Confraria Frutos do Garimpo

Amigos, nesse garimpo que venho fazendo há anos por nossa vinosfera, toda a hora me deparo com algumas pérolas e bons vinhos porém nem sempre ao preço certo. Mais raramente, no entanto, dou de cara com algumas belas ofertas desses mesmos vinhos que merecem ser compartilhados com os amigos então decidi começar esta exclusiva Confraria Frutos do Garimpo - Logoconfraria de compras e oportunidades como forma de compartilhar esses Frutos do Garimpo. Não, não é mais um clube de vinhos, é uma Confraria, não havendo quaisquer cobranças mensais ou obrigação de compra.

Mensalmente, a partir de Setembro, sujeito a disponibilidade montarei uma série limitada de caixas (avisarei a quantidade disponível nas chamadas mensais) com 4 garrafas destes achados, frutos do meu garimpo. A cada mês os valores mudam (devendo ficar entre R$200 a 350) e os vinhos mudam, podendo até haver maior disponibilidade num ou noutro mês ou não haver nenhuma oferta já que, lembrando, são Frutos do Garimpo e aquela “pepita” nem sempre dá as suas caras e quando dá são de pouca monta! Podem ser duas garrafas de um mesmo vinho e as outras de dois vinhos diferentes, podem ser duas garrafas de dois rótulos, a cada mês a história será diferente, o objetivo é compartilhar as pepitas achadas nas entranhas de nossa vinosfera. Passo os preços com minha resenha dos vinhos e você compra se quiser e quando quiser, tendo tempo para pesquisar, porém como as quantidades serão limitadas a venda será realizada aos primeiros que confirmarem e somente uma caixa por pessoa.

O foco será, obviamente, na qualidade atrelada a um preço abaixo da média do mercado, diversidade de estilos e uvas, sendo coerente com tudo o que venho escrevendo já faz anos. Eventualmente poderei me deparar com outros frutos que não vinho, por exemplo um acessório, no qual o conceito também se aplique e o incluirei para apreciação dos confrades. Pintou oportunidade na minha praia, a idéia será compartilhá-la com você e disponibilizá-la aos confrades e confreiras se houver quorum. A confirmação da reserva se dará através de depósito em conta, após o qual faremos a entrega que será gratuita em Cotia,Alphaville e nos seguintes bairros de São Paulo > Morumbi, Vila Olímpia, Itaim, Jardins, Pinheiros e Butantã. Qualquer outro local de entrega ficará sujeito a cobrança de frete junto com o depósito da reserva e avisado antecipadamente. Eventualmente, poderá ser retirada na Vino & Sapore por aqueles que moram na região da Granja Viana, no entanto os Frutos do Garimpo não estarão disponíveis na loja e, caso venham a estar nas prateleiras, estarão com preço de mercado.

Gostou da idéia, tem interesse em participar? Pois bem, preencha o formulário em clicando aqui e assim que tenha o primeiro “KIT” pronto, deve ser Setembro, lhe enviarei e-mail com os Frutos do Garimpo do mês e as resenhas. Estes achados não serão divulgados na internet ou em redes sociais, então sua inscrição na Confraria “Frutos do Garimpo” será a única forma de você vir a ter acesso a eles.

Kanimambo a todos que vierem a apoiar este novo projeto que se inicia agora em Setembro de 2015. Bem vindos a bordo e espero que a viagem seja prazerosa!

Viña Maquis, você conhece?

Eu não conhecia e sigo conhecendo pouco, porém esse pouco me despertou a curiosidade esperando que num futuro não muito longínquo eu, e você, possamos ter a oportunidade de conhecer melhor seus vinhos. Conheci dois rótulos deles no recente encontro da Wines of Chile durante a Master Class (virou moda) apresentada pelo Jorge Lucki e posteriormente no salão de degustações por onde passei rapidamente.

