Confraria Frutos do Garimpo

Amigos, nesse garimpo que venho fazendo há anos por nossa vinosfera, toda a hora me deparo com algumas pérolas e bons vinhos porém nem sempre ao preço certo. Mais raramente, no entanto, dou de cara com algumas belas ofertas desses mesmos vinhos que merecem ser compartilhados com os amigos então decidi começar esta exclusiva Confraria Frutos do Garimpo - Logoconfraria de compras e oportunidades como forma de compartilhar esses Frutos do Garimpo. Não, não é mais um clube de vinhos, é uma Confraria, não havendo quaisquer cobranças mensais ou obrigação de compra.

Mensalmente, a partir de Setembro, sujeito a disponibilidade montarei uma série limitada de caixas (avisarei a quantidade disponível nas chamadas mensais) com 4 garrafas destes achados, frutos do meu garimpo. A cada mês os valores mudam (devendo ficar entre R$200 a 350) e os vinhos mudam, podendo até haver maior disponibilidade num ou noutro mês ou não haver nenhuma oferta já que, lembrando, são Frutos do Garimpo e aquela “pepita” nem sempre dá as suas caras e quando dá são de pouca monta! Podem ser duas garrafas de um mesmo vinho e as outras de dois vinhos diferentes, podem ser duas garrafas de dois rótulos, a cada mês a história será diferente, o objetivo é compartilhar as pepitas achadas nas entranhas de nossa vinosfera. Passo os preços com minha resenha dos vinhos e você compra se quiser e quando quiser, tendo tempo para pesquisar, porém como as quantidades serão limitadas a venda será realizada aos primeiros que confirmarem e somente uma caixa por pessoa.

O foco será, obviamente, na qualidade atrelada a um preço abaixo da média do mercado, diversidade de estilos e uvas, sendo coerente com tudo o que venho escrevendo já faz anos. Eventualmente poderei me deparar com outros frutos que não vinho, por exemplo um acessório, no qual o conceito também se aplique e o incluirei para apreciação dos confrades. Pintou oportunidade na minha praia, a idéia será compartilhá-la com você e disponibilizá-la aos confrades e confreiras se houver quorum. A confirmação da reserva se dará através de depósito em conta, após o qual faremos a entrega que será gratuita em Cotia,Alphaville e nos seguintes bairros de São Paulo > Morumbi, Vila Olímpia, Itaim, Jardins, Pinheiros e Butantã. Qualquer outro local de entrega ficará sujeito a cobrança de frete junto com o depósito da reserva e avisado antecipadamente. Eventualmente, poderá ser retirada na Vino & Sapore por aqueles que moram na região da Granja Viana, no entanto os Frutos do Garimpo não estarão disponíveis na loja e, caso venham a estar nas prateleiras, estarão com preço de mercado.

Gostou da idéia, tem interesse em participar? Pois bem, preencha o formulário em clicando aqui e assim que tenha o primeiro “KIT” pronto, deve ser Setembro, lhe enviarei e-mail com os Frutos do Garimpo do mês e as resenhas. Estes achados não serão divulgados na internet ou em redes sociais, então sua inscrição na Confraria “Frutos do Garimpo” será a única forma de você vir a ter acesso a eles.

Kanimambo a todos que vierem a apoiar este novo projeto que se inicia agora em Setembro de 2015. Bem vindos a bordo e espero que a viagem seja prazerosa!

Mais de Um Século na Taça, Pireko Malbec.

Soa meio estranho, mas o Pireko é bom! rs O nome de origem indígena significa “água do degelo das montanhas” e vem de Perdriel, sub região conceituada de Lujan de Cuyo em Mendoza, onde Rodolfo Spielmann se deparou com esta propriedade na Calle Cobos com 17 hectares de vinhas de Malbec plantadas até 1910 em pé franco. Porquê comprá-lo, porquê não comprá-lo, foi lá e comprou-o em 2009 como investimento de retorno a sua terra natal. Para tocar enologicamente o projeto, ninguém mais ninguém menos que Pepe Galante que para os aficionados dos vinhos argentinos dispensa maiores apresentações.  Hoje provei meu primeiro vinho, o de entrada deles, que me deixou muito boa impressão, o vinho não tem 100 anos, mas as vinhas que geram o caldo são e fazem diferença!

Vinhedos velhos neste nível, cerca de 109 anos, são poucos produzindo comercialmente e possuem algumas características bastante valorizadas porque transmitem ao vinho particularidades diferentes. Apesar de alguns projetos mais apressados, um vinhedo novo começa a produzir alguma coisa aceitável por volta de 3 anos e atinge um patamar de produtividade/qualidade comercial adequada a partir de 5 anos, aqui falamos de 109 anos! A produtividade foi para a glória, o número de cachos por planta é pequeno, porém a concentração, intensidade e acidez se acentuam e os taninos se tornam mais amistosos. Tudo isto me pareceu muito presente neste vinho de entrada e me aguçou a curiosidade para conhecer seus outros rótulos. Da linha Pireko só provei este Malbec centenário, mas ainda há o Cabernet Sauvignon e o Pedro Gimenez.

Pireko Malbec Centenário 2016, (primeira safra lançada) é um single vineyard sem passagem por madeira somente inox, traz uma textura e volume de meio de boca deliciosos. Cor de rubi intenso, aromas de frutos vermelhos frescos, levemente encorpado sem pesar, taninos firmes mas sedosos, fruta abundante  sem excessos de madurez, acidez balanceada, longa persistência algo apimentada que deixa um retrogosto de quero mais na boca. Um vinho que vai se abrindo na taça e melhorando a cada gole, vinho para derrubar qualquer eventual preconceito para com os vinhos Malbec e que se beneficiará de uma meia horinha de aeração. Para um vinho de entrada, de pequena produção (750 caixas), surpreende duplamente começando pela qualidade mas também no preço, na casa das 100 pratas hoje de acordo com o importador que é o próprio produtor.

