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Merlot, a Uva Brasileira!

Não é de hoje que digo que a Merlot é a uva que melhor vinhos produz no Brasil, mas finalmente parece que a ficha anda caindo! O número de bons vinhos varietais é grande e a qualidade de média para cima não vendo nos hermanos o mesmo potencial da casta. Existem alguns bons exemplares de nossos vizinhos Uruguai, Argentina e Chile, porém são em número reduzido, pelo menos que eu tenha provado, mas gosto de Desafios por isso estou armando para 28 de Junho (guarde a data) um embate entre nossos três principais vinhos e um cada dos hermanos, quero ver no que vai dar!! rs

Bem, mas ainda neste tema da Merlot, fiquei feliz ao receber da assessoria de imprensa da Miolo a notícia de que seu Merlot Terroir foi premiado em Bordeaux. Este será um dos desafiantes nesse novo Desafio ás Cegas que realizarei, então receber esta premiação é sempre um motivo de Miolo Terroir Merlotorgulho não só para a Miolo como para quem gosta de bons vinhos. Nunca neguei a qualidade dos vinhos brasileiros, mesmo que com poucos vinhos de cair o queixo, pois existem muitos bons rótulos por aqui e minha critica é “meramente” comercial, então ver um vinho nacional sendo premiado na terra do Petrus (para quem não sabe é essencialmente Merlot, quando não 100%) é sempre notícia alvissareira. Eis a nota recebida da assessoria de imprensa:

Miolo Merlot Terroir 2015 foi o único tinto brasileiro a conquistar uma Medalha de Ouro no Challenge International du Vin 2018, influente concurso de vinhos realizado em Bordeaux. Elaborado com uvas Merlot cultivadas em vinhedos próprios da Miolo no Vale dos Vinhedos, o rótulo traz o selo de Denominação de Origem Vale dos Vinhedos (D.O.V.V.), primeira Denominação de Origem de vinhos no Brasil.

“Considerando que Bordeaux é a origem e a referência mundial da Merlot, a conquista de uma Medalha de Ouro com o nosso Merlot Terroir no Challenge International du Vin atesta a altíssima qualidade deste vinho, resultado de uma cuidadosa seleção das melhores parcelas dos nossos vinhedos de Merlot no Vale dos Vinhedos”, comemora Adriano Miolo, superintendente do grupo.

Está aí, a premiação valida a vocação do terroir do Vale dos Vinhedos para o cultivo da Merlot e legal, desta feita não tem aquela chamada furada de melhor do mundo! rs Bem amigos, por hoje é só e espero que tenham um ótimo fim de semana de bons vinhos, alegria e gente amiga. Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui, na Vino & Sapore ou qualquer outro caminho de nossa vinosfera, cheers!

Cheers Smile

Uau, Costela de Ripa e Decero Tannat

Como dar errado? Este foi meu presente ás cinco Mães em minha casa no último Domingo! Visitei meu amigo Celso Frizon mais conhecido como Dr. Costela e peguei com ele costela de porco com molho agridoce (dos Deuses!) e um bom pedaço de costela de ripa. Afinal, se não dá para levar a família ao Dr. Costela a gente traz o Dr. Costela à família, são só 50 kms ida e volta, rs, mas as mães mereciam ao menos isso neste dia especial, um churrasco de prima. A introdução ao churrasco foi de linguiças diversas (a de cordeiro estava especial!)e terminei (esquentei?? rs) as costelas, nenhum trabalho, puro prazer poder servir tão seleto grupo de Mães!

20180513_163815Para acompanhar a Costela de Ripa, escolhi um vinho especial de pequena tiragem de uma de minhas bodegas preferidas de Mendoza, a Finca Decero, o Mini Ediciones Tannat 2012. Sim um Tannat de Mendoza e tão soberbo quanto seu primo Petit Verdot nascido na mesma casa, mostrando que Mendoza não é só Malbec e Cabernet Sauvignon! Desbunde este vinho, tá certo que a costela e as Mães presentes deram um tempero especial, mas o que tinha me encantado em Setembro passado na minha última visita, ficou melhor ainda com mais seis meses na minha adega.

