Degustações

Cadus na Casa de Nieto, Boas Surpresas na Taça

Cadus Brut NaturePara quem não conhece, a Casa de Nieto Senetiner, onde em companhia de outros colegas blogueiros fomos recebidos com muita hospitalidade pelo “gerente” da casa e sommelier Mauricio Marcondes, é a base deste importante produtor argentino em São Paulo. Para a maioria de nós, a Nieto é sinônimo de vinhos simples e baratos, fama feita em cima de muitos anos de Benjamim e outros vinhos similares. Quem nesta vida de enófilo pode dizer que nunca provou um desses vinhos? Eu, por exemplo, sempre gostei de seu Benjamin Chardonnay, um vinho gostoso, fresco e fácil. Mas esta vinícola em atividade desde 1888 e desde 1998 nas mãos do grupo alimentício argentino, Molinos tem bem mais a oferecer e o ícone dos Bonardas, o Edicion Limitada, é um exemplo do que podem fazer e revolucionou a produção de vinhos com essa uva em terras argentinas. O que poucos conhecem, no entanto,  é sua linha top, a Cadus (ânfora no dialeto local), e eu também não, então deixa eu compartilhar com vocês essa experiência.

Fomos recebidos por um espumante Cadus Champenoise Brut Nature, um  Blanc de Noir elaborado com Pinot Noir  (70%) e Malbec. Como a maioria dos Blanc de Blanc, sua cor nos remete a um rosado claro no estilo casca de cebola. Os vinhos base passam por um período de 3 a 6 meses de barrica e a segunda fermentação é de 18 meses sur lie e uma peculiaridade (nunca vi antes) que faz a diferença, um leve toque de grappa  no degorgement em vez de licor de expedição. Muito interessante, não é fácil, mas é muito interessante para os que curtem bons e diferente espumantes. Marcante de personalidade muito própria e inconfundível, harmonizou muito bem com os diversos canapés, especialmente com os de salmão e kani. Tomamos a garrafa 65 das poucas 7.000 produzidas.

Posteriormente fomos apresentados a três tintos e mais uma surpresa para lá de agradável ao final. Falemos dos tintos:

Cadus Grand Vin 08, elaborado pela primeira vez em 94, é um blend muito equilibrado de Malbec (50%) com Cabernet Sauvignon e Bonarda que passam por 24 meses de barricas novas francesas e pelo menos 12 meses de afinamento em garrafa antes de sair ao mercado. Um belo vinho que só vem confirmar o que venho falando já faz um tempo sobre os vinhos argentinos, os blends estão melhores, mais elegantes e complexos que os varietais por lá produzidos, ojo! O corpo e estrutura estão lá, o álcool mais comedido e bem integrado também, mas é cavalheiro de fino trato como demonstra na taça. Muito bem harmonizado com o filé com shiitake, é um vinho com preço ao redor dos R$170.

Cadus Blend of Vineyards Malbec 08, a primeira safra deste vinho que é composto de uvas de diversas sub-regiões de Lujan de Cuyo; Agrelo/Vistalba e Vistaflores, todos terroirs privilegiados! Doze meses de barrica e doze de garrafa, é um vinho franco de grande impacto na entra de boca, “amansa “ no meio de boca e temina com taninos fino e sutis com um frescor agradável e supreendente. Ótima fraldinha com legumes e um preço por farrafa ao redor dos R$150,00.

Cadus Single Vineyard 07, de Agrelo, foi elaborado pela primeira vez em 2000 com vinhas de mais de 35 anos de idade. Vinho premium, com 24 meses de barrica nova francesa e 24 messes de garrafa, é um vinho de guarda e mostrou isso na taça. Escuro, potente, grande estrutura, boca densa, álcool na casa dos 15,5% bem integrados no conjunto, um  bom vinho para os amantes deste estilo tomarem agora e quem aprecia mais elegância, como eu, terá um grande vinho em mãos dentro de três ou quatro anos. Bom já, mas certamente valerá a pena esperar um pouco mais. Aliás, já diz o ditado, o apressado come cru! Vinho já na casa dos R$200 que ficou divino com o ragu de cordeiro sobre polenta cremosa com que foi harmonizado. Uma bela “maridaje”!

Por falar em ditado, best things for last, como dizem os gringos! O Mauricio saiu e voltou com um vinho que decantava fazia 4 horas e nos ofereceu uma prova às cegas. Malbec, sem duvida! Cor rubi, escuro e denso, aromáticamente muito complexo com a tradicional fruta peculiar á casta, mas também notas animais e sutil floral. Muito estruturado, rico, vivo, poderoso, notas de frutos negros, final com chocolate, cacau, taninos aveludados muito presentes e longo, muito longo. Certamente um vinho TOP ainda muito jovem, acreditamos todos nós. Ledo engano!! Cadus Estiba 39, safra, pasmem, 2000!!!!!!!!!! Um vinho também single Vineyard (Agrelo) de vinhedos com idade superior a 45 anos de rendimento médio com fermentação e maceração prolongada por 25 dias a 28-32ºC em pileta (tanques de cimento) de pequeno volume (entre 3000 e 5000L) com amadurecimento por 24 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso e dois anos de amadurecimento em garrafas.  Uma prova de que os vinhos argentinos podem sim ser longevos e envelhecer muito bem, pois a não ser alguns indicativos no nariz, só identificados após a divulgação da safra, não havia nada marcante que denotasse a idade avançada do vinho. Os privilegiados presente tiveram a possibilidade de tomar uma das últimas doze garrafas disponíveis com o produtor. Na importadora (Flora) o estoque está zerado e na maior parte das lojas também, mas na pesquisa (google) vi que essa raridade ainda existe em alguns poucos lugares a preço ao redor de R$280,00! Adoraria ter uma grana para comprar umas três garrafas e acompanhar seu amadurecimento nos próximos quatro a cinco anos, certamente deverá ser uma experiência e tanto para quem pode.

