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Tannat, Mais que Uma Uva, Uma Marca de Um País!

Não é de hoje que falo do Uruguai e seus vinhos. Minha relação com esse país nasceu antes do vinho com diversas viagens a seu pólo de moda com ótimos agasalhos e casacos de preços em conta, falo de cerca de 18 anos atrás. Daí comecei a descobrir o lugar e sua gente, especialmente sua gente!

O vinho e a Tannat vieram parar aqui no blog em Abril de 2008, já lá se vão mais de sete anos, quando pouco se falava dessa casta e menos ainda da região, a não ser CAM02344pelos eternos Luis Horta e Didu que já naquela época falavam da revolução vitivinícola que ocorria por lá. O post, clique aqui para ver, está um pouco desatualizado e precisa de uma revisão, mas as informações ali contidas dão uma boa mostra do que acontece por lá nesse mundo regido por Baco. Todo esse preâmbulo para chegar no Tannat Tour que recém visitei, lamentavelmente com pouco tempo para exploração da diversidade de produtores presentes.

Antes de falar do que vi e provei, quero ressaltar o fato de que o Uruguai não é só Tannat, assim como a Argentina não é só Malbec e o Chile só Carmenére e Cabernet Sauvignon! Vale explorar a Petit Verdot, Sangiovese, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc, Torrontés, Albariño e Viognier entre outras castas gerando belos vinhos num estilo mais velho mundista que novo mundo, mais elegantes e finos, de menor teor alcoólico. Tão perto, mas tão diferentes! Tenho montado algumas degustações de vinhos uruguaios em diversas confrarias e a surpresa tem sido enorme, abra a mente e explore esta região vale muito a pena!

Bem, como já disse participei do Tannat Tour e da Master Class onde tive a oportunidade de conhecer alguns grandes vinhos e, como tal, com preços algo altos. Para quem, todavia, só exporta cerca de 5% da pequena produção, é entendível mesmo que não desejada. Alguns destaques:

Bodega Artesana Reserva Blend de Tannat com Zinfandel e Merlot safra 2013 – o braço importador da Enoeventos do Oscar Daudt trás este vinho, o mais em conta entre estes destaques. Pequena produção (1.300 gfas), 22 meses de barrica francesa de nova imperceptíveis e muito bem usada. Blend muito bem bolado e único com a presença surpreendente da Zinfandel, de nariz muito agradável, na boca prima pelo equilíbrio, macio e algo cremoso, muito agradável. R$110,00

Pizzorno Family Estates Primo 2008, Tannat com Cabernet Sauvignon, Merlot e um CAM02346toque de Petit Verdot que sempre faz uma bela diferença, com 24 meses de barrica francesa. Me encantou desde sua atraente e sedutora paleta olfativa e na boca explode em complexidade e riqueza de sabores. Um dos melhores, mas o preço na casa das 400 pratas desanima! Só 2.000 gfas e quando engarrafado já está quase todo vendido, oferta x demanda! Vem pelas mãos da Grand Cru.

CAM02348De Lucca Rio Colorado 2008, mais um blend (não adianta sempre me chamam mais a atenção), desta feita de Tannat com Cabernet Sauvignon e Merlot com 18 meses de barrica sendo 60% francesa e o restante americana. Mais um grande vinho que no nariz me pareceu mais sutil, porém ao primeiro gole mostra a que veio! Muito vivo, marcante entrada de boca, taninos muito finos, elegante, rico, longo um vinho que mostra uma personalidade diferente e se destaca. Preço na casa dos R$280,00 trazido pela Premium.

Prelude Barrel Select 2009 da Familia Deicas, um clássico entre nós já faz anos. Nunca me entusiasmou nem entendia do porquê de tanto auê sobre este vinho. Humm, mudei de ideia! Este 2009, não sei se já tinha antes, leva Petit Verdot e se tem esta casta no corte, pode esperar por coisa boa. Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot e Marselan passando 24 meses em barrica e uma produção algo maior, já na casa das 24 mil unidades. Nariz potente e complexo, excelente na boca onde mostra uma textura e riqueza de meio de boca marcantes, taninos aveludados, longo, que grata surpresa. Na casa dos 290 Reais e é trazido pela Interfood.

Deixei por último dois puros tannats, um é Clássico e o outro Inovador. De um se produzem cerca de 15 mil garrafas do outro umas 3 mil. Ambos muito bons, mas muito diferentes entre si.

Carrau Amat 2011, de Rivera (morro Chapéu) fronteira com o Brasil, 24 meses de carvalho e mais um em garrafa antes de sair ao mercado, o Clássico, dos quais se produzem algo ao redor de 15 mil garrafas anuais. Sempre um vinho bem feito, irrepreensível , de nariz agradável que convida a taça à boca onde ele se mostra elegante, muito equilibrado, acidez muito bem colocada, gastronômico, como um clássico tem que ser, grande sem ostentação! Trazido pela Zahil, custa ao redor de R$200,00.

Viña Progreso Sueños de Elisa Tannat 2011 do jovem Gabriel Pisano, um inovador emCAM02347 sua bodega experimental. Fermentado em barrica aberta, maceração a frio usando garrafas geladas (!), estágio nas próprias barricas em que fermentou porém agora fechadas, explorando limites! Somente seis meses de estágio em barrica e 3000 garrafas produzidas, gamei e se pudesse …..!! Nariz complexo e intrigante, boca excepcionalmente sedutora com taninos muito bem trabalhados, fino, elegante, sedoso, ótimo volume de boca, um tannat encantandor onde afora os frutos negros típicos da casta aparecem notas terrosas, um vinho inebriante que custa algo em torno de R$270,00 na Vinci que é quem traz essa belezura!

