João Filipe Clemente

Comentando os TOP 200 da Revista Gosto

Gente de primeiro nível prova para esta conceituada revista de enogastronomia e ontem passando pela banca vi esta edição. Como curioso que sou, não resisti! Óbvio que cada mídia só lista o que provou então muita coisa que poderia estar por lá, não está, porém é uma lista de respeito. Alguns comentários me vieram á mente enquanto lia e decidi compartilhá-los com você, meu amigo leitor e, alguns, companheiros de taça! rs

Os Melhores do Ano

Quinta do Vale Dona Maria – prefiro o CV que é um outro grande vinho do Van Zeller, mas importante ter um vinho Luso por aqui. Só lamento que os bons vinhos portugueses estejam ficando tão caros! Uma pegada legal que estes vinhos tinham é que mesmo sendo grandes, eles estavam sempre com um preço bem abaixo de seus congêneres italianos, espanhóis e franceses, mas não mais. Talvez seja a estratégia comercial que optaram por colocar em prática de um tempinho para cá, porém como consumidor não me agrada.

Pizzato Merlot DNA 99 – como melhor vinho nacional. Feliz de o ver por aqui! Em 2009 (ou 08 me lembro de ter provado o 2005 ainda na barrica e comentei de sua grandeza. Depois disso já tomei o 2005 (realmente grande!) e também o 2008. Não comparei com outros, depois das Salvaguardas meu relacionamento com os vinhos brasileiros nunca mais foi o mesmo, porém atesto e assino em baixo, grande vinho este DNA, daqueles para dar a provar a gringo e ver seu queixo cair! rs

Melhor Sobremesa , mais um Luso, Moscatel de Setúbal Alambre 20 anos – Os moscatéis de Setúbal são grandes vinhos de sobremesa, este ainda não conheço, então feliz que isso seja reconhecido publicamente pela grande mídia com esta escolha!

Melhores Vinhos por faixa de Preço – Tintos

Acima de R$400 – Gostei de ver um vinho do amigo José Manuel Ortega Fournier nesta lista, o I Sodi Di S. O. Fournier e o Abandonado de Domingos Alves de Sousa, um Douro de primeira, mesmo que eu prefira seu Quinta do Lordelo 2007 que tomei recentemente nas celebrações de meus 60 anos. Vinhaço!

De R$200 a 399,00Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas, um dos melhores vinhos produzidos por esta conceituada casa, sempre uma garantia de qualidade. No mesmo patamar, Luis Pato Vinha Barrosa é a uva Baga em sua quintessência e não por acaso destaquei dois Lusos nesta faixa!

De R$130 a 199,00Aliara, vinho da chilena Odjfel (gosto muito de seu Carignan), é um topo de gama que provei pela primeira vez neste ano que passou e me encantou, muito complexo e rico. Il Bruciato, Bolgheri/Toscana, do antonori é um grande vinho e não é de hoje, uma opção de supertoscano a preço moderado e não podia deixar de mencionar mais um clássico luso, o Reguengos Garrafeira dos Sócios, um alentejano de muita raça!

De R$70 a 129,00 – uma faixa de preço que gosto de explorar onde descubro algumas preciosidades! Não provei a maioria dos que eles listaram, porém tenho que destacar o Quinta dos Termos Talhão da Serra, um vinho diferenciado elaborado com a pouco conhecida uva Rufete e o Lot 35 Carignan da Garage Wine chilena associada ao MOVI que também produz um ótimo Cabernet Franc! Não poderia deixar de mencionar o Atamisque Malbec (prefiro o blend) de uma bodega Mendocina que visitei em Agosto com a primeira viagem feita com a WFTE (Wine & Food Travel Experience). Da Austrália, o Yalumba Y Series Shiraz/Viognier que acaba de chegar à Vino & Sapore, vinho robusto e marcante.

Até R$69,00 – escolhas muito diferentes aqui! O único que provei e posso comentar é o Fabre Montmayou Malbec Reserva de sua propriedade em Mendoza (também tem na Patagônia) que possui uma ótima relação de Preço x Prazer x Qualidade. O Morandé Pionero Pinot Noir, é uma boa opção nessa faixa de preços, e foquei curioso por provar o Baga/Touriga Nacional da Filipa Pato que normalmente entrega bons vinhos, assim como o Quinta da Garrida Reserva já que sou gamado num vinho do Dão!

Uma outra hora falo dos brancos e outros vinhos listados. Cheers, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui, provedor permitindo!!

Curto meus Vinhos do Porto

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Sou um apaixonado por Vinhos do Porto, sendo um deles o melhor vinho que já tomei na vida e olha que foram muiiiitos, tendo uma coleçãozinha em minha adega. Vinhos para abrir aos 50 anos (de meus filhos!), aos 40 de casado, aos 70 meus, enfim, até para os 40 anos de meu neto! Mas nem tudo no mundo de Vinhos do Porto é tão longevo assim e depende do estilo desses vinhos, da safra e do produtor. Como os Colheitas e os Vintages não são para tomar todo dia, gosto de volta e meia abrir um bom Tawny Reserva ou um bom LBV tendo há uns tempos comprado uma meia dúzia de meias garrafas de um LBV que me agrada muito, do Niepoort.