Muito aromático com frutos negros bem presentes, na boca é rico, frutos negros se confirmam, ótima estrutura de boca, textura gostosa, taninos de boa tipicidade porém muito bem equilibrados sem qualquer agressividade, final longo, guloso e se mais garrafas tivesse mais tomariamos, perfeita harmonização! Um verdadeiro prazer hedonístico e mais um rótulo que recomendo a quem estiver por aquelas bandas ou em Buenos Aires, porque LAMENTAVELMENTE, ainda não tem ninguém trazendo estes vinhos. Tem gente trazendo tanta coisa meia boca e a Decero segue sem importador no Brasil coisa de louco! Ah, se eu tivesse uma graninha extra!! Alguém a fins de entrar nessa comigo?? rs

Dia lindo, gente linda, comida excelente e vinhos idem, nessas horas que cai a fixa! Um kanimambo e abraço especial cheio de carinho a todas as mães amigas que me visitam por aqui. Espero que tenham tido um dia lindo e que exijam de seus parceiros e filhos que a “festa” não fique só num dia, pois vocês são a essência da vida devendo ser devidamente reconhecidas sempre. Um brinde especial a todas vocês Mães!

Cheers Smile

 

Uma Dupla Luso Italiana na Confraria Frutos do Garimpo

Um de origem portuguesa, região Lisboa, e o outro italiano da região do Piemonte. Dois blends, duas propostas diferentes, duas personalidades diferentes, vinhos de gama média/alta que este mês caíram em minha peneira e com isto rompo o silêncio que há dez dias imperava por aqui! rs

Começo por um xodó meu que ainda há poucos dias apresentei numa aula sobre vinhos e regiões Pinto collectionprodutoras portuguesas, com a colaboração do importador ALMERIA. O Quinta do Pinto Estate Collection 2012, um corte de Touriga Nacional (35%), Aragonez (25%), Syrah (25%) e Merlot (15%) de Alenquer , região Lisboa, onde fica localizada a Quinta. Passa 12 meses em barricas francesas de 2º uso o que lhe confere complexidade sem abafar a fruta abundante. Cor rubi ainda bem escura com halo violeta, aromas de boa intensidade onde despontam os frutos escuros, na boca notas especiadas, fruta abundante, meio de boca de ótima textura, denso, rico com taninos ainda firmes e aveludados. Final de boca muito elegante apesar de ainda algo austero, e de boa persistência, um vinho muito especial e um destaque da região. Para beber já, mas certamente ainda tem um par de anos pela frente para evoluir com muita qualidade e diversão à mesa, porque o nome ajuda! rs Um senhor vinho com preço de mercado condizente com a qualidade, entre R$200 a 250,00.

O Segundo vinho vem do Piemonte, Itália, especificamente de Monferrato, um blend sempre majoritariamente de Dolcetto e que em 2013 teve como coadjuvantes, 10% de cada, as uvas RuchéRosso Scarpa (rara uva regional), Barbera e Freisa perfazendo um conjunto muito atrativo. É o Monferrato Rosso Scarpa DOC que é um lançamento recém chegado à importadora BODEGAS que me procurou para colocar este rótulo nesta confraria de oportunidades com um preço especial. A primeira visão na taça é de um vinho ainda jovem com halo bastante vivo, no nariz é um pouco tímido porém nota-se frutas vermelhas e sub liminarmente algo de eucalipto/mentol mais sutil. A entrada de boca é marcante, firme, frutado, meio de boca com taninos bem presentes tomando conta do palato mostrando boa estrutura, notas terrosas com um final de boca aveludado em que a acidez aparece mais, pedindo comida. Risoto de funghi, Brasato, Polenta mole com ragu, estamos diante de um típico vinho italiano gastronômico e que, a meu ver, perde se tomado solo.  Um vinho sem passagem por barricas, apenas Inox por 10 meses seguido de 3 de afinamento na garrafa antes de sair ao mercado e, mais uma vez, um vinho que ainda evoluirá para mais um par de anos. Preço de mercado deverá ficar entre R$130 a 140,00.

Por hoje é só, durante a semana tem mais. Kanimambo pela visita, saúde e uma ótima semana!

