Vinhos abaixo de 50 pratas?

Este poderia certamente ser um post de autoria do amigo Didu, mas tomei emprestado o tema porque nos dias de hoje isso é um garimpo com parcos resultados, especialmente se exigirmos um mínimo de qualidade na taça. Há muito tempo que falo para o Didu que esse patamar já era, rs, com o passar dos anos os impostos aumentaram, o real se desvalorizou e os custos aumentaram, tanto que minha prateleira de vinhos até 50 Reais, poucos mas bons na faixa, teve que ser aumentado e hoje já está, a duras penas, em até 65!

Todavia, volta e meia algumas pepitas acabam aparecendo, mesmo que raramente. Recentemente dois vinhos me chamaram a atenção, ambos abaixo das 50 pratas e não são nem argentinos nem chilenos, muito menos uruguaios ou brasileiros, um é um branco português e o outro um rosé, pasmem, italiano! Falamos de vinhos de entrada, descompromissados e que surpreendem exatamente pela qualidade entregue versus um precinho muito camarada onde abundam coisas ruins.

Udaca, união de cooperativas do Dão, produz este vinho com o rótulo Rua Direita, um vinho de mesa com uvas da região, não sei quais e, sinceramente, pouco me importa! rs. Seco, frutado, boa acidez e bom de papo! sim, sabia que vinho também conversa com você? Uns não dizem nada, outros são papo cabeça e outros são pura diversão e este é um deles. Bem equilibrado, leve sem ser ralo, foi bem com uma tapioca de queijo branco, tomate e peito de peru no lanche da noite e no almoço escoltou um prato de bavete com molho de curry e frango.

O Rosé é outro daqueles vinhos que é pura diversão, piscina sem frescuras, tem uns por aí que custam um absurdo e não valem nem metade do preço, porém viraram fashion. Vinhos para se mostrar, não para beber! A melhor forma, na verdade, de você se mostrar é servir um vinho desses e depois dos comentários falar quanto custou! rs Muito fresco e frutado, não se sente doçura apesar de possuir um pouco mais de residual de açucar (por isso meio seco) porque a boa acidez controla isso. Vinho descompromissado para acompanhar frango agridoce, como eu fiz, sushis, sashimis, temakis, urumakis (especialmente os de salmão), camarão fritinho na beira da praia e sozinho num dia quente com boa companhia porque vinho sempre fica melhor quando bem acompanhado.

Enfim, é isso, curtam e se encontrarem por aí sirvam-se sem cerimônia, são vinhos para tomar de golão e ser feliz, tem momento para tudo, para os de precinho e de preção dependendo da ocasião. Saúde, kanimambo e que tal vir comigo no meu Tour de Vinhos de Altitude de Santa Catarina no próximo dia 28 e Abril? Abraço

Tour Vinhos de Altitude de Santa Catarina, Vem Comigo?

Oi pessoal, depois de mais uma longa ausência, cá estou de volta e para falar de meu quarto Tour pelos Vinhos de Altitude de Santa Catarina que realizarei agora no próximo dia 28 de Abril para um pequeno grupo interessado numa verdadeira imersão na enogastronomia da serra catarinense.

Num Micro ônibus com ar condicionado, geladeira e banheiro a bordo, serão seis dias com cinco pernoites em São Joaquim, incluindo café da manhã e almoço harmonizado todos os dias. No último Tour provamos cerca de 70 vinhos e exploramos uma área que já está dando o que falar e certamente é o futuro do vinho fino brasileiro de qualidade com muitas castas italiana fazendo sucesso. Neste Tour, o mais completo que já montei só com vinhos premium, acho que vamos passar de 70, certamente uma imersão na vitivinicultura da região.

