Tomei e Recomendo – Vinhos do Porto

                    Meus caros amigos, neste mês me debrucei sobre os Vinhos do Porto que são vinhos especiais, diferenciados, que muita gente tenta copiar, alguns até com relativo sucesso, mas que são únicos. São vinhos diferenciados com características diferente dependendo do estilo e categorias dos vinhos elaborados. Eu confesso, sou um apaixonado e, podendo, tomo um cálice todo o final do dia. Abaixo listo uma série de rótulos de meu agrado e espero que tenham a possibilidade de os conhecer, são vinhos, quase sempre inesquecíveis. Preços existem para todos os bolsos. Em geral os mais baixos são os Portos básicos depois seguem-se; os reservas, depois os colheita, os LBV, os com Indicação de idade e, finalmente, os geniais e deliciosos néctares que são os Vintage. Aqui abaixo seguem alguns vinhos de qualidade que já tive o privilégio de provar e, alguns, tomar:

  • Brancos – Só conheço três e não tenho os preços de todos. Dos secos, para uso no Portônica ou fresco como aperitivo, o Burmester Extra Seco (Adega Alentejana) o Fonseca Siroco (Vinho Seleto) por R$70,00 e o Ferreira Lágrima que é um estilo mais doce que pode ser tomado ao final da refeição também refrescado como nos tawny.
  • Básicos – Os vinhos com melhor preço e já de boa qualidade são os Tawny e Ruby básicos como: Don José (Cia do Whisky) R$39,30 um Porto simples, fácil de beber e agradável, Dow Ruby e Tawny (BR Bebidas) por R$37,00 que são vinhos um pouco mais elaborados e encorpados e o Quinta de Baldias Ruby e Tawny, vinhos que, a meu ver, estão num patamar de qualidade um nível acima e são os meus preferidos (Lusitana) R$53,00 o ruby e R$57,00 o tawny com 8 anos de barrica.
  • Reservas – Dos tawny; o Adriano Ramos Pinto 500ml (Casa Palla) por R$49,00 e o Burmester Jockey (Confraria do Queijo & Vinho) por R$66,00. Ambos são vinhos de qualidade indiscutível. Já dos Ruby; o divino Quinta Nova Reserva 500ml (Vinea Store) por R$69,00 e o ótimo Churchill Reserva (Expand) por R$68,00 são os meus favoritos sendo, ambos, bem frutados e com taninos muito finos e sedosos. Ainda temos o bom, encorpado e rústico Fonseca Bin 57 (Casa Santa Luzia) por R$57,00, o agradável, aveludado e bem elaborado Graham’s Six Grapes (Kylix) por R$72,00 e o Warre’s Warrior Special Reserve (Decanter R$102,40). Uma categoria de Portos onde faço a festa, grandes produtos que me encantam e cabem no bolso.
  • LBV – Belíssimos exemplares a preços convidativos. Sempre que posso abro um LBV que tem muito das características dos Vintage, que são o supra-sumo do Vinhos do Porto, mas com um preço bem mais acessível; Burmester 2001 (Confraria do Queijo & Vinho) é bastante agradável com fortes aromas e sabores achocolatados por R$68,00. O meu preferido, inclusive em função da relação custo x beneficio, é o muito bom Vista Alegre 2000 (Casa Santa Luzia) de uma excelente safra por R$57,00, ótimo o Quinta Nova 2003 (Vinea Store) para guardar e preferencialmente tomar dentro de uns dois anos, mas já pronto agora, por R$122,00. Também de muito boa qualidade e delicioso, o Niepoort 2001 (Mistral) por aproximadamente R$65,00, o excelente Quinta do Noval 2001 (Grand Cru Granja Viana) por R$133,00, o internacionalmente elogiado Warre’s Traditional 1995 (Decanter) por R$126,50 assim como o DOW 1999 500ml (BR Bebidas) por R$69,00. Também muito bom, o Churchill’s LBV 2000 (Expand) por razoáveis R$98,00. Também gostei muito do Quinta da Pacheca LBV 2002 (Vinci), muito sedoso, com taninos elegantes e boa fruta por aproximados R$85,00.  Diversas opções para todos os bolsos e gostos, mas todas igualmente deliciosas. Eu me esbaldo por aqui!
  • Tawny com Indicação de Idade – Um dos mais conceituados rótulos de 10 anos, o excelente Niepoort 10 anos (Mistral) por R$112,00, o muito saboroso e equilibrado Warre’s Otima 10 anos (Decanter) por R$119,60 e o Taylor’s 10 anos (Expand) com 91 pontos da Wine Spectator por excelentes R$98,00. Também gostei muito do Quinta do Ventozelo 10 anos (agora com a Cantu) um vinho de muito frescor e cativante por R$190,00. Provei também o São  Lourenço 20 anos, um vinho espetacular, de grande elegância e complexidade, elixir do Deuses (Lusitana) por R$290,00.
  • Vintage – Quinta do Estanho 2000 (Portal dos Vinhos) por R$198,00 uma baba considerando-se que é um Vintage de primeira linha, o Fonseca 2003 (Vinho Seleto) por R$385,00, o Quinta da Pacheca 2003 (Vinci) por cerca de R$238,00 e o delicioso, Quinta da Gricha Vintage 1999 (Expand) por R$438,00.

 

 

 

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

 

 

 

Trazendo Vinhos de Portugal I

                    O Túlio, nosso amigo leitor, me fez uma consulta que veio bem na hora em que pensava num post novo sobre compras no exterior. No caso, ele estará passando por Lisboa e me pediu algumas dicas do que trazer de lá. Como um outro amigo já me tinha solicitado a mesma coisa, eis aqui uma lista por faixas de preços, aproximados, em Euros. Tudo depende do que você tem de disponibilidade financeira, mas em geral os preços são, no mínimo, 30% do que você pagaria aqui sendo que, nos vinhos mais caros, cerca de 50%. Dos que não menciono safra é porque, por experiência própria, sei que são constantemente bons e os indicados com um asterisco, são aqueles do qual não abriria mão caso fosse eu comprando. De qualquer forma, são todos belíssimos vinhos, alguns excelentes e os preços são super convidativos.

