horizontes a perder de vista. O desejo de conhecer muito mais esse país que tem nos surpreendido tornou-se maior. E tudo isso por conta do que vimos refletido dentro daquelas garrafas.

Mais dos TOP 200 da Revista Gosto

No último post comentei os tintos que a Revista e seus especialistas degustadores escolheram como seus vinhos de destaque no ano que passou, hoje falo dos brancos e outros vinhos mencionados.

gosto top 200

Vinhos Brancos – neste segmento conheço menos os vinhos destacados do que nos tintos, andamos tendo experiências diferentes, porém dá para dar alguns pitacos que talvez lhes sejam úteis.

Acima de R$230,00 – nenhum dos vinhos em destaque eu provei, porém dois em especial me chamaram a atenção. O Catena Alta White Bones Chardonnay que a critica mundial tanto elogia e o Palácio do Buçaco Branco (nobre luso) que está na minha adega aguardando a companhia da amiga Ana Silvia e do Claudio que tão gentilmente me deram a garrafa em comemoração aos meus 60 anos.

De R$229 a 71,00 – acho a faixa ampla demais, porém o jogo é deles (bola e campo) rs, então esse é só um comentário critico que pode ou não ser corrigido numa próxima edição se acharem válida a sugestão. De Martino Quebrada Seca Chardonnay (Chile) era um vinho que não atraia apesar da critica ser sempre muito positiva, porém achei que com a mudança para barricas de segundo uso, o vinho fiou muito melhor com a presença da madeira sentida de forma mais elegante e sutil. Excelentes o Soalheiro, um dos melhores Alvarinhos lusos, o chileno Terrunyo Sauvignon Blanc (também destaque nos meus top de 2014) e o clássico alentejano Esporão Private Selection branco elaborado só com uvas francesas.

Até R$70,00 – um vinho me deixou muito curioso, Fabre Montmayou Chardonnay Reserva pois não o conheço e gosto muito do produtor (vai entrar na minha lista a “a degustar”) junto com o Aquitania Reserva Chardonnay que no ano passado me surpreendeu muito positivamente com seu Reserva Syrah. Little Quino Sauvignon Blanc de William Févre do Chile (que já faz o excelente Espino Gran Cuvée Chardonnay) e Anselmo Mendes Muros Antigos Escolha (vinho verde) são mais dois vinhos a conferir desta lista.

Espumantes – aqui a lista é quase só de grandes Champagnes a partir de R$450 a cerca de R$1000 então não há muito o que comentar, salvo umas duas ou três dicas de espumantes nacionais, entre eles um que me chamou a atenção e pretendo conferir em breve, o Giacomim Brut de algo ao redor de R$25 que imagino seja lá no Sul. O Cave Geisse Brut 98 é raridade, então sugiro buscar o Cave Geisse Nature que vale muito a pena e o Geisse Terroir Nature que foi meu destaque e é considerado um dos melhores do Brasil.

Vinhos Nacionais – pouca coisa, entre eles alguns clássicos como o Salton Talento e Miolo Lote 43, os cult Era dos Ventos Peverela (branco) e Vinho Velho do Museu, porém consta aqui um vinho mais recente, creio que foi lançado em 2010, o Gran Raízes Corte da Valduga que já provei ás cegas umas duas vezes e em todas o avaliei muito bem.

Sobremesa – O destaque fica por conta do Nederburg Winemaker´s Reserve Noble Late Harvest (meu destaque também e um elixir dos deuses) parceiro inigualável para queijos azuis e fiquei curioso para provar o Alois Kracher Cuvée Beerenauslese de preço mais moderado considerando-se o padrão tradicional deles.

Bem, com isto finalizei meus comentários e acho que nestes dois posts há mais uma série de rótulos que valem muito a pena serem conferidos. Bom proveito, cheers e kanimambo pela visita. Uma ótima semana para todos.

Comentando os TOP 200 da Revista Gosto

Gente de primeiro nível prova para esta conceituada revista de enogastronomia e ontem passando pela banca vi esta edição. Como curioso que sou, não resisti! Óbvio que cada mídia só lista o que provou então muita coisa que poderia estar por lá, não está, porém é uma lista de respeito. Alguns comentários me vieram á mente enquanto lia e decidi compartilhá-los com você, meu amigo leitor e, alguns, companheiros de taça! rs

Os Melhores do Ano

Quinta do Vale Dona Maria – prefiro o CV que é um outro grande vinho do Van Zeller, mas importante ter um vinho Luso por aqui. Só lamento que os bons vinhos portugueses estejam ficando tão caros! Uma pegada legal que estes vinhos tinham é que mesmo sendo grandes, eles estavam sempre com um preço bem abaixo de seus congêneres italianos, espanhóis e franceses, mas não mais. Talvez seja a estratégia comercial que optaram por colocar em prática de um tempinho para cá, porém como consumidor não me agrada.

