No Exterior - O que pode e o quê trazer

Como Trazer Vinhos de Viagem

Bem, a primeira premissa é saber quantas garrafas! Pela presente legislação cada passageiro pode trazer até 16 garrafas de vinho de 750ml (igual a 12 litros) desde que dentro de sua cota de USD500. Mais detalhes você pode ver aqui e aqui. Eis algumas dicas boas e baratas.

Se for trazer umas duas ou três garrafas, mais fácil é colocar na mala mesmo e bem condicionadas no meio dela, bem aninhada. Pode quebrar, mas é difícil. Para evitar maiores danos há duas opções; a primeira é optar por uns envelopes próprios para isso e fechados com zíper (veja fotos abaixo). Caso ocorram acidentes fica tudo dentro do saco e evitam-se maiores danos, porém não é fácil de encontrar por aqui sendo mais comum nos Estados Unidos e também encontrei em Mendoza. Como um quebra galho barato, uma sugestão é envolver a garrafa em bastante plástico bolha ou numa fralda infantil colocando-a dentro de um saco plástico. Pode não ser tão bonito, mas por relatos recebidos funciona e o ditado já diz; “quem não tem cachorro caça com gato”! Afinal, vivemos ou não no país da criatividade e da improvisação? rs (clique nas imagens para ampliá-las)

Clipboard wine skins

Ah, mas vai trazer um número maior de garrafas! Bem, nesse caso a melhor opção são as malas especialmente desenvolvidas para isso e no Brasil, que eu saiba, há pelo menos duas empresas que as produzem, mas aí já falamos em um investimento mínimo de 1.000 reais então, ou você viaja bastante para compensar o investimento, ou fica cara a brincadeira!! Uma outra opção bem mais em conta é comprar, caso já não tenha, uma mala de tamanho médio e pedir ao seu fornecedor habitual de vinhos a gentileza de lhe conseguir umas caixas de vinhos horizontais de papelão mesmo. Se for um bom cliente da loja ela certamente lhe conseguirá uma ou duas que possuem o tamanho certo para colocar na mala, veja as fotos abaixo. Embrulhe as garrafas em plástico bolha, rede ou meias e acondicione as garrafas na mala. Forre o fundo da mala com camisetas, malhas, coloque sapatos e chinelos nas pontas, termine com mais roupa por cima e pronto! Essa eu usei já por diversas vezes e nunca tive um acidente sequer, sem contar que a mala fica bem pesada o que não permite que o operário no aeroporto “catapulte” a mala nas esteiras! rs

Clipboard Mala vinhos

Não pensou que iria comprar muitas garrafas, mas se empolgou né? Pior, não estava preparado! Nesses casos é ver se a loja tem caixas especiais para despacho aéreo com nichos de isopor, basta passar plástico shrink na caixa e despacharOLYMPUS DIGITAL CAMERA, também funciona bem. Há companhias aéreas mais chatas que outras então, de qualquer forma, é sempre melhor conferir com a que estará viajando para ver se há alguma limitação imposta por eles e qual o custo por quilo de excesso de bagagem (cada garrafa pesa em tono de 1,3kg). Evite aquelas garrafas muito pesadas, há ótimos vinhos em garrafas comuns, de resto aproveite para trazer bons vinhos, aqueles que aqui são bem mais caros ou aqueles rótulos que aqui não estejam disponíveis já que todo esse trabalho para economizar centavos não vale a pena né?! Ah, nada de vinho a bordo exceto o comprado no free shop de saída, conforme regulamentação internacional, apesar de já ter visto autoridades em aeroportos fazendo vistas grossas para isso!

É isso, ao longo da semana finalizo os posts sobre a viagem a Mendoza e já deixo aqui um “Save the Date” para quem esteja interessado em ir lá comigo. Já estamos por finalizar os detalhes e vos avisaremos, porém as datas já estão confirmadas, sairemos dia 21 com volta dia 26 Janeiro

Trazendo Vinhos do Exterior – Isenções

Alguns dos posts de maior acesso neste blog são extamente os que tratam das isenções para trazer vinhos do exterior. Pesquisando sobre eventuais mudanças, me deparei com este esclarecedor video da receita federal que creio possa ser útil aos ínúmeros leitores deste blog então segue link:

“Isenções para viajantes chegando ao Brasil”

Salute, kanimambo e seguimos nos encontarndo por aqui.

