Embate de Vinhos Latino Europeus às Cegas.
Mais uma confraria na Vino & Sapore, desta feita um embate ás cegas entre rótulos latino europeus, Itália, Portugal e Espanha. Proposta, ver quem acertava a origem dos vinhos sendo servidos. Diversos acertos, muitos erros, mas foi bastante divertido sendo que um deles quebrou preconceitos!
Como sempre, iniciamos com um espumante e desta vez um sem degorgement, ou seja não finalizado, ainda com as leveduras portanto um Nature. Eu que gosto de espumantes tem dia que quero mesmo é tomar um Lirica Crua, diferente de tudo e uma experiência para quem nunca provou!
Il Bossu, um blend da Toscana foi o primeiro a subir no ringue. Corte de Sangiovese (70%) com Merlot da safra 2018. Passa 24 meses em barrica mais 20 em garrafa na adega até sair para o mercado e segue com muita com seus oito anos de vida. Médio corpo com com taninos aveludados a maioria acertou, mas houve quem achasse português. Belo vinho, aliás, todos!
Quinta do Oliveirinha Reserva, do Douro foi nosso segundo participante e o primeiro representante português. Elaborado pela família Alves de Sousa dos amigos Domingos e Tiago, é um corte majoritariamente de Touriga Nacional com Touriga Franca e Tinta Roriz de vinhas velhas com mais de 30 anos. Para não esconder a fruta, barricas francesas de terceiro uso. Muito elegante e fino, fruta madura, boa acidez, mais um vinho que me seduz, mas o pessoal prefere vinhos mais potentes, então não se deu tão bem versus seus adversários.
Dehesa la Granja foi o terceiro combatente a subir no ringue, o representante espanhol deste primeiro flight, e que representante! Tinha gente com preconceito de vinho espanhol que caiu por terra ao provar este vinho. De Castilla y Leon, região entre Toro e Ribera del Duero, vinhedos orgânicos, de médio corpo para encorpado, taninos firmes, mostrando boa estrutura de meio de boca, especiaria maturado por 12 meses em barricas americanas. Sacudiu a imagem que muitos tinham do vinho espanhol, belo vinho. Os confrades ficaram divididos entre Portugal e Itália, Espanha não lhes passou pela cabeça.
Vivanco Reserva Rioja, foi o segundo espanhol do embate e o primeiro vinho deste segundo flight. Como manda a regra, 16 meses de Barrica (60% francesas e restante americanas) e 8 de garrafa na adega antes de sair ao mercado. Um corte majoritariamente de Tempranillo (95%) e o restante de Graciano e Maturana. Vinho muito fresco, leve, fácil de tomar, boas características da regão, mas como o Quinta do Oliveirinha e pelas mesmas razões, não caiu nas graças do povo. A maioria acertou, espanhol!
Quinta da Bacalhôa um clássico português da região Setúbal que não usa nenhuma das uvas típicas lusas, é um soberbo corte de Cabernet Sauvignon com Merlot. Passagem de 24 meses por barricas novas francesas mais 6 meses de garrafa, é um vinho robusto, classudo que vai se abrindo na taça e mostrou todo seu potencial com taninos aveludados e persistentes. Alguns acertos, mas também teve gente achando que fosse italiano.
Elysium Taurassi Riserva 2016, genial vinho da região da Campania na Itália elaborado com 100% da uva Aglianico. Por regra da DOCG, mínimo de 40 meses para sair ao mercado e ele mostrou-se muito bem no ringue com seus 18 meses de barrica mais 24 de adega. Tremendo vinho com 10 anos de idade da safra, mas só seis e pouco no mercado. Digo só seis porque tem muito mais tempo de vida. Grande complexidade e estrutura de meio de boca, algumas notas defumadas, envolvente, belo vinho, meu preferido.
O resultado, demuitos acertos, muitos erros, muita farra, muito aprendizado explorando essa diversidade que é nossa vinosfera e tento repetir aqui na Vino & Sapore. O melhor vinho escolhido, quase que por unanimidade foi o Elysium e o restante empatados ali em segundo o Bacalhôa, O La Granja e Il Bossu.
É isso, fui. Boa semana com bons vinhos na taça 🍷

