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Vinhos da Semana – Um Pouco de Tudo

          Um período interessante com vinhos de diversas regiões e cepas. Uns vinhos conhecia, outros não, uns confirmaram outros, não. Enfim, a diversidade e surpreendentes sabores que fazem com que nossa vinosfera seja um eterno processo de garimpo e descobertas.

 

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La Posta Bonarda 2006 – da Estela Armando Vineyards, este foi uma recomendação do Luiz Horta que, mais uma vez acertou na cabeça. Esta cepa quando bem trabalhada, produz caldos muito interessantes e agradáveis o que se confirmou neste vinho. De bonita cor rubi intensa, aromas de frutas silvestres e nuances de fumado advindos da madeira, tudo muito sóbrio e bem harmonizado na taça. Na boca é muito saboroso de taninos amistosos e aveludados, bem equilibrado, boa estrutura com um final de boca de média persistência e algo apimentado. Um vinho que me agradou sobremaneira. Em agosto do ano passado o comprei por R$39,00. Com o Dólar do jeito que está, creio que o preço é hoje em torno de R$50 na Vinci Vinhos. I.S.P.  

 

Lyngrove Reserve Shiraz/Pinotage 2005 – Não é o primeiro Lyngrove que provo e este só veio confirmar a primeira impressão quando provei o varietal shiraz deles há cerca de um ano atrás. São vinhos que necessitam de tempo e de uma decantação bastante longa para arredondar um pouco seus duros taninos. Álcool um pouco alto, 14.5% o que convém manter a temperatura um pouco mais próximo de 16º. Paleta aromática de boa intensidade, bem frutada e com presença de especiarias. Na boca a madeira está bem presente, taninos firmes, concentrado, final de média persistência apresentando um retrogosto um pouco defumado um vinho austero para acompanhar pratos de igual porte. Importação da Wine Company, custava R$53,00 em Outubro, agora não sei. I.S.P.  

 

Casa de Santar DOC 2003 – Um Dão elaborado com um corte de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Afrocheiro com 13% de teor alcoólico. Comprei devido à boas criticas que o 2005 vem recebendo e porque gosto bastante do Reserva. Este não me agradou não. Achei demasiado rústico, taninos duros com uma certa agressividade e uma acidez cortante. Na boca mostra-se bastante encorpado, terroso, tostado com grande concentração. O amigo Álvaro Galvão costuma dizer que há que se dar três chances ao vinho; a primeira porque a garrafa pode não estar boa, a segunda porque pode ser que você não esteja bem no dia e a terceira, bem, essa é a derradeira! Acho que vou fazer isso com este vinho e nos darmos uma nova chance antes de eu tecer mais comentários já que corro o sério risco de estar sendo injusto.

 

Achaval Ferrer Malbec 2004 – Meu porto seguro, um Malbec de muita personalidade e bastante constante. Este 2004 está no ponto para ser tomado, macio e redondo, fruta vermelha madura, boa acidez ainda presente, taninos doces, cremoso, harmônico e elegante com final de boca agradável, longo e prazeroso invitando à próxima taça. Companhia que alegrou meu primeiro churrasco do ano tendo sido ótimo parceiro para uma maminha na brasa. Um dos melhores Malbecs disponíveis no mercado e só lamento que o preço não seja assim tão convidativo. Importação da Expand onde a safra de 2005 se encontra por R$85,00 e a de 2006 (excelente) por R$98,00 ou por volta disso. I.S.P.  

 

Muralhas de Monção 2006 – Um dos vinhos verdes mais consumidos em Portugal e por aqui tem os seus seguidores também, eu sendo um deles. Corte de Alvarinho com Trajadura, muito cítrico com nuances florais, sempre apresentando grande frescor e muito balanceado, é um vinho que safra pós safra mostra uma consistência impar e substância, algo nem sempre disponível nos vinhos verdes disponíveis no mercado. Tem um final de boca muito agradável e de boa persistência apresentando um retrogosto de frutas tropicais e algo mineral. Um vinho muito saboroso, ótimo para o verão acompanhando uns camarõezinhos grelhados ou uma lula à dorê enquanto o sol se põe sobre as águas do mar tranqüilo. Não é de grandes complexidades, mas é certeiro, direto diz logo ao que vem e nos deixa bem felizes e satisfeitos, missão cumprida com honras e bom preço, por volta dos R$38,00. Importador Barrinhas e disponível num grande numero de lojas, inclusive a Casa Palla, um dos bons pontos de venda aqui na região Oeste de Sampa e Cotia/Granja Viana

 I.S.P.  

 

Quer contatar importadores ou lojas aqui mencionados, veja detalhes em “Onde Comprar” .

Salute e Kanimambo

ViniPortugal II – O Jantar!

            Depois de uma primeira parte em que degustamos vinhos de grande qualidade, eis-nos chegando no jantar que, como já havia dito no post anterior, foi de lamber os beiços, a começar por aqueles acepipes que a incrível chef Helena Rizzo (Restaurante Mani), nos serviu para acompanhar o delicioso espumante da Filipa Pato, o 3b; Raviólis de manga com queijo de cabra, espetinhos de polvo com batata confitada e terrine de foie gras com galletas de uva assa, um mais gostoso que o outro! Mas era só o inicio de uma noite inesquecível repleta de gostosuras!

 

Entrada – Brandade de Bacalhau com geléia de pimentões e azeite de azeitonas pretas. Yummy! Para harmonizar, um Redoma Branco Reserva 05 muito elogiado pela critica especializada, mas que a meu ver, talvez pela harmonização, não se saiu tão bem. O vinho é muito bom, muito complexo, mas é um vinho já com um certo peso que se sobrepôs à delicadeza da Brandade de forma muito impositiva. Preferiria ter visto o Alvarinho aqui, creio que seria a harmonização, para o meu gosto, perfeita. Um exemplo claro de que harmonização é algo bem particular.