Tutto Meno Alitalia – Botando a Boca no Trombone!

Tenho muitos acessos de pessoal que viaja e quer trazer vinhos de fora, havendo aqui diversos posts sobre esse tema. Acho que o desabafo do amigo Aguinaldo Záckia é pertinente ao assunto e certamente deverá ser de grande utilidade para os apreciadores de vinho que pretendam viajar para a Bota com essa companhia aérea e trazer alguns vinhos na volta. Não poderia deixar de publicar!

AVISO IMPORTANTE AOS AMANTES DO VINHO

TUTTO MENO ALITALIA!

Por Aguinaldo Záckia Albert

        Como filiado que sou da FIJEV – Fédération Internationale des Journalistes et Écrivains du Vin et Spiritueux, fui convidado a fazer um tour pelas regiões vinícolas da Toscana, juntamente com jornalistas de vários países.

        Organizado pela REGIONE TOSCANA, tivemos oportunidade de visitar alguns dos melhores produtores de Montepulciano, Montalcino, Morelino di Scansano e Maremma, onde fomos recebidos de forma calorosa por seus vinhateiros e provamos grandes vinhos. Uma viagem a ser guardada com carinho na memória.

          O roteiro terminou num domingo de manhã, em Suvereto, de onde partimos para Firenze. Cheguei por volta das 11:00 e, como meu voo era noturno, peguei um táxi e rumei para Firenze per fare una passegiatta e rever ao menos a cópia da estátua de David, de Michelangelo, na Piazza della Signoria, defronte ao Pallazzo Vechio (os funcionários dos museus estavam em greve).

          Uma boa pasta acompanhada de um bicchieri di vino e estava almoçado. Enquanto tomava um café, pude ouvir uma excelente contralto russa que cantava na praça algumas das melhores passagens da ópera italiana.

         Estava profundamente feliz e agradecido por poder estar vivo e estar ali, desfrutando de toda aquela beleza, depois de fazer um belo roteiro de vinhos. Sem dúvida um grande privilégio. Poderia haver alguém lá em cima – por que não? – e esse alguém podia até mesmo se interessar por mim. Muita gente acredita nisso. 

         Depois dessa tarde maravilhosa, peguei um táxi e rumei para o aeroporto de Firenze, onde pegaria um voo para Roma e, depois, para São Paulo. Começaram aí os meus problemas e a Divina Comédia quando tive que me confrontar com uma empresa aérea chamada Alitalia. Fazendo o caminho inverso do grande Dante, saí do Céu e fui lançado ao Inferno, sem passar pelo Purgatório.

         Comedido como sou, levei comigo apenas três singelas garrafas de bons vinhos, um Schidione e um Brunello de Montalcino, que comprei, e mais um Brunello, que ganhei. Levava também comigo duas pequenas garrafas e uma latinha do delicioso azeite da região recém elaborado que ganhara de alguns produtores. Lembro que a lei brasileira permite que entremos no Brasil com até 12 litros!

        Como sempre faço (e faço isso inúmeras vezes ao ano, em viagens à Europa, e mesmo à Itália) embalei os vasilhames bem protegidos em uma caixa de 6 garrafas de papelão de vinho, que tive o cuidado de embalar em plástico (mais 10,00 Euros pro beleléu). Como não se pode levar líquido como bagagem de mão, tentei embarcar a caixa juntamente com minha pequena valise. Tinha comigo apenas mais uma mala.

          E não é que fui impedido de embarcar com os azeites e os vinhos! O pessoal da ALITALIA se mostrou absolutamente intransigente, mesmo depois de ter me identificado como jornalista de vinhos e ter inclusive mostrado minha carteira profissional e o convite da REGIONE TOSCANA. Falei com várias pessoas e discuti asperamente – em bom italiano, depois em inglês – diante do absurdo de tal situação, mas nada consegui, nem mesmo me propondo a comprar outra mala ou embarcar os vinhos na mala que já tinha! Foi-me dito que a Alitalia tem há 5 anos uma norma que proíbe o transporte de líquidos na carga de seus aviões para que, caso as garrafas se quebrem (o que seguramente não iria acontecer) não molhem a bagagem alheia.

         O mais estranho é que a empresa não avisa seus passageiros de tal fato. Mais estranho ainda é que anteriormente já havia trazido vinho pela mesma companhia. O que afinal aconteceu? Será que a empresa foi comprada pelas ORGANIZAÇÕES TABAJARA para ter uma norma tão estúpida?!