Noite extremamente agradável, ótimos vinhos e comida impecável (chef Lula está de parabéns) e muito bem harmonizada. São momentos preciosos  destes que nos fazem ver o quão pouco conhecemos de nossa vinosfera e do quanto ainda há por aprender. Aos amigos que tão bem nos receberam, meu muito obrigado pela oportunidade, salute e um kanimambo muito especial. As fotos, essas adicionarei em breve, meu celular está em recuperação!! rs

 

 

Saturday Night Wine Tasting II na Vino & Sapore

Serão mais de 40 rótulos em prova de mais de 30 regiões diferentes. Vinhos das mais diversas regiões, cepas e estilos escolhido por mim em parceria com os importadores. Certamente as cuspideiras precisarão ser amplamente usadas para se poder conhecer a boa parte desses vinhos e, para temperar o evento;  os antepastos artesanais da Carcioffi , azeites e outros quitutes.

http://www.falandodevinhos.com/wp-content/uploads/2013/07/convite-saturday-ii-10-agosto.jpg

Afora a degustação limitada aos 50 convites restantes (R$50 com R$15 de crédito para compra de vinhos em prova no evento e pagos no ato da reserva), as compras com uso do crédito receberão um ticket para sorteio a cada R$50 de gasto. O sorteio se dará ás 21:15 com dois prêmios; o primeiro será uma caixa com 12 garrafas de vinho com um valor aproximado de R$1.000 e o segundo um vinho mais azeites e antepastos da Carcioffi no valor aproximado de R$200.  Veja a lista de vinhos que a principio estarão em prova no evento nesta lista abaixo e programe já sua degustação lembrando que marcados com asterisco são os vinhos dos kits.

Rótulo

País

Região

las Moras Cabernet Sauv. – Cabernet Franc *

Argentina

San Juan

Benegas Malbec

Argentina

Mendoza

Staphyle GEA Bonarda

Argentina

Mendoza

Punto Final Cabernet Sauvignon*

Argentina

Mendoza

Ventisquero Quelat Gran Reserva Merlot

Chile

Vale de Maipo

Tabali Maray Pinot Noir

Chile

Vale de Limari

Tabali Maray Carmenére

Chile

Vale de Limari

Terranoble Reserva Pinot Noir

Chile

Vale de Casablanca

El Milagro Syrah

Chile

Vale de Curicó

Lujuria Chardonnay/Viognier *

Chile

Vale de Curicó

Chocalan Reserva Cabernet Franc

Chile

Vale de Maipo

Lagar de Bezana GSM (Grenache/Syrah/Mouvédre)

Chile

Vale de Cachapoal

William Févre Espino Grand Cuvée Cabernet Sauv. *

Chile

Vale de Maipo

William Févre Espino Grand Cuvée Chardonnay

Chile

Vale de Maipo

Casa Silva Carmenére Reserva

Chile

Vale de Colchagua

Pasíon Bobal

Espanha

Utiel-Requena

Hecula Monastrel

Espanha

Yecla

Paco & Lola Red Tempranillo/Garnacha

Espanha

Navarra

Gran Sello Tempranillo/Syrah

Espanha

Castilla la Mancha

Elias Mora Tinta del Toro *

Espanha

Toro

Cientruenos Garnacha

Espanha

Navarra

Volantera Garnacha Masseração Carbonica

Espanha

Navarra

Fruto Noble Blend (Cab.Franc/Monastrel/Syrah)

Espanha

Alicante

Chateau Porcieux Rosé *

França

Provence

Chateau Pujeau la Grave *

França

Bordeaux

Paul Mas Grenache Noir

França

Languedoc

Alain Brumont Merlot/Tannat

França

Gascogne

Pallais de Versailles Rosé Brut

França

Charentes

Carpinetto Dogajolo *

Itália

Toscana

Dezzani Barbaresco *

Itália

Piemonte

Tellus Syrah *

Itália

Lazio

Cascina Ballerin Pilades Dolcetto d’Alba

Itália

Piemonte

Cecilia Beretta Prosecco Superiore Milesimato Brut *

Itália

Veneto

Vignantica Aglianico

Itália

Campana

Surani Primitivo di Manduria

Itália

Puglia

Leonardo Chianti

Itália

Toscana

Da Vinci Chianti Riserva *

Itália

Toscana

Poggio del Sasso Sangiovese

Itália

Toscana

Herdade de São Miguel Touriga Nacional

Portugal

Alentejo

Quinta do Encontro Merlot/Baga

Portugal

Bairrada

Casa da Passarela  Tinto Colheita

Portugal

Dão

Quinta da Mieira Branco – Rabigato

Portugal

Douro

Casa de Cambres Tinto

Portugal

Douro

Quinta da Mieira Tinto*

Portugal

Douro

Albert Bichot Pinot Noir Vieilles Vignes

França

Borgonha

Wente Chardonnay

USA

California

Não existe melhor forma de conhecer os caldos de Baco e cuidar do rico dinheirinho de cada um, do que provando. O investimento é amplamente compensado por compras de risco zero, pois você já provou! Como já dizia Vandré, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer” então não deixe para a última hora pois os convites devem acabar logo! Contate a Vino & Sapore pelo e-mail: comercial@vinoesapore.com.br ou pelo telefone (11) 4612-6343/1433 a partir das 10:30 da manhã até as 19 horas ou, ainda, me envie um comentário que entrarei em contato.  Salute, kanimambo e espero vê-lo por lá, quem sabe com seu pai, seria da hora!

Blends: Desafio às Cegas – Argentina x Chile

               Mais um muito saboroso e agradável encontro da Confraria Saca Rolha reunida na Vino & Sapore. Não falei no post anterior que participo de diversas! Nossa porta-voz é a confreira e sommelier Raquel Santos que reproduz aqui sua visão dessas experiências que vivemos com bastante intensidade e alegria em nossos encontros mensais. Pois bem, embarquemos nos relatos dela, que já tem seus seguidores aqui no blog, e ao final dou meu pitaco.