 

 

Primeiro Prato – Carne de Sol à Brás com palha de mandioquinha e azeite de coentros. Delicioso prato que teve o acompanhamento de um bi-varietal Touriga Nacional/Pinot Noir 2004 da Casa Santos Lima elaborado na região da Estremadura. Um clássico exemplo da arte de harmonizar. Sozinho o vinho era bom, mas não encantava, com a comida no entanto, foi um casamento perfeito tendo ambos – prato e vinho – crescido muitissímo.

 

Segundo Prato – um verdadeiro êxtase, uma explosão de sabores e harmonização difíceis de esquecer. Um divino Magret de Pato cozido em baixa temperatura com manga e rosas devidamente escoltado por um soberbo Zambujeiro 03 uma das mais recentes estrelas do Alentejo. Um vinho de muita qualidade, um complexo corte de Touriga Nacional, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Trincadeira de grande intensidade aromática, encorpado, denso e de grande concentração, potente com 15º de álcool, porém muito equilibrado de taninos doces e aveludados, um vinhaço! Teoricamente, este encorpado vinho deveria matar a delicadeza do prato, mas não! Para minha enorme surpresa, ambos se complementaram de forma absolutamente maravilhosa.

Fizemos, eu e o Álvaro Galvão, um teste meio aventureiro, fomos buscar no fundo da garrafa, um restinho do Moscatel Roxo 97 que haviamos degustado antes. Algo totalmente diferente e muito prazeroso. Não sei se acompanharia a refeicão inteira, mas foi uma harmonização muito especial e extremamente rica.

 

Sobremesa – Sorvete de gemas com espuma de côco e coquinhos crocantes, delicadeza e sabor que se completaram com um excelente, objeto constante de desejo meu, Madeira Justino Old Terrantez, um vinho da Madeira elaborado com esta cepa (terrantez) quase em extinção. Uma maravilha, após o qual me levantei e beijei a careca, com todo o respeito mestre, do Dr. Mário Telles Jr. sob a batuta de quem ficou a escolha dos vinhos que tomamos, afora seus primorosos comentários que são sempre fonte de grande aprendizado.

 

Uma noite única, um enorme privilégio que recebi como um prêmio pelo trabalho que Falando de Vinhos fez ao longo deste primeiro ano de vida, tanto nas colunas dos jornais como deste blog. Uma noite comprovando a excelente qualidade e versatilidade dos vinhos portugueses, das diversas regiões e da capacidade de todos aqueles que se envolveram no evento; da ViniPortugal, da ICEP, do Consulado, da Fernanda Fonseca (Propop), da Chef Helena Rizzo e equipe do Mani (valeu Felipe) enfim, uma mostra do grande potencial vinícola de Portugal, tanto nas gamas mais baixas como nos grandes néctares. Não existem mais duvidas, nasceu uma nova estrela nesse competitivo mundo dos produtores de vinho e, como já disse a Wine Spectator, Portugal é a bola da vez!

Salute e kanimambo.

ViniPortugal I – A Degustação

Uma das maiores experiências de minha curta, porém intensa, vida enófila e certamente uma que persistirá na memória por muitos anos. Mas o que é a ViniPortugal e que encontro foi esse?

 

viniportugal

 

A ViniPortugal foi criada em 1997 tendo como objetivo principal a divulgação e promoção dos vinhos, aguardente e vinagres portugueses tanto no mercado internacional como no âmbito interno. Na parte internacional, mantém estreita colaboração com o ICEP (Instituto de Comércio Externo de Portugal) tanto através da estrutura externa que esta mantém em mais de 50 localidades no exterior, como através das próprias embaixadas quando necessário. Seu site, com link aqui do lado, tem importantes e detalhadas informações sobre a viticultura em Portugal, informações estas de grande interesse para os enófilos de plantão, especialmente para quem quer aprofundar seus conhecimentos sobre os vinhos, regiões e cepas portuguesas. Para quem curte o enoturismo, nada como entrar na seção Rota dos Vinhos, e viajar pelas diversas regiões produtoras. Incrível como um país tão pequeno pode ter tamanha diversidade, numero de regiões e cepas autóctones!

Dentro as diversas atividades pelo mundo afora, a promoção de eventos e provas junto a membros da imprensa especializada, formadores de opinião e consumidores finais, é uma das principais. No final do ano passado tive o enorme privilégio de ter sido convidado a participar de um de seus eventos, desta feita realizado nas dependências do Consulado em São Paulo. Um bota-fora para 2008 em grande estilo e regado com algumas preciosidades, exemplo do que melhor se faz em Portugal nos dias de hoje. Divinamente organizado pela Fernanda Fonseca (Propop Comunicação e Marketing) o evento se dividiu em duas partes. Na primeira degustamos diversos néctares escolhidos e comentados por um mestre no assunto o; médico, enófilo, critico, diretor da ABS e editor da Revista Wine, Dr. Mário Telles Jr. Na segunda parte, ainda sob a batuta do mestre, um magnífico jantar servido pelo restaurante Mani com a presença da mui competente Chef Helena Rizzo que rivalizou par a par com os néctares servidos. Uma grande noite com vinhos e comidas deliciosas, uma verdadeira esbórnia (não, não é palavrão) enogastronômica.

 

Começo pelo 3b de Filipa Pato que acompanhou acepipes dos mais diversos, todos absolutamente saborosissímos. Foi meu primeiro contato com este espumante que surpreendeu por seu incrível frescor, estrutura e elegância, mostrando boa textura e uma cor levemente salmonada em função da cepa baga. Seduziu-me ao primeiro gole e foi, certamente, um dos espumantes mais agradáveis que tive a oportunidade de provar em 2008, tanto que tenho algumas garrafas na adega.

 

 

Morgadio da Torre Alvarinho 07 – Muita fruta tropical e aromas sutis, algo florais. Cremoso, muito balanceado, ótima acidez bem típico dos vinhos verdes, longa persistência um belo Alvarinho que agradou sobremaneira.

 

 

Quinta do Corujão Grande Escolha 04, um Dão nobre, rubi escuro, complexo, untuoso de boa acidez e taninos finos macios e elegantes mostrando muito boa concentração e estrutura. Já pronto, mas acredito que melhorará muito ainda nos próximos dois para três anos.

