Degustações

Rioja x Ribera del Duero, um Grande Páreo.

           Como em Portugal em que existem duas grandes e principais regiões produtoras de maior reconhecimento internacional Alentejo e Douro, a Espanha também tem as suas; Ribera Del Duero e Rioja. Ambos os países são extremamente ricos em diversidade de terroir e regiões, mas estas são as principais conhecidas. Pensando bem, cada país produtor do velho mundo tem lá sua rivalidade viníca de maior destaque; na Itália é Piemonte e Toscana, na França Bordeaux e Bourgogne, na Alemanha Mosel e Rhein, etc. A revista Freetime, uma revista que todo o executivo deveria ter em casa ou escritório pois tem uma diversidade editorial muito interessante, recentemente fez uma degustação às cegas de vinhos destas duas principais regiões produtoras e, gentilmente, nos cedeu a matéria. Todas as amostras dos vinhos foram escolhidas e enviadas diretamente pelas importadoras e casas especializadas. Foram convidados cerca de 14 experts para formar a banca degustadora que se utilizaram de fichas de degustação padrão de 50 a 100 pontos, em que o aspecto visual vale 10, o olfativo 30, e o gustativo 60, básicamente a mesma que uso em meus Desafios de Vinhos.   Na média das notas, visando evitar distorções, toma-se o cuidado de eliminar a nota mais alta e a mais baixa de cada vinho analisado.

            Foram um total de 25 vinhos em prova, dos quais 16 de Rioja e 9 de Ribera Del Duero. Como não houve número igual de participantes, tomei a liberdade de pegar somente os primeiros nove colocados de Rioja para efeito comparativo tendo dado Rioja com um total de 805,90 pontos contra os 798,7 alcançada pela Ribera Del Duero. No entanto, os dois primeiros colocados foram de Ribera Del Duero, tendo o incrível Pago de Santa Cruz da Vina Sastre, sido o grande campeão. Aliás, quando somamos todos os pontos por região e apuramos a média, aí a Ribera Del Duero leva uma pequena vantagem ou seja, um páreo duríssimo. O pago de Santa Cruz é um estupendo vinho que tive o privilégio de provar recentemente e um dos meus melhores provados em 2009, então fico feliz com esse resultado. Por sinal, o Prado Rey Elite, também biquei e é outro grande vinho que me chamou a atenção em uma degustação de vinhos de Espanha de que participei. Bem, mas chega de lero, na verdade você está interessado mesmo é em saber como os participantes da prova “perfomaram”, então vamos ao que interessa, eis os vinhos e comentários em ordem de classificação na prova:

PAGO DE SANTA CRUZ – VIÑA SASTRE – RIBERA DEL DUERO – 2003  Rubi profundo com alta concentração e leve halo de evolução. Complexo, frutas vermelhas em compota, ameixas, chocolate, café, lácteo, toffee, especiarias, tostado, lembra um Bordeaux. Carnudo com ótima acidez, taninos muito finos, envolvente, volumoso, persistência longa e retrogosto frutado com toques de alcaçuz. PENÍNSULA – (011) 3822- 3986 – Preço R$ 429,00 – Nota 91,2

 PRADO REY ELITE – RIBERA DEL DUERO – 2005 – Rubi violáceo, alta concentração, sem halo. Complexo, frutas negras, cerejas, floral, violetas, resinoso, tostado bem integrado, toques lácteos. Estruturado, alta acidez, taninos ainda verdes mas muito finos, persistência longa e retrogosto frutado, um vinho ainda jovem que irá evoluir muito. DECANTER – (047) 3326-0111 – Preço R$ 303,00 – Nota 90,4

CONDE SIRUELA RESERVA – RIBERA DEL DUERO – 2001 – Violáceo, alta concentração, sem halo. Nariz instigante, frutas negras, defumado, café, baunilha, chocolate, herbáceo e toques terrosos. Redondo, ótima acidez, taninos finos, encorpado, persistência longa e final de boca frutado, traz características de vinhos do Novo Mundo. D’OLIVINO – (011) 5532-1820 – Preço R$214,00 – Nota 90,2

 SOMSIERRA RESERVA – RIOJA – 2002 – Granada, média concentração e halo de evolução. Muito complexo, frutas vermelhas maduras, ameixas, chá-preto , funghi, ervas aromáticas, menta, ligeiro químico e toques terrosos. Elegante, acidez correta, taninos finos, corpo médio e persistência longa com final de boca frutado lembrando figos secos. CASA DO WHISKY – (011) 5055-5244 – Preço R$ 96,20 – Nota 90,2

 OSBORNE MONTECILLO GRAN RESERVA – RIOJA – 1998 – Granada, média concentração, halo de evolução presente. Balsâmico, ameixa, chá, toques terrosos, sottobosco, animal e tostado agradável lembrando madeira de longo uso. Macio com acidez correta, taninos maduros e finos, bom corpo e persistência, final de boca vivo e fresco com retrogosto frutado.  MIOLO – (0800) 9704165 – Preço R$ 131,00 – Nota 90,1

DON JACOBO GRAN RESERVA – RIOJA – 1995 – Granada, média concentração, leve halo de evolução. Frutas passas lembrando figo e uva, floral, chá, chocolate, caramelo e toques herbáceos. Alta acidez, taninos bem presentes, encorpado, persistência longa, com final de boca muito elegante. Retrogosto balsâmico. Vinho evoluído que não perdeu o vigor. SEM IMPORTADORA – BODEGAS CORRAL www.donjacobo.es . Preço R$? – Nota 90,1

 AMAREN LUIZ CAÑAS – RIOJA – 2002 – Rubi violáceo, média concentração, sem halo. Frutas lembrando cereja, floral, violetas, tostado elegante, café, especiarias, anis, toques balsâmicos.  Excelente exemplo de vinho equilibrado, acidez correta, taninos finos, bom corpo e persistência, retrogosto frutado e final de boca muito agradável. DECANTER – (047) 3326-0111 – Preço R$ 284,00 – Nota 90,0

FUENTESPINA RESERVA – RIBERA DEL DUERO – 2001 – Rubi, boa concentração e halo de evolução. Complexo, Frutas negras em compota, chá-preto , tabaco, animal, carne, terroso, chocolate,  borracha, ligeiro mentolado e tostado agradável.  Alta acidez, taninos marcados, corpo amplo e persistência longa, retrogosto frutado. EXPAND GROUP – (011) 3847-4700 – Preço R$275,00 – Nota 90,0

MARQUÉS DE RISCAL GRAN RESERVA – RIOJA – 2000 – Rubi com toques de evolução, boa concentração. Predominância de aromas terciários, tostado, animal, couro, especiarias, sottobosco, frutas vermelhas maduras, floral, violetas. Redondo, acidez correta, taninos finos, encorpado e persistência longa, retrogosto frutado. INTERFOOD CLASSIC – (011) 2602-7255 – Preço R$ 243,30 – Nota 89,8

ONTAÑON RESERVA – RIOJA – 2001 – Violáceo,  média concentração, sem halo. Frutas passas, ameixas, especiarias, couro, tabaco, herbáceo e toques florais. Ótima acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto frutas passas. D’OLIVINO – (011) 5532-1820 – Preço R$ 141,00 – Nota 89,7

 VINA ARDANZA RESERVA – RIOJA – 2006 – Rubi com baixa concentração, leve halo. Frutas maduras, ameixa, madeira bem presente, baunilha, sottobosco e toques terrosos. Elegante, com ótima acidez, taninos finos, corpo médio, persistência longa. GRAND CRU – (011) 3062-6388 – Preço R$ 198,00 – Nota 89,6

 PROTOS RESERVA – RIBERA DEL DUERO – 2003 – Rubi,  boa concentração, sem halo. Frutas vermelhas maduras, floral, violetas, tostado, baunilha, chocolate, pimenta-do-reino. Alta acidez, taninos finos, bom corpo e persistência, retrogosto frutado. PENINSULA – ( 011)  3822-3986 – Preço R$ 261,00 – Nota 89,1