Até Euros 12: (tem produtos de 6, 8 e 9 Euros)

  • Do Alentejo; Monte dos Cabaços Colheita Selecionada 2003, Marquês de Borba Tinto, Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001**, Montes Claros Reserva 2004*, Couteiro-Mor Reserva 2004, Casa de Alegrete 2004*, Corte de Cima Alentejo**, Villa Santa 2006**, Adegaborba.pt Reserva 2004*.
  • De Terras do Sado; Só Touriga Nacional 2003**, Quinta do Camarate Tinto*.
  • Do Douro; Altano Reserva Douro*, 3 Bagos 2003, Quinta dos Aciprestes Reserva Douro 2004*, Prazo de Roriz Douro 2003* (este é mais fácil comprar no Free Shop de Lisboa já que tem sempre), Quinta dos 4 Ventos 2004.
  • Do Dão; Casa de Santar Reserva*, Vinha Paz Colheita*.
  • Outros; Império Bairrada Reserva 2001*, Quinta da Chacopalha 2004 da Estremadura e o melhor branco elaborado com a uva Alvarinho, o Soalheiro 2006** produzido em Monção no Minho.

De Euros 13 a 23:

  • Do Alentejo; Herdade do Pinheiro Reserva 2003**, Monte da Penha Clássico Tinto*, Cartuxa Colheita 2004, Quinta do Carmo 2003*.
  • De Terras do Sado; Coleção Privada Domingos S. Franco 2003.
  • Do Douro; Casa Burmester Reserva 2004, Evel Grande Escolha 2003*, Quinta das Tecedeiras reserva 2004*,  Vértice Grande Reserva 2003*, Post Scriptum**, Callabriga 2004**, Redoma 2004*, Quinta da Pacheca 2003 e o delicioso Campo Ardosa 2003**.
  • Do Dão; Vinha Paz Reserva 2003**.
  • Outros; Vinha da Nora 2000* e Chocapalha da região da Estremadura. Quinta do Noval Porto LBV 2000**, Warre´s Otima Tawny 10 anos*.

De Euros 24 a 34:

  • Do Alentejo; Malhadinha 2003**, Vale do Ancho Reserva 2004 e o Mouchão.
  • Do Douro; Quinta Nova Grande Reserva 2005**, Gouvyas Vinhas Velhas 2004*, Quinta de Roriz Reserva, Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2004** e Quinta dos 4 Ventos reserva 2003*.
  • Do Dão; Quinta do Perdigão Touriga Nacional 2004, Pape 2005**,Quinta da Pellada 2005*.
  • Vinhos do Porto; Niepoort Tawny 10 anos*, Ramos Pinto Ervamoira 10 anos tawny, Dow’s Vintage 1997**, Warre’s Vintage 1997 e Kopke Vintage 2003*.
  • Outros; Quinta do Monte D’Oiro Reserva 2004 da Estremadura e o Dado, um vinho originado de uvas do Dão e do Douro, elaborado por dois grandes produtores. Não conheço, mas dizem ser muito bom, em especial o de 2001.

Acima de Euros 34, o céu é o limite. Eis algumas sugestões sendo que, um em especial me encanta, pois é um grande vinho. Dos outros não conheço a maioria e a seleção sugerida é mais de ouvir falar e advinda de leitura sobre néctares ícones das casas produtoras. Do Douro vem o meu xodó, o Chryseia**. Em podendo compre e guarde. Tomei um 2001 recentemente, e garanto que é um elixir dos Deuses mas custa algo próximo aos 50 Euros o que é puxado, mas bem inferior aos mais de R$300 cobrados aqui. Vamos aos outros grandes vinhos: Quinta do Crasto Touriga Nacional 2003, Ferreirinha Douro Reserva Especial, Quinta do Carmo Alentejo Reserva 2003, Xisto Douro, Quinta do Vale Meão, Quinta vale Dona Maria Douro 2003, Quinta do Mouchão Alentejo Tonel 3-4, Zambujeiro  2004, Quinta do Infantado entre muitos outros, sem falar do principal ícone dos vinhos Portugueses, o Barca Velha que tem preços bem acima dos 100 Euros e, dependendo da safra, pode ir lá para cima, bem alto!

           Estando em Portugal, o negócio é comprar vinhos Portugueses, pois os preços são ótimos, a variedade grande e a qualidade é muito boa. De qualquer forma não existem grandes opções de vinhos importados e os preços apesar de serem mais baixos do que aqui, não são tão compensadores quantos dos vinhos locais.  Quanto e onde comprar? Olhe depende do tempo que você tiver. No caso do Túlio sei que vai estar em Lisboa, então a minha sugestão é fazer a compra pelo site da Garrafeira Nacional pedindo para que façam uma boa embalagem, preferencialmente embrulhando cada garrafa num plástico bolha e passe lá para buscar e conferir. Uma ou duas caixas de seis, eu aproveitaria e optaria por comprar as doze garrafas aproveitando a oportunidade! Aproveite e conheça um pouco da baixa de Lisboa (centro velho) que é um lugar encantador. Pelas minhas pesquisas, os preços da Garrafeira são bastante bons e você ainda pode pedir o Tax Free Refund que lhe dará um desconto  de algo como 10% na apresentação no Aeroporto (lhe devolvem em dinheiro). Outra boa opção on-line é a Portwine ( http://www.theportwine.com/gca/index.php?id=59) especializada e, apesar de não o conhecer pessoalmente nem ter tido qualquer experiência de compra com eles, se tem o aval do Pingus (Pingas no Copo) tem também o meu.

                 Se tiver tempo pesquise outras lojas, uma opção fácil são os supermercados Auchan, Pão de Açúcar e Continente, todos com menos variedade, mas a lista acima é grande e boa parte dos rótulos até 25/30 Euros poderá ser encontrada por lá, assim como a loja Gourmet do Corte Inglés. Lembre-se que, na volta, as compras no free shop de chegada são cota adicional. Então, fora suas 12 garrafas, que tal comprar umas garrafitas de Quinta da Bacalhoa ou de Piriquita, este ultimo uma grande pedida para o dia-a-dia? Bem, depois disto, só me resta desejar Bon Voyage e que Bacco ilumine sua escolha.  Salute!

