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Cinco Vinhos

                 Final de tarde de Domingo muito agradável, sentado no terraço enquanto me delicio com uma taça de Vinho do Porto Quinta de Baldias Tawny (Lusitana), escrevo sobre estes cinco vinhos tomados ao longo destes últimos dias, período no qual me debrucei na prova e descoberta dos vinhos de Bordeaux e Languedoc sob os quais estarei escrevendo a partir da próxima semana. Sem muita escolha, seleção ou ciência, na verdade apenas uma coletânea de opiniões e sensações que gostaria de compartilhar. São vinhos que cabem no bolso, com preços que variam entre R$25 a 37,00, e que me souberam bem.

 

La Florencia 2005, Mendoza, Argentina.  Este rótulo possui também outros varietais dos quais o mais conhecido é o Malbec. Eu tomei o Merlot, porque queria algo diferente e há muito busco encontrar um de qualidade e preço médio na Argentina. A cor é de um rubi profundo e bonito, com bom brilho. Os aromas não me chamaram a atenção, mas na boca aparece alguma fruta vermelha com algumas notas herbáceas e algo defumado ao final, de corpo médio, boa intensidade e um leve amargor no final. De taninos firmes já maduros sem grande adstringência e baixa acidez. Bem feito, mas seu estilo austero não me encantou. Vinho correto por cerca de R$32,00.

 I.S.P.  

 

Monte do Vilar Tinto 2005, Alentejo, Portugal. (Lusitana) Um vinho com a cara do Alentejo, elaborado com Aragonês e Trincadeira, corte típico desta região. Bela paleta aromática de boa intensidade onde aparecem claramente frutas vermelhas e algo de café tostado. Na boca, a sensação olfativa se confirma com acentuação em fruta madura e boa acidez num vinho de corpo leve e fácil de agradar que certamente se dará bem, levemente refrescado, acompanhando um arroz de bacalhau e brócolis ou um churrasco de carnes menos gordurosas ou, quem sabe, até um arroz de pato. Taninos maduros e macios num saboroso final de boca. Por cerca de R$28,00 meu I.S.P.  $   

Marco Luigi Reserva da Família Merlot 2003, Bento Gonçalves, Brasil. Este produtor tem uma série de produtos de que sou fã. Possui um Merlot básico varietal por cerca de R$22,00 que é muito saboroso, um Conceito Tempranillo por cerca de R$30,00 que também acho bastante interessante, assim como os espumantes dos quais destaco o Reserva da Família Brut e o Moscatel. Desta vez tive o prazer de tomar este muito saboroso Merlot da linha Reserva da Família. É realmente, um vinho mais evoluído, de médio corpo com álcool bem comportado em 13º, bom volume de boca, boa acidez, taninos maduros, finos e elegantes estando, na minha opinião, no auge para ser tomado. De interessante complexidade tanto no nariz como na boca, é um vinho de persistência média e bom final de boca que só vem comprovar minha tese de que, nos níveis médios de preço, os Merlots nacionais não devem para ninguém. Um dos bons produtos nacionais disponíveis no mercado e bem posiconado no quesito preço considerando-se a qualidade oferecida. Uma pena que em São Paulo não seja muito fácil de encontrar. Por cerca de R$33,00, vi no site da Costi Bebidas em Porto Alegre. I.S.P.  $ 

Callia Alta Shiraz (syrah)/Malbec 2006, Mendoza, Argentina. (BR Bebidas / Kylix) Pelo que pesquisei, este produtor parece trabalhar muito bem os vinhos de corte tendo a Shiraz, ou syrah, como sua casta dominante. Este corte, especificamente, achei muitíssimo agradável e fácil de tomar. Vinho correto, descompromissado, nariz de boa fruta fresca, taninos finos maduros, plenamente integrados, macio e sedoso, ótimo para acompanhar uma pizza, um bom cheese-salada, mesa de frios ou coisa do gênero. Dentro do estilo, e com um preço ao redor de R$26,00, é um vinho que satisfaz e que incentiva a  provar os outros cortes; Shiraz/Cabernet e Shiraz/Bonarda.

I.S.P. $

Masseria Trajone, Nero D’Avola, Sicília, Itália 2004. (Vinci/Portal dos Vinhos) Não sou um especialista ou grande conhecedor de vinhos Italianos, mas é o segundo vinho elaborado com esta cepa autóctone, que tomo e aprovo. O outro, o Passo Delle Mule, é um espetáculo de vinho que me encantou, tendo-o comentado num post anterior, e está num patamar de preços bem mais alto. Este é um vinho menos elaborado, mas segue sendo extremamente prazeroso de tomar. Tem uma paleta aromática bastante intensa e na boca é puro prazer. Muito equilibrado, boa estrutura, redondo, macio, boa acidez, enche a boca de prazer num final de boca médio e muito saboroso. Um belo achado por este preço de cerca de R$37,00, faixa em que contracena com o Altano, um vinho do Douro importado pela Mistral, mas que não faz parte desta análise, e que é outro belo produto por um preço incrível.

Meu I.S.P. $ 

 

Bohemian Highway

                Domingo, dia ensolarado e bonito, típico de nosso outono. Linda caminhada, por ruas tranquilas e arborizadas, respirando ar puro e fresco, sou um privilegiado. Volto a casa, um leve pigarro insiste em me incomodar a garganta num prenuncio de uma potencial gripe. Precisava de algo macio e sedoso que atenuasse o incomodo e abri um vinho. Tá bom, já sei, poderia ser um mel com própolis ou coisa semelhante, mas ……tenham dó, dia lindo, família reunida, papo rolando solto, tinha tudo a ver!

                Estava em clima de provar coisas novas, na adega escolhi um vinho que não conhecia. Peguei um Cabernet Sauvignon Americano da Bohemian Highway da safra de 2005. Já sei, nunca tinha ouvido falar, né? Pois é, eu também não, é lançamento da Vinci, mas acho que esta falta de conhecimento só nos aguça a curiosidade e, paralelamente, nos deixa absolutamente á vontade para apreciar o vinho sem quaisquer influências externas. Bem, comentarei o vinho logo abaixo, mas para sintetizar, quando me dei conta, tinha dois dedos de vinho na garrafa!