 RODA RESERVA – RIOJA – 2004 – Rubi,  média concentração, sem halo. Predominância de aromas terciários, tabaco, tostado, especiarias, pimenta, frutas negras e toque lácteo. Ótima acidez, taninos firmes e doces, bom corpo e persistência, retrogosto frutado.  EXPAND GROUP – (011) 3847-4700 – Preço R$ 198,00 – Nota 88,8

 BÁRBARO RESERVA – RIOJA – 2005 – Violáceo, boa concentração, leve halo de evolução. Aromas de frutas vermelhas maduras, floral, anis, tostado agradável, toque químico. Acidez alta, seco, taninos ainda verdes, corpo e persistência longa, vinho jovem de muita potência. SEM IMPORTADORA – BODEGAS FRANCO ESPAÑOLAS www.francoespanolas.com – Preço R$? – Nota 87,6

TORRES CELESTE CRIANZA – RIBERA DEL DUERO – 2005 – Rubi escuro, boa concentração, sem halo. Aroma terroso, funghi, bala de cevada, frutas negras, tostado agradável, pimenta-branca, toque herbáceo. Boa acidez, estruturado, taninos ainda jovens, bom corpo e persistência, final de boca muito agradável. RELOCO – (021) 2215-8055 – Preço R$ 160,00 – Nota 87,5

 TAMARAL CRIANZA – RIBERA DEL DUERO – 2003 – Granada, média concentração, leve halo. Complexo, chá-preto , frutas vermelhas evoluídas, ameixa, funghi, terroso, chocolate, caramelo e toque resinoso. Alta acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto lembrando ameixas. CASA DO WHISKY (Barrinhas)-  (011) 5055-5244 – Preço R$ 107,00 – Nota 87,4

 OSBORNE MONTECILLO RESERVA – RIOJA – 2005 – Rubi brilhante, média concentração, halo de evolução. Aromas terciários, chá-preto, tostado, chocolate, especiarias, frutas secas, herbáceo, toque químico. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência longa. MIOLO – (0800) 9704165 – Preço R$ 71,00 – Nota 87,1

 ATALAYAS DE GOLBAN CRIANZA – RIBERA DEL DUERO –  2005 – Rubi, alta concentração, sem halo. Floral, violetas, frutas vermelhas, tostado, chocolate, menta, terroso com ligeiro toque químico. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência longa, retrogosto de after eight (menta e chocolate). MISTRAL – (011) 3372-3400 – Preço R$ 130,00 – Nota 86,8

 ORBEN CRIANZA – RIOJA – 2005 – Rubi, alta concentração, sem halo. Frutas vermelhas maduras, especiarias, canela, herbáceo, erva-doce, tostado. Alta acidez, taninos ainda verdes, corpo médio e persistência longa, retrogosto lembrando erva-doce. Bom potencial de envelhecimento. PENINSULA – ( 011)  3822-3986 – Preço R$ 198,00 – Nota 86,7

 CANTIGA DE DANIEL PURAS CRIANZA – RIOJA – 2004 – Granada, média concentração, leve halo. Nariz austero, sottobosco, tostado marcado,frutas negras maduras,químico, toque de ervas aromáticas. Acidez correta, quente, taninos finos, corpo e persistência longa, final ligeiramente adocicado. TERROIR – ( 011)  3168-2200 – Preço R$ 105,00 – Nota 86,1

 RACAMONTE CRIANZA – RIBERA DEL DUERO – 2004 – Violáceo, média concentração, sem halo. Floral, violetas, alcoólico, pimenta-do-reino, frutas negras, ameixas, toque herbáceo. Acidez correta, taninos verdes, encorpado, persistência longa. Ainda muito alcoólico. SEM IMPORTADORA www.grupoyllera.com – Preço R$ ? – Nota 86,1

VIÑA CERRADILLA CRIANZA – RIOJA – 2004 – Rubi, média concentração, sem halo. Floral, lavanda, sottobosco, frutas em compota, especiarias, chocolate, leve mentolado. Alta acidez, taninos ainda verdes, corpo médio e persistência longa. SEM IMPORTADORA www.vallemayor.com – Preço R$? – Nota 86,1

 MILETO CRIANZA – RIOJA – 2005 – Granada, média  concentração, leve halo. Frutas maduras, cereja, chocolate, químico e toques florais, madeira de longo uso. Boa acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto lembrando cereja. SEM IMPORTADORA www.bodegasalvar.com – Preço R$? – Nota 85,9

 ALLENDE CRIANZA – RIOJA – 2004 – Rubi, boa concentração, sem halo. Frutas vermelhas maduras, químico, pimenta-do-reino, tostado bem integrado, chocolate. Alta acidez, taninos finos, corpo médio e persistência longa, ligeiro amargor. PENÍNSULA – (011) 3822-3986 – Preço R$ 159,00 – Nota 85,4

DON FAUSTINO VII JOVEN – RIOJA – 2007 – Granada, média concentração, leve halo. Frutas vermelhas maduras, tostado intenso, caramelo, toque químico. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência média. Rústico. CAVA DE VINHOS – (011) 3467-9917 – Preço R$ 60,00 – Nota 84,9

 Os campeões em suas classes:

 Gran Reserva

Pago de Santa Cruz – Ribera Del Duero – Nota 91,2 – Península – Preço R$ 429,00

Reserva

  • Somsierra – Rioja  – Nota  90,2 – Barrinhas /Casa do Whisky – Preço R$ 96,20
  • Conde de Siruela – Ribera Del Duero – Nota 90,2 – D’Olivino – Preço R$ 214,00

Crianza

Torres Celeste – Ribera del Duero – Nota 87,5 – Reloco – Preço R$ 160,00

          Interessante o resultado de dois vinhos que, a meu ver e mesmo não tendo estado presente nessa degustação, me chamaram a atenção pois mostraram possuir uma tremenda relação custo x beneficio que foram o Somsierra (na minha regra de desempate, menor preço, seria terceiro na classificação geral) e o Osborne Montecillo Reserva, dois rótulos que entram na minha lista de vinhos a conferir e os seus? Quais são os rótulos que lhe aguçaram a curiosidade? Podendo, não hesite em tomar o Pago de Santa Cruz, um dos grandes vinhos de Espanha.

Salute e kanimambo

Espumantes – Sequência de Resultados do Grande Desafio

           Nem todos podem ser vencedores e, como numa prova atlética, tem dia que não é dia! O que ficou claro, porém, é que no geral os espumantes presentes a este Grande Desafio foram de boa qualidade, alguns ótimos. Como sempre acontece, alguns podem não ter estado bem no dia, outros estão muito jovens e, outros ainda, podem simplesmente não terem sido entendidos por mim e pela banca degustadora. Faz parte do processo.

         Como insisto em deixar claro, estes Desafios são uma fotografia do que aconteceu naquele dia, com aquela garrafa, naquele local e com aquele grupo de pessoas. Sem contar que a ordem de apresentação é aleatória o que, neste caso especifico onde diversos estilos e origens foram misturados, algum pode ter dado o azar de ter sido degustado logo a seguir a um dos bons champagnes. Fechar os olhos para todas essas variáveis é querer negar a realidade tentando trazer um processo binário para um mundo extremamente sensorial. Então, interpretemos os resultados com a devida parcimônia lembrando que estamos diante de um evento essencialmente hedonistíco. Altere um desses fatores da equação e, certamente, os resultados também serão alterados, mesmo que parcialmente. De qualquer forma, existem três ou quatro rótulos que farei questão de revisitar durante este próximo ano de 2010 para rever minha avaliação.

       No dia 1 de Janeiro deste ano, tomei uma resolução, tomar mais espumante e aprofundar meu conhecimento sobre estes deliciosos e festivos vinhos.  Um espumante faz a diferença e transforma qualquer hora em um momento muito especial, então decidi criar um montão de momentos especiais ao longo do ano, porque não celebrar todo o fim de semana? Acho que consegui cumprir essa resolução tendo compartilhado com os amigos essas experiências ao longo do ano e agora neste Desafio, mas vejamos agora como ficou a classificação do restante do embate:

Class.

