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Nebbiolo Catarinense, Uma Enorme Surpresa!

Há outros elaborando vinho com Nebbiolo no Brasil, mas dos que provei nenhum que chegue aos pés deste que vem da região produtora brasileira que mais me seduz. Tanto que dentro de dias saio com um grupo para navegar por esses Vinhos de Altitude na serra Catarinense e descobrir algo mais de sua gastronomia e cultura.

Tem gente que não lê, obviamente,que só vê título de posts e por isso ainda acha que tenho algo contra o vinho brasileiro, longe disso! Minhas criticas são contra algumas empresas que tentaram uma tentativa de golpe contra o consumidor ao tentar passar no governo salvaguardas que aumentavam drasticamente os impostos sobre vinhos fora do Mercosul (não esqueço não!), contra as estratégicas de marketing, políticas comerciais e precificação da maioria, especialmente quando fazem um vinho de gama mais alta que se sobressaia um pouco. Vinhos bons há e cada vez mais, nunca falei que não e para os incautos, basta acessar a Categoria países aqui do lado e ler os posts sobre vinhos brasileiros que só perdem em quantidade para os portugueses e argentinos.

barone na taça

Enfim, essa é outra história, vamos é falar desse gostoso e charmoso Barone Nebbiolo da Vinícola San Michele. Produção limitada a 2.000 gfas, colheita 2014 com estágio de 8 meses em barricas de primeiro uso, carvalho francês da Segan Moreau e alguns poucos meses em garrafa. Vinhedos de sete a oito anos na Serra Catarinense é apenas a segunda safra deste produtor o que enseja um futuro ainda mais promissor. Ao abrir já me deparei com um Barbaresco no olfato! Gosto de Barbaresco, fica pronto mais rápido e é bem mais barato que os Barolos e seus aromas são inconfundíveis. Não soubesse eu que este vinho era originário do Planalto Catarinense (Rodeio) com uvas da Serra, certamente o daria como um vinho do Piemonte. A cor na taça, sedutora e linda, brilhante, love at first sight! rs Dá uma olhada nessa foto aí de cima e vê se não dá vontade de mergulhar de cabeça??

Aromas intensos, sedutores de frutos negros, especiarias, notas florais,Barone Nebbiolo madeira muito bem colocada, daqueles vinhos que a gente não sabe se bebe ou se funga! Implora para ser levada à boca, mas sugiro dar-lhe um tempo, uma meia hora, antes de o servir, mas já coloque um tico na taça enquanto funga!! rs Num primeiro momento a entrada de boca e final se igualam, mas o meio parece algo ligeiro. Num segundo momento após um tempinho na taça ele se integra e fica mais uniforme em boca onde as especiarias e fruta se mostram uníssonos, taninos finos, integrados, complexo, boa persistência, uma enorme surpresa para mim e quem o provou comigo naquele final de tarde de Sexta-feira. Um vinho que me fez sorrir de prazer, como isso é bom! Depois repeti a dose em casa num almoço e alegria igual, desta feita com comida, bacalhau (para variar, rs).

Abra com amigos “entendidos” no metié sem informar origem ou mostrar o contra rótulo e confira as avaliações, depois descortine a origem! O produtor, Vinícola San Michele (Rodeio/SC), jovens formados na Escola de Enologia do mesmo nome em Trento na Itália. Agora preciso provar o Teroldego deles que dizem também ser muito bom.

O vinho fez parte de minha seleção de Novembro da Confraria Frutos do Garimpo (link acima) e acabei colocando algo tanto na Vino & Sapore como em minha adega pessoal tanto para beber agora como para guardar e avaliar sua evolução dentro de uns anos. Belo vinho, recomendo e quem o provou que comente!

Por hoje é só, vou deixar algo já programado para Sexta e a semana que vem é Carnaval, direto do front devo publicar algo do meu tour pelos Vinhos de Altitude de Santa Catarina, se der tempo! Kanimambo e grato pela visita, sempre bom tê-lo por aqui.

