João Filipe Clemente

Chegamos na O. Fournier do Vale do Uco!

Sim, porque eles possuem mais bodegas em outras partes do mundo! Esta foi a segunda parada de nossa gostosa viagem a Mendoza num ensolarado Domingo, saímos da Decero e rodamos pouco mais de uma hora até chegarmos à incrível O. Fournier com seu projeto arquitetônico ímpar, moderno e marcante. Conheci a O. Fournier e o José Manuel Ortega Fournier, em uma degustação aqui em Sampa no ano passado (relatado aqui) e me encantei por seus vinhos e diversidade de uvas trazendo um pouco da cultura ibérica para este longínquo recanto de Mendoza no extremo sul do Vale do Uco. Em função do atraso, a visita á bodega e suas instalações foi algo corrido, porém sua estrutura e design, das torres de concreto que são tanques, à enorme e incrível sala de barricas e coleção de arte, um momento realmente marcante que nos deu sede e abriu o apetite para o que estava por vir, um delicioso almoço harmonizado no restaurante Urban capitaneado pela Chef Nadia, esposa do José Manuel.

O Fournier 2Chegamos na O. Fournier e realmente é de encher os olhos valendo toda a distância percorrida. Um projeto arquitetônico impressionante e arrojado, vista linda e eu bem que fiquei de olho num lote de 2 hectares bem de frente ao lago, mas o caixa anda baixo! rs A O. Fournier é de José Manuel Ortega Fournier um ex executivo internacional de bancos renomados, espanhol que entrou para o mundo do vinho com este projeto em Mendoza nos idos de 2000. Depois, em 2002 veio o projeto de Ribera del Duero na Espanha e mais recentemente iniciou um projeto no Chile onde produz algumas preciosidades também.

À primeira vista parece que um OVNI pousou por aqui, o projeto da bodega é realmente diferente e marcante. Por aqui, fazendo companhia às “mais comuns” Malbec, Syrah e Cabernet, encontramos a Tempranillo que fala mais alto em seus vinhos e um pouco de Touriga Nacional (ambas presentes no B Crux que me encanta e já mencionei em outro post) que dão uma personalidade diferente a seus vinhos.

Num almoço divino e marcante, tivemos a possibilidade de provar alguns vinhos e CAM01807sermos presenteados com uma raridade que me seduziu em meu primeiro encontro com os caldos desta vinícola. A bodega é rodeada de lotes que estão à venda (veja aqui) e podem fazer de você um “vinheteiro” em Mendoza no Vale do Uco, eu fiquei tentado,mas falta bala na agulha para este escriba. Tivesse e certamente encontraria meu cantinho por lá onde outros já têm seus lotes e fazem seus vinhos com rótulos próprios!! Agora tá na hora é de falar dos vinhos que escolhi para serem servidos pois mostram bem a diversidade de sua produção:

B Crux Sauvignon Blanc – um vinho marcante e cheio de personalidade sem perder a tipicidade da casta. Grama molhada, frescor, é fechar os olhos e lembrar de um gramado pós chuva. Intenso, fresco, cítrico, boa textura, um Sauvignon Blanc de manual que agrada sobremaneira

Urban Blend Tempranillo/Malbec – o melhor desta gama de vinhos médios, há uma linha de entrada abaixo desta, que mostra um grande equilíbrio e riqueza de sabores. Leve passagem por barrica (3 meses), nos presenteia com uma certa complexidade em que a fruta madura se mistura com notas de especiarias, tosta, corpo médio, um vinho muito prazeroso com preço módico que seduz palato e bolso! rs

B Crux Blend – já comentei este vinho e o acho o melhor custo x beneficio desta vinícola, um grande vinho que surpreende os mais incautos. De gama média alta, frutado, sem excessos, boca de boa estrutura e complexa, taninos finos presentes, médio corpo par encorpado, bom volume de boca um vinho de muita personalidade que vale bem o preço. sempre algo a considerar! Corte de Malbec, Tempranillo e Touriga Nacional, gooosto!

Alfa Crux Malbec – recentemente premiado internacionalmente, é um dos grandes malbecs argentinos da atualidade tendo sido classificado em 25º lugar entre os TOP 100 da Wine Spectator do ano passado. Textura aveludada, taninos macios, untuoso, frutos negros, muito bom equilíbrio, baunilha, final de boca especiado e longo, um belo vinho que se mostrou muito bem integrado.

Alfa Crux Blend Magnum 2001 – um regalo com que fomos premiados ao final de um estupendo almoço. Este vinho, raro por aí, obteve o troféu na Wines of Argentina Awards em 2004 e hoje existem pouca e raras garrafas escondidas por aí nos mais remotos recantos do mundo e uma pequena quantidade na adega especial do José Manuel na bodega em Mendoza. Um deleite hedonístico de pura elegância e finesse absolutamente sedutor. Já falei dele aqui no blog, mas nunca é demais repetir: “seu primeiro vinho produzido em Mendoza do qual sobram poucas garrafas no mundo e que detem um Troféu de Melhor na Categoria na Wines of Argentina Awards. Tempranillo de 70 anos de idade, Malbec de 80 anos e Merlot de vinhedos mais jovens. Acidez bem presente ainda mostrando que ainda terá alguns anos pela frente, fino, sofisticado, daquele estilo de vinho que deveria vir á mesa de fraque e cartola.”

Domingaço!! Por estas e por outras é que vale a pena seguir “viajando” por esta nossa vinosfera! Abaixo o tradicional slide show com algumas lembranças desta agradável visita que vale cada quilômetro rodado. O almoço foi excelente, mas um prato realmente me impressionou a rabada. Ela é desfiada e depois de pronta volta ao osso no prato se desfazendo na boca! O risoto estava divino e os croquetes de couve flor “exquisitos”, uma delicia que recomendo aos amigos conhecer numa próxima viagem a Mendoza. Quem sabe até lá o hotel deles não esteja pronto?!

10IMG_8320Salud amigos e kanimambo.