Houve um comentário sobre a dureza dos taninos destes Tannats e a pergunta quanto ao tempo que eles necessitavam para se integrarem e se tornarem algo mais palatáveis? Na verdade creio que esta pergunta paira sobre a cabeça da maioria e aqui vai minha opinião em cima do que o Gabriel respondeu, depende de como você gosta de seus vinhos. Tenho um gosto pessoal por vinhos de bom corpo e estrutura tânica, porém com elegância e taninos sedosos, primando pelo equilíbrio do conjunto fugindo dos vinhos de maior extração e teor alcoólico mais altos, no entanto gostei de todos os vinhos acima mencionados, cada um em seu estilo. Óbvio que se for acompanhar algum prato, aí há que se ter mais cuidado na harmonização, mas achei os taninos, a nível geral, muito bem trabalhados e integrados ao conjunto. Aliás, essa constatação ficou clara nas degustações que promovi com vinhos uruguaios onde até quem tinha resistências se dobrou à prova na taça!

Tendo dito isso, sobrou o vinho mais velho para comentar, o Antologia 2004 de Juan Toscanini que está sem importadora no Sudeste, mas presente em alguns supermercados da região Sul do Brasil. Deste vinho não vem nenhuma garrafa das apenas 2.000 produzidas, então não adianta procurar. De todos os vinhos provados, o mais pesado de todos e, se fosse tomado às cegas, provavelmente seria indicado pela maioria com um dos mais novos em prova. Aqui sim, taninos poderosos, robustos, denso e mastigável, para comprar, se achar, e jogar na adega por mais uma meia dúzia de anos. O mais Madiran de todos.

Cacilda, falei demais! Não que isso seja uma surpresa para a maioria dos amigos leitores,rs, mas é que tinha muita coisa que merecia meus comentários e olha que ainda faltou. Kanimambo e não deixe de se cadastrar na Confraria Frutos do Garimpo clicando no banner aqui do lado. Leia mais sobre esse novo projeto meu no post de ontem.

Vega-Sicilia Único 99, Uma Lenda na Taça

Não é todo dia que temos a possibilidade e privilégio de estarmos diante de um vinho ícone. Na minha vida me lembro de alguns poucos encontros desses como com o Opus One e o Sassicaia, que nem fizeram tanto assim a minha cabeça. Não que não sejam bons, são ótimos, porém não achei que faziam jus a tanta fama. Por outro lado, outros foram inesquecíveis como, por exemplo, “meu” Andresen 1910!

Aproveito para contar um causo que ocorreu com um amigo meu daqui da loja e uma garrafa deste ícone espanhol. Esse Sr. X estava de visita a um amigo em Barcelona tendo marcado para se encontrarem num restaurante na cidade. Não querendo chegar de mãos abanando, até porque seu amigo espanhol lhe fazia os maiores mimos cada vez que vinha ao Brasil, passou antes numa loja de vinhos e comprou um Vega Sicilia Único. Ao chegar ao restaurante, desconhecendo os costumes da região, mostrou-se preocupado não sabendo se poderia abrir a garrafa e se havia taxa de rolhas, etc tendo solicitado a seu amigo que conferisse com o dono do restaurante se não haveria qualquer objeção. Seu amigo se levantou e foi em busca do proprietário voltando em seguida com ele que carregava a garrafa a garrafa nos braços como se segurasse um recém nascido. O proprietário lhe agradeceu a honra de trazer um Vega Sicilia Único para ser aberto em seu restaurante porque isso só dignificaria sua cozinha e que, não só não lhe cobraria rolha, como não lhe cobraria o prato para o acompanhar!

Pois bem, era uma garrafa dessas que abria, tremenda responsa e vega siciliaprivilégio! Nestes casos fica difícil falar do vinho, pois certamente há gente muito mais capaz que já escreveu um monte então pouco vou acrescentar ao que, provavelmente, você já leu por aí em revistas, livros e na net. O que posso falar sim, é do que eu senti. Jovem, absolutamente jovem de taninos finos bem marcados e muito presentes ainda apesar de seus 12 aninhos nas costas, anunciando que estamos diante de um vinho de longa guarda que tem tudo para evoluir muito positivamente por mais de uma década. A evolução aqui é menos aparente com a fruta ainda muito presente tanto no nariz quanto na boca, cor rubi, muito expressivo em boca com uma riqueza de sabores impressionante para um vinho produzido, também, num ano que não foi dos melhores. Aliás, nesses anos o bom senso pede que se compre vinhos de grandes produtores, sempre mais seguro! Possui um corpo de boa textura, seus taninos são sedosos e o final de boca é surpreendentemente fresco para um vinho que passou tanto tempo em barrica, muito longo, mineral e algo especiado, que nos deixa implorando por mais um gole e outro e outro ……… fazendo com que a garrafa acabe rapidamente. Um Ribera del Duero muito fino, cativante e elegante sem perder os traços de robustez típicos de seu terroir e vendendo saúde!

Muitos acham que este vinho é elaborado somente com Tinta del País (Tempranillo) porém ele normalmente leva um corte de alguma outra uva francesa; Cabernet Sauvignon, Malbec ou Merlot, muitas vezes das três dependendo muito do ano. Esta mescla de cepas nos vinhedos da bodega, data de 1864 quando Don Eloy Lecanda Chaves trouxe uma série de mudas de suas viagens a Bordeaux e só por causa disso são castas autorizadas na DOC. Neste caso, pelo que pude pesquisar, foram 10% de Cabernet Sauvignon e passa, entre os mais diversos tipos de madeira e cascos, algo como 82 meses em barricas sendo comercializado somente 10 anos após a safra correspondente, neste caso 2009! Não é o melhor vinho espanhol que já provei, tenho que confessar, mas é certamente o mais eloquente e mais marcante pois não é todo o dia que podemos levar à boca uma lenda.

