João Filipe Clemente

Tomei e Recomendo I – Uruguai

                 Como já mencionei, o Uruguai produz vinhos diferentes com um estilo diferenciado. Com teores alcoólicos mais comedidos, seus vinhos apresentam bastante elegância e complexidade. Não são muitos os vinhos disponíveis no mercado e tão pouco tive oportunidade de provar todos, mas os que provei, são vinhos com bastante personalidade. Mesmo nesta faixa de preços, vinhos muito interessantes e com preços bem acessíveis como poderá ser conferido na seção de Boas Compras, com vários posts ao longo dos próximos dias, em que nossos parceiros trarão diversos destaques. Afora esses, publicarei também, mais dicas de vinhos que Tomei e Recomendo, porém em outras faixas de preços. Continue por aqui e, por enquanto, anote estas interessante opções de bons vinhos que valem a pena ser conhecidos.

Até R$ 30,00:               

              Da Domínio Cassis, dois vinhos muito interessantes o Eclipse (BR Bebidas) elaborado com 100% de Cabernet Franc, que tem um estilo mais ligeiro e agradável, fácil de tomar e o Recuerdos (Portal dos Vinhos/BR Bebidas) que já é um corte de Tannat com Cabernet Franc e um leve toque de Syrah que lhe dá uma paleta aromática muito interessante, um vinho que me agrada bastante. Da Pisano o Cisplatino Tannat/Merlot (BR Bebidas) é muito agradável e uma boa introdução aos vinhos desta importante casa. Prove também o Cisplatino Torrontés (Portal dos Vinhos), que dá um baile em muitos dos vinhos Argentinos produzidos com esta casta. Don Adélio Ariano Reserve Oak Barrel Tannat (Casa Palla) é uma agradável surpresa nesta faixa de preços. Sem ser um vinhaço, é um vinho muito interessante e agradável de tomar. Dizem que o Tannat/Cabernet Franc deles também é bom, mas não o conheço. Ainda desta bodega, a Viña Constancia Selección (Casa Palla), é um corte muito bem elaborado de Cabernet Franc/Tannat e Syrah. Bem diferente do Recuerdos, mesmo que com o mesmo corte, devido ao corte ser elaborado com variação nos porcentuais das castas usadas e ser elaborado em região diferente. Para finalizar esta faixa, o De los Man Tannat (Mr. Man) que é um vinho com bastante tipicidade, ligeiro, sem muita complexidade, mas muito correto.

De R$30 a 50,00:

             A Domínio Cassis nos traz também, um belíssimo vinho que, a meu ver, é um dos melhores Custo X Beneficio desta faixa de preços, o Oceánico (Portal dos Vinhos/BR Bebidas) um corte de Tannat/Cabernet Franc/Cabernet Sauvignon e Syrah já bastante complexo nos aromas e sabores, taninos finos, boa acidez, longo, realmente muito bom. A Marichal inova com vinhos elaborados com a Pinot Noir, uma cepa de pouca tradição no país. O corte do Pinot Noir (70%) com Tannat (30%) no Marichal Reserve Collection Pinot/Tannat, é inusitado e alcança um resultado surpreendente. Gostei bastante dos muito bons, Reserve Collection Pinot Noir, muito elegante e agradável, bem ao estilo dos pinots da Borgonha e totalmente diferenciado com relação ao estilo dos pinots que vemos tanto na Argentina como no Chile, assim como do Reserve Collection Tannat um ótimo varietal muito harmônico, bom nariz e, na boca muito redondo, taninos finos com um final de boca sedutor e ótima acidez que aguça as papilas gustativas pedindo comida. Por ultimo, o Marichal Reserve Chardonnay de bonitos aromas e muito fresco na boca, todos trazido pela Wine Company que tem executado uma política de preços muito justa e comedida para vinhos de muita qualidade. Estes vinhos podem ser encontrados em São Paulo na Confraria do Queijo & Vinho que é nossa parceira, assim como na Biesky e no Varanda, ou ligue para a Wine onde, certamente, lhe indicarão outros locais de venda.