  • Produtor – Bohemian Highway Wine Company
  • Importador – Vinci (tel. 011. 2797-0000)
  • Região – Sonoma County, California
  • País – Estados Unidos
  • Composição uvas – Cabernet Sauvignon
  • Detalhes Produção
  • Teor de álcool – 13º.
  • Safra – 2005.
  • Preço aproximado em maio/08 – R$42,00
  • I.S.P –  

O contra-rótulo tem uma descrição do vinho, que talvez seja uma das mais corretas que já tenha visto “This wine embodies the casual, free-flowing spirit you will find along the way”. Ou seja, casual, despretensioso, pura diversão. Aliás, o próprio rótulo já nos dá uma certa dica do vinho. Ficamos batendo papo na mesa petiscando uns queijos e um pão italiano com azeite e depois almoçamos uma massa recheada com mussarela de búfala e molho ao sugo. Tudo simples, leve, ligeiro e o vinho, harmonizou perfeitamente com a comida e com o clima reinante. Um vinho bastante agradável que me surpreendeu, já que esperava um vinho mais encorpado e robusto. Ao contrário, é um vinho leve, suave, fácil de beber, porém sem ser aguado, risco que se corre em vinhos deste estilo. Boa paleta aromática em que sobressaem aromas de frutas vermelhas maduras, na boca é macio com taninos sedosos e doces, harmônico, bom frescor, vinho fácil de agradar. Não é um vinho de complexidades ou grandes wows, mas não se propõe a isto, possuindo um jeito meio “easy rider” de ser. Ganharia uns pontos a mais em meu indíce de satisfação caso fosse um pouco mais barato.

                   Como diriam meus colegas blogueiros Portugueses, um vinho saboroso, apetecível e descompromissado! Não sei se passa por madeira, mas se passa, é imperceptível. Certamente será ótima companhia para uma pizza de calabresa ou um churrasco de hamburgers bem tipico Americano. Ah, aqueles dois dedos de vinho que tinham sobrado? Eheheh…… Salute, são quase nove da noite e vou pegar um mel com própolis, amanhã promete!

Semana do Vinho III – Monte da Penha nos Jardins da Vinea

                 Dentro os diversos eventos que ocorreram paralelo a Expovinis, um destaque foi o almoço que a Vinea Store realizou para receber os produtores dos vinhos do Alentejo, Montes da Penha. Com mais de 100 anos ligados à produção de vinhos de qualidade, primeiramente com o conhecido “Tapada de Chaves”, a família tem gerações ligadas à vinha e ao vinho. Em 1987 o proprietário Francisco Fino, inicia este novo projeto na região de Porto Alegre ao norte do Alentejo, região de características bem diferenciadas do restante da DOC que é basicamente composta de planícies. O vinhedo é plantado em encostas com intensa exposição solar, em altitudes de 450 a 600 metros em solo difícil, de muita pedra, argila calcária e granítico.

                 Fomos recebidos com fidalguia, como já de praxe, pela equipe Vinea Store, no lindíssimo “Jardim Gourmet” onde tivemos o prazer de conhecer e trocar idéias com o apaixonado proprietário da vinícola Sr. Francisco Fino e sua simpática filha Rita Fino Magalhães. Antes do almoço, como de costume, um delicioso e refrescante Prosecco Incontri, um dos belos produtos que a Vinea trabalha com exclusividade. Impossível tomar somente uma taça! Para começar a degustação duas versões de um mesmo vinho, o Monte da Penha Reserva Branco. Duas safras e dois vinhos bem diferenciados, mas igualmente deliciosos.

  • Monte da Penha Reserva Branco 2006, é um vinho mais maduro, untuoso com nuances de pêssego e pêra, com bastante cremosidade na boca. O 2007 apresenta um estilo de bem maior frescor, com nuances de maçã verde e maior mineralidade. Ambos muito elegantes e saborosos, elaborados com um corte de uvas brancas autóctones da região: Arinto, Roupeiro, Fernão Pires e Trincadeira das Pratas. Sem madeira, com longa fermentação em tanque de aço inoxidável com temperatura controlada em torno de 15º. Incrivelmente, um vinho que, mesmo sem madeira, poderá evoluir positivamente por diversos anos. A Vinea sugere, e eu endosso, que seja tomado acompanhando um espaguete ao vongoli, tem tudo para ficar divino. Preço R$87,00.

Provamos, também, os vinhos tintos da casa, desde o Montefino que é a vinho de entrada de gama da empresa, passando pelo Monte da Penha Reserva, Monte da Penha Fino Reserva Tinto de duas safras, até chegar no Gerações, um vinho ainda não disponível no Brasil, mas que, certamente, a Vinea estará trazendo dentro em breve para deleite dos entusiastas enófilos e apreciadores de bons vinhos no Brasil. A linha é toda de vinhos de grande qualidade e muito saborosos, mas dois dos vinhos me chamaram a atenção e me encantaram.

  • Monte da Penha Reserva Tinto 2003, um corte de Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Moreto com 13.2º de teor alcoólico. Fica um ano em barricas de carvalho, das quais 30% do vinho em barricas de primeiro uso e o restante de segundo uso, para então, passar um período adicional de doze meses estagiando na garrafa antes de sair para o mercado. Boa paleta aromática em que sobressaem frutas vermelhas, ameixa, na boca é muito macio, com taninos sedosos e finos num conjunto de grande harmonia e elegância que encanta e nos dá água na boca. Um belo vinho com um bom final de boca, de boa estrutura, que certamente acompanhará maravilhosamente bem um arroz de pato ou, como foi o caso, um delicioso filé mignon de vitelo com purê de cará e hortelã. Belíssimo vinho. Preço R$125,00.
  • Gerações 2004 o, hoje, top de linha desta vinícola. Corte de Alicante Boushet, Aragonês e Trincadeira. Uma pequena parcela do vinhedo e as melhores uvas foram selecionadas para elaborar este vinho de grande classe. Doze meses de carvalho Allier Francês novo e mais um estágio em garrafa de mais doze meses. É um grande vinho, sedutor e ainda jovem devendo atingir sua plenitude em mais uns dois ou três anos. Fiquei entusiasmado com o vinho que se apresentou intenso no nariz em que se destacaram notas de frutas negras, maduras. Na boca é denso e untuoso, taninos finos, boa acidez  e persistência, encorpado, tudo em um perfeito equilíbrio que enche a boca de prazer e nos deixa com aquele gostinho de quero mais. Pena que só tinha uma garrafa para um monte gente (O Sr. Francisco gentilmente abriu a única garrafa que tinha) e, realmente, minha boca ficou pedindo bis! Um vinho de primeira que agrada sobremaneira. Nenhuma das, apenas, 3600 garrafas produzidas chegaram ao Brasil, então ainda não há preço disponível.