Na Master Class provamos alguns ótimos vinhos chilenos que demonstraram bem as características de cada uma das novas denominações (Costa/Entre Cordilleras e Andes) entre eles destaco; o marcante Sauvignon Blanc Cool Coast da Casa Silva, o sempre confiável Cousino Macul com seu Finis Terrae um mui equilibrado e muito bom blend de Cabernet, Syrah e Merlot, o agradável Santa Carolina Reserva da Familia Cabernet Sauvignon, o complexo e bem estruturado Intriga da Montgras que mesmo sendo 100% Cabernet Sauvignon não apresenta as goiabas e pimentões muito presentes nestes vinhos e que, sinceramente, não me agradam, porém o maior destaque de todos foi o Maquis Lien.

Lien em Mapuche, quer dizer metal prateado que eles simbolizaram no rótulo com um lagarto prateado. Aliás, todos os Maquis lizardrótulos deste produtor possuem uma marca diferenciada e muito interessante. A Viña Maquis existe desde 1927, porém somente a partir de 2002 a família começou a engarrafar seus próprios vinhos e ainda não está presente entre nós. Pelos comentários e cochichos de bastidores, creio que logo, logo estarão por aqui, então fique de olho ou, se for passear por terras chilenas, eis um produtor a visitar. Estão localizados na região Entre Cordilleras do Valle de Colchagua estrategicamente posicionados entre dois rios o que lhe confere condições de solo diferenciadas. O Maquis Lien 2009, elaborado pelo enólogo bordalês Jacques Boissenot, é daqueles vinhos que exalam personalidade desde as primeiras fungadas e nos levam a rapidamente querer levar a taça à boca onde ele se mostra potente porém muito elegante (ótima combinação essa!) de taninos bem presentes mas finos e aveludados, equilibrado, frutos negros bem presentes (cassis), ótima estrutura, denso e muito jovem, um adolescente com promissor futuro mas já muito guloso e sedutor, de final apetecível, longo e algo especiado.  Mais uma vez um blend que seduz, comprovando que este estilo de vinhos realmente se mostra bem mais complexo que a grande maioria dos varietais, ainda mais quando no corte se coloca um pouco Maquis Rosede Petit Verdot (sempre ela!). A composição do vinho é um corte de Cabernet Franc (42%) Syrah (32%) Carmenére (23%) e aquele toque mágico, 3% de Petit Verdot!

Enfim, fique de olho no mercado pois esse vinho não deve tardar a chegar por aqui e merece toda a nossa atenção, só espero que venha a preços que caibam no bolso. No salão ainda provei seu Rosé de Malbec que é um vinho delicioso e refrescante que certamente fará sucesso em nosso verão por chegar.

Salute, kanimambo e um ótimo final de semana para todos.

 

Bodega Noemía Uma Grata Surpresa

Recentemente fui convidado a participar de uma degustação vertical dos vinhos deste que é um produtor ícone da região da Patagônia, produzindo, desde sua fundação, vinhos orgânicos e posteriormente biodinâmicos.  A Condessa Noemi Marone Cinzano e o enólogo Hans Vinding-Diers descobriram um vinhedo antigo e extraordinário, de apenas 3.000 parreiras – plantado em 1930 com vinhas velhas de Malbec em pé franco, sem enxerto e esse foi o embrião da Bodega. A região, diferentemente de Mendoza, é plana sem montanhas, de pouca variação térmica, porém de invernos frios, secos e longos e verões curtos não muito quentes o que gera vinhos com um teor alcóolico mais baixo que os das demais regiões argentinas, especialmente Mendoza. Água em fartura que vêm de dois rios de degelo, porém com poucas chuvas e, consequentemente, sem humidade.