Pizzato Merlot DNA 99 – como melhor vinho nacional. Feliz de o ver por aqui! Em 2009 (ou 08 me lembro de ter provado o 2005 ainda na barrica e comentei de sua grandeza. Depois disso já tomei o 2005 (realmente grande!) e também o 2008. Não comparei com outros, depois das Salvaguardas meu relacionamento com os vinhos brasileiros nunca mais foi o mesmo, porém atesto e assino em baixo, grande vinho este DNA, daqueles para dar a provar a gringo e ver seu queixo cair! rs

Melhor Sobremesa , mais um Luso, Moscatel de Setúbal Alambre 20 anos – Os moscatéis de Setúbal são grandes vinhos de sobremesa, este ainda não conheço, então feliz que isso seja reconhecido publicamente pela grande mídia com esta escolha!

Melhores Vinhos por faixa de Preço – Tintos

Acima de R$400 – Gostei de ver um vinho do amigo José Manuel Ortega Fournier nesta lista, o I Sodi Di S. O. Fournier e o Abandonado de Domingos Alves de Sousa, um Douro de primeira, mesmo que eu prefira seu Quinta do Lordelo 2007 que tomei recentemente nas celebrações de meus 60 anos. Vinhaço!

De R$200 a 399,00 – Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas, um dos melhores vinhos produzidos por esta conceituada casa, sempre uma garantia de qualidade. No mesmo patamar, Luis Pato Vinha Barrosa é a uva Baga em sua quintessência e não por acaso destaquei dois Lusos nesta faixa!

De R$130 a 199,00 – Aliara, vinho da chilena Odjfel (gosto muito de seu Carignan), é um topo de gama que provei pela primeira vez neste ano que passou e me encantou, muito complexo e rico. Il Bruciato, Bolgheri/Toscana, do antonori é um grande vinho e não é de hoje, uma opção de supertoscano a preço moderado e não podia deixar de mencionar mais um clássico luso, o Reguengos Garrafeira dos Sócios, um alentejano de muita raça!

De R$70 a 129,00 – uma faixa de preço que gosto de explorar onde descubro algumas preciosidades! Não provei a maioria dos que eles listaram, porém tenho que destacar o Quinta dos Termos Talhão da Serra, um vinho diferenciado elaborado com a pouco conhecida uva Rufete e o Lot 35 Carignan da Garage Wine chilena associada ao MOVI que também produz um ótimo Cabernet Franc! Não poderia deixar de mencionar o Atamisque Malbec (prefiro o blend) de uma bodega Mendocina que visitei em Agosto com a primeira viagem feita com a WFTE (Wine & Food Travel Experience). Da Austrália, o Yalumba Y Series Shiraz/Viognier que acaba de chegar à Vino & Sapore, vinho robusto e marcante.

Até R$69,00 – escolhas muito diferentes aqui! O único que provei e posso comentar é o Fabre Montmayou Malbec Reserva de sua propriedade em Mendoza (também tem na Patagônia) que possui uma ótima relação de Preço x Prazer x Qualidade. O Morandé Pionero Pinot Noir, é uma boa opção nessa faixa de preços, e foquei curioso por provar o Baga/Touriga Nacional da Filipa Pato que normalmente entrega bons vinhos, assim como o Quinta da Garrida Reserva já que sou gamado num vinho do Dão!

Uma outra hora falo dos brancos e outros vinhos listados. Cheers, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui, provedor permitindo!!

Curto meus Vinhos do Porto

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Sou um apaixonado por Vinhos do Porto, sendo um deles o melhor vinho que já tomei na vida e olha que foram muiiiitos, tendo uma coleçãozinha em minha adega. Vinhos para abrir aos 50 anos (de meus filhos!), aos 40 de casado, aos 70 meus, enfim, até para os 40 anos de meu neto! Mas nem tudo no mundo de Vinhos do Porto é tão longevo assim e depende do estilo desses vinhos, da safra e do produtor. Como os Colheitas e os Vintages não são para tomar todo dia, gosto de volta e meia abrir um bom Tawny Reserva ou um bom LBV tendo há uns tempos comprado uma meia dúzia de meias garrafas de um LBV que me agrada muito, do Niepoort.

