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Wines of Argentina em Seis Destaques

          Para variar com tempo curto para tanta coisa disponível, mas eis as minhas impressões sobre os destaques, a meu ver, dentro aquilo provado.

Wines of Argentina 002Familia Shroeder – importante produtor da Patagônia trazido pela KMM que possui um ótimo Sauvignon Blanc e que apresentou como novidade nesta pequena feira, um espumante diferenciado. No nariz teve gente achando que fosse Chenin Blanc, outros Viognier. Na boca, muito saborosa, balanceada e fresca apostávamos que era Moscatel, o que não é comum na Argentina. Na verdade, um incrivelmente aromático espumante elaborado com TORRONTÉS, pelo método tradicional com perlage fina, abundante e persistente que encanta na boca. Uma opção muito interessante e um espumante a ser conhecido.

Wines of Argentina 003Septima – dois lançamentos desta bodega que pertence à Codorniu e já foi aqui comentada, tendo uma linha de bons vinhos importada pelos amigos da Interfood. Das novidades, um Pinot Noir interessante, mas o que mais me chamou a atenção foi o Septimo Dia Chardonnay 2008 que se apresentou diferente do 2007 que já tinha provado. Os aromas estão mais delicados, sem grande intensidade, na boca mostra-se muito elegante mais fresco e com menos presença de madeira do que o da safra de 2007, um caldo cativante e bem equilibrado em que a madeira serve de apoio á fruta ressaltando os sabores e não os abafando. Muito bom.

Wines of Argentina 011Zuccardi – com sua nova importadora no Brasil, a Ravin, apresentou sua boa linha “Serie A” e, apesar da foto horrível, provei este Chardonnay/Viognier muito gostoso e sedutor com toques de frutos brancos e pêssego em contraponto ao abacaxi e alguma leve baunilha advinda do Chardonnay formando um conjunto de boa complexidade, corpo médio, mostrando um ótimo frescor e um mineral cativante. Um dos bons vinhos brancos disponíveis no mercado que pode tanto acompanhar entradas com frutos do mar, saladas com queijo de cabra, peixe ou até carnes brancas. Eu arriscaria com um Peru à Califórnia ou, quem sabe, uma costelinha de porco na brasa!

Wines of Argentina 001Famiglia Bianchi – um dos tradicionais produtores argentinos importado pela Mr. Man. Seu Cabermet Sauvignon é campeão e um dos que mais gosto neste país mais conhecido por seus Malbecs. Este, da ótima safra de 2005, só vem confirmar a classe deste rótulo de médio corpo para encorpado, taninos finos e aveludados, rico, algo terroso e especiado, harmônico com um final agradável e saboroso de boa persistência, um belo vinho que me agrada sobremaneira.

Wines of Argentina 007Pascual Toso – Faltei a uma degustação para a qual tinha sido convidado e, portanto, fiz questão de me demorar um pouco mais por aqui até porque a simpática e bonita presença de Maria Laura assim o exigia. Uma boa decisão já que revi seu gostoso Sauvignon Blanc que já recomendei aqui no painel de brancos em Março deste ano e conheci a linha inteira de muito bons vinhos dos quais destaquei três. Gostei muito do Pascual Toso varietal Malbec 2008, um vinho muito agradável, equilibrado, redondo e fácil de agradar, ainda por cima com um ótimo preço. Muito bom o Malbec Reserva também 2008 com aromas especiados e toques florais (violeta?) que, apesar de ainda muito novo, apresenta taninos muito finos, aveludados algo firmes ainda, mostrando ótimo volume de boca, grande riqueza de sabores, boa estrutura e boa acidez.

          Uma menção honrosa ao Malbec Alta Reserva 2007, mas o vinho que mais me encantou foi mesmo o Fincas Pedregal Single Vineyard 2005, um vinho vibrante corte de Malbec com Cabernet Sauvignon que possui uma entrada de boca sedutora e impactante com grande elegância e finesse, complexo, harmônico, um grande vinho que, por cerca de R$135,00 é um achado que certamente ainda poderá ser apreciado por mais três ou quatro anos, mas que já está absolutamente delicioso com um final de longa persistência. Um senhor vinho de muita classe.

Wines of Argentina 008Melipal – Estava com a Wine Company, onde permanecerá até ao final do ano, mas busca novo importador. Uma bodega que acredito não terá problemas para encontrar outro bom canal, porque seus vinhos são muito saborosos, a começar por sua linha básica Ikella, mas é na linha Melipal que eles mostram toda a sua categoria. Em Março quando fiz o painel de Brancos & Rosés, destaquei seu Rosé como um dos melhores na Argentina, muito rico, saboroso e fresco com gosto de vinho e não suco de frutas. A razão por isso é que colhem uma parte das uvas mais cedo, preservando a acidez, e o restante deixam madurar no pé por mais uns 30 dias para obter a fruta que desejam e aí fazem a mescla das colheitas resultando nesse vinho delicioso que acompanha muito bem lombo agridoce e paella valenciana. Seu Melipal Malbec 2007, com apenas seis meses de garrafa, ainda está um pouco duro, mas tradicionalmente é macio, rico, com taninos finos e aveludados, carnoso, médio corpo, boa textura, muito equilibrado e um longo e saboroso final de boca com alguma mineralidade. Um dos meus malbecs preferidos.

           Pela primeira vez provei o Reserva, este da Safra 2006, que é um vinho elaborado com vinhas de mais de 80 anos com uma produção de apenas cerca de 500grs por planta, mostrando grande concentração. Setenta por cento do caldo passa por barricas francesas novas por 18 meses e é um vinho na linha dos grandes e encorpados malbecs argentinos, porém com um toque de elegância, acidez e equilíbrio que demonstram enorme potencial. Não é, a meu ver e para o meu gosto, um vinho para se abrir agora, e sim um vinho de guarda, para se tomar dentro de mais uns três ou quatro anos pelo menos ou, eventualmente, tomá-lo agora, porém após pelo menos uma hora e meia de decanter. Vinhos ótimos e a simpática presença de Santiago Santamaria fizeram o fechamento desta minha breve, intensa e muito agradável visita aos vinhos argentinos.

          Provei alguns outros rótulos, outros fiquei sem provar, mas nada mais que pudesse efetivamente destacar. Como disse em entrevista ao Didu, tremo só de o ver chegar com aquela pequena “derringer” que ele chama de câmera, os vinhos argentinos estão com uma tendência a serem meio  que monocromáticos, com muita extração, muita fruta, muito álcool, muito tudo, muito iguais! Algo que os produtores devessem, talvez, rever já que os consumidores mundialmente começam a mostrar cansaço com essa receita. Enfim, enquanto existirem compradores para esse estilo creio que ainda veremos muito desses vinhos por aqui e, na crise mundial, o pessoal anda mais condescendente ajustando o vinho ao bolso. Ainda bem que existem vinhos e produtores como estes acima!

