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Vinhos do Alentejo

                 Eis uma lista, da Blue Wine, dos TOP 25 vinhos Alentejanos de 2007, com alguns comentários pessoais.

No topo da lista três vinhos com 18 pontos numa escala de 20; Incógnito 2004, vinho ícone da vinícola Cortes de Cima, produzido com Syrah (Adega Alentejana), Montes Claros Reserva 2004 e o Vinhas da Ira um grande e potentíssimo vinho, sobre o qual ainda falarei, trazido pela Lusitana. O interessante aqui é a disparidade de preços, lá. O Incógnito custa em torno de Euros 47,50, o Vinhas da Ira por volta de Euros 18,00 e o Montes Claros, meros Euros 5,20!! Adivinha o que vou comprar?

A seguir com 17,5 pontos, mais cinco rótulos; Dona Maria Reserva 2004 (Épice), Herdade do Meio Garrafeira 2003, Quinta da Amoreira da Torre reserva 2004, Quinta do Carmo Reserva 2003 (Mistral), Vale do Ancho Reserva 2004 (Adega Alentejana) e o Vila Santa 2005 (Casa Flora). Este ultimo, um belíssimo vinho que me encantou e que lá custa em torno de Euros 11,00, o que é mais uma grande pedida.

Mais abaixo com 17 pontos, um total de quatro rótulos. Bombeiro do Guadiana Escolha Syrah 2004, Herdade de São Miguel Reserva 2004 (Grand Cru G.Viana), Olho de Mocho Reserva 2004 e Pontual Reserva 2004.

Com 16,5 pontos, os “últimos” doze rótulos. Alfaraz Reserva 2003, Altas Quintas Crescendo 2005, Altas Quintas Reserva 2004 (Decanter), Couteiro-Mor Reserva 2004 (Adega Alentejana), Duas Castas 2006 Branco (Qualimpor), Fonte Mouro Garrafeira 2004, Herdade das Pias Tinta Caiada & Trincadeira 2005, Monte da Penha Gerações Reserva 2004 (Vinea Store) que provei hoje e realmente é um vinho de grande qualidade, Monte Seis Reis Syrah 2004 (Almeida Garret), Pêra Manca 2005 Branco (Adega Alentejana), Reguengos do Souzão Reserva 2004 e Torre do Esporão 2004.

                   Existem um monte de ícones da região que não constam da lista, como Tapada de Coelheiros, Mouchão, T de Terrugem, etc., seja porque não foram provados ou por qualquer outra razão que não a de qualidade, pressuponho. De qualquer forma, existem dois rótulos que, obrigatoriamente, teriam que estar aí por se tratarem de vinhos com muita qualidade sem que se sejam considerados ícones, ainda. O Malhadinha 2003 (Épice) e o Herdade do Pinheiro Reserva 2003 (Beirão da Serra) que são uma maravilha. Veja algumas rotas do vinho no Alentejo na figura abaixo ou clique aqui em Vinhos do Alentejo.

Zuccardi “Serie A”

                 Mais uma vez me sinto um privilegiado ao poder participar de um agradável almoço de apresentação de um novo vinho. Neste caso, de diversos vinhos já que se tratava de uma nova linha de produtos que a Zuccardi, vinícola Mendocina, lança no Brasil em conjunto com a Expand. Afora o privilégio de tomar estes vinhos, tive o prazer de conhecer o homem por trás deste trabalho, José Alberto Zuccardi. Iniciamos com uma apresentação da vinícola em que, a meu ver, ocorreu o grande destaque do evento, uma frase dita por José Alberto; Não há vinhos de qualidade sem gente de qualidade. Não desmerecendo os vinhos, muito pelo contrário, mas esta é a essência de tudo, a espinha dorsal do projeto como um todo. Esta é uma filosofia que prezo muito e, de cara, ocorreu uma sinergia de idéias. Esta filosofia, conjuntamente com a capacidade de inovação, é que fez com que a Zuccardi, se tornasse a vinícola familiar líder na Argentina.