Produzem tão somente quatro rótulos, todos de uvas plantadas em pé-franco, dos quais provamos três; o A Lisa que é seu gama de entrada de vinhedos mais jovens e uvas compradas, o J. Alberto no qual se usam uvas de vinhedos de 1955 (belo ano esse – rs) e o Noemía de vinhedos de 1930. Provamos as safras de 2009, 2010 e 2011 do A Lisa e do J. Alberto, sendo que do Noémia (1.500 gfs) somente o de 2008, um privilégio. No topo de todos e pouquíssimas garrafas produzidas muito de vez em quando, o Noemía “2” de produção limitada a cerca de 2000 garrafas, é um blend de 89% Cabernet-Sauvignon,  8% Merlot, 2% Malbec and 1% Petit-Verdot na safra de 2010.

Bodegas Noemia

A Lisa – interessante que apesar de ser o vinho de entrada da vinícola, foi o que mais mostrou as diferenças climáticas de cada safra, coisa que se sente muito na produção biodinâmica pois há pouco, se algum, espaço para eventuais correções. Malbec, porém leva um tempero de Merlot e uma pitada de Petit Verdot (sempre ela) para realçar o “suco”! O 2009 está pronto e delicioso de tomar, taninos maduros e muito equilibrado com um teor de álcool algo mais alto em função do verão atipicamente quente.  O 2010 está muito diferente, eucalipto mais presente, um certo toque de Brett* que encanta alguns e desgosta muita gente. O 2011 está ainda muito fechado e apresenta características intermediárias entre o 2009 e o 10, sem o Brett.  Sou mais o 2009 neste momento e acho um belo vinho. Já tinha provado há uns dois anos e realmente é um Malbec diferenciado para a faixa, cerca de R$110,00. Produção total deste gama de entrada beira as 90 mil garrafas..

J. Alberto – na Vinci (importadora) o preço sobe um degrau (de USD50 para 69,00), mas a qualidade e complexidade dá um pulo bem maior e eu me apaixonei por este vinho que me era desconhecido e do qual são elaborados somente cerca de 14/15.000 garrafas anualmente. Malbec 95% (vinhedo de 1955) com Merlot, é um vinho de excecional qualidade que passa por barricas francesas de 2º uso (30% do vinho), de 3º uso (30% do vinho) e o restante em tanques de cimento. O resultado é um vinho especial e exclusivo onde a fruta está presente com madeira inteligentemente usada de forma a “levantar” o conjunto dando-lhe complexidade. Vinhos densos, muito ricos, com um meio de boca delicioso e marcante, taninos aveludados e muito longo. O 2009 está maravilhoso e se fosse para escolher para tomar hoje, certamente seria o meu escolhido, porém o 2011 é uma joia a se guardar. Mostra-se, em minha opinião, num patamar acima dos demais e, podendo, compre umas três ou quatro garrafas e vá abrindo com parcimônia, uma agora, outra daqui a dois, anos, outra ……pois esse ainda vai dar o que falar! Considerando-se a taxa cambial hoje, falamos de um vinho entre R$150 a 160. Recomendo.

Noemía 2008 – 100% uvas Malbec de vinhedo datado de 1933, certamente um dos grandes vinhos argentinos! Tem gente pagando fortunas por algumas bombas alcoólicas sem qualquer equilíbrio e aqui nos deparamos com concentração, equilíbrio e elegância que marcam sem derrubar! Um vinho de personalidade própria, já pronto mas com muito para dar ainda e certamente veremos grande evolução nele, quem aguentar guardá-lo, durante os próximos 10 anos. Paleta olfativa viva e intensa implora para levar a taça á boca onde ele se mostra  fino e elegante, frutos frescos, boa acidez, meio de boca muito rico e complexo com uma certa mineralidade no final de boca que persiste uma eternidade. Não sei se os amantes da potência saberão apreciar as sutilezas deste vinho em que a madeira, apesar dos 20 meses de barricas novas francesas, está perfeitamente integrada, porém a mim me encheu de prazer.