Rótulo

Pontuação Preço Médio Prod/Imp.
21 Trapiche Extra Brut 84,50 35,00 Interfood
22 Valduga 130 84,42 65,00 Valduga
23 Casillero Sparkling Brut 84,08 75,00 VCT Brasil
24 Cremand Cuvée Plaisir Perlant (Alsace) 83,92 86,00 La Cave Jado
25 Moinet Prosecco Millesimato 83,42 65,00 Winery
26 Marrugat Cava Gran Reserva Nature 2004 83,42 75,00 Winery
27 Freixenet Cordon Negro 83,25 49,00 Preebor
28 Spumante Incontri Muller Thurgau 82,98 73,00 Vinea
31 Pizzato Brut 82,58 45,00 Pizzato
30 Bridgewater Mill Sparkling (Austrália) 82,58 78,00 Wine Society
29 Juve y Camps Gran Reserva Nature 2004 82,58 168,00 Peninsula
32 Marco Luigi Reserva da Familia 2008 82,50 30,00 Marco Luigi
33 Do Lugar Brut 82,50 32,00 Dal Pizzol
35 Dal Pizzol Brut Tradicional 82,50 44,00 Dal Pizzol
34 Incontri Prosecco VSAQ 82,50 97,00 Vinea
36 Cuvée Sylvain Brut 82,33 59,00 La Cave Jado
37 Villaggio Grando Brut 82,17 40,00 Villaggio Grando
38 Don Giovanni Brut Ouro 30 80,75 75,00 Don Giovanni
39 Irresistibile Brut (Portugal) 80,42 40,00 Sem Importador
40 Valduga Extra Brut Gran Reserva 2004 80,00 90,00  Valduga
41 Don Giovanni Nature 79,92 50,00 Don Giovanni
42 Trivento Nature 78,67 45,00 VCT Brasil

         Cada um da banca degustadora tem sua própria “verdade” e suas preferências que certamente pipocarão em seus blogs, mas este é o resultado da média.  Os meus top 10 foram, pela ordem; Champagne Zoémie de Sousa Marveille Brut / Brédif Vouvray Brut  / Cremant de Bourgogne Cuvée Jeaune Brut / Champagne Taittinger Reserve Brut / Champagne Piper-Heidsieck / Champagne Tsarine Cuvée Premium Brut /  Champagne Drappier Carte D’Or Brut / Chandon Excellence Cuvée Prestige / Cava L’Hereu e El Portillo.

         Ao longo do mês irei publicando posts com comentários sobre os espumantes desta segunda metade da tabela, sempre em grupos de quatro ou cinco. Uma última observação, no caso de empate em pontuação, o desempate se dá sempre pelo preço mais baixo, ok?

Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Grande Desafio de Espumantes – E os Vencedores São?

              Muito bem, já sabemos quem foi o Melhor Espumante Brasileiro, Chandon Excellence, e a Melhor Relação Custo x Benefício Brasileira, o Ponto Nero Extra Brut. Sabemos que o champagne escolhido como o Melhor Champagne foi o Zoémie De Sousa Marveille Brut e vimos alguns outros rótulos de grande valor entre os TOP 10, sem champagnes, publicados ontem. Afinal, como esses rótulos se comportaram no todo, entre os quarenta e dois espumantes provados? Eis, finalmente, os primeiros dez classificados no desafio.

Class. Rótulo Pontuação Preço Médio Prod/Imp.
1 BRÉDIF VOUVRAY BRUT

MELHOR ESPUMANTE do DESAFIO 

91,67 86,00 Vinci
2 Champagne Zoémie de Sousa Brut Marveille 90,00 256,00 Decanter
3 Cremant Bourgogne Louis Picamelot Cuvée Jeaune Thomas Brut 2004 89,58 147,00 D’Olivino
4 Champagne Taittinger Brut Reserva 89,08 200,00 Expand
5 Champagne Tsarine Premium Brut 89,00 170,00 KB-Vinrose
6 Champagne Drappier Brut 88,92 185,00 Zahil
7 Champagne Piper Heidsieck 88,50 180,00 Interfood
8 Excellence Cuvée Prestige 87,33 90,00 Chandon Br.
9 Barton & Guestier Chardonnay Brut 87,08 65,00 Interfood
10 El Portillo Brut 86,25 58,00 Zahil

          Afora a grande surpresa de um espumante do Loire e com esse preço ter sido o grande vencedor do Desafio, tivemos também a confirmação dos muito bons champagnes e desse soberbo Cremant  de Bourgogne que assumiu uma classificação de destaque, técnicamente empatado com o ótimo Zoémie de Sousa. A confirmação do Excellence como um dos grandes espumantes brasileiros, se não o melhor,  a chegada do El Portillo que mostra que também nos espumantes os hermanos argentinos começam a dizer ao que vieram e esse saborosissímo blanc de blanc da Barton & Guestier com um preço muito camarada, uma surpresa muito agradável. Vejamos a seguinte sequência de destaques:

Class. Rótulo Pontuação Preço Médio Prod/Imp.
11 Cava L’Hereu de Raventós i Blanc Brut 86,17 87,00 Decanter
12 Sta. Julia Brut 86,08 43,00 Ravin
13 Marson Brut Tradicional 85,92 59,00 Cave Marson
14 Miolo Millesime 85,67 75,00 Miolo
15 Salton Evidence 85,50 65,00 Salton
16 Veuve Paul Bur 85,00 49,00 Zahil
17 Anna de Codorniu 84,92 70,00 Interfood
18 Raposeira Reserva Brut 84,83 85,00 Vinhas do Douro
19 . Nero Extra Brut 84,75 45,00 Domno
20 Cave Geisse Nature 84,58 45,00 Cave Geisse

                Do décimo-primeiro ao vigéssimo, a consagração de alguns dos bons rótulos brasileiros e, mais uma vez, a presença de um espumante argentino com um ótimo preço comparativamente aos seus adversários neste embate. Afora isso, a confirmação de que existem muito bons espumantes com preços muito bons que a maioria dos amigos certamente terá acesso sem maiores danos ao bolso. Por falar nisso, a Melhor Compra, voto direto dos membros da banca degustadora, foi, obviamente, para o Brédif Vouvray Brut devido a sua incrível performance neste encontro e o preço, uma barbada pelo que entrega de prazer e satisfação. Por outro lado, através de uma fórmula que desenvolvemos no grupo de degustadores, também apuramos a Melhor Relação Custo x Beneficio, só que desta vez escolhemos os TOP 10 deste quesito:

TOP 10 Relação Custo x Beneficio
Rótulo Pontuação Preço Médio Imp/Prod.
SANTA JULIA BRUT   MELHOR  RELAÇÂO CUSTO x BENEFICIO 86,08 43,00 Ravin
Trapiche Extra Brut 84,50 35,00 Interfood
El Portillo 86,25 58,00 Zahil
Barton & Guestier Chardonnay Brut 87,08 65,00 Interfood
. Nero Extra Brut 84,75 45,00 Domno
Veuve Paul Bur 85,00 49,00 Zahil
Cave Geisse Nature 84,58 45,00 Cave Geisse
Marson Brut Tradicional 85,92 59,00 Cave Marson
Brédif Brut Vouvray 91,67 86,00 Vinci
Marco Luigi Reserva da Familia 2008 82,50 30,00 Marco Luigi

             Para mim, a maior surpresa deste quesito foi ver as primeiras três posições tomadas por espumantes argentinos e não brasileiros, assim como por dois franceses de primeira linha. O que me parece preocupante é que, conforme os rótulos nacionais vão ganhando destaque, os preços vão subindo abrindo brechas no mercado para a aparição destes bons rótulos com preços bastante convidativos.