Como curioso que sou, agora quero descobrir o resto e quero conferir se meu conceito de que quem faz um vinho bom de entrada não nega fogo conforme subimos a escada se confirma mais uma vez. Tem um corte que leva Petit Verdot, já esfregando as mãos! rs Kanimambo pela visita, saúde e uma ótima semana para todos.

Encontro Mistral Está em Sua Nona Edição!

Tenho andado sem tempo para Falar de Vinhos, semana que vem retorno, porém não poderia deixar de comentar a nona edição do Encontro de Vinhos Mistral semana que vem e que, desta feita, trará 68 renomados produtores de vinho para o evento de 2019. Criado em 2003 e realizado a cada dois anos, o evento chega a sua 9ª edição como um dos mais respeitados eventos de vinho do Brasil. Em São Paulo, acontece nos dias 27 e 28 de maio, no hotel Grand Hyatt, e no Rio de Janeiro, no dia 29, no Belmond Copacabana Palace.

Vinícolas das principais regiões produtoras de 14 países serão representadas por seus proprietários ou enólogos, que apresentarão pessoalmente ao público mais de 450 grandes rótulos. Grandes nomes do vinho estarão presentes nesta edição. Entre destaques do Velho Mundo estão o espanhol Miquel Ángel Cerdà, proprietário da Ànima Negra e Terra de Falanis; o francês Jean-Louis Despagne, da Château Tour de Mirambeau; e os italianos Roberto Stucchi, enólogo da Badia a Coltibuono, Paolo Coppo, da Coppo, além de Paolo Campagnola, da Campagnola e Luca Speri, da Speri, duas vinícolas que entraram recentemente para o portfólio da importadora.

Portugal também tem representantes de prestígio no evento, como  o enólogo Luis Patrão, da Herdade de Coelheiros, Luis Cerdeira, proprietário da Soalheiro, e voltam ao país produtores já conhecidos do público, como Diogo Campilho, da Quinta da Lagoalva, Maria Castro, da Quinta da Pellada, e Luis Pato, uma das maiores celebridades do vinho português.

Do Novo Mundo, participam os chilenos Maria Paz e Matias Garcés, proprietários da Viña Garcés, e os enólogos Bernardo Troncoso, da Viña Montes, Emily Faulconer, da Viña Carmen, e Andrea Leon, da Lapostolle; o argentino Ernesto Catena, proprietário da Tikal; e os brasileiros Luís Henrique Zanini e Ana Paula Valduga, proprietários da Vallontano.

O público poderá também provar rótulos de consagradas propriedades, como as francesas Joseph Drouhin e Georges Vigouroux; as gregas Gaia, Boutari e Cambas; as espanholas Vega Sicilia, Alión, Pintia, Pesquera e Viña Bujanda; as alemãs Selbach Oster e Robert Weill; as sul-africanas De Wetshof e Boekenhoutskloof; a húngara Oremus; e as argentinas Catena Zapata, El Enemigo e Bodegas Caro.

A lista completa de expositores segue abaixo e dentro de tantos e tão bons, fácil se perder! A verdadeira escolha de Sofia e cada um tem a sua, mas eu já selecionei (com asterisco) aquelas que eu visitarei. Se der, ainda incluo mais umas duas ou três, mas vou ter que chegar cedo!! Programa para dois dias na verdade e se começasse às 16h melhor, vai faltar tempo para o papo. rs Para quem tiver bala na agulha um belo programa é os dois dias com jantar e pernoite no hotel, da hora né??

PAÍS PRODUTOR
África do Sul Barista
África do Sul Boekenhoutskloof*
África do Sul De Wetshof
Alemanha Domdechant Werner
Alemanha Hans Wirsching
Alemanha Robert Weill
Alemanha Selbach Oster*
Argentina Alamos / Catena Zapata
Argentina Bodegas CARO (Catena Zapata & Château Lafite-Rothschild)
Argentina El Enemigo
Argentina Ernesto Catena*
Áustria Riedel
Brasil Vallontano*
Chile Lapostolle
Chile Viña Carmen
Chile Viña Garcés Silva
Chile Viña Montes
Espanha Anima Negra / Terra de Falanis*
Espanha Bodegas Julian Chivite / Gran Feudo
Espanha Bodegas Luzón*
Espanha Bodegas Valdemar
Espanha Castell del Remei / Celler de Cérvoles
Espanha Pesquera/ El Vinculo / Dehesa La Granja
Espanha Vega Sicilia / Alión / Pintia / Macan
Espanha Viña Bujanda / Finca Valpiedra / Cosecheros y Criadores / Finca Antigua
EUA Drouhin Oregon*
França Chateau Tour de Mirambeau
França Georges Vigouroux
França Joseph Drouhin
França M.Chapoutier*
Grécia Boutari
Grécia Cambas
Grécia Gaía
Hungria Oremus
Itália Badia a Coltibuono *
Itália Berta (Grappa)
Itália Campagnola
Itália Castello di Montepó *
Itália Coppo
Itália Masciarelli
Itália Lungarotti
Itália Speri
Itália Tenuta Capezzana
Portugal Blandy’s
Portugal Symington (Graham’s / Altano / Prats&Symington)
Portugal Herdade de Coelheiros
Portugal Luis Pato
Portugal Quinta da Lagoalva*
Portugal Quinta da Pellada / Quinta de Saes*
Portugal Quinta do Côtto*
Portugal Quinta do Vale Meão
Portugal Soalheiro*
Uruguai Pisano*

Ainda dá tempo e vale muito a pena, mas corra que os ingressos estão se esgotando e não haverá venda no local. Fica a dica, kanimambo e saúde

ENCONTRO MISTRAL 2019

São Paulo: 27 e 28 de maio – Grand Hyatt (Av. das Nações Unidas, 13301)

Rio de Janeiro: 29 de maio – Belmond Copacabana Palace (Av. Atlântica, 1702)

Horário: das 17h às 21h30

Preço: R$350

Reservas e informações:

(11) 3372 3400

encontro@mistral.com.br

www.mistral.com.br/encontro

 

Um Rosé de País na Taça.