Um vinho que não precisa de um momento especial para ser aberto, pois ao sê-lo faz dele um momento Único! Ainda me falta conseguir provar um Barca Velha, é sei, realmente uma falta grave em minha formação de enófilo ainda mais sendo luso, mas não tem sobrado din-din para isso e nenhum amigo ainda me convidou! rs Uma hora ainda quero tomar esses dois vinhos de uma mesma safra num Desafio Ibérico, alguém se habilita? Busco seis companheiros, mais eu sete, rachamos a conta!!

Kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui! Cheers, salud, salute, …..Brinde

Catena – Uma Visita Surpreendente!

Talvez um dos maiores preços que uma empresa paga ao crescer demasiado, é a perda de sua alma, daquilo que a fez chegar lá. Dependendo do produto, creio que essa perda é mais sentida e aí eu falo desde um escriba do vinho, que somente se atém a pontuar e a ficar nas repetitivas descrições estereotipas, até grandes produtores e seus vinhos padronizados, mesmo que eventualmente lucrativos. Em algum momento perde-se a paixão, a capacidade de se emocionar, de vibrar, de viver o momento, vive-se tão somente em prol do caixa, torna-se chato e previsível. Em geral, é essa constatação que me faz escolher para os tours enogastronomicos que elaboro, dentro do possível logicamente, produtores menores onde essa alma e paixão se encontrem presentes e onde a pessoa não seja tão somente mais um número passando no caixa. Sonho, ingenuidade, talvez um pouco de cada, mas sigo perseguindo o fim do arco-íris! rs Acredito na convivência das necessidades do caixa e de crescimento com o sonho e a paixão através de um trabalho cultural onde a alma não se perde e serve, sim, como elo de união e de preservação da identidade criando uma áurea que transcende o produto e gera resultado, a essência do negócio, uma conjunção de valores difícil de encontrar.

Esta introdução tem tudo a ver com a Catena que recém descobri em minha última visita por lá. Já tinha passado por aquelas bandas algumas vezes e sem duvida alguma é um marco na vitivinicultura argentina onde a qualidade impera e não é à toa que 70% dos visitantes a Mendoza por lá passam para obter a benção na catedral de baco. Grandes vinhos, mas …….. sentia falta de algo! Onde estava a alma do lugar?! Desta feita esteve tudo lá, do jeito que eu aprecio mostrando que meu sonho não é utópico, é viável sim! Não há necessidade de se deixar de lado a paixão e alma ao se tornar grande, muito pelo contrário, isso só vem enaltecer a qualidade de seu produto agregando-lhe valor e vem com as pessoas. Óbvio que o exemplo vem de cima, porém basta uma para fazer uma tremenda diferença e isto foi feito pela simpática Cecilia a quem agradeço publicamente, por resgatar a alma da Catena dando-a conhecer a um privilegiado grupo de pessoas que Catena Estiba Reservadapor lá passou em Abril deste ano, show! Os vinhos, que já são excelentes, ganharam ainda mais, ganharam alma e persistiram além da taça.

A visita foi genial, executada com paixão, e a “recorrida” pela sala de barricas foi única com prova de alguns dos grandes vinhos que hoje produzem, do incrível Malbec Adriana, que posteriormente degustaríamos na sala de provas, passando pelo magnifico Nicolás (obra prima) e o Estiba Reservada que há muito fazem minha cabeça (são presença constante em meu wish list) e têm como protagonista a Cabernet Sauvignon. Por trás de tudo isso, uma família e a mão de seu enólogo chef Alejandro Vigil que dispensa apresentações, um dos TOP 30 enólogos do mundo de acordo com a conceituada e respeitada revista inglesa Decanter.

Na Sala de Provas, provamos e degustamos de uma forma diferente, em função da apresentação da Cecilia, a linha Angelica Zapata e o Adrianna Malbec, grandes vinhos que resumo rapidamente.

Angelica Chardonnay – Um vinho que se encontra numa fase magnifica e provado em dois momentos, mostrou que a temperatura faz sim uma tremenda diferença. Este branco de muito boa estrutura, melhora muito se tomado entre 10 a 12º quando seus aromas explodem e os sabores se acentuam. Quase 14% de teor alcoólico, vindo do vinhedo Adrianna em Gualtallary, passa por 14 meses em barrica francesa das quais 40% nova. Untuoso, encorpado, complexo é vinho que pede comida e se pensar num vinho para aperitivar, esqueça, este é protagonista! Até quem não era chegado em brancos se curvou perante a realidade na taça!

Angelica Malbec – a classe de sempre, um Malbec que é uma referência no mercado brasileiro e que apresenta de forma muito regular, safra após safra, tudo o que se espera dele. Aquela fruta mais madura, bonita cor violáceia típica, taninos finos, tudo no seu lugar sem excessos, muito agradável de tomar.

Angelica Cabernet Franc – Um dos bons e primeiros Cabernet Franc que hoje fazem sucesso na argentina sendo a uva do momento. Boa tipicidade da uva com a violeta bem presente, bom corpo, textura de boca muito agradável, um vinho rico, complexo e muito convidativo à próxima taça! Me gusta mucho!! rs

Adrianna Single Vinyard Malbec – para mim, um dos melhores Malbecs argentinos vindo de um dos mais altos (1.400m) vinhedos da região de Gualtalarry no Vale do Uco. Extremamente equilibrado, uma acidez natural na medida certa que lhe dá um frescor e mineralidade marcantes num contraponto á concentração e taninos vivos, finos e aveludados que este vinho possui. Micro fermentação em barricas novas francesas e mais 18 meses de amadurecimento também em barricas francesas novas. Sedutor e instigante, vinho para namorar!