Vinho do Porto II

                 Hoje continuamos nossa viagem pelos Vinhos do Porto falando dos Tawnies, um outro estilo de vinho mas tão divino quanto o Ruby. Em Portugal, os vinhos mais vendidos são os tawny. Prove você, e escolha o seu estilo. Eu adoro sentar na sala após uma refeição, e tomar um cálice de um bom Porto Ruby, se possivel o LBV ou Reserva, com um pedaço de chocolate meio-amargo. É um grande final do dia. Dos tawnies gosto mais dos reservas, já que os de Indicação de idade e colheita são caros para o dia-a-dia, especialmente nas festas de final de ano acompanhando panettone e bolo rei, mas não só. Bem, chega de devaneios, falemos dos tawnies:

   Tawny – Da mesma forma do Ruby existem diversas categorias. Seu processo de envelhecimento é realizado em pipas 550 litros onde permanecem pelo tempo determinado pelo IVP conforme a categoria do produto que se quer elaborar. Apesar da oxidação que se busca neste estilo de vinho se dar de forma mais rápida nas pipas, alguma parte do vinho poderá ser envelhecida em balseiros. Pelo maior contato com a madeira e maior oxidação, o vinho adquire uma cor mais aloirada e com aromas diferenciados dos Ruby. Nos Tawny, se sentem mais aromas tostados, chocolate, café, frutas secas e amêndoas. Servido levemente refrescado, uma ótima companhia para um panettone e doçes conventuais Portugueses à base de ovos e amêndoas!

Os Colheita são tawny de uma única safra envelhecido em pipas por, no mínimo, sete anos. Os de maior qualidade entre 12 a 15 anos, quando não mais. Vinhos de grande complexidade no nariz e na boca. Depois de abertos, poderão se manter relativamente bem por um período de um a quatro meses. Quanto mais idade tenham, mais aguentam, mas se você demorar mais que uma semana ou duas para tomar a garrafa, se tanto, ou existe algo de errado com o vinho ou com você!

Os de Indicação de Idade, Tawny 10, 20, 30 ou mais de 40 anos, são uma mescla de vinhos de diversas safras que estagiam em madeira durante períodos de tempo variáveis, nos quais a idade mencionada no rótulo corresponde à média aproximada das idades dos diferentes vinhos participantes do lote, apresentando características inerentes a um vinho dessa idade. Não, necessariamente, tenha sido todo o lote envelhecido por esse tempo mencionado. Nunca tomei os de 30 e mais anos, mas já degustei alguma preciosidades de 10 e 20 anos, são grandes vinhos. Pela alquimia na elaboração de um destes deliciosos vinhos, diz-se que um tawny destes é feito pelo homem com a ajuda de Deus, enquanto um Ruby Vintage é feito por Deus com a ajuda do homem. O tempo de durabilidade do néctar, depois da garrafa aberta, segue os mesmos parâmetro dos Colheitas.

Tawny Reserva, são uma mescla de vinhos de diversas safras que, obrigatoriamente, passem por um mínimo de 7 anos em pipas. Depois de abertos, se mantêm bem por cerca de três a quatro semanas. Se na geladeira um pouco mais.

Tawny básico são elaborados com vinhos de diversas safras e envelhecimento em pipas por um período de dois a três anos, podendo eventualmente também passar um tempo em balseiros. Dependendo da casa produtora, o vinho envelhece por bem mais anos, caso do Quinta de Baldias que envelhece por oito anos antes de ser engarrafado. Neste caso, depois de abertas as garrafas, o recomendável é tomar dentro de umas seis a oito semanas. Por experiência própria, todavia, já tive alguns poucos casos, já que é anormal um Porto durar tanto aqui em casa,  em que deixei a garrafa na geladeira com vacuo-vin e fui consumindo ao longo de um puco mais de dois meses sem que a evolução significasse uma grande perda de suas características.

                      Os Vinhos do Porto se produzem ao longo do Rio Douro e, antigamente, desciam o rio em barcos chamados Rabelo, até Vila Nova de Gaia onde o envelhecimento dos Vinho do Porto era obrigatoriamente feito nas caves dos produtores. Vila Nova de Gaia se situa em frente à cidade do Porto por onde eram exportados os vinhos. Apesar de muitos produtores já envelhecerem seus vinhos em suas próprias instalações nas suas vinícolas, muito ainda segue sendo transportado, hoje por ferrovia e rodovia, para as caves, muitas delas centenárias, em Vila Nova de Gaia. Para quem vai a Portugal e à cidade do Porto, uma visita é obrigatória e inesquecível. Apesar da forte pressão por modernização na produção dos vinhos, muitos produtores ainda usam métodos tradicionais como a pisa a pé nos lagares de pedra ou granito, realizada normalmente por volta do mês de Setembro. Existe uma áurea de cultura e tradição á volta do Vinho de Porto e é comum que vinhos Tawny Colheita ou Vintages, sejam presenteados quando uma criança nasce para que seja aberto quando faça 50 anos momento em que se espera que ambos, vinho e pessoa, estejam no auge de seu amadurecimento.

                 Como apaixonado que sou pela região e, em especial, pelos Vinhos do Porto, me sinto um privilegiado por ter podido visitar as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia e fazer provas nas caves. Posso afirmar, sem qualquer sombra de duvida, é uma emoção muito especial e inesquecível. Boa comida, bons restaurantes e tascas, ótimos vinhos do Douro, simpatia do povo, maravilhosos Vinhos do Porto, cenários idílicos ao longo do Douro, Cais da Ribeira certamente uma região imperdível numa eventual visita a Portugal. Das Caves, minha preferência ficou para a da Barros, muito antiga, e da Croft. Tendo tempo, há muito que ver e degustar. Aí, desçam ao cais para comer maravilhosamente com uma linda vista do cais da Ribeira e cidade do Porto, e recuperar energias no popular restaurante do Adão, no sofisticado Tonho’s ou no Tromba Rija. Comida para diversos gostos e diversos tamanho de bolso.

Para informações mais detalhadas, inclusive com dicas de provas e visitas às caves, visitem os sites www.ivdp.pt , http://www.cavesvinhodoporto.com,  http://www.aevp.pt, http://www.theportwine.com bom local para compra também, http://www.portoturismo.pt/index.php?c=3&m=7&s=7 e http://www.rvp.pt ou comprem o livro do Carlos Cabral (http://www.carloscabral.com.br/04livros.htm), talvez o maior  expert de Vinhos do Porto fora de Portugal.

[youtube=http://youtube.com/watch?v=HHPkmW-HkUg] 

Este anuncio dos Vinhos do Douro, em que se incluem os Vinhos do Porto, é de uma criatividade e sensibilidade únicas. Adorei e acho que você também gostará.

