Da DFJ, região Lisboa em Portugal, vem mais este vinho branco para me fazer companhia ao almoço de Sábado. Há mais de dez anos atendendo e servindo culinária chinesa, boa e de bom preço, por aqui na Granja Viana, o Xin Hua desta vez me trouxe um bom Chop Suey de frango para saciar minha fome neste Sábado algo morno.
Para ornar, e ornou (rs), um Bulldog Blend Branco. Um corte de Arinto, Fernão Pires (Maria Gomes), Alvarinho e Chardonnay sendo que este último passa por 12 meses em barrica francesa de primeiro uso. O saldo é um vinho muito bem elaborado de médio corpo (Chardonnay e Fernão Pires garantem isso), fresco (Arinto e Alvarinho), uma certa untuosidade, bem seco, equilibrado, notas cítricas, toque mineral, boa persistência, uma boa surpresa na taça com preço ao redor de R$80 em média no mercado de São Paulo.
A harmonização ficou muito boa e acho que acompanhará bem carnes brancas em geral, peixes, crustáceos, ceviches um vinho bastante versátil e gastronômico, gostei. Como sobrou, de Sábado sempre sobra, terminei com ela fazendo mais um teste, desta feita com um Risoto de Camarão home made.
Gente, o que eu já tinha gostado, agora extrapolou! Terminei o Risoto com queijo Brie, a liga foi perfeita e me lambuzei tudinho!! rs Harmonizar não é, nem deve se tornar uma obsessão, mas convenhamos que quando orna a coisa muda de patamar ainda mais se bem acompanhado e eu, há 43 anos, ando bem acompanhado, praise the Lord, o que torna qualquer tentativa de harmonização meio caminho andado! rs O prato ganhou peso e untuosidade que se casaram à perfeição com o vinho, sábia escolha esta. rs
Enfim, esta garrafa veio da Lusitano Import que me enviou o vinho para prova e como gostei, cá estou compartilhando com os amigos, prove você e comprove, faça seu próprio juízo de valor, pois essas são apenas as minhas impressões.
Por hoje é só! Kanimambo pela visita, saúde e até um próximo encontro.
O berço nativo da Tannat é Madiran, no centro da região sudoeste da França. ao pé dos Pirineus, mas é considerada, de fato, um patrimônio nacional do Uruguai!
No século 19, um francês chamado Pascual Harriague introduziu essa cepa no Uruguai, onde ela se adaptou perfeitamente, ganhando força e prestígio, ao proporcionar vinhos de sabor único, cor concentrada e complexidade intensa. Durante muito tempo a uva no Uruguai foi conhecida por Harriague e existe o vinho Don Pascual que é uma homenagem a este homem e sua contribuição à vitivinicultura uruguaia.
Apesar de ainda ser cultivada na
França, o Uruguai é hoje o produtor dessa uva que mais se destaca. Cerca de 45%
de seus vinhedos são ocupados pela variedade. A Tannat, especialmente rica
em polifenóis, tendo o maior contéudo de Resveratrol (forte poder
antioxidante) entre todas as cepas Vitís Viniferas conhecidas, devido à
espessura grossa da casca e ao elevado número de sementes dessa uva. Cada bago
de Tannat costuma ter 5 sementes, sendo que o mais comum, nas outras
variedades, é a presença de somente 2 ou 3 sementes por bago de uva.
O alto nível de taninos, em
contrapartida, fez com que a Tannat ganhasse fama de selvagem, rústica e até
mesmo agressiva na França o que fez com que produtores buscassem amenizar essa
característica com a adição de outras castas mais “suaves” para reduzir esse
impacto como a Cabernet Franc e a Merlot.
Já no Texas, onde existem bastantes vinhedos da uva, os produtores fazem
exatamente o oposto, com maceração prolongada para destacar o alto teor tânico
de seus vinhos. Já no Uruguai, os cortes mais comuns são com Merlot, predominantemente,
mas também com a Pinot Noir, Cabernet Franc, Tempranillo Viognier e Syrah.
Os melhores Tannat serão sempre
intensos, muito elegantes, com final longo e memorável. A harmonização da
Tannat agrada em cheio os apreciadores de churrasco daqui do Brasil, da
Argentina e do Uruguai. Os taninos dessa uva combinam muito bem com carnes mais
gordurosas sendo parceiro fiel do famoso cordeiro uruguaio e leitão pururuca,
porco no rolete e até feijoada.