Mi Terruño, Não é Só Cara Bonita!

Ultimamente tenho visto um melhor trabalho por parte dos produtores no sentido de desenvolver rótulos mais marcantes. Lógico que o visual não é tudo e nem tudo o que brilha é ouro, mas que ajuda a vender 20180317_125719ajuda e falo isso por experiência. Afinal, no meio de tanto rótulo nas prateleiras algo que se destaque chama a atenção e tem uma chance maior de venda quer se compre por rótulo, sim existe quem o faça, ou não. Nesta semana falarei sobre dois pares de vinhos em que os rótulos me chamaram a atenção. Uma dupla espanhola e uma dupla argentina, patamares de preço e qualidade diferentes, propostas diferentes, porém as duas me agradaram bastante. Seja pelo inusitado, no caso dos espanhóis, seja pela boa relação PQP (Preço x Qualidade x Produto) dos argentinos dos quais falo hoje.

Mi Terruño é uma bodega argentina trazida ao Brasil pela Palácio dos Vinhos e de sua linha de produtos me interessei por provar dois rótulos da linha Expression, a segunda gama de entrada da bodega, que se encaixam dentro do meu conceito de garimpo, vinhos de bom preço com qualidade da qual não abro mão. Um Sauvignon Blanc e um Malbec, dois vinhos que provei e aprovei e por tanto decidi compartilhar com os amigos.

O Sauvignon Blanc vem do Vale do Uco, fermentado em cubas de inox e apresenta boas características da casta com notas herbáceas puxando para chá verde e frutas cítricas de boa intensidade. Na boca é um vinho de acidez bastante equilibrada, cítrico com um final de boca em que despontam limão e algo de grapefruit com ele toquinho de amargor tipico da fruta. O álcool é um pouco alto para um vinho que tem como conceito ser leve, 13%, e 20180317_171347_Burst01aparece quando fora de temperatura. Sendo servido em torno dos 6 a 8 graus centigrados é imperceptível e o conjunto é bastante agradável. Vi no mercado com preços que variam ao redor de R$75,00 mais ou menos 5.

O Malbec, apesar de ter gostado do branco (SB acima), me chamou mais a atenção. Estou sempre em busca de vinhos deste estilo, vinhos mais elegantes com taninos mais finos mostrando harmonia em vez dos vinhos super extraídos em todos os sentidos e que, de tão maduros, se tornam enjoativos. Neste caso as uvas vêm de vinhedos da região de Maipu e Tupungato com 55% do vinho passando por barricas de 2º uso francesas e americanas durante parcos 4 meses. O bastante para fazer a diferença, porém sem afetar demais o vinho. Paleta olfativa de boa intensidade onde predomina frutas vermelhas em especial ameixa, taninos finos, médio corpo, boa textura, leves notas tostadas num rico meio de boca, alguma especiaria de final, um vinho muito agradável de tomar. Sem fruta madura demais, sem taninos excessivos, gostei bastante e me pareceu bastante versátil, de massas a carnes grelhadas ou só aquele papo amigo com frios e queijos. Mesma faixa de preço do Sauvignon Blanc e mais um vinho que gostei e aprovei na faixa de preço em que se encontra

Dois vinhos que vão além da cara (rótulo) bonita, valem a pena e não é todo o dia que podemos tomar grandes vinhos. No próximo falarei de dois Rosés de que gostei bastante e depois falo daqueles espanhóis que mencionei no inicio, um 100% Graciano e o outro um Tempranillo Branco, uma mutação da uva tinta que só recentemente (2007) foi incluída no rol das uvas autorizadas em Rioja.

Tenham todos uma ótima semana, kanimambo pela visita e seguimos nos vendo por aqui, na Vino & Sapore ou numa das várias curvas de nossa vinosfera.

 

* Disponível nas boas lojas do ramo entre elas na Vino & Sapore

 

 

Gewurztraminer & Curry, Deliciosa Combinação!

Clássica harmonização, Gewurztraminer e pratos condimentados asiáticos.  Uma uva cultivada em muitas regiões, principalmente na Alsacia (França) e nas regiões do Rhein e Pfalz (Alemanha), mas também na Austria, Itália (Alto Adige), Nova Zelândia, Austrália, Chile, Estados Unidos e alguma coisa por aqui no Brasil em que a Angheben elabora um que aprecio bastante.

