Melhores Vinhos de 2011

Melhores 2011 por Faixa – Até R$35

     Olá, esta é minha quarta edição de Melhores Vinhos do Ano por faixa de preços o que, por si só, deve gerar uma interessante análise de preços que, quer queiramos quer não, tem extrema importância no que tomamos pois cada um de nós tem um tamanho diferente de bolso e seus próprios limites. Foi relendo meu primeiro post sobre o assunto em Janeiro de 2009, que me veio a idéia de extrair de lá o preâmbulo deste texto de hoje que antecede a primeira lista de várias que publicarei nesta semana. “Elaborar uma lista destas é tarefa salomônica pois significa escolher poucos entre muito bons e ótimos néctares garimpados dentro de cada faixa de preço, o que é um dos principais objetivos deste blog. A idéia não é só listar os melhores vinhos tomados, lista que na maioria das vezes está fora do alcance da grande maioria de nós consumidores. É o preço, no entanto, o divisor das águas que faz muitos vinhos ficarem de fora destas listas, pois deixaram de ser “achados”, especialmente nesta faixa! Preço é um pouco como as opiniões e notas de Robert Parker e/ou Wine Spectator, muitos falam mal e fazem pouco caso, mas na hora H não deixa de levar em consideração, especialmente os que têm que pagar por seus vinhos e não possuem cartão corporativo ilimitado. Coisas da hipocrisia de nossa vinosfera.”

          Não possuo meus TOP 100 ou Top 200 ou seja lá que numero for. Listo aquilo que de alguma forma me deu prazer e acho que vale, é uma lista pessoal e, consequentemente, cheia de subjetividades e passíveis de discordância de muitos, mas são elaboradas baseadas em minha experiência, nas emoções e impressões de vinhos tomados e degustados ao longo do ano que passou. Vou selecionando e ao final vejo o número que deu. Nesta faixa de preços os riscos são grandes, porém o tombo é pequeno. São os vinhos do dia a dia e cada vez se torna mais difícil encontrar produtos de qualidade nesta faixa, porém garimpando se acha. Precaução, no entanto, tem que ser o lema de quem busca vinhos nesta faixa já que, se escondendo por trás da fama de alguns países e regiões, existe uma enormidade de  zurrapa por aí.

          Quando vou em feiras e eventos, afora tomar alguns grandes néctares, meu foco é sempre provar vinhos de entrada com preços mais acessíveis até porque é isso, em minha opinião, que qualifica o produtor. Se ele consegue produzir um bom vinho de entrada a preço acessível á maioria, isso demonstra claramente seu comprometimento e nos convida a buscar coisas melhores dentro da mesma vinícola. Produzir vinhos ícones, caros e de “tiragem” limitada não me parece coisa de outro mundo e não qualifica produtor. Mas chega de papo, vamos aos vinhos!  

