França – Bourgogne, Loire e Cotes-du-Rhône. Vinhos que Tomei e Recomendo – II

 

 

              Bem, depois de um inicio tímido nas faixas mais baixas de preços, apesar de alguns belos vinhos, verdadeiros achados, chegamos naquela faixa em que a busca já encontra um numero maior de opções e, normalmente, damos um pulo de qualidade. A partir da faixa de preços de R$65,00, já começamos a encontrar algumas boas opções de Borgonhas, num emaranhado de rótulos. Neste caso são os genéricos, mas não por isso menos bons. Na lista abaixo, alguns belos vinhos também do Loire que insisto que provem, são vinhos brancos diferenciados e intensos, pois mudam a nossa forma de ver este estilo de vinhos. Finalmente, os vinhos das Cotes-du-Rhône com sua enorme diversidade de estilos e produtos com ótima relação Qualidade x Preço x Satisfação.

Nesta faxia de R$50 a 80,00, provei alguns vinhos de muito boa qualidade que posso recomendar com uma certa tranqüilidade. Marquei com um asterisco, aqueles que mais me encantaram e se tornaram objeto de desejo.

               Loire – O Jardim da França e o berço de deliciosos vinhos brancos. Os bons tintos são elaborados à base de Cabernet Franc, mas não tive a oportunidade de provar nenhum. Mesmo dos brancos, não foram muitos, mas foram muito bons! Nesta faixa de preços consegui listar três vinhos com três estilos diferentes. Primeiramente, um vinho surpreendente e “Três Délicieux”, o Cheverny Le Vieux Clos 06* (Decanter) um saborosíssimo corte de Sauvignon Blanc com um tempero de 15% de Chardonnay, que faz toda a diferença. Médio corpo, harmônico, complexidade de aromas e na boca é uma cativante “mistura” de sabores e sensações com o frescor da Sauvignon Blanc e a cremosidade e riqueza do Chardonnay, belo e encantador vinho. Um puro Sauvignon Blanc 05 de Domaine Fournier Pére et Fils* (Expand) de ótima acidez, paleta aromática de boa intensidade com nuances florais, elegante com um saboroso final de boca. Mudando radicalmente, um Coteaux du Layon Carte D’Or 04 de Domaine Baumard* (Mistral) o papa dos vinhos doces da região. Elaborado com Chenin Blanc, é um vinho encantador e sensual. O correto equilíbrio da doçura com a acidez, forma um conjunto muito fácil de beber, é suave convidando á próxima taça e, se não se prestar atenção, vai uma garrafa, fácil, fácil! Não tem a intensidade de seu irmão maior (Quarts de Chaume), mas é um achado pelo preço.

 

 

 

 
 
 

 

