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França – Bourgogne, Loire e Cotes-du-Rhône. Vinhos que Tomei e Recomendo – III

Cheguei ao final de meus posts sobre os vinhos que tomei e aprovei nesta minha viagem pelos vinhos da França. Foram dois meses de muito prazer, algumas desilusões, uma ou outra frustração e diversos ótimos achados. Nas regiões da Borgonha, Loire e Rhône, como aconteceu quando falei sobre Bordeaux e Languedoc, a faixa de R$50 a 80,00 é tão fértil, que sobra pouco espaço e disponibilidade financeira para viajar além. Os próprios parceiros trabalham mais esta faixa, então fica mais difícil provar vinhos de maior envergadura, chamemos assim. Todavia, alguma coisa provei e muitos são verdadeiros néctares, alguns imperdíveis. Para finalizar estes posts, dividi este em duas partes; a da faixa de R$80 a 120,00 e uma outra com valores acima disto. Vamos lá, falemos dos vinhos!

De R$80 a 120,00 alguns vinhos de tirar o chapéu a começar pelo Loire com três magníficos e exuberantes vinhos, um ótimo vinho do Rhône e dois da Borgonha;

LoireMademoiselle T 06 Pouilly-Fumée* (Decanter), nenhum outro Sauvignon Blanc terá a mínima graça depois de provar este vinho. Daqueles vinhos que uma pessoa não sabe se funga ou se bebe! Uma paleta aromática de grande intensidade e complexidade, absolutamente sedutora que nos faz abrir um enorme sorriso. Na boca é de um enorme frescor, intenso, frutos cítricos, uma boa dose de mineralidade em perfeita harmonia e elegância. Um vinho inesquecível e apaixonante. Ainda nesta linha, um delicioso Acquarelle Pouilly-Fumée 06 de Pascal Jolivet ( Mistral) muito suave, sem a mesma pujança que o anterior, mas apresentando uma delicadeza muito especial com um final de boca longo e prazeroso. Com a uva Chenin Blanc, um exuberante vinho produzido por uma das principais e prestigiadas vinícolas da região, a Hüet, É o Vouvray Séc Le Haut Lieu 2005* (Mistral), um grande vinho de um nariz estupendo em que sobressaem frutas brancas tipo maça verde e pêra, ótima acidez, cheio na boca, seco no ponto certo, um vinho extremamente saboroso, de grande qualidade e persistência que certamente elevará qualquer refeição à quase perfeição. Dizem que cresce com mais uns cinco ou dez anos na garrafa, será? As minhas, quando as tiver, não agüentarão tanto tempo, pois não tenho tanta força de vontade assim!

Cotes-du-Rhône – Não tomei muitos nesta faixa de preços e, um em especial me cativou e me encantou, Rasteau Village 05 de Domaine la Soumade 05* (Zahil), um corte de 80% Grenache com 10% cada Syrah e Mourvédre que resulta num belíssimo vinho com um nariz não muito intenso. É daqueles vinhos que cresce assustadoramente na boca com forte presença da uva Grenache que lhe traz intensa fruta vermelha, boa acidez, taninos finos e elegantes, denso, de corpo médio com um longo e suculento final de boca com leves toques de especiarias. Beleza de vinho que, certamente melhorará ainda mais com um ou dois anos de garrafa.

Borgonha – Afora os tintos, finalmente o meu primeiro Chablis um dos meus vinhos brancos preferidos. Lamentavelmente, por seus preços serem bastante caros, provei poucos dos que há disponíveis no mercado. Quando viajava, mais assiduamente, internacionalmente, volta e meia encontrava algumas boas oportunidades e comprava umas duas ou três garrafas, porém, a maioria, não estão disponíveis no mercado. Vi diversas opções mais baratas em catálogos, mas este Chablis 1er Cru Montmains do Domaine Race 05 (Nova Fazendinha-RJ) foi um verdadeiro achado. Muito bom, ótima cremosidade, acidez adequada, médio corpo, na boca é complexo, de boa estrutura e muito saboroso. Para ser exuberante falta-lhe, em minha opinião, aquela mineralidade presente nos grandes vinhos desta região, Agora, pelo preço, em torno de uns R$80,00 no Rio de Janeiro, é imbatível. Dos tintos, um excelente, talvez o melhor de todos os Borgonhas genéricos que tive a oportunidade de provar, o Bourgogne Pinot Noir 05 de Olivier Leflaive* (Wine Premium) produzido na região de Cotes de Beaune. Faz lembrar alguns Villages, parece um vinho mais evoluído, com uma linda cor ruby, brilhante e límpida como só um Pinot de qualidade possui. Um nariz muito elegante, aliás como tudo neste vinho, em que se destaca uma fruta vermelha (Ameixa?) fresca e leves toques florais. Na boca é de médio corpo, sedutor, taninos finos e aveludados, um vinho realmente encantador e de boa persistência.

 

 

Acima de R$120,00 o céu é o limite o que, na Borgonha, nos leva a preços realmente estratosféricos. Mas também não exageremos, há muitos rótulos deliciosos e exuberantes entre todos aqueles que já apresentei nestes posts de Tomei e Recomendo na França. Não reconhecer, todavia, que esses são grandes vinhos e verdadeiros néctares é impossível, pois seria negar o óbvio. Quanto maior for o preço, melhor o vinho, certo? Bem, deveria ser sim, aliás, se espera isso de um vinho de alto preço, mas não necessariamente. Nestas degustações que tive, provando vinhos da França, provei vinhos bastante caros que, na minha humilde opinião, eram bem aquém do esperado, inclusive de vinhos bem mais em conta. Os que aqui listo, foram os que mais se destacaram e que acho, havendo caixa, são imperdíveis e vinhos inesquecíveis. Nestes casos, pela simples questão de que, tivesse eu essa capacidade financeira, os poderia tomar sempre, não há preferidos e não há asteriscos. Como não são muitos, não os dividirei por região e darei idéias de preços, vamos lá.

Dois brancos excepcionais, um da Borgonha e outro do Loire. Aligoté de Bouzeron 05 do Domaine Aubert et Pamela Villaine (Expand) um projeto biodinâmico da mesma família que controla o famoso Domaine de Romanée-Conti. Um vinho realmente excepcional e surpreendente para uma cepa que não é das mais conceituadas. Este 2005 tem uma tendência de maior cremosidade, enquanto o 2006  puxa mais para um frescor, algo mais jovial e “irrequieto”, se é que um vinho pode ter esse perfil. Em qualquer um dos dois, uma elegância impar, extremamente complexos, muito aromáticos e de grande harmonia com um toque mineral absolutamente cativante que ajuda a arredondar a acidez bem acentuada. Um belo vinho por um preço condizente com o que é oferecido, R$138,00. O vinho do Loire é um dos melhores vinhos que já tive a oportunidade de provar e, certamente fará parte de minha adega muito em breve. Quarts de Chaume de Domaine Baumard (Mistral), um vinho de reflexão, uma verdadeiro elixir dos Deuses, sob o qual já tive o prazer de escrever e descrever a enxurrada de emoções e sensações que me causou. Propositalmente não mencionei a safra, porque pouca diferença deve fazer já que todas as avaliações lhe dão 90 pontos ou mais. Eu não sigo muito esse negócio de notas, mas elas ajudam a nos mostrar tendências, o que ocorre neste caso. O preço varia de algo ao redor de R$150,00 para o de safra 2000, até R$260,00 para o da safra 2006 que, dizem, está excepcional e levou 98 pontos da Wine Spectator enquanto o da safra 2000 teve “somente míseros” 90 pontos!. Eu provei o de safra 2003 e até agora não me recuperei, uma incrível experiência. Este é para quem não gosta de vinhos doces, para aniquilar com seu preconceito, e para o deleite daqueles que gostam.

