Confraria Frutos do Garimpo

Amigos, nesse garimpo que venho fazendo há anos por nossa vinosfera, toda a hora me deparo com algumas pérolas e bons vinhos porém nem sempre ao preço certo. Mais raramente, no entanto, dou de cara com algumas belas ofertas desses mesmos vinhos que merecem ser compartilhados com os amigos então decidi começar esta exclusiva Confraria Frutos do Garimpo - Logoconfraria de compras e oportunidades como forma de compartilhar esses Frutos do Garimpo. Não, não é mais um clube de vinhos, é uma Confraria, não havendo quaisquer cobranças mensais ou obrigação de compra.

Mensalmente, a partir de Setembro, sujeito a disponibilidade montarei uma série limitada de caixas (avisarei a quantidade disponível nas chamadas mensais) com 4 garrafas destes achados, frutos do meu garimpo. A cada mês os valores mudam (devendo ficar entre R$200 a 350) e os vinhos mudam, podendo até haver maior disponibilidade num ou noutro mês ou não haver nenhuma oferta já que, lembrando, são Frutos do Garimpo e aquela “pepita” nem sempre dá as suas caras e quando dá são de pouca monta! Podem ser duas garrafas de um mesmo vinho e as outras de dois vinhos diferentes, podem ser duas garrafas de dois rótulos, a cada mês a história será diferente, o objetivo é compartilhar as pepitas achadas nas entranhas de nossa vinosfera. Passo os preços com minha resenha dos vinhos e você compra se quiser e quando quiser, tendo tempo para pesquisar, porém como as quantidades serão limitadas a venda será realizada aos primeiros que confirmarem e somente uma caixa por pessoa.

O foco será, obviamente, na qualidade atrelada a um preço abaixo da média do mercado, diversidade de estilos e uvas, sendo coerente com tudo o que venho escrevendo já faz anos. Eventualmente poderei me deparar com outros frutos que não vinho, por exemplo um acessório, no qual o conceito também se aplique e o incluirei para apreciação dos confrades. Pintou oportunidade na minha praia, a idéia será compartilhá-la com você e disponibilizá-la aos confrades e confreiras se houver quorum. A confirmação da reserva se dará através de depósito em conta, após o qual faremos a entrega que será gratuita em Cotia,Alphaville e nos seguintes bairros de São Paulo > Morumbi, Vila Olímpia, Itaim, Jardins, Pinheiros e Butantã. Qualquer outro local de entrega ficará sujeito a cobrança de frete junto com o depósito da reserva e avisado antecipadamente. Eventualmente, poderá ser retirada na Vino & Sapore por aqueles que moram na região da Granja Viana, no entanto os Frutos do Garimpo não estarão disponíveis na loja e, caso venham a estar nas prateleiras, estarão com preço de mercado.

Gostou da idéia, tem interesse em participar? Pois bem, preencha o formulário em clicando aqui e assim que tenha o primeiro “KIT” pronto, deve ser Setembro, lhe enviarei e-mail com os Frutos do Garimpo do mês e as resenhas. Estes achados não serão divulgados na internet ou em redes sociais, então sua inscrição na Confraria “Frutos do Garimpo” será a única forma de você vir a ter acesso a eles.

Kanimambo a todos que vierem a apoiar este novo projeto que se inicia agora em Setembro de 2015. Bem vindos a bordo e espero que a viagem seja prazerosa!

Paradoxo Merlot

Hoje tem Wine Bar com a Salton e, como convidado a participar do evento, recebi algumas garrafas para prova. Tínhamos para almoço de Domingo um singelo lombo no forno com batatas e arroz então decidi me antecipar (normalmente atraso, rs) ao encontro do Wine Bar e acabei abrindo esta garrafa do Paradoxo Merlot 2012 para acompanhá-lo. Nada de complexidades nem grandes rasgos culinários e o vinho acompanhou bem a essa premissa.

          O nome, bem bolado por sinal e com uma certa dose de poesia, vem do fato que há alguns anos atrás se achava impossível ter qualidade de vinhedos nessas regiões e; “quando o impossível se torna realidade, se converte em paradoxo”. Este vinho é elaborado com uvas de parceiros da vinícola na Campanha Gaúcha que tem mostrado, junto com Encruzilhada do Sul, ser uma região produtora de grande futuro. Já mencionei num post anterior sobre vinhos desta vinícola, que gosto de sua politica de precificação e qualidade, produzido muitos bons vinhos de entrada de gama e médios, com consistência. Este é mais um exemplo disso que falei, pois é um vinho na casa dos 25 Reais que entrega o que promete e disso eu gosto.

Salton Paradoxo merlot e lombo         O lombo levemente temperado com ervas e vinho branco se apresentou á mesa bem suave e o vinho; com taninos macios e maduros, boa fruta e acidez no ponto,  prima pelo equilíbrio o que o fez um parceiro à altura do prato não passando por cima nem ficando devendo, que é o que se procura numa harmonização. Apesar de seis meses de barrica (50/50 francesa e americana) que acredito deva ser de segundo ou terceiro uso, a madeira se mostra bem integrada deixando umas notas de especiarias mais presentes no final de boca de média persistência, talvez fruto dos seis meses em garrafa antes de ser colocado no mercado. Acho os Merlots nacionais os melhores (relação qualidade x quantidade) da região e este vem comprovar isso numa faixa de preço difícil de encontrar concorrentes argentinos e chilenos (da mesma uva) com a mesma estirpe.

          Hoje á noite, tendo um tempinho, não deixe de acompanhar o Wine Bar com a Salton pois tem novidade na área e eu também estou curioso em provar o Septimum! Salute, kanimambo e nos vemos mais tarde

Oito Anos Falando de Vinhos e Alguns Destaques – Brasil III

Neste primeiro lote de Destaques destes últimos oito anos dedicados aos vinhos do Brasil, os espumantes teriam que obrigatoriamente estar presentes e com eles termino esta série. Temos bons vinhos tintos, porém é nos espumantes que o vinho brasileiro se projeta internacionalmente como, em minha modesta opinião, a quarta força mundial no quesito Quantidade com Qualidade. São inúmeros os bons rótulos, porém dois vinhos são especiais, o Orus Rosé do Adolfo Lona e o Geisse Terroir Nature do Mário Geisse ambos conceituados enólogos com anos de serviço prestados ao desenvolvimento do espumante nacional.