Custa algo como US$160  (R$385 hoje na Vinci) o que vis-à-vis os preços de vinhos do mesmo porte, nem é caro, mas é muita grana. Para quem pode, bate de longe muito rótulo mais midiático na praça e, no meu conceito, vinho com cinco estrelas da Decanter tem que se tirar o chapéu, caso deste!

É isso e gostei muito do que provei, vi e escutei. Agora tenho que achar um nicho para o J.Alberto 2009 na Vino, fazer o quê, eta vinho bão e esse cabe no bolso mesmo que não facilmente! Salute e kanimambo

 

*Brettanomyces é uma família de leveduras que pode atacar o vinho ou o mosto em fase final de fermentação. Popularmente chamada de “Brett”, esta levedura produz aromas de couro, suor e bacon. No entanto, quando levemente presente, sem encobrir o caráter da fruta, pode adicionar complexidade ao fermentado. Podemos observar isto em muitos dos principais produtores do Rhône.  A “Brett” encontra predisposição especial para agir em vinhos com alto PH (baixa acidez) e teor alcoólico. Sendo assim, raramente a encontramos em vinhos brancos. Ainda não existe uma forma de corrigir este problema. Pode-se atuar apenas preventivamente durante a vinificação com a correta aplicação de sulfitos. (fonte – Revista Adega)

Dicas de Nossa Vinosfera

          Amigos, antes de falar de vinho nesta semana, falemos de algumas dicas de eventos nas próximas semanas que acho que valem muito a pena ser divulgadas.

Encontro de Vinhos – mais um encontro, porém desta feita pela primeira vez em Belo Horizonte onde os enófilos de bom calibre abundam. O Beto e o Dani vêm expandindo as edições deste gostoso Encontro com a diversidade pelo Brasil afora e isso me faz feliz, pois antes de tudo são bons amigos.

Clique na imagem para acessar o link para a lista de expositores que estarão presentes e, se for como de costume, é bem provável que apareçam mais uma meia dúzia de atrasadinhos!

Encontro de vinhs BH

Encontro de Vinhos Belo Horizonte 2013

·         Data: 14/09 (Sábado) Local: Mercure BH Lourdes – Avenida do Contorno, 7315 – Bairro Lourdes

·        Horário: Das 14h as 22h.

·         Ingressos: R$ 50,00 (antecipado) e R$ 60,00 na hora. Associados ABS têm 50% de desconto apresentando carteirinha.

Flag Button EspanhaUma Viagem Por Grandes Vinhos da Rioja dia 12 de Setembro – Degustação para o pessoal que mora ou está de passagem por Piracicaba e região (Americana,Sumaré,Limeira,Campinas, etc.) no interior do Estado de São Paulo, mais uma vez pelas mãos do amigo Luiz Otavio do Enopira

LOCAL: ENOPIRA a partir das 20 horas. – Rua Mamede Freire nº 79  Piracicaba SP

Maiores detalhes e reservas > luizotavio@enopira.com.br ou pelos telefones (019 ) 3424-1583-  Cel. ( 19 ) 9-8204.0406

VINHOS APRESENTADOS (todos da Peninsula)

1-                  Juve Y Camps Cava Reserva Familia Brut Nature 2007- R$ 176,00

2-                  Orben 2005- R$ 163,00

3-                  Sierra Cantabria Colección Privada 2006- R$ 269,00

4-                  San Vicente 2009- R$ 328,00

5-                  El Puntido 2005- R$ 372,00

6-                  Izadi Expression 2001- 466,00

7-                  Calvário 2006 R$ 593,00

8-                  Finca El Bosque 2005- R$ 873,00

APÓS A DEGUSTAÇÃO SERÁ SERVIDO: Bacalao a La Riojana

Curso de Países na Vino & Sapore – Desta feita é Chile. Por  motivos alheios à minha vontade tive que adiar minha apresentação na Vino & Sapore (Granja Viana – Cotia – SP) pera dia 25 de Setembro e ainda há algumas vagas disponíveis.