 

 

Paulo Laureano Alicante Bouschet 05, um digno representante do Alentejo. Potente, vinho de grande estrutura e ainda bastante fechado mostrando que tem alguns bons anos pela frente antes de atingir seu ápice. Muito rico, denso, macio com álcool ao redor de 14.5º porém equacionado e em equilíbrio, madeira ainda presente e taninos aveludados ainda bem presentes. Um grande vinho que precisa de tempo, bota tempo nisso, para se mostrar.

 

 

Lagoalva de Cima Syrah 05, da região do Ribatejo. Balsâmico, algo terroso, álcool presente no nariz. Na boca é especiado, algo apimentado, copo médio, boa acidez, um vinho que demanda comida. Não deixa de ser um bom vinho, mas não me cativou.

 

 

Quinta do Crasto Touriga Nacional 05, mais uma criança! Um ícone desta Quinta e um dos melhores varietais produzidos com esta nobre cepa portuguesa. Linda cor rubi com toques violáceos, nariz intenso onde aparecem violetas e frutas negras, especiarias tudo em uma enorme complexidade de aromas. Um vinho excepcional que já mostra grande equilíbrio e elegância, muito saboroso com uma textura muito especial e extremamente longo. Quisera poder comprar uma garrafa ou duas e esperar mais uma meia dúzia de anos para me deliciar com este verdadeiro néctar!

 

 

 

Moscatel de Setúbal Roxo 1997 da Quinta da Bacalhoa. Foi um dos meus entronados como Deuses do Olimpo 2008, um estupendo e impressionante vinho! Já me referi a ele anteriormente e, se há vinhos que não se sabe se cheiramos ou bebemos, existe agora uma outra categoria, a dos vinhos para serem lambidos! Absolutamente genial, um vinho doce fortificado, muito cremoso e absolutamente equilibrado entre seu nível de doçura e acidez. MARAVILHA!

        

          Você acha que terminou? Que nada, agora começamos o maravilhoso jantar servido pelo Mani e tenho que tirar o chapéu para esta incrível chef! Que comida maravilhosa e que belos vinhos. Disso, no entanto, falaremos em um outro post, este já está longo demais.

Salute e Kanimambo.

Comemorando (mais um) Aniversário.

Cisplatino Torrontés 07, Chateauneuf-du-Pape 01 e para finalizar um Etchart Torrontés Late Harvest, eis os acompanhamentos de meu jantar de celebração de um ano do primeiro post deste blog, dia 17 de Dezembro. O bom é que não faltam desculpas nem momentos para me tratar bem. Ao longo do ano tenho o aniversário da coluna, do primeiro post, do blog, o meu (tá chegando), de casamento, dos filhos, Páscoa, Natal , Reveillon …. e por aí vai!

Um dos pratos que mais curto é Strogonoff de Filé ao qual agregamos meio cálice de aguardente velha, pode ser conhaque, quase ao final do preparo, antes de acrescentar o creme de leite. Fica divino e é um prato relativamente fácil de harmonizar como mais uma vez ficou comprovado neste gostoso jantar. Mas falemos dos vinhos que é por isso que você clicou aqui.

 

niver-blog-081 Cisplatino Torrontés 2007, um belo achado pelo preço. Um vinho de qualidade produzido pela Pisano/Uruguay e, em se tratando de uma gama de introdução á boa e extensa linha de rótulos desta vinícola. Vinho direto, franco de grande frescor e tipicidade da casta, um pouco quente o que sugere um teor de álcool um pouco alto. Não de grande complexidade, nem se propõe a isto, porém é muito agradável e com um saboroso final de boca, um vinho honesto e correto. Acompanhou bem a lula à doré com molho tártaro que servi para abrir o apetite. Quando o comprei por R$19,00 era uma grande pedida, hoje está por R$33,00 na Mistral. Uma pena!

 

 

Chateauneufu-du-Pape Domaine de La Charbonniere Cuvée Vieilles Vignes 2001. Fazia tempo que não apreciava um Chateauneuf-du-Pape em todo o seu esplendor. Tomei uns goles de um muito bom Chateau La Nerthe, lá na Vinoteca Santa Maria, e um Vieux Telègraphe Telegramme mas é diferente você tomar a garrafa. Calma, éramos três! Um belíssimo vinho que comprei nos Estados Unidos há uns três anos por cerca de USD30. Ótima estrutura, muito bem  equilibrado, grande complexidade aromática que se confirma na boca. Vinho carnoso, denso, boa fruta madura com toques de especiarias, muito boa estrutura e acidez, taninos macios e aveludados. É um clássico que demonstra muita classe e um final de boca algo mineral e muito longo. Quando perdeu temperatura o seu alto teor de álcool apareceu um pouco mas não chegou a incomodar. Pelo que vi não é importado, o que provavelmente o inviabilizaria á minha mesa, e já deixou saudade! Engrandeceu o prato tendo me deixado imensamente feliz.

 

 

Etchart Torrontés Late Harvest 2005, foi uma agradável companhia para uma salada de frutas com sorvete de creme, porém não chega a encantar. Para o meu gosto pessoal, carece de acidez o que o deixa um pouco doce demais, porém é bem feito, saboroso e fácil de tomar, boa intensidade aromática com forte presença floral e boa tipicidade da casta. Preço no mercado (Sampa) por volta de R$35 a 40,00.

 

Salute e kanimambo.

Sobre a Minha Mesa

Seleto grupo de vinhos portugueses sobre minha mesa e na minha minha taça. Mesa portuguesa farta, repleta de sabores e de boa companhia. Para acompanhar um primeiro prato de bacalhau e um segundo de cordeiro com batatas e brócolis, ambos deliciosos, os confrades levaram algumas preciosidades. Cortes de Cima Reserva 03, Quinta do Corujão Dão Reserva 01, Esporão Reserva 04 e eu levei minha ultima, snif/snif, garrafa de Malhadinha Tinto 03. Para finalizar a refeição e acompanhar as rabanadas, um Vinho do Porto Fonseca Ruby, melhor só se fosse um LBV!