CAM01582Já gostava do 2000 e do 2001, mas a Niepoort extrapolou desta feita e elaborou um dos melhores de acordo com os críticos mais especializados, se não o melhor, LBV que já produziu, o de 2004. Estas meia garrafas têm o tamanho certo e estas trouxe de Portugal, mas por aqui quem a comercializa é a Mistral. A cada garrafa que abro, só me sobrou uminha (sniff!), fica melhor! Aromas intensos de frutos negros, chocolate, especiarias, uma paleta olfativa sedutora e complexa que convida a tomar. Na boca está cremoso, elegante, vibrante e rico, ótima textura e muito equilibrado com um final longo e muito saboroso. Engarrafado sem filtrar, os melhores, tomei até a última borra! rs. Uma tacinha destas e um quadrado de chocolate meio amargo toda a noite, ou quase, certamente acrescentam mais uma dezena de anos na vida!!

Sei que a esta altura, conseguir um 2004 vai ser difícil, pelo menos por aqui, mas sempre dá para tentar encomendar com um amigo, porém porquê não comprar de um ano mais novo? Novas experiências, novos sabores, novas emoções, com o mesmo vinho, esse é um dos baratos deste mundo de Baco!

Dizem que o LBV é o Vintage dos pobres (sic), porém eu digo que é dos ansiosos! O Vintage, afora o preço, precisa de bem mais tempo em garrafa para poder entregar todo seu esplendor enquanto o LBV nos dá prazer mais cedo, apesar deste já estar com 10 anos nas costas e os bons, como este, poderem evoluir muito bem por 15 a 20 anos em garrafa! Enfim, uma boa semana e abra um Porto, as opções são diversas, e garanta uma dose de felicidade diária! rs Cheers e kanimambo.

Gulfi Valcanzjria, Não Parece Mas É!

Poderia ser o nome de uma cidade ou algum bicho estranho, mas é vinho mesmo e dos bons! Gulfi é um produtor localizado na planície de Chiaramonte Gulfi na Sicília Oriental e mais do que uma vinícola é um resort onde a enogastronomia é protagonista. Produtor orgânico, trabalha com uma vasta coleção de cepas autóctones, apostando na tradição porém sem perder de vista o que a modernidade lhe pode oferecer inclusive no uso parcimonioso de uvas internacionais como neste caso.

Estava atrás de alguns vinhos brancos sicilianos para compor meu portfolio na loja, já tinha achado um gostoso Catarratto, e a Decanter me enviou este vinho para prova, uau! Como teste, para não ficar só com minhas impressões, o coloquei numa degustação de confraria em que o tema eram vinhos de uvas brancas autóctones da Itália. Provamos saborosos vinhos elaborados com Pinot Grigio, Rebolla Giallia, Verdichio dei Castelli de Jeisi Classico e Kerner (há controvérsias quanto à origem) culminando com este vinho que, mesmo com os bons rótulos apresentados até então, fez com que fisionomias se transformassem, vinhaço!

È branco, adoro vinhos brancos e há muito digo que é a pós-graduação no mundo do vinho, um blend de duas uvas autóctones que me eram totalmente desconhecidas, Caricanti e Albanello, com Chardonnay. As uvas brancas sicilianas mais conhecidas são as: Gracanico, Inzolia, Grillo e a Catarratto, então foi mais uma viagem de aprendizado e mais uma descoberta, adoro nossa vinosfera! Agora preciso provar as outras coisas desta vinícola, fiquei com água na boca.

Gulfi ValcanzjriaBem, mas falemos do vinho, mais sobre a vinícola e seus conceitos vocês podem fazer que nem eu que fiquei seduzido pelo que provei, visitem o site do produtor clicando aqui. Disse que fisionomias se transformaram e é vero, houve um uau generalizado ao levar a taça ao nariz e depois á boca, um vinho de muita personalidade em que o conjunto fala mais alto que as partes envolvidas. Um vinho marcante e muito equilibrado, boa intensidade aromática puxando para o cítrico porém com nuances de amêndoas tostadas e sutis notas florais. A ficha técnica fala só de inox e estágio sobre lias, porém acho que deve ter uma leve passagem por barricas usadas, sei lá, feeling! Na boca boa acidez, porém com uma certa untuosidade que creio vir da Chardonnay, seco, ótima textura, rico e complexo, um vinho que, em sendo 2010, creio estar no seu auge , nos traz muito mais do que só frescor e energia, traz muito boa persistência e maturidade, um vinho que nos deixa feliz! Uma grande surpresa que me agradou sobremaneira e fez a cabeça de todos presentes, mesmo com um preço estimado entre R$ 130 a 140,00.

