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Desafio Bordeauxs Até R$100,00

Existem bons vinhos de Bordeaux abaixo de R$100? Sim existem e já são inúmeros os rótulos de vinhos originados Mapa bordeaux 2desta região disponíveis nos importadores e lojas. Há pouco tempo atrás estive num evento em que diversos desses rótulos foram degustados e daí a idéia de fazer este Desafio. Afora os vinhos provados e comentados no Garimpando Bordeaux, conheço diversos bons rótulos no mercado que mereceriam estar presentes neste Desafio de Bordeauxs até R$100, prova de que mesmo nessa região reconhecidamente cara, existe sim vida fora do universo dos grandes vinhos e não é pouca. Sejam da margem esquerda, direita ou entre entre-deux-mers este Desafio, junto com eventos como o de “Bordeaux ao seu Alcance”, promovido pelo CIVB (Conselho Interprofissional dos Vinhos de Bordeaux), visam divulgar essa mensagem e ao mesmo tempo compartilhar com os amigos algumas dessas descobertas.

             Estes Desafios de Vinhos que promovo, como já sabem aqueles que regularmente acessam o blog (valeu gente!), é itinerante e pretende não só falar dos vinhos, mas também falar dos novos lugares que conhecemos e compartilhá-los com o leitor. Desta feita vamos estar num lugar super especial e sobre o qual falo muito, mas ainda não tinha mostrado. É um local super aconchegante, charmoso, simpático e único na cidade em função de suas características, é a Vinea Store. Loja e importadora de vinhos com um incrível Jardim Gourmet, é um lugar idílico com vinhos para todos os gostos e, importante, bolsos também.

Clipboard Vinea 1

           Enviei um e-mail para os meus principais parceiros e alguns já apontaram seus representantes aos títulos de; Melhor Vinho, Melhor Custo x Beneficio e Melhor Compra. Outros ainda estão por se definir ou enviaram, mas ainda não chegaram o que talvez venha a resultar em algum “forfait”. De qualquer forma, eis alguns dos Desafiantes já confirmados com a Vinea podendo escalar dois por ser a anfitriã do evento:

  • Vinea Store – Chateau Desclau Cuvèe Marguerite 2002

                         –  Chateau la Raze Beauvallet 2005 – Médoc

  • Decanter – Chateau Noaillac 2005 – Médoc
  • D’Olivino – Château La Guérinnière 2005 – Saint Emilion
  • Zahil – Chateau Puycarpin 2006 – Côtes de Castillon
  • La Cave Jado – Cuvée Hommage 2003 – Côtes de Bourg
  • Expand – Chateau Le Monastere 2005 – Côtes de Bourg
  • Interfood –   Calvet Reserve Rouge Bordeaux 2005

Casa Flora, Ana Import, Vinci e Mistral ainda estão por definir, mas pelo menos um deles está confirmado só que tenho que soltar o post, então depois faço a revisão. Desta feita não sei se incluirei um vinho surpresa totalmente às escuras, ainda estou por definir, mas é algo que gosto de fazer já que dá um têmpero interessante à degustação. Depois detalho os vinhos, mas por enquanto fica a dúvida, quem será que faturará mais este embate? É as cegas, então tudo pode acontecer.

Aurora Blanc de Noir 004Como sempre, começaremos o Desafio preparando o palato para o que está por vir e para isso, poucos caldos são tão próprios quanto uma boa taça de espumante. Nesses dias, busco trazer rótulos menos conhecidos ou recém lançados para que a banca de degustadores possa conhecer esse novo produto que depois será compartilhado com os amigos leitores. Desta feita, provaremos o único Blanc de Noir brasileiro, de que tenho conhecimento, o Aurora Brut elaborado pelo método charmat com 100% de Pinot Noir. Eu já provei, mas não vou adiantar nada não!

Salute e kanimambo.

Santa Helena, o Braço de um Gigante

Santa Helena0002Com vida própria, mas esta vinícola chilena, mais conhecida entre nós por seus preços competitivos e vinhos básicos, é coligada ao segundo maior grupo chileno de vinhos, a Viña San Pedro que possui, entre marcas próprias e coligadas, um vasto portfolio entre eles; Cabo de Hornos, Gato Negro, Castillo de Molina, 1865, 35 Sur, Vina Tabali e Altair entre outros.  A Santa Helena fundada em 1942, possui cerca de 500 hectares de vinhedos plantados no Valle de Colchagua a cerca de 150kms ao sul de Santiago e já consta entre os 10 maiores exportadores chilenos, sendo o Brasil seu principal destino onde coloca 22% de suas vendas. Recentemente passou por uma reformulação de imagem de suas diversas linhas. O nome Helena,  tem origem na expressão grega “ Helane” que significa “radiante como o sol” e esta nova cara vem mostrar os primeiros resultados do enólogo Matias Rivera à frente da bodega.

              Estive no lançamento das linhas Varietal, com preços sugeridos entre R$20 a 25,00 e do Reserva, com preço ao consumidor por volta de R$30 a 35,00 tendo aproveitado para degustar também, alguns topo de gama como Vernus Blend, Notas de Guarda Carmenére, DON e o Late Harvest 06. Começando pelo inicio, na base da pirâmide, os vinhos Varietais tintos são básicos, honestos, com nariz muito típico deixando claras suas origens não havendo, no entanto, nenhum destaque em especial. Já o Chardonnay Varietal, sem passagem por madeira, é um achado por apenas R$20,00. Santa Helena 003Aromas ricos em fruta convidando a taça à boca onde se mostra muito fresco e comprova os aromas no palato de forma muito agradável e fácil de tomar. Ao perder temperatura mostrou um leve amargor que não chega a incomodar. O Late Harvest 2006, corte de 85% de Riesling com 15% de Gewurztraminer com um preço ao redor de R$39,00, foi outro grande achado da noite, pois estava delicioso e cresceu muito com um tempo em taça. Nariz intenso, frutado e algo floral, muito balanceado na boca sem excessos de açúcar e uma acidez no ponto, muito saboroso e o preço idem.

               A Santa Helena, no entanto, não é só vinhos básicos. Possui uma boa gama média de vinhos (como o Selección del Directório) e  rótulos de vinhos topo de gama que, confesso,  não conhecia. Gostei do Vernus 2006, um blend de Cabermet com Syrah e Petit Verdot muito agradável , de boa estrutura e taninos finos com um preço justo, por volta dos R$52,00; o Notas de Guarda Carmenére um vinho mais encorpado e complexo, de boa persistência com preço ao redor de R$126,00 e para finalizar o grande vinho da noite, DON 2005, um baita vinho de guarda com muita personalidade, complexo tanto no nariz Santa Helena Pinot - Directoriocomo na boca mostrando muita fruta madura, taninos firmes e aveludados com ótimo volume de boca e muito longo tendo harmonizado muito bem com o pernil de cordeiro assado servido no ótimo Parigi. Um belo vinho que só não me animou mais devido ao preço, R$239,00 que achei um pouco puxado.