                BorgonhaExistem uma série de Pinot Noirs básicos, ou genéricos, no mercado. Aqueles que conhecemos como Bourgogne Rouge ou Bourgonge Pinot Noir. Entre os muitos rótulos desta faixa de preço no mercado, talvez o que mais me tenha encantado, seguido de perto de mais uns dois, tenha sido o Bourgogne Rouge de Bouchard Pére et Fils* (Grand Cru Granja Viana) que apresentou maior tipicidade, boa intensidade de aromas e sabores, é elegante, suave e complexo formando um conjunto muito agradável de tomar. Perto deles, realmente perto, mais dois rótulos que me fizeram sorrir bastante, o Albert Bichot Vieilles Vignes 05* (Expand) mostrando boa fruta madura no nariz, com nuances florais, harmônico e saboroso final de boca com taninos aveludados e o Joseph Drouhin Bourgogne Rouge 05* (Mistral) que apresenta bastante frescor, maciez e nuances florais ao nariz. Fora esses Bourgogne Rouge de muita qualidade, me deliciei com alguns outros vinhos bastante interessantes como; Mercurey Croix Jaquelet Rouge 05 (Mistral) da Domaine Faiveley na Cote Chalonnaise, um vinho de características mais fechadas, mas de grande equilíbrio e muito rico na boca, o Hautes Cotes de Baune Clos de la Perriere 05* (Nova Fazendinha – RJ) uma verdadeiro achado, pleno de frescor, complexidade e longo final de boca e o Louis Jadot Convent des Jacobins Rouge 04 (Mistral), nariz intenso com frutas vermelhas, leve para corpo médio, bem equilibrado e final de média persistência.  Para finalizar os tintos, o surpreendente e delicioso Morgon Domaine La Beche 05* (Nova Fazendinha – RJ) de Olivier Depardon um 100% Gamay que é para arrebentar com todos os possíveis preconceitos para com essa uva. Como todo o vinho elaborado à base de gamay, este tem um nariz muito frutado e de enorme frescor, mas tem muito mais; tem boa estrutura, acidez, taninos finos e macios e um saboroso final de boca. Nos brancos, difícil encontrar vinhos desta região nesta faixa de preços, mas consegui! Um vinho de boa mineralidade e leve floral num conjunto bem balanceado e bastante agradável é o Albert Bichot Chardonnay Vieilles Vignes (Expand) que tomei há uns três anos. No evento Mistral, tive a oportunidade de provar um Convent des Jacobins Branco 06 de Louis Jadot e, apesar de ter perdido minhas notas, me lembro que foi um vinho que me agradou bastante, apresentando boa cremosidade e boa intensidade olfativa de aromas cítricos, que foi o que mais me marcou.

               Cotes-du-Rhône – Algumas belezinhas que valem muito a a pena. Entre eles, dois em especial me chamaram muito a atenção. Começando pelo Cotes-du-Rhône Village 04 do Domaine de la Renjarde* (Nova Fazendinha – RJ) um corte de Grenache (maior parte) com Syrah, Carignan, Cinsault e Mourvédre que é um vinho encantador e cativante de bom nariz que aponta para frutas vermelhas frescas, na boca é redondo, macio com taninos finos muito bem equacionados, persistência média, saboroso, um vinho que dá muito prazer de tomar e agrada fácil. Um pouco mais sério, denso e cheio na boca o Cotes du Rhone Rouge 04 de E. Guigal (Expand) um conceituado produtor da região que elabora este vinho com um corte de Syrah e Grenache. O 2004 é a safra que está disponível, mas eu realmente provei o 2003 na casa de um amigo há cerca de um ano. Aquele estava muito bom, médio corpo para encorpado, mas com muita elegância, taninos finos e aveludados com boa acidez e longo final de boca com um retrogosto de especiarias. Dizem que o 2004 está um pouco mais tânico, encorpado e firme, mas igualmente bom. O divino Saint Joseph Deschants Rouge 04* (Mistral) de M. Chapoutier, produtor biodinâmico, é um vinho de boa complexidade que surpreende (o 05 está mais caro). Nariz complexo que apresenta nuances florais. Na boca é delicioso, denso, boa estrutura, muito harmônico, enchendo a boca de prazer com um longo final de boca em que aparecem as especiarias típicas da casta Syrah e uma certa mineralidade. Mais fácil, mas igualmente saboroso é o Cotes-du-Rhône de Philippe Bouchard 06* (Vinea Store), pronto e muito agradável de tomar. Um corte elaborado com Grenache, Syrah e Cinsault, que exala aromas de frutas vermelhas, na boca se mostra carnoso, médio corpo, taninos presentes bem equacionados mostrando que pode melhorar na garrafa apesar de já estar pronto para beber. O final é longo, muito saboroso, levemente apimentado.

 

 

               Como sempre digo, esta faixa de preços tem uma vastidão de rótulos de grande qualidade e é onde se encontram os melhores custo x beneficio do mercado, independentemente de origem. Na França, não é diferente! Na Sexta-feira listo alguns néctares que se situam em faixas de preço acima de R$80,00. Não são muitos, mas para que tenha a disponibilidade financeira, asseguro que são vinhos de grande qualidade, alguns inesquecíveis. Até lá, salute e kanimambo.

 

  

 

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