                 Como disse ao Sr. Francisco e à Rita, no final da refeição (por sinal a Chef Fabíola vem se superando) e da deliciosa degustação, os vinhos são muito bons e encantam, mas é a paixão e emoção com que eles falam das vinhas e dos vinhos que produzem, que termina nos conquistando de forma definitiva. Quem produz com tamanha dedicação e paixão, somente pode colher grandes resultados e os vinhos degustados são a prova disto. Mais uma tacada certeira da Vinea que detém a exclusividade da importação e fixe este nome, Monte da Penha, um produtor sério e apaixonado, que elabora vinhos de grande qualidade que merecem ser provados pelos gulosos enófilos e apreciadores de vinho de plantão. Para finalizar, aquele Porto Ruby Reserva Quinta Nova que eu adoro e sou fã incondicional. Salute e kanimambo.

Rua Manuel da Nóbrega, 1014, Paraiso, Tel. (11) 3059-5200

Trazendo Vinhos de Portugal II

                 Bem, já que dois amigos do vinho, me fizeram a mesma pergunta, achei que outros pudessem se interessar e preferi dar a resposta com este post. Da lista que publiquei de vinhos que acho que valem a pena ser trazidos de Portugal tanto, pela qualidade dos produtos como pela enorme economia, existem alguns que, a meu ver e pelo meu gosto, não dá para deixar de comprar e, os indiquei com dois asteriscos. Mesmo assim são muito então lá vai.

            Se estivesse solo, seriam duas caixas de seis e, obrigatoriamente em qualquer hipótese, a primeira seria de 2 garrafas cada:

  • Reguengos Garrafeira dos Sócios, Cortes de Cima Alentejo e Só Touriga Nacional. São vinhos de grande categoria que me encantam, cada um a seu modo, e que, por aqui, custam entre R$70 a 120,00. Lá compraria por menos de R$30,00 cada. A segunda caixa depende da disponibilidade do momento então vou dar duas opções
  • Se houvesse disponibilidade seria uma garrafa de cada;  Vinha Paz Reserva Dão, Chryseia Douro (2001 magnifico), Quinta Nova Grande Reserva Douro, Pape Dão, Vinhas Velhas Quinta do Crasto Douro e Malhadinha Alentejo, preferencialmente o 2003 que está divino.
  • Se a grana estiver um pouco mais curta seriam; 2 x Villa Santa Alentejo e 1 x cada Vinha Paz Colheita Dão, Quinta da Chacopalha Estremadura, Quinta dos Aciprestes Reserva Douro e o Império Bairrada 2001.

  Se estivesse acompanhado, podendo trazer umas caixas a mais, certamente não deixaria de trazer uma garrafa de cada um destes ótimos vinhos:

  • Casa de Alegrete, Adegaborba.pt, Montes Claros Reserva, Callabriga Douro, Quinta do Camarate tinto, Vértice Grande Reserva Douro, Monte da Penha Reserva Clássico e Quinta das Tecedeiras Reserva não esquecendo de completar com algumas garrafas de Soalheiro. Entre eles faria um bem bolado, escolhendo uma ou duas caixas dependendo da disponibilidade financeira.

              Enfim, é isso, espero que tenha ajudado, mais do que confundido. Salute e boas compras para quem estiver por lá. Lembre-se, estar em Lisboa e não passar pela fábrica de Pastéis de Belém para comer uns dois ou três acompanhados de um cálice de Vinho do Porto, é sacrilégio, o mesmo que ir a Roma e não passar no Vaticano. Eheheh, não dá para perder. Bem na frente tem um restaurante muito bom, e de preço razoável, O Caseiro, onde se come maravilhosamente bem. Vale a pena pedir uma Carne de Porco à Alentejana, absolutamente divina! Bon Voyage.

Tomei e Recomendo – Vinhos do Porto

                    Meus caros amigos, neste mês me debrucei sobre os Vinhos do Porto que são vinhos especiais, diferenciados, que muita gente tenta copiar, alguns até com relativo sucesso, mas que são únicos. São vinhos diferenciados com características diferente dependendo do estilo e categorias dos vinhos elaborados. Eu confesso, sou um apaixonado e, podendo, tomo um cálice todo o final do dia. Abaixo listo uma série de rótulos de meu agrado e espero que tenham a possibilidade de os conhecer, são vinhos, quase sempre inesquecíveis. Preços existem para todos os bolsos. Em geral os mais baixos são os Portos básicos depois seguem-se; os reservas, depois os colheita, os LBV, os com Indicação de idade e, finalmente, os geniais e deliciosos néctares que são os Vintage. Aqui abaixo seguem alguns vinhos de qualidade que já tive o privilégio de provar e, alguns, tomar:

  • Brancos – Só conheço três e não tenho os preços de todos. Dos secos, para uso no Portônica ou fresco como aperitivo, o Burmester Extra Seco (Adega Alentejana) o Fonseca Siroco (Vinho Seleto) por R$70,00 e o Ferreira Lágrima que é um estilo mais doce que pode ser tomado ao final da refeição também refrescado como nos tawny.
  • Básicos – Os vinhos com melhor preço e já de boa qualidade são os Tawny e Ruby básicos como: Don José (Cia do Whisky) R$39,30 um Porto simples, fácil de beber e agradável, Dow Ruby e Tawny (BR Bebidas) por R$37,00 que são vinhos um pouco mais elaborados e encorpados e o Quinta de Baldias Ruby e Tawny, vinhos que, a meu ver, estão num patamar de qualidade um nível acima e são os meus preferidos (Lusitana) R$53,00 o ruby e R$57,00 o tawny com 8 anos de barrica.
  • Reservas – Dos tawny; o Adriano Ramos Pinto 500ml (Casa Palla) por R$49,00 e o Burmester Jockey (Confraria do Queijo & Vinho) por R$66,00. Ambos são vinhos de qualidade indiscutível. Já dos Ruby; o divino Quinta Nova Reserva 500ml (Vinea Store) por R$69,00 e o ótimo Churchill Reserva (Expand) por R$68,00 são os meus favoritos sendo, ambos, bem frutados e com taninos muito finos e sedosos. Ainda temos o bom, encorpado e rústico Fonseca Bin 57 (Casa Santa Luzia) por R$57,00, o agradável, aveludado e bem elaborado Graham’s Six Grapes (Kylix) por R$72,00 e o Warre’s Warrior Special Reserve (Decanter R$102,40). Uma categoria de Portos onde faço a festa, grandes produtos que me encantam e cabem no bolso.
  • LBV – Belíssimos exemplares a preços convidativos. Sempre que posso abro um LBV que tem muito das características dos Vintage, que são o supra-sumo do Vinhos do Porto, mas com um preço bem mais acessível; Burmester 2001 (Confraria do Queijo & Vinho) é bastante agradável com fortes aromas e sabores achocolatados por R$68,00. O meu preferido, inclusive em função da relação custo x beneficio, é o muito bom Vista Alegre 2000 (Casa Santa Luzia) de uma excelente safra por R$57,00, ótimo o Quinta Nova 2003 (Vinea Store) para guardar e preferencialmente tomar dentro de uns dois anos, mas já pronto agora, por R$122,00. Também de muito boa qualidade e delicioso, o Niepoort 2001 (Mistral) por aproximadamente R$65,00, o excelente Quinta do Noval 2001 (Grand Cru Granja Viana) por R$133,00, o internacionalmente elogiado Warre’s Traditional 1995 (Decanter) por R$126,50 assim como o DOW 1999 500ml (BR Bebidas) por R$69,00. Também muito bom, o Churchill’s LBV 2000 (Expand) por razoáveis R$98,00. Também gostei muito do Quinta da Pacheca LBV 2002 (Vinci), muito sedoso, com taninos elegantes e boa fruta por aproximados R$85,00.  Diversas opções para todos os bolsos e gostos, mas todas igualmente deliciosas. Eu me esbaldo por aqui!
  • Tawny com Indicação de Idade – Um dos mais conceituados rótulos de 10 anos, o excelente Niepoort 10 anos (Mistral) por R$112,00, o muito saboroso e equilibrado Warre’s Otima 10 anos (Decanter) por R$119,60 e o Taylor’s 10 anos (Expand) com 91 pontos da Wine Spectator por excelentes R$98,00. Também gostei muito do Quinta do Ventozelo 10 anos (agora com a Cantu) um vinho de muito frescor e cativante por R$190,00. Provei também o São  Lourenço 20 anos, um vinho espetacular, de grande elegância e complexidade, elixir do Deuses (Lusitana) por R$290,00.
  • Vintage – Quinta do Estanho 2000 (Portal dos Vinhos) por R$198,00 uma baba considerando-se que é um Vintage de primeira linha, o Fonseca 2003 (Vinho Seleto) por R$385,00, o Quinta da Pacheca 2003 (Vinci) por cerca de R$238,00 e o delicioso, Quinta da Gricha Vintage 1999 (Expand) por R$438,00.

 

 

 

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

 

 

 

Trazendo Vinhos de Portugal I

                    O Túlio, nosso amigo leitor, me fez uma consulta que veio bem na hora em que pensava num post novo sobre compras no exterior. No caso, ele estará passando por Lisboa e me pediu algumas dicas do que trazer de lá. Como um outro amigo já me tinha solicitado a mesma coisa, eis aqui uma lista por faixas de preços, aproximados, em Euros. Tudo depende do que você tem de disponibilidade financeira, mas em geral os preços são, no mínimo, 30% do que você pagaria aqui sendo que, nos vinhos mais caros, cerca de 50%. Dos que não menciono safra é porque, por experiência própria, sei que são constantemente bons e os indicados com um asterisco, são aqueles do qual não abriria mão caso fosse eu comprando. De qualquer forma, são todos belíssimos vinhos, alguns excelentes e os preços são super convidativos.

Até Euros 12: (tem produtos de 6, 8 e 9 Euros)

  • Do Alentejo; Monte dos Cabaços Colheita Selecionada 2003, Marquês de Borba Tinto, Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001**, Montes Claros Reserva 2004*, Couteiro-Mor Reserva 2004, Casa de Alegrete 2004*, Corte de Cima Alentejo**, Villa Santa 2006**, Adegaborba.pt Reserva 2004*.
  • De Terras do Sado; Só Touriga Nacional 2003**, Quinta do Camarate Tinto*.
  • Do Douro; Altano Reserva Douro*, 3 Bagos 2003, Quinta dos Aciprestes Reserva Douro 2004*, Prazo de Roriz Douro 2003* (este é mais fácil comprar no Free Shop de Lisboa já que tem sempre), Quinta dos 4 Ventos 2004.
  • Do Dão; Casa de Santar Reserva*, Vinha Paz Colheita*.
  • Outros; Império Bairrada Reserva 2001*, Quinta da Chacopalha 2004 da Estremadura e o melhor branco elaborado com a uva Alvarinho, o Soalheiro 2006** produzido em Monção no Minho.