Degustação de Espanha com Luiz Otávio

Dica das boas amigo, só vinho bala espanhol! Grandes vinhos de Rueda, Valdeorras, Toro e Ribera del Duero no dia 11 de Julho . O luiz Otávio do Enopira se juntou com a Peninsula aqui em Sampa para apresentar esta degustação de grandes vinhos, veja só:

1- Ossian 2011- R$ 234,00

2- Pezas da Portela 2008- R$ 197,00

3- Maria 2006- R$ 513,00Flag Button Espanha

4- Aalto PS 2011- R$ 795,00

5- Sastre Regina Vides 2010- R$ 990,00

6- Pago de Capellanes El Picon 2009- R$ 1.369,00

7- Finca Villacreces Nebro 2006- R$ 1.452,00

8- Pago de Carraovejas Cuesta de las Liebres 2005- R$ 1.199,00

9- Teso La Monja Alabaster 2007- R$ 1.353,00

Será servido: Pão, Azeite, Queso e Jamon

Limitado a somente 15 participantes, restavam seis há dois dias, uma bela degustação para quem tem bala na agulha. Local- Importadora Península, Rua Itápolis nº 589- Pacaembu- SP Tel: (011) 3822 3986, horário 10:30 de la matina. Preço R$550,00. Ligue e garanta seu lugar!

Cheers e kanimambo pela visita.

 

Winebar Salton, Um Ano Depois!

Salton Lucia 1 - cápsulaSalvo engano, faz quase um ano que participei do encontro que a vinícola também promoveu neste Winebar e agora cá estamos de novo. Por filosofia de vida, sou extremamente coerente e há muito deixei de falar aqui de diversos produtores nacionais em função das tentativas de golpe contra o consumidor ao sugerir implantar salvaguardas contra os importados. A Salton, entre os grandes, foi o único que teve uma atitude à altura declarando-se, publicamente, contrário á aberração que alguns tentaram nos enfiar goela abaixo e, por isso, sigo falando deles. Me chamen de xiita, mas é assim que penso e pago o preço, mas deixa pra lá!

Enfim, o papo é outro, hoje venho compartilhar com os amigos minha opinião sobre os vinhos que degustei desse último Winebar de que participei, por alguns poucos minutos, tendo posteriormente e com mais calma degustado os dois espumantes e vinho tinto recebido. Acho que já comentei isso aqui, mas nunca é demais frisar, a Salton possui uma das melhores relações custo beneficio entre os produtores nacionais e é um porto bastante seguro pois desde seus vinhos de entrada de gama a qualidade costuma estar sempre presente.

Desta feita a vinícola nos enviou, a mim e diversos outros escribas do vinho, três vinhos para provar e comentar, vejam o que achei:

Salton proseccoProsecco – não entendo porquê ainda seguem usando essa marca nos espumantes produzidos no Brasil com a uva Glera (ex-prosecco) e acho que precisamos nos adequar ás normas mesmo que estas sejam somente inerentes à produção na união europeia (não sei se a OIV chancelou essa mudança de 2009), mas enfim esse é um outro papo para um outro momento, porém achei que cabia o toque. O espumante é saboroso, boa perlage (apesar de a foto não mostrar!), que é uma característica da casa, algo magro e leve que me pareceu ser feito pensando claramente no mercado de festas e eventos descompromissados. Fácil de tomar, fresco, cítrico, brut não muito seco porém menos doce que os Extra-dry italianos, certamente deverá ser um hit no verão (inclusive pelo preço na casa dos 35/40 Reais) quando o consumo aumenta e muiiito! Ótima opção para quem busca algo no estilo e melhor que a maioria dos vero proseccos italianos nesta faixa de preço.

Salton Desejo Merlot – Como o Talento, que prefiro já que sou fissurado em blends,Salton Desejo um vinho muito bem feito e sempre cumpridor! Este Merlot mostra bem porquê desta uva ser tão marcante no Sul especialmente no Vale dos Vinhedos, para mim a melhor uva “brasileira” produzindo ótimos vinhos e não deixa nada a desejar para a maioria dos chilenos e argentinos que por aqui andam! Um vinho muito prazeroso, sutil e equilibrado, boa paleta olfativa que convida à taça, madeira (tem um ano de barricas) bem integrada dando suporte e não se sobrepondo á fruta,( talvez em função do ano de maturação em adega antes de ser lançado ao mercado), corpo médio, frutos negros, com algumas notas terrosas mostrou ser uma grande companheiro para o strogonoff (bastante cogumelo) de Domingo e não sobrou gota. Foto horrível, mas por um preço na casa dos 65 a 75 Reais me parece uma barbada!

Salton Lucia 2Lucia Canei Brut – Um grande espumante em minha modesta opinião e uma enorme surpresa! Com pouco mais de cinco mil garrafas produzidas, é um assemblage de uvas Pinot Noir de vinhedos próprios, homenagem à Nonna, a matriarca da família Salton, produzido pelo método tradicional com 18 meses de autólise. No visual (Garrafa/Rótulo/Cápsula) primeiro impacto positivo que já indica estarmos diante de algo diferente e traz, para a taça, uma responsa e tanto! Ao abrir, a primeira impressão visual se confirma, um rosé salmonado de cor sedutora e um buquê sutil de notas florais e frutos vermelhos que convida a levar á boca. Perlage abundante e persistente, boa espuma que forma um bonito colar e na boca não deixa duvida de que estamos tomando um dos espumantes top do Brasil, pelo menos para meu gosto e na minha modesta avaliação hedonística, tendo me seduzido por completo, uau! Frutado, fresco, toques sutis de brioche, de pedir bis e bis e bis! O preço de R$150,00, todavia, achei que ficou algo salgado, mas está em linha com seus pares no mercado.

É isso meus amigos, uma ótima semana para todos e namorem muiiiito, afinal dia 12 está aí e esse Lucia Canei pode ser uma ótima escolha de brinde! Não deixem para o dia, aproveitem e façam festa a semana inteira. Saúde, kanimambo e se precisarem de algo especial para dia 12, estarei de plantão na Vino & Sapore a partir de amanhã (Terça) das 14 até as 20 horas, vem!