                 Para este projeto foram construídas instalações novas com 30% dos vinhedos orgânico, o restante muito próximo disto, sem uso de qualquer forma de pesticidas. A linha de vinhos Serie A, é composta de: um vinho branco, corte de Chardonnay com Viognier e três tintos varietais a 100%, um Malbec, um Syrah e um Bonarda. Falemos dos vinhos:

  •  Chardonnay/Viognier 2007, com 50% de cada cepa e 13.5% de álcool, resulta num vinho muito fresco, com ótima acidez, suave e ligeiro. Acompanhou uma entrada de Bobó de Camarão na mini moranga. Com a comida, cresceu assustadoramente me surpreendendo positivamente.
  • Syrah 2006, com 30% do vinho passando por barricas de carvalho Francês de primeiro, segundo e terceiro usos por um período de dez meses. Com 14º de teor alcoólico muito bem balanceado, boa fruta madura, boa estrutura, levemente especiado com a tipicidade da casta. Foi o que melhor harmonizou com o risoto de ossobuco com ragú. Muito bom.
  • Malbec 2006, com 70% dos vinhos passando por barricas de carvalho Francês de primeiro, segundo e terceiro usos por um período de dez meses. Vinho saboroso, de muito boa acidez o que não é muito comum ao Malbec Mendocino, com taninos finos e elegantes.
  • Bonarda 2006, também com 30% do vinho passando por barricas de carvalho Francês de primeiro, segundo e terceiro usos por um período de dez meses. O teor alcoólico é bem comportado com 13º, boa estrutura e corpo numa soberba paleta aromática com frutas silvestres que se confirmam na boca com uma boa acidez, final de boca suave, redondo de média persistência. Individualmente, para tomar solo, talvez o mais interessante de todos os vinhos desta Serie A. Realmente a Bonarda, é a uva do futuro na Argentina!

No geral, bons vinhos, elaborados com muita competência, os tintos com uma previsão de guarda em torno de uns 4 a 5 anos, que a Expand coloca no mercado ao preço de R$55,00. Os destaques, para mim, foram o Bonarda e o Syrah que me agradaram muito e recomendo, cada um a seu modo. Acredito que, se este preço pudesse estar abaixo de R$50,00, teríamos aqui um grande custo x benficio.

                 Para finalizar, ainda pude provar o Zuccardi Zeta (top de linha da Zuccardi), um belíssimo e divino corte de Malbec e Tempranillo, dentro os grandes da Argentina e o MALAMADO. Para quem não conhece, um vinho fortificado à base de malbec elaborado à moda do porto, de onde advém o nome. Delicioso! salute e kanimambo.

Vila de Frades Reserva Branco

                Gosto quando descubro coisas diferentes, adoro experimentar. Se visito um país pela primeira vez, tento sempre provar os sabores locais. Nesta nossa Vinoesfera, ajo da mesma forma e meu hobby é garimpar. Numa dessas, constantes, visitas que faço ao Portal dos Vinhos, tive a oportunidade de dar de cara com o produtor e o importador deste vinho. Papo vai, papo vem, passamos do vinho a tauromaquia (touradas) e o papo foi longe. Desse encontro restaram as lembranças e uma garrafa de Vila de Frades Reserva Branco 2005, para prova. A primeira surpresa foi o corte com a uva Perrum, que até esse momento desconhecia. Portugal tem um sem número de castas autóctones, muitas com nomes muito interessantes como Rabo de Ovelha, Tinta Cão, Bastardo, Baga, Bical, Sousão, Antão Vaz, Fernão Pires, Encruzado, Loureiro, Arinto, entre muitas outras e agora, conheci mais esta. Falemos do vinho!

  • Produtor – Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito C.R.L.
  • Importador – Garrafeira Alentejana (www.garrafeiraalentejana.com.br)
  • Região – Alentejo, sub região de Vidigueira
  • País – Portugal
  • Composição uvas – Antão Vaz e Perrum
  • Detalhes Produção – Fermentado a 16º e estagiado em barricas novas de Carvalho Francês por um período de 4 meses.
  • Teor de álcool – 12.5º.
  • Safra – 2005.
  • Preço médio em Abril/08 – R$49,00
  • I.S.P$

Uma surpresa muito agradável, a segunda, só que desta vez na boca. Não é um daqueles vinhos brancos ligeiros, leves, para bebericar com os amigos numa tarde de verão. Pode até ser, obviamente, mas acredito que seja um vinho que se aprecia melhor com comida. É de corpo médio, cor amarelo dourado brilhante, possui muito boa acidez, aromas intensos de fruta madura como pêssego e ameixa amarela. Na boca é completo, muito equilíbrio, boa harmonia, boa fruta com nuances de baunilha e algo de mel num final de boca de persistência média. Mais que tudo é um vinho diferente, talvez em função da uva perrum autóctone da região que lhe dá uma personalidade própria. A casta Antão Vaz, também autóctone portuguesa e bastante usual em vinhos do Alentejo, já gera, por si só, vinhos muito agradáveis e de boa acidez. A adição de Perrum no corte fez a diferença, pois lhe deu mais complexidade. Muito bom.