Sim, porém afora visitarmos oito vinícolas e almoçarmos com outra na praia já retornando para Florianopolis, nosso ponto de partida, tenho programado seis almoços harmonizados. Acredito que vinho fica melhor com comida e boa companhia, por isso o foco também na boa gastronomia, crescem os pratos e o vinho! Visitaremos uma queijaria artesanal de queijos franceses onde faremos uma degustação e poderemos nos abastecer com queijos que traremos de volta a casa, eu certamente trarei alguns! Sairemos de Floripa dia 28 às 11h e retornaremos final do dia 03 de Maio, mas quem quiser ir antes ou voltar depois aproveitando a linda Floripa, fica à escolha de cada um. Importante é o horário de saída de Floripa.

Visitaremos as vinícolas; Thera, Villa Francioni, Vivalti, Villaggio Conti, Leone de Venezia, Monte Agudo, Quinta da Neve, Villaggio Bassetti e no retorno a Floripa, depois de descer a Serra do Rio do Rastro com suas 284 curvas, pararemos em Garopaba/Gamboa onde almoçaremos no delicioso restaurante da Chef Clau (Vivamo) com os vinhos da Abreu Garcia. Se estiver interessado me contate no Whatsapp (11) 99600-7071 ou a agência Latitudes Viagens nos telefones (11) 97504-4382 ou 3045-7740 para maiores detalhes.

Abraço e se conhecer alguém que possa estar interessado e puder divulgar o Tour, ficarei imensamente grato pela atenção. Kanimambo, saúde!

Meu Primeiro Bequignol

Já conhecia essa uva? Eu não! rs Sempre aprendendo, esta nossa vinosfera não pára de nos apresentar novidades, mesmo que de origem antiga. Novidades, antigas? Que contra senso é esse?? rs De tão esquecidas pelos produtores, passam a novidade por meio das mãos de jovens buscando na história e tradição novos sabores para nos surpreenderem, este foi mais uma grata surpresa, “Aqui Estamos Todos Locos Bequignol”.

A Bequignol é uma uva de origem francesa usada em Bordeaux até o ano de 1777. Hoje em dia existe pouco mais de  um hectare de vinhedos na França e um pouco mais de 900 na Argentina, normalmente de vinhedos antigos como neste caso, de 1940. De corpo ligeiro, dá cor e aporta acidez aos blends e quando elaborado como varietal tende a dar vinhos ligeiros, de poucos taninos, para serem tomados jovens. Também é conhecida como Red Chenin e possui uma relação parental com a Savignin da região francesa do Jura. Leva uma parcela de Buonamico (também conhecida como Sangioveto de origem italiana) que é cofermentada com a Bequignol.

A Bodega é Viñedos Niven em Mendoza, produtor que trabalha com conceito de vinhos orgânicos. Este “Estamos Todos Locos” tem fermentação semi carbônica em ovos de cimento e uma leve passagem por barricas usadas, sendo produzidas somente cerca de 1700 garrafas ano. E o vinho, que tal?

Na minha opinião um típico vinho de verão que ao ser refrescado fez com que seus taninos quase inexistentes aparecessem equilibrando o conjunto. Fruta vermelha, fresca, um vinho jovial, fresco e vibrante com ótima acidez e alguma especiaria de final de boca. Para acompanhar pratos leves, carpaccio, quibe cru, salmão, gostei bastante. Não é um blockbuster, mas é uma experiência super agradável que certamente se dará bem como companheiro da Primavera e do Verão, lembrando de o servir por volta dos 12 graus quando creio que ele mostra toda a sua vivacidade.

Apesar de ser bastante usado em blends, creio que só tem mais um produtor elaborando varietal de Bequignol, vale pesquisar outros produtores caso não encontre este e espero que tenha uma experiência tão gostosa quanto a minha, puro prazer e é para isso que o vinho existe! Saúde e Kanimambo!

Um Senhor Vinho, Bassetti Sauvignon Blanc

O Brasil é mais conhecido por seus espumantes e nos vinhos brancos tranquilos a chardonnay reina, já na serra catarinense e seus vinhos de altitude, a Sauvignon Blanc dá suas caras com maior assiduidade e diversidade com diversos estilos.