Desafio de Ícones Portugueses

Só vinhos topo de gama Lusos, agora sei como se sentem meus amigos que gostariam de participar das diversas degustações que monto e que por serem fora de Sampa acabam não comparecendo. Me senti assim quando o Luiz Otávio montou este Desafio de Vinhos Ícones Portugeses lá em sua Enopira em Piracicaba. O Luiz manja muito de vinhos e faz um trabalho magnifico em Piracicaba mostrando sempre diversidade, bom gosto e uma escolha de degustações para nenhum enófilo que se preze botar defeito. Bem, neste caso ele juntou algumas preciosidades lusas, são muitas as que por lá existem, e gentilmente me enviou seus comentários sobre os vinhos provados que hoje compartilho com você. Fiquei babando e chupando o dedo, mas ……. Morasse eu por aquelas bandas e certamente seria um assíduo frequentador da casa!

Icones Portugueses

Pera Manca tinto 2010- DOC Alentejo

Produtor- Fundação Eugenio de Almeida (Cartuxa)- Évora- Alentejo- Portugal.

Castas- Aragonêz e Trincadeira

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 18 meses em tonéis de carvalho francês.

Preço- R$ 900,00

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 18º C

Encorpado, estruturado, frutado, harmônico, muito equilibrado, num perfil moderno, frutas negras em geleia, taninos finíssimos, caramelo e excelente retrogosto. Nota 93

Obteve 01 terceiro lugar, somando 01 ponto

 

Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2009-VR Alentejano

Produtor- Quinta do Mouro (Miguel Louro)- Estremoz- Alentejo- Portugal

Castas- 48% Alicante Bouschet, 27% Aragonêz, 16% Touriga Nacional e 7% Cabernet Sauvignon

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 18 a 24 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 700,00

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 18º C

Encorpado, estruturado, muito equilibrado, viril, boa acidez, teve uma evolução melhor que o Pera Manca, perfil mais rustico, especiarias, tostado, frutas negras maduras, chocolate, café, aveia e excelente retrogosto. Nota 94

Obteve 01 terceiro lugar, somando 01 ponto.

 

Quinta do Monte D’Oiro Homenagem a Antonio Carquejeiro 2001-CVR Lisboa

Produtor- Quinta do Monte d’Oiro- Freixial de Cima- Alenquer- Portugal.

Castas- 94% Syrah e 6% Viognier

Teor alcoólico- 14%

Amadurecimento- 18+13 meses em barricas novas de carvalho francês (Taransaud)

Preço- R$ 800,00

Serviço- Decantado por 1 hora e servido a 18º C

Rubi brilhante, com reflexos alaranjados, muito equilibrado, viril, elegante, perfil dos excelentes Côte Rotie, frutas negras maduras, licor de cassis, especiarias, boa acidez e excelente retrogosto. Nota 94+

Obteve 01 segundo lugar, somando 02 pontos

 

Pape 2007- DOC Dão

Produtor- Quinta da Pellada (Alvaro Castro)- Pinhanços- Dão- Portugal

Castas- 50% Baga e 50% Touriga Nacional

Teor alcoólico- 13%

Amadurecimento- 14 meses em barricas novas de carvalho Allier.

Preço- R$ 450,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Rubi brilhante com reflexos alaranjados, nariz fantástico, floral, frutas vermelhas, bergamota, especiarias, muito equilibrado, harmônico, sápido, taninos finíssimos, pimenta, canberry, tostado e excelente retrogosto. Nota 95, meu terceiro melhor vinho da noite.

Obteve 01 terceiro lugar, somando 01 ponto.

 

Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2010- DOC Bairrada

Produtor- Luis Pato- Anadia- Bairrada- Portugal

Castas- Baga em pé franco- 617 garrafas

Teor alcoólico- 13,5%

Amadurecimento- 24 meses em pipas (500 l) de carvalho francês.

Preço- R$ 1.100,00

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 18º C

Nariz exuberante de garrigue (salvia, alecrim, floral), frutas vermelhas, sândalo, canela; muito equilibrado, harmônico, boa acidez, taninos finíssimos, madeira nobre e excelente retrogosto.

Desculpem a divagação, mas me remeteu a um puro sangue lusitano adestrado num Mar de Fogo. A baga no seu melhor. Nota 96, meu segundo melhor vinhos da noite.

Obteve 04 segundo lugar e 03 terceiro lugar, somando 11 pontos.

 

Abandonado 2011- DOC Douro

Produtor- Domingos Alves de Sousa- Sta Marta de Penaguião- Douro- Portugal

Castas- Vinhas velhas em Field Blend de mais de 20 castas do Douro

Teor alcoólico- 15%

Amadurecimento- 19 meses em barricas novas de carvalho francês e português..

Preço- R$ 630,00

Serviço- Decantado por três horas e servido a 18º C

Retinto, nariz complexo, muito estruturado, frutado, viril, num perfil moderno, mas mantendo as suas raízes, taninos finíssimos, tostado, chocolate amargo, frutas negras, especiarias, notas de Ginja/Kirsch e excelente retrogosto; no mesmo nível do 2009. Nota 94+

Obteve 02 primeiro lugar, 01 segundo lugar e 01 terceiro lugar, somando 09 pontos.

 

Barca Velha 2004- DOC Douro

Produtor- Sogrape- Vila Nova de Gaia-Douro- Portugal

Castas- 40% Touriga Nacional, 30% Touriga Franca, 20% Tinta Roriz e 10% Tinto Cão

Teor alcoólico- 13,5%

Amadurecimento- 16 meses em barricas (75% novas) de carvalho francês.

Preço- R$ 1.700,00

Serviço- Decantado por três horas e servido a 18º C

Retinto, de início fechado e austero, apresentando uma leve carnosidade, se abrindo com discreta elegância.

Muito estruturado, complexo, viril, muito equilibrado, taninos finíssimos, frutas negras e vermelhas, madeira nobre, especiarias, leve nota de rosas vermelhas e excelente retrogosto. Simplesmente o melhor Barca Velha de todos que provei e quebrou um tabu que o Barca Velha sempre perde nos confrontos de painéis de degustação. Um dos meus melhores vinhos provados na vida e deixei cair uma gota para o Azeredo. Nota 96+, meu melhor vinho da noite.