               Ainda nesta faixa de preços existem outras boas opções como a Casa Filgueiras Tannat Reserva (Decanter) um vinho ainda jovem, provei o 04, com taninos firmes que só melhorará com a idade. Se hoje já é um bom vinho, certamente estará melhor ainda dentro de um ano. Boa fruta, na boca apresenta bastante complexidade e acompanhou muito bem um prato de carneiro, belo vinho. O Traversa Tannat Roble, (Mr. Man) que é uma outra surpreendente opção pelo preço. O nome nos leva a pensar que vamos tomar um puro tannat, mas ao lermos o contra-rótulo vemos que é um corte com 20% de Merlot e, certamente, poderia ser denominado como um Tannat/Merlot, que é um corte bem típico no país, que gosto muito quando bem elaborado. É o caso deste vinho da safra de 2004 que tem uma boa paleta aromática com bastante fruta vermelha que se confirma na boca com muita elegância. Muito redondo, macio, um vinho muito agradável, com boa estrutura, elegante, teor de álcool educado, taninos finos e boa acidez que aguçam as papilas gustativas. 

                No próximo post de Tomei e Recomendo outras dicas entre R$50 a 80 e 80 a 120 com vinhos que Provei e Aprovei. Salute amigos, e desfrutem.

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção

“ONDE COMPRAR”

 

 

 

Establishment Blues

               Esta semana estou saindo um pouco fora do roteiro dos vinhos apesar de que, nos fim de semana, costumo me dar ao direito de viajar para lugares além. É que o Goats do Roam mexeu com algumas coisas que há muito estavam guardadas. Enfim,  final dos anos sessenta inicio dos setenta, vivíamos ainda o sonho de que podíamos mudar o mundo. Que seria viável criarmos um mundo de paz e harmonia, época em que ainda se sentiam os efeitos de “Imagine” e “Give Peace a Chance”, em que era proibido proibir! Inocência, sonhos, devaneios?

              Na África do Sul, sob o domínio do apartheid, uma população jovem cada vez mais engajada ouvia  (Sixto) Rodriguez e seu Establishment Blues ou Sugar Man, fonte de inspiração para mudanças sociais que precisavam ocorrer. Desde aquela época que tenho uma inclinação para quebrar esse establishment, fazer diferente e fazer diferença buscando caminhos alternativos. O que isso tem a ver com o vinho? Quase nada ou quase tudo, depende de seu ponto de vista. Os posts onde falo da “Goats do Roam” e seus vinhos,  me fizeram viajar, relembrar Rodriguez, pois eles também inovam, criam e contestam o establishment. Os próprios vinhos do Uruguai com seus criativos e inovadores produtores, também são um pouco assim. Tenho o CD “Live Fact” do Rodriguez que é genial, a foto sonora de uma geração, junto com vários outros cantores e compositores da época que influenciaram uma geração.

                  Afora o Establishment Blues tem; Sugar Man (clássico), Inner City Blues, Forget it, Crucify Your Mind e I Wonder todas absolutamente geniais. Uma época em que musica não era só uma questão de ritmo, mas de letras, de conteúdo! Aqui acho que muito poucos o conheceram então, tomei a liberdade de compartilhar um pouco dele com vocês.  Para quem curte, leia a letra, veja o vídeo (imagens meio ruins, mas …) e, se quiser conhecer mais, clique aqui.  Deixo-vos hoje, com uma frase de Rodriguez;   “…don’t waste your time, make up your mind, and make it happen…”. Não perca tempo, decida-se, faça acontecer ou como dizia Vandré “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Bom fim de semana, salute e, Kanimambo!

THIS IS NOT A SONG IT’S AN OUTBURST: OR THE ESTABLISHMENT BLUES

 

The mayor hides the crime rate
council woman hesitates
Public gets irate but forget the vote date
Weatherman complaining, predicted sun, it’s raining
Everyone’s protesting, boyfriend keeps suggesting
you’re not like all of the rest.

Garbage ain’t collected, women ain’t protected
Politicians using people, they’ve been abusing
The mafia’s getting bigger, like pollution in the river
And you tell me that this is where it’s at.

Woke up this moming with an ache in my head
Splashed on my clothes as I spilled out of bed
Opened the window to listen to the news
But all I heard was the Establishment’s Blues.

Gun sales are soaring, housewives find life boring

Divorce the only answer smoking causes cancer
This system’s gonna fall soon, to an angry young tune
And that’s a concrete cold fact.

The pope digs population, freedom from taxation
Teeny Bops are up tight, drinking at a stoplight
Miniskirt is flirting I can’t stop so I’m hurting
Spinster sells her hopeless chest.

Adultery plays the kitchen, bigot cops non-fiction
The little man gets shafted, sons and monies drafted
Living by a time piece, new war in the far east.
Can you pass the Rorschach test?

It’s a hassle is an educated guess.
Well, frankly I couldn’t care less.

  www.youtube.com/watch?v=JHR74nxb-uA  / http://www.youtube.com/watch?v=24uYmHxERNk&feature=related / http://www.youtube.com/watch?v=2MX4Atd7lLU&feature=related

Aos amigos que não falam Inglês que me perdoem, mas há coisas que só podem ser apreciadas no original.