Tinha prometido compartilhar com os amigos duas preciosidades que recentemente tive a oportunidade de provar num evento da importadora inglesa Berkmann Wine Cellars, pois aqui estou cumprindo a promessa com o primeiro deles, o J. Buchon Rosé de País 2018, uma das mais gratas surpresas dessa degustação que me foi apresentado por um dos dois irmão que hoje tocam a vinícola, o Juan Buchon (da foto), o outro é o Julio.

Originária de Castilla-La-Mancha (Espanha) onde é conhecida como Listán Prieto, esta casta responde por uma série diferente de nomes dependendo de onde se encontra. Trazida pelos colonos e missionários espanhóis,  é conhecida como País no Chile, Criolla na Argentina, Mission nos Estados Unidos, Misión no México e como Negra Corriente ou Negra Peruana no Peru. Parece que se plantou inicialmente no México por volta da metade do século XVI de onde viajou ao Peru e posteriormente à Argentina e Chile, onde é a segunda variedade de vitis mais plantada depois da Cabernet Sauvignon. Os vinhedos são prolíferos e as uvas de difícil vinificação, tendo sido por muito anos usada na elaboração de vinhos tintos e rosés coloniais baratos. De uns dez anos para cá, como aconteceu na Argentina com a Criolla, gestão de vinhedos e novos processos de vinificação possibilitaram elaboração de vinhos mais finos, porém os famosos Pipeños (que não me agradam) viraram meio cult de uma nova tendência de retorno às origens e a País começa a ganhar um espaço de destaque com grandes produtores investindo pesado na produção e divulgação de novos vinhos, por vezes muito caros.

Tenho provado deliciosos vinhos tintos de Criolla na Argentina, mas sinceramente nada do que provei do Chile até agora me agradou e não compraria. Pois bem, o primeiro País que me seduziu por completo é este, elaborado como Rosé. Pensando bem, uma vez (2015) provei um espumante rosé desta uva que também achei bastante interessante, O Santa Digna Estelado Rosé da Miguel Torres, que mesmo que não tenha me encantado por completo me despertou o interesse por essa uva. Fica a pergunta no ar, será que o caminho não é o rosé em vez de insistir nos tintos?? A história da uva no Chile parece que corrobora isso, só precisava ser melhor trabalhada.

Este delicioso e festivo Rosé era elaborado até 2017 com uma maior participação de Cabernet Sauvignon e um toque de País, em 2018 a País aparece solo e brilha. Estamos diante de um vinho que prima pelo frescor, um vinho vibrante cheio de vida, um vinho para cantar em verso e prosa! O melhor rosé do mundo? Tem gente que que adora essas coisas, rs, não, não é, porém é certamente um dos mais prazerosos e festivos que já tive a oportunidade de tomar nos últimos tempos. Este não só provei como já tomei, sim porque provar (quando se gosta) dá uma vontade danada de tomar.

A cor de casca de cebola (tradicional junto com a cor salmão em rosés) e brilhante já é um baita convite a abri-lo e encher a taça. Aromas frutados onde aparece de tudo, de cítricos a frutos vermelhos, nectarina, na verdade uma tremenda e fresca salada de frutas que repete na boca com um aporte de acidez que lhe dá uma crocância e vivacidade como poucos. Um vinho que acompanhará bem a culinária japonesa, peruana, frutos do mar em geral mas que, acima de tudo, combina comigo, com minha loira e com felicidade, eta coisa boa, puro prazer engarrafado e ainda vou tomar muitas delas! Preço na casa das 85 a 90 pratas nas boas casas do ramo (rs).

Um ótimo fim de semana para todos, retorno semana que vem para falar do Mendraka Bizkaiko Txacolina. Kanimambo pela visita, saúde e bons vinhos sempre.

 

 

Explorando o Portfolio da Berkmann.

Vou falar um pouco sobre este gostoso evento promovido pela importadora Berkmann Wine Cellars de origem inglesa no sentido de mostrar a seus potenciais clientes e alguns formadores de opinião, blogueiros, sommeliers etc. um pouco de seu portfolio, tinha vinho para dedéu!! rs Consegui provar 50 dos quais 27 se destacaram, entre eles selecionei alguns que fizeram minha cabeça tendo descartado os que não cabem no bolso da maioria como o incrível Querciabella Batár 2013 um incrível blend de Chardonnay com Pinot Blanc, biodinâmico, vinho para bocas mais treinadas e bolsos cheios porque custa no mercado algo entre 800 a 900 pratas, mas se tiver mergulhe de cabeça, divino.