Mais uma etapa de nossas visitas ás bodegas mendocinas em Abril e grandes momentos vividos, gracias Cecilia! Próxima parada, já atrasados, Norton estamos chegando calma!! Kanimambo

Uau, Vinhaço!

Tinto Pesquera Reserva Especial 2003, esse é o nome da fera, um grande vinho na minha taça! Recentemente estive numa degustação do produtor promovida pela importadora (Mistral) para apresentação de boa parte da linha deste produtor. Em breve escreverei sobre a prova e comentarei os outros oito vinhos degustados, mas hoje quero compartilhar com os amigos este rótulo em especial, que me seduziu e me deixou de queixo caído!

Pesquera Reserva EspecialFiel ás sua origens, Pesquera sua cidade e Tempranillo sua uva, Alejandro Fernández nos traz essa preciosidade que é somente elaborada em safras muito especiais e a última foi exatamente essa, já com 12 anos! Deste período de tempo passou 30 meses amadurecendo em barricas de carvalho e 48 meses afinando em garrafas, praticamente SETE ANOS!!

Costumo dizer que um vinho sem adjetivos é um vinho sem alma! Pode até ser bom, mas aquele que te empolga, que mexe com tuas emoções, esse tem que ter esse algo mais e este foi farto nos “uaus” que soltei, mostrando uma personalidade muito própria, porém sem perder suas origens, baita vinho. Me lembrei de dois anúncios, um algo mais antigo e outro mais recente e que melhor exemplificam o que senti, Bom de Boca e Me deu Asas, UAU, viajei legal! rs Encantador nos aromas que, cá entre nós, não me preocupei em descobrir e sim me deletei, me deixei levar sem lenço e sem documento, sendo teletransportado para Pesquera del Duero. Para fungar por horas a fio! Na boca é uma explosão de frutos negros, meio de boca algo mentolada, complexo e sofisticado, notas tostadas, baunilha, algo terroso, mais do que beber, é para namorar!

Para quem, como eu, gosta de vinhos do velho mundo já com uma certa idade, é de lamber os beiços. Provei nessa prova alguns ótimos vinhos, mas esse, aí que saudade! Me fez lembrar, mesmo que de regiões diferentes, um Cuñe Gran Reserva 1998 que tomei há alguns poucos anos, vinhos de enorme persistência na memória, onde os grandes realmente mostram seu valor e se instalam por uma eternidade enquanto dure. Cada um tem lá seu gosto e preferências, para mim este “ser” é realmente, desculpem a redundância, para lá de especial !

Aproveitando que dentro de dias também será um dia para lá de especial, eis aí um presente para véio enófilo e apaixonado por vinhos. Salud, kanimambo, seguimos nos encontrando por aqui e, em breve, compartilhando os Frutos do Garimpo!Brinde

 

Pão e Vinho – Broa, uma tradição Portuguesa.

Ontem estive na Bienal Rouxinol e me deliciei com a deliciosa Broa Portuguesa que lá, entre poucos outros lugares em Sampa, fazem. Lembrei-me deste post de há quase 7 anos que decidi reviver e compartilhar com os amigos mais recentes. Eta coisa boa e quem conhece e gosta, certamente um grande reencontro lá na Bienal do João!

“Numa casa Portuguesa fica bem, pão e vinho sobre a mesa …….” já dizia a canção popular. Desconsiderando-se o valor litúrgico e religioso deste casamento, o que daria pano para manga, a verdade é que esta dupla sempre esteve presente desde os primórdios da história da humanidade. Em Portugal, o pão é essencial às refeições assim como o vinho, o azeite e, porquê não, um punhado de azeitonas pretas, daquelas bem pequenininhas e, eventualmente, um queijinho fresco. São dois os principais pães sobre a mesa Portuguesa, o papo-seco (“nosso pãozinho”) ou um pedaço de broa de milho.

Sempre estranhei que, apesar da imensa maioria das padarias no Brasil estarem em mão de Portugueses, era impossível se encontrar uma broa como feita em Portugal. A broazinha de fubá que se encontra por aqui é uma outra coisa. Em Portugal era o pão do campo, aquele que, durante a escassez de alimentos da segunda grande guerra, era o alimento energético dos camponeses. Com a falta de trigo, se desenvolveu este pão baseado em farinha de milho branca que se denominou como Broa de Milho. Nessa época, anos 40, se tornou famosa a sopa do Cavalo Cansado, tomada pelos camponeses na árdua lide do campo. Pedaços de broa embebidos em vinho verde tinto, com açúcar salpicado por cima. Muitas vezes se adicionava, em vez do açúcar, um pouco de azeite e eventualmente um ovo. Não tenho a mínima idéia se esta sopa era boa, cá tenho minhas duvidas, mas que deveria levantar defunto, lá isso deveria. Por outro lado, é um pão resistente que dura três a quatro dias sem quaisquer problemas.