Pessoalmente, sou fã dos Sauvignon Blanc da Villaggio Bassetti que possuem características muito próprias. Seja pelo terroir como pela mão do produtor, a verdade é que os três Sauvignon Blanc deles são de tirar o chapéu. Tem o de “entrada” que abri hoje, tem o Donna Enny que é fermentado em madeira, uma verdadeira ousadia que deu muito certo, e o último a entrar para esse rol que é o Selvaggio D’Manny que é macerado com suas cascas e usa leveduras naturais, mas não é um laranja, um tremendo trio que faz com que a vinícola se destaque como um dos melhores produtores nacionais desta uva, se não o melhor, em minha humilde opinião logicamente. rs Controvérsias certamente haverão e isso faz parte, mas deixa eu falar deste vinho que tomei.

A safra 2020 já está disponível, mas hoje abri uma garrafa que estava em minha adega, safra 2017, quatro anos de vida. O vinho que, já por característica, não possui aquela acidez marcante e corpo leve, é um vinho que preza pelo equilíbrio, por um melhor volume de boca e maior complexidade que apenas aquela pegada unicamente cítrica com toques herbáceos de menor ou maior intendidade. Muito diferente do 2020, que possui esses predicados todos, este 2017 apresentou uma cor mais amarela mostrando sinais de sua idade, maior volume de boca, uma cremosidade incrível e notas de frutos amarelos como damasco e pêssego, notas de maracujá, acidez presente e equilibrada, complexo, algumas notas de evolução que não afetaram o todo, difícil de descrever mas um enorme prazer de o tomar e ainda tenho um na loja que acho que vou “roubar”. rs

Um Sauvignon Blanc que evoluiu muito bem, mas que virou um outro vinho e eu gostei dos dois. Pensando bem, legal seria abrir o 2020 junto com o 2017 e comparar, acho que vou colocar é numa confraria. Duas dicas, se tiverem oportunidade comprem de duas safras diferente, preferencialmente com dois ou três anos entre elas, para fazer essa comparação e avaliação e a outra dica é de harmonização sobre a qual não vou falar! rs Afinal a foto fala por si só!

É isso, kanimambo e cá vou postando, saúde!

Tardana, uma uva que não conhecia!

Faz pelo menos uns 15 anos que iniciei minha viagem por nossa vinosfera, mas incrível como sigo me surpreendendo e me deparando com uvas desconhecidas gerando vinhos gulosos, vibrantes, marcantes cada um à sua maneira. Desta feita a uva foi a Tardana, o vinho Sol e a vinícola a Bodegas Gratia.

Da Bodega Gratias já falei aqui quando do vinho “Y Tu de Quién Eres”, porém não falei do projeto da família que é exatamente a de trabalhar tão somente com uvas autóctones da região, muitas delas em risco de extinção. Elaboram um ótimo encorpado e negro vinho chamado GOT, um varietal 100% de Bobal e agora me deparei com este belíssimo Sol, um vinho vibrante que me seduziu. Antes de falar do vinho, no entanto, deixa eu antes falar desta uva.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é tardana-grape-Gratias.jpg

A Tardana, uma cepa branca de pele grossa, é natural da região de Manchuela e Utiel-Requena próximo a Valência na Espanha, tendo esse nome pois amadurece muito tardiamente, depois dos tintos. Também é conhecida por Planta Nova. Apesar de ser uma vinífera, boa parte dela era colhida antecipadamente e vendida no mercado como uva de mesa comestível, algo que caiu em desuso devido ao aparecimento de uvas sem semente que tomou conta do mercado. Devido a não atingir níveis de álcool altos, demorar muito a amadurecer ficando propensa a sofrer com chuvas de granizo e apresentar relativa baixa produtividade, os grandes produtores a abandonaram e hoje a produção é mínima, beirando a extinção. O conceito por trás da “família” Gratias é exatamente esse, o de recuperar vinhedos e uvas da região e em extinção com o mínimo de intervenção, pequenas produções e vinhos únicos. Estão inclusive produzindo já um vinho laranja com a Tardana, mas esse só me deixou curioso, ainda não provei.