         Peguei a caixa de vinhos e a abandonei no centro do salão do aeroporto e embarquei apenas com minha valise. Algum cão bem treinado deve ter cheirado bem a caixa (um cão degustador, quem sabe?) e depois algum robô deve ter desarmado a perigosa bomba…

         A empresa ALITALIA, bastante conhecida por seus maus serviços aéreos, pôde mostrar nesse episódio a sua pior face. Numa decisão absurda, impediu que fosse mostrado no exterior amostras dos dois mais conceituados produtos italianos no mundo, o azeite de oliva e o vinho, mesmo sabendo que se tratavam de amostras a serem provadas em degustações por profissionais reconhecidos. Como entender tanta estupidez e burrice na terra de Michelangelo e Da Vinci?

           Dessa forma, caros confrades e amigos do vinho, caso queiram trazer alguma coisa líquida da Itália (vinho, azeite etc.), não utilizem a ALITALIA. Você está arriscado a perder seus vinhos, ter prejuízo e ainda ser brindado com uma poltrona central na última fileira do avião, como aconteceu comigo. Comboios de africanos pelo Mediterrâneo, caravanas de ciganos pela rota do leste europeu ou barcos lotados de albaneses no Mar Adriático. Tudo isso, meus caros, É MELHOR E MAIS AGRADÁVEL DO QUE VIAJAR PELA ALITALIA. 

TUTTO MENO ALITALIA!!!

ATENÇÃO, Mudou a Lei!

Muitos já publicaram matéria sobre o tema, mas este é um assunto que interessa a muita gente e há bastante tempo postei sobre ele com dicas e informações legais. Pois bem, tivemos mudanças, então solicitei ajuda para quem entende, quem está no olho do furacão, o nosso amigo e já “consultor” para assuntos legais aduaneiros (rs), o Rafael (valeu mon ami) que nos esclarece as mudanças trazidas pela nova normativa (Instrução Normativa n.º 1059/2010 ). Não foram muitas, ao menos no que toca ao vinho, mas houve real redução da isenção já que o item vinhos (bebidas alcoólicas) não era previsto na norma anterior. Diz o Rafael, “ O limite de isenção permanece o mesmo (U$ 500,00 para via aérea ou marítima e U$ 300,00, para via terrestre, fluvial ou lacustre). Para bebidas alcoólicas, para que estejam incluídas na faixa de isenção, não poderão ultrapassar a quantidade de 12 litros (novidade), além de obedecer aos limites de valor. (16 garrafas) Isso significa que somente poderão ser trazidos na bagagem 12 litros de bebida alcoólica? A resposta é não. Mas o que ultrapassar o quantitativo ou o valor, será tributado à alíquota de 50%. O que ainda é um bom negócio dependendo dos vinhos

No caso das lojas francas (free shop), permanecem os mesmos limites: U$ 500,00, independentemente da isenção de bagagem. O que ultrapassar esse limite, será tributado à alíquota de 50%. Essa alíquota somente é aplicada se o viajante declarar que traz consigo conjunto de bens em valores (e quantidades, no caso de bebidas) superiores aos limites de isenção. Se declarar que está dentro do limite, quando de fato não está, e for selecionado para inspeção, será também aplicada multa de 50% sobre o que exceder o limite, além da tributação de 50%, que inclui Imposto de Importação, PIS e Cofins.

Permanece a interpretação do fiscal, no momento da inspeção. Assim, reitero o conselho de que não é recomendável ao viajante trazer garrafas do mesmo rótulo, sob pena do fiscal interpretar que o produto possa ter destinação comercial.”

Bem meus amigos, como podem ver e apesar de 16 garrafas não ser um número tão ruim assim, mais uma trolitada em nóis! De qualquer forma, explicado está e agora cuidado nas quantidades e lembre-se, o que você compra no free shop de saida no exterior, é considerado  nesta cota, ok? Só o que for comprado no Free de chegada é que é adicional. No que trouxer de fora, em você sendo um enófilo dedicado que nem eu, nada como já levar consigo sua mala de vinhos garantindo que suas preciosidades cheguem intactas. Uma boa opção no mercado que recomendo, são as Wine Cases da Tecnomalas, que valem por sua resistência e durabilidade assim como a Wine Fit

Salute e kanimambo.