Bem, voltemos á broa de hoje em dia, com cavalos menos cansados, que acompanha o café da manhã com um pedaço de queijo, um prato de bacalhau, coelho à caçadora ou, em especial, um bom caldo verde com paio ou chouriço. Hoje em dia, a broa é parte integrante do folclore gastronômico Português e, em especial, nas regiões do interior e Norte de Portugal como a Beira Litoral e Minho. Região de bons vinhos, confunde-se com a Bairrada, de onde vem nosso personagem o Sr. João Correia. Mais precisamente do Concelho de Vale de Cambra no distrito de  Aveiro onde sua mãe preparava broas para consumo da família. No Brasil, o nosso amigo, dono de padaria, na foto com suas crias, morria de saudades da broa da mãe. Minha mãe não tinha essas habilidades, tinha outras também muito apetitosas, mas até hoje sinto saudades das broas que como em Portugal. Minha tia que o diga. Quando lá vou, encontro sempre uma broa fresca sobre a mesa aguardando a Carne de Porco à Alentejana, sua especialidade, e um manjar dos deuses. Um dia ainda falo disso! Na casa de meus queridos primos no Cardal, idem, gosto de uma boa broa.

Pois não é que nosso perseverante amigo João, conseguiu! Ele e dois amigos conterrâneos da mesma região, conseguiram encontrar, no interior de Minas Gerais, um produtor de farinha de milho branca e compram tudo o que ele produz. A Broa da padaria Bienal de Moema na Av. Rouxinol,  819, é um achado que gostaria de compartilhar com os amigos. Muito saborosa, com a côdea, diga-se casca, bem crocante e deliciosa, é uma delicia com um pouco de manteiga ou ao natural com azeite. Normalmente o pequeno lote de broas sai do forno por volta do meio-dia, algumas vezes um pouco mais tarde, e é impossível deixar de quebrar e comer uns bons nacos de broa ali, na horinha, ainda quente. Como a quantidade produzida, em função da limitação de matéria prima, é pequena, sugere-se ligar (tel. 5054-3692) antes e reservar. Fui conferir; comi, gostei e recomendo. Para quem conhece e gosta, é um prato cheio. Que aromas, que aromas!!!

Ah, o vinho? Bem, esse foi só para compor já que o titulo é Pão e Vinho, mas é bom! rs Kanimambo pela visita e uma ótima semana para todos!

 

Surpreendente Sauvignon Blanc Chileno

Costumo dizer que vinho sem adjetivo é um vinho mudo e sem alma, porém este é tagarela e já no olfato diz ao que vem. Me aguardem, cheguei, disse-me ele meio fanfarrão e olha que não perdi por esperar!

hamb_salmaoEste encontro se deu neste último Sábado quando promovi um evento enogastronomico luso com o Food Truck Perfil de Chef do Gonçalo e Liliane em que harmonizamos pratos e vinhos da terrinha. Aí você me pergunta, que diabos faz um chileno nesse meio e eu explico! É que uma das marcas registradas do Perfil de Chef é um Hamburguer delicioso de Salmão com dill e creme de wassabi que optamos por levar ao evento como uma opção fora da curva e aí a ideia de colocar esse Sauvignon Blanc. Decisão para lá de perfeita, soberbos o prato e o vinho que juntos foram show!!

William Févre Little Quino Sauvignon Blanc 2012 da nova fronteira mais ao sul do Chile, o Valle del Malleco, ótimo para uvas que gostam do frio como Chardonnay, Pinot Noir e Sauvignon blanc como este vinho mostra. Aromas de grande expressão; frutos brancos, Little Quino Sauvignon Blancgrama molhada, notas cítricas e um tanto de maracujá, para fungar por um tempão! Na boca explode cheio de energia e frescor, muito balanceado e cítrico bem presente, boa mineralidade, com um final de boca que não acaba nunca e nos deixa com um sorriso nos lábios, eta sensação gostosa.

Sobrou uma meia garrafa do evento e trouxe para casa já pensando no almoço de Domingo a dois. Lula grelhada com um molho de azeite, limão e alho, purê de batata e arroz porque já estava prontos e eu tava com uma preguiça danada. Mais uma harmonização da hora e um belo vinho na taça que já deixou saudades. Na casa das 80 pratas, antes do aumento (mais um!!) da ST, uma bela escolha um vinho para lá de porreta!

Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer esquina de nossa vinosfera. Uma ótima semana para todos

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Prazeres Lusos na Taça e no Prato Começam Hoje

De hoje até o próximo dia 27 de Junho, ótimas opções de experimentar e se deliciar com Portugal Fixesabores lusos da enogastronomia, programas que recomendo e olha que disso, modéstia à parte, eu entendo alguma coisinha. Momentos porreiros a serem desfrutados com malta fixe se esbaldando de coisas bestiais!

1 – Hoje, A Qualimpor promove uma degustação na Casa Itaim em São Paulo para enófilos, profissionais do setor e imprensa. Qualimpor Wine Day, degustação de toda a linha de vinhos e azeites da Herdade do Esporão, Quinta do Crasto, Quinta dos Murças, Cavas Freixenet e dos vinhos do Porto Taylor´s.
O evento contará com a presença de Tomás Roquette, produtor do Crasto; do enólogo do Esporão David Baverstock e do diretor da Taylor´s Fernando Seixas, que virão ao Brasil especialmente para a ocasião. Todos apresentarão aos enófilos, profissionais do segmento e imprensa diversos lançamentos e novas safras.
Importadora exclusiva de todas essas marcas, a Qualimpor distribui e comercializa os produtos através de equipe própria e de mais de 20 representantes nos estados brasileiros, atingindo assim todo o território nacional. O Wine Day Qualimpor passará também pelas cidades: Porto Alegre, Rio de Janeiro, Sorocaba, Campinas e Santos. Ligue no SAC e veja como participar, eu não posso ir, lamentavelmente, porém recomendo e sugiro começar pelas cavas e terminar nos Portos, da hora! QUALIMPOR SAC: 0800-7024492

Wine Day Qualimpor - vinhos

2 – Experimenta Portugal dias 20 e 21 (fim de semana próximo) na Virada Cultural no Ibirapuera. As degustações exclusivas e palestras já se encontram esgotadas, porém a visita é imprescindível porque há também um forte viés cultural com shows musicais, exposições literárias, um fim de semana em cheio mergulhando nos sabores enogastroculturais da saudosa terrinha. Surpreenda-se, recomendo a visita e para conhecer a programação completa deste evento promovido com o apoio do Consulado Português, clique na imagem abaixo.