Sol de Tardana é levemente prensada e 1/3 termina de fermentar em talhas de barro passando posteriormente por um período de três meses sur lie. Aromas de boa intensidade apresentando um leve floral no nariz, notas de pêssego e damasco, fresco, talvez algo de maçã verde 🤔, na boca um toque mineral em função do solo calcário, boa textura, leve para médio corpo com equilibrados 12,5 de álcool, meio de boca marcante e vibrante com boa acidez e ótimo equilíbrio, um vinho sedutor que deixa um retrogosto de quero mais! rs  Falam de frutos brancos melão e pera, não achei não, mas isso vai de cada um. 😊 Gostei muito e tomaria várias! Do ponto de vista de harmonização, acho que é uma grande opção para pratos asiáticos bem condimentados. Tomei acompanhando um Bifum de Camarão ao Curry e foi divina a harmonização, mas quaisquer pratos de frutos do mar certamente serão boa escolta ao vino. Produção limitada, não chega cinco mil garrafas anuais, algo a se colocar numa wish list e vale a pena porque o preço é bem razoável, na casa das 130 pratas.

Enfim, mais um post, quem sabe na base de um por semana eu consiga criar novamente um ritmo de publicações. É isso, abraço e kanimambo pelos gentis comentários que venho recebendo, saúde e cuidem-se!

Elephant Rouge 2018

Elephant Rouge 2018 é uma criação do Jean Claude Cara junto com a Villaggio Grando (Santa Catarina) que, a meu ver, mostra bem a cara de seus criadores pelo que já conheço deles. O vinho, que pela segunda vez é elaborado na Villaggio Grando, a primeira foi a safra 2014 já esgotada, mostra de cara uma cor vibrante rubi clara e brilhante que me chamou bastante a atenção.

Corte de Merlot (70%), cabernet Sauvignon (10%) e 20% de uvas não divulgadas com passagem de 24 meses por barricas francesas de segundo uso, apresenta uma paleta olfativa de média intensidade e bem frutada. É na boca, no entanto e a meu ver, que ele realmente mostra a que veio. Longe de bombas tânicas e de grande extração com álcool nas alturas, estamos diante da antítese de tudo isso, taninos muito elegantes e finos, médio corpo, rico meio de boca, fruta vermelha madura (ameixa), notas sutis vegetais, final longo algo apimentado e fresco fruto da boa acidez adquirida neste terroir de altitude. Educado teor alcoólico de 12,5% que se integra muito bem ao vinho mostrando-se muito bem equilibrado.

Um vinho que está muito bom agora mas que, da mesma forma que o 2014, mostra boa capacidade de guarda por pelo menos uns 6 a 8 anos quando deve atingir seu auge. O produtor fala mais, 10 a 15 anos, mas esse é meu feeling hoje e como daqui a 15 anos sequer sei se ainda estarei por aqui, não terei como conferir! rs Bem, aproveitando que estava com a garrafa aberta, tratei de acompanhar o almoço, panqueca de carne com molho de tomate. O resultado não foi ruim, digamos assim, mas também não foi aquela brastemp! rs Acho que a melhor harmonização passa por outros caminhos como um risoto de funghi com uma carne grelhada, filé com molho madeira, strogonoff de filé, ensopado de carne ou, até, um filé à Wellington.

A pena fluiu bem depois de muito tempo, quem sabe volto a escrever novamente aqui com alguma assiduidade. Fazia tempo que não sentia gosto pela escrita, vamos ver se a vontade permanece. rs O WordPress mudou um pouco nesse hiato, então o post está com uma diagramação horrível que não consigo mudar, vamos ver se no próximo consigo melhorar isso. Saúde e, kanimambo!

