De boas intenções o inferno está cheio!

 

Já ouviram essa frase antes? A grande maioria, certamente sim e acho que o conceito se aplica a esta nova lei de Tolerância Zero no álcool com a redução do limite de dosagem para 0,2 grs. Apesar das, sempre dou o beneficio da duvida, eventuais boas intenções na elaboração desta lei, a verdade é que a mesma é míope, uma verdadeira aberração sócio cultural como muitas que existem por este Brasil afora em leis mal pensadas, mal redigidas e mal aplicadas. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, existe uma tremenda dificuldade em separar o joio do trigo e, generalizar é o caminho mais fácil e rápido para se solucionar um potencial problema.

A mídia, por outro lado, com medo de ser tachada como politicamente incorreta, entra na baila divulgando e apoiando, muitas vezes de forma sensacionalista, a nova legislação que quer ser mais realista do que o rei. O que gostaria de saber, aparentemente ninguém fez essa pesquisa, é quantos acidentes foram, efetiva e comprovadamente, gerados por motoristas com até 0,6 grs de álcool no sangue? Pelo que me consta, a quase totalidade desses acidentes e mortes no trânsito em função de irresponsáveis e criminosos motoristas alcoolizados, era de gente literalmente mamada! Já existia a lei, era só exercê-la e fiscalizar! As coisas corriam soltas por total falta de ação do Estado que não está devidamente capacitado e não exerce as prerrogativas da lei, nem sequer conseguindo inibir os criminosos rachas. A imprudência no transito é geral! Aliás, tenho sérias duvidas de que esse cenário irá mudar muito, apesar das mudanças na lei.

O que realmente se vai conseguir, é punir aquele pai de família que saiu para jantar com os amigos e tomou duas taças de vinho no jantar, ou jovem que saiu do escritório na Sexta, tomou dois ou três chopps e depois foi se encontrar com a namorada, ou seja, será punido o bebedor socialmente responsável. Acreditem, vai acontecer, e muito, só para dar o exemplo! Se a pessoa tiver o infortúnio de, com ou sem culpa, se envolver em um acidente, então será cana na certa! Pior, ainda são capazes de, por total despreparo, colocar essa pessoas numa cela junto com criminosos comuns! Aliás, parece que no Rio Grande do Sul a caça às bruxas já começou e com os, óbvios, excessos por parte de “nossos” defensores da ordem publica. Tivessem agido antes e não estaríamos chorando a morte de um monte de inocentes! Os habituais transgressores da lei, os mamados, esses já têm a manha. Porquê não fazer como no Canadá em que, o limite é 0,8 e os que se excedem, localizados através de fiscalização firme e regular, sofrem duras penas. Obviamente que no país da impunidade, Brasilia está aí cheia de exemplos para dar, isto seria inviável. Bastava colocar os orgãos publicos para trabalhar, começando por uma formação adequada nas escolas com aulas de cidadania e educação no trânsito!

Endurecer e criminalizar os atos irresponsáveis desses assassinos sobre rodas, é ação perfeita e obrigação do Estado que, ao longo dos anos, se isentou de suas responsabilidades. Generalizar de forma míope, que nem foi feito, é burrice é falta de vivência e distanciamento da realidade desses que vivem em gabinetes, possuem cartão corporativo e quando saem de carro, o fazem com motorista que eu e você pagamos. Depois nos chamam de elites !!! Tenho, inclusive, preocupações quanto ao impacto econômico que esta lei trará sobre os negócios de muita gente, sejam eles; restaurantes, bares, produtores, importadores, etc. que vivem disso. Quanto cairá o consumo? Quantos empregos se perderão? O tempo dirá.

Não quero passar a impressão, de forma alguma, de que apoio o consumo exagerado de bebidas alcoólicas. Nem para quem vai dirigir, nem para ninguém! Mas daí, até fazer o que fizeram, é um verdadeiro absurdo. Quanto cairá o numero de acidentes e mortes por irresponsáveis bêbados ao volante? Isto veremos dentro de um ano, após passar o auê que vão armar para cima de alguns a titulo de “mostrar trabalho” e dar o exemplo! Mais inteligente, seria manter os limites que já existiam, fiscalizar adequadamente e APLICAR a lei. Só que isso dá trabalho, esse é o verdadeiro cerne da questão!! Droga é proibida, tolerância zero, acabou o consumo e venda? Onde não existe fiscalização e aplicação da lei, não existe obediência, é óbvio e, não considerar isso na análise, beira a infantilidade. Achar que reduzir a zero (nada de bombons de cereja da Kopenhaguen antes de dirigir, por favor) vai eliminar os acidentes provocados pelos mamados irresponsáveis de plantão, é de uma inocência atroz.

Enfim, …….o que sei é que acabaram-se, em grande parte, as minhas degustações. Como vivo fora de São Paulo, taxi é carta fora do baralho, motorista muito menos, então vou ter que me contentar com uma ou outra eventual carona. Nas degustações, muito cuspimos, um ou outro gole engolimos, o bastante para que, numa eventual blitz me veja multado, desprovido de meu veiculo e, numa cidade sem alternativas decentes de transporte publico (onde será que essa gente coloca nossos impostos?), tenha meu direito de ir e vir cerceado e minhas atividades profissionais prejudicadas. Não posso me dar a esse luxo! Lei Seca, haja fígado para aguentar!!

Questão de opinião, é isso que penso. Desabafo feito, posição tomada, resta-me um brinde (em casa). Salute, apesar de tudo e de tantos! Beijo no coração e bom fim de semana.

 

Ps. Reduzida a desigualdade social no Brasil em 7%. Bandeiras desfraldadas e festa na corte, só esqueceram de divulgar que grande parte do resultado foi às custas da classe média que teve uma redução de quase 8%. Os ricos seguem ganhando cada vez mais, não são afetados. Ou seja, eu e você, para variar, pagamos a conta e, os “caras” levam a fama!