Experimenta Portugal 2

3 – FOOD TRUCK PERFIL DE CHEF na VINO & SAPORE dia 27 de Junho das 13 às 18 horas ou até que a comida acabe! Um experiência única harmonizando pratos e vinhos portugueses, veja o que montei.

Gonçalo Costa, grande chef português, tem uma trajetória de 15 anos atrás dos fogões. Esteve por 8 anos no renomado restaurante Eleven em Lisboa, restaurante com uma estrela do guia Michelin, consultor do restaurante Herdade da Malhadinha (Spa e vinícola no Alentejo), entre outros em Portugal, fez também diversos eventos por toda a Europa. No Brasil desde 2012, passou pelos restaurantes Chakras, Gusto e por último Skye (hotel Unique) em São Paulo, antes de sair para alçar voo próprio com o Truck Gourmet! Sua parceira nesse projeto é Liliane Florêncio, formada no renomado Instituto Paul Bocuse, em Lyon na França onde trabalhou no restaurante “ChezM” do MOF-Meilleur Ouvrier de France, do chef Mathieu Viannay, e no “Atelier Cook and Go” em Paris, onde desenvolveu a habilidade de fazer alta gastronomia de modo prático a um preço justo. Ambos estarão na Vino & Sapore com seu Food Truck Gourmet “PERFIL de CHEF”. O Cardápio será português neste dia e na Vino & Sapore haverão sugestões de vinhos à taça (100ml) para harmonizar cada prato, mas você pode também comprar sua garrafa ou optar por refrigerantes, águas e sucos em lata!

> Bolinhos de Bacalhau do Chef (R$2 por unidade) – Sugestão de Vinho Verde Aromas das Castas Alvarinho/Trajadura 2013 (R$10) – Minho
> Bacalhau à Gomes de Sá (R$23,00) – Sugestão de harmonização Lagar de Darei Grande Escolha branco 2010 (R$13,00) ou Grandes Quintas Colheita Tinto 2009 (R$10,0) – Dão e Douro.
> Arroz de Pato (R$23,00) – Sugestão de harmonização com Casa do Lago Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2009 (R$13) ou Casa da Passarela Somontes Colheita Tinto 2010 (R$13,00) – Lisboa e Dão
> Opção não lusa, criação dos chefs: Hamburguer de Salmão com dill e creme de wassabi (R$24,00) – Sugestão de harmonização com Little Quino Sauvignon Blanc 2013 chileno (R$13,00).
> Doces conventuais portugueses – Fatia de Toucinho do Céu, Pastéis de Belém e Travesseiros de Sintra – Sugestão de harmonização com taça (50ml) de Porto Reserva Tawny (Qta do Infantado) ou Ruby (Qta. da Prelada) (R$12,00).

A Vino & Sapore fica na Granja Viana, Km 24 da Rodovia Raposo Tavares, Rua José Felix de Oliveira 875, não dá para errar. Garrafas dos vinhos servidos em taça estarão à venda no dia por um preço especial, vem para cá ó pá!

Clipboard truck Português 2

Bem, por hoje é só. Semana complicada esta, forte resfriado e um monte de trabalho têm dificultado minha escrita e publicação de posts, mas estou retomando. Cheers, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui!

Chegamos na O. Fournier do Vale do Uco!

Sim, porque eles possuem mais bodegas em outras partes do mundo! Esta foi a segunda parada de nossa gostosa viagem a Mendoza num ensolarado Domingo, saímos da Decero e rodamos pouco mais de uma hora até chegarmos à incrível O. Fournier com seu projeto arquitetônico ímpar, moderno e marcante. Conheci a O. Fournier e o José Manuel Ortega Fournier, em uma degustação aqui em Sampa no ano passado (relatado aqui) e me encantei por seus vinhos e diversidade de uvas trazendo um pouco da cultura ibérica para este longínquo recanto de Mendoza no extremo sul do Vale do Uco. Em função do atraso, a visita á bodega e suas instalações foi algo corrido, porém sua estrutura e design, das torres de concreto que são tanques, à enorme e incrível sala de barricas e coleção de arte, um momento realmente marcante que nos deu sede e abriu o apetite para o que estava por vir, um delicioso almoço harmonizado no restaurante Urban capitaneado pela Chef Nadia, esposa do José Manuel.

O Fournier 2Chegamos na O. Fournier e realmente é de encher os olhos valendo toda a distância percorrida. Um projeto arquitetônico impressionante e arrojado, vista linda e eu bem que fiquei de olho num lote de 2 hectares bem de frente ao lago, mas o caixa anda baixo! rs A O. Fournier é de José Manuel Ortega Fournier um ex executivo internacional de bancos renomados, espanhol que entrou para o mundo do vinho com este projeto em Mendoza nos idos de 2000. Depois, em 2002 veio o projeto de Ribera del Duero na Espanha e mais recentemente iniciou um projeto no Chile onde produz algumas preciosidades também.

À primeira vista parece que um OVNI pousou por aqui, o projeto da bodega é realmente diferente e marcante. Por aqui, fazendo companhia às “mais comuns” Malbec, Syrah e Cabernet, encontramos a Tempranillo que fala mais alto em seus vinhos e um pouco de Touriga Nacional (ambas presentes no B Crux que me encanta e já mencionei em outro post) que dão uma personalidade diferente a seus vinhos.