Apesar de produzirem vinho a mais
de 250 anos, foi realmente a partir de 1874 com a aposta na uva Tannat por
parte de Pascual Harriage, que o a vinicultura começa a ganhar importância. A
moderna vinicultura, todavia, somente começa a ganhar corpo a partir do início
dos anos de 1980 culminando com a criação do INAVI (Instituto Nacional
de Vitivinicultura), uma entidade publica que vem regendo o presente e o futuro
do vinho Uruguaio.
Em 1992 foi feito um estudo de regionalização
da produção do vinho em que se definiram oito grandes regiões de potencial de
desenvolvimento baseado em parâmetros climáticos assim como da geologia
encontrada. Canelones/Montevideo ao Sul, ainda representam 76% dos vinhedos
plantados. Sua marca registrada é o Tannat e sua chegada ao cenário mundial é
bem recente, mas ganhando espaço com alguma velocidade apesar dos números ainda
relativamente pequenos de exportação face o alto consumo interno versus a
pequena produção. Dos cerca de 74.5 milhões de litros produzidos, 59.5 ficam no
país (grande consumo per capita) e 18 se destinam à exportação sendo a venda a
granel ainda o grande volume (76%) e dos 4.6 envazados a grande maioria, cerca
de 65%, é destinada ao Brasil.
Algumas importantes normas foram definidas para a indústria. Começando pelo fato de que qualquer varietal declarado no rótulo deverá ter, obrigatoriamente, um mínimo de 85% dessa variedade. Por outro, se instituiu a VCP (Vino de Calidad Preferente) que é o verdadeiro vinho fino como nós o conhecemos. Ter a chancela VCP impressa no rótulo significa dizer que o vinho foi produzido dentro das normas, região e condições estabelecidas. Não é chancela de qualidade ou seja, pode-se ter um bom vinho sem VCP como ter um péssimo com VCP. Na verdade, ter VCP é uma indicação de que o vinho deve ter qualidade, mas não uma verdade absoluta. Aliás, como todos AOCs e DOCs do mundo.
Os vinhos Uruguaios apresentam características bem diferentes dos vinhos a que
estamos habituados a tomar de origem Argentina e Chilena. Pelas próprias
diferenças climáticas com temperaturas mais amenas e condições geológicas bem
distintas às encontradas nestes outros países. São vinhos com personalidade
própria, elaborados por gente que tem um jeito diferente de fazer vinho e que,
neste sentido, nos parecem vinhos mais parecidos ao estilo do Velho Mundo, com
menos potência, teores alcoólicos mais controlados, boa estrutura e mais
elegância.
Para a
alegria dos produtores e dos consumidores em geral, Patrick Ducournau, em 1991,
na região vinícola francesa de Madiran, desenvolveu um processo de
micro-oxigenação com a finalidade de “domar” o alto nível dos taninos da
variedade Tannat. Esta técnica consiste na adição artificial de finíssimas
bolhas de oxigênio no mosto através de um dispositivo mecânico anexado ao fundo
do recipiente onde a fermentação é realizada seja ela em tanques de inox,
cimento ou até barricas. A dosagem é controlada e pode variar de 0,75 a 3 centímetros
cúbicos por litro de vinho. O oxigênio é um importante elemento durante o
processo da redução (polimerização) dos taninos imaturos, que se transformam em
taninos macios e agradáveis, e das antocianinas presentes nas cascas das uvas
tintas. Este processo de micro oxigenação foi também um “alavancador” comercial
por ter domado boa parte da tanicidade destes vinhos tornando-os mais palatáveis
e mais rapidamente acessíveis ao consumidor.
Afortunadamente, a maioria do que vem sendo exportado para o Brasil são de vinhos de qualidade, bem elaborados e de boa estrutura. Mesmo assim, é aconselhável dar aos varietais desta cepa, especialmente quando 100% e de mais alta gama, um pouco de tempo em garrafa para que se possa usufruir de toda a sua complexidade de aromas e sabores e para que os taninos se integrem.
Agora, como na Argentina, onde há muito mais a se explorar do que sua Malbec, o Uruguai está passando por uma grande transformação e há uma diversidade de uvas sendo cultivadas com resultados ótimos, então que tal explorar? Eis alguns produtores a explorar; Pizzorno, Gimenez Mendez, Bouza, Pisano, Familia Deicas, Carrau, Dominio Cassis, Alto de Ballenas, Los Vientos, Narbona, Irurtia, Garzon, Viña Progreso. Com esses treze produtores a viagem será longa e proveitosa, aproveite!
Saúde, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer uma das muitas curvas de nossa vinosfera!