Qual a Isenção Para Trazer Vinhos na Bagagem? Versão Final (Mudou).

Não quis apagar o post abaixo, mas agora, em Agosto de 2010, a lei mudou. Veja como isto afeta você em >> http://falandodevinhos.wordpress.com/2010/08/12/atencao-mudou-a-lei/.

 

Apesar de já ter comentado este assunto em outras ocasiões, sigo recebendo consultas. No ultimo post em que tratei deste assunto, recebi um comentário muito elucidativo e definitivo sobre o tema. O Rafael é servidor da Receita e com todo o seu conhecimento fez este comentário que creio de tamanha importância para os amigos viajantes, que merecia um post especifico. É que comentários nem todos lêem então aqui está, para quem estiver de viagem marcada nestas férias, eis como devem proceder.

 

“A primeira informação que deve ser passada ao leitor do blog é de que a faixa de isenção varia em função do transporte utilizado pelo passageiro, em função da destinação dos produtos importados e se refere sempre à bagagem acompanhada:

 

- via aérea ou marítima: U$500,00

- terrestre, fluvial ou lacustre: U$ 300,00

- terrestre, fluvial ou lacustre em veículo militar: U$ 150,00

 

O vinho pode ou não ser incluído no conceito de bagagem, e portanto estará acobertado pela faixa de isenção, SE E SOMENTE SE for destinado para uso e consumo pessoal. Não é através do número de garrafas que aquele servidor que fizer a inspeção da bagagem terá como avaliar se aqueles produtos terão ou não destinação comercial. Não existe essa regra e acredito que nem mesmo poderá algum dia existir. Será possível catalogarmos todos os produtos passíveis de importação via bagagem e definirmos uma quantidade mínima e máxima de importação? Quantos produtos novos são lançados por dia no mercado? Essa definição é impossível e precisamos entender que não é somente de vinhos que se limita a bagagem dos viajantes, no trabalho de inspeção de bagagem acompanhada.

No exemplo que você mostrou, 12 garrafas podem ou não ser consideradas como de uso pessoal: por ex., quando o viajante traz consigo 12 garrafas idênticas, do mesmo vinho, posso afirmar com toda certeza que o enófilo estará concedendo ao servidor aduaneiro uma dúvida. Então, uma sugestão que faço é não trazer todas as garrafas do mesmo vinho. Varie, adquira vinhos de produtores diferentes, com rótulos distintos.  Também não leve documentos legais, textos de internet e etc. Os servidores da aduana são bem capacitados, trabalham com essa matéria no dia a dia e conhecem bem a legislação. Ao invés disso, carregue consigo qualquer documentação que comprove a sua profissão, o ramo de mercado em que você atua. Leve consigo seu contracheque, sua carteira de trabalho, o contrato social da sua empresa ou qualquer outro documento que possa comprovar que você não atua no ramo de bebidas, mas somente é um apreciador delas. Enfim, ofereça provas e argumentos ao servidor aduaneiro, de que você trouxe aquelas garrafas para consumo pessoal. Garanto que será melhor do que levar textos legais ou dicas de agências de viagens.

O recolhimento de impostos somente se dará se as compras ultrapassarem a faixa de isenção. O Imposto de Importação será calculado mediante a incidência da alíquota de 50% sobre o valor que ultrapassar o limite de isenção. Assim, se o viajante, através de vôo internacional, trouxer do exterior U$ 750,00 em vinhos e estes foram considerados como bagagem acompanhada, ou seja, para uso pessoal, o recolhimento será da ordem de U$ 125, convertidos para moeda nacional na data do recolhimento. Ou seja, será a aplicação da alíquota de 50% sobre o valor excedente ao limite de isenção.”

 

Bem meus amigos, agora acho que não existem mais duvidas sobre o assunto. A única recomendação que faço é que evitem trazer as garrafas dentro de suas malas pois o risco é muito grande, pela forma tosca com que elas são manuseadas nos aeroportos, e prefira despachá-las em caixas bem acondicionadas. Converse com a companhia aérea, algumas cobram por volume, pois mesmo que haja um pequeno custo adicional, certamente será bem mais barato que seu terno! Uma sugestão para aqueles que curtem trazer suas preciosidades de fora, é acondicionar de forma correta seus vinhos  e recomendo o uso de malas adequadas para o transporte de vinhos, há diversas no mercado ou, eventualmente, compre em sua viagem. 

Salute e kanimambo.