Na Minha taça

Provando vinhos do Guia Descorchados 2020.

Gratas surpresas, mesmo que não necessariamente para meu bolso, mas encontrei rótulos fora da curva que me seduziram, então, me realizei! rs

Na ausência do evento anual físico ao qual tradicionalmente não vou por achar muito difícil produzir algum resultado numa aglomeração tremenda de gente e vinhos, desta feita a organização optou por um outro formato. Pequenos grupos provando in loco com distanciamento e participação virtual do Tapias e dos produtores. Formato que gostei bastante, pena que só pude participar da primeira parte que era pela manhã quando provamos 14 vinhos com foco no Chile e Uruguai.

Dos 14 vinhos, os quais comentarei de forma suscinta abaixo, com o preço sempre que possível, dois me encantaram e gostaria de eventualmente colocar no portfolio da Vino & Sapore caso haja condições comerciais para isso. Óbvio que muito depende de preços, mas esses dois me encantaram.

Bodega Océanica José Ignacio Albariño (uruguaio) – sou luso, meu parâmetro de Alvarinho é Minho e Galicia, então tenho uma certa dificuldade em encontrar tipicidade desta uva nos vinhos desta uva produzidos na América do Sul. É um bom vinho, mas falta tipicidade na minha opinião. GD 95 pontos e sem importador no Brasil, pelo menos que eu saiba.

Dagaz Itatino Cinsault (Chile) – gosto deste estilo de vinho e a Cinsault reina lá pelos lados de Itata. Passagem por ovos de cimento e ânforas de cerâmica preservam a fruta gulosa, taninos suaves, fresco, leve um vinho para tomar refrescado nesta primavera verão que está por chegar. Preço na casa dos 120 a 130 Reais. GD 92 pontos

Bisquertt La Joya Single Vineyard Merlot 2016 (Chile) – não fez minha cabeça. Às cegas diria que era um carmenére com toques verdes bem pronunciados, algo químico, me pareceu um pouco desiquilibrado com muitas arestas. Preço na casa dos 200 Reais e GD 91 pontos. Estou achando que não entendi o vinho.

Baron Philippe de Rothschild Escudo Rojo Reserva Carmenére 2018 (Chile) – muito boa safra no Chile e este vinho mostra isto me surpreendendo já que não é das uvas que mais me atraem. Poucas notas verdes, taninos finos, boa fruta, equilibrado e final aveludado. Preço na casa das 150 pratas, dólar não está ajudando! GD 90 pontos

Korta Barrel Selection Reserva Carmenére 2016 (Chile) – da região de Curicó, notas verdes bem presentes, final especiado, num estilo que não me seduz e um que, a meu ver, destoou, dos demais. GD 88 pontos

Montes Alpha Carmenére 2018 (Chile) – mais um vinho de 2018 com boa tipicidade, cor densa, bom volume de boca, 12 meses de barricas mix de novas e usadas, algo quente na boca, vinho que não nega nem a uva nem seu produtor. Preço no importador, 220 pratas. GD 92 pontos

Viu Manent Secreto Carmenére 2019 (Chile) – de Colchagua, 15% de outras uvas não divulgadas (secreto), cor rubi escura, nariz mais frutado, colheita parcialmente antecipada para obter maior acidez, barricas para somente 30% do lote, final herbáceo de taninos finos. Interessante, preço na casa das 140 pratas. GD 92 pontos

Esse foi o último do flight de carmenéres. Como disse, não é uma uva que me encanta, porém gosto e qualidade não são necessariamente a mesma coisa e a qualidade estava lá. Em minha humilde opinião, a maior surpresa inclusive com relação a custo foi o Escudo Rojo e o meu escolhido como melhor Carmenére entre os provados.