 

Áustria e Alemanha : Gosto bastante da uva austríaca Gruner Veltliner, sempre muito fresca porém algo cara para o que entrega, o Zero-G é uma grata exceção apresentando a notas típicas da casta com um uma textura bem gostosa e um preço estimado entre 120 a 125 pratas, o que mesmo não sendo barato, é um bom preço comparado ao mercado e outros rótulos disponíveis. Gostei bastante também do Riesling alemão White Rabbit em que nem o nome nem o rótulo ajudam muito (rs), mas o que interessa é o conteúdo e esse mostrou a boa mineralidade e tipicidade da casta, sem exageros, bem balanceado. Para vinho alemão de qualidade, os 150 a 160 Reais está de bom tamanho porque a maioria começa a partir de 180, gostei, apesar do rótulo. rs

 

Argentina. – De la Rioja a bodega San Humberto apresentou alguns bons vinhos entre eles um baita Petit Verdot raçudo e potente o Nina Gran Reserva, mas o que mais me seduziu foi o Nina Gold Torrontés. Tem gente que vira a cara para a Torrontés, eu não sou um deles, e há ótimos produtos no mercado entre muita zurrapa, tenho que reconhecer e estes não têm ajudado em nada na divulgação dos vinhos dessa cepa, mas estamos diante de um exemplar primoroso desta uva. De mais corpo, ótima intensidade aromática sem exageros que muitas vezes prevalecem nestes vinhos, boca de ótima textura, vivaz um vinho para quebrar preconceitos, pena que o preço seja algo puxado na casa dos 200 Reais.

 

Brasil: Vinhetica, franceses fazendo vinhos no Brasil e trabalhando com uvas dos dois melhores terroirs brasileiros, Campanha Gaúcha e Serra Catarinense. Dois vinhos me surpreenderam, um mais tradicional mas de corte fora dos padrões regionais e um blend de brancas não filtrado. O branco é o Terroir de Blanc, blend das uvas Sauvignon Blanc, Fiano de Avelino e Robolla Gialla da Serra catarinense, que poderá assustar os mais incautos por não ser filtrado sendo bem turvo, estilo visual Shweppes Citrus! rs Me fez lembrar os espumantes sem degorgment hoje disponíveis mercado, muito interessante, vinho a se descobrir com notas cítricas bem acentuadas e um toque vegetal que lhe aporta a Sauvignon Blanc que é mais presente no corte e boa textura de boca. Provei o filtrado também, bom, mas este me despertou mais a atenção e o preço na casa dos 75 a 80 Reais. O tinto Terroir d’Elegance é o, a princípio, mas tradicional com passagem em barricas por 12 meses porém um corte algo diferente; Cabernet franc, Teroldego, Cabernet Sauvignon, Ancellota e Tannat da Campanha com boa pegada, corpo médio, bom volume e taninos sedosos bom vinho com preço entre 80 a 85 Reais, bem honesto para o que entrega.

 

Chile – o produtor presente foi a J. Bouchon que depois de uma fase mais “popular” volta a presentar vinhos de muito bom nível que me agradaram bastante. Gostei bastante dos Canto Sur e Canto Norte, dois cortes muito bem feitos, O Norte bem bordalês com Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, porém foi o Sur que mais me seduziu com um corte diferenciado de Carmenére, Carignan e País bastante complexo, fresco, de taninos muito elegantes ambos na faixa de 130 Reais. A linha Block Series é um nível acima, vinhos mais robustos e estruturados, tanto o Malbec quanto o Cabernet Sauvignon, porém foi este último que mais me chamou a atenção. Belíssimo Cabernet de boa tipicidade sem aquela marca que me incomoda (coisas do Tuga! rs) de pimentão e goiaba que faz a cabeça de alguns. As notas vegetais são suaves, a fruta se mostra mais presente, notas tostadas um vinho de 2015 com ainda muitos anos pela frente de evolução, gostei muito e aqui já chegamos na casa dos 150 a 160 Reais que já começa a ser para poucos, mas vale a pena. A linha Granito é soberba, especialmente o branco de Semillon com 12 meses de passagem por barrica, tremendo vinho e o preço acompanha (talvez um pouco exagerado) chegando já na casa dos 350 Reais, mas tendo disponibilidade, compre logo a dupla! rs Seduzido mesmo fui pelo vinho mais barato desta leva provada o J. Bouchon Reserva Rosé de País 2018 que merece um post separado num futuro breve, o primeiro País (uva regional também conhecida como Criolla Chica por aqui e Criolla Grande na Argentina) 100% que realmente gosto, o resto não rolou nenhum até agora, e que é para tomar de caixa, delícia com preço de cerca de 89 Reais.

 

Espanha – Aqui separei dois vinhos que valem muito a pena, um bem barato o outro já na gama mais alta de preços porém condizente com seu status. O primeiro é um Tempranillo de Rioja o Casa Roja Tempranillo que possui um preço algo abaixo das 60 pratas e que nesta faixa mostrou que entrega algo a mais, muito bem feito, corpo mais leve mas cheio de sabor, bem bom! Já a Finca del Marquesado apresentou três vinhos também de Rioja, dos quais dois me chamaram a atenção, o Crianza com bons  135 Reais de custo ao consumidor o que o torna muito competitivo nessa classificação e é um vinho muito bem feito e rico, mas o Gran Reserva 2009 é da hora e o preço condizente com este nível de qualidade, idade e classificação, tremendo de um vinho que pode tranquilamente evoluir por mais uma meia dúzia de anos e fez minha cabeça. Preço beirando as 300 pratas. A grande surpresa e uma delicia de vinho, com uma acidez no nível dos Vinhos Verdes e vinhos da Galícia, estilo que me agrada muito, um vinho Basco, o Mendraka Bizkaiko Txacolina. Este vinho, como o Rosé de País da J. Buchon, vai merecer um post solo pois é deveras interessante. Txacoli é o estilo, Bizkaico é região demarcada na área rural de Biscaia e as uvas Hondarrabi Zuri e Zerretua, simples assim! rs Na boca explode em sensações vibrantes e frescas, acidez lá em cima, limão, maçã verde, adorei e tudo a ver com nossas regiões costeiras, frutos do mar, adorei! Vinho na casa dos 110 Reais e vale.

