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Brasil em Números – Dados de Consumo

          Para quem gosta, eis alguns números pesquisados sobre o consumo de vinhos finos. Em alguns casos são estimados e, creio, podem variar em cerca de cinco porcento para cima ou para baixo, mas como os dados são tão dispares e incongruentes, há que se fazer alguns cálculos meio mágicos. Acredito, no entanto, que estes números estão muito próximos da realidade e possam lhe dar uma idéia mais precisa do que acontece em nosso pequeno mundo do vinho nacional.

Valores aproximados de consumo e produção anual de vinhos finos no Brasil

Origem

Litros

Importados

                                             60.875.073

Nacionais RS

                                             19.952.097

Nacionais Outros

                                               2.593.773

Espumantes

                                               8.500.000

Total

                                             91.920.943

 Os dados referente a Nacionais Outros, são estimados e calculados em cima das diversas informações colhidas das entidades abaixo mencionadas. Veja agora a evolução das importações e produção nacional do Rio Grande do Sul que responde por cerca de 86 porcento, meus cálculos, da produção nacional em litros.

 

 

2002

2003

2004

2005

2006

2007

Total Vinhos Finos Tranquilos Importados

25.940.096

28.525.147

37.652.046

39.331.791

48.596.849

59.758.155

Total vinhos finos tranquilos RS

25.259.850

23.211.221

19.727.449

21.912.640

21.776.182

19.952.097

Total vinhos Espumantes RS

4.267.545

5.369.902

5.477.154

6.745.027

7.664.237

8.560.413

Total Espumantes Importados

614.332

804.192

1.490.391

1.606.544

2.351.207

1.116.918

Total Importados + RS

56.081.823

57.910.462

64.347.040

69.596.002

80.388.475

89.387.583

Vejam abaixo o volume de consumo, todos os tipos de vinho inclusive de mesa, pelos maiores estados consumidores no ano de 2007 e a surpresa do consumo per capita onde os cariocas pulam na frente e derrubam todo mundo no processo! Sempre pensei que São Paulo fosse o maior consumidor per capita sendo seguido pelos estados do Sul, ledo engano.

Destino

 Total Litros – 2007

 % do total consumido

 Consumo p/capita

SP

        115.444.603

33,4%

2,9

RJ

          73.466.781

21,2%

4,8

PR

          36.074.660

10,4%

3,5

RS

          33.942.663

9,8%

3,2

MG

          17.436.034

5,0%

0,9

ES

          11.383.705

3,3%

3,4

BA

          11.045.225

3,2%

0,8

SC

            9.965.308

2,9%

1,7

PE

            8.402.192

2,4%

1,0

CE

            5.795.034

1,7%

0,7

GO

            4.484.300

1,3%

0,8

DF

            4.101.829

1,2%

1,7

Falando de Vinhos – Novembro 08. Fonte Ibravin

 

 Os quadros acima, foram elaborados com o cruzamento de dados colhidos entre  estatísticas recebidas da Ibravin, UVIBRA, Embrapa e Associação Brasileira de Enologia. Algo para você digerir enquanto finalizo o post sobre Santa Catarina.

 

Salute, Kanimambo e amanhã tem mais.

 

Ps. WordPress tá naqueles dias hoje! 

 

Brasil, Vinhos que Tomei e Recomendo – I

Ao longo dos tempos tenho tomado diversos vinhos brasileiros. Aliás, nos idos de oitenta não havia muitas opções, ou era isso ou tinha-se que ter o bolso bem recheado pois os importados eram caríssimos. Hoje existem muito mais opções no mercado, mas sempre tento provar os nossos nacionais e tenho visto um enorme salto de qualidade no produto. Acho que a nível comercial ainda há muito o que fazer já que é difícil encontrar os produtos, exceção feita a umas três ou quatro vinícolas maiores, nos diversos pontos de venda. O próprio consumidor conhece pouco de nossos produtos o qual olha com certo preconceito baseado em más experiências de anos anteriores. Por outro lado, em um ano de atividade tive somente um convite para degustação de vinhos brasileiros, a Cordilheira de Santa’Ana, a qual comentarei mais adiante, enquanto não tenho dedos para contar todos os convites que recebi de diversas importadoras. Isto, obviamente, reduz o nível do garimpo, conhecimento e capacidade de divulgação.

Por sinal foi incrível o baixo retorno das vinícolas, a grande maioria sequer se dignou a responder aos e-mails enviados, quando lhes informei do painel sobre vinhos brasileiros que estava realizando. Nada contra, ninguém precisa me atender e isto não é uma reclamação ou desabafo, cada um age da forma que acha devida e há que se respeitar isso, somente uma constatação de que o trabalho de pesquisa e garimpo certamente ficam prejudicados e esta ausência de informações, de acordo com conversas com diversos outros atuantes na área, parece ser uma característica do setor. Ou seja, o que quero externar, é minha opinião sincera de que grande parte das vinícolas brasileiras, obviamente que existem exceções e falo de forma genérica, são vitimas de seus próprios erros na ausência de uma política adequada de divulgação e distribuição. Num mercado competitivo que nem o Brasil, entre os quatro principais no mundo em termos de diversidade, com cerca de 18.000 rótulos só de importados, quem ficar sentado na vinícola esperando o cliente chegar ………

Enfim, o problema é mesmo dos produtores, não nosso e já dei palpite demais sobre esse assunto. Como consumidores o que queremos é tomar bons vinhos com bons preços e ter uma certa facilidade de acesso aos rótulos que mais gostamos. Nesse sentido, creio poder lhes sugerir alguns rótulos bastante interessantes, uns mais conhecidos, outros menos, baseado em minha experiência. Começo pelos mais baratos, como sempre faço, lembrando que as safras de 2002, 2004 e 2005 foram muito boas e são uma boa pedida para se procurar nas lojas, especialmente a 2005. Quanto aos vinhos brancos, melhor tomar o mais jovem possível e a safra de 2008 tem apresentado bons produtos.