Lembrar de todos esses vinhos tomados com muito gosto faz quase seis meses, acompanhados de uma galera de bons gourmets, fica difícil até porque tomar notas numa hora dessas seria uma tremenda enochatisse! Então, se me permitem, copiarei algumas resenhas encontradas na rede, adicionado de algum comentário do que eu me lembrei. Agora, que foi inesquecível lá isso foi!

esporao-reserva-04Esporão Reserva 04, esta foi a avaliação do Pedro Barata do blog Os Vinhos com link aqui do lado. Diz ele; “Aromas de fruta madura bem vincados, com leves especiarias a acompanhar, tem um paladar cheio e volumoso, a madeira ainda está muito presente, mas denota alguma elegância, taninos maduros e complexidade muito interessante, o final é prolongado”. Apesar de todas as criticas favoráveis, tenho que confessar um pecado; não sou um fervoroso e apaixonado consumidor dos vinhos da Esporão, pelo menos dos que já tomei, mesmo os achando muito bons e bem feitos. Este, mais uma vez, lembro-me que não entusiasmou, mesmo sendo um vinho correto e muito bem feito. Será uma questão de incompatibilidade de gênios? rsrs. Sou teimoso por natureza então seguirei tentando e provando, afinal são vinhos de grande prestigio e respeitadissímos. Os vinhos da Herdade do Esporão são importados pela Qualimpor e o preço deste deve andar por volta dos R$90,00.

 

corujaoQuinta do Corujão Dão Reserva 2001, deste me lembro claramente, pois me surpreendeu muito positivamente, um vinho muito equilibrado, elegante, macio e de grande sabor, que me agradou sobremaneira. O provei novamente num recente encontro promovido pela ViniPortugal e esta primeira impressão se confirmou estando no ponto para ser tomado. Um vinho sedutor de corpo médio, boa acidez, de grande harmonia, taninos finos, boca de boa fruta e algo de especiarias com um final muito saboroso, agradável e longo implorando pela próxima taça. Um vinho que acaba rápido, com um estilo que me agrada muito e faz a minha cabeça. Este é certamente uma boa opção que recomendo aos amigos, até em função do preço que está por volta de R$82,00 na Vinci, que é quem importa.

 

cortes-de-cimaCortes de Cima Reserva 2003, um degrau acima dos demais, complexo, denso e ainda muito fechado, tanto que deveria ter passado por um decanter para melhor mostrar todas as suas nuances. Um belo vinho do qual tenho uma garrafa na adega, mas que a meu ver precisa de tempo. Nesse momento e dia, não apresentou tudo o que pode, mas mostrou muita qualidade, estrutura, grande riqueza de sabores e muito potencial do qual espero sorver e apreciar melhor no ano que vem em meu 55º aniversário. Devido às “condições” em que foi servido, nem deu para abrir na taça como deveria! Eu gosto muito do “básico” tinto Alentejo deles, que é um dos meus achados (Melhores de 2008 entre R$50 a 80,00) e um vinho muito especial. Diz Pedro Gomes no www.novacritica-vinho.com ; “Amplo e profundo na entrada, cheio e denso, sem ser excessivamente gordo. Rico na evolução, sedoso, muito envolvente, com uma acidez quase estranha para a região e taninos robustos mas ao mesmo tempo muito sedosos. Termina muito longo com uma dimensão frutada –amora e ameixa- plena de encanto. Grande Alentejo, grande tinto, grande vinho. Se tudo fosse assim…”. Um digno representante do que de melhor o Alentejo tem a oferecer. Quem o trás é a Adega Alentejana, mas não tenho noção de preços, creio que deve andar próximo dos R$290,00.

 

malhadinha-1Malhadinha Tinto 2003, desse eu lembro-me bem! Para mim e naquele momento, o vinho do dia. Aliás, poucos à mesa conheciam o vinho e ficaram entusiasmados, tendo dividido a preferência da mesa com o Cortes de Cima Reserva. Uma das principais diferenças entre os dois, todavia, foi o fato de que o Malhadinha estava absolutamente pronto, no momento ideal para ser tomado e apreciado. Por estar mais macio e pronto, se contrapôs melhor ao bacalhau, apesar de ter escoltado bem o cordeiro. Aliás, fosse um almoço normal e eu sugeriria essa harmonização, Malhadinha com o bacalhau e o Cortes de Cima com o cordeiro. Falemos desse Malhadinha, um vinho do Alentejo, corte de Aragonês, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon muito frutado com o que me pareceu ser algumas nuances florais, denso, de muito boa estrutura, taninos finos, elegantes e sedosos, ótimo equilíbrio, com um final de boca complexo, longo, algo especiado e muito saboroso que pede o segundo, terceiro e mais goles. Estava perfeito, um grande vinho no ponto para ser tomado, companhia certa e pratos idem, só podia dar no que deu! A comprovação de que o Alentejo possui uma interminável coleção de grandes vinhos que, por caracteristica de seus cortes e terroir, necessitam de tempo para mostrar toda a sua exuberância. A importação é da Épice e o preço ronda os R$260,00. Comprei em Lisboa por uns 25 euros, hoje deve estar um pouco mais caro, e esta garrafita já deixou saudades!

 

fonseca1Fonseca Porto Ruby, esperar que depois de tudo isso eu lembrasse deste vinho seria exigir demais deste vosso amigo! Vinícola histórica produzindo Vinhos do Porto desde 1820, possui uma vasta gama de produtos, entre eles o BIN 27 que me agrada muito. Como só tenho uma vaga lembrança, recorri aos “universitários” (rsrs), neste caso ao www.portuguesewinesshop.com que diz: “Vinho jovem e encorpado, apresentando frescura e vigor, sabores de ameixa bastante prolongado, robusto,  rico e harmonioso.” Que era bom era e a combinação com a rabada, divina! Disponível na Vinho Seleto por R$55,00 e o BIN 27 por R$70.