Uruguai – Regiões & Uvas

O Uruguai é um país de pequenas proporções, pouca população, mas riquíssimo em cultura e desenvolvimento de seu potencial vinícola. Sim, para quem ainda não sabia, aqui se fazem muito bons e saborosos vinhos. Com apenas cerca de quatro milhões de habitantes, tem cerca de 280 vinícolas produzindo e aproximadamente umas 120 exportando regularmente, porém só cerca de 30 com vinhos finos (VCP) engarrafados sendo o restante de vinhos de mesa a granel. São cerca de oito mil e quinhentos hectares de vinhas gerando um total de cerca de cem milhões de litros de vinho, dos quais somente cerca de trinta por cento, de acordo com o INAVI, são de vinhos finos e o restante de mesa. O Brasil é seu grande mercado exportador, para vinhos finos engarrafados com cerca de 33% do total de suas exportações, através de vinte diferentes bodegas. A Rússia é seu maior importador, porém essencialmente de vinhos de mesa a granel (97%). O consumo per capita é de cerca de 29 litros, a grande parte de vinhos de mesa produzidos com vitis-vinífera, principalmente a Moscatel de Hamburgo que gera vinhos ligeiros e meio adocicados, porém a preços muito acessíveis. È um consumo per capita maior que o do Chile, mas inferior ao do vizinho Argentina e consideravelmente maior que o Brasil com seus míseros 2 a 3 litros anuais.

Apesar de produzirem vinho a mais de 250 anos, foi realmente a partir de 1874 com a aposta na uva Tannat por parte de Pascual Harriage, que o a vinicultura começa a ganhar corpo. A moderna vinicultura, todavia, somente começa a ganhar corpo a partir do inicio dos anos de 1980 culminando com a criação do INAVI (Instituto Nacional de Vitivinicultura), uma entidade publica que vem regendo o presente e o futuro do vinho Uruguaio. Em 1992 foi feito um estudo de regionalização da produção do vinho em que se definiram oito grandes regiões de potencial de desenvolvimento baseado em parâmetros climáticos assim como da geologia encontrada. Sua marca registrada é o Tannat e sua chegada ao cenário mundial é bem recente, mas ganhando espaço com bastante velocidade apesar de ainda ter suas exportações muito concentradas, com 87%, em dois países.

mapa-uruguai.jpg

Algumas importantes normas foram definidas para a industria. Começando pelo fato de que qualquer varietal declarado no rótulo deverá ter, obrigatoriamente, um mínimo de 85% dessa variedade. Por outro, se instituiu a VCP (Vino de Calidad Preferente) que é o verdadeiro vinho fino como nós o conhecemos. Ter a chancela VCP impressa no rótulo significa dizer que o vinho foi produzido dentro das normas, região e condições estabelecidas.  Não é chancela de qualidade, ou seja, pode-se ter um bom vinho sem VCP como ter um péssimo com VCP. Na verdade, ter VCP é uma indicação de que o vinho deve ter qualidade, mas não uma verdade absoluta.

Por outro lado, o mestre Saul Galvão, em seu livro Tintos & Brancos, nos informa que as safras no Uruguai são muito importantes, tanto quanto nas regiões Francesas de Bordeaux e Borgogne então preste atenção quando for comprar. As melhores safras mais recentes são as de 2001, 2002, 2004 e 2005. Como já mencionei em meu post anterior sobre Safras, isto não quer dizer que vinhos de outras safras sejam ruins, somente de que os elaborados nestes bons anos serão potencialmente melhores. A concentração da produção ainda é muito grande sendo que 89% advém da Região Sul. Gradualmente as fronteiras se ampliam, e existem diversos bons projetos em andamento fora dessa região. Um desses destaques é a Domínio Cassis com um projeto pioneiro na Região Sudeste mais precisamente em Rocha.

uruguai-tabela.jpg

             Os vinhos Uruguaios apresentam características bem diferentes dos vinhos a que estamos habituados a tomar de origem Argentina e Chilena. Pelas próprias diferenças climáticas com temperaturas mais amenas e condições geológicas bem distintas às encontradas nestes outros paises. São vinhos com personalidade própria, elaborados por gente que tem um jeito diferente de fazer vinho e que, neste sentido, nos parecem vinhos mais parecidos ao estilo do Velho Mundo. Com menos potência, teores alcoólicos mais controlados, boa estrutura, mais elegância e sabores diferentes já que a base de sua vinicultura é a uva Tannat, originalmente da região de Mandiran na França, que encontrou aqui seu habitat perfeito. A Tannat no Uruguai é elaborada tanto em vinhos varietais como em cortes em que seu forte potencial tânico costuma ser suavizado pelo acréscimo de Cabernet Franc e Merlo assim como já vi com Tempranillo, Pinot Noir e Viognier, uma uva branca. Mas não é somente de Tannat que é feita a reputação dos vinhos Uruguaios. Bons varietais de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, também são encontrados. Nos brancos, as presenças da Sauvignon Blanc e da Torrontés se fazem presentes no portfolio da maioria dos principais produtores.