 

França – não me dediquei muito a este país e três foram os vinhos que achei bastante interessantes com preços idem, porque a busca é por qualidade com preço. Vinho bom e caro tem de monte, tem que garimpar por “acessibilidade vínica” rs! Guy Allion é o produtor de dois deles, o Les Quattre Pierres Cabernet Franc do Loire de boa tipicidade e preço razoável (130 a 140 pratas) e um belo Cremant do Loire Blanc de Blancs Brut 2016 na mesma faixa de preço e elaborado com um blend de Chenin Blanc (80%) e Chardonnay com autólise de 18 a 24 meses, método champenoise, mousse incrível, ótima perlage, fresco porém complexo, brioche, cítrico, o mais perto de champagne que provei nos últimos anos e por cerca de 140 pratas, menos de metade do preço destes!

 

Da Hungria – Produtor Sauska. Não sou chegado em Furmint seco, tomei poucos que me agradaram e este é certamente um deles, saboroso, ótima boca, aromas sedutores, por um preço de 110 pratas é uma boa pedida para quem gosta de brancos diferentes e explorar uvas menos conhecidas. Seu Tokaji Late Harvest Cuvée Sauska na faixa dos 350 Reais é muito bom, mas me parece que o 5 Puttonyos é bem mais negócio por cerca de 60 pratas a mais.

 

Portugal – Ermelinda de Freitas da região Setúbal é o protagonista e vi para minha alegria, mesmo não estando lá para prova, que os vinhos Terras do Pó Branco, tinto e Reserva estão de volta ao mercado pelas mão desta importadora com preços bem competitivos. Do que provei se destacaram dois rótulos da linha Casa do Rosário Branco e em especial o Rosé elaborado com Castelão cortado com Syrah e Touriga Nacional de cor mais intensa, bela pedida para companhar Paella Mista e a um preço bem moderado na casa dos 75 conto.

 

Itália – Alguns bons vinhos de produtores renomados como Fenocchio (Barbera d’Alba duro e muito jovem) e Maculan (delicia de Vespaiolo) de preços algo mais salgados. Na linha mais acessível, o Villa Rossi Sangiovese,  ligeiro e gostoso, da Emilia Romagna por 59 Reais é um belo companheiro para o macarrão da mámma ou a pizza de Sábado e o Visconti della Rocca Primitivo de Salento, um primitivo fácil de gostar na casa dos 75 Reais, preço bem honesto para vinhos dessas uva no mercado

Fazia tempo que não dava essas saídas de garimpo, pena que tirei poucas fotos, estava com saudades e foi muito bom rever alguns amigos presentes. Diversos vinhos interessantes, outros nem tanto e isso faz parte do jogo, mas “overall” uma seleção que deixou algumas (diversas, rs) pulgas atrás da orelha e certamente esses acima destacados são para os amigos marcarem no caderninho na próxima visita a um restaurante ou loja preferida.

Um ótimo fim de semana, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou na Vino & Sapore, onde dou plantão de Quarta a Sexta das 14 às 20h ou aos Sábados das 10 às 19h dia em que sempre tenho algo aberto para receber os amigos. Fui, saúde

 

 

Bella Quinta Song & Risoto de Funghi

Mais um vinho muito agradável brasileiro que tive a oportunidade de provar e harmonizar. Como gosto sempre de salientar, se a companhia é boa, o vinho e comida idem, não tem erro mas quando orna é um plus, é da hora! Foi o caso aqui, gostei do vinho, que ganhou um ponto extra em função do preço, o risoto ficou muito bom e nem a loira faltou, bão demais da conta. rs

O vinho é daqueles que é difícil não gostar e nessa faixa de preço vale muito a pena pelo que oferece. Apesar da Bella Quinta ser aqui pertinho, na estrada do vinho em São Roque, este vinho o Gustavo faz num parceiro em Flores da Cunha e as uvas são de lá e de Caxias do Sul. O Cabernet Sauvignon, protagonista com 70%, é cortado com 20% de Merlot e completado com Tannat. Passa oito meses em barricas usadas, imagino que de quarto ou quinto uso, para integrar o vinho num processo que visa mais a micro oxigenação do vinho do que lhe aportar qualquer outro eventual beneficio tanto de aromas como de taninos ou sabores. Esse tempo integrou o vinho muito bem, domando os taninos e deixando-o mais pronto a beber.

Bem frutado no nariz com leve toque vegetal e sutil baunilha comprovando que houve alguma passagem por barrica. Na boca a fruta escura está mais presente, alguma nota terrosa, acidez balanceada, médio corpo, textura gostosa, especiarias, taninos macios e aveludados que não agridem e que o tornam fácil de beber e gostar, mesmo que sem grandes complexidades o que, de qualquer forma, não é de se esperar em vinhos desta faixa de preços. Final de média persistência que deixa um gostinho de quero mais na boca e que, em função do preço, não é tão difícil de ocorrer! rs

Com preço entre 55 a 60 Reais, um vinho que entra na minha lista de Best Buys, inclusive por sua versatilidade de harmonizações seja com pratos seja com pessoas. Neste caso, num almoço com a loira em casa, preparei um Risotto de Funghi Secchi no qual usei um vinho branco, e deu um belo samba enredo! rs Poderia também acompanhar um bom hamburger, pizza de peperoni ou calabreza, carnes grelhadas, aquele picadinho mineiro, gente com litragem ou pessoal iniciante, enfim, dá para viajar sem medo de ser feliz mostrando que em todas as faixas de preço há coisa boa a ser garimpada, gostei.