[youtube=http://youtube.com/watch?v=-Qh0oWM4jBM&feature=related]

Vinho do Porto I

                  Este mês, dentro de nossa volta ao mundo pelos países produtores, previa falar dos vinhos da França. Já tinha uma série de vinhos listados e parte da matéria pronta, mas recebi mais de 30 novos rótulos para provar, sem contar os que ainda estão por chegar, e achei que não seria justo para quem me enviou os vinhos e para com você, caro leitor amigo, correr com a avaliação. Por outro lado, a França talvez seja dos países mais complexos para se falar de vinhos. Tanto que, a principio, decidi que irei falar dos vinhos Franceses por dois meses seguidos, tamanho o número de rótulos interessantes e regiões sobre as quais falar. Neste mês de Maio, mês especialíssimo em que se comemora o dia das Mães, falaremos dos Vinhos do Porto, umas das minhas paixões, e suas características. Em Junho e Julho, retomando a viagem, falaremos sobre a França e suas regiões produtoras; um mar de opções, estilos e preços. Lancei alguns desafios aos importadores e lojas no sentido de encontrar bons vinhos com preços baixos, coisa difícil nos vinhos Franceses que por cá perambulam, vamos ver no que vai dar. Acho que poderemos ter diversas surpresas agradáveis!

                Vinho do Porto, um dos vinhos mais antigos do mundo e de enorme capacidade de guarda dependendo da categoria. Um grande vinho Vintage, é para se tomar com mais de 20 anos quando começa o seu período de maturidade e é vinho para 50, 70, 80 anos de vida, e mais um pouquinho ainda se for de uma grande safra e de respeitado produtor. A característica do Vinho do Porto é de ser um vinho elaborado com uvas da região que, no meio do processo de fermentação, lhe é adicionado aguardente vínica, interrompendo o processo, o que faz com que o açúcar que iria se converter em álcool permaneça no vinho lhe deixando um residual de doçura. É um vinho fortificado, generoso como é chamado em Portugal, que fica com um nível de teor alcoólico entre 19 a 22º. No caso dos brancos, um pouco menos, algo próximo a 17º.

                  Vinho do Porto não é todo igual, e isso é que buscarei mostrar aqui, junto com algumas sugestões de bons vinhos a preços que caibam no seu bolso na seção Tomei e Recomendo que publicarei mais tarde, ao longo da semana, Expovinis permitindo. Por exemplo, você sabia que o Vinho do Porto é produzido na região do Douro, norte de Portugal, e que esta foi a primeira região demarcada do mundo, em 1756? Mas quais os tipos de Vinho do Porto produzidos? Apesar do grande consumo no Brasil e o grande aumento de demanda que, de 2003 para 2007 cresceu 100% atingindo um total de mais de um milhão e cem mil garrafas, pouco se conhece sobre os estilos do vinho produzidos. O que é um Tawny, um Ruby, Colheita, Vintage, LBV, Reserva, etc. Na maioria das vezes simplesmente se compra um Porto sem conhecimento de causa. Existem Portos para tudo o que é gosto, momento e preço. Quando se prova um vinho do porto de qualidade, jamais se esquece!

                 Existe o tipo Branco, mais suave e menos comum por aqui. Este pode ser seco, doce ou meio-doce normalmente produzido com um corte das castas Malvasia Fina, Rabigato, Viosinho, Gouveio e Códega. È o de menor consumo e, em Portugal se tornou muito comum sendo preparado como um drink na forma de um Portônica. Uma dose de Porto branco seco, casquinha de limão, gelo e tônica a gosto. Super referescante e saboroso, ótimo para ser servido como aperitivo.

                 Dos tintos existem basicamente dois estilos, o Tawny que é aloirado na cor, e o Ruby, de um vermelho mais intenso, cada um deles com algumas variáveis e características próprias conforme demonstrado abaixo. As uvas usadas na elaboração dos vinhos são a Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Roriz (tempranillo), Tinto Cão, Tinta Amarela e Touriga Franca ou Francesa. A grande maioria dos vinhos exportados é tinto e o Brasil é hoje o 11º país importador em valores totais. Os maiores consumidores mundiais, na ordem de valor são; França, Portugal, Holanda, Reino Unido e Bélgica que totalizam cerca de 80% do consumo. Não por acaso, são os países Europeus de maior migração Portuguesa.

               Ruby – Envelhece, inicialmente, em balseiros de mais de 5000 litros (existem balseiros de 20 até 50.000 litros) por um mínimo de dois anos quando o produtor testa seus vinhos para ver o quanto ele evoluiu e se está apto, em função da qualidade, a ser declarado um Vintage, top da linhas dos Vinhos do Porto. Caso ache que o vinho tem esse potencial, terá que apresentar o pleito, e amostras, ao Instituto do Vinho do Porto que ratificará, ou não, a declaração de Vintage. Se ratificado, o vinho será engarrafado de imediato e sem filtragem, ficando em caves por um curto espaço de tempo para aclimatização, e rapidamente colocado no mercado onde irá envelhecer nas adegas e caves de lojas, distribuidores, importadores e, porquê não, na sua casa. Neste caso o envelhecimento se dará na garrafa. A ratificação de vintage poderá ser dada somente a alguns produtores e, em caso de grandes safras como 1994, 2000 e 2003 , dizem que também a de 2005, o Instituto poderá declarar a safra como Vintage, o que configura os vinhos como de Vintage Clássico,  após a solicitação da grande maioria dos associados e confirmada/ratificada a qualidade dos produtos apresentados. De qualquer forma, a solicitação de Vintage parte sempre do produtor junto ao instituto, que fiscaliza detalhadamente os produtos e produtores garantindo que os níveis de qualidade exigidos sejam cumpridos. São vinhos que podem podem ser tomados de imediato, pois ainda retém um pouco da fruta e da juventude, mas se passar de uns dois ou três anos dependendo do produto, o vinho se fecha e fica difícil de beber, voltando a estar pronto a beber e com muito mais complexidade, a partir dos 10 ou 15 anos de garrafa. Os Single Quinta Vintages, são produtos elaborados com uvas vindas de uma só propriedade com características próprias do terroir. Os Americanos gostam de tomar os Vintages novos com bastante potência, os Ingleses preferem-no mais velho e maduro com mais elegância, questão de culturas e gostos. Por suas características e idade, o vinho dever ser decantado para subtrair as borras e bebido logo, não devendo ser guardado depois de aberto já que se oxidará. Um néctar próprio para grandes eventos e meu favorito!

Quando os vinhos nos balseiros, não atingem qualidade de Vintage, eles podem permanecer por mais uns três a quatro anos no balseiro para serem posteriormente engarrafados, com ou sem filtragem, já vindo para o mercado pronto; são os LBV (Late Bottled Vintage). Normalmente são engarrafados entre quatro a seis anos após a colheita, dependendo do produtor e do produto pretendido. Alguma melhora ocorre com o tempo na garrafa, em geral por uns três a cinco anos e quando aberto deverá ser consumido no dia ou no máximo em uns três ou quatro dias, eventualmente uma semana se usado o vacu-vin. Em ambos estes casos, os vinhos são fruto de uma só colheita. Na falta do Vintage, o LBV é uma grande opção por uma fração do preço.