Obteve 06 primeiro lugar e 02 segundo lugar, somando 22 pontos. (TROFÉU DA NOITE)

 

Quinta do Crasto Vinha da Ponte 2003- DOC Douro

Produtor- Quinta do Crasto- Gouvinhas- Douro- Portugal

Castas- Vinhas velhas em Field Blend de mais de 30 castas do Douro

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 18 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 1.100,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Rubi escuro com reflexos alaranjados, nariz muito agradável e elegante, com leve violeta, rosas e bergamota, muito equilibrado, viril, elegante, frutas negras e vermelhas em geleia, tostado, chocolate, café, sápido e excelente retrogosto. Nota 94+.

Obteve 01 terceiro lugar, somando 01 pontos.

Um dos melhores painéis que já fiz, mostrando um Portugal vitivinícola em grande. Com o Arroz com Suan que fiz, todos os vinhos acompanharam muito bem, com destaque para o Pape, Ribeirinho e Barca Velha.”

Degustação porreira Luiz Otávio e deve realmente ter sido uma noite inesquecível, grato por compartilhar. A todos um ótimo fim de semana e para quem está aproveitando o feriado, espero que esteja sendo ótimo. Eu estarei na Vino & Sapore nesta sexta e Sábado recebendo os amigos que queiram aparecer. Cheers e kanimambo.

Os Shiraz Australianos e Seus Terroirs

A Shiraz virou símbolo dos vinhos da Austrália assim como a Malbec da Argentina, Zinfandel nos EUA, Tannat no Uruguai e, menos bem sucedidas, a Carmenére no Chile e Pinotage na África do Sul. Em qualquer desses países existe uma diversidade bem além dessas uvas, na austrália não é diferente, porém nesta degustação minha intenção é explorar a diversidade de terroirs, no lugar de uvas ,provando alguns belos exemplares do Oeste Australiano, Sul da Austrália e Nova Gales do Sul. Será que as características dos vinhos das diversas regiões são diferentes e se mostram claramente na taça? E de vinhos da mesma região? Serão tão somente 12 lugares disponíveis e antes de publicar este post já tenho quatro reservas então só restaram 8 lugares!

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Dia 16 de Junho (Terça-feira) a partir das 20 horas na Vino & Sapore, promoverei a degustação temática de Shiraz da Austrália com os vinhos abaixo. Importante notar as safras, pois afora avaliar os vinhos poderemos avaliar como estes evoluem em garrafa com fechamento com screw cap x rolha, pois escolhi vinhos na maioria com mais de dez anos com ambos fechamentos ou seja, hora de quebrarmos paradigmas!

West AustraliaMargaret River > The Ripper Shiraz 2004 (R$149) e Sandalford Premium 2004 (R$210)Clipboard
South AustraliaClare Valley > Jim Barry Lodge Hill 2011 (R$199,00)
Barossa Valley > St. Hallett Faith 2004 (R$169,00)
McLaren Vale > Tatachilla 2004 (R$185,00)
Nova Gales do SulRiverina > Calabria 3 Bridges Shiraz 2005 (R$169,00)

Como o papo é sobre a Austrália, os amigos que vierem serão recebidos pelo gostoso Eternity Cuvée Brut elaborado com semillon, preparando o palato para o que está por vir. Custo, já incluso água, queijo, chorizo espanhol, pão e café, R$125 por pessoa (pagos no ato da reserva) lembrando que o estacionamento é na faixa! Estes e outros vinhos (24 rótulos) de Down Under, como os ingleses chamam a Austrália, estão disponíveis na Vino & Sapore em função na nova parceria que fiz com a KMM, a primeira e a principal importadora de vinhos australianos no Brasil

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Não deixe para depois, garanta já seu lugar, as vagas costumam se esgotar rapidamente. Abraço, uma ótima semana e kanimambo e espero vos encontrar nos sabores de Down Under?

Vinho do Porto Branco, Eterno Desconhecido

Bem, pensando bem, são poucos os que realmente conhecem a diversidade dos Vinhos do Porto. A maioria pede um Porto e ponto, sequer sabe a diferença entre Tawny e Ruby e, em muitos casos, os próprios produtores não ajudam muito pois nem sempre deixam claro no rótulo qual o estilo. Bem, aqui no site há amplo material de pesquisa (clique nos links acima ou digite “Vinhos do Porto” em pesquisa) pois os Vinhos do Porto são uma paixão minha, porém nunca dediquei um post aos Brancos.

A maioria conhece os brancos doces sendo o mais famoso deles os Lacrima Christi (o mais doce) que, dizem, Jânio Quadros amava e sempre tinha em seu quarto. Doce demais da conta para meu gosto e hoje caiu em desuso pelo menos por terras brasilis. Bem, a diferença do branco para com os Tawnies e Rubys começa pelas uvas usadas que são brancas; Malvasia fina, Rabigato, Gouveio, Moscatel Galego, Côdega e Viosinho.

São classificados também diferentemente, pelo nível de doçura; Lácrima (muito doce), Doce, Seco e Extra-seco. Envelhecidos em balseiros de cerca de 20.000 litros, não são muitos os produtores de vinhos envelhecidos, safrados (Colheitas) ou de idade (10, 20, 30 ou 40 anos). Nessa lista de poucos, porém “poderosos” produtores desses verdadeiros néctares brancos envelhecidos, que ficam com uma cor bem similar aos tawnies, cito dois; Dalva e Andressen assim como o histórico 1973 da Casa de Santa Eufêmia que quem conhece não esquece e tem “causo” a contar que você pode conhecer clicando aqui. 