CHILE na VINO & SAPORE

Suas Regiões, Vales, Cepas e Vinhos

Chile, terras da diversidade, dos Vales e agora três novas sub-denominações de origem que visam dar uma melhor indicação do que esperar de uma garrafa de vinho desse importante player no mercado internacional. Vamos atualizar os enófilos de plantão com essa nova divisão de áreas, falar de seus Valles, suas uvas e seus vinhos neste próximo dia 25 de Setembro a partir das 20 horas. Enquanto falamos das regiões e das cepas mais importantes do Chile, vamos provar seis de seus vinhos e ao final um prato que esperamos possa reproduzir os sabores da terra, Pastel de Choclo.

Audio visual, apostila e um bate-papo agradável que visa atualizar os iniciados e esclarecer os iniciantes de nossa vinosfera com limitação de dez participantes por aula. Apresentação:  João Filipe Clemente, Enófilo, Consultor  e Colunista de vinhos, autor do blog Falando de Vinhos. Investimento; R$150,00 a serem pagos no ato da reserva. Aguardamos você e lembramos que já temos cinco vagas ocupadas, então o que resta será de quem chegar primeiro!

 Rua José Felix de Oliveira 875 – Zagaia Mall – Centrinho da Granja Viana Tel. (11) 4612.6343/1433 – E-mail: comercial@vinoesapore.com.br

Conhece a uva Melon de Bourgogne?

choblet-fief-guerin-muscadet-534x712Francesa, mais uma, gosta de climas frios e solos de granito e xisto gerando vinhos vibrantes, leves e refrescantes sendo ótima companhia para frutos do mar, em especial de ostras. Não sei se o amigo Nilson vende bem esses vinhos no seu Armazem Conceição lá em Floripa, porém de lá aos camarões grelhados e lagosta do nosso quente nordeste, me parece a companhia ideal. Uma pena que os preços desses vinhos, assim como dos bons Gruner Veltliner austríacos, não sejam mais camaradas, porque abriria uma por semana tranquilamente. Falo dos Muscadet, como são mais conhecidos, que na verdade é uma região do Loire, e agora você já começou a conhecer a uva não? Só não DSC02915consegui saber, até agora e contribuições são bem vindas, em que momento a Melon vira Muscadet?!! rs Certamente modismo e marketing provavelmente, caiu na boca do povo já viu né!

Os vinhos desta região mais ocidental do Loire, em que a Muscadet (Melon de Bourgogne) é rainha dos vinhedos com bem mais área plantada que qualquer outra cepa, são normalmente bem secos, muito ligeiros e sem grandes atrativos, porém os que vem da região de Sévre-et-Maine e passam por uma elaboração Sur Lie, ganham essa algo mais tornando-se vinhos vibrantes com maior riqueza aromática e de sabores sem perder a sutileza que os caracteriza. São mais de 2500 produtores, alguns poucos engarrafando, que vendem seus vinhos para uma meia centena de negociants que engarrafam e distribuem esses vinhos. O frescor do vinho é essencial, então sugiro consumi-lo nos primeiros dois anos de vida, eventualmente três se o produtor for realmente bom.

Não sendo um campeão de vendas, muito em função do desconhecimento que as pessoas têm destes vinhos e um pouco por preço, em minha última promoção na Vino & Sapore “matei” umas garrafas dessas e sobrou uma que levei para casa matando saudades. Desta feita sem comida, só um queijinho de cabra, mas me deliciei com ele e seus educados 12% de teor alcoólico que permite que se tome sem muita moderação. Apesar da foto horrível acima (abaixo o rótulo para uma melhor identificação) este Domaine La Haute Févrie (Zahil) é um dos vinho de que gosto bastante e sempre tive por perto, porém o mercado possui diversas outras opções então aventure-se um pouco, saia fora de sua zona de conforto e descubra novos sabores e novos produtores, é tudo de bom!