            Três Borgonhas de grande qualidade, dois dos quais do mesmo produtor, Philippe Bouchard. Primeiramente o excepcional  Savigny-lès-Beaune, 1er Cru Clos de Guettes 03 (Vinea Store) que é difícil de descrever. Tentei fazê-lo em um post específico, não sei se consegui, mas resumindo em poucas palavras é mais um daqueles vinhos que você não sabe se ”funga” ou toma e, na boca, é a personificação da elegância, um maravilhoso e inebriante néctar, sonho de qualquer enófilo. Por R$276,00, é um achado perto de outros que há por aí. Não é para todos, mas para quem pode pagar esse preço por um vinho e tem uma queda por vinhos sedutores, a escolha é esta! O primo mais novo deste vinho, é o Hautes Cotes-de-Nuits 05 (Vinea Store) que provei na Expovinis e, mesmo com já diversas provas nas costas nesse dia, fui surpreendido por este vinho, também produzido por Philippe Bouchard, e mais uma vez me senti “fisgado”. Não tem a mesma intensidade aromática e complexidade do Savigny, mas é um vinho que ainda te seduz pelo nariz. Depois, na boca, só vem confirmar as promessas olfativas resultando num vinho muito equilibrado, de taninos finos e boa acidez, num conjunto muito redondo e saborosíssimo final de boca de longa persistência. Um vinho encantador e muito, mas muito agradável por um preço que, acho, já dá para aprontar uma estripulia, R$133,00. Um outro grande vinho que tive o privilégio de degustar, foi o Nuits Saint Georges 05 de Corton-André (Fasano), um vinho de grande sutileza, suave mas repleto de sabor e aromas complexos. Grande harmonia, taninos elegantes e aveludados, vinho que encanta e seduz, mas o preço é bem salgado, R$539,00.

            É isso meus amigos, daquilo que provei, o que listei foram os vinhos que mais me encantaram e me despertaram sensações muito prazerosas. Acho que é para isso que o vinho existe, para nos dar prazer e, com maior ou menor intensidade, foi isto que senti ao degustar estes vinhos. Salute, bom proveito e, ao longo da próxima semana falaremos um pouco sobre a região do Loire e do Cotes-du-Rhône, haverão posts com as Boas Compras que nossos parceiros destacarão e sempre alguma coisinha mais. Nos vemos por aqui.

Salute e kanimambo.

 

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França – Bourgogne, Loire e Cotes-du-Rhône. Vinhos que Tomei e Recomendo – II

 

 

              Bem, depois de um inicio tímido nas faixas mais baixas de preços, apesar de alguns belos vinhos, verdadeiros achados, chegamos naquela faixa em que a busca já encontra um numero maior de opções e, normalmente, damos um pulo de qualidade. A partir da faixa de preços de R$65,00, já começamos a encontrar algumas boas opções de Borgonhas, num emaranhado de rótulos. Neste caso são os genéricos, mas não por isso menos bons. Na lista abaixo, alguns belos vinhos também do Loire que insisto que provem, são vinhos brancos diferenciados e intensos, pois mudam a nossa forma de ver este estilo de vinhos. Finalmente, os vinhos das Cotes-du-Rhône com sua enorme diversidade de estilos e produtos com ótima relação Qualidade x Preço x Satisfação.

Nesta faxia de R$50 a 80,00, provei alguns vinhos de muito boa qualidade que posso recomendar com uma certa tranqüilidade. Marquei com um asterisco, aqueles que mais me encantaram e se tornaram objeto de desejo.

               Loire – O Jardim da França e o berço de deliciosos vinhos brancos. Os bons tintos são elaborados à base de Cabernet Franc, mas não tive a oportunidade de provar nenhum. Mesmo dos brancos, não foram muitos, mas foram muito bons! Nesta faixa de preços consegui listar três vinhos com três estilos diferentes. Primeiramente, um vinho surpreendente e “Três Délicieux”, o Cheverny Le Vieux Clos 06* (Decanter) um saborosíssimo corte de Sauvignon Blanc com um tempero de 15% de Chardonnay, que faz toda a diferença. Médio corpo, harmônico, complexidade de aromas e na boca é uma cativante “mistura” de sabores e sensações com o frescor da Sauvignon Blanc e a cremosidade e riqueza do Chardonnay, belo e encantador vinho. Um puro Sauvignon Blanc 05 de Domaine Fournier Pére et Fils* (Expand) de ótima acidez, paleta aromática de boa intensidade com nuances florais, elegante com um saboroso final de boca. Mudando radicalmente, um Coteaux du Layon Carte D’Or 04 de Domaine Baumard* (Mistral) o papa dos vinhos doces da região. Elaborado com Chenin Blanc, é um vinho encantador e sensual. O correto equilíbrio da doçura com a acidez, forma um conjunto muito fácil de beber, é suave convidando á próxima taça e, se não se prestar atenção, vai uma garrafa, fácil, fácil! Não tem a intensidade de seu irmão maior (Quarts de Chaume), mas é um achado pelo preço.

 

 

 

 
 
 

 

                BorgonhaExistem uma série de Pinot Noirs básicos, ou genéricos, no mercado. Aqueles que conhecemos como Bourgogne Rouge ou Bourgonge Pinot Noir. Entre os muitos rótulos desta faixa de preço no mercado, talvez o que mais me tenha encantado, seguido de perto de mais uns dois, tenha sido o Bourgogne Rouge de Bouchard Pére et Fils* (Grand Cru Granja Viana) que apresentou maior tipicidade, boa intensidade de aromas e sabores, é elegante, suave e complexo formando um conjunto muito agradável de tomar. Perto deles, realmente perto, mais dois rótulos que me fizeram sorrir bastante, o Albert Bichot Vieilles Vignes 05* (Expand) mostrando boa fruta madura no nariz, com nuances florais, harmônico e saboroso final de boca com taninos aveludados e o Joseph Drouhin Bourgogne Rouge 05* (Mistral) que apresenta bastante frescor, maciez e nuances florais ao nariz. Fora esses Bourgogne Rouge de muita qualidade, me deliciei com alguns outros vinhos bastante interessantes como; Mercurey Croix Jaquelet Rouge 05 (Mistral) da Domaine Faiveley na Cote Chalonnaise, um vinho de características mais fechadas, mas de grande equilíbrio e muito rico na boca, o Hautes Cotes de Baune Clos de la Perriere 05* (Nova Fazendinha – RJ) uma verdadeiro achado, pleno de frescor, complexidade e longo final de boca e o Louis Jadot Convent des Jacobins Rouge 04 (Mistral), nariz intenso com frutas vermelhas, leve para corpo médio, bem equilibrado e final de média persistência.  Para finalizar os tintos, o surpreendente e delicioso Morgon Domaine La Beche 05* (Nova Fazendinha – RJ) de Olivier Depardon um 100% Gamay que é para arrebentar com todos os possíveis preconceitos para com essa uva. Como todo o vinho elaborado à base de gamay, este tem um nariz muito frutado e de enorme frescor, mas tem muito mais; tem boa estrutura, acidez, taninos finos e macios e um saboroso final de boca. Nos brancos, difícil encontrar vinhos desta região nesta faixa de preços, mas consegui! Um vinho de boa mineralidade e leve floral num conjunto bem balanceado e bastante agradável é o Albert Bichot Chardonnay Vieilles Vignes (Expand) que tomei há uns três anos. No evento Mistral, tive a oportunidade de provar um Convent des Jacobins Branco 06 de Louis Jadot e, apesar de ter perdido minhas notas, me lembro que foi um vinho que me agradou bastante, apresentando boa cremosidade e boa intensidade olfativa de aromas cítricos, que foi o que mais me marcou.