Los Boldos Vieilles Vignes Cabernet Sauvignon 2018 (Chile) – Mudamos de uva, mas ficamos na safra! De Cachapoal Alto (Andes), leva um tico de Syrah, que pode variar entre safras de 5 a 10%, que se mostra numa certa picancia de final de boca. Fruto maduro sem excesso, elegante, sem aquela presença por vezes irritante de piracina (pimentão), equilibrado, taninos aveludados, uma grata surpresa, mas na casa das 290 pratas tinha que performar e o fez. GD 92 pontos

Perez Cruz Pircas 2015 (Chile) – de Maipo Alto (Andes), mostrou uma cor rubi vibrante, é um clássico Cabernet Chileno com a piracina aparecendo de forma sutil sem “queimar” o conjunto. Notas mentoladas, frutos frescos, taninos finos e muito boa estrutura. A Perez Cruz é famosa por seus Cabernets, mesmo não sendo num estilo que me agrada, é um belo vinho na casa dos 220 Reais. GD 94 Pontos

Miguel Torres Manso de Velasco 2014 (Chile) – do gigante espanhol que produz na Espanha um dos melhores Cabernets Sauvignon que já tive a oportunidade de provar (Mas La Plana), possui um forte braço no Chile onde já atua há mais de 40 anos e também nos EUA. É um clássico Cabernet Sauvignon chileno muito cultuado e advindo de vinhedo centenário em Curicó, notas tostadas, especiarias, fruta abundante, ainda jovem, taninos ainda bem presente mostrando grande estrutura, herbáceo bem presente,  é um vinho para guardar e tomar lá para 2024, mas não chega a seduzir apesar de ter uma legião de fãs dele e do estilo. Não é para muitos, produção pequena, ícone, preço acompanha, algo acima dos 400 Reais.

Errazuriz Max Reserva Cabernet Sauvignon 2018 (Chile) – Mais um clássico da uva e da região. De Aconcagua, um tremendo de um Cabernet Sauvignon que mesmo tão jovem já mostra toda sua grandeza. Muito rico meio de boca, nariz sedutor de boa intensidade, ótima textura, muito equilibrado com bom volume de boca e taninos muito finos com final de grande persistência. Tremenda elegância, estilo e vinho que me conquista o coração, então, para mim, melhor Cabernet Sauvignon entre os provados que está no mercado por algo como 200 pratas o que acho ser uma baita relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer), a melhor entre os vinhos provados. GD 92 pontos

Familia Traversa Noble Alianza 2018 (Uruguai) – o primeiro dos blends provados (foram 3) é uruguaio e um curioso corte de Tannat com Cabernet franc e Marselan de uma safra que, também por lá, foi muito boa. A ideia por trás da escolha das uvas foi; Tannat pela cor e estrutura, Cabernet Franc pelo frescor e a Marselan pela fruta e capacidade de arredondar o corte. No nariz a Marselan se mostra mais presente, mas sinceramente não acho que funcionou pois mostrou-se algo desiquilibrado, um certo amargor de final de boca, não rolou, mas … Enfim, em torno das 50 pratas, vale testar, vai ver o Tuga aqui está sendo crica demais! rs GD 92 pontos, acho que este também não entendi! rs

El Capricho Winery Aguará Tannat Blend 2018 (Uruguai) – pequena e jovem bodega de meros 7 hectares de vinhedos situados a 250km ao norte de Montevideo. Capacidade instalada para apenas 80 mil garrafas mas ainda longe desse volume, a bodega nasce de um “capricho” de dois amigos querendo fazer vinhos de autor de alta qualidade, com baixa intervenção e práticas de sustentabilidade nos vinhedos e cantina. Se for pelo exemplo deste vinho, objetivo alcançado, gamei! rs Meras 1100 garrafas produzidas e o blend com Cabernet Sauvignon e passagem de 18 meses por barricas novas francesas. Power com tremenda elegância, entrada de boca marcante e muito rica, bom volume, frutos negros abundantes com notas abaunilhadas muito bem trabalhadas, vinho que costumo classificar como egoístico, não dá para dividir a garrafa com muitos não! O preço acompanha, não tem jeito, e não é para o meu bico, mas as 400 pratas que pedem por ele no mercado valem dentro do que é nossa realidade tupiniquim de preços. GD 93 pontos.