De Euros 13 a 23:

  • Do Alentejo; Herdade do Pinheiro Reserva 2003**, Monte da Penha Clássico Tinto*, Cartuxa Colheita 2004, Quinta do Carmo 2003*.
  • De Terras do Sado; Coleção Privada Domingos S. Franco 2003.
  • Do Douro; Casa Burmester Reserva 2004, Evel Grande Escolha 2003*, Quinta das Tecedeiras reserva 2004*,  Vértice Grande Reserva 2003*, Post Scriptum**, Callabriga 2004**, Redoma 2004*, Quinta da Pacheca 2003 e o delicioso Campo Ardosa 2003**.
  • Do Dão; Vinha Paz Reserva 2003**.
  • Outros; Vinha da Nora 2000* e Chocapalha da região da Estremadura. Quinta do Noval Porto LBV 2000**, Warre´s Otima Tawny 10 anos*.

De Euros 24 a 34:

  • Do Alentejo; Malhadinha 2003**, Vale do Ancho Reserva 2004 e o Mouchão.
  • Do Douro; Quinta Nova Grande Reserva 2005**, Gouvyas Vinhas Velhas 2004*, Quinta de Roriz Reserva, Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2004** e Quinta dos 4 Ventos reserva 2003*.
  • Do Dão; Quinta do Perdigão Touriga Nacional 2004, Pape 2005**,Quinta da Pellada 2005*.
  • Vinhos do Porto; Niepoort Tawny 10 anos*, Ramos Pinto Ervamoira 10 anos tawny, Dow’s Vintage 1997**, Warre’s Vintage 1997 e Kopke Vintage 2003*.
  • Outros; Quinta do Monte D’Oiro Reserva 2004 da Estremadura e o Dado, um vinho originado de uvas do Dão e do Douro, elaborado por dois grandes produtores. Não conheço, mas dizem ser muito bom, em especial o de 2001.

Acima de Euros 34, o céu é o limite. Eis algumas sugestões sendo que, um em especial me encanta, pois é um grande vinho. Dos outros não conheço a maioria e a seleção sugerida é mais de ouvir falar e advinda de leitura sobre néctares ícones das casas produtoras. Do Douro vem o meu xodó, o Chryseia**. Em podendo compre e guarde. Tomei um 2001 recentemente, e garanto que é um elixir dos Deuses mas custa algo próximo aos 50 Euros o que é puxado, mas bem inferior aos mais de R$300 cobrados aqui. Vamos aos outros grandes vinhos: Quinta do Crasto Touriga Nacional 2003, Ferreirinha Douro Reserva Especial, Quinta do Carmo Alentejo Reserva 2003, Xisto Douro, Quinta do Vale Meão, Quinta vale Dona Maria Douro 2003, Quinta do Mouchão Alentejo Tonel 3-4, Zambujeiro  2004, Quinta do Infantado entre muitos outros, sem falar do principal ícone dos vinhos Portugueses, o Barca Velha que tem preços bem acima dos 100 Euros e, dependendo da safra, pode ir lá para cima, bem alto!

           Estando em Portugal, o negócio é comprar vinhos Portugueses, pois os preços são ótimos, a variedade grande e a qualidade é muito boa. De qualquer forma não existem grandes opções de vinhos importados e os preços apesar de serem mais baixos do que aqui, não são tão compensadores quantos dos vinhos locais.  Quanto e onde comprar? Olhe depende do tempo que você tiver. No caso do Túlio sei que vai estar em Lisboa, então a minha sugestão é fazer a compra pelo site da Garrafeira Nacional pedindo para que façam uma boa embalagem, preferencialmente embrulhando cada garrafa num plástico bolha e passe lá para buscar e conferir. Uma ou duas caixas de seis, eu aproveitaria e optaria por comprar as doze garrafas aproveitando a oportunidade! Aproveite e conheça um pouco da baixa de Lisboa (centro velho) que é um lugar encantador. Pelas minhas pesquisas, os preços da Garrafeira são bastante bons e você ainda pode pedir o Tax Free Refund que lhe dará um desconto  de algo como 10% na apresentação no Aeroporto (lhe devolvem em dinheiro). Outra boa opção on-line é a Portwine ( http://www.theportwine.com/gca/index.php?id=59) especializada e, apesar de não o conhecer pessoalmente nem ter tido qualquer experiência de compra com eles, se tem o aval do Pingus (Pingas no Copo) tem também o meu.

                 Se tiver tempo pesquise outras lojas, uma opção fácil são os supermercados Auchan, Pão de Açúcar e Continente, todos com menos variedade, mas a lista acima é grande e boa parte dos rótulos até 25/30 Euros poderá ser encontrada por lá, assim como a loja Gourmet do Corte Inglés. Lembre-se que, na volta, as compras no free shop de chegada são cota adicional. Então, fora suas 12 garrafas, que tal comprar umas garrafitas de Quinta da Bacalhoa ou de Piriquita, este ultimo uma grande pedida para o dia-a-dia? Bem, depois disto, só me resta desejar Bon Voyage e que Bacco ilumine sua escolha.  Salute!

Vinho do Porto II

                 Hoje continuamos nossa viagem pelos Vinhos do Porto falando dos Tawnies, um outro estilo de vinho mas tão divino quanto o Ruby. Em Portugal, os vinhos mais vendidos são os tawny. Prove você, e escolha o seu estilo. Eu adoro sentar na sala após uma refeição, e tomar um cálice de um bom Porto Ruby, se possivel o LBV ou Reserva, com um pedaço de chocolate meio-amargo. É um grande final do dia. Dos tawnies gosto mais dos reservas, já que os de Indicação de idade e colheita são caros para o dia-a-dia, especialmente nas festas de final de ano acompanhando panettone e bolo rei, mas não só. Bem, chega de devaneios, falemos dos tawnies:

   Tawny – Da mesma forma do Ruby existem diversas categorias. Seu processo de envelhecimento é realizado em pipas 550 litros onde permanecem pelo tempo determinado pelo IVP conforme a categoria do produto que se quer elaborar. Apesar da oxidação que se busca neste estilo de vinho se dar de forma mais rápida nas pipas, alguma parte do vinho poderá ser envelhecida em balseiros. Pelo maior contato com a madeira e maior oxidação, o vinho adquire uma cor mais aloirada e com aromas diferenciados dos Ruby. Nos Tawny, se sentem mais aromas tostados, chocolate, café, frutas secas e amêndoas. Servido levemente refrescado, uma ótima companhia para um panettone e doçes conventuais Portugueses à base de ovos e amêndoas!