            Fiz umas experiências gastronômicas com este vinho já que, por acaso, os cardápios em casa se propunham a isso. Primeiramente com um Cuscuz e o vinho acompanhou muitíssimo bem o prato. A boa estrutura e frescor do vinho, também fez com que harmonizasse muito bem com um curry de frango com maçã.  Se lembram do erro que cometi com a minha harmonização da Páscoa? Pois bem, com este vinho, aquele Bacalhau a Braz garanto que ficaria dez! Poderia, inclusive, acompanhar uma receita de bacalhau no forno com fidalguia. Uma ótima opção de um vinho efetivamente gastronômico. Eu gostei e recomendo, bela alternativa ao famoso e bem mais caro Esporão Reserva Branco. Existe também a versão Tinta que dizem ser muito boa, não conheço, mas se acompanhar este nível, certamente será de primeira e deve ser provado também. Estes vinhos, inclusive uma versão mais ligeira do branco, estão disponíveis na Portal dos Vinhos. Salute e kanimambo.

Uruguai – Regiões & Uvas

O Uruguai é um país de pequenas proporções, pouca população, mas riquíssimo em cultura e desenvolvimento de seu potencial vinícola. Sim, para quem ainda não sabia, aqui se fazem muito bons e saborosos vinhos. Com apenas cerca de quatro milhões de habitantes, tem cerca de 280 vinícolas produzindo e aproximadamente umas 120 exportando regularmente, porém só cerca de 30 com vinhos finos (VCP) engarrafados sendo o restante de vinhos de mesa a granel. São cerca de oito mil e quinhentos hectares de vinhas gerando um total de cerca de cem milhões de litros de vinho, dos quais somente cerca de trinta por cento, de acordo com o INAVI, são de vinhos finos e o restante de mesa. O Brasil é seu grande mercado exportador, para vinhos finos engarrafados com cerca de 33% do total de suas exportações, através de vinte diferentes bodegas. A Rússia é seu maior importador, porém essencialmente de vinhos de mesa a granel (97%). O consumo per capita é de cerca de 29 litros, a grande parte de vinhos de mesa produzidos com vitis-vinífera, principalmente a Moscatel de Hamburgo que gera vinhos ligeiros e meio adocicados, porém a preços muito acessíveis. È um consumo per capita maior que o do Chile, mas inferior ao do vizinho Argentina e consideravelmente maior que o Brasil com seus míseros 2 a 3 litros anuais.

Apesar de produzirem vinho a mais de 250 anos, foi realmente a partir de 1874 com a aposta na uva Tannat por parte de Pascual Harriage, que o a vinicultura começa a ganhar corpo. A moderna vinicultura, todavia, somente começa a ganhar corpo a partir do inicio dos anos de 1980 culminando com a criação do INAVI (Instituto Nacional de Vitivinicultura), uma entidade publica que vem regendo o presente e o futuro do vinho Uruguaio. Em 1992 foi feito um estudo de regionalização da produção do vinho em que se definiram oito grandes regiões de potencial de desenvolvimento baseado em parâmetros climáticos assim como da geologia encontrada. Sua marca registrada é o Tannat e sua chegada ao cenário mundial é bem recente, mas ganhando espaço com bastante velocidade apesar de ainda ter suas exportações muito concentradas, com 87%, em dois países.

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Algumas importantes normas foram definidas para a industria. Começando pelo fato de que qualquer varietal declarado no rótulo deverá ter, obrigatoriamente, um mínimo de 85% dessa variedade. Por outro, se instituiu a VCP (Vino de Calidad Preferente) que é o verdadeiro vinho fino como nós o conhecemos. Ter a chancela VCP impressa no rótulo significa dizer que o vinho foi produzido dentro das normas, região e condições estabelecidas.  Não é chancela de qualidade, ou seja, pode-se ter um bom vinho sem VCP como ter um péssimo com VCP. Na verdade, ter VCP é uma indicação de que o vinho deve ter qualidade, mas não uma verdade absoluta.

Por outro lado, o mestre Saul Galvão, em seu livro Tintos & Brancos, nos informa que as safras no Uruguai são muito importantes, tanto quanto nas regiões Francesas de Bordeaux e Borgogne então preste atenção quando for comprar. As melhores safras mais recentes são as de 2001, 2002, 2004 e 2005. Como já mencionei em meu post anterior sobre Safras, isto não quer dizer que vinhos de outras safras sejam ruins, somente de que os elaborados nestes bons anos serão potencialmente melhores. A concentração da produção ainda é muito grande sendo que 89% advém da Região Sul. Gradualmente as fronteiras se ampliam, e existem diversos bons projetos em andamento fora dessa região. Um desses destaques é a Domínio Cassis com um projeto pioneiro na Região Sudeste mais precisamente em Rocha.