CAM01582Já gostava do 2000 e do 2001, mas a Niepoort extrapolou desta feita e elaborou um dos melhores de acordo com os críticos mais especializados, se não o melhor, LBV que já produziu, o de 2004. Estas meia garrafas têm o tamanho certo e estas trouxe de Portugal, mas por aqui quem a comercializa é a Mistral. A cada garrafa que abro, só me sobrou uminha (sniff!), fica melhor! Aromas intensos de frutos negros, chocolate, especiarias, uma paleta olfativa sedutora e complexa que convida a tomar. Na boca está cremoso, elegante, vibrante e rico, ótima textura e muito equilibrado com um final longo e muito saboroso. Engarrafado sem filtrar, os melhores, tomei até a última borra! rs. Uma tacinha destas e um quadrado de chocolate meio amargo toda a noite, ou quase, certamente acrescentam mais uma dezena de anos na vida!!

Sei que a esta altura, conseguir um 2004 vai ser difícil, pelo menos por aqui, mas sempre dá para tentar encomendar com um amigo, porém porquê não comprar de um ano mais novo? Novas experiências, novos sabores, novas emoções, com o mesmo vinho, esse é um dos baratos deste mundo de Baco!

Dizem que o LBV é o Vintage dos pobres (sic), porém eu digo que é dos ansiosos! O Vintage, afora o preço, precisa de bem mais tempo em garrafa para poder entregar todo seu esplendor enquanto o LBV nos dá prazer mais cedo, apesar deste já estar com 10 anos nas costas e os bons, como este, poderem evoluir muito bem por 15 a 20 anos em garrafa! Enfim, uma boa semana e abra um Porto, as opções são diversas, e garanta uma dose de felicidade diária! rs Cheers e kanimambo.

Gulfi Valcanzjria, Não Parece Mas É!

Poderia ser o nome de uma cidade ou algum bicho estranho, mas é vinho mesmo e dos bons! Gulfi é um produtor localizado na planície de Chiaramonte Gulfi na Sicília Oriental e mais do que uma vinícola é um resort onde a enogastronomia é protagonista. Produtor orgânico, trabalha com uma vasta coleção de cepas autóctones, apostando na tradição porém sem perder de vista o que a modernidade lhe pode oferecer inclusive no uso parcimonioso de uvas internacionais como neste caso.

Estava atrás de alguns vinhos brancos sicilianos para compor meu portfolio na loja, já tinha achado um gostoso Catarratto, e a Decanter me enviou este vinho para prova, uau! Como teste, para não ficar só com minhas impressões, o coloquei numa degustação de confraria em que o tema eram vinhos de uvas brancas autóctones da Itália. Provamos saborosos vinhos elaborados com Pinot Grigio, Rebolla Giallia, Verdichio dei Castelli de Jeisi Classico e Kerner (há controvérsias quanto à origem) culminando com este vinho que, mesmo com os bons rótulos apresentados até então, fez com que fisionomias se transformassem, vinhaço!

È branco, adoro vinhos brancos e há muito digo que é a pós-graduação no mundo do vinho, um blend de duas uvas autóctones que me eram totalmente desconhecidas, Caricanti e Albanello, com Chardonnay. As uvas brancas sicilianas mais conhecidas são as: Gracanico, Inzolia, Grillo e a Catarratto, então foi mais uma viagem de aprendizado e mais uma descoberta, adoro nossa vinosfera! Agora preciso provar as outras coisas desta vinícola, fiquei com água na boca.

Gulfi ValcanzjriaBem, mas falemos do vinho, mais sobre a vinícola e seus conceitos vocês podem fazer que nem eu que fiquei seduzido pelo que provei, visitem o site do produtor clicando aqui. Disse que fisionomias se transformaram e é vero, houve um uau generalizado ao levar a taça ao nariz e depois á boca, um vinho de muita personalidade em que o conjunto fala mais alto que as partes envolvidas. Um vinho marcante e muito equilibrado, boa intensidade aromática puxando para o cítrico porém com nuances de amêndoas tostadas e sutis notas florais. A ficha técnica fala só de inox e estágio sobre lias, porém acho que deve ter uma leve passagem por barricas usadas, sei lá, feeling! Na boca boa acidez, porém com uma certa untuosidade que creio vir da Chardonnay, seco, ótima textura, rico e complexo, um vinho que, em sendo 2010, creio estar no seu auge , nos traz muito mais do que só frescor e energia, traz muito boa persistência e maturidade, um vinho que nos deixa feliz! Uma grande surpresa que me agradou sobremaneira e fez a cabeça de todos presentes, mesmo com um preço estimado entre R$ 130 a 140,00.

Aliás, preciso montar um Desafio de Vinhos às cegas só de vinhos brancos nesta faixa de preços, um embate entre diversas uvas e países, acho que daria um encontro hedonístico da hora!! Enfim, queria compartilhar esta belezura com os amigos, bom proveito! Cheers, kanimambo e nos vemos por aqui ou por aí nas estradas abençoadas por Baco. Ah, na última hora achei esse vídeo com uma degustação do vinho por um sommelier italiano, interessante! Vejam e comentem, gostaria de vossa opinião.

Noticias e Dicas do Mundo do Vinho!

Recebo um monte de press releases, poucos publico, mas eis alguns que acho valem a pena ser repicados. Também me enviam noticias, algumas bem velhas por sinal, mas algumas valem a pena ser compartilhadas, espero que curtam a leitura.

El Enemigo Chardonnay 2012 do craque Alejandro Vigil é destaque da revista Decanter como um dos grandes Chardonnays do Mundo. Quem vier comigo a Mendoza em Abril (veja aqui) terá o privilégio de o conhecer, vinho e Alejandro!