             Enfim, ainda nesta semana publicarei o restante da lista com a classificação geral dos espumantes. Lembro, somente para efeito de uma melhor avaliação e interpretação dos resultados por parte de cada um, que a pontuação dada é uma média obtida da ficha de cada degustador presente em prova ás cegas, anulando-se as notas mais alta e baixa para evitar eventuais distorções. Mas o que significa 89 pontos, 78, ou 91? Temos a tendência, influência de Parker e Cia., a achar que menos de 80 pontos um vinho é ruim, o que está totalmente fora da realidade. Tenhamos em mente o significado da pontuação (mera indicação de qualidade que precisa ser conferida) que, em meu caso, uso exclusivamente para os Desafios de Vinho realizados:

  • Abaixo de 70 pontos – Vinho fraco, ralo, sem qualidades aparentes. Vinho a esquecer.
  • 70 a 74 pontos: Vinho médio, que se não encanta também não desencanta e, ao preço certo para uma ocasião especifica, até dá conta do recado.
  • 75-79 pontos : Bom vinho que já desperta sensações diferentes e que, ao preço certo, nos levará a comprá-lo novamente.
  •  80-84 pontos: Muito bom vinho de boa tipicidade que desperta a atenção e nos traz prazer. Dependendo do preço fica melhor ainda (rs).
  •  85-89 pontos:  Ótimo vinho,  daqueles que despertam sua curiosidade e comentários na mesa, trazendo grande satisfação ao tomar.
  •  90-94 pontos: Excelente vinho de primeira linha que já lhe oferece sensações diferenciadas, que marcam o palato e olfato de forma marcante.
  •  95-100 pontos: Vinhos excepcionais, estupendos, grandes e todos os superlativos juntos! Vinhos de exceção e reflexão que marcam a memória e a alma, além do olfato e palato.  Vinhos, normalmente, para poucas bocas e bolsos.

         Meu muito obrigado ao Armando e Denise do Emporio da Villa, um local que recomendo para o encontro dos amigos enófilos e amantes das boas pizzas, especialmente nesta época do ano repleto de confraternizações. Não fosse o apoio deles e dificilmente poderia ter conseguido montar este Grande Desafio de Espumantes. No entanto, uma andorinha só não faz  verão, e foi essencial a participação de meu novo parceiro e patrocinador a ARC International com as taças da Arcoroc que usamos nas provas assim como a participação de todos os produtores, lojas (BR Bebidas e Portal dos Vinhos) e importadores aqui mencionados com seus devidos links para facilitar o seu  acesso.  “Last but not least”, muito pelo contrário, aos amigos que tão gentilmente participam como convidados da banca degustadora de todos os Desafios lhe aportando credibilidade e qualidade.

Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Grande desafio de Espumantes – TOP 10, sem Champagne

                Como já tinha comentado anteriormente, todos os Champagnes ficaram entre os TOP 10, então quis buscar entre os Desafiantes aqueles que mais se destacaram entre os quarenta e dois provados, afora os dessa fina estirpe. Foi muito interessante fazer esse filtro, pois algumas surpresas vieram á tona. De qualquer forma, fica claro que entre estes TOP 10 e os cinco Champagnes já apresentados, está o ganhador que será divulgado amanhã com a publicação dos resultados gerais do Desafio.

            Dentro o resultado deste filtro; quatro brasileiros, três franceses, um espanhol e, para minha surpresa e imagino que da maioria, dois argentinos. Desta feita não estão por ordem de classificação e os comentarei de forma aleatória. Os dez espumantes de maior destaque foram; Marson Brut (R$59,00), Salton Evidence (R$65), Santa Julia Brut (Ravin – R$43,00), Barton & Guestier Chardonnay Brut Cuvée Reserve (Interfood – R$65,00), Brédif Brut Vouvray (Vinci – R$86,00), El Portillo Brut (Zahil – R$58,00), Cuvée Jeaune Thomas Brut de Louis Picamelot (D’Olivino – R$147,00), Cava l’Hereu Reserva Brut de Raventos i Blanc (Decanter – R$87,00) Chandon Excellence Cuvée Prestige (R$90,00) e Miolo Millésime 2006 (R$75,00). Lembro que os preços são médios, considerado-se São Paulo. Dependendo do estado creio que poderão encontrar, pelos menos os rótulos nacionais, a cerca de 15% mais baratos. Falemos dos vinhos:

Marson Brut, Salton Evidence, Miolo Millésime 2006, Excellence Cuvée Prestige, todos  já foram comentados na semana passada quando comentei os espumantes brasileiros, então não vos aborrecerei repetindo os comentários aqui. No entanto, caso ainda não tenha lido ou queira rever, basta clicar aqui.

Santa Julia Brut – da família Zuccardi e agora trazido pela Ravin, foi uma das gratas surpresas para os degustadores da banca. Insisti que estivesse presente porque me surpreendeu no início do ano quando o provei e confirmou há pouco mais de 90 dias quando a convite da Ravin e do José Alberto Zuccardi, o provei novamente. Um saboroso corte de Pinot Noir com Chardonnay e Viognier, que chama a atenção na taça por sua tonalidade amarelo palha, brilhante, porém com laivos rosados, provavelmente advindos do alto porcentual de Pinot usado no corte. Perlage abundante, fina e muito persistente. No nariz é tímido com leves nuances florais, certamente uma característica trazida pela Viognier, e notas de fermento. Na boca é muito agradável, balanceado, cremoso, saboroso e refrescante com algo de frutas tropicais e boa perlage. O preço é um outro fator a considerar pois é o mais barato de todos os que aqui se destacaram fato que o torna candidato óbvio ao título de Melhor Relação Custo x Beneficio deste embate. Será?

Barton & Guestier Chardonnay Brut – trazido pela Interfood e recém chegado ao Brasil, um Blanc de Blanc da região do Loire e mais uma das ótimas relações Custo x Beneficio encontradas neste Desafio. Aromas cítricos, espuma abundante e persistente formando um bonito colar na taça, perlage consistente e fina.  Na boca, frutos secos, toques cítricos com notas de fermento aprecendo de forma suave e saborosa, boa acidez, fino e delicado muito apetecível e fácil de gostar, daqueles que entregam mais do que custa.

Brédif Vouvray Brut – trazido pela Vinci, mais um espumante da região do Loire, desta feita um Blanc de Blancs resultado do assemblage de Chardonnay com Chenin Blanc. Paleta olfativa complexa com notas de padaria, fermento, baunilha e toque mineral. Ótimo perlage que acaricia o céu da boca de forma sedutora, fino e elegante, cremoso com traços amanteigados e um final longo e mineral com retrogosto mostrando um lado cítrico fresco (algo de lima) e muito saboroso. Um espumante de primeira linha que empolgou e cativou a maioria da banca degustadora.

Cava L’Hereu Reserva Brut 2006 – nos chega pelas mãos da Decanter sendo resultado do corte típico dos espumantes com esta denominação; Macabeo/Xarel-lo e Parellada. Uma cava muito fina e delicada, espumosa, perlage abundante porém de pouca persistência. Mineral, frutos cítricos com algo de leveduras presentes no olfato de forma sutil sem grande intensidade, mas bastante convidativa. Muito boa acidez, agradável e fácil de gostar, mostrando-se muito fresco e equilibrado. Ótima cava.

Cuvée JeauneThomas Brut de Louis Picamelot – um cremant de Bourgogne, importado pela D’Olivino, que encanta e tira o fôlego, fruto de um corte de Chardonnay com Alligoté. Aromas intensos de; levedura, amêndoas tostadas, baunilha, frutos tropicais, nuances florais tudo muito bem equacionado formando um conjunto olfativo complexo e cativante. Na boca é pura harmonia, bom corpo, ótima textura que traz aquela sensação de boca cheia com um mousse delicado e marcante. Final de boca bem fresco com notas delicadas de lima. Tínhamos a certeza que era champagne, não era! Grande Cremant.