               Cotes-du-Rhône – Algumas belezinhas que valem muito a a pena. Entre eles, dois em especial me chamaram muito a atenção. Começando pelo Cotes-du-Rhône Village 04 do Domaine de la Renjarde* (Nova Fazendinha – RJ) um corte de Grenache (maior parte) com Syrah, Carignan, Cinsault e Mourvédre que é um vinho encantador e cativante de bom nariz que aponta para frutas vermelhas frescas, na boca é redondo, macio com taninos finos muito bem equacionados, persistência média, saboroso, um vinho que dá muito prazer de tomar e agrada fácil. Um pouco mais sério, denso e cheio na boca o Cotes du Rhone Rouge 04 de E. Guigal (Expand) um conceituado produtor da região que elabora este vinho com um corte de Syrah e Grenache. O 2004 é a safra que está disponível, mas eu realmente provei o 2003 na casa de um amigo há cerca de um ano. Aquele estava muito bom, médio corpo para encorpado, mas com muita elegância, taninos finos e aveludados com boa acidez e longo final de boca com um retrogosto de especiarias. Dizem que o 2004 está um pouco mais tânico, encorpado e firme, mas igualmente bom. O divino Saint Joseph Deschants Rouge 04* (Mistral) de M. Chapoutier, produtor biodinâmico, é um vinho de boa complexidade que surpreende (o 05 está mais caro). Nariz complexo que apresenta nuances florais. Na boca é delicioso, denso, boa estrutura, muito harmônico, enchendo a boca de prazer com um longo final de boca em que aparecem as especiarias típicas da casta Syrah e uma certa mineralidade. Mais fácil, mas igualmente saboroso é o Cotes-du-Rhône de Philippe Bouchard 06* (Vinea Store), pronto e muito agradável de tomar. Um corte elaborado com Grenache, Syrah e Cinsault, que exala aromas de frutas vermelhas, na boca se mostra carnoso, médio corpo, taninos presentes bem equacionados mostrando que pode melhorar na garrafa apesar de já estar pronto para beber. O final é longo, muito saboroso, levemente apimentado.

 

 

               Como sempre digo, esta faixa de preços tem uma vastidão de rótulos de grande qualidade e é onde se encontram os melhores custo x beneficio do mercado, independentemente de origem. Na França, não é diferente! Na Sexta-feira listo alguns néctares que se situam em faixas de preço acima de R$80,00. Não são muitos, mas para que tenha a disponibilidade financeira, asseguro que são vinhos de grande qualidade, alguns inesquecíveis. Até lá, salute e kanimambo.

 

  

 

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França – Bourgogne, Loire e Cotes-du-Rhône. Vinhos que Tomei e Recomendo – I

            É meus amigos, seguimos na França neste mês de Julho, só que falando de três outras regiões em que se destaca a Borgonha (Bourgogne). Mas a França não é só Bordeaux e Borgonha ou Champagne, como já vimos no mês de Junho com o Languedoc-Roussillon, é também a elegante e deslumbrante região do Loire e o complexo emaranhado de sub-regiões de Cotes du Rhône com seus deliciosos vinhos e preços competitivos. São estas a três regiões que veremos em maior detalhe ao longo deste mês de Julho no blog. Também, al longo do mês, uma lista de rótulos que provei e aprovei, porém com preços, lamentavelmente, um pouco mais altos do que gostaríamos assim como alguns bons destaques que nossos parceiros estarão ressaltando em Boas Compras.

           A Borgonha é o berço da Pinot Noir, região em que apresenta todo o seu esplendor, o mesmo ocorrendo com a Chardonnay. O clima é instável e as uvas difíceis de viníficar, razão pela qual as safras são importantes nesta região. Os tintos são menos tânicos, devendo ser tomados levemente refrescados em torno de 15 a 16º. Os bons; são vinhos sensuais, de extrema elegância e apaixonantes, produzidos em pequenas quantidades por um grande numero de produtores e alguns importantes negociantes. São vinhos cobiçados no mundo inteiro e, conseqüentemente, caros. Diferentemente de Bordeaux, aqui os vinhos são, essencialmente, varietais de Pinot Noir (tintos) e Chardonnay (brancos) exceção feita à sub-região de Beaujolais em que a Gamay, que gera vinhos muito frutados e leves, tem forte presença.

           O Loire é o paraíso dos vinhos brancos e onde tanto a Sauvignon Blanc quanto a Chenin Blanc produzem grandes vinhos como os da sub-região de Vouvray, Pouilly-Fumée e Quarts de Chaume. Nos tintos, seus principais vinhos são elaborados como varietais de Cabernet Franc. Uma região linda, repleta de castelos e mosteiros, conhecida como Jardim da França, tendo sido reconhecida como Patrimônio da Humanidade. Uma região a ser prospectada e seus vinhos garimpados. Brancos exuberantes, que precisam ser conhecidos. Nossa visão e opinião sobre vinhos brancos, muda depois que percorremos os caminhos do Loire, acredite-me.

            Cotes-du-Rhône, dividido entre o Norte e o Sul, com características bem diferenciadas, é, junto com o Languedoc, a região onde, entre grandes e caros vinhos como os Hermitage, Cote-Rotie, Vaqueyras e Chateauneuf-du-Pape, encontramos alguns belos vinhos por preços bem acessíveis. Ao Norte uma maior presença de Syrah e Viognier enquanto ao Sul, uma maior preponderância de Grenache, Mourvédre, Cinsault e Carignan. Do Norte, talvez a sub-região mais famosa seja a de Cote-Rotie com incríveis vinhos elaborados com Syrah e uma parte (máximo 20%) de Viognier, uma cepa branca, e no Sul, o Chateauneuf-du-Pape, tanto branco como tinto, em que podem ser usadas até 8 cepas diferentes no assemblage do tinto e seis no branco.

            Dos vinhos desta região que tomei e recomendo, os mais acessíveis vêm da Cotes-du-Rhône, mas os grandes néctares, tenho que reconhecer, vêm da Borgonha e com os preços lá em cima. Por outro lado, foi também nesta mesma Borgonha, e em Bordeaux, que mais tombos tomei. São vinhos complexos, difíceis, caros e nem sempre estão à altura da fama. Acredito que consumir e aprender a apreciar estes vinhos, é coisa para quem entende ou tem bolso farto resistente a tombos das mais diversas alturas. Minha sugestão; participe de degustações e vá conhecendo estes vinhos e suas nuances, descubra o seu estilo e treine seu paladar, depois saia comprando. Do Loire, uma grande surpresa com brancos deliciosos, sutis e elegantes. De qualquer forma, eis aqui as minhas recomendações, com asterisco os meus preferidos, daquilo que tomei e posso, tranqüilamente, recomendar como vinhos saborosos de boa qualidade. Vamos lá, vamos aos vinhos!