El Enemigo Chardonnay March 015 revista decanter

TOP 5 Encontro Rio 2015TOP 5 do Encontro de Vinhos etapa Rio de janeiro – Tive o prazer, sempre ótimo rever amigos e provar vinhos, de participar da avaliação e escolha dos TOP 5 entre 54 amostras apresentadas pelos expositores. Meus TOP 2 já dei no face (vejam foto), porém a maior surpresa ficou com o Leopoldo, vinho que já dei destaque aqui no blog em 2009 e 2011. Fiquei contente, porque tenho uma queda pelos vinhos de Santa Catarina, nossos vinhos de altitude. Veja mais clicandoe assistindo a mesa redonda do winebar em que participei.

 

Noite do Fado – Não, não vou dar uma canja (rs), porém já deixe sua noite de 14 de Março reservada para uma noite de fado e boa comida na casa de minha amiga Iva, A Quinta do Bacalhau que fica no Km 39 da Rodovia Raposo Tavares, estrada de Caucaia. Acesso site e veja mais clicando na imagem abaixo. Eu já estive lá numa noite dessas e recomendo.

Quinta do bacalhau

Finca Decero é ganhador de Troféu Regional no último Wines of Argentina Awards 2015. Mais uma das bodegas programadas para visita em minha próxima viagem com a W.F.T.E. (Wine and Food Travel Experience)  me envia esta ótima noticia sobre um vinho do qual sou grande admirador! “Es un placer para mí comunicarles que durante la reciente edición de Argentina Wine Awards 2015 el 13 de Febrero último, Finca Decero fue nuevamente reconocido como uno de los productores de algunos de los mejores vinos de Argentina no sólo por haber obtenido un trophy y una medalla de oro sino también el muy codiciado ‘Trophy Regional Valles de Mendoza’.

Decero Mini Ediciones Petit Verdot Remolinos Vineyard 2012 obtuvo el ‘Trophy Otras Variedades Tintas’ en la Categoría entre US$ 30 y 50 retail, pero además también fue premiado con uno de los tan sólo 4 Trofeos Regionales que se entregan en la competencia: el ‘Trophy Regional Valles de Mendoza’, siendo de esta forma considerado por los jueces como el mejor vino de la región de Mendoza de toda la competencia, independientemente de color, variedad o precio!

Comprobando la calidad de Argrelo como una sub-apelación para Cabernet Sauvignon, el cuidadoso y dedicado trabajo que hacemos en nuestro Viñedo Remolinos y el creciente nivel de atención que ha estado recibiendo recientemente Decero Cabernet Sauvignon, el Decero Cabernet Sauvignon Remolinos Vineyard 2013 obtuvo una Medalla de Oro.

Una lista complete de los premios puede verse en: http://www.winesofargentina.org/blogUploads/files/Listado_de_ganadores_AWA_2015.pdf

O. Fournier Wine Partner Weekend – recebo do amigo José Manuel Ortega Fournier (parceiro na viagem de Tiradentes a Mendoza) esta informação que é de dar água na boca. Quisera poder estar lá nessa data, quem sabe ano que vem, mas quem estiver por lá ou estiver programando uma visita para a época, não pode perder.

“Primeiro O. Fournier Wine Partners Weekend, que ocorrerá sempre no primeiro final de semana de abril de cada ano. Entre as atividades, O. Fournier, também incluirá a celebração de seu 15º aniversário, eventos como o programa “Top Chefs at O. Fournier”, concertos de música clássica e uma nova exposição de arte.
Após o sucesso de imprensa e da opinião pública em eventos de gastronomia dos restaurantes Mas Pau, Sacha e Zalacaín da Espanha, Bengal, Italpast, Casal de Catalunya e Sottovoce de Buenos Aires, junto com Astrid y Gastón, do Chile, Durski do Brasil, Pujol do México, niXe da Alemanha e Aquavit da Dinamarca, Quince dos EUA, Kinoshita do Japão-Brasil e Crowne Plaza Hotel – Shanghai da China, a Bodegas O. Fournier terá o privilégio de continuar com o programa “TOP CHEFS AT O. FOURNIER ” com Chef William Telepan, chef-proprietário do restaurante “Telepan” Uma-Estrela Michelin . “TOP CHEFS AT O. FOURNIER” traz os melhores tops chefs de todo o mundo para apresentar eventos de gastronomia na vinícola. O Chef Telepan vai cozinhar durante almoço de sábado 4 de abril e domingo 5 abril. Após o almoço, haverá uma explanação pelo Chef Telepan sobre o menu para os convidados participantes.

Antes do almoço de domingo, O. Fournier vai patrocinar um concerto de música clássica com a Camarata de San Juan e o Coro de Cámara of Universidad Nacional de Cuyo. Eles serão acompanhados pela talentosa soprano alemã Sophie Klussmann, junto com o tenor Fernando Ballesteros e a contralto Gloria López. Estes artistas irão entreter os convidados de O. Fournier com a OSTER-ORATORIUM (Oratório de Páscoa) BWV 249 e MISA BREVIS em Fá Maior.

Antes do almoço de domingo, O. Fournier vai patrocinar um segundo concerto de música clássica para continuar com seu tradicional concerto do domingo de Páscoa com a “Music under The Wine Trails” (“Música por los Caminos del Vino”), em Mendoza. Este programa está também em seu 15º aniversário com mais de 500 concertos durante este tempo.