Provando Novidades Chilenas I

Recentemente tive a oportunidade de participar de duas degustações virtuais com representantes da importadora e direto do Chile, de seus produtores. Hoje venho compartilhar com vocês a primeira delas, vinhos da Casa Viva radicada em Casablanca e recém chegados ao Brasil pelas mãos da BWC, braço brasileiro da Berkmann Wine Cellars inglesa.

Recebi três vinhos para provar, um Sauvignon Blanc, um Varietal e Pinot Noir e um Syrah que me tirou o fôlego! rs

Sauvignon Blanc Reserva 2019, fruto do blend de três vinhedos diferentes de clones igualmente diferente plantados em cerca de 100 hectares nesse vale que é berço de grandes vinhos brancos. Cada lote é vinificado em separado e posteriormente feito o blend. Sem passagem de madeira, porém com seis meses sur lie que lhe aporta uma certa cremosidade e complexidade sem, com isso, afetar sua vibrante acidez. SB clássico da região com grande intensidade aromática, frutos tropicais, maracujá, limão siciliano, toque herbáceo da famosa grama molhada, um vinho repleto de energia e certamente um grande companheiro para frutos do mar em geral e culinária japonesa. Gostei bastante e o preço deve rondar as 110 pratas.

Casa Viva Pinot Noir 2018, um varietal (linha de entrada) deste produtor. Para uma gama de entrada o volume produzido nem é tão grande assim, pelo que entendi algo ao redor de 10 mil litros. Bem claro de baixa extração, fruta fresca, vinificado somente em inox, equilibrado, fino e elegante com um final fresco em que apareceram algumas notas terrosas. Na casa dos 90 Reais, atende um segmento de mercado que busca um Pinot de baixo custo e bem feito, porém tenho que confessar que não me seduziu, talvez falte uma personalidade mais marcante, mas talvez eu esteja sendo algo exigente ainda por cima depois desse muito bom e marcante Sauvignon Blanc.

Casa Viva Grand Syrah 2017, uau! Gosto muito de Syrahs de clima frio e esse não negou fogo, muito pelo contrário, me seduziu por completo. Apenas 16 hectares, produção de 4.5 Toneladas por hectare, face norte protegida parcialmente por uma colina que protege os vinhedos do frio oceânico que atinge a região deixando o clima algo mais ameno. São dez meses de barrica francesa (construída no Chile) sendo parte de segundo e terceiro usos. Os aromas são verdadeiramente inebriantes, daqueles que te deixam na dúvida de você bebe ou funga! rs A boca é cheia, de grande volume, estruturado, ótima textura, frutos escuros, rico meio de boca, algum defumado, taninos firmes porém finos e elegantes, final fresco e persistente que pede bis. Preço ao redor de 230 Reais, creio que vale, e foram produzidos somente 11 mil garrafas sendo que para o Brasil vieram só 265!

Bons vinhos, interessante gama com preços diversos, creio que pelo gostinho que tive com estes três, vale a pena explorar a linha que já está disponível nas boas casas do ramo. É isso, saúde e Kanimambo pela visita!

Provando vinhos do Guia Descorchados 2020.

Gratas surpresas, mesmo que não necessariamente para meu bolso, mas encontrei rótulos fora da curva que me seduziram, então, me realizei! rs

Na ausência do evento anual físico ao qual tradicionalmente não vou por achar muito difícil produzir algum resultado numa aglomeração tremenda de gente e vinhos, desta feita a organização optou por um outro formato. Pequenos grupos provando in loco com distanciamento e participação virtual do Tapias e dos produtores. Formato que gostei bastante, pena que só pude participar da primeira parte que era pela manhã quando provamos 14 vinhos com foco no Chile e Uruguai.

Dos 14 vinhos, os quais comentarei de forma suscinta abaixo, com o preço sempre que possível, dois me encantaram e gostaria de eventualmente colocar no portfolio da Vino & Sapore caso haja condições comerciais para isso. Óbvio que muito depende de preços, mas esses dois me encantaram.