DSC03152Orus Pas Dose Rosé– O provei pela primeira vez em 2011 num evento promovido pelos amigos de longa data e blogueiros, Evandro e Francisco (2 Panas). Postei o que segue; “um espumante rosé nature apaixonante, de pequena produção e uma incrível delicadeza! Daqueles caldos que deveriam vir, como costumo definir, de fraque e cartola para a mesa. Uma surpreendente criação de alguém que tem história na vinicultura tupiniquim, o Sr. Adolfo Lona, é o ORUS Pas Dose Rosé! A cor já impressiona saindo fora daqueles tradicionais tons rosados e cereja, para algo mais sutil. Visualmente a perlage se mostra muito fina, abundante e consistente nos convidando a levar a taça á boca onde ele se mostra em todo o seu esplendor deixando-nos sentir estrelas no céu da boca. Elegante e fino, rico, equilibrado, complexo e sedutor, um rosé que conseguiu desbancar vinhos de maior renome e preço. Corte de Chardonnay, Pinot Noir, Merlot vinificado em branco e Merlot vinificado em rosé. Doze meses em contato com as leveduras e mais doze descansando em garrafa e somente 608 garrafas produzidas, ou seja, mais uma daquelas raridades para poucos e entusiastas amantes do doce néctar.” De lá para cá já andou por diversas vezes em minha taça e nos meus posts, só confirmando a minha primeira impressão sobre este que se tornou um clássico dos espumantes nacionais e a cada ano estou lá na fila esperando algumas das poucas (não chega a 700) garrafas produzidas.

DSC03123Cave Geisse Terroir Nature 2009 – mais um nature, desta feita branco, e mais uma maravilha engarrafada. Já o conhecia de velhos carnavais, mas sempre achei que o Nature “básico” deles já era muito bom e que este não merecia as glórias que lhe atribuíam. Este da safra 2009 no entanto, me virou a cabeça e mostrou que é realmente um grande espumante que, entre os brancos, é a meu ver o que mais se destaca nacionalmente mesmo havendo alguns fortes concorrentes no mercado. Em Novembro de 2013 o coloquei numa degustação às cegas com mais outros sete concorrentes entre eles alguns grandes espumantes das regiões de; Champagne, Franciacorta, Cava e Trento tendo o Terroir Nature ganho a degustação na opinião de 23 consumidores que estiveram presentes ao evento. A produção não passa das sete mil garrafas e é um corte de meio a meio (varia em função das safras) do melhor Chardonnay e Pinot Noir do vinhedo localizado em Pinto Bandeira. Tremendamente sofisticado, com uma perlagem fina, intensa e de longa duração que explode na boca com notas de macã verde, citrinos e alguma levedura, o famoso brioche, sutil, delicado, fino e sedutor, um grande espumante que deixa muito champagne famoso no chinelo.

            Ambos os vinhos estão na casa dos 125 Reais, metade de alguns importados renomados, porém ainda tem gente insistindo em beber marca, que pena porque estão perdendo preciosos caldos, trocando qualidade e prazer por pretenso glamour! Enfim, hoje é Sexta, “the day after” a abertura da copa e por um mês só se vai falar disso, mas não aqui, porque navegar é preciso. Um ótimo fim de semana para todos e nesta Segunda (16/06) todo mundo de olho em Salvador quando Portugal e Alemanha protagonizam a final antecipada da copa! rs Salute e kanimambo.

Campeão de Nossa Copa de Vinhos é o Chile!

É, na Copa Mundial de Vinhos que realizei ontem nas instalações da Vino & Sapore com a presença de 13 participantes e degustação ás cegas, deu Chile na Cabeça seguido de perto pelo Brasil! Eis o campeão: Terranoble CA1 Carmenére Andes, o primeiro vinho chileno a ganhar uma degustação às cegas promovida por mim, e olha que foram muitas!

CA1 Carmenére Andes

Em segundo deu Brasil com o Cave Geisse Terroir Nature, o que é de ser ressaltado como uma façanha já que nessa seleção que foi a campo existiam mais cinco tintos (veja a lista completa clicando aqui).

Cave Geisse Terroir Nature

 

Semana que vem dou mais detalhes. Salute e kanimambo

Oito Anos Falando de Vinhos e Alguns Destaques – Brasil II

Nesta semana me dediquei a dar os destaques brasileiros destes últimos oito anos de labuta e estudo de nossa vinosfera. Como disse anteriormente, os destaques não tratam necessariamente dos melhores vinhos (esses listo todos os anos), mas sim daqueles que conseguiram me surpreender e deixaram marcas em minha memória. Hoje quero compartilhar com vocês alguns rótulos a mais dos vinhos brasileiros que tive o privilégio de provar; Quinta do Seival Castas Portuguesas – Dal Pizzol Touriga Nacional – Churchill Cabernet Franc e Storia 2005. Esses quatro marcaram bem minha trajetória destes anos de escriba do vinho, porém o Dal Pizzol há muito não provo (2008!) e preciso revê-lo.

Dal Pizzol Touriga      Dal Pizzol Touriga Nacional 200 Anos, Safra 2007 – Em 2008 tive a oportunidade de estar presente no lançamento deste vinho no conceituado restaurante português, Antiquarius aqui em São Paulo. ” Esta foi a primeira colheita desta uva plantada em 2002 pela Dal Pizzol na região de Bento Gonçalves, gerando um vinho muito agradável que chega num momento oportuno já que se estava celebrando 200 anos da vinda da corte Portuguesa para o Brasil, na bagagem de quem, vieram as primeiras garrafas de Touriga Nacional. Com uma produção de 12.000 garrafas, o Dal Pizzol Touriga Nacional não passa por madeira sendo um vinho pronto para beber. No nariz, possui um primeiro ataque frutado e fresco de boa intensidade. Na taça evolui deixando aparecer alguns toques florais bem típicos da casta. Na boca é suave, elegante, com taninos maduros e um teor de álcool bem comportado, 13º. Bastante equilíbrio e harmonia num vinho leve que, certamente, agradará fácil. Mudou o terroir, mas a essência da uva está lá. Gostei; um vinho correto, fácil de beber que recomendo. O rótulo comemorativo aos 200 anos, é um caso á parte, de muito bom gosto, nos convidando a levar a taça á boca.” Na época foi lançado a R$35,00 a hoje, pelo que pude pesquisar, anda na casa dos R$55,00. Provei numa degustação ás cegas em 2011 e foi bem em minha opinião, tendo se colocado entre os top 5 entre 18 concorrentes presentes à prova.

