Confraria Frutos do Garimpo

Amigos, nesse garimpo que venho fazendo há anos por nossa vinosfera, toda a hora me deparo com algumas pérolas e bons vinhos porém nem sempre ao preço certo. Mais raramente, no entanto, dou de cara com algumas belas ofertas desses mesmos vinhos que merecem ser compartilhados com os amigos então decidi começar esta exclusiva Confraria Frutos do Garimpo - Logoconfraria de compras e oportunidades como forma de compartilhar esses Frutos do Garimpo. Não, não é mais um clube de vinhos, é uma Confraria, não havendo quaisquer cobranças mensais ou obrigação de compra.

Mensalmente, a partir de Setembro, sujeito a disponibilidade montarei uma série limitada de caixas (avisarei a quantidade disponível nas chamadas mensais) com 4 garrafas destes achados, frutos do meu garimpo. A cada mês os valores mudam (devendo ficar entre R$200 a 350) e os vinhos mudam, podendo até haver maior disponibilidade num ou noutro mês ou não haver nenhuma oferta já que, lembrando, são Frutos do Garimpo e aquela “pepita” nem sempre dá as suas caras e quando dá são de pouca monta! Podem ser duas garrafas de um mesmo vinho e as outras de dois vinhos diferentes, podem ser duas garrafas de dois rótulos, a cada mês a história será diferente, o objetivo é compartilhar as pepitas achadas nas entranhas de nossa vinosfera. Passo os preços com minha resenha dos vinhos e você compra se quiser e quando quiser, tendo tempo para pesquisar, porém como as quantidades serão limitadas a venda será realizada aos primeiros que confirmarem e somente uma caixa por pessoa.

O foco será, obviamente, na qualidade atrelada a um preço abaixo da média do mercado, diversidade de estilos e uvas, sendo coerente com tudo o que venho escrevendo já faz anos. Eventualmente poderei me deparar com outros frutos que não vinho, por exemplo um acessório, no qual o conceito também se aplique e o incluirei para apreciação dos confrades. Pintou oportunidade na minha praia, a idéia será compartilhá-la com você e disponibilizá-la aos confrades e confreiras se houver quorum. A confirmação da reserva se dará através de depósito em conta, após o qual faremos a entrega que será gratuita em Cotia,Alphaville e nos seguintes bairros de São Paulo > Morumbi, Vila Olímpia, Itaim, Jardins, Pinheiros e Butantã. Qualquer outro local de entrega ficará sujeito a cobrança de frete junto com o depósito da reserva e avisado antecipadamente. Eventualmente, poderá ser retirada na Vino & Sapore por aqueles que moram na região da Granja Viana, no entanto os Frutos do Garimpo não estarão disponíveis na loja e, caso venham a estar nas prateleiras, estarão com preço de mercado.

Gostou da idéia, tem interesse em participar? Pois bem, preencha o formulário em clicando aqui e assim que tenha o primeiro “KIT” pronto, deve ser Setembro, lhe enviarei e-mail com os Frutos do Garimpo do mês e as resenhas. Estes achados não serão divulgados na internet ou em redes sociais, então sua inscrição na Confraria “Frutos do Garimpo” será a única forma de você vir a ter acesso a eles.

Kanimambo a todos que vierem a apoiar este novo projeto que se inicia agora em Setembro de 2015. Bem vindos a bordo e espero que a viagem seja prazerosa!

Degustação Tempranillo Com …………..?

tempranillo 2          Amigos, eis uma bela forma de se começar a semana! Dia 15/09  (próxima Segunda) na Vino & Sapore a partir das 20 horas Falar de Tempranillo é falar de Espanha e da região da Rioja onde a maioria dos vinhos tintos são elaborados com esta cepa tanto em forma varietal como em cortes tradicionais com Garnacha, Graciano, Mazuelo, Cabernet e outras cepas. A origem de seu nome vem da palavra espanhola temprano, que significa cedo, devido á precocidade de seu ciclo vegetativo em relação às outras variedades tintas da região. É uma uva de muitos nomes porém de um mesmo perfil independentemente de onde seja cultivada; Ull de Llebre (Catalunha); Cencibel (La Mancha); Tinto Fino ou Tinta del Pais (Ribera del Duero ), Tinta de Toro (Toro) todas na Espanha e ainda Tinta Roriz (Douro e Dão) e Aragonez (Alentejo) ambas em Portugal. Há, no entanto, outros países onde podemos encontrar a Tempranillo como a Argentina, Brasil e Austrália assim como pelo menos um vinhedo perdido na Toscana!
A uva, aparentemente, se dá muito bem na companhia de outras e a idéia desta degustação é exatamente descobrir alguns desses assemblages e provar esses sabores menos costumeiros comprovando, ou não, se essa premissa é verdadeira. Como fica a Tempranillo com outras uvas?! Serão sete vinhos em prova. Seis vinhos de Espanha e um penetra de outro país numa degustação às cegas para vermos onde a Tempranillo se deu melhor, em casa ou fora? Vai perder? Perde não! Somente 12 lugares e os vinhos espanhóis já selecionados  são:

  • Rejadorada – blend com Garnacha da Região de Toro
  • Gran Sello – blend com Syrah da região de Tierra de Castilla
  • Abadia Retuerta Rívola – blend com Cabernet Sauvignon da região de Sardon del Duero
  • Martué – blend com Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Syrah do Pago de La Guardia
  • Lan Reserva – blend com Mazuelo e Garnacha da região de Rioja
  • Intruso – ?????????

Para começar serviremos um Tempranillo 100%  de Ribera del Duero – Pago de Capellanes – só para vocês terem um comparativo e também poderem tirar uma outra conclusão, a cepa vai melhor só ou acompanhada?! ! Custo desta brincadeira que será acompanhada de frios e queijos espanhóis será de apenas R$80,00 por pessoa (valor a ser pago no ato da reserva) e as vagas estão limitadas a meras 12 cadeiras! Te aguardo?  Lancei ontem para alguns amigos e já temos quatro reservas então só faltam 8 lugares. Já sabe, se deixar para perto do dia a probabilidade é não existirem mais vagas, vai dar mole?

Salute, kanimambo e nos vemos com um um tempranillo na taça?

2º Dia em Mendoza – Deus Escreve Certo por Linhas Tortas

Pelo menos esse é o dito popular e constatamos isso na pele nesta saborosa viajem! Depois de um primeiro dia maravilhoso em que a sinergia integrou o grupo vindo de Minas, Rio, Bahia, Sampa e Granja Viana fomos informados que por falta de água na Dominio del Plata nossa visita agendada para as 10:30 não poderia ser realizada, e agora José, ou melhor, e agora João!! Foi aí que o anjo que nos acompanhou, (seria a Inês?), e protegeu nessa viagem deu suas caras. Telefone na mão e em 15 minutos estávamos a caminho da Benegas, bodega que não estava no programa inicial e agora não sai mais, onde a Susana em tempo recorde nos preparou uma recepção maravilhosa e “inolvidabile”, ao ponto de alguns dos amigos presentes a terem apontado como a melhor visita, e olha que o roteiro foi muito bom! Eta frase longa!!! rs Bem, falemos da Benegas.