                Uma linha que não foi apresentada nessa noite, mas que acho muito boa e também está de cara nova, é a Selección del Directório, em especial o Pinot Noir que volta e meia anda pela minha mesa e na minha taça. Já faz um tempinho que não o tomo, mas o preço andava por volta dos R$45,00 aqui em São Paulo.  A importação e distribuição dos vinhos da Santa Helena no Brasil está a cargo da Interfood, o anfitrião deste jantar muito agradável, como são todos os organizados pela Fernanda Fonseca. Valeu Bruno.

Vinhos da Semana

             È, fazia tempo que não publicava nenhum post destes “vinhos da semana” que vou tomando e compartilhando com os amigos. A periodicidade não é bem essa, mas isso é o que menos importa, o que vale mesmo são os vinhos e esta foi uma semana das boas, entre outras coisas porque matei saudades do gostoso Quinta de Camarate, mas tem mais!

Camarate + 003 

 

Ochotierras Gran Reserva Carmenére 2005, a última de minhas garrafas (snif,snif) deste vinho realmente estupendo sendo um dos varietais desta cepa que mais me encantaram até hoje. Está com uma paleta olfativa cativante de ótima intensidade, na boca é de grande elegância, muito harmônico com ótima acidez o que lhe dá uma vivacidade muito interessante, taninos finos e aveludados, rico, boa estrutura um leve apimentado final de boca com boa persistência. É importado pela Brasart e da última vez que vi estava disponível na Kylix e BR Bebidas com preço ao redor de R$90,00. Para tomar hoje e aproveitar por mais um bom par de anos.   I.S.P. 

 

Orzada Malbec 2005, ganho do amigo Cláudio do Le Vin au Blog em sua promoção de sugestão de perguntas para sua enquete semanal, é um Malbec chileno e, conseqüentemente, diferente dos argentinos que estamos habituados a tomar. É um vinho muito agradável ao olfato com presença de frutos negros, na boca é untuoso, macio e elegante sem a concentração exagerada que vemos muitas vezes nos vinhos argentinos, equilibrado, saboroso, taninos finos e sedosos, final de boa persistência uma pena que o preço seja tão caro. Na World Wine por R$86,00, em São Paulo, acho além da conta. Este produtor também produz um estupendo varietal de Carignan. I.S.P.  

 

Elos Malbec/Cabernet Sauvignon 2006, da linha dos topo de gama da Lídio Carraro é um vinho muito bom que me agradou bastante. Nariz agradável de frutas do bosque maduras, algo vegetal, aparecendo um caramelo em segundo plano e após um tempo em taça. Na boca mostra-se bem equilibrado com taninos maduros e macios, untuoso, médio corpo, bom volume de boca, saboroso e de boa persistência. Pelo preço aqui em São Paulo, variando entre R$55 a 65,00 acho um pouco puxado. Pelos R$40 que vi em lojas do Sul (na Costi Bebidas em Porto Alegre vi em oferta por R$36 e a este preço compraria de caixa) é uma das boas opções do mercado nos dias de hoje. I.S.P.

 

MUMM Cuvée Reserva Brut, espumante produzido por esta Casa de Champagne na Argentina. Pouca espuma, cor palha, perlage de tamanho médio com razoável persistência. Aromas de boa intensidade com forte presença de leveduras e brioche num estilo aromático mais tradicional. A sensação no palato segue o nariz, bem balanceado e frescor adequado sem ser vibrante com um leve amargor final. Para quem gosta do estilo, é interessante, mas não chega a empolgar. Pelo preço, em torno de R$26,00, vale, mas acho que temos melhores opções nacionais nessa faixa. I.S.P.

 

Quinta de Camarate 2005, um dos meus vinhos portugueses preferidos e que há muito não tomava, daqueles que a gente compra e não só bica em degustações ficando somente no desejo. Da Terras do Sado (CVR Setúbal) é produzido Diversos 117pela José Maria da Fonseca, uma das mais antigas vinícolas portuguesas, a primeira a engarrafar vinhos no país lá pelos idos de 1850. Conheci este vinho no Brasil por volta de 2005 quando o Pão de Açúcar o importava tendo, inclusive, comprado diversas caixas junto com amigos. Depois, voltei a tomá-lo num delicioso jantar com um amigo que há muito não via, lá Quinta do Anjo em Palmela “esquina” com o Azeitão, no gostoso restaurante Alcanena. Pelo que me lembro do vinho, melhorou mais ainda, ou será o fator saudade e uma certa nostalgia influindo? De qualquer maneira, vinho tem que mexer com as nossas emoções e este mexeu, e muito, com as minhas. Corte de Touriga Nacional (sempre ela) com Aragonez e Castelão, está com quatro anos de vida, e no ponto para ser bebido. Nariz muito frutado “red berries”, floral com nuances tostadas, muito rico em sabores em que a fruta se mostra muito presente, bom volume de boca, corpo médio, taninos macios, ótima acidez, mineral, redondo e harmônico com um final levemente especiado e longo. Um vinho para tomar levemente refrescado, por volta de uns 16º e muito, muito agradável de tomar. Está na faixa do 7,50 para 9 euros e foi uma das boas compras que fiz na ultima vez que estive em Portugal. Dizem que o branco também é muito bom, mas ainda não tive oportunidade de o provar, está na lista. Não entendo como nenhum de nossos importadores traz este vinho!! I.S.P. 

Salute e kanimambo.

Nova Leva de Chilenos na Vinea

              Algumas semanas atrás tive o grato prazer de voltar a visitar a Vinea Store depois de algum tempo e um inicio de ano algo morno. Como sempre, muito agradável participar de eventos no local, ainda mais em função da simpatia que irradia das pessoas e alto astral do local, estava com saudade disso. O convite foi para conhecer os novos rótulos vindos do Chile e rever os excelentes vinhos da Casa Marin, uma vinícola realmente impar e sobre a qual já tive oportunidade de comentar o Syrah que, para mim, é o melhor vinho que eles têm e certamente é um dos grandes Syrahs hoje disponíveis no mercado. Agora quero falar mesmo é das outras três vinícolas que chegam, seus vinhos e, importante seus preços. São três as vinícolas; San Esteban com a marca In Situ, Butron Budinich com Cumbres Andinas e Catrala.