Ps. Clique nas imagens para aumentá-las

Mais Um Branco na Taça, Desta Feita um Riesling!

Desde o inicio do ano que venho me deliciando com os mais diversos rótulos de vinhos brancos, alguns já comentados, outros ainda na linha de produção! rs Quando estive em Floripa trouxe alguns vinhos da Apaltagua comprados no Armazém Conceição e de importação própria.
Gostei muito do espumante, tenho um Chardonnay e um Syrah ainda por provar, mas desta feita abri foi um Riesling da linha reserva. O Chile produz alguns bons Rieslings e descobri que este é um deles.

apaltagua rieslingOntem fui para a cozinha preparar a janta e como não consigo cozinhar sem vinho, optei por abrir esta garrafa e foi uma ótima opção. Na comida não coloquei nada não, mas na taça, bem deixa para lá! rs Cor linda, amarelo pálido, brilhante como uma espiga ao sol, só a foto que não mostra, linda e convidativa! Notas cítricas, leve floral e um petrolato bem sutil característica da casta no olfato. Esse petrolato em excesso me incomoda, mas quando sutil é convidativo e forma um bouquet bastante interessante, gostei deste. Na boca é muito balanceado, fruta abundante, fresco, o mineral bem presente, final seco com retrogosto de quero mais! Preciso armar mais uma daquelas harmonizações de Eisbein com Riesling e botá-lo á prova na mesa, fiquei curioso.

Tenho gostado do que venho provando deste produtor, agora estou com o Chardonnay em ponto de mira, acho que deste fim de semana não passa não! Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando pelas estradas de nossa vinosfera ou por aqui a qualquer momento.

Uau, Isso que É Perlage!

Nas minhas curtas férias provei alguns vinhos novos que aos poucos compartilharei aqui com os amigos. Um deles foi uma surpresa para um amante de espumantes que nem eu e que vem confirmar que os chilenos também estão de olho nesse mercado brasileiros produzindo bons vinhos com preços bastante razoáveis. Os nossos produtores que abram o olho!

Apaltagua CosteroApaltagua Extra Brut Costero – um Blanc de Blancs, Chardonnay e Sauvignon Blanc, da ótima região de San Antonio conhecida por seus vinhos brancos de excelência em função de um terroir privilegiado, elaborado pelo método champenoise. A primeira fermentação é feita em tanques de inox, permanecendo o vinho em contato com as borras (Sur Lie) por três meses antes de ir para a garrafa para a segunda fermentação onde permanece cerca de sete meses antes do degorgement e encapsulamento.

Esse blend, bastante usados em vinhos tranquilos no Chile, é muito interessante pois o Sauvignon Blanc traz um frescor muito interessante ao vinho enquanto o Chardonnay aporta mais complexidade e corpo. O resultado é um espumante vigoroso com uma perlage que impressiona, bonito colar de espuma, aromas cítricos e algo de maçã verde. Na boca a perlage realmente impressiona mas o cítrico aparece menos, despontando notas mais maduras de frutos tropicais com nuances de amêndoas, leveduras e um intrigante retrogosto algo salgado que mexe com nossas papilas gustativas de forma diferenciada e marcante, final bem seco, fresco e creio que com ostras frescas deve ficar da hora! Não tomei nota de nada na hora, mas ao começar a escrever cerca de 10 dias após o ter tomado, as sensações que vivi simplesmente começaram a aparecer na mente, o que em si já é um bom sinal.

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Comecei o Ano Botando o Pinto na Mesa

A começar pelo branco, aprovado por todos, mas tenho ainda dois tintos a provar e estou ansioso por fazê-lo. A Quinta do Pinto é uma das novidades de final de ano que a Almería dos amigos Juan e Alexandre Rodrigues decidiram trazer depois de um longo namoro. O produtor vem da região Lisboa, primando pela busca de qualidade extrema acima de qualquer outra coisa e o trabalho com castas novas que se juntam às regionais para formar uma gama de opções bastante ampla a explorar. Entre essas castas as; Arinto, Fernão Pires, Touriga Nacional, Tinta Miúda, Aragonez, Alfrocheiro, Marsanne, Roussanne, Viognier, Syrah, Sauvignon Blanc, Sauvignon Gris, Petit Verdot e Merlot.