AGENDA DE O. FOURNIER WINE PARTNERS WEEKEND

Sexta-feira, 3 Abril
• 10h30 Passeio turístico a cavalo pela vinícola
• 11h30 Curso de gastronomia
• 13h00 Almoço no Urban de O.Fournier
• Tarde livre
• 19h30 Degustação de vinhos dos três países O.Fournier
• 20h30 Churrasco no restaurante O. Fournier

Sábado, 4 Abril
• 10h00 Prova às cegas de todos os vinhos produzidos pelos O. Fournier Wine Partners
• 12h00 Concerto de Música Clássica com a top soprano alemã, “Camarata” e “Coro de Câmara”
• 13h30 Almoço “Top Chefs at O. Fournier”
• 17h30 O. Fournier Harvest Festival (Festa da Colheita) com competições para adultos e crianças
• Jantar livre
• 23h00 Rafting lua cheia (se o tempo permitir)

Domingo, 5 Abril
• 10h30 Visita ao vinhedo
• 12h00 Concerto de Música Clássica
• 13h30 Almoço no restaurante Posada del Jamon ou um piquenique no vinhedo de cada parceiro
• 17h00 Tarde livre

Segunda-feira, 6 Abril
• 09h30 Transferência para a Estância El Puesto (grande propriedade no meio da Cordilheira dos Andes)
• 11h00 Recepção com café na Estância
• 11h45 Passeio a cavalo
• 13h30 Churrasco na casa da Estância
• 16h30 Tarde livre
• 20h30 Jantar de despedida no restaurante “Urban”

Para ver mais do incrível programa e das festividades do 15º Aniversário da Bodega, clique aqui.

original_logo_expovinis_2015Expovinis – já guarde as datas porque este evento é imperdível! Período de grandes negócios e novidades no mundo do vinho, o mês de abril tem destaque no calendário de produtores, importadores, enófilos e demais players do setor vitivinícola, que se reúnem em São Paulo para o principal evento de vinhos da América Latina que está em sua 19º Edição ocorrendo no Expo Center Norte entre os dias 22 e 24 de abril.

“A ExpoVinis é uma feira consolidada, que há quase 20 anos reúne no Brasil produtores e visitantes de todo o mundo. É um momento importante para o mercado, quando temos a oportunidade de apresentar as novidades e discutir o setor. Um dos nossos objetivos é manter a alta qualificação do público do evento, parte da nossa estratégia em 2014, ano em que recebemos uma quantidade elevada de profissionais de restaurantes e bares, importadores, distribuidores, atacadistas, varejistas e, claro, especialistas”, resume Ana Ishida, show manager do evento.

Abrangendo cada vez mais a cadeia que integra o mercado, em 2015 o ExpoVinis Brasil apresenta novos eventos paralelos e também outras atividades de grande êxito em edições anteriores, caso do Top Ten, o aguardado concurso que elege os melhores vinhos do evento, e das Degustações Premium, que trazem provas temáticas conduzidas por grandes nomes do setor e em 2015 serão gratuitas (para convidados e profissionais do setor).

Em breve serão divulgadas as informações sobre as inscrições, degustações programadas e especialistas que conduzirão cada uma das provas, mas o ExpoVinis já adiantou uma novidade em sua grade oficial: de Londres vem o único Master of Wine brasileiro, Dirceu Vianna Junior – MW (foto), que irá comandar a palestra ‘Ferramenta de vendas usadas em países europeus: como vender vinhos em um mercado competitivo’. Dirceu Vianna – MW é um dos poucos a ostentar o cobiçado título de ‘master of wine’, concedido pela tradicional escola britânica Wine & Spirit Education Trust. Desde a criação do curso, na década de 50, pouco mais de 300 pessoas conseguiram concluí-lo.

O júri, formado por importantes nomes do mundo do vinho, é presidido pelos consultores Jorge Lucki – único membro brasileiro da tradicional Académie Internationale du Vin – e José Ivan Santos, autor de livros sobre o setor – como ‘Conheça Vinhos’, escrito em parceria com Dirceu Vianna Jr. O resultado será divulgado na manhã do dia 22 de abril, primeiro dia da feira.

Também com foco no consumidor e no profissional iniciante, acontecerá, diariamente, o 1º Glass Tasting Riedel. A marca de taças, mundialmente reconhecida, fará demonstrações de como uma taça pode influenciar na degustação de diferentes tipos de uvas e onde a forma (tamanho do bojo e diâmetro da borda) pode alterar significativamente o vinho, interferindo na percepção de seus aromas.

Shuttle service – Em 2015 o evento volta a oferecer um serviço inaugurado no ano passado: o shuttle service, traslado gratuito da estação de metrô Portuguesa-Tietê ao Expo Center Norte, e do local do evento até a estação. O transporte começa a operar às 12h30 saindo do metrô para o pavilhão, e o trajeto Center Norte-estação começa a operar às 14 horas. O último shuttle sai às 21h30 do centro de exposições.

É isso, para quem conseguiu chegar até aqui (rs) um ótimo final de semana. Cheers, kanimambo e nos cruzamos por aí nas estradas de nossa gostosa vinosfera.

Degustação Best of 2014

Dia 26 de Março Degustação Best Of 2014, em parceria com a Vinci, Zahil, Mistral e Calix, montei na Vino & Sapore a partir das 20 horas, uma degustação especial onde pretendo compartilhar algumas das preciosidades que destaquei em Falando de Vinhos como Deuses do Olimpo 2014. Melhores de 2014 e Mais dos Melhores de 2014 .