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             Os vinhos Uruguaios apresentam características bem diferentes dos vinhos a que estamos habituados a tomar de origem Argentina e Chilena. Pelas próprias diferenças climáticas com temperaturas mais amenas e condições geológicas bem distintas às encontradas nestes outros paises. São vinhos com personalidade própria, elaborados por gente que tem um jeito diferente de fazer vinho e que, neste sentido, nos parecem vinhos mais parecidos ao estilo do Velho Mundo. Com menos potência, teores alcoólicos mais controlados, boa estrutura, mais elegância e sabores diferentes já que a base de sua vinicultura é a uva Tannat, originalmente da região de Mandiran na França, que encontrou aqui seu habitat perfeito. A Tannat no Uruguai é elaborada tanto em vinhos varietais como em cortes em que seu forte potencial tânico costuma ser suavizado pelo acréscimo de Cabernet Franc e Merlo assim como já vi com Tempranillo, Pinot Noir e Viognier, uma uva branca. Mas não é somente de Tannat que é feita a reputação dos vinhos Uruguaios. Bons varietais de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, também são encontrados. Nos brancos, as presenças da Sauvignon Blanc e da Torrontés se fazem presentes no portfolio da maioria dos principais produtores.

A Tannat, especialmente rica em polifenóis, tendo o maior contéudo de Resveratrol (forte poder antioxidante) entre todas as cepas Vitís Viniferas conhecidas, quando mal trabalhada, é extremamente adstringente (tannat vem de taninos) e gera vinhos muito rústicos. Afortunadamente, a maioria do que vem sendo exportado para o Brasil são de vinhos de qualidade,  bem elaborados e de boa estrutura. Mesmo assim, é aconselhável dar aos varietais desta cepa, especialmente quando 100%,  um pouco de tempo em garrafa para que possa usufruir-se de toda a sua complexidade de aromas e sabores e para que os taninos amadureçam.

No ano de 2007, mais que dobraram as importações Brasileiras de vinhos Uruguaios, demonstrando o grande interesse do consumidor Brasileiro por estes produtos, que já conquistaram 2% do mercado considerando-se volume, mas 4% no que se refere a valor. A grande parte da produção está nas mãos de empreendimentos familiares com produções relativamente pequenas, porém em franco desenvolvimento com projetos muito bem cuidados. Prove estes vinhos, têm um quê do jeito de ser Uruguaio, um quê do Velho Mundo. Os críticos sérios e grandes conhecedores, como o mestre Luiz Horta e o Didu entre outros, são unânimes em declarar que os vinhos Uruguaios estão em franco desenvolvimento e muito ainda se irá falar sobre eles. Comece desde já a descobrir, se é que ainda não o fez, os vinhos desta terra simpática e hospitaleira que é o Uruguai. São, realmente, produtos diferenciados e com um nível geral de qualidade muito bom, aproveitem.

Abril é o mês do Uruguai e, a partir da próxima semana, publicarei os destaques que nossos parceiros estarão disponibilizando, tanto de vinhos Uruguaios como outras boas indicações, e listando os vinhos Uruguaios que tive o privilégio de provar e aprovar. Veja em Tomei e Recomendo também ao longo deste mês, que para nós enófilos e amantes do vinho é especial já que é mês de Expovinis, os vinhos que provei e aprovei em cada uma das faixas de preços pré-estabelecidas (até R$30, 30 a 50, 50 a 80 e 80 a 120) .  Salute e Kanimambo!

Harmonização de Bacalhau – Aprendendo com os Erros

                Aqueles que acompanham este blog, vão lembrar que Domingo de Páscoa em casa, o almoço seria Bacalhau à Brás e que tinha separado dois vinhos portugueses para tomar; Duas Quintas do Douro e o Meia-Pipa das Terras do Sado, ambos da safra de 2004. A escolha recaiu sobre o Duas Quintas, o qual já há tempos andava seco para tomar e …………..não deu certo! O Bacalhau estava ótimo, a companhia nem se fala e o vinho muito bom, mas não casou com o prato. Esqueci-me de que o Bacalhau à Brás é um prato leve, estava demasiadamente focado no vinho, e o Duas Quintas se mostrou demasiado encorpado para acompanhá-lo. A personalidade muito forte do vinho simplesmente anulou o bacalhau. Não estava ruim, mas se o Bacalhau fosse à Lagareiro ou no azeite com grão, cebola, tomate e pimentões, certamente o vinho teria harmonizado muito melhor! A harmonização requer um equilíbrio entre o vinho e o prato o que não ocorreu aqui, me deixando um pouco frustrado. Nota 5, com muita patriotada.    

