Confraria Frutos do Garimpo

Amigos, nesse garimpo que venho fazendo há anos por nossa vinosfera, toda a hora me deparo com algumas pérolas e bons vinhos porém nem sempre ao preço certo. Mais raramente, no entanto, dou de cara com algumas belas ofertas desses mesmos vinhos que merecem ser compartilhados com os amigos então decidi começar esta exclusiva Confraria Frutos do Garimpo - Logoconfraria de compras e oportunidades como forma de compartilhar esses Frutos do Garimpo. Não, não é mais um clube de vinhos, é uma Confraria, não havendo quaisquer cobranças mensais ou obrigação de compra.

Mensalmente, a partir de Setembro, sujeito a disponibilidade montarei uma série limitada de caixas (avisarei a quantidade disponível nas chamadas mensais) com 4 garrafas destes achados, frutos do meu garimpo. A cada mês os valores mudam (devendo ficar entre R$200 a 350) e os vinhos mudam, podendo até haver maior disponibilidade num ou noutro mês ou não haver nenhuma oferta já que, lembrando, são Frutos do Garimpo e aquela “pepita” nem sempre dá as suas caras e quando dá são de pouca monta! Podem ser duas garrafas de um mesmo vinho e as outras de dois vinhos diferentes, podem ser duas garrafas de dois rótulos, a cada mês a história será diferente, o objetivo é compartilhar as pepitas achadas nas entranhas de nossa vinosfera. Passo os preços com minha resenha dos vinhos e você compra se quiser e quando quiser, tendo tempo para pesquisar, porém como as quantidades serão limitadas a venda será realizada aos primeiros que confirmarem e somente uma caixa por pessoa.

O foco será, obviamente, na qualidade atrelada a um preço abaixo da média do mercado, diversidade de estilos e uvas, sendo coerente com tudo o que venho escrevendo já faz anos. Eventualmente poderei me deparar com outros frutos que não vinho, por exemplo um acessório, no qual o conceito também se aplique e o incluirei para apreciação dos confrades. Pintou oportunidade na minha praia, a idéia será compartilhá-la com você e disponibilizá-la aos confrades e confreiras se houver quorum. A confirmação da reserva se dará através de depósito em conta, após o qual faremos a entrega que será gratuita em Cotia,Alphaville e nos seguintes bairros de São Paulo > Morumbi, Vila Olímpia, Itaim, Jardins, Pinheiros e Butantã. Qualquer outro local de entrega ficará sujeito a cobrança de frete junto com o depósito da reserva e avisado antecipadamente. Eventualmente, poderá ser retirada na Vino & Sapore por aqueles que moram na região da Granja Viana, no entanto os Frutos do Garimpo não estarão disponíveis na loja e, caso venham a estar nas prateleiras, estarão com preço de mercado.

Gostou da idéia, tem interesse em participar? Pois bem, preencha o formulário em clicando aqui e assim que tenha o primeiro “KIT” pronto, deve ser Setembro, lhe enviarei e-mail com os Frutos do Garimpo do mês e as resenhas. Estes achados não serão divulgados na internet ou em redes sociais, então sua inscrição na Confraria “Frutos do Garimpo” será a única forma de você vir a ter acesso a eles.

Kanimambo a todos que vierem a apoiar este novo projeto que se inicia agora em Setembro de 2015. Bem vindos a bordo e espero que a viagem seja prazerosa!

Lagarde Primeras Vinas Malbec na ATE

Meus amigos, semana passada dei um toque para vocês sobre este incrível evento armado pela WofA (Wines of Argentina) no próximo dia 30 (Quarta), o Argentina Taste Experience onde afora alguns grandes vinhos em prova, os participantes poderão participar de diversas palestras de renomados enólogos entre eles o Alejandro Vigil que recentemente foi eleito epla revista Decanter como um dos 30 mais importantes enólogos do mês. Sei que alguns já garantiram suas entradas e estas não eram muitas, então se tiver a fins clique logo no link aqui do lado >>>>>.

Lagarde PV 2012Agora, provavelmente um dos vinhos que quem for terá a oportunidade de provar, será este, o Lagarde Primeras Vinas Malbec 2012 que mais uma vez veio dar uma passada por minha taça, gooosto quando ele me visita (rs) sempre um m prazer hedonístico! Um vinho complexo e sofisticado que também possui uma ótima versão em Cabernet Sauvignon, porém o Malbec ainda é o meu preferido entre os dois. Este ainda está bem jovem, porém desde cedo mostra todo o potencial advindo de uvas de vinhedos de 1906 e 1930, as primeiras vinhas do produtor. Um vinho que consegue unir com maestria a potência com complexidade e elegância num conjunto que literalmente empolga quem o toma e gosta de vinhos desta estirpe. Segue sendo um dos melhores Malbecs que tive o prazer de tomar, certamente entre meus top 10, e que sempre me deixa marcas de prazer bem profundas.

Escuro, violáceo lindo e brilhoso na taça, paleta olfativa intensa e sedutora (ameixa madura com nuances de chocolate ao final) que chama a taça à boca e é lá que ele dá olé! Me entusiasmei, sei, mas fazer o quê, não é esse o grande barato do vinho? Despertar emoções e nos trazer prazer? neste caso, missão cumprida com louvor pelos produtores e enólogos responsáveis! Voltemos ao vinho porque já me entusiasmei e comecei a devanear, porém quando me entusiasmo com algo os adjetivos rolam soltos e fáceis faltando objetividade, fazer o quê? Nessas horas a música é uma só; “deixa a vida me levar, vida leva eu, sou feliz e agradeço  por  tudo o que Deus me deu”! rs

Na boca o vinho é de uma riqueza e complexidade únicas, confirmando a fruta e um perfeito equilíbrio entre taninos, álcool e acidez mostrando que ainda há muita vida pela frente e guardar algumas garrafas deste vinho será certamente um investimento bem feito no prazer. Os taninos são muito finos, daqueles que se apresentam sedosos na ponta da boca, sem excessos, bom volume de boca, untuoso, para tomar só ou bem acompanhado, um vinho de primeiro nível na constelação de grandes vinhos da vinosfera mendocina.