Bodega Océanica José Ignacio Albariño (uruguaio) – sou luso, meu parâmetro de Alvarinho é Minho e Galicia, então tenho uma certa dificuldade em encontrar tipicidade desta uva nos vinhos desta uva produzidos na América do Sul. É um bom vinho, mas falta tipicidade na minha opinião. GD 95 pontos e sem importador no Brasil, pelo menos que eu saiba.

Dagaz Itatino Cinsault (Chile) – gosto deste estilo de vinho e a Cinsault reina lá pelos lados de Itata. Passagem por ovos de cimento e ânforas de cerâmica preservam a fruta gulosa, taninos suaves, fresco, leve um vinho para tomar refrescado nesta primavera verão que está por chegar. Preço na casa dos 120 a 130 Reais. GD 92 pontos

Bisquertt La Joya Single Vineyard Merlot 2016 (Chile) – não fez minha cabeça. Às cegas diria que era um carmenére com toques verdes bem pronunciados, algo químico, me pareceu um pouco desiquilibrado com muitas arestas. Preço na casa dos 200 Reais e GD 91 pontos. Estou achando que não entendi o vinho.

Baron Philippe de Rothschild Escudo Rojo Reserva Carmenére 2018 (Chile) – muito boa safra no Chile e este vinho mostra isto me surpreendendo já que não é das uvas que mais me atraem. Poucas notas verdes, taninos finos, boa fruta, equilibrado e final aveludado. Preço na casa das 150 pratas, dólar não está ajudando! GD 90 pontos

Korta Barrel Selection Reserva Carmenére 2016 (Chile) – da região de Curicó, notas verdes bem presentes, final especiado, num estilo que não me seduz e um que, a meu ver, destoou, dos demais. GD 88 pontos

Montes Alpha Carmenére 2018 (Chile) – mais um vinho de 2018 com boa tipicidade, cor densa, bom volume de boca, 12 meses de barricas mix de novas e usadas, algo quente na boca, vinho que não nega nem a uva nem seu produtor. Preço no importador, 220 pratas. GD 92 pontos

Viu Manent Secreto Carmenére 2019 (Chile) – de Colchagua, 15% de outras uvas não divulgadas (secreto), cor rubi escura, nariz mais frutado, colheita parcialmente antecipada para obter maior acidez, barricas para somente 30% do lote, final herbáceo de taninos finos. Interessante, preço na casa das 140 pratas. GD 92 pontos

Esse foi o último do flight de carmenéres. Como disse, não é uma uva que me encanta, porém gosto e qualidade não são necessariamente a mesma coisa e a qualidade estava lá. Em minha humilde opinião, a maior surpresa inclusive com relação a custo foi o Escudo Rojo e o meu escolhido como melhor Carmenére entre os provados.

Los Boldos Vieilles Vignes Cabernet Sauvignon 2018 (Chile) – Mudamos de uva, mas ficamos na safra! De Cachapoal Alto (Andes), leva um tico de Syrah, que pode variar entre safras de 5 a 10%, que se mostra numa certa picancia de final de boca. Fruto maduro sem excesso, elegante, sem aquela presença por vezes irritante de piracina (pimentão), equilibrado, taninos aveludados, uma grata surpresa, mas na casa das 290 pratas tinha que performar e o fez. GD 92 pontos

Perez Cruz Pircas 2015 (Chile) – de Maipo Alto (Andes), mostrou uma cor rubi vibrante, é um clássico Cabernet Chileno com a piracina aparecendo de forma sutil sem “queimar” o conjunto. Notas mentoladas, frutos frescos, taninos finos e muito boa estrutura. A Perez Cruz é famosa por seus Cabernets, mesmo não sendo num estilo que me agrada, é um belo vinho na casa dos 220 Reais. GD 94 Pontos