 

         Os vinhos portugueses top estão já muito caros em Portugal e por aqui ficam quase que inacessíveis a nós pobres mortais, em função dos altos impostos e margens praticadas, porém sempre existem uns amigos viajando o que permite umas estripulia ou outra, opcionalmente se garimpa alguns bons vinhos menos midiáticos e de grande qualidade que abundam tanto aqui como especialmente por lá. Ao longo do ano passado comentei diversos e este ano, prosseguirei na mesma batida buscando os bons rótulos a preços melhores ainda, sem que haja necessidade de grandes perdas de qualidade. Enganan-se aqueles que pensam que a qualidade está no preço, qualidade está no conteúdo da garrafa! No caso do Malhadinha e do Cortes de Cima Reserva, e outros do mesmo calibre, o preço acompanha a qualidade do caldo, mas também o marketing e a produção limitada.  São néctares que todos gostaríamos de ter na taça mais assiduamente, porém estão no mesmo nível dos grandes espanhóis, italianos ou franceses, então não é de se estranhar os altos preços, mesmo que não seja do nosso agrado. Tendo a chance, no entanto, não perca a oportunidade pois são soberbos.

           Salute e kanimambo.

Um Pouco Mais de Portugal

                Época de férias e muita gente segue para a Europa, especialmente para Portugal. Muitos já com tudo programado, outros nem tanto. Há uns três meses atrás o amigo Klyber me pediu algumas dicas de onde tomar umas taças de bons vinhos em Lisboa e consegui algumas dicas. Agora gostaria de complementar esse post e fazer uma sugestão de um agradável passeio por terras portuguesas. Gostaria de conhecer muito mais, mas baseado na experiência, no contato com produtores e em farta leitura, creio que estas dicas são de prima. Para começar, vamos ver onde tomar uns goles, comer uns queijos e enchidos para acompanhar ou acepipes dos mais diversos. A revista Blue Wine deu algumas dicas que adiciono ás já divulgadas anteriormente:

  • Lisboa – Taberna do Chiado – Calçada Nova de São Francisco 2 A
  • Cascais – Enoteca de Cascais – Rua Visconde da Luz 17, lj 03.
  • Cascais (Guincho) – Vinhos à Solta no Dão – Av. Nossa Sra. Do Cabo, 101
  • Sintra – Binhoteca – Rua das Padarias 16
  • Porto – BB Gourmet – Rua Antonio Cardoso, 301
  • Porto (Matosinhos) – Degusto – Rua Souza Aroso 540/4

                 Para um agradável passeio por Portugal, a importadora Adega Alentejana tem em seu site algumas excelentes dicas e roteiros que dependerão do tempo de sua viagem e da companhia. Uma boa dica se estiver indo de Lisboa ao Porto, é antes de partir nessa direção, tirar uns três dias para ir até Setúbal passando pela Quinta da Bacalhôa e José Maria da Fonseca (Piriquita) no Azeitão onde também poderá se deliciar com seus deliciosos queijos, e depois dar uma esticada até Évora e Monsaraz o berço dos vinhos Alentejanos e boa gastronomia. Voltando a Lisboa e começando sua viagem ao Norte, não vá pela auto-estrada principal a A1, aventure-se por Cascais, Sintra, Óbidos, Batalha e Fátima, passando por Coimbra, Viseu/Nelas, Lamego, Pinhão, Régua e finalmente as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia. Em Portugal, essa é a viagem de meus sonhos, visitando algumas importantes e bonitas vinícolas no processo. Certamente uma deliciosa viagem para cerca de 12 a 15 dias, ficando em pequenas e aconchegantes estalagens/pousadas e conhecendo os vinhos do Alentejo, de Terras do Sado, Estremadura, tomar um licor de ginjas em Óbidos e ainda os vinhos do Dão, Bairrada e Douro, viagem para ninguém botar defeito.

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Salute e boa viagem para os amigos que tenham a sorte e oportunidade de aproveitar estas férias em terras Lusas. Eu, só pra matar um pouco das saudades, vou de um caldo verde elaborado com belos pedaços de chouriço e o bom azeite português da Santa Vitória, acompanhado de uma taça de vinho tinto sem nome, bem á moda da terra, só faltou a broa!

Vinhos da Semana, Um Bom Mix.

Como de praxe, meus Vinhos da Semana tratam sempre de períodos bem mais variados que isso e, invariavelmente, estão atrasados. Mas vamos lá, deixemos de lado o nome da coluna e tratemos do que interessa, dos vinhos. Desta vez um emaranhado de rótulos de tudo o que é lugar, mas que dá uma idéia muito clara de que provo e bebo sem preconceitos.

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Ochotierras Cabernet Sauvignon 2006 com 13.5º, absolutamente redondo e pronto a tomar. Depois da degustação em que provei a boa linha de seus produtos, o elegi como um dos rótulos a serem tomados em casa, com calma e podendo senti-lo em toda a sua essência. Pois bem, só fez confirmar as minhas primeiras impressões, mostrando uma paleta olfativa com boa fruta madura e nuances florais, enquanto na boca apresenta taninos doces e sedosos, algo achocolatado, absolutamente elegante e fino com um final de boca longo e levemente especiado. É um Cabernet Chileno diferenciado, muito equilibrado, suave no palato e cativante. Desta feita acompanhou um prato de filé grelhado com molho de champignons e se deu muito bem. Realmente um vinho muito agradável, fácil de harmonizar por um excelente preço de cerca de R$42,00 na Br Bebidas e importação Brasart.  I.S.P.  $ 

 

Panarroz 2004, um vinho que vem da região de Jumilla na Espanha e que, entra ano sai ano e segue me dando muito prazer tomar. É um vinho de grande personalidade, corte de Grenache, Mourvedre e Syrah, sempre demonstrando bastante estrutura, firme, rico e denso com aromas de frutas negras e algo terroso. Na boca seus taninos estão firmes, porém arredondados sem mostrar qualquer agressividade, aveludado e bem equilibrado com um final de boca saboroso e de média persistência. Um vinho constante no sabor, mas não tanto no preço. Já comprei por R$36, já andou pela casa de R$42,00 e agora anda por volta de R$48,00. Este comprei na Casa Santa Luzia e a importadora é a Grand Cru.  I.S.P.