Uma repassada neste belo vinho é certamente uma experiência muito agradável então conhecê-lo na ATE será certamente um bom investimento lembrando as sábias palavras do já falecido colunista, escritor e produtor Alexis Lichine; “No que se refere a vinho, sempre recomendo que se joguem fora tabelas de safras e manuais investindo num saca rolha. Vinho se conhece mesmo é bebendo!

Cheers, salud, kanimambo e uma ótima semana para todos.

Sacando Rolhas de Vinhos Naturebas

Se meter a fazer vinhos orgânicos e biodinâmicos acho que requer uma certa dose de loucura e não me entendam mal! Aquela loucura que todos os gênios que mudaram algo no mundo necessitaram ter, aquela loucura que faz arriscar o que não se deve para http://www.falandodevinhos.com/wp-content/uploads/2015/03/02105720/Uncorking-Old-Sherry-Gillray.jpg encontrar nunca se sabe exatamente o quê. De tomar riscos além do razoável, de ganhar muito ou se perder tudo, enfim algo além do que estamos acostumados a conviver. Junte-se a isso coragem, fé e uma boa dose de romantismo e temos aí um produtor “natureba”. Pessoalmente já provei vinhos orgânicos que não me adicionaram nada, biodinâmicos de que não gostei e nunca compraria assim como já tomei grandes vinhos elaborados da mesma forma. A essência para mim é o vinho ter qualidade e ser palatável. O ser natural, por si, não é nem nunca será, em minha opinião,sinônimo de qualidade.

Este preâmbulo para abrir espaço para a Raquel Santos, nossa porta voz, confreira e sommelier, compartilhar conosco sua opinião sobre alguns vinhos chilenos que são mostra deste estilo de vinhos, os naturais. Fala Raquel

“Quando surgiu a ideia de conhecermos um pouco mais de vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais, causou-nos uma certa estranheza e ao mesmo tempo muita curiosidade. A começar pelo nome de uma das vinícolas: “Cacique Maravilha”! Os piadistas de plantão já encontraram motivos suficientes para que a diversão rolasse à vera!!! Afinal, é para isso que nos encontramos todos os meses, entre outras coisas, é claro!

Íamos conhecer dois produtores chilenos: Manuel Moraga Gutierrez do Cacique Maravilha e Renan Cancino do El Viejo Almacén. Ambos produzem vinhos naturais, de cultivo orgânico e vinificação com a mínima interferência possível. Hoje em dia com toda a evolução tecnológica é considerado por muitos uma grande loucura depender apenas da natureza para se extrair vinho de vinhedos muito antigos, que praticamente já estavam quase extintos, e partir daí fazer um trabalho de risco, onde as vezes pode-se perder todo o ano de trabalho, caso a “natureza” não colabore adequadamente. Sim, é um grande risco que essas pessoas taxadas de loucas correm. Mas acima de tudo, vejo aí uma grande dose coragem.

Por acreditar na cultura ancestral de seus antepassados, eles arriscam para resgatar uma sabedoria que com o tempo foi se perdendo em troca de uma tecnologia mais segura, porém carente de identidade. A agricultura orgânica já é bem assimilada por nós sendo uma opção de alimentação mais saudável, onde não se usa adubação nem pesticidas químicas para afastar as pragas indesejáveis. No caso do vinho, essa prática já vem sendo usada, principalmente no Chile que possui uma situação geográfica privilegiada, onde a estreita porção de terra fica praticamente isolada de um lado pela cordilheira e do outro pelo oceano, impedindo a disseminação de pragas. Já no processo de vinificação, podem ser acrescentados elementos químicos como leveduras que aceleram a fermentação e outros ajustes que interferem no processo final e é justamente aí que entra o resgate de técnicas ancestrais no processo da vinificação e a opção por processos naturais. Se o vinho é o resultado do terroir, mais o tipo de uvas empregadas e a mão do enólogo, neste caso, a função do enólogo é interferir o mínimo possível, deixando a natureza agir de acordo com as intempéries daquele ano. Se foi um ano mais chuvoso ou com altas temperaturas, ou muito frio, isso aparecerá no resultado final do vinho. Nunca haverá uma safra igual a outra e as leveduras serão naturais.Eram vinhos destes que tínhamos pela frente neste encontro.

Naturebas

O resgate da casta País (que na Argentina é conhecida como Criolla) era usada apenas em cortes, e de coadjuvante tornou a principal. Para brindarmos o momento, foi escolhido um espumante chileno feito com essa uva:
Estelado Rosé – elaborado pela espanhola Miguel Torres, que também possui vinhedos no Chile. Muito delicado, refrescante, elegante e possui uma cor linda! Começamos bem e estávamos mais que preparados para as “loucuras” que estavam por vir.

1. Pipeño 2014 – Cacique Maravilha – 100% País – Já chamou a atenção pelo tamanho da garrafa! Um litro.o que, obviamente, todos acharam que seria o tamanho ideal da dose de vinho para 2 pessoas. O nome (Pipeño) significa garrafão e a garrafa de 1l, faz alusão a isso, ou seja, aquele vinho simples que deve ser tomado na companhia de muitas pessoas em momentos de descontração. A uva País é originária das Ilhas Canárias onde é chamada de Listán Prieto, e foi trazida pelos colonizadores espanhóis. De aspecto turvo mostrando que não passa por filtragem. Cor bem clarinha, lembrando um Pinot Noir. Aromas rústicos de terra molhada e notas animais. Com tempo evoluem para frutas vermelhas silvestres e xarope de romã. Um vinho que nem cabem essas descrições técnicas, pois a proposta é de simplicidade e cumpre bem esse papel. Muito agradável e refrescante.

2. Huaso Sauzal 2013 – El Viejo Almacén – 100% País – Como o próprio rótulo diz, vinificado de maneira tradicional, como seus ancestrais o faziam à séculos atrás. Com pouco mais de estrutura que o anterior, onde se percebe uma maior extração das características da casta. Ótima acidez, com as mesmas notas terrosas e selvagens num fundo de frutas silvestres (cerejas), e florais (lavanda).