Bodega de Aguirre Pater Familiae Heredium 2015 (Chile) – este chileno foi mais um que mexeu com minhas emoções, tremendo vinho. Um corte de Cabernet Sauvignon de Colchagua com Carmenére de Peumo (melhor região para esta casta) que mais uma vez me fez cair o queixo. Aromas sedutores, muito boa e rica entrada de boca, ótima textura de meio de boca, fino, elegante, taninos aveludados e final longo mostrando-se um conjunto sem arestas e muito equilibrado. Um vinho sofisticado que me deixou curioso para explorar o restante de sua linha de produtos e mais um vinho egoístico nessa prova, os dois que mais me seduziram entre diversos bons exemplares apresentados. O preço é em linha com este nível de vinho e ainda por cima com o câmbio desfavorável o que não ajuda em nada, anda na casa das 400 pratas mais ou menos 20. GD 94 pontos.

Tenho que confessar que minhas pontuações (não divulgadas salvo quando participo de alguma bancada de degustação em que isso seja necessário) ficam tradicionalmente bem aquém das avaliações do GD, todavia no caso do Aguará e do Heredium, periga eu dar até um ponto extra! rs É isso, o que era para ser curtinho se estendeu bastante, me entusiasmei, faz tempo que não escrevo e ando represando artigos devido à falta de tempo. Kanimambo, saúde sempre!!

Y Tú, de Quién Eres?

Senta que lá vem história, meu primeiro vinho glu-glu, termo muito usado pelos amantes dos vinhos naturebas para descrever um vinho fácil de tomar, de golão! Vinho para tomar refrescado, até em copo de requeijão (heresia? rs) num bar qualquer de beira de estrada ou num Pueblo qualquer sem enochatisses, porque cada um é cada um. Por lá, um vinho de mesa, de “Pueblo”, mas deixa eu contar essa história vai?

O nome nasce de uma indagação dos anciões antigos de pequenos pueblos espanhóis quando um jovem que não conheciam aparecia, “Y tu de quien eres?”, e tu a que família pertences? Neste caso, do vinho, a resposta é, a um Pueblo! O local, Casas Ibañez, Albacete, a cerca de 100kms de Valencia, o produtor Bodega Gratias que trabalha com foco na elaboração de vinhos com uvas autóctones locais, mínima intervenção, adoção de processos artesanais e ancestrais, produzindo vinhos como antigamente. Jovens, resgatando a história local de fazer vinho e preservando castas autóctones.

Este vinho tinto, possuem um branco também de produção ainda menor e que ainda não provei, foi viabilizado através de um sistema de “crowdfunding” pois o projeto é muito pouco rentável em função da baixa produtividade dos vinhedos antigos com castas plantadas todas misturadas, neste caso todas autóctones e boa parte delas em risco de extinção. Entre as muitas castas que compõem este multivarietal ou field blend como gosto de chamar (no Douro as Vinhas Velhas costumam ser plantadas assim) castas como bobal, marisancho, teta devaca, pedro juan, morávia agra, morávia dulce, pintaillo, cegivera, rojal, valencín, albillo, etc..

A seleção de cachos é feita no vinhedo e os cachos colocados inteiros em tanques de 5 hectolitros onde fermentam de forma natural. Posteriormente, passam por um processo de “crianza”, tempo de afinamento, parte em inox, parte em barricas e parte em ânforas de barro. Com apenas 5300 garrafas produzidas, é um vinho para tomar de golão, o tal do glu-glu como mencionei no inicio deste post. Se você ficou interessado, sugiro entrar no site deles (www.bodegasgratias.com) e pesquisar um pouco mais.

Bem, ainda não falei do vinho! rs Esse estilo de vinhos pode e a maioria possui, aromas algo diferenciados que nos fazem remeter mais a cantina, taberna (estou viajando mas me permitam isso!) e alguns chegam ao exagero, este não, essa marca está lá, mas de forma sutil e sedutora. Tem uma bela cor vermelho cereja, com aromas de cantina, de frutas vermelhas e algo de mirtilos, especiarias, notas herbáceas de temperos verdes, e leve lembrança de kirch. Corpo médio, a adstringência na entrada da boca lhe confere um ar rústico que não tira seu charme, algo de salumeria, boa sensação frutada que lembra frutos negros e mostra um frescor muito interessante de final de boca que deixa uma sensação de quero mais na boca e um sorriso no rosto.  Eu curti demais, melhor se levemente refrescado a 14/15ºC, e me deixou curioso de conhecer esta bodega in loco!