Num almoço divino e marcante, tivemos a possibilidade de provar alguns vinhos e CAM01807sermos presenteados com uma raridade que me seduziu em meu primeiro encontro com os caldos desta vinícola. A bodega é rodeada de lotes que estão à venda (veja aqui) e podem fazer de você um “vinheteiro” em Mendoza no Vale do Uco, eu fiquei tentado,mas falta bala na agulha para este escriba. Tivesse e certamente encontraria meu cantinho por lá onde outros já têm seus lotes e fazem seus vinhos com rótulos próprios!! Agora tá na hora é de falar dos vinhos que escolhi para serem servidos pois mostram bem a diversidade de sua produção:

B Crux Sauvignon Blanc – um vinho marcante e cheio de personalidade sem perder a tipicidade da casta. Grama molhada, frescor, é fechar os olhos e lembrar de um gramado pós chuva. Intenso, fresco, cítrico, boa textura, um Sauvignon Blanc de manual que agrada sobremaneira

Urban Blend Tempranillo/Malbec – o melhor desta gama de vinhos médios, há uma linha de entrada abaixo desta, que mostra um grande equilíbrio e riqueza de sabores. Leve passagem por barrica (3 meses), nos presenteia com uma certa complexidade em que a fruta madura se mistura com notas de especiarias, tosta, corpo médio, um vinho muito prazeroso com preço módico que seduz palato e bolso! rs

B Crux Blend – já comentei este vinho e o acho o melhor custo x beneficio desta vinícola, um grande vinho que surpreende os mais incautos. De gama média alta, frutado, sem excessos, boca de boa estrutura e complexa, taninos finos presentes, médio corpo par encorpado, bom volume de boca um vinho de muita personalidade que vale bem o preço. sempre algo a considerar! Corte de Malbec, Tempranillo e Touriga Nacional, gooosto!

Alfa Crux Malbec – recentemente premiado internacionalmente, é um dos grandes malbecs argentinos da atualidade tendo sido classificado em 25º lugar entre os TOP 100 da Wine Spectator do ano passado. Textura aveludada, taninos macios, untuoso, frutos negros, muito bom equilíbrio, baunilha, final de boca especiado e longo, um belo vinho que se mostrou muito bem integrado.

Alfa Crux Blend Magnum 2001 – um regalo com que fomos premiados ao final de um estupendo almoço. Este vinho, raro por aí, obteve o troféu na Wines of Argentina Awards em 2004 e hoje existem pouca e raras garrafas escondidas por aí nos mais remotos recantos do mundo e uma pequena quantidade na adega especial do José Manuel na bodega em Mendoza. Um deleite hedonístico de pura elegância e finesse absolutamente sedutor. Já falei dele aqui no blog, mas nunca é demais repetir: “seu primeiro vinho produzido em Mendoza do qual sobram poucas garrafas no mundo e que detem um Troféu de Melhor na Categoria na Wines of Argentina Awards. Tempranillo de 70 anos de idade, Malbec de 80 anos e Merlot de vinhedos mais jovens. Acidez bem presente ainda mostrando que ainda terá alguns anos pela frente, fino, sofisticado, daquele estilo de vinho que deveria vir á mesa de fraque e cartola.”

Domingaço!! Por estas e por outras é que vale a pena seguir “viajando” por esta nossa vinosfera! Abaixo o tradicional slide show com algumas lembranças desta agradável visita que vale cada quilômetro rodado. O almoço foi excelente, mas um prato realmente me impressionou a rabada. Ela é desfiada e depois de pronta volta ao osso no prato se desfazendo na boca! O risoto estava divino e os croquetes de couve flor “exquisitos”, uma delicia que recomendo aos amigos conhecer numa próxima viagem a Mendoza. Quem sabe até lá o hotel deles não esteja pronto?!

10IMG_8320Salud amigos e kanimambo.

Winebar Salton, Um Ano Depois!

Salton Lucia 1 - cápsulaSalvo engano, faz quase um ano que participei do encontro que a vinícola também promoveu neste Winebar e agora cá estamos de novo. Por filosofia de vida, sou extremamente coerente e há muito deixei de falar aqui de diversos produtores nacionais em função das tentativas de golpe contra o consumidor ao sugerir implantar salvaguardas contra os importados. A Salton, entre os grandes, foi o único que teve uma atitude à altura declarando-se, publicamente, contrário á aberração que alguns tentaram nos enfiar goela abaixo e, por isso, sigo falando deles. Me chamen de xiita, mas é assim que penso e pago o preço, mas deixa pra lá!

Enfim, o papo é outro, hoje venho compartilhar com os amigos minha opinião sobre os vinhos que degustei desse último Winebar de que participei, por alguns poucos minutos, tendo posteriormente e com mais calma degustado os dois espumantes e vinho tinto recebido. Acho que já comentei isso aqui, mas nunca é demais frisar, a Salton possui uma das melhores relações custo beneficio entre os produtores nacionais e é um porto bastante seguro pois desde seus vinhos de entrada de gama a qualidade costuma estar sempre presente.