3. “50/50” Pipeño 2013 – Cacique Maravilha – Um corte meio a meio de Cabernet Sauvignon e País. Com bom corpo, onde a “musculatura” da Cabernet Sauvignon se faz presente. Bem equilibrado, com taninos fininhos e boa acidez. De início o nariz mostra-se um pouco tímido, algo parecido com goma, herbáceo e pouco frutado. Mas com o tempo na taça vai se revelando aos poucos. Aparecem os florais, minerais e a madeira aparece, fazendo a ligação entre as camadas. Muito fresco e aromas de mentol ficam mais evidentes. Surpreendeu!

4. Cacique Maravilha 2013 Blend – Cot (Malbec),País, Cabernet Sauvignon – Aromático, com notas de couro, chocolate e herbáceo (azeite). Na boca os mesmos sabores se confirmam e evoluem para algo mineral. Tem bom corpo, boa acidez e taninos que secam a boca.

5. Huaso Sauzal Garnacha 2012 – El Viejo Almacén –  Floral exuberante, com notas de rosas, framboesas e ervas aromáticas. Leve, delicado e equilibrado. Muito fácil de beber e prazeroso.

6. Vigno Carignan 2011 – El Viejo Almacén – A primeira impressão no nariz não agradou muito. Parecia duro e selvagem, quase que inacabado, mas com tempo ele foi arredondando e mostrando aromas mais domesticados. Evolui tanto na boca como no nariz revelando características mais frutadas, defumados, couro e sous-bois.

Essa ânsia em resgatar um modo mais natural de viver, vem como contraponto ao alto nível de desenvolvimento que a história do homem alcançou até agora. Eu acredito que tudo tem seu lado bom e seu lado não tão bom assim… No caso dos vinhos, muitas vezes me perguntam quais são os melhores vinhos que existem. E para mim a resposta mais óbvia é : aquele que mais te encanta! Existem os que amam os mais famosos, os menos, os caros, aqueles nem tanto e aqueles que defendem com todas as garras os naturais e os que os acham uma porcaria! Mas o melhor de tudo é que as possibilidades são imensas e com disposição e vontade, podemos (yes, we can!) escolher o que é bom e eu gosto e vice versa.”

Bem pessoal é isso, semana que vem tem mais! Kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou por aí, em algum canto desta enorme e surpreendente vinosfera.

ARGENTINA TASTING EXPERIENCE 2015, VEEEENHA!

Esta dica é imperdível e uma bela noticia para os amantes de bons vinhos como você e eu! Hora de descobrir alguns grandes vinhos que os hermanos vêm elaborando e escutar o que seus principais enólogos têm a dizer sobre o atual estágio da vitivinicultura argentina. Nos últimos três anos conheci a fundo o que vem sendo feito nas diversas regiões produtoras e me surpreendi revendo opiniões, enterrando de vez Logo WofAalguns preconceitos e descobrindo sabores e emoções diferenciadas. Agora convido você a passar por uma experiência única ao, numa dose concentrada, ver um pouco disso na ATE que se realizará neste próximo dia 30 de Setembro a partir das 16:30.
São Paulo sediará o lançamento mundial desta nova iniciativa da Wines of Argentina (WofA) para apresentar alguns dos melhores vinhos daquele país. O evento contará com uma Mega Degustação às cegas, degustações sensoriais sobre diferentes temas e um espaço central com um bar que terá os vinhos premiados com medalhas de Ouro e Prata no último Argentina Wine Awards.

O Argentina Tasting Experience (ATE) se realizará aqui, na cidade de São Paulo, no Hotel 115 – Vila Madalena. O evento contará com uma Mega Degustação às cegas, degustações sensoriais sobre diferentes temas e um espaço central com um bar que terá os vinhos premiados com medalhas de Ouro e Prata no último Argentina Wine Awards. Clique ali >>>>>>>>>

O ATE será um evento dinâmico e interativo em que os participantes poderão participar de várias palestras com gente do porte dos renomados enólogos; Alejandro Vigil (Catena Zapata e El Enemigo), Sebastián Zuccardi (Familia Zuccardi), Bernardo Bossi (Casarena), Hervé Birnie Scott (Diretor da Chandon) entre outros.

SOMENTE, cerca de 150 pessoas terão a oportunidade de provar às cegas os 18 vinhosATE la Barra AWA premiados com troféu e com medalha de ouro na última edição dos Argentina Wine Awards. Outra atividade durante o dia incluirão o “BAR AWA” com 22 vencedores de medalhas de ouro e prata na AWA 2015. O evento começa às 16:30 e vai até às 23:00. Esta será uma forma inovadora de apresentar vinhos de forma descontraída e instrutiva.

Haverá também um espaço central e social, mais “lifestyle, para que os convidados possam aproveitar um cocktail exclusivo, com música e um um DJ convidado, além de um espaço de fotos cabine de fotos para aqueles que desejam ser fotografado. As entradas para o evento serão vendidas através do site https://semhora.com.br/parceiro/evento/ate-argentina-tasting-experience
Os valores são:
– Palestras (16:30 às 19:00): R$ 80,00.
– Degustação Principal (20:00 às 22:30): R$ 100,00.
– Pacote Palestras + Degustação: R$ 150,00.

Eis a lista das vinícolas participantes com a minha sugestão das imperdíveis (caso tenha que escolher apenas algumas) entre as muito boas listadas:
ANDELUNA CELLARS
BODEGA ARGENTO
BODEGA ATAMISQUE
BODEGA DEL FIN DEL MUNDO – PATAGONIA ARGENTINA
BODEGA RIGLOS
BODEGA SEPTIMA
Bodegas Salentein
CASA BIANCHI
CASARENA
DOÑA PAULA
EL ESTECO
FAMILIA ZUCCARDI
FINCA SOPHENIA
KAIKEN
LAGARDE
MASCOTA VINEYARDS
NIETO SENETINER
NORTON
PASCUAL TOSO
PROEMIO WINES
RICCITELLI WINES
TERRAZAS DE LOS ANDES
TRAPICHE
VINORUM

Sobre a WofA
Wines of Argentina é a entidade responsável pela “marca” vinho argentino no mundo. Desde 1993, a organização promove a imagem de vinhos locais no exterior, bem como ajudando a orientar a estratégia de exportação da Argentina, estudando e analisando as mudanças que ocorrem nos mercados de consumo. O seu objetivo é contribuir para a consolidação da Argentina entre os principais exportadores de vinho do mundo e contribuir para o sucesso global da indústria do vinho, procurando levantar a percepção positiva no comércio, formadores de opinião e consumidores.