El Portillo Brut – mais um argentino presente entre os espumantes TOP deste Desafio o que só vem confirmar que eles chegaram! Importado pela Zahil, é um corte tradicional de Chardonnay e Pinot elaborado pelo método Charmat elaborada pela Bodegas Salentein. Aromas típicos como brioche, leveduras, algo de manteiga temperado com toques de maracujá e abacaxi mostrando um nariz de certa complexidade. Boa perlage de tamanho médio e abundante, na boca apresenta bom volume, frescor, com uma acidez não tão comum aos espumantes argentinos, balanceado com um final algo cítrico e um sutil toque de leveduras muito sedutor.  Mais uma surpresa dos hermanos.

           Bem cheguei ao fim e prometo não enrolá-los mais, amanhã publico a lista completa e ao longo do mês farei pequenos posts comentando os outros espumantes provados. Kanimambo pela visita e vejo vocês aqui amanhã.

Salute

Grande Desafio de Espumantes – os Champagnes

               Dentro os quarenta e dois rótulos apenas cinco de Champagne, mas deu para tirar as eventuais dúvidas existentes. A primeira delas, como aliás comentado pelo amigo Álvaro (Divino Guia) na degustação, é de que a Pinot Meunier faz diferença no assemblage (todos com a participação das três cepas tradicionais – Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier) e a segunda de que realmente são excelentes espumantes que não é á toa que possuem a fama que têm. Estão num patamar algo acima dos demais e se, alguns pontuais concorrentes existem, esses são poucos num universo de tanta coisa boa disponível naquele pedacinho de céu chamado Champagne.

               O que falar sobre os cinco champagnes provados que já não tenha sido dito por outros? Gente muito mais capacitada já comentou e destrinchou esses vinhos de uma forma que, provávelmente, eu já jamais conseguirei, então fica aquele negócio de chover no molhado. Já provei muitos, entre eles um que me deixou apaixonado e inebriado sendo um dos melhores vinhos que já tomei, mas confesso que tomei poucos porque, lamentavelmente, o bolso não alcança, então são objetos de desejo que, efetivamente, são consumidos em momentos muito especiais de celebração.

            De qualquer forma não há como fugir da raia e, como já dizia o saudoso e “complexo”  Vicente Mateus, “quem sai na chuva é para se queimar”, então vamos lá, por ordem de classificação entre os cinco champagnes presente a este Grande Desafio, ressaltando que todos eles estão entre os TOP 10 da prova. Como não podia deixar de ser, a perlage em todos eles mostrou-se constante, muito fina e persistente, dentro do que se espera de um bom champagne. Apesar de não divulgar as notas hoje, deixo como curiosidade o fato de que entre o primeiro e o último champagne, meros 1,5 pontos ou seja, nada!

1º – Zoémie De Sousa Cuvée Marveille Brut  – importado pela Decanter e, na minha opinião um dos melhores do desafio, se não o melhor, que se mostrou algo mais evoluido e sedutor que os outros concorrentes da região.  De uma finesse impar tanto no olfato como no palato, foi o que mais entusiasmou a maioria dos degustadores.  Nariz muito complexo onde afloram aromas de coco queimado, baunilha, brioche, leveduras, uma verdadeira boulangerie (rs) com alguma nuance cítrica. Na boca é denso, cítrico, incrivelmente harmônico , mousse clássico lhe dando leveza , frescor na medida certa formando um conjunto que chega a empolgar e por isso se colocou melhor que seus pares. Entre todos os Champagnes, o meu preferido deste embate.

2º – Taittinger Brut Reserve – pêssego, damasco, algum floral numa paleta olfativa de não tanta intensidade, mas muito elegante e sedutora que nos atrai a levar a taça á boca onde essa elegância persiste com muita classe. Macio, cremoso, equilibrado e muito delicado terminando bastante longo, fresco e agradável com uma perlage muito fina e abundante que acaricia o céu de boca. Sedutor. É trazido com exclusividade pela Expand, mas encontrado em diversas outras boas lojas do ramo.

3º – Tsarine Cuvée Premium –  como característica, uma perlage extremamente fina, persistente mas não muito abundante. Muito rico, denso, cremoso e gentil ao palato, é um espumante algo diferente produzido por casa de grande tradição, Chanoine. Uma paleta olfativa complexa com intensa presença  de notas lácteas, torta de morango e fermento com algo de caramelo e cevada no final de boca em que também aparecem nuances cítricas. Bastante complexo e interessante. Quem o traz é a KB-Vinrose do Rio de janeiro, mas este apareceu na prova devido á gentileza da BR Bebidas  (São Paulo) que nos disponibilizou  a garrafa.

4º – Drappier Carte d’Or Brut – Borbulhas muito finas presentes  em  grande número e de boa persistência formando um bonito colar na taça. Bem mineral, pêra, brioche, frutas secas, lembra panetone, presentes no nariz. No palato mostra-se cítrico, fresco e saboroso com um final com amêndoas tostadas sob laranja confeitada. Muito gostoso e disponível na Zahil (seu importador e distribuidor exclusivo) e diversas lojas especializadas.

5º – Piper-Heidsieck Brut – Talvez o mais fresco e vibrante de todos eles e, arriscaria dizer, mais jovial e franco. Fermento e aromas de frutas cítricas (grapefruit?), nectarina presentes no nariz e que se repetem na boca de forma delicada e bastante suave em comparação com os outros champagnes presentes. Vibrante, bem balanceado, elegante e fino, suculento, um champagne cativante e apetecível a qualquer dia e hora. Importado pela Interfood e disponível na maioria das boas lojas especializadas.

              Pela fórmula matemática que usamos nos Desafios, a Melhor Relação Custo x Beneficio ficou com o Tsarine Cuvée Premium Brut. Muito bons produtos e fico imaginando se o vencedor do Grande Desafio de Espumantes será um deles? Provavelmente sim, porém nunca se sabe pois acidentes e surpresas acontecem. De qualquer forma, este é o momento do ano em que pipocam promoções com espumantes e champagnes (veja algumas nos posts Dicas da Semana nesta útima Sexta e Sábado) para tudo o que é lado e nada melhor, podendo, do que comprar um destes bons rótulos, garanto que sairá satisfeito com a experiência. Para saber mais dados, inclusive preços, de cada um, clique aqui. Outros poderiam estar aqui, porém ou não tive acesso ou não houve interesse das importadoras convidadas. Quem sabe no próximo ano?!

            Salute, kanimambo e siga acompanhando nossa viagem de descobertas  pelo mundo dos espumantes neste mês de Novembro passado. Quem será que faturou? Vai arriscar?!

Grande Desafio de Espumantes – os Brasileiros

           Não é de agora que os espumantes brasileiros são bons, mas faz um pouco mais de três para quatro anos que a mídia e os produtores iniciaram um trabalho mais forte de divulgação. Contrariamente aos vinhos tranqüilos onde a produção nacional, apesar da grande melhora de qualidade, perdeu espaço no mercado desde 2005 para os importados, no segmento de espumantes o inverso acontece com um crescimento de participação porcentual do mercado de cerca de 64% em 2004 para 75% em 2009. Somente neste ano o crescimento de vendas atingiu 14% sendo no Moscatel onde essa média é mais alta, cerca de 22%. Daí a começarmos a falar que o Brasil se tornou um dos três melhores produtores do mundo e que em alguns casos até champagne bate, num afã nacionalista muito típico nosso, não demorou muito. Minha avaliação geral é que, sim nos Moscatel estamos muito bem e entre os melhores do mundo, mas nos Rosés e Brancos apesar dos bons rótulos produzidos, ainda temos muito a crescer, inclusive no quesito regularidade.

          Deixo claro que é uma opinião particular, compartilhe ou jogue pedra quem quiser, mas acho que afora os investimentos necessários no vinhedo e na produção, um dos principais problemas para nos tornarmos realmente membros da elite dos espumantes é a falta de constância. Isto pelo que tenho observado nos últimos quatro para cinco anos, com algumas poucas exceções. Ainda é muito comum um determinado produtor estourar na mídia e na critica num determinado ano e no outro ficar bem aquém. Precisamos tempo para poder demonstrar nossa qualidade, humildade para seguir trabalhando na melhoria, constância de qualidade e um maior intercâmbio com o mercado e produtores internacionais. Temos muito bons espumantes, alguns até ótimos, bons preços, mas mantenhamos os pés na terra e deixo o forum aberto para comentários.