Quando se fala em vinhos de corte (blends ou assemblage), há que se comparar com os varietais. Durante séculos, na produção de vinhos, poucas pessoas sabiam quais variedades de uvas existiam na bebida que consumida. Os principais produtores do velho mundo utilizavam as uvas que melhor se adaptavam à terra, misturando-as, como numa fórmula mágica e secreta, com a intenção de extrair o melhor resultado final possível. A melhor expressão da terra, clima e certamente a mão do homem, na produção de um vinho, chamou-se de “terroir”.

            Nessa época, ao se referir a algum vinho, falava-se em Bordeaux, Bourgogne, Barolo, Barbaresco, Rioja, Douro, etc. Era mais importante constar no rótulo a D.O.C. – denominação de origem controlada, junto com o nome do produtor, do que as castas utilizadas. Isso já estava implícito pela procedência e podiam variar de acordo com o clima daquele ano. Quando começou a produção de vinhos, no que chamamos hoje de “novo mundo”, optou-se por identificá-los pela variedade da uva como um fator de qualidade, já que eram mudas importadas das tradicionais e nobres castas europeias. Nós, consumidores, passamos a nos identificar com os estilos de cada uva, que por sua vez, definiria o estilo do vinho.

            No encontro da confraria de Julho, pensamos em confrontar duas regiões produtoras, muito bem conhecidos por nós : A Argentina, que se destacou principalmente pela Malbec, e o Chile, pela Carmenére. Só que, nesse desafio, optamos por vinhos de corte (blends), onde essas uvas aparecem associadas a outras. A ideia aí foi que mesmo com presença de outras castas, o resultado final não deixasse de evidenciar as características e o estilo dos vinhos dessas regiões.  

            Uma degustação às cegas, é sempre divertida, e fazia parte da brincadeira descobrir, dos vinhos degustados, quais eram argentinos e quais eram  chilenos. Para facilitar, foram servidos em pares (1 argentino e 1 chileno) por faixas de preços: (clique na imagem para aumentar)

Blends - Argentina - Chile

             1A. Estampa Gold 2009.

Muita fruta, madeira e especiarias(alcaçuz/cânfora…).Toque mineral, meio salgado que fazia contraponto com uma doçura alcoólica. Bem encorpado, boa acidez, com notas de tomate e pimentão.

Chile – Carmenére/Cabernet Sauvignon/Cabernet Franc/Petit Verdot.

            1B. Finca Agostino Família Gran Reserva 2008.

Suave no nariz, frutas maduras, ervas, eucalipto. Taninos suaves, mas presentes. Toque de menta, mate e amêndoas.

Argentina – Malbec/Petit Verdot/Cabernet Sauvignon/Syrah.

             2A. Aluvion Gran Reserva 2008.

Ataque floral no nariz(lavanda/violeta…), cânfora, noz moscada. Bem equilibrado, complexo e  bom corpo.

Chile – Syrah/Cabernet Sauvignon.

            2B. Norton Privado 2007.

Herbáceo com um leve mentolado. Muito potente em boca (acidez/taninos/álcool). Persistência longa, sobrando doçura. Pede comida.

Argentina – Malbec/Merlot/Cabernet Sauvignon.

             3A. Bressia Profundo 2007.

Muito suave no nariz. Com o tempo foi-se abrindo, demonstrando uma enorme gama de aromas: florais, vegetais, defumados, etc… Muito equilibrado na boca. Macio, encorpado e longo. Boa acidez o que denota um bom acompanhante gastronômico. Esse vinho levantou muitas ideias de harmonização!

Argentina – Malbec/Cabernet Sauvignon/Merlot/Syrah.

             3B. Caballo Loco Gran Crú Apalta 2010.

Esse é um vinho diferente. Produzido pela vinícola Valdivieso desde 1994. Muito potente e robusto, como o nome já diz, pode-se ver um cavalo selvagem de muita raça ali dentro da taça! Para domá-lo, dê o tempo que ele merece. É um desafio que sempre deixa um gostinho de “quero mais”, pela enorme gama de aromas,  sabores e sensações que vão se revelando pouco a pouco. 

Chile – Cabernet Sauvignon/Carmenére.

             No final da degustação, foi chegada a hora de revelar os rótulos provados e para surpresa do nosso anfitrião, tivemos quatro acertadores! Isso mostra que vinho argentino não é só Malbec e o chileno tampouco será só Carmenére. O estilo deles sempre estarão ali, marcando presença.  O prêmio, mais uma garrafa de vinho (é claro, rs..rs…), foi dividida entre todos! E não sei se foi proposital ou não……..querem saber qual foi o vinho?

            Um VARIETAL de uva Merlot, italiano.

            Poggio del Sasso 2011 – Cantina di Montalcino – Toscana.

Um vinho proveniente de onde as leis foram adaptadas ao gosto moderno. Os produtores da costa Toscana introduziram a uva Merlot e Cabernet Sauvignon na região dominada pela Sangiovese, ignorando a rígida classificação de DOC, e criando os chamados “Super Toscanos”.

            Os defensores dos vinhos varietais argumentam que estes são os que melhor expressam a verdadeira essência do terroir, através dos sabores da terra, o comportamento do clima e a ação do homem que traduz tudo isso de uma maneira mais verdadeira. Já os que preferem os blends, além de valorizarem o modo ancestral da vinificação, acham que a mistura de castas diferentes proporcionam vinhos de melhor qualidade, ou seja, favorecendo seu equilíbrio, corrigindo defeitos, e onde não só a matéria prima que a natureza nos oferece é utilizada para criar um vinho. A interferência do homem que o faz torna-se de grande importância se a ele é dada essa liberdade.