Quinta do Seival Castas Portuguesas – Sai ano entra ano, um vinho confiável, de preço médio que castas 2005surpreende os mais incautos e o meu amigo e enólogo Miguel de Almeida tem grande responsabilidade por isso. O primeiro que me surpreendeu foi o da Safra de 2005, provado em 2009, um corte de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz produzido pela região de Campanha, próximo da fronteira com o Uruguai. Surpreendente e prova inequívoca da melhora de qualidade dos vinhos brasileiros. Frutos negros maduros com algo resinoso no nariz, madeira bem colocada, fruta passa, bem estruturado com taninos finos, equilibrado, saboroso com um final de boca agradável e de boa persistência em que se manifestam nuances herbáceas. De lá para cá o Alfrocheiro ficou fora, mas segue sendo um vinho que agrada sobremaneira e às cegas surpreende muita gente, tendo participado de um Desafio de Vinhos portugueses como intruso e conseguido o 8º lugar entre 14 rótulos na disputa. Meus amigos blogueiros portugueses, Pingas no Copo e Copo de 3, não me deixam mentir, o vinho mais próximo de um Dão feito fora da região! Creio que na época andava na casa dos R$45 e hoje perambula na casa dos 60 Reais.

DSC06414          Churchill Cabernet Franc – este comecei a tomar faz uns três anos e não mais consegui parar. O 2006 (600 gfs) estava divino, o 2008 (1500 gfs) repetiu a dose e o 2011 (3000 gfs) não negou fogo, porém agora temos que aguardar chegar o 2012 pois as outras safras se esgotaram! Ano passado na revista Gowhere Gastronomia o indiquei como o melhor vinho nacional da atualidade, sempre levando em consideração o preço obviamente! Um projeto de Nathan Churchill com a Valmarino, é um “vinho complexo de boa textura e nariz muito interessante em que frutos negros e notas tostadas dão suas caras com grande intensidade formando uma paleta olfativa sedutora. Mais para encorpado, este 2008 está muito jovem e precisa de uma de aeração para mostrar todo seu potencial e uma temperatura mais para alta, em torno dos 19 a 20º C.” Foi isso que disse em Janeiro de 2012 e não mudaria uma palavra sequer ao falar do 2011 que chegou a harmonizar com galhardia um bom Queijo da Serra português! Um belo, complexo e elegante vinho que deve melhorar muito com o tempo, pena que não consigo lhe dar esse tempo(!), e custa por volta dos R$85,00. Aguardo ansioso pelo 2012!

Storia 2005 – O vinho que que me ajudou a quebrar alguns paradigmas com relação aos vinhos brasileiros e, Storiavejo assim, também um marco de mudança mercadológica nos vinhos da Valduga que mudou radicalmente seu marketing e design a partir desse vinho. Foi marcante porque ás cegas levou muitas degustações de porte contra vinhos de igual valor ou superior de várias partes do mundo. De lá para cá degustei mais duas safras, a de 2006 e a de 2008, porém não me pareceram à altura do 2005 que virou cult e objeto de colecionadores que hoje chegam a pagar, pelo menos quem tem é isso que pede, valores entre R$400 a 500 a garrafa. Um grande Merlot que provocou na concorrência uma corrida para produzir similares vinhos premium mostrando que esta uva pode gerar, sim, grandes e longevos vinhos. Em 2009 escrevi sobre ele; “Complexo nos aromas, fruta madura, capucino, algo floral entrada de boca marcante, denso, fruta compotada, taninos doces em total equilíbrio com a boa acidez deixando-o redondo, rico, aliando potência e elegância num final de muito boa persistência com notas achocolatadas e de café.”

Com estes quatro vinhos finalizo os destaques de vinhos tranquilos brasileiros, mas não sem antes ressaltar um rótulo para ficar de olho a despeito do preço, o Pizzato DNA 99 da safra 2005, vinhaço, que é um outro vinho candidato a se tornar um épico e um vinho a ser acompanhado através das safras. Existem outros bons rótulos nacionais e aqueles que se destacam por sua grande qualidade, porém sua política comercial eleva o preço às alturas e esses casos eu exclui, não acho que façam o mínimo sentido! No próximo post sobre estes destaques brasileiros dos últimos 8 anos, dois espumantes que para mim são, na atualidade, o que de melhor se faz por estas terras. Até lá, salute e kanimambo.

Oito Anos Falando de Vinhos e Alguns Destaques – Brasil I

Apesar de há décadas ter sido seduzido pelos mistérios e sabores dos caldos de Baco, faz somente cerca de oito anos que iniciei minhas escritas sobre a nossa vinosfera, uma forma de compartilhar com os amigos leitores os conhecimentos que ia adquirindo com essa experiência. O blog veio um pouco depois, há pouco mais de sete anos, e de lá para cá foram mais de 1.450 posts e, mais importante pois a interatividade me encanta, mas de 7.000 comentários. Tem sido uma viagem muito agradável e espero que os amigos leitores tenham apreciado esse período tanto quanto eu.

Não sou de ficar contando os vinhos provados anualmente, mas ao longo destes anos de maior convívio com o tema certamente mais de 4.000, muito vinho passou em minhas taças e com isso aprendi demais. Entre esses vinhos, alguns ganharam um destaque especial e neste mês de Junho vou compartilhá-los com você. Certamente tomei vinhos melhores, mas para ser destaque para mim há que surpreender de uma série de formas, então estes me marcaram e deixaram profundas marcas na memória independentemente de nome, origem ou preço. Começo pelo Brasil de onde selecionei uma meia dúzia de rótulos e hoje relembro este:

Minimus Anima 001Minimus Anima 2005, vinho de Marco Danielle do projeto Tormentas. Tenho que confessar que quando o comprei movido por mera curiosidade, não tinha idéia do que me esperava. Se soubesse no momento da compra o que sei hoje, posso garantir que minha compra não se teria limitado a só uma garrafa deste doce néctar. Fazia tempo que não tomava um vinho que mexesse com minhas emoções como este mexeu e, ainda mais porque sei que desta safra não há mais e a de 2007 não tem a mesma composição de uvas. Não me lembro quanto paguei há época, creio que uns R$60 e se ainda o encontrasse a esse preço, algumas garrafas compraria, porém lamentavelmente para nós, esse está esgotado como aliás ocorre costumeiramente com as poucas garrafas de cada rótulo produzido por este artesão do vinho. Não é o vinho top do produtor, mas é um vinho surpreendente e apaixonante que me seduziu por completo tomei a garrafa todinha! Tá certo, foi de um dia para o outro e minha esposa deu uns dois ou três goles, mas foi só. Que vinho! Difícil ser muito objetivo ou tentar tecer análises mais técnicas, pois o vinho fez tudo aquilo que um vinho deve fazer com quem o toma, mexer com suas emoções e deixar um rastro de prazer no olfato, na boca e na memória. No nariz, foi abrindo devagar, mostrando aromas complexos de fruta madura, rosas e, talvez, algo de couro, mas foi na boca que ele efetivamente me seduziu. Bom volume, corpo médio, redondo com taninos muito finos e elegantes, grande riqueza de sabores e um final de boca algo herbáceo, extremamente prazeroso e longo. Um vinho diferente com uma personalidade muito própria, daqueles que acabam rápido e deixam uma eterna saudade. Este vinho tem algumas peculiaridades, entre elas o fato de ser elaborado com 70% de Cabernet Sauvignon colhida quase que em processo de passificação na safra de 2005 tendo sido cortado com Alicante Boushet da safra de 2006. Um vinho brasileiro diferenciado que merece um destaque especial e que provei em meados de 2009. Estou com uma garrafa do 2008 guardada na adega que reluto em abrir com medo de quebrar o encanto que foi essa experiência com o 2005, mas em breve tomarei coragem, até lá!

Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

De Volta ao Passado

É interessante volta e meia retornar ao passado para uma reavaliação de rótulos provados ou tomados quando iniciamos nosso trajeto como enófilos e isso vale para todos nós que escrevemos ou simplesmente tomamos e guardamos notas desses momentos. Afinal, dependendo do tempo envolvido, muito vinho rolou por nossas taças e fica a dúvida, será que aquele vinho que eu provei há seis ou sete anos atrás segue sendo merecedor de meus elogios? Eu certamente mudei e o vinho, provavelmente também, ou não, mas pode ser também que eu simplesmente tenha ficado algo mais crica!

Minha atenção para o mundo do vinho foi atraída por uma garrafa de Fontana Freda Barbera há cerca de 25/30 anos na casa do tio de minha esposa. Naqueles tempos os bons vinhos por aqui eram escassos e caríssimos, não eram para o bolso de jovens casais iniciando a vida e dependente de salários algo curtos, e aquele vinho foi soberbo, uma descoberta, um néctar sedutor! Daquele vinho guardo distância para não ocorrer, eventualmente, uma quebra do encanto, mas do que andei escrevendo por aqui e nas colunas ao longo dos últimos anos, desses posso falar. rs

Salton Reserva Ouro Brut – Durante muitos anos cansei de elogiar e recomendar este vinho para eventos e CAM00113casamentos, achando-o alguns degraus acima da versão básica, e barata, deste espumante. Afinal, como anda este vinho hoje? O tomei recentemente e segue sendo uma boa relação custo x beneficio porém o achei algo mais pesado do que lembrava. Faltou-lhe uma certa vivacidade, porém ganhou complexidade o que pode ser um senão quando falamos de eventos onde “as bocas” são menos treinadas e buscam vinhos algo mais ligeiros. Para esse propósito, acho que o recém lançado Salton Intenso Brut pode se dar melhor. De qualquer forma, segue sendo um bom espumante, só que deles eu ainda prefiro, dos que provei até agora, o Salton Evidence.  Este reencontro de deu na abertura dos trabalhos para o tradicional almoço de Domingo em casa com a família.
macarrão com bacalhau e Brocoli com Monseraz

Monsaraz Tinto – Este alentejano me encantou há época porque, entre outros atributos, tinha um preço bem camarada. Na sua faixa deitava e rolava, tendo sido (uns seis a sete anos atrás) premiado pelo publico consumidor em Portugal como um dos melhores entrada de gama disponível por lá. Não sei como anda seu conceito por lá, mas por aqui o primeiro senão é uma alta considerável de faixa de preços o que o trouxe para um patamar bem mais concorrido nos dias atuais, entre R$35 a 45,00 (depende da loja). Como os vinhos portugueses de gama de entrada estão bons e abundam, perde um pouco desse chamariz. Já na taça, achei que ficou um pouco mais ligeiro e sem presença de boca. Toma-se de forma descompromissada, mas deixou de me encantar (sim também me encanto com vinhos baratos!). Eu mudei e fiquei mais exigente, porém creio que o vinho também e não foi só no design do rótulo. Nessa faixa de preços hoje existem exemplares mais interessantes, mas quem o comprar não vai se dar mal. Tomei acompanhando um leve macarrão com bacalhau e brócolis e, mesmo não dando para soltar rojões, não fez feio!
Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Copa de Vinhos – Convocação

Como tinha prometido na semana passada, eis a convocação para mais este Desafio às Cegas, desta feita tendo como tema a Copa do Mundo que se iniciará semana que vem. Dos treze países produtores escalamos sete para participarem deste evento trazendo para a taça os estilos ícones da produção de cada país. Os estilos ou castas que marcam esse país na vinosfera mundial, estarão presentes mostrando o que dada país tem de melhor com rótulos entre R$100 a 150,00. Será um tremendo desafio sensorial ao qual tão somente 14 pessoas terão acesso neste próximo dia 11 de Junho, um dia antes da abertura da da FIFA, veja só os convocados e reserve logo pois as vagas deverão ser tomadas rapidamente!

Flag Button BrasilBrasil – a grande marca da produção nacional de vinhos é sem dúvida alguma o espumante e eu convoquei a Cave Geisse com seu Geisse Terroir Nature, um dos melhores se não o melhor espumante nacional que em Novembro do ano passado levou um Desafio de Espumantes Top que eu montei e lá estavam presentes grandes feras internacionais! Vibrante, complexo, cheio de nuances como o nosso Neymar. Melhor início deste embate é difícil!!!

 

 

Flag button ArgentinaArgentina –não podia ser outra a uva, tem que ser Malbec! Não é só a uva ícone do país, pois a Argentina pôs essa casta de volta no mercado mundial e na própria França onde houve um verdadeiro “revival” em Cahors. Uma outra marca do país é o vinho de altitude, então uni os dois e deu Colomé Autêntico 2012, um vinho marcante da região de Salta e que obteve o segundo lugar em Abril último no Desafio de Malbecs, batendo grandes feras mendocinas, entre eles um Catena Alta Malbec! Mais para Messi do que para Mascherano. (Importação Decanter).