Tradicionalmente são vinhos que se tomam como aperitivo, pouco no final de refeições, e eu gosto de os tomar geladinhos sem nada ou acompanhado de amêndoas torradas, salgadinhos e azeitona recheadas, sempre bom ter uma garrafa dessas na geladeira. Há, no entanto, uma forma que se tornou mais popular ultimamente que é no formato de um long drink, um Port Tonic ou Porto Tônica, opção do freguês. Para preparar, é super fácil, eu prefiro usar o extra-seco, mas o seco também vai só que possui um pouco mais de doçura. Então lá vai, para quem estiver a fins de preparar neste final de semana:

http://www.falandodevinhos.com/wp-content/uploads/2012/01/26111557/portonic.jpgQuatro pedras de gelo num copo longo, 30 a 40% (a gosto) de Porto Branco Seco ou Extra-seco, uma rodela de limão siciliano, completa com tônica e um pouco de hortelã. Eu normalmente amasso umas duas folhinhas e completo com uma inteira só para decorar. Muito refrescante, tudo a ver com o verão mas vai bem em qualquer momento e normalmente surpreende quem não conhece, um vai ser pouco!

Bem, mas tem outra forma de servir? Tem diversas e é uma questão de botar sua criatividade para funcionar como, por exemplo, uma bola de sorvete de limão ou outro sabor bem cítrico regado com porto Seco, eu gosto!

Saúde amigos e kanimambo pela visita, aguardo os amigos na Vino & Sapore neste final de semana para abrirmos algumas garrafas. Um ótimo fim de semana a todos e semana que vem mais visitas a bodegas argentinas fruto da viagem de Abril.

Sacando a Rolha de Vinhos Exóticos

Juntos numa mesma noite colocamos; Tahiti, Peru, Venezuela, Mexico, Georgia, Marrocos, Israel e China! Já fazia um bom tempinho que andava juntando com os amigos Uncorking-Old-Sherry-Gillrayda Confraria Saca Rolha alguns vinhos de regiões produtoras pouco ou nada conhecidas, regiões de onde pouco ou nada se espera. Finalmente chegou o dia e surpresas para os dois extremos ocorreram; positivo de onde nada se esperava e negativo de onde algo se esperava, com alguns performando o que esperava deles, um exercício muito interessante este, mas deixo a Raquel contar sua percepção de mais esta agradável noite. Eu apenas tecerei alguns curtos comentários em seu texto, dá-lhe Raquel.
Acho que quase todo mundo tem uma atração pelo exotismo. Seja aquela comida cheia de aromas, aquele país longínquo, com paisagens coloridas que sempre vemos em fotos da Nacional Geographic, ou mesmo aquela pessoa com hábitos diferentes dos que estamos acostumados e que parecem tão naturais à elas. O diferente nos incita a curiosidade pela possibilidade de oferecer uma nova opção de viver sensações de prazer. Por outro lado, também nos causam um certo temor, pois sendo algo desconhecido, exige que sejamos corajosos para o novo experimento.

Por muito tempo, ficaram guardadas algumas garrafas provenientes de lugares diversos, não conhecidos pela produção de vinho. Amigos que viajaram por lugares fora do conhecido eixo “velho e novo mundo” e que se depararam com a bebida, não resistiram e pagaram pra ver o que teriam ali dentro! Ou mesmo aquele presente que um amigo trouxe para surpreender, enfim, a lista foi ficando grande. Eu sempre ouvia da existência dessas preciosidades e que um dia elas seriam abertas todas juntas. E esse dia chegou, virou tema do encontro da confraria!

Estávamos todos munidos de coragem, a mente aberta para novidades, mas sempre com aquele pezinho atrás. Ficamos sabendo que haviam outras garrafas sobressalentes caso tivéssemos uma experiência ruim. Afinal, não poderíamos ficar sem vinho na taça!
Para começar, que tal um espumante da Venezuela?

Venezuela > POMAR – BLANC DE BLANC – DEMI SEC – MÉTODO TRADICIONAL
Brindamos ao grande momento e aos poucos os olhares foram se cruzando como quem busca cumplicidade nas sensações. De coloração amarela intensa e pérlage maior que o comum, os aromas de maçãs foram se desprendendo à medida que as bolhinhas sumiam. E só nessa hora percebemos que tratava-se de um Demi Sec. Muito frutado, pouca acidez, deixando na boca um rastro amargo. Alguns torceram o nariz rapidinho, outros resistiram um pouco mais, enquanto já estava sendo providenciada a garrafa que esperava no banco de reserva.

Chile > SANTA DIGNA –ESTELADO ROSÉ – BRUT – MÉTODO TRADICIONAL
O escolhido não poderia ser algo comum, já que o nome do jogo era exotismo. Era um espumante chileno, feito pelo enólogo espanhol Miguel Torres, e elaborado com 100% das uvas País. O resultado foi bem interessante. Um rosé bem seco, com um nariz floral muito agradável.

Tahiti – DOMAINE DOMINIQUE AUROY – VIN DE TAHITI – BLAN DE CORAIL
Hora de partirmos para os vinhos tranquilos. Um branco do Tahiti. Muito bem feito por uma enóloga que também faz vinhos na Borgonha : Dominique Auroy. As castas Itália e Muscat of Hamburg , juntaram-se com o sotaque francês da polinésia, as frutas tropicais do local e a brisa marinha. O resultado além de exótico foi surpreendente! Um vinho muito fresco, com uma mineralidade forte, além de aromas e sabores frutados como manga, abacaxi e maracujá. Já me imaginei naquela paisagem de águas azuis e límpidas, areia branca e sol brilhando no céu. Com aquelas comidas a base de peixes e frutos do mar então, deve ficar perfeito!(talvez a maior e melhor surpresa da noite, pelo menos para mim!)