            Atualmente , a produção de vinhos no mundo, tem evoluído sempre no que diz respeito a tecnologia, do plantio até a distribuição. Temos desde vinhos artesanais, de pequenos produtores, naturais, orgânicos, biodinâmicos, com mais ou menos interferências no seu feitio. E dentre eles temos os blends e os varietais.

            Qual é o melhor? Temos que provar para saber…….essa é uma busca incessante que sempre existirá, graças a Deus!   

Cada um dos flights de vinhos, foi escolhido tendo como parâmetro uma determinada faixa de preço (80 a 90 / 100 a 120 e 190 a 210) para ver como a complexidade dos vinhos cresce conforme os preços o fazem. Caro não quer dizer bom e muito menos que seja do seu gosto, porém na maioria das vezes é fato consumado, quanto mais caro vinho melhor e mais complexo. Bons vinhos de cabo a rabo, mas a meu ver a Argentina ganhou (há controvérsias no grupo – rs) e esse Bressia Profundo, um grande vinho, foi para mim o melhor da noite!

Salute e kanimambo       

Confraria Vino Paradiso Harmoniza Carne ao Molho Indiano

Participo de diversas confrarias e na Vino  & Sapore hospedamos algumas, sempre um motivo de alegriaCarne Indiana na Vino Paradiso cada uma a seu jeito e com seus objetivos. A “Vino Paradiso”, no entanto, é algo diferente porque é sempre um Desafio que nos é colocado pelo Ney Laux, confrade, amigo e experiente chef de cozinha que há décadas faz a alegria de boa parte dos amantes da boa comida na Granja Viana. Mensalmente ele determina um prato e nós, eu e o também confrade Carlos, corremos atrás dos vinhos que acreditamos possam harmonizar com o prato como no caso de Bacalhau e Vinho e Joelho de Porco com Riesling entre diversos outros incríveis momentos. Na foto, o Ney, sua criação e a Renata que não resistiu aguardar sua vez e já quis atacar o prato do mestre!

Desta feita o desafio foi grande pois, como os amigos já sabem, harmonizar comida indiana com toda a sua complexidade de sabores, aromas e presença forte de especiarias, não é tarefa fácil. O amigo Carlos perdeu, o coitado estava na Toscana (rs), mas de lá deu sua dica, um Syrah australiano deveria dar samba. Bem, certamente esse deveria ser um dos escolhidos, mas que mais já que tradicionalmente brincamos com três vinhos? Pensei num Gewurztraminer, mas não tinha um à altura na loja. Enveredei destemidamente pelos tintos e acabei escolhendo um Zinfandel americano e um Touriga Nacional alentejano. Até o último momento, no entanto, fiquei com o branco na cabeça, achei que ainda seria a melhor opção, até que decidi incluir um quarto vinho nessa experiência, um Paul Mas Viognier 2010 da região do Languedoc.

Antes de falar do resultado, deixa eu falar um pouco do prato que, por sinal e para não perder o costume, estava delicioso e ele, em si, já exigiu uma certa dose de harmonização da parte do Ney. Um prato composto de três partes

1 – Cubos de filé mignon no molho com tomate, cebola, champignon e especiarias (cravo, canela, gengibre, semente de coentro, semente de mostarda, cúrcuma e pimentas).

2 – Chutney – maçã, laranja, passas de uva, gengibre, semente de mostarda e curry

3 – Arroz branco

A carne estava perfeita, rica, porém com a integração das especiarias de forma muito sutil e agradável. O chutney, adoro chutney, estava divino e as especiarias aqui bem mais presente, já o arroz trazia uma certa neutralidade que ajudou muito servindo como liga na harmonização de sabores. Essa complexidade toda reagiu de formas diferentes aos vinhos, pelo menos na minha avaliação, conforme abaixo

Paul Mas Viognier 2010 – uma agradável surpresa que se moldou muito bem ao conjunto (carne/chutney/arroz) dando um frescor especial ao prato e mostrando ter corpo bastante para ‘aguentar” o prato. A meu ver, empatou com o australiano tinto como os melhores no quesito harmonização com o conjunto do prato. De forma diferente, mas ambos muito especiais!

Wente Bayer Ranch Zinfandel 2009 – vinho muito saboroso, frutado e com um final tipicamente adocicado com nuances de especiarias, estas últimas bem sutis. Acompanhou  a carne mas morreu com o chutney. Não foi mal, mas não deixou saudades. Melhor só!

Tatachilla Keystone Syrah/Viognier 2004 – da Austrália, este vinho está em seu ápice e esse corte típico de Cote Rotie (Rhône) casou muito bem com o conjunto do prato. Complexo, especiarias mais marcantes e a Viognier lhe aporta um frescor a mais. Bela opção e aqui segui o conselho do Carlos, bela tacada!

Herdade de São Miguel Touriga Nacional 2010 – do Alentejo, um vinho delicioso, cremoso, bom volume de boca, taninos aveludados bem integrados e fruta no ponto em total equilíbrio. Para mim, olha o sangue falando mais alto, o melhor vinho da noite, porém perdeu na harmonização com o conjunto. Já só com a carne, para mim foi o melhor.

Vinhos 1 na Vino Paradiso

           Mais uma vez o Ney conseguiu se superar e tivemos mais uma noite extremamente agradável. Boa comida, boa bebida e grande companhia, mesmo quando um não esteja nos seus melhores dias, impossível não curtir esses momentos, pois os outros seguram! O restaurante ele fechou, momentaneamente esperamos, mas nós, confrades privilegiados, seguimos tendo a oportunidade de nos deliciarmos com seus pratos deliciosos, gastronomia de autor de primeira e com comida no prato!

É isso gente, nunca deixem de experimentar coisas diferentes, as descobertas são invariavelmente muito interessantes. Salute,  kanimambo  e não esqueçam, a 2º edição do Saturday Night Wine Tasting na Vino & Sapore está chegando, dia 10 de Agosto. Aguardo você, mas garanta antes seu convite.