TINTO      

Rótulo

País

Imp./Prod

R$

Callia Shiraz/Bonarda Argentina Decanter

24,00

Patio Sur Tannat/Merlot Uruguai Decanter

24,00

Qta. De Cabriz Colheita Selecionada Portugal/Dão Winebrands

28,00

Terranoble Carmenére Chile Decanter

28,00

Confini Sangiovese Itália/Toscana Vinho Sul

29,00

Ilka Merlot Argentina Vinho Sul

29,00

Vale da Mina Portugal/Alentejo Vinho Sul

29,00

Legado Munoz Garnacha Espanha/ Decanter

31,00

Argento Reserva Malbec Argentina Costazurra

32,00

Dos Fincas Cab. Sauv./Malbec Argentina WW Wine

32,00

Dos Fincas Cab. Sauv./Merlot Argentina WW Wine

32,00

Man Vintners Merlot África do Sul Vinho Sul

32,00

Paiara Negroamaro Cab. Sauv. Itália/Puglia Winebrands

32,00

Don Giovanni Merlot Res. Brasil Don Giovanni

33,00

Lauquita Merlot Chile Mercovino

33,00

Artero Tempranillo Espanha/ Decanter

34,00

Cardeto Rupestro Itália/Umbria Decanter

34,00

Confini Chianti Itália/Toscana Vinho Sul

34,00

BRANCOS/ROSÉS e ESPUMANTES      

Rótulo

País

Imp./Prod

R$

Hermann Bossa 2 – Demi-sec Brasil Decanter

28,00

Qta. de Cabriz Branco Colh. Selecionada Portugal/Dão Winebrands

28,00

Casa Punti Chardonnay Argentina Wine Society

29,00

Ilka Torrontés Argentina Vinho Sul

29,00

Lauquita Chardonnay Chile Mercovino

30,00

Don Giovanni Espumante Moscatel Brasil Don Giovanni

32,00

Dos Fincas Sauv. Blanc Argentina WW Wine

32,00

Man Vintners Chenin Blanc África do Sul Vinho Sul

33,00

Moinet Prosecco DOC Itália/Veneto Vino Y Vino

33,00

Sucre Sauv. Blanc Chile Wine Company

33,00

Casa Valduga Arte Brut Brasil Valduga

35,00

Van Zeller Rosé Portugal/Douro Vinho Sul

35,00

Varanda do Conde Alvarinho/Trajadura Portugal/Minho Casa Flora

35,00

      Alguns rótulos, poucos, poderão ser encontrados em listas anteriores e são fruto de uma revisita. Boa parte deles, no entanto, são novos e todos têm minha recomendação dentro de seu contexto, pois obviamente que não possuirão a complexidade de vinhos mais caro apesar de existirem aqueles que até altas pontuações possuem como o Quinta de Cabriz Colheita Selecionada tinto, que na safra de 2008 apareceu na quadragésima posição nos TOP 100 da Wine Spectator, ou os Dos Fincas tintos que pegaram 90 e 91 pontos na Wine Enthusiast. Nessa faixa, no entanto, são vinhos muito agradáveis, saborosos, bem feitos e apetecíveis, lembrando que os preços são os do ano em que foram provados, neste caso 2011.

    Amanhã tem mais. Listarei os vinhos entre R$35 a 70,00, mudei um pouco as faixas, aqueles que na minha forma de ver são os vinhos de fim de semana. Na sequência os vinhos do mês, de celebração, de …………. Salute kanimambo e nos vemos por aqui.

Deuses do Olimpo 2011

  Antes de começar a listar meus melhores de 2011 e destaques por país neste ano que passou, gostaria de compartilhar com os amigos os néctares que invadiram minha vinosfera particular e se aninharam, ainda bem, na minha taça. São vinhos de grande qualidade que me deixaram, assim como quem compartilhou essas garrafas comigo, um pouco mais felizes pois, como já dizia o mestre Saul Galvão, “vinho só existe para dar prazer” e estes cumpriram sua missão com enorme galhardia. Foi um ano de muitos vinhos mais antigos e uma seleção de vinhos de sobremesa que beiraram a perfeição em seus mais diversos estilos.

Da esquerda para a direita:

Cune Inperial Gran Reserva 1999 – ainda muito vivo e vibrante. Absolutamente sedutor assim como a companhia no dia, a Confraria das Enoladies.

Chateau Palmer 1984 – gentilmente partilhado pelo amigo César e que, na união com o prato e pessoas presentes, mostrou o real significado da harmonização perfeita. Maravilha que já comentei aqui em post recente.

Angelica Zapata Estiba Reservada 2005 – 100% Cabernet Sauvignon e um dos melhores vinhos argentinos que já tive o prazer de tomar mostrando que nesta sub-região de Mendoza o Cabernet reina. Tomado com as amigas Enoladies, foi um vinho marcante que virou a cabeça até de quem não é lá tão chegada na taça!

Poggio di Sotto Brunello di Montalcino 2006 – o vinho que mudou meu conceito e impressão sobre os famosos vinhos desta região da Toscana. Provei, este lamentavelmente não tomei, num encontro do Consorzio de Brunello e sacudiu minha estrutura sensorial como poucos fizeram neste ano que passou. Divino!

Vina Tondonia Branco 91 – sempre uma experiência única tomar estes vinhos de Rioja que são extremamente marcantes com sabores diferenciados, uma complexidade ímpar, difícil encontrar brancos velhos desta envergadura. Para os apreciadores deste estilo, imperdível e este foi tomado na companhia dos amigos da confraria Valor du Vin.