Um projeto familiar com 63 hectares plantados em encostas suaves em Alenquer na região Lisboa, com exposição sul e o uso na fermentação de tão somente leveduras selvagens, a filosofia da casa é explorar ao Pinto SBmáximo o conceito de que o “vinho se faz na vinha”!

Este Quinta do Pinto que me soube muito bem, é um Sauvignon Blanc somente com passagem por tanques de concreto que impressiona já no primeiro contato olfativo onde os aromas citrinos estão bem presentes com um suave herbáceo onde aponta a grama molhada e um aspargo sutil. Por pedidos da família, que se animaram com meu risoto de aspargos que fiz entre Natal e Ano Novo, repeti a dose no Domingo passado e de cara pensei neste vinho pois me parecia a harmonização óbvia e foi! Na boca harmonizou à perfeição pois seu perfil aromático se confirmou, a acidez e corpo balanceados se uniram ao prato algo untuoso em função do queijo brie (queria ovelha da Paiva mas não encontrei) da Bergader com que finalizei o prato. Bela maridage como diriam os hermanos!!

Um belo vinho, bem gastronômico e nada ligeiro, de corpo médio, toque mineral, para desafiar bons exemplares chilenos e franceses às cegas e surpreender a muitos com o resultado. Comecei bem o ano agora quero provar os outros Pintos em especial o Touriga Nacional do qual já me falaram muito, mas esses eu compartilho com vocês depois. Por agora, kanimambo pela visita e seguimos nos vendo por aqui, saúde!

Surpresa Lusa na Taça, Um Bruto!

Disse no último post que iria falar de mais um vinho da saudosa terrinha e cá estou. A surpresa fica por conta do estilo de vinho que poucos conhecem, o espumante português. As principais regiões produtoras estão no norte de Portugal, especialmente em Távora-Varosa (entre o Douro e o Dão) e Bairrada, Beiras, porém há alguns bons exemplares pipocando por aqui e acolá. Ao receber este espumante que abracei como meu após a primeira taça, me surpreendi com sua origem, o Alentejo. Talvez seja comum, eu poucos conheço, mas o que mais me surpreendeu não foi sua origem, mas sim a qualidade pois, apaixonado por espumantes como sou e com tantos já provados, este tipo de surpresa é sempre muito bem vinda.

CAM02416Numa época do ano em que tanto se fala de espumantes, ainda falarei um pouco mais deles durante este mês de Dezembro, não poderia deixar de falar deste belo vinho que provei há uns dois meses e compartilhar essa gostosa experiência com os amigos. Diferente a começar pela região e depois pela uva, um Blanc de Blanc de Arinto, fermentado em balseiros de carvalho francês de 5 mi litros, posterior estágio do vinho base em barricas francesas por 18 meses e autólise de 18 meses em garrafa. O resultado é um conjunto de muita qualidade que me surpreendeu muito positivamente.

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Um Trio Diferenciado Na Taça

São três os vinhos e três as letras no nome do produtor que vem da Região Lisboa e, pelo que conheci deles até agora, primam por conseguirem sempre uma boa relação Custo x Qualidade x Prazer em seus produtos dos mais variados níveis. Já falei aqui de seu Francos, um vinho marcante topo de gama, porém hoje quero compartilhar com vocês minha experiência com vinhos mais em conta, mais dia a dia, “vinhos da crise” (rs), todos eles abaixo dos R$60, variando dependendo da loja e do Estado. Esta linha de produtos chama-se Paxis é um de meus bons achados este ano, tendo me trazido surpresas muito agradáveis.