Aliás, preciso montar um Desafio de Vinhos às cegas só de vinhos brancos nesta faixa de preços, um embate entre diversas uvas e países, acho que daria um encontro hedonístico da hora!! Enfim, queria compartilhar esta belezura com os amigos, bom proveito! Cheers, kanimambo e nos vemos por aqui ou por aí nas estradas abençoadas por Baco. Ah, na última hora achei esse vídeo com uma degustação do vinho por um sommelier italiano, interessante! Vejam e comentem, gostaria de vossa opinião.

Noticias e Dicas do Mundo do Vinho!

Recebo um monte de press releases, poucos publico, mas eis alguns que acho valem a pena ser repicados. Também me enviam noticias, algumas bem velhas por sinal, mas algumas valem a pena ser compartilhadas, espero que curtam a leitura.

El Enemigo Chardonnay 2012 do craque Alejandro Vigil é destaque da revista Decanter como um dos grandes Chardonnays do Mundo. Quem vier comigo a Mendoza em Abril (veja aqui) terá o privilégio de o conhecer, vinho e Alejandro!

El Enemigo Chardonnay March 015 revista decanter

TOP 5 Encontro Rio 2015TOP 5 do Encontro de Vinhos etapa Rio de janeiro – Tive o prazer, sempre ótimo rever amigos e provar vinhos, de participar da avaliação e escolha dos TOP 5 entre 54 amostras apresentadas pelos expositores. Meus TOP 2 já dei no face (vejam foto), porém a maior surpresa ficou com o Leopoldo, vinho que já dei destaque aqui no blog em 2009 e 2011. Fiquei contente, porque tenho uma queda pelos vinhos de Santa Catarina, nossos vinhos de altitude. Veja mais clicandoe assistindo a mesa redonda do winebar em que participei.

 

Noite do Fado – Não, não vou dar uma canja (rs), porém já deixe sua noite de 14 de Março reservada para uma noite de fado e boa comida na casa de minha amiga Iva, A Quinta do Bacalhau que fica no Km 39 da Rodovia Raposo Tavares, estrada de Caucaia. Acesso site e veja mais clicando na imagem abaixo. Eu já estive lá numa noite dessas e recomendo.

Quinta do bacalhau

Finca Decero é ganhador de Troféu Regional no último Wines of Argentina Awards 2015. Mais uma das bodegas programadas para visita em minha próxima viagem com a W.F.T.E. (Wine and Food Travel Experience)  me envia esta ótima noticia sobre um vinho do qual sou grande admirador! “Es un placer para mí comunicarles que durante la reciente edición de Argentina Wine Awards 2015 el 13 de Febrero último, Finca Decero fue nuevamente reconocido como uno de los productores de algunos de los mejores vinos de Argentina no sólo por haber obtenido un trophy y una medalla de oro sino también el muy codiciado ‘Trophy Regional Valles de Mendoza’.

Decero Mini Ediciones Petit Verdot Remolinos Vineyard 2012 obtuvo el ‘Trophy Otras Variedades Tintas’ en la Categoría entre US$ 30 y 50 retail, pero además también fue premiado con uno de los tan sólo 4 Trofeos Regionales que se entregan en la competencia: el ‘Trophy Regional Valles de Mendoza’, siendo de esta forma considerado por los jueces como el mejor vino de la región de Mendoza de toda la competencia, independientemente de color, variedad o precio!

Comprobando la calidad de Argrelo como una sub-apelación para Cabernet Sauvignon, el cuidadoso y dedicado trabajo que hacemos en nuestro Viñedo Remolinos y el creciente nivel de atención que ha estado recibiendo recientemente Decero Cabernet Sauvignon, el Decero Cabernet Sauvignon Remolinos Vineyard 2013 obtuvo una Medalla de Oro.

Una lista complete de los premios puede verse en: http://www.winesofargentina.org/blogUploads/files/Listado_de_ganadores_AWA_2015.pdf

O. Fournier Wine Partner Weekend – recebo do amigo José Manuel Ortega Fournier (parceiro na viagem de Tiradentes a Mendoza) esta informação que é de dar água na boca. Quisera poder estar lá nessa data, quem sabe ano que vem, mas quem estiver por lá ou estiver programando uma visita para a época, não pode perder.