Há muito que digo que o futuro de vinhos finos de qualidade no Brasil está aqui e na Campanha Gaúcha. Este espumante em minha taça é mais uma prova disso, Panceri Brut Champenoise.
A Vínicola Panceri, inaugurada em 1990, está localizada em Tangará, no meio oeste Catarinense a cerca de 1000 metros de altitude, faz parte de uma região pouco explorada pelo enoturismo em função da falta de um aeroporto de acesso, o de Caçador está inativo, uma pena. Na região encontramos també a Villaggio Grando (Água Doce), Santa Augusta (Videira), e a Kranz (Treze Tilias) , ótima pedida para um passeio de 3 dias pelo pedaço, especialmente para quem puder se deslocar de carro. Fica longe do outro foco do vinho catarinense, a região de São Joaquim, então difícil visitar as duas de uma só vez, viagem para mais de uma semana!
Eu não conhecia os vinhos desta vinícola, mas aproveitando que uma amiga estava por lá, pedi uma caixa com uma amostra diversa de seus vinhos e já me deliciei com o primeiro que abri, até porque aprecio muito provar coisas diferentes. Na taça, Panceri Brut elaborado pelo método clássico (champenoise) com Sauvignon Blanc, eis aí algo que eu ainda não tinha provado! Nossa vinosfera é pródiga nisso, há sempre algo novo a ser provado, cuidado com aqueles que dizem saber tudo, já é falso em geral, mas neste mundinho impossível!! rs
Medalha Gran Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2017 (realizado no Brasil), o espumante é muito bem feito, com bonito colar de espuma, ótima e abundante perlage, muito fresco na boca, frutado, cítrico, com sutis notas de brioche roubou a cena num “chá” da tarde (rs) com amigos em que estavam presentes um Rioja e um Petit Verdot chileno. Se mais garrafas houvessem, mais seriam bebidas, ficou na boca um retrogosto de quero mais! Lá, na vinícola, custa 60 pratas, tremendo preço, porém aqui em Sampa (se acharem) acredito que deva chegar por volta de 75 o que segue sendo uma ótima relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer).
Tenho outros rótulos a provar e se tiver algo mais que me surpreenda novamente virei aqui compartilhar com os amigos. Este eu assino embaixo e fiquei com vontade! rs Saúde, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui.
Esta feira é exclusivamente focada nos profissionais do ramo, porém sei que muito dos amigos leitores estão de alguma forma ligados ao setor profissionalmente, então deixa eu compartilhar aqui este evento que talvez nem todos estejam a par. Eu estarei fuçando por lá no dia 15, quem sabe não nos encontramos? Eis o release recebido com detalhes.
Entre os dias 15 e 17 de outubro, São Paulo sediará a primeira edição da Provino – Feira Profissional de Vinhos e Destilados, direcionada integralmente aopúblico profissional, que terá acesso aos lançamentos, tendências e novidades do setor através das marcas expositoras e do conteúdo do Fórum Provino, com temas práticos do segmento.
Para ter acesso à feira, que se realizará no Transamérica Expocenter, é necessário realizar o credenciamento, que já está aberto no site oficial da Provino, é gratuito e exclusivo para profissionais do setor. Basta acessar: www.provino.com.br/inscricao, preencher o formulário e aguardar a confirmação da organização da feira. Criada para fomentar o segmento como um todo, a Provino tem como meta se tornar uma importante plataforma para o contato entre produtores e importadores de diversos países com distribuidores, sommeliers, comerciantes e importadores do Brasil e da América Latina.
Além do intercâmbio com os principais nomes da indústria mundial, os profissionais vão fazer negócios, aprimorar-se profissionalmente e ampliar o network. A organização estima a participação de 250 marcas expositoras e visitação de 10 mil profissionais nos três dias de evento. Muito interessante também é se programar par participar de alguns dos forums de discussão e palestras, veja a agenda aqui > http://provino.com.br/forum .
Impossível para nós pobres mortais amantes de Baco conhecê-las todas porque o Douro é a região DOC do mundo, com mais variedades de uvas homologadas. São, mais de cem variedades de uvas , todas autorizadas pelo Instituto do Vinho do Douro e Porto. Uma enormidade de uvas a escolher não sendo, portanto, à toa que volta e meia nos deparemos com um vinho de uva totalmente desconhecida para a maioria de nós.