          Pessoalmente gosto muito dos nossos espumantes que trazem um frescor e uma característica cítrica muito interessantes que, a meu ver, são muito a cara do Brasil. Por isso convidei alguns dos principais produtores nacionais tendo o Brasil representado  cerca de 36% dos rótulos em prova com quinze espumantes que, só para relembrar, listo agora com menção do método de elaboração usado: Miolo Millésime Brut – R$75 (tradicional), Salton Evidence  Brut– R$65 (tradicional), Chandon Excellence Brut – R$90 (charmat), Marson Brut– R$59 (tradicional), .Nero Gran Reserva Extra Brut – R$45 (charmat longo), Valduga Gran Reserva Extra Brut 2004 – R$90 (tradicional), Cave Geisse Nature 2007 – R$45 (tradicional),Pizzato Brut – R$45 (tradicional), Dal Pizzol Brut – R$45 (tradicional), Do Lugar – R$32 (charmat), Don Giovanni Ouro – R$75 (tradicional), Marco Luigi Reserva da Família Brut – R$30 (tradicional), Villaggio Grando /SC – R$40 (charmat), Valduga 130 Brut – R$65 (tradicional) e Don Giovanni Nature – R$50 (tradicional). Destes, os que mais se destacaram na prova foram, por ordem de classificação, os que seguem:

1º Chandon Excellence Cuvée Prestige – Um senhor espumante que consegue juntar o frescor e característica cítrica dos espumantes nacionais com a complexidade dos franceses, não fosse a casa produtora originária de lá. Este não peca pela ausência de constância e a cada vez que o provo ele se mantém neste alto nível. Perlage muito boa, fina e abundante, mostrando que o método charmat pode sim gerar espumantes muito elegantes, formando um colar de espuma atraente na taça. Mineral bem presente, cítrico invocando laranja confitada, algo de fermento e brioche com nuances tostadas compõem uma paleta olfativa bastante complexa e delicada.  Já na boca é cremoso, gostosa textura, um produto de muita qualidade que seduz os mais exigentes e termina muito fresco com algo de frutas secas e novamente aquela presença gostosa de notas minerais.

2º Marson Brut – Uma grata surpresa de um espumante bastante tradicional no mercado que mostra uma perlage bastante fina e de boa persistência. No mais, talvez o mais exótico de todos com presença de frutas tropicais maduras como abacaxi e banana combinadas com um frescor imenso, fruto da ótima acidez muito bem balanceada formando um conjunto que satisfaz sobremaneira deixando na boca um gostinho de quero mais. Leve, gostoso, um final bem frutado e de boa persistência que abre o apetite.

3º Miolo Millésime Brut 2006 – Top dos espumantes da Miolo, é um pouco pálido na cor, mostrando-se ao nariz com aromas mais presentes de levedura e algo cítrico com nuances de amêndoas torradas. Na boca apresenta maior corpo, enche mais a boca e a cremosidade advinda de uma espuma abundante invade a boca com muito frescor. Perlage de tamanho médio, abundante e de boa persistência. Na boca é equilibrado, saboroso, um espumante que nos seduz facilmente e que já é boa companhia para uma refeição.

4º Salton Evidence Brut – Nariz citrino com nuances de flores brancas, tudo muito sutil e delicado convidando a levar a taça á boca. Na boca é fino, equilibrado, bom colar de espuma, muito boa perlage, fina, regular e consistente que nos massageia a boca com pequenas agulhas e mostra nuances tostadas, algo de padaria e bem mineral com um final onde desponta algo de maçã verde e muito boa acidez.

5º .Nero Extra Brut –  Elaborado pelo método charmat longo de seis meses que resulta num número considerável de bolhinhas bem finas e persistentes, muito cítrico e fresco numa boca gulosa, franca sem grande complexidade, mas muito saboroso que nos faz pedir mais uma taça, e outra, e outra … Prima pela finesse, final elegante, vibrante com toques de maracujá. Entre os Brasileiros, foi considerado o Melhor Custo x Beneficio

6º Cave Geisse Nature 2007 –  Aromas muito agradáveis, com um leve brioche intermediado por algo cítrico, nuances doces (mel) e toques florais muito sutis e elegantes. Na boca é cremoso, acidez maravilhosa que aporta um incrível frescor, balanceado, final muito saboroso, delicado com notas minerais e muito longo. Um espumante muito fino e sedutor tendo apresentado um leve amargor final que não chegou a incomodar.

          Todos espumantes que fazem juz aos comentários positivos da mídia especializada, ou seja sem grandes surpresas, que eu compraria sem exitar pois me agradaram muitíssimo. Na sequência os outros nove desafiantes: Valduga 130 / Pizzato Brut / Marco Luigi Reserva da Família Brut 2008 / Do Lugar Brut / Dal Pizzol Brut / Villaggio Grando (recém lançado nem rótulo tinha ainda, sendo a primeira prova dele) / Don Giovanni Brut Ouro / Valduga Extra Brut Gran Reserva 2004 e Don Giovanni Nature que compuseram um nível de qualidade bastante alto.

         Em Fevereiro deverei ir a Portugal e quero armar, com alguns amigos blogueiros de lá,  um Desafio Luso-Brasileiro de Espumantes durante minha estadia. Serão oito rótulos (os TOP 6 acima mais dois convidados) versus sete portugueses, meu primeiro Desafio Internacional. Bem, por hoje é só, na sequência outros posts sobre esta deliciosa maratona de espumantes que, neste quente verão, são um must! Nada de ficar esperando ocasiões especiais, abra um espumante e faça o momento especial. Quer coisa mais chique do que naquele encontro com os amigos abrir um espumante de boas-vindas? Melhor, não precisa nem gastar muito para isso!

Salute, abraço e kanimambo.

Grande Desafio de Espumantes – A Forma

         A partir de hoje começo a publicar os resultados deste Grande Desafio em que degustamos 42 espumantes de tudo o que é gênero e estilo. Uma das dificuldades foi encontrar uma forma de falar deles sem que se cometessem injustiças, pois, como numa competição automobilística de longa duração, competiram rótulos de diversas “cilindradas”. Eis um resumo das diversas origens presentes:

  • Cinco Champagnes
  • Seis franceses de outras regiões
  • Dois de Portugal (me faltaram mais dois que queria que estivessem presentes, mas não deu)
  • Quatro da Argentina
  • Um do Chile
  • Um da Austrália
  • Três da Itália (me faltou um Franciacorta)
  • Cinco da Espanha
  • Quinze do Brasil

            Muitos outros poderiam e até deveriam estar por aqui, mas alguns dos convidados não deram bola (sequer responderam), outros não tive acesso e outros, ainda, só me toquei depois que o trem passou! De qualquer forma, o que já foi já foi e, em cima dos resultados obtidos, optei por divulgar os resultados por partes, até porque é muita coisa, da seguinte forma:

  • Melhor Brasileiro com comentários sobre os TOP 6, sem divulgar a pontuação média obtida.
  • Melhor Champagne com comentários sobre todos, porém também sem a pontuação.
  • Melhor Espumante, exceto champagne, com comentários sobre os top 10, também sem pontuação.
  • Campeão do Desafio (todos os rótulos) com a lista completa de pontuação média obtida na prova, porém comentando somente os primeiros 20 rótulos em dois posts.
  • Divulgação do Melhor Custo x Beneficio (fórmula matemática) e Melhor Compra (voto direto da banca de degustadores).