“Primeiro O. Fournier Wine Partners Weekend, que ocorrerá sempre no primeiro final de semana de abril de cada ano. Entre as atividades, O. Fournier, também incluirá a celebração de seu 15º aniversário, eventos como o programa “Top Chefs at O. Fournier”, concertos de música clássica e uma nova exposição de arte.
Após o sucesso de imprensa e da opinião pública em eventos de gastronomia dos restaurantes Mas Pau, Sacha e Zalacaín da Espanha, Bengal, Italpast, Casal de Catalunya e Sottovoce de Buenos Aires, junto com Astrid y Gastón, do Chile, Durski do Brasil, Pujol do México, niXe da Alemanha e Aquavit da Dinamarca, Quince dos EUA, Kinoshita do Japão-Brasil e Crowne Plaza Hotel – Shanghai da China, a Bodegas O. Fournier terá o privilégio de continuar com o programa “TOP CHEFS AT O. FOURNIER ” com Chef William Telepan, chef-proprietário do restaurante “Telepan” Uma-Estrela Michelin . “TOP CHEFS AT O. FOURNIER” traz os melhores tops chefs de todo o mundo para apresentar eventos de gastronomia na vinícola. O Chef Telepan vai cozinhar durante almoço de sábado 4 de abril e domingo 5 abril. Após o almoço, haverá uma explanação pelo Chef Telepan sobre o menu para os convidados participantes.

Antes do almoço de domingo, O. Fournier vai patrocinar um concerto de música clássica com a Camarata de San Juan e o Coro de Cámara of Universidad Nacional de Cuyo. Eles serão acompanhados pela talentosa soprano alemã Sophie Klussmann, junto com o tenor Fernando Ballesteros e a contralto Gloria López. Estes artistas irão entreter os convidados de O. Fournier com a OSTER-ORATORIUM (Oratório de Páscoa) BWV 249 e MISA BREVIS em Fá Maior.

Antes do almoço de domingo, O. Fournier vai patrocinar um segundo concerto de música clássica para continuar com seu tradicional concerto do domingo de Páscoa com a “Music under The Wine Trails” (“Música por los Caminos del Vino”), em Mendoza. Este programa está também em seu 15º aniversário com mais de 500 concertos durante este tempo.

AGENDA DE O. FOURNIER WINE PARTNERS WEEKEND

Sexta-feira, 3 Abril
• 10h30 Passeio turístico a cavalo pela vinícola
• 11h30 Curso de gastronomia
• 13h00 Almoço no Urban de O.Fournier
• Tarde livre
• 19h30 Degustação de vinhos dos três países O.Fournier
• 20h30 Churrasco no restaurante O. Fournier

Sábado, 4 Abril
• 10h00 Prova às cegas de todos os vinhos produzidos pelos O. Fournier Wine Partners
• 12h00 Concerto de Música Clássica com a top soprano alemã, “Camarata” e “Coro de Câmara”
• 13h30 Almoço “Top Chefs at O. Fournier”
• 17h30 O. Fournier Harvest Festival (Festa da Colheita) com competições para adultos e crianças
• Jantar livre
• 23h00 Rafting lua cheia (se o tempo permitir)

Domingo, 5 Abril
• 10h30 Visita ao vinhedo
• 12h00 Concerto de Música Clássica
• 13h30 Almoço no restaurante Posada del Jamon ou um piquenique no vinhedo de cada parceiro
• 17h00 Tarde livre

Segunda-feira, 6 Abril
• 09h30 Transferência para a Estância El Puesto (grande propriedade no meio da Cordilheira dos Andes)
• 11h00 Recepção com café na Estância
• 11h45 Passeio a cavalo
• 13h30 Churrasco na casa da Estância
• 16h30 Tarde livre
• 20h30 Jantar de despedida no restaurante “Urban”

Para ver mais do incrível programa e das festividades do 15º Aniversário da Bodega, clique aqui.

original_logo_expovinis_2015Expovinis – já guarde as datas porque este evento é imperdível! Período de grandes negócios e novidades no mundo do vinho, o mês de abril tem destaque no calendário de produtores, importadores, enófilos e demais players do setor vitivinícola, que se reúnem em São Paulo para o principal evento de vinhos da América Latina que está em sua 19º Edição ocorrendo no Expo Center Norte entre os dias 22 e 24 de abril.

“A ExpoVinis é uma feira consolidada, que há quase 20 anos reúne no Brasil produtores e visitantes de todo o mundo. É um momento importante para o mercado, quando temos a oportunidade de apresentar as novidades e discutir o setor. Um dos nossos objetivos é manter a alta qualificação do público do evento, parte da nossa estratégia em 2014, ano em que recebemos uma quantidade elevada de profissionais de restaurantes e bares, importadores, distribuidores, atacadistas, varejistas e, claro, especialistas”, resume Ana Ishida, show manager do evento.

Abrangendo cada vez mais a cadeia que integra o mercado, em 2015 o ExpoVinis Brasil apresenta novos eventos paralelos e também outras atividades de grande êxito em edições anteriores, caso do Top Ten, o aguardado concurso que elege os melhores vinhos do evento, e das Degustações Premium, que trazem provas temáticas conduzidas por grandes nomes do setor e em 2015 serão gratuitas (para convidados e profissionais do setor).