Vega Sicilia Único 1999 – meu post sobre esta lenda em minha taça é bem recente então não falo mais nada. Uma outra experiência maravilhosa  fruto do desapego e generosidade enófila do amigo Fernando. Bão demais!

Bollinger Special Cuvée – não é á toa que é conhecido como um dos melhores, se não o melhor, champagne não safrado. Um exemplo de elegância e perfeita harmonia gerando enorme prazer numa explosão de estrelas na boca! Mais um vez uma dádiva na taça compartilhada com as Enoladies que este ano tomaram belos vinhos na confraria.

Dalva Porto branco velho 1963 – este provei na Expovinis e caí de joelhos, aliás nestes vinhos de sobremesa o fiz por diversas vezes, agradecendo a Baco por este verdadeiro elixir do deuses. Uma raridade do qual tive o privilégio de trazer um quarto da garrafa de volta para loja onde 10 participantes do curso de vinhos tiveram oportunidade de bicar e se embasbacar com os aromas e sabores na taça. Inesquecível e quem for comigo na viagem a Portugal terá o prazer de também o provar.

Caratello 2001 – um Vin Santo de lamber os beiços. Este tomei, com a benção e companhia do amigo Beto Duarte, por duas vezes e me lambuzei todinho!!!

Tokaji 6 Puttonyos 2004 da Pendits – o supra sumo dos vinhos de sobremesa, um vinho soberbo que gera emoções diferenciadas e únicas tendo sido compartilhado conosco pelo amigo César.

Moscatel de Setubal, Roxo Superior 1971 – Este comprei em Portugal para o amigo Alexandre comemorar seus 40 anos em 2010. Ele celebrou com outros rótulos e guardou este até que o vinho completasse seus 40 aninhos e, em mais um exercício de generosidade enófila , o compartilhou comigo e com o Cristiano num almoço de inicio de ano memorável! Ao ser aberto encheu a sala de aromas absolutamente sedutores que se comprovaram na boca de uma forma impossível de descrever. Este só tomando para saber! Talvez meu principal vinho do ano junto com o Brunello, o Dalva, o…….deixa pra lá!

S. Leonardo Porto Tawny 20 anos – Tinha esquecido como este vinho é excepcional e a meu ver, o melhor Tawny 20 anos que já tive oportunidade de provar. Absolutamente divino e só lamentei o fato de que quando o comprei não ter tido a disponibilidade financeira de comprar uma meia dúzia. Por aqui no Brasil não sei se alguém o está trazendo, mas os amigos de Portugal podem se esbaldar com este imperdível néctar, m grande Porto e uma vinho absolutamente maravilhoso que tomado na boa companhia do Ale e Cris, acompanhados de suas bonitas e simpáticas esposas, ganhou em muito na harmonização.

          Bem, esses saõ os doze que sentam no altar de Baco, mas sempre cabe um décimo terceiro que neste ano foi muito especial pois é mais um daqueles vinhos raros que poucos conhecem.

Quo Vadis Fondillon Solera 72, um vinho raro e excepcional tomado numa degustação especial com diversos outros surpreendentes rótulos deste produtor (Francisco Gomez) de Alicante na Espanha. Juntos nessa degustação promovida na Vino & Sapore pela Vinhos do Mundo e com a presença dos amigos Didu e Walter Tommasi que, tanto quanto eu, ficaram de queixo caído! Ainda não postei nada sobre ele porque queria estudar um pouco mais sobre este estilo de vinho antes de me aventurar a falar dele, mas me faltou tempo. Com mais de dez anos de amadurecimento em barrica, no nariz parece um Jerez, pelo estilo produtivo em processo oxidativo de solera, mas na boca mostra seu caráter doce, ótima acidez mostrando um tremendo equilíbrio, uma experiência e tanto que nos marcou a todos. Maravilha!

       Semana que vem apresentarei alguns dos destaques de 2011 a começar por Brancos e Rosés marcantes independentemente de preços. Depois, os Achados de 2011 por faixas de preço ou seja, Janeiro vai ser o mês das listas que, espero, irão lhe ajudar na escolha de seus vinhos neste ano de 2012. Salute e kanimambo!