 

Filipa Pato Ensaios 2006. Dizem que filho de peixe, peixinho é e nunca este ditado foi tão certeiro quanto neste caso. Filipa Pato, filha de Luis Pato,o mago da Bairrada, e também autora do 3b belíssimo espumante português que me deixou perplexo e encantado tendo me levado a colocá-lo entre os meus TOP 25 espumantes de 2008 e arrumado um lugarzinho na adega para algumas garrafas. Este Ensaios elaborado com a uva típica da região, a Baga, adicionada de Touriga Nacional e Alfrocheiro, é absolutamente delicioso com seu toque moderno mostrando uma boa intensidade de fruta, taninos finos e macios num médio corpo de bastante elegância, saboroso e fácil de tomar que nos faz querer mais e mais.  Leves nuances florais sobre um fundo frutado perfazem uma paleta olfativa muito agradável. Um gostoso vinho que comprei na Casa Palla por ótimos R$36,00 sendo de importação da Casa Flora.  I.S.P. $

 

Robertson Winery Pinotage 06. Esta foi uma dica do Luiz Horta, aliás tenho mais duas dele excelentes que constarão de outras seleções de Vinhos da Semana, e esta é a ultima das duas garrafas que tinha comprado. Uma pena que o câmbio tenha tomado o rumo que tomou, porque apesar de ainda ser um belo custo x beneficio, a R$30 era um verdadeiro achado. Por outro lado, é para provar que nunca devemos fechar as portas a nada. Já tinha provado alguns vinhos Sul Africanos elaborados com Pinotage e não tinha gostado. Este acabou com qualquer ranço que eu pudesse ter para com vinhos desta uva. È delicioso, harmônico, no nariz apresenta-se bem frutado com algo de salumeria . Já na boca, mostra um lado algo especiado sobre um fundo macio e equilibrado, corpo médio, boa persistência e taninos aveludados de boa textura. Acompanhou bem uma carne na brasa. Um bom vinho com o preço, por volta de R$35,00 e a importação é da Vinci.  I.S.P. $

 

Domaine Conte Late Harvest Semillon 07, foi a finalização do almoço em que servi o Pinotage com a carne na brasa. Um vinho de sobremesa Chileno, de bom preço, saboroso, mas lhe falta um pouco mais de acidez para atingir um melhor equilíbrio. Para o meu gosto, ficou doce demais e, conseqüentemente, um pouco enjoativo, com a torta de morangos. Certamente teria se dado melhor com uma salada de frutas e sorvete de creme. Na Zahil por R$38,00.  I.S.P. $ 

 

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

 

Salute e kanimambo.

 

De Olho na Toscana

olho-vivoHá poucos dias tive oportunidade de tomar dois vinhos da região da Toscana/Chianti e me surpreendi. Não que não esperasse algo de qualidade, muito pelo contrário, porém nem tanto e, em especial, me surpreendi pela maciez desses vinhos em sua tenra idade, pois ambos eram de 2006. Para um ainda não existe importador, um Chianti Colli Fiorentini DOCG muito agradável, sedoso e fácil de tomar e o outro um Chianti Clássico de primeiríssimo nível que me encantou por sua textura e complexidade. Ambos vinhos firmes que certamente terão uma longa vida de guarda, o Classico um pouco mais, porém já prontos a beber com um equilíbrio e harmonia impressionantes. Deste ultimo, o Clássico, sobre qual falarei mais tarde junto com algumas boas novas que trarei ao longo do mês, me despertou ainda mais a curiosidade e me deixou intrigado pois esperava algo diferente em função de sua juventude, talvez um vinho mais fechado com taninos adstringentes o que não foi o caso. Aliás, esta me parece uma característica dos grandes vinhos em grandes safras, o fato de que, mesmo sendo de média para longa guarda, já são profundamente amistosos na boca com apenas dois ou três anos de vida.

Neste fim de semana passado, morgando após cansativos feriados de Natal e Ano Novo, lia uma edição da Wine Spectator e BINGO! Ali estava a explicação, duas incríveis safras seguidas para as quais temos que botar as barbas de molho e ficar de olho, pois os vinhos estão realmente excelentes, como há muito não se via, ou melhor, provava. Pela matéria da Wine Spectator, da qual extraí a tabela de safras abaixo por sub-região, existe uma séria controvérsia entre os produtores quanto a qual a melhor safra se de 2006 ou a de 2007, porém é unânime a constatação de que há muito a região não tinha duas safras seguidas com tanta qualidade exceto, talvez, há uma década nos anos de 97 e 98. Stefano Frascolla da Tua Rita (Expand), acredita que seu Syrah de 2007 talvez venha a ser o melhor vinho que ele jamais produziu, com uma impressionante paleta aromática e enorme riqueza e harmonia.

James Suckling, degustador oficial da Wine Spectator para vinhos italianos, afirma que as quatro notas mais altas dadas por eles em 2008, foram exatamente para vinhos da região, especificamente o Testamata de Bibi Graetz 06 (98), Tua Rita Redigaffi 06 (97), Marchesi de Frescobaldi Giramonte 06 (97) e Antinori Solaia 05 (97). Guardadas as devidas proporções, para nós proletários do vinho interessa saber que a máxima de que; em safras de grande qualidade podemos comprar bons vinhos de segunda linha dos grandes produtores ou primeira linha de produtores médios e nos darmos muitíssimo bem por preços mais acessíveis, tem que ser perseguida nestas safras de 06 e 07. Grandes vinhos dos grandes produtores, todavia, ficarão por preços além do imaginável, acessível só a bolsos extremamente bem recheados ou a cartões corporativos de plantão. Eu vou, certamente, me deliciar com chiantis de qualidade pelos próximos dois a três anos, disso podem ter certeza, e o resultado do garimpo publicarei aqui!

 

Ano

Bolgheri e Maremma

Brunello

Chianti e Chianti Classico

2007

 

 

88-92

2006

92-96

92-97

93

2005

91

88-92

88

2004

92

92-97

89

2003

88

88

91

2002

85

78

79

2001

96

98

92

2000

89

88

88

1999

93

97

94

1998

98

91

89

1997

97

99

97

 

Salute e bom garimpo nos chiantis. Espero ainda este mês fazer uma matéria com um novo importador que traz alguns néctares por preços bem razoáveis. O Clássico que tomei é deles e me deixou caidinho! Só um toque, a sub-região de Bolgheri é mais afortunada ainda com 4 anos seguidos de boas safras, bom para garimpar.