Os vinhos de Gewürztraminer normalmente são de cor amarelo intenso, quase dourados. Por conta de sua composição e características da casca, são vinhos com grande estrutura em boca. Uma de suas “fraquezas” é a acidez, muito delicada e, que em anos mais quentes, tende a ser muito baixa e um açucar residual por vezes alto demais para os secos mas que é providencial para os vinhos de sobremesa como os Spätlese. São sempre muito aromáticos, com notas marcantes e características lembrando lichias e pétalas de rosas com toques, de maior ou menor intensidade, de especiarias. Apesar de, à primeira vista não parecer, graças às suas características aromáticas e gustativas, os vinhos de Gewürztraminer secos e jovens são ótimos parceiros para a culinária, especialmente pratos com riqueza aromática e bem condimentados, como a cozinha asiática – chinesa e indiana. Curries mais suaves aceitam bem os mais maduros como foi o caso deste Gustav-Lorentz 2013* de cor dourada brilhante e aromas intensos de damasco e lichias que nos convidam a levar a taça à boca que é onde o vinho realmente interessa!

O prato, um Curry de Frango com Maçã, chutney de manga levemente apimentado e coco polvilhado por cima, uma receita da família que dá um ibope danado aqui em casa. O vinho com suas nuances de frutos tropicais, levemente especiado, corpo médio e acidez equilibrada com um toque mineral de final de boca casou á perfeição e repetirei esta harmonização em muitas e muitas outras ocasiões porque o resultado, para o meu gosto obviamente, foi excelente! Tudo aquilo que buscamos numa harmonização, equilíbrio e uma “turbinada” nos sabores, quando 2 + 2 somam 6!! rs Melhor ainda a companhia, porque sem isso a harmonização fica manca, rs, bão demais da conta sô!

Curry e Gewurztraminer

 

Penso que deve ficar muito interessante com Moqueca, mas ainda não provei, vou colocar na minha lista de experiências enogastrônomicas. Por hoje é só, espero que curtam e partam para vossas próprias experiências porque como já dizem os ingleses, “practice makes perfect” então vamos praticar é muiiiito!! Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui, na Vino & Sapore ou em qualquer outra esquina de nossa deslumbrante vinosfera. Fui, saúde!!

 

* Disponível na Vino & Sapore e outras boas lojas do ramo

Visitando El Enemigo na Républica de Chachingo!

É dessa forma carinhosa com que Alejandro Vigil se refere ao lugar onde está a sede da El Enemigo, ou Bodega Aleanna, em sua casa! Um projeto de grande sucesso em parceria com Adrianna Catena sobre o qual fica difícil falar, mas visitar este lugar lúdico, pleno de magia e grandes vinhos é hoje um must para quem visita Mendoza.

Conheci o lugar pela primeira vez em Abril de 2015 quando com um outro grupo lá chegamos num final de tarde para um acolhedor assado no “quincho” recém inaugurado. Uma noite mágica diga-se de passagem, e nesta volta pouco mais de dois anos e meio depois, nos deparamos com um lugar transformado, incrível o que conseguiram realizar em período de tempo tão curto! O que eram sonhos e projetos estava tudo ali ao nosso alcance e, desta vez, com a presença do “maestro” em pessoa.

É inacreditável a transformação, o incremento do restaurante, diversos ambientes, a loja, a decoração, arte (adorei a exposição de esculturas de madeira com ferro!), os jardins, tudo impecável, de extremo bom gosto, complexo e divertido, um pouco como os vinhos que levam a marca El Enemigo, um lugar de exceção para vinhos de exceção, mas sem afetações, sem frescuras porém com finesse, simpatia, classe e qualidade em tudo o que vemos e provamos. Estar no lugar é algo marcante, tomar a totalidade de seus vinhos inebriante e podes desfrutar da presença do “maestro” um momento inesquecível.

Falar dos vinhos é chover no molhado e só não tomamos o El Enemigo Syrah/Viognier porque esse vem todo para o Brasil e nem adianta procurar por lá. Vou tentar resumir em poucas palavras cada um.