Hoje em dia, a tendência para as recentes plantações está voltada principalmente para cinco castas tintas (Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão e Tinta Roriz) e cinco variedades de uvas brancas (Malvasia Fina, Gouveio, Viosinho, Códega e Malvasia Rei), ambos utilizados para a vinificação de vinho do Porto e vinhos tranquilos. Existem 29 variedades de castas recomendadas na legislação, estas 29 variedades são divididas em dois grupos, o primeiro deve ser usado em pelo menos 60% do vinho (blend de castas diferentes). A composição dessas uvas no blend elaborado, a maioria dos vinhos, compõem o famoso corte duriense tão importante quanto o tal do bordalês, só que mais complexo por unirem mais castas! rs Brincadeiras à parte, lembro que o Douro é a primeira DOC do mundo datada de 1756 criada pelo Marquês de Pombal para assegurar a qualidade dos Vinhos do Porto.
As uvas do segundo grupo devem ser usadas em um máximo de 40% do blend. Finalmente, um terceiro grupo, cuja castas podem ser adicionadas aos grupos anteriores, ” castas autorizadas ” … algumas dezenas, no final podem facilmente atingir as 100.
As características das principais castas tintas utilizadas:
Touriga Nacional – No passado, foi uma casta bastante evitada por causa do baixo rendimento e muito frágil em relação a doenças das videiras.Atualmente, representa apenas 2,5% da área plantada, mas é a única que está sendo usada como mono-varietal na produção de vinhos tranquilos, devido à sua complexidade e elegância, os aromas característicos são: ameixas, cassis e violetas. Taninos doces e extremamente concentrados, grande capacidade de envelhecimento, é portanto, uma casta obrigatória no blend dos Vintage.
Touriga Franca – É a mais plantada na região do Douro Superior, por causa da resistência a diferentes condições climatéricas, esta casta origina vinhos vigorosos, com frutas negras notas e notas florais, como rosas. Apresenta uma boa capacidade de estágio dos vinhos. É comum estabelecer-se uma associação entre o seu bom desenvolvimento durante o ano e uma boa declaração de Vintage .
Tinta Roriz – também conhecida como Aragonêz no Alentejo e Tempranillo em Espanha, esta casta é caracterizada pela alta qualidade e rendimento. Esta variedade oferece uma mistura de geleia de frutas negras e especiarias, oferece alto teor alcoólico .
Tinta Barroca – datada do século XVII, é caracterizada pelo bom rendimento, média intensidade, taninos sedosos, aromas doces e frutados de cerejas e ameixas, alto teor alcoólico . É normalmente a primeira casta tinta a ser vindimada, adquirindo mais cedo do que todos as outras, o pico de maturação. É plantada nas regiões do Baixo e Cima Corgo, uma vez que em áreas mais quentes, como no Douro Superior, irá certamente desidratar.
Tinto Cão – Tradicionalmente, origina vinhos mais leves, de baixa intensidade em cor, com aromas elegantes a frutos vermelhos, especiarias e perfil floral, embora para vinhos envelhecidos, esta casta se revele bastante importante, mostrando uma enorme resistência à oxidação.
Tinta Amarela – Facilmente encontrada no Baixo Corgo, é de difícil plantação, devido à sua fragilidade em resistir às doenças das videiras, no entanto, oferece bastante intensidade em cor e aromas, muitos aromas frutados, com notas vegetais e uma boa capacidade para vinhos de guarda. Esta casta é amplamente plantada no Alentejo, onde é conhecida como Trincadeira. Em outras regiões vitivinícolas portuguesas é ainda conhecida como: Espadeiro (presente nos rosés do Minho), Crato Preto, Mortágua, Murteira ou Rabo de Ovelha Tinto.
Normalmente, as castas brancas são plantadas em áreas mais frescas e com alto relevo. As características das principais castas brancas utilizadas:
Malvasia Fina – Esta variedade de uva produz vinhos muito refinados, frutados e encorpados. É cultivada em algumas regiões vitivinícolas portuguesas, como a ilha da Madeira. É praticamente considerada como obrigatória no que toca á produção de vinhos do Porto e Douro brancos
Gouveio – É cultivada em algumas regiões vitivinícolas portuguesas, como a ilha da Madeira, onde ele é conhecida como Verdelho. Produz vinhos aromáticos (aromas de maçã), textura suave, boa acidez e concentração de açúcar.
Viosinho – É uma casta com baixa produtividade, mas muita qualidade, oferece estrutura e intensidade aromática, é habitualmente misturada com Malvasia Fina no blend dos vinhos do Porto brancos .