 

 Até R$30,00 – Que eu conheça, nenhum em especial que possa recomendar como uma boa compra. Talvez alguns Beaujolais, mas que não me agradaram tanto em função da uva Gamay que produz vinhos muito leves e meio ralos. Na maioria das vezes, melhor comprar um vinho Nacional, Argentino ou Chileno, que provavelmente lhe trarão mais prazer e satisfação. Se quiser garimpar e explorar este segmento de vinhos Franceses, eis três opções de fácil obtenção em supermercados e casas do gênero, os vinhos de Abel Pinchard, que é razoável dentro de seu estilo, e estes outros dos quais recebi boas indicações, mas que não conheço; Lês Celliers de Sichel e Masson-Dubois, ambos vinhos das Cotes-du-Rhône.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De R$30 a 50,00, ainda modesta a quantidade de rótulos e nenhum da Borgonha, a não ser um único Beaujolais (erroneamente inserido como Cote-du-Rhône na coluna do jornal) que só começam a aparecer a partir de R$65,00. Nesta faixa, as grandes estrelas são mesmo os vinhos das Cotes-du-Rhône e “um” achado da sub-região de Vouvray no Loire.

           Cotes-du-Rhône – Alguns deliciosos achados por preços muito bons, começando pelo saboroso, leve e alegre Saint Esteves D’Uchaux* 05 (Zahil/Portal dos Vinhos), de muito bom preço e fácil de agradar, e os elaborados e ricos Les Chévrefeuilles * 05 (De la Croix), delicado, elegante e fresco, e o Belleruche Rouge* 05 (Mistral), mais encorpado, boa estrutura, média persistência e, certamente, um belo acompanhamento para uma carne assada com batatas. Todos verdadeiros achados num emaranhado de rótulos. Mas existem mais vinhos de boa qualidade e, entre eles; o Parallel 45 Rouge 05 (Mistral), um vinho bem conhecido e muito constante ano após ano, o Village Baumes de Venise 04 (Mistral) saboroso e equilibrado e, finalizando, o Cotes-du-Rhône Village de Louis Bernard 04 (World Wine), bastante harmônico e cheio na boca com taninos finos e elegantes. 

            Vouvray – Guy Saget é um produtor de grande qualidade que nos traz este Vouvray 06* (Mistral), um vinho branco “off dry” elaborado á base de Chenin Blanc. Um vinho branco especial, diferente e ótimo para tomar como aperitivo, acompanhando um curry, um fricassé de frango ou, quem sabe, um lombo agridoce. Um verdadeiro e delicioso achado que me encanta por fugir ao lugar comum e, ainda por cima por este preço! Difícil encontrar um vinho deste nível, desta região e desta qualidade dentro desta faixa de preços. Um achado em todos os sentidos.

           Borgonha – o Beaujolais Village Domaine La Beche Oliver Depardon 05 (Nova Fazendinha – RJ), um gamay mais encorpado, médio corpo e evoluído, de boa tipicidade da região mostrando boa fruta, frescor e taninos macios num final de boca bem agradável.

           Nos próximos posts veremos os vinhos acima destas faixas de preços. Enquanto isso, deliciem-se com alguns destes saborosos rótulos e de bom preço, em função do binômio Qualidade x Prazer ofertado.

Salute e kanimambo.

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Vinhos do Porto Tawny

“A Hora de Baco”, é um programa semanal da RTP (Rádio e Televisão de Portugal) que trata das coisas do vinho, em especial dos vinhos Portugueses. Descobri este vídeo com uma verdadeira aula sobre os vinhos tawny e seus segredos, mostrando a verdadeira alquímia que é elaborar um Tawny com identificação de idade. É longo, são 26 minutos de muita informação, mas é genial. Para quem quer conhecer esta maravilha, vale cada minuto.

Para quem quer conhecer, na boca, estas maravilhas, veja as dicas do que há no mercado em Tomei e Recomendo – Vinhos do Porto, aqui no blog.

Salute, kanimambo e bom fim de semana.

Juanicó

                É, por este nome do produtor, poucos saberão de que vinhos falarei hoje. Juanicó é nome da vinícola que produz os famosos vinhos Don Pascual, Prelude e Família Deicas, agora está mais fácil não? Já deu para se situar? Pois bem, a Juanicó talvez seja o maior produtor Uruguaio de vinhos finos, exportando cerca de 20% de sua produção e detendo algo ao redor de 35% do mercado Uruguaio com uma produção total de cerca de cinco milhões de garrafas anuais. Apesar de já conhecer alguns de seus produtos como o ótimo Prelude e o excepcional Família Deicas 1er Cru Garage, desta vez tive o privilégio de, não só voltar a tomar estas preciosidades, mas também conhecer a linha básica e uns lançamentos.

  • Don Pascual Viognier Reserva 2005, eis aqui um vinho branco muito agradável, de boa concentração e frescor. Trinta por cento dele passa por barris de carvalho Francês por seis meses. No nariz muito cativante com os aromas de pêssego tendendo a se sobressair. Na boca é cremosos, de corpo médio, acidez controlada e muito saboroso. O preço normal é de R$39,00, mas neste mês de Julho está em promoção por R$32,00.
  • Don Pascual Tannat Roble 2006, uma parte passa por carvalho Francês e outra por Americano dando-lhe características muito interessantes. Um Tannat muito equilibrado, redondo e macio, absolutamente pronto para beber. O Preço normal é de R$45,00, porém nesta promoção de Julho, está por R$39,00.
  • Prelúdio Barrel Select Branco 2004. Lançamento do primeiro Prelúdio branco e um senhor vinho que vem para dividir atenções com seu irmão mais velho, o tinto. Um corte de 90% de Chardonnay, 8% de Viognier e 2% de Sauvignon Blanc. De 9 a 11 meses de barrica de carvalho Francês, elaborado de forma quase artesanal que resulta em somente umas 2500 garrafas disponíveis para todo o mercado. No nariz não desperta, pelo menos para min, grandes euforias. Na boca, no entanto, é bem mais evoluído, complexo, um vinho que clama por comida. Elegante, rico é um vinho de grandes qualidades. Preço R$88,00.
  • Prelúdio Barrel Select Tinto 2002, um corte de Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot e um tico de Marselan. Vinho de guarda com ótima estrutura. Este 2002 apresentou aromas complexos, taninos firmes sem qualquer agressividade na boca, fruta madura, boa acidez, muito equilíbrio num conjunto que preza pela elegância. Já muito bom e, certamente, melhorará ainda mais com mais um ano de garrafa. De R$115,00 por R$99,00.
  • Don Pascual Tannat/Merlot, o célebre corte Uruguaio que vai excepcionalmente bem com uma carne na brasa. Este corte produz um equilíbrio e harmonia tal no vinho, que explica o sucesso que o faz ser um campeão de vendas. Redondo, fácil de beber, um vinho para quem não quer errar. Nos restaurantes, uma escolha certeira.
  • Família Deicas 1er Cru Garage 2000. Produzido em associação entre a Juanicó e a família Magrez, dona de diversos Chateaus em Bordeaux, em especial o Chateau Pape Clement, com uvas de vinhedos de baixíssima produção de onde se extrai algo como meio quilo de uvas por planta o que significa que, para elaborar uma garrafa deste néctar, se usam uvas de três plantas! Já tinha me apaixonado pelo vinho quando de uma degustação de aniversário da Expand e, repetir a experiência foi um enorme privilégio já que este vinho me encanta, é exuberante! Repito o que já tinha comentado antes, uma paleta aromática absolutamente maravilhosa, intensa e complexa. Na boca é potente, mas elegante com taninos finos presentes e boa acidez com um longo final de boca. Não mais uma enorme surpresa e sim, a confirmação de estar perante um grande vinho! Preço especial na promoção. De R$285,00 está por R$248,00. Para quem tem essa grana, não deixe de comprar, não se arrependerá.
  • Licor de Tannat 2004. Um licor produzido à base de Tannat com adição de álcool viníco ao estilo dos vinhos do porto. Bom para tomar  acompanhando uma sobremesa de chocolate ou em vôo solo. Preço R$78,00.