  • Para começar, dois brancos muito agradáveis. O In Situ Chardonnay bem típico dos vinhos do novo mundo com madeira aparente, nariz intenso de boa tipicidade, equilibrado, leve amargor final que não chega a incomodar. Com preço de R$39,00, é uma boa opção de Chardonnay nesta faixa. Já o Sauvignon Blanc Cumbres Andinas da Butron, é especialmente agradável, ótima paleta olfativa que convida a tomar, acidez muito boa tornando-o muito fresco, sedutor e refinado para um vinho de apenas R$30,00. Certamente um vinho que faz a minha cabeça.
  • Nos tintos afora os incríveis e já amplamente divulgados vinhos da Casa Marin que são um caso à parte e meio que Hors Concours em qualquer evento,  provei mais dois vinhos que são grande surpresa em função do preço. Em meus Desafios de Vinho tenho colocado como fator surpresa alguns rótulos mais baratos, mas de qualidade, que conheço e têm se dado muito bem nas degustações às cegas. Estes são rótulos que têm este tipo de estirpe apesar do preço; Merlot Cumbres Andina um vinho bem feito que não me parece que passe por madeira, gostoso, macio e fácil de tomar, uma ótima opção para aqueles encontros com pratos menos sofisticados do dia-a-dia por apenas R$30,00 e o In Situ Carmenére Reserva um vinho de corpo médio, boa intensidade aromática, firme na boca, muita concentração, mas de taninos bem balanceados mostrando especiarias e notas terrosas no final de boca o que é um achado num vinho de R$39,00 e o San Esteban Cabernet Sauvignon VSE Classic, um vinho muito saboroso e fácil de tomar, uma ótima pedida para aquela pizza com os amigos e custa apenas R$28,00.
  • Num Patamar um pouco acima, três vinhos me chamaram a atenção; o In Situ Winemaker´s Selection Cabernet Sauvignon mostra bastante estrutura e está ainda um pouco jovem, pois é de 2007, mas mostra uma riqueza de sabores muito boa e taninos finos que prometem desabrochar com mais um ano de garrafa, um bom vinho ainda apresentando uma certa rusticidade que deve arredondar com o tempo. Bom vinho por módicos R$67, mas é seu irmão mais velho, o In Situ Gran Reserva que mostra todo o potencial da casa com esta cepa e custa R$98,00. Uma pena que seja de 2007, pois está ainda muito fechado, mas mostra ser robusto, nariz em que a madeira ainda se encontra bem presente, mas sem exageros, algo floral e tabaco mostrando uma certa complexidade. Na boca está um pouco duro ainda, denso, de boa textura mostrando alguma mineralidade e um final de boca algo herbáceo, notas de pimenta e boa persistência. Vinho para guardar mais uns dois ou três anos para aproveitá-lo melhor. Na mesma faixa de preço, o Catrala Merlot Grand Reserva Limited Edition também está muito novo, 2007, mas já mostra qualidades. Nariz de bastante fruta negra com algo químico e madeira por arredondar, mas sem incomodar. Na boca é um vinho muito expressivo, de bom volume e estrutura, saboroso, taninos finos e aveludados de muito boa persistência.
  • Por falar em Catrala, interessante saber que o nome é alusão à mulher chilena do século XVII, mulher elegante, impetuosa e misteriosa; conhecida por suas excentricidades e extranhos costumes, vivendo um mix de realidade, lenda e fantasia. Legal essa homenagem. O Pinot  também demonstra muita qualidade, mas foi o Catrala Sauvignon Blanc deles que mais me encantou. Da região de Casablanca, possui aromas muito cítricos e frescos de grande intensidade que te seduzem facilmente. Na boca mostra tudo isso com muito refinamento, harmonia e alguma mineralidade que encantam os sentidos. Vinho muito bom que mostra que os chilenos realmente produzem ótimos vinhos desta cepa, tantos os mais baratos como vinhos premium como estes e os consagrados vinhos da Casa Marin em que o Laurel é destaque e meu favorito. Preço deste Sauvignon Blanc é de R$87,00 e me vi acompanhando um delicioso prato de frutos do mar com peixe grelhado. Muito yummy!
  • Falar de Casa Marin é chover no molhado. Todos seus vinhos são apontados por grandes críticos internacionais com no mínimo 90 pontos, falar o quê?  Seus Abarca Pinot e Miramar Syrah são absolutamente estupendos e de uma elegância impares, seus brancos divinos sejam eles Gewurtzraminer, Sauvignon Blanc ou Riesling e os preços acompanham tanta maestria. Faz parte, não existem grandes vinhos a preços baixos!

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Mais um acerto dos amigos da Vinea. Vinhos para todos os bolsos e para todos os momentos. Melhor ainda é sentar naquele magnifico jardim gourmet, pedir uma dessas garrafas e jantar em uma das várias noites enogastronômicas que eles promovem. Não se gasta muito e a satisfação é imensa! 

 Salute e kanimambo.

Garimpando Bordeaux

                Bem, o garimpo mesmo não foi feito por mim, eu só fui sorver do trabalho do CIVB (Conselho Interprofissional dos Vinhos de Bordeaux) em seu projeto “Bordeaux ao Seu Alcance” que tem tudo a ver com os objetivos deste blog. Como disse ontem, vinhos BGB (Bons, Gostosos e Baratos) existem em qualquer lugar e, mais do que nunca, há que se divulgar isso. Parece que os produtores e importadores, pressionados pela crise, finalmente veem descobrindo o que nós consumidores queremos, Qualidade com Preço, sendo este evento um claro exemplo disto.

                Muito bem organizado pela Cristina Neves num local muito bonito (Espaço Siquini Gourmet), o evento teve a participação de cerca de 15 importadores com algo ao redor de uns 80 ou 90 rótulos à prova. Nesta faixa de preços de até R$100,00, com alguns poucos desvios, os vinhos são mais jovens e prontos a beber não sendo rótulos de grande guarda apesar de que alguns podem evoluir com mais dois ou três anos de garrafa. Na grande maioria, no entanto, são vinhos já prontos a beber. Destes provei uns 28 a 30, na grande maioria bons, tendo cerca de uma dúzia deles se destacado. Falemos desses vinhos:

Casa do Porto, três rótulos entre eles o famoso Mouton Cadet, o Baron Nathaniel e o que mais me agradou, o Chateau Bastian 2005 Com 50% de Merlot, vinho muito saboroso, redondo, fresco e frutado sem grande complexidade porém bastante equilibrado e fácil de tomar. Uma boa relação Custo x Beneficio por R$65,00, o que acabou sendo uma constante no evento.

La Cave Jado, um pequeno e seletivo importador que tem por filosofia trabalhar com pequenos produtores e grandes sabores, escolhidos a dedo, ou melhor, a goles garimpados em diversas viagens pela região. Dois muito bons vinho; um mais leve e fácil de agradar porém já mostrando alguma complexidade e o outro um degrau bem acima, ambos da margem direita o que significa uma maior influência da uva Merlot no assemblage. O Chateau Piron 2005, um bom ano na região, é um vinho de médio corpo, pronto mas podendo evoluir um pouco mais em garrafa com uma entrada de boca cativante, taninos finos, cheio sem ser denso, boa acidez um vinho que agrada aos sentidos e ao bolso já que custa apenas R$59,00. O Cuvée Hommage 2003, um outro bom ano, apesar de características diferentes, mostrou-se um pouco mais fechado, complexo, de corpo médio para encorpado, fresco, boa estrutura e volume de boca, mostrando ser um vinho de guarda que deve evoluir bem por mais uns três ou quatro anos. Produção orgânica e um preço de R$92,00, o mais caro de seus vinhos, o que demonstra que este é um importador a se visitar e garimpar.

Decanter. Parceiro firme, importador sério e com ótimo portfolio trouxe quatro rótulos ao evento (Chateau Bel Air Perponcher branco e tinto, Chateau La Gasparde e Chateau Noiallac), todos bons porém com destaque para dois vinhos. O Bel Air Perponcher Reserve 2007 branco, um corte de Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle produzido pela família Despagne é muito saboroso, cítrico, balanceado e fresco por cerca de R$72,00 e o muito bom Chateau Noaillac 2005, corte de Cabernet Sauvignon/Merlot e Petit Verdot da sub´região do Medoc sendo produzido pelo conceituado Chateau La Tour de By. Um Cru Bourgeois de primeira com aromas de boa intensidade frutado e algo floral, na boca mostra-se ainda levemente fechado, mas já delicioso, complexo, estilo clássico da região, bem equilibrado, taninos aveludados, final algo mineral. Vinho para hoje e melhor ainda em mais dois ou três anos e o preço de R$104,00 é bem em linha com o que entrega.