Para maiores informações clique no link aqui do lado. Kanimambo e uma ótima semana a todos.

Montalcino Não é Só Brunellos

Para os amantes do vinho há regiões no mundo que são pura idolatria; Douro, Rioja, Bordeaux, Champagne, Mosel, Piemonte e Toscana, entre muitas outras. Na Toscana, Montalcino e seus Brunellos e Rossos de Montalcino (elaborados com 100% da casta Sangiovese Grosso) reinam absolutos, porém a Toscana tem outras regiões incríveis que pouco são divulgadas ao consumidor e o mesmo ocorre com Montalcino que não é feita só de Brunellos!

Afora esses ícones da vitivinicultura italiana toscana, Montalcino possui outros DOCs;

  1. Sant’Antimo DOC fundada em Janeiro de 1996 – Tanto Bianco como Rosso, elaborado com todas as uvas autorizadas na Toscana. Os tintos pode também ser elaborado em varietal, porém nesse caso deverá se especificar a uva no rótulo, mas restrito somente às castas; Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Nero. Nos brancos; Chardonnay, Sauvignon Blanc ou Pinot Grigio. Também se produzem Vin Santo branco e tinto nesta mesma DOC.
  2. Moscadello de Montalcino – apresentado tanta na forma de espumante como de vinhos doces de sobremesa.

Bem, depois dessa pequena introdução, deixa eu falar para vocês do vinho que provei no Winebar promovido pela Expand com um vinho DOC Sant’ Antimo, o IRRosso diIR Rosso Casanova di Neri 2013, não confundir com o Rosso di Montalcino que é outro vinho, deste conceituado produtor de Brunellos! Aqui a Sangiovese é complementada por uma parte de Colorino (muito usada em Chianti), com passagem de 15 meses por barrica e mais 6 meses em garrafa antes de sair para o mercado. O vinho mostrou bem a marca da casa produtora que, pelo menos do que já provei, possui um estilo mais austero, mas não duro!

Cor escura (muito jovem), aromas terrosos, frutos negros, boca densa, de ótima textura e volume de boca, concentrado, taninos presentes, firmes mas sem agressividade, longo, um belo vinho que pediu o que não lhe dei, um tempo de aeração, creio que se mostraria mais com 30 a 45 minutos no decanter. Vinho que promete muito com mais uns três anos de garrafa para quem puder guardar. Eu após complementar meus sessenta anos, não guardo mais nada a não ser meus Porto Vintage! rs

Passou por cima de meu Caldo Verde, é o que tinha no momento (rs), mas posteriormente preparei um sanduíche de chouriço português e aí o baile ficou legal, pena que a bateria do celular tenha ido para a glória! O sanduba talvez não tenha feito jus à nobreza do vinho (R$180), mas não é de hoje que alguns casamento entre realeza e plebe dão certo, este deu! rs

Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou vem passear comigo pelos vinhos de altitude de Santa Catarina dia 28 de Outubro a 2 de Novembro. Detalhes em elaboração, mas como serão somente 12 vagas, me avise desde já de seu interesse e lhe enviarei roteiro completo em primeira mão tão logo esteja pronto.

Vinho é Prazer!

Hoje optei por falar de prazer, mais do que falar de vinho em si o que voltarei a fazer mais ao longo da semana. Acordei com vontade de filosofar, de falar de prazer no vinho, algo que há muito andava ensaiando depois que um amigo (não muito chegado nos caldos de Baco) me disse que para curtir um bom vinho, bastava despejar o caldo no copo e virá-lo! Pode? Sim, pode até ser num primeiro instante, mas na verdade é uma mera “rapidinha” de duração curta sem maiores impactos sensoriais deixando-se de aproveitar a grande maioria dos pequenos detalhes que completam o todo e fazem a diferença entre o mero gozo e o real prazer.

Apreciar um bom vinho é como lentamente nos desnudarmos perante nossos parceiros passando por toda a fase de nos perdermos nos olhos um do outro, sentindo seu perfume, descobrindo todas as suas nuances e curvas, se inebriando de paixão até se deixar levar ao infinito numa viagem que deixa marcas na memória e nos faz querer mais e mais! Um bom vinho possui uma certa dose de sensualidade, de fogo e paixão que na dose certa gera enorme prazer e pede compartilhamento, uma garrafa a dois é muito mais gostoso, ou não?! rs Complicado?Não, o segredo é querer aproveitar o momento e descobrir toda a complexidade e nuances do vinho num processo de entrega e de cumplicidade muito similar há que podemos usufruir num relacionamento entre duas pessoas, guardadas as devidas proporções obviamente!

Para o tomador de vinho, todos já fomos, qualquer coisa está bom já para o apreciador de vinho há a necessidade de “foreplay”, de prestar atenção, de um certo flerte que fará do processo da descoberta um verdadeiro elixir de prazer. O vinho não é, portanto, paixão de pouca dura e sim um processo continuo de aprendizado e conhecimento em que, como nos relacionamentos, existem momentos de grande euforia advindos da perfeita harmonia encontrada numa taça em um determinado momento e outros nem tanto. Tentar desassociar a técnica da emoção é, neste caso, um exercício em vão, pelo menos em minha opinião já que acredito que o vinhos e o amor nos fazem um pouco mais poetas!

Para tomadores de cerveja estupidamente gelada (ótima forma de esconder os defeitos de qualquer bebida) que juntam garrafas sobre a mesa numa Sexta-feira á noite como se troféus colecionassem ou os que bebem para meramente se embriagarem, tudo o que aqui escrevo hoje certamente se tratará de pura bobagem e devaneios mil (também não devem nem ler este blog), mas os que buscam na taça, e na vida, aquele algo mais, esses certamente entenderão o que estou tentando compartilhar hoje ou, pelo menos assim espero!