Estes vinhos são de importação exclusiva da Expand. Procure-os em qualquer uma de suas 33 lojas espalhadas por este Brasil afora. Veja telefones e endereços em http://www.expand.com.br/ .

 

Salute e kanimambo.

 

Região Vinícola da Borgonha – II

Este post era para ser publicado ontem, mas compromissos familiares me impossibilitaram de finalizá-lo, depois conto. A classificação dos vinhos da Borgonha segue um conceito bem diferenciado do que vimos em Bordeaux e foi, primeiramente, implementada em 1861, com uma revisão em 1935 quando da criação do INAO. Em Bordeaux a classificação é dada para o Chateau/Produtor que tem sua qualidade historicamente reconhecida. Aqui, o que vemos é que vinhedos são classificados, e, como mencionado no post anterior, um vinhedo pode ter diversos proprietários e produtores podendo, e efetivamente ocorre, gerar enormes diferenças de qualidade dentro da mesma apelação (Appelations). Mais do que qualquer outra região, aqui há a absoluta necessidade de se guardar nome e sobrenome do produtor, pois na mesma familia e na mesma comuna podem existir três ou quatro produtores diferentes com nomes muito similares. Gostou do vinho, faça seu registro! Vejamos agora as mais importantes classificações encontradas na região;

  •  Bourgogne Rouge – É o vinho tinto genérico, ou regional, essencialmente elaborado com 100% de uvas Pinot Noir, exceção feita a algumas poucas comunas onde se permite um corte com Gamay. Produzido com uvas de qualquer lugar da região, são vinhos nem sempre à altura do nome, porém existem alguns bons rótulos no mercado, que tive a oportunidade de provar e estarei comentando em meus Posts de Tomei e Recomendo. Estes melhores, estão prontos a tomar entre dois a três anos e não devem envelhecer muito, no máximo uns cinco ou seis anos. No rótulo podem também aparecer como “Bourgogne Pinot Noir ou Pinot Noir Apellation Bourgogne Controlée”
  • Bourgogne Blanc – Elaborado com100% Chardonnay, também de qualquer lugar da região,  a base da pirâmide dos vinhos da Borgonha, vinhos genéricos ou regionais.  Vinhos que não necessitam de tempo em garrafa e possuem uma vida “útil” de estimada em cerca de três a quatro anos.
  •  Bourgogne Aligoté – Produzido com a uva Aligoté, gera alguns bons vinhos especialmente em Bouzeron.
  •  Bourgogne Passe-tout-Grain, um vinho não muito elaborado, normalmente um corte de Pinot com Gamay, não muito comum por aqui e, normalmente caro para a qualidade. Vinho para ser tomado novo.
  •   Village – São vinhos advindos de uvas cultivadas no planalto que antecede as encostas e, normalmente, o rótulo indica tão somente o nome da comuna. Presumidamente, um nível de qualidade acima dos vinhos regionais e o preço já começa a ficar salgado. Garimpando, se encontram bos vinhos por preços relativamente acessíveis.
  •  Premier Cru, a elite dos vinhos da Borgonha dos quais existem mais de 560 em toda a região e obedecem a regulamentação específica. As uvas são plantadas no  inicio da encosta. O preço já pesa bastante no bolso e não é para qualquer um. Saul Galvão, em seu livro Tintos & Brancos, ressalta que, devido ao sistema de classificação adotado, existem muitos vinhos neste grupo que muitas vezes decepcionam embora o preço siga caro. Ou seja, a classificação indica qualidade, não a garante. Pesquise!
  •  Grand Cru, a elite das elites existindo somente quarenta e uma em toda a região, das quais sete em Chablis e trinta e quatro na Cote D’Or. Esta classificação, na Cote D’Or, está geográficamente localizada no meio da encosta, onde obtém a melhor exposição solar, o terreno possue maior drenagem e as condições de solo (Calcário/Marga) ideais. Tanto os vinhedos Premier Cru, quanto os Grand Cru, são plantados nas encostas voltadas para o Leste. Estes Grand Crus são os vinhos mais caros da região, sendo poucos os que têm possibilidade de os comprar e apreciar.
  • Hautes Cotes de Nuit e de Baune. As zonas das encostas voltadas ao Oeste, protegidas por alta arborização. Região difícil devido à menor insolação dificultando a amadurecimento e mais sujeito a geadas. Um pouco acima do nível de qualidade dos genéricos, próximo aos Village, dependendo do produtor e da safra.

Cerca de 65% dos vinhos são de classificação genérica ou regional, 23% de Village, 11% de Premier Crus e somente 1% de Grand Cru. O livro Larousse do Vinho, uma obra de consulta importante para os enófilos terem em casa, mostra bem o corte geológico e posicionamento das classificações nas encostas. Tomei a liberdade de pegar a imagem emprestada;

 

 

 

Em Beaujolais, a relação qualidade / classificação é ainda mais difícil já que, a aplicação da classificação é feita por comuna. De qualquer forma, esta sub-região tem uma classificação diferenciada do restante da Borgonha;

  •   AOC Beaujolais, vinhos advindos de qualquer das sessenta comunas da região. Normalmente são os vinhos mais fracos, leves, alguns até meio ralos. Dependendo do que se quer, podem ser companheiros baratos e frescos, devendo ser tomados refrescados a cerca de 14º e sem compromissos nem grandes expectativas. O Beaujolais Noveau é uma variante desta classificação e é, basicamente, uma grande jogada de marketing como já mencionei no post anterior sobre a região.
  •  Beaujolais Superieur, em principio pouca diferença do AOC Beaujolais, exceção feita à exigência de um maior teor alcoólico. Vinhos simples.
  •  Beaujolais Village fica reservada às 38 comunas da metade norte desta sub-região, onde já se encontram melhores vinhos devido à maior densidade de vinhedos e um subsolo granítico. Representa aproximadamente 25% do total da produção.
  • Crus, seguem sendo vinhos bem mais acessíveis que o restante da Borgonha, porém já possuem um outro nível de qualidade, maior estrutura e intensidade de sabores e aromas do que os Beaujolais mais comuns.  Entre estas cerca de 10 Crus, que aqui são indicativos de 10 comunas situadas no norte, algumas se destacam como; Moulin-a-Vent, Fleurie, Morgon, Brouilly, Juliénas e Saint-Amour todos com vinhos mais elaborados e com maior potencial de guarda podendo evoluir até quatro, cinco anos ou até mais, em especial os primeiros três aqui citados, quando tendem a se assemelhar aos vinhos elaborados com Pinot Noir. Alguns dos vinhos que Tomei e Recomendo, vêm desta região e surpreendem.