Gente, por hoje é só, kanimambo pela visita, uma boa semana e seguimos nos encontrando por aqui. Saúde

 

Um Chardonnay Abaixo dos 50 Conto!

É, tem sim e bem legal, do jeito que meu amigo Didu gosta (rs)! Como em todos os tipos e estilos de vinhos, há momentos para tudo e ninguém nega, especialmente quem tenha alguma litragem na taça, que os grandes vinhos são experiências únicas, mas também não são para todos e muito menos para toda a hora! Grandes vinhos, grandes preços, não tem como fugir disso e não são para a maioria de nós meros mortais, seguidores de Baco que somos. Esses grandes vinhos ficam restritos a poucos ou, pelo menos, a poucos e raros momentos de nossa vida terrena, mas o bom é que há bons e saborosos vinhos em todas as gamas de preço guardadas as devidas limitações, obviamente, e dentro do contexto em que se encaixam.

Há vinhos descompromissados que não abrem mão de qualidade e eu garimpo esses rótulos, vinhos que tomo regularmente de forma informal. Um desses rótulos que agora compartilho com os amigos é o VSE Classic Chardonnay, vinho chileno elaborado sem passagem por madeira e que já acompanhou com gallardia uma tainha no forno recheada com farofa. A Vina San Esteban, é localizada no Vale de Aconcagua onde a família Vicente possui cerca de 150 hectares de vinhedos acompanhando o rio do mesmo nome encostado nos pés da Cordilheira. Nessa terras elabora, vinhos com três marcas diferentes; a VSE, a In Situ e a Rio Alto. Costumo dizer que a melhor forma de conhecer um produtor é provando sua linha básica, se aí são bons, pode apostar seu rico dinheirinho em seus vinhos de alta gama sem erro! Problema é que tem muito gente produzindo vinhos “Ícones” mas que deixam muito a desejar em suas linhas mais básicas, ainda bem que este não é o caso.

Há momentos para aquele grande Chardonnay e há momentos, vários por sinal, para este pois com preço entre R$45 e 50,00 é um vinho que pode sim visitar nossas taças de forma mais regular. Um vinho que busca a essência da uva sem mascará-la, buscando o frescor da fruta só com fermentação em inox sem qualquer passagem por barrica. Um vinho leve, saboroso, toque de frutas tropicais típicos da casta, sutil, fresco, final algo cítrico, um vinho com cara de verão, muito agradável de se tomar. Para beber solo, só com boa companhia e bom papo, petiscando queijos, frutos do mar grelhados, lula à doré, até um peixe no forno com farofa como esse na foto acima.

É um grande vinho? Não, nem se propõe a isso, porém é bem feito, honesto, vale bem o que custa, dá conta do recado e nessa faixa difícil de achar igual, gosto e pronto. Ainda Sábado passado acompanhou um Penne ao Pesto com amigos, mato a cobra e mostro o pau (rs), vale muito a pena e certamente combinará também com pratos de bacalhau mais ligeiros, um vinho bastante versátil nesta faixa de preço e eimportação de meu amigo Juan da Almeria Vinhos. Kamimambo pela visita, saúde e feliz Páscoa, retomo meus escritos na Segunda.

 

Montes Ermos Códega de Larinho Grande Reserva

Que bela surpresa e um tremendo de um companheiro para seu Bacalhau santo! rs A Códega de Larinho é uma casta pouco conhecida por nós aqui no Brasil, mas isso não é de se estranhar já que acredito que poucos a conheçam também em Portugal. Afinal, a saudosa terrinha tem mais de 250 uvas autóctones então volta e meia acabamos por nos deparar com algo “novo” na taça.

A casta é oriunda do nordeste português em especial no Douro (não confundir com Côdega que na verdade é Siria ou Roupeiro) e em Trás-os-Montes onde costuma participar em blends brancos com a Gouveio e Viosinho sendo pouco comum aparecer em varietal. Boa intensidade aromática, frutos tropicais e floral, é de amadurecimento médio, cachos densos e normalmente apresenta pouca acidez, características estas bem presentes neste vinho.

Monte Ermos Códega de Larinho Grande Reserva 2013, um vinho que na sua maturidade de seis anos, perdeu sua cor citrina adquirindo uma capa amarelo dourado, bonita e brilhante. Monovarietal, já que como sabemos um vinho varietal pode possuir em sua elaboração até 15% de outras castas, o vinho é elaborado com 100% de Códega de Larinho do Concelho de Freixo de Espada à Cinta no Douro superior, pela adega cooperativa do mesmo nome. Toques florais e laranja compotada, sutis notas amadeiradas e lácticas compõem um perfil aromático de boa intensidade. Na boca mostra untuosa textura, bom corpo, acidez balanceada, frutos tropicais maduros, leve abaunilhado e uma dose de mineralidade no final de boca com boa persistência. Muito bom vinho que certamente irá harmonizar com Bacalhau com Natas e receitas de pratos de bacalhau de maior intensidade e estrutura. Preço entre R$130 a 140,00 Reais em São Paulo.

Kanimambo pela visita, saúde e uma ótima Páscoa para todos, volto depois compartilhando mais novidades. Fui!

 

 

Os Símbolos da Páscoa à Mesa.

Quer sigamos preceitos religiosos ou não, certamente a maioria de nós acaba absorvendo as tradições da Páscoa. O Porquê do Bacalhau, do Cordeiro, do Pão, do Vinho, dos Ovos de Páscoa, você sabe? Quer agregar algo a esta sucinta lista, sempre bem vindo para enriquecer o conteúdo, usem os comentários à vontade.