Eu que não sou exatamente um apoiador dos vinhos naturais, tenho que me render ao fato de que há sim vinhos bem feitos que merecem ser conhecidos e este é um deles. Minha posição sobre isso é muito clara, o vinho tem primeiramente ser bom e palatável, depois se for orgânico melhor e bio ainda mais, questão que me parece lógica. Aceitar vinhos pouco palatáveis, de aromas esquisitos e pouco convidativos porque são naturais, não faz minha praia, mas cada um é cada um.

Como disse, gostei e recomendo. Para acompanhar, boa companhia para começar!! rs Depois, se estiver a fins, uns tapas, salames, queijo manchego e uma boa prosa. Ufa, falei um monte hoje, fazia tempo que um texto não fluía assim. Kanimambo pela visita, saúde, cheers, salute, salud, prosit, …

Todo o Dia é Dia

Quem faz o dia é você, basta querer. Não, não é um post de auto ajuda, apesar de que se pensar bem tem um algo de! rs Uma garrafa de vinho e um pouco de boa vontade na cozinha opera milagres, melhor que muita terapia. Ontem, Segunda-feira, quebrei a rotina, fui para a cozinha preparar um agradável jantar com minha loira e não, não foi dia da mulher, aniversário de casamento ou coisa que o valha. Deu vontade!!

Enfim, voltando de uma reunião em São Paulo e depois de mais de hora numa Raposo Tavares travada por um veículo quebrado na pista da esquerda, passei no hortifruti para comprar uma cartela de camarões e lá me fui para casa. Primeira coisa, antes de limpar o camarão e depois de um beijo na loira (rs), abrir um vinho e este tinha tudo a ver com o dia quente e o risoto que me meti a preparar, um Rosé novo que precisava provar. Trabalho, sempre trabalho!!

Loma Negra, já provei o Sauvignon Blanc que gostei demais e postei Sábado no Face, este está um pouco abaixo, mas ótimo em sua faixa de preços, abaixo das 50 pratas. Eu gosto e recomendo, a maioria das vezes dá certo, de harmonizar por cor (um dia falo disso), mesmo que não haja razões técnicas para isso e o tema não seja alvo dos grandes criticos, neste caso a “maridage” de rosé e camarão é sempre um tiro certeiro como foi nesta agradável noite com o risoto de camarão com um toque de limão siciliano e do próprio vinho.

Vinho fresco, frutado lembrando frutos vermelhos frescos, sem doçura, seco, notas cítricas, toque sutil herbáceo, refrescante que não pretende ser grande e sim te dar prazer, coisa que fez com galhardia, pelo menos para nós. Do Vale Central, Chile, blend de Cabernet Sauvignon e Merlot sem passagem por madeira porque preservar frescor é essencial, um achado e um tremendo de um best buy. As fotos, como sempre, não fazem jus à bonita cor do vinho que está melhor na primeira foto. Mais uma dica, harmonize com salmão (cor de novo! rs), mais uma dose de prazer na veia!

É isso por hoje, be happy! Bom vinho (não precisa ser caro), boa companhia e um bom prato, esse trio faz de qualquer momento um evento e ainda por cima sem gastar muito que o mar não está para peixe e muito menos para camarão (rs), por menos de 90 Reais jantamos os dois e com vinho! Kanimambo pela visita, tenham um ótimo dia e saúde!

Rosé com Good Vibrations

Casa do Lago Rosé é o nome deste exemplar de rosé português que tem tudo a ver com nosso verão. Realmente um vinho delicioso, muito fresco, frutado, cerejas frescas, leve mas não ligeiro! Cem porcento Touriga Nacional da região Lisboa, só passagem por inox, um mês em garrafa e já sai para o mercado, pronto a beber e a seduzir. Vinho para ser tomado jovem em seus primeiros três anos de vida, mas quanto mais jovem melhor. Vinho de verão, para acompanhar frutos do mar, comida japa, para bebericar com os amigos sem compromisso, mas com qualidade que é uma marca da DFJ que o produz. Cheio das medalhas, rs, foi apontado como o melhor rosé de 2016 pela revista portuguesa Grandes Escolhas. Para mim um vinho alto astral, vibrante que não me cansa e me faz feliz, sem frescuras, sem complexidades, que deixa a emoção tomar conta da razão, vinho para curtir sem parcimônia.