El Enemigo Chardonnay – Muita finesse acima de tudo com grande equilíbrio e mineralidade, madeira bem sutil. Belo exemplar de Chardonnay de altitude!

El Enemigo Bonarda – Um dos melhores da região, denso, fruta madura abundante, taninos macios e acidez no ponto

El Enemigo Cabernet Franc – leva um tico de malbec, encorpado, aromas de boa intensidade, encorpado, taninos aveludados, toque terroso, fruta madura, especiarias, muito boa persistência.

El Enemigo Malbec – pode ser que seja pelo tico de Petit Verdot que Alejandro coloca aqui, ou não, mas certamente é um dos Malbecs de gama média que mais gosto da região. Leva também um pequeno porcentual de Cabernet Franc gerando um vinho muitoIMG-20170905-WA0011 rico, concentrado, muito aromático com ótima textura e taninos finos abundantes.

Almoçamos com esses e ainda tivemos um bônus, tomamos o incrível Nicolas Catena, um vinho de grande gabarito onde a Cabernet Sauvignon fala mais alto. Um vinho excepcional, de grande elegância. Aí fomos passear um pouco num tour pela cave e jardins voltando para a grand finale, a prova com os Gran Enemigo, todos os quatro, inclusive o Cepillo, uma novidade, que adorei. A base de toda essa linha de vinhos é a Cabernet Franc.

Gran Enemigo – Blend de Cabernet Franc (73%), Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Malbec – aromas sedutores, encorpado, denso, rico, notas achocolatas, salumeria, sutil herbáceo, sofisticado com boa carga tânica.

Gran Enemigo Agrelo e Gualtallary – Cabernet Franc (85%) com Malbec um de Agrelo em Lujan de Cuyo e segundo de Guatallary em Tupungato – afora a diferença de solo entre eles, há também um enorme diferença de altitude (de 930 para 1470m) o que faz com que o de Gualtallary apresente uma finesse, elegância e acidez bem mais marcantes. Questão de estilo, eu gosto dos dois, mas o Gualtallary me encanta e é um dos melhores vinhos da atualidade produzidos na Argentina.

Gran Enemigo El Cepillo – novo na casa e de uma região diferente, El Cepillo fica em San Carlos, tenho que confessar que me balançou e disputou com o Gualtallary minha preferência. mesmo corte de Cabernet Franc e Malbec, mas agora a 1300 metros de altitude, mantendo a acidez gulosa do Gualtallary, porém com fruta algo mais madura, notas de especiarias bem mais presentes, ótima textura, taninos aveludados, final longo e apimentado, amei!!

Para quem vai a Mendoza, certamente um lugar a não se perder pois afora os vinhos o lugar é especial. Abaixo um vídeo montado com algumas fotos tiradas pelo grupo e por mim, nem sempre muito boas (rs), mas que mostra um pouco da alegria vivida e do que você estará perdendo caso não passe por lá em sua próxima visita! Clique na imagem e abra a porta para momentos de “buena onda”, salud!

El Enemigo key Hole

Kanimambo pela visita, uma ótima semana e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer esquina de nossa imensa vinosfera!

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Grata Surpresa na Taça, Hermann Lirica Brut.

Adolar Hermann se reinventou aos 57 anos após uma carreira bem sucedida numa indústria têxtil em Santa Catarina onde começou de baixo e galgou posições até assumir a diretoria da empresa. Em função da crise que afetou o setor na década de 90, foi necessário buscar novos desafios e aí o hobby virou negócio tendo ele importado 200 caixas de Luigi Bosca. Estava formado o embrião do que hoje conhecemos como a importadora Decanter.

Com o sucesso da nova empreitada veio o desejo de não só importar e vender vinho, mas produzi-lo e em 2009 a famí­lia comprou um vinhedo em Pinheiro Machado, Serra do Sudeste no Rio Grande do Sul onde começaram a ousar, a trilhar um caminho fora do padrão regional ao trazerem para ali videiras de um dos principais produtores de mudas em Portugal. Com elas, trouxeram também a criatividade e conhecimento de um dos principais enólogos portugueses, Anselmo Mendes, para a Lirica brutgestão enológica do projeto. Alvarinho, Gouveio, Aragonês, Caladoc e Touriga Nacional coabitam os pouco mais de 21 hectares com outras uvas mais conhecidas do local como a Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e outras cepas ainda em fase de teste.