Miguel Torres Manso de Velasco 2014 (Chile) – do gigante espanhol que produz na Espanha um dos melhores Cabernets Sauvignon que já tive a oportunidade de provar (Mas La Plana), possui um forte braço no Chile onde já atua há mais de 40 anos e também nos EUA. É um clássico Cabernet Sauvignon chileno muito cultuado e advindo de vinhedo centenário em Curicó, notas tostadas, especiarias, fruta abundante, ainda jovem, taninos ainda bem presente mostrando grande estrutura, herbáceo bem presente,  é um vinho para guardar e tomar lá para 2024, mas não chega a seduzir apesar de ter uma legião de fãs dele e do estilo. Não é para muitos, produção pequena, ícone, preço acompanha, algo acima dos 400 Reais.

Errazuriz Max Reserva Cabernet Sauvignon 2018 (Chile) – Mais um clássico da uva e da região. De Aconcagua, um tremendo de um Cabernet Sauvignon que mesmo tão jovem já mostra toda sua grandeza. Muito rico meio de boca, nariz sedutor de boa intensidade, ótima textura, muito equilibrado com bom volume de boca e taninos muito finos com final de grande persistência. Tremenda elegância, estilo e vinho que me conquista o coração, então, para mim, melhor Cabernet Sauvignon entre os provados que está no mercado por algo como 200 pratas o que acho ser uma baita relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer), a melhor entre os vinhos provados. GD 92 pontos

Familia Traversa Noble Alianza 2018 (Uruguai) – o primeiro dos blends provados (foram 3) é uruguaio e um curioso corte de Tannat com Cabernet franc e Marselan de uma safra que, também por lá, foi muito boa. A ideia por trás da escolha das uvas foi; Tannat pela cor e estrutura, Cabernet Franc pelo frescor e a Marselan pela fruta e capacidade de arredondar o corte. No nariz a Marselan se mostra mais presente, mas sinceramente não acho que funcionou pois mostrou-se algo desiquilibrado, um certo amargor de final de boca, não rolou, mas … Enfim, em torno das 50 pratas, vale testar, vai ver o Tuga aqui está sendo crica demais! rs GD 92 pontos, acho que este também não entendi! rs

El Capricho Winery Aguará Tannat Blend 2018 (Uruguai) – pequena e jovem bodega de meros 7 hectares de vinhedos situados a 250km ao norte de Montevideo. Capacidade instalada para apenas 80 mil garrafas mas ainda longe desse volume, a bodega nasce de um “capricho” de dois amigos querendo fazer vinhos de autor de alta qualidade, com baixa intervenção e práticas de sustentabilidade nos vinhedos e cantina. Se for pelo exemplo deste vinho, objetivo alcançado, gamei! rs Meras 1100 garrafas produzidas e o blend com Cabernet Sauvignon e passagem de 18 meses por barricas novas francesas. Power com tremenda elegância, entrada de boca marcante e muito rica, bom volume, frutos negros abundantes com notas abaunilhadas muito bem trabalhadas, vinho que costumo classificar como egoístico, não dá para dividir a garrafa com muitos não! O preço acompanha, não tem jeito, e não é para o meu bico, mas as 400 pratas que pedem por ele no mercado valem dentro do que é nossa realidade tupiniquim de preços. GD 93 pontos.

Bodega de Aguirre Pater Familiae Heredium 2015 (Chile) – este chileno foi mais um que mexeu com minhas emoções, tremendo vinho. Um corte de Cabernet Sauvignon de Colchagua com Carmenére de Peumo (melhor região para esta casta) que mais uma vez me fez cair o queixo. Aromas sedutores, muito boa e rica entrada de boca, ótima textura de meio de boca, fino, elegante, taninos aveludados e final longo mostrando-se um conjunto sem arestas e muito equilibrado. Um vinho sofisticado que me deixou curioso para explorar o restante de sua linha de produtos e mais um vinho egoístico nessa prova, os dois que mais me seduziram entre diversos bons exemplares apresentados. O preço é em linha com este nível de vinho e ainda por cima com o câmbio desfavorável o que não ajuda em nada, anda na casa das 400 pratas mais ou menos 20. GD 94 pontos.