 

Até R$30,00 uma série de vinhos que não têm a intenção de serem grandes, mas que são muito bons para o dia-a-dia e estão prontos a beber.

 brasil-002

  • A Miolo tem uma linha bastante grande de produtos, mas dentro desta faixa de preços os que mais me entusiasmaram foram o Miolo Reserva Merlot os Fortaleza do Seival Tempranillo e o branco Pinot Grigio. Uma ressalva, o Tempranillo 2005 estava muito bom porém não tenho tido boas informações sobre o 2006 então a safra é importante.
  • Marson Reserva Cabernet Sauvignon é um outro vinho de grande relação custo x beneficio que surpreende por suas qualidades com taninos finos e elegantes, muito harmônico, copro médio e saboroso passando seis meses em barrica de carvalho americano e mais seis meses em garrafa nas caves, uma bela pedida.
  • Marco Luigi Merlot, mais uma prova de que a nossa principal uva é a Merlot com bons produtos nesta faixa de preços e alguns ótimos em faixas acima. Um vinho muito redondo, equilibrado, boa fruta madura, boa acidez, muito apetecível com taninos macios e agradável final de boca.
  • Fausto Rosé da Pizzato, um rosé de merlot muito frutado, boa acidez, bem refrescante que acompanha muito bem comidas leves como um peru à Califórnia.
  • Adolfo Lona corte de Merlot/Cabernet 2004, um vinho diferente e bastante interessante com um nariz muito floral e intenso que assusta num primeiro momento mas que se encontra bem resolvido na boca com taninos doces, redondo e saboroso.
  • Cordelier Merlot, existe o reserva elaborado com uvas selecionadas, sem passagem por madeira e mais tempo de cave, e o básico com somente uns 4 meses de cave antes de ser lançado ao mercado e que vem acondicionado em uma garrafa que imita garrafa envelhecida. Os dois são bons, mas eu curto mesmo é o da garrafa envelhecida que tem uns aromas e paladar bem marcantes e uma ótima pedida pelo preço em torno de R$15 a 17,00, apesar de que o Reserva não fica atrás e pouco mais custa.
  • Rio Sol, um vinho surpreendente e, apesar de ser o mais barato da linha com preço ao redor de 20 Reais, é um dos meus preferidos. Corte de Cabernet Sauvignon com Syrah, é um vinho muito equilibrado, harmônico e saboroso que substitui amplamente a grande maioria dos vinhos nesta faixa trazidos do Chile e da Argentina.
  • Angheben Barbera 2007, provei ontem e é realmente uma grande pedida nesta faixa de preços, mostrando bom equilíbrio, taninos macios, médio corpo, redondo e muito agradável de tomar. O Touriga Nacional de que falam tanto não me conveceu e é bem mais caro.
  • Aurora Varietal Cabernet  Sauvignon e Merlot, são dois vinhos para aqueles dias de caixa baixo, já que estão abaixo do 20 Reais, mas que não negam fogo. São corretos, ligeiros, fáceis de beber e bastante agradáveis sendo ótima companhia para um belo sanduba de fim de semana, um caldo verde ou uma carne grelhada não muito condimentada.
  • Salton Volpi. Quero finalizar com esta linha de produtos da Salton que acredito ser uma das melhores, se não a melhor relação Qualidade x Preço x Satisfação no mercado. A Salton também possui uma linha mais barata, a Classic, que é correta, ligeira mas não me encanta. Já a linha Volpi recomendo sem pestanejar, especialmente o Merlot que é sempre muito bom, de taninos doces e sedosos num corpo médio, muito saboroso e de média persistência, um dos bons merlots nacionais e uma aposta certeira nesta faixa de preços, e os Pinot Noir e Sauvignon Blanc que tive o grato prazer de provar ontem. O Pinot 07 está em outra faixa de preços, falo depois, mas o Sauvignon Blanc 08 me encantou e conquistou desde a primeira fungada na taça! Surpreendente porque, apesar de ter alguns vinhos brancos nacionais de que gosto são poucos os que realmente me encantaram e este é uma delicia. Com baixo teor de álcool (11.9º), muito balanceado, nariz intenso em que aprece uma goiaba branca muito presente, e olha que meu nariz é meio fraquinho, frutado na boca, muito boa acidez o que o torna fresco, agradável e fácil de tomar deixando na boca aquele gostinho de quero mais.
  • Casa Valduga Premium. Esta linha possui vinhos de muita qualidade, porém com somente um rótulo que conheço e que cabe nesta faixa de preços, sendo um dos outros brancos nacionais de que gosto muito. É o Gewurtzraminer, que apresenta muita tipicidade com aqueles aromas florais e lichia, muito saboroso e ótima companhia para pratos orientais apimentados como curry de frango ou camarão.

É isso gente, conforme for dando vou publicando a seqüência dos posts sobre o Brasil já que ainda existe muito por falar e começo a receber novas e interessantes informações. Um abraço, bom fim de semana e amanhã tem a Coluna do Breno, depois no Domingo novidades, oportunidades e eventos. Volto na segunda-feira, Salute e kanimambo.

Brasil, Regiões Produtoras – I

Bem, cá vamos nós para mais uma volta por nossa vinosfera nacional. Antes de iniciar falando sobre as regiões, vejam alguns números adicionais que consegui obter. Estamos hoje com cerca de 90 mil hectares de vinhas plantadas para elaboração de vinhos e derivados, gerando cerca de 570 milhões de quilos de uvas diversas. Deste volume, a Wines from Brazil estima que cerca de 10.000 hectares se destinam ao cultivo de Vitis Vinifera para produção de vinhos finos. Nestas vinhas, algumas cepas aparecem com destaque especialmente a Cabernet Sauvignon e Merlot. De qualquer forma, me absterei de falar muito mais de números porque as fontes são poucas e as informações muito pouco claras quando não incongruentes. Assim que der tentarei me aprofundar mais nessa pesquisa.

 

Rio Grande do Sul é a mais importante região produtora de vinhos no Brasil e a mais organizada do ponto de vista de daos e informações. O embrião de tudo e a mais antiga, sendo responsável por cerca de 90% do total de vinhos produzidos no país, apesar de que acho que este número deva estar defasado. São três sub-regiões; A Serra Gaúcha que inclui entre outras sub-regiões e mais conhecida, única com Indicação de Procedência, o Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves (Bento Gonçalves, Garibaldi, Monte Belo), a Campanha Gaúcha (Santana do Livramento, Lavras, Alegrete, São Miguel e Candiota) na fronteira com o Uruguai e Serras do Sudeste (Pinheiro Machado e Encruzilhada do Sul). Na Serra Gaúcha, afora o Vale dos Vinhedos, outras áreas estão em processo de avaliação para instituir a denominação de Indicação de Procedência. São elas, de acordo com o site do vinho brasileiro (link aqui do lado), Vinhos de Montanha (Pinto Bandeira), Altos Montes (Flores da Cunha e Nova Pádua) e Monte Belo do Sul.

A Serra Gaúcha detém algo ao redor de 310 produtores dos quais os mais importantes são a Miolo, Casa Valduga, Lídio Carraro, Marco Luigi, Pizzato, Dal Pizzol, Cordelier, Boscato, Don Laurindo, Salton, Marson e Don Candido entre outras. Na verdade, existem mesmo cerca de umas 40 a 50 que realmente possuem alguma presença significativa no mercado. Solo ácido e arenoso, alto índice pluviométrico que, ainda por cima, atinge as vinhas no período de amadurecimento e na época da colheita forçando o produtor, muitas vezes, a colher a uva antes do tempo, não são as melhores condições climáticas para produção de vinhos de qualidade. Por outro lado, esta alta acidez e baixo teor de álcool decorrentes da colheita antecipada, são ótimas para a produção de bons espumantes que requerem grande frescor. Saul Galvão destaca que essas são condições similares às encontradas em Champagne onde os vinhos tranqüilos não são grande coisa, mas geram maravilhosos espumantes.

As principais uvas são Merlot e Cabernet Sauvignon. Como coadjuvantes vemos Cabernet Franc (em declínio) sendo seguida por cepas que vêm ganhando bastante espaço como a Tannat, Egiodola, Ancelota, Marselan, Tempranillo e Malbec entre as tintas. Nas brancas, a Moscato é a principal e usada na elaboração de delicioso vinhos espumantes, a Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling Itálico e Gewurtzraminer  com alguns pequenos lotes de diversas outras cepas. Apesar das dificuldades climáticas e de solo, os produtores vêm investindo forte nos vinhedos, em tecnologia, em conhecimento e desenvolvimento de novos produtos buscando seu lugar ao sol num mercado cada vez mais competitivo. Como poderemos ver mais á frente nos posts que virão com vinhos que Tomei e Recomendo, tanto em varietais como em cortes, a região tem produzido vinhos de muito boa qualidade com preços bastante competitivos exceção feita a alguns rótulos bastante caros. De qualquer forma, são ótimas opções a uma série de vinhos estrangeiros de origem afamada, porém de qualidade duvidosa.

É desta região também, que saem os melhores espumantes nacionais entre eles o Excelence de Chandon, Salton Evidence e Salton Ouro Brut, Miolo Millesime, Valduga 130, Valduga Premium Prosecco, Dal Pizzol Brut Champenoise e o Dal Pizzol Rosé, Pizzato Brut, Marco Luigi Reserva da Família Brut 06 e o excelente Moscatel, Marson Brut e outros muito conceituados, mas não provados, como os da Cave Geisse, Peterlongo, Don Candido, Aurora, etc. O que não faltam são rótulos de qualidade e adequados a cada momento e cada bolso, com mais ou menos complexidade. Pelo que tenho provado, lido e escutado, creio que posso afirmar que somos hoje a quarta maior força mundial na produção de espumantes de qualidade ficando atrás somente da França, Itália e Espanha.

A Campanha Gaúcha acompanha quase que toda a fronteira com o Uruguai e teve como pioneira a Vinícola Almadén em Santana de Livramento. Os investimentos que chegam para esta região são em grandes propriedades diferentemente da Serra Gaúcha que tem como peculiaridade as pequenas propriedades. É uma região mais fria com menor índice pluviométrico, apesar de ainda bem considerável para o cultivo de Vitis Vinífera. A topografia também ajuda na produtividade em função de ser plana, possibilitando a mecanização das lavouras. As uvas são todas nobres entre elas as principais são a Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Tempranillo e Touriga Nacional nas tintas e nas brancas a Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, Trebbiano, Semillon e Chenin Blanc. A Miolo com o projeto de Quintas do Seival e Fortaleza do Seival, é uma das principais vinícolas ativas na região. Eu gosto muito dos produtos da Cordilheira de Santa’Ana produzidos em Paloma na região de Santana do Livramento. Têm uma personalidade muito própria, creio que muito a ver com o terroir, produzindo dois brancos muito bons; o Gewurtzraminer e o Chardonnay assim como um bom Tannat que leva um corte de 15% de Merlot para amaciá-lo. O Cabernet Sauvignon também agrada bastante.

A Salton parece que também esta investindo na região que demonstra grande potencial de desenvolvimento. De acordo com Rosana Wagner, da Cordilheira, não existem números oficiais, porém aparentemente já são cerca de 1125 hectares de novos vinhedos. Uma região a ser acompanhada e provada de perto apesar do número de vinícolas ainda ser pequeno, algo ao redor de uma meia dúzia.

Serra do Sudeste, mais uma região nova de poucos players, ainda. Com condições climáticas similares ás de Campanha, mas mais ondulada e solo granítico. Lídio Carraro é um dos pioneiros da região, assim como o inventivo Tormentas. Angheben, Casa Valduga, Chandon, De Lantier e Aliança são outras vinícolas investindo nesta nova  e promissora região. Parece ser uma região aberta à experimentação com o plantio de cepas menos tradicionais como Teroldego, Castelão (piriquita), Barbera e Alicante Bouschet entre as já tradicionais castas tintas.  De acordo com o Saul Galvão, um dos melhores brancos nacionais que ele já tomou veio daqui e era um Gewurtzraminer, conseqüentemente vamos ficar de olho. Tenho ouvido falar muito do Barbera da Angheben, por exemplo, então há que provar os vinhos vindo destas novas fronteiras vinícolas.

Campos de Cima. Fiquei na duvida se mencionava esta sub-região já que a produção é pequena e praticamente se restringe a um projeto do empresário Raul Randon com a Miolo que gera o vinho RAR e algo de Marco Danielle, o mesmo do Tormentas, com a Vinha Solo. Pouco mais consegui encontrar sobre esta parte mais alta da Serra Gaúcha que inclui cidades como Muitos Capões, Vacaria, Cambará do Sul e Jaquirama a cerca de 1000 metros de altitude. Para efeito de localização, ali perto de Canela e Gramado. Bem como estava no mapa do Site do Vinho Brasileiro, agora está aqui o que consegui descobrir sobre este pedaço da Serra Gaúcha.

  Por enquanto é só meus amigos, na próximo post sobre as regiões produtoras, falarei sobre Santa Catarina e os vinhos de altitude originários de vinhedos plantados entre 900 a 1400 metros.

Salute e kanimambo.

Mailly Champagne Grand Cru

Para comemorações em grande estilo, a sugestão é o Champagne Mailly Grand Cru Brut Reserve. Esta bebida dos deuses se destaca entre seus pares franceses, feitas de uvas provenientes de vinhedos especiais, classificados como grand cru, é composta de 75% Pinot Noir e 25% Chardonnay, apresentando um tom amarelo dourado claro e brilhante, de aroma complexo de brioche tostado e paladar sem igual. Tive a oportunidade de provar este Champagne muito especial na última Expovinis e realmente me encantou por sua leveza e finesse. Sua perlage é abundante, persistente e fina com sur-lie de 3 anos que lhe dá profundas notas de fruta com ótimo frescor que mexem com nossas pupilas gustativas. Um Francês vibrante e muito elegante que me encantou tanto que tenho duas garrafas na adega, pedido que fiz a uma amiga que esteve em Paris recentemente.

A vinícola foi fundada em 1929 e mantêm seu compromisso e original vocação de produzir uvas em um solo excepcional para buscar sempre os melhores frutos. Um dos poucos vinhedos Grand Cru, somente 17, entre os 324 crus da região a Mailly produz espumantes exclusivamente com uvas de sua propriedade e somente néctares 100% Gand Cru. Não é barato, nem poderia, mas é um grande espumante do jeito que eu gosto, com muito frescor, intenso mas leve, de grande persistência e muito saboroso. Um elixir para momentos especiais.

A Champagne-Mailly chega ao Brasil pela Ana Import com cinco de seus produtos: Brut Réserve; Brut Rosé, Le Feu, L’Intemporelle e Les Enchansons. Seus preços partem de R$ 247, 00, para o Brut Reserve. Quer conhecer mais do produtor, clique aqui.

Salute e Kanimambo.

A Vitivinícultura no Brasil

Você sabia que as videiras chegaram ao Brasil pela mãos de Martin Afonso de Souza em 1532? Eu não! Aliás como não sei um monte de coisas sobre a vinicultura Brasileira. Mais ainda, acho que tem pouca gente que sabe realmente o que acontece por aqui e, se sabe, pouco divulga. Como a informação é essencial para expansão de consumo de qualquer produto, o consumidor brasileiro segue sendo um neófito sobre os produtos de seu próprio país! Bem, ainda não é hora de espinafrar nem reclamar, vamos dando seqüência à história por trás do presente. Acho que esta matéria vai ser bastante polêmica, mas vamos lá.

Quem primeiro iniciou o cultivo de vinhas e elaboração de vinhos no Brasil, foi Brás Cubas e depois os jesuítas em 1616, mas os projetos não vingaram por diversos motivos, entre eles o protecionismo comercial de Portugal tendo a corte chegado ao ponto de proibir o cultivo de uvas no Brasil em 1759. A introdução êxitosa de plantio de videiras, realmente ocorreu com a vinda de emigrantes italianos em 1875 que chegaram com diversas mudas trazidas de sua terra natal, em especial da região do Vêneto. A forte cultura de produção e consumo de vinhos trazido pelos colonos italianos serviu como uma forte alavancagem da produção de vinho, porém as videiras finas não se adaptaram bem às condições climáticas tropicais e de muita umidade tendo-se perdido quase que totalmente. Foi com uvas americanas, não viníferas, que a região se expandiu produzindo vinhos rústicos, de baixa qualidade e sem grandes atrativos.

Somente a partir de 1970 com a chegada de alguns grupos produtores internacionais, é que algo começa a mudar na vinicultura brasileira, à época muito centralizada na serra Gaúcha onde os colonos italianos se instalaram. Foi, no entanto, a partir de 1990, com a abertura do mercado, maior concorrência e necessidade de aprimorar produtos, que se iniciou um processo de reformulação da vitivinicultura brasileira. Grandes investimentos em tecnologia, equipamentos, vinhedos, clones mais adequados ao clima, descoberta de novos terroirs, nos trazem aos dias de hoje com enorme evolução e vinhos de grande qualidade com especial destaque para nossos ótimos espumantes de Garibaldi. Cada vez mais, pequenos produtores deixaram de produzir para as grandes vinícolas, alçando vôo próprio reduzindo ou deixando de suprir as grande vinícolas fortalecendo a disseminação de pequenas vinícolas familiares.

A região central, o núcleo de nossa história vitivinicola, tem origem numa área de cerca de 82 quilômetros quadrados na região da Serra Gaúcha a 130 kms de Porto Alegre, o nosso conhecido Vale dos Vinhedos que abrange parte dos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. Esta região, é a única no Brasil, com regulamentação e reconhecimento de Indicação de Procedência, um primeiro passo no caminho de se conseguir a denominação DO (Denominação de Origem). Como já vimos no primeiro post de introdução, no entanto, a vinicultura brasileira não está mais restrita a Bento Gonçalves tendo se expandido sobremaneira, alcançando inclusive o Nordeste num projeto impensável. Aliás, me faz lembrar aquele que “por não saber que era impossível, foi lá e fez”! Incrível o que uma pitada de ousadia, alta tecnologia e grande investimento podem realizar quando aliados a uma forte determinação na busca de um objetivo, mas isso fica para um outro dia. O importante é saber que nossa fronteira vinícola se expandiu e estamos fazendo grandes e ótimas descobertas que ainda nos trarão muitas alegrias.

Lamentavelmente, os dados disponíveis sobre estas regiões é muito escasso e mal gerido. Tente levantar quantos hectares de uvas viniferas estão plantados por região. Melhor ainda, busque informações sobre a produção anual de vinhos finos por região, ou quantos produtores, gente não existe! Nem Embrapa, nem Ibravin, nem Uvibra, ninguém tem esse número. Isso quando os números não são de cinco ou seis anos atrás. O que temos são dados generalizados, onde aparecem números genéricos do país sem qualquer detalhamento. Não sabemos quais as principais características de cada terroir, nem quais as principais uvas nele plantadas. Para quem busca informação, parece que para a industria brasileira do vinho, um vinho fino produzido em Pernambuco é de características similares aos de Santa Catarina ou do Vale dos Vinhedos, e isto não me parece a forma mais adequada de tratar estas informações. Por outro lado, pode ser que o problema seja meu e eu é que não tenha conseguido localizar as informações. Quem poder contribuir me informando o caminho ou quiser compartilhar dados, por favor não hesite em comentar, o espaço está aqui para isso.

Denominação de vinhos no Brasil. Neste sentido ainda estamos engatinhando, porém começamos no caminho certo com a primeira Indicação de Procedência para o Vale dos vinhedos em 2002. Pelo que pude ler, não muito conciso, existem já outras solicitações em processo de análise. Pela legislação brasileira de 2004, vinho é uma bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto simples de uva sã, fresca e madura. Vinho fino é aquele no qual somente são usadas uvas Vitis Viníferas. Eis a classificação vigente:

 

  • Vinho de mesa – Teor alcoólico de 8,6% a 14%
  • Vinho frisante – Teor alcoólico de 7% a 14% , natural ou gaseificado.
  • Vinho fino – Teor alcoólico de 8,6% a 14%, elaborado exclusivamente de variedades Vitis Vinífera do grupo Nobres.
  • Vinho de mesa de viníferas – Elaborado exclusivamente com uvas das variedades Vitis vinífera.
  • Vinho de mesa de americanas – Elaborado com uvas do grupo das uvas americanas e/ou híbridas, podendo conter vinhos de variedades Vitis vinífera.
  • Vinho leve – Teor alcoólico de 7% a 8,5%, obtido exclusivamente da fermentação dos açúcares naturais da uva, produzido durante a safra, vedada sua elaboração a partir de vinho de mesa.
  • Espumante ou Espumante Natural – Vinho cujo gás provém exclusivamente de uma segunda fermentação alcoólica do vinho em garrafas (método Champenoise/tradicional) ou em grandes recipientes (método Chaussepied/Charmat Teor alcoólico de 10% a 13%
  • Moscatel Espumante – Vinho cujo gás provém da fermentação em recipiente fechado, de mosto ou de mosto conservado de uva moscatel, Teor alcoólico de 7% a 10% Mínimo de 20 gramas de açúcar natural remanescente
  • Vinho Gaseificado – Teor alcoólico de 7% a 14%  cujo gás vem da introdução artificial de anidrido carbônico puro

Doravante, sempre e quando me referir aos vinhos nacionais, estarei falando de vinhos finos destacados em negrito acima. Destes vinhos, em 2007 foram produzidos algo ao redor de 43 milhões de litros, aparentemente os vinhos de mesa de Vitis Viniferas estão inclusas, contra uma produção de 45 milhões em 2005 e 32 milhões em 2006. O total de vinhos, todos os tipos, produzidos chega a pouco mais de 318 milhões de litros. Dos 43 milhões de litros produzidos, aparentemente cerca de 21 milhões advém do RS, de acordo com os números disponíveis no site da UVIBRA, dos quais aproximadamente 18 milhões de vinhos engarrafados e o restante a granel. Se olharmos as planilhas da UVIBRA com os dados de importação, podemos concluir que o total de vinhos finos engarrafados no Brasil, incluindo-se os espumantes, totalizam algo ao redor de 29.5 milhões de litros, ou seja, algo próximo a 32% do consumo brasileiro de vinhos finos que totalizam cerca de 90 milhões de litros. O interessante é verificar que, enquanto nos vinhos tranqüilos a participação nacional vem caindo e hoje chega a cerca de 26% do total, nos espumantes a situação se inverte com um total aproximado de 73% do consumo dos cerca de 11 milhões de litros. Se considerarmos estes números de consumo de vinhos tintos, chegamos a um consumo per capita anual de menos de 0,5 litros. Quando consideramos a produção de todos os tipos de vinho mais importação, chegamos a um consumo per capita aparente de 2,12 litros o que continua sendo um número extremamente baixo mostrando o enorme espaço para crescimento que o mercado possui se devida e eficazmente traballhado.

Valores aproximados de consumo e produção anual de vinhos finos no Brasil
Origem Litros
Importados                                              60.875.073
Nacionais RS                                              19.952.097
Nacionais Outros                                                2.593.773
Espumantes                                                8.300.000
Total                                              91.720.943
Fontes – Ibravim, UVIBRA e Embrapa Referência 2007

         Bem, por hoje é só que isto já vai longe. Considerando-se a falta informações disponíveis, a ausência de inspiração, a ansiosidade e angustia gerada pela confraternização do próximo dia 5,esperando que tudo saia a contento, até que  consegui gerar bastante matéria. Ou será que enrolei demais? Bem, de qualquer forma, na Segunda tem mais com os primeiros Tomei e Recomendo e depois a seqüência sobre as regiões e vinhos de nosso país, Boas Compras com nossos parceiros, etc.. No fim de semana, a coluna do Breno e as noticias e novidades de nossa Vinosfera. Aproveitem e até Segunda.

Salute e kanimambo!

Novas Descobertas

È meus amigos, estas minhas viagens pelo garimpo volta e meia me apresentam descobertas muito interessantes. Incrível os bons e saborosos vinhos que conseguimos encontrar por preços bem acessíveis, se realmente saímos e fuçamos um pouco no mercado. Na ultima semana tomei estes quatro rótulos muito interessantes que convido você a provar.

Primitivo San Marzano 06 IGT, um vinho da região da Puglia. Um vinho surpreendemente bom pelo preço, vindo para provar que nem todo vinho barato é ruim, mesmo quando italiano. Um verdadeiro achado do Fredo, Jorge e Cia lá da BR Bebidas. Quando se olha no contra-rótulo se descobre o porquê, é que a vinícola está ligada ao grupo Farnese um dos melhores produtores italianos com braços espalhados por diversas regiões produtoras e, desses mesmos vinhedos, produz alguns néctares de grande qualidade. Este é escuro, denso, chega a tingir a taça. De ótima concentração, na boca apresenta muita tipicidade da cepa com ótima acidez, taninos finos e aveludados. O final de boca é muito saboroso e agradável apesar de relativamente simples. A percepção de valor é bem superior ao preço de R$22,00 que a BR vende. Para o dia-a-dia, um vinho realmente muito bom! $ 

Les Salices Viognier 06 de Jaques e François Lurton, produtores franceses com investimentos espalhados pelo mundo inteiro. Produzem também, o ótimo Fuméss Blanche um Sauvignon Blanc muito bom e de bom preço. Este Viognier é um VdP (vin de pays) de boa tipicidade no nariz, boa intensidade mostrando frescor e algo floral. De corpo médio, bem balanceado, untuoso, algo cítrico, um bom exemplar desta cepa que começa a ganhar espaço no mercado.  Na Zahil por R$51,00.

 

Beringer Founder’s Estate Pinot Noir 05, da Califórnia, Estados Unidos. Uma novidade da Expand que o trouxe ao Brasil há pouco tempo e que, agora tenho oportunidade de  tomar e apreciar. Diferentemente das degustações, em que a gente basicamente “bica” o vinho, eventualmente duas vezes, nos vinhos da semana literalmente tomo e aprecio o vinho, muitas vezes acompanhado de comida, o que produz percepções e emoções diferenciadas. Provar uma novidade é sempre muito legal porque entramos desprovidos de informações e influências outras que não o da descoberta e esta safra foi especialmente boa o que aguçou minha curiosidade. Este Pinot é uma gostosa descoberta, mesmo não sendo um grande vinho e nem se propõe a isso. De médio corpo, taninos médios, um pouco genérico nos aromas e muito agradável de se tomar, mostrando estar muito redondo, harmônico e macio, fácil de agradar. Uma boa opção para conhecer o estilo dos pinots da Califórnia, tradicionalmente caros, sem que se tenha que provocar um rombo no bolso. Na Expand por R$59,00

 

Subsídio 06, do bom produtor alentejano, Lima Mayer, vem este vinho muito interessante, corte de Aragonez, Syrah, Alicante Boushet e Cabernet Sauvignon produzido na sub-região de Monforte. De nariz contido, necessita de um tempo em taça para se abrir em gostosos aromas de frutos silvestres. Sem ser um blockbuster, é um vinho correto, descomplicado, bom equilíbrio e estrutura, taninos arredondados e maduros, pronto a beber e de um final de boca bastante agradável e fácil de gostar. Na Seleto Vinhos por bons R$38,30.

 

Ps. os preços são de uns 15 dias atrás, há que conferir se ainda se mantêm.

 

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

Degustando Argentina II

Bem, afora me ter esbaldado e tomado alguns dos melhores vinhos Argentinos fora do alcance da maioria de nós pobres mortais, tive a oportunidade de também descobrir alguns verdadeiros achados com preços realmente inacreditáveis pela qualidade que entregam e prazer que geram.

 

Trivento, importação da Wine Premium produz alguns vinhos realmente muito interessantes por preço bem camarada. Desde a linha Tribu com um Pinot Noir muito gostoso para o dia-dia por preço ao redor de R$25 e o muito bom Amado Sur por cerca de R$ 45,00, vinhos que já conhecia e já recomendei, provei agora o espumante Brut Nature elaborado com um corte de 60% Pinot e 40% Chardonnay, muito agradável, balanceado e fresco com uma bonita cor decorrente da alta participação da Pinot. Está por somente R$37,00 o que concorre diretamente com nossos espumantes nacionais, e é um produto que me agradou bastante.

 

Bodega Augusto Pulenta da região de San Juan, é mais uma importação da Wine Premium que vale a pena conhecer pela incrível relação Qualidade x Preço x Prazer. Provei um rose de Syrah, mais um, que gostei demais e está por chegar ao Brasil, é o Valbonna Rosé 07 que, apesar de seus 14º de álcool, mostrou um equilíbrio muito bom. Não tem um nariz de grande intensidade, mas na boca é uma delícia, suave, fresco e muito agradável por cerca de R$35,00. A Maria Andréa Pulenta, simpática e bonita representante da Bodega, me explicava que eles estão desenvolvendo um trabalho com a Syrah em San Juan, que começa a apresentar ótimos resultados podendo-se transformar na cepa ícone da região. Tenho que concordar que me parece um projeto muito interessante já que o Valbonna Syrah 2007, um vinho de entrada sem madeira apresentando boa tipicidade no nariz em que afloram frutas vermelhas, é muito saboroso e tem um final de boca muito agradável e especiado. Uma ótima opção para quem quer iniciar seus conhecimentos na uva syrah, ainda por cima porque essa gostosura está por somente R$28,00, imperdível. Possui ainda um vinho top com produção limitada a 8 ou 10.000 garrafas anuais dependendo da safra, 100% Cabernet Sauvignon, por sinal uma marca registrada deles já que todos os varietais são 100%, muito agradável. O Augusto P. 2002, está absolutamente pronto a beber, mas já perdeu muito de seu fulgor e vida, não sendo um vinho de grande guarda apesar de seus doze meses de carvalho e outros tantos de garrafa em cave. É um vinho que deve atingir seu apogeu aí com seus quatro a cinco anos de vida.

 

Cuvelier Los Andes, uma das bodegas do projeto Los Siete na Argentina, uma associação de sete bodegas de investimento francês tendo o Michel Rolland como principal orientador técnico. Tem um Malbec puro que é bom, mas não me encantou. Agora o Grand Vin, corte que tem como protagonista a prória Malbec com 70% a qual se misturam a Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Syrah é um grande vinho, especialmente o 2006 que provei. O 2004 é um vinho potente, quente na boca (15.5º) de grande impacto na boca e taninos finos mostrando boa persistência, mas não me apaixonei. Já o 2006 está estupendo apesar de ainda muito fechado no nariz. Na boca explode em sabores complexos, ótimo corpo de grande estrutura, boa concentração, denso, rico, taninos firmes de muita qualidade e grande elegância. Vinho para decantar por uma hora e se deliciar com toda a sua exuberância. Gamei e está por cerca de R$198,00 na Expand que importa e distribui este rótulo nacionalmente. Parece que o 2006 ainda não está pronto, estando por chegar o 2005, que, de acordo com o enólogo da bodega, está superior. Que venha!

 

 

 

Fabre- Montmayou Patagônia e Mendoza, duas bodegas em um só projeto, produzir bons vinhos extraindo o melhor do terroir de cada região, a preços justos que remunerem adequadamente o produtor mas que permitam que o mesmo seja consumido por pobres mortais como você e eu. Adorei o conceito e adorei os vinhos! Comecei por um estupendo Chardonnay 07, que tanto eu como o Jorge Carrara apostávamos que tinha passado em madeira e teríamos perdido, elaborado com cepas extraídos de vinhedos de cerca de 60 anos, de grande estrutura, nariz intenso de ananás e algo de baunilha (mas sem madeira). Na boca, todavia, aquela sugestão de madeira desaparece, é balanceado, saboroso, um delicioso final de boca e um vinho essencialmente gastronômico. Um dos melhores Chardonnays de Mendoza que já tomei, por apenas R$35,00! Mas tinha mais!! Na mesma faixa de preço um Malbec 05, ainda demonstrando uma certa jovialidade e uma estrutura dificilmente vista em vinhos nesta faixa de preços. O Gran Reserva Malbec 06, um vinho já de outra grandeza que apresenta boca um pouco tostada, bem balanceado e de boa persistência e gostei muito do Gran Reserva Cabernet Sauvignon 04, ambos por cerca de R$59,00, que possui um nariz de boa intensidade, redondo, elegante com leve toque de pimenta num fim de boca muito agradável. O Grand Vin Mendoza 05, é um grande vinho, corte de 85% Malbec, 10% Cabernet Sauvignon e 5% de Merlot, especialmente longo na boca que e precisa de tempo de decantação sendo apenas uma criança tentando dar seus primeiros passos. Um belo vinho que deve estar divino em mais um ou dois anos, fazendo jus aos grandes vinhos de Mendoza.

         Da Patagônia, dois vinhos especiais para o meu gosto; o Barrel Selection Cabernet Sauvignon 2006 mostrando muita personalidade, ótima estrutura, taninos firmes ainda, mas de grande elegância por cerca de R$59,00 e o maravilhoso Merlot Gran Reserva 05, para mim o melhor Merlot argentino que já tomei e, se estiverem pensando num presente para mim, já acharam! Muito complexo, paleta de aromas intensa e gostosa, boca redonda, boa concentração, ótima textura muito harmônico uma delicia para ser saboreado com calma e tranqüilidade usufruindo tudo o que ele tem a oferecer. Por R$98,00, uma bom custo x beneficio num vinho que nos dá muito prazer. Mais uma exclusividade da Wine Premium.

 

Para finalizar, um passeio no meu parque de diversões preferido e, desta vez, com direito ao tratamento completo, Achaval Ferrer. Quem lê este blog com uma certa regularidade, sabe que sou um apaixonado pelos vinhos deles, que possuem uma personalidade muito própria, tendo alguns em minha adega. O Malbec “básico” 07, estava especialmente macio e muito saboroso sempre uma grande opção e desta vez mais pronto que o normal, não há o que falar do Quimera 05 que começa agora a mostrar toda a sua exuberância e os absolutamente exuberantes Finca Mirador 05 e 06. O 2006 está especialmente divino, um grandíssimo vinho com preço idem e se uma boa alma me presentear com uma garrafa, certamente terá minha eterna gratidão. Um vinho realmente extraordinário e inesquecível de enorme elegância e complexidade! Provei também o excelente Altamira, mas o estilo dos Mirador têm mais a minha cara. Não vou nem ficar com muito lero sobre estes vinhos, compre ao menos uma vez uma garrafa do básico, vá do 2007 que está ótimo, e depois conversamos.

         Os grandes achados, Augusto Pulenta Valbonna Syrah, Trivento Tribu Pinot Noir e Fabre-Montmayou Chardonnay. Preferidos que, eventualmente, cabem no bolso, Fabre-Montmayou Patagonia Merlot Gran Reserva e Achaval Ferrer Malbec “básico” 2007. O grande vinho, sem dúvida alguma o Achaval Ferrer Mirador 2006. Os preços podem variar já que esta zorra financeira com explosão da taxa cambial, pode comprometer os preços de importados caso a situação persista e me parece que muitos já aumentaram entre 15 a 20%. Se tiver uns trocados, que não tenham ido na bolsa, aproveite e faça um pequeno estoque preventivo, se ainda encontrar.

Salute e Kanimambo!

Cobrando Brasil

Estava esperando para ver quem seria o primeiro a me cobrar matéria sobre os vinhos Brasileiros e pensei que hoje seria um bom dia para me antecipar às cobranças. Eheheh dancei, a amiga Helô chegou antes! Com esta história do evento de aniversário da coluna que se tornou algo bem mais complexo de administrar do que pensava, com uma série de atividades profissionais e visitas do exterior que me atrapalharam, uma certa dose de falta de motivação e iato criativo, falta de material para pesquisa tornando mais difícil a elaboração de matéria minimamente aceitável dentro dos padrões que defini para este folhetim do vinho, tudo colaborou para que a roda não girasse dentro dos moldes normais e estou para lá de atrasado nessas matérias. Uma coisa garanto, vai ser difícil inventar uma promoção dessas novamente, certamente não da forma como inocentemente a elaborei! Marinheiro de primeira viagem dá nisso. Coisa de louco sô!

Por outro lado, o mês de Novembro está meio sem tema já que o jornal vai dedicar a coluna à cobertura do evento de confraternização e premiação deixando-me assim, um pouco mais livre para seguir desenvolvendo a matéria sobre nossos vinhos Brasileiros. Preciso de tempo para pesquisa. O que posso adiantar, desde já, é que o apreciador de vinhos no Brasil não mais depende de vinhos do exterior para tomar bons néctares. De vinhos para o dia-a-dia até vinhos de grande complexidade, passando pelos varietais  mais conhecidos até os mais exóticos e de cortes de muito boa qualidade, o vinho Brasileiro é uma realidade que só necessita de um maior investimento no âmbito comercial para deslanchar nacionalmente. Quem duvidar sugiro que abra o olho e algumas boas garrafas, creio que mudará de idéia bem rapidinho.

Algumas dessas estarei destrinchando nos posts, mas aqui vão algumas boas dicas, sem resenha e sem comentários, que tive o privilégio de tomar  nestes últimos dias; de Santa Catarina um estupendo Villa Francioni 04, top de linha da vinícola e corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Malbec , o delicioso e recém lançado Villaggio Grando Cabernet Sauvignon e o Sanjo Nubio Rosé, verdadeiro achados; já do Vale dos Vinhedos e com preços mais camaradas alguns belos vinhos com estilos e cepas diferentes a começar pelo Tannat 05 da Dal Pizzol muito redondo e saboroso, os muito ricos e vibrantes Merlot Reserva e Eggiodola Reserva 2005 da Pizzato e o Cabernet Sauvignon Premium 05 da Casa Valduga. Para finalizar, provem o Chardonnay e o Tannat da Cordilheira de Sant’Ana da região da Campanha Gaúcha quase fronteira com o Uruguai duas ótimas opções. Comprem, tomem e depois comparemos sensações, sabores e emoções. Eu gostei demais!

Peço desculpas aos amigos e alguns produtores que aguardam estas matérias, mas prometo que logo, logo elas começarão. Enquanto isto aproveitem o restante dos posts. Creio que há bastante coisa interessante e algumas boas dicas e descobertas de bons vinhos tomados com ótimos preços, mesmo que sendo de outras origens. Aguardo também, receber os destaques de nossos parceiros comerciais para começar a postar alguns Boas Compras na semana que vem. Enquanto isso, deliciem-se com esta inusitada dica de harmonização! Salute e kanimambo, neste caso pela paciência.

 

“Finalmente me lembrei – Tinto com caçadores e Brancos com pescadores”.

Degustando Argentina I

         

           Neste últimos dez dias, tive a oportunidade de provar uma série de vinhos Argentinos. Uns foram verdadeiros achados, outros me surpreenderam bastante, enquanto outros só vieram confirmar a excelência pela qual sua produção é regida.

         Neste primeiro post, falarei da Hacienda Del Plata, de importação da Vinea e disponível na Vinea Store. Alguns vinhos muito interessantes, de boa qualidade e preços bastante convidativos. Três linhas; a básica composta do Sauvignon Blanc 2007, o Reflejo Rosé de Syrah 2007 e o Zagal Malbec 2003; a linha intermediária Arriero Reserva com um Syrah, um Malbec e um Cabernet Sauvignon e o topo da linha os Gran Reserva Mayoral nas versões Syrah e Malbec. Falemos um pouco daqueles que tive oportunidade de degustar.

Me surpreendeu o delicioso Nevisca Sauvignon Blanc 07, advindo de clones italianos e plantados em uma área da vinícola mais baixa e mais quente, a cerca de 600 metros de altitude quando o tradicional é buscas zonas mais frescas. Possui uma paleta olfativa intensa em que aparecem frutas tropicais e algo cítrico. Sem madeira, suave e bem balanceado mostrando bom frescor na boca. Após um tempo em taça, o vinho abriu ainda mais, mostrando aromas algo florais de forma sutil e muito delicada. Gostei muito, ainda mais pelo preço que está em R$38,00.

O Reflejo Rosé de Syrah 07, também me agradou muito, sendo um vinho diferente do que estamos habituados a ver e em que aparece muita framboesa e fruto doce. Este é mais gastronômico porem sem perder o frescor e vivacidade, típicos de vinhos deste estilo. Certamente acompanhará muito bem um peru á Califórnia ou como entrada, como foi o caso, acompanhando uns canapés de carpaccio com pesto e bruschetas de búfala. Legal o preço que também está em R$38,00.

Zagal Malbec 04, um vinho que já tinha dado uma chamada aqui no blog em função de um artigo de Eric Asimov do “The Pour” com link aqui do lado. Vinho de bom nariz com fruta madura e algo floral. Na boca é denso, rico, bem especiado, bom equilíbrio, corpo de boa estrutura, boa acidez, taninos finos, tudo muito correto com final de boca muito agradável e de boa persistência. Qualidade surpreendente para um vinho nesta faixa de preços, R$48,00.

O Arriero Reserva Syrah 2004 apresentou um nariz de boa tipicidade, fruta algo caramelada, bom corpo, entrada de boca firme que arredonda no meio de boca e termina aveludado. Mostrou estar bem balanceado, apesar de seu alto teor de álcool em torno de 14.5º que refletiu num final de boca um pouco quente que não chega a incomodar. Um vinho muito bom, mostrando que a Argentina também possui bons exemplares de Syrah. Preço de R$69,00.

Arriero Reserva Cabernet Sauvignon 2003, para mim um vinho extremamente sedutor e encantador que mexeu com as estruturas de grande parte dos convidados presentes. A meu ver, o grande campeão no quesito Qualidade x Preço x Prazer que, ainda por cima está com um preço muito acessível. Quis comprar, mas ainda não tinha chego do porto, quem sabe você ainda acha! O incrível é que em 2004 o vinhedo foi dizimado por uma tempestade de granizo e não mais conseguiu repetir o mesmo nível de qualidade. É único e não dá para perder. Vinho de muita personalidade, aromas gostosos, taninos doces, boca harmônica, delicioso final de boca, me conquistou, é o meu vinho! Não vou falar muito, compre e confira, duvido que se arrependa. Preço R$ 69,00.

Mayoral Gran Reserva Malbec 2005, vinho de grande potência, ainda jovem, meio amarrado, taninos ainda bem firmes, mas mostrando enormes qualidades que devem desabrochar em mais um ano ou dois. Já o 2004, está pronto, redondo, sedoso com muita fruta, grande equilíbrio, um belo vinho por R$98,00.

No bate papo com o produtor, duas frases importantes que mostram bem o porquê desses bons vinhos:

  • Barricas e tecnologia todos os têm, o que difere um produtor de outro é o pequeno pedaço de terra que cada um possui.
  • Espero que tenham gostado, porque é uma parte de mim.

Logo, logo a segunda parte dessas degustações de vinhos Argentinos.

Salute e kanimambo.

Cosecha Histórica 2007.

Foi com essa chamada que fui gentilmente recebido pelo pessoal da Concha Y Toro que apresentou seus vinhos da Casillero Del Diablo 2007 ao mercado. Vinhos já conhecidos de boa parte do consumidor Brasileiro, que chegam pela primeira vez pelas mãos do próprio produtor depois de muito passear por mão de terceiros  e já chega arrebentando a boca do balão, coisa do capeta mesmo, pois os vinhos estão realmente muito bons. Grandes safras necessitam de pouca chuva, especialmente na época da colheita, temperaturas mais apenas e mais homogêneas sem grandes picos e baixa produtividade gerando uvas de maior concentração. Pois bem, os astros se juntaram em 2007 e produziram no Chile uma das melhores safras de todos os tempos e, “para variar”, num ano impar!

Uma primavera fria conteve o entusiasmo das plantas em produzir excessivamente, chuva no verão refrescando os vinhedos e um outono cálido que permitiu um melhor amadurecimento das uvas. Resultado final; quase 30 por cento de redução de volume de uvas produzidas, temperaturade cerca de 10 por cento abaixo da média e 25  por cento menos de chuva na época da colheita gerando vinhos Premium de grande concentração, teor alcoólico mais baixo, muito suaves, de taninos finos e maduros mostrando muita elegância. Os varietais tintos da Casillero del Diablo, mostram tudo isso com muita personalidade e foram especialmente abençoados.  Nós consumidores idem, porque podemos desfrutar desses bons vinhos sem que para isso precisemos estourar nossos orçamentos já que estarão no mercado por preços que variam de R$30 a 35,00 dependendo do local de compra.

São cinco os varietais que nos chegam ao mercado e que tive a oportunidade de degustar; Merlot, Malbec, Carmenére, Syrah e o Cabernet Sauvignon. Todos muito bons, mas a meu ver três se destacam e me chamaram a atenção.

Merlot, sou um amante dos nacionais e sempre tive alguma dificuldade em encontrar rótulos chilenos que me agradassem. Pois bem, minha busca cessou, achei! Este Merlot está muito bom, muito suave e elegante, bem frutado com boa paleta aromática, fresco, daquelas garrafas que certamente acabarão rápido demais deixando aquele gostinho de quero mais na boca. Rubi intenso, opaco, denso, rico e muito harmônico com um saboroso final de boca de taninos maduros e sedosos. Um vinho sedutor, fácil de agradar e ablutamente pronto a beber.

  • Malbec foi uma enorme e grata surpresa, até porque é novidade por estas bandas. Prima pelo equilíbrio, boa textura, nariz de boa intensidade em que a fruta, madeira e especiarias se mesclam em perfeita harmonia. Na boca é rico, de taninos finos e aveludados, corpo médio, suave, muito elegante apresentando uma boa e agradável persistência com algo de caramelo ao final. Muito bom, pronto para beber, mas mais um aninho de garrafa só lhe fará bem.
  • Syrah é um vinho de mais corpo, maior estrutura e só vem confirmar o que venho falando sobre as qualidades dos vinhos chilenos produzidos com esta cepa. No nariz apresenta fruta madura com algo de especiarias mostrando boa tipicidade. Na boca ainda está um pouco fechado, muito rico de sabores, taninos firmes, porém finos e bastante sedosos mostrando boa integração sem qualquer agressividade. Um vinho cativante, de boa complexidade, longo que certamente escoltará maravilhosamente bem um belo pedaço de picanha. Um vinho que já está bom, mas crescerá muito ainda por pelo menos mais uns dois anos quando a elegância deverá se sobrepor a uma certa virilidade jovial do momento. Uma verdadeira pechincha pelo preço e um dos grandes achados do ano.

         Não é da Cosecha Histórica e sim de 2008, então teoricamente não deveria estar por aqui, mas não resisti. Provei o Sauvignon Blanc 2008 com screw cap, fechamento usado por eles nos vinhos aromáticos, de que gostei muito. Muito intenso no nariz e muito fino na boca onde apresenta bastante frescor, algo cítrico e uma certa mineralidade que me agradou muito. Na mesma faixa de preços dos tintos, mais um que certamente visitará minha mesa com uma certa assiduidade.

           Para quem, como eu, gosta de conhecer um pouco mais da história por trás do vinho, a Concha Y Toro é o maior grupo produtor de vinho no Chile, com vendas, somente da linha do Casillero del Diablo, de cerca de 3 milhõres de caixas, dos quais aproximadamente 18% é de brancos. Com 95% da produção exportada, só o Cabernet Sauvignon, que é a grande mola propulsora de toda a linha, responde por um total de 33% da produção e vendas. Está entre os dez maiores grupos vinicultores mundiais, com uma vasta e ampla linha de produtos sempre muito bem posicioanda do ponto de vista da relação Qualidade x Preço x Prazer. Números impressionantes e incrível  como conseguem manter este padrão de qualidade com tamanho volume de produção! Mas de onde vem um nome tão incomum para um vinho? Diz a lenda, que foi Don Melchor, fundador do grupo, que nos idos do século 19 no intuíto de coibir roubos de suas mais preciosas garrafas que alí envelheciam, lançou o boato de que em suas caves mais profundas habitava o demo. Aparentemente funcionou, tanto que os roubos cessaram e até hoje seus melhores vinhos envelhecem nessas caves. Casillero del Diablo ou “Cave do Diabo”, na verdade, tornou-se foi uma benção para nós consumidores àvidos de bons vinhos por bons preços. Gracias Don Melchor

Salute e Kanimambo!