              Pois bem, sobrou um pouco de Bacalhau que decidi traçar na Segunda-feira no almoço e agora, fiz o que devia ter feito antes, abri um Travers de Marceu. Uma delicia, casamento perfeito! Primeiramente quebrei um paradigma, pelo menos pessoal, de que Bacalhau se acompanha com vinho Português ou Espanhol e segundo, pensei antes de agir. O Travers de Marceau é um vinho tinto Francês, produzido pela Domaine Rimbert, importado e vendido no Brasil pela De La Croix, pequena e simpática importadora que trabalha muito bem o conceito de custo x beneficio em vinhos Franceses. É da região de Saint-Chinian no Languedoc, elaborado com 40% de Carignan, 30% de Syrah e 30% de Cinsault gerando um vinho bem frutado, ótimo equilíbrio, com taninos doces e sedosos que encantam na boca e no nariz. Um vinho sedutor que se “achegou” ao Bacalhau à Brás formando uma total harmonia entre as partes. Agora sim, a harmonização foi adequada e, se não tirou 10, pelo menos 8 ou 8,5 foi! Ah, ia esquecendo do preço do vinho, R$48,00 e com isso minha nota sobe para 9, yesss!!

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Vinea Store e Maison Philippe Bouchard

              Estive há poucos dias na Vinea Store onde tive o prazer de participar de um almoço para apresentação dos vinhos da Maison Philippe Bouchard, Bourgogne e Côte- du- Rhône, sendo importados pela casa. Existem momentos únicos em que se tem a oportunidade de curtir um lugar aconchegante, com gente simpática, boa comida e bons vinhos. Este foi um momento único! Os vinhos ótimos, a organização e harmonização perfeita e, mais ainda, a simpatia das pessoas presentes, o que faz, sempre, uma enorme diferença e não canso de ressaltar já que, como diz a minha amiga Rosario, há companhias que avinagram os melhores dos vinhos! Obrigado à Adriana pelo gentil convite e pela hospitalidade.    

             A Vinea Store, preciso fazer uma matéria só com eles, tem um “Jardim Gourmet” que é um local deslumbrante e onde o almoço foi servido sob a batuta da jovem Chef Fabiola Nogueira recém chegada à equipe da Central de Relacionamento com o Cliente. Fomos recebidos com uma taça de Prosecco Incontri, super fresco e muito agradável num dia de bastante calor. No almoço:

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  • Carpaccio de pêra com vinagrete de frutas vermelhas, harmonizado com um suave e bem fresco Chablis sem madeira. Combinação perfeita e muito agradável.
  • Escondidinho de carne seca com purê de abobrinha e queijo coalho divinamente escoltado por um Savigny-les-Baune 1er Cru, de aromas inebriantes. Um bouquet de aromas maravilhoso, de frutas vermelhas com toque florais e uma seda na boca. Não sabia se o cheirava ou se o tomava! Absolutamente maravilhoso, um vinho que é o sonho de qualquer enófilo, a personificação da elegância num vinho. Á parte disso, casou maravilhosamente com o delicioso escondidinho. Amei!
  • De sobremesa, um creme de manga com farofa crocante de castanhas.

Bem, a esta altura eu já estava nas nuvens, mas a Vinea ainda tinha uma surpresa guardada para nós. Para acompanhar a sobremesa eles serviram um Porto Ruby Reserve, Quinta Nova. Dos Deuses, o melhor Ruby que já tomei, um Grand Finale para um almoço divino! Acham que terminou, ainda não! A presença do diretor comercial do Grupo Corton André, a quem pertence a vinícola, o Sr. Christian Ciamos que nos presenteou com uma bela apresentação de seus vinhos, seus vinhedos e segredos da Bourgogne. Uma “aula” dada com extrema simplicidade e simpatia por alguém que, não só conhece muito, é um apaixonado pelo que faz e o faz com enorme prazer.

                Dê uma passada lá na Vinea tome um café, conheça os vinhos, no mínimo será um passeio muito agradável e, garimpar é bom demais. Para quem tem o bolso mais gordo, existem alguns néctares, como este Savigny acima ou o Corton Grand Cru, Aloxe Corton e Gevrey-Chambertain. Para quem não pode, eis algumas dicas que podem ser muito interessantes e me deixaram muito curioso; Bourgogne AOC Pinot Noir 2005 e o Cote-du-Rhône AOC Grand Mont 2006 de preços mais acessíveis. Ah, não esqueçam do Vinho do Porto Ruby!!

Vinhos do Chile, mais dados interessantes.

               O Brasil vem aumentando suas importações de vinhos Chilenos que, ao longo dos anos, ganharam uma áurea de porto seguro quando da escolha de vinho a tomar. Eis mais alguns dados interessantes obtidos com a ajuda da Pro Chile.