A Tannat, especialmente rica em polifenóis, tendo o maior contéudo de Resveratrol (forte poder antioxidante) entre todas as cepas Vitís Viniferas conhecidas, quando mal trabalhada, é extremamente adstringente (tannat vem de taninos) e gera vinhos muito rústicos. Afortunadamente, a maioria do que vem sendo exportado para o Brasil são de vinhos de qualidade,  bem elaborados e de boa estrutura. Mesmo assim, é aconselhável dar aos varietais desta cepa, especialmente quando 100%,  um pouco de tempo em garrafa para que possa usufruir-se de toda a sua complexidade de aromas e sabores e para que os taninos amadureçam.

No ano de 2007, mais que dobraram as importações Brasileiras de vinhos Uruguaios, demonstrando o grande interesse do consumidor Brasileiro por estes produtos, que já conquistaram 2% do mercado considerando-se volume, mas 4% no que se refere a valor. A grande parte da produção está nas mãos de empreendimentos familiares com produções relativamente pequenas, porém em franco desenvolvimento com projetos muito bem cuidados. Prove estes vinhos, têm um quê do jeito de ser Uruguaio, um quê do Velho Mundo. Os críticos sérios e grandes conhecedores, como o mestre Luiz Horta e o Didu entre outros, são unânimes em declarar que os vinhos Uruguaios estão em franco desenvolvimento e muito ainda se irá falar sobre eles. Comece desde já a descobrir, se é que ainda não o fez, os vinhos desta terra simpática e hospitaleira que é o Uruguai. São, realmente, produtos diferenciados e com um nível geral de qualidade muito bom, aproveitem.

Abril é o mês do Uruguai e, a partir da próxima semana, publicarei os destaques que nossos parceiros estarão disponibilizando, tanto de vinhos Uruguaios como outras boas indicações, e listando os vinhos Uruguaios que tive o privilégio de provar e aprovar. Veja em Tomei e Recomendo também ao longo deste mês, que para nós enófilos e amantes do vinho é especial já que é mês de Expovinis, os vinhos que provei e aprovei em cada uma das faixas de preços pré-estabelecidas (até R$30, 30 a 50, 50 a 80 e 80 a 120) .  Salute e Kanimambo!

Portal dos Vinhos & Bruck Importadora

             Recentemente tive o privilégio de participar de mais uma prova de vinhos na Portal dos Vinhos. Desta vez foram apresentados alguns vinhos Italianos do produtor Duca di Salaparuta da Sicília e o Alianza da Espanha, todos do portfolio da Bruck. Provamos seis interessantes vinhos nessa noite e, na minha opinião, quatro se destacaram. Cada um com seu estilo e faixa de preço. Vamos lá:

Da Espanha

Bodega Altanza Oreades 2003 – 100% Tempranillo de Navarra.  No ponto para tomar, não evoluirá mais. Um vinho ligeiro, correto, aromas não muito intensos que meio que passam rápido pela boca com final curto. Agradável, fácil de beber, para aqueles encontros descontraídos e sem maiores compromissos. Preço R$29,50

Bodegas Altanza Lealtanza Crianza 2001 – Também 100% tempranillo só que, desta vez de Rioja, e de uma grande safra. Outro que está no ponto para ser tomado e apresenta boa tipicidade no nariz com boa fruta. Aromas francos, boa acidez, redondo na boca, elegante, boa estrutura e ótimo custo x beneficio. Ótimo vinho para quem, como eu, aprecia os tempranillos da Rioja, por R$76,00.