O Character, ou Reserva, é uma mescla de vinhos de diversas safras que ficam em balseiros entre 4 a 6 anos quando é engarrafado e colocado no mercado pronto para beber. Neste casos, pode-se consumir o vinho em até umas três ou quatro semanas desde que guardado com vacu-vin na geladeira, sem grandes alterações na qualidade. Existem produtos de grande qualidade e ótimo preço que merecem ser conhecidos.

Finalmente ou Ruby básico que é uma mescla de vinhos de diversas safras envelhecido em Balseiros por um período de cerca de 3 anos. Não melhora na garrafa e vem pronto para beber. Depois de aberto poderá se manter, relativamente bem, por umas quatro a seis semanas desde que guardado na geladeira com o uso de vacuo-vin. Neste segmento, existe de tudo no mercado e há que se ter um pouco de cuidado na escolha.

Os vinhos Ruby, por seu pouco contato com a madeira, são vinhos tradicionalmente mais encorpados, densos, cor vermelho escuro (daí o nome), levemente doces e com aromas de fruta bem presentes.

O mês de Maio é, também, o mês das noivas e acho que um brinde com Vinho do Porto é o que há! Um bom LBV ou Reserva Ruby, representando a longevidade e a evolução que se esperam do enlaçe entre duas pessoas que se amam, tem tudo a ver. Na Quarta-feira, complementarei este post com mais informações sobre a região e, especialmente, sobre os vinhos de estilo Tawny. Posteriormente, algumas dicas de ótimos produtos em Tomei e Recomendo. Aguardo você por aqui. Salute e kanimambo.

Vinhos do Alentejo

                 Eis uma lista, da Blue Wine, dos TOP 25 vinhos Alentejanos de 2007, com alguns comentários pessoais.

No topo da lista três vinhos com 18 pontos numa escala de 20; Incógnito 2004, vinho ícone da vinícola Cortes de Cima, produzido com Syrah (Adega Alentejana), Montes Claros Reserva 2004 e o Vinhas da Ira um grande e potentíssimo vinho, sobre o qual ainda falarei, trazido pela Lusitana. O interessante aqui é a disparidade de preços, lá. O Incógnito custa em torno de Euros 47,50, o Vinhas da Ira por volta de Euros 18,00 e o Montes Claros, meros Euros 5,20!! Adivinha o que vou comprar?

A seguir com 17,5 pontos, mais cinco rótulos; Dona Maria Reserva 2004 (Épice), Herdade do Meio Garrafeira 2003, Quinta da Amoreira da Torre reserva 2004, Quinta do Carmo Reserva 2003 (Mistral), Vale do Ancho Reserva 2004 (Adega Alentejana) e o Vila Santa 2005 (Casa Flora). Este ultimo, um belíssimo vinho que me encantou e que lá custa em torno de Euros 11,00, o que é mais uma grande pedida.

Mais abaixo com 17 pontos, um total de quatro rótulos. Bombeiro do Guadiana Escolha Syrah 2004, Herdade de São Miguel Reserva 2004 (Grand Cru G.Viana), Olho de Mocho Reserva 2004 e Pontual Reserva 2004.

Com 16,5 pontos, os “últimos” doze rótulos. Alfaraz Reserva 2003, Altas Quintas Crescendo 2005, Altas Quintas Reserva 2004 (Decanter), Couteiro-Mor Reserva 2004 (Adega Alentejana), Duas Castas 2006 Branco (Qualimpor), Fonte Mouro Garrafeira 2004, Herdade das Pias Tinta Caiada & Trincadeira 2005, Monte da Penha Gerações Reserva 2004 (Vinea Store) que provei hoje e realmente é um vinho de grande qualidade, Monte Seis Reis Syrah 2004 (Almeida Garret), Pêra Manca 2005 Branco (Adega Alentejana), Reguengos do Souzão Reserva 2004 e Torre do Esporão 2004.

                   Existem um monte de ícones da região que não constam da lista, como Tapada de Coelheiros, Mouchão, T de Terrugem, etc., seja porque não foram provados ou por qualquer outra razão que não a de qualidade, pressuponho. De qualquer forma, existem dois rótulos que, obrigatoriamente, teriam que estar aí por se tratarem de vinhos com muita qualidade sem que se sejam considerados ícones, ainda. O Malhadinha 2003 (Épice) e o Herdade do Pinheiro Reserva 2003 (Beirão da Serra) que são uma maravilha. Veja algumas rotas do vinho no Alentejo na figura abaixo ou clique aqui em Vinhos do Alentejo.

Vila de Frades Reserva Branco

                Gosto quando descubro coisas diferentes, adoro experimentar. Se visito um país pela primeira vez, tento sempre provar os sabores locais. Nesta nossa Vinoesfera, ajo da mesma forma e meu hobby é garimpar. Numa dessas, constantes, visitas que faço ao Portal dos Vinhos, tive a oportunidade de dar de cara com o produtor e o importador deste vinho. Papo vai, papo vem, passamos do vinho a tauromaquia (touradas) e o papo foi longe. Desse encontro restaram as lembranças e uma garrafa de Vila de Frades Reserva Branco 2005, para prova. A primeira surpresa foi o corte com a uva Perrum, que até esse momento desconhecia. Portugal tem um sem número de castas autóctones, muitas com nomes muito interessantes como Rabo de Ovelha, Tinta Cão, Bastardo, Baga, Bical, Sousão, Antão Vaz, Fernão Pires, Encruzado, Loureiro, Arinto, entre muitas outras e agora, conheci mais esta. Falemos do vinho!