  • O Brasil subiu no ranking de países importadores, sendo hoje o 3º maior mercado para os vinhos Chilenos em volume com cerca de 18.8 milhões de litros e o 5º maior em valor com algo ao redor de USD 50.6 milhões.
  • 85% da produção de vinhos, de um total de 646 milhões de litros, é de vinhos D.O. (com Denominação de origem) sendo o restante para produção de vinho de mesa e Pisco.
  • Do volume produzido, 80% é de vinhos tintos e o restante de brancos.
  • Os 117.000 hectares de vinhas plantadas encontra-se dividido entre as seguintes cepas principais: 46.5% de Cabernet Sauvignon, 15.6% de Merlot, 9.4% de Carmenére, 8% de Sauvignon Blanc, 7.3% de Chardonnay e 4.7% de Syrah ficando cerca de 8.5% para serem divididas entre todas as outras.
  • O crescimento de vinícolas exportadoras, que citei equivocadamente como 100 em post anterior, cresceu enormemente saindo de 74 em 1997 para 310 em 2007. Verifica-se uma maior diversificação de empresas saindo do perfil concentrado existente até poucos anos atrás. Mesmo assim, a importância dos grandes grupos vinícolas, com suas coligadas, ainda é muito grande.

Dal Pizzol Touriga Nacional

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               Tive o enorme prazer de ter estado presente no lançamento do Touriga Nacional da Dal Pizzol. Prazer porque, mais do que comer e beber, é sempre bom estar em companhia de gente simpática e agradável como foi o caso. Não tenho um grande conhecimento da linha de vinhos da Dal Pizzol, a não ser por seu estupendo espumante Brut Champenoise e o Assemblage 30 anos. Tenho, também, ouvido falar muito bem de seu Ancelotta e, agora, o Touriga Nacional. Duas coisas, porém, me chamam a atenção na Dal Pizzol; a aptidão para experimentar e inovar assim como a sua filosofia comercial de trabalhar o mercado com preços módicos sem que haja detrimento de qualidade. Bem, chega de papo e vamos ao que interessa, a uva e o vinho!

               A Touriga Nacional é uma casta autóctone Portuguesa, nascida na região do Dão, onde brilha como corte em diversos vinhos e regiões produtoras, assim como em bons varietais que não são fáceis de elaborar. Guardadas as devidas proporções, o Dão está para Portugal como A Borgonha para a França e a Touriga Nacional para a Pinot Noir, gerando, normalmente, vinhos de extrema elegância e complexidade. A Touriga Nacional, todavia se espalhou pelo país produzindo maravilhosos rótulos de varietais tanto no Dão, quanto no Douro e no Alentejo.

             Sua reputação ultrapassa fronteiras, já existindo clones plantadas em várias outras regiões produtoras no mundo como, Austrália e Estados Unidos. No Brasil, algumas vinícolas começaram a experimentar com esta cepa há cerca de 10 anos, havendo já alguns poucos vinhos no mercado. Esta é a primeira colheita nacional desta uva plantada há cinco anos pela Dal Pizzol na região de Bento Gonçalves, gerando um vinho muito agradável que chega num momento oportuno já que estamos celebrando 200 anos da vinda da corte Portuguesa para o Brasil, na bagagem de quem, vieram as primeiras garrafas de Touriga Nacional.

               Com uma produção de 12.000 garrafas, o Dal Pizzol Touriga Nacional não passa por madeira sendo um vinho pronto para beber. No nariz, possui um primeiro ataque frutado e fresco de boa intensidade. Na taça evolui deixando aparecer alguns toques florais bem tipicos da casta. Na boca é suave, elegante, com taninos maduros e um teor de álcool bem comportado, 13º. Bastante equilíbrio e harmonia num vinho leve que, certamente, agradará fácil. Mudou o terroir, mas a essência da uva está lá. Gostei; um vinho correto, fácil de beber que recomendo, inclusive para esta Páscoa acompanhando um bom prato de bacalhau. O rótulo comemorativo aos 200 anos, é um caso á parte, de muito bom gosto, nos convidando a beber. O preço ao consumidor final, deve ficar ao redor de R$35,00, preço razoável, só que o Portal dos Vinhos está com uma promoção de lançamento de R$29,00, sujeito a disponibilidade de estoque, que é uma excelente dica.  Aliás, do ponto de vista do consumidor, acho que esse seria um bom nível de preço para este vinho. Salute!