Em breve serão divulgadas as informações sobre as inscrições, degustações programadas e especialistas que conduzirão cada uma das provas, mas o ExpoVinis já adiantou uma novidade em sua grade oficial: de Londres vem o único Master of Wine brasileiro, Dirceu Vianna Junior – MW (foto), que irá comandar a palestra ‘Ferramenta de vendas usadas em países europeus: como vender vinhos em um mercado competitivo’. Dirceu Vianna – MW é um dos poucos a ostentar o cobiçado título de ‘master of wine’, concedido pela tradicional escola britânica Wine & Spirit Education Trust. Desde a criação do curso, na década de 50, pouco mais de 300 pessoas conseguiram concluí-lo.

O júri, formado por importantes nomes do mundo do vinho, é presidido pelos consultores Jorge Lucki – único membro brasileiro da tradicional Académie Internationale du Vin – e José Ivan Santos, autor de livros sobre o setor – como ‘Conheça Vinhos’, escrito em parceria com Dirceu Vianna Jr. O resultado será divulgado na manhã do dia 22 de abril, primeiro dia da feira.

Também com foco no consumidor e no profissional iniciante, acontecerá, diariamente, o 1º Glass Tasting Riedel. A marca de taças, mundialmente reconhecida, fará demonstrações de como uma taça pode influenciar na degustação de diferentes tipos de uvas e onde a forma (tamanho do bojo e diâmetro da borda) pode alterar significativamente o vinho, interferindo na percepção de seus aromas.

Shuttle service – Em 2015 o evento volta a oferecer um serviço inaugurado no ano passado: o shuttle service, traslado gratuito da estação de metrô Portuguesa-Tietê ao Expo Center Norte, e do local do evento até a estação. O transporte começa a operar às 12h30 saindo do metrô para o pavilhão, e o trajeto Center Norte-estação começa a operar às 14 horas. O último shuttle sai às 21h30 do centro de exposições.

É isso, para quem conseguiu chegar até aqui (rs) um ótimo final de semana. Cheers, kanimambo e nos cruzamos por aí nas estradas de nossa gostosa vinosfera.

Degustação Best of 2014

Dia 26 de Março Degustação Best Of 2014, em parceria com a Vinci, Zahil, Mistral e Calix, montei na Vino & Sapore a partir das 20 horas, uma degustação especial onde pretendo compartilhar algumas das preciosidades que destaquei em Falando de Vinhos como Deuses do Olimpo 2014. Melhores de 2014 e Mais dos Melhores de 2014 .

Serão um total de sete vinhos em degustação, abrindo com o que para mim é o melhor espumante brasileiro da atualidade, junto com o Orus que é rosé, vejamos:

• Cave Geisse Terroir Nature (R$135,00) – às cegas já bateu grandes champagnes!
• Vina Tondonia Branco Reserva 1991 (R$320,00) – um branco de trinta anos para quebrar paradigmas. Será servido com tiras de presunto cru espanhol.
• Quinta da Lagoalva Grande Escolha Alfrocheiro 2009 (R$240,00) – um vinho único de uma uva Clipboardraramente vinificada em varietal.
• Mastroberardino Taurasi 2008 (R$260,00) – a uva Aglianico em todo o seu esplendor.
• Benegas Meritage 2006 (R$295,00) – um grande vinho de assemblage argentino com produção limitada e um estilo francês de ser.
• Quinta da Leda 2011 (R$398,00) – o vinho em destaque foi o 2007, porém como este não mais está disponível, o substitui por seu irmão mais novo da safra 2011 em que ele obteve 95 pontos de Parker e 94 da Wine Spectator, um grande ano no Douro!
• H&H Madeira Bual 15 anos (R$286,00) – acompanhado de torta de nozes, figos e maçã, repetindo o que, para mim, foi a Melhor Harmonização de 2014.

O preço para essa viagem por sabores diferenciados e experiência única de provar sete grandes vinhos (50ml por vinho exceto o madeira com 35ml), dois harmonizados, e tábua de frios numa só noite e restrita a somente 12 participantes, será de R$180,00 por pessoa pagos no ato da reserva e cobre também o café e estacionamento no local. Faça já sua reserva e garanta seu lugar ao sol, a do mês passado se esgotou em pouco mais de 12 horas e no lançamento en primeur que realizei antes de ontem, já lá se foram 8 vagas, então só há mais 4 lugares disponíveis!

Cheers, kanimambo e seguimos nos encontrando por aí nos caminhos de nossa vinosfera.