Da Itália

Passo delle Mule 2005, elaborado com 100% Nero D’Avola uma uva autóctone à região. Quanto mais eu me aventuro pelos vinhos Italianos, mais me surpreendo pela qualidade geral apresentada. Este vinho é uma dessas gratificantes surpresas com que tenho a oportunidade de me deparar de vez em quando. É muito bom e, na minha opinião, o vinho que ganhou a noite e me conquistou!  Muita fruta e toques balsâmicos, num vinho denso, cremoso e complexo, boa estrutura muito elegante e com enorme equilíbrio. Taninos maduros e aveludados, boa acidez com um longo final de boca. Daqueles vinhos para você tomar com calma, sorvendo e descobrindo todos os seus segredos. Preço R$97,50 e vale cada gota tomada, mas bem que poderia custar menos para frequentar mais assiduamente a minha mesa.

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Lávico 2003 elaborado com um corte de Nerello Mascalese, também uma cepa autóctone, e Merlot (10%) plantadas em solo vulcânico aos pés do vulcão Etna. Outro vinho de grande qualidade e persistência, bastante complexo no nariz com aromas que se vão abrindo na taça. Encorpado, taninos finos e elegantes com uma personalidade muito própria. Preço R$ 117,00

                   A partir de amanhã, inicio os posts com o tema do mês de Abril que tratará do Uruguai e seus vinhos. Intercalarei os destaques de nossos parceiros com boas oportunidades de tomar Bons Vinhos a Bons Preços, algumas ofertas e vinhos Uruguaios que Tomei e Recomendo junto com os devaneios de sempre e outras informações desta “Vinosfera”. Kanimambo, salute e seguimos nos vendo por aqui!

Expovinis II

expovinis.jpg Um último toque aos amigos que ainda não fizeram a inscrição para a Expovinis deste ano, só faltam mais vinte e poucos dias, não deixe para a ultima hora. Inscreva-se aqui e aproveite, ao máximo, esta magnífica chance de conhecer um sem numero de vinhos de todos os países do mundo e de tudo o que é produtor. Viaje, mas com responsabilidade se for dirigir depois. Sem abusos. Já dei algumas dicas em meu post de dia 14 de Fevereiro, mas achei que devia reforçar isso com mais uma, cuspa. Não, não estou de sacanagem não. Esta é a forma que os degustadores profissionais encontraram para poder fazer a prova de um grande numero de vinhos sem que fiquem “borrachos”. Eu, por pura necessidade, já aprendi e o faço cada vez que tenho mais de seis vinhos para prova, questão de sobrevivência. É, certamente, uma das formas de você conseguir provar muito sem sair de quatro! Para melhor comentar este assunto, nada como um experiente mestre no assunto, o amigo Luiz Horta, que escreveu um post genial sobre o tema em Agosto de 2007 em resposta a um comentário recebido em seu blog.

“Numa degustação como este encontro que acontecerá semana que vem, estarão reunidos cerca de 30 produtores, cada um mostrando vários vinhos. Se você tomar um golinho de cada, calculando no chute, terá engolido 300 golinhos. Se cada gole tem uma colher de sopa, serão 4 litros e meio de vinho, ou seja: 6 garrafas inteiras!

Como queremos provar de tudo, para conhecer, saber quais iremos comprar depois, ou mesmo experimentar um vinho novo, cuspir elimina boa parte do álcool, deixando que avaliemos o que nos interessa: a qualidade, o aroma, o sabor.

Mesmo assim, um pouco fica, entra no organismo através da mucosa da boca, então -mesmo cuspindo – teremos ingerido uma garrafa de vinho, mais ou menos, que não é um exagero para as cinco horas de duração do evento, onde há coisas para comer e água para hidratar.

Agora, é feio cuspir? Seria, se fosse no chão e com exagero, mas tem uns potinhos discretos, a gente leva a vasilha perto da boca e cospe delicadamente, mantendo a pose, sem ruído, ou abaixa e deixa o líquido sair da boca, sem respingar.”            

               Imagine, agora, um local em que estejam presentes, não 30, mas quase 300 expositores! Então, devagar com o andor que o santo é de barro amigos! Primeiro dê uma passada geral, destaque aqueles que mais lhe despertam curiosidade e, só depois, inicie suas provas tomando os devidos cuidados de comer algo, beber bastante água e, pelo menos em boa parte dos casos, cuspir. Melhor ainda, se puder, vá e volte de táxi. Bon Voyage por terras e vinhos nunca dantes navegados, com algumas escalas em portos conhecidos para rever amigos. A Feira é isso mesmo, uma grande e saborosa viagem para ser apreciada com moderação. Salute e Kanimambo!

Baobab

Hoje estou, parcialmente, de folga do vinho. Digo parcialmente porque tenho uma degustação marcada, então terei que abrir uma “exceção” à decisão tomada. Folga porque, como já disse antes, existe vida para além do vinho, Vinho é bom, muito bom, mas não é tudo! Para quem estava curioso?