 

Flag button ChileChile – pensei muito, Cabernet ou Carmenére? Dúvida cruel, porém o Terranoble CA1 Andes Carmenére, com 91 pontos da Wine Spectator e da Wine Enthusiast, acabou tendo a preferência e se não é a uva mais plantada e que gera os melhores vinhos do país, certamente está sempre presente nos cortes e se tornou a marca do Chile, tipo Valdivia?! (importação Decanter)

 

 

Flag Button ItáliaItália – mais uma vez dúvidas, Piemonte ou Toscana entre outras regiões com um monte de belos vinhos e cepas? Optei por algo diferenciado (diversidade sempre!) que me chamou a atenção faz uns dois anos, o Palistorti Rosso di Valgiano 2009, um super toscano biodinâmico elaborado com Sangiovese / Merlot e Syrah com 92 pontos de Parker. Como Buffon e Pirlo, sempre confiável. (Importação Vínica)

 

 

Flag Button FrançaFrança – desta feita a dúvida ficou entre Bordeaux e Rhône, mas acabou mesmo ficando na margem esquerda de Bordeaux. Convoquei para representar o país, um Cru Bourgeois com uma leve predominância de Merlot (55%), Cabernet Sauvignon e um leve toque de Petit Verdot, de uma safra excepcional na região, é o Chateau Noaillac 2009. Tomei a safra de 2005 e amei, Jancis Robinson deu 16,5/20 pontos para esta safra que provaremos juntos! Como Ribéry, muito consistente. (Importação Decanter)

 

Flag Button EspanhaEspanha – Rioja, Ribera del Duero, Bierzo, Priorat, Navarra, as opções são muitas, mas acabei optando por um exemplar mais moderno de Rioja Alavesa, o Biga de Luberri Crianza 2010 a que Robert Parker deu 90 pontos na safra de 2010 e 91 na de 2007 assim como recebeu de Stephen Tanzer 91 pontos na safra de 2009. Esse não conheço, mas vindo de Rioja tem jeito Iniesta!  Resta-nos provar e conferir! (Importador Almeria)

 

 

Flag Button PortugalPortugal – Optei pelo Douro como poderia optar pelo Alentejo, Dão, Lisboa ou Tejo! Os vinhos portugueses estão numa fase excepcional, como Cristiano Ronaldo, e este Grandes Quintas Reserva 2010 que obteve medalha de Ouro no International Wine Challenge 2013 e 17,5/20 pontos da Revista de Vinhos portuguesa, é uma clara mostra disso. Mais interessante ainda é de que na lista de protagonistas desta Copa de Vinhos, é o mais barato! (Importador Adega Vilaflor)

 

vinosapore_400x400_1Como reservas técnicas, ainda temos dois vinhos, sendo um do Uruguai e outro da Austrália que poderão, ou não, aparecer neste evento e por isso mesmo não os relacionarei para não criar expectativas. Ainda teremos umas comidinhas ou pizza no final do evento para forrar o estômago enquanto somamos as notas e apuramos o ganhador da Copa. Tudo isso por meros cem reais, é melhor correr porque só de falar com alguns amigos já temos 6 reservas! Como sempre promoverei mais este evento nas intimistas instalações da Vino & Sapore (km24 da rodovia Raposo Tavares) onde estaremos rodeados por mais uns 400 rótulos, nossas testemunhas! Quer reservar, então envie sua mensagem para comercial@vinoesapore.com.br “a la brevedad”.
Por hoje é só, mas durante a semana tem mais. Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui e outros lugares de nossa vinosfera.

Noticias e Dicas do Mundo do Vinho

 

Wine-globe 2         Olá amigos, eis uma coletânea de noticias e dicas colhidas na net e que creio podem ser interessantes para aumentar vosso conhecimento sobre nossa vinosfera, uma dica imperdível para quem vai a Londres e uma dica de programa para Sábado.
OS ESTADOS UNIDOS SE TORNAM O MAIOR CONSUMIDOR DE VINHO DO MUNDO – No mundo, o consumo caiu no ano passado em 1,7%, para 2,6 bilhões de caixas de vinho. Os Estados Unidos ultrapassaram a França e se tornaram o maior consumidor de vinhos do mundo, de acordo com dados da consultoria Impact Databank. Em 2013, os norte-americanos consumiram 329 milhões de caixas de vinho, um aumento de 1% em relação a 2012, mas 18% se comparado com 2005.
De acordo com o Impact Databank, o consumo na França caiu 7% em 2013, para 313 milhões de caixas (14% em comparação com 2005). A Itália, terceira colocada no ranking dos maiores consumidores, viu uma queda de 21% desde 2005. A Alemanha, por sua vez, cresceu 4% no ano passado.
A China tem sido foco dos exportadores de vinho por conta de seu mercado apresentar elevação de 38% no consumo da bebida entre 2005 e 2012, o que faz do país o quinto maior consumidor do mundo. No entanto, em 2013, viu-se a primeira queda nesses números. O consumo caiu 6% em relação a 2012, com 187 milhões de caixas de vinhos.
Apesar de os Estados Unidos não serem os maiores consumidores per capita, é o único país entre os cinco primeiros do ranking a ter um aumento a cada ano, desde 2000. No mundo, o consumo caiu no ano passado em 1,7%, para 2,6 bilhões de caixas de vinho. (Fonte – Revista ADEGA – 21/05/2014). Minha observação – A China recentemente também se tornou o maior consumidor de vinhos tintos no mundo, ultrapassando a França.
Flag Button FrançaVINHO SE TORNA PATRIMÔNIO NACIONAL NA FRANÇA – Lei foi aprovada por unanimidade pelos senadores franceses. O vinho foi considerado oficialmente como um patrimônio nacional francês quando todos os senadores votaram a moção por unanimidade no dia 12 de abril. A lei aprovada reconhece que “o vinho, o produto da videira, e seus terroirs fazem parte do patrimônio cultural, gastronômico e rural da França”. Lei prevê que “o vinho, o produto da videira, e seus terroirs fazem parte do patrimônio cultural, gastronômico e rural da França”
A proposta foi elaborada pela primeira vez pelo político de Languedoc-Roussillon, Roland Courteau. “O vinho não será mais visto somente como uma bebida alcoólica comum, o vinho é agora protegido contra ataques e não pode ser desvalorizado no futuro”, afirmou Courteau após presenciar o voto do Senado a favor da lei.
De acordo com Gerard Bailly, um dos membros do senado da região do Jura, a cultura do vinho tem sido parte da herança francesa há 2 mil anos e tem desempenhado um grande papel na fama do país, especialmente, na imagem que leva de capital de alimentos aos olhos do mundo. “O trabalho dos viticultores deixou uma marca profunda na vida francesa e nas paisagens de muitas regiões”, afirmou. (Fonte – Revista ADEGA – 23/04/2014).
DICAS DE LOJAS DE VINHOS EM LONDRES (por Marcelo Copello) – Baseado em dicas de experientes e conceituados críticos de vinho mundiais com os quais mantém amizade, Marcelo aproveitou uma viagem a Londres para mergulhar em alguns estabelecimentos sugeridos. Eis suas conclusões.