  • Produtor – Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito C.R.L.
  • Importador – Garrafeira Alentejana (www.garrafeiraalentejana.com.br)
  • Região – Alentejo, sub região de Vidigueira
  • País – Portugal
  • Composição uvas – Antão Vaz e Perrum
  • Detalhes Produção – Fermentado a 16º e estagiado em barricas novas de Carvalho Francês por um período de 4 meses.
  • Teor de álcool – 12.5º.
  • Safra – 2005.
  • Preço médio em Abril/08 – R$49,00
  • I.S.P$

Uma surpresa muito agradável, a segunda, só que desta vez na boca. Não é um daqueles vinhos brancos ligeiros, leves, para bebericar com os amigos numa tarde de verão. Pode até ser, obviamente, mas acredito que seja um vinho que se aprecia melhor com comida. É de corpo médio, cor amarelo dourado brilhante, possui muito boa acidez, aromas intensos de fruta madura como pêssego e ameixa amarela. Na boca é completo, muito equilíbrio, boa harmonia, boa fruta com nuances de baunilha e algo de mel num final de boca de persistência média. Mais que tudo é um vinho diferente, talvez em função da uva perrum autóctone da região que lhe dá uma personalidade própria. A casta Antão Vaz, também autóctone portuguesa e bastante usual em vinhos do Alentejo, já gera, por si só, vinhos muito agradáveis e de boa acidez. A adição de Perrum no corte fez a diferença, pois lhe deu mais complexidade. Muito bom.

            Fiz umas experiências gastronômicas com este vinho já que, por acaso, os cardápios em casa se propunham a isso. Primeiramente com um Cuscuz e o vinho acompanhou muitíssimo bem o prato. A boa estrutura e frescor do vinho, também fez com que harmonizasse muito bem com um curry de frango com maçã.  Se lembram do erro que cometi com a minha harmonização da Páscoa? Pois bem, com este vinho, aquele Bacalhau a Braz garanto que ficaria dez! Poderia, inclusive, acompanhar uma receita de bacalhau no forno com fidalguia. Uma ótima opção de um vinho efetivamente gastronômico. Eu gostei e recomendo, bela alternativa ao famoso e bem mais caro Esporão Reserva Branco. Existe também a versão Tinta que dizem ser muito boa, não conheço, mas se acompanhar este nível, certamente será de primeira e deve ser provado também. Estes vinhos, inclusive uma versão mais ligeira do branco, estão disponíveis na Portal dos Vinhos. Salute e kanimambo.

Barão do Sul Garrafeira 2002, um belo tinto

               A Cachamoa, é um produtor Português da região de Terras do Sado que nos trás dois ótimos vinhos básicos, muito corretos que são o Barão do Sul tinto e branco os quais recomendei quando da coluna sobre vinhos Portugueses. São campeões no quesito custo x beneficio, vinhos de qualidade dentro de sua faixa de preços e próprios para o dia-a-dia. Após o grande sucesso alcançado pelo Barão do Sul Reserva, a vinícola lança uma edição limitada da versão Garrafeira 2002, seu top de linha.

               Deste topo de gama, a vinícola produziu somente 6.266 garrafas , todas numeradas, disponíveis para venda em todo o mundo! A Lusitana, em função da ligação com o produtor, importa com exclusividade o maior número possível delas para que você possa garantir a sua. O vinho foi produzido a partir das castas Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot e Castelão, todas provenientes da propriedade em Azeitão, ali entre Lisboa e Setúbal onde, por sinal, existe um queijo regional absolutamente divino. Após três anos, o vinho fica pronto e é colocado no mercado.

               Para apreciá-lo em sua melhor forma, você também precisa ser paciente, decantando-o e deixando-o respirar por no mínimo 50 minutos. Surpreenda-se! A importadora descreve este vinho como de aromas complexos, cheios de notas frutadas e vegetais; muita elegância na boca, com corpo presente e pujante. Desenvolve aromas terciários intensos, nomeadamente o café torrado. Por ser um vinho de grande personalidade e complexidade, aconselhamos a escolha de pratos igualmente marcantes, como um pernil assado, arroz de pato, bacalhau a Gomes de Sá, etc. Temperatura de consumo aconselhada: 17 ºC

  • Produtor – Cachamoa
  • Região –  Terras do Sado
  • País – Portugal
  • Composição uvas – Corte de Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot e Castelão
  • Detalhes Produção – 18 meses em barricas de carvalho Francês. E 18 em garrafa, quando então sai para o mercado
  • Teor de álcool – 13.6º
  • Safra – 2002
  • Preço médio em Março/08 – R$60,00

0-barao-garra-custom.jpg Foi um vinho que me impressionou de diversas formas. Primeiramente na prova, um vinho realmente complexo, de muito boa estrutura e equilíbrio, gordo, taninos presentes mas de grande elegância, bom nariz com boa  paleta de aromas que se confirmam na boca com toques balsâmicos e boa acidez resultando em um vinho fresco que convida a comer. Vinho de boa persistência que nos dá enorme prazer ao tomar e nos deixa um gostinho de quero mais na boca. Importante frisar que o vinho tem teor alcoólico comportado e muito bem incorporado, o que é um fator importante a se ter em conta nos dias de hoje.  Todas esta satisfação e prazer, são elevados à enésima potência quando nos é anunciado o preço, R$60,00. Não existe nada deste calibre a este preço no mercado. Definitivamente, não de Portugal! Um belo vinho, que me entusiasmou e que recomendo a todos os amigos de Falando de Vinhos, certamente uma Boa Compra e um vinho diferenciado. Decididamente, um vinho com personalidade própria que me deu enorme satisfação ao beber. A decantação e sugestão de pratos que a importadora fornece, são uma bela dica a ser  seguida, especialmente o arroz de pato e o pernil assado, aos quais adicionaria uma bela perna de cabrito ou, para quem gosta de pratos mais exóticos, um javali na pucúra!  $ smile1602.gifsmile1602.gifsmile1602.gifsmile1602.gif 

Vinhos de Portugal – Importação

                Terceiro maior exportador para o Brasil, Portugal vem aumentando seu volume de exportação para o Brasil, a taxas de crescimento muito acima da média. Vejamos, de acordo com dados colhidos no site Winexperts e Folha on-line, em 2006 as venda ao Brasil já tinha aumentado 30% em comparação com 2005 e agora, em 2007 aumentaram 25% sobre 2006, chegando a um total de cerca de USD23,5 milhões referente a 6,6 milhões de litros. Este números, significam, em valor, uma participação de 15% do mercado, só superados pela Argentina (22%) e Chile (30%). Uma performance que deve ser enaltecida já que, inclusive, conseguiu superar a exportação de vinhos Italianos em valor. Ou seja, apesar de quase 3 milhões de litros a mais exportados, a Itália fica em quarto lugar porcentual no que se refere a preço, importante plus que demonstra grande capacidade mercadológica dos “players” nesse processo de comercialização. Isto, competindo com os já acima citados mais; França, Espanha, Uruguai, Alemanha, EUA, Austrália, Nova Zelandia, África do Sul ou seja, a nata dos produtores internacionais.