É isto meus amigos, na Segunda-feira publicarei meu primeiro post do mês com vinhos destas regiões que provei e aprovei e, no decorrer da semana, darei seqüência com as outras regiões tema deste mês assim como mais Tomei e Recomendo e também destaques de Boas Compras de nossos parceiros e amigos do vinho.

Até lá, salute e kanimambo!

Região Vinícola de Borgonha – I

Este segundo mês Falando de Vinhos e Regiões da França, nos traz à Borgonha (Bourgogne), uma região pequena de somente cerca de 51 mil hectares dos quais, 23 mil na sub-região de Beaujolais (menos nobre) resultando em apenas cerca de 28 mil que são distribuídos por todos as outras sub-regiões. É um retalho de pequenas micro-regiões (mais de 100 AOCs),  pequenos produtores, cooperativas e negociantes. Quando um vinhedo pertence a um só dono, é denominado Monopole. Por outro lado, existem vinhedos, como o de Clos Vougeot, que possui 51 hectares dividido entre 80 proprietários diferentes, cada um fazendo o que quiser com sua parcela. No total, são mais de 4300 Domaines (denominação de propiedade similar aos Chateaus em Bordeaux) dos quais 85% têm menos de 10 hectares.

É uma região que possui características climáticas muito complicadas e a sua principal uva, a Pinot Noir, que produz verdadeiros néctares, é de difícil cultura e viníficação. Aqui, mais que em qualquer outro local, a análise das safras e o terroir são essenciais para quem quer se aventurar por estas paradas. Todos os especialistas são unânimes em dizer que as diferenças entre bons e maus produtos é muito grande tornando extremamente complexa a compra destes caros vinhos. Uma boa assessoria e boas dicas de alguém em quem confiem são, mais do que nunca, uma necessidade imperiosa.

Os tintos são menos tânicos, devendo ser tomados levemente refrescados em torno de 16º. Os bons; são vinhos sensuais, de extrema elegância e apaixonantes, produzidos em pequenas quantidades, com alta demanda e preços bastante caros. As grandes uvas são as Chardonnay e Pinot Noir, com a presença de Gamay na sub-região de Beaujolais e uma ou outra micro-região em que o corte Pinot com Gamay são permitidos. É, também, a região no mundo, onde estas cepas melhor conseguem expressar toda a sua complexidade e elegância de forma inimitável. Diferentemente de Bordeaux, aqui os vinhos são, essencialmente, varietais, mas com uma diversidade de aromas e sabores impressionante devido à grande variedade de terroirs. São mais pálidos com uma certa transparência, mas não por isso menos intensos de sabores e aromas, muito pelo contrário. Considerando-se a relativa fragilidade da Pinot Noir, contrariamente a vinhos elaborados com Cabernet Sauvignon, evite decantar o vinho deixando-o evoluir na taça. Nos brancos, Chardonnay para todos os gostos, de leves, aromáticos e minerais em Chablis, até encorpados e densos como os de Montrachet. Dados estatísticos podem ser vistos nas tabelas publicadas no post “França – Regiões e Uvas”. Agora, demos uma olhada nas sub-regiões da Borgonha:

 

 

 

Chablis, (100% Chardonnay) parte mais ao norte da Borgonha, produz, para o meu gosto pessoal um dos melhores, se não o melhor, vinho branco do mundo elaborado com esta cepa. Um bom Chablis possui uma leveza, paleta aromática, frescor, maciez e mineralidade difíceis de serem imitadas, tão pouco ultrapassadas, devido às características do solo da região. Os vinhos das denominações Petit Chablis e Chablis, são mais ralos, alguns bons, mas acabam sendo caros para o que entregam e são vinhos para tomar até uns 3 anos de idade, quem sabe quatro. Já os Chablis Premier Cru e os Grand Cru, apesar de caros, o que me faz comprá-los somente no exterior, quando de eventuais viagens, onde não são exatamente baratos, porém sendo bem mais acessíveis que por aqui, são outra conversa. Os Premier Crus permitem uma guarda de quatro a sete anos, enquanto os Grand Crus permitem esticar esse período por mais uns três anos. Importante considerar estes potenciais tempos de guarda para não cair em algumas eventuais armadilhas encontradas em promoções com oferta de vinhos velhos.  Lamentavelmente, demasiado caros não sendo para qualquer bolso, mesmo os vinhos mais simples. Por sinal, minha adega está sem nenhum, não se acanhem! rsrsrs

Cote D’Or – É uma escarpa resultante de uma anomalia geológica que levou à erosão das bordas do planalto Borgonhês. Somente cerca de 50 quilômetros  de extensão, mas o mais importante, conhecido e valorizado pedaço da Borgonha. A Cote D’Or está dividida em duas micro-regiões, ao norte a Cotes de Nuits e ao sul a Cotes de Beaune. Genericamente falando, a Cotes de Nuits produzem vinhos mais estruturados e de intensidade superior, enquanto a Cotes de Beaune mostra mais elegância e frescor. Isto, porém, não é uma regra sem exceções já que Pommard gera vinhos densos, duros e tânicos que pedem tempo na garrafa para amadurecer e, no entanto, se situa em Beaune.

·        Cotes de Nuits – Quase que a totalidade de vinhos tintos e a maioria dos Grand Crus. Importantes vilarejos/comunas considerados micro-regiões são; Morey Saint-Denis, Gevrey-Chambertin, Chambolle-Mussigny, Vougeot, Nuit Saint-George, Vosne-Romanée e Echezaux.

·        Cotes de Beaune – Com cerca de 20% de produção de brancos (Chardonnay e Aligoté) a maioria dos Grand Crus brancos se encontram por aqui. Os importantes vilarejos/comunas são; Aloxe-Corton, Pommard, Volnay, Savigny-les-Baune (de onde tenho provado magníficos e exuberantes vinhos), Beaune, Mersault, Puligny-Montrachet, Chassage-Montrachet e Saint-Aubin.

São, em sua grande maioria, vinhos caros sendo difícil encontrar um vinho, mesmo que básico, por menos de R$60,00 ainda que em oferta. Os vinhos de maior qualidade já se aproximam dos R$100 e os realmente bons acima dos R$150,00 tendo o céu como limite. Um dos vinhos mais caros do mundo vem desta sub-região, é o Romanée-Conti do qual se produzem pouquíssimas caixas ao ano. Preço? A bagatela de, no mínimo, R$10.000 podendo, facilmente chegar a R$20.000. Interessante é que o maior colecionador mundial destas preciosidades é Brasileiro, vive em São Paulo e é político! Legal, não? Mais um dado interessante é que, dizem, o custo de produção equivale a algo como Euros 18 a 20 por garrafa! Na hora que cola o rótulo ……. quem sabe, um dia, consigo cheirar uma rolha!!

Cote-Chalonnaise – Uma sub-região menos valorizada, ao sul de Beaune, porém com algumas AOC’s bastante interessante e com produtos menos valorizados, porém de grande qualidade. Um exemplo é Bouzeron com deliciosos vinhos brancos elaborados com Aligoté e Mercurey com belos vinhos tintos de boa concentração e equilíbrio entre os quais um dos destaques do mês. Fora estas duas, boas opções poderão ser garimpadas em Givry, Montagny e Rully.