Salute e kanimambo

Pequeno Dicionário de Português x Brasileiro – Parte II

dicionario1         Para seguir desbravando o idioma Luso na sua essência. Eis a segunda parte do dicionário que elaborei para  facilitar a vida dos amigos brasileiros de férias por terras Lusas. Para ir preparando o espírito, que tal traduzir para o português com “acento” aqui da terra brasilis, estas curtas frases:

  • Ao passar a lomba, deixou o carro ir abaixo mesmo ali, no ponto de inversão de sentido.
  • Passa-me lá no supermercado e compra uma caixa de diósperos e uma chucha e biberon para o bebé.
  • Final de tarde na Sexta-feira, nada como juntar a malta, pedir uns joaquinzinhos e uma imperial, sentarmos na esplanada, ver os elétricos passarem cheios de turistas giras e deitar conversa fora. 
  • Com essa conversa de tretas não tens hipótese de engatar essa miúda que é explicadora e inteligentissíma. Ela é capaz é de ficar lixada contigo!
  • Ó pá, dá-se-me nas tintas se quiseres ir aos copos, mas vê lá não te metas em zaragatas. Na volta passa na farmácia e compra-me um creme para picaduras e duas caixas grandes de durex.
Carta de condução Carteira de motorista
Carteira Bolsa de mulher
Casa de banho Banheiro
Casaco Paletó
Chamussa Pastel de carne bem temperada – Origem Indiana. Muito saboroso
Champô Xampu
Chávena Chicara
Chiça Expressão de espanto e surpresa com algo.
Chocos Lula pequena
Choque Batida
Chucha Chupetinha de criança
Chulo Gigolô, gente grossa, mal educada, de baixo nível.
Chumbar Reprovar. Ex. O Carlos chumbou de novo na prova de condução.
Chumbar o dente Fazer uma obturação
Chupa-chupa Picolé, pirulito
Coboiada Farra, diversão.
Côdea Crosta, Casca crocante do pão. Ex. Prefiro a côdea ao miolo do pão.
Coluna Caixas de som
Comboio Trem
Condutor Motorista
Constipado Gripado
Contrafacção Falsificação, cópia fraudulenta.
Conversa de treta Papo furado
Copo d´água Recepção de casamento
Coxia Coxia do teatro mas também corredor em cinema, avião, etc.
Coxo Manco
Cozer Cozinhar. Ex. panela ao lume para cozer o arroz.
Cueca Cueca, calcinha.
Cunha Indicação (quem indica), pistolão. Ex. emprego neste país só com uma boa cunha!
Dador Doador. Campanha de doação de sangue em caixas de fósforos “Dê, vai ver que não dói nada.”
Dar em águas de bacalhau Dar em nada.
Dar Explicação Aulas particulares
Dar o berro Falecer, acabar
Dar para o torto Dar errado
Dar um bigode Grande vantagem numa disputa.
Dáse-me nas tintas Não estou nem ai
Défice Déficit
Deitar. Usado no sentido de jogar. Ex. deite o papel no lixo, não na rua.
Descapotável Conversível
Desculpe lá Expressão muito usada  pelos Portugueses. Tem a função do nosso com licença ou perdoe. Desculpe lá, não a conheço de algum sitio?
Despassarado Distraído, desorientado.
Despedido Demitido
Dióspero Caqui
Direção assistida Direção hidráulica
Disparate Besteira
Do quilé Expressão que demonstra muito. Ex. está um frio do quilé!
Dobrar (filme) Dublar
Dona-elvira Calhambeque
Doutor É comum chegar para uma reunião e a recepcionista lhe perguntar o nome. Você diz e ela pergunta se é doutor. Não tem nada a ver com médico. Na verdade os portugueses são bastante formais e ela quer saber se deve anunciar o Senhor Doutor (pessoa com formação superior) …….
Duche Ducha, chuveiro
Durex Camisinha
É mato de montão. Ex. aqui em Portugal, produtor de vinho é mato.
Ecrã Tela
Elétrico Bonde
Ementa Cardápio
Encarnado A cor vermelha
Encastrar Embutir
Engatar Paquerar
Engraxar Adular, puxar o saco.
Ensaboadela Levar uma baita bronca.
Entornar Derramar. Vê lá se não entornas a àgua, o balde está muito cheio.
Escanção Sommelier
Esferovite Isopor
Esparragado Verduras com creme branco, usualmente usa-se espinafre.
Esplanada Mesas ao ar livre, num café, bar ou restaurante.
Esquadra Delegacia
Estafado Cansado
Estafermo Pessoa sem qualidade, grosso e inconveniente. Um bruta montes sem educação.
Estafeta Boy (escritórios), mensageiro
Estar deserto por algo Estar com muita vontade. Ex. Estou deserto por ir-me embora ou estar deserto por um copo de vinho.
Estar lixado Estar P da vida com algo. Ex. Estou lixado contigo pá!
Estendal Varal
Estilo Classe
Estrelar, ovo Ovo frito
Fala barato Papo furado, um tipo tagarela
Fato Terno
Favas contadas Estar no papo
Fazenda Tecido, normalmente de lã ou similar, para elaboração de roupas.
Febras São filezinhos de porco normalmente preparadas na brasa. Imperdível.
Fecho ou fecho éclair Zíper
Feitio Jeito, gênio, personalidade, forma
Fiambre Presunto cozido
Ficheiro Arquivo
Filete Filé de peixe
Fita-cola Durex
Fixe Legal, ponta firme, individuo confiável.
Forreta Pessoa pão dura. Ex. O gajo é muito forreta, não toma uma bica só para não gastar uns tostões!
Fresca Gelada. Quando se pde uma água a pergunta é tradicionalmente, “quer fresca?”.
Fufa Sapatão
Fumado Defumado
Gabardine Um tipo de tecido, normalmente impermeabilizado, que neste caso virou sinonimo de capa ou casaco.
Gajo Cara
Galão Pingado, café com leite.
Gambas Camarões
Ganga Brim (jeans)
Garrafeira Adega, loja de vinhos. Também classificação, normalmente o topo de gama de alguns vinhos.
Gasóleo Diesel
Gazeta O ato de faltar, tanto às aulas como às suas responsabilidades.
Gelado Sorvete
Genica Vigor, força, energia
Giro Engraçado, bonito
GNR Policia Militar (Guarda Nacional Republicana)
Golpe de Rins Jogo de cintura. Ex. haja golpe de rins para resistir a esta situação econômica.
Gozar Se divertir, tirar sarro. Ex. Estás a gozar comigo?
Grainha Semente da uva
Gramar Ter que aturar. Ex. Estou aqui a gramar há duas horas e esse jogo não começa.
Grandes Superfícies Grande áreas de comércio como hipermercados, shoppings, etc.
Grelos Um tipo de couve.
Grossistas Atacadistas
Guardafatos Guarda-roupa
Guisar Refogar
Hipótese Chance. Ex. sem hipótese, nem me convides que não irei.
Hora de ponta Horário de pico

Tem uma que tinha esquecido e é bastante interessante. Por terras lusas, as lojas encerram de domingo e na hora do almoço! No entanto abrem depois, ou seja, a palavra encerrada não tem a mesma conotação definitiva que lhe damos por cá, onde as lojas somente fecham depois das 22 no shopping! Salute, kanimambo e boa viagem pelas terras e sabores de Portugal.