A Benegas-Lynch é um verdadeiro mergulho na história do vinho em Mendoza e em belíssimos rótulos que faz com que essa visita seja um “must” numa passagem por esta linda região produtora. Começa em 1883 com o bisavô de Federico Benegas-Lych (atual proprietário), o Don Tiburcio Benegas que há época fundou a Trapiche que em 1970 foi vendida. Em 1998 Federico compra um vinhedo plantado por seu bisavô (Finca Libertad) e compra uma antiga bodega em Lujan de Cuyo que reforma inteira mantendo as características da mesma datada do século XIX, porém incorporando a mais moderna tecnologia na produção de vinho no sentido de produzir vinhos de excelência . Em 2000, lança seu primeiro vinho.

Benegas Clipboard 2
O prédio de entrada é lindíssimo e as caves subterrâneas (8 metros de profundidade) onde descansam cerca de 400 barricas de carvalho francês são de tirar o fôlego, tendo sido lá embaixo, numa antiga “pileta” de concreto para fermentação dos vinhos (hoje desativadas), que a Susana nos recebeu para uma deliciosa e inês-quecível degustação de alguns de seus rótulos, entre eles seu top de gama Meritage! Em outras “piletas” (tanques) desativadas repousam cerca de 120.000 garrafas a temperaturas que variam ente 13 e 17ºC mantendo uma humidade entre 60 a 70% e uma penumbra que são fatores de grande valia para que possamos, na hora certa, provar os bons vinhos que aqui amadurecem aguardando seu momento de nos fazerem felizes. Lugar sedutor!!

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Numa seleção feita a quatro mãos, a Susana nos trouxe á taça quatro vinhos um branco de gama de entrada e três tintos cativantes entre eles seu vinho ícone, com produção limitada a apenas 3.000 garrafas das quais já tive o prazer de provar duas vezes, o Meritage! Como sempre falo demais, então chega de lero e vamos aos vinhos degustados:

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Clara Benegas Chardonnay com Sauvignon Blanc 2012 – um dos mais surpreendentes rótulos provados nesta viagem, até porque ninguém esperava muito dos vinhos brancos e este surpreendeu a grande maioria dos presentes. Sem madeira, o Sauvignon Blanc aporta um frescor gostoso ao já bom chardonnay compondo um conjunto de grande balanço e harmonia que agrada sobremaneira. Em tono dos R$55 por terras paulistas, é uma pedida para esta primavera / verão que se aproxima.
Benegas Estate Sangiovese 2008 – para quem queria exatamente trabalhar a diversidade nesta viagem, este vinho foi um prato, digo, taça cheia! Leve floral, folha de tabaco, na boca mostrou-se todo muito elegante com taninos sedosos e muito marcante pedindo um belo risoto para acompanhar. Acidez marcante típica da cepa. Por ser algo estranho ao ninho e de baixa produção, o preço é algo mais elevado o que não o faz tão comercial, mas é uma experiência no mínimo interessante e gostei bastante do vinho. Por aqui anda na casa dos R$135,00.

Benegas Estate Finca Libertad 2009 – um belo e fino assemblage sem Malbec na terra do malbecs! Partes iguais de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot formam um conjunto de fina estirpe em perfeita harmonia. Cada varietal passa por separadamente por barrica francesa por cerca de 8 a 10 meses quando se faz o blend final que passa mais 6 a 8 meses em barricas de primeiro uso. Um vinho sedoso que no nariz traz uma certa complexidade e notas herbáceas que me fizeram lembrar tapenade de azeitona, viajei?! Bom volume de boca, taninos bem integrados, algo especiado e notas terrosas de final de boca com boa persistência. O estilo de vinho de que gosto. Preço em São Paulo na casa dos R$135,00.
Benegas-Lynch Meritage 2007 – esta linha abrange também um Cabernet Franc de vinhedos com cerca de 120 anos (uma garrafa na adega para abrir nos meus 60º aniversário no ano que vem!), Um Malbec e este divino assemblage com somente 3.000 garrafas produzidas. O Meritage é fruto de um blend majoritariamente composto de Cabernet Franc de vinhedos de 120 anos, com Cabernet Sauvignon, Merlot e um toque de Petit Verdot para arredondar. Como no Finca libertad, os varietais são elaborados em separado e amadurecem em barrica francesa de 1º uso por cerca de 12 meses quando é feito o blend voltando para a barrica por mais 6 meses. O afinamento do vinho após engarrafamento se faz por 5 anos nas caves subterrâneas ou seja, este exemplar acabou de sair para o mercado e tem pelo menos mais dez belos anos de evolução pela frente. Estamos diante de um exemplar de fina estirpe para ser aberto em datas especiais até porque com um preço, justo em função do todo, em torno de R$270 a 300,00 não é para qualquer momento. Voltei a degustá-lo recentemente na degustação de Blends Argentinos (veja lá meus comentários sobre o vinho) que trouxe de viagem e quem esteve presente confirmou como este vinho é marcante, vinhaço!

Caímos na Benegas por mero acaso, mas não poderíamos ter melhor inicio do dia que esse. Uma visita marcante que encantou a todos e, se há bens que vêm por mal, esta visita foi uma benção só que tínhamos que seguir em frente! Já estávamos atrasados, como de praxe, para nossa próxima visita com almoço na Lagarde, outra bodega que aguardávamos, pelo menos eu, ansiosamente já que seus vinhos são excelentes e seu restaurante também bastante premiado servindo uma comida típica da região com elaboração sob brasas num fogo de chão. Curioso estava, também, para provar seus azeites outra de minhas paixões. Só que o dia foi cheio e este post, que já está longo, ficaria enorme então deixo a Lagarde para Quarta-feira e fico por aqui. Uma ótima semana para todos, salute e kanimambo. Para a Susana um “muchas gracias muy especial”!

1º Dia em Mendoza – Day One In Mendoza

Ao escrever este texto me deu saudades e certamente voltarei em breve pois tem gente já querendo agendar uma nova viagem para lá comigo. Tudo dando certo, terceira semana de Janeiro, me aguarde Mendoza! Bem, mas vamos ao que interessa, hoje primeiro post de quatro no formato de um diário da viagem, espero que curtam”

Chegamos de madrugada e logo fizemos check in no hotel para um breve descanso e café da manhã. Após algumas horas e um pouco mais descansados, saímos para o inicio de nossas atividades do dia; visita com almoço harmonizado na Melipal, uma Bodega que em breve espero ver por aqui em Sampa, porém já anda pelos lados de Curitiba e Minas Gerais onde possui importador/distribuidor regional. Desde os idos de 2009 que conheço e aprecio os vinhos deste produtor de pequeno para médio porte considerando-se o tamanho de algumas vinícolas na região e que sempre teve uma politica de preços bem ponderada. Ainda busca importador para São Paulo então por enquanto por aqui vai ser difícil achar e espero que isto se solucione logo (mantendo os preços camaradas) para poder curtir seus vinhos mais amiúde.