Se fosse uma música seria Good Vibrations dos Beach Boys e daí a chamada! rs Abra a garrafa, clique no link abaixo e depois me diga se estou errado! Preço de mercado em torno de R$80 uma boa pedida para este verão e férias de final de ano, eu curto e recomendo. Kanimambo e aos poucos retomarei o ritmo por aqui, tem coisa demais represada, saúde!

Crianzas na Confraria

Com Z mesmo porque falo de vinhos espanhóis que compuseram o kit do mês de Outubro da Confraria Frutos do Garimpo. Na Espanha para um vinho ser Crianza (conceito que vem de criar, de maturação e não de jovem) ele tem que passar um período mínimo de maturação de 24 meses antes de ser colocado no mercado sendo que com um mínimo de 6 meses em barricas, sendo que em Rioja, como em Ribera del Duero e algumas outras regiões, o Concelho Regulador determina nada menos do que 12 meses e o restante em garrafas.

Com o apoio dos amigos Juan e Alexandre da SYS (importadora dos vinhos), escolhi dois rótulos de vinhos Crianza para a confraria, bem diferentes um do outro, mas dois vinhos que certamente têm seu espaço na minha taça dependendo do momento e da proposta gastrônomica.

Marqués de la Carrasca Crianza 2014 é um corte de Tempranillo com Cabernet Sauvignon e Syrah que é algo incomum, mas dentro das normas da DO La Mancha, a maior região produtora de Espanha. Afora o equilíbrio, o que mais me chamou a atenção neste vinho foi sua acidez marcante. Sua “crianza” em barricas é de 8 meses, sendo 25% francesa e 75% americana, certamente usadas. No nariz, possui uma intensa presença de fruta muito bem integrados às sutis notas de carvalho. Na boca, mostra boa textura, corpo médio, com um final de boca de persistência média e fresca, deixando na boca aquele gostinho de quero mais. Fácil de agradar, pronto, a garrafa tende a durar pouco! rs Preço médio em São Paulo entre R$90 a 95,00.

Montes de Leza Crianza 2015, que belo Rioja com muito anos pela frente de garrafa. Possui, para quem ache importante, 90 pontos de James Suckling, medalha de prata no concurso de Bruxelas, vem de Alavesa a parte mais ao norte da DOC Rioja e é 100% Tempranillo com passagem de 12 meses por barrica nova que lhe dá aquele toque amadeirado típico dos vinhos desta região. Apesar de jovem já se mostra bastante integrado e equilibrado com a madeira presente, porém sem ser agressiva. Frutos intensos com destaque para ameixa escura fresca, a acidez é outro ponto que me chamou a atenção, bom volume de meio de boca, rico e complexo, encorpado mas não pesado e com grande persistência. Um vinho de outro patamar de qualidade, para outros momentos mais gastronômicos. No mercado (SP) por volta dos 170 Reais.

Dois bons vinhos Crianza, cada um com seu estilo e propostas próprias porém um só objetivo, nos dar prazer e isso eles fazem bem. Como sempre, você é o juiz, prove e tire suas próprias conclusões, certamente os confrades que levaram os kits do mês o farão.

Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui sempre que der. Saúde!

Bulldog Branco na Taça

Da DFJ, região Lisboa em Portugal, vem mais este vinho branco para me fazer companhia ao almoço de Sábado. Há mais de dez anos atendendo e servindo culinária chinesa, boa e de bom preço, por aqui na Granja Viana, o Xin Hua desta vez me trouxe um bom Chop Suey de frango para saciar minha fome neste Sábado algo morno.