Muitas vezes escrevo sob enorme influência do prazer e emoções (as vezes em que mais prazer me dá escrever) e quanto maior a satisfação, maior são os adjetivos usados no intuito de repassar aos amigos leitores as sensações vividas. Aliás, como já mencionei aqui em outras oportunidades, um vinho sem adjetivos é um vinho sem alma, sem encantamento, como aquela transa fugaz que pode até resultar num relaxamento momentâneo, porém normalmente deixa para trás aquela sensação de que faltou algo!

Achar que as análises e comentários sobre vinhos são meramente técnicas, é de grande ingenuidade, pois apesar do treino, do estudo e da litragem do degustador eventualmente envolvido, não existe como não nos deixarmos levar pela paixão frente ao prazer e satisfação promovido por um grande vinho (Robert Parker e Bordeaux não me deixam mentir) ou grande momento enogastronomico. Não importa se é com um sanduba de mortadela e um lambrusco, um grande espumante num momento de celebração único ou um jantar de perfeita harmonização entre; o momento, as pessoas envolvidas, o local, o prato e o vinho.

Já dizia o saudoso amigo e mentor, Saul Galvão, num artigo escrito há cerca de dois anos; “quando se fala em vinhos, NUNCA há uma palavra final, mas sim opiniões, que podem ou não ser bem sustentadas. O vinho só existe para dar prazer. Se ele deu prazer, cumpriu sua função, independentemente de regras cânones e opiniões alheias”

Separar o doce néctar de seu viés emotivo é, nesse sentido, algo totalmente equivocado em minha opinião. Tudo na vida é um processo de evolução e depende de cada um determinar seus objetivos. Existe um inicio, nem sempre muito positivo, que vai ganhando qualidade conforme vamos obtendo maior experiência o que, em nossa vinosfera, conhecemos como litragem. Experimentar, buscar diversidade, variar saindo da mesmice, tudo contribui para que o nirvana que se busca seja alcançado. A diferença maior jaz no fato que enquanto num relacionamento a dois a fidelidade é essencial, em nossa vinosfera a infidelidade faz parte do processo de crescimento e aprendizado, prove muito, prove de tudo, aventure-se e deixa a taça te levar a lugares e culturas diferentes sem, no entanto, deixar de ter seu porto seguro!

Cá entre nós, só nota de vinho e os mesmos aromas de frutos de vermelhos e complexidade de boca, tem hora que enche, não?! Até eu volta e meia me vejo nessa! Enfim, por hoje chega, já viajei demais, rs. Cheers, saúde, kanimambo e parafraseando o poeta popular Zeca Pagodinho:

Eu já passei por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida
Espero ainda a minha vez
Confesso que sou de origem pobre
Mas meu coração é nobre
Foi assim que Deus me fez

E deixa o VINHO me levar….

Rolha ou Rosca?

MiguelMeu amigo Miguel Angelo de Almeida é um jovem e talentoso enólogo, luso que nem eu, que trabalha na Miolo onde vem desenvolvendo seu trabalho com competência há anos. Já tive a oportunidade de aqui publicar alguns de seus textos e este, que recente recebi dele, me pareceu especialmente interessante, razão pela qual pedi autorização para compartilhá-lo com os amigos aqui hoje. Kanimambo Miguel!

A meu ver existem algumas razões práticas e técnicas para uso de fechamento de rosca (screw-cap) e algumas estéticas e comerciais. Como enófilo e amante de bons vinhos, não me atenho a isso e sim ao conteúdo da garrafa. Aliás, uma prova da diferença entre enólogo e enófilo; o Enólogo (Miguel) diante do vinho toma decisões já o Enófilo (JFC), diante de decisões toma o vinho! rs O que tenho visto até agora, e obviamente provado, me diz que não existem alterações consideráveis no vinho e ultimamente provei vinhos com até 12 anos de idade com rosca e estavam ótimos, em perfeito estado de preservação e vida compatíveis com outros de igual idade e origem fechados com rolha de cortiça. Vejam o que o Miguel, com maior experiência e conhecimento de causa, tem a nos dizer sobre o tema.

“Sabemos que perante um vinho fechado com rolha natural, o consumidor tem uma grande expectativa em comparação com os outros tipos de fechamento. Mas o tempo é o grande modelador das nossas convicções, a história da rolha de cortiça natural com o vinho tem cerca de 400 anos e a história do screw-cap com o vinho tem cerca de 60 screw-vs-corkanos. Como disse a Baronesa Philippine de Rothschild: “Produzir vinho é relativamente simples, só os primeiros duzentos anos são difíceis.”.Aqui, no Grupo Miolo, a opção de vedar um vinho com rolha natural ou screw-cap é uma decisão técnica.

Hoje, para proceder o fechamento de uma garrafa de vinho, o enólogo possui várias soluções: rolha de cortiça natural, rolha sintética, rolha de vidro (vino-lok) e screw-cap de alumínio. Contudo, as duas principais soluções são a rolha de cortiça natural e o screw-cap de alumínio.

Se o objetivo for entregar ao consumidor um vinho próximo daquilo que o enólogo obteve na fermentação e/ou estágio de amadurecimento, o vedante mais indicado para este efeito é o screw-cap, que proporciona um fechamento hermético, bloqueando a evolução oxidativa do vinho. Por outro lado, se o objetivo for permitir evolução, a decisão será vedá-lo com uma rolha de cortiça natural que permite uma mudança positiva no tempo. O screw-cap é uma redoma, a rolha de cortiça natural representa transformação.