 

Todo esse preâmbulo para compartilhar com os amigos a grande surpresa que foi abrir esta garrafa de Hermann Lí­rica Brut* no último Sábado depois de um bom tempo em que primeiro o degustei, um espumante que mudou muito e para melhor! De um espumante bem feito, mas dentro dos padrões esperados, desta feita o espumante se mostrou num patamar acima. A vinificação é feita na Cave Geisse, o que por si só já diz muito sobre o que esperar, pelo método clássico (champenoise) mostrando ótima perlage e uma espuma cremosa que deixa na taça um bonito colar. Na boca, afora o tradicional cítrico, senti presença de notas de panificação fruto de um período de 12 meses sur lie. Corte de Chardonnay, Pinot Noir e Gouveio com 8,5% de açúcar residual (Brut entre 6 a 12), ganhou corpo, complexidade e um final mais seco com muito boa persistência e gostinho de quero mais. A gouveio, creio, fez a diferença aqui, mas pode ser só meu sangue luso falando mais alto! rs Por sinal, a quem tiver curiosidade de conhecer um pouco mais da Gouveio que aparece muito em blends brancos do Douro, sugiro provar o Vértice Gouveio das Caves Transmontanas, verdadeiro representante luso a qual o RP deu 93 pontos na safra de 2011.

 

Com um preço entre os R$75 a 80,00, é certamente um vinho de excelente relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer) que os amantes de espumantes não podem deixar de conhecer e se surpreender. A percepção de valor é certamente bem acima do preço de mercado hoje e assim espero que permaneça. O vídeo abaixo fiz na hora em que abri e circulei no Facebook, vejam a perlage e espuma! Já tinha gostado, mesmo que não tivesse me entusiasmado há época, mas agora virei fã.

 

 

Mais uma vez falando de espumantes, gosto e muito! Kanimambo pela visita e espero possamos ainda ter muitos momentos para celebrar e abrir um bom espumante. Saúde, tchin-tchin e Sexta tem mais!

Cheers Smile

 

 

 

* Produtor Vinícola Hermann, à venda na Vino & Sapore e outras boas casas do ramo.

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Topos de Gama Lusos na Frutos do Garimpo.

Numa saborosa viagem por quatro regiões produtoras, Alentejo, Lisboa, Beiras e Douro numa parceria com o Palácio de Vinhos. Esta foi a seleção do mês de Janeiro da Confraria Frutos do Garimpo, pepitas que apareceram na minha peneira até porque como já mencionei por diversas vezes, há momentos para tudo e em todos os níveis.

Quatro tintos topo de gama (Kit com uma garrafa de cada) da Companhia das Quintas (grupo produtor) todos da safra 2009/10, de produção limitada, todos em ponto de bala, o que garanto porque provei-os todos recentemente, mesmo que alguns ainda aguentem bem e darão prazer por mais um par de anos.

Herdade da Farizoa Reserva 2010 (RP90)* – do Alentejo, com passagem de 18 meses em barrica francesa (50% novas), blend de Touriga Nacional, Alfrocheiro, Syrah e Trincadeira, com somente umas 12.500 garrafas produzidas. Paleta aromática frutada com alguma especiaria, na boca mostra-se bem integrado, macio, boa textura, taninos finos e boa persistência. Sumiu rápido da taça e da garrafa, acho que estava com algum vazamento! rs Preço em Sampa ao redor dos R$150 a 160,00.

Quinta do Cardo Touriga Nacional Reserva (WE92)* – da Beiras Interior com passagem por 20 meses em barricas francesas (50% novas) tendo o 2008 sido apontado como um dos destaques TN 100% de Portugal pela Jancis Robinson. Nos aromas notas florais tí­picas da casta e fruta abundante, já na boca despontam frutos silvestres em harmonia com taninos finos, macios, boa acidez e um final algo apimentado. São cerca de 10.000 garrafas produzidas. Preço de mercado em Sampa ao redor de R$170,00 a 180,00.