Baobab: Nome de uma árvore muito habitual na África sub-sahariana. É considerada uma árvore sagrada e em Senegal, por exemplo, lendas dizem que seus “griots”, que são os músicos e poetas, são enterrados dentro dos seus troncos ocos. Conta-se que um Deus zangou-se com essa árvore e a plantou do avesso, com as raízes para cima. (ilhadofogo.blogspot.com). A imagem de uma grande Baobab num final de tarde em África, é algo que não se esquece nunca. Compartilho com vocês essa imagem. Salute, amanhã tem mais papo de vinhos.

baobab3.jpg

Dois países, Dois mundos, Dois vinhos saborosos!

             Este post é para deixar você no mínimo curioso e para mostrar que o mundo do vinho não precisa ser sério e sempre tratado com cerimônia. Pode até ser, em alguns casos, mas o vinho, acredito eu, tem mesmo é que trazer alegria e prazer. Não é para ser um assunto sisudo, há que se colocar um pouco mais de humor neste angu, tratar as coisas com mais leveza de alma e menos pompa, com menos padrão acadêmico e mais paixão, com alguma razão e muita emoção! Eis aqui dois bons exemplos do que estou falando:

Goats do Roam Red  – A Goats do Roam, é uma vinícola alegre e bem humorada. Passear por seu site é um tremendo barato e já a coloquei na minha lista de “vinícolas” a conhecer. Quem sabe em 2010! Já comentei o vinho branco e rosé, eis agora o tinto.

  • goats-red-custom.jpg  Produtor – Fairview
  •   Região –  Paarl / Perdeberg / Stellenbosch / Malmesbury e Piekenierskloof  (Western Cape)
  •   País – África do Sul
  •  Composição de uvas – Corte de, majoritariamente,  Syrah e Pinotage, mas com adição de pequenos lotes de Cinsaut, Grenache, Mouvédre, Merlot, Carignan, Gamay e Cabernet.
  •   Detalhes Produção – Curta passagem por madeira.
  •   Teor de álcool – 14º
  •   Safra – 2005
  •   Preço em Março/08 – R$38,00  (lojas da Expand)
  •   I.S.P. $ 

Um vinho encantador, com influência do Rhône, mas com características muito próprias típicas dos vinhos do Novo Mundo. Muito rico no nariz com aromas de muita fruta vermelha fresca, boa acidez, bem balanceado pouco transparecendo seu alto teor alcoólico. A assemblage de 9 cepas diferentes nesta safra, lhe dá uma certa complexidade, difícil de encontrar em vinhos nesta faixa de preços, com notas de especiarias, algo herbáceo que vai abrindo na taça e evoluindo com outras matizes aromáticas difíceis de apontar. Boa estrutura, fácil de tomar, um vinho para acompanhar carnes pouco condimentadas e que, a principio, é super fácil de harmonizar. Muito agradável e  é, com muita tranquilidade, que o recomendo devido a suas qualidades e preço. Pode comprar, levar à mesa ou bebericar “solo” com os amigos que, garanto, não haverão vozes discordantes. Não é a toa que virou um dos vinhos Sul Africanos mais vendidos nos Estados Unidos.

Le Loup Dans la Bergerie – Saindo do sul da África para a Europa de onde vem este delicioso exemplar de um tinto alegre e saboroso. O nome, algo como ” lobo tomando conta de ovelhas” (raposa tomando conta do galinheiro?), significado que ainda preciso destrinchar! Do rótulo ao conteúdo da garrafa, este vinho é uma alegria só.

  • loup-003-custom.jpgProdutor – Domaine de l’Hortus
  • Região –  Languedoc, mais precisamente de Val de Montferrand.
  •  País – França
  • Composição de uvas – Corte de Merlot (60%), Grenache (20%) e Syrah.
  • Detalhes Produção -Envelhecido por 9 meses, em tanques de aço inox.
  • Teor de álcool – 12.5%
  • Safra – 2006
  • Preço em Março/08 – R$38,00 (De la Croix)
  • I.S.P. $ 