Mâconnais – O rótulo AOC Macon, é genérico e, de acordo com Saul Galvão, produz alguns brancos interessantes, porém seus tintos costumam ser fracos e caros para o que são.  Os Macon-Village são vinhos mais elaborados bem frutados, para serem tomados jovens sendo uma categoria bem superior. Duas outras AOC’s produzindo bons vinhos brancos são, Pouilly-Fuissé e Saint-Véran.

Beaujolais – Região que pouco tem a ver com o resto da Borgonha e é, muitas vezes, analisado como uma região independente. Comercial e administrativamente, está “amarrada” à Borgonha, mas tem terroir bem diferenciado usando, essencialmente, a uva Gamay na elaboração de seus vinhos. Dos mais famosos, bom marketing, são os Beaujolais Noveau que são distribuídos anualmente, todo a terceira Quinta-feira de Novembro, em todo o mundo, sendo vinhos para serem tomadas em até seis meses, com muita sorte um ano, devido ao tipo de vinificação adotada. São vinhos elaborados através de maceração carbônica, método de vinificação sob o qual produzirei post um pouco mais adiante. Se você vir uma oferta de Beaujolais Noveau com mais de um ano de vida, não caia nessa! São vinhos, em sua grande maioria, leves, frescos, bem frutados e joviais para tomar refrescado a 14º enquanto se traça um belo sanduba. Nada de sofisticação ou complexidade, são vinhos ligeiros e fáceis de tomar, sem grandes comprometimentos e baratos. Os melhores são os Beaujolais-Village que, normalmente, possuem um pouco mais de estrutura. Dentro da região existem os Crus, que aqui não indicam um vinhedo e sim comunas (vilarejos), e aí o papo é outro. Seguem sendo vinhos bem mais acessíveis que o restante da Borgonha, porém já possuem um outro nível de qualidade, maior estrutura e intensidade de sabores e aromas do que os Beaujolais mais comuns.  Entre estas cerca de 10 Crus, algumas se destacam como; Moulin-a-Vent, Fleurie, Morgon, Brouilly, Juliénas e Saint-Amour todos com vinhos mais elaborados e com maior potencial de guarda podendo evoluir até quatro, cinco anos ou até mais, em especial os primeiros três aqui citados, quando tendem a se assemelhar aos vinhos elaborados com Pinot Noir. Alguns dos vinhos que Tomei e Recomendo, vêm desta região e surpreendem.

Bem, por hoje é só (?!). Nesta Quarta-feira completo este post falando das denominações de qualidade usadas na Borgonha e, logo depois, o primeiro dos Tomei e Recomendo deste mês. Ao longo do mês, posts com informações sobre as regiões do Loire e de Cotes-du-Rhône. Muito trabalho, muita pesquisa e pouco tempo, mas vamos em frente!

Salute e kanimambo.

Mais Vinhos da Semana

              Bem, Vinhos da Semana realmente não são. Na verdade são vinhos, muitas vezes, efetivamente tomados num período um pouco mais longo, estando mais assim como para uns dez dias. Só que, não dá para dar um titulo de “Vinhos dos Últimos 10 dias”, ficaria uma coisa sem graça, não concordam? De qualquer forma, são os vinhos que tomo em casa e sob os quais teço as minhas opiniões, sensações e prazeres que é uma forma de compartilhar os vinhos com os amigos. Vamos lá, chega de papo e falemos de vinho.

 

 

Philippe Bouchard Syrah 06, Vin des Pays D’OC , delicioso vinho da região de Languedoc com 100% de Syrah. Vinho pronto, muito agradável, teor alcoólico comportado com 12.5º, boa concentração com uma paleta olfativa muito agradável. É fresco, equilibrado, leve para corpo médio com toques de especiarias típicos da casta e muito sabor. Taninos finos e elegantes, completam este conjunto de forma muita harmônica. Um vinho realmente fácil de agradar e fácil de harmonizar por um preço muito bom. Como sempre digo, um Syrah elegante é sempre um grande prazer tomar e este não foge à regra. Disponível na Vinea Store por R$49,00. 

I.S.P. $

 

Los Vascos Cabernet Sauvignon Gran Reserva 05, um Chileno tradicional, com um tempero de 3% Syrah e 5% Carmenére, com influência Francesa que sempre me agradou muito. Este não negou fogo, mas já tomei melhores e o 2004 é um deles. Segue sendo um vinho de bastante elegância, de médio corpo, taninos finos, porém achei, por mais que os outros digam não, que a madeira e o pimentão aparecem demais faltando-lhe harmonia. Talvez tenha faltado uma decantação, não sei. De qualquer forma, segue sendo um vinho bastante interessante, boa qualidade só que, desta vez, não me empolgou. Pode ser o vinho ou posso ter sido eu, preciso lhe dar uma nova chance, mas a principio, acho que o Reserve está melhor, mais equilibrado e custa menos. Disponível na Confraria do Queijo & Vinho por R$64,00. 

I.S.P.   

 

Duque de Beja 05, vinho Alentejano, saboroso corte de Syrah/Cabernet Sauvignon/Aragonez e Trincadeira. Bonita cor rubi com toques violáceos e boa fruta no nariz. Na boca, fruta madura de boa intensidade, macio, sem arestas, muito harmônico e de média persistência. Vinho bastante agradável, taninos maduros, doces e já equacionados, lhe dão uma personalidade muito própria. Ideal para acompanhar uma carne assada ou prato similar. Disponível na Lusitana por R$ 45,36.

I.S.P.  .  

Fincas Privadas Tempranillo 05. Este Argentino, volta e meia, aparece sob a minha mesa e não só quando o orçamento está curto não! Por vezes, gosto de tomar vinhos mais descomplicados, sem grandes compromissos e fáceis de beber. Este é meu porto seguro e um vinho que me agrada muito. Não tem um conjunto olfativo intenso, mas é agradável com bons aromas de frutas vermelhas. Na boca é um vinho suave, macio, muito saboroso, surpreendente frescor e de grande harmonia com taninos finos e um bom final de boca. As pessoas têm dificuldade em acreditar, mas tudo isso custa apenas R$13,50 a 16,00 dependendo de onde você o compra. Na Casa Palla o compro pelo preço mais baixo, mas o Carrefour e outros supermercados também o têm. Provei os outros varietais deste produtor e os achei bem mais fracos, não os recomendando. Nesta faixa de preço, este Tempranillo é campeão absoluto e harmoniza maravilhosamente com pizza, um belo hambúrguer, umas lascas de queijo, bate-papo, amigos, macarronada de Domingo, e por aí afora.  Aliás, acho que rima bem com informalidade. A dica é, deixar o preconceito de lado e se deixar surpreender provando este verdadeiro achado para seu dia-a-dia. Fiquei em duvida se era um e meio smiles ou se deveria dar-lhe dois. Ora bolas, este merece, me dá muito prazer por pouca grana, então dois smiles serão! 

I.S.P. $ $ 

 Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

Antinori na Expand

               Com a presença do enólogo Renzo Cotarella, diretor geral da casa produtora Italiana Marchesi Antinori, tive o enorme prazer de degustar algumas preciosodades e confirmar que não é só de fama que esse pessoal vive. Realmente produzem vinhos de grande qualidade sustentada por mais de 600 anos de experiência e mais de 26 gerações envolvidas no processo do vinho. Foi do bate-papo com ele que registrei esta sábia frase:

“Não existe receita do vinho, existe tendência e estilo. Porque a natureza muda a matéria prima todos os anos e o enólogo tem que, respeitar essas variações e tirar delas o que de melhor geraram na safra.”