Loureiro e Touriga Nacional, um Grande Final!

               Falei do Desafio de Vinhos Portugueses e publiquei os resultados, com aquele espetacular desempenho da Herdade do Pinheiro Reserva 2003, mas não falei do jantar de confraternização que tradicionalmente realizo com os amigos presentes à degustação. Dois belos vinhos, um dos quais estará participando deste próximo Desafio de Vinhos de Uvas Ícones a ser realizado ainda este mês, e pratos bem gostosos.

murosantigos-2007Iniciamos o jantar, após a maratona de 14 vinhos, nos deliciando com o Muros Antigos Loureiro 2007 (Decanter), uma das melhores relações custo x beneficio de vinhos brancos hoje disponíveis no mercado. É elaborado pelo mago Anselmo Mendes que entende como poucos os mistérios dos vinhos verdes, mas não só. A uva Loureiro tem como característica, gerar vinhos muito frescos, por sua ótima acidez, e aromáticos. São ótima companhia para pratos de frutos do mar e gosto muito de harmonizá-lo com caldeirada de lulas. Desta feita, este delicioso Muros Antigos, de aromas sutis com nuances de flor de laranjeira, muito cítrico, balanceado, fino, saboroso que nos seduz facilmente enquanto nos acaricia o palato com um toque mineral de boa persistência,bolinho-bacalhau acompanhou uma entrada de bolinhos de bacalhau e azeite. Uma nota especial aos bolinhos de bacalhau, uma especialidade dos amigos Paulo e Filomena Martins, show de bola!

Como prato principal, um delicioso risoto de pato, uma especialidade da cozinha do amigo Simon da Kylix, que estava muito delicado e gostoso. O vinho, um Touriga Nacional Reserva 2005 da Quinta Mendes Pereira que decantou por uma hora e estava estupendo, apesar de não ter se adequado muito bem ao prato por ser um vinho de um corpo bem superior ao quinta-mendes-pereirarisoto. Nada que, a esta altura do campeonato, afetasse nossa percepção de satisfação, até porque a ótima acidez gerando um certo frescor, fruta vibrante, volume de boca e riqueza de sabores, grande equilíbrio e taninos aveludados do vinho, compensavam qualquer coisa.  Estou muito curioso para ver este vinho no embate de Uvas Ícones, pois já o havia provado antes e senti que ele evoluiu muito bem nestes últimos oito para dez meses. Um belo vinho que agradou sobremaneira a todos, uma ótima forma de finalizar este encontro. Por outro lado, a harmonização maior já estava criada; bons vinhos, bons pratos e bons amigos, o resto, bem, o resto vira perfumaria.

           Os papos de anjo e o cafezinho, aliás, vários, fizeram o complemento de uma noite muito agradável repleta de gostosos sabores e, mais que tudo, gente amiga. Mais uma vez meus agradecimentos especiais à Kylix. O Simon e sua equipe nos receberam muito bem e, o ambiente, simpatia e diversidade de produtos nesta bonita loja, são realmente um colírio para os olhos.

         Salute, kanimambo e aguardem o Desafio de Uvas Ícones que desta feita será realizado nas agradáveis e simpáticas instalações da Zahil nosso anfitrião deste mês de Setembro. As fotos, afanei do blog do amigo Alexandre (Diario de Baco) membro titular da banca de degustação destes Desafios, as minhas estavam muito ruins!

Pequeno Dicionário de Português x Brasileiro – Parte I

dicionario1               Alguns amigos que estão de passagem marcada para Portugal têm me pedido dicas de lugares para visitar, onde comer, que vinhos comprar, etc.. , mas, e o idioma? Existirão coisas que você ouvirá, mas nem sempre entenderá, garanto. Por exemplo, veja se consegue entender totalmente as frases abaixo:

  • você chega no caixa para pagar a conta e, na mão, um cartão de crédito  bandeira Mastercard ou Amex e vem a pergunta, “multibanco ou visa”? Loucura? Como, ela não está vendo que o cartão é Amex?! Calma, ela só quer saber se é débito ou crédito.
  • Já montei a montra. Agora apanhe o que sobrou e deite lá na arrecadação porém use o ascensor e cuidado com a alcatifa na entrada.
  • Olha lá, quando usares a retrete vê se puxas o autoclismo.
  • Acabou-se a papa doce meu amigo, a mim não me enfias mais o barrete! És um aldrabão e já me deves uma pipa de massas, de ti agora só se for à cabeça ou a pronto.
  • Aquela carrinha com atrelado, provocou o choque com o camião porque estava com as jantes todas tortas e os pneus muito beras. O condutor então, um verdadeiro aselha que, ainda por cima, estava com uma tremenda carraspana,  já saiu soltando bojardas e criando a maior balburdia!
  • Estava à balda esperando minha boleia que me ligou pelo telemóvel dizendo que só arrancaríamos mais tarde pois ainda tinha que arranjar a direção assistida que tinha falhado. Já que não tinha tomado o matabicho, procurei uma tasca, mas não tinha nada de jeito então entrei numa pastelaria e só pedi um sumo, um prego e uma bica cheia. Tinham também umas tostas mistas, cachorro e galão, mas o adiantado da hora pedia algo mais substancial. Apetecia-me mesmo eram umas chamussas, mas lamentavelmente tinham acabado.
  • Da ementa escolhi amêijoas, borrego e uma imperial.
  • Estava eu lá, no rabo da bicha com o saco na mão já fazia uma meia hora, quando gritam lá de dentro que o cacete tinha acabado.