Serão um total de sete vinhos em degustação, abrindo com o que para mim é o melhor espumante brasileiro da atualidade, junto com o Orus que é rosé, vejamos:

Cave Geisse Terroir Nature (R$135,00) – às cegas já bateu grandes champagnes!
Vina Tondonia Branco Reserva 1991 (R$320,00) – um branco de trinta anos para quebrar paradigmas. Será servido com tiras de presunto cru espanhol.
Quinta da Lagoalva Grande Escolha Alfrocheiro 2009 (R$240,00) – um vinho único de uma uva Clipboardraramente vinificada em varietal.
Mastroberardino Taurasi 2008 (R$260,00) – a uva Aglianico em todo o seu esplendor.
Benegas Meritage 2006 (R$295,00) – um grande vinho de assemblage argentino com produção limitada e um estilo francês de ser.
Quinta da Leda 2011 (R$398,00) – o vinho em destaque foi o 2007, porém como este não mais está disponível, o substitui por seu irmão mais novo da safra 2011 em que ele obteve 95 pontos de Parker e 94 da Wine Spectator, um grande ano no Douro!
H&H Madeira Bual 15 anos (R$286,00) – acompanhado de torta de nozes, figos e maçã, repetindo o que, para mim, foi a Melhor Harmonização de 2014.

O preço para essa viagem por sabores diferenciados e experiência única de provar sete grandes vinhos (50ml por vinho exceto o madeira com 35ml), dois harmonizados, e tábua de frios numa só noite e restrita a somente 12 participantes, será de R$180,00 por pessoa pagos no ato da reserva e cobre também o café e estacionamento no local. Faça já sua reserva e garanta seu lugar ao sol, a do mês passado se esgotou em pouco mais de 12 horas e no lançamento en primeur que realizei antes de ontem, já lá se foram 8 vagas, então só há mais 4 lugares disponíveis!

Cheers, kanimambo e seguimos nos encontrando por aí nos caminhos de nossa vinosfera.

O. Fournier, Uma das Gratas Surpresas de 2014

José manuelNo ano passado tive a oportunidade de participar de uma degustação promovida pela Vinci Importadora para a imprensa e especialistas do setor, em que fomos apresentados ao José Manuel Ortega Fournier, proprietário dessa vinícola ou melhor, grupo vitivinícola já que possui vinícolas na Espanha (originalmente), Argentina (onde hoje reside) e ultimamente, Chile e a seus vinhos. Fazia tempo que buscava essa oportunidade e o que provei foi bem além do que previa, uma grata surpresa que comentarei em diversas etapas.

1 – A qualidade presente de forma uniforme em tudo o que provamos e não foi pouco. Depois ainda me aventurei por seus gama de entrada (linha Urban) que confirmaram as impressões dos vinhos de gama mais alta. Importante isso, porque fazer vinhos top todos fazem de uma forma ou de outra, melhores ou piores, mas com quantidades menores de produção e alto custo, fica mais fácil. Produzir um bom gama de entrada com preço justo não é para todos!

2 – O José Manuel, uma personalidade e tanto. Franco, direto, sem floreios e ciente do que faz sempre buscando o melhor e a imprimir a seus vinhos um estilo próprio. Sua bodega em Mendoza é um claro exemplo disso e sua gentileza ao nos oferecer um regalo de final de evento que me seduziu, uma prova de Magnum A-Crux 2001, adorei, ou melhor, adoramos!

3 – o uso de uvas ibéricas pouco usuais em Mendoza; a Tempranillo e, especialmente, a Touriga Nacional. Vinhos muito interessantes e diversos do main stream, vinhos com personalidade própria que me seduziram. Gosto dessa busca pela diversidade.

Foram nove os vinhos provados, um mais saboroso que o outro e alguns grandes vinhos que me fizeram ver o quão poucos produtores e vinhos conseguimos conhecer ao longo de nossas vidas e olha que eu provo bastante! Eis um resumo dos vinhos provados e seus preços em US Dólares já que a Vinci, como a Mistral, trabalham com taxa do dia.Celular 29-09-14 003

Começamos por dois Sauvignon Blanc, o B-Crux Sauvignon Blanc (USD40,00) de Mendoza e o Alfa Centauri (USD67) do Vale do Leyda no Chile com passagem por barricas de carvalho. Ainda não consegui provar um Sauvignon Blanc varietal com passagem por madeira que me agradasse e sigo dessa forma, pois o vinho ficou algo pesado, mas tem gente que se encantou. Preferi o de Mendoza que apresenta mais tipicidade da uva com bastante frescor e grama molhada presente, gostoso de beber.

B-Crux Blend 2009, um vinho que me encantou pois afora usar 50% de uvas ibéricas (Tempranillo e Touriga Nacional) no blend, o resto é Malbec, foi uma enorme surpresa saber que a Touriga também está em Mendoza! De gama média alta, frutado, sem excessos, boca de boa estrutura e complexa, taninos finos presentes, um vinho de muita personalidade com um preço condizente com a qualidade ofertada, USD50,00. Belo vinho e aquele que eu poderia pagar, então minha melhor relação Qualidade x Prazer x Preço entre os tintos provados.

Alfa Crux Blend 2006, um senhor vinho onde a Tempranillo é protagonista tendo a malbec (25%) como coadjuvante. Vinho de alta gama com 20 meses em barricas novas que apresentava chocolate logo á primeira fungada (rs)! Taninos finos, boca redonda sem arestas, muito diferente do que se espera de um vinho mendocino e adoro surpresas destas mesmo não sendo mais para meu bolso, USD86,00. Vinho denso na boca, cremoso, acidez bem balanceada, final apetitoso que pede bis.