O. Fournier, Uma das Gratas Surpresas de 2014

José manuelNo ano passado tive a oportunidade de participar de uma degustação promovida pela Vinci Importadora para a imprensa e especialistas do setor, em que fomos apresentados ao José Manuel Ortega Fournier, proprietário dessa vinícola ou melhor, grupo vitivinícola já que possui vinícolas na Espanha (originalmente), Argentina (onde hoje reside) e ultimamente, Chile e a seus vinhos. Fazia tempo que buscava essa oportunidade e o que provei foi bem além do que previa, uma grata surpresa que comentarei em diversas etapas.

1 – A qualidade presente de forma uniforme em tudo o que provamos e não foi pouco. Depois ainda me aventurei por seus gama de entrada (linha Urban) que confirmaram as impressões dos vinhos de gama mais alta. Importante isso, porque fazer vinhos top todos fazem de uma forma ou de outra, melhores ou piores, mas com quantidades menores de produção e alto custo, fica mais fácil. Produzir um bom gama de entrada com preço justo não é para todos!

2 – O José Manuel, uma personalidade e tanto. Franco, direto, sem floreios e ciente do que faz sempre buscando o melhor e a imprimir a seus vinhos um estilo próprio. Sua bodega em Mendoza é um claro exemplo disso e sua gentileza ao nos oferecer um regalo de final de evento que me seduziu, uma prova de Magnum A-Crux 2001, adorei, ou melhor, adoramos!

3 – o uso de uvas ibéricas pouco usuais em Mendoza; a Tempranillo e, especialmente, a Touriga Nacional. Vinhos muito interessantes e diversos do main stream, vinhos com personalidade própria que me seduziram. Gosto dessa busca pela diversidade.

Foram nove os vinhos provados, um mais saboroso que o outro e alguns grandes vinhos que me fizeram ver o quão poucos produtores e vinhos conseguimos conhecer ao longo de nossas vidas e olha que eu provo bastante! Eis um resumo dos vinhos provados e seus preços em US Dólares já que a Vinci, como a Mistral, trabalham com taxa do dia.Celular 29-09-14 003

Começamos por dois Sauvignon Blanc, o B-Crux Sauvignon Blanc (USD40,00) de Mendoza e o Alfa Centauri (USD67) do Vale do Leyda no Chile com passagem por barricas de carvalho. Ainda não consegui provar um Sauvignon Blanc varietal com passagem por madeira que me agradasse e sigo dessa forma, pois o vinho ficou algo pesado, mas tem gente que se encantou. Preferi o de Mendoza que apresenta mais tipicidade da uva com bastante frescor e grama molhada presente, gostoso de beber.

B-Crux Blend 2009, um vinho que me encantou pois afora usar 50% de uvas ibéricas (Tempranillo e Touriga Nacional) no blend, o resto é Malbec, foi uma enorme surpresa saber que a Touriga também está em Mendoza! De gama média alta, frutado, sem excessos, boca de boa estrutura e complexa, taninos finos presentes, um vinho de muita personalidade com um preço condizente com a qualidade ofertada, USD50,00. Belo vinho e aquele que eu poderia pagar, então minha melhor relação Qualidade x Prazer x Preço entre os tintos provados.

Alfa Crux Blend 2006, um senhor vinho onde a Tempranillo é protagonista tendo a malbec (25%) como coadjuvante. Vinho de alta gama com 20 meses em barricas novas que apresentava chocolate logo á primeira fungada (rs)! Taninos finos, boca redonda sem arestas, muito diferente do que se espera de um vinho mendocino e adoro surpresas destas mesmo não sendo mais para meu bolso, USD86,00. Vinho denso na boca, cremoso, acidez bem balanceada, final apetitoso que pede bis.

Alfa Centauri Blend 2008 é do Maule, chile e combina cabernet Sauvignon, franc e merlot, este último com um porcentual menor. Excelente vinho que passa 18 meses em barricas novas francesas e já custa USD100,00. Entrada de boca deliciosa e sedutora, um vinhaço que ainda vai crescer muito nos próximos três ou quatro anos quando o gostaria de revisitar. Muito equilíbrio e complexidade num estilo bem europeu (tradicional) de ser!

O. Fournier Clipboard

O. Fournier 2008, também do Maule e agora já entramos na seara de vinhos top do produtor. O corte por si só já é inusitado, Cabernet Franc (80%) e partes iguais de Cabernet Sauvignon e Carignan com passagem de 17 meses em barricas novas francesas. Elaborado só com uvas de vinhedos entre 60 a 120 anos plantadas em pé franco. Perfumado, frutos negros, taninos finos (marca registrada pelos vistos), complexo, fresco e sedutor. O meio de boca é tão saboroso que você tende a o deixar lá por um tempo a mais que o normal para só depois o deixar escorregar pela garganta. Para quem tem USD189 para bancar uma garrafa destas, eu recomendo, gamei!!