              Quais alguns dos paradigmas que busquei conferir com este Grande Desafio de Espumantes? Bem, parte deles já foram esclarecidos nos Desafios de Espumantes Rosé e de Moscatel e continuarão sendo nestes resultados do Grande desafio que publicarei aos poucos, porém tire você suas próprias conclusões da análise de resultados:

  • Qual o verdadeiro estágio dos espumantes brasileiros comparativamente aos outros disponíveis no mercado?
  • Os Champagnes são mesmo melhores que todos os outros espumantes?
  • Preço é indicativo de Qualidade? O vinho mais caro é o melhor?
  • Qual o verdadeiro estágio de nossos hermanos argentinos e chilenos neste segmento de vinhos?
  • Os brasileiros são o melhor custo x beneficio do mercado?
  • Nome ganha jogo?
  • Espumantes elaborados pelo método charmat são inferiores aos elaborados com o método tradicional?

              Lembrando que esta degustação, como em todos os Desafios de Vinho que organizo, é realizada às cegas e os rótulos servidos em ordem aleatória. As conclusões cada um tirará as suas e certamente, como sempre, haverão vozes discordantes, porém os resultados são isentos e fruto de média de pontos dada por cada degustador que compôs a banca (nomes já divulgados anteriormente), anulando-se a menor e maior nota dada para que se evitem eventuais distorções.

             Amanhã já começo a divulgação dos posts e depois irei intercalando com outras matérias que, creio, também são de interesse comum dos leitores amigos que me prestigiam. Desta vez não inclui, com algumas poucas exceções, os rótulos mais econômicos (até R$35,00) que farão parte de outro Desafio que já estou armando. No entanto, como já mostrado na lista de Desafiantes que participaram desta prova, há um pouco de tudo e, Natal e ano Novo requerem um algo mais, não?!

            Só para aguçar a curiosidade, veja abaixo um preview com a média unitária apurada por país (Chile, Portugal e Austrália estão agrupados porque existem somente dois ou menos participantes por país) que, obviamente, é muito relativo já que outra prova com outros rótulos, outra banca e outro número de desafiantes por país certamente deverão gerar outros resultados. No ano que vem farei uma outra quando, com mais tempo de organização, espero poder ampliar o universo de rótulos e regiões provados com a inclusão de rótulos dos Estados Unidos, África do Sul, etc. Este ano, propositalmente, quis privilegiar os espumantes brasileiros. De qualquer forma, creio que a seleção de desafiantes em prova foi bastante expressivo sendo este um exercicio bastante interessante e bem representativo do que o consumidor encontra hoje no mercado, ou não?

Grupos

Média Unitária

Champagnes

89,10

Outros Franceses

86,60

Espanha

84,07

Argentina

83,88

Brasil

83,41

Chile + Austrália + Portugal

82,98

Itália

82,97

Não poderia deixar de agradecer ao Armando e Denise do Emporio da Villa pelo apoio cedido a estas provas e ao Renato que nos serviu mais de duzentas taças por noite. As pizzas, maravilhosas com preço justo e o ambiente dez. Aos amigos que moram na região do Morumbi, fica aqui a minha indicação e sugestão.

Salute, kanimambo e vos vejo por aqui

Grande Desafio de Espumantes

Esta é a terceira prova do grande painel que estou avaliando este mês. Já tivemos uma dúzia de espumantes moscatel, uma dúzia de espumantes rosés e agora quarenta e dois rótulos entre Champagnes, grandes Cavas, cremants de Bourgogne, de Alsace, Prosecco  e espumantes de qualidade da Austrália, Chile, Argentina, Portugal e, obviamente, a maioria dos tops brasileiros sejam eles elaborados pelo método charmat ou tradicional/clássico. Ao final deste mês, teremos provados 66 espumantes que só vêm agregar aos muitos já comentados, sugeridos e recomendados ao longo destes primeiros dois anos de vida de Falando de Vinhos.

               Trabalho insano, nem sempre entendido e se arrependimento matasse, eu estaria ….. vivo! Não está sendo fácil não, ainda mais depois de um acidente (todos bem) que me deixou sem um carro durante todo o mês, mas não me arrependo não pois estou coletando dados e ganhando muita experiência que tento, na medida de minhas limitações, partilhar com os amigos que me visitam  quase que diariamente o que, por sinal, é uma baita responsabilidade que levo muito a sério. A organização de tudo isto é complicada e juntar a banca de degustadores tantos dias um outro quebra-cabeças nem sempre bem sucedido até pelos afazeres profissionais de cada um e convites mais interessantes que o meu.  

           Para compor a banca de degustadores desta prova que é dividida em dois dias de degustação os amigos; Álvaro Galvão (Divino Guia), Breno Raigorodsky (cronista e juiz FISAR), Simon Knittel (Kylix), Emilio Santoro (Portal dos Vinhos), Alexandre Frias (Diario de Baco/Enoblogs), Daniel Perches (Vinhos de Corte), Dr. Luís Fernando Leite de Barros (enófilo), Evandro Silva e Francisco Stredel (confraria 2 panas), Ralph Schaffa (restauranteur) e eu que nos reuniremos nas aconchegantes instalações da casa dos amigos Armando e Denise, o Emporio da Villa. Afora degustarmos esses deliciosos e refrescantes caldos, nada como algumas deliciosas pizzas da casa. Tem diversas ótimas e criativas opções, mas quatro em especial eu recomendo; a de abobrinha temperada com queijo brie, a de alcachofra e as de salmão e al mare que sugiro acompanhar com um Sauvignon Blanc bem fresco, yummy!

             Mas vejamos o que nos espera nesses dois dias. Certamente muito outros rótulos e produtores poderiam estar aqui, alguns foram convidados e não se manifestaram e outros, bem a quantidade de rótulos é enorme! De qualquer forma, creio que com os rótulos aqui listados temos um grupo de desafiantes bastante heterogêneo e  uma mostra razoável do que de bom existe no mercado.

DIA 1

DIA 2 

Champagne De Sousa Zoémie Cuvée Merveille Brut – Decanter – R$256,00 Champagne Piper Heidsieck – Interfood – R$180,00
Champagne Taittinger Brut – Expand – R$200,00 Champagne Drappier Brut Carte d’Or– Zahil – R$185,00
Champagne Tsarine Brut – KB-Vinrose/BR Bebidas – R$170,00 Cremant Bourgogne Picamelot Cuvée Jeaune Thomas Brut 2004 – D’Olivino – R$147,00
Cava Juve y Camps Brut Nature 2004 – Peninsula – R$168,00 Marrugat Cava Gran Reserva Nature 2004 – Winery – R$75,00
Cave Geisse Nature – Cave Geisse/Vinhos do Mundo – R$45,00 Don Giovanni Nature – R$50,00
Chandon Excellence – BR Bebidas – R$85,00 Miolo Millesime – R$75,00
Moinet Millesimato Prosecco Brut 2007 – Winery – R$ 65,00 Incontri Prosecco VSAQ – Vinea – R$97,00
Cremand Cuvée Sylvain (Loire) – Cave Jado – R$59,00 Marc Brédif Vouvray Brut – Mistral – R$86,00
Marco Luigi Reserva da Familia Brut 2006 – R$30,00 Pizzato Brut – R$45,00
Valduga Extra Brut Gran Reserva 2004 – R$90,00 . Nero Extra Brut – Domno do Brasil – R$45,00
Cava Freixenet Cordon Negro – R$49,00 Cava L’Hereu Reserva Brut  de Raventós i Blanc – Decanter – R$87,00
Don Giovanni Ouro 30 – R$75,00 Valduga 130 – R$65,00
Salton Evidence – R$70,00 Anna de Codorniu – Interfood – R$75,00
Barton & Guestier Cuvée Reservée Chardonnay Brut (Loire) – Interfood – R$65,00 Cremand Cuvée Plaisir Perlant (Alsace) – Cave Jado – R$86,00
Marson Brut método tradicional – Eivin – R$59,00 V. G. Brut – Villaggio Grando – R$40,00
Spumante Incontri Muller Thurgau – Vinea – R$73,00 Bridgewater Mill Sparkling (Austrália) – Wine Society – R$78,00
Santa Julia Brut – Ravin – R$43,00 Trapiche Extra Brut – Interfood – R$35,00
El Portillo Reserva Brut – Zahil – R$58,00 Casillero Sparkling  – VCT Brasil – R$75,00
Raposeira (Portugal) – Vinhas do Douro/BR Bebidas – R$85,00 Irresistibile Reserva Brut (Portugal) – Sem importador
Do Lugar Charmat – Dal Pizzol -R$32,00 Dal Pizzol Brut tradicional – R$45,00
Espumante surpresa Veuve Paul Brut Brut – Zahil – R$49,00
   

            O porquê deste melange?  Primeiro porque gosto de desafiar o establishment, segundo porque a única forma plausível, pelo menos a meu ver, de comparar qualidade e sabores de vinhos é numa comparação direta ás cegas e terceiro porque quero conferir algumas “verdades” de nossa vinosfera. Por outro lado, é um tremendo exercício sensorial para quem participa da banca. Se os tomasse a todos em casa, tranquilo, avaliando todos os aspectos com calma e curtindo o caldo, certamente seria mais prazeroso, mas longe de ser tão didático. Afora isso, importante que um painel deste porte não ficasse apenas restrito a uma pessoa e sim a dez o que lhe dá outro valor.