Expand. Três vinhos entre eles um velho conhecido o Chateau David 2005, vinho simples, e saboroso porém sem grandes atrativos. Gostei bastantate do Clos du Roy 2006 branco que, apesar da safra, ainda apresenta uma boa acidez e conseqüente frescor assim como uma paleta olfativa muito aromática e convidativa. O destaque, no entanto, vai para o Chateau Le Monastère 2005 um mui agradável assemblage de Merlot/Cabernet Sauvignon e Malbec com12 meses de barrica. Frutado, intenso, bom volume de boca e final muito saboroso por apenas R$60,00, uma das muito boas relações Custo x Beneficio apresentados neste evento. Não presentes, porém ótimas sugestões também, são os Chateaus:  Rocher Calon, Jalousie e Plaisance sem contar a baba que é o Chateau Peyruchet Blanc.

Mistral. Dentro seu imenso portfolio, a agradável e simpática presença do Chateau la Gatte apresentado por seu proprietário. O elétrico e apaixonado, Michael Affatato um Ítalo-americano produzindo vinhos muito bons em Bordeaux junto com sua esposa francesa. Seu La Butte Vieilles Vignes (100% Merlot) representou os Merlots franceses em meu Desafio de Merlots do Mundo realizado ontem à noite. O resultado, bem esse é um outro assunto que postarei mais adiante.Foram quatro bons rótulos (La Gatte Rosé 07, com sabor e corpo de vinho, Domaine de Montalon 05, La Gatte Tradition 05 e La Butte Vielles Vignes 05) todos dignos de destaque. O que mais impressiona pela relação Custo x Beneficio e, nesse sentido, o melhor que vi no evento é o La Gatte Tradition 2005, um vinho jovem que não passa por madeira e está com um preço ao redor de R$45. Pleno de sabor, leve, suave, fácil de beber e harmonizar com os pratos de nosso dia-a-dia, mineral e harmônico, um grande achado que certamente virá a freqüentar minha mesa com uma certa assiduidade. O La Butte Vieilles Vignes 2005 é um Merlot produzido com vinhas de mais de 50 anos de idade, bem equilibrado, boa concentração, gostoso de se tomar e com um bom preço, ao redor de R$85,00, apesar de uma produção limitada. Domaine de Montalon 2005, o mais complexo deles todos, um vinho de muito boa estrutura, ainda firme, porém elegante na boca, vibrante mostrando um bom frescor, ótima textura, taninos finos e elegantes, um Bordeaux Superieur de primeiro nível e o preço é bem em linha com o produto, algo em torno de R$82,00.

Vinci. Três rótulos; Chateau Rauzan-Despagne Reserve 05, Chateau Saint-Marie 06 e, a meu ver, o destaque entre eles, o Legende R 2006, de Domaines de Baron de Rotschild, com tudo no lugar. Pronto, redondo, rico em sabores, sedoso e equilibrado, um vinho vibrante que enche a boca de satisfação deixando um gostinho de quero mais. O Preço ronda os R$90,00.

Vinea. Três rótulos; Chateau Grand Jean 2004, Chateau Desclau Cuvèe Marguerite 2002 e o Chateau la Raze Beauvallet 2005. Os dois últimos são ótimos e o Cuvée Marguerite 2002 (R$98,00) já me tinha sido recomendado pelo Luiz Horta. Como as sugestões dele dificilmente dão errado comigo, este mais uma vez comprovou uma certa sinergia de gostos. Muito bom corte de Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec e Petit Verdot, com uma paleta olfativa intensa e frutada, frutos negros tipo cassis e nuances de couro. Na boca possui taninos sedosos, corpo médio, redondo e absolutamente pronto a beber com um final de boca algo especiado e de boa persistência. O Chateau La Raze Beauvallet 2005 (Mèdoc) foi o vinho que me virou a cabeça e me conquistou. Muito raramente numa degustação destas, tenho a capacidade de escolher um como o vinho da noite. Sempre tem alguns que me encantam por uma ou outra razão, mas desta vez cravei este vinho desde que levei a taça ao nariz e confirmei na boca. Um vinho que mostra ser ainda um pouco jovem, mas como a maioria dos bons vinhos, já mostra uma harmonia, riqueza de sabores e elegância de taninos que permite que seja tomado desde já e com muito prazer. Certamente evoluirá muito ainda, mas seu final de boca longo, bem fresco e frutado convida a mais uma taça. Tá, o preço está um pouco fora do combinado, está por R$127,00, mas ô R$27  bem pagos!

Vitis Vinífera. Mais uma das dicas do Luiz que tive que conferir. Não tive oportunidade de pegar preços, mas vi que o Luiz tinha mencionado em seu blog um preço ao redor de R$82,00 para o Chateau Lesparre 2002 de Michel Gonet (o mesmo do Champagne) que foi o vinho de maior destaque disponível no estande desta importadora do Rio de Janeiro. Macio, saboroso, bem equilibrado, boa estrutura, algo vegetal, taninos sedosos e um final de boa persistência. Realmente um bom vinho que agrada fácil, mesmo não sendo um vinho simples, e está prontíssimo para ser apreciado em toda a sua plenitude. Da linha de vinhos provados, o Lesparre Rosè e o Merlot também são vinhos muito agradáveis, simples, mas bem saborosos. Dependendo do preço duas interessantes escolhas.

Winery. Bons vinhos com bons preços. Dois vinhos em destaque; Grand Palais 2004, um vinho fácil, simples, macio e saboroso porém descompromissado sem grandes apelos emocionais, com um preço arrasador, em torno de R$35,00. O que mais me chamou a atenção foi o Chateau Giraud – Cheval-Blanc 2006 alguns degraus acima do primeiro, ainda um pouco fechado, mas mostrando taninos finos, elegante e amistosos, bem equilibrado, final aveludado e saboroso um bom vinho para acompanhar comida, mais do que para tomar solo e um preço muito camarada, por volta dos R$50,00.

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                Adorei a concepção do evento que vem demonstrar ao publico, através da imprensa e de formadores de opinião de nossa vinosfera, de que até da França chegam bons vinhos que cabem em nosso bolso. É isso que queremos e é isso que esperamos venha a ter mais divulgação, tanto é que a própria disseminação de blogs de vinho acaba sendo decorrência e indicação disso; a busca de bons vinhos a bons preços. Os grandes vinhos são ótimos, mas passam longe do poder aquisitivo da maioria do consumidor médio que não tem cartão corporativo e tem que trabalhar para pagar suas contas. Estes eventos mostram-nos que existe luz ao fim do túnel e não é um trem chegando! Parabéns aos promotores do evento, espero que ocorram mais do gênero com vinhos da Itália, da Espanha, de Portugal, da Austrália, Nova Zelândia, etc.