Como alguém poderia dizer em algum vilarejo Francês, este vinho é; “Trés delicious, séduisant un magnifique exemple de joie de vivre!” metido né? Pior é que não falo patavina de francês e espero que não tenha errado muito no texto! Vamos ao vinho que é, realmente, um vinho que conquista ao primeiro gole, que me traz à lembrança, gosto de festa. Não é nenhum vinhaço e nem se propõe a ser, seu propósito é agradar fácil e isto o faz com galhardia. È leve, suave e delicado, mas nada insípido, muito pelo contrário. Belos aromas de frutas silvestres e na boca é macio, saboroso, uma elegância só, com taninos finos e sedosos no ponto para ser apreciado. Boa acidez e frescor num conjunto realmente cativante. Não é de complexidades, ao contrário, é franco, direto diz logo ao que veio e cumpre todas as expectativas.  Desliza maravilhosamente pela boca e penso neste vinho num alegre encontro de amigos, refrescado a cerca de 14º e acompanhando um queijo & vinho descomprometido. Certamente acompanhará muito bem pratos elaborados com carnes brancas sem grandes condimentos, embutidos, um belo lanche de queijo brie, patê de foie, alface, tomate cortado bem fininho e um toque de chutney numa baguette. Mon Dieu, já babei todo o teclado! rsrs Outro vinho que não tem erro, é servir e agradar tendo somente um problema, uma garrafa é pouco!

É isso, dois vinhos alegres, muito agradáveis, com propostas e características algo diferentes mas igualmente deliciosos e, muito importante, por um preço que podemos pagar. Minha sugestão? Compre um para abrir o encontro ou jantar e o outro para servir na refeição. Será aplaudido de pé! Salute.

Mais Links do Vinho

               Há uns dias me perguntaram se não era arriscado colocar tantos links em meu blog. Num primeiro momento não entendi a pergunta, mas posteriormente, a pessoa fez questão de explicar. A preocupação era a mesma daqueles chefes que, por insegurança em sua própria capacidade, só contratam gente de menor capacidade e conhecimento. O final da estória é sempre o mesmo, péssimos ou medíocres resultados derivados de uma equipe mal preparada e ineficiente. O objetivo aqui é o mesmo que sempre tive em minhas atividades comerciais, compartilhar conhecimento e experiências na tentativa de construir algo de bom e proveitoso para quem perambule por estas bandas. Nesse sentido, os links são essenciais pois nos levam a um monte de outros locais repletos de informações que só enriquecem nosso conhecimento. Agregar conhecimento de quem conhece mais, é fator essencial para o crescimento do todo. É de conhecimento geral, que a força da corrente é diretamente proporcional ao seu elo mais fraco. Consequentemente, quanto mais fortes forem esses elos, mais forte será a corrente!

              Não perderei leitores, ganharei amigos fiéis que comungam dos mesmos pensamentos e ideais. Se perder, então será por minha falta de capacidade em manter o blog atualizado com assuntos de interesse de todo mundo. Isto, todavia, não é uma preocupação que me atinja já que, “Falando de Vinhos” não tem qualquer conotação de fundo financeiro ou profissional, é um hobby que curto, com alguns objetivos muito claros descritos em Objetivo, Sobre e Filosofia acima. Lógico que faz um bem danado para a auto-estima  quando se vê o gráfico diário de visitas aumentando ou os comentários recebidos e os contatos dos quatro cantos do mundo, não nego! É importante, mas não é essencial. Essencial é compartilhar, essencial é construir.

                Aproveitando, decidi incluir mais alguns links que acho legais. No post “Onde Comprar no Exterior“, inclui uma dica de uma loja legal na Itália. Aqui do lado, fiz uma pequena reestruturação e inclui:

  • Q-Vinho sempre um monte de dicas de vinhos com enfâse em notas de degustação.
  • Divino Guia, Blog do Álvaro Galvão que manja muito. Sempre com noticias e dicas legais desse nosso mundinho do vinho.
  • Os Vinhos, mais um blog Português superlegal com montes de notas de degustação.
  • Alexandra Corvo, muito conhecimento agora com um blog ou seja, maior interatividade.
  • Enoeventos, do Rio De Janeiro, um dos melhores sites e blogs sobre vinhos, com muita informação e notas de degustação.
  • Didu, um personagem a conhecer e seu site tem matérias muito interessantes.
  • Matching Food and Wine, está em Inglês, os pratos não são bem os que por cá comemos, mas tem ótimas dicas de harmonização.
  • Spittoon – Adorei o logo deles e o conteúdo também.
  • spittoonbanner.jpg
  • Wine Doctor – Outro cara que manja muito e tem uma forma e filosofia de trabalho com a qual tenho muita sinergia.

               É isso, a idéia é criar aqui um pequeno portal do conhecimento e boas dicas de compra junto com os parceiros que estamos conquistando. Se não quiser, não precisa salvar todos os links em seus preferidos. Se preferir, adicione o endereço de Falando de Vinhos e o resto você acessa por aqui, “your option”. Salute amigos e Bon Voyage por este incrível mundo do conhecimento e da internet.