Frutos do Garimpo seleção Janeiro 2018 - Palacio dos vinhos

Quinta da Fronteira Reserva (WE92)* – do Douro, um clássico corte duriense de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz com passagem de 18 meses por barricas francesas (20% novas). Nariz intensamente frutado, notas mentoladas e sutil toque amadeirado. Na boca chega volumoso, rico, complexo, algumas notas vegetais, taninos aveludados e muito persistente com uma boa pegada gastronômica, digno dos melhores topo de gama da região. Acompanhou bem um belo filé de javali ao molho de vinho com puré de cará no final de ano. Cerca de 20 mil garrafas produzidas e preço médio em Sampa entre R$230 a 240,00.

Quinta de Pancas Reserva Touriga Nacional (WE92)* – mais um belíssimo Touriga Nacional neste kit, com 18 meses de passagem por barricas francesas (50% novas) e produção limitada a 5.300 garrafas. Mais uma vez as notas florais ganham destaque aqui, mas é na boca que mostra bem ao que veio. Robusto, cremoso, especiarias, notas balsâmicas, ótima concentração em perfeito equilí­brio, um vinho fino, guloso por natureza, complexo com uma persistência das boas, daquelas que fica na memória. Um dos meus destaques entre todos estes vinhos de primeira grandeza lusos. Preço ao redor de R$170 a 180,00 em Sampa.

É isso gente, por hoje é só! rs Aproveitem o fim de semana, saúde e kanimambo pela visita. Segunda tem mais, mas nos encontramos por aí numa das muitas esquinas de nossa vinosfera, quem sabe na Vino & Sapore! rs tchin-tchin

Cheers Smile

 

 

 

 

 

 

 

* Importador Palácio dos Vinhos – safras basicamente esgotadas no mercado, mas ainda disponíveis na Vino & Sapore e eventuais outras boas lojas do ramo.

Abraxas Tannat 2011

Abraxas Tannat* de novo na taça depois do incrível e memorável 2002 que deixou saudades com a moçada que o conheceu, veio o 2007 que foi a confirmação de que a Dominio Cassis veio falando grosso com seu vinho ícone, mesmo que menos pujante que o 2002, mais pronto,aparentemente menos longevo. Agora chegou o 2011, para mostrar que o papo é sério, um tremendo Tannat que mostra toda a sua estrutura e densidade digna dos tannats topo de gama uruguaios, mas que se reveste de uma elegância velho mundista que já se tornou marca deste vinho.

A paleta olfativa dele nos atrai como um imã, sedutora e intensa com seus frutos negros, madeira ainda bem presente pedindo tempo para se integrar mas nada agressiva. Na boca estrutura, denso, taninos aveludados ainda bem presentes mas finos mostrando que mesmo se desfrutando bem agora tem ainda alguns bons anos pela frente, fruta, couro, cacau, rico meio de boca com um final de boa persistência e acidez equilibrada. Um Tannat clássico, sem arestas, robusto, elegante, para beber mais que uma taça sem medo de ser feliz, assim sinto este vinho que me agrada sobremaneira e já encontrou um berço em minha adega para abrir daqui a uns dois anos. Quer harmonizar? Leitão pururuca é dos deuses, os amigos lusos podem acompanhá-lo com o famoso leitão à Bairrada e até fazer uma comparação com um bom baga regional!

Abraxas (2)

Do 2002 que foram apenas umas 600 garrafas já a partir de 2007 creio que já foram cerca de 2500 que é o que a parcela do vinhedo (sobre rochas e com um clone especial) pode produzir. Todos com 18 meses de barrica todavia em 2002 foi de 300 litros de primeiro uso francesa e a partir de 2007 se mudou um pouco com a maior parte passando por barricas usadas de 2º e 3º uso de 300 litros e parte em barricas novas de 225 litros todas francesas. Penso que a mudança amansou um pouco a fera! rs

Tenho um amigo leitor que ainda tem uma garrafa 2002. tenho uma confreira que sei ter uma 2007, eu ainda tenho uma de 2011 e a importadora me informa que recebeu a de 2015, acho que pode pintar uma bela degustação vertical aí!! rs Os vinhos do Uruguai, na sua maioria, são realmente diferenciados e vale explorar os bons vinhos de lá, mesmo que estejam algo caros por aqui, para desmistificar um pouco daquele ranço de vinhos toscos, brutos, excessivamente tânicos que ficou por aqui de tempos passados. Como um vinho ícone, o preço está em linha variando entre R$230 a 250,00 em Sampa.