Salute e Kanimambo

Domno Traz Vistalba

                Domno, o novo projeto da Famiglia Valduga tem como objetivo produzir bons espumantes em sua sede em Garibaldi, no Vale dos Vinhedos, e importar e distribuir vinhos em geral. Uma de suas primeiras aquisições como importador foi a Vistalba, como já informado, e fui convidado a conhecer a linha de produtos trazidas por eles degustando alguns dos rótulos já disponíveis no mercado. Duas linhas principais de duas regiões diferentes, a Tomero e a Vistalba com os cortes A, B e C.

Foto  Tomero Petit VerdotA Linha Tomero é bastante ampla com oito varietais elaboradas com uvas do Valle do Uco advindas de 400 hectares de vinhedos plantados a cerca 1.100 metros de altitude. Destes oito, provamos o Sauvignon Blanc, Semmillon,  Malbec, Malbec Gran Reserva, Pinot e Petit Verdot Reserva. Todos bons vinhos; o Sauvignon Blanc por sua sutileza, frescor e equilíbrio resultando num vinho muito agradável de tomar. O Malbec Gran Reserva é um vinho de grande potência, robusto, firme e, em se tratando de um 2006, ainda muito novo para se apreciar todo o seu potencial. Pinot agradável, de maior potência e volume de boca do que estamos acostumados mostrando uma cara bem “novo mundista”, mas foi o Petit Verdot que me encantou. Já tinha provado alguns varietais desta cepa, comumente usada em cortes, e não me tinham agradado por sua rusticidade e agressividade. Este mostra força, mas sob controle, nariz de boa intensidade, boa concentração, taninos finos e aveludados com um final algo quente, mas de boa persistência e muito saboroso, um vinho que surpreende e é isso que mais me agradou.

         A gama de vinhos Vistalba é diferente a começar pelo conceito, já que são todos cortes. Vêm de Vistalba, LujanVistalba Corte B 2004 de Cuyo, de um vinhedo de 53 hectares plantado a cerca de 980 metros de altitude onde se plantam Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Bonarda. A linha é composta de de três cortes. O Corte “C” que é um blend  majoritário de Malbec com Merlot, o Corte “B” um pouco mais complexo em que se juntam quatro cepas; Malbec, Cabernet Sauvignon, Bonarda e Merlot e, finalmente, o topo da linha o Corte “A” em que se usa a Malbec e Cabernet Sauvignon em partes iguais e complementa-se com 20% de Bonarda. Já tinha provado anteriormente e mais uma vez confirmei a minha impressão, os Cortes B e C me parecem mais equilibrados e harmônicos do que o A que, ainda por cima é bem mais caro e com algo de excesso de álcool que já se sente no nariz e confirma na boca. Já os outros dois me agradam muito, em especial o Corte B que se apresenta muito bem equilibrado, rico e denso na boca com boa concentração, mas sem excessos mostrando taninos sedosos e uma acidez equilibrada num final de boca aveludado e longo, um belo vinho.

         O único senão desta equação é o preço já que estes rótulos estão chegando mais caros do que na importadora anterior que já não tinha fama de econômica. Talvez fosse interessante rever a estratégia, mas essa não é seara minha e sim de quem está envolvido com o negócio. De minha parte ficam aqui duas ótimas dicas de vinhos muito bons que valem a pena ter na adega, o Tomero Petit Verdot Reserva e o Vistalba Corte B. Esses eu teria na minha.

Salute e kanimambo.

Innominabile II – O Retorno

         Se há uma coisa que sou nesta vida, é persistente e tive que fazer o Innominabile II retornar a minha taça! Tudo bem, tem gente que diz que estou mais para teimoso, mas acho que isso é intriga da oposição. rsrs Conheço este vinho e, tanto quanto o pessoal de vinícola como o de um leitor amigo com comentário consternado que estava com o resultado do Desafio de Vinhos Assemblage, sentia que tinha que abrir logo a garrafa que me restava na adega e fazer a prova dos nove. Esperava o momento adequado e este finalmente chegou quando decidi fazer um fettucine com bacalhau aqui em casa, seguindo a receita do amigo Alexandre do Diário de Baco. Realmente super simples e rápido de fazer tendo harmonizado muitissímo bem com este vinho.

         Como pode ser visto pela foto, mesmo que não muito boa, o vinho possuía uma cor bonita ruby com leve halo aquoso. Nada a ver com o que Innominabile 002tínhamos tomado no Desafio, já de cor atijolada e rala. Este está vivo, com aromas algo florais, na boca mostra madeira bem integrada, taninos macios,  maduros, finos e sedosos mostrando bastante elegância, saboroso, delicado mostrando bom equilíbrio e acidez correta, um vinho gastronômico que cresceu com o prato e necessita de um tempinho em decanter para realmente mostrar seu potencial. O final é de média persistência e muito agradável,  mostrando um estilo bem velho mundo.

         Repetiu o que já conhecia dele e mostrou ser um vinho de muitas qualidades em que se destaca a finesse e harmonia ao contrário dos muitos vinhos anabolizados que se vê por aí.  Combinou muito bem com o bacalhau en função da elegância dos taninos que se equilibraram de forma harmoniosa com a delicadeza do prato. Poderia ter ganho o desafio caso fosse esta a garrafa em disputa? Provavelmente não, mas certamente se haveria bem melhor do que o resultado que obteve, pelo menos no meu conceito, dando uma maior canseira aos seus adversários da noite. Uma pena, mas aprendi mais uma; de que duas garrafas de um mesmo vinho, de uma mesma safra e guardado num mesmo lugar, podem envelhecer e evoluir de forma totalmente diferenciada uma da outra. São estas peculiaridades que fazem com que viver em nossa vinosfera jamais seja um tédio. Para quem quer mesmice, adote whisky ou cachaça! 

Salute e kanimambo.

Vinhos de Espanha – Noticias do Front Ibérico II

WinesFromSpainDesta vez falando dos vinhos da Espanha. Um pouco atrasado, faz uma semana que aconteceu, mas enfim vamos falar do ótimo encontro com importadores e produtores espanhóis promovido pela Vinos de España através do escritório comercial da Embaixada de Espanha em São Paulo e muito bem organizada pela Cristina Neves, show de bola!

        Na exposição, diversos produtores sem importadores buscando canais de venda no Brasil e alguns importadores mostrando alguns de seus produtores. Uma pena que a maioria dos consumidores brasileiros ainda não tenha descoberto o que a grande maioria dos enófilos no mundo já descobriu, os grandes vinhos de um país com uma vasta e diversa linha de produtos. Uma das poucas regiões produtoras que pouco sentiu a crise devido à enorme diversidade de mercados em que atua, participando muito em mercados consumidores de grande volume de consumo e compras e, interessantemente, menos burrocráticos e mais liberais em suas importações como Estados Unidos, Rússia e China entre outros. No Brasil, números de Janeiro a Abril deste ano, a Espanha totaliza apenas 2.4% da importações, já foi menos, de vinhos finos atrás de Chile, Argentina, Itália, Portugal e França que juntos representam 90% das importações. Falemos dos Vinhos.

         Das empresas novas, três me causaram muito boa impressão; Bodegas José Pariente (Rueda) da jovem Martina com três incríveis brancos,  Viña Santa Marina da simpática Carmen (Mérida/ Extremadura)  e a Bodegas Hacienda Del Carche (Jumilla). Três regiões diferentes e não muito comuns por aqui, afora Rueda, mostrando que a Espanha possui uma quantidade e diversidade de regiões e terroirs muito superior a Rioja, Ribera Del Duero, Priorat e outras tão bem conhecidas como Toro, Bierzo, Navarra, etc.