SobreiroA cortiça é composta por células de suberina com a forma de um minúsculo prisma pentagonai ou hexagonal, um ácido gordo complexo, e preenchida com um gás semelhante ao ar, que ocupa cerca de 90% do seu volume. Portanto, a cortiça contém oxigênio que migra para o vinho, ajudando este a se polimerizar, a se arredondar, mudando irremediavelmente a sua vida e as suas histórias. Estudos recentes demonstram que os diferentes tipos de vedantes diferem na sua permeabilidade ao oxigênio atmosférico. Os sintéticos são os que apresentam maiores taxas de entrada de ar, oxidação prematura, seguidos das rolhas de cortiça natural, evolução equilibrada, enquanto screw-cap é o que permite menores taxas de entrada de oxigênio, evolução lenta.

Num vedante sintético o ar migra, através de si, de fora da garrafa para dentro do vinho. Numa rolha de cortiça natural o oxigênio migra do interior da rolha para o vinho. Num screw-cap sarantin, o do disco interno prateado, não existe migração de oxigênio (screw-cap saranex é o do disco interno branco).

A rolha de cortiça é um elemento 100% natural, 100% biodegradável, proveniente diretamente da casca de uma árvore da família dos carvalhos, o sobreiro. A sua retirada é feita a cada nove anos, sem que nenhuma árvore seja cortada durante este processo. A cortiça dá origem a uma infinidade de produtos, e o principal é a rolha. Cada sobreiro demora 25 anos até poder ser descortiçado pela primeira vez e só, a partir do terceiro descortiçamento (aos 43 anos), a cortiça tem a qualidade exigida para a produção de rolhas. O sobreiro é a única árvore cuja casca se autorregenera, adquirindo uma textura mais lisa após cada extração. Pode ser descortiçado cerca de 17 vezes ao longo de uma longevidade que é, em média, de 200 anos, e não está em extinção, sendo a árvore símbolo de Portugal. Eu me curvo em deferência perante este elemento natural.

O primeiro screw-cap para vinho foi criado pela empresa Stelvin, em meados da década de 60, sob o comando do diretor de produção da vinícola australiana Yalumba, em parceria com uma empresa francesa. O screw-cap ganhou espaço no mundo dos vinhos à custa da imprudência dos corticeiros portugueses, os quais no final da década de 90 (boom mundial da produção de vinhos) inundaram o mercado com cortiça de má qualidade, cortiça com problemas de tricloroanisóis, vulgo TCA, composto químico com cheiro a mofo, cartão úmido. No inicio do novo milénio, os britânicos firmaram a sobrevivência do screw-cap no fechamento de garrafas de vinho. No Reino Unido, a aceitação dos vinhos vedados com screw-cap foi de 41% em 2003 e 85% em 2011.

No Grupo Miolo utilizamos ambos como vedantes de nossos vinhos:

  • O screw-cap para vinhos básicos de características jovens (Almadén, Miolo Seleção e Miolo Gamay) até vinhos de qualidade premium, a grande novidade da vindima 2015 (Miolo Reserva Chardonnay, Pinot Grigio, Sauvignon Blanc e Pinot Noir). Podem reparar que o Miolo Reserva Sauvignon Blanc 2015 está todo ele fechado com um screw-cap sarantin. Este tipo de screw-cap apresenta os menores valores de oxigénio total aquando do engarrafamento, de 0,0001 a 0,0007 ml O2/dia;
  • A rolha de cortiça natural para vinhos premium (Miolo Reserva Cabernet Sauvignon, Merlot, Tempranillo e Tannat) até vinhos de qualidade ícone, vinhos altamente estruturados (Miolo Cuvée Giuseppe, Quinta do Seival Cabernet Sauvignon, Quinta do Seival Castas P ortuguesas, Testardi Syrah, Vinhas Velhas Tannat, Miolo Merlot Terroir, Miolo Lote 43 e o Sesmarias).

Os produtores de vinho decidem o tipo de vedação com base em experiências passadas, na filosofia atual, em questões técnicas, custos e as exigências do mercado. Em suma; a rolha é vinha e o screw-cap é homem. Os quatro são complementares“

Agora, nada como sua própria experiência, então vai aqui uma sugestão; monte uma degustação entre amigos e abra dois com rosca e dois com rolha, preferencialmente da mesma uva e região produtora, melhor ainda se puderem ser do mesmo produtor, e tire suas próprias conclusões. Aí vão me perguntar; e o charme?! Bem, aos sessenta a maturidade me faz prestar mais atenção no conteúdo que na aparência, não bebo charme e sim vinho, então….! rs Kanimambo amigos e espero ver alguns de vocês neste Sábado no meu evento de FOOD TRUCK GOURMET (clique para ver detalhes) harmonizando pratos e vinhos franceses. Cheers e até!

Quinta do Ameal Loureiro, um Feliz Reencontro

Há tempos que chamo a atenção para os vinhos brancos portugueses e este vinho é um claro exemplo disso. A primeira vez que tive contato com ele foi num delicioso restaurante em Almada chamado Amarra Ó Tejo que possui uma das mais lindas vistas noturnas de Lisboa. Depois, já andou por mais umas vezes em minha taça e sempre despertando as mesmas sensações de puro prazer! Daqueles vinhos para abrir de duas (rs), porque uma garrafa some rapidamente devido à sua leveza e capacidade de sedução.

Para mim, este vinho já se tornou um clássico regional e a casta possui atributos que me encantam. Menos acídula que a Alvarinho, gera vinhos muito Foto - loureira_loureiro1equilibrados de muito boa intensidade aromática onde predominam as notas cítricas e florais. Na boca mostra-se tradicionalmente muito harmoniosa com nuances de casca de laranja, nectarina e algo de maçã verde. Apesar de ser vinificado, mais recentemente, como varietal, é comum a vermos associada com as castas Trajadura, Arinto e Alvarinho nos vinhos de corte simplesmente denominados Vinhos Verdes. Da mesma forma que Melgaço e Monção estão para a Alvarinho, Ponte de Lima (Vale do Lima) está para esta casta que reina nesta sub-região.