Paxis arintoPaxis Arinto 2014 – este branco vem da região Lisboa, mais precisamente do Cartaxo. Esta uva também aparece no norte de Portugal em especial na região dos vinhos verdes onde é mais conhecida como Pedernã, mas é em Bucelas onde ela mais se destaca. Cartaxo não está mito longe de Bucelas, e posso dizer que poucos arintos tomei com a pujança deste. È um vinho que já seduz no nariz mostrando notas de frutos tropicais, um floral, e um toque de frescor que pede ser levado à boca onde explodem os sabores mais cítricos como limão, algo de maçã verde, uma acidez e mineralidade que o deixam extremamente vibrante. Volume de boca médio, boa persistência, um vinho divertido para acompanhar peixes e iguarias do mar grelhadas, carne de porco e solo numa bela tarde de verão. Um vinho que me seduziu e que ainda por cima tem um preço bem bacana mesmo com todos os aumentos de preço em função da alta do dólar. Aliás, já no ano passado na Expovinis tinha despertado minha curiosidade e comentários

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Sábado dia 5/12 – Tem Encontro Enogastronomico Italiano!

Ops, ia-me esquecendo, estou falando que preciso de férias! No próximo dia 5 a partir das 13 até as 17 horas ou até a comida acabar, o último encontro dentre este ano entre a Vino & Sapore e o Perfil de Chef Food Truck, completando a primeira parte de nossos encontros enogastronomicos; onde bons pratos e bons vinhos são harmonizados com boa gente. Depois de Portugal, França e Espanha chegou a vez da Itália e os Chefs Gonçalo e Lili já bolaram o cardápio:

Bolinhos de Mussarela

Lula marinada no pomodoro com salada de rúcula
Salada caprese
Spagheti nero ai frutti di mare
Risoto de Porchetta desfiada com rucúla

Os vinhos (em taça e garrafa) também já estão decididos com o apoio de meus amigos e parceiros, a Vínica importadora e a Lusitano Import; Orvietto (branco), Nero d’Avola e um Barbera do norte da itália só para sair do lugar comum! Para finalizar, de sobremesa, cannolis clássicos sicilianos e com recheio de doce de leite com amêndoas que apoderão ser acompanhados pelo o incrível Passito de Malvasia “Gravisano” ou um Santa Augusta Brut Moscatel. Essa é nossa marca, sempre uma experiência diferenciada pois navegar é preciso! Reserve a data pois o próximo encontro enogastronomico só final de Fevereiro/2016 então aguardo você!!!! Kanimambo e um ótimo fim de semana a tutti.

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Vinho da Madeira, Um Vinho Aquecido! Parte I

O que acontece a um vinho fino se você o estocar em temperaturas de 45ºC, tchau né?! Pois bem, se for um Vinho da Madeira não, muito pelo caravela1contrário, essa é sua essência e seu maior segredo! A maioria só pensa em Vinho da Madeira quando vai fazer molho (rs), então, depois de ter participado de uma inspiradora e deliciosa apresentação da Blandy’s Madeira que ainda possui vinhos de 1920 por engarrafar, achei que estava passado da hora de abordar com mais detalhes o que está por trás destes caldos de Baco. Não existe muita coisa publicada sobre o tema, então decidi compartilhar com os amigos minha viagem de descobrimentos por esses mistérios através de diversos posts como já fiz com os Vinhos do Porto.

O Vinho Madeira tem esse nome porque vem do arquipélago composto pelas ilhas da Madeira e Porto Santo no oceano atlântico próximo a Marrocos. Sua única similaridade com os Vinhos do Porto, é que sãoMadeira - localização também fortificados, porém isso é tudo, porque as uvas são diferentes, o terroir e a forma como ele é envelhecido também, e nisso ele é único em nossa vinosfera.

Na época dos descobrimentos, a localização do arquipélago servia como porto de parada para reabastecimento e o vinho local era carregado para consumo e lastro. Numa dessas paradas, uma barrica cheia retornou e o vinho se mostrou bem melhor do que quando embarcado na ida. Essa melhora, se concluiu, deveu-se ao fato de que na rota das Índias ida e volta, passava-se quatro vezes pela Linha do Equador resultando num processo de aquecimento natural do vinho. Baseado nisso começaram a realizar viagens com barricas somente com esse propósito, eram os “vinhos da Roda ou Torna Viagem”.