Os Colheita são tawny de uma única safra envelhecido em pipas por, no mínimo, sete anos. Os de maior qualidade entre 12 a 15 anos, quando não mais. Vinhos de grande complexidade no nariz e na boca. Depois de abertos, poderão se manter relativamente bem por um período de um a quatro meses. Quanto mais idade tenham, mais aguentam, mas se você demorar mais que uma semana ou duas para tomar a garrafa, se tanto, ou existe algo de errado com o vinho ou com você!

Os de Indicação de Idade, Tawny 10, 20, 30 ou mais de 40 anos, são uma mescla de vinhos de diversas safras que estagiam em madeira durante períodos de tempo variáveis, nos quais a idade mencionada no rótulo corresponde à média aproximada das idades dos diferentes vinhos participantes do lote, apresentando características inerentes a um vinho dessa idade. Não, necessariamente, tenha sido todo o lote envelhecido por esse tempo mencionado. Nunca tomei os de 30 e mais anos, mas já degustei alguma preciosidades de 10 e 20 anos, são grandes vinhos. Pela alquimia na elaboração de um destes deliciosos vinhos, diz-se que um tawny destes é feito pelo homem com a ajuda de Deus, enquanto um Ruby Vintage é feito por Deus com a ajuda do homem. O tempo de durabilidade do néctar, depois da garrafa aberta, segue os mesmos parâmetro dos Colheitas.

Tawny Reserva, são uma mescla de vinhos de diversas safras que, obrigatoriamente, passem por um mínimo de 7 anos em pipas. Depois de abertos, se mantêm bem por cerca de três a quatro semanas. Se na geladeira um pouco mais.

Tawny básico são elaborados com vinhos de diversas safras e envelhecimento em pipas por um período de dois a três anos, podendo eventualmente também passar um tempo em balseiros. Dependendo da casa produtora, o vinho envelhece por bem mais anos, caso do Quinta de Baldias que envelhece por oito anos antes de ser engarrafado. Neste caso, depois de abertas as garrafas, o recomendável é tomar dentro de umas seis a oito semanas. Por experiência própria, todavia, já tive alguns poucos casos, já que é anormal um Porto durar tanto aqui em casa,  em que deixei a garrafa na geladeira com vacuo-vin e fui consumindo ao longo de um puco mais de dois meses sem que a evolução significasse uma grande perda de suas características.

                      Os Vinhos do Porto se produzem ao longo do Rio Douro e, antigamente, desciam o rio em barcos chamados Rabelo, até Vila Nova de Gaia onde o envelhecimento dos Vinho do Porto era obrigatoriamente feito nas caves dos produtores. Vila Nova de Gaia se situa em frente à cidade do Porto por onde eram exportados os vinhos. Apesar de muitos produtores já envelhecerem seus vinhos em suas próprias instalações nas suas vinícolas, muito ainda segue sendo transportado, hoje por ferrovia e rodovia, para as caves, muitas delas centenárias, em Vila Nova de Gaia. Para quem vai a Portugal e à cidade do Porto, uma visita é obrigatória e inesquecível. Apesar da forte pressão por modernização na produção dos vinhos, muitos produtores ainda usam métodos tradicionais como a pisa a pé nos lagares de pedra ou granito, realizada normalmente por volta do mês de Setembro. Existe uma áurea de cultura e tradição á volta do Vinho de Porto e é comum que vinhos Tawny Colheita ou Vintages, sejam presenteados quando uma criança nasce para que seja aberto quando faça 50 anos momento em que se espera que ambos, vinho e pessoa, estejam no auge de seu amadurecimento.

                 Como apaixonado que sou pela região e, em especial, pelos Vinhos do Porto, me sinto um privilegiado por ter podido visitar as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia e fazer provas nas caves. Posso afirmar, sem qualquer sombra de duvida, é uma emoção muito especial e inesquecível. Boa comida, bons restaurantes e tascas, ótimos vinhos do Douro, simpatia do povo, maravilhosos Vinhos do Porto, cenários idílicos ao longo do Douro, Cais da Ribeira certamente uma região imperdível numa eventual visita a Portugal. Das Caves, minha preferência ficou para a da Barros, muito antiga, e da Croft. Tendo tempo, há muito que ver e degustar. Aí, desçam ao cais para comer maravilhosamente com uma linda vista do cais da Ribeira e cidade do Porto, e recuperar energias no popular restaurante do Adão, no sofisticado Tonho’s ou no Tromba Rija. Comida para diversos gostos e diversos tamanho de bolso.

Para informações mais detalhadas, inclusive com dicas de provas e visitas às caves, visitem os sites www.ivdp.pt , http://www.cavesvinhodoporto.com,  http://www.aevp.pt, http://www.theportwine.com bom local para compra também, http://www.portoturismo.pt/index.php?c=3&m=7&s=7 e http://www.rvp.pt ou comprem o livro do Carlos Cabral (http://www.carloscabral.com.br/04livros.htm), talvez o maior  expert de Vinhos do Porto fora de Portugal.

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Este anuncio dos Vinhos do Douro, em que se incluem os Vinhos do Porto, é de uma criatividade e sensibilidade únicas. Adorei e acho que você também gostará.

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Noticias do Front – “Storia” da Valduga

                 Oi pessoal, ontem passei boa parte do dia peregrinando pelas ruas da Expovinis buscando descobrir novos vinhos de qualidade, rever alguns amigos, repassar outros vinhos e acompanhando alguns lançamentos. Uma loucura! Hoje e amanhã tem mais, depois farei um post com os principais destaques que tive o privilégio de provar. Para já, só para ir adoçando a boca dos amigos, fui um dos poucos afortunados a ser convidado para o lançamento oficial do novo vinho da Valduga que somente deverá começar a ser vendido dentro de uns três meses.