Alfa Centauri Blend 2008 é do Maule, chile e combina cabernet Sauvignon, franc e merlot, este último com um porcentual menor. Excelente vinho que passa 18 meses em barricas novas francesas e já custa USD100,00. Entrada de boca deliciosa e sedutora, um vinhaço que ainda vai crescer muito nos próximos três ou quatro anos quando o gostaria de revisitar. Muito equilíbrio e complexidade num estilo bem europeu (tradicional) de ser!

O. Fournier Clipboard

O. Fournier 2008, também do Maule e agora já entramos na seara de vinhos top do produtor. O corte por si só já é inusitado, Cabernet Franc (80%) e partes iguais de Cabernet Sauvignon e Carignan com passagem de 17 meses em barricas novas francesas. Elaborado só com uvas de vinhedos entre 60 a 120 anos plantadas em pé franco. Perfumado, frutos negros, taninos finos (marca registrada pelos vistos), complexo, fresco e sedutor. O meio de boca é tão saboroso que você tende a o deixar lá por um tempo a mais que o normal para só depois o deixar escorregar pela garganta. Para quem tem USD189 para bancar uma garrafa destas, eu recomendo, gamei!!

O. Fournier Ribera del Duero 2005, chegamos na Espanha e em mais um vinho top da casa com outra pegada. Tinta del país (tempranillo) 100% e 20 messes de carvalho francês é um vinho que mesmo com nove anos de vida ainda mostra muita jovialidade e promete evoluir por mais anos a fio. Concentrado, escuro, meio de boca algo mineral, carnudo, um vinho que exala o terroir de Ribera del Duero e o menos pronto a tomar de todos mesmo sendo o mais velho, com preço também na casa dos USD 189.

Urban Carignan 2011 elaborado com uvas de vinhedos com 80 anos no Chile foi uma solicitação adicional do José Manuel para que provássemos também o outro extremo de sua gama de vinhos, o de entrada. Custa USD24 e o vinho é realmente uma enorme surpresa valendo cada centavo. Posteriormente provei um Urban Tempranillo/Malbec de Mendoza e foi outro vinho que me agradou muito. Penso que quem consegue produzir bons vinhos nesta faixa de preços, certamente produz bons vinhos nas gamas acima e o inverso nem sempre é verdadeiro. Se quiser conhecer o perfil de um produtor, prove seus vinhos de entrada!

Ainda tinha mais, uma surpresa e uma enorme gentileza de José Manuel para os jornalistas, colunistas e blogueiros de vinho presentes a esta deliciosa degustação, um delicioso, fino e elegante exemplar de Alfa Crux 2001 em garrafa magnum, seu primeiro vinho produzido em Mendoza do qual sobram poucas garrafas no mundo e que detem um Troféu de Melhor na Categoria na Wines of Argentina Awards. Tempranillo de 70 anos de idade, Malbec de 80 anos e Merlot de vinhedos mais jovens. Acidez bem presente ainda mostrando que ainda terá alguns anos pela frente, fino, sofisticado, daquele estilo de vinho que deveria vir á mesa de fraque e cartola. Um regalo e um privilégio que fazem os caminhos por nossa vinosfera valer a pena.

Alfa Crux Magnum 2001 Clipboard

Hoje compartilhei com vocês mais uma experiência que ficou marcada em minha memória, os verdadeiros vinhos de grande persistênca, e que me levou a combinar uma degustação especial com ele (salvo algum imprevisto) em sua bodega em Abril, feriado de Tiradentes, quando quem for comigo poderá confirmar, ou não, se meu entusiasmo tem fundamentos. Cheers, Kanimambo e seguimos nos encontrando pelos caminhos de Baco!

Feriado de Tiradentes em Mendoza Comigo, Topas? Join Me in Mendoza!

Amigos, mais um belo roteiro para Mendoza e das 14 vagas, já só restam 10 e só agora estou lançando mais este tour para amantes da boa enogastronomia! Negociei cada vinho que será tomado nessa viagem única por 9 diferentes e conceituadas bodegas mendocinas, todos caldos que já provei e assino em baixo. Veja abaixo um resumo do que a W.F.T.E (Wine & Food Travel Experience) está oferecendo neste roteiro que terá meu acompanhamento e gerenciamento operacional da Clube Turismo de Cotia capitaneada por meu amigo e confrade Rodrigo Loureiro.

  • Viagem de 5 dias e 4 noites – saindo Sábado (18) e voltando Quarta-feira (22) final do dia, chegando Quinta de madrugada dando tempo para ainda ir trabalhar!
  • Visita a 9 vinícolas de primeiro escalão com degustação de pelo menos uns 50 vinhos diferenciados. Passionate Wines / Decero / O. Fournier / Casarena / Achaval Ferrer / Catena / Dominio del Plata / El Enemigo e Finca Perdriel-Norton.
  • Serão 4 almoços harmonizados e mais 2 jantares em bodega com assados
  • Hotel 4 estrelas (NH Cordillera) com café da manhã próximo a tudo no centro de Mendoza
  • Passagem aérea, taxas, seguro saúde e transporte local em Mendoza inclusos.