Era para ter participado de mais um Winebar, desta feita com este produtor, porém há última hora tive problemas profissionais que não me permitiram, no entanto você pode ver a apresentação completa vendo o vídeo aqui abaixo

Acabei abrindo essa garrafa de Quinta do Ameal Loureiro, posteriormente e acabei harmonizando o vinho com um prato de Camaráo à Piri-Piri com Risoto de Limão Siciliano e Cream Cheese. ABSOLUTAMENTE DIVINA harmonização e enquanto escrevo enxugo o teclado (rs) pois só de pensar Ameal Loureiro 2começo a aguar! O vinho prima por sua leveza, baixo teor alcoólico, apenas 11% e sedução, na linha dos bons e finos rieslings do Mosel, já nos arrebatando nos aromas sutis, mas muito marcantes! Puxando por notas cítricas (limão siciliano), traz também um leve floral e alguma grama molhada, delicado pede para encher a taça! Na boca, um vinho fresco de acidez bem presente, mas muito equilibrado, franco, com uma certa mineralidade de final de boca, um vinho radiante, de alto astral! Um vinho para nos deixar essencialmente felizes, com vontade de quero mais!rs

Por outro lado um produtor de uma casta só, algo não muito comum, o que faz com que exista aqui uma especialização maior, um conhecimento mais profundo gerando realmente vinhos diferenciados e marcantes.

Um vinho que tem tudo a ver com nossa costa, nossos mares acompanhando frutos do mar grelhados, lulas, suchis, peixes leves grelhados ou sozinho como entrada com queijo de cabra, presunto cru e outros petiscos! Já andou por terras brasilis mas volta agora pelas mãos da importadora Qualimpor e deverá estar no mercado por volta dos R$100 creio eu, mas a conferir. Como se diria na minha terra, um vinhos bestial ó pá, para se ir aos copos numa marisqueira com a malta! kanimambo e dia 12 (sábado) já sabem, Food Truck Gourmet (Perfil de Chef) com o tema França. Pratos e vinhos harmonizados, aguardo os amigos e torçam para essa chuva parar!!!

DEGUSTAÇÃO TOP DE CATENA ZAPATA

A partir das 20 horas do próximo dia 23, apresentarei na Vino & Sapore, um pouco mais da história desta importante Bodega mendocina e também de seu enólogo (Alejandro Vigil) recém listado como um dos 30 melhores e mais importantes do mundo. Com relação aos vinhos (50ml por rótulo por pessoa), vou deixar eles falarem com vocês! Somente 12 participantes (só 6 vagas restantes!), seis vinhos incríveis e um espumante especial também do produtor, para o deleite de poucos e por isso separei apenas um pequeno grupo para enviar esta primeira chamada.
 
Na frente de cada vinho, sua pontuação e o preço sendo praticado na importadora hoje.
 
Boas vindas – Tikal Alma Negra Rosado de Malbec Brut (Ernesto Catena) RP89 – R$110,00 (Sujeito a disponibilidade)
Catena Alta Chardonnay 2012 (ST92) – R$245,00
Catena Alta Malbec 2010 (RP94) – R$250,00
Catena Zapata Adrianna Single Vineyard Malbec 2009 (RP97) – R$600,00
Catena Zapata Malbec Argentino 2008 (RP98) – R$600,00
Nicolas Catena 2009 (RP95), o vinho do Homem! rs – R$600,00
Catenas TOP
 
Individualmente é puxado pensar na compra destes vinhos que cabem em poucos bolsos, porém numa degustação como esta conseguimos explorar esses ícones por uma fração! Serviremos queijo e frios com os vinhos e ao final empanadas, argentinas por supuesto! Café, água, estacionamento, tudo incluso por R$220,00 por pessoa pagos no ato da reserva. Não perca esta oportunidade, por um dia esqueça a crise e invista em sua felicidade e prazer! Reservas através do e-mail comercial@vinoesapore.com.br ou ligue para a Vino das 14 às 19 horas (11 – 4612.6343), só seis vagas restando, garanta a sua!

As Portas do Céu se Abriram e eu Entrei ou, Bordeaux Extasy!

Só figurativamente e adorei a experiência , tanto que tenho esse título pronto faz TRÊS ANOS! A experiência foi tamanha que fiquei sem palavras e sigo sem as encontrar, já que descrever emoções é sempre um exercício dos mais difíceis. Todos ou pelo menos a maior parte dos aficionados por vinho, sabe que 2009 foi um graaande ano para os vinhos de Bordeaux e em 2012 os produtores de Grand Crus estiveram em São Paulo para dar a provar alguns néctares da região. Grandes produtores, vinhos com pontuações perfeitas (100 pontos), brancos, tintos, doces, um festival hedonístico difícil de ser esquecido, daqueles que ficam na memória ad eternum.

A grande maioria, para não dizer todos, está longe dos bolsos de nós pobres mortais então minha sugestão é, tem interesse, vai viajar, traga de fora! São esses grandes vinhos que, em minha opinião, devem ser aproveitados nas viagens e, neste caso, mesmo assim precisa ter um bolso algo gordo! Para não dizer que nunca falo das estrelas, ganhei coragem e decidi compartilhar com vocês alguns destaques do que provei e que comporiam maravilhosamente uma grande degustação com uma visão regional deveras interessante, vamos lá!

Bordeaux Pessac

Pessac- Léognan – esta AOC, mesmo tendo uma maior produção de tintos, gera os melhores e mais importantes brancos de Bordeaux. Três grandes vinhos de muita classe, Chateau Carbonnieux, Chateau Pape Clement e, para mim o destaque entre eles, o incrível Chateau Larrivet Haut-Brion, uma grande forma de se iniciar uma degustação deste porte.

Bordeauxs Tintos – mesmo não sendo um expert nas apelações (AOCs) de Bordeaux, tenho as minhas regiões preferidas e na prova confirmaram na taça as razões de minhas preferências. Destas AOCs, escolhi alguns vinhos (tinha mais de 50 não dava para ver tudo) para provar e destes alguns destaques que certamente colocaria na mesa dessa imaginária degustação, caso houvesse “cascalho” o bastante para tal.