 

“STORIA”

 

um símbolo da história da família Valduga e do vinho no Brasil. Um vinho de grande qualidade para comprovar que a Merlot é sim a grande uva Brasileira, que a safra de 2005 foi excelente e de que o Brasil é capaz de produzir ótimos vinhos tintos. Ainda fechado, taninos maduros ainda bem presentes e adstringentes, com ótima estrutura, bom equilíbrio, longo final de boca e uma paleta de aromas que prometem muito. Parece-me que fiquei frente a frente com um grande vinho e quem o guardar por uns dois a três anos poderá comprovar, pois é um vinho que promete uma enorme evolução. Como foram produzidas somente 6000 garrafas, fique de olho e assim que as vir nas lojas, compre umas duas ou três para poder acompanhar seu crescimento. Tome uma por agora no final do ano, outra ao final de 2009 e a ultima ao final de 2010, será uma grande e, de certo, deliciosa experiência. Salute e kanimambo.

Vinho do Porto I

                  Este mês, dentro de nossa volta ao mundo pelos países produtores, previa falar dos vinhos da França. Já tinha uma série de vinhos listados e parte da matéria pronta, mas recebi mais de 30 novos rótulos para provar, sem contar os que ainda estão por chegar, e achei que não seria justo para quem me enviou os vinhos e para com você, caro leitor amigo, correr com a avaliação. Por outro lado, a França talvez seja dos países mais complexos para se falar de vinhos. Tanto que, a principio, decidi que irei falar dos vinhos Franceses por dois meses seguidos, tamanho o número de rótulos interessantes e regiões sobre as quais falar. Neste mês de Maio, mês especialíssimo em que se comemora o dia das Mães, falaremos dos Vinhos do Porto, umas das minhas paixões, e suas características. Em Junho e Julho, retomando a viagem, falaremos sobre a França e suas regiões produtoras; um mar de opções, estilos e preços. Lancei alguns desafios aos importadores e lojas no sentido de encontrar bons vinhos com preços baixos, coisa difícil nos vinhos Franceses que por cá perambulam, vamos ver no que vai dar. Acho que poderemos ter diversas surpresas agradáveis!

                Vinho do Porto, um dos vinhos mais antigos do mundo e de enorme capacidade de guarda dependendo da categoria. Um grande vinho Vintage, é para se tomar com mais de 20 anos quando começa o seu período de maturidade e é vinho para 50, 70, 80 anos de vida, e mais um pouquinho ainda se for de uma grande safra e de respeitado produtor. A característica do Vinho do Porto é de ser um vinho elaborado com uvas da região que, no meio do processo de fermentação, lhe é adicionado aguardente vínica, interrompendo o processo, o que faz com que o açúcar que iria se converter em álcool permaneça no vinho lhe deixando um residual de doçura. É um vinho fortificado, generoso como é chamado em Portugal, que fica com um nível de teor alcoólico entre 19 a 22º. No caso dos brancos, um pouco menos, algo próximo a 17º.

                  Vinho do Porto não é todo igual, e isso é que buscarei mostrar aqui, junto com algumas sugestões de bons vinhos a preços que caibam no seu bolso na seção Tomei e Recomendo que publicarei mais tarde, ao longo da semana, Expovinis permitindo. Por exemplo, você sabia que o Vinho do Porto é produzido na região do Douro, norte de Portugal, e que esta foi a primeira região demarcada do mundo, em 1756? Mas quais os tipos de Vinho do Porto produzidos? Apesar do grande consumo no Brasil e o grande aumento de demanda que, de 2003 para 2007 cresceu 100% atingindo um total de mais de um milhão e cem mil garrafas, pouco se conhece sobre os estilos do vinho produzidos. O que é um Tawny, um Ruby, Colheita, Vintage, LBV, Reserva, etc. Na maioria das vezes simplesmente se compra um Porto sem conhecimento de causa. Existem Portos para tudo o que é gosto, momento e preço. Quando se prova um vinho do porto de qualidade, jamais se esquece!

                 Existe o tipo Branco, mais suave e menos comum por aqui. Este pode ser seco, doce ou meio-doce normalmente produzido com um corte das castas Malvasia Fina, Rabigato, Viosinho, Gouveio e Códega. È o de menor consumo e, em Portugal se tornou muito comum sendo preparado como um drink na forma de um Portônica. Uma dose de Porto branco seco, casquinha de limão, gelo e tônica a gosto. Super referescante e saboroso, ótimo para ser servido como aperitivo.

                 Dos tintos existem basicamente dois estilos, o Tawny que é aloirado na cor, e o Ruby, de um vermelho mais intenso, cada um deles com algumas variáveis e características próprias conforme demonstrado abaixo. As uvas usadas na elaboração dos vinhos são a Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Roriz (tempranillo), Tinto Cão, Tinta Amarela e Touriga Franca ou Francesa. A grande maioria dos vinhos exportados é tinto e o Brasil é hoje o 11º país importador em valores totais. Os maiores consumidores mundiais, na ordem de valor são; França, Portugal, Holanda, Reino Unido e Bélgica que totalizam cerca de 80% do consumo. Não por acaso, são os países Europeus de maior migração Portuguesa.