Para ver o programa de viagem completo clique no link acima da W.F.T.E ou aqui, onde também consta o preço que inclui tudo o acima listado. Qualquer duvida, me envie um comentário que terei o maior prazer em solucionar quaisquer duvidas eventuais que possam vir a ter. Quem estiver em outro país, pode se unir a nós em Sampa, fale comigo.

Cheers, kanimambo e vem comigo vai?! Por enquanto desfrutem da imagem (cliquem para ampliar) abaixo com um flash dos lugares onde estaremos.

Mendoza 2 Poster

Sacando a Rolha de Mais Brancos!

Uncorking-Old-Sherry-GillrayNas confrarias estamos sempre na busca de novas experiências e sabores, sendo que desta feita, nossa reunião de Janeiro da Confraria Saca Rolha, decidimos explorar a diversidade dos vinhos brancos e finalizando com um clássico que surpreende pelo ótimo preço. Adoro vinhos brancos e a diversidade de uvas é imensa para só ficarmos provando sempre as mesmas cepas, “navegar é preciso” então lá vamos nós em mais uma viagem e a nossa porta voz, confrade sommelier e acima de tudo amiga Raquel Santos, nos relata sua visão de mais esse gostoso encontro de confrades amantes de vinho e seguidores de Baco!

“Muito se tem falado de vinhos brancos, que são perfeitos para o nosso clima tropical, já que são refrescantes e leves, certo? Pois bem, eu sou daquelas que defendem o vinho branco até no inverno. Alguns deles, além dessas características refrescantes, são densos, alcoólicos e nem tão leves assim como sempre imaginamos.
Mas como praxe é praxe, tenho acompanhado muitas degustações nesta época calorenta que estamos passando, de muitos vinhos brancos. A nossa confraria não foi diferente. No mês de Janeiro foi a chance de experimentarmos vinhos ainda desconhecidos por nós e constatarmos que apesar de tantas experimentações nesses anos todos, sempre terá alguma uva, alguma região ou produtor inédito para serem decifrados.Ferrari Perle

Para iniciarmos o ano, nada como um belo espumante italiano, da região do Trento: O Ferrari Perlé 2007, elaborado pelo método clássico é daqueles que enche a boca ( e a alma ). Muito cremoso, com aromas de fermento e acidez na medida. Uma alegria!

Foram escolhidos seis exemplares de uvas e regiões diferentes:

Beade Treixadura1. Bodegas A Portela – Beade Primaccia – Treixadura 2012.
No noroeste da Espanha, a Galícia ( D.O. Ribeiro )faz fronteira com Portugal na região do Minho. O clima tem grande influência do Atlântico onde os ventos marítimos criam um ambiente fresco e úmido e a vegetação é abundante. Isso é reconhecível nos seus vinhos brancos onde o frescor e a exuberância aromática aparece quase sempre. Esse, elaborado com a variedade Treixadura mostra bem essa característica, com aromas de frutas tropicais que se fundem com uma mineralidade (gasóleo). Com bom corpo, acidez que sustenta o seu frescor, porém no final, talvez por conta da temperatura, sobra um pouco de açúcar residual.

2. Quinta de Linhares – Branco Avesso 2012.Linhares Avesso
Da região do Minho, com as características climáticas semelhantes às da Galícia só que do lado de Portugal. A variedade Avesso é típica dessa região e compõe os vinhos verdes juntamente com a Alvarinho, Loureiro, Trajadura, entre outras. Esse, elaborado com 100% Avesso o que não é comum, tem ótima estrutura, bom corpo e uma acidez tendendo para o metálico. Muito delicado no nariz com aromas florais e cítricos.

Tunella Rjgialla3. La Tunella – Rjgialla 2012.
O nome do vinho faz um trocadilho com o nome da casta ( Ribola Gialla ), nativa do Colli italiano, que são as colinas localizadas no nordeste da Itália, na fronteira com a Eslovênia. Os vinhedos produzem na sua maioria, vinhos brancos secos e límpidos, com muito frescor e acidez acentuada devido ao clima de altitude, nos pés dos Alpes. Esse vinho não foge à regra: Muito fresco no nariz, com notas florais, baunilha e frutas cítricas. Ataque cremoso na boca sem perder a crocância. Sensação de morder uma maçã verde suculenta!

4. Valdesil – Godello – sobre lias 2009.Godello
Também da região da Galícia ( D.O. Valdeorras ), produzido com uvas Godello provenientes do mais antigo vinhedo plantado nas encostas de xisto. Depois da fermentação em inox, passa 5 meses em contato com as borras. Isso agrega nuances de aromas e sabores muito complexos a ele. À primeira vista mostra-se bem seco e duro. Mas dando-lhe tempo para evoluir na taça, aparecem todas as camadas de aromas florais de verão, sabores de frutas brancas e delicadas como pera, marmelo e um leve toque amendoado. Na boca tudo isso se confirma com muito equilíbrio e estrutura entre os pilares da acidez e corpo.

Kerner5. Abbazia di Novacella – Kerner 2012.
Esse vinho já havíamos provado numa outra ocasião, junto com Riesling. Este Kerner é uma uva plantada na Itália/Alto Adige, produto do cruzamento da Trollinger (Schiava ) e Riesling, e que se encontra mais presente na Alemanha de onde ela é originária. O resultado é como um Riesling mais encorpado, frutado , sem perder a típica mineralidade e frescor da casta. É sempre interessante comparar o mesmo vinho em contextos diferentes. Aqui neste caso estávamos buscando vinhos frescos que fossem agradáveis no verão. Já na outra degustação em que ele esteve presente, queríamos harmonizar vinhos Riesling com comida alemã (eisbein com chucrute). Ou seja, aquela comida pesada, com muita gordura, típica dos países frios. Em ambos os casos ele deu conta do recado com galhardia.

