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Marqués de Murrieta, Rioja na Veia.

Bem, confesso, sou suspeito para falar, porque é um dos meus produtores preferidos já tendo elogiado bastante o Reserva 2002, a tal ponto que no dia dos pais, recebi uma garrafa de presente. Estupendo vinho com preço bastante acessível. Pois bem, agora conheci um pouco mais da história por trás do vinho, provei outros vinhos e minha admiração só cresceu. Dos clássicos Riojas, agora só me falta conhecer os vinhos da Tondonia que o amigo Luiz Horta tanto curte. Ainda chego lá!

O atual gestor é o Conde Vicente Dalmau Cebrián-Sagarriga y Suarez-Llanos, nome pomposo para uma pessoa extremamente agradável e destemida. Em 1983 a empresa com mais de 160 anos de história passava por dificuldades, tendo sido comprada pelo pai de Vicente, que faleceu precocemente aos 47 anos, tendo a empresa caído no colo dele que, nesse momento tinha parcos 24 anos. Após um curto tempo de estudo e análise, optou por revolucionar a empresa, nomeou como enóloga chefe Maria Vargas, também uma jovem de 25 ou 26 anos, trocaram gente, investiram e conseguiram, quando todos achavam o contrário, transformar o conceito do clássico sem perder as raízes e essência de Murrieta construída ao longo de mais de século e meio de história. Tinha tudo para dar errado, mas deu foi muito certo! Investiram mais de USD70 milhões nessa revolução de gente e vinhedos, e os vinhos estão aí para mostrar o acerto do projeto. São somente cinco vinhos que buscam, não só qualidade, mas especialmente personalidade com uma produção total de cerca de um milhão e quatrocentas mil garrafas produzidas. Os vinhos são de importação e distribuição exclusiva da Expand, de quem partiu o amável convite para conhecer estes belos vinhos. Falemos então dos vinhos degustados.

Fora da Rioja, em Rias Baixas na Galicia, com produção de somente 10.000 caixas anuais, vem o Palácio de Barrantes 2006, um Albariño de primeiro nível. Vindimado à mão, cinco meses em tanques de inox e três em garrafa, abriu muito bem na taça exalando gostosos aromas de frutas secas. Na boca é cremoso, denso, boa estrutura, untuoso e muito bem balanceado com um final de boca de boa persistência. Um belo vinho, de bom frescor que agrada sobremaneira e está nas lojas da Expand por R$120,00.

Uma vez um enólogo Português me confidenciou que, sua fama tinha sido construída de forma muito eficaz, em cima de um parâmetro básico, somente produzir grandes vinhos de restrita quantidade. Posteriormente um outro, desta feita francês, também me deixou claro que elaborar grandes vinhos em quantidades limitadas é relativamente simples se a matéria prima for boa. Não entendo disso, mas entendo de lógica e a colocação faz todo o sentido. Quanto maior o volume de produção, mais difícil será manter os níveis de qualidade. Pois bem, dos um milhão e quatrocentas mil garrafas de produção anual, cerca de 1 milhão e trezentos mil são de um só vinho o Marqués de Murrieta Reserva, e que vinho! O de 2002 que era o que conhecia, é um estupendo vinho e um excelente custo beneficio já que o preço anda ao redor de R$128,00. Incrível fazer um vinho desta qualidade numa safra tão ruim como a de 2002 na Espanha (na Itália também) e em tamanha quantidade, porém o vinho é divino demonstrando a enorme capacidade da bodega e sua gente. Este Marqués de Murrieta Reserva 2004, conseguiu superar o 2002 inclusive pelo fato de que foi uma grande safra na Espanha. Um corte de 91% de tempranillo, 3% mazuelo e 6% garnacha vindo de parcelas do vinhedo com idade média de 36 anos. Especiado, levemente amadeirado, na boca é sedoso, rico em sabores, complexo, muito elegante, ótima textura e incrível final de boca de longa persistência. Um grande vinho por um preço realmente convidativo.

Castillo Ygay 2000 Gran Reserva, as jóias da coroa, o top de linha desta bodega elaborado com 87% de tempranillo e 13% de mazuelo, que nos chega agora depois de 3 anos de barrica e 4 anos de garrafa. Nariz muito intenso, fruta confitada e evoluída mostrando aromas complexos meio oxidados típicos destes grandes Riojas clássicos. Taninos finos, aveludados, uma entrada de boca impactante que termina muito longo e marcante. Um vinho clássico, de muita personalidade, com uma produção anual de apenas umas 80 mil garrafas, que está nas lojas por cerca de R$330,00.

Para finalizar um outro branco, desta vez o Capellania Reserva Blanco 2003, só que este é uma outra história e bem que tinha estranhado que tivessem deixado este vinho para o final. É um branco muito diferenciado, muito bom, porém não muito fácil de beber. A principio, um vinho para paladares experientes, pois é um vinho branco de grande complexidade, algo resinoso, untuoso, denso, de grande estrutura, muito rico de aromas algo oxidados lembrando jerez. O Vicente sugeriu tomá-lo com um prato de rabada, e achei muito interessante, deve ser uma harmonização maravilhosa. Produzido com a uva Viura, de difícil trato, meio insípida quando jovem, mas que quando estagia em carvalho cresce muito, ganhando grande complexidade e, neste caso, são 9 meses em carvalho americano e 9 em francês num mix de barricas novas e usadas. Um vinho complexo, difícil e muito saboroso de se tomar, especialmente com comida. Na Expand por R$115,00.

Todos excelentes vinhos, mas a meu ver, certamente o Marqués de Murrieta Reserva guarda a melhor relação Qualidade x Preço x Prazer e o 2004 realmente imperdível!

Salute e kanimambo.

Semana Boa, Bons Vinhos com Bons Preços

           Em momentos de grande elegria pela celebração do primeiro aniversário da coluna Falando de Vinhos, em que estarei premiando os leitores com mais de setenta vinhos, acessórios e curso básico, uma semana de bons vinhos com bons preços e um valor meio mágico, R$38 a 39,00. Incrível a quantidade de bons rótulos que venho descobrindo nessa faixa de preços, mais uma prova contundente, de que não há que se gastar fábulas para conseguir tomar bons vinhos.

Cono Sur Reserva Pinot Noir 07 – Esta vinícola produz alguns dos melhores custo x beneficio do mercado e este rótulo não foge à regra. Para quem gosta de brancos, não pode perder o Riesling deles. Bem, mas é deste Pinot que quero falar. Um nariz de boa intensidade com muita fruta e algo floral. Taninos doces de boa textura e absolutamente sedosos, fresco, médio corpo, suave, extremamente equilibrado em que nada se sente de seus 14º de teor alcoólico, um incrível vinho muito saboroso, fácil de agradar e harmonizar por meros R$39,00 na Wine Premium e lojas da Expand, um grande achado. ISP  $  

Muscadet de Serve et Maine Sur Lie 05, Domaine des Perelins da região do Loire. No limite de sua vida útil, mas ainda muito gostoso de se tomar. Tome como aperitivo acompanhando uns três tipos de queijo de cabra, pedaços de baguete fresca e crocante e umas torradinhas acompanhando. É um vinho suave que combinou maravilhosamente com os queijos. De enorme frescor, fácil e agradável, bem balanceado, desprovido de compromissos, ligeiro e muito saboroso. Quando o comprei, há uns 60 dias atrás, a Mistral o vendia por R$28,00 e, a esse preço, um tremendo custo x beneficio altamente recomendável. Hoje já não sei, devido  à grande valorização do dólar, mas a esse preço tem meu aval! ISP $  

Luna Malbec 05, com ótima tipicidade da região de Agrelo do Vale do Cuyo, zona central de Mendoza, que geralmente apresenta vinhos que mostram boa fruta, taninos redondos e boa estrutura. Este é um desses exemplares, com uma pequena produção de somente umas 5.000 garrafas, em que a madeira está muito delicada dando aporte para uma fruta madura, taninos finos e bastante equilibrado apesar de um teor de álcool de quase 15º. Macio, redondo, um vinho que agrada bastante e possui uma persistência bastante boa. Na BR Bebidas por R$50,00. ISP

Rey de los Andes Reserva Syrah 07, mais um syrah do Chile que me agrada muito. Seu contra rótulo diz ser um vinho encorpado, porém não concordo, achando-o um vinho bem estruturado, mas mais para médio corpo. Apesar da tenra idade para um reserva, já está pronto a beber com gostosos sabores de fruta madura na boca devendo, todavia, melhorar com mais um ano de garrafa. Só que, quem esperar um ano para comprar, não achará mais essa safra, se encontrar, certamente não será a este preço. É saboroso, amistoso, vinho que agrada fácil, cremoso e aveludado com um final de boca muito agradável e de média persistência. A meu ver, mais uma prova que esta é a grande uva do Chile! Na Cia do Whisky por ótimos R$39,90, para comprar algumas garrafas, tomar agora e apreciar algumas um pouco mais para a frente. ISP $  

Santa Julia Torrontés Tardio 07, sempre um porto seguro e uma das melhores opções de vinhos de sobremesa de colheita tardia, disponíveis no mercado, com um preço que podemos pagar. Consegue balancear muito bem a doçura com a acidez, tornando-se muito prazeroso de tomar, com ótimo frescor, facilitando a harmonização com diversas sobremesas. Neste caso, acompanhou um strudel de maçã com sorvete de creme, muito yummy!! Na Expand por R$39,00. ISP $  

 

Salute e Kanimambo.

 

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

Introdução aos Vinhos Brasileiros

Meus caros, nossa volta ao mundo faz 12 meses e ainda não consegui terminar. Mês de Outubro é o mês de aniversário desta coluna no jornal Planeta Morumbi e, finalmente, chegamos ao Brasil, que será nosso tema junto com as festividades de comemoração deste aniversário. O Brasil, como a maior parte dos produtores mundiais, cresceu e se desenvolveu muito nos últimos 10 anos. Talvez tenha começado esta revolução um pouco tarde em comparação com os nossos vizinhos Argentina, Chile e Uruguai, mas já começa a mostrar que há vida por aqui também!  Afora os incríveis espumantes, nos quais somos, talvez, a quarta força mundial somente atrás da França, da Itália e da Espanha, já possuímos alguns vinhos Premium de muita qualidade. As fronteiras se expandiram e afora o já conhecido Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves, agora temos o incrível Vale do São Francisco com suas 25 colheitas, os ótimos vinhos de altitude da serra de Santa Catarina, região da Campanha Gaúcha no fronteira com o Uruguai, novas regiões como a de Encruzilhada na Serra do Sudeste e Campos de Cima assim como os vinhos Paranaenses da região de Toledo. O Site de Vinhos Brasileiros, com link aqui do lado, é o mais completo que existe sobre o assunto e, certamente, pouco poderei acrescentar. No entanto, acredito que alguma coisa coisa sempre dá para agregar e tentarei produzir algo nesse sentido. Este mapa é de lá.

Muitas regiões para conhecer, muitos vinhos a provar e muitas descobertas a fazer. Os vinhos Brasileiros são uma realidade que nós, enófilos e apreciadores deste doce néctar, devemos aproveitar e conhecer. Está certo que os vinhos de qualidade superior não são baratos, mas os importados também não e, muitos dos nossos já são superiores ao que vêm de fora. Porquê podemos pagar R$25 ou 30 por um vinho médio da Argentina ou do Chile, mas não pagamos por um Nacional? Será que não é preconceito, más experiências antigas e enraizadas ou por absoluta falta de conhecimento? Eu acho que é um pouco de tudo, unido ao fato de que os produtores nacionais carecem de trabalhar o mercado com um approach diferenciado e consistente que efetivamente mostre essa nova cara ao consumidor, você e eu. Viver de quem eventualmente apareça pela vinícola parece-me colocar em risco a própria sobrevivência em um mercado tão competitivo como o que vivemos. Uma prova disso é que é mais fácil encontrar rótulos importados nas lojas, do que vinhos finos Brasileiros. Ainda existe muita gente, erroneamente, tripudiando sobre os rótulos nacionais como se aqui só se produzissem vinhos de má qualidade. Ainda no outro dia vi um comentário no Blog do Luiz Horta, em que um leitor dele caia de pau nos vinhos nacionais, nada a ver! Agora fica uma questão no ar, de quem é a responsabilidade e o que efetivamente está sendo feito para mudar essa percepção?

Apesar de estar longe de conhecer a produção nacional como gostaria, até porque o apoio dos produtores a este blog foi muito limitado, tentarei ao longo deste mês compartilhar minhas experiências com vocês. Desde vinhos de R$15,00 ou 17,00 a R$100,00, existem diversos bons vinhos que podemos tomar com tranqüilidade e boas opções a diversos vinhos trazidos dos países vizinhos. Para reduzir a margem de erro, recomendo aos amigos nossos vinhos elaborados com a uva Merlot, que na minha opinião produzem alguns dos melhores vinhos nacionais, a Cabernet Sauvignon e algumas cepas menos tradicionais, mas que têm produzido bons vinhos, como Marselan, Ancelotta e Eggiodola e, mais recentemente, Tannat, Touriga Nacional e Alicante Bouschet. Uma característica de nossos vinhos é que, por questões de terroir, estamos mais para um estilo velho mundo do que novo mundo, com vinhos mais marcados pela elegância do que pela potência e exageros de teor alcoólico.

Ao longo do restante do mês, trarei mais informações e dados sobre regiões e produtores, listarei os vinhos que Tomei e Recomendo pelas diversas faixas de preço e outras dicas mais.  Por enquanto, uma dica para você começar sua viagem pelos diversos sabores de nossa vinicultura, começando por nossos bons Merlots. Os Merlots nacionais são muitos e de diversos preços, mas desde já vos sugiro provar alguns de bom preço, abaixo de R$20,00, como os; Cordellier Garrafa Velha, Aurora Varietal e Salton Classic todos da excelente safra de 2005. Cada a um com seu estilo, mas todos bastante saborosos e fáceis de beber. Desses, o que mais aparece sobre a minha mesa é o Cordellier, bem diferente e mostrando uma personalidade muito própria e difícil de encontrar em vinhos desta faixa. Num patamar um pouco mais alto, entre R$20 a 30,00 e já mostrando uma maior sofisticação apesar de ainda serem vinhos mais ligeiros e fáceis de agradar, estão os: Pizzato Reserva, Miolo Reserva, Don Abel Premium e o Salton Volpi todos agradáveis e bem elaborados, preferencialmente os da safra de 2005, mas os de 2004 também são bons e estão prontos a beber. Acima desses valores já começamos a tomar vinhos diferenciados, entre eles o Marco Luigi Reserva da Família 2003, que é uma das pepitas que garimpei, um vinho de grande qualidade, uma certa complexidade e ótima relação Qualidade x Preço x Satisfação por apenas algo ao redor de R$32,00. Aí partimos para os vinhos top ou premium como o delicioso e harmônico Villagio Grando Merlot de Santa Catarina, o Storia da Valduga, Desejo da Salton ou Terroir da Miolo todos entre R$60 a R$90,00 e todos grandes vinhos. Afora isso, há bons Cabernets como o da Pizzato, da Valduga e Villagio Grando, assim como bons vinhos de diversos outros varietais e cortes de muita qualidade como veremos ao longo do mês.

          Termino comvidando-o a participar da promoção de nosso aniversário, cadastrando-se e, se quiser, preencha o quiz e concorra a mais de 60 vinhos, curso e acessórios. Para você que esteja disponível em São Paulo no dia 3 de Novembro, não interessa de onde venha, espero sua participação. Abraço, salute e kanimambo!

Montando Minha Adega Italiana

Comecei a elaborar uma lista de preferidos que colocaria em minha adega, o mês passado com os vinhos franceses provados. Desta feita, e para finalizar o tema dos vinhos italianos do mês de Setembro, separei 40 rótulos e, apesar de ter um teto de R$150,00 por garrafa, desta vez me permiti fazer uma estripulia, realmente três, me presenteando com três belos vinhos. Deixei de lado os vinhos de reflexão, pois esses estão bem mais além. Os preços são aproximados e onde comprar são basicamente endereços em São Paulo e parceiros importadores. Como sempre, me guiei somente pelos vinhos provados e com disponibilidade local. Queria ter algum Brunello na lista ou, eventualmente como sugerido pelo amigo Rafael, um Taurasi porém, o primeiro só conheço alguns rótulos não disponíveis por aqui e o outro me é totalmente estranho tendo entrado em minha lista de degustações educativas necessárias (eheheh). Estando em São Paulo, todavia, não deixe de pesquisar nas lojas de nossos parceiros listados em Onde Comprar.

 

Vinho

Região

Safra

Onde

Tipo

 R$

San Marzano Primitvo

Puglia

2006

BR Bebidas

Tinto

22,00

Bonachi Muntepulciano d’Abruzzo

Abruzzo

2006

BR Bebidas

Tinto

23,00

Zipolino Sangiovese

Toscana

2005

Wine Company

Tinto

26,66

Verdicchio dei Castelli di Jesi Classico – U. Ronchi

Marche

2007

Expand

Branco

29,00

Nova Corte Montepulciano d’Abruzzo

Abruzzo

2006

BR Bebidas

Tinto

35,00

Badiolo Chianti DOCG

Toscana

2005

Wine Company

Tinto

38,88

Vernaiolo Chianti DOCG

Toscana

2004

Wine Premium

Tinto

39,00

Casa Defra Pinot Grigio

Veneto

2006

Wine Company

Branco

39,99

Branciforti Bianco

Sicilia

2006

Wine Premium

Branco

41,00

Masseria Trajone Nero d’Avola

Sicilia

2006

Diversos

Tinto

42,00

Serrano Rosso Conero – Umani Ronchi

Marche

2006

Expand

Tinto

45,00

Valpolicella Campo del Biotto

Veneto

2006

Decanter

Tinto

47,40

Nicodemi Trebbiano d’Abruzzo

Abruzzo

2006

Decanter

Branco

48,30

Branciforti Rosso

Sicilia

2005

Wine Premium

Tinto

49,00

Tosca – Chianti Colli Senesi

Toscana

2004

Zahil

Tinto

54,00

Remole

Toscana

2006

G. Cru Granja Viana

Tinto

58,00

Rosso Salento “Santi Medici”

Puglia

2005

Vinea

Tinto

60,00

Nicodemi Montepulciano d’Abruzzo

Abruzzo

2005

Decanter

Tinto

61,00

Crearo Cabernet Sauvignon

Friulli

2005

Wine Company

Tinto

62,22

Erta & China

Toscana

2004

Decanter

Tinto

63,20

Valdipiatta Rosso di Montepulciano

Toscana

2004

Zahil

Tinto

64,00

Notari Trebbiano d’Abruzzo

Abruzzo

2005

Decanter

Branco

67,90

Rocca delle Macie – Chianti Classico DOCG

Toscana

2004

Wine Premium

Tinto

68,00

Le Orme Barbera d’Asti

Piemonte

2006

Zahil

Tinto

69,00

Valfieri Barbera d’Asti

Piemonte

2004

Vinea

Tinto

72,00

Chiaramonte

Sicilia

2005

Wine Premium

Tinto

75,00

Firriato Etna Rosso

Sicilia

2005

Wine Premium

Tinto

78,00

Valpolicella Class. Ripasso Costamaran

Veneto

2004

Decanter

Tinto

79,20

Passo delle Mule

Sicilia

2005

Portal dos Vinhos

Tinto

97,50

Villa Antinori

Toscana

2004

Expand

Tinto

98,00

Insoglio

Toscana

2005

Expand

Tinto

98,00

Palazzo de la Torre

Veneto

2004

Expand

Tinto

98,00

Notari Montepulciano d’Abruzzo

Abruzzo

2004

Decanter

Tinto

108,10

Pradio Rok – Cabernet Sauvignon

Friulli

2004

Wine Company

Tinto

110,00

Il Bruciato

Toscana

2005

Expand

Tinto

118,00

Sant Agostino Bianco

Sicilia

2006

Wine Premium

Branco

118,00

Edizione Cinque Autoctoni

Marche

2005

Portal dos Vinhos

Tinto

145,00

Barbera d’Alba Fides – Pio Cesare

Piemonte

2004

Decanter

Tinto

210,00

Amarone Classico Ca `del Pipa Cinque Stelle

Veneto

2004

Decanter

Tinto

258,00

Barolo Corda della Briccolina

Piemonte

2003

Expand

Tinto

310,00

 

                O preço de uma adega formada com estes saborosos rótulos, ficou muito similar à francesa, cerca de R$3.200,00, porém com menos 5 rótulos o que resulta numa média um pouco mais alta. Por outro lado inclui três rótulos bem mais caros, estripulia não realizada na montagem da adega francesa, então no fritar dos ovos é basicamente a mesma coisa. Baseado no tamanho do seu bolso e no seu gosto dá para ajustar a seleção ao tamanho de adega que desejar, sendo que os primeiros da lista são ótimas opções de vinhos para o dia-a-dia com preços de dia-a-dia. Esta seleção saiu em média por R$80 a garrafa o que, considerando-se a origem e a qualidade dos rótulos selecionados, até que o preço está bastante justo. Por quanto tempo com esta loucura do Dólar ninguém sabe, já existem diversos aumentos no mercado e há que ficar de olho, até porque dentro de duas semanas essa onde de pânico pode haver revertido e o câmbio acompanhado. Agora, se você tem uns Dólares/Euros guardados, eis uma boa oportunidade de fazer bom uso deles!

           Neste fim de semana, não deixe de participar de nossa campanha de aniversário da coluna Falando de Vinhos, preenchendo o cadastro na seção ANIVERSÁRIO, aqui do lado. Temos já algumas dezenas de participantes; uns sem preencher o quiz, o que é válido, outros preenchendo e acertando, outros errando feio, mas tudo é festa, o importante é participar até porque os prêmios são uma delicia, garanto. É isso, bom fim de semana, e semana que vem começo a falar de Brasil, suas regiões, vinhos e cepas.

Arriverdeci, salute e mille grazzie!

 

Ps. UFA!! Três dias de pane no speedy e enrolação da telefonica, finalmente voltei ao normal. Sorry!

 

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

 

Prova e Contra-prova com Eduardo Chadwick

Poderíamos chamar essas provas de “Batalhas de David com Golias” ou “ Embates do Século” ou, ainda de “Desafio de Gigantes”, na verdade pouco interessa o título e sim os resultados. Foram provas comparativas realizadas com degustações às cegas de vinhos top, tendo a primeira sido realizada em 2004, iniciativa de um visionário empresário e vinicultor Chileno. Em destemida ação mercadológica para posicionar seus vinhos no exigente mercado internacional, Eduardo Chadwick optou por tentar repetir a façanha dos vinhos Californianos no famoso Julgamento de Paris em 1976, quando em uma degustação às cegas os ainda jovens e pouco conhecidos vinhos dessa região, bateram grandes vinhos Franceses. O tiro poderia ter saído pela culatra, mas Eduardo, sexta geração da família a tocar esta importante vinícola Chilena, assumiu esse risco mostrando coragem e, acima de tudo, convicção no seu trabalho, em sua equipe e em seus produtos. Não contente com os resultados da primeira prova, a vem repetindo em diversos outros locais ao longo dos últimos anos, acompanhe as provas e os resultados:

 

Ano: 2004

Local: Berlin, Alemanha.

Participantes: Seis grandes vinhos Franceses, quatro grandes vinhos Italianos e seis Chilenos.

Rótulos e Safras: Da mítica safra de 2000 na França, os clássicos Chateau Latour, Chateau Margaux e Chateau Lafite. Ainda da França, mas safra 2001; Chateau Margaux e Chateau Latour. Os Italianos, todos da safra de 2000; Sassicaia, Tignanello, Solaia e Guado el Tasso Bolgheri famosos Supertoscanos. A isso se agregam os Chilenos; Viñedo Chadwick 2000 y 2001, Seña 2000 e 2001 assim como o Don Maximiano Founder´s Reserve 2001.

Júri: Dezesseis jornalistas especializados e um seleto grupo de vinte clientes enófilos convidados, todos formadores de opinião vindos do Reino Unido, Alemanha, Suíça, Áustria, Dinamarca e Rússia.

Mediador da Prova: O renomado jornalista da revista Decanter, Sr. Steven Spurrier.

 

Ano: 2005

Local: São Paulo, Brasil.

Participantes: Três grandes vinhos Franceses, dois grandes vinhos Italianos e cinco Chilenos.

Rótulos e Safras: Da França; Chateau Latour e Chateau Margaux de 2001 e Chateau Lafite-Rothschild 2000. Os Italianos, todos da safra de 2000; Sassicaia e Guado el Tasso Bolgheri famosos Supertoscanos. A isso se agregam os Chilenos; Viñedo Chadwick 2000 y 2001, Seña 2000 e 2001 assim como o Don Maximiano Founder´s Reserve 2001.

Júri: Quarenta dos mais renomados e experientes jornalistas especializados, seleto grupo de enófilos, sommelieres, expoentes de nossa vinosfera.

Mediador da Prova: O renomado jornalista da revista Decanter, Sr. Steven Spurrier.

 

Ano: 2006

Local: Toronto, Canadá..

Participantes: Três grandes vinhos Franceses, dois grandes vinhos Italianos e cinco Chilenos.

Rótulos e Safras: Todos os participantes europeus da safra de 2000;  Chateau Latour, Chateau Margaux e Chateau Lafite e os Italianos Tignanello e Sassicaia. A eles, se agregam os Chilenos; Viñedo Chadwick 2000 y 2003, Seña 2000 e 2003 assim como o Don Maximiano Founder´s Reserve 2003.

Júri: cerca de 24 convidados entre imprensa especializada, clientes, enófilos, sommelieres e especialistas.

Mediador da Prova: O renomado jornalista da revista Decanter, Sr. Steven Spurrier.

 

Ano: 2008

Local: Copenhague, Dinamarca.

Participantes Três grandes vinhos Franceses, dois grandes vinhos Italianos e cinco Chilenos.

Rótulos e Safras: Da França os Chateau Latour, Lafit e Mouton Rotschild todos de 2005. Os Italianos Sassicaia e Solaia 2004, mais os Chilenos Don Maximiano 2004 e 2005, o Seña 2004 e 2005 assim como o Viñedo Chadwick 2005.

Júri: Dezesseis jornalistas especializados e um seleto grupo de vinte clientes enófilos convidados, todos formadores de opinião vindos do Reino Unido, Alemanha, Suíça, Áustria, Dinamarca e Rússia.

Mediador da Prova: Soren Frank e Niels Lillelund, dois dos mais importantes jornalistas do mundo do vinho na Dinamarca.

 

Berlin 2004

Resultado: ZEBRA !!

São Paulo 2005

Resultado: Zebra ?

 

1º – 2000 Viñedo Chadwick

2º – 2001 Seña 

3º – 2000 Château Lafite

4º – 2001 Château Margaux

4º – 2000 Seña 

6º – 2000 Château Margaux 

6º – 2000 Château Latour 

8º – 2001 Viñedo Chadwick

9ª – 2001 Don Maximiano Founder’s

Reserve

10º – 2001 Château Latour

10º – 2000 Solaia

 

 

1º – Château. Margaux 2001

2º – Viñedo Chadwick 2000

3º – Seña 2001

4º – Château Latour 2001

5º – Seña 2000

6º – Viñedo Chadwick 2001

7º – Don Maximiano Founder´s Reserve 2001

8º – Guado Al Tasso Bolgheri D.O.C. 2000 Superiore 2000  

9º – Château Lafite-Rothschild 2000

10º – Sassicaia Bolgheri D.O.C. 2000

Toronto 2006

Resultado: Zebra? Não mais.

Copenhague 2008

Resultado: Zebra? Não, a constatação de um fato!

 

1º – Château. Margaux 2000

2º – Chateau Latour 2000

3º – Don Maximiano Founder´s Reserve 2003

4º – Tignanello 2000

5º – Seña 2003

6º – Viñedo Chadwick 2000

7º – Seña 2000

8º – Viñedo Chadwick 2003    

9º – Château. Lafite 2000

10º – Sassicaia Bolgheri D.O.C. 2000

 

1º – Château. Lafite 2005

2º – Don Maximiano Founder´s Reserve 2004

3º – Château Mouton Lafite 2005

4º – Solaia 2005

5º – Seña 2005

6º – Don Maximiano Founder´s Reserve 2005

7º – Château Latour 2005

8º – Viñedo Chadwick 2004

9º – Seña 2004

10º – Sassicaia Bolgheri D.O.C. 2000

 

 

 O interessante e o que me faz aplaudir estas iniciativas, é que podia ter dado tudo errado, tendo certamente demandado muita determinação e muita fé no próprio taco! Os resultados, para quem ainda não conhecia, estão aí. Não é acaso, não é sorte e, definitivamente, não é zebra. É a constatação de um fato e, como já me diziam quando pequeno, contra fatos não há argumentos! Sem contar que em Tokyo e Beijing também foi assim, consolidando uma tendência que demonstra a grande qualidade destes vinhos Chilenos, em linha com o que de melhor existe em nossa vinosfera. Para quem quiser conhecer mais, visite o site www.theberlintasting.com. Uma coisa que esquecia de dizer, é que todos este vinhos e vinhedos Chilenos que geram esses néctares, pertencem a um mesmo grupo, a “Viña Errázuriz”.

Tive o recente privilégio de participar de uma vertical de vinhos Seña e provar o Viñedo Chadwick, na companhia de; ninguém mais, ninguém menos, que o próprio Eduardo Chadwick, presidente e maior divulgador dos vinhos de sua bodega. Gente, tenho que ter a humildade de reconhecer que pouco posso acrescentar aos resultados acima, que falam por si só, e a tudo o que já foi falado sobre estes vinhos na imprensa especializada. No entanto, como dizia o velho Vicente Mateus eterno presidente daquele time, quem sai na chuva é para se queimar, então aqui vai um pequeno apanhado das sensações que essa degustação me fez sentir.

Seña 2003 – Já tinha provado antes, mas nunca foi um vinho que me entusiasmasse. Bom, muito bom, sem dúvida alguma porém, eresia, não me encantava. Comentei exatamente isso com o Eduardo Chadwick após o almoço, talvez até em função do excessivo marketing que gerou uma expectativa alta demais e, por outro lado, uma questão de paladar pessoal. Sigo com a mesma opinião, mas, de qualquer forma, é um grande vinho com nariz de boa intensidade, fruta madura, cassis, algo de azeitona? Na boca está bastante equilibrado, saboroso, complexo e de ótima persistência.

Seña 2004, vem de uma safra complicada com muito frio e de difícil maturação. Na nariz de boa intensidade aromática, um pouco mais de pimentão e salumeria. Na boca está pronto, redondo de taninos macios e finos com um final de boca especiado mostrando algo de mentol. Para uma safra difícil, eu achei um grande vinho.

Seña 2005, grande, grandíssimo! Vindo de umas melhores safras de todos os tempos no Chile, o vinho é verdadeiramente deslumbrante. Na nariz ainda se encontra um pouco fechado, precisando de decantação para se aproveitar todo o seu potencial aromático. Na boca é maravilhoso, com taninos de grande finesse, bom corpo, ótima acidez, grande harmonia, enorme complexidade de sabores e deliciosa textura aveludada num final de boca interminável. Pronto para beber desde já, mas certamente melhorará muito com mais uma meia dúzia de anos, se é que alguém agüenta esperar todo esse tempo. Este é o meu Seña, um vinho vibrante!

Viñedo Chadwick 2004, um elixir dos deuses que nunca tinha passeado, lamentavelmente, por minha boca. Desta feita passeou e com grande impacto! Um puro Cabernet Sauvignon com 18 meses de barrica e 12 de adega antes de sair para o mercado. Um vinho verdadeiramente sedutor e encantador. Um vinho classudo, sóbrio, meio austero, porém de grande elegância com taninos de enorme finesse, encorpado, denso, rico, de textura sedosa, um verdadeiro elixir dos deuses com um final de boca extremamente prazeroso, complexo e apaixonante, que não termina nunca. Demonstra um enorme equilíbrio da madeira, álcool e acidez, formando um conjunto inesquecível e de enorme delicadeza, apesar de sua boa estrutura que lhe renderá ainda muitos anos de evolução.

 Uma pena que foram só alguns goles, pois este é daqueles para tomar a garrafa, no máximo a dois, e bem devagar para curtir todas as suas nuances. Grande vinho e o Eduardo me disse que o 2005 está ainda melhor, pode?! Para mim, este Viñedo Chadwick foi o grande vinho da degustação e, se tivesse R$2 a 2.500,00 para comprar um Chateau Lafite, ou similar, certamente optaria por comprar uma caixa com um mix de Chadwick 04 e Seña 2005. Talvez menos pompa, mas certamente mais sabor e mais prazer, por mais tempo! Para o meu paladar, o melhor de todos os vinhos super premium Chilenos que já provei e, um dos grandes em todo o mundo. A importação e distribuição exclusiva está a cargo da Expand, um de nossos parceiros do vinho, com vasto portfolio repleto de qualidade e este rótulos são um claro exemplo disso.

Salute e Kanimambo.

Itália, Regiões, Cepas e Vinhos – Parte IV

            Para finalizar esta série de posts sobre a Itália, falarei um pouco sobre algumas DOCGs e outras curiosidades dos vinhos Italianos que, por muitas vezes nos deixam em duvida sobre seu significado.

Supertoscano – Não é uma denominação regulamentada pelos órgãos oficiais italianos, mas sim pelos próprios produtores e mercado. Em um movimento iniciado pelos vinhos Sassicaia e Tignanello ambos da família Antinori, porém de braços diferentes (primos), no inicio dos anos setenta, saem alguns dos melhores e mais importantes vinhos da Itália. Na busca por vinhos melhores e mais complexos, eles quebraram as regras e elaboraram vinhos na Toscana com uvas não autorizadas e em porcentuais fora da regulamentação o que os colocaria numa vala comum denominada Vino di Tavola. A exuberância desses vinhos, no entanto, gerou uma classe não regulamentada de enorme qualidade e reconhecimento internacional. Entre estes vinhos o Sassicaia e Tignanello (Expand) grandes e espetaculares vinhos, e Solaia, Ornella, Petra, Sangioveto, Sanmarco, Fontalloro e Guado al Tasso Bolgheri são alguns outros destes grandes vinhos.

Amarone – Um vinho tradicionalmente caro e produzido artesanalmente de uma forma diferente do que estamos acostumados a vê, com as uvas regionais Corvina, Rondinella e Molinara. As uvas são colhidas bem maduras, escolhidas cacho a cacho escolhendo-se os melhores em que os frutos não estejam muito próximos um dos outros para permitir uma melhor circulação de ar. Esses cachos são então colocados a secar sobre esteiras por 120 dias, ou algo próximo disso dependendo da safra e do produtor. Nesse processo, as uvas perdem entre 30 a 45% de seu peso quando são então esmagadas e fermentadas a quase seco por um período entre 30 a 50 dias sob baixa temperatura. Após a fermentação, o vinho de baixa acidez e alto teor alcoólico, envelhece em barricas de carvalho por algum tempo, ficando as borras desse vinho para elaboração do Ripasso de Valpolicella.  Ame-o ou deixe-o, estes são os sentimentos da maioria que prova um destes vinhos totalmente diferente e de enorme complexidade. Não tive oportunidade de degustar muitos destes vinhos, mas o que provei – Amarone Clássico Ca ‘del Pipa Cinque Stelle 04 (Decanter) – é de tirar o chapéu, ajoelhar e agradecer aos deuses pelo néctar. Pena que está acima das minhas posses!

Recioto della Valpolicella se a fermentação for parada antes, se produzirá um alto residual de açúcar, superior a 4grs por litro, gerando um vinho tinto doce de grande qualidade e intensidade. I Castei (Decanter) foi o rótulo que provei, divino.

Ripasso de Valpolicella – ou repasse, numa tradução direta, quer dizer que após a fermentação do vinho, este é repassado sobre as borras do Amarone, para uma segunda fermentação em que adquire grande complexidade e concentração de sabores, maior corpo e tanicidade. Nessa re-fermentação, alguns produtores adicionam um pouco de uvas secas, o que reduz um pouco a adstringência dos taninos e lhe dá mais cor, diminuindo um pouco o tempo necessário para que atinja seu apogeu. Normalmente gera um vinho de maior longevidade que necessita de alguns anos em garrafa para evoluir e mostrar todos os seus sabores. Eu gostei muito do Costamaran 04 de Michele Castellani (Decanter), mas dizem que o Campofiorin do produtor Masi (Mistral) é excelente.

Chianti – Entre as regiões de Firenze e Sienna, existem dois Chiantis, o “tradicional” sub-dividido em sete e o Chianti Clássico que é aquele que traz na garrafa o símbolo do Galo Negro. Há uma lenda interessante envolvendo estes vinhos; Em meados do século XVII, as disputas políticas envolvendo as cidades quanto à extensão territorial de cada uma, alcançaram também a denominação dos vinhos. A fim de resolver essa questão, foi proposta a realização de uma prova para a delimitação das fronteira vitivinícolas. A prova, uma corrida, envolveria um cavaleiro de cada cidade que deveria sair em direção à outra assim que o galo cantasse na alvorada. A fronteira seria o ponto onde eles se encontrassem. Acertado isso, o povo de Siena elegeu um galo bonito, jovem, bem nutrido para cantar na alvorada enquanto que o povo de Firenze escolheu um galo negro, magro e mal alimentado. É claro que o galo de Firenze acordou mais cedo, pois tinha fome, e cantou antes do galo de Siena fazendo com o que o cavaleiro de Firenze tivesse boa vantagem. Essa vantagem fez com que os cavaleiros se encontrassem já bem perto de Siena e, como consequência, a cidade de Firenze conquistou um território maior que a vizinha. Dizem que essa disputa também levou para Firenze a exclusividade do nome Chianti que é representada nas garrafas por um galo negro. Lendas à parte,afora o Chianti Clássico que exige um mínimo de 80% de Sangiovese, existem sete sub-regiões de Chiantis; Colli Aretini, Colli Fiorentini, Colli Senesi, Pisane, Montalbano, Montespertoli e Ruffina nos quais a exigência mínima de Sangioves é de 75%. Dos que tomei, tenho gostado muito dos Colli Senesi e dos Ruffina, este último com vinhos um pouco mais encorpados. Os Riservas necessitam de pelo menos dois anos de envelhecimento antes de ser colocado no mercado.    

Lambrusco – Produzido na região de Emilia-Romagna, provoca muita confusão entre os consumidores brasileiros que, por muitas vezes, o confundem com um vinho espumante e não um frizzante, que é o que realmente é, pois possui somente uma a duas atmosfera de gás carbônico enquanto os espumantes exigem no mínimo três. O “verdadeiro” Lambrusco é elaborado tão somente com a uva tinta Lambrusco com, dependendo da região, Fortana e Malbo Gentile em pequenas quantidades. É produzido tanto na versão branca, rosé e tinto, sendo um vinho para consumo rápido já que não suporta envelhecimento. O que mais se exporta para o Brasil é vinho de baixa qualidade, muitas vezes gasificado artificialmente, corte de diversas uvas não autorizadas, sem grandes pretensões e muitas vezes estocados na porta de entrada do estabelecimento tomando sol isso quando já não tenha viajado em container normal, no convés do navio sofrendo com todas as entepéries numa viagem de 20 dias e, Deus sabe lá, quanto tempo no porto. Não dá para se esperar muito de um vinho assim. Os melhores são os DOC que também são um pouco mais caros, e é um vinho muito mais elaborado. Prefira comprar sempre produtos importados por empresa idôneas, como este da Expand, o bom Concerto tinto do respeitado produtor Medici Ermete. O maior consumo no Brasil é do branco (blanc de noir já que a uva é originalmente tinta) enquanto que na Itália é de, principalmente, tinto. Devido a sua forte acidez e presença de gás, é um vinho que acompanha bem refeições com bastante gordura, típica da região em que é elaborado, como a comida tradicional Mineira, ou uma boa feijoada. Não são grandes vinhos, mas podem ser alegres companhias para momentos descontraídos ou beira de piscina. Quer conhecer mais, clique em http://www.tutelalambrusco.it/.

Amanhã, o inicio de nossos posts com destaques e dicas de bons vinhos italianos por bons preços em Boas Compras que nossos parceiros sugerem entre os rótulos em seus portfolios. Como sempre, algumas preciosidades e valiosos achados. Acompanhem. De resto, salute e uma boa semana.

Kanimambo

    

Vinhos Italianos que Tomei e Recomendo – III

            Finalmente, quase final do mês e nem comecei os Boas Compras, chegamos nos vinhos diferenciados, vinhos de maior qualidade cheios de caráter e grande qualidade. Apesar dos bons vinhos tomados em faixas de preço mais baixas, é aqui que encontramos aqueles néctares que encantam. Há no tentanto, vinhos na faixa de R$50 a 80,00 que rivalizam com alguns desta lista de vinhos recomendados na faixa de R$80 a 120,00. Como sempre, marquei com asteriscos aqueles que se tornaram meus preferidos.

          Gosto muito dos vinhos do respeitado clã produtor Antinori, que elabora deliciosos e estupendos vinhos na região da Toscana assim como em outras partes da Itália e do mundo. Começando pelo Marchesi Antinori com seu Villa Antinori Toscana 04/05 IGT*, corte de Sangiovese com Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, muito macio, rico e equilibrado, corpo médio mostrando muita personalidade e o estupendo muito apetecível, muito elegante e extremamente saboroso Il Brusciato Bolgheri DOC 05*, corte de 60% de Cabernet Sauvignon com Merlot e Syrah mostra boa paleta aromática em que sobressaem as frutas vermelhas, algo de especiarias e salumeria. Na boca é muito agradável, mostra boa estrutura, fruta madura, taninos suaves e macios, acidez moderada, elegante e harmônico com um bom e longo final de boca, literalmente yummy! Ainda no clã, agora na Tenuta di Biserno de Piero e Ludovico Antinori, o Insoglio del Cinghiale I.G.T. 05*, um corte pouco convencional de Syrah, Cabernet Franc, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, apresentando um ótimo nariz com boa e cativante intensidade aromática em que sobressaem frutas negras silvestres, é muito harmônico e balanceado na boca com um final bem especiado. Já pronto, mas mais um ano de garrafa deve favorecer muito este vinho que agrada sobremaneira, estando todos eles disponíveis na Expand.

           Do Produtor Rocca delle Macie, (Wine Premium) gostei de tudo o que provei. Este Ser Gioveto IGT 00, é um supertoscano que varia seu corte de cepas a cada ano, mantendo o estilo, dependendo das características de cada safra em que é produzido. Uma criança que somente agora, aos oito anos, dá seus primeiros passos rumo á maturidade., mostrando que ainda pode evoluir muito nos próximos três a quatro anos. Encorpado, denso,carnoso, mostrando enorme vigor e personalidade, potente porém elegante de boa textura tendo necessitado de cerca de uma hora de decanter para finalmente começar a mostrar todas as suas virtudes. Passando da Toscana para o Friulli, um surpreendente e muito bom Cabernet Sauvignon, Pradio Rok 04* (Wine Company). Para não deixar pedra sobre pedra, um senhor vinho, de muito boa estrutura, denso, complexo nos aromas com nuances herbáceas e na boca, boa acidez num conjunto de grande personalidade. Vinho para acompanhar uma carne bem condimentada, perna de carneiro ao forno, pronto já babei! Do Veneto, um Valpolicella diferenciado do produtor Allegrini, é o saboroso Palazzo della Torre 04 (Expand), elaborado com Corvina, Rondinella e um tico de Sangiovese. Cerca de 70% do lote é viníficado de imediato, enquanto o restante passa por um processo de secagem em esteiras ao estilo amarone para posterior mescla dos lotes. Uma inovação do produtor que perde assim a classificação de DOC, menos importante do que o nome Allegrini que lhe confere a importância e prestigio que merece. Um vinho suculento, diferente, com um nariz muito agradável em que aparecem frutas do bosque e algo de baunilha. Na boca sabores complexos em que sobressai alguma fruta passa, bem balanceado, taninos finos e sedosos num ótimo final de boca que chama a uma boa carne, talvez uma costelinha?

          Do Piemonte, um bom Barbera d’Alba de Pio Cesare, um dos principais produtores e negociantes esta importante região. O Fides é excepcional e muito mais caro, mas este Barbera d’Alba 04 (Decanter) é um bom exemplo desta cepa que produz vinhos muito saborosos. De nariz intenso e boca rica de sabores, denso mas com bastante elegância, taninos aveludados, é um vinho de corpo médio para encorpado com boa persistência. Também da Decanter, um Montepulciano d’Abruzzo em um patamar muito acima dos demais. Nicodemi Notári 04 DOCG*, as melhores uvas plantadas na melhor região, Colline Teramane. Complexo, encorpado, algo mineral, uma pena que só provei um golinho no Decanter Wine Sow, pois mostrou um enorme potencial de guarda o que nunca tinha visto num vinho desta zona. Tenho que rever, mas podem anotar no caderninho, um grande vinho.  

         Para finalizar, alguns vinhos da Sicília, sendo dois deles brancos. O Zagra IGT 05 (Vinea Store) é elaborado com 100% de Insolia, uma uva autóctone da região. Muito aromático com toques florais de flores do campo, fruta tropical madura (abacaxi?) com uma cor amarelo palha com laivos dourados, bonito e límpido. Na boca é cremoso com boa estrutura, algo mineral, crescendo muito quando acompanhado de comida. Harmonizou bem com um filet de St. Perre coberto com creme de espinafre e gratinado com parmesão. Final levemente amendoado e muito saboroso. Sant Agostino Bianco 06* (Wine Premium), um vinho estupendo elaborado com um corte 50/50 de Catarrato e Chardonnay. O Chardonnay passa uns 4 meses em barricas de carvalho francês o que lhe dá uma certa cremosidade. No nariz remete a algo de melão e e frutos secos, mostrando na boca uma boa estrutura, untuosidade e longo final de boca. Sua versão tinta Sant Agostino Rosso 05 (também Wine Premium), é elaborado com um corte de 50/50 Nero d’Avola com Syrah num estilo mais global, potente e de boa estrutura, intenso, carnoso e elegante. A Nero lhe traz maciez enquanto a Syrah lhe aufere maior concentração e as notas de especiarias que marcam o final de boca de boa persistência. Um dos vinhos que mais me encantou nesta viagem pelo complexo e intrigante mundo dos vinhos Italianos, foi certamente o Passo delle Mule 05* (Portal dos Vinhos) elaborado com 100% Nero D’Avola. Quanto mais eu me aventuro pelos vinhos Italianos, mais me surpreendo pela qualidade geral apresentada. Este vinho é uma dessas gratificantes surpresas com que tenho a oportunidade de me deparar de vez em quando. Muita fruta e toques balsâmicos, num vinho denso, cremoso e complexo, boa estrutura muito elegante e com enorme equilíbrio. Taninos maduros e aveludados, boa acidez com um longo final de boca. Absolutamente sedutor e encantador, daqueles vinhos para você tomar com calma, sorvendo e descobrindo todos os seus segredos

         Acima deste nível alguns vinhos muito especiais que já comentei aqui em outros posts no mês como Barolos e Vinhos de Reflexão. Existem outros porém, que ficam entre esses dois patamares, como o Edizione Cinque Autóctoni* (Portal dos Vinhos) Amarone Clássico Ca ‘del Pipa Cinque Stelle* (Decanter) Barbera d’Alba Fides*  de Pio Cesare (Decanter), Brunello di Montalcino DOC de Casanova di Néri (Expand) e Castello di Ama Chianti Clássico (Mistral). Pelo preço aqui, são ótimas dicas de vinhos para trazer de fora, mesmo não sendo baratos lá também.

         Na semana que vem finalizo a nossa passagem pela Itália com uma série de destaques que nossos parceiros listaram para nossa seção de Boas Compras. Nos vemos na semana que vem, aproveitem o fim de semana com sabedoria e bons vinhos. Salute e kanimambo.

 

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Itália – Regiões, Cepas e Vinhos – Parte III

             Eis as principais regiões e seus vinhos. Nesta passeio de conhecimento pelas regiões Italianas, comecei a entender melhor seus vinhos e, conseqüentemente a apreciá-los. Uma de suas características fundamentais é a de serem vinhos muito gastronômicos o que faz com que, em uma degustação tradicional, seus vinhos se saiam normalmente piores que vinhos de outras origens. Realmente seus vinhos crescem muito quando acompanhados de um bom prato.

Lombardia – região de onde saem os melhores espumantes italianos, a DOCG Franciacorta, espalhada por 19 comunas ao redor da cidade de Brescia. Os espumante de Franciacorta, produzidos pelo método tradicional de fermentação na garrafa, são, também, os únicos capazes de rivalizar com os Champagne. Caso queira ver mais detalhes, eis um site interessante para fuçar, http://www.franciacorta.net/it/page.asp?id_cat=25. Para provar um Franciacorta de primeira, conheça o Bellavista (Expand).

Emilia-Romagna – mais conhecida entre nós pelos volumes grandes de importação do vinho Lambrusco, branco. Existe muita confusão entre os consumidores brasileiros que, por muitas vezes, o confundem com um vinho espumante e não um frizzante, que é o que realmente é pois possui somente uma a duas atmosfera de gás carbônico enquanto os espumantes exigem no mínimo três. O “verdadeiro” Lambrusco é elaborado tão somente com a uva tinta Lambrusco com, dependendo da região, Fortana e Malbo Gentile em pequenas quantidades. É produzido tanto na versão branca, rosé e tinto, sendo um vinho para consumo rápido já que não suporta envelhecimento. O que mais se exporta para o Brasil é vinho de baixa qualidade, muitas vezes gasificado artificialmente, corte de diversas uvas não autorizadas, sem grandes pretensões e muitas vezes estocados na porta de entrada do estabelecimento tomando sol. Não dá para se esperar muito de um vinho assim. Os melhores são os DOC que também são um pouco mais caros, e é um vinho muito mais elaborado. O maior consumo no Brasil é do branco (blanc de noir já que a uva é originalmente tinta) enquanto que na Itália é de, principalmente, tinto. Devido a sua forte acidez e presença de gás, é um vinho que acompanha bem refeições com bastante gordura, como a comida tradicional Mineira, ou uma boa feijoada. Não são grandes vinhos, mas podem ser alegres companhias para momentos descontraídos ou beira de piscina substituindo, com vantagens, a cerveja. Quer conhecer mais, clique em http://www.tutelalambrusco.it/.

Veneto – Mais conhecida entre nós pelos vinhos Valpolicella e, especialmente, os Proseccos que invadem as prateleiras de lojas e supermercados. Junto com os bons Proseccos DOC de Conegliano e Valdobbiadene, vem muita coisa de qualidade duvidosa em que se faria um favor ao palato se fossem trocados por espumantes nacionais. De qualquer forma, foram importante fator de divulgação e promoção dos vinhos espumantes no Brasil, o que por si só já é ótimo, pois gerou uma popularização do produto. O bom espumante Prosecco é elaborado pelo método charmat com um mínimo de 85% da uva prosecco, podendo receber um corte das cepas verdiso, perera e bianchetta. Se quiser ver mais, ente no site http://www.prosecco.it/, mas se quiser provar alguns excelente exemplares de Prosecco de qualidade, prove o Bedin (Decanter) e Incontri (Vinea Store).

Já os bons Valpolicellas, são vinhos muito saborosos, especialmente os Ripasso de Valpolicella, Amarones e Recioto, elaborados com as uvas autóctones Corvina, Rondinella e Molinara, podendo receber o aporte, até de 15%, de Barbera, Sangioves, Negrara e Rossignola. Nos Vino di Tavola, existem muitos no mercado, busque sempre comprar de produtores mais conceituados. Dos Valpolicellas; Ripasso, Amarone e Recioto, falarei em separado já que sua forma de eleboração é bastante diferenciada. Muito bons o Palazzo della Torre Allegrini (Expand) e Valpolicella Clássico Ripasso Costamaran (Decanter).

Piemonte – Berço de alguns dos principais vinhos da Itália e do mundo, com ênfase nos Barolos e Barbarescos elaborados com a uva Nebiollo (uva da neblina em função das neblinas de outono nas colinas da região) que, mesmo não sendo amais plantada na região, é a que produz os vinhos mais famosos. As cidades dão os nomes aos vinhos, junto com sua uvas, e não são poucos! O Barbera d’Alba (uva barbera nas cercanias da cidade de Alba), Barbera d’Asti, Dolcetto d’Alba (o nome da uva é Dolcetto, nada a ver com vinhos doces) são alguns bons exemplos disto. Região lindíssima de vinhos deliciosos. Os Barbarescos e Barolos são vinhos por vezes difíceis, muito encorpados e normalmente caros, porém alguns dos vinhos mais saborosos que tomei na região, são da uva Barbera entre eles um que me encantou, o Pio Cesare Barbera d’Alba Fides (Decanter), um sonho de vinho, dono de uma finesse e elegância incríveis. Em Tomei e Recomendo, dou diversas sugestões de vinhos da região, inclusive de Barolos, mas prove também os Barbera d’Asti; Le Orme (Zahil) e Valfierri (Vinea).

Abruzzo –  Os mais conhecidos são o Trebbiano (branco) e Montepulciano d’Abruzzo (tinto) também com a combinação Uva + Cidade, no nome. Importante não confundir a uva Montepulciano com a cidade do mesmo nome na Toscana, onde imperam outras cepas. Um dos meus preferidos para tomar bons vinhos sem gastar demasiado. Alguns dos maiores achados deste meu garimpo por terras Italianas, vieram daqui como; Nicodemi Trebbiano (Decanter) Bonachi Montepulciano (Mistral) e Dal Tancetto Zacagni (Expand) assim como o Notári (Decanter) e o Casale Vechio (Portal dos Vinhos) num degrau mais acima.

Puglia – Região não muito representativa, mas que começa a crecer de importância com o ressurgimento dos vinhos Primitivo de Manduria DOC, que dizem ser a origem para a cepa americana, Zinfandel. Os americanos não tendem a compartilhar dessa versão, mas na boca essa semelhança é latente. Também importante a DOC Salice Salentino. Duas recomendações para quem quiser conhecer vinhos da região são; Primitivo di Manduria Masseria Trajone (Portal dos Vinhos), Rosso Salento Santi Medici (Vinea) elaborado com a uva negroamaro e o Primitivo Puglia Di San Marzano (BR Bebidas) que é muito barato saboroso e ótimo para o dia-a-dia.

Toscana – Uma confusão danada em termos dos diversos tipos de Chianti e diversas versões da principal cepa, a Sangiovese. É também, de onde temos uma maior disponibilidade de rótulos no mercado, com algumas opções muito boas começando com níveis de preço bem baixos. Cuidado no entanto, tem muita coisa ruim por aí! Depois falo dos Chiantis (quando falar dos Valpolicellas) mas gostaria de começar pela cepa Sangiovese que é a principal uva usada na elaboração dos vinhos da região. Em Montalcino, seu clone recebe o nome de Brunello gerando os fantásticos, complexos, encorpados e caros Brunellos di Montalcio (uva + Cidade novamente) dos quais tomei poucos, sempre só degustação, mas o bastante para comprovar o porquê de tanto auê em cima destes rótulos. Em Scansano, recebe o nome de Morellino, daí o Morellino di Scansano um outro DOCG, este mais recente, tendo sido elevado em 2006. Em Montepulciano, recebe o nome de Prugnolo Gentile onde, em conjunto com outras cepas como Canaiolo Nero, gera os ótimos  Nobile di Montepulciano. Desta região saem também alguns incriveis e espetaculares vinhos de reflexão elaborados por grandes produtores com cepas e cortes fora do estipulado na regulamentação vigente. O mercado e os produtores, se encarregaram de denominar estes vinhos como Supertoscanos. Em Tomei e Recomendo I e II já publicados, e no III que espero publicar entre esta Sexta e a próxima Segunda-feira, listo alguns exemplares que valem a pena ser provados e não são caros, havendo opções para vários tamanhos de bolso e gostos. Como opções ao Brunello tente o Rosso di Montalcino, o mesmo sendo válido para o Nobile de Montepulciano, em que o Rosso é uma boa opção e mais em conta. Quer conhecer mais? tente este sites http://www.consorziobrunellodimontalcino.it/ ; http://www.chianticlassico.com/ e http://www.vinonobiledimontepulciano.com/.

Marche – Mais uma região em que se gasta pouco e se bebe bem. Os dois principais vinhos da região são o branco Verdicchio dei Castlelli de Jeisi e o tinto Rosso Conero. A uva Verdicchio, uma das mais antigas da Itália, dá vinhos de enorme frescor e muito agradáveis de tomar acompanhando peixes grelhados e frutos do mar divinamente, ou simplesmente como aperitivo. O Rosso Conero é tradicionalmente um corte majoritário de Montepulciano com Sangiovese, muito macio e saboroso. Se quiser conhecer mais sobre os vinhos da região, clique em www.imtdoc.it. Para provar estes vinhos, sugiro o produtor Umanni Rochi que possui tanto um como o outro por preços muito acessíveis (Expand).

Sicília – Estagnada durante tempos, a Sicilia vêm nos surpreendendo nos últimos anos com bons vinhos, junto com muita coisa ruim que sempre vem na bagagem assim que a região começa a ganhar alguma fama, e preços acessíveis. Os ótimos já começam a ficar salgados, mas os vinhos elaborados com uvas autóctones são diferenciados e muito saborosos. São cerca de 450 produtores, dos quais uns 10 são de primeira grandeza, sendo que 80% dos vinhos engarrafados, somente 20% da produção, vêm de somente sete produtores. Os vinhos elaborados com a uva Nero d’Avola têm me agradado muito e tomei um corte de Nerello Mascalese com Nerello Cappucio estupendo, o Firriato Etna Rosso (Wine Premium). Dos Nero d’Avola, o Masseria Trajone (Vinci) e Branciforti (Wine premium) são boas opções com um preço muito acessível, porém o Chiaramonte IGT (Wine Premium) é um vinho em outro patamar de qualidade e complexidade. Alguns bons brancos também, usando cepas autóctones como Insolia, Grecanico e Catarrato com uvas internacionais como o Chardonnay. 

Salute e kanimambo.

 

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Itália – Regiões, Cepas e Vinhos – Parte II

   O Brasil está infestado de vinhos mais baratos e de qualidade duvidosa, especialmente de chiantis, proseccos, valpolicellas, lambruscos, soaves e frascatis entre outros, porém existem exceções em tudo na vida. Mesmo nesses vinhos mais baratos existem produtos até que razoáveis dentro de suas características, mas há tanta coisa boa e tantas regiões a explorar, que devemos nos permitir explorar um pouco mais. Para ajudar nessa peneira e verdadeiro garimpo, creio importante conhecer um pouco melhor as principais regiões produtoras, suas cepas e zonas de classificação que não são lá muito fáceis de identificar. Na França, por exemplo, mesmo com algumas dificuldades há sempre a garrafa que dá uma indicação de que região o vinho vem. A garrafa da Borgonha é diferente da garrafa de Bordeaux que por sua vez é diferente da Alsácia e do Rhone. Tá, eu sei, quando chega no Loire ou no Languedoc não dá para saber, tudo bem, mas como disse há indicações não regras. De qualquer forma, creio que o grande problema tanto de um como do outro é que os reguladores ainda não se abriram para fora dos seus países, partindo do pressuposto que todos sabem onde fica determinada aldeia, demonstrando uma postura muito paroquial. Podiam sim, deixar claro nos rótulos a região onde foram elaborados; Borgonha, Marche, Loire, Bordeaux, Piemonte, etc.. Ajudariam sobremaneira o consumidor!

 

           Elaborei uma tabela que nos remete às mais importantes regiões produtoras, para que tenhamos uma idéia das uvas que dominam cada uma delas. São dados que, creio, nos ajudam no garimpo, assim como algumas outras informações que ainda estou por publicar. Importante, a meu ver, é não se limitar a Piemonte e Toscana e levar em consideração que em uma classificação DOC ou IGT, todo o vinho produzido ali leva a classificação no rótulo, porém há produtores de tudo quanto é tipo, com vinhos de tudo o que é qualidade. Nos vinhos DOCG, que são provados pelo órgão regulador a cada safra, os riscos são menores e geralmente os vinhos são de grande qualidade e preço.

            O Piemonte e a Toscana, são grandes rivais formando os dois mais importantes pólos produtores, onde são elaborados alguns dos mais incríveis néctares do país e do planeta. Os números são quase que idênticos em tudo, mas os vinhos são bem diferentes inclusive com cepas autóctones bem distintas gerando vinhos, também diferentes. Na próxima parte desta volta pelas regiões, cepas e vinhos da Itália, falaremos sobre os principais vinhos de cada região. Por enquanto lembre-se, se o vinho for Vino di Tavola, evite ou certifique-se do histórico do produtor ou reconhecimento publico do rótulo. Prefira os IGT, DOC e DOCG, bolso permitindo. Entre os Tomei e Recomendo, algumas boas opções e, opcionalmente, compre em um de nossos parceiros do vinho. Vinho italiano barato em supermercado, é prova de seu gosto pelo perigo!

Resumo de Dados por Principais Regiões Produtoras

 Região Produção em Hectolitros Hectares  Principais Cepas Vinhos e Denominações 
Toscana 70% dos vinhos são tintos.56% são DOC ou DOCG.   2.800.000 64.000 Brancas; Trebbiano, Malvasia e Vernaccia di San Gimignano. Tintas; Sangiovese/Brunello, Canaiolo, Mammolo, Colorino, Merlot e Cabernet Sauvignon. 7 DOCGs – sendo os principais; Chianti (7 sub-regiões), Chianti Clássico, Brunello di Montalcino, Vernaccia, Nobile de Montepulciano, Morellino di Scansano e 44 DOCS – sendo os principais; Bolgheri, Vin Santo, Valdichiana, Rosso di Montepulciano, Rosso di Montalcino Val d’Arbia, Val di Corta e San Gimignano.
Piemonte70% dos vinhos são tintos.56% são DOC ou DOCG.  2.700.000 58.000 Tintas; Barbera, Nebbiolo, Dolcetto, Merlot, Pinot Nero, Cabernet Sauvignon, Grignolino, Freisa e Bonarda. Brancas;Moscato e Chardonnay. 7 DOCGs – sendo as principais, Barolo, Asti,  Barbaresco, Gavi, Langhe, Gattinara e 44 DOCS – entre eles os;  Barbera d’Alba, Barbera d’Asti, Dolcetto d’Alba, Barbera Del Monferrato, Nebbiolo d’Alba, Freisa di Chieri e Carema.
Abruzzo  2.184.000 33.000 Tintas; Barbera, Montepulciano, e Sangiovese.Brancas. Trebbiano 1 DOCG – Montepulciano d’Abruzzo Colline Teramane e 3 DOCs – Montepulciano d’Abruzzo, Trabbiano d’Abruzzo (Branco) e Controguerra
PugliaSó 4% da produção é DOC  5.400.000 108.000 Brancas; Trebbiano, Bombino, Bianco d’Alessano.Tintas: Negroamaro e Primitivo 25 DOCs – as mais conhecidas são Primitivo di Manduria e Salice Salentino.
Friulli 60% da produção é DOC. 52% é de vinhos brancos   1.000.000 19.000 Brancas; Malvasia, Tocai, Pinot Grigio, Chardonnay, Verduzzo, Muller Thergau, Pinot Bianco, Moscato Giallo.Tintas; Refosco, Merlot, Pinot Nero, Cabernet Sauvignon, Franc, Schioppettino 1 DOCG – Romandolo e 9 DOCs entre os quais as principais são Colli Orientali Del Friulli e Friulli Grave
Marche62% da produção é de brancos.  750.000 24.000 Brancas; Verdiccio, Trebbiano, MalvasiaTintas; Sangiovese, Montepulciano. 12 DOCs, entre as quais as principais são Dei Castelli di Jesi (Brancos) e Rosso Conero.
Veneto79% da produção é DOC ou DOCG. 56% é de brancos.  7.700.000 73.000 Brancas; Prosecco, Verduzzo, Tocai, Chardonnay, Sauvignon Blanc,  Trebbiano di Soave, Garganega, DurellaTintas; Corvina, Rondinella, Molinara, Negrara e Barbera 2 DOCGs – Reciotto di Soave,  Bardolino e 11 DOCs sendo as principais; Soave, Valpolicella, Prosecco di Conegliano Valdobbiadene
Alto Adige55% dos vinhos são brancos.   953.000 13.000 Brancas; Riesling Itálico, Chardonnay, Nosiola, Sylvaner, Gewurtzraminer, Gruner Velltiner, Pinot Grigio, Moscato Giallo, Muller-Thurgau , Sauvignon BlancTintas; Merlot, Cabernet Sauvignon, Schiava, Teroldego, Pinot Nero 8 DOCs, sendo as principais; Alto Adige, Teroldego, Trento Caldaro, Trentino..
SicíliaSó 2,1% é de vinhos DOC.30% é de vinhos IGTGrande maioria é de Vinos di Tavola.  3.900.000 134.000 Brancas; Grillo, Catarrato, Grecanico, Inzolia e Malvasia.Tintas; Frapatto,  Nero d’Avola, Nerelo Mascalese, Syrah. 1 DOCG – Cerasuolo di Vittoria e 19 DOCs sendo as principais; Marsala, Etna, Eloro, Passito di Pantelleria, Salaparuta, Mamertino e Vittoria.
Umbria 60% é de vinhos brancos   1.000.000 16.500 Brancas; Grechetto, Verdello, Malvasia, Procanico, Sauvignon Blanc.Tintas; Sangiovese, Canaiolo, Gamay, Montepulciano,  Merlot, Sagrantino. 2 DOCGs – Montefalco Sagrantino, Torgiano Rosso Riserva e 11 DOCS sendo as principais; Orvietano Rosso, Assisi, Orvieto e Colli di Trasimeno.
Lombardia   1.100.000 26.950 Brancas; Chardonnay, Garganega, Pinot Bianco, Pinot Grigio, Riesling Itálico e Trebbiano.Tintas; Pinot Nero, Merlot, Barvera, Lambrusco, Cabernet Sauvignon, Barbera e Bonarda. 3 DOCGs, Franciacorta, Sforzato di  Valtellina, Valtellina Superiore e 15 DOCs, entre eles; Garda Clássico, Cellatica, Botticino e Lambrusco Mantovano. 
Emilia-Romagna57% de tintos.61% de vinhos DOC.   5.750.000 58.230 Brancas: Trebbiano, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pignoletto, Malvasia, Ortrugo.Tintas: Lambrusco, Bonarda, Cabernet Sauvignon, Barbera, Bonarda e Sangiovese. 1 DOCG, Albana di Romagna e 18 DOCs sendo os principais; Lambrusco di Sorbara, Lambrusco Grasparossa de Castelvetro e Salamino di Santa Croce, Sangiovese di Romagna e Colli Bolognese Pignoletto.

Os dados sobre o numero de classificações por região produtora é aproximado em função de uma grande diversidade de fontes e da dificuldade em obter dados oficiais. O restante dos números é oficial de acordo com os dados estatísticos de 2007 obtido junto ao site oficial do Instituo, www.istat.it.

Falando de Vinhos por João Filipe Clemente 

 
Salute e kanimambo.
 
 

 

 

Semana de Portugueses em Mês de Italianos

           Tenho andado meio relapso com meus posts de vinhos da semana e já tenho uma lista de três semanas de bons tragos para compartilhar com vocês. Os desta última semana, por incrível que pareça, eheheh, foram todos vinhos portugueses de preço médio e, em geral, bastante interessantes e saborosos.

 

  • Comecemos pelos brancos em que tive a oportunidade de rever, e tomar, o Quinta da Ameal Loureiro 06. Gosto muito dos vinhos elaborados com esta cepa e este é muito bom. Os sabores e aromas são diferentes, mas o estilo deste Ameal faz lembrar muito a delicadeza e sutileza dos bons vinhos do Mosel, na Alemanha, incluindo o teor alcoólico de 11.5º. Deliciosamente refrescante, grande intensidade aromática em que sobressai um encantador bouquet floral. Na boca é leve, suave, um toque de seda no palato em que aparecem frutos cítricos, toques de limão com um final de boca algo amendoado. Muito mineral, ótima acidez, alguma agulha muito sutil e bem típica dos vinhos verdes. Encantador e só senti pena que não tivesse uns camarões grelhados para acompanhar tendo, porém, na falta deles, harmonizado muito bem com um filé de Saint Peter. Na Seleto por R$49,50.
  • Monte da Cal 04,vinho regional Alentejano. Corte de Aragonez, Alchofreiro e Alicante Bouschet de bom corpo, carnoso, fechado, taninos firmes porém sem agressividade. Algo terroso e defumado, um pouco austero. Um vinho bem feito, bom preço, mas não chega a empolgar. Na Expand por R$29,90. $ 
  • 3 Pomares 05, o vinho de entrada do bom produtor Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. Da região do Douro, um corte de Touriga Nacional, Tinta Franca e Tinta Roriz de aromas bem frutados, franco, redondo, envolvente e sedutor. Taninos finos bem equacionados, boa acidez, grande equilibrio, elegante com um final de boca muito agradável que chama à próxima taça. Não é um vinhaço, nem é esse seu intento, mas é um vinho muito saboroso e bem feito, mostrando que os vinhos desta casa primam pela qualidade.  Na Vinea Store por R$59,00.
  • Bom Juiz 03, mais um Alentejano, desta feita um corte de Aragonês, Castelão, Trincadeira e Tinta Caiada. Extremamente agradável, saboroso e equilibrado, aromas de fruta madura, macio e redondo, de taninos finos e algo de especiarias num final de boca de média persistência. Um vinho que dá muito prazer de tomar e acompanhou muito bem um strogonof de filé mignon. Pelo ótimo preço de R$40,00 na Seleto, certamente uma visita que se tornará constante sob a minha mesa.  $
  • Quinta das Tecedeiras LBV 2001, um dos LBVs mais em conta no mercado, custando quase que o mesmo que boa parte dos bons Vinhos do Porto Ruby, porém num nível de qualidade bem acima. Possui um estilo mais potente, encorpado com uma certa rusticidade, mas sem pesar na boca. Generoso nos aromas de fruta madura muito presente com algumas nuances do que me pareceu ser chocolate. Bastante equilibrado, mostrou interessantes traços de mineralidade e penso que ainda evoluirá muito com mais uns três ou quatro anos de garrafa, quando deve amaciar. Como, por este preço, difícilmente estará disponível até lá, vale comprar umas três ou quatro garrafas e guardá-las por um tempo. Na Expand por $R$59,00. $

Salute e Kanimambo.

 

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