Impossível manter esse processo por muito tempo devido ao custo e longo tempo de viagens, então se procurou uma nova forma de realiza-lo de forma mais rápida e barata, nascia o envelhecimento em “Estufas” e “Canteiros” onde esse aquecimento é forçado. Como me disse o representante da Blandy’s, o vinho é tão judiado durante o processo de elaboração que ele não tem muito mais o que sofrer depois de engarrafado tornando-se quase que eternos. Por isso mesmo é reconhecido como um dos vinhos mais longevos do mundo e aqui não falo de anos mas sim de muitas décadas e, em alguns casos,séculos! Bem, mas como esta é a parte I de alguns posts sobre o tema, vejamos as castas usadas na lista das principais uvas usadas (cinco brancas e uma tinta) e no próximo post falaremos um pouco mais destes incríveis vinhos tentando conhece-los para melhor conseguirmos comprá-los e apreciá-los já que, afinal, os Vinhos da Madeira não são todos iguais (como os Portos) existindo Madeiras; Secos, Meio Secos, Meio Doces e Doces! Kanimambo e espero que curtam esta série aprendendo juntos. Clique nas listas para ampliá-las.

Madeira Castas 1Madeira Castas 2

Alejandro Fernandez é o Homem Por Trás dos Vinhos Pesquera!

Sim, é através dele que podemos nos deliciar com vinhos como Dehesa la Granja, Tinto Pesquera, Condado de Haza e el Vínculo! Diversos vinhedos e bodegas, uma só uva; Tempranillo e um só país, Espanha. A marca Pesquera já virou um clássico na Ribera del Duero de onde também vêm os vinhos de Condado de Haza. Com o tempo as fronteiras ultrapassaram as de Ribera del Duero e nasceram Dehesa la Granja em Toro e El Vinculo em La Mancha, porém mantendo a filosofia do homem que as criou, só plantar e produzir vinhos com 100% Tempranillo e só produzir vinhos de grande classe com muita qualidade. Estamos acostumados a ver esse tipo de coisa em bodegas centenárias, mas aqui falamos de uma verdadeira façanha, pois no curto espaço de tempo de 40 anos, já virou ícone, fato esse que tem que se referenciar.

Tive o privilégio de junto com alguns colegas, estar numa apresentação destes vinhos na Mistral onde pude provar alguns destes grandes vinhos. Não é de agora que falo aqui deste importante e mítico produtor espanhol, tendo em meados de 2009 me apaixonado por um Dehesa la Granja Seleccíon 2000. Agora, minha paixão foi outra, o incrível Tinto Pesquera Reserva Especial 2003 sobre o qual já teci meus entusiasmados comentários aqui mesmo, porém provei alguns outros grandes vinhos sobre os quais tecerei alguns curtos comentários:

Pesquera wine selection
Alejairen, um branco elaborado com Airen, uma uva pouco usada em vinhos finos e muito menos em varietal 100%. Dois anos de barrica francesa, muito complexo, grande volume de boca, faz a cabeça de muitos porém é uma uva e vinho algo polêmicos. Pessoalmente não me encantou, porém é um vinho diferenciado e segue o padrão de qualidade da casa.

Dehesa la Granja – já com toques de evolução sem perder o frescor, rico, boa tipicidade mostrando uma tempranillo de maior estrutura. Muito bom.

El Vínculo Crianza com 18 meses de barrica. Vinho intrigantes, marcante com uma personalidade muito própria. Vinho para tomar devagar tentando destrinchar todas as suas virtudes. Belo vinho!