6. Domaine Servin – Vaillons Chablis Premier Cru 2011.Servin Chablis 1er cru
E para terminar não podíamos ficar sem aquele que é considerado o maior representante dos vinhos brancos mais secos, frescos e elegantes da nossa vinosfera. Notem que é o único deles que não mostra o nome da uva no rótulo. Os vinho da região demarcada de Chablis, fica à noroeste da Bourgogne onde todos os vinhos brancos são elaborados com a Chardonnay. O que os diferenciam é exatamente o terroir. O solo de Chablis é extremamente calcário e os vinhos ganham uma tipicidade única. Esse não fugiu à regra e mostrou-se seco, com uma acidez incrível, que deixou escapar apenas uma fruta tropical madura ( abacaxi ) que não é muito comum aparecer nestes vinhos.

Se queríamos conhecer coisas novas para o verão, essa seleção foi só uma amostra. Penso que uma bebida refrescante, que acompanhe bem um aperitivo num dia ensolarado, uma refeição leve ou mesmo sozinho, deve ter uma graduação alcoólica baixa. A sensação de calor que sentimos quando ingerimos o álcool depende da sua graduação. Portanto quanto mais baixa ela for, menos nos aquece e vice versa. Infelizmente essa informação nem sempre está explicitada no rótulo. Esses seis vinhos que provamos, apesar de serem bem refrescantes, apresentaram uma complexidade a mais, seja pela personalidade do seu terroir ou pelas características da própria uva. Neste caso, mais uma vez fomos surpreendidos.

O que fica claro é que o velho padrão conhecido: vinho branco que combina com climas quentes e vinho tinto que combina com o frio, foi por água abaixo! Vinho é vinho e ainda bem que são muitos! Quem sabe possamos fazer um dia, uma degustação de tintos para o verão? Quem viver, verá!”

Menos, Menos, o Vinho Só Tem que Nos dar Prazer

Uma das coisas que me irritam em nossa vinosfera ainda é a mania de alguns em colocar o vinho num pedestal onde, em minha opinião, ele não deveria estar! Acho que o vinho é algo social, culturalmente uma bebida que nasceu para acompanhar comida, jantares, amigos em volta de uma mesa, coisa simples como o pão e o azeite. Não deveria ser algo complicado e cheio de mistérios, frescuras e salamaleques.

Está certo, existem segredos e misticismos que envolvem o vinho e o fazem especial entre o mundo das bebidas, porém devemos tratá-lo de uma forma mais simples e tentar não complicar. Deu prazer, ponto, objetivo alcançado! Um de meus melhores momentos com vinho foi numa tasca do interior de Portugal com um primo que há anos não via; direto da barrica num copo de requeijão acompanhando pataniscas de bacalhau feitas na hora! Tudo simples, tudo ótimo, e como Fernando Pessoa já dizia; “Tudo vale a pena Se a alma não é pequena.”

O titulo deste post veio em decorrência de uma experiência que fiz há poucos dias com alguns confrades. O tema que escolhi para o encontro foi, Uvas de Bordeaux na Argentina. Em Bordeaux os vinhos são essencialmente, há exceções, assemblages de diversas uvas autorizadas pela AOC, basicamente as; Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Malbec, Carmenére e Petit Verdot então escolhi 4 varietais para provar, todos vinhos muito qualificados: DV Catena Malbec-Malbec, Fabre Montmayou Gran Reserva Merlot da Patagônia, Angelica Zapata Cabernet Franc e Susana Balbo Signature Cabernet Sauvignon. Os vinhos estavam divinos sendo o Merlot uma das grandes surpresas da noite.

Varietais de Bordeaux

No dia seguinte, manhã cedo, hora da limpeza, verifiquei que as garrafas ainda possuíam algum caldo nelas, pouco, mas tinha. Decidi então produzir meu próprio assemblage, meu próprio “Bordeaux”! Partes iguais de Cabernet Sauvignon e Malbec (chuto uns 35% de cada), uns 20% de Cabernet Franc e finalizei com Merlot. Sem frescuras, só buscando prazer e deu certo. O vinho ficou muito aromático, fruta bem presente, aveludado e rico na boca, também olha só o que tive de matéria prima! Ainda vou querer reproduzir essa receita de forma mais técnica retirando uns 5% do Cabernet Franc e adicionando esse porcentual em Petit Verdot. Peguei as sobras da noite anterior e deu um belo almoço,

Tudo isso só para passar uma mensagem, solte-se! Tem gente que coloca gelo em vinho, outros coca-cola, ginger-ale ou seven up, tudo bem. Eu posso até não gostar ou discordar, mas dependendo do contexto e dos vinhos envolvidos, why not?! Viaje, experimente, faça coisas diferentes, quebre o establishment, seja infiel, curta a diversidade, se divirta. Nossa vinosfera não é tão séria e “amarrada” como alguns podem tentar lhe vender, então relaxe e curta a viagem sem preconceitos! O bom de nossa vinosfera é que não existem regras nem dogmas a serem seguidos então explore o infinito com vontade, aqui você pode e, numa dessas, você pode se dar bem, como eu!

Cheers, kanimambo e tenham todos um ótimo fim de semana. Semana que vem tem mais.