Saturday Night Wine Tasting II

O que é bom a gente repete! O primeiro em Maio (Mês das Mães) foi um grande sucesso então no próximo dia 10 de Agosto (Mês dos Pais)  a partir das 17 horas estarei mais uma vez promovendo um evento de degustação na Vino & Sapore (Granja Viana – Cotia) onde doze expositores estarão colocando em degustação cerca de 40 vinhos e otras cositas más! Reserve a data que por ser véspera de Dia dos Pais dá até para levar o velho junto e já comprar o vinho do almoço do dia seguinte. Convites limitados (70) por R$50 cada o que inclui um crédito de R$15 na compra de qualquer dos vinhos em prova. Mais informações e reservas através do e-mail comercial@vinoesapore.com.br .

convite Saturday II - 10 Agosto

Herdade do Rocim, Um Alentejano na Taça

Recentemente tive o privilégio de participar de mais uma rodada do Winebar, desta feita um encontro  com os vinhos da Herdade do Rocim. Vinhos alentejanos de raça que chegaram para incorporar o vasto portfolio da World Wine e que neste lançamento oficial contou com a participação da simpática enóloga Catarina Vieira que, junto com António Ventura (outro enólogo da casa), assina este vinho.

Tínhamos dois rótulos a provar, o Olho de Mocho e o Herdade do Rocim. O Olho de Mocho (Coruja) é um vinho de alta gama porém não vou comentá-lo aqui porque minha garrafa estava prejudicada e muito lamentavelmente pelo que pude ler dos comentários dos colegas envolvidos no evento. Já o Herdade do RocimHerdade do Rocim Tinto Tinto 2009, um blend de Alicante Bouschet, Aragonez, Syrah, Touriga Nacional e Trincadeira, esse apreciei e bem.

Começou por me chamar a atenção logo ao abrir em função da intensa paleta olfativa com leves toques florais se sobressaindo sobre uma base bem frutada. Fiquei sem saber, porém me parece que muito desse bouquet tem a ver com a nossa já conhecida Touriga Nacional que deve ter uma participação bastante grande nesse corte. Cerca de 60% do vinho passa por barricas (8 meses) e o restante em inox o que ajuda a preservar a fruta e deixa a madeira menos evidente e mais integrada ao conjunto que me soube muito bem. Corpo médio, fruta madura e alguma especiaria sentida no meio de boca, taninos finos, equilibrado,  final elegante e apetecível com um leve toque de cacau, média persistência formando um conjunto  envolvente e fácil de se gostar.

                 Um vinho bem feito que me agradou bastante, mas que poderia estar num patamar de preços algo mais convidativo. Hoje, o preço anda na casa dos R$98,00. Salute, kanimambo pela visita e no próximo dia 23 assista a mais uma degustação do Winebar, desta feita com vinhos Sul- africanos. até lá, e uma ótima semana para todos.

Rhône e seus Vinhos na Confraria Saca Rolha

Mais uma vez a amiga e confreira Raquel Santos nos relata sua experiência em mais um agradável encontro desta nossa gostosa Confraria. Mais que os vinhos, a oportunidade de pelo menos uma vez por mês podermos desfrutar da companhia dos amigos. Desta feita “viajamos” para a região de Côtes-du-Rhône na França e, para variar, uma diversa e saborosa seleção de rótulos culminando com uma soberba surpresa! Vejamos o que a Raquel tem a nos dizer:

  “O vale do rio Rhône, está localizado entre os Alpes Suíços e o mar Mediterrâneo. Ao norte, está a cidade de Lyon, que além de ser um polo industrial, também possui um entorno rural que abastece toda a região com uma produção de excelente qualidade. Ao sul, está a cidade de Avignon, que se desenvolveu quando no século XIV o Papado mudou o Castelo de Roma para a região e começaram a cultivar as primeiras videiras.

Mapa do Rhone - Dobra Vinoteka

Percorrendo os vinhedos que margeiam o rio Rhône de norte a sul, pode-se perceber uma grande diferença de clima, solo, e variedade das uvas. Ao norte, (Rhône Setentrional), o clima é continental com verões bem quentes e invernos frios. As videiras são plantadas em penhascos pedregosos de granito, entremeados de florestas de carvalho que refrescam o ar pela neblina ao amanhecer. A uva predominante é a Syrah. Resultam em vinhos robustos, de cor escura e longevos. Para os brancos, destacam-se a Marsanne, Roussanne e Viognier.

 Desta região, degustamos um “ Brunel de la Gardine” – 2007 – da região de St-Joseph.

        Syrah 100%, aparentemente um pouco fechado, mas aos poucos foi mostrando uma riqueza de aromas e sabores que seduziu os mais incrédulos. Talvez pelo equilíbrio, ficou mais difícil identificar uma característica isolada. Aromas de frutas, frescor e um leve defumado, alternavam-se com com a textura macia na boca sem perder intensidade.

        Continuando o passeio, em direção ao sul, (Rhône Meridional), podemos notar que à partir de Montélimar as características da região se transformam. O clima passa a ser mediterrâneo, com influências do mar. Os verões são quentes e o inverno ameno, mas as vezes chega a 0 grau. Os ventos frios que vem do sul (Mistral) fazem as chuvas serem fortes e rápidas, baixando a temperatura rapidamente à noite. Os vinhedos se expõem ao sol forte durante o dia, que também aquecem as pedras que cobrem todo o solo, protegendo a videira do frio à noite. Aqui predomina a uva Grenache que junto com a Mourvèdre, Cinsault, e também a Syrah. Das variedades brancas, encontra-se a Marsanne, Roussanne, Viognier, Clairette, Bourboulenc, entre outras que são vinificadas para tintos, brancos e rosés.