Condado de Haza Crianza 2009, 18 meses de barrica e o segundo vinho entre todos os que provei no dia só ficando atrás do inesquecível Tinto Pesquera Reserva Especial. Paleta olfativa divina, sedutora, onde os frutos negros se mostram em todo seu fulgor, notas tostadas, harmônico, ótimo volume de boca e taninos muito finos. Longo final que pede bis a cada gole, amei e entre todos, talvez a melhor relação Qualidade x Preço x Prazer.

Pesquera Crianza, mais um vinho de tirar o chapéu! Grande presença de boca onde o vinho mostra enorme complexidade, taninos aveludados, muita classe aqui! Grande vinho seguido de mais dois rótulos irretocáveis!

El Vinculo Reserva e Condado de Haza Reserva, ambos com 24 meses de barrica e mais doze em garrafa onde riqueza, estrutura e elegância se mesclam em total harmonia, porém com uma mínima dianteira do El Vínculo com uma personalidade mais marcante! Esses dois mais o Pesquera Crianza, são de tirar o fôlego, mas o preço já fica um pouco salgado para a maioria de nós.

El Vinculo Parage La Golosa Gran Reserva 2003 foi um “regalo” aos presentes e já o tinha comentado também lá em 2009! Um Gran Reserva e único que passa em barricas francesas por 24 meses. Prova engarrafada de que em La Mancha não só se faz quantidade, como se faz qualidade também! Mais um grande vinho na taça que só veio confirmar que onde este homem põe a mão só podemos esperar o melhor.

Mais uma grande prova de vinhos que deixou marcas e mostra que a pessoa certa por trás de um projeto pode e faz a diferença. Gracias por la oportunidade de catar tan buenos vinos de una sola vez. Salud, kanimambo e tenham todos uma ótima semana.

Schloss Vollrads uma das Doze Vínicolas Mais Antigas do Mundo

Nesta última Terça tomamos, na Confraria Saca Rolha (depois a Raquel conta detalhes), um Riesling delicioso de um desses “dinossauros” do vinho para lembrar que cada taça de vinho tem sua história e esta tinha muiiiita, de alguns séculos, mesmo que somente da safra de 2012!

Na taça, um Vollrads Riesling Kabinett Trocken (seco) da renomada Schloss Vollrads de Rheingau na Alemanha onde se estabeleceu em 1211. Gosto muito e não por acaso acabou nas prateleiras da Vino & Sapore e na minha taça esta semana quando matei saudades.

Schloss Clipboard

A vinícola só planta Riesling e com tantos séculos de existência vocês podem imaginar o conhecimento que possuem de cada parcela de seus vinhedos para extrair deste histórico terroir vinhos realmente especiais. Este é de um terceiro degrau na sua gama de vinhos composta de 10 a 15 rótulos dependendo da safra. Seco, mineral acentuado (pedra de isqueiro) típico da casta, muito bem equilibrado porque existem vinhos que extrapolam e enjoam! Este está no ponto, se é que se pode dizer isso de um vinho, pois o mineral aparece firme mas sutil acompanhado de notas cítricas compondo uma paleta olfativa muito agradável. Na boca suas incríveis 9 gramas de açúcar residual são imperceptíveis equilibrados por uma acidez muito boa, fruta abundante puxando para notas mais tropicais, grapefruit e essa mineralidade presente que encanta o palato. Corpo um pouco acima da média dos vinhos deste estilo, 12% de álcool, porém em linha com a região, harmonioso, um enorme prazer hedonístico para o qual me faltou o Joelho de Porco para ser perfeito!

Mais uma para minha já enorme wish list, tomá-lo lá, na vinícola, harmonizado com pratos locais em seu restaurante! Um charme à parte, sua “rolha” de vidro, no detalhe da foto.

Nessa lista de digamos assim, produtores jurássicos (rs), existem uma série de outras vinícolas entre elas mais uma desta mesma região, e se tiver curiosidade para conhecer as outras onze mais antigas vinícolas ainda em atividade, vale ler a gostosa matéria escrita pelo colega Luis Cola do ótimo blog Vinhos e Mais Vinhos.

Kanimambo pela visita e tenham todos um ótimo fim de semana.