      Deu para entender tudo? Algumas coisas sim outras não, não é? Achei que esta pequeno “dicionário”  de termos e gírias mais comuns, pudesse ser útil aos amigos de modo a facilitar a comunicação com os patrícios durante a estadia . São as tais das diferenças entre iguais! Eis a parte I e hoje não falarei de vinhos:

Á Balda À toa, de qualquer jeito
À brava Fazer muito de qualquer coisa. Ex. Rimos à brava da anedota do Miguel.
À Brocha Aflito, apertado, repleto de preocupações.
À cabeça Antecipado
A direito, ir ir reto frente, em ou direto a algum lugar
A meias Dividido 50/50
A pronto Á vista
À rasca Apurado, aflito, apertado, com dificuldades, em situação difícil, com problemas.
Acabou-se a papa doce Acabou-se o que era bom
Acelera Acelera, mas também usado para denominar aqueles scooters sem marcha.
Acento Sotaque
Açorda Prato típico feito á base de pão adormecido. Existe açorda de bacalhau, de camarão, etc. Parece uma papa, de cara não muito convidativa, mas absolutamente delicioso.
Aderente Quem adere, participante
Adesivo Esparadrapo
Agrafador Grampeador
Alcatifa Carpete
Alcatroada Asfaltada (rua, estrada)
Alcunha Apelido
Aldrabão Trapaceiro
Aleijar Machucar
Alfinete Alfinete e broche. 
Alforreca Água Viva
Algibeira Bolso
Alguidar Bacia
Almeida Varredor de rua, gari. Também sobre nome
Almofada Travesseiro
Aluguer Aluguel
Amêijoa Um vôngole grande. Amêijoas à Bulhão Pato, prato tipico delicioso.
Andar aos pontapés Ao deus-dará, aos trancos e barrancos, do jeito que dá.
Andar na estica Estar na moda, elegante.
Ao pé Ao lado , no sentido de ao meu lado, próximo a mim.
Apanhar Pegar. Ir  apanhar o comboio das sete.
Apartado Caixa postal
Apelido Sobrenome
Apitadela Dar uma ligada / Dar um toque
Apontar Tomar nota
Aqui há gato Diz-de de situações estranhas quando algo não está certo ou de uma situação dúbia.
Arder Queimar
Armar Ostentação, fingir, se meter a algo que não é, presunçoso. Ex. Está-se a armar em valente.
Arrabaldes Arredores / Periferia
Arrancar Começar, iniciar. Ex. A viagem é longa, temos que arrancar cedo.
Arranjar Arrumar, preparar. Ex. Vá arrumar ao almoço.
Arrecadação Sótão, porão, despensa, lugar onde se guardam coisas que não se necessitam de imediato
Ascensor Elevador
Aselha Grosso, barbeiro, pessoa desajeitada, sem habilidades no que faz.
Aselhisse Barbeiragem
Assoalhado Cômodo
Atacador Cadarço
Aterrar Aterrisar
Atrelado Reboque, carreta.
Auscultadores Fones de ouvido
Autocarro Ônibus
Autoclismo Descarga
Avariado Quebrado, que não funciona
Badagaio Chilique, desmaio.
Badalhoca/o Pessoa desleixada, suja, porcaria
Bagageiro Porta-malas
Baixa Toda a cidade tem uma baixa, ou seja um centro.
Balburdia Confusão, zorra.
Banheiro Salva vidas ou Vendedor de banha
Barafustar Brigar, criar o maior auê, reclamar, discutir
Barrete, enfiar o Lograr alguém ou ser logrado, enganar.
Bate-chapas Funileiro
Batota Trapaça
Beata Carola de Igreja ou bituca de cigarro
Beneficiação Um lugar estar em beneficiação significa que está passando por obras/reformas.
Bera Algo ou pessoa de qualidade duvidosa, ruim. Ex. É barato porque é bera.
Berbigão Molusco tipo um mexilhão
Berlinde Bola de gude
Berma Acostamento
Bestial Muito legal, genial, maravilha
Betão Concreto
BI – Bilhete de identidade Documento de identidade nosso RG.
Biberon Mamadeira
Bica Cafezinho Expresso normalmente curto
Bica cheia Expresso longo
Bicha fila
Bifana É um sanduiche com bife de carne de porco e molho. Ótimo lanche.
Bife Gíria para denominar um individuo de origem Inglesa.
Bife panado Bife à milanesa
Bilhete Entrada, ingresso para algum espetáculo.
Bisga Cuspida
Bojarda Palavrão, asneira, palavra inconveniente
Bola ao cesto Basquete
Bola-de-berlim Um doce tipo sonho mas sem o creme
Boleia Carona
Bomba Posto de gasolina
Borbulhas espinha na pele, acne
Bordéus Região de Bordeaux na França
Borla Grátis, na faixa
Borra-botas Um João ninguém, individuo insignificante que não tem onde cair morto.
Borrego Cordeiro
Bucha e Estica Gordo e o Magro, célebre dupla de comediantes Americanos .
Cabazada Grande quantidade, goleada, exagero de diferença
Cabedal Assim como “massas”, é gíria para dinheiro, grana, bufunfa.
Cabrão Não, não é uma cabra grande. É corno mesmo, mas muito usado no sentido de filho da …..
Cacete (pão) Filão, baguete de pão
Cachorro O nosso cachorro-quente. Em Portugal o cachorro se trata de cão.
Cacilheiro Barco que faz transporte de passageiros entre Lisboa e Cacilhas, do outro lado do rio Tejo.
Caixa de velocidades Caixa de cambio
Calção Short, bermuda
Calção ou fato de banho Maiô
Calhau Pessoa estúpida, ignorante, boçal
Camião Caminhão
Camisa de dormir Camisola
Camisa de vênus Camisinha
Camisola Camiseta
Canadianas Muletas do tipo que se apóiam no antebraço.
Canalisador Encanador
Cancro Câncer
Candeeiro Abajur
Candonga Mercado negro, contrabando
Caneco Taça mas também usado como gíria depreciativa para denominar um sujeito de origem Indiana
Carburante Combustível
Caril Curry
Carne picada Carne moída
Carocha Besouro, mas usado também como querido, lindinho, coisa fofa
Carraspana Porre / Bebedeira
Carrinha Perua (carro)
Carro a grilar Carro com motor batendo pino
Carruagem Vagão

            Nos próximos dias, intercalando com coisas do vinho, o complemento deste pequeno dicionário. História, ótima enogastronomia com preços muito bons, gente hospitaleira, Portugal é show! Aos amigos que viajam, aproveitem.

Salute e kanimambo.

Caliterra Tributo Edición Limitada – Belos Vinhos!

           No final do ano passado, quando a Caliterra ainda era trazida pela hoje extinta Wine Premium, tive o prazer de conhecer toda a linha, inclusive o topo de gama Cenit, e o privilégio de sentar por um tempo com o enólogo Gabriel Cancino trocando idéias e conhecendo este vinho Premium que estavam por lançar. Naquela época publiquei post sobre a degustação, mas não pude mencionar estes lançamentos pois ainda estavam por chegar. Como não chegavam, a matéria foi para a gaveta de onde ressurgiu agora. Ressurgiu da gaveta, mas não da memória, tanto que foi uma de minhas encomendas a meu filho quando esteve em Santiago de onde me trouxe umas garrafas, o que teria sido impossível sem a ajuda do Gabriel porque até lá não é fácil de encontrar. Pois bem, nove meses se passaram, a Caliterra está de casa nova no Brasil – Decanter – e eu liberado para postar minhas impressões sobre esta linha top de gama. .  Uma informação interessante e para ficar de olho, é que eles já pesquisam a Touriga Nacional em um projeto de desenvolvimento de novidades e variações enológicas, então não me surpreenderia caso pintasse algo bem arrojado num futuro não muito longínquo, inclusive com alguma potencial presença de Carignan, uma outra aposta da vinícola.