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Salute e bom fim de semana.

Salvar

Salvar

Quinta do Portal Moscatel do Douro Reserva 2000

Quinta do Noval Moscatel 2000 com Toucinho do Céu          Este vinho conheci na agradável e saudosa companhia de dois dos mais consagrados e respeitados enoblogueiros portugueses, o João Pedro e o Rui Miguel numa noite para lá de inesquecível! Pois bem, ontem abri uma garrafa que guardava com carinho em minha adega, aguardando o momento certo! Não vou me alongar no texto porque a foto fala mais do que qualquer comentário meu, mas posso dizer que junto com um magnifico pedaço de Toucinho do Céu (obra da saudosa Dª Milu e do Sr. Vasco – melhores doceiros portugueses fora da terrinha premiados pela Veja por diversas vezes) e boa companhia de amigos, foi uma harmonização perfeita, néctar dos néctares, uma emoção diferente, uma experiência olfativa ímpar e na boca um verdadeiro extase! Faltou a almofadinha para agradecer de joelhos!!!!!

Salute e Kanimambo, sempre garimpando os bons vinhos de Portugal

Varietal ou Corte? Afinal, Você Sabe o Que Está Bebendo?

          Pela legislação na maioria dos países produtores, um varietal pode estampar o nome da uva em seu rótulo quando esta possua predominância de no mínimo 85% na sua elaboração. No Brasil, conforme artigo escrito pelo Marcelo Copello neste último dia 30 de Agosto e publicado em seu Simplesmente Vinho no portal Terra que copio abaixo, esse porcentual é de 75%. A especificação das outras cepas não é obrigatória e aí vem a pergunta, você sabe mesmo o que está bebendo?

          Pessoalmente me preocupo com o todo, com a origem, com o produtor mais do que com a composição do vinho, porém há quem seja fissurado por saber das uvas que está tomando. Tem gente que só toma Cabernet Sauvignon e não toma blends porque acha que a “mistura” não faz bem ao vinho ou não gosta de Merlot, Malbec ou Carmenére. Será?!! Pode muito bem ser que esse tomador de vinho esteja tomando um “varietal” de Cabernet com uma boa dose de Merlot, Malbec, Petit Verdot ou até uma somatória delas sem saber! Afinal, qual a diferença entre vinhos varietais ou vinhos de corte?

          Vinhos varietais são vinhos, a principio, feitos com um único tipo de uva, ou com predominância de um tipo de uva de acordo com a legislação da região produtora. Já os vinhos de corte (blends, assemblages, de lote) são vinhos de “misturas” de diversas cepas. Em Portugal as pessoas se referem a um vinho com 100% de uma mesma uva, como vinhos vinificados ao extremo, questões de linguagem. Veja o que disse o Marcelo Copello em seu artigo:

Pela lei brasileira um vinho para ser um varietal, ou seja, para trazer um único nome de uva no rótulo, precisa ter ao menos 75% desta uva. Quando você lê no rótulo de um vinho, por exemplo, Chardonnay, significa que a maioria das uvas neste vinho é Chardonnay, podendo ser 100%. O melhor máximo de grandes varietais são os vinhos da Borgonha, que em sua maioria são 100% Pinot Noir (nos tintos) e 100% Chardonnay (nos brancos)

Os vinhos de corte, ou assemblage, como falam os franceses, misturam diferentes tipos de uvas para tirar o melhor de cada uva, buscando assim um vinho, mais equilibrado, mais complexo e mais completo. Um bom exemplo de vinhos de corte são os vinhos de Bordeaux na França, que normalmente nos tintos são uma mistura três uvas, Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc (há ainda outras possíveis, como Petit Verdot, Malbec e Carménère).

Mas qual o melhor, varietal ou corte? Este não é um fator de qualidade em um vinhos. Este é um tema bastante discutível, mas em uma lista dos maiores vinhos do mundo, possivelmente o que predomina são os cortes.