Clipboard Melipal
Localizada na zona de Agrelo, Lujan de Cuyo, a vinícola se estende entre as vinhas e rende culto à paisagem que a rodeia as “acequias” (pequenos canais), salgueiros e a Cordilheira dos Andes, uma fusão de solidão, espaço e tempo. A produção beira os 550.000 litros anuais, distribuídos em tanques de aço inoxidável com capacidade de 5.000lts. a 25.000lts. assim como uma sala de barricas concebida para a maturação dos vinhos premium da casa. Os vinhedos têm idades variadas, desde os mais jovens com 11 anos de idade, passando por vinhedos de 30 até chegar aos mais antigos jáExtras Melipal Rosé passando dos 90 anos do qual se elabora o Las Nazarenas Single Vineyard que tivemos o prazer de degustar.
O restaurante é premiado e muito bem avaliado, sendo um belo começo para nossas atividades pois mostrou que toda essa fama não veio á toa, não! Antes, no entanto, uma passagem pela bodega para conhecer um pouco sobre a elaboração do vinho com um delicioso Melipal Rosé de Malbec o qual há tempos não andava por minha taça e comprovou todos os seus predicados.

De volta ao Restaurante, um menu criativo sendo que a entrada foi uma das gratas surpresas gastronômicas desta viagem, a sopa de cogumelo muito peculiar e criativa…que foi muito bem harmonizado com o Ikella Merlot. O vinho em Melipal Menu 1si é bem feito e muito agradável, ainda prefiro seu cabernet, porém com a sopa a maridage foi perfeita e ambos, vinho e prato cresceram maravilhosamente bem provando que neste mundo da harmonização a aritmética fica por terra quando tal perfeição é encontrada. Na foto não parece grande coisa, mas na boca!!!!!!  Um belo começo para o que estava por vir.

  Ikella Merlot
Sopa de hongos y puerros asados, crema de vainilla y gotas de oliva perfumados con tomillo.
Wild mushrooms and leeks cream, perfumed with vanilla and olive oil.

 

Melipal Malbec – não adianta, sei que o reserva é o mais pontuado e preferido dos críticos, porém é com este vinho que me delicio. Um belo malbec de gama média com muita fruta e especiarias em perfeito balanço, um vinho como, a meu ver, todo o Malbec deveria ser. Sem excessos, rico, com taninos finos e aveludados, carnoso, médio corpo, boa textura, muito equilibrado e um longo e saboroso final de boca com alguma mineralidade presente. Se chegar aqui em Sampa na casa dos R$70 a 80,00 certamente irá valer muito a pena!

Melipal Malbec
100% Malbec 12 meses en barricas de roble francés. 12 months in French oak barrels.
Cerdo confitado en malbec y maíz cremoso – Malbec marinated pork tenderloin over sweet corn cream.

 

Melipal  Nazarenas Malbec – O vinho Top da vinícola elaborado com uvas de seu vinhedo mais antigo, com mais deMelipal Menu 2 90 anos, vinho que não conhecia e mostrou ser um vinho de grande intensidade aromática e concentração. Vinho potente mostrando bom corpo e acidez balanceada que mostram que estamos com um vinho de guarda na taça, ainda muito novo mas que já mostra a que veio. Um belo companheiro para uma boa e suculenta carne

Melipal Nazarenas Vineyard Malbec
100% Malbec de la finca Las Nazarenas (plantada en 1923).18 meses en barricas de roble francés.

100% Malbec from Las Nazarenas vineyard (planted in 1923) 18 months in French oak barrels.
Medallón de filet a la plancha, pesto rojo y risotto de hierbas – Grilled beef tenderloin, sun dry tomatoes pesto, and green risotto

Melipal blend – já falei dele quando da degustação de Blends e foi mais uma grata surpresa nesta visita que juntou a saudade de alguns rótulos com a descoberta de novos. Um vinho muito fino e equilibrado, taninos sedosos e um longo final que não cansa. Espero vê-lo nas minha taça mais vezes, um vinho sedutor!

Melipal Menu 3Melipal Malbec Late Harvest – Descobri que tem muita gente explorando este segmento de vinhos de sobremesa e este vinho deles se mostrou muito interessante com bom equilíbrio e doçura controlada.

 

 

  Melipal Malbec Late Harvest
100% Malbec. Dulce natural / 100% Malbec. Sweet wine
Cremoso de chocolate amargo sobre panna cotta de naranjas y salsa toffee.
Creamy bitter chocolate, orange panna cotta and toffee sauce.

Melipal Vinhos

Difícil ir embora depois de tudo isso e da forma como fomos recebidos, uma rede teria sido uma boa pedida (rs), mas depois de um cafezinho e algumas compras, era hora de voltar para a van e nos pormos a caminho de mais uma bodega, desta feita a pirâmide de Catena Wines.

 

Clipboard Catena

Há pouco mais de 110 anos, Nicolás Catena (o bisavô) plantou sua primeira videira e deu o pontapé de partida para o que hoje é um dos maiores, se não o maior, grupo vitivinícola argentino. Nos últimos 20 anos, boa parte da revolução pelo qual passou a vinosfera mendocina tem raízes na personalidade desafiante e tenaz desse que é hoje o comandante em chefe do grupo, Nicolás Catena, o neto! O que mais aprecio nele é a busca por limites e por apostar na Cabernet e nos blends em vez dos single vineyards como caminho para ganhar complexidade nos vinhos. Hoje seus filhos (Laura, Adrianna e Ernesto) tocam projetos satélites e outros independentes seguindo o trajeto inicialmente pavimentados por seus antecessores. Um dos maiores conglomerados produtores de vinho na Argentina, não se sabe ao certo o quão grande é devido à falta de dados disponíveis, com seus vinhos espalhados pelo mundo e sempre muito bem avaliado pelos crítica internacional em geral, faz com que seja uma das bodegas mais visitadas em Mendoza. Aqui provamos três vinhos da linha Angelica Zapata que é, salvo engano, somente vendida na Argentina e no Brasil:

Angelica Zapata Chardonnay – um dos bons chardonnays argentinos que precisa de um tempinho em garrafa para se mostrar e deve ser tomado com dois ou três anos de garrafa para se tirar dele tudo o que ele tem a oferecer. Bom em jovem, mas melhor mais maduro como este que tomamos (2011), já com três aninhos nas costas. Fermenta em barricas de 225 ltrs e depois repousa em garrafa por cerca de um ano e meio antes de sair ao mercado. Madeira muito bem colocada, nuances de baunilha e frutos tropicais no nariz, boa entrada de boca mostrando um frescor típico dos brancos de maior altitude, algum mineral num final de boca de muita expressão e persistência, um belo vinho.