London
1 – A primeira e obrigatória parada foi a Barry Bros & Rudd (BBR), na famosa St James Street, onde mora o príncipe Charles. A loja vale uma visita primeiramente por sua arquitetura e historia (tente visitar a adega nos andares subterrâneos). Até pouco tempo aqui não haviam garrafas expostas, comprava-se simplesmente conversando com um vendedor detrás de uma antiga mesa de madeira com listas de vinhos impressas. Hoje há (poucas) garrafas expostas, os vendedores usam computadores (nas mesmas antigas mesas). Mas não se engane pela aparência a BBR é um dos mais dinâmicos negociantes de vinhos de Londres com uma grande oferta de vinhos (disponível em seu site). Não deixe de visitar a seção de uísque.
2 – De uma das mais tradicionais lojas fui a uma das mais novas (e premiadas), a The Sampler. O nome da loja (que traduzo como “o mostruário”) já sugere o que vamos encontrar. São cerca de 80 vinhos em taça, pelo sistema enomatic, em doses que vão de 25ml a 125ml, com preços que começam centavos de libra. Até aí ótimo mas não inédito. O diferencial é a seleção de vinhos disponíveis para serem provados em doses bem baratinhas. A The Sampler oferece vinhos muito interessantes, de Jura a Brasil (havia um Castas Portuguesas da Miolo disponível em dose), e não fica por aí. O que me chamou a atenção foram safras antigas (a bons preços) de Riojas, Bordeauxs e Borgonhas. Provei 25ml de um Calon Segur 1959 e um Rioja Monte Real 1973, além de outros mais jovens e minha conta não passou de 10 libras. Todas as garrafas oferecidas em dose também estão dosponíveis para compra.
3 – Visitei várias lojas, mas onde acabei comprando mesmo algumas garrafas foi na HandFord. Lá encontrei, além de um bom atendimento e uma boa seleção, especialmente em Portugal, Borgonha e sul da França, além de boa variedade de Bordeaux, Loire, Languedoc, Itália e África do Sul.
Ao final de diversas outras visitas ele compilou esta lista abaixo que acho vale a pena imprimir e levar consigo na próxima viagem á capital britânica!
Recomendados:
● Berry Bros & Rudd 3 St James’s Street, London SW1A 1EG www.bbr.com
● The Sampler 266 Upper Street, Islington, London N1 2UQ www.thesampler.co.uk
● Harrods 87–135 Brompton Road, London SW1X 7XL – www.harrods.com
● Terroirs 5 william IV Street, WC2N 4DW – www.terroirswinebar.com
● Brown 49 Columbia Rd. E2 7RG – www.brown.com
● Gordon´s Wine Bar 47 Villiers Street, WC2N 6NE – www.gordonswinebar.com
Outras lojas que merecem visita:
● Fortnum & Mason – www.fortnumandmason.co.uk Loja de departamentos de luxo, com seção de vinhos, forte em Borgonha, Alemanha e fortificados
● Lea & Sandeman www.londonfinewine.co.uk Especialidade: Itália e Borgonha
● Around Wine www.aroundwine.co.uk Um paraíso para quem busca acessórios de vinhos
● Oddbins Fine Wine Store, Farringdon www.oddbins.com Especialidade: Australia, USA
● Haynes Hanson and Clark www.hhandc.co.uk Especialidade: Borgonha.
● Highbury Vintners www.highburyvintners.co.uk Especialidade: além de bons vinhos, cervejas artesanais
● City Beverage Company www.citybeverage.co.uk Especialidade: além de bons vinhos, cervejas artesanais.
Wine Dinner de Sábado (31) na “ A Quinta do Bacalhau”, quem tiver interessado corra pois dos 40 lugares disponibilizados, só sobraram 5! Quem reservar primeiro leva! Para mais detalhes clique na imagem.

Clipboard banner Wine Dinner Português
Por hoje é só, um ótimo fim de semana para todos e nos vemos por aqui na Segunda. Salute e kanimambo.

Magnífica Montalcino!

Tenho o privilégio de fazer parte desta confraria e mais uma vez me esbaldar nos abençoados elixiris de Baco, mais uma grande e inesquecível experiência com vinhos marcantes que considero, entre todos os que já provei ou tomei desta região, os melhores em seu estilo, verdadeiros bálsamos para a alma. Tem muito Brunello que gostaria de ser um Rosso Salvioni e esse Poggio di Sotto é um Brunello para o qual faltam adjetivos, pura luxúria! Vinhos de excelência, de extrema persistência na mente e na alma, como bem descreve a amiga Raquel (nossa porta voz da Confraria Saca Rolhas), é fechar os olhos e ser levado numa inebriante viagem ao passado, à cultura e  tradição de uma romântica e sedutora região, é arte e poesia em forma liquida! Enfim, deixemos que a Raquel fale desse encontro em que eu fiquei numa dúvida cruel, se fungava ou bebia e, na dúvida, lambi! rs

Mas é tudo Sangiovese!!!!!!!! Foi a primeira coisa que pensei, quando comecei a organizar as informações pré degustação da confraria.

Toscana
A região da Toscana, situada entre Firenze e Roma, foi o berço da renascença. Sua paisagem verde, recortada em vários tons, possui pequenos vales e montes que não passam de 600m de altitude. Os verões são quentes , muito ensolarados e secos, fazendo dessa paisagem uma grande pintura de cores contrastantes entre o claro e o escuro, luzes e sombras, no mais puro estilo renascentista. Os invernos frios com névoas que cobrem os pequenos vales como um véu pela manhã, transformam sua paleta em tons pastéis.