              Todo este enorme sucesso se deve, fundamentalmente, à ação das diversas importadoras, mídia e, em especial, dos órgãos oficiais de promoção do vinho Português no Brasil, neste caso a Viniportugal e Icep. Cada importador tem hoje, sua cota de representações de produtores Portugueses, sem contar as diversas empresas especializadas, num processo iniciado pelos pioneiros Srs. Manuel da Portuscale e Emidio da Vinhos Seleto. Há muito por onde escolher, seja nas importadoras exclusivas como; Lusitana de Vinhos, Adega Alentejana, Qualimpor, Casa Aragão, Vinhas do Douro, Almeida Garret como em outras importadoras que trazem vinhos de um mix grande de países, como Casa Flora, Mistral, Wine Company, Expand, Zahil, D’olivino, Épice e Barrinhas entre muitas outras.

               O incrível disto tudo, é que as importantes revistas que falam de vinho, seguem chegando aqui, um mercado consumidor importante e “ligado” no vinho Português, haja visto a grande quantidade de “page views” em meu post sobre Portugal assim como aumento de consumo, com um mínimo de três meses de atraso para assinantes e cinco meses nas bancas. Pasmem, comprei ontem a mais recente edição da Revista de Vinhos disponível nas bancas. A edição 213 de AGOSTO de 2007! Gente, vamos acordar para a vida?!

Dois Tintos Divinos – Reguengos Garrafeira dos Sócios e Angelica Zapata Alta Malbec

                   Para inveja (boa) de minhas amigas Sandra, Regina e, especialmente a Juliana, que adoram este vinho, o Angelica Zapata Alta Malbec 2003, foi o vinho de minha ceia de reveillon.  Calma meninas, ainda existem mais de 300 dias neste ano para tomar outras garrafas!

 

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Bem, ainda prefiro o 2002 que acho um pouco superior, mas, por outro lado, acho que este Angelica merece mais um ano de garrafa apesar de já estar pronto. Catena Zapata em todo o seu esplendor, um dos grandes vinhos Argentinos. Segue sendo um vinho delicioso, muito bem estruturado, encorpado, saboroso, taninos finos, bem aromático e persistente. Nesta noite, escoltou um cordeiro com risoto de rucula com enorme fidalguia. Incomodou-me, um pouco, o alto teor alcoólico de 14,5º que acho um pouco exagerado. Aliás, este tema merece uma matéria especial sobre o qual me debruçarei muito em breve. Está, no entanto, muito bem equilibrado e não se sente ao tomar, porém na terceira taça ………. Mesmo assim, um belíssimo vinho que vale cada centavo pago e, na promoção da Casa Palla a R$78,00 é um custo X beneficio impressionante.

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                   Animado pela ótima ceia, e pela companhia, reuni o restante da família para um agradável churrasco neste primeiro dia de Janeiro. Adoro estar rodeado da família, o dia estava lindo e, para abrir o churrasco, um espumante Moscatel Marco Luigi para despertar e aguçar as papilas gustativas. Super fresco, uma delicia como sempre só, peninha, que lá se foram as ultimas duas garrafas e o verão só começando. Há que repor o estoque rapidamente! Para acompanhar o churrasco, chuleta e picanha, um divino Garrafeira dos Sócios Reguengos 2000, da região do Alentejo, Portugal.

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Um pujante e elegante vinho Alentejano com caráter e personalidade, elaborado com as uvas Aragonês, Trincadeira e Castelão.  Cor grená e, mesmo não sendo exuberante , possui boa complexidade aromática, com leves toques florais. Encorpado, mas ao mesmo tempo com uma suavidade impressionante. Com seus 13.5º de álcool, é um perfeito equilíbrio de sabores,  aromas, acidez, álcool e taninos que enche a boca de prazer. Literalmente, um vinho redondo, sem arestas. Um vinho que se orgulha de ser Alentejano e não se dobra a modernismos. Um grande e aveludado vinho, de pouco marketing, que deixa muitos famosos no chinelo. Não é de agora que conheço este vinho e é, sempre, como visitar a casa de um velho e querido amigo, confiável e afável. Daqueles vinhos em que você fica na duvida se pede, mais uma taça ou mais uma garrafa! Um dos meus favoritos, disponível na casa Santa Luzia, ou na Vinhos Seleto por cerca de R$78,00, um ótimo preço pela satisfação e qualidade que você leva para casa. Comecei muito bem o ano, inclusive no que se refere a assuntos etílicos! Ah, ia-me esquecendo, o churrasco estava muito do bom!!

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Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

Vinhos de Portugal – Edição de Outubro/07

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Até R$30 – Da região do Douro temos o Vila Régia, o Quinta do Cachão, Flor de Crasto e o Charamba  que já apresentam uma certa complexidade de sabores e aromas. São vinhos equilibrados com taninos suaves, álcool controlado e bem harmônicos. Ainda nesta faixa de preços, provem também o sempre eclético e confiável Piriquita e o Barão do Sul, tintos da região de Terras do Sado e os Monsaraz, Convento da Vila, Villa Romanu, Terras de Pias, Tinto da Talha e o Alcatruz, todos da região do Alentejo. Da Estremadura o Fonte das Moças e o Cerejeiras assim como o Quinta de Cabriz e o Aliança Reserva da região do Dão. São vinhos para o dia-a-dia, mas que tem aquele algo mais que os diferencia de outros vinhos nesta faixa de preço. Podem ser tomados acompanhando uma pizza ou pratos de carne menos condimentados. Acompanham muito bem um churrasco, filé á Parmegiana ou uma macarronada de Domingo. Já nos brancos eis algumas dicas bem interessantes; um vinho verde bem elaborado e já com uma certa complexidade mostrando muitas qualidades; o Quinta da Aveleda, um corte de uvas Trajadura, Alvarinho e Loureiro que tomei acompanhando lulas grelhadas na manteiga  e que casou muitíssimo bem, o Dom Bastos branco, um vinho verde leve e muito agradável para bebericar com os amigos numa tarde de verão, ou o Barão do Sul branco que é um corte de Fernão Pires com Moscatel que acompanha bem comida em especial um frango ou um peru à Califórnia, assim como peixes diversos. 