           A linha Tributo Edición Limitada é composta de dois vinhos elaborados com uvas tintas especialmente selecionadas no vinhedo da Caliterra no Valle de Colchagua e um de Chardonnay, porém este de Casablanca. Esta propriedade em Colchagua,  possui 1.085 hectares e está situado a 150 metros de altitude, sendo que somente 25% das terras está cultivada. Ambos os vinhos passaram por 14 meses de barrica com a semelhança entre os dois, terminando neste ponto. 

  • Tributo Edición Limitada Carmenére/Malbec 2006 – fermentado por vinte e cinco dias em tanques de inox para posterior assemblage, com a fermentação malolática e envelhecimento sido realizada em barricas de carvalho, 75% americanas e 25% francesas,, passando por leve filtragem antes do engarrafamento em Outubro de 2007. Muita fruta vermelha e algo especiado com nuances terrosas ao nariz. Na boca as especiarias estão bem presentes, macio e sedoso com taninos finos mostrando bastante elegância, harmônico com uma certa “crocância” e um teor de álcool alto, 14.5%, porém absolutamente integrado.

 

  • Tributo Edición Limitada Shiraz/Cabernet Caliterra Tributo Edicción 003Sauvignon/Viognier 2006 – o meu vinho desta degustação e aquele que meu filho e o Gabriel correram atrás para me trazer. Um vinho apaixonante que me seduziu por completo. Maceração longa (30 a 35 dias) em tanques de inox com a fermentação sendo terminada nas barricas (81% em barricas americanas e 19% em francesas) onde o vinho permanece por 14 meses antes de ser levemente filtrado e engarrafado. Possui uma complexa paleta olfativa de boa intensidade em que se destaca a fruta madura com toques florais provavelmente advindas da Viognier. Òtimo ataque de boca com bom volume mostrando-se muito complexo, ótima estrutura, textura diferenciada, aveludado, fino, sóbrio, toque de frescor que encanta, rico em sabores e muito gostoso num final longo, muito longo! Um vinho delicioso e sedutor que nos deixa querendo mais e mais, …….Incrível o que 6% de uma cepa (Viognier) pode fazer por um vinho. Por essas e por outras é que acho que vinhos declarados como varietais deveriam possuir um minímo de 95% da cepa mencionada!

          A Decanter os está vendendo ao redor de R$120, o que, em se considerando a qualidade dos vinhos, sua complexidade e sua origem, arriscaria dizer que é um achado que o amigo deve conferir, especialmente o Shiraz/Cabernet Sauvignon/Viognier. Também existe um Edición Limitada Chardonnay, mas este não conheço. Todos disponíveis na bonita Enoteca Decanter.

Salute, kanimambo e bom proveito.

Desafio de Vinhos Portugueses: e o vencedor é?

           Ufa, finalmente chegamos ao resultado deste Desafio de Vinhos que apresentou uma diversidade de vinhos e regiões bastante interessante. Foi um exagero de rótulos o que torna a degustação mais complexa, porém é interessante verificar que os últimos não foram prejudicados nas notas, ou seja, mesmo com tanto vinho o pessoal conseguiu segurar esse rojão.

         Como sempre, começo os comentários dos vinhos com suas respectivas notas conforme a ordem de serviço, uma coletânea de todas as fichas preenchidas pelos degustadores que compuseram a banca deste desafio  e finalizarei com os resultados apurados. São 14 vinhos então, tenha paciência, este seu amigo prolixo tentará ser um pouco mais conciso desta vez.

Desafio Portugal 032Callabriga Douro 2004 (Zahil), produzido pelo gigante Sogrape com interesses também na Argentina e Nova Zelândia entre outros locais. De cor rubi, translúcido, parecia um Pinot na cor, sem grande concentração. Aromas sutis em que aprecem frutos negros frescos, algo herbáceo com toques florais. Na boca é sedutor, delicado, corpo médio, taninos finos, equilibrado e fácil de tomar e gostar mostrando boa persistência. Obteve 87 pontos da Wine Spectator (WS) por sinal semelhante à nota que lhe dei, mas a média obtida nesta prova foi de 85,67 pontos, custa R$93,00.

Desafio Portugal 017Quinta da Chocapalha 2005 (Vinci), da CVR Lisboa (ex-Estremadura) vinho de qualidade, internacionalmente reconhecida tendo obtido WS89 e RP88 com sua safra de 2004, mas que nesta noite não se houve bem. Fechado, apresenta uma paleta olfativa complexa com fruta madura, chocolate e madeira bem equacionada. Na boca mostrou-se robusto e algo duro, taninos ainda firmes, boa acidez e algum desequilíbrio harmônico com um leve amargor de final de boca. Novo, precisa de mais tempo em garrafa, ou de decanter, para mostrar todo o seu potencial. Obteve uma nota média de 82,28 pontos e custa por volta de R$90,00.

Desafio Portugal 031Altano Reserva 2006 (Mistral),  um vinho do Douro que dispensa apresentações produzido pela família Symington, um grupo que reúne diversas vinícolas na região.  Algo terroso, hortelã e fruta vermelha com toques florais mostrando uma paleta olfativa de boa complexidade. No palato, taninos doces, finos ainda relativamente firmes, fruta compotada, boa acidez e estrutura, equilibrado, com um final lembrando café e caramelo de boa persistência. WS88, porém neste embate obteve a média de 85,72 pontos, custa por volta de R$93,00.

Desafio Portugal 022Esporão Reserva 2006 (Qualimpor), mais um vinho que dispensa apresentações, produzido pela Herdade do Esporão no Alentejo (CVR Alentejo). O da safra de 2005 obteve 89 pontos da Wine Spectator. Muito frutado e especiado, uma paleta olfativa intrigante e de boa intensidade que convida a levar a taça à boca. Na boca é rico, sedoso e macio, frutado, boa estrutura, equilibrado, médio corpo. Um belo e saboroso vinho que pede comida e possui muito boa persistência. Obteve a média de 88,06 pontos, custa em torno dos R$89,00.