São muitos os produtores, pequenos, artesanais, médios e grandes a serem explorados, aventure-se você também! Um último toque, a safra de 2015 na Uruguai foi considerada excelente, igual ou melhor que a de 2002, então “ojo”! Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui, na Vino & Sapore ou qualquer lugar que o vinho nos levar. Fui!

 

* Importação Dominio Cassis e disponível nas boas casas do ramo como a Vino & Sapore (rs).

 

 

Mais um Branco na Taça, VSE Classic Chardonnay.

Que gosto de vinhos brancos não é surpresa para ninguém que me acompanhe e há muito tempo que cunhei a frase de que os “brancos são a pós graduação no vinho”! rs Tomo e degusto bastante acho que seu frescor e sutilezas têm tudo a ver com regiões quentes, mas tem também a ver com o tipo de comida que iremos servir já que a melhor forma de tomar vinho é mesmo acompanhando refeições. Ah, mas eu não como peixe, só carne! Pois bem, até quem curte carne deveria experimentar, essa harmonização, especialmente carne de porco e derivados, há que se combater a ditadura dos tintos!! rs.

Como em todos os tipos e estilos de vinhos, há momentos para tudo e ninguém nega, especialmente quem tenha alguma litragem na taça, que os grandes vinhos são experiências únicas, mas também não são para todos e muito menos para toda a hora! Grandes vinhos, grandes preços, não tem como fugir disso e não são para a maioria de nós meros mortais, seguidores de Baco que somos. Esses grandes vinhos ficam restritos a poucos ou, pelo menos, a poucos e raros momentos de nossa vida terrena, mas o bom é que há bons e saborosos vinhos em todas as gamas de preço guardadas as devidas limitações, obviamente, e dentro do contexto em que se encontram.

Há vinhos descompromissados que não abrem mão de qualidade e eu garimpo esses rótulos, vinhos que tomo regularmente de forma informal. Um desses rótulos que agora compartilho com os amigos é o VSE Classic Chardonnay*, vinho chileno elaborado sem passagem por madeira. A Vina San Esteban, é localizada no Vale de Aconcagua onde a família Vicente possui cerca de 150 hectares de vinhedos acompanhando o rio do mesmo nome encostado nos pés da Cordilheira. Nessa terras elabora, vinhos com três marcas diferentes; a VSE, a In Situ e a Rio Alto. Costumo dizer que a melhor forma de conhecer um produtor é provando sua linha básica, se aí são bons, pode apostar seu rico dinheirinho em seus vinhos de alta gama sem erro! Problema é que tem muito gente produzindo vinhos “Ícones” mas que deixam muito a desejar em suas linhas mais básicas, ainda bem que este não é o caso da Viña San Esteban.

Há momentos para aquele grande Chardonnay e há momentos, vários por sinal, para este pois com preço entre R$45 e 50,00 é um vinho que pode sim visitar nossas taças de forma mais regular. Um vinho que busca a essência da uva sem mascará-la, buscando o frescor da fruta só com fermentação em inox sem qualquer passagem por barrica. Um vinho leve, saboroso, toque de frutas tropicais típicos da casta, sutil, fresco, final algo cítrico, um vinho com cara de verão, muito agradável de se tomar. Para beber solo, só com boa companhia e bom papo, petiscando queijos, frutos do mar grelhados, lula à doré, até um peixe no forno com farofa como este na foto abaixo fruto das sobras (rs) do reveillon passado. É um grande vinho? Não, nem se propõe a isso, porém vale bem o que custa e dá conta do recado, gosto e pronto.

VSE Classic Chardonnay

Kanimambo pela visita e um bom fim de semana.

 

* Importação Almeria, à venda na Vino & Sapore e outras boas lojas especializadas.