Códega – Uma casta muito antiga, hoje em dia é a casta branca com mais área plantada na região duriense, altamente produtiva, origina vinhos com alto teor alcoólico e baixa acidez.
Malvasia Rei – Casta altamente produtiva, embora resulte em vinhos com falta de riqueza aromática e complexidade, geralmente é utilizada em associação com outras variedades de uvas brancas
Por mais que tenhamos litragem e anos nas costas, a vida é um eterno aprendizado e este encontro com o Jean Claude Cara e os vinhos da Cavisteria , hora disponíveis on-line na Vinho Clic e fisicamente (alguns) na Vino & Sapore, foi um desses momentos.
Tenho que confessar que não sou um expert em Borgonha, região que sempre achei muito complicada e onde já tomei os maiores tombos, já que nem tudo que brilha é ouro, devido aos preços tradicionalmente na estratosfera e o que cabe no bolso da maioria de nós pobres mortais na maior parte das vezes deixa a desejar. Não existe, pelo menos nunca passou por minha taça, Borgonha bom e barato, especialmente por aqui com nossa dolorosa realidade de preços. Se falarmos de premier Cru e Grand Cru então, aí haja bolso!! Entre outras coisas fiquei feliz porque provei, em minha humilde opinião, alguns muito bons vinhos com preços, dentro da realidade borgonhesa tupiniquim, bem razoáveis apesar de ainda seguirem não sendo para todos os bolsos, mas já dá para eventuais escapadas ao orçamento! rs Dica para quem não tem o bolso tão gordo assim, divida uma meia dúzia de rótulos com confrades, eu vou nessa.
O Jean Claude é um especialista em vinhos antigos, especialmente nos da Borgonha onde vive a maior parte do tempo. Como um bom Caviste, busca vinhos tradicionais, de pequenos produtores fora do main stream e possui uma vasta coleção de vinhos centenários e raros em sua cave em Beaune. Neste projeto, trouxe alguns dos vinhos mais acessíveis, uns para guardar outros prontos a tomar de alguns desses pequenos produtores. De R$140 a 1900,00 e algo mais, uma seleção de vinhos dos quais tive o privilégio, junto com alguns poucos amigos convidados, de provar numa agradável noite no Loma Casa & Café lá em Moema. Por sinal, lindo o lugar, um misto de; antiquário, objetos de decoração,acessórios e obviamente café e quitutes!
Na prova; um Aligoté mais jovem, dois Borgonhas tintos e finalizamos com um Mersault que mexeu comigo, tinha que ser branco!! rs Para encerrar uma noite muito educativa, foi servido um delicioso Bouef-Bourguignon acompanhado de outra de suas criações, um Elephant Rouge sobre o qual já comentei aqui e é um projeto local com a Villaggio Grando em Santa Catarina. Antes de falar dos vinhos, bem resumidamente porque há coisas difíceis de descrever, deixa eu compartilhar um pouco desta experiência e aula dada pelo Jean Claude
> Vinhos elaborados pelo método ancestral, velha guarda, tradicionalista, vinhos de longa guarda. Colheita manual, longa maceração (4 a 5 semanas) , fermentação malolática em barricas novas com estágio de 18 a 24 meses com battonage, engarrafados sem filtrar. Os mais velhos, tomar a 18ºC, nada de refrescar. Na prática fez todo o sentido.
> Brancos encorpados, longevos, prensagem mecânica e não pneumática, para tomar a 12ºC e os mais encorpados e antigos a 16º. Os vinhos mais tecnológicos, modernos, “mexidos” para agradar se degradam com 8 a 10 anos, já estes tradicionais seguem evoluindo por muitos mais anos. Provamos um 2001 divino!
> Leveduras indígenas são de uso padrão.
> Borgonha é ano, não rótulo. O mesmo produtor, com as mesmas uvas, com o mesmo processo de produção, elaborará vinhos diferentes ano após devido às mudanças climáticas entre os anos que alteram sobremaneira os vinhos e que, por sua vez, evoluirão de forma diferente ao longo de suas longas vidas. Não deixa de ser uma verdade genérica para regiões onde as mudanças climáticas podem mudar radicalmente de ano para ano, algo menos comum por aqui na Argentina e Chile, porém é algo a se pensar. O método tradicional, ou ancestral como o Jean Claude gosta de o chamar, intensifica essas diferenças pois não possuem “maquiagem”.
Domaine Remoriquet Gilles Aligoté 2016, este foi o primeiro vinho provado, uva branca pouco conhecida entre nós e que sempre que provo me surpreendo muito positivamente. Imperceptíveis 12 meses de barrica, boa estrutura de boca, notas sutis herbáceas, bom volume e de uma persistência incrível. Para beber já e guardar, porque vai evoluir.