Chile – Regiões & Uvas

               Março é o mês do Chile, aqui em “Falando de Vinhos” e, como sempre, começaremos por expor um pouco da vinicultura no País, suas principais uvas, regiões produtoras, alguns dados estatísticos e algumas curiosidades. Quando conhecemos um pouco mais do País produtor, entendemos melhor o que acontece com seus vinhos. Posteriormente, concomitantemente com a coluna do Jornal, publicaremos as listas dos vinhos que Tomei e Recomendo por faixa de preços e as Boas Compras Chile. Neste mês, tive o grato prazer de poder juntar onze lojas e mais de 60 destaques de vinhos Chilenos de todos os preços e tipos, tem grandes vinhos na parada e muitas novidades. Agora, falemos do Chile.

             Chile, em Aimará, idioma indígena, significa “Confins da Terra”. O Chile têm características geográficas bem diferenciadas do resto dos produtores mundiais. È um país com 4.500 quilômetros de comprimento, mas com somente 154 quilômetros de largura na sua parte mais estreita e 445 na parte mais larga. Uma média ao redor de 268kms de largura. Sua localização geográfica faz com que o País fique espremido entre os Andes a Leste e o oceano Pacífico a Oeste tendo ao Norte o deserto de Atacama e a Sul os Glaciares. Adicione-se a isto, as águas cristalinas do degelo Andino que irriga os vinhedos, rígidos controles fito-sanitários e temos as condições ideais para o crescimento de vinhedos livres de doenças, produzindo frutos saudáveis. Estes limites geográficos, geraram barreiras naturais que, inclusive, protegeram os vinhedos da filoxera, doença que praticamente dizimou os vinhedos Europeus na segunda metade do século XIX, e permitem que videiras originais de muita idade possam ser utilizadas na geração de vinhos top de gama.

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 O Chile, com cerca de 117.000 hectares de vinhas plantadas e por volta umas 100 vinícolas, é hoje o quinto maior exportador de vinhos, do mundo, atrás somente da França, Itália, Espanha e Austrália. Tem, no entanto, o menor consumo per capita de todos os países produtores e exportadores de vinho. Em 1982, o consumo era de cerca de 52 litros anuais, tendo caído para 25 em 92 e se mantém entre 15 e 17 litros nos últimos anos. Uma das conseqüências, foi o forte esforço no sentido de aumentar a participação da exportação no escoamento da produção, tendo chegado aos dias de hoje com numeros impressionantes, cerca de 70% do total de vinhos finos produzidos! A outra, um grande pulo de qualidade por exigência do mercado internacional. Estes números são o inverso do que ocorre na Argentina, mesmo com o grande impulso exportador dos ultimos anos, que apresenta algo como 75% de sua produção destinada ao consumo do mercado interno e apresenta níveis de consumo interno bem superiores. Os maiores mercados são; o Reino Unido, seguido de Estados Unidos, Canadá, Alemanha e China. O Brasil está entre os 10 maiores mercados para as exportações Chilenas, baseado nos números de 2006, onde ocupa cerca de 30% de fatia de mercado, sendo o maior exportador, seguido da Argentina.

              A produção vinícola do Chile, basicamente desenvolvida em vales, se divide entre Regiões (4), sub-regiões (13), zonas ( 8 ) e áreas ( 52 ) com diversos terroirs gerando vinhos com características diferentes entre si. A tabela abaixo, extraída do livro Tintos & Brancos de Saul Galvão, que por sinal deveria ser leitura obrigatória para quem está começando no mundo dos vinhos, nos dá uma clara idéia da complexidade que é este tema. Grande parte da produção se situa próximo a Santiago que, por sua vez, fica a somente cerca de 280kms distante de Mendoza. As sub-regiões mais conhecidas são os vales de Aconcagua, Maipo, Maule, Rapel e Bio-Bio, com o vale de Limari em grande ascensão. Dos 117.000 hectares plantados, cerca de 75% é de uvas tintas e, destas, 50% são de Cabernet Sauvignon, ainda a principal uva do país. As variedades de uvas estão plantadas de forma bem abrangente na maioria das regiões, mas eis onde cada uma dessas cepas exalta qualidade:

Tintas. Abaixo as principais, mas existem, também, boas parcelas de Malbec, Carignan e Cabernet Franc.

  • Merlot, Cabernet e Carmenére – Sub-região de Maipo e Rapel
  • Pinot Noir – Sub-região de Bio-Bio e Aconcagua em especial Casablanca e San Antonio
  • Syrah – Sub-região de Rapel especialmente em Colchagua, e Aconcagua com ênfase em San Antonio.

Brancas.