Desafio Portugal 018Quinta de Cabriz Reserva 2005 (Winebrands), produzido pela Dão Sul, é um vinho muito agradável e sedutor que teve 89 pontos na Wine Spectator. No Nariz, presença de couro, especiarias e algo de baunilha advindo da madeira ainda por se integrar totalmente e bem balanceada. Na boca é muito harmônico, taninos aveludados ainda presentes, rico, com um final de boca longo que invoca chocolate. Obteve a média de 85.11 pontos e possui uma ótima relação Qualidade x Preço x Satisfação devido a seu bom preço, em torno de R$65,00.

Desafio Portugal 034Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002, (Vinho Seleto 011.3815-5577 ) um vinho alentejano (CVR Alentejo) diferenciado feito á moda antiga com menos álcool, menos fruta intensa, menos taninos, menos novos tempos e novo mundo. Talvez por tudo isso, não tenha se dado tão bem neste embate, mesmo reconhecendo que esta safra está bem inferior à de 2001. O nariz é doce, lembrando frutas doces (assadas) e algo herbáceo com toques de baunilha tudo bem sutil. Cresce bastante em boca onde o vinho ganha corpo, taninos aveludados bem integrados, denso sem perder a elegância , mas faltou-lhe a riqueza de sabores, equilibrio e pujança que lhe são peculiares. A safra não ajudou, mas fica a pergunta, será que a garrafa não tinha algum problema? Não me pareceu . Será que foi somente mal compreendido? Muito diferente do que conheço e nota média de 82,83 pontos e o preço está ao redor de R$80,00.

Herdade ReservaHerdade do Pinheiro Reserva 2003, (Beirão da Serra) um vinho pouco conhecido em terras brasílis, exceção feita ao Rio de Janeiro. É um pequeno produtor alentejano (CVR Alentejo) que possui um belo portfólio em que se destaca este Reserva. Cor granada com halo atijolado já mostrando sua idade, uma paleta olfativa de boa intensidade e atraente com frutas maduras aparentes, mineral, leve amadeirado que lhe confere uma certa complexidade. Na boca é vibrante de ponta a ponta, complexo, muito rico, saboroso, uma acidez muito boa que nos deixa a boca salivando e pedindo comida. Taninos finos, elegantes e macios perfeitamente integrados num corpo médio de ótima textura, harmônico com um final muito longo, gostoso e um retrogosto que sugere uva passa. O Vinho que incendiou a prova e provocou suspiros na grande maioria que lhe deram adjetivos como; fantástico, excelente, encantador entre outros de menor expressão. Um vinho sem arestas que obteve nota média de 92,11 pontos e custa em torno de R$75,00.

Desafio Portugal 033Falcoaria DOC 2004, (D’Olivino) o representante da CVR Tejo (ex-Ribatejo), um vinho robusto de cor rubi intenso, quase retinto, mostrando-se ainda bem fechado. Nariz não muito aromático, fruta sutil com maior ênfase em aromas animais (couro)e algo terroso. Cresce em boca, porém sem despertar grandes encantamentos, mostrando-se um pouco rústico de taninos firmes, mas bastante rico em sabores que demonstram uma certa complexidade. Um vinho interessante e diferente que acredito cresceria muito se acompanhado de um bom cabrito assado da região. Obteve a média de 83,94 pontos e custa em torno de R$74,00.

Terras do PóTerras do Pó Reserva 2004, (Lusitana de Vinhos & Azeites) o único varietal presente à prova elaborado com 100% de castelão uma cepa difícil de ser trabalhada solo, dando-se, tradicionalmente, melhor em cortes. Elaborado pela casa Ermelinda Freitas, um dos bons produtores da região de Terras do Sado (CVR Setúbal), famosa por trabalhar muito bem esta cepa. Aromas animais, na boca é potente mostrando alguma sobra de álcool, macio denso com uma característica diferente de evolução na taça quando, após um tempo, começa a apresentar aromas de mostarda. Nota média obtida 82,94 pontos e custa ao redor de R$72,00.

Desafio Portugal 035Aveleda Follies 2004, (Interfood) um Bairrada diferente que não possui baga em sua composição, mas sim Touriga nacional e Cabernet Sauvignon que obteve 85 pontos da Wine Spectator. É um vinho de aromas vivos de fruta vermelha (ameixa), cativante, com boa e saborosa entrada de boca. Redondo, fácil de se gostar, corpo médio com bom voluma de boca, expressivo, talvez um pouco mais updated do que os demais num estilo mais novo mundo mostrando´se equilibrado com teores de álcool civilizados. Um vinho bastante apreciado que obteve uma média de 85,67 pontos e custa ao redor de R$72,00.

CeirósCeirós Reserva 1998, (BR Bebidas/Vinhos do Douro), o vinho mais antigo da prova sendo elaborado no Douro pela Quinta do Bucheiro, ainda surpreendentemente vivo, pleno de frescor e complexidade mostrando-se em prefeito equilíbrio apesar da idade. Do nariz à boca, mostrou uma personalidade muito própria, boa persistência, corpo médio, algo resinoso e especiado. Muito apetecível, corpo médio, boa acidez que o faz um vinho muito gastronômico e diferenciado. Para mostrar que longevidade não vem de álcool nas alturas, temos aqui civilizados 12.5%! Média de 86, 28 pontos e um preço ao redor de R$88,00.

Desafio Portugal 038Quinta Mendes Pereira Garrafeira 2004, (Malbec do Brasil) da região do Dão, um vinho do qual gosto muito tendo sido agraciado com 17 (de 20) pontos, pela Revista de Vinhos portuguesa. Elaborado por pisa a pé, prima por ser um vinho que faz jus à tradição do Dão por vinhos mais encorpados, algo rústicos, porém de grande elegância e complexidade obtidos com tempo em garrafa. Ainda muito fechado após uma hora de decanter, mostra-se robusto, notas de madeira e frutos vermelhos, taninos firmes porém sem agressividade, boa textura e equilibrado, complexo, saboroso, final aveludado e de muito boa persistência com nuances florais e uma acidez que pede comida. Vinho para mais meia dúzia de anos e, pelo que eu conheço do vinho, nesta noite esteve muito aquém de seu potencial. Obteve uma média de 82,89 pontos e custa ao redor de R$95,00.

Desafio Portugal 037Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005, um corte de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz produzido pela Miolo na região de Campanha, próximo da fronteira com o Uruguai. Surpreendente e prova inequívoca da melhora de qualidade dos vinhos brasileiros num projeto muito interessante que conta com a participação do amigo e enólogo português Miguel de Almeida. Frutos negros maduros com algo resinoso no nariz, madeira, fruta passa, bem estruturado com taninos finos, equilibrado, saboroso com um final de boca agradável e de boa persistência em que se manifestam nuances herbáceas. Nota média de 84,89 pontos e custa ao redor de R$50,00.