Neste Sábado a volta da Coluna do Breno, no Domingo Noticias do Mundo do Vinho e na Segunda volto com mais Melhores de 2008, desta feita na faixa de R$50a 80,00! Bom fim de semana.

Séptima

Final do ano passado tive a oportunidade de degustar, pela primeira vez, alguns vinhos que a Interfood importa, especificamente os da Bodega Septima, da Codorniu Sur na Argentina. Porquê Septima? Porque foi a sétima vinícola do grupo Codorniu, que hoje possui 11 empreendimentos espalhados pelo mundo. Porquê do convite a esta degustação? Principalmente para o lançamento do María, seu primeiro espumante a ser produzido em Mendoza!

Fui pra conhecer a María e descobri um Cabernet Sauvignon muito saboroso que quase, por muito pouco que não entrou, fez parte de minha lista de Melhores de 2008 dentro de sua faixa de preços. De qualquer forma, eis uma geral de todos os rótulos tomados num agradável almoço realizado no simpático e agradável Aguzzo Caffé e Cucina aqui em São Paulo.

maria-codorniu-sur-altaMaría, que já recomendei em meus posts sobre espumantes em Dezembro, é um produto bastante agradável e fácil de tomar, elaborado com um corte de 60% de Chardonnay e uns 40% de Tocai Friulano pelo método charmat. O resultado é um espumante muito aromático, provavelmente em função do inusitado corte com a Tocai Friulano, frutado, de cor muito clara algo pálida e transparente, de boa espuma e perlage fina, abundante e de boa persistência na taça. Na boca é bastante agradável, fácil de tomar, um pouco curto, com uma forte presença gustativa de maçã verde e leve amargor final que não chega a incomodar. Preço ao consumidor por volta de R$35,00.

Septimo Dia Chardonnay 07, bem cítrico e algo de baunilha mostrando estar muito bem balanceado com ótima acidez tendo acompanhado maravilhosamente bem uma endívia com queijo de cabra, tomate cereja e rúcula. O final de boca é bastante saboroso porém a madeira tende a aparecer um pouco quando sobe a temperatura do vinho na taça. Preço por volta de R$56,00.

Malbec Septima 06, cor típica, fruta intensa, o ácool desponta um pouco no nariz. Na boca mostra taninos doces (álcool acentuado porém equilibrado), se não encanta, também não espanta. Um vinho correto básico que vende por volta de R27,00 no mercado.

Septimo Dia Malbec 06, uma outra historia, de uma linha um degrau acima, elaborado com uvas originárias de vinhedos entre 10 a 25 anos que passa 11 meses em carvalho sendo parte em francês e a outra em americano. Com uma cor bem violeta, mostra grande concentração de fruta com algo floral. Na boca apresenta bom volume, corpo médio de boa estrutura, bem equilibrado com taninos firmes porém finos e elegantes de boa persistência. Preço por volta de R$56,00.

Septimo Dia Cabernet Sauvignon 06, para mim o vinho que mais me encantou tendo apresentado uma relação Qualidade x Preço x Prazer muito boa. De bonita cor ruby brilhante, é um pouco austero, puxado para o clássico, com aromas especiados e algo herbáceos. Ótima estrutura, com uma entrada de boca impactante que amacia na boca, textura sedosa de taninos muito bem equacionados com um agradável e saboroso final de boca de muito boa persistência. Um que certamente habitará minha mesa neste ano de 2009 e o preço é justo pelo qualidade oferecida, cerca de R$56,00.

Septima Gran Reserva 2005, um vinho de guarda aberto cedo demais. Está tudo lá, mas ainda muito fechado não mostrando toda a sua exuberância apesar de mostrar enorme potencial. Um corte de Malbec (55%), Cabernet Sauvignon (34%) e Tannat (11%) que mostra grande potência e estrutura, complexo e expressivo, taninos ainda muito firmes e presentes com um final de boca algo tostado. Para quem tiver paciência, um vinho que, pelo preço e qualidade, vale a pena ser guardado por mais uns dois anos quando acredito estará ótimo. Opcionalmente, deixe decantar por umas duas horas. Preço, incríveis R$80, ou por aí perto, por um vinho Gran Reserva. Este gostaria de provar novamente em 2010!

septima-panorama

Um aspecto muito interessante desta jovem Bodega de 306 hectares, comprada em 1999, é a busca por produtos e cepas diferenciadas. Nesta degustação me chamou a atenção o uso da Tocai Friulano no espumante e o Tannat no Gran Reserva, tendo o enólogo (Rubén Calvo) me informado que já se encontram experimentando com a Nebiollo e que a Tannat vem apresentando ótimos resultados. Uma vinícola a se prestar atenção pois inovar é preciso e parece que eles possuem esse conceito no gen. Como eu sou faminto por novidades, acompanharei com prazer a evolução destes vinhos de e com castas diferenciadas.

Por hoje é só, amanhã publico a lista dos Melhores de 2008 entre R$30 a 50,00. Nos vemos por aqui, salute e kanimambo.

Dois Portugueses de Reflexão

Duas situações, dois vinhos diferentes com duas propostas diferenciadas, porém de igual impacto gustativo que me deixaram nas nuvens. Os vinhos portugueses há muito que deixaram de ser rústicos com promessas de futuro, para serem realidades de grande complexidade, boa estrutura e, quando lhes é dado o devido tempo para evoluir, verdadeiros elixires dos deuses. Estes dois fizeram parte do seleto grupo de vinhos que elegi neste ano de 2008 como meus Deuses do Olimpo, ou meus TOP 25. Não são somente grandes vinhos portugueses, são Grandes Vinhos de nossa Vinosfera!