            Pessoalmente me encanto com os blends, adoros os portugueses e os Chateaneuf-du-Pape, com até 13 uvas, a meu ver crescem em complexidade e são meus preferidos, porém em primeiro plano o vinho tem que ser bom, isso sim é essencial! Agora, a escolha é sua, mas cuidado porque você pode estar tomando uma coisa achando que é outra então melhor rever seus conceitos ou comece a exigir aqueles rótulos em que o contra rótulo claramente especifique 100% do uso da cepa mencionada.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos

No Frigir dos Ovos, Falando de Comida, or Not!

Quando comecei, pensava que escrever seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. A carne é fraca, eu sei, e não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas, enfim. Mas quem não arrisca não petisca e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.

Porém, já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.  Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos. O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão. Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese… etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros não é refresco…

Enfim, puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.

           Este texto acima não é meu! Recebi de um amigo e o autor é desconhecido, daquelas mensagens que dão volta na internet ganhando fama sem que o devido crédito seja dado, porém curti bastante e quis compartilhá-lo com vocês nesta semana já que de vinho já falei demais e tenho que guardar algo para a semana que vem, rs. Só inclui uma ou outra palavra e mudei a ordem dos parágrafos, porém a obra não perdeu sua essência, espero que curtam e tenham todos um ótimo fim de semana. Para quem puder, ainda há alguns lugares disponíveis para o curso sobre o Chile, seus vales, vinhos e uvas com as novas denominações recém implantadas. Será no próximo dia 5 de Setembro, e faria gosto em recebê-los. Salute e kanimambo

Vinhos do Brasil, Ó eu Aqui de Novo!

Fazia tempo que não falava dos vinhos brasileiros como um todo, apesar de nunca me ter afastado dos pequenos produtores quando tenho a oportunidade. Falei de Geisse, de Lona, de Valmarino & Churchill, porém este ano ainda não tinha postado nada. Como a maioria sabe, meu problema com o vinho brasileiro está limitado ás estratégias negociais adotadas pela grande maioria dos produtores com destaque para os grandes barões, à política comercial e á precificação, nada contra a qualidade, muito pelo contrário conforme pode ser lido em meus diversos posts sobre o tema. Pois bem, voltei a ter a oportunidade de provar ao ser convidado para participar do evento de vinhos brasileiros promovido pela WineIn e fazer parte do júri de especialistas num challenge muito interessante.

Por uma questão de coerência e porque até hoje determinadas pessoas e empresas (mentores e apoiadores ferozes) não desceram de seu pedestal para se desculparem perante o consumidor, eu e você, pela tentativa malfadada de nos empurrar goela abaixo as tais das maledettas salvaguardas sem contar o tal do selo fiscal, seguirei não falando deles mesmo que os prove, porém aqui sempre haverá espaço para os pequenos em especial aos associados da UVIFAM e ACAVITIS.

Bem, mas chega de papo e deixa eu compartilhar com os amigos algumas descobertas deste evento realizado na Fecomercio semana passada em que pela primeira vez me debrucei sobre vinhos de uma região pouco conhecida da maioria, a de Campos de Cima da Serra –  “Os Campos de Cima da Serra ficam no nordeste gaúcho, na parte mais alta do “Rio Grande”, onde as nuvens fazem sombra nas montanhas. A leste estão os cânions dos Aparados da Serra e ao norte a Serra Catarinense. Região de história, tradição, hortências, uvas e vinhos” – e gostei!

Desta região que fica situada num platô de altitudes entre 900 a 1100 metros, frio e ventoso propiciando maior sanidade das uvas e uma maturação mais longa, provei os vinhos da Aracuri (em Sampa falem com o Miguel da Garrafeira do Carmo) e da Campos de Cima, falemos desses vinhos: “Ressalva, me equivoquei, a Vinícola Campos de Cima está localizada em Itaqui na Campanha Oriental, não na região de Campos de Cima da Serra”

Campos de Cima Extra-brut > chardonnay e pinot vinificados na casa da Família Geisse não podia dar noutra, um belo espumante com ótima perlage e muito equilibrado. Vale muito a pena.