Desafio Portugal 021Caldas Reserva 2005, (Decanter) do renomado produtor Domingos Alves de Souza tendo obtido 15,5/20 pontos na Revista de Vinhos portuguesa. Fruta doce e especiarias aparecem de forma tímida ao olfato. Cresce na boca, mostrando boa riqueza e complexidade de sabores, taninos finos de presença marcante, médio corpo para encorpado, madeira bem integrada. Obteve média de 84,61 pontos e o preço é de R$100,00.

            Nesta noite, a banca degustadora avaliou e definiu como grande ganhador, o Melhor Vinho deste Desafio, por mais de um corpo de vantagem, o Herdade do Pinheiro Reserva 2003. Em segundo, outro alentejano, o Esporão Reserva 2006 e em terceiro o surpreendente Ceirós Reserva 1998. Completando o nosso pódio com os primeiros cinco vinhos da noite, temos o Altano 2006 em quarto e o Callabriga 2004 em quinto. Na eleição do Melhor Custo x Benefício e Melhor Compra, novamente o Herdade do Pinheiro Reserva 2003 o primeiro dos vinhos a participar destes Desafios que levou os três prêmios máximos, a tríplice coroa ou, como se diria nos velhos tempos, fez; cabelo, barba e bigode. De ressaltar a boa posição do Castas Portuguesas da Miolo que obteve a oitava colocação e dois votos como melhor compra, votos estes também alocados ao Quinta de Cabriz 2005.

            Normalmente relaciono as notas dadas aos vinhos preferidos de cada jurado, mas como o Herdade do Pinheiro foi o escolhido de doze dos treze degustadores, creio que isso não seja necessário. Ah, o Ralph quebrou a unanimidade escolhendo o Esporão Reserva por meio ponto o que foi bom, porque como já dizia Nelson Rodrigues, guardadas as devidas exceções, “toda a unanimidade é burra”! Finalizamos o Desafio com um jantar regado a Muros Antigos Loureiro 2007 (Decanter) e Quinta Mendes Pereira Dão Touriga-Nacional Reserva 2005, mas esse é papo para outro dia e outro post, só adianto que foi muito bom e os vinhos ótimos.

            Sobraram rótulos não apresentados na prova, então em Outubro faremos um Desafio de Vinhos diferente, um Alentejo x Douro em que o Herdade do Pinheiro, como vencedor desta noite, terá lugar cativo. Será que faturará de novo?! Já em Setembro, nosso Desafio de Vinhos viajará pelo mundo na busca de representantes das cepas ícones de cada país produtor. Alguns vinhos mais conhecidos, outros menos já que estes Desafios também visam garimpar novos vinhos e sabores, mas sempre com rótulos em torno de R$100,00.

Desafio Portugal 006

Salute e kanimambo.

(PS. Houve um equivoco nos cálculos médios das notas que acabei de revisar no texto acima (11:00). Peço desculpas pelo inconveniente, mas pouco alterou o resultado. O efeito maior fo efetivamente nas notas em si.)

Descobertas no Pró-Chile

              Ontem dei uma passada, literalmente porque tinha me esquecido de um compromisso familiar e, desta forma, tive que abortar minha viagem por uma série de boa vinícolas presentes neste evento. Com isso fiquei por lá um pouco mais de duas horas, quando me dei conta do compromisso, o que foi uma pena porque o Chile é sempre muito rico em surpresas e novos rótulos a serem conhecidos, mas …..fazer o quê? De qualquer forma valeu a pena.

            Do pouco que consegui provar, uma constatação de algo que vem crescendo dentro de mim, minha preferência por Malbecs chilenos e pelos Cabernet Sauvignons argentinos . Para quem duvida, comece a prestar atenção e a tomar vinhos com essa inversão de origens, acho que irá se surpreender. Para confirmar  uma parte desta afirmação, prove os Malbecs ; Orzada da Odfjell (World Wine), Valdivieso Single Vineyard (Bruck) e Perez Cruz Cot (Wine Company). De tirar o chapéu, em especial por sua elegância e finesse, verdadeiramente sedosos ao palato. Num patamar um pouco abaixo, o Casillero Del Diablo Malbec, também muito saboroso.

             Falando da Odfjell, impossível não passar e tomar seu incrível Orzada Carignan, um vinho muito especial produzido com uvas vindas de um vinhedo com mais de 80 anos de idade, um sonho hedonístico que me embala com Pró Chile 005regularidade. Outro imperdíve de ser revisitado foi o stand da Casa Marin (Vinea), que está um degrau acima das demais com seus brancos e tintos geniais da região de San Antonio, tendo trazido para este evento seu òtimo Pinot Noir e o magnifíco e meu preferido, Miramar Syrah, um deleite para o nariz e palato. O Chile produz excelentes Syrahs e este é de uma finesse, riqueza de sabores e de uma harmonia impressionantes que eu já comentei extensamente aqui. Alguns outros dos poucos vinhos provados que me chamaram a atenção, são os Eclat 2007, Semillon botritizado muito bom, rico e de muito boa acidez, O Valdivieso Syrah Reserva, um dos melhores Syrahs chilenos nesta faixa de preços (R$54), o estupendo Validivieso Premium Merlot (malbec já mencionei acima) e o crém de la crém da vinícola em sua 11º edição, o Caballo Loco recentemente engarrafado, mas já mostrando todo o seu imenso potencial. Não sendo muito fã de Carmenéres, tiro o chapéu para um vinho de gama média o Montgras Reserva Carmenére, muito fino e equilibrado.

Minha mais interessante descoberta, no entanto, foi que os amigos da Lusitana se associaram a um pessoal que estará trazendo o aporte financeiro necessário para o crescimento da empresa que alçará vôo para além das coisas de Portugal. Começam peloPró Chile 006 Chile, e muitíssimo bem, com a vinícola Lauca da família Guerra, empresa com 700 hectares de vinhas, exportando para mais de 35 países e, pasmem, ausentes do Brasil até agora. Grande achado do amigo Henrique Cachão tendo me deliciado com alguns ótimos vinhos nas mais diversas faixas de preço, uma vasta coleção de rótulos em quatro segmentos diferentes.

            Lauca é o nome da Llama de estimação que circula pelos jardins e vinhedos da sede da vinícola sendo ele quem dá o nome ao empreendimento. Vinhos que me chamaram a atenção seja pela linha Lauquita,  gama de entrada do portfólio da vinícola com previsão de preços abaixo dos R$30,00 tendo achado seu Chardonnay, Merlot e Cabernet Sauvignon muito bem feitos e com uma riqueza, equilíbrio e estrutura surpreendentes para a faixa, seja nas gamas mais altas.