Georgia > TELIANI VALLEY – SAPERAVI – 2011
A Geórgia é um país que poucos saberiam dizer onde se localiza no mapa. E muito menos diriam que lá se produz vinhos! Pois saibam que foi exatamente ali o berço da vinificação. Existem evidências arqueológicas de 7000 anos A.C. onde foram encontradas as vinhas mais antigas cultivadas no mundo. Cientistas acreditam que esses são os primeiros indícios de viticultura (plantio de uvas organizadas pelo homem).
Está localizado entre o Mar Negro, Rússia, Turquia, Armênia e Azerbaijão.
O vinho que provamos foi feito com a uva local, Saperavi, cuja característica principal é a cor muito escura da pele e o suco rosado. O vinho tinha aromas intensos de frutas maduras, algo mineral (ferroso), muito encorpado e denso. Uma leve doçura, gordo e pesado. Faltou acidez para levantá-lo um pouco mais. Produzido pela Teliani Valley desde 1997.(pode ter história, mas é fraquinho, fraquinho e não agradou)

Venezuela > RESERVA POMAR – 2006
Resolvemos dar outra chance à Venezuela. Do mesmo produtor do espumante, esse vinho já era conhecido por alguns ali presentes e havia surpreendido muita gente em outra ocasião em que foi colocado à prova. Feito à partir de 60% Petit Verdot, 20% Syrah e 20% Tempranillo. Mostrou uma personalidade própria, com muita fruta, especiarias, madeira molhada e um adocicado ao fundo revelando o álcool residual. Os que já o conheciam disseram que estava muito menos vibrante que o provado anos antes. Talvez já estava em sua fase de decadência.(Em 2009, dois dos presentes confrades e eu, participamos de um Desafio de Vinhos Ìcones em que coloquei esse vinho às cegas. Para surpresa de muitos, este se deu muito bem e você pode ler o que ocorreu naquela época clicando aqui. O vinho já passou o cabo da boa esperança e está cansado com fortes notas evolutivas, porém ainda dava pistas do bom caldo que um dia esteve por lá!)

Exóticos

Peru > INTIPALKA – RESERVA CABERNET SAUVIGNON/SYRAH – 2009
Da Venezuela fomos para o Perú. Esses dois países tiveram as primeiras mudas de vitis viníferas trazidas pelos jesuítas que chegaram junto com os colonizadores espanhóis. O clima tropical, quente e úmido, o solo muito rico em material orgânico, não favoreceu o desenvolvimento das vinhas. Mas as poucos, a busca por locais mais adequados a esta cultura, investimento em tecnologia e know-how importados fizeram com que se desenvolvessem. O Perú tem se destacado no mundo pela sua alta gastronomia. Porque então sua produção de vinhos ficaria para trás? Da bodega Santiago Queirolo, o vinho provado mostrou qualidade. Aromas florais delicados, taninos presentes, porém bem integrados ao corpo e balanceados com a acidez. Gastronômico que seca a boca e pede comida.(gosto e conheço há um tempinho. Seu Sauvignon Blanc também é bastante interessante e num dia que abri às cegas bateu um monte de chilenos!)

CHINA > GREAT WALL Cabernet Sauvignon
Os grandes imperadores chineses já consumiam vinhos e hoje quando se junta na mesma frase “vinhos e China” os números estatísticos são de assustar!
Nos últimos 10 anos a China mais que duplicou o número de hectares plantados no pais (de 300 mil para 800mil) tornando-se o 2º maior produtor de uvas do mundo, ficando atrás da Espanha e à frente da França. Além do seu próprio território, tem comprado terras pelo mundo para a produção de vinhos, como na França, Chile e estão na mira da Austrália e EUA. Esse vinho que provamos é de um grande produtor cuja marca está em 2º lugar em quantidade de vendas no mundo, ficando atrás apenas da americana Gallo, responsável por 1 bilhão de litros comercializados por ano.
Apesar desses números enormes e o grande investimento que estão fazendo o vinho chinês foi o mais decepcionante para todos…(já são os segundos maiores “plantadores” de uvas vitivinífera do mundo, porém a qualidade, pelo menos por este vinho, ainda tem muito chão pela frente antes de chegar a ser razóavel!)

Israel > GOLAN HEIGHTS – YARDEN MOUNT HERMON – 2011
A história de Israel é conhecida desde os tempos bíblicos. O cultivo das vinhas e o consumo do vinho acompanha sua civilização desde então. Passou por várias destruições e guerras, e por volta de 1882 os judeus da Europa do leste voltaram para Israel, empenhados na sua reconstrução. Os altos investimentos feito pelo Barão Edmond de Rothschild foram fundamentais para o desenvolvimento da produção vitivinícola no país. O clima mediterrâneo, seco e frio, com altitudes até 800m e verões quentes com muito sol, favoreceram esse desenvolvimento com qualidade na região da Galileia. O vinho que experimentamos foi elaborado com o clássico corte bordalês (Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Malbec e Petit Verdot). Muito leve, fresco e fácil de beber. (Muito agradável)

México > L. A. CETTO – RESERVA PRIVADA NEBBIOLO 2008
O México foi o primeiro país na América Latina a produzir vinho, com uvas trazidas pelos espanhóis para consumo da Igreja. As principais regiões vinícolas estão na divisa com os EUA, ao sul da Califórnia. O consumo da população é baixo, sendo que a maior parte da produção das uvas vão para Brandy. O restante da produção de vinhos é exportada principalmente para os EUA.
Esse vinho apesar de ser feito apenas com uma uva de origem italiana, a Nebbiolo, tinha um estilo bem espanhol. Austero, com madeira bem integrada, taninos presentes, porém refinados. Bom corpo com muita fruta madura e especiarias. Equilibrado.(já tinha lido sobre este vinho e o vinho esteve à altura dos comentários apurados. Bem feito e quem for ao México já pode pedir, sem medo de errar, um vinho nacional no restaurante. Gostei!)