  • Começamos essa degustação com um Chardonnay da região da Úmbria que me surpreendeu. Bramito Del Chardonnay I.G.T. 2006, bonita cor amarelo palha, brilhante tem aromas bem frutados, de boa intensidade que vão se abrindo na taça. Bastante floral, pêra evoluindo para baunilha após um tempo. Na boca demonstra ser um vinho muito equilibrado, de boa acidez, suave, boa mineralidade evoluindo para uma certa cremosidade após um tempo, agradáveis traços de levedura no final de boca. Muito agradável, fácil de tomar e agradar, mas nada simples. Belo e saboroso vinho. Preço R$ 99,00.
  • Um delicioso corte de 40% Cabernet Sauvignon, 40% Merlot e 20% Syrah, compôs o segundo vinho. Il Brusciato Bolgueri D.O.C 2005 produzido na Toscana é um vinho muito apetecível, muito elegante e extremamente saboroso. Boa paleta aromática em que sobressaem as frutas vermelhas, algo de especiarias e salumeria. Na boca é muito agradável, mostra boa estrutura, fruta madura e taninos leves e macios. Acidez moderada, elegante e harmônico com um bom e longo final de boca. Fosse mais barato e estaria diversas vezes sobre a minha mesa e na minha taça. Preço R$115,00.
  • Um ícone produzido com 80% Sangiovese, 15% Cabernet Sauvignon e 5% Cabernet Franc. O primeiro Sangiovese amadurecido em barricas de carvalho Francês e o primeiro a usar assemblage com uvas não tradicionais mantendo, desde 1982, esta composição de cepas, não necessariamente porcentuais. Tignatello I.G.T. Toscana 2004, um graaaande vinho!Nariz intenso de grande complexidade onde aparecem frutas do bosque, alguma ameixa madura e algo de tostado. Na boca é de grande estrutura, complexo, taninos ainda firmes e aveludados, encorpado mas nada pesado, potente e de grande concentração buscando mais sutileza com foco em sabor e elegância. Um vinho difícil de descrever, mas inegavelmente um baita vinhaço, daqueles que chamo de vinhos de reflexão! Vinho de longa guarda, já está bom agora, mas daqui a cinco ou seis anos, deverá estar um espetáculo. Para quem pode ($), um senhor vinho por R$480,00 para fazer bonito na adega e, preferencialmente, na taça! Não é à toa que foi eleito melhor vinho Italiano em 2007 tendo figurado no Top 100 da Wine Spectator em que foi contemplado com 95 pontos.
  • Finalizamos com um vinho de sobremesa, Muffato Della Sala I.G.T 2004. Da Úmbria, este vinho é produzido com 60% Sauvignon Blanc, 40% Grechetto, ambas bortitizadas lhe trazendo a doçura natural, adicionados de uma ínfima parte de Gewurtzraminer e Riesling para lhe dar mais aromas e frescor. No nariz, é umespetáculo! Daqueles que você não sabe se cheira ou se toma. Muita intensidade exibindo notas de pêssego e algo de mel. Na boca é muito agradável faltando-lhe, para o meu gosto, um pouco mais de acidez e frescor. O vinho é doce e agradável, o preço nem tanto, R$195,00, provavelmente devido a produção ser muito limitada e a demanda alta.

Não degustado na ocasião, mas de importante destaque em minha opinião, a casa produz um outro vinho da Toscana, um corte de 60% Sangiovese, 20% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot e 5% de Syrah, que me encanta e que tem uma boa relação Qualidade x Preço x Satisfação. É o Villa Antinori I.G.T. que custa normalmente R$98,00 e nas promoções costuma estar por voltas dos R$85,00, quando se torna bem mais atraente. Muito saboroso, elegante, aromático, corpo médio, equilibrado com taninos macios e bom final de boca, é um vinho de grande qualidade que enche a boca de prazer por um preço um pouco mais acessível.

Salute e kanimambo.

Late Bottled Vintage – LBV

               Esta é uma de minhas categorias preferidas de Vinho do Porto. Obvio que prefiro o melhor, e aí o Nivarna é mesmo um bom Vintage de uma safra clássica. O Vintage, todavia, tem três inconvenientes; primeiramente é bem mais caro, especialmente quando ele já está envelhecido e quando, em minha opinião, ele está melhor para ser tomado, segundo em função do tempo que há que esperar para um vinho destes amadurecer e por fim, abriu tem que tomar todinho, na hora. Com isto, o Vintage se torna um vinho de celebração para tomar com os amigos e família naquela data super especial. O LBV, por outro lado, se assemelha muito aos vintages, apesar de não possuir a mesma complexidade de aromas e sabores, porém está pronto quando sai para o mercado, ganhando com uns 4 a 6 anos de garrafa, depois de aberto agüenta bem, se usado o vacuvin, pelo menos uns 10 a 15 dias e é muito mais barato.

             No Brasil estão disponíveis quatro rótulos com preços incríveis que, certamente valem a pena. Existem outros, também de grande qualidade, mas os preços já ficam acima de R$90 e 100,00.

  • Vista Allegre LBV 2000, se encontra na Casa Santa Luzia por R$57,00 e é muito bom. Tenho-o tomado com uma certa constância, e, por experiência própria, agüenta três semanas depois de aberto com muita galhardia. Uma grande pedida, num vinho bem equilibrado, suave, de uma safra muito boa e pronto a beber.
  • Quinta das Tecedeiras LBV 2001, da Expand, está em falta e, parece, está por chegar. Encontei algumas garrafas na loja do Shopping Iguatemi. Estava muito curioso para conhecer este vinho e não me arrependi da compra. Um pouco mais encorpado e com uma certa rusticidade, mas muito saboroso na boca. O preço também é especial, R$59,00.
  • Graham´s LBV 2001 provei agora no Encontro da Mistral. Está maravilhoso e o pessoal da Graham’s me confirmou que este vinho é responsável por 30% do faturamento da empresa, salvo erro porque minhas anotações sumiram, o que é uma responsabilidade imensa para um produto. Salvo erro, porque não me lembro se o porcentual era das vendas, do faturamento ou do resultado. De qualquer forma, com esta participação, a empresa tem que cuidar muito para que o produto permaneça sempre num alto nível de qualidade o que só nos favorece. Encantei-me com o produto que é macio, aveludado, ótima paleta aromática e muito saboroso, e me apaixonei pelo preço, em USD como padrão na Mistral, que pelas taxas de cambio em vigência, nos dá algo como R$62,00. Eu já comprei duas garrafas, é uma incrível relação Qualidade x Preço x Satisfação!
  • Niepoort LBV 2001, também da Mistral, outro produtor de grande prestigio que produz um LBV de grande qualidade. Este servi no casamento de minha filha, ao final da recepção. Sumiu! O preço está aí com o do Graham’s, por volta de R$65,00. Muito boa qualidade, um pouco mais encorpado e denso, mas muito saboroso.

               Para quem quer dar um salto de qualidade, saindo dos Ruby básicos, estas são grandes opções por preços bem camaradas. Garanto que quem entrar nessa, não sai mais, os LBVs são deliciosos. Para quem gosta de variar e estudar estilos, eis aqui uma sugestão; compre um de cada e faça as comparações escolhendo o seu preferido. Depois nos conte como foi e qual o escolhido.

Salute e kanimambo.