Degustação Wines of Spaimn 006José Pariente, uma bodega de Victoria Pariente, de quem Martina é filha, que se especializou nos vinhos brancos produzindo, presentemente, somente três maravilhosos rótulos. De seu total de cerca de 100.000 garrafas anuais, 50% ficam na Espanha, cerca de 30% vão para o resto dos mercados europeus e pouco resta para atingir outros mercados.

  • José Pariente Verdejo 08 um típico Verdejo de Rueda vinificado a frio sem passar por madeira e derivado de vinhas de 15 anos de idade. Nariz incrivelmente intenso, porém de uma sutileza de aromas ímpar, seco, fresco e de grande persistência na boca. Maravilha.
  • José Pariente Sauvignon Blanc 08, segunda safra deste vinhoEspanha 005elaborado com vinhas de 25 anos e absolutamente divino. Com mais corpo do que esperaria de um Sauvignon Blanc, é um vinho diferente apesar de mostrar a tipicidade da uva, deixa claro que vem de uma região diferente com terroir próprio transmitindo bem este peculiaridade. Muito bom.
  • José Pariente Verdejo Barrica 07, vinho que passa de cinco a seis meses em barrica e elaborado com uvas advindas de vinhas de 25 anos. Nariz menos vibrante, mostrando ser mais comportado, mas bem mais complexo. Madeira bem integrada, bom corpo, um grande e estupendo vinho.

Sei que estão por fechar com alguém, só não posso adiantar quem neste momento, o que é uma ótima noticia para nós consumidores. Devem ser rótulos que chegarão com preço bastante alto, mas são efetivamente grandes vinhos, entre os melhores brancos da Espanha.

 

Vina Santa MarinaViña Santa Marina, a cerca de 60 kms da fronteira com Portugal, produz diversos bons rótulos. É obra de Yolanda Pinero, sócia e enóloga da bodega, mais uma vez as mulheres mostrando sua aptidão para a arte de fazer vinhos, e Alvaro de Alvear um homem com história no mundo do vinho.

  • Altara 08 foi o branco que mais me chamou a atenção, apesar de um bom Viognier, por apresentar uma mescla de uvas autóctones sendo uma delas única a esta bodega, a Montua. O Corte é de Montua (80%) com Cayetana Blanca e Pardina que produz um vinho de gostosos aromas cítricos, mostrando fruta delicada, expressiva e sedutora ao nariz. Cor amarelo palha bem pálido, fresco, baixo teor de álcool um ótimo “abre alas” para um jantar, encontro de amigos, tapas, etc.
  • Equus 05, um tinto jovem meio crianza com seis meses de barrica, de ótima paleta olfativa, corte muito balanceado de Tempranillo (85%)  com Cabernet Sauvignon e Syrah. Estilo moderno, equilibrado, redondo e fácil de tomar e se gostar, um final bastante saboroso de média persistência e taninos macios.Degustação Wines of Spaimn 008
  • Viña Santa Marina 06, corte de Cabernet Sauvignon com Syrah com 10 meses de barrica, que me encantou, um belo vinho, de bom corpo e volume de boca, fruta negra, algo especiado ao final, taninos aveludados, saboroso e boa persistência formando um conjunto muito agradável. Este é candidato a ser um frequentador assiduo da minha mesa.
  • Miraculus 03, um complexo e robusto corte de Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah, Cabernet Franc e Petit Verdot que passa 15 meses em barrica. Aos seis anos ainda uma criança que pede tempo para se mostrar em toda a sua grandeza. Pede comida que lhe faça frente como um bom guisado ou algo similar e pelo menos uma hora de decanter.
  • Viña Santa Marina Vignier Tardio 08, um vinho bastante saboroso e fresco mostrando-se bem balanceado na boca e rica paleta olfativa.

 

Degustação Wines of Spaimn 003Bodegas Hacienda Del Carche, outra boa Bodega que apresentou somente quatro rótulos. Bodega jovem com somente 3 anos de vida porém com vinhas de mais de 50 anos e uma tradição familiar que data do século XIX. Afora os vinhos, dos quais produzem cerca de 100.000 garrafas anuais, apresentaram um azeite muito bom e também uma geléia elaborada com a uva Monastrell de que gostei muito.

  • Hacienda Del Carche Branco 08, um vinho jovem fresco, de nariz bem frutado e algo floral e fácil de beber elaborado com um saboroso corte de Sauvignon Blanc, Airen e Macabeo.
  • TAVS 07, um vinho jovem que não passa por madeira, elaborado com Monastrell (80%) e Syrah. Um corte diferente e muito equilibrado, frutado, especiarias, fresco, taninos doces, redondo, absolutamente pronto a beber e fácil de se gostar.
  • TAVS Selección 07, semi-crianza com 4 meses de barrica, corte de Monastrell (50%) e partes iguais de Syrah e Cabernet Sauvignon. Nariz intenso, rico, equilibrado, taninos finos, final de boca algo terrosos, complexo, um degrau acima e muito bem elaborado.
  • Hacienda Del Carche Cepas Viejas 06, elaboarado com uvas de vinhas de 57 anos com produtividade limitada a 1kg por pé, corte de partes iguais de Cabernet Sauvignon e Monastrell, um vinho muito saboroso. Mostra uma concentração de fruta muito boa, entrada de boca impactante que amacia na boca terminando sedoso e algo balsâmico, mostra-se muito harmônico e elegante. Um senhor vinho, especialmente se considerado que custa lá algo ao redor de 6,25 Euros FOB.

         Afora estas três vinícolas que espero confirmem logo sua presença Degustação Wines of Spaimn 010entre nós, achei bastante interessantes também a; Viñedos Santo Cristo de quem gostei muito do Viña Ainzon Premium 05 um reserva com 18 meses de barrica e 100% Garnacha de ótima estrutura e grande elegância assim como o Moscatel branco de sobremesa muito equilibrado com ótima acidez e a Elias Mora com seus vinhos potentes, complexos e robustos elaborados com Tinta de Toro.

         Dos produtores/importadores já conhecidos, falarei sobre a linha de Degustação Wines of Spaimn 002belos vinhos da Bodegas Protos, importado pela Península, em um post especial já que estou promovendo, com o apoio da Península, uma degustação especial de todos os seus sete rótulos. Mas deixo desde já meu recado, que vinhos, que vinhos! Desde o seu saboroso e acessível Verdejo ao grande e estupendo Gran Reserva 01, passando pelo extremamente elegante Selección 06. Prado Rey trazido pela Decanter é um produtor de grande renome na região de Ribera del Duero que possui vinhos de grande qualidade. O branco Birlocho, que não conhecia, é um corte de Verdejo com Viura de médio corpo, bom frescor e certamente uma ótima companhia para uma Paella. Prado Rey Elite 03, ainda uma criança que pede tempo para ser tomado e o estupendo Reserva 01, um vinho complexo e encantador na boca com taninos finos já arredondados mas mostrando ainda muito vigor o que demonstra que ainda tem muitos anos pela frente.