Foi nesse ambiente que a uva Sangiovese se originou. Alguns dizem que seu nome provem de “Sangue de Giove”(sangue de São João), outros de “Sangue de giogo/gioghetti”(sangue de um monte/montanha, com referências aos Apeninos). É a matéria prima dos principais vinhos da Toscana (DOCG): Chianti, Chianti Clássico, Nobile di Montepulcciano, Rosso de Montepulcciano, Rosso di Montalcino, Brunello di Montalcino, Morellino di Scansano e Carmignano. Todos eles com personalidade marcante e tão diferentes entre si. O que os diferencia é justamente o local de plantio da Sangiovese, que foi se desdobrando em vários clones. Há basicamente dois tipos da mesma uva: A Sangiovesi Grosso, maior, com a pele mais grossa e a Sangioveto, com uvas menores. E dependendo da denominação de origem, vão mudando de nome: Prugnolo Gentili em Montepulcciano, Brunello em Montalcino e Morellino em Scansano.

Tudo começou por conta de uma viagem à Toscana dos amigos e confrades Márcia e Marc, que se dispuseram a trazer umas garrafas do mítico Brunello de Montalcino Poggio di Sotto, que seriam o alvo da nossa próxima degustação. A ideia no entanto, não era conhecer vários produtores, mas sim um produtor em especial a que alguns ali já haviam sido apresentados e vez ou outra comentavam como sendo uma experiência única! Curiosidade atiçada, foram eles atrás do tão bem falado “Poggio di Sotto”. E para lhe fazer páreo, foi escolhido um Salvioni Rosso de Montalcino produzido pela Azienda Agricola Cerbaiola.

Montalcino At it´s Best

Os vinhos de Brunello em Montalcino originaram em 1870, pelas mãos da família Clemente Santi (hoje Biondi-Santi) que replantou todo seu vinhedo com a variedade Grosso, por ser mais resistente, principalmente à filoxera. Nos anos 80, ganhou interesse internacional pela qualidade, que faziam frente aos grandes vinhos Barolos do Piemonte. São vinhos classudos, que demoram 5 anos para serem colocados no mercado ( 6 anos para os reserva). Já o Rosso foi uma opção dos produtores da região, obterem um produto de qualidade, porém com mais agilidade de comercialização. Utilizando as mesmas videiras em safras não tão boas ou mesmo videiras mais jovens, e com apenas 1 ano de maturação na cave, já é possível colocar o produto no mercado. E convenhamos que a diferença de qualidade entre um Brunello e um Rosso di Montalcino, depende muito das mãos do seu produtor, já que a matéria prima é a mesma. Portanto, um Rosso bem feito, poderá ser melhor que um Brunello mal feito. Independente de quanto custou cada garrafa em questão!

E este foi naquela noite o nosso dilema: quais dos vinhos estariam mais sedutores? O Rosso ou o Brunello? Tínhamos ali um ótimo Rosso e um ótimo Brunello, ou seja , deveríamos nos desarmar de todos os paradigmas já estabelecidos e simplesmente apreciá-los. Afinal, nesse universo de bacco, o que menos importa é o julgamento e sim as sensações presentes em cada taça. No meu caso, a única coisa que vinha à mente era a paisagem da Toscana. E não era uma paisagem real, mas sim uma pintura renascentista, com seu realismo particular, revelando-se pouco a pouco como uma história remota. Os aromas facilitavam esse embarque no tempo e no espaço. Naquela paisagem bucólica, permeada de ciprestes e oliveiras, as vinhas e construções em terracota, que inspirou pintores como Leonardo da Vinci, Raffaelo Sanzio, e tantos outros. Nuances cromáticas, sabores e texturas aveludadas deixavam cada um de nós, a cada gole mais tocados e embriagados, no bom sentido, por aquela experiência vivida, que só um bom vinho é capaz de nos oferecer.

Provamos primeiro o Rosso di Montalcino Salvioni 2009 e depois partimos para o Brunello di Montalcino Poggio di Sotto 2007.

Acho que não da para dizer que um vinho é melhor que o outro. Os dois eram muito bons dentro de cada categoria. Obviamente, fiz minhas anotações e acho que a “viagem” foi longa, intensa e certamente quando a experiência é boa, fica para sempre. Foi uma estória com final feliz onde eu arriscaria até a dizer que compreendi o sorriso da Monalisa!

Portugal – Enorme Riqueza e Diversidade Vínica com Precinho!

Castelo almourol Dizem que grandes perfumes vêm em pequenos frascos e, certamente, a enogastronomia deste pequeno país com pouco mais de 92 mil quilômetros quadrados, menor que Santa Catarina, faz jus ao ditado popular e surpreende a maioria que por lá perambula pela primeira vez. Sua gastronomia rica em frutos do mar e carnes diversas, o famoso bacalhau e doces deliciosos, com cada região produzindo uma culinária típica do pedaço, é um prato cheio para os amantes do vinho se esbaldarem em harmonizações das mais diversas, alimentando o corpo e, porquê não, a alma! Visitar Portugal, ô saudade (!),  é também uma tremenda imersão na história com uma vasta opção de locais a visitar e estórias a ouvir numa simples tasca, copo cheio de vinho e umas boas pataniscas de bacalhau!

Falar de vinhos neste país que não possui a maior extensão de vinhedos, não é o maior produtor de vinhos e tão pouco tem o maior consumo per capita, é falar de diversidade, de sabores únicos advindos de uma enorme quantidade de uvas autóctones (cerca de 250) que nos fazem sair da mesmice dos Cabernets, Merlots e Chardonnays de nossa vinosfera. É uma viagem por sabores e emoções diferenciadas que vêm fazendo a alegria dos apreciadores do vinho pelo mundo afora desde muito tempo. Pode-se pensar que a projeção do vinho português no mundo seja algo recente, mas muito pelo contrário! Desde o inicio do século XVII os ingleses já importavam vinhos que, mais tarde, se tornariam os Vinhos do Porto que conhecemos hoje. A primeira região produtora de vinhos demarcada no mundo, é exatamente a do Douro em 1756 ou seja, há muita história por trás dos vinhos portugueses.