  • Pró Chile 007Seu Lauca Reserva Pinot Noir com uma produção de somente 5000kgs por hectare, macerado manualmente á moda antiga em barricas serradas ao meio, fermentação em madeira nova por cerca de seis meses é divino. Com muita tipicidade da casta, mais para Borgonha do que novo mundo, um vinho realmente encantador que seduz facilmente e, espero, possa vir a fazer parte dos vinhos freqüentadores de minha mesa.
  • Pró Chile 008Na linha premium, o excelente Lauca Gran Reserva, um corte de Cabernet Sauvignon/Carmenére e Syrah que passa 14 meses em barrica e 12 meses em garrafa antes de sair para o mercado, este é 2006. Um vinho de grande complexidade, elegante e macio na boca, longo, realmente um vinho estupendo que enche a boca de prazer. Não sei os preços, mas conhecendo a filosofia de trabalho da Lusitana, acho que teremos neste dois vinhos, dois expoentes do que costumamos chamar de ótima relação Qualidade x Custo x Prazer.

Esperemos para ver os rótulos que o Henrique vai trazer, mas se vierem estes, nós enófilos agradecemos e bateremos a sua porta. Bem, é isso por hoje. Uma pena que não pude ficar por mais tempo e aproveitar esta oportunidade, mas não adianta, como sempre digo, sempre haverão mais vinhos do que temos oportunidade de tomar, então temos que nos contentar com os que podemos provar e que já são muitos!

Salute e kanimambo.

Filipa Pato – Vinhos de Autora

Filipa Pato IIINunca tinha estado frente a frente com Filipa Pato, mas muito já tinha ouvido falar. Sou consumidor de seus vinhos, especialmente do Ensaios tinto e do agradabilíssimo 3b, um espumante rosado delicioso. Todos falam de sua beleza e jovialidade, já eu me impressionei mesmo foi com sua presença, pequenina em tamanho, mas grande em paixão pelo que faz, por aquilo que elabora. Fica com dois metros de altura quando começa a falar empolgadamente sobre seus vinhos, seus projetos e sua família.  Se o pai, Luis Pato, é o mestre da Bairrada e domador da Baga, ela deveria ser conhecida com a “pequena notável” com seus projetos arrojados e desafiantes como, agora com seu marido, William, em uma nova empresa, os “Vinhos Doidos”. Aqui dará vazão a toda sua irreverência e criatividade na elaboração de vinhos diferenciados, mas isso é outra história. Por enquanto vamos de vinhos “menos doidos” produzidos de uvas e vinhedos controlados por ela com uma produção atual em torno de 68.000 garrafas e com capacidade de chegar a umas 100.000. Volume pequeno e alta qualidade, uma equação que nos tem dado vinhos muito agradáveis, para dizer o mínimo. Já mencionei neste blog, que Filipa é uma estrela com luz própria, agora confirmo e complemento a frase, em plena ascenção. 

            Desta feita fui convidado para um jantar com apresentação de seus vinhos, com maior foco no FLP, um branco doce bastante interessante, sobre o qual falarei mais adiante. Saí do restaurante, no entanto, encantado com sua obra como um todo. Que belos vinhos, a começar pelo delicioso 3b um espumante que é assíduo visitante aqui em casa e que já recomendei por diversas vezes. Este, no entanto, é de 2008 e está ainda mais fresco e vibrante, bem do jeito que é a autora. Tenho que comprar mais umas garrafas, até porque as minhas já acabaram.

            Ensaios brancos 2008, corte de Bical e Arinto que passa um mês fermentando com leveduras indígenas, pareFilipa Pato 001 em tanques de inox e parte em madeira. Aromas delicados, de boa intensidade, muito fresco, saboroso, cítrico e mineral, tem um final de boa persistência que convida á próxima taça. Uma ótima opção como aperitivo e boa companhia, certamente, para umas pataniscas de bacalhau ou sardinhas na brasa.

            Lokal Silex 2004, um vinho divino que não conhecia. Dizia Filipa, que o vinho ficou muito duro quando elaborado e que ela buscava algo mais elegante. Pois bem, não sei como ele era, mas sei que está delicioso e elegante Filipa Pato 005ao atingir a maturidade após cinco anos de vida, devendo crescer mais ainda com mais uns dois ou três anos de garrafa, quem sabe mais. Fermenta em inox e depois passa um ano em balseiros de 2.000 litros. É um corte de Touriga Nacional (85%) e Alfrocheiro produzido no Dão em uma pequena localidade de onde se avista a Serra da Estrela. O vinho me seduziu tendo, a meu ver, sido o vinho da noite. Nos aroma é bem frutado com leve floral (violeta) bem típico dos vinhos do Dão com forte presença da Touriga Nacional e nuances achocolatadas depois de um tempo em taça. Aos cinco anos, mostra-se ainda jovem com taninos finos ainda bem presentes, mas já sem qualquer agressividade, tomando-se muito bem sendo que este passou um tempinho em decanter, essencial para o poder apreciar em toda sua plenitude.  È retinto na cor, escuro, muito equilibrado, denso com bom volume de boca, rico, aveludado com um final algo especiado e bastante longo. Encanta a forte presença mineral em boca sendo um vinho que, apesar de ter se dado bastante bem com o bom rosbife servido, deverá se apresentar melhor acompanhando pratos mais robustos. Um vinho que acaba rápido em taça e deixa saudade.

            FLP 2008, um vinho doce de sobremesa com apenas 12% de teor alcoólico num estilo algo alemão, produzido com seu pai Luis Pato. Elaborado com Sercealinho (cruzamento de uvas Serceal com alvarinho com mais de 20 anos de idade só disponíveis nas terras de Luis Pato), Serceal e Bical pelo processo de crio-extração que consiste em congelar o mosto das uvas obtendo-se maior concentração. Com baixo teor alcoólico, cerca de 100grs de açúcar Filipa Pato 007residual e uma acidez em torno de 7 a 8grs, é gostoso, saboroso e com bom frescor, aromas sutis e delicados, boa persistência e, de acordo com Filipa, um vinho que deve crescer com tempo em garrafa. Tenho que confessar que não chegou a me encantar como vinho de sobremesa. Brinquei com a Filipa, de que seria um vinho para o chá da tarde, e é assim que o vejo. Um vinho leve, saboroso, fácil de agradar para juntar amigos e amigas num bate-papo descontraído ao entardecer. Para o final de uma refeição, o recomendaria com uma salada de frutas e uma bola de sorvete de baunilha. Foi servido com uma tradicional sobremesa de Romeu e Julieta (estávamos no Dalva & Dito, novo restaurante de Alex Atala com cozinha brasileira) em que o mestre adicionou uma bola de um sorvete de goiaba bem leve, salvando a harmonização com essa incrível liga com o vinho. A Filipa também o recomenda com cozinha oriental, sendo o Japão um dos principais importadores deste saboroso vinho. Eu fiquei pensando aqui com meus botões, será que não harmonizaria legal com Pato c/Laranja?! Acho que terei que fazer o sacrifício (rsrs) e fazer esse teste.

            Antes de finalizