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Itália – Regiões, Cepas e Vinhos – Parte I

Há muitos anos atrás, quando ainda tomava vinhos da garrafa azul e alguns vinhos nacionais de qualidade duvidosa, mas que cabiam no meu bolso, fui introduzido ao mundo dos vinhos finos de qualidade por um tio de minha esposa. De origem italiana e abastado, me lembro que em seu belo apartamento nos jardins abriu uma garrafa de um suculento e delicioso vinho Italiano. Era um Barbera d’Alba da Fontanafreda absolutamente macio e cativante. Quis repetir a experiência com o mesmo vinho, com outra sabedoria e litragem na bagagem, mas ainda não me foi possível, porém o momento ficou registrado. Depois, voltei à mediocridade que meu bolso permitia há época. Na ânsia de repetir a dose e com total ignorância, tentei alguns vinhos italianos baratos tipo Valpolicella e Chianti, tendo me dado mal. De lá para cá muita coisa mudou e muita água rolou, porém até pouco tempo atrás a visão que tinha dos vinhos Italianos seguia sendo de que, ou os vinhos eram bons e custavam os olhos da cara, ou eram baratos e muito ruins, muito rústicos, grosseiros e desiquilibrados.

O que descobri, é que não estava sózinho nessa minha percepção, muita gente compartilhava dessa mesma visão que, conclui não ser totalmente verdadeira. Apesar da má fama em função da importação desacerbada e sem critérios de vinhos de mesa sem qualidade, existem sim, como em todas as regiões produtoras, algumas ótimas opções de bons vinhos a preços bons que necessitam ser divulgados, coisa que tentarei fazer ao longo do mês nos diversos posts publicados. Certo, grandes vinhos têm sim grandes preços, mas conhecendo melhor as regiões, suas principais cepas, sua regulamentação e uma série de vinhos, podemos melhor entender essa relação e mudar, pelo menos parcialmente, essa percepção.

 

A Itália é um emaranhado de 20 regióes produtoras com cerca de 37 sub-regiões produzindo vinho com mais, ou menos qualidade, com diversos estilos usando uma boa parte de seu rico acerco de cerca de 2000 cepas autóctones. Destas, cerca de 350 possuem autorização dos órgãos regulamentadores para a produção de vinhos finos, mas cerca de 500 outras são usadas em vinhos mais caseiros. São um total de cerca de 900 mil vinhedos registrados, produzindo cerca de 18 a 20% da produção mundial, em algo próximo a 715 mil hectares. Da produção total de cerca de 41 milhões de hectolitros (cerca de 5 bilhões e meio de garrafas) em 2007, redução de cerca de 13% com relação a 2006 de acordo com dados do Istat – instituto oficial de dados estatísticos,  46% é de vinhos brancos e o saldo de tintos e rosados. Deste volume, cerca de 37% é exportado, fazendo da Itália o maior exportador mundial, sendo os Estados Unidos e Alemanha seus maiores mercados.

Enotria, ou “Terra do Vinho” nome dado pelos Gregos da antiguidade a terras italianas quando aportaram na região hoje conhecida como Calábria, foi uma premonição do que a Itália significaria para nossa vinosfera. Foi por volta do século IV a.c., que o vinho foi inicialmente introduzido nas regiões da Sicília, Puglia e Toscana, mas foram os romanos, todavia, que o disseminaram pela Europa. Mil anos de rivalidade feroz entre as cidades-estados com uma enorme profusão de bandeiras até 1861, quando da unificação da Itália, gerou a forma da viticultura atual com toda a sua enorme diversidade. Cada uma dessas bandeiras protegia sua cultura, tradição e produção locais, gerando uma grandiosa diversidade de cepas e estilos com pouquíssim intercambio entre regiões. A região de Chianti, por exemplo, está virtualmente intacta desde o século XIV. Após a segunda guerra mundial, começa uma pressão e demanda por vinhos de maior qualidade forçando a industria vinícola italiana a investir fortemente numa mudança de rumos que culminou na 1ª regulamentação em 1963 e no surgimento dos famosos Supertoscanos.

 O que faz a legislação que regulamenta a produção dos vinhos? Bem, o objetivo principal é tentar equacionar a situação existente e desenvolver uma série de regras visando uma uniformidade de parâmetros na produção. Desta forma regulamenta; áreas de produção, cepas permitidas, rendimento por hectare, grau mínimo de álcool, tempo de envelhecimento, práticas nos vinhedos, etc. Vejamos a história da regulamentação Italiana:

  • Em 1963, a primeira regulamentação cria a classificação Vini di Tavola e a DOC (Denominazione di Origine Controllata).
  • Em 1980 se criam as regiões DOCG (Denominazione di Origine Controllata i Garatizata)
  • Em 1992 se cria as IGT  (Indicazione Geográfica Tipica)

Teríamos então, a seguinte classificação; na base da piramide os Vinis di Tavola, depois os IGT, mais alto um pouco os DOC e no topo os DOCG. Vejamos as classificações com porcentuais de participação aproximados (mais ou menos 5%) em 2007:

  • Vini di Tavola, os vinhos mais simples elaborados sobre regras e controles menos rígidos. Quase uma liberdade total com cada um fazendo o que bem entende. Na sua grande maioria são vinhos de baixa qualidade, insípidos, rústicos, muito daquilo que denigre a imagem do vinho italiano no exterior. Existem, todavia, grandes vinhos classificados como Vini di Tavola elaborados por produtores muito conceituados. Nestes casos se enquadram os vinhos elaborados em regiões DOC ou DOCG porém fora das normas estipuladas. O fantástico Tignanello de Antinori, é um claro exemplo disto.
  • IGT – Criado, como a VdP Francesa, para dar mais liberdade de ação e experimentação aos vinicultores. Muito desta criação se deve á pressão criada pelos supertoscanos, dos quais falaremos em post separado. São mais de 200 nos dias de hoje com uma regulamentação quanto às cepas a serem usadas, mas no resto é bastante livre e liberal para poder atender á experimentação e criação inovadora dos bons produtores em cada região. Vinhos que anteriormente cairiam na denominação de Vini di Tavola, agora podem encontrar abrigo nesta classificação.
  • DOC – Regras mais restritas, maior exigência de controles, regiões pré definidas, limitação de cepas e rendimento por hectare. A maioria dos bons vinhos italianos levam o selo DOC, porém não é uma garantia de qualidade e, sim, indicação como na maior parte dos países. São mais de 300 as zonas, normalmente comunas, com classificação DOC.
  • DOCG – Não só as regras são ainda mais rígidas com especial ênfase na redução de rendimento por hectare, mas os vinhos também passam por uma câmara de avaliação especial, que garante a qualidade antes do engarrafamento. A ascenção de uma zona a DOCG é bastante difícil, havendo somente umas 24 a 29 (cada fonte dá um numero e não consegui dados oficiais, ainda) com esta classificação. Nestes casos, é comum o nome da comuna e do vinhedo no rótulo.

Mapa gentilmente cedido pelo site Academia do Vinho, com link aqui do lado. Na semana que vêm veremos as principais regiões com suas cepas e suas principais zonas DOC e DOCG. Salute e Kanimambo

Vinhos Italianos que Tomei e Recomendo – II

Andei me esbaldando com muito bons vinhos na faixa de preços de de R$50 a 80,00, de tudo o que é região na Itália. Tomei diversos vinhos de qualidade, que incito você a provar e desvendar os mistérios do vinho deste imenso caleidoscópio de sabores. Deixar de lado eventuais preconceitos, muito gerados por boas razões, e dar uma chance a estes belos vinhos cheios de caráter e personalidade própria, saindo da mesmice com que, por muitas vezes, convivemos nesta vinosfera. Busque rótulos novos, cepas diferentes, experimente, inove, sinta algo novo. Nesta lista alguns vinhos muito interessantes e, a todos colocaria na minha adega amanhã, sem pestanejar. Pela primeira vez, não tenho preferidos, talvez uns dois ou três em função do preço, porém todos são muito saborosos e, alguns, surpreendentes. Desta forma. Considere todos com asterisco de preferidos. Um terço deles são da Toscana, porém há vinhos da Puglia, da Sicília, do Piemonte, de Abruzzo, de Friulli, de Veneto e do Alto Adige. Falemos dos Vinhos

 

           Comecemos pelos brancos, em que tenho uma preferência muito especial pelos vinhos elaborados com a Pinot Grigio dentro os quais se destaca o Santa Margherita (Bruck) é um clássico mundial que agrada sempre. Branco seco, corpo médio, límpido, franco, ótima acidez, de aromas intensos lembrando frutas citricas, é um vinho difícil de não se deixar encantar e o mais austero Riff 06 (Mistral) de aromas que lembram maçã verde, alguma mineralidade e bom frescor demonstrando bomequilibrio. Um vinho branco diferenciado e muito interessante, é o Tiziano DOC 05 (Marimpex) elaborado com , majoritariamente, a uva autóctone Incrocio Manzoni mais; Pinot Bianco, Chardonnay e Riesling, resultando num vinho muito sedutor, de aromas intensos e inebriantes com nuances florais. Na boca é fresco, rico, cheio com uma boa cremosidade e uma certa complexidade e um retrogosto em que a baunilha, resultado de 9 meses de barrica, aprece de forma sutil. Um vinho branco muito agradável e diferente para os padrões a que estamos acostumados.

Dos tintos, um vinho que me surpreendeu muitíssimo e me encantou por sua complexidade, o estupendo Crearo Cabernet Sauvignon DOC 05, de Friulli (Wine Company) é aromaticamente cativante, boa estrutura, delicado e harmônico com um delicioso final de boca de taninos aveludados e ótima persistência, um achado, um belo vinho por ótimo preço. Também achados em função da relação Qualidade x Preço x Satisfação; o Tosca Chianti Colli Senese DOCG 04 (Zahil) de muito boa intensidade aromática com frutos silvestres, cheio, redondo, fácil de agradar, sem arestas com um saboroso e longo final de boca, absolutamente pronto para beber; um 50/50 Sangiovese e Cabernet Sauvignon, é o Erta & China 05 (Decanter) que é denso, escuro, bom nariz, encorpado, boa textura e ótima acidez. Precisa de um tempo na taça, ou um pouco de decantação, para abrir totalmente, tendo escoltado maravilhosamente bem uma costelinha de porco na brasa e o Rosso Salento Sandi Médici 05 (Vinea Store) da Puglia elaborado com 100% da uva Neroamaro. Na cor é quase um clarete, translúcido e brilhante, mas não por isso com menos aromas, sedutores e de boa intensidade. Na boca é sutil, leve, descompromissado, um vinho festivo com 12.5º de teor alcoólico que tem como principal virtude o de encantar facilmente. Redondo, equilibrado, média persistência, um vinho de sabores diferentes que me surpreendeu em vários sentidos, todos muito positivos, e me agradou muito.

Da região de Abruzzo, com vinhos tradicionalmente mais rústicos e não muito confiáveis, (como nos chiantis, fazem muita coisa barata de qualidade duvidosa) provei três ótimos exemplares; o encantador e muito saboroso Nicodemi Montepulciano d’Abruzzo DOC 05 (Decanter) para o qual o final da garrafa chega cedo demais e nos deixa com aquele gostinho de quero mais na boca; o Montepulciano de Abruzzo dal Tracetto 04 (Expand) um dos primeiros bons vinhos desta denominação, que tomei há algum tempo e me deixou boas recordações de um frutado bem fresco com algumas especiarias, taninos redondos e sedosos, com um final de boca muito gostoso e o, Casale Vechio Montepulciano d’Abruzzo DOC 06 (World Wine) macio, frutado, boa estrutura, rico, perfeitamente balanceado um belo vinho. Da Sicília tomei dois encantadores vinhos nesta faixa de preços e uma surpresa bem interessante; O Chiaramonte 05 (Wine Premium), estupendo vinho elaborado com 100% de Nero d’Avola, com um nariz incrível de grande intensidade, confirmado na boca onde demonstra uma certa complexidade. Elegante, sedutor, macio, de taninos doces, final de boca delicioso e de boa persistência, ainda demonstrando algum potencial de evolução por pelo menos mais uns dois a três anos; o Firriato Etna Rosso 05 (também Wine Premium) um inusitado corte de cerca de 85% de Nerello Mascalese com Nerello Capuccio, um vinho complexo e de muita qualidade que me impressionou muitíssimo, mostrando um bom potencial de guarda. Já pronto a beber, sendo que uma decantação de pelo menos uns 40 minutos lhe fará muito bem. De ótima concentração, intenso, muito fresco apresentando uma certa mineralidade que cativa o palato. Na taça vai abrindo com vagar mostrando todas as suas virtudes, tendo harmonizado muito bem com uns medalhões de filé e ravióli de queijo brie, um vinho de primeira grandeza que mostra um longo final pleno de sabor e o surpreendente Poggio Bidini IGT 05 (Vinea Store) um 100% Syrah diferenciado que traz muita fruta madura compotada, redondo, taninos aveludados, fácil de tomar com um final de boca em que aparecem os toques de especiarias que fazem a fama desta dos vinhos desta cepa.

Do Piemonte, na inexistência de Barbaresco e Barolos nestas faixas de preços, gosto muito dos barbera. Nesta prova, tive a possibilidade de tomar e apreciar dois vinhos muito saborosos e encantadores, por preços perfeitamente aceitáveis e “cabíveis” na maior parte dos bolsos. Um deles, o já bem conhecido Le Orme DOC Barbera d’Asti Superiore 05 (Zahil) um verdadeiro porto seguro. Possui uma boa paleta olfativa, na boca é macio, taninos maduros, boa acidez e muito bem equilibrado, um vinho de médio corpo, fácil de agradar e harmonizar, muito saboroso crescendo muito quando levemente refrescado a cerca de 16º. O outro é o Valfieri Barbera d’Asti DOC 04 (Vinea), muito aromático com leves nuances florais, cheio e rico na boca, corpo médio, bem equilibrado apresentando um frescor cativante, taninos finos e sedosos e um muito saboroso final de boca. Daqueles que deixa saudade e nos deixa com água na boca. Queria ter degustado uns Dolcetto d’Alba (que de doce não tem nada, dolcetto é o nome da cepa) e alguns Barbera d’Alba (vinho que me abriu as portas aos vinhos de qualidade há quase 15 anos), porém não consegui. Ainda sigo buscando e assim que conseguir alguns exemplares, compartilharei a experiência com os amigos.

Da Toscana, alguns vinhos muito bons, a começar pelo Tosca já mencionado acima. Um outro Chianti muito interessante, mas de outra sub-região é o Chianti Ruffina Basciano 05 (Decanter) de boa fruta vermelha com algo de ervas, porte médio para encorpado, boa tipicidade, denso, ainda fechado e firme pedindo um tempo de decantação para poder usufruir de todas as suas virtudes; da Rocca delle Macie, o Família Zingarelli Chianti Clássico 05 (Wine Premium) elaborado com 90% de Sangiovese e partes iguais de Merlot e Canaiolo, é um vinho sedutor, muito redondo, macio, pronto para beber com taninos finos e sedosos, saborosas nuances de frutas negras compõem uma paleta olfativa muito agradável e de boa intensidade. Equilibrado, cheio, média persistência e saboroso final de boca. Um outro rótulo muito bom que me agradou sobremaneira foi o Valdipiata Rosso di Montepulciano 04 (Zahil) que não tem nada a ver com a uva montepulciano e sim com a região de mesmo nome, duas coisas diferentes. Este vinho é elaborado com cerca de 80% de Prugnolo Gentile (sangiovese), 15% de Canaiolo e Mammolo que resulta num vinho frutado, macio, redondo, rico e especialmente saboroso com taninos finos e bastante frescor em uma perfeita harmonia que agrada fácil e nos deixa um gostinho de quero mais na boca. Para finalizar os vinhos da Toscana, fiquei feliz ao ver que a os vinhos da Marchesi de Frescobaldi mudaram de importadora e este vinho que me agrada muito agora está num patamar de preços mais realista, pois só o comprava em “promoções”. Remole IGT 06 (Grand Cru Granja Viana) é um corte de Cabernet Sauvignon e Sangiovese extremamente agradável, sempre muito harmônico, na boca é cheio, redondo, com um final de boca em que aparece algo de especiarias. O nariz é de boa intensidade, bem frutado e com algo de ervas aromáticas. Um vinho que me agrada muito.

Finalizando esta lista de vinhos provados e aprovados, dois vinhos do Veneto, especificamente dois Valpolicellas. Bonacosta Valpolicella DOC Clássico 06 (Mistral), elaborado com o tradicional corte de Corvina, Rondinella e Molinara, de corpo médio, vibrante com ótima acidez, suculento, taninos macios e aveludados que acompanharam muito bem uma berinjela recheada e o delicioso Valpolicella Clássico Ripasso Costamaran 04 (Decanter) um vinho que me encantou por sua complexidade e sabores diferentes, talvez em função do processo Ripasso, sobre o qual falarei mais adiante em outros posts sobre os vinhos e regiões da Itália. Boa intensidade de fruta madura, quase seca, de boa concentração, com algumas nuances de algo que me pareceu chocolate amargo. Na boca é algo terroso, boa estrutura, com boa acidez e um rasgo de mineralidade num saboroso final de boca de boa persistência e taninos aveludados. Lamentavelmente somente o degustei no Decanter Wine Show, mas certamente uma garrafa já está na minha programação de compra para melhor usufruir todos os seus sabores.

São cerca de vinte vinhos degustados, uns de forma mais completa, outros somente provados, mas que compõem um grupo de rótulos de muito boa qualidade que recomendo. Duvido que você prove uns três ou quatro deles e não se encante com a variedade de estilos dos vinhos Italianos. Na semana que vem os vinhos top, de R$80 a 120 assim como alguns néctares acima desses patamares.

Salute e kanimambo.

 

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

Vinhos Italianos de Reflexão

           São vinhos que realmente beiram a perfeição. Que me enchem a boca de prazer e a alma de alegria. São vinhos que, muitos meses depois, permanecem vivos em minha memória em uma incrível e interminável persistência gustativa. Dos Italianos provados até agora, alguns ruins, outros medianos, mas muitos de ótima qualidade, tenho que reconhecer que existem dois que são verdadeiros vinhos de exceção, que extrapolam no quesito prazer! Como são vinhos caros, verdadeiros ícones, não são vinhos que compre com facilidade, então a grande maioria advém de degustações e, neste caso, ambos os vinhos são da Expand que me convidou a conhecer estes dois super toscanos.

  • Um ícone produzido com 80% Sangiovese, 15% Cabernet Sauvignon e 5% Cabernet Franc. O primeiro Sangiovese amadurecido em barricas de carvalho Francês e o primeiro a usar assemblage com uvas não tradicionais mantendo, desde 1982, esta composição de cepas, não necessariamente porcentuais. Tignanello I.G.T. Toscana 2004, um graaaande vinho!Nariz intenso de grande complexidade onde aparecem frutas do bosque, alguma ameixa madura e algo de tostado. Na boca é de grande estrutura, complexo, taninos ainda firmes e aveludados, encorpado, mas nada pesado, potente e de grande concentração buscando mais sutileza com foco em sabor e elegância. Um vinho difícil de descrever, mas inegavelmente um baita vinhaço! Vinho de longa guarda, já está bom agora, mas daqui a cinco ou seis anos, deverá estar um espetáculo. Para quem pode ($), um senhor vinho por R$480,00 para fazer bonito na adega e, preferencialmente, na taça! Não é à toa que foi eleito melhor vinho Italiano em 2007 tendo figurado no Top 100 da Wine Spectator em que foi contemplado com 95 pontos que ao meu paladar, merece mais.
  • Sassicaia Bolgheri 2004. Aqui é sacanagem, falar o quê deste respeitadíssimo vinho elaborado com Cabernet Sauvignon e um leve “tempero” de cabernet Franc. Mais ainda, o que é que posso falar, que outros já não falaram antes e melhor? Só dizer que, se tivesse menos vergonha, teria ajoelhado e reverenciado o néctar, agradecendo aos Deuses por sua existência, mas tinha muita gente por perto e achei que não seria muito bem entendido. rsrsrs Gente,é um excepcional vinho, que desperta fortes emoções! Tem aromas ricos, intensos e complexos, para não dizer, totalmente inebriantes. Na boca é extremamente macio e sedoso com taninos doces, de grande elegância e muito, mas muito saboroso. Para tomar com calma, sem pressa, sorvendo todas as nuances deste elixir dos Deuses. Ai, que saudades! Eis um belo presente se alguém estiver a fim de me dar algo! Absolutamente maravilhoso, um dos melhores vinhos que já tomei na vida. Verdadeiramente apaixonante e, dizem, ainda vai melhorar muito! Será possível?!! Preço R$680,00.

São vinhos difíceis de explicar e muito menos falar qualquer coisa nova que os famosos críticos mundiais já não tenham descrito. O que posso, sim, é atestar a profunda satisfação de tomar estes verdadeiros néctares e elixires dos deuses e comentar das fortes emoções despertadas. Depois de tomarmos vinhos com esta qualidade e capacidade de mexer com nossos sentidos, é que compreendemos a verdadeira essência do mundo do vinho, a de despertar em nós momentos de puro êxtase!

Salute e kanimambo.

Barolo II

Dando seqüência ao post de ontem sobre Barolos, a Expand convidou-me para uma degustação de quatro vinhos de diferentes vinhedos e terroirs, do produtor Batasiolo. Esta casa produz algo em torno de 4 milhões de garrafas de vinho anuais, das quais cerca de 300.000 são de Barolo. Em cerca de 50 hectares plantados com nebbiolo para a produção de barolo, a Batasiolo produz vinhos somente com uvas próprias o que lhe dá um maior controle sobre todas as etapas de elaboração do vinho, em especial das vinhas onde o vinho é efetivamente construído. São quatro vinhedos denominados crus, cada qual com seu terroir muito próprio gerando vinhos da mesma “linhagem” porém com características diferentes entre si, mesmo que muito próximos um dos outros. São quatro esses crus, que compõem a “Beni di Batasiolo”, ou os Bens da Batasiolo, numa tradução bem ao pé da letra; o Bofani junto aos municípios de Monforte d’Alba e Barolo, o Boscareto em Serralunga d’Alba, Cerequio em La Morra e o Corda della Briccolina, também no município de Serralunga d’Alba. Quatro vinhos provados com diferenças entre eles, que tentarei compartilhar com os amigos;

Barolo Cerequio 2001, o mais pronto e um dos que mais me agradou, talvez em função disso mesmo. Não é por estar pronto a tomar que não deve ainda evoluir por mais uns cinco ou seis anos, certamente o fará, mas já está delicioso com taninos aveludados e com muita elegância. De boa estrutura,  aromas de boa intensidade, vivos em que aparecem fruta do bosque com nuances de menta e algum floral. Na boca está muito saboroso, rico, franco e equilibrado com boa acidez que lhe dá um frescor muito agradável, e um delicioso final de boca de boa persistência. De todos, foi o que me pareceu mais frutado, porém sem os exageros novo mundistas, tendo realmente me encantado. Um barolo, talvez mais leve e mais moderno, muito saboroso e agradável de tomar

Barolo Bofani 2001, um pouco mais fechado e contido do que o Cerequio, mas o segundo mais pronto a tomar. Os taninos estão um pouco mais marcantes pedindo um decanter por cerca de uma hora quando devem se acomodar. Senti nos aromas algo diferente, talvez um pouco balsâmico, algo herbáceo. Na boca mostrou menos complexidade de sabores, mas tem uma entrada de boca muito agradável e equilibrada, apesar de não apresentar o mesmo frescor do Cerequio. Taninos finos e refinados, boa estrutura, bastante longo, um senhor vinho que precisa de um pouco mais de tempo

Barolo Boscareto 2001, de todos o mais fechado com taninos ainda muito firmes e adstringentes. No nariz apresenta uma fruta em passa que se comprova na boca de forma viril mostrando bastante potência, boa acidez, algo de especiarias e longa capacidade de guarda. Se existe um infantícidio no mundo dos vinhos, cometemos um com este. Sem duvida alguma um vinho para se tomar daqui a mais uma meia dúzia de anos quando se poderá usufruir de toda a sua exuberância. É comprar e guardar.

Barolo Corda Della Briccolina 2003, para o meu gosto, o meu vinho da degustação. Certamente está novo, mas já é adorável e sedutor com um nariz muito agradável de frutas dos bosque madura. Este é o único que passa por barricas de carvalho francês de 225 litros para estagiar o vinho antes do engarrafamento. Todos os outros passam pelos tradicionais tonéis de carvalho esloveno de 5 a 6000 litros como nas fotos. Está ainda um pouco duro, mas ao deixá-lo no decanter por cerca de 45 minutos (levei um resto para casa) abriu maravilhosamente. O que mais me surpreendeu nele foi uma certa mineralidade que, em conjunto com a ótima acidez e harmonia, lhe dá um enorme frescor. Na boca é encantador, fino, elegante com taninos doces e aveludados, muito harmônico com sabores meio tostados, algo de especiarias bem sutis e uma tremenda persistência com um agradável retrogosto que faz lembrar café. Um vinho sedutor e muito saboroso que já se aprecia muito bem hoje e certamente evoluirá mais ainda dentro de uns três ou quatro anos. Não me parece que tenha a mesma estrutura e potencial de guarda do Boscareto, mas como quero é tomar o vinho e não guardá-lo, creio que seus cinco ou seis anos de vida estão de bom tamanho! Se qualquer forma, se pudesse compraria duas, uma para tomar por agora e outra em uns dois anos quando, creio, estará à perfeição!

O Cerequio me encantou e o Briccolina me conquistou. Todos ótimos vinhos, mas para o meu paladar, estes são os dois vinhos que eu colocaria na minha adega. Os preços variam muito pouco, entre R$280 a 300,00 então a escolha não passa por aí. Será uma questão de preferência de estilo que, para mim, ficou muito claro. O que também fica claro, é que são vinhos realmente de guarda que não devem ser tomados com menos de uns cinco anos e, por uma questão de preços, são para poucos, assim como os bons Barbarescos também elaborados com 100% de Nebbiolo, só que em outra região do Piemonte e com outras características.

Salute e kanimambo

Barolo I

De uma das principais regiões produtoras Italianas, o Piemonte (norte da Itália), vem este que, junto com o Brunello de Montalcino da Toscana, é um dos grandes ícones de nossa vinosfera. Definido pelos Piemonteses como o rei dos vinhos e vinho dos reis, é elaborado com a uva Nebbiolo cultivada em vinhedos de uma restrita área de colinas que se estende por 11 vilarejos da província de Cuneo, entre elas Barolo, Serralunga d’Alba e La Morra (clique no mapa para ver região). Pelo caráter peculiar de vinho, pela área restrita de vinhas, e diversidade de terroirs, é um vinho caro tendo por característica o fato de serem vinhos concentrados, robustos, austeros que necessitam de tempo de envelhecimento e aeração para serem devidamente apreciados. Pela legislação da DOC (Denominazione di Origine Controllata), o Barolo envelhece por pelo menos três anos, sendo dois em tonéis de madeira, sendo que muitas casas produtoras ainda o deixam por um a dois anos em caves após engarrafamento.

Com abundancia de taninos potentes, típicos da uva nebbiolo, é um vinho com características duras, muita estrutura e de enorme complexidade devendo sempre acompanhar uma refeição com peso idem, em especial pratos de carne. Até pouco tempo atrás, um excelente Barolo necessitava de uns dez anos de guarda e decantação por seis, dez, até 24 horas para que toda a sua exuberância pudesse ser devidamente mostrada e apreciada.  Hoje em dia isto ocorre com cada vez menos assiduidade já que grande parte dos produtores modernizaram sua forma de produzir o vinho com novas técnicas de vinificação, introduzidas na região a partir dos anos 80, gerando vinhos mais amenos e prontos para tomar mais cedo. Hoje em dia a produção se divide entre produtores mas clássicos e tradicionais, e aqueles de estilo mais moderno. Cada um a seu estilo, mas certamente ambos produzindo excelentes vinhos. Em qualquer dos casos, vinhos que requerem paciência com, pelo menos, uns cinco a seis anos de guarda quando começarão a mostrar toda a sua exuberância aromática e complexidade de sabores.

Nestes últimos sessenta dias, tive oportunidade de provar uma meia dúzia de rótulos e iniciar meu aprendizado nos vinhos Piemonteses, em especial o Barolo. Primeiramente dizer que me ficou muito clara as diferenças nos vinhos causado pelos diferentes terroirs, segundo, que me encantei pela complexidade descoberta. Dizem não ser um vinho fácil que requer alguma litragem para ser melhor entendido, mas tenho que reconhecer que não me foi difícil entendê-lo só lamentando não ter podido acompanhar estes vinhos com um prato que lhes fizesse jus. Pelo que li, é parceiro ideal para carne assada, um ensopado, carnes grelhadas e por aí afora. Pessoalmente, penso que talvez um ensopado de carne com batatas, deve ser a perfeição e aí, penso naquele Javali na Pucura com Castanhas que comi no 1715 em Ribeira da Venda em Portugal, e BINGO!!! De qualquer forma, já me encantei assim mesmo com estes vinho tomados solos num estilo mais moderno, mais prontos para beber.

No Decanter Wine Show, tive oportunidade de provar os vinhos de Pio Cesare um dos principais e antigos produtores e negociantes da região do Piemonte. Entre os vinhos provados, o Barolo Ornato 03, criação top do produtor e, efetivamente, um grande vinho. Ainda austero fechado, teria se beneficiado muito de uma decantação de algumas horas, mas já mostrou uma ótima paleta aromática muito frutado com algumas nuances florais que não consegui identificar. Na boca é denso, carnoso, untuoso, taninos ainda firmes porém sem qualquer agressividade, complexo sabor de frutas maduras com algo terrososo e alguma presença de especiarias, terminando em um longo final de boca em que aparecem elegantes toques de baunilha. Uma criança que necessita de mais tempo, devendo crescer muito ainda nos próximos quatro a cinco anos adquirindo maciez e elegância. Na Decanter por R$413,50.

Do mesmo produtor, o Barolo 03, um “básico” da região. De grande intensidade aromática, perfumado, na boca é cheio, encorpado, taninos finos e macios, bem equilibrado, final de boca muito agradável com um retrogosto que me lembrou especiarias. Não tem a mesma complexidade do Ornato e é um vinho um pouco mais pronto a tomar apesar de que se beneficiará muito com mais uns dois anos de garrafa. Na Decanter por R$310,50.

Amanhã veremos a seqüência dos Barolos provados. Como disse no inicio, não são muitos, mas são vinhos que me fizeram mudar alguns conceitos ou, talvez, preconceitos para com os vinhos Italianos em geral. Aliás, estes vinhos não foram os únicos, pois diversos outros rótulos mexeram com minhas emoções. Tudo isto veremos ao longo do mês.

Salute e Kanimambo.

Vinhos Italianos que Tomei e Recomendo I

         Meus amigos e amigas, se eu achava que o mundo vinícola Francês era complicado e caro, acabei de descobrir que pode ficar pior! Itália, mais complexo, mais regiões, mais caros e mais vinhos de baixa qualidade no mercado. Por outro lado, descobri que nem todo o vinho Italiano é rústico, encorpado e, até determinado ponto, agressivo. Muito pelo contrário, os bons vinhos são elegantes e profundamente saborosos. O que vi é que vou ter que trabalhar no intuito de ganhar litragem nas diversas regiões, em especial no Piemonte onde poucos vinhos provei. Por outro lado, descobri a Sicília, Puglia, Úmbria, Marche, etc. Aliás, aproveitei e mudei a imagem do cabeçalho do blog, com esta linda vista de um vinhedo da Toscana. Imagem linda que foi gentilmente cedida pelo pessoal da Wine Prenium.

        Normalmente inicio os meses com posts sobre as regiões produtoras, suas uvas e seus vinhos. Desta vez vou embaralhar um pouco as cartas e vou falando um pouco de tudo de forma intercalada. Começando com esta curta apresentação e o primeiro Tomei e Recomendo. Uma das características que mais me encantaram é a capacidade dos produtores Italianos trabalharem suas uvas autóctones. Acredito que este seja o principal atrativo dos vinhos Italianos, já que estas castas produzem vinhos muito peculiares e cheios de personalidade mostrando o caráter de sua gente e de sua terra. Existem, todavia, bons vinhos sendo elaborados com cepas de origem francesa espalhadas pelo mundo como a Merlot, Chardonnay ou Cabernet Sauvignon que merecem ser conhecidos porque mudam muito em função do terroir em que se encontram. Das autóctones, conheça os vinhos elaborados com; Nero D’Avola, Nebbiolo, Barbera, Dolcetto, Negrara, Corvina, Primitivo, Neroamaro, Sangiovese e muitas outras.

        Uma das principais características dos vinhos italianos é de que são vinhos que se dão muito melhor acompanhados do que solos. Crescem muito quando acompanhados de um bom prato, diferentemente de vinhos de outras regiões produtoras. Apesar do enorme volume de vinho Italiano que é importado, este número é um pouco falso já que um grande porcentual é de Lambruscos e Proseccos, nem sempre de boa qualidade. Nada contra quem gosta desses vinhos, alguns até são bem saborosos para serem tomados bem frescos numa tarde de calor e de forma descompromissada, mas são poucos os de real qualidade com origem garantida, disponíveis no mercado. Ao longo do mês falarei um pouco mais do Lambrusco que, na Itália, se toma mesmo é na versão tinto.

       De qualquer forma, difícil foi encontrar vinhos que tivessem qualidade e eu pudesse recomendar, nas faixas mais baixas de preços, até R$50,00. Especialmente abaixo de R$30,00, a tendência é que sejam, muito rústicos e desequilibrados, havendo muitas outras e melhores opções nos vinhos Argentinos, Chilenos e Nacionais . Já na faixa de R$50 a 80,00, por outro lado, há abundância de bons rótulos a serem apreciados e, acima desses valores, belos néctares, como seria de esperar,  com alguns sendo verdadeiros vinhos de exceção. Existem muitos outros rótulos que poderiam estar aqui listados, mas só falo do que provo, compartilhando o nível de satisfação sentido e as emoções que esses vinhos me despertaram. Conforme for provando novos vinhos, postarei mais matérias no blog. Agora, chega de lero, vamos falar do que interessa, dos vinhos! Desta vez, após cada rótulo recomendado, indicarei a região produtora afora a importadora ou loja em que este esteja disponível. Como de praxe, marcarei com um asterisco aqueles vinhos preferidos dentro de cada faixa de preço.

Ate R$30,00

        Não são muitos os vinhos provados que posso efetivamente recomendar, mas dentro o que pude provar se destacaram estas boas opções; Terre Alegre 06/Veneto (Wine Company) é um Sangiovese ligeiro, barato, para tomar sem compromissos num bate-papo informal ou acompanhando seu hamburger favorito, Zipolino 05 */Toscana (Wine Company) também é elaborado com Sangiovese e mostrou ser um vinho fácil de agradar, bem equilibrado, saboroso tendo acompanhado bem um prato de ravióli recheado com mussarela de búfala e manjericão. Nesta faixa de preços existem muitos rótulos de Montpulciano d’Abruzzo/Toscana que nem sempre são recomendáveis, mas estes dois são duas ótimas e surpreendentes opções pelo preço cobrado; o da NovaCorte 06 (LMC) e o da Bonachi 06*(Mistral) são dois achados muito agradáveis, corretos, saborosos, harmônicos que descem redondos e são ótimas companhias para a pizza de Sábado ou a macarronada da Mamma no Domingo. Verdadeiro achado, mesmo, é o branco elaborado com a uva Verdicchio produzido na região de Marche por Umani Ronchi, o Castelli di Jeisi 07* (Expand) um vinho delicado, fresco, algo cítrico, na boca é cheio, direto, balanceado uma grande pedida para tomar como aperitivo, com frutos do mar grelhados, ou peixes leves, e imperdível pelo preço. Para finalizar esta faixa de preços, um vinho que é sempre um porto seguro, o Rupestro 06/Úmbria (Decanter) um corte de Merlot (80%) e Sangiovese que agrada fácil, honesto, boa acidez e estrutura, taninos firmes, mas amigáveis.

De R$30 a 50,00

       Subimos um degrau nos preços e damos o pulo de qualidade nos vinhos encontrados. Nesta faixa provei alguns brancos muito saborosos; O Nicodemi Trebbiano d’Abruzzo 06*/Toscana (Decanter) que é muito interessante e diferenciado, necessitando de um tempo na taça para se usufruir de todos os seus aromas; a melhor relação preço x qualidade para um Pinot Grigio que é o Casa Defra  Pinot Grigio 06*/Veneto (Wine Company) com uma boa paleta olfativa, muito frescor e bem balanceado; o Alísia 07/Veneto (Zahil) um outro Pinot Grigio bastante sedutor, muito aromático com nuances florais e o Branciforti Bianco 06/Sicilia (Wine Premium) elaborado com a casta autóctone Grecanico, que é muito delicado, perfumado, fresco e acompanhou muito bem uma salada de legumes cozidos. Dos tintos, diversas opções de diversas regiões com alguns ótimos achados para a faixa; Branciforti Rosso 05*(Wine Premium) e Masseria Trajone 06* (Vinci/Portal dos Vinhos) são duas boas opções para conhecer a uva típica da Sicília, a Nero D’Avola, que produz vinhos muito redondos, com aromas de frutas vermelhas, macios e muito saborosos; O Vernaiolo 04*/Toscana (Wine Premium) um Chianti básico muito agradável elaborado com 85% de Sangiovese e Merlot, tem um nariz de boa tipicidade, mas simples sem grande intensidade. Na boca é fácil, de boa acidez e taninos aveludados; o Badiolo Chianti 06*/Toscana (Wine Company) mais um agradável e muito saboroso exemplar desta região, que surpreende por sua boa estrutura e harmonia, um vinho que seduz fácil e acompanhou muito bem uma madalena de carne; um Cabernet Sauvignon diferenciado 1404 Colli Bereci 06/ Veneto (Wine Company), muito fresco, suave com boa fruta vermelha, harmônico e macio que acompanha muito bem pratos de carne grelhados; o Valpolicella Clássico Campo Del Biotto 06*/Veneto (Decanter), de um ótimo produtor, com muita tipicidade, boa paleta aromática, cheio na boca, redondo com taninos finos, ótima acidez e bom equilíbrio; o sempre seguro Serrano Rosso Conero 06*/Marche (Expand) um corte de Montpulciano e Sangiovese de médio corpo e boa estrutura que gosto acompanhando uma lazanha bolonhesa tradicional, um picadinho ou um pernil assado; O Seral Corvina Veronese 04/Veneto (Decanter) é um varietal da uva Corvina, bem diferenciado e saboroso e o Masseria Trajone Primitivo di Manduria 05 /Puglia (Vinci/BR Bebidas) um vinho suculento, textura cheia e harmoniosa, taninos finos, final de boca com leve toque de especiarias. Alguns vinhos bem interessantes e diferenciados para quem gosta de provar coisas novas e se aventurar; um rosé de Sangiovese produzido na Sicília, o Branciforti Rosé é um vinho diferente daqueles rosés básicos lembrando groselha para serem degustados ao lado de uma piscina numa tarde verão. Este é mais gastronômico com aromas puxando para cerejas com leve floral. Na boca é muito saboroso, cheio, fresco e bem balanceado devendo acompanhar muito bem uma paella ou um frutos do mar à Provençal e, para finalizar, o Concerto Reggiano, um divisor de águas quando o assunto é Lambrusco já que é tinto e é um DOC – VFQPRD (Vini Frizzanti di Qualità Prodotti in Regioni Determinate). Não tem qualquer semelhança com aqueles Lambruscos brancos esquálidos que tanto abundam no mercado. Na taça parece um suco de uva com um frisante suave e agradável. Na boca é leve, suave, saboroso e fácil de tomar com seus parcos 11,5ª de teor alcoólico. A ótima acidez, convida a acompanhar uma feijoada e se prestou muito bem a isso numa harmonização feita em casa. Pode não ser um êxtase, mas é uma experiência muito interessante, diferente e agradável.

Salute e kanimambo

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

Viñedo Chadwick

           Só um teaser; descobri o melhor vinho do Chile! Genial e grande privilégio que tive ao participar de uma degustação muito especial ontem. Viñedo Chadwick, um excepcional Cabernet Sauvignon de enorme finesse e elegância que enche a boca de prazer e a alma de alegria, nobreza pura. Preciso de um tempinho para preparar a matéria, pois tem muita informação sobre este e outros néctares provados que são grandes vinhos, em qualquer lugar do mundo, como comprovado em algumas provas cegas realizadas. Aguardem, assim que der preparo o post.

Salute e kanimambo

Ochotierras Chegou!

Ochotierras, nome alusivo às oito colinas e campos da região de Limarí no norte do Chile, onde a vinícola se instalou há cerca de uma década tendo, a primeira colheita sido realizada em 2005. A região de Coquimbo no Vale do Limarí, onde a vinícola está situada, é uma zona semi-árida com um clima privilegiado com ausência de chuvas na época da colheita, temperaturas amenas com média de 28º, alta luminosidade e solos pobres, características perfeitas para obter uvas de qualidade e gerar belos vinhos. A água, um problema, é coletada do degelo da cordilheira Andina. Eles estavam presentes no evento da ProChile, mas não os visitei já que tínhamos agendado uma degustação específica no dia seguinte.

Na verdade, estes eventos de degustação, ou feiras, qualquer que seja o nome que se queira chamá-las, são ótimos para nos dar uma vaga idéia dos vinhos provados e conhecer as linhas completas dos produtores presentes, ou pelo menos aqueles que conseguimos visitar. Não, não estou cuspindo na taça que bebi, os eventos são válidos e os prezo muito, mas é numa degustação específica e harmonizada, que realmente conseguimos conhecer o que o produtor se dispõe a fazer, quais são seus planos e como, realmente são seus vinhos. Felizmente, a BrasArt, jovem importador exclusivo da vinícola, teve a grande idéia de convidar alguns enófilos e jornalistas para um bate-papo e degustação de seus vinhos num lugar que só vem a acrescentar qualidade aos vinhos, na Praça São Lourenço em São Paulo. Local lindíssimo e um oásis/restaurante tranqüilo e simpático em plena paulicéia, cada vez mais, desvairada. O melhor do local, é que no almoço é servido um enorme, diverso e super saboroso buffet o que possibilita que “brinquemos de harmonizar” os vinhos, levando aos píncaros essa experiência.

Mas, voltemos a falar da vinícola que, a principio, nos traz somente varietais de cepas produzidas em seus três vinhedos com 75 hectares, dos quais cerca de 35 plantados. Os varietais básicos que são vinhos mais jovens, de concentração média e fáceis de beber; os reservas que já passam um tempo maior em carvalho, são de maior estrutura, elegância e concentração mostrando toda atipicidade do vale; e finalmente os Gran Reservas, pura expressividade do terroir do Vale do Limarí com pelo menos 12 meses de barricas de carvalho e mais uns seis meses de adega após engarrafamento. Vejamos os vinhos que, a meu ver e para o meu gosto, mais se destacaram;

Dentro os brancos, Sauvignon Blanc e Chardonnay, o que mais me impressionou e me cativou, foi o Chardonnay 07 que passa levemente pela madeira para ressaltar a fruta. É um vinho de cor palha claro, límpido, de boa tipicidade e sutileza aromática. Na boca invoca as frutas cítricas, é fino, mineral, sedutor e, apesar de um teor de álcool alto, está perfeitamente equilibrado com ótima acidez resultando num vinho bastante fresco e fácil de tomar. Um delicioso branco para o da-a-dia extremamente bem posicionado no preço que agrada e satisfaz por meros R$22 a 25,00. Um verdadeiro achado que acompanhou muito bem, uma salada à base de kani. Certamente será presença constante na minha mesa.

Dos tintos, provamos a linha Reserva com três varietais; Cabernet Sauvignon, Syrah e Carmenére e, na linha de Gran Reservas os varietais de Carmenére e Syrah. No buffet, peguei três carnes para harmonizar com os vinhos; um pernil com molho de laranja, um medalhão de filé com molho de gorgonzola e um galeto com ervas.

  • Cabernet Sauvignon Reserva 2006 com 13.5º, está absolutamente redondo e pronto a tomar.No nariz se sente boa fruta madura com nuances florais, enquanto na boca apresenta taninos doces e sedosos, algo achocolatado, absolutamente elegante e fino com um final de boca longo e levemente especiado. É um Cabernet diferenciado, suave no palato e cativante. A principio, escolhi o galeto para harmonizar com este vinho e até que ficou bastante saboroso. Foi com o suave pernil na laranja, todavia, que o vinho, e o prato, demonstraram todo o seu potencial numa combinação divina. Um vinho muito agradável, fácil de harmonizar por um excelente preço de cerca de R$42,00, uma pechincha e mais um que irá freqüentar minha mesa com uma certa assiduidade.
  • Carmenére Reserva 2006 com 13.5º, ao contrário de muitos Carmenéres que tendem para aromas e sabores muito vegetais que, a meu ver, incomodam e demonstram uma certa agressividade, este é absolutamente frutal, amável e saboroso. Um Carmenére de primeira, de grande harmonia e aveludado na boca, para balançar quem não é chegado nos vinhos desta cepa. Acompanhou bem o pernil com molho de laranja. Gostei muito, preço R$ 53,00 somente disponível na BR Bebidas.
  • Syrah Reserva 2007 também com 13.5º,  possui um nariz mais intenso, muita fruta vermelha, algo de especiarias, corpo médio, carnoso, boa concentração, cremoso e muito saboroso. Por ser um pouco mais novo, seus taninos ainda se encontram mais presentes, porém são finos e elegantes sem qualquer agressividade, já está bom, mas promete melhorar com algum tempo mais de garrafa. Harmonizou muito bem com o medalhão de filé mignon. Preço sugerido R$42,00
  • Gran Reserva Carmenére 2005 com 14,8º absolutamente equilibrado. Um belo vinho, num degrau bem acima dos outros. Eu, que não sou fã desta cepa, tenho que reconhecer que este está maravilhoso e, a meu ver, o melhor vinho de todos eles. Os Gran Reservas são da primeira colheita realizada pela vinícola, então a previsão é de que teremos ainda melhores vinhos nos próximos anos. Este, está com uma paleta olfativa cativante de ótima intensidade, na boca é de grande elegância (aliás uma característica de toda a linha), muito harmônico com ótima acidez o que lhe dá uma vivacidade muito interessante, um leve apimentado final de boca com boa persistência. Encantou-me e achei um senhor vinho, talvez o melhor Carmenére que já tomei, tendo harmonizado muito bem tanto com o pernil, quanto com o medalhão de filé. Um vinho sem arestas, de quantidades limitadas, que deixa lembranças muito prazerosas. Preço de R$105,00 e somente disponível na BR Bebidas.
  • Gran Reserva Syrah 2005 é um vinho bem mais concentrado e potente com mais de 15º de teor alcoólico, com taninos finos e aveludados ainda por amaciar. O nariz é de boa intensidade em que aparecem notas de frutas vermelhas e negras.  Na boca está bastante harmônico, necessitando de um tempo em taça para mostrar todas as suas virtudes, final de boca em que aparecem as especiarias típicas da casta. Mais uma comprovação de que o Chile é hoje um grande produtor de bons vinhos elaborados com esta casta, tendo este, harmonizado muito bem com o medalhão de filé. Preço ao consumidor de aproximados R$110,00.

      Fritar dos ovos, ou melhor, final de taças porque não sobrou nada, é de que estamos frente a frente com um produtor novo com um terroir especial que está produzindo ótimos vinhos que chegam por preços muito competitivos em todas as faixas de qualidade. Há que se acompanhar, mas eu fiquei muito satisfeito com o que provei, e recomendo aos amigos comprar e apreciar estes vinhos. A BR Bebidas, nosso parceiro, é um dos locais onde seus vinhos podem ser encontrados já tendo, inclusive, dado destaque a estes rótulos no último Boas Compras de Agosto. Em Sampa podem ser encontrados também nos supermercados Empório São Paulo, no Varanda Frutas e na Galeria dos Pães. Cheque endereços e contatos em nossa seção “Onde Comprar” ou chame o pessoal da BrasArt (11-5575.8725) que certamente lhe indicará um local mais próximo de você. Ah, ia-me esquecendo, indo almoçar na Praça São Lourenço, não deixe de pedir um, ou mais, desses vinhos para acompanhar as delicías gastronômicas do lugar. Estes rótulos, ou parte deles, já constam da carta.

Salute e kanimambo.

Quinta Nova na Vinea

Há algumas semanas, tive a grata oportunidade de conhecer melhor o projeto Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo e seus vinhos. Luisa Amorim, diretora e propietária esteve presente nos jardins encantados da Vinea Store, onde nos deu a conhecer um pouco de sua história e alguns de seus vinhos. É uma propriedade datada do século XVII, de 120 hectares dos quais 85 com vinhedos em que florescem as castas típicas da região como; Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinta Barroca e Tinta Cão.  A família Amorim está á frente deste projeto desde 1999, tendo em 2007 produzido cerca de 140 mil garrafas e prevendo, para este ano, algo ao redor de 180 mil. As castas brancas que compõem seus vinhos, são compradas de produtores vizinhos escolhidos a dedo e sob sua orientação.

 

Para a maioria que lê este blog, o nome Quinta Nova não vos será estranho já que sou fã ardoroso de seus Vinhos do Porto Ruby Reserva e LBV, os quais já comentei aqui anteriormente. Os Vinhos do Porto, no entanto, são somente cerca de 10 a 15% do total da produção que, estrategicamente, está mais voltada para vinhos de mesa finos. Após esta degustação e do bate-papo que a acompanhou, creio, que descobri o segredo desta Quinta para fazer vinhos de grande qualidade.

Em um almoço maravilhosamente preparado pela talentosa chef  Fabiola Gouveia com a assessoria de Lílian Barros, cada vez melhores, degustamos um Grainha DOC Branco 2006, um Quinta Nova Douro DOC 2004 e para finalizar o delicioso Quinta Nova LBV Porto 2003. Isto, sem mencionar o incrívelmente fresco Prosecco Incontri com que a Vinea, tradicionalmente recebe seus convidados. Sem duvida nenhuma, uma experiência extremamente prazerosa para o olfato e palato. Sei que querem mesmo é saber dos vinhos então, vamos lá, vamos aos finalmente.

  • Grainha DOC Branco 2006, um surpreendente vinho, de grande categoria e finesse, elaborado com um corte das uvas autóctones Gouveio (25%), Viosinho (25%) e Rabigato (50%) com um teor alcoólico de 13.5%, passando 8 meses em barricas de carvalho francês. De um amarelo brilhante e dourado, possui um nariz de boa intensidade e frescor com finos aromas de frutos tropicais e leve floral. Na boca não é ligeiro apresentando um corpo médio, muito balanceado, de boa acidez e uma certa mineralidade que lhe dão um ótimo frescor, muito agradável final de boca com boa persistência confirmando a fruta e alguma complexidade de sabores. Um vinho feito para acompanhar comida, o que provou dignamente ao acompanhar um delicioso camarão crocante com folhas verdes regadas com vinagrete cítrico. A Fabiola se excedeu desta vez e esta harmonização ficou perfeita. Ando com os brancos na cabeça, mas esta delicadeza de sabores é realmente encantadora. Os amigos presentes sugeriram que o vinho deve escoltar um cassoulet com galhardia, até concordo, mas esse camarão ……enfim, vinho para tomar por mais uns dois anos tranqüilamente e o preço de R$107,00 faz juz ao vinho que é.
  • Quinta Nova Douro DOC Tinto 2004, um vinho totalmente produzido em inox sem nenhuma passagem por madeira, coisa rara hoje em dia, especialmente em vinhos desta categoria. A madeira tanto pode melhorar, como esconder eventuais falhas de vinificação maquiando o vinho e, este,não precisa de nada disso. Um corte de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Amarela, sendo que na safra de 2006, esta última cepa foi deixada de lado. Bonita cor ruby viva e brilhante com uma fruta madura muito direta e franca, porém sem exageros novo mundistas, denotando desde o nariz, uma grande elegância. Na boca mostra ser muito harmônico, com taninos finos e sedosos, boa acidez e um saborosíssimo final de boca de boa persistência. Foi muito bem acompanhado por um sirloin steak com purê de abóbora e cebolas carameladas. É um tinto que certamente, também fará muito boa companhia a um bacalhau ao forno, regado com boa dose de bom azeite virgem português e umas batatas ao murro (quem ainda não comeu não sabe o que está perdendo!). O preço de R$75,00 está condizente com a qualidade apresentada, um belo vinho que agradou sobremaneira.
  • Quinta Nova LBV Porto 2003, um néctar, já conhecido, que acompanhou um delicioso mousse de chocolate com purê de castanhas portuguesas. Talvez o Vinho do Porto mais próximo de um Vintage, que eu já tenha tomado. Perfeitamente equilibrado, denso, rico, cremoso, amplo, absolutamente redondo com taninos macios e aveludados, bom frescor e muito, mas muito saboroso. Na cor e no nariz mostra boa intensidade com forte presença de fruta vermelha madura e nuances de chocolate muito bem harmonizado. Um LBV de primeiríssima, cativante e encantador! O preço é de R$122,00 e vale cada gota do doce néctar.

         Estes foram os que provamos, mas a linha de produtos é bem mais extensa. O topo de gama é o premiadíssimo Quinta Nova Grande Reserva 2005 (já na minha Wish List), sobre o qual a critica especializada vem tecendo elogios mil. Elaborado com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca é, reconhecidamente, um dos melhores vinhos de Portugal na atualidade. Na gama de entrada, a linha de rótulos 3 Pomares, do qual peguei uma garrafa após o almoço para apreciá-la condignamente com calma e tranqüilidade, também dizem ser muito bom e, assim que o tomar, compartilharei com os amigos a experiência. O delicioso Porto Ruby Reserva é outro rótulo imperdível enfim, conheça toda a excelente linha da Quinta Nova entrando no site da Vinea, www.vineastore.com.br e salute!

         Ah, o segredo da Quinta da Nova? Bem, há o de sempre; trabalho duro, carinho, cuidados nos vinhedos, tecnologia, conhecimento, dedicação e terroir, mas estes não são mais segredos. O segredo é que aqui, tem tudo isso com algo especial que é a conjugação perfeita da Touriga Nacional com este terroir, daí os preciosos néctares que têm nesta casta sua principal fonte de sabores e aromas. Tanto é, furo de reportagem (eheheh), que não tardará muito e teremos o prazer de degustar um varietal de Touriga Nacional elaborado por esta Quinta. Este eu não perderei, pois sou louco por um Touriga Nacional em extreme! Para quem quiser conhecer mais sobre a vinícola, pesquei esta matéria sobre a Quinta Nova no You Tube. Mais uma boa reportagem da “Hora de Baco” da Rádio e Televisão de Portugal com lindas imagens da região. A vista do terraço da casa sede, é um bálsamos para os olhos e para a alma. Imagine-se sentado alí com um belo vinho na taça num final de tarde de primavera, ai meu bom Jesus! Essa visita também vai para meu Wish List.

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Salute e kanimambo.

Noticias do Front Chileno

A ProChile é uma entidade do governo Chileno que promove os negócios do país pelo mundo fora. Nesta semana promoveram um evento com vinhos Chilenos em que estiveram presentes diversos produtores, uns com importadores, outros procurando importadores e outros, ainda, debutando no mercado Brasileiro. Falarei um pouquinho sobre o que provei, lamentavelmente sempre menos do que gostaria em função do tempo versus diversidade e quantidade de expositores, começando por aqueles de grande persistência que mais me marcaram, estejam eles já presentes no mercado ou não. Aliás tenho uma tese sobre os vinhos longos, de ótima persistência. Os verdadeiros vinhos de longa persistência, são aqueles que persistem na memória no dia seguinte ou, eventualmente quando excepcionais, por tempo indefinido. Para minha alegria, provei alguns nesta última Terça-feira que me deixaram com água na boca na Quarta, Quinta, …., afora uma série de outros que, mesmo não deixando essa marca de forma tão intensa, são merecedores de destaque e me cativaram os sentidos de uma forma ou de outra. Uma pena a qualidade das taças que não fizeram jus ao evento e aos vinhos provados, unico senão do evento.

 

Primeiramente aqueles de looonga persistência.

Ona Branco 07, uma linha Premium da Anakena que recém trocou de importador e começa a trabalhar o mercado novamente. Estes vinhos são cortes muito interessantes e este branco é campeão. Corte de Viognier (35%)/Riesling(35%) e Chardonnay, possui um nariz exótico e complexo que, de forma coerente se sente na boca. È fresco, balanceado, harmônico, enche a boca de prazer e deixa na boca aquele gostinho de quero mais, Uma beleza, uma fonte de prazer que está por cerca de R$79,00. Sua versão tinta Ona Pinot, é um corte muito agradável, único e diferente, de Pinot, Merlot, Viognier e Syrah. Vinho muito elegante, macio de taninos finos, outro marcante e sedutor campeão na mesma faixa de preços. (Mercovino – 16.3625-4715)

Perez Cruz Quelen 05 um vinho conceito, somente 500 caixas produzidas, com um corte único e criativo. O conceito era pegar as três uvas coadjuvantes nos vinhos de Bordeaux e torná-las protagonistas deste vinho. Grande sacada, e o corte de cerca de 42% de Petit Verdot, 25% de Malbec e 33% Carmenére é divino! Original, complexo, boa intensidade aromática, algo herbáceo, boa concentração e ótima estrutura, harmônico, entra potente e com grande impacto,  amaciando na boca com um delicioso e muito longo final de boca. Um vinho de boutique, raro, um grande prazer e privilégio ter podido degustar um vinho desta categoria. Na Wine Company por R$240 e alguma coisa, não me lembro ao certo e não consta do catálogo. Um vinhaço e uma satisfação enorme! Para quem tiver caixa, imperdível, compre e guarde, só vai melhorar!

Duette Gran Reserva, creio que 06, um verdadeiro achado e um dos melhores custo x beneficio que provei no evento. O produtor é a vinícola Indomita, que produz um Pinot Noir básico muito agradável (já o comentei aqui no blog) e de ótimo preço. Agora nos presenteia com este belíssimo vinho, um corte de Cabernet Sauvignon com Carmenére que passa cerca de 15 meses em barrica. É muito elegante, boa estrutura, ótima acidez em perfeito equilibrio com taninos finos e sedosos, frutos negros, algo de eucalipto e um longo e suculento final de boca. Quem traz é a Barrinha e o preço ao consumidor está por apenas cerca de R$70,00, o que é uma pechincha pela qualidade apresentada.

Botalcura, este é o nome da Vinícola não dos vinhos que comentarei em seguida. Estavam no mercado com um importador, mas cancelaram o acordo e estão em busca de novos parceiros. Os três vinhos que provei foram todos eles de grande qualidade e surpreendentes. Lamentavelmente não tenho preços para repassar, mas espero que, quem venha a trazer estes vinhos, os posicione de forma competitiva. Três grandes vinhos; La Porfia Gran Reserva Cabernet Franc elaborado com uvas de vinhedos de cerca de sessenta anos, formam um conjunto realmente suculento, franco, equilibrado, muito elegante, complexo, longo e sedoso com toda a tipicidade da casta e, acima de tudo, profundamente saboroso. O segundo vinho que provei é um Nebbiolo, diferente dos Italianos com menos potência e maior elegância, num conjunto elegante e aveludado que cativa ao primeiro gole. Leva um tempero de 14% de Carignan, o que o faz um Nebbiolo à Chilena, muito agradável, aromático e macio. Para finalizar, um grande vinho, o Cayao 05, corte de cerca de 45% de Cabernet Sauvignon, 40% de Carmenére, 12% de Malbec e 3% de Syrah. No nariz, deliciosos aromas de fruta madura algo especiado. Na boca é suave, sutil e sedutor num estilo bem velho mundo, porém sem perder a energia e vivacidade que a ótima acidez lhe trás. Taninos finos e elegância ao cubo num vinho impactante e de grande qualidade. Espero que os preços sejam tão bons quanto os vinhos!

 

Outros belos vinhos que encantaram foram os:

Perez Cruz Reserva Syrah Limited Edition 06 / Wine Company / Preço ao redor de R$99,00 um belíssimo exemplar dos bons Syrah Chilenos. Do jeito que gosto dos Syrah, com muita elegância e boa intensidade, levemente especiado num muito agradável final de boca.

De Martino Single Vinyard Sauvignon Blanc 06 / Decanter / Preço ao redor de R$97,00. Um Sauvignon Blanc de muita classe e finesse, dentro os melhores da região.

De Martino Cabernet Sauvignon Gran Família 03 / Decanter / preço ao redor de R$190,00. Grande vinho de reconhecimento internacional, taninos finos e macios, rico, de grande estrutura, potente, ótima concentração, um vinho de guarda de grande qualidade.

Villard Equis Gran Vino 04 Cabernet Sauvignon + Merlot / Decanter / preço ao redor de R$127,00. Nariz contido (ou já tinha cheirado vinhos demais?) mostrando-se todo quando entra na boca com grande intensidade e impacto. Frutas silvestres e algo de pimentão, bem típico dos Cabernets da região. De ótima estrutura, é denso, muito equilibrado, com taninos maduros ainda presentes denotando potencial de guarda.

Antu 06 Syrah 100% / Bruck / preço ao consumidor em torno de R$87,00. Mais um Syrah de primeira, muito harmônico com especiarias bem presentes, algo terroso, saboroso final de boca num conjunto muito agradável e de grande finesse.

Odfjell Orzada Carignan 04 / World Wine / Preço ao consumidor ao redor de R$75,00. Um dos meus Chilenos preferidos vindos de videiras de Carignan com mais de sessenta anos e uma parcela de Cabernet Sauvignon. É um vinho clássico de muita finesse, taninos finos e sedosos, bom corpo, cheio, rico em aromas de boa fruta vermelha madura com nuances de chocolate e baunilha num final de boca extremamente agradável e saboroso.

 

Grandes Achados:

Ochotierras, um produtor novo, recém chegando ao Brasil pelas mãos da Brasart, que comentarei em post em separado na semana que vem, já que fizemos uma degustação específica de toda a sua linha no dia seguinte ao evento da ProChile. Deliciosos vinhos com preços idem.

Estampa Reserva Carmenère+Cabernet Sauvignon+Cabernet Franc 05 / Decanter / R$48,00. Um corte muito bem elaborado e rico. É muito equilibrado, taninos finos, macio e muito saboroso.

Castillo de Molina Pinot Noir 05 / World Wine – La Pastina / R$39,00. Vinho fácil de gostar e agradar. Sem grandes complexidades, nem se propõe a isso, é um vinho muito correto com boa tipicidade, redondo e muito agradável para ser tomado levemente refrescado a cerca de 14º.

Sucre, o campeão desta seção tem seus vinhos trazidos pela Wine Company, num projeto vinícola próprio que começa no Chile, e possui três varietais. Entre estes, se destacam os muito agradáveis e surpreendentes; Sucre Sauvignon Blanc 2008 de aromas intensos com muita tipicidade da casta, ótimo frescor e equilíbrio e o muito bem elaborado, frutado, suave, redondo de taninos finos e muito saboroso Cabernet Sauvignon 2007. São vinhos imbatíveis e excepcionais considerando-se o preço de, inacreditáveis, R$21,66! Vinhos imbatíveis nesta faixa e uma prova de que sim, podem existir bons vinhos por ótimos preços e não me venham com papo de impostos. Estes, certamente, farão parte do meu dia-a-dia.

 

Salute e kanimambo.

 

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