Armazenando seus vinhos, o que fazer

               Qual é a melhor condição para a guarda de Vinhos. Em principio, o ideal seria que os vinhos, para que evoluam melhor garantindo um envelhecimento com qualidade atinjindo sua maturidade com saúde, sejam mantidos a uma temperatura estável e constante ao redor de uns 15º , a uma umidade relativa entre 60 a 75%, longe de luz direta, local mediamente ventilado, sem trepidações e deitado para manter a rolha úmida. Ou seja, nas condições das caves dos produtores, o que é praticamente inviável a não ser que se tenha o bolso extremamente recheado o que, convenhamos, não é a situação da maioria. O que podemos fazer é tentar reproduzir estas condições da melhor forma possível, considerando-se a disponibilidade financeira e de espaço, de cada um, em sua casa assim como do nível de qualidade dos produtos. Quanto mais evoluídos sejam os vinhos, mais delicados eles são e, consequentemente, maiores os cuidados com seu manuseio e armazenamento. Consideremos três cenários:

  • Um grande colecionador e expert em vinhos, certamente terá uma grande adega construída em uma sala separada, com tudo aquilo que o figurino manda. Preservar vinhos de excelência, de exceção e de reflexão requer cuidados extremos e os custos são altos. Numa situação destas, fácil, fácil se gastam R$20 a 30.000. Caro? Sim bastante, mas dependendo do seu conteúdo, perfeitamente entendível e justificável. Se forem do porte de vinhos como; Romanée Conti, Mouton Roschild, Veja Sicilia Único, Barca Velha,Gaja Costa Russi, Ornellaia Toscana,Opus One, Penfolds Grange, Chateau Margaux e Chateau Petrus, e outras preciosidades do tipo, o custo é até baixo!
  • Numa outra situação temos o apreciador de vinhos já com uma certa experiência, que viaja, trás coisas boas de fora, que toma bons vinhos e já possui algumas boas garrafas de vinhos de grande qualidade e de média guarda. Estes rótulos já pedem alguns cuidados especiais e um nível de armazenamento condizente. Nestes casos, um canto mais escuro da sala, é um bom local para se colocar uma adega climatizada de, por exemplo, 36, 48 ou 72 garrafas. Uma adega destas, dependendo da sofisticação e local de compra, terá um custo variando entre R$600 e 3.500,00, um pouco mais se você quiser sofisticar o acabamento ou aumentar o tamanho.
  • Na hipótese de que seus vinhos sejam mais para o dia-a-dia, mais simples, você não compra grandes volumes e, eventualmente compra alguns vinhos melhores, não creio que haja necessidade de grandes investimentos. Óbvio que, se uma pequena adega climatizada estiver ao seu alcance, melhor será. Tanto pelo cuidado com o vinho como para o ter sempre à temperatura adequada de serviço. De qualquer forma, neste caso, basta buscar um lugar escuro, fresco, limpo, longe de produtos de limpeza e de odores fortes assim como de vibrações. Existem no mercado, diversos racks baratos para adegas, de alumínio ou madeira, que você poderá montar dentro de um armário ou até embaixo do bar, com uma cortininha preta, ou coisa semelhante, para evitar a luminosidade. Uma boa opção, também, é o uso daqueles tijolos sextavados com furo no meio, deve existir um nome para isso só que não me vem à cabeça agora, que são perfeitos para esse uso e facilmente empilhados. São opções que podem até ser cafonas, mas funcionam bem. Se forem para consumo rápido, podem até ficar em pé. Veja dica pra manter humidade e temperatura nesta condições, aqui.

              Tudo isto pode, mais uma vez, parecer frescura, mas não é. A revista Prazeres da Mesa de Agosto de 2007 tem uma reportagem super didática que exemplifica bem a influência da forma de armazenamento sobre o vinho. Onze garrafas do mesmo tipo, um vinho jovem, pronto que não precisa evoluir na garrafa. Foram distribuídas 11 garrafas para onze pessoas com a missão de o armazenar em locais pré-definidos. Debaixo da escada, no armário da cozinha junto com alimentos, na área de serviço junto com material de limpeza, closet, armário da sala, armário no quarto debaixo de cobertores, geladeira (sem luz), e adega entre outros. Onze meses depois os vinhos foram recolhidos e passaram por uma prova formado por sommeliers e especialistas. Os melhores foram o da geladeira e da adega climatizada ficando a “intragabilidade” para os armazenados junto a alimentos e, em especial, aos materiais de limpeza. Teste empírico, mas “vero”! A  reportagem completa, leia na revista.