Bordeaux Saint Emilion
Saint-Émilion – Por aqui reinam a Cabernet Franc e Merlot, vinhos teoricamente mais suaves (na prática nem sempre), de menor estrutura porém de boa guarda, profundo equilíbrio com fruta mais presente e macios. Alguns grandes vinhos como os; Chateau Troplong Mondot, Chateau Pavie Macquin, Chateau Angélus e meu preferido, um dos melhores, se não o melhor, vinho do evento. O Chateau Figeac! ABSOLUTAMENTE ESPETACULAR, um daqueles vinhos que figuram entre meus TOP 10 de todos os tempos e não dá para descrever, tem que lhe sacar a rolha e desfrutar com um outro grande apaixonado por este néctares. Este já estava divino, imagino daqui a mais uns cinco ou seis anos!

Bordeaux Pomerol

Pomerol – Terra do famoso Chateau Petrus e por isso muito valorizada, gera vinhos elegantes e finos porém de maior estrutura que os de St Émilion, idade média de maturação entre 6 a 8 anos com alguns grandes vinhos de guarda. Daqui se destacaram o Chateau Clinet a quem Robert Parker deu 100 pontos. Provei, não mudou minha vida (rs), não vale a nota perfeita (que não dou a nada nem ninguém), mas é um grande vinho. Com ele, mais dois destaques, o Chateau L’Évangile e meu xodó deste AOC, o Chateau Gazin do qual tomaria garrafas se a grana permitisse. Rico, delicado e complexo, absolutamente sedutor.

Bordeaux margaux
Margaux – Nas grandes safras estes vinhos costumam se superar e é, certamente uma das mais emblemáticas apelações de Bordeaux. Mesmo tendo a Cabernet Sauvignon como protagonista, são conhecidos como os vinhos mais elegantes, perfumados e sedosos de Bordeaux, especialmente da margem esquerda. Curto os vinhos desta parte de Bordeaux! Provei algumas preciosidades, entre elas os; Chateau Angludet, Chateau du Tertre e Chateau Giscours foram destaque e são todos grandes representantes da AOC, mas o Chateau Malescot Saint-Exupery está, em minha modesta opinião, um degrau acima dos outros escolhidos e é o que eu colocaria para representar a região nesta verdadeira seleção de craques. Pura poesia engarrafada, nada a falar, só beber!!

Bordeaux Pauillac

Pauillac – Três dos cinco Premier Crus de Bordeaux, vêm desta região, vinhos algo mais potentes e muito estruturados com enorme potencial de guarda, décadas! Aqui provei menos e só dois rótulos ambos muito parelhos; o Chateau Lynch-Bages e por nariz, ficaria com o Chateau Pichon-Longueville mesmo sabendo que o melhor seria guarda-lo por mais uns 15 anos antes de abrir. O problema é que já fiz 60, então guardar vinhos ficou meio relativo! rs Graaande e complexo vinho que mostra bem todo seu potencial de guarda.

Bordeaux Sautern
Sautern et Barsac – Mais que uma apelação (AOC), uma marca mundial de excelência em vinhos doces que harmoniza maravilhosamente bem com Foie Gras (ops é proibido! rs) e queijos azuis e frutas frescas, mais que com sobremesas. Dizem que um Sautern deve ser tomado com mais de quatro anos e os bons (como estes baixo) precisando de tempo para mostrarem todo seu esplendor. Os “velhos” com trinta ou quarenta anos nas costas, dizem ser verdadeiros elixires, não sei, nunca provei, mas topo convites! rs Para encerrar em grande estilo dois grandes representantes e um que extrapola e nos deixa boquiabertos com tanto esplendor. Chateai Doisy Daëne e Chateau Guiraud, ambos excelentes, mas o Chateau Coutet é verdadeiramente um vinho classe I, de Inesquecível e Incuspível! DIVINO, um conjunto de emoções na taça indescritível, e a uma fração do preço dos mais famosos, muito próximo da perfeição!

O que pode causar estranheza é como vinhos que são de longa guarda como estes podem já despertar tais emoções e prazer hedonístico. Pois bem, o que tenho verificado ao longo destes longos anos de provas, é que a grande safra costuma apresentar esse perfil, vinhos com grande capacidade de guarda, porém já muito palatáveis desde cedo! Só para citar alguns; Safra 2007 e 2011 em Portugal, 2006 na Itália, 2005 no Chile, 2015 no Uruguai entre outros, e agora 2009 em Bordeaux. Enfim, mais uma grande experiência e as características de cada uma dessas regiões foram colhidas no livro de meu saudoso mestre e mentor, Tintos & Brancos de Saul Galvão, que segue sendo meu principal socorro em momentos de dúvida sobre nossa vinosfera.

Vai montar essa degustação, não esquece de mim não tá?! Digamos que será minha cobrança de royalties! rs Gente, kanimambo e um ótimo fim de semana para todos (aqui tem leitura para todo o fim de semana prolongado)  e não esquece, dia 12 de Setembro agora tem o food truck gourmet com vinhos harmonizados saudando a França! Aguardo os amigos

Barricas, da Floresta à Vinícola

O uso de barricas no vinho passa por uma imensidade de variáveis e depois de ver este vídeo podemos entender o porquê quando um produtor diz usar para um determinado vinho só barricas novas, estar ele elaborando vinhos de alta gama. Esse processo não é barato, mas ao ver este vídeo creio que podemos entender o porquê disso.

Mesmo que consideremos um valor (baixo) médio de USD 1200 numa barrica de 225 ltrs (300 gfas) e três usos, falamos de um custo diluído ao redor de USD1,35 a garrafa só de barrica. Algo a se pensar quando alguém te falar de vinho com estágio em madeira, reserva e que custa 50 pratas! A grande probabilidade é que esse vinho tenha passado por um processo que chamo de “madeirização” do vinho ou seja, dar aromas e sabores de madeira ao vinho. Nada contra quem gosta, mas importante saber que nesse processo se usam; chips, tábuas (duelas), serragem, cubos, etc. e não barricas. Veja mais clicando aqui.

Lembrando, de acordo com o enólogo  Edegar Scortegagna (Enólogo da Luiz Argenta e diretor técnico de enologia da Associação Brasileira de Enologia): “O aroma de carvalho cedido pela barrica é uma consequência, a barrica é usada principalmente para micro-oxigenar os vinhos durante a maturação, por isso é essencial que tenha porosidade muito pequena”.