Clipboard Rhone

            Além das diversidades de solo e clima, a região do Rhône meridional, é mais recortada no que diz respeito às apelações de origem. A mais comum delas é a de Côtes du Rhône, usada genericamente. As denominações que indicam o nome das comunas provenientes, representam um fator de maior qualificação. É o que acontece no caso dos Côtes du Rhône-Village, que representa 95 comunas qualificadas.

Degustamos o “Clos Petite Bellane“-Valreas –  Um Côtes du Rhône-Village de 2007.

Logo já percebemos um aroma bem frutado, característica das castas mediterrâneas (Grenache/Syrah). Boa acidez, taninos presentes, porém delicados. De médio corpo e mostrou muita evolução na taça. Aromas herbáceos com algumas especiarias (pimenta verde e anis).

De outras duas pequenas propriedades (Cru), incrustradas entre Côtes du Rhône e Côte du Rhône-Village, foram degustados:

“Château Saint Roch Brunel” – Lirac -2008.

Aromas florais e frutas vermelhas. Bom equilíbrio entre acidez, taninos e extrato. Madeira bem incorporada. Corte de Syrah/Grenache/Mourvèdre.

“Domaine la Monardière Les 2 Monardes” – Vacqueyras -2006.                                                            

Ataque floral, sobrando um pouco de álcool. O mais austero deles. Acidez e taninos bem  incorporados que alternavam com um sabor picante e frutas doces e maduras. Aromas que evoluíram bem na taça.

          Ainda circundando a região do Rhône Meridional, não poderíamos deixar de conhecer a região icônica de Chateauneuf du Pape. Conhecida não só pela sua história, mas também pela qualidade, produz vinhos com até treze castas, embora, na prática, nunca se utilize todas elas. A Grenache domina nos tintos. Os brancos, produzidos em menor quantidade, são encorpados e estruturados, com aromas delicados e grande persistência gustativa. A região demarcada fica ao norte de Avignon, onde está localizado o Castelo Papal de verão em ruínas. O clima é muito árido, pedregoso, onde só os arbustos de lavanda e tomilho selvagem, sobrevivem ao vento e a grande amplitude térmica do dia. Foi com grande prazer que conhecemos dois exemplares desse terroir:

“Domaine Font de Michelle” – 2010–

Elaborado com 70% Grenache/10% Syrah/10% Mourvèdre/10% outras: Cinsault/Counoise/Terret/Muscardin. A primeira sensação no nariz, é de frescor, ervas  aromáticas (alecrim/tomilho) e florais. Na boca, revelou-se voluptuoso, apesar de ser jovem. Me pareceu um pouco tímido (sem ser um defeito), necessitando que déssemos mais tempo a ele. Elegante muito bem equilibrado, com vocação gastronômica pela acidez bem incorporada. Grande potencial de guarda.

“Château de Beaucastel” – 2001

Essa preciosa garrafa veio da adega dos amigos Luiz e Ana, que gentilmente nos presenteou. O Beaucastel, juntamente com o Clos des Papes, são os únicos que ainda usam as 13 variedades das castas permitidas em Chateauneuf du Pape. Diferentemente do anterior, já mostrou todo seu potencial de prazer! Muito aromático (flores, frutos vermelhos silvestres, fruta seca, amêndoas, baunilha, etc….etc….e etc….). Na boca confirmava todas essas qualidades com muita elegância, mostrando através da rica paleta gustativa, as cores, sabores, e cheiros daquela paisagem.

O vale do Rhône  tem a questão do clima muito presente. Através dos seus vinhos pode-se viajar, como num filme, que nos conta a história e ensina a cultura de uma civilização. E o melhor dessa historia é quando nos identificamos com ela e temos a impressão que também podemos pertencer um pouquinho à tudo aquilo.

 Basta descobrir o caminho das pedras. “.

Confraria Saca Rolhas Bordeaux – Margem Direita x Margem Esquerda

     Mais um gostoso texto da amiga confreira e sommelier Raquel Santos sobre nosso último encontro em que provamos vinhos de Bordeaux:

  Quando se fala da região de Bordeaux, logo pensamos nos grandes “Châteaux” como Petrus, Margaux, Mouton Rothschild, Lafite, Cheval Blanc, etc… rótulos que só de olhar, nos fazem suspirar! Talvez pelo peso da tradição que carregam, pelo preço altíssimo que custam ou pelo mito de perfeição em forma de vinho. Sonho de consumo para poucos, mas para nós, simples apreciadores de vinho que queremos conhecer essa região, há opções mais em conta que nos permitem mergulhar na imensa produção bordalesa, que certamente irão expressar o caráter deste terroir.

Em Bordeaux, é preciso saber que seus vinhos sempre são elaborados em corte. Basicamente com as castas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot, (para os tintos) e Sauvignon Blanc e Semillon (para os brancos). Geograficamente a região localiza-se a oeste da França, próximo ao oceano Atlântico e é cortada pelo estuário formado pelos rios Gironde, Garonne e Dordogne. Daí a origem do nome: “au bord de l’eau”(a beira da água).Seu vinhos ganham identidade própria, dependendo da sua localização em relação aos rios: margem esquerda (onde está localizada a cidade de Bordeaux ), margem direita (onde está a cidade de St. Émilion) e Entre-deux-mers (região entre os rios Garonne e Dordogne). As regiões de maior destaque da margem esquerda são: Médoc, Graves e Sauternes. Na margem direita: Blaye, Bourg, Fronsac, Pomerol, Saint-Emilion, entre outras.

Bordeaux_Map

Diante de tanta tradição e nobreza, é comum sentirmos uma certa intimidação em relação a essa região. O termo “vinho complexo” é aplicado muitas vezes quando degustamos um Bordeaux. É uma sutileza que se revela aos poucos, sempre com elegância. São vinhos que exigem a nossa atenção. Mesmo aqueles mais simples, que nos acompanham em momentos de descontração, uma hora ou outra vão te alertar : “Oi! Eu sou um Bordeaux!”