Mais do que uma degustação, os mesmos se destacaram entre uma mesa repleta de verdadeiros néctares, todos grandes vinhos, e mostraram uma enorme persistência em minha memória. Por isso estarem aqui nesta categoria que poucos frequentam, a dos meus Vinhos de Reflexão. Outros já poderiam estar por aqui, mas vinhos degustados em feiras e eventos de maior porte, em que as doses de degustação são compreensivamente minúsculas, não contam. Apesar de terem, eventualmente, despertado fortes emoções, não as concretizaram em função da falta de “liquidez” na taça o que inviabiliza uma análise mais profunda que os poderia trazer até aqui. Agora chega de lero e falemos dos vinhos.

chryseiaChryseia 2001, um produto de grande categoria elaborado no Douro pela Prats & Symington, um delicioso corte de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão e Tinta Roriz. Na mesa junto com ele, em almoço de final de ano com amigos, um Gandjó Reserva, um Catena Zapata Agrelo Estiba Reservada 02, um Don Melchor 97 e para finalizar e brindar a mais um ano que passou, uma Veuve Clicquot Ponsardin. Almoço difícil de ser esquecido, tanto pelas garrafas, como principalmente pelo momento e pelos amigos com que foram compartilhadas, algo meio histórico. A prova de que grandes vinhos necessitam de tempo para mostrarem todo o seu potencial e esplendor, um vinho de grande categoria que o tempo aprimorou, um vinho que desperta fortes emoções e enorme prazer. Um vinho que já ao ser vertido para a taça mostra ao que veio. De cor escura ainda sem mostrar sinais de sua idade após seis anos de vida e com uma paleta olfativa complexa em que ressaltam as frutas silvestres e algo herbáceo. Na boca mostra uma incrível harmonia e equilíbrio que resultam em taninos macios e aveludados, muito boa acidez que lhe dá um caráter diferenciado de grande frescor, uma complexa concentração e riqueza de sabores que nos levam ao nirvana logo ao primeiro gole. Extremamente elegante com um final de boca muito longo e levemente achocolatado, é um vinho que persiste ad-eterno na memória. Já encomendei duas garrafas mais para uns amigos que irão a Portugal agora em Janeiro já que aqui, não consigo bancar.

Na minha humilde opinião, um vinho para ser tomado com um mínimo de cinco anos de guarda, devendo atingir seu ápice, dependendo da safra, por volta dos oito a dez anos, talvez até um pouco mais. Para fazer a prova dos nove (alguém ainda lembra?), precisarei abrir uma 2003 neste novo ano que rapidamente se aproxima.  Dá para tomar antes, certamente que sim, porém acredito que a finesse e elegância, que o vinho ganha com o tempo, não aparecerão quando tomado muito jovem com dois ou três anos, mas aí vai muito do gosto de cada um. Para mim, este 2001 mostrou ser um dos melhores vinhos que jamais tomei nesta minha curta vida de navegante de nossa vinosfera. Não dando para bancar este vinho, seu “segundo” vinho é o Post Scriptum que é excelente e uma tremenda relação custo x beneficio. No Brasil você encontra na Mistral e a Grand Cru (nesta ultima somente o Chryseia) porém o 2001 acho que está esgotado. Se tiver bala na agulha, compre o 2003.

Moscatel Roxo de Setúbal 97, produzido pela Quinta da Bacalhôa com esta pouco conhecida e rara variedade de moscatel, aparentemente autóctone da região de Terras do Sado. Um vinho de sobremesa que tive o enorme privilégio de tomar em um jantar degustação a convite da ViniPortugal, realizado nas bonitas instalações do Consulado de Portugal em São Paulo, um evento sobre o qual falarei em Janeiro com mais calma. Agora quero é falar deste incrível néctar que se destacou entre outros grandes vinhos como; Morgadio da Torre Alvarinho 07, Quinta do Corujão Dão Grande Escolha 04, Paulo Laureano Alicante Bouschet 05, Quinta do Crasto Touriga Nacional 05, Redoma Branco Reserva 05, Quinta do Zambujeiro 03 e um Madeira Justino Old Terrantez. Todos os vinhos mostraram enorme qualidade, vinhos de respeito em qualquer lugar do mundo com alguns realmente excepcionais, mas este Moscatel Roxo, vinho licoroso com 18 a 20º de teor alcoólico, despertou sensações diferentes entre os presentes e farei uso de duas frases geniais que ouvi nessa noite da boca de dois experientes e conhecidos enófilos, Carlos Cabral (se referindo ao Touriga da Quinta do Crasto outro grande vinho) e Walter Tommasi, para descrever minhas emoções; tanto para dizer que este vinho deve ser servido junto com uma almofada para que possamos nos ajoelhar e agradecer aos deuses por tamanho elixir, como para dizer que esta verdadeira iguaria não é para ser; nem cheirada nem tomada, mas sim lambida!

Como costumo dizer, há vinhos que não sabemos se cheiramos ou bebemos, pois este é daqueles pelo qual nos apaixonamos à primeira fungada! É extremamente sedutor, com notas florais que me fazem recordar laranjeira e rosas, com algo de frutos secos e mel, talvez até influenciado pela incrível cor amarelo dourado, quase topázio, uma verdadeira preciosidade. Tudo isso, no entanto, não convence se quando chega à boca esses aromas morrem e são substituídos por um liquido xaropento, enjoativo e sem vida, decorrente da falta de acidez muito comum em muitos vinhos doces. Este Moscatel Roxo da Quinta da Bacalhôa é o oposto de tudo isso, pois possuí uma acidez maravilhosa que lhe aporta uma personalidade muito vibrante, elegante, de grande leveza e maciez que convidam ao próximo gole. Absolutamente encantador aos seus jovens onze aninhos, nove ou dez dos quais envelhecendo em meias pipas de carvalho, devendo, conforme pesquisado, ainda evoluir por mais vinte, trinta ou mais anos! Para tomar devagar, após o almoço, jantar ou a qualquer hora, sorvendo todas as suas nuances e desfrutando de toda a sua riqueza de sabores. Esta maravilha dos deuses dá para encontrar na Santa Ceia (19 – 3836.2202), aqui em São Paulo, Vinhedo e Campinas ou na Portuscale (importadora).

 

Salute e kanimambo por um ano de 2008 certamente muito enriquecedor. De grandes descobertas e conquistas, maravilhosos aromas, nem sempre bem identificados, muito sabor e enormes surpresas.