Desta feita a vinícola nos enviou, a mim e diversos outros escribas do vinho, três vinhos para provar e comentar, vejam o que achei:

Salton proseccoProsecco – não entendo porquê ainda seguem usando essa marca nos espumantes produzidos no Brasil com a uva Glera (ex-prosecco) e acho que precisamos nos adequar ás normas mesmo que estas sejam somente inerentes à produção na união europeia (não sei se a OIV chancelou essa mudança de 2009), mas enfim esse é um outro papo para um outro momento, porém achei que cabia o toque. O espumante é saboroso, boa perlage (apesar de a foto não mostrar!), que é uma característica da casa, algo magro e leve que me pareceu ser feito pensando claramente no mercado de festas e eventos descompromissados. Fácil de tomar, fresco, cítrico, brut não muito seco porém menos doce que os Extra-dry italianos, certamente deverá ser um hit no verão (inclusive pelo preço na casa dos 35/40 Reais) quando o consumo aumenta e muiiito! Ótima opção para quem busca algo no estilo e melhor que a maioria dos vero proseccos italianos nesta faixa de preço.

Salton Desejo Merlot – Como o Talento, que prefiro já que sou fissurado em blends,Salton Desejo um vinho muito bem feito e sempre cumpridor! Este Merlot mostra bem porquê desta uva ser tão marcante no Sul especialmente no Vale dos Vinhedos, para mim a melhor uva “brasileira” produzindo ótimos vinhos e não deixa nada a desejar para a maioria dos chilenos e argentinos que por aqui andam! Um vinho muito prazeroso, sutil e equilibrado, boa paleta olfativa que convida à taça, madeira (tem um ano de barricas) bem integrada dando suporte e não se sobrepondo á fruta,( talvez em função do ano de maturação em adega antes de ser lançado ao mercado), corpo médio, frutos negros, com algumas notas terrosas mostrou ser uma grande companheiro para o strogonoff (bastante cogumelo) de Domingo e não sobrou gota. Foto horrível, mas por um preço na casa dos 65 a 75 Reais me parece uma barbada!

Salton Lucia 2Lucia Canei Brut – Um grande espumante em minha modesta opinião e uma enorme surpresa! Com pouco mais de cinco mil garrafas produzidas, é um assemblage de uvas Pinot Noir de vinhedos próprios, homenagem à Nonna, a matriarca da família Salton, produzido pelo método tradicional com 18 meses de autólise. No visual (Garrafa/Rótulo/Cápsula) primeiro impacto positivo que já indica estarmos diante de algo diferente e traz, para a taça, uma responsa e tanto! Ao abrir, a primeira impressão visual se confirma, um rosé salmonado de cor sedutora e um buquê sutil de notas florais e frutos vermelhos que convida a levar á boca. Perlage abundante e persistente, boa espuma que forma um bonito colar e na boca não deixa duvida de que estamos tomando um dos espumantes top do Brasil, pelo menos para meu gosto e na minha modesta avaliação hedonística, tendo me seduzido por completo, uau! Frutado, fresco, toques sutis de brioche, de pedir bis e bis e bis! O preço de R$150,00, todavia, achei que ficou algo salgado, mas está em linha com seus pares no mercado.

É isso meus amigos, uma ótima semana para todos e namorem muiiiito, afinal dia 12 está aí e esse Lucia Canei pode ser uma ótima escolha de brinde! Não deixem para o dia, aproveitem e façam festa a semana inteira. Saúde, kanimambo e se precisarem de algo especial para dia 12, estarei de plantão na Vino & Sapore a partir de amanhã (Terça) das 14 até as 20 horas, vem!

Os Shiraz Australianos e Seus Terroirs

A Shiraz virou símbolo dos vinhos da Austrália assim como a Malbec da Argentina, Zinfandel nos EUA, Tannat no Uruguai e, menos bem sucedidas, a Carmenére no Chile e Pinotage na África do Sul. Em qualquer desses países existe uma diversidade bem além dessas uvas, na austrália não é diferente, porém nesta degustação minha intenção é explorar a diversidade de terroirs, no lugar de uvas ,provando alguns belos exemplares do Oeste Australiano, Sul da Austrália e Nova Gales do Sul. Será que as características dos vinhos das diversas regiões são diferentes e se mostram claramente na taça? E de vinhos da mesma região? Serão tão somente 12 lugares disponíveis e antes de publicar este post já tenho quatro reservas então só restaram 8 lugares!

australia_wine_regions_map

Dia 16 de Junho (Terça-feira) a partir das 20 horas na Vino & Sapore, promoverei a degustação temática de Shiraz da Austrália com os vinhos abaixo. Importante notar as safras, pois afora avaliar os vinhos poderemos avaliar como estes evoluem em garrafa com fechamento com screw cap x rolha, pois escolhi vinhos na maioria com mais de dez anos com ambos fechamentos ou seja, hora de quebrarmos paradigmas!

West AustraliaMargaret River > The Ripper Shiraz 2004 (R$149) e Sandalford Premium 2004 (R$210)Clipboard
South AustraliaClare Valley > Jim Barry Lodge Hill 2011 (R$199,00)
Barossa Valley > St. Hallett Faith 2004 (R$169,00)
McLaren Vale > Tatachilla 2004 (R$185,00)
Nova Gales do SulRiverina > Calabria 3 Bridges Shiraz 2005 (R$169,00)

Como o papo é sobre a Austrália, os amigos que vierem serão recebidos pelo gostoso Eternity Cuvée Brut elaborado com semillon, preparando o palato para o que está por vir. Custo, já incluso água, queijo, chorizo espanhol, pão e café, R$125 por pessoa (pagos no ato da reserva) lembrando que o estacionamento é na faixa! Estes e outros vinhos (24 rótulos) de Down Under, como os ingleses chamam a Austrália, estão disponíveis na Vino & Sapore em função na nova parceria que fiz com a KMM, a primeira e a principal importadora de vinhos australianos no Brasil

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Não deixe para depois, garanta já seu lugar, as vagas costumam se esgotar rapidamente. Abraço, uma ótima semana e kanimambo e espero vos encontrar nos sabores de Down Under?