  • Peixe (Bacalhau): Na época da Idade Média (ainda hoje), os cristãos deveriam obedecer os dias de jejum, excluindo de sua dieta alimentar as carnes “quentes ”, já o peixe era uma comida “fria” e seu consumo era incentivado pelos comerciantes nos dias de jejum. Como o bacalhau era abundante e barato, este passou a ter forte identificação com a religiosidade e a cultura do povo português.Os portugueses desembarcaram o hábito de comer bacalhau no Brasil já na época do descobrimento. Mas com a chegada da corte portuguesa, no início do século XIX, ocorreu uma difusão natural. Em 1843, a Noruega oficialmente exportou a primeira carga de bacalhau para o Brasil.Os intelectuais da época, liderados por Machado de Assis, sempre aos domingos, reuniam-se em restaurantes do centro do Rio de Janeiro para degustar um autêntico “Bacalhau do Porto” e discutir os problemas brasileiros. Ainda hoje são muitos os restaurantes especializados em preparar e servir um autentico bacalhau, marca da união do homem à mesa em torno de longas conversas. Virou tradição na Sexta-feira Santa.
  • Cordeiro: O cordeiro é o símbolo mais antigo da Páscoa, é o símbolo da aliança feita entre deus e o povo judeu na páscoa da antiga lei. No Antigo Testamento, a Páscoa era celebrada com os pães e com o sacrifício de um cordeiro como recordação do grande feito de Deus em prol de seu povo, a libertação da escravidão do Egito. Assim o povo de Israel celebrava a libertação e a aliança de Deus com seu povo. Moisés, escolhido por Deus para libertar o povo judeu da escravidão dos faraós, comemorou a passagem para a liberdade, imolando um cordeiro. Tradição de Domingo de Páscoa.
  • Pão: significa o corpo de Jesus que foi oferecido para os discípulos na ceia final
  • Vinho: o vinho representa o sangue de Cristo que foi servido para os discípulos na última ceia e é considerado um dos principais símbolos da Páscoa.
  • Ovo de Páscoa (Chocolates): a tradição do ovo é antiga e teria surgido com os povos do Mediterrâneo, Oriente e Leste Europeu. O ovo significa nascimento e em outros locais a alegria de uma nova vida (ressurreição). Os ovos de páscoa, assim como os chocolates de várias marcas, são usados para presentear amigos e familiares no domingo de páscoa. O ovo, indica riqueza e fartura e nesse período, de acordo com as crenças, a vida está sendo renovada. No século XVIII, os franceses tinham o costume de retirar a parte interna dos ovos de galinha e enchê-los com chocolate. O coelho da páscoa também se tornou um símbolo da data que indica prosperidade.

Agora só falta passar na Vino & Sapore e escolher seu vinho, ou vinhos já que o fim de semana longo promete e quem cumpriu a quaresma deve estar com sede! rs Kanimambo pela visita, saúde

Tem Vinhos Que me Deixam Triste!

Quando acabam, vamos deixar claro!! rs Ontem viajei e como já dizia Sócrates, o filósofo grego não o jogador, “só sei que nada sei”. Nesta vinosfera desconfie de quem diz que sabe tudo porque estamos sempre nos deparando com coisas novas na taça sejam elas; uma casta desconhecida, um processo de vinificação, uma origem desconhecida ou até novidades nos vinhedos porque o mundo não pára, hora desenterrando coisas antigas desconhecidas hora fazendo novas descobertas resultado de novos experimentos.

Três amigos, só isso já dá um boost em qualquer momento, em volta de pasta ao pesto e vinho! Depois do vinho que acompanhou a pasta, abrimos uma garrafa da qual tão rapidamente não esquecerei, um tremendo néctar chileno que ás cegas diria ser francês, O Bodega RE Doble Garnacha / Carignan 2015. Bem, mas e daí? O corte não tem nada de diferente, não não tem, a não ser que olhemos suas origens! Um blend chileno formado na parreira e algo que diferencia os gênios da criatividade enológica dos outros, Pablo Morandé extrapolou com este blend de parreira! É, isso mesmo, um blend que se inicia na própria planta.

Já tive a oportunidade de provar outros ótimos vinhos deles, mas este realmente me tirou o fôlego e ai descobri o inusitado, as duas castas são enxertadas num cavalo (raiz) de uva País, naturalmente resistente à Phyloxera, um blend na parreira, não sei se existe no mundo processo igual, para mim é inusitado. A planta gera cachos de uvas de ambas as castas enxertadas que são colhidas e vinificadas junto numa co-fermentação com leveduras selvagens, show, o resultado é um vinho absolutamente sedutor, que você pede para não terminar nunca! Tentei achar uma ficha técnica na internet, o vinho não consta do site do produtor, e o pouco que consegui foi num site americano em que consta que a uvas vêm do Maule (Bodega em Casablanca) é fermentado em barricas e matura por 3 anos antes de ser engarrafado, vindo de uma região de solo granítico o que, creio, responde muito pela boa acidez e frescor que o vinho nos entrega.

Nariz cativante de frutos vermelhos frescos, fruta abundante na boca com uma acidez marcante, educados 13% de teor alcoólico, médio corpo, longa persistência deixando na boca um gostinho de quero mais, madrecita, bom demais!! Tem comentários na rede sobre uma suposta rusticidade dos taninos, não consegui encontrar isto, muito pelo contrário os encontrei REfinados e sedosos, muito bem feito, perfeitamente equilibrado e sedutor. Gosta de vinhos power, de grande extração? Bem, nesse caso este não é seu vinho, aqui a finesse e elegância imperam.