Tenho que confessar que minhas pontuações (não divulgadas salvo quando participo de alguma bancada de degustação em que isso seja necessário) ficam tradicionalmente bem aquém das avaliações do GD, todavia no caso do Aguará e do Heredium, periga eu dar até um ponto extra! rs É isso, o que era para ser curtinho se estendeu bastante, me entusiasmei, faz tempo que não escrevo e ando represando artigos devido à falta de tempo. Kanimambo, saúde sempre!!

Grandes Bordeauxs 2019.

Óbvio que são vinhos para poucos, mas para quem tem e pode, porquê não desfrutar desses grandes vinhos? Uma de minhas melhores degustações foi exatamente de vinhos de Bordeaux safra 2009, desbunde que relatei aqui sob o título Bordeaux Extasy hà cerca de cinco anos.

O James Suckling, renomado degustador e crítico do mundos dos vinhos nos fala um pouco sobre sua experiência provando um pouco mais de 1000 rótulos de barrica en primeur (antes de engarrafamento e disponibilizados no mercado varejista a pronta entrega), porque estes ainda não estão disponíveis no mercado. veja a matéria clicando aqui. Abaixo a lista dos TOP 50, porém o que mais despertou interesse foi essa lista de “Best Buys” entre esse montão de vinhos provados e eu sou fâ de um deles, o Malescot-Saint-Exupery da região de Margaux!

Com o câmbio de jeito que está, difícil eu pensar na possibilidade, mas … sonhar ainda não paga imposto. rs Essas precisosidades a preço mais terreno são > Chateau Pontet-Canet nr. 10, Chateau Haut-Bailly nr. 16, Chateau Larcis Ducasse nr. 201, Chateau Pavie-Macquin nr. 21, Chateau Clinet nr. 22 e o “Best Value” da safra o Chateau Malescot-St.-Exupéry nr. 31. O Chateau Figeac (outro de meus favoritos) Nr.13 também aguçõu meus sonhos, mas aí eu penso que com o preço desse eu compraria (se pudesse) cinco garrafas de St-Exupery e desligo! rs

Não fica claro qual moeda foi usada nesses preços, mas me parece que é em US Dólares. Enfim, uma listinha deveras interessante, n’est-ce pa ?

Saúde, kanimambo e vamos em frente que com distanciamento, máscara, álcool gel e vinho a coisa passa!

Quebrando Paradigmas!

Tampa de rosca só para vinhos novos né? Huuum, não! Já tinha tomado outros vinhos australianos com oito e dez anos de vida em perfeito estado de conservação e até já fiz uma prova com o mesmo vinho da mesma safra com fechamentos diferentes, nada que pudesse ressaltar de diferença entre eles.

Neste fim de semana, abri uma última garrafa que tinha esquecido na adega do Westend Tempranillo 2008 da região de Hilltops em Nova Gales do Sul na Austrália. Abri temeroso com o que me iria deparar na taça e me surpreendi muito positivamente. Esperava um vinho já algo moribundo, em estado avançado de coma com seus 12 anos nas costas e tampa de rosca. Ledo engano, vivinho da silva, mesmo que já com algumas nuances atijoladas e aromas terciários, mas taninos e acidez ainda bem presentes, um deleite que foi se abrindo na taça mostrando, inclusive, frutos escuros, alguma especiaria e um belo final de boca algo apimentado.

Para, mais uma vez, nos depararmos com o fato de que nossa vinosfera é realmente imprevisível e isso é que faz deste caldo algo sedutor para quem está aberto a novas experiências. É isso, kanimambo pela visita! Será que agora retomo este blog algo esquecido em função da correria atrás do pão de cada dia? Não prometo mais nada não, mas vou me esforçar.