Para ornar, e ornou (rs), um Bulldog Blend Branco. Um corte de Arinto, Fernão Pires (Maria Gomes), Alvarinho e Chardonnay sendo que este último passa por 12 meses em barrica francesa de primeiro uso. O saldo é um vinho muito bem elaborado de médio corpo (Chardonnay e Fernão Pires garantem isso), fresco (Arinto e Alvarinho), uma certa untuosidade, bem seco, equilibrado, notas cítricas, toque mineral, boa persistência, uma boa surpresa na taça com preço ao redor de R$80 em média no mercado de São Paulo.

A harmonização ficou muito boa e acho que acompanhará bem carnes brancas em geral, peixes, crustáceos, ceviches um vinho bastante versátil e gastronômico, gostei. Como sobrou, de Sábado sempre sobra, terminei com ela fazendo mais um teste, desta feita com um Risoto de Camarão home made.

Gente, o que eu já tinha gostado, agora extrapolou! Terminei o Risoto com queijo Brie, a liga foi perfeita e me lambuzei tudinho!! rs Harmonizar não é, nem deve se tornar uma obsessão, mas convenhamos que quando orna a coisa muda de patamar ainda mais se bem acompanhado e eu, há 43 anos, ando bem acompanhado, praise the Lord, o que torna qualquer tentativa de harmonização meio caminho andado! rs O prato ganhou peso e untuosidade que se casaram à perfeição com o vinho, sábia escolha esta. rs

Enfim, esta garrafa veio da Lusitano Import que me enviou o vinho para prova e como gostei, cá estou compartilhando com os amigos, prove você e comprove, faça seu próprio juízo de valor, pois essas são apenas as minhas impressões.

Por hoje é só! Kanimambo pela visita, saúde e até um próximo encontro.

E Santa Catarina Segue Surpreendendo!

Há muito que digo que o futuro de vinhos finos de qualidade no Brasil está aqui e na Campanha Gaúcha. Este espumante em minha taça é mais uma prova disso, Panceri Brut Champenoise.

A Vínicola Panceri, inaugurada em 1990, está localizada em Tangará, no meio oeste Catarinense a cerca de 1000 metros de altitude, faz parte de uma região pouco explorada pelo enoturismo em função da falta de um aeroporto de acesso, o de Caçador está inativo, uma pena. Na região encontramos també a Villaggio Grando (Água Doce), Santa Augusta (Videira), e a Kranz (Treze Tilias) , ótima pedida para um passeio de 3 dias pelo pedaço, especialmente para quem puder se deslocar de carro. Fica longe do outro foco do vinho catarinense, a região de São Joaquim, então difícil visitar as duas de uma só vez, viagem para mais de uma semana!

Eu não conhecia os vinhos desta vinícola, mas aproveitando que uma amiga estava por lá, pedi uma caixa com uma amostra diversa de seus vinhos e já me deliciei com o primeiro que abri, até porque aprecio muito provar coisas diferentes. Na taça, Panceri Brut elaborado pelo método clássico (champenoise) com Sauvignon Blanc, eis aí algo que eu ainda não tinha provado! Nossa vinosfera é pródiga nisso, há sempre algo novo a ser provado, cuidado com aqueles que dizem saber tudo, já é falso em geral, mas neste mundinho impossível!! rs

Medalha Gran Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2017 (realizado no Brasil), o espumante é muito bem feito, com bonito colar de espuma, ótima e abundante perlage, muito fresco na boca, frutado, cítrico, com sutis notas de brioche roubou a cena num “chá” da tarde (rs) com amigos em que estavam presentes um Rioja e um Petit Verdot chileno. Se mais garrafas houvessem, mais seriam bebidas, ficou na boca um retrogosto de quero mais! Lá, na vinícola, custa 60 pratas, tremendo preço, porém aqui em Sampa (se acharem) acredito que deva chegar por volta de 75 o que segue sendo uma ótima relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer).

Tenho outros rótulos a provar e se tiver algo mais que me surpreenda novamente virei aqui compartilhar com os amigos. Este eu assino embaixo e fiquei com vontade! rs Saúde, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui.

Balthasar Ress Riesling Trocken, Gostei!