Angelica Zapata Malbec 2010 – um clássico que faz a cabeça da maioria dos brasileiros. Frutos vermelhos, algumas notas de cânfora no nariz, álcool e madeira ainda por integrar mostrando que o vinho ainda está novo para ser apreciado em toda a sua plenitude, porém há quem goste de seus vinhos mais novos e este é um bom exemplar de malbec elaborado com uvas de três diferentes vinhedos; Pirâmide, Adriana e Nicasia.

Angelica Zapata Cabernet Franc 2009 – para mim o que mais se destacou em conjunto com o Chardonnay. A Cabernet Franc mostra aqui a qualidade que está fazendo com que ela comece a deixar de ser coadjuvante na maioria dos bons assemblages argentinos (como comentado na degustação que fiz recentemente), partindo para assumir um papel de protagonista em diversos bons exemplares varietais. Fruta muito presente, algo de violeta no ar e na boca muita especiaria, taninos sedosos, madeira bem integrada e absolutamente pronto a beber com muito prazer.

 

Final do Day One? Nããão! Rs terminamos com as visitas ás bodegas, mas ainda tinha o Jantar que, na falta do Azafrán que estava em reforma, acabamos no La Barra Carnes & Vino  que foi divino. Ambiente rustico, descompromissado e aconchegante, belas carnes, um presunto cru local cortado em fatias grossas e muito saboroso, gostosas saladas e uma boa seleção de vinhos para acompanhar. Um lugar muito aprazível que recomendo, só precisa relaxar quanto ao serviço, é algo lento porém simpático.

Clipboard La Barra

Semana que vem tem mais! Bom fim de semana, salute e kanimambo

Dicas, Notas e Noticias da Semana

Para quem esteja em Belo Horizonte neste fim de semana, o programa é um só; visitar o Encontro de Vinhos dos amigos Beto e Daniel e degustar uma série de bons rótulos que mais de 15 expositores estarão disponibilizando, mas tem mais!
  

Encontro BeloHorizonte_2014_01%20(2)Encontro de Vinhos BH – dia 04 de Setembro no Hotel Mercure Lourdes em Belo Horizonte/MG, das 14 às 22h.
A maior feira itinerante de vinhos do Brasil retorna à capital mineira trazendo na mala 20 expositores e centenas de vinhos diferentes para serem apreciados. Entre os expositores, produtores, importadoras, escola e fabricante de malas compõem o time deste ano. São eles: Cantu, Ideal Drinks Gourmet, Domno, Casa Rio Verde, Chez France, Decanter, Interfood, Vinci, La Botte, M&C, Miolo, Casa Valduga, Casa Madeira, Chozas Carrascal, Villa Francioni, Bodega Vizard, Enocultura, e Winefit.
O produtor espanhol Chozas Carrascal apresentará o premiado vinho “Las Ocho” e concederá descontos àqueles que desejarem levá-lo para casa. A loja virtual de vinhos franceses, Chez France, mostrará em primeira mão o Champagne Vollereaux Brut Edição Limitada com 92 pontos pela respeitada Revista Wine Spectator. O bordalês Domaine de la Solitude Branco 2009, vinho produzido pelo Domaine de Chevalier, 90 pontos WS também estará no evento para ser degustado. Todos os produtos terão 10% de desconto durante a feira.

A Ideal Drinks Gourmet disponibilizará ao visitante a degustação do Castelo D’Alba Grande Reserva Vinhas Velhas 2011, considerado pela Revista Decanter o melhor vinho da região do Douro. A Casa Rio Verde apresentará ao público o seu mais recente portfólio, importado exclusivamente de Portugal, Itália e França. A importadora La Botte divulgará seu portfólio formado por vinícolas boutique argentinas e italianas com rótulos inéditos no mercado.

Já o Brasil será muito bem representado pelos vinhos e espumantes da Casa Valduga. Destaque para o Valduga 130, tiragem limitada que comemora os 130 anos da chegada da família ao Brasil. A fabricante de malas e valises Winefit lançará sua nova coleção, com design assinado pela estilista de renome internacional Felícia Bierkark. A escola de formação de profissionais e enófilos, Enocultura, também estará presente no evento para apresentar seus novos cursos customizados e os credenciados pela Wine and Spirit Trust.

Essas e outras novidades o aguardam no Encontro de Vinhos Belo Horizonte. Valor dos ingressos: R$ 70,00 se vendidos no local. Nas compras pelo site www.encontrodevinhos.com.br o cliente paga somente R$ 60,00 e sócios ABS-Belo Horizonte têm 50% de desconto.

 

Napa earthquakeDesastre em Napa – Industria vinícola do vale de Napa fala em USD13 Bilhões de prejuízo em função do terremoto da madrugada de 24 de Agosto.  De magnitude 6 na escala Richter, o maior da região desde 1989, o terremoto devastou imensas áreas da região do Napa Valley e do condado de Sonoma, na Califórnia, Estados Unidos. O tremor ocorreu às 3h20 da manhã, hora local, causando diversos estragos em regiões urbanas e rurais.

Napa e Sonoma são duas das principais regiões vitivinícolas norte-americanas e os produtores ainda estão calculando os prejuízos. As informações chegam lentamente, pois o terremoto causou severas avarias nas redes elétricas e de gás, deixando muitos sem energia e causando incêndios.

Muitos produtores da região estão em plena colheita e viram seus tanques romperem, deixando escapar milhares de litros de vinhos, como reportou a vinícola Sebastiani, de Sonoma, que perdeu 14 tanques. A vinícola Hess, por sua, vez, disse que, além de dois grandes tanques, perdeu cerca de 15 mil caixas de vinhos cujas garrafas se quebraram. Um representante da Domaine Carneros, que atestou que sua safra já estava 90% terminada, afirmou que a empresa teve muita sorte por seus tanques não terem rompido.

Apesar de ter ocorrido na madrugada, horário em que geralmente há poucos trabalhadores nas vinícolas, dois enólogos, Carole Meredith e Steve Lagier, quase se tornaram mais duas vítimas do tremor que ceifou a vida de cerca de 90 pessoas. Eles estavam na sala de barricas da vinícola quando ocorreu o terremoto e os barris começaram a deslizar em sua direção. “Estamos bem fisicamente, mas emocionalmente abalados”, disse Meredith. Representantes do setor vinícola californiano dizem que os danos só serão totalizados depois de 72 horas, mas alguns já citam cifras astronômicas de prejuízo, como US$ 13 bilhões, por exemplo. (Fonte – Revista ADEGA – 25/08/2014).