Pensamos então em fazer um desafio entre a “margem direita” e a “margem esquerda”, passando pela região “entre-deux-mers”.Você quer saber quem ganhou essa batalha? Claro que fomos nós!!!!

Quando falamos de  Bordeaux podemos ver com clareza o que significa cultura, tradição e refinamento. Começando pelo “estilo” da garrafa alta, com ombros retos. O rótulo, quase sempre em preto e branco, com a ilustração do “Château” do produtor e  informações escritas com letras em estilo clássico. Esse padrão é seguido sempre. Dos vinhos mais simples até aos mais elaborados. A classificação dos níveis de qualidade é rígida e segue uma normatização local.

Quanto `as diferenças entre a margem direita e esquerda, sabemos que a casta Cabernet Sauvignon desenvolve-se melhor no lado esquerdo e a Merlot no lado direito. Mas o estilo da “assemblage” é mais importante como identidade dos Châteaux do que as características da uva em si. A mão do homem que cria o vinho tem um peso grande nesse caso. E é claro que em Bordeaux esse “peso” não permite criações ousadas, mas sim a busca incessante pela expressão mais límpida de sua cultura, tradição e refinamento com o máximo de elegância.O privilégio de degustar vinhos dessa região, nos ensina que estão aí para nos surpreender, sejam eles quais forem. E que não devemos nos acanhar diante dos ícones.

Foram estes os rótulos degustados, pela ordem:Como de costume, iniciamos a degustação  com um espumante, brindando o reencontro dos amigos.  

VEUVE ELISE Brut –   um vin mousseaux, tipo blanc de blanc, produzido na Le  Caves de Landiras, ao sul da região de Bordeaux.

Com boa vocação para acompanhar aperitivos, mostrou-se muito fresco na boca, com pérlage fina, boa acidez e aromas delicados de frutas brancas (maçã, pera) e panificação. Um corte inusitado das castas ugni blanc com airen.

 CHARTRON LA FLEUR BLANC 2011 – Sauvignon Blanc . Produzido por Schroder & Schyler, na região Entre-deux-mers.

O único branco da degustação. Agradável, muito aromático e bem estruturado. Acidez que pede comida. Ficou ótimo com um queijo gorgonzola.

 BELLEVUE DE LUGAGNAC 2010 – Bourdeaux Superieur – Merlot/Cab.Sauv  produzido pelo Chateau de Lugagagnac na região Entre-deux-mers.

            Bem leve, para momentos descontraídos.

 CHATEAU GRAVES DU BERT 2006 – Grand Cru – Merlot/Cab. Franc.produzido pela família Lavigne-Poitevin em Saint Emilion (margem direita).

Na taça, já pode-se ver uma evolução pelo alo alaranjado. Aromas “complexos”, prometendo evolução. Frutas maduras, especiarias, e taninos finos com uma sensação aveludada na boca.

 L’ORANGERIE DE FERRAN 2008 – Cab. Sauv./Merlot – Prod. : Beraud Sudreau em Pessac-Leógnan (margem esquerda)

Estruturado, equilibrado, muito suave na boca. Notas de especiarias, que prometem evoluir se lhe dermos tempo.

 CHATEAU PEYMORIN VILLEGEORGE 2009 Cru Bourgeois – Cab. Sauv./Merlot Prod.: Marie-Laure Lurton no Haut-Médoc (margem esquerda)

Super equilibrado, macio, com ótimo corpo. Aromas que vão evoluindo com o tempo na taça e que se confirmam na boca. Esse foi o meu preferido. Para apreciar sozinho, mas com uma carne com molho denso deve ficar ótimo!

 CHATEAU DE VIAUD-LALANDE 2009 –Merlot/Cab. Sauv. – Prod.: Gabart Laval em Lalande de Pomerol (margem direita)

Disseram que 2009 foi um bom ano em Bordeaux. Aqui podemos confirmar isso! Assim como o anterior, só que os aromas eram mais frutados e deixou uma sensação mais alcoólica na boca. Acho que estava pedindo mais tempo para degustá-lo. É…….como sempre digo: os vinhos falam e as vezes dão uma bronca na gente!

Mais um agradável encontro que só mostrou que regras no vinho não existem. Que mesmo a Merlot sendo a principal uva da margem direita, foram os vinhos desta região que apresentaram maior estrutura mostrando que a mão do enólogo faz muita diferença. Salute e kanimambo

Vinhos Com Mais de 10 Anos no Saca Rolha

Mais um encontro da Confraria Saca Rolha e a amiga, confreira e sommelière Raquel Santos nos traz sua percepção sobre mais um agradável encontro dessa turma pra lá de porreta!

        A ideia de guardar um vinho com a intenção de aperfeiçoar suas qualidades, é uma prática que ainda se adota,  independente de qual tipo de consumidor você seja. Quando pensamos em vinhos maduros, a primeira coisa que nos vem à cabeça é que serão vinhos melhores.  Porém, só o tempo não é suficiente para melhorar um vinho.  Poucos são os  que conseguem envelhecer com qualidade e que verdadeiramente se beneficiam com esse tempo de descanso.

       Seja qual for o estilo ou procedência, um vinho bem feito significa que foi bem estruturado. Ou seja, quando nele conseguimos perceber o perfeito equilíbrio entre a acidez, tanino e corpo. O tempo de guarda favorece o amalgamento entre esses  elementos fazendo com que convivam de forma harmônica, sem que um se sobreponha aos outros. O tempo faz muito bem aos taninos que necessitam de descanso para amaciar sua agressividade natural.