Aparentemente este rótulo não vem ao Brasil, então se estiver lá por terras chilenas “no se olvide” compre umas duas ou três garrafas porque uma é muito pouco, VIU Fábio, e pode me trazer uma de presente só pela dica! rs Preço por lá anda na casa dos 20 a 25 Dólares, vale e muito, se pudesse compraria uma caixa, porque é puro prazer hedonístico!

Kanimambo pela visita, saúde, boa semana e bons vinhos

Deu Brasil, 2 x1!

Na Brinde à Vida, confraria que este ano fará cinco anos de muitos brindes e descobertas, este mês por sugestão de nosso querido Barão o tema foi Brasil x Outros. Às cegas, coloquei seis vinhos em disputa. Difícil conseguir mesma safra ou mesmo corte, mas para efeito da brincadeira a que se propunha, foi bem interessante porque paralelamente a nomear o melhor vinho, também exploramos descobrir qual o brasileiro, o país em disputa e a idade do vinho!

Os vinhos foram servidos em três “flights” de dois vinhos cada usando como parâmetro a mesma faixa de preço (mais ou menos 30 Reais) e as mesmas uvas no corte, dentro do possível.

Primeiro Flight, face a face o Villaggio Bassetti Montepioli 2011(SC) x o desafiante Santa Ema Barrel Selection 60/40 2016 chileno. Cinco anos separam os competidores, vinhos elaborados com um blend de Cabernet Sauvignon e Merlot, porcentuais levemente diferentes, um de São Joaquim e o outro do vale do Maipo na faixa de 85 a 90 pratas. Dois bons vinhos na faixa de preço, mesmas uvas com estilos totalmente diferentes. O chileno é vivo, vibrante, muito frutado com uma acidez muito interessante, um vinho que cativou a maioria por sua exuberância e taninos macios, um vinho fácil de se gostar. O brasileiro, mesmo com cinco anos a mais nas costas e com a cor já mostrando sua idade, encontrou-se mais encorpado, fechado, notas tostadas, bom corpo, taninos mais presentes, como meu gosto pende para vinhos mais evoluídos eu lhe dei “ganho de causa” (rs) porém a turma quase toda optou mesmo pelo chileno ficando o placar em 0 x 1.

Segundo Flight, face a face o Elephant Rouge 2014 (SC)x Michel Lynch Bordeaux Medoc 2014 (França), alguma diferença no corte mas a mesma safra. O Elephant Rouge já falei aqui e voltou a apresentar a mesma performance. Um vinho que começa tímido e se abre aos poucos num crescendo e neste flight a primeira reação dos confrades foi de preferência imediata pelo desafiante francês. Um vinho de frutado mais intenso, impactante, boca densa e franco. Por vezes as pessoas confundem força, potência, estrutura com complexidade, este foi um belo exercício nesse sentido. O francês mais objetivo e contundente tendo atingido sua “velocidade de cruzeiro” (rs) mais cedo, o brasileiro mais complexo atropelou no final ganhando a contenda, um é um sprinter e o outro corredor de meia distância (rs). Dois bons vinhos com características diferentes sendo que o francês custa R$138 versus 108 do brasileiro. Faixa, 130 mais ou menos 20 pratas e score empatado 1 x 1.

Terceiro Flight foi de varietal, dois Syrahs de respeito o Guaspari Vista da Serra 2015 (SP) x  Las Moras 3 Valleys Gran Reserva 2010. Os cinco anos de diferença fizeram uma diferença danada novamente, pois está mais vivo, fresco e frutado, confirmando a fama que o precede, O Guaspari é realmente muito bom. O Las Moras já demonstra uma certa evolução, notas terciárias começam a aparecer, boca mais densa, maior complexidade um tremendo de um Syrah em minha opinião. Para o os confrades deu Brasil, Guaspari, já para mim ganhou a o argentino, mas como não apito nada na confraria, só administro e coordeno, esta escolha deu vitória ao Brasil por 2 a 1! Faixa aqui era de 200 Reais mais ou menos 20, o argentino possui preço ao redor R$225 versus o brasileiro 195,00.

O interessante destas degustações às cegas, é que a gente acaba quebrando (na maioria das vezes) diversos preconceitos e até tabus, inclusive de preço e por isso mesmo sempre tento escolher rótulos de valores similares. Nosso produto nacional já há algum tempo prova que evoluiu muito e já pode, na mesma faixa de preços, disputar qualitativamente contra vinhos de diversas partes do mundo inclusive de nossos hermanos chilenos e argentinos. Lógico que existem alguns absurdos por aí, mas estes ocorrem com vinhos de todas as origens e quando subimos o sarrafo para vinhos entre 200 a 400 Reais, ou mais, aí acho que perdemos a mão.

Enfim, resultado legal, meu placar teria sido igual, só invertendo os ganhadores dos flights 1 e 3, e como sempre uma noite especial Brindando à Vida com a Turma do Fundão que foi quem determinou o resultado, valeu gente!!

Fui, ótima semana para todos, kanimambo pela visita e, se possível, um kanimambo especial do fundo do coração para quem puder ajudar as vítimas do ciclone que atingiu e destruiu o norte de Moçambique com a Beira, segunda maior cidade e capital do norte, sido 90% destruída! Dois links para organizações sérias a quem se interessar e puder ajudar lembrando, que uma garrafa de Reservado (rs) a menos não vai matar ninguém mas poderá ajudar e até salvar alguém. Action Aid e Unicef, your choice! Valeu

Saúde