               Ruby – Envelhece, inicialmente, em balseiros de mais de 5000 litros (existem balseiros de 20 até 50.000 litros) por um mínimo de dois anos quando o produtor testa seus vinhos para ver o quanto ele evoluiu e se está apto, em função da qualidade, a ser declarado um Vintage, top da linhas dos Vinhos do Porto. Caso ache que o vinho tem esse potencial, terá que apresentar o pleito, e amostras, ao Instituto do Vinho do Porto que ratificará, ou não, a declaração de Vintage. Se ratificado, o vinho será engarrafado de imediato e sem filtragem, ficando em caves por um curto espaço de tempo para aclimatização, e rapidamente colocado no mercado onde irá envelhecer nas adegas e caves de lojas, distribuidores, importadores e, porquê não, na sua casa. Neste caso o envelhecimento se dará na garrafa. A ratificação de vintage poderá ser dada somente a alguns produtores e, em caso de grandes safras como 1994, 2000 e 2003 , dizem que também a de 2005, o Instituto poderá declarar a safra como Vintage, o que configura os vinhos como de Vintage Clássico,  após a solicitação da grande maioria dos associados e confirmada/ratificada a qualidade dos produtos apresentados. De qualquer forma, a solicitação de Vintage parte sempre do produtor junto ao instituto, que fiscaliza detalhadamente os produtos e produtores garantindo que os níveis de qualidade exigidos sejam cumpridos. São vinhos que podem podem ser tomados de imediato, pois ainda retém um pouco da fruta e da juventude, mas se passar de uns dois ou três anos dependendo do produto, o vinho se fecha e fica difícil de beber, voltando a estar pronto a beber e com muito mais complexidade, a partir dos 10 ou 15 anos de garrafa. Os Single Quinta Vintages, são produtos elaborados com uvas vindas de uma só propriedade com características próprias do terroir. Os Americanos gostam de tomar os Vintages novos com bastante potência, os Ingleses preferem-no mais velho e maduro com mais elegância, questão de culturas e gostos. Por suas características e idade, o vinho dever ser decantado para subtrair as borras e bebido logo, não devendo ser guardado depois de aberto já que se oxidará. Um néctar próprio para grandes eventos e meu favorito!

Quando os vinhos nos balseiros, não atingem qualidade de Vintage, eles podem permanecer por mais uns três a quatro anos no balseiro para serem posteriormente engarrafados, com ou sem filtragem, já vindo para o mercado pronto; são os LBV (Late Bottled Vintage). Normalmente são engarrafados entre quatro a seis anos após a colheita, dependendo do produtor e do produto pretendido. Alguma melhora ocorre com o tempo na garrafa, em geral por uns três a cinco anos e quando aberto deverá ser consumido no dia ou no máximo em uns três ou quatro dias, eventualmente uma semana se usado o vacu-vin. Em ambos estes casos, os vinhos são fruto de uma só colheita. Na falta do Vintage, o LBV é uma grande opção por uma fração do preço.

O Character, ou Reserva, é uma mescla de vinhos de diversas safras que ficam em balseiros entre 4 a 6 anos quando é engarrafado e colocado no mercado pronto para beber. Neste casos, pode-se consumir o vinho em até umas três ou quatro semanas desde que guardado com vacu-vin na geladeira, sem grandes alterações na qualidade. Existem produtos de grande qualidade e ótimo preço que merecem ser conhecidos.

Finalmente ou Ruby básico que é uma mescla de vinhos de diversas safras envelhecido em Balseiros por um período de cerca de 3 anos. Não melhora na garrafa e vem pronto para beber. Depois de aberto poderá se manter, relativamente bem, por umas quatro a seis semanas desde que guardado na geladeira com o uso de vacuo-vin. Neste segmento, existe de tudo no mercado e há que se ter um pouco de cuidado na escolha.

Os vinhos Ruby, por seu pouco contato com a madeira, são vinhos tradicionalmente mais encorpados, densos, cor vermelho escuro (daí o nome), levemente doces e com aromas de fruta bem presentes.

O mês de Maio é, também, o mês das noivas e acho que um brinde com Vinho do Porto é o que há! Um bom LBV ou Reserva Ruby, representando a longevidade e a evolução que se esperam do enlaçe entre duas pessoas que se amam, tem tudo a ver. Na Quarta-feira, complementarei este post com mais informações sobre a região e, especialmente, sobre os vinhos de estilo Tawny. Posteriormente, algumas dicas de ótimos produtos em Tomei e Recomendo. Aguardo você por aqui. Salute e kanimambo.

De Wetshoff Estate – Chardonnay

                   O amigo e profundo conhecedor de vinhos, Luiz Horta, me sugeriu alguns vinhos Sul Africanos, entre eles o Pinotage da Robertson Winery e o Chardonnay Lesca da “De Wetshof Estate”. Na verdade, o grupo produtor é o mesmo, só que são diferentes conceitos e linhas de vinhos. Eu, que nunca me encantei com os vinhos elaborados com a casta Pinotage, uva símbolo da África do Sul, achei uma delicia, fácil de beber, diferente e com um preço muito bom, em torno dos R$30 a 33,00. Mas não é sobre o Pinotage que quero falar e sim sobre o Lesca, um branco elaborado com Chardonnay. Bem, não é bem do Lesca, porque estava esgotado, mas de seu irmão, o Bom Vallon Chardonnay Sur Lie 2007.

                 Eu que adoro vinhos brancos bem minerais e com boa acidez, em especial os Chablis, me encantei com este delicioso vinho. Fermentado em tanques “Sur Lie”, sem passagem por madeira gerando um vinho extremante elegante, muito fresco e refrescante. O teor alcoólico, apesar de alto para um vinho branco, em torno de 14º, não se nota em nenhum momento tamanho seu equilíbrio, passando, raspando, por meu teste da Terceira Taça. Vibrante com grande mineralidade, maçã verde, algo de limão, com muita delicadeza como que se acariciasse a boca com vagas de prazer. Não é um vinho de guarda, talvez dois a três anos, devendo ser tomado jovem com frutos do mar, ostras, peixes pouco condimentados, ou até como aperitivo, pois é um vinho leve e suave. Muito agradável, é mais uma boa dica do Luiz, mesmo que indiretamente, de que gostei muito. Agora, assim que der ($), tenho mesmo é que provar o Lesca!

  • Produtor – De Wetshof Estate.
  • Importador – Mistral
  • Região – Robertson Valley, Southern Cape
  • País – África do Sul
  • Composição uvas – 100% Chardonnay.
  • Detalhes Produção – Fermentado em tanques, Sur Lie por alguns meses e remexido semanalmente.
  • Teor de álcool – 14º.
  • Safra – 2007.
  • Preço médio em Abril/08 – R$50,00
  • I.S.P –