De R$ 30 a 60

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Aqui os vinhos começam a ganhar complexidade e já existem rótulos muito bons a serem considerados. Uma barbada é o belíssimo e conceituado Altano 2004/05, os pouco conhecidos Brunhedas 2003 e Tavedo 2004 ou ainda o Duas Quintas, vinhos muito saborosos da Região do Douro. Do Alentejo o Marquês de Borba 2004/05 um clássico vinho da região, bem frutado e equilibrado fácil de beber, o Chaminé, o E.A., o Herdade Paço do Conde, o Herdade São Miguel, e o sempre tradicional Monte Velho. Ainda do Alentejo, mas um pouco mais potentes, o Don Rafael tinto e o Meia Pipa 2004/05. O Quinta da Cortezia Touriga Nacional 2004 da região da Estremadura, um belíssimo vinho bem típico desta cepa Portuguesa que começa a ganhar o mundo, e ainda o Cunha Martins Reserva e Quinta da Ponte Pedrinha, ambos da região do Dão, que são vinhos suaves e elegantes fáceis de se gostar. Nesta faixa de preços, existem também vinhos brancos muito interessantes que valem ser provados. Provem um Muros Antigos 2005/06 vinho da região de Monção no Norte de Portugal, berço do vinho verde, elaborado com 100% da uva autóctone Loureiro. Uma delicia, fresco com bastante mineralidade ótimo para se tomar com peixe, uma caldeirada, peixe grelhado ou ao forno, divino com frutos do mar ou sozinho como aperitivo, uma maravilha! Um pouco mais seco e elaborado o Dom Rafael branco, corte de uvas Antão Vaz e Arinto, um vinho de qualidade com boa acidez, próprio para acompanhar uma moqueca ou outros pratos de peixe mais fortes e condimentados.   

 De R$60 a R$100

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Nesta faixa de preços a coisa começa a ficar bem séria. Não só porque o valor já começa a pesar bem mais no bolso, mas também pela extensa lista de vinhos de ótima qualidade disponíveis no mercado. Na faixa mais baixa de preços deste segmento, recomendo um vinho do Alentejo muito bom e talvez o campeão custo X beneficio desta faixa, o Herdade dos Pinheiros Reserva 2003, mas existem muitos outros de excelente qualidade. Do mesmo Alentejo o Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 uma mescla de potencia com elegância em um vinho de grande complexidade de sabores e aromas, o Borba Touriga Nacional um belo exemplar desta variedade de uva e um verdadeiro néctar ou os Vila Santa, Cartuxa Colheita, Esporão Reserva, Altano Reserva, Dom Martinho, Casa de Sabicos e os; D´Avillez e Cortes de Cima, dois vinhos inebriantes e inesquecíveis que valem cada tostão gasto. Da região do Douro o Prazo de Roriz, Altano Reserva, Quinta do Crasto, Meandro, Três Bagos ou o excelente Casa Burmester Reserva. Experimente também o Fonte das Moças Reserva ou o Quinta da Chocapalha tinto, ambos da região da Estremadura ou, das Terras do Sado, o Só Touriga Nacional um verdadeiro néctar, aromas florais um grande exemplo desta casta, e o tradicional Quinta da Bacalhôa. Do Dão o Terra Paz Reserva, 2003 de encher a boca. Daqueles vinhos redondos, saborosos com uma enorme persistência na boca, uma maravilha.  Nos Brancos experimentem os encantadores vinhos feitos da uva Alvarinho como um Soalheiro ou um Muros de Melgaço ou ainda um Deu la Deu preferencialmente da Safra de 2006 ou o eterno e celebrado Esporão Reserva branco. Se fossem Franceses ou Italianos, estes vinhos, tanto tintos como brancos, não sairiam por menos do dobro do preço, provavelmente bem mais.

 Acima de R$100,00 

 

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 Agora, tem dinheiro sobrando? Quer adentrar a excelência dos vinhos Portugueses e sorver alguns dos melhores néctares do País? Bem então aqui vão algumas dicas de excepcionais vinhos com preços, idem, que vão de R$100 a 150, 200, 400, e subindo dependendo do rótulo e da safra. Nem todos tomei, mas todos são unanimidade.

Do Alentejo – Tapada dos Coelheiros, T de Terrugem, Quinta do Carmo Reserva, Quinta do Mouchão, Esporão Private Selection Garrafeira, Quinta do Mouro, Incógnito, Vale do Ancho Reserva, Cortes de Cima Reserva, D´Avillez Garrafeira, Marquês de Borba Reserva, Herdade do Grous Reserva e o mais tradicional de todos, o Pêra Manca.


Do Douro – Redoma, Batuta, Meruge a elegância em pessoa, Calabriga uma delicia, Quinta da Leda, Chryseia que é um dos melhores vinhos que já tomei, Duas Quintas Reserva, Gouvyas Vinhas Velhas, Quinta Vale do Meão, Quinta do Vale Dona Maria, Passadouro, Quinta da Gaivosa, Quinta Vale da Raposa Grande Escolha, Evel Grande Escolha, Quinta das Tecedeiras Reserva, Pintas, Quinta do Crasto Vinha da Fonte e o Touriga Nacional, um pouco menos salgado o ótimo Vinhas Velhas, assim como o, mais que clássico, Barca Velha.

 

Da Bairrada – De Luis Pato o Vinha Pan, Vinha Barrosa e o caríssimo Pé Franco, De Campolargo o Vinha da Costa, Campolargo, Diga? e o Calda Bordolesa. Também o Sidônio de Souza, vinho encorpado, denso com taninos robustos mas de grande qualidade, um vinho para decantar por uns 30 minutos, o Quinta da Dona e o Quinta de Baixo Garrafeira entre outros.

 

Do Dão – Quinta da Pellada tinto e o Touriga Nacional, Santar Vinhas do Contador, Quinta de Cabriz Four C, Pape e o Quinta dos Roques Dão Reserva um vinho de longa guarda e grande elegância.

De outras regiões – Quinta do Monte d´Oiro Reserva, Aurius e o Leo D’ Honor Grande Escolha. 

giesta-rose-wince.jpgRosés – Para fechar nossas dicas sobre os vinhos de Portugal, um Rosé encantador feito de uva Touriga Nacional. Por cerca de R$25,00 tome um Quinta da Giesta como aperitivo ou acompanhando um peito de peru. Um vinho diferenciado, alegre e festivo.   

 Dos Rosés que já provei ultimamente, é o melhor custo beneficio que encontrei. Um must em minha adega e mais ainda agora que chegamos na primavera e os dias se encontram mais quentes, o verão chegando. Prove também o Vale da Torre na mesma faixa de preço, um vinho bastante sedutor.

Quer gastar um pouco mais e tomar um Rosé, na minha opinião, extraordinário? Prove o Herdade dos Pinheiros Rosé, sublime!