    Quando pensamos no tema do nosso encontro da confraria a  escolha foi unânime! A oportunidade de degustarmos vinhos com mais de 10 anos seduziu à todos, talvez pelo mito de que vinhos dessa idade seriam certamente muito bons! Como de praxe, sempre preparamos as papilas com um Espumante de “boas vindas” que foi a primeira surpresa da noite:

Espumante Undurraga Rosé  – Pinot noir 60%  e Chardonnay 40% – Cor muito interessante, bem clarinha, lembrando melancia. Ótima acidez e frescor, que pede comidinhas para aperitivar e bate papo com amigos. (Gentilmente oferecido pelo casal Marc e Márcia)

Começamos então a ”conversa madura “ :

 Watershed – Margaret Rivers – Shiraz – 2001 – Australiano do sudoeste, mostrou-se bem complexo nos aromas. Toques florais, adocicados de tosta da madeira. Muito sedutor no nariz que não parou de evoluir. Na boca era potente, com frutas maduras, ameixa vermelha, a picância típica da Shiraz (pimenta do reino), café.

 Avondale –  Reserva Shiraz – 2001 – Sul Africano da região de Paarl. É o que se pode dizer de um vinho equilibrado. O tripé estrutural: Acidez+tanino+corpo em harmonia total. Aromas agradáveis em que se destacou um certo “sur-bois”.

 Luis Cañas – Rioja Gran Reserva – 2001 – Espanhol de Rioja, teve maturação de 12 meses em carvalho francês+ 12 meses em carvalho americano+ 36 meses na garrafa. Talvez por isso demorou um pouco prá acordar. Com um pouco de tempo na taça mostrou à que veio: Muito suave, redondo e macio com aromas que apareciam um a um sem cessar e sem sobreposição. Um bom exemplar que demonstra perfeitamente a tipicidade das uvas, clima e solo da região.

 Pausa para reflexão:

 Três senhores vinhos, no alto de seus 12 anos, muito bem feitos, apresentando toda a tipicidade que se esperava da região de onde nasceram…mas ainda faltava alguma coisa!

Eis que o João, de surpresa, resolveu desarrolhar mais uma garrafa (provavelmente a última dessa safra na América Latina) que havia ficado de fora da lista. Outro “Senhor” de mais ou menos a mesma idade dos anteriores:

 Domínio Cassis – Abraxas – 2002 – Desta vez, um uruguaio,  elaborado com 100% Tannat.  Esta casta, conhecida pelo grande potencial tânico (como o próprio nome sugere) certamente encontraria no tempo de maturação muito à seu favor.  Chamou atenção pela cor bem escura, quase preto. Apresentou aromas elegantes, frescos, com notas herbáceas e especiarias. Ataque macio e redondo, encorpado, com os taninos presentes, porém finíssimos. Boa acidez, muito bem incorporada,  que valorizava todos os outros elementos , tornando as sensações  de boca bem longas.

 Para encerrar a degustação, já estava previsto um Porto acompanhado do queijo da “Serra da Estrela”.

 Burmester – Vintage Porto – 2000. Equilíbrio perfeito entre a acidez+doçura+corpo. Muito fácil de tomar. Agradável sem ser enjoativo. Harmonizou muito bem com o queijo que apesar da sua opulência e aromas marcantes, foram realçados pelo vinho. Em contrapartida, o queijo realçou a cremosidade do vinho.

       Em poucas palavras, vivenciamos emoções das mais diversas: Começamos com a alegria do encontro dos amigos. Fomos apresentados a um australiano que era pura sedução; Depois conhecemos um sul africano correto, fino e educadíssimo; Mais tarde veio o espanhol. Chegou um pouco tímido mas foi se abrindo aos poucos. Contou histórias muito interessantes! Mas sempre educado e falando baixo; Quando chegou o uruguaio a festa ficou bem animada e todos falavam ao mesmo tempo; No final o casal de portugueses deu o tom. Não pararam de falar um minuto e foram embora rapidinho. Não deu tempo nem de fotografar o acontecido!

 

Saturday Night Tasting foi Show – Kanimambo!

    Aos amigos que estiveram presentes, aos parceiros que investiram tempo e vinhos, aos colegas, aos que botaram a mão na massa, kanimambo! Nosso objetivo de divulgar o mundo do vinho através da diversidade demonstrando que quando os preconceitos são colocados de lado muita coisa boa aparece e com preços bem bacanas, creio que foi amplamente bem sucedido.

Saturday Night Photo resumé

Presentes estavam: La Charbonnade / Wine Lover´s / Magnum / Vínica / Ideal Drinks/ W&W Wine / Vinhos do Mundo / Decanter / Premium Wines / Quality Xport.

Alguns destaques: Primogenito Merlot da Patagonia, Aluvión do Chile, Ramanegra Reserva Blend da Argentina, Wente Chardonnay dos Estados Unidos, Angaray Crianza de Navarra/Espanha, Terras do Pó Castas Syrah/Petit Verdot de Portugal, Surani Primitivo di Manduria da Puglia/Itália, D’alessandro Nero d’Avola da Sicilia/Itália, Poggio de Sasso Vermentino um branco da Toscana/Itália, Meli Carignan do Chile, Peter Lehman Cabernet/Merlot da Austrália, Domaine de la Petite Cassagne Costiére de Nimes/França entre outros.

Top of sales: a verdadeira voz do povo se apura no caixa (rs)!! Eis os resultado dos cinco rótulos mais vendidos: Leonardo Red Blend – Toscana / Poggio del Sasso Vermentino – Toscana / Domaine de la Petite Cassagne – Costiére de Nimes / Surani Primitivo de Manduria – Puglia / empatados em 5º estão o Anselmann Spatburgunder (pinot) alemão e o Primogenito Merlot, argentino da Patagônia.

     Valeu, salute e tenham todos uma ótima semana lembrando que no próximo dia 27 (Segunda) temos o segundo módulo de nosso curso de países, desta feita com Itália. Vejam mais informações no site da Vino & Sapore. ou enviem mensagem para comercial@vinoesapore.com.br para solicitar mais detalhes.

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