         Incríveis os vinhos do Grupo Pesquera elaborados sempre com 100% de Tempranillo, de importação exclusiva da Mistral. Grandes vinhos vindo de quatro bodegas independentes. Pesquera e Condado de Haza de Ribera Degustação Wines of Spaimn 001Del Duero, Dehesa la Granja de Castilla y Leon e El Vinculo da região de La Mancha. Difícil dizer qual o melhor e falar sobre estes vinhos é pura redundância. De todos eles, um me virou a cabeça; o Dehesa la Granja Selección 2000 um vinho que nunca sai ao mercado antes de 4 anos e é absolutamente inebriante no nariz e espetacular na boca, de grande finesse e refinamento. Descrevê-lo é algo extremamente difícil de fazer para um pobre mortal que nem eu, porém posso adiantar que é um dos melhores vinhos espanhóis que já tive oportunidade de provar. Marcaram-me também, o Alenza Gran Reserva 01 produzido com pisa a pé, e fermentação a descoberto, vinho de grande concentração e complexidade com uma pesonalidade muito própria, assim como o El Vinculo la Golosa 02, escuro, algo químico ao nariz, firme na boca, taninos doces, fruta madura, um belo vinho e o Pesquera Reserva 05 com 24 meses de barrica e 12 de garrafa, um vinho senhoril e de longa guarda que mostra um enorme potencial de guarda devendo, acredito eu, ser mantido na adega por mais uns quatro anos para começar a mostrar todo o seu potencial.

         Salute meu amigo e tome mais vinhos espanhóis, são bons demais e ótimas opções para quem está cansado da mesmice e busca alternativas diferenciadas de vinhos que expressem seu terroir e mostrem personalidade.

Merlot Brasileiro – Para quê outros?!

               No post sobre a degustação de Châteauneuf-du-Pape publicado nesta última Segunda, falei de que na seqüência provamos um painel de doze rótulos dos bons Merlots brasileiros. Pois bem, ficou claro que, por mais que os produtores busquem a uva ícone brasileira; Merlot, Cabernet Sauvignon, Marselan, Egiodola e Ancelotta entre outras, é na Merlot que nosso terroir mostra sua cara numa enorme quantidade de rótulos de muito bom nível. Na minha modesta opinião e para muitos dos que apreciam bons vinhos, enófilos desprovidos de preconceitos, é na Merlot que devemos apostar nossas fichas e, apesar de já estar claro que esta é nossa cepa principal, ainda não aprendemos a lidar com esse fato do ponto de vista mercadológico. A Merlot é decididamente nossa grande cepa e, como veremos na degustação abaixo, não só na Serra Gaúcha não. Reproduzo abaixo os comentários e resultados conforme constam na revista Freetime já nas bancas.

             Desta feita, apesar de minhas notas estarem bem parecidas com a média alcançada, somente acertei o primeiro (Storia) e o último, no meio uma salada só. Para terem uma idéia do equilibrio, nas minhas notas eu tenho nada mais, nada menos do que quatro rótulos empatados em segundo lugar! De ressaltar a boa média de pontuação, sem grandes variações, com dez, das doze notas, acima de 85 pontos ou seja, vinhos de muito boa qualidade. Costumo dizer que nossos Merlots,  preço por preço, batem a maioria dos importados e que na faixa mais baixa são invencíveis. Este painel só veio confirmar isso e agora resta-me colocar alguns destes vinhos num Desafio  de Vinhos Merlots no Mundo o que farei neste mês de Junho, colocando frente a frente nossos melhores contra vinhos da; França, Espanha, Argentina, Itália, Chile, Australia, Portugal e África do Sul. Nos próximos dias falarei mais dessa “contenda”. Maiores destaques e Best Buys deste painel, no meu conceito,  foram o Pizzato Reserva, o Dal Pizzol e o Cavalleri Reserva todos com preços médios no mercado entre R$ 28 e 35,00 (minha pesquisa). Vamos aos vinhos conforme notas e comentários da revista:

Merlot TerroirMIOLO MERLOT TERROIR 2005 – Rubi violáceo, alta concentração, sem halo. Complexo, predominando frutas vermelhas maduras, amora, tostado agradável, caramelo, especiarias. Potente com ótima acidez, taninos muito finos, envolvente, volumoso, persistência longa e retrogosto frutado com toques de alcaçuz – Preço R$ 60,00 – Nota 88.7

 

Merlot Storia labelVALDUGA STORIA GRAN RESERVA 2005 – Rubi intenso, brilhante, sem halo. Complexo, muito frutado, cerejas, ameixas, especiarias, café, menta, floral, baunilha e toques lácteos. Redondo, ótima acidez, taninos doces, estruturado, longo, retrogosto frutado muito agradável – Preço R$ 120,00 – Nota 88.7

 

Merlot Desejo labelSALTON DESEJO 2006 – Violáceo,alta concentração,sem halo. Complexo frutado, especiarias, pimenta preta, sous bois, anis, tabaco e toques de coco e baunilha. Jovem com ótima acidez, taninos finos, encorpado, persistência longa e final de boca agradavelmente frutado – Preço R$ 59,00 – Nota 87,3

 

LUIZ ARGENTA GRAN RESERVA 2005 – Violáceo, alta concentração,sem halo. Muito frutado, amoras em compota, especiarias, toques florais, e vegetais lembrando menta. Elegante, ótima acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, e final de boca muito agradável – Preço R$ 50,00 – Nota 87,0

 

Merlot Dal PizzolDAL PIZZOL MERLOT 2005 – Violáceo, média concentração, sem halo. Complexo com destaque para frutas vermelhas maduras, pimenta, couro, animal, toques de baunilha, lácteo. Acidez correta, taninos ainda ligeiramente verdes, corpo correto e boa persistência, final de boca agradável – Preço R$ 28,00 – Nota 86,6

 

Merlot Reserva PizzatoPIZZATO RESERVA 2005 – Violáceo, alta concentração, sem halo. Frutado, vinoso, toques terrosos, especiarias, agradável  tostado e um delicado anis. Ótima acidez, taninos jovens finos, bom corpo e persistência. Retrogosto frutado – Preço R$ 37,00 – Nota 86,6

 

 

Merlot Villaggio LabelVILLAGIO GRANDO 2006 – Rubi, média  concentração e leve halo. Delicado aroma frutado, ameixas, sous bois, chocolate, toques químicos e defumado  agradável.  Alta acidez, corpo médio e persistência longa, final de boca elegante. Pede comida.  – Preço R$ 77,00 – Nota 86,6

 

LIDIO CARRARO GRANDE VINDIMIA 2004 – Granada, média concentração, halo de evolução presente. Aromas frutados evoluídos, passas, sous bois, café, chocolate, toque terroso. Ótima acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência retrogosto de passas lembrando o olfativo – Preço R$ 79,00 – Nota 86,4

 

 CAVALLERI PECATO RESERVA 2005 – Violáceo, alta concentração sem halo. Frutado, framboesa, toque adocicado,caixa de charutos, e leve herbáceo .Acidez correta,taninos presentes ainda verdes, bom corpo e persistência. – Preço R$ 31,00 – Nota 86,0

 

VALDUGA PREMIUM 2005 – Violáceo, ultra concentrado, sem halo. Frutado com toques químicos, tabaco, chocolate amargo, torrefação. Ótima acidez, taninos verdes, bom corpo e persistência longa, final de boca amendoado. – Preço R$ 33,00 – Nota 85,8

 

DON LAURINDO ENCORPADO 2006 – Violáceo, alta concentrado, sem halo. Frutas vermelhas compotadas, cerejas, pimenta preta,toque de eucalipto. Boa acidez, taninos ainda jovens, bom corpo e persistência.  – Preço R$ 30,00 – Nota 84,6

 

CORDILHEIRA DE SANTANA 2004 – Rubi, média concentracão, leve halo. Frutas vermelhas evoluídas, ameixa, floral, toque mineral. Alta acidez, taninos ainda verdes, corpo médio e persistência longa, retrogosto frutado.  – Preço R$ 46,00 – Nota 81,5

 

Vejam agora os vinhos favoritos de cada degustador e a nota dada por ele ao exemplar escolhido.

  • Alessandro Tommasi – Merlot Terroir Miolo – Nota – 88,5
  • Beto Acherboin – Merlot Terroir Miolo – Nota – 89,5
  • Débora Breginski – Merlot Terroir Miolo – Nota – 89
  • Carlos Hakim – Salton Desejo – Nota – 88
  • Didú Russo – Dal Pizzol Merlot –Nota 85
  • João Filipe Clemente – Storia Valduga – Nota – 90
  • José Luiz Pagliari – Lidio Carraro Grande Vindímia – Nota – 88
  • José Oswaldo Borges – Salton Desejo – Nota – 92
  • Miguel Lopes – Storia Valduga – Nota – 91
  • Paulo Sampaio – Salton Desejo – Nota – 89
  • Renato Frascino – Merlot Terroir Miolo – Nota – 92
  • Walter Tommasi – Storia Valduga – Nota – 90

Salute e kanimambo

Châteauneuf-du-Pape na Freetime

                 A gostosa revista Freetime do amigo Walter Tommasi promoveu duas degustações muito interessantes para as quais fui convidado e não poderia deixar de compartilhar esta experiência com os amigos. Uma chateauneuf-mapgrande honra participar deste evento junto com gente de grande gabarito e experiência, sempre aprendemos muito nestas ocasiões e eu aproveitei demais. Esta de Châteauneuf-du-Pape, região do Rhône no sul da França próximo à linda cidade de Avignon, me foi especialmente gratificante já que há muito não provava estes bons e, normalmente, caros vinhos. Tradicionalmente, são densos, ricos, concentrados e potentes conseguindo, os melhores, unir tudo isto a grande complexidade, refinamento e harmonia resultado de um assemblage elaborado com até 13 diferentes cepas. Foram somente oito rótulos, um prejudicado, já que em seguida tínhamos mais uns 12 vinhos a provar, desta feita um embate de Merlots nacionais sob o qual publicarei post semana que vem. Veja o resultado da degustação conforme publicado na revista que já está disponível nas bancas e nas mãos dos assinantes. Por acaso, os três primeiros também foram os que eu escolhi como os melhores da prova, só que, o La Nerthe e o La Solitude, em posições invertidas por uma pequena margem de diferença. Best Buy, na minha avaliação, com uma baita relação custo x beneficio dentro do que são estes vinhos, certamente o La Solitude da Zahil.

 

Chateauneuf Pierre UseglioDOMAINE PIERRE USSEGLIO & FILS 2004 – Granada, média concentração, leve halo. Complexo, frutas negras maduras, floral lembrando rosas, toque resinoso, químicos, pimenta preta, e couro. Harmônico, ótima acidez, taninos  finos, estruturado, persistência longa e retrogosto frutado  – ENOTECA FASANO – 011 3168 1255 – Preço R$ 334,00 – Nota 88.4

Chateauneuf LaNerthe1CHÂTEAU LA NERTHE 2004 –  Rubi violáceo com alta concentração, sem halo. Elegante, frutas vermelhas maduras, animal, toques químicos, florais e especiarias destacando pimenta, ligeiro herbáceo. Jovem, acidez correta, ainda adstringente, corpo médio, e persistência adequada, retrogosto frutado com toque tostado – GRAND CRU – (011)3062 6388 – Preço R$ 232,00 – Nota 87,4

 

Chateauneuf La SolitudeDOMAINE DE LA SOLITUDE 2005 –  Rubi violáceo com média concentração, sem halo. Frutadíssimo,cerejas, especiarias, e tostado muito bem integrado. Boa acidez taninos finos ainda ligeiramente verdes, corpo médio, e persistência longa, retrogosto frutado confirmando o olfativo – ZAHIL –(011) 3071-2900 – Preço R$ 185,00 – Nota 87,1

DOMAINE FONT DE MICHELLE 2003 –  Rubi violáceo média concentração, sem halo. Frutas vermelhas em compota, agradável tostado, especiarias (canela), e toque lácteo. Acidez correta, taninos finos, corpo médio, e persistência adequada, retrogosto frutado com toque amendoado – PREMIUM – (031) 9922 5992 – Preço R$ 193,00 – Nota 87,1

CLOS DE L’ORATORIE 2005 – Rubi, boa concentração, leve halo. Nariz austero, com destaque para especiarias, sous bois, mineral e toques florais e frutados. Boa acidez, taninos finos, mas ainda verdes, bom corpo, persistência longa e final de boca herbáceo e alcolico  – EXPAND (011) 3847 4700 – Preço R$ 185,00 – Nota 87,0

 

MAISON PHILIPPE BOUCHARD 2004 –  Granada, média concentração, leve halo. Frutas vermelhas maduras, cereja, herbáceo, levemente quinado, toques lácteos. Acidez elevada, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto lembrando frutas passas e ligeiramente amargo  – VINEA STORE (011) 3059 5200 – Preço R$ 217,00 – Nota 85,8

 

ABEL PINCHARD 2006 –  Rubi violáceo, média concentração, sem halo. Frutado, resinoso, sous bois, especiarias, pimenta preta. Alta acidez, taninos finos ainda verdes, bom corpo e persistência   – CASA FLORA (011) 3327 5199 – Preço R$ 185,00 – Nota 85,7

Eis as notas que cada degustador deu para seu vinho preferido:

  • Alessandro Tommasi – Domaine Pierre Usseglio  – Nota – 90
  • Aguinaldo Zackia – Abel Pinchard – Nota 91
  • Beto Acherboin – Domaine Pierre Usseglio – Nota – 90,5
  • Débora Breginski – Domaine Pierre Usseglio – Nota – 91
  • Carlos Hakim – Domaine de La Solitude – Nota – 88
  • Didú Russo – Clos de L’Oratorie – Nota 84
  • João Filipe Clemente – Domaine Pierre Usseglio – Nota – 91
  • José Luiz Pagliari – Domaine Pierre Usseglio – Nota – 89
  • José Oswaldo Borges – Domaine de La Solitude  – Nota – 90
  • Miguel Lopes – Château La Nerthe  – Nota – 89
  • Paulo Sampaio – Château La Nerthe  – Nota – 89
  • Renato Frascino – Domaine Pierre Usseglio  – Nota – 90
  • Walter Tommasi – Domaine de La Solitude  – Nota – 89

Salute e kanimambo.