Jayer-Gilles Cotes de Nuit Village 2011, cereja nos
aromas, acidez bem presente, complexo meio de boca, taninos finos e um longo
final. Vinho que deverá evoluir muito nos próximos três a quatro anos, já extremamente
sedutor.
Vincent Bouzerau Beaune 1er Cru les Pertuzoits 1999, um
jovem adulto de 20 anos vendendo saúde! Envolvente, sua entrada é arrebatadora
toma conta da boca e de nossos sentidos, framboesa, sous bois, algo de couro,
vinho para mais 10, 20 anos e de acordo com o Jean Claude, muito mais. Como
tenho 65 anos, tomo agora e em 5!! rs
Guy Boucard Meursault Charmes 1er Cru 2001, soberbo para terminar a prova e comprovar a fama de grandes Chardonnays da AOC e eu, para variar, gamei. “Só” um adolescente atingindo a maioridade e com uma vida pela frente com seus 24 messes de barrica francesa nova, servido a 16ºC, foi exuberante. Algo salino, alguma untuosidade, parece doce (mel/caramelo) mas não é (pode isso Arnaldo?), nutty, cítrico mostrando notas de limão siciliano bem presente, ótima textura, final de boca algo mineral que não termina nunca, um vinho literalmente egoístico, daqueles para tomar solo (máximo mais um! rs) e com calma, apreciando cada gota do néctar e descobrindo sensações no “decorrer” da garrafa enquanto pensamos em quanto a vida pode ser bela!
Esses e outros vinhos, uma bela seleção imagino só pela mostra provada, já estão disponíveis na Vinho Clic e eu já armei uma degustação de cinco deles na Confraria Saca Rolha com os vinhos que estão na Vino & Sapore, uma boa forma de descobrir esse mundo “novo” de uma Borgonha ancestral, que são vinhos diferenciados, pelo menos do que estou habituado a tomar da região, disso não me restam duvidas. Gostei do que vi e provei, faça você seu próprio juízo de valor provando e comparando alguns desses rótulos, eu vou fazer isso! rs Melhor ainda, coloque junto um vinho similar de marca mais conhecida de grande produtor (tecnológico?), prove tudo ás cegas e sinta, ou não, as diferenças entre eles.
Kanimambo pela visita, saúde e aproveitem o fim de semana tomando bons vinhos em boa companhia. Se faltar bom vinho posso ajudar, já a companhia, bem essa você terá que se virar ou me chama!! rs
Dificuldade danada de encontrar um Riesling minimamente com qualidade a um preço razoável, já nem falo barato porque os vinhos alemães não primam por preços acessíveis, especialmente em terras brasilis. Este gostei bastante, numa faixa de gama de entrada o vinho satisfaz tanto em qualidade como em preço, eureca!
É um vinho da gama de entrada dos vinhos alemães (vinhos de mesa) que têm uma classificação algo diferente e bastante desconhecida da maioria dos seguidores de Baco, então aproveito para colocar aqui o gráfico para uma melhor apreciação e clicando neste link você acessa um artigo da Wine Folly (em inglês!), explicando o que é o quê, mas desde já dando um toque, Trocken quer dizer seco.
Bem, voltando ao vinho, não se deixe levar pelo fato de ele ser um “vinho de mesa”, porque queria eu tomar um vinho de mesa assim todo o dia! A Riesling, em função de sua grande acidez, envelhece muito bem e este exemplar jovem, segue muito jovem mesmo com três anos de sua colheita. Leve, mas sem perder sabor, nectarina, notas petrolatas (existe essa palavra? rs) sutis demonstram sua vibrante mineralidade, um vinho que dá enorme prazer tomar. Deve ser um grande companheiro para frutos do mar grelhados, vieiras, pratos da culinária japonesa e peruana, mas eu me diverti mesmo foi com umas torradinhas e queijo Lua Cheia da Serra das Antas, uma iguaria que casou à perfeição.
Com preço variando entre 113 a 130 reais, vale cada centavo em nossa realidade tupiniquim e certamente visitará minha taça mais vezes especialmente agora que a primavera se aproxima com um calor intenso. Tempo para desfrutar de pratos leves e vinhos idem, sem perder qualidade nem sabor, gostei e recomendo!
Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou por aí em qualquer lugar desta nossa imensa vinosfera. Aliás, aproveito para pedir aqueles que receberam um questionário de pesquisa meu, que por favor o respondam. Sei que é um pé, mas me ajudariam sobremaneira e fico desde já muito agradecido se o fizerem. Se não receberem e quiserem me ajudar com seu voluntariado, rs, me avisem nos comentários abaixo que darei um jeito de vos enviar. Saúde
Mensalmente me dedico a fuçar bons vinhos e preços idem para compartilhar com meus confrades e confreiras da Frutos do Garimpo. Em Agosto, escolhi dois vinhos argentinos da Cara Sucia, que já comentei aqui, porém tinham ficado mais dois por comentar que agora compartilho com os amigos aqui de Falando de Vinhos.
Cha-Cha-Cha, um corte de GarnaCHA Blanca, de MurCHAnte com CHArdonnay. Um vinho de verão, porém com uma pegada de boca mais presente, mais corpo uma característica aportada pela Garnacha blanca, e a chardonnay lhe traz uma paleta olfativa mais complexa, notas cítricas e frutos brancos, muito bom com um arroz de frutos do mar e azafrão, Bifum de Camarão ao Curry, a diversidade é grande. Um vinho vibrante com ótima acidez e final de boca longo para ser tomado ao redor de 8º C que é quando melhor se expressa. Marcante, é um vinho bastante gastronômico e sedutor, que tende a nos surpreender desde a primeira fungada. No nariz algumas notas mais doces que não se confirmam em boca, muito bom e o preço idem, abaixo dos 90 Reais.
Intacto Gran Reserva Petit Verdot, do Vale do Rapel no Chile, um varietal com passagem de 10 meses por barrica francesas de 500 litros usada de terceiro uso. Tipicamente de boa estrutura, porém de taninos surpreendentemente sedosos, frutos negros, notas de especiarias e algo floral, rico meio de boca, final algo mineral de boa persistência. Apenas 700 garrafas produzidas, uma barrica, por uma minúscula bodega chamada “3 Mosqueteros” que nem no mapa aparece! rs A Petit Verdot 100% costuma ser algo mais potente e também vem com uma etiqueta de preços algo mais alto, este consegue se mostrar diferente sem perder a tipicidade. Para um vinho com esta uva e com a pequena produção, o preço na casa dos 110 Reais surpreende muito favoravelmente.
Kanimambo, saúde e uma ótima semana ficando a dica:
Tenha seus portos seguros, mas volta e meia solte suas amarras e navegue por outros mares porque existe coisa demais em nossa vinosfera por descobrir!
Gostei, ponto! Aliás, gostei muito porque me deram enorme prazer tomar e me deixaram feliz. Afinal, o que é esse tal de Cara Sucia? Cara Sucia é um projeto dos irmãos Durigutti que dispensam apresentações, produtores de vinho em Lujan de Cuyo (Las Compuertas), Mendoza numa bodega inicialmente criada em 1959 e comprada pelos irmão em 2008. Na época essa bodega tinha uma capacidade para algo ao redor de 700 mil litros, mas a família já elevou essa capacidade para mais de 2 milhões. Seus vinhos “tradicionais” são altamente premiados por gente como Robert Parker, Wine Spectator, Wine & Spirits, Wine Magazine, Stephen Tanzer, Jim Atkins, James Suckling e outros ban-ban-bans da critica mundial. Aqui eles se dão ao luxo de voltar às origens com vinhos de uvas pouco conhecidas e valorizadas, em pequenas produções buscando vinhedos no leste de Mendoza, em Rivadavia, região menos midiática. Eu gostei muito do que provei e tomei, por isso estar aqui compartilhando com vocês estes dois rótulos.
Cara Sucia Cereza – mal sabia eu que esta uva existia! É uma uva criolla, dos tempos coloniais, cruzamento da Moscatel de Alejandria com a Listan Prieto. Vinhedos antigos (1940) e orgânicos, engarrafado sem filtrar nem clarear, somente 3 mil garrafas produzidas. Sem passagem por madeira, somente ovos de cimento, é um vinho que a maioria das pessoas, que como eu provou, o definiu como vibrante e divertido. Seus 13,5% de álcool são imperceptíveis, fresco que nem um branco, taninos quase inexistentes, cor brilhante cereja claro, seco, é vinho que surpreende, encanta e nos seduz. Não é Rosé, não é tinto, é um Claret! Uma experiência diferente para tomar de golão e que deixa em seu final um persistente sorriso no rosto. Já comprei algumas garrafas para minha adega pessoal.