Marrocos – OULED THALEB – TANDEM – SYRAH DU MAROC 2010
O rótulo diz muito da história deste vinho. Quando um viticultor do vale do Rhône ( Alain Graillot ) viajava de férias pelo Marrocos, durante um passeio de bicicleta conheceu o produtor da Domaine Ouled Taleb. Decidiram fazer um vinho juntos à partir de vinhas localizadas nas imediações de Casablanca, usando os princípios biodinâmicos. O resultado disso foi um vinho elegante, fácil de beber, muito equilibrado que reflete bem os aromas e sabores exóticos daquele lugar. Chamaram-no de Tanden, palavra de origem latina que significa uma bicicleta conduzida por dois ciclista, ou mais genericamente, qualquer veículo conduzido por duas forças, mostrando a ideia de colaboração.(gostei, uma grata surpresa já sendo importada por aqui pela World Wine)

Foi uma viagem e tanto. Muitas histórias para contar e de grande diversidade para os sentidos. O exótico, que parece tão distante à primeira vista, quando se tem uma experiência mais estreita, ajuda-nos a compreender a nossa própria história.
No caso da história do vinho, serviu para ampliar um pouco os nossos conceitos do que significa “velho mundo e novo mundo”. Quando voltamos no tempo e percebemos que existiu um mundo ancestral ao chamado “velho mundo”, como a Geórgia, China, Israel, Marrocos, entre outros, fica mais fácil entender a importância que essa cultura tem na evolução da nossa própria história. E que ela continua caminhando a passos largos como mostra esse “novíssimo mundo” no Tahiti, Venezuela, Perú e México. E através dos seus vinhos podemos ver refletido essa longa trajetória que ainda tem muito chão a ser percorrido.

Para muitos o líbano também é uma região produtora exótica, porém já estão no mercado há anos e não achei que caberiam aqui, pois já possuem produtores consagrados internacionalmente. O que vimos é que não podemos fechar os olhos, nariz e boca a essas regiões. Com os avanços da tecnologia e as mudanças climáticas, muito ainda está por acontecer e somente quem tiver a mente aberta poderá se surpreender.

Saúde e kanimambo.

Um Domingo em Mendoza!

Dia complicado de visitas a bodegas em Mendoza, pois tem gente por lá que também precisa de descansar! Afora isso era dia de eleições locais, mas mesmo assim, dois grandes momentos; a visita á Decero e à O. Fournier onde também almoçamos. No dia anterior tínhamos iniciado nossas atividades com uma visita para lá de especial, à Michelini Bros então estávamos ávidos por mais neste lindo dia de Domingo e as surpesas que ele nos traria.

finca-decero-logo-rgbA Decero é uma Bodega muito jovem começada do zero em 1999 por um casal de Suiços que tinham em mente um projeto especifico a executar e por isso mesmo queriam algo que eles mesmos pudessem moldar ao seu jeito e forma. É linda, perfeitamente integrada a uma paisagem encantadora. Uma voltinha rápida para uma visita às instalações da bodega, prova de barricas com o enólogo residente Tomás Hughes e chegamos numa linda sala de degustações com uma vista que faz com que qualquer vinho tenha um gosto para lá de especial, imagina quando os vinhos possuem esta qualidade!

Os vinhedos chamados de Remolinos, em função dos redemoinhos (foto no slide show abaixo) que se formam no campo, começaram a ser plantados em 2000 e as primeiras colheitas experimentais realizadas em 2004 e 05. Finalmente em 2006 as primeiras colheitas comerciais foram realizadas, lançadas ao mercado dois anos depois e o sucesso veio rapidamente. Hoje se produzem cerca de 420 mil garrafas anuais e os troféus e medalhas começam a se amontoar. Para quem não conhece, recomendo a visita, o lugar e os vinhos merecem atenção sem desmerecer o atendimento muito simpático e eficiente, porque isso é essencial!

Já esteve presente no Brasil, porém em função do fechamento da importadora, busca outro representante para nossas terras e eu espero que achem logo, pois seus vinhos valem muito a pena, dois deles em especial são grandes destaques e vinhos inesquecíveis. Localizada em Lujan de Cuyo em uma de suas principais sub-regiões; Agrelo, só produz vinhos tintos. Você pode ver mais da bodega clicando aqui, mas agora deixa eu compartilhar com vocês os vinhos que lá provamos e nos foram apresentados pela simpática Daiana.

Decero Malbec 2012 – Boa tipicidade, floral, taninos finos bem presentes, boa persistência e harmônico, acidez bastante equilibrada. Bom vinho

Decero Cabernet Sauvignon 2013 – Frutos negros bem presentes, especiarias, jovem, taninos firmes e elegantes, gostei muito e, a meu ver, entre os três desta gama o vinho mais vibrante que mais me entusiasmou mostrando que estas terras de Agrelo realmente dão ótimos Cabernets!

Decero Syrah 2012 – Taninos doces, especiarias, boa intensidade e textura, amável na boca, um vinho bastante agradável, bem feito e fácil de tomar.

Decero Mini Ediciones Petit Verdot 2011 – somente cerca de 12.000 garrafas produzidas e um vinho surpreendente para a maioria que o prova pela primeira vez. Não é a toa que na safra 2012 levou o Troféu de melhor Vinho de Mendoza na Wines of Argentina Awards e Melhor Vinho Argentino entre USD30 a 50! Absolutamente sedutor, na contramão de tudo o que, a principio, se espera de um varietal 100% desta uva. Sem excessos, fino, nariz intenso e boca extremamente elegante com taninos de grande finesse. Uma garrafa é pouco!!

Decero Amano 2011 – baita vinho, encantador, conheci pela primeira vez na degustação Premium da Wines of Argentina em Setembro/14 (veja aqui meus destaques) e depois voltei a prová-lo em Novembro quando em Mendoza e agora novamente. Em todas as vezes senti enorme prazer ao tomá-lo, um grande vinho, um assemblage de primeira linha em que o viés velho mundista mais tradicional de perfeito equilíbrio, elegância, daqueles vinhos que já nos seduz na primeira fungada! Blend de Malbec, Cabernet Sauvignon, Tannat e Petit Verdot é um grande vinho, complexo e sedoso na boca, fruta exuberante um vinho que me encanta e não é à toa que foi o único vinho argentino a ganhar por três vezes o troféu de Melhor Red Blend acima USD50 na Wines of Argentina Awards!!

Clique na imagem abaixo para ver o slide show da visita à Decero. Dia lindo e a imagem é a vista que tínhamos da mesa de degustações, não é deslumbrante?!

