Explorando o Rhône em mais uma Confraria

Mais um encontro de confraria na Vino & Sapore onde exploramos fronteiras, conhecemos novos rótulos e aprendemos algo sobre o tema escolhido, desta feita viajamos do Norte ao Sul da região do Rhône na França. Sou fá desta região que produz vinhos essencialmente á base de Syrah no Norte e blends no Sul com Syrah, Grenache e Mouvédre. Hoje o Rhone é o terceiro maior produtor na França depois de Bordeaux e o Languedoc.

Depois de belo espumante da Cave Geisse, um dos melhores no Brasil, para limpar a sérpentina e preparar o palato para o que estava por vir, iniciamos com um ótimo Branco, Perrin Cotes du Rhône Reserva um delicioso e complexo blend de Grenache Blanc, Marsanne, Roussane e Viognier que surpreendeu a todos.

O primeiro tinto foi um Clos de Bellane Cotes du Rhône Village Valreás (só 17 Cotes du Rhône Village levam o nome da vila) elaborado meio a meio Grenache e Syrah de vinhedos antigos com mais de 30 anos safra 2017! Confesso que abri antes com uma certa dose de receio devido á idade, mas estava divino! Grande equilíbrio e complexidade de meio de boca, boa persistência sem notas terciárias. Tremendo vinho.

Perto de Valreás, mas numa região mais alta, veio o segundo vinho da região de Vinsobres, o Perrin les Cornuds, um poderoso blend de Syrah com Grenache. A Grenache maturou em Inox e a Syrah em Foudres por 12 meses resultando num vinho mais encorpado porém de taninos aveludados e boa estrutura. Gosto muito!

No terceiro tinto, demos um pulo ao norte com encostas mais íngremes com um solo de xisto e granito onde a Syrah reina absoluta. Visitamos a região de St. Joseph com o ótimo Brunel de La Gardine elaborado com 100% de Syrah que passa 8 meses em barricas francesas das quais somente 10% novas para não esconder a fruta. Vinhedo plantado sobre rochas de concreto, um Syrah de frio espetacular, refinado, elegante, meio de boca sublime e de muita boa persistência. Bom demais da conta, encontro de muita qualidade este!

O ultimo e derradeiro vinho aberto não poderia deixar de ser um Chateauneuf du Pape. Na impossibilidade de comprar o maravilhoso e único Chateau de Beaucastel muito além de nosso orçamento, escolhi um bom exemplar da Ogier Caves Du Pape, vinícola datada de 1859, com seu rótulo León Perdigal nome do primeiro mestre da adega. Um blend Grenache, Syrah, Mouvédre e Cinsault cultivadas sobre solos perdregosos com passagem de 12 meses por barricas nova. Bem aromático apresentando frutas negras maduras, especiarias que se repetem na boca de forma muito equilibrada com taninos envolventes, carnudo sem se tornar pesado, boa acidez e ótima persistência. Um vinho digno de representar esta famosa AOC, porém ainda sou fã do uso de vinhos com blend de mais castas autorizadas.

Com vinhos desta qualidade, difícil escolher um ganhador e as escolhas foram diversas divididas entre o Perdigal, o La Gardine e o Clos Bellane, sendo que na minha opinião o branco do Perrin também vale um destaque especial, porém sou suspeito, adoro brancos.