Campos de Cima Viognier 2011 – não sabia, mas esta uva aparentemente está se dando muito bem por estas bandas, e este vinho comprova isso. Seco, corpo médio, boa tipicidade melhor na boca do que no nariz, uma bela pedida para quem gosta de se aventurar por cepas diferentes.

Campos de Cima Tannat 2006 – este exemplar passa seis meses em barrica e está no ponto para ser consumido. Equilibrado, taninos equacionados, rico e muito saboroso de tomar. Não sei se seguirão fazendo este vinho, mas eu não perderei essa chance e colocarei algumas garrafas em minha adega junto com o Viognier!

Clipboard WineIn I

Aracuri Vinhos Finos – me seduziram. Tanto pelos vinhos, meus parabéns á simpática enóloga Paula Guerra Schenato, como por seu projeto comercial em São Paulo. Em se mantendo nessa rota, terá todo meu apoio pois os vinhos apresentaram muita qualidade e preços condizentes e honestos face a realidade brasileira.

Aracuri Merlot 2009 – um merlot de bom corpo, taninos bem equacionados, harmonioso digno dos bons vinhos brasileiros elaborados com esta uva.

Aracuri Pinot Noir 2012 – há poucos pinots nacionais que me satisfazem e este mostrou ser um deles. Frutado, mas sem exageros de extração, elegante e fino na boca como manda o figurino.

Aracuri Cabernet 2008 – Parelho com o Merlot, completando uma linha de tintos bastante interessante com preços que, me parece, andam na casa dos R$45 a 50 aqui em Sampa e acho que valem.

Aracuri Collector Cabernet Sauvignon 2009 – o que já era bom ficou melhor ainda. Com passagem de 12 meses por barricas este vinho ganha maior estrutura e complexidade, uma riqueza de sabores sedutores e perfeito equilíbrio. Vinho que gostaria de ver em algumas provas às cegas, certamente fará bonito e quebrará um monte de paradigmas! Importante, educados 12.5% de álcool.

Não provei os brancos, era muita coisa (!), porém as criticas são boas então é um produtor que me parece possuir toda uma linha de bons vinhos que valem sua, e minha, atenção. Por falar em brancos, provei um vinho que certamente saciará a curiosidade dos que gostas de sair da mesmice, o Dunamis Merlot vinificado em branco, um vinho bastante interessante e gostoso de tomar, nem que seja pelo fator inusitado, porém vale ter na adega e este vem da Campanha Gaúcha próximo a Santa de Livramento tendo seus vinhos vinificados nas instalações da Cordilheira de Sant’Ana.

Para finalizar, a Vínicola Kranz de Treze Tílias em Santa Catarina, me surpreendeu com dois rótulos em especial; um rosé de cabernet com apenas 11,5% de teor alcoólico e nada docinho! Um vinho gastronômico, estilo italiano, de bom frescor complexo e já me vi acompanhando-o com um belo prato de atum selado! Seu espumante Rosé Brut elaborado pelo método charmat com 3 meses sur lie e também de Cabernet é surpreendente. Já seu Cabernet Sauvignon 2009, é bem típico dos vinhos catarinenses desta cepa que tendem muito mais à elegância do que à potência e grande estrutura. Um estilo que não seduz a todos mas que eu aprecio bastante.

Depois teve a prova (Challenge) de vinhos acima de R$50 Brasileiros versus vinhos argentinos e chilenos em que o Lote 43 de 2011 foi o ganhador (para mim o segundo por um ponto) sendo que na minha avaliação o Achaval Ferrer Malbec 2011 levou o troféu. Mas disso falo outro dia! Salute e kanimambo.