O. Fournier Ribera del Duero 2005, chegamos na Espanha e em mais um vinho top da casa com outra pegada. Tinta del país (tempranillo) 100% e 20 messes de carvalho francês é um vinho que mesmo com nove anos de vida ainda mostra muita jovialidade e promete evoluir por mais anos a fio. Concentrado, escuro, meio de boca algo mineral, carnudo, um vinho que exala o terroir de Ribera del Duero e o menos pronto a tomar de todos mesmo sendo o mais velho, com preço também na casa dos USD 189.

Urban Carignan 2011 elaborado com uvas de vinhedos com 80 anos no Chile foi uma solicitação adicional do José Manuel para que provássemos também o outro extremo de sua gama de vinhos, o de entrada. Custa USD24 e o vinho é realmente uma enorme surpresa valendo cada centavo. Posteriormente provei um Urban Tempranillo/Malbec de Mendoza e foi outro vinho que me agradou muito. Penso que quem consegue produzir bons vinhos nesta faixa de preços, certamente produz bons vinhos nas gamas acima e o inverso nem sempre é verdadeiro. Se quiser conhecer o perfil de um produtor, prove seus vinhos de entrada!

Ainda tinha mais, uma surpresa e uma enorme gentileza de José Manuel para os jornalistas, colunistas e blogueiros de vinho presentes a esta deliciosa degustação, um delicioso, fino e elegante exemplar de Alfa Crux 2001 em garrafa magnum, seu primeiro vinho produzido em Mendoza do qual sobram poucas garrafas no mundo e que detem um Troféu de Melhor na Categoria na Wines of Argentina Awards. Tempranillo de 70 anos de idade, Malbec de 80 anos e Merlot de vinhedos mais jovens. Acidez bem presente ainda mostrando que ainda terá alguns anos pela frente, fino, sofisticado, daquele estilo de vinho que deveria vir á mesa de fraque e cartola. Um regalo e um privilégio que fazem os caminhos por nossa vinosfera valer a pena.

Alfa Crux Magnum 2001 Clipboard

Hoje compartilhei com vocês mais uma experiência que ficou marcada em minha memória, os verdadeiros vinhos de grande persistênca, e que me levou a combinar uma degustação especial com ele (salvo algum imprevisto) em sua bodega em Abril, feriado de Tiradentes, quando quem for comigo poderá confirmar, ou não, se meu entusiasmo tem fundamentos. Cheers, Kanimambo e seguimos nos encontrando pelos caminhos de Baco!

Feriado de Tiradentes em Mendoza Comigo, Topas? Join Me in Mendoza!

Amigos, mais um belo roteiro para Mendoza e das 14 vagas, já só restam 10 e só agora estou lançando mais este tour para amantes da boa enogastronomia! Negociei cada vinho que será tomado nessa viagem única por 9 diferentes e conceituadas bodegas mendocinas, todos caldos que já provei e assino em baixo. Veja abaixo um resumo do que a W.F.T.E (Wine & Food Travel Experience) está oferecendo neste roteiro que terá meu acompanhamento e gerenciamento operacional da Clube Turismo de Cotia capitaneada por meu amigo e confrade Rodrigo Loureiro.

  • Viagem de 5 dias e 4 noites – saindo Sábado (18) e voltando Quarta-feira (22) final do dia, chegando Quinta de madrugada dando tempo para ainda ir trabalhar!
  • Visita a 9 vinícolas de primeiro escalão com degustação de pelo menos uns 50 vinhos diferenciados. Passionate Wines / Decero / O. Fournier / Casarena / Achaval Ferrer / Catena / Dominio del Plata / El Enemigo e Finca Perdriel-Norton.
  • Serão 4 almoços harmonizados e mais 2 jantares em bodega com assados
  • Hotel 4 estrelas (NH Cordillera) com café da manhã próximo a tudo no centro de Mendoza
  • Passagem aérea, taxas, seguro saúde e transporte local em Mendoza inclusos.

Para ver o programa de viagem completo clique no link acima da W.F.T.E ou aqui, onde também consta o preço que inclui tudo o acima listado. Qualquer duvida, me envie um comentário que terei o maior prazer em solucionar quaisquer duvidas eventuais que possam vir a ter. Quem estiver em outro país, pode se unir a nós em Sampa, fale comigo.

Cheers, kanimambo e vem comigo vai?! Por enquanto desfrutem da imagem (cliquem para ampliar) abaixo com um flash dos lugares onde estaremos.

Mendoza 2 Poster