           Bem amigos, isto foi só para vos deixar com água na boca no aguardo dos resultados que publicarei na próxima segunda dia 30 e mais detalhadamente em outros posts ao longo do mês de Dezembro assim como na coluna dos jornais Planeta Morumbi e Planeta Oceano.  Por enquanto é só, salute e kanimambo por visitar.

Altorfer, um Suiço em Mendoza.

         Ou será em São Paulo? Na verdade, um pouco aqui um pouco lá! É a história de muitos hoje em dia num mundo cada vez menor e mais cosmopolista. Estes seres cosmopolistas descobrem Mendoza trezentos anos depois dos jesuítas que viram nestas terras uma série de vantagens para a produção de vinhos, e transformam a região numa grande babilônia. Felix Martin Altorfer é um desses seres que após longa carreira como executivo de multinacionais com grande atividade na América do Sul e vivendo em São Paulo, reúne um grupo de investidores e opta por produzir vinhos de qualidade em Mendoza tendo como um de seus principais mercados sua terra natal, Suiça.

         De um bate-papo num encontro de amigos, nasce o contato de Don Martin com a Cátia Betta e Giselda Badelucci da Wine Lover´s (os mesmos que venceram meu Desafio de Uvas Ícones com seu Pezzy King 05, um saboroso Zinfandel) que iniciam as importações destes vinhos da Viñas Don Martin. Foi num português fluente, para minha surpresa inicial, que Don Martin nos recebeu junto com as anfitriãs no aconchegante Bela Sintra para um almoço informal com meia dúzia de pessoas do setor, entre eles os colegas Jeriel e Álvaro Galvão assim como o amigo Walter Tommasi da Revista Freetime (link aqui do lado).

        É em Alto Agrelo, região privilegiada de Mendoza de onde vêm alguns dos melhores caldos argentinos, que Don Martin comprou 60 hectares de terra e iniciou sua plantação de vinhedos a partir de 2004 tendo concentrado investimento em Malbec, que representa cerca de 50% das vinhas, mais Cabernet Sauvignon, Syrah, Petit Verdot e Chardonnay. Em 2008 foram  produzidos algo ao redor de 80 mil litros (120 toneladas de uva) com um pouco mais disso sido vendido a terceiros. Para assessorá-lo neste empreendimento, o enólogo Roberto de La Motta com uma muito bem sucedida na Chandon da argentina com o vinho Terrazas e que hoje possui sua própria bodega (Mendel). Resultado? Surpreendente! Não só pelos vinhos, mas essencialmente por uma política comercial sã que nos apresenta bons vinhos com preços justos e muito convidativos.

          Neste gostoso almoço, não só pelo local e comida mas especialmente pelas pessoas presentes, tivemos oportunidade de provar dois rótulos dos cinco produzidos pela Vinas Don Martin sob a marca Fincas Altorfer, o Malbec 2007 e o corte Malbec/Cabernet Sauvignon 2007 que são os que a Wine Lover´s presentemente está trazendo. Afora estes dois, os produtore elaboram um roé de Malbec, um Syrah e um Cabernet Sauvignon que me deixou bastante curioso já que tenho gostado muito dos cabernets desta região que acho, inclusive, superiores aos Malbecs. Outros rótuloscomo o Chardonnay e uma linha reserva,  virão, mas há que aguardar. De qualquer forma falemos destes vinhos provados que me agradaram muito e recomendo aos amigos como duas ótimas opções numa faixa de preços que requer muito garimpo. Muito boa relação Qualidade x Preço x Prazer.

Finca Altorfer Malbec 2008 – com imperceptíveis 14,9% de teor alcoólico, um vinho que prima pelo equilíbrio. Normalmente não costumo comprar vinhos, que não conheça, com tal teor de álcool, já que é difícil produzir vinhos tão potentes sem perder a elegância que é um dos predicados que busco nos vinhos que compro e recomendo. Pois bem, de la Motta acertou a mão, o vinho mostra a concentração de fruta vermelha tipica que se busca no Malbec, porém sem exageros , taninos ainda presentes, pois o vinho ainda está bastante jovem, porém finos, aveludados, sem qualquer agressividade com uma acidez apetitosa no palato e diria, até algo delicado.

Finca Altorfer Malbec/Cabernet 2007 – um teor de álcool mais “civilizado”, apesar de ainda algo alto com 14,1% porém mais uma vez o equilíbrio adequado que faz com que não se note quando na temperatura adequada. Muito fruto negro, aromas tostados e algo especiarias presentes num vinho que se apresentou mais pronto nos taninos, redondo e elegante porém denso mostrando boa estrutura e uma riqueza de sabores atrativos que convidam à próxima taça. Harmônico, mais um belo trabalho do enólogo que aplica somente três meses de madeira a estes vinhos para que se agregue alguma complexidade sem que se encubra a fruta que é o principal foco.

            Por seu corpo, achei que o corte daria a melhor harmonização com o arroz de pato, porém dei com os burros n’água  (como dizem na minha terra) já que o Malbec se mostrou mais parelho para o prato, assim como o fez com o bacalhau, apesar dos taninos um pouco mais jovens. Só para mostrar que em harmonização não existem regras e que a teoria na prática acaba, invariavelmente, sendo outra. Agora vem a cereja no creme, o preço de R$48,00 que a Wine Lover´s pratica e, se for um cliente VIP (basta se associar ao clube e seguir algumas regras de compra – clique lá e confira), este valor cai para abaixo de R$40,00. Ainda bem, para nós consumidores, que ainda encontramos bom senso no mercado e tiro chapéu para o duo, produtor e importador, que entendem o consumidor mesmo tendo um negócio a tocar e miram longe.

            Para finalizar um almoço muito bem harmonizado entre vinhos, pessoas e pratos, uma bandeja de doces que é uma coisa de sonhos.  Não vou falar nada, até porque dizem que uma imagem vale mais que mil palavras e esta creio que vale por bem mais!

Salute e kanimambo.

Variações de Rosa

          Uma das coisas que mais me impressionou neste Desafio de Espumantes Rosé do qual publiquei os resultados ontem, afora o sabor e frescor obviamente, foi a variação de tons de rosa. Não resisti e montei este slide show dos ganhadores com fotos minhas da Fátima e da Denise. Salute amigos e aproveitem este verão tomando algumas desta deliciosas borbulhas rosadas. Na Quarta tem vinhos argentinos muito saborosos e de bom preço no mercado, na Quinta a lista dos 42 vinhos que comporão o Grande Desafio de Espumantes com rótulos de todos os países inclusive Champagnes, grandes cavas, cremants e os top nacionais, na Sexta um especial de Dicas da Semana com uma lista de boas compras em espumantes. Como diz a música e aproveitando que estes espumantes têm gosto e vibe de festa, “Come Join The Party”! Vejo vocês por aqui.

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Kanimambo

ps. Só agora vi que o Rock You não disponibiliza a opção de eliminar som. Deixa qualquer um louco!!!!! estou tentando desativar, por enquanto aguentem aí! rsrs