Cara Sucia Cepas Tradicionales – mais uma viagem dos irmãos! Bonarda, Syrah, Sangiovese, Cardinale, Beiquiñol, Barebera, Buonamico cofermentados. Vinhedos orgânicos antigos, também de 1940, leveduras autóctones, ovos de cimento, engarrafado (só 5 mil garrafas) sem filtrar nem clarificar. O conceito é o de menor interferência enólogica possível o que costuma me assustar um pouco, mas ao abrir a garrafa todos os possíveis preconceitos caem por terra. Nariz que pede para levar a taça à boca, fruta fresca, ervas, taninos sedosos e amáveis, muito boa acidez, absolutamente delicioso na boca, um vinho guloso que pede a próxima taça e acaba rapidinho. Sem protocolos, nem grandes harmonizações, é um vinho acima de tudo muito prazeroso de se tomar.
Os vinhos acabaram fazendo parte da seleção de Agosto da Frutos do Garimpo, espero que os amigos que levaram kits os curtam como eu. É isso por hoje, kanimambo pela visita evem comigo a Santa Catarina? Saúde e nos vemos par aí nas curvas sedutoras de nossa sempre surpreendente vinosfera.
Nova programação num tour de descobertas pelo que há de melhor no mundo da vinicultura Catarinense no mês de Novembro. Seis dias, cinco noites, cinco almoços, transporte terrestre em micro ônibus, vem comigo vai? Reserve já, serão somente 12 (tops 14) vagas para poder dar a atenção exclusiva que o passeio e o grupo merecem.
O futuro dos vinhos finos de qualidade no Brasil, a meu ver,
está na região da Campanha Gaúcha e nos vinhos de altitude de Santa Catarina.
Apesar de jovem, produção iniciou-se no ano 2000, as vinícolas têm nos trazido
vinhos de muita qualidade e inovação especialmente no desenvolvimento de castas
italianas. A proposta deste roteiro é exatamente explorar esta nova fronteira vínica
brasileira com um pequeno grupo de apreciadores e seguidores de Baco.
Cada uma das visitas, degustações e harmonizações foi
cuidadosamente programada para que o melhor pudesse ser experimentado pelos
presentes. Visitas exclusivas, vinhos top escolhidos por mim, experiências
únicas e meu acompanhamento em tempo integral. Visitaremos seis vinícolas,
almoçaremos com os vinhos de outra e ainda teremos uma degustação extra, em que
conheceremos os vinhos de algumas das vinícola que não teremos oportunidade de
visitar.
Eis o roteiro que programei em conjunto com a UGGI que será
a agência centralizadora e responsável por toda a logística.
Dia 2 de Novembro, um Sábado, sairemos cedo de
Guarulhos com destino a Florianópolis onde o Micro estará nos esperando. De lá,
sairemos direto para nossa primeira parada, a linda Vinícola Thera onde
faremos uma visita aos vinhedos e almoçaremos com harmonização de seus vinhos.
Após o término da visita pegamos o caminho para São Joaquim Park Hotel, que
será nossa base durante os próximos dias. Noite livre.
Dia 3 de Novembro, Domingo, Vila Francioni e Villaggio
Conti onde almoçaremos. Final de tarde e noite livre em São Joaquim
Dia 4 de Novembro, Segunda-feira, dia pesado com Leone
di Venezia, Monte Agudo com almoço harmonizado, Villaggio
Bassetti, final de tarde e noite livre em São Joaquim.
Dia 5 de Novembro, Terça-feira, dia light com visita ao Canyon das Laranjeiras, retorno com degustação na Casa do Vinho conhecendo vinhos de vinícolas que não visitamos. Noite livre
Dia 6 de Novembro, Quarta-feira, descida pela serra
do Rio do Rastro a caminho de Florianópolis com visita à queijaria Queijo
com Sotaque e almoço na praia de Gamboa (Vivamo Enogastronomia) onde
provaremos os vinhos da Abreu Garcia num menu harmonizado. Pernoite no
Hotel Hola (Lagoa) e noite livre em Florianópolis com jantar sugerido no Barba
Negra.
Dia 7 de Novembro, retorno cedo a São Paulo.
Quer mais detalhes, preços, etc., deixe seu comentário aqui e lhe enviarei mail ou contate a Paula na UGGI, tel. (11) 3733-4059 ou paula@uggi.com.br. Kanimambo pela visita e se puder ajude a divulgar, toda a ajuda é mais que bem vinda. Saúde e espero ter o prazer de ter um de vocês a bordo nesta viagem de descobrimento.