Panorama do Douro

Com características únicas, a grande maioria são fruto de blends (mais de um tipo de uva) elaborados com uma série de uvas autóctones pouco conhecidas fora do país como Trincadeira, Castelão, Alfrocheiro, Touriga Nacional, Baga, Jaen, Tinto Cão, Tinta Barroca, Touriga Franca nos tintos e Alvarinho, Antão Vaz, Arinto, Trajadura, Loureiro, Bical, Encruzado, Roupeiro, Rabigato, Gouveio e Fernão Pires entre os brancos. As uvas mais tradicionais como Cabernet Sauvignon, a Tempranillo que é uma casta típica da península Ibérica e que aqui se conhece como Aragonês (no Sul) ou Tinta Roriz (no Norte), a Syrah e Alicante Boushet muito presentes no Alentejo vêm também sendo usadas com sucesso especialmente nas regiões produtivas mais novas como Tejo e Lisboa onde houve uma maior flexibilização das comissões reguladoras regionais. Incrível como num país tão pequeno possa existir tamanha diversidade de regiões produtoras e com tantas diferenças entre si! Das mais importantes como Alentejo e Douro, de onde sai a produção mais emblemática do país, passando pelo tradicional Dão, a Bairrada da cepa Baga, Terras do Sado com seus bons tintos e emblemáticos vinhos Moscatel, Lisboa e Tejo com sua modernidade e o Minho dos vinhos verdes, entre outras.

Já lá se vai o tempo de vinhos rústicos, pesados sem qualquer finesse! Estamos diante de um Portugal vínico revigorado que merece ser revisitado e conhecido sem preconceitos desde os vinhos mais baratos e jovens para consumo imediato até os vinhos de média e longa guarda de maior complexidade e de preço idem. Nas minhas mais recentes viagens de garimpo por feiras e eventos vínicos, tive o prazer de garimpar alguns rótulos muito interessantes que valem ser conhecidos em função de sua excelente relação Preço x Qualidade x Prazer que deixa claro que hoje os vinho de Portugal são fortes concorrentes dos argentinos e chilenos em vinhos de todas as faixas de preço, mas especialmente nas mais baixas, aventure-se e saia da mesmice, quebre paradigmas e se surpreenda. Eis algumas dicas para você descobrir com preços abaixo de 60 reais:

  • Vilaflor Branco – um vinho branco do Douro que rentemente, na última Expovinis, ganhou o troféu de melhor branco abaixo de R$50 promovido pelos Wine Hunters, um grupo de blogueiros especializados convocados para a missão. Um vinho branco barato porém com conteúdo que satisfaz a maioria e encanta quando se vê o preço. Seu tinto, na mesma faixa de preço que o branco (R$35) não tem a mesma “vibe”, mas é igualmente saboroso.
  • Casa do Lago Tinto – um tinto da região Lisboa que mistura castas autóctones com internacionais, um saboroso blend de Touriga Nacional com Cabernet Sauvignon de corpo médio, ar modernoso, fruta madura, bom volume de boca, um vinho para conhecer e se surpreender pois o blend ficou muito bom. Entre R$45 a 50,00 uma bela compra e gostei do branco também!
  • Casa da Passarela Dão Colheita – Uma região que andava meio esquecida e mal tratada, mas que de alguns anos para cá vem produzindo algumas preciosidades. Este gama de entrada é delicioso e já quebrou a resistência de alguns por vinhos lusos! Vinícola premiada, vinho com boa intensidade de frutos do bosque vermelhos, boa acidez, elaborado com as 4 principais castas regionais (Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Jaen), que não é cepacol (os mais velhos entenderão!) mas é bom de boca! Também entre R$45 a 50,00.
  • Grandes Quintas Colheita – Mais um saboroso blend do Douro só que desta vez tinto e de uvas exclusivamente autóctones. Corpo médio e muita fruta, final macio, meio de boca muito rico, taninos aveludados e já uma certa complexidade, uma enorme surpresa na faixa de preços. Entre R$50 a 55,00.
  • Confidencial Tinto – também da região Lisboa é mais um daqueles vinhos que encantam ao primeiro gole e o produtor faz questão de não divulgar o blend que, dizem, tem cerca de sete diferentes uvas. Um vinho redondo, harmônico, gostoso e fácil de agradar tanto os de mais litragem quanto os iniciantes desbravadores do mundo de Baco. Na casa dos R$35 a 40,00.

Tem mais ainda, vinhos como os; Gaião do Alentejo; Casa de Cambres Reserva, Castello d’Alba e Casa do Brasão do Douro (abaixo dos R$30!); o Forja do Ferreiro de Beira Interior, o Terras do Pó Branco e Tinto da região Setúbal, enfim uma enormidade de rótulos estão disponíveis, converse com seu fornecedor de confiança e mergulhe nessa aventura que garanto será surpreendente e ainda um plus, nessa faixa duvido que consiga mais prazer com los Hermanos!

Portugal Fixe

Por outro lado, os vinhos topo de gama que se destacavam não só por sua qualidade, mas também pelo preço, agora começam a perder esse atrativo de preço e ficaram no mesmo patamar dos vinhos de seus vizinhos italianos, franceses e espanhóis sendo cada vez mais comum encontrar rótulos na casa dos 400, 500 e 600 Reais no mercado e não falo dos astros Pera Manca e Barca Velha! na faixa de R$200 a 300 são inúmeros os rótulos, porém na igualdade de preços, o atrativo da “marca” e aqui vale a nacionalidade, ainda faz diferença num mercado ainda pouco evoluído e muito levado por estereótipos formados ao longo do tempo. Como, no entanto, achados há em todas as faixas de preço, seguem aqui três dicas de belos vinhos com preços idem face o que entregam. Não vou falar muito sobre eles, por enquanto, mas se der de cara com estes rótulos pode mergulhar sem medo. Eu não garanto (rs), mas se você é leitor assíduo e se dá bem com minhas dicas, posso dizer que não vai se arrepender pois os três entregam mais do que cobram.

  • Grandes Quintas Reserva – premiado rótulos deste produtor do Douro na casa dos 100 reais, de final especiado, longo e prazeroso que acompanhou maravilhosamente uma rabada desfiada sobre uma cama de polenta!
  • DFJ Francos – um vinho da região Lisboa que só é produzido em safras especiais e nesta década só em dois anos foi engarrafado. Causa impacto ao primeiro gole, um vinho de personalidade forte, denso e rico de sabores, na casa dos R$140/150.
  • Monte da Peceguina Tinto – um belo vinho da Herdade da Malhadinha que entrega bem mais que um monte de seus primos alentejanos mais famosos. Um vinho de ótimo volume e estrutura de boca, harmônico, sedutora e vibrante paleta olfativa, mais uma ótima opção nesta faixa um pouco mais alta de preços, na casa dos R$100,00.

Salute, kanimambo e vamos curtir os vinhos de Portugal? Eu tou nessa e faz tempo!!