 

O que é Terroir ? (Marcelo Copello em 13/08/2014) – Terroir é uma palavra francesa que designa o conjunto de ????????????????????????fatores ambientais que influem em um vinho, como solo (composição, profundidade, subsolo, nutrientes, retenção de calor, aeração/compactação, vida microbiológica, drenagem), relevo (altitude, inclinação, erosão), exposição ao sol (orientação, horas de sol), vento, regime de chuvas, temperaturas, amplitude térmica diária e anual, proximidade de florestas etc. São muitos fatores e infinitas possibilidades de interação entre eles.

O Terroir é invisível, sua influência em um vinho não pode ser cientificamente provada, explicada ou mensurada, mas é real e pode ser percebida pelos sentidos na hora que degustamos um grande vinho. Não é possível também dizer qual o Terroir perfeito, já que grandes vinhos são feitos em ambientes totalmente diferentes. Mas em muitos casos já se sabe quais os melhores Terroir, pois deles vêm os melhores vinhos. Terroir existe em qualquer lugar, alguns melhores outros piores para elaboração de vinhos. É bom lembrar que um Terroir superior depende da mão do homem para gerar um grande vinho. Senão, como explicar que hajam vinhos tão distintos, às vezes da mesma uva e de um mesmo vinhedo? É o homem que o entende e desenvolve o potencial da natureza e o expressa no vinho.
 

Concha y Toro logoCONCHA Y TORO é considerada a marca de vinhos mais poderosa do mundo  – Gallo e Robert Mondavi aparecem logo atrás em lista feita por consultoria internacional. Concha y Toro está no posto 21 na lista geral. Um relatório anual da consultoria “Intangible Business” apontou a Viña Concha y Toro como a “marca de vinho mais poderosa do mundo”, no que é considerado o mais influente ranking da indústria de bebidas do mundo.
Na lista geral (que soma todos os tipos de bebidas alcoólicas), aliás, a vinícola chilena aparece em 21o lugar, subindo oito lugares em relação ao ano passado. “O reconhecimento internacional reforça a visibilidade global e a imagem que a marca Concha y Toro alcançou. É algo pelo qual temos trabalhado há anos. É uma grande conquista, não somente para a empresa, mas para o vinho chileno que cresce em importância na indústria do vinho mundial”, disse o CEO da vinícola, Eduardo Guilisasti.
A lista das empresas de vinho mais poderosas segue com a Gallo em segundo lugar, seguida por Robert Mondavi, Hardys e Barefoot, entre as cinco primeiras.
Confira abaixo a lista dos 12 primeiros lugares: 1- Concha y Toro / 2- Gallo / 3- Robert Mondavi / 4- Hardys / 5- Barefoot / 6- Yellowtail / 7- Sutter Home / 8- Beringer / 9- Jacobs Creek / 10- Lindeman’s / 11- Blossom Hill /12- Wolf Blass (Fonte – Revista ADEGA – 29/07/2014).

 

Cave Geisse é nomeada para o Wine Star Award 2014, da Wine Enthusiast – A Cave Geisse está entre as Cave Geisseindicadas pelos editores da revista americana Wine Enthusiast que, a cada ano, nomeia personalidades e empresas que fizeram realizações notáveis no mundo do vinho e bebidas. Neste feito inédito, Cave Geisse aparece na categoria New World Winery (vinícolas do novo mundo), o que posiciona o Brasil como referência entre os produtores de espumantes Tops do novo mundo, com destaque para o importante trabalho da Família Geisse, pela qualidade e variedade dos espumantes de sua Vinícola Geisse.

Os vencedores serão homenageados com o troféu Wine Star Award em um jantar de gala black-tie, em Nova York, em 26 de janeiro de 2015. E, segundo Mario Geisse, essa importante nomeação representa o reconhecimento pela seriedade, foco e dedicação do nosso trabalho e pioneirismo em Pinto Bandeira.

Parabéns para a Cave Geisse, um exemplo de qualidade e capacidade de nossa vitinicultura nesta área de espumantes onde estamos muito bem obrigado e conseguimos ser competitivos.
Salute, kanimambo e na Sexta o Day 1 de nosso tour por Mendoza. Até lá!

Assemblages Argentinos – Sedução na Taça

Ontem conversando com a esposa de um amigo que também milita no setor, veio o comentário de que o vinho argentino está mudando e para melhor, algo em que acredito piamente. Perdendo um pouco dos excessos, seja de álcool ou extração, com fruta excessivamente madura, acidez pouco presente e taninos doces, por vezes enjoativos após umas duas ou três taças. Ish, já falei, mas que isso era a realidade lá isso era independentemente de ter um monte de gente que gosta do estilo, afinal o vinho é democrático! É o mundo produtor de Mendoza abrindo o olho para o mercado já que a malbec não ficará em alta ad eternum e a sobrevivência do setor certamente passará pela exploração de todo o potencial do terroir mendoncino através de outras castas e bons blends que produzem, tradicionalmente, vinhos mais complexos e mais equilibrados.

Nesta recente viagem creio que vimos um pouco dessa mudança inclusive uma maior diversidade e a prática de blends mais presentes mesmo que somente com duas uvas o que os Hermanos gostam de chamar de bivarietais. Esse conceito amplamente usado pelos produtores europeus, visa mesclar uvas de forma a extrair o que cada uma tem de melhor mostrando um resultado superior à mera soma aritmética dos fatores. A enologia argentina chega assim em sua maturidade produzindo alguns belos vinhos aos quais tiro o chapéu. Seja no blends da mesma uva de diversos vinhedos em variadas altitudes com cada uma aportando algo diferente, seja na mescla de diversas cepas onde a Cabernet Franc e a Petit Verdot invariavelmente se mostram presente tanto juntas como em separado, conforme pode ser conferido nos rótulos e contra rótulos abaixo. (clique na imagem para ampliar) Os porcentuais, esses variam ano a ano em função de como cada casta se comportou na safra e, consequentemente, são de pouca importância para nós consumidores sendo mero modismo.

Blends argentinos 001
Na última semana reunimos alguns privilegiados, na minha opinião porque o painel estava excelente, para provar seis vinhos (foto acima) que trouxe da viagem para compartilhar essa experiência que vivi e que me seduziu, a Degustação da Mala! Quem perdeu, realmente dançou e não sabe o que perdeu! O único senão, a meu ver, são os preços praticados pois me parecem altos demais e poderiam se estabilizar em cerca de 20% abaixo dos patamares hoje praticados. Por outro lado, do preço de prateleira os impostos são responsáveis por cerca de 58% do valor então já sabemos para onde apontar o dedo né?! Bem, muita “charla” e pouco vinho, já sei, então vamos falar dessas belezuras!
Desta feita não fiz desafio entre eles nem os servi ás cegas. Provamos os vinhos sabendo o que eles eram e os apreciando com a devida vênia! Fazia menos de uma semana que os tinha provado em Mendoza, porém vê-los e provando-os lado a lado prestando a devida atenção foi mais exultante ainda. Grande fase a dos Hermanos!

Melipal Front & BackMelipal Blend 2010 – Corte de Malbec com Cabernet Franc e Petit Verdot em plena harmonia, macio, redondo e já pronto a beber cumprindo o papel que o trouxe ao mundo, nos dar prazer e o fez muito bem! Belo vinho que agrada fácil, taninos macios já integrados,  notas de baunilha e alguma especiaria. As cepas são envelhecidas separadamente em barricas francesas por 12 meses e ao final é feita uma seleção das melhores barricas para se efetuar o assemblage. ) mais barato do plantel, lá em torno de 160 pesos e por aqui acho que vi em sites do sul em torno das 100 pratas.

Atamisque atamisque front & BackAssemblage 2009 – Estilo algo diferente e bem mais jovem na taça mesmo que na mesma faixa da maioria dos outros rótulos abertos. A região (Tupungato), a altitude (1200mtrs) e uma filosofia diferente nos apresentam um vinho com muita personalidade e muito gastronômico sendo prejudicado num comparativo em que comida não esteja presente. Grande estrutura de meio de boca, notas tostadas, uma vida inteira pela frente e certamente crescerá com um bom pedaço de ojo de bife. O único assemblage sem Cabernet Franc e/ou Petit Verdot no corte. Preço na casa dos R$160,00 por aqui

 

Brioso side by sideSusana Balbo Brioso 2010 – já o tinha comentado aqui. Provei-o novamente lá no almoço e agora por mais uma vez, não tendo muito mais a agregar de comentários a não ser que é um vinho que vale muito o preço que por aqui anda na casa dos R$160 a 170,00. Harmonioso, complexo, possui um frescor de final de boca que cativa e pede bis. Me gusta! Aliás, o que deste painel não me gustó?!

 

Achaval-Ferrer Quimera 2011 – Sou supeito para falar do Quimera aqui porque é chover no Quimera side by sidemolhado, basta digitar o nome do vinho em pesquisa e ver minha paixão pelo vinho. Recentemente tomei o último 2007 de minha adega e estava divino com seus sete anos de vida, então este 2011, que está divino com apenas quatro, promete ainda bem mais nos próximos dois a três anos. Um vinho sedutor que é um deleite para os sentidos e mostra que os bons vinhos argentinos não necessitam ser só força e potência, a elegância tem lugar nas mãos de quem sabe. Gosto de o manter em minha adega e custa em torno dos R$200.

 

Benegas Meritage side by sideBenegas Lynch Meritage 2007 – Adorei lá e confirmou aqui, estamos diante de um vinho de produção limitada a apenas 3.000 garrafas ano e produzido com esmero, um vinho que mexe com nossas emoções e nos faz lembrar os bons vinhos de Bordeaux. Café, notas terrosas, taninos integrados e aveludados, toque mineral no final de boca bem longo e prazeroso. Grande estrutura, um vinho com sete anos nas costas que dá prazer de tomar agora mas que seguirá evoluindo muito positivamente pelos próximos seis a sete anos. Vinhaço que aqui anda na casa do R$250,00.

Lagarde Henry Gran Guarda 1 2009 – mais um vinhaço na taça e também de produção limitada. Este não Henry side by sidemenciona as castas no rótulo ou contra rótulo, porém é um blend de Malbec (35%) e Cabernet Sauvignon (39%) e partes iguais de Cabernet Franc e Petit Verdot, para variar! Outro baby na taça e outra grande alegria de o poder desfrutar novamente. Ótimo volume de boca mas sem ser pesado, encorpado, complexo, grande equilíbrio, frutos negros, taninos finos e notas de especiarias num final interminável onde aparece algo de tostado e mocha. Mais um vinhaço que vem mostrar porquê é ícone da casa e que ficará ainda melhor dentro de alguns anos. Preço por aqui na casa dos R$270,00.

 

Terminou e fiquei triste, pois vai demorar um pouco para voltar a montar uma dessas. Por outro lado, vamos abrir o olho porque os vinhos argentinos vão muito além dos Malbecs e me surpreendem muito positivamente então minha dica para você é, baixe a guarda e deixe se levar por essa onda! Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos. Ao longo desta e da próxima, minhas impressões da viagem a Mendoza, um lugar que cada vez mais me seduz!

Mendoza Um Oasis com Mais de 930 Vinícolas

Mendoza logo
Um deserto é uma zona geográfica com menos de 400ml de chuva ano e grande amplitude térmica entre dia e noite podendo ser áridos (até 250ml), semi-áridos (250 a 500ml) e gelados (desertos polares com menos de 5ml. O Sahara recebe algo como 250ml anuais / Atacama, o mais seco, algo ao redor de 1ml a cada 5 ou dez anos / Gobi recebe aproximadamente 180ml ano e Mendoza entre 200 a 250ml! A proximidade dos Andes e sua águas de degelo junto com as famosas acéquias (canais) inicialmente construídos pelos índios Huarpes, posteriormente desenvolvidos pelos espanhóis que por lá aportaram, complementam as necessidades hídricas e faz com que a água, mais do que a terra, seja o mais valioso bem da região.

Acéquias Clipboard
A partir de 1890, começa um trabalho de construção de diques que represam as águas de degelo possibilitando um maior crescimento e desenvolvimento de toda a região e da indústria do vinho. O Departamento de Irrigação é que controla a abertura das comportas que libera a água para as diversas vinícolas espalhadas pela região. Algumas terras também possuem poços o que faz com que sejam incrivelmente valorizadas, já que terra barata por estas bandas, quer dizer terra seca!

Clipboard Diques
Atrás deste terroir que produz aproximadamente 70% do vinho argentino, veio gente de todos os cantos do mundo; franceses, italianos, portugueses, americanos, espanhol e com eles uma rica gastronomia num complexo e diverso caleidoscópio de sabores e aromas que vale muito a pena ser conhecido, até porque toda essa riqueza está bem próxima da gente e possui preços bem acessíveis. Difícil é escolher entre essa imensidão de vinícolas e grandes vinhos, as que visitar em tão curto espaço de tempo. Fazer três ou quatro viagens destas com 6 a 9 vinicolas sem repetir nenhuma é algo não só viável como desejável! Ficaram de fora um monte de lugares a visitar e certamente outras viagens serão necessárias, até porque devemos ter provado uns 56 a 60 rótulos porém meu chute é que hajam disponíveis em Mendoza mais de 13.000 ou seja, mal raspamos a superfície desse mar de vinho abençoado por Baco.

Clipboard visits

Eu estive por lá mais uma vez, desta feita com a WFTE (Wine  Food Travel Experience) um projeto que retomei depois de um longo hiato, levando um grupo de 13 amigos e leitores numa viajem de descobrimentos que durou quatro saborosos e intensos dias que já deixam saudades do lugar, dos vinhos, dos pratos e especialmente dos agradáveis momentos passados com um grupo de pessoas especiais. Aqui no blog vou relatar e compartilhar com os amigos que não puderam nos acompanhar e ficaram curiosos, nossas visitas e jantares o que não deixa, também, de ser uma forma de reviver esses  momentos e matar saudades. Acompanhe nossas atividades e meus comentários sobre os locais, vinhos e comida nos próximos dias. Salute e kanimambo

Viagem a Mendoza – Garimpando Os Bons Blends Argentinos

Viagem de grandes vinhos, boa comida e harmonizações ótimas com um grupo de gente que só fez ressaltar os sabores desses encontros, porque má companhia transforma qualquer vinho em vinagre! rs O bom do vinho é que ele melhora quando compartilhado e por isso decidi trazer algumas garrafas para uma degustação especial com aqueles que para lá não puderam ir conosco, Esse encontro ocorrerá lá na Vino & Sapore a partir das 20 horas na Quinta dia 28/8, conforme já anunciado. Tinha deixado para listar os vinhos na volta, então cá está e não entrarei em detalhes pois uma foto vale mais do que mil palavras ou assim dizem! (clique para ampliar imagem)

Blends argentinos

Uma bela seleção de vinhos que no mercado estão na faixa de R$140 a 240 e entre 90 a 93 pontos no Guia Descorchados.  Uma tremenda oportunidade de provar e conferir todos estes vinhos por apenas 100 pratas por pessoa a serem pagas no ato da reserva. Descubra o que a Argentina anda fazendo além da Malbec! A degustação tem vagas limitadas a 12 pessoas das quais 8 já estão reservadas e pagas restando tão somente quatro vagas, vai dar mole?!! Ligue para (11) 4612-6343 ou por e-mail comercial@vinoesapore.com.br e garanta logo a sua vaga.

 

Blends Argentinos – A Nova Onda

A onda dos Malbecs está mais do que concretizada não só na Argentina como no mundo. Os Cabernets e Bonardas trabalham para se mostrar ao mundo e mostrar que a Argentina tem muito mais a oferecer do que só Malbecs. A onda do momento, no entanto, é de blends ou pelo menos é esse o meu feeling então decidi montar uma degustação, mais uma eu sei, mas é provando que realmente conhecemos vinho então não vou esmorecer e no próximo dia 28 de Agosto vou montar um encontro que terá como tema; “ Blends Argentinos”.

Day 1 - amanhecendo em MendozaJá estou em Mendoza, amanhece nesta linda cidade e meu garimpo começa daqui a pouco pois os vinhos da degustação eu vou levar daqui. Escolherei seis vinhos e uma surpresa ao final que pode ou não ser um blend! Entre na onda, somente 12 vagas então não deixe para amanhã porque as vagas se esgotam bem rápido. Na Vino & Sapore a partir das 20 horas e o valor, a ser pago no ato da reserva, será de R$100 por pessoa. Salute e amanhã tem noticias aqui de Mendoza, eta cidadezinha bonita sô!

Reservas através do mail: comercial@vinoesapore.com.br

 

 

Mendoza logo

Você Sabe o Que Está Bebendo?

Um varietal pode estampar o nome da uva em seu rótulo quando esta possua predominância de no mínimo 85% na sua elaboração, porém algumas regiões isso pode chegar a 70% como em Cahors na França onde a Malbec comumente é cortada com Tannat e Merlot. No Brasil, esse porcentual é de 75% e a especificação das outras cepas que compõem o restante do vinho não é obrigatória vindo daí a pergunta, você sabe mesmo o que está bebendo?
Pessoalmente me preocupo com o todo, com a origem, com o produtor mais do que com a composição do vinho, porém há quem seja fissurado por saber das uvas que está tomando. Tem gente que só toma Cabernet Sauvignon e não toma blends porque acha que a “mistura” não faz bem ao vinho ou não gosta de Merlot, Malbec ou Carmenére. Será?!! Pode muito bem ser que esse tomador de vinho esteja tomando um “varietal” de Cabernet com uma boa dose de Merlot, Malbec, Petit Verdot ou até uma somatória delas sem saber!

Afinal, qual a diferença entre vinhos varietais ou vinhos de corte? Vinhos varietais são vinhos, a principio, feitos com um único tipo de uva, ou com predominância de um tipo de uva de acordo com a legislação da região produtora. Já os blends (de corte, assemblages, coupage, de lote ) são vinhos de misturas de diversas cepas o que requer grande experiência e sensibilidade do enólogo que vira um verdadeiro alquimista. Os vinhos de corte brancos, tintos ou rosés, misturam diferentes tipos de uvas para tirar o melhor de cada uva, buscando assim um vinho, mais equilibrado, mais complexo e mais completo. Eu adoro blends e um bom exemplo deles são os vinhos tintos de Bordeaux na França, que normalmente são uma mistura três uvas, Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc (há ainda outras possíveis, como Petit Verdot, Malbec e Carménère).

Qual o melhor, varietal ou blend? Este não é um fator de qualidade em um vinho e é certamente tema para muita discussão, porém numa lista dos maiores vinhos do mundo a maioria será, com grande probabilidade, composta em sua maioria por vinhos de corte pois o resultado dessa somatória vai muito além do mero resultado matemático e por isso insisto em dizer que nossa vinosfera não é binária! Pessoalmente tenho uma queda por blends como os portugueses do Dão e do Douro com suas castas autóctones em perfeita harmonia e os Chateaneuf-du-Pape, com até 13 uvas, que a meu ver crescem em complexidade e são meus preferidos, porém em primeiro plano o vinho tem que ser bom, isso sim é essencial!

Já que embarco para Mendoza nos próximos dias com um grupo de amigos e leitores, me veio á mente que esta região tem fama por seus varietais, porém há inúmeros exemplos de bons blends vindos tanto de lá quanto do Chile que poucos conhecem. Esse Susana-Balbo-Briosoaumento de produção de bons blends mostra que esses mercados produtores começam a atingir sua maturidade inclusive misturando a mesma cepa porém de vários vinhedos e sub-regiões ou altitudes (a Catena faz isso muito bem com a Malbec e a Las Moras com a Syrah), na busca da utópica perfeição. Um bom exemplo disso é o Suzana Balbo Brioso da Bodega Domínio del Plata de Mendoza, fruto de um blend de Cabernet Sauvignon / Malbec / Merlot / Cabernet Franc e Petit Verdot (corte bordalês completo) que mostra extrema complexidade aromática e explode na boca com muita harmonia e equilíbrio deixando um rastro de muito prazer, sem perder sua personalidade mendocina mostrando grande estrutura e se mostrando um vinho de guarda para tomar, preferencialmente, com mais de quatro anos de vida mas que dura dez tranquilamente!

Aproveitando essa dica, decidi que trarei dessa viagem alguns blends diferenciados e, como fiz da última vez que por lá estive, vou montar uma degustação só com eles! Essa degustação que fiz foi o maior sucesso e o pessoal até hoje fala disso, então reservem o dia 28/08  “Blends da Argentina” na Vino & Sapore a partir das 20 horas! Peça já a sua reserva através do mail comercial@vinoesapore.com.br, os rótulos só vou saber depois da viagem, porém o preço já está definido, R$100 por pessoa.

Uma uva ou diversas uvas, seu prazer é o limite, mas cuidado porque você pode estar tomando uma coisa achando que é outra então melhor rever seus conceitos ou comece a exigir aqueles rótulos em que o contra rótulo claramente especifique 100% do uso da cepa mencionada. Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui.

Piemonte Além do Barolo

Depois de um encontro do terceiro grau com incríveis Rosso e Brunello di Montalcino e outro de Barolos, a confraria Saca Rolha está difícil de largar da Itália! Desta feita, Piemonte sem Barolos que é para descobrirmos o que mais esta incrível região de 16 DOCGs e 52 DOCs (salvo engano) tem a nos oferecer. A cada 100 hectares de vinhedos um DOC ou DOCG, é diversidade para ninguém botar defeito! Vamos ver o que a amiga, confreira e porta voz do grupo Raquel Santos tem a nos dizer sobre mais essa experiência:

Em nosso encontro anterior, o foco principal foi o mais famoso representante da região do Piemonte: O Barolo, porém nem só de Barolos (e Barbarescos, seu irmão menos famoso), vivem os vinhos que representam essa região italiana. Além da Nebbiolo, outras castas também importantes, produzem vinhos de alta qualidade, únicos no mundo, de muita personalidade e caráter. Desta vez, fizemos uma incursão pelas Barbera, Dolcetto e novamente a Nebbiolo, porém produzida em outras denominações de origem. Provamos três vinhos elaborados com a uva Barbera, um com a Dolcetto e dois com a Nebbiolo: (clique nas imagens para ampliá-las)

Piemonte Map ClipboardFuturosso de Monferrato 2011 – do produtor Marchesi Incisa Della Rochetta
Da região de Asti (DOC Barbera d’Asti), corte de Barbera com Merlot, mostrou primeiramente aromas terrosos e muita fruta. Médio corpo, leve e fácil de beber. O equilíbrio entre a acidez, taninos redondos e frutas maduras fazem dele um bom acompanhamento para refeições.

Barbera d’Alba Annunziata 2009 – do produtor Rocche Costamagna
Como o nome já diz, proveniente da região de Alba (DOC Barbera d’Alba), com as características próprias regionais: Aromas de terra molhada, madeira de bosque e especiarias. Muito fresco, demonstrando boa acidez, frutas pretas, como amoras e ameixas. Bem estruturado, taninos fininhos e apesar de pouco extrato, tem longa persistência na boca.

Barbera Langhe Casaret 2012 – do produtor Marziano Abbona
Esse produtor chamou atenção já de início, pelo lindo rótulo com desenhos de pássaros da fauna da região (DOC Langhe). Em relação aos anteriores, mostrou-se mais potente e encorpado. Aromas e sabores de frutas(groselhas) e grande evolução na taça. Com o tempo mostra um caramelado sem ficar enjoativo por conta da boa acidez. Muito equilibrado.

Dolcetto di Dogliani San Luigi 2012 – do produtor Marziano Abbona
Pequena região demarcada como DOCG, que lhe confere um grau maior de qualidade. Aromas discretos, verdes, de ervas aromáticas, frutas vermelhas (geleia de cerejas)e especiarias (menta, hortelã) conferem a esse vinho uma boa harmonia entre frescor e doçura de frutas. Um vinho leve para acompanhar antepastos e beber descompromissadamente.

Nebbiolo d’Alba Brico Barone 2011 – do produtor Marziano Abbona
Muito aromático, fresco e equilibrado. Notas de especiarias, ervas aromáticas (vermute), cânfora e final longo. DOC Nebbiolo d’Alba.

Barbaresco Dezzani 2008
Os vinhos de Barbaresco (DOCG), assim como os Barolos, são feitos 100% com a Nebbiolo. Apresenta muita estrutura e equilíbrio entre corpo, acidez e taninos. Álcool e madeira bem incorporados. Grande leque de aromas que evoluem muito com o tempo na taça. Notas de ervas aromáticas, frutas vermelhas, cogumelos e “sur bois”. Características gastronômicas com muita elegância.

Durante essa degustação, observei que ninguém, em nenhum momento mencionou a palavra “taninos”, “acidez” ou “álcool”. Suponho que deve-se ao fato dos vinhos serem muito equilibrados. Enquanto a conversa corria solta, e os antepastos à mesa eram consumidos sem cessar, fomos chegando ao fim com gostinho de quero mais….e eis que lembraram de uma aposta feita anteriormente, por ocasião da Copa do Mundo, onde alguém apostou um Barolo! Aposta feita, aposta paga!

Piemonte Seleção Saca RolhaO fato dos vinhos da região do Piemonte virem sempre associados à comida não é à toa. Assim como em toda a Itália, a culinária está muito presente na cultura do seu povo. Ingredientes locais, como as famosas trufas brancas de Alba, os azeites de oliva, os queijos, as ervas aromáticas e os assados por longo tempo, sempre evocam uma atenção maior ao momento de comer.

O movimento internacional “Slow Food” originou-se ali, na cidadezinha de Bra, fundado por Carlo Petrini. Portanto, você que neste momento está lendo esse texto, diminua seu ritmo e faça como os piemonteses: primeiramente escolha um vinho. Pode ser um Dolcetto, que é um vinho leve, suave, para ser consumido no meio do dia, acompanhado de antepastos. Ou um Barbera, que como o Dolcetto, é também leve, suave, com um pouco mais de acidez, e acompanha bem uma refeição. Se sua comida for um pouco mais elaborada, aconselho um Barbaresco, que faz bonito tanto num almoço quanto num jantar sem pressa. Agora, se for um jantar, numa ocasião mais formal, com pratos mais marcantes, escolha um Barolo. O mais importante no entanto, é que possamos dar a devida atenção a esse sublime momento de comer e beber.

Salute, Kanimambo e uma ótima semana para todos. Para mim e para a Raquel será, pois Quinta-feira desembarcamos em Mendoza de onde eu, espero, postarei sobre nossas visitas.