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O. Fournier – saímos da Decero e rodamos pouco mais de uma hora até chegarmos à incrível O. Fournier com seu O Fournier logoprojeto arquitetônico ímpar, moderno e marcante. Conheci a O. Fournier e o José Manuel Ortega Fournier, em uma degustação aqui em Sampa no ano passado (relatado aqui) e me encantei por seus vinhos e diversidade de uvas trazendo um pouco da cultura ibérica para este longínquo recanto de Mendoza no extremo sul do Vale do Uco. Em função do atraso, a visita á bodega e suas instalações foi algo corrido, porém sua estrutura e design, das torres de concreto que são tanques, á enorme e incrível sala de barricas e coleção de arte, um momento realmente marcante que nos deu sede e abriu o apetite para o que estava por vir, um delicioso almoço harmonizado no restaurante Urban capitaneado pela Chef Nadia, esposa do José Manuel.

Deles, no entanto, falo em um post em separado porque este já tá longo demais. Inté, saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer outro lugar de nossa vinosfera. Uma ótima semana para todos.

22 Vinhos Mais Caros do Mundo!

Esta lista tirei do Wine-Searcher e óbvio que poderão existir outros vinhos e outros preços em listas de outras fontes! O Wine-Searcher um site que é uma ótima ferramenta para encontrar vinhos no exterior quando em viagem e que recentemente coloquei o link aqui na coluna do lado em Onde Comprar. Alguns detalhes a considerar nessa lista e também algumas curiosidades.

1 – A tabela foi montada em cima de preços médios encontrados pelo site, independente de safras, elaborada em cima de mais de 50 mil listas de preços em sua base dados do mundo inteiro, totalizando mais de 7 milhões de rótulos. Alguns dos preços máximos encontrados provavelmente são vinhos especiais, de safras antigas ou de coleção, por isso o de alguns preços máximos estarem na casa do chapéu! Eu sempre achei que o DRC era campeão entre os vinhos mais caros do mundo, mas me surpreendi com o vinho mais caro apurado nessa pesquisa. do DRC me lembro de ter visto um 2005 no Free Shop de Dubai por USD25.000 faz uns quatro anos!

2 – Dos 22, a bagatela de 19 são franceses entre eles 16 da Bourgogne, 2 de Bordeaux e 1 do Rhône. Como intrusos nessa lista, dois Alemães (surpresa né?!) e um americano!

3 – Quando estendemos essa lista para os 50 mais caros ou seja, mais 28 rótulos, nada mais nada menos do que 25 deles também são da Borgonha, um de Champagne mais um alemão e um australiano. Coisa de louco esses vinhos da Bourgogne e dos 50 vinhos a França tem na lista 44 rótulos!!!

50 Vinhos mais caros Wine Searcher

Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer esquina desta nossa vinosfera. Um ótimo fim de semana para todos

 

Encontro com o Alvarinho Pouco Comum e …..

CAM02030Domingo a dois, o que não é muito comum, e o cozinheiro de Domingo lá se meteu a mestre cuca. Como já disse por diversas vezes, me esforço mas sou limitado me falta conhecimento e o talento, no entanto algumas coisa invento e desta vez precisava bolar algo, para variar, porém fácil e dentro de minha limitada capacidade. Trouxe um Alvarinho Pouco Comum, gosto deste vinho e de seu custo, e apesar de poder harmonizar com um monte de pratos, de costelinha na brasa a feijoada, fui mesmo foi no tradicional!

Trouxe da loja um novo produto da Marithimus, peixe e frutos do mar de Santa Catarina, um bacalhau no azeite com azeitona pois já pensei na entrada e deu muito certo, simples bruschettas de bacalhau. Eis a receita para os amigos, fácil e rápido!Marithimus Bacalhoada
Pão italiano, põe no forno para dar uma tostada, tira e esfrega nele (bem delicado para não ficar forte) um dente de alho. Tomate fresco descascado e cortados em pequenos pedaços, um frasquinho de 100grs de Bacalhau Marithimus. Depois da esfregadinha do alho, jogar sobre as fatias de pão, um pouco do azeite do bacalhau e volta para o forno para dar mais uma tostadinha. Retira, coloca o tomate e o bacalhau voltando para o forno para terminar. Não deu 15 minutos para fazer tudo isso e eu fiz tudo no forno elétrico.

CAM02033Enquanto isso, tinha um filé de corvina me aguardando marinando por cerca de uma hora com um pouco de sal, pimenta do reino, um pouquinho de limão e um leve toque de vinho branco. Preparei um refogado de cebola (1/2), alho (1/2 dente grande), dois tomates frescos sem casca cortadinho (parte usei na bruschetta) e azeitona preta portuguesa picada, gosto da Maçarico que é mais saborosa, mas qualquer uma dá. Coloque um fio de azeite na frigideira e dê uma selada no peixe, reserve numa forma. Enquanto isso ligue o forno prepare o refogado. Refogado pronto, coloque em cima do peixe e leve ao forno por cerca de 15 minutos e tá pronto. Sirva com arroz branco, adoro minha panela japonesa que faz tudo solo!

Bruschettas de bacalhau, peixinho no forno, minha loira (rs) e uma garrafa de Alvarinho, nada mau para um Domingo preguiçoso sem computador! Ah, o Alvarinho Pouco Comum, é o nome mesmo, é um dos bons Alvarinhos disponíveis no mercado com preço mais em conta, em torno dos 70/75 reais, e vale muito a pena. O nome Pouco Comum não sei de onde veio não, mas a meu ver ele possui uma acidez mais moderada e maior corpo que a maioria, com bom volume de boca sem perder a tipicidade da casa, então pode ser daí. O produtor é a Quinta da Lixa o que já é, por si só, uma boa indicação de qualidade e eu gosto, não é um Soalheiro, mas é justo e cumpridor! rs

Tá aí gente, dá para qualquer um se divertir e até fazer bonito com quem interessa, basta boa vontade porque o resto é facim, facim! Ah, bagunçou tem que limpar né, essa é a parte mais chata da cozinha, ou não? Kanimambo e no próximo post falarei um pouco da surpreendente Decero e a incrível O. Fournier em Mendoza, um grande Domingo passado lá em Mendoza com os amigos que me acompanharam na viagem de Abril.