  • Sauvignon Blanc e Chardonnay, as duas principais – Sub-região de Aconcagua com ênfase em Casablanca e San Antonio.
  • Riesling e Gewurtzraminer – Sub-região de Bio-Bio

A legislação Chilena determina que 75% das uvas usadas em um determinado vinho sejam obrigatoriamente desse mesmo varietal. O mesmo vale para a safra e sub-região determinada. Como as exigências Européias, principal mercado do Chile, exige porcentuais mais altos, se não estou equivocado 85%, a maior parte dos vinhos acompanham este parâmetro. Hoje em dia, já é mais comum ver indicação de 100% de varietal no contra-rótulo dos bons vinhos e produtores sérios. A adição de uma pequena parcela de uma determinada cepa sobre outra, muda radicalmente o vinho que se pretende fazer. Desta forma, o que se toma nos casos de 75% da cepa declarada, não é, nem de longe, um varietal e sim, na prática, um assemblage. 

            Durante toda a próxima semana, estarei postando a lista de vinhos que Tomei e Recomendo assim como as Boas Compras disponibilizadas pelas lojas parceiras. Boa viagem por terras e vinhos do Chile, clique aqui para mais informações no site Chileno “Saber de Vinos”, muito didático,  de onde tomei emprestado o mapa, e divirta-se. Salute!

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Barão do Sul Garrafeira 2002, um belo tinto

               A Cachamoa, é um produtor Português da região de Terras do Sado que nos trás dois ótimos vinhos básicos, muito corretos que são o Barão do Sul tinto e branco os quais recomendei quando da coluna sobre vinhos Portugueses. São campeões no quesito custo x beneficio, vinhos de qualidade dentro de sua faixa de preços e próprios para o dia-a-dia. Após o grande sucesso alcançado pelo Barão do Sul Reserva, a vinícola lança uma edição limitada da versão Garrafeira 2002, seu top de linha.

               Deste topo de gama, a vinícola produziu somente 6.266 garrafas , todas numeradas, disponíveis para venda em todo o mundo! A Lusitana, em função da ligação com o produtor, importa com exclusividade o maior número possível delas para que você possa garantir a sua. O vinho foi produzido a partir das castas Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot e Castelão, todas provenientes da propriedade em Azeitão, ali entre Lisboa e Setúbal onde, por sinal, existe um queijo regional absolutamente divino. Após três anos, o vinho fica pronto e é colocado no mercado.

               Para apreciá-lo em sua melhor forma, você também precisa ser paciente, decantando-o e deixando-o respirar por no mínimo 50 minutos. Surpreenda-se! A importadora descreve este vinho como de aromas complexos, cheios de notas frutadas e vegetais; muita elegância na boca, com corpo presente e pujante. Desenvolve aromas terciários intensos, nomeadamente o café torrado. Por ser um vinho de grande personalidade e complexidade, aconselhamos a escolha de pratos igualmente marcantes, como um pernil assado, arroz de pato, bacalhau a Gomes de Sá, etc. Temperatura de consumo aconselhada: 17 ºC

  • Produtor – Cachamoa
  • Região –  Terras do Sado
  • País – Portugal
  • Composição uvas – Corte de Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot e Castelão
  • Detalhes Produção – 18 meses em barricas de carvalho Francês. E 18 em garrafa, quando então sai para o mercado
  • Teor de álcool – 13.6º
  • Safra – 2002
  • Preço médio em Março/08 – R$60,00

0-barao-garra-custom.jpg Foi um vinho que me impressionou de diversas formas. Primeiramente na prova, um vinho realmente complexo, de muito boa estrutura e equilíbrio, gordo, taninos presentes mas de grande elegância, bom nariz com boa  paleta de aromas que se confirmam na boca com toques balsâmicos e boa acidez resultando em um vinho fresco que convida a comer. Vinho de boa persistência que nos dá enorme prazer ao tomar e nos deixa um gostinho de quero mais na boca. Importante frisar que o vinho tem teor alcoólico comportado e muito bem incorporado, o que é um fator importante a se ter em conta nos dias de hoje.  Todas esta satisfação e prazer, são elevados à enésima potência quando nos é anunciado o preço, R$60,00. Não existe nada deste calibre a este preço no mercado. Definitivamente, não de Portugal! Um belo vinho, que me entusiasmou e que recomendo a todos os amigos de Falando de Vinhos, certamente uma Boa Compra e um vinho diferenciado. Decididamente, um vinho com personalidade própria que me deu enorme satisfação ao beber. A decantação e sugestão de pratos que a importadora fornece, são uma bela dica a ser  seguida, especialmente o arroz de pato e o pernil assado, aos quais adicionaria uma bela perna de cabrito ou, para quem gosta de pratos mais exóticos, um javali na pucúra!  $ smile1602.gifsmile1602.gifsmile1602.gifsmile1602.gif