Dificuldade danada de encontrar um Riesling minimamente com qualidade a um preço razoável, já nem falo barato porque os vinhos alemães não primam por preços acessíveis, especialmente em terras brasilis. Este gostei bastante, numa faixa de gama de entrada o vinho satisfaz tanto em qualidade como em preço, eureca!

É um vinho da gama de entrada dos vinhos alemães (vinhos de mesa) que têm uma classificação algo diferente e bastante desconhecida da maioria dos seguidores de Baco, então aproveito para colocar aqui o gráfico para uma melhor apreciação e clicando neste link você acessa um artigo da Wine Folly (em inglês!), explicando o que é o quê, mas desde já dando um toque, Trocken quer dizer seco.

Bem, voltando ao vinho, não se deixe levar pelo fato de ele ser um “vinho de mesa”, porque queria eu tomar um vinho de mesa assim todo o dia! A Riesling, em função de sua grande acidez, envelhece muito bem e este exemplar jovem, segue muito jovem mesmo com três anos de sua colheita. Leve, mas sem perder sabor, nectarina, notas petrolatas (existe essa palavra? rs) sutis demonstram sua vibrante mineralidade, um vinho que dá enorme prazer tomar. Deve ser um grande companheiro para frutos do mar grelhados, vieiras, pratos da culinária japonesa e peruana, mas eu me diverti mesmo foi com umas torradinhas e queijo Lua Cheia da Serra das Antas, uma iguaria que casou à perfeição.

Com preço variando entre 113 a 130 reais, vale cada centavo em nossa realidade tupiniquim e certamente visitará minha taça mais vezes especialmente agora que a primavera se aproxima com um calor intenso. Tempo para desfrutar de pratos leves e vinhos idem, sem perder qualidade nem sabor, gostei e recomendo!

Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou por aí em qualquer lugar desta nossa imensa vinosfera. Aliás, aproveito para pedir aqueles que receberam um questionário de pesquisa meu, que por favor o respondam. Sei que é um pé, mas me ajudariam sobremaneira e fico desde já muito agradecido se o fizerem. Se não receberem e quiserem me ajudar com seu voluntariado, rs, me avisem nos comentários abaixo que darei um jeito de vos enviar. Saúde

Cara Sucia, Gostei!

Gostei, ponto! Aliás, gostei muito porque me deram enorme prazer tomar e me deixaram feliz. Afinal, o que é esse tal de Cara Sucia? Cara Sucia é um projeto dos irmãos Durigutti que dispensam apresentações, produtores de vinho em Lujan de Cuyo (Las Compuertas), Mendoza numa bodega inicialmente criada em 1959 e comprada pelos irmão em 2008. Na época essa bodega tinha uma capacidade para algo ao redor de 700 mil litros, mas a família já elevou essa capacidade para mais de 2 milhões. Seus vinhos “tradicionais” são altamente premiados por gente como Robert Parker, Wine Spectator, Wine & Spirits, Wine Magazine, Stephen Tanzer, Jim Atkins, James Suckling e outros ban-ban-bans da critica mundial. Aqui eles se dão ao luxo de voltar às origens com vinhos de uvas pouco conhecidas e valorizadas, em pequenas produções buscando vinhedos no leste de Mendoza, em Rivadavia, região menos midiática. Eu gostei muito do que provei e tomei, por isso estar aqui compartilhando com vocês estes dois rótulos.

Cara Sucia Cereza – mal sabia eu que esta uva existia! É uma uva criolla, dos tempos coloniais, cruzamento da Moscatel de Alejandria com a Listan Prieto. Vinhedos antigos (1940) e orgânicos, engarrafado sem filtrar nem clarear, somente 3 mil garrafas produzidas. Sem passagem por madeira, somente ovos de cimento, é um vinho que a maioria das pessoas, que como eu provou, o definiu como vibrante e divertido. Seus 13,5% de álcool são imperceptíveis, fresco que nem um branco, taninos quase inexistentes, cor brilhante cereja claro, seco, é vinho que surpreende, encanta e nos seduz. Não é Rosé, não é tinto, é um Claret! Uma experiência diferente para tomar de golão e que deixa em seu final um persistente sorriso no rosto. Já comprei algumas garrafas para minha adega pessoal.

Cara Sucia Cepas Tradicionales – mais uma viagem dos irmãos!  Bonarda, Syrah, Sangiovese, Cardinale, Beiquiñol, Barebera, Buonamico cofermentados. Vinhedos orgânicos antigos, também de 1940, leveduras autóctones, ovos de cimento, engarrafado (só 5 mil garrafas) sem filtrar nem clarificar. O conceito é o de menor interferência enólogica possível o que costuma me assustar um pouco, mas ao abrir a garrafa todos os possíveis preconceitos caem por terra. Nariz que pede para levar a taça à boca, fruta fresca, ervas, taninos sedosos e amáveis, muito boa acidez, absolutamente delicioso na boca, um vinho guloso que pede a próxima taça e acaba rapidinho. Sem protocolos, nem grandes harmonizações, é um vinho acima de tudo muito prazeroso de se tomar.

Os vinhos acabaram fazendo parte da seleção de Agosto da Frutos do Garimpo, espero que os amigos que levaram kits os curtam como eu. É isso por hoje, kanimambo pela visita e vem comigo a Santa Catarina? Saúde e nos vemos par aí nas curvas sedutoras de nossa sempre surpreendente vinosfera.

1982, O Vinho!

Um dos destaques provados na Vinhos de Portugal deste ano no J.K. em São Paulo, um vinho surpreendente! Antes de falar sobre o vinho, deixa eu compartilhar o que a Revista Adega falou dessa safra; 1982 – Talvez a mais aclamada e unânime safra de todos os tempos para a França, Itália, Espanha e Portugal, que produziram vinhos espetaculares em diversas de suas regiões .

Ao sentir seus aromas e colocá-lo na boca as sensações eram de um Moscatel, mas ledo engano, este vem da região Lisboa! Aos poucos me dei conta que estava provando um vinho com história, um Fernão Pires (uva branca regional portuguesa conhecida no Norte de Portugal como Maria Gomes) fortificado que a Vidigal Wines descobriu num cantinho de uma vinícola que eles arrendaram vizinha da sua, coisa rara que não sei se um dia será repetida e, certamente, eu não verei. A herdeira (neta) não sabia ao certo o que aquelas barricas continham e, para surpresa de todos, o pessoal da Vidigal se deparou com esse vinho fortificado, lá conhecido como licoroso. Essas barricas geraram apenas sete mil garrafas, tendo algumas delas chegado até nós, ainda bem!

Casa do Cônego 1982 é o nome desta belezura e a garrafa de 375ml com lacre de cera é um charme à parte confirmando que grandes perfumes vêem em pequenas embalagens, umas gotinhas deste verdadeiro néctar atrás das orelhas deve garantir interessantes fungadas! rs Brincadeiras à parte, o vinho possui uma sedutora e complexa paleta olfativa onde se destaca um certo floral, notas de frutos secos e daquela casca de laranja confitada. Na boca os frutos secos estão bem presentes, figo, notas de mel de laranjeira, caramelo, uma acidez incrível equilibra a doçura tornando-o especialmente prazeroso de se beber e o álcoól de 16.5% some no conjunto harmonioso. Panetone de frutas, torta de amêndoas ou noz pecan, doces conventuais portugueses, queijos fortes, foie gras (para quem gosta e pode, rs), creme catalana, apfelstrudel, solito num final de refeição, bão demais da conta e quem fez esse vinho há 37 anos atrás está de parabéns!

Com preço no mercado entre 180 a 220,00 Reais, é um vinho cativante para quem, como eu, aprecia este estilo porém fica uma certa tristeza ao final pois não haverá outro tão cedo. Para mim uma grande surpresa que me agradou sobremaneira e portanto assino em baixo.

Uma boa semana, kanimambo pela visita e fica a pergunta, já se programou para a prova de Vinhos & Queijos que estou promovendo na Vino & Sapore? É, não esquece e se puder ajudar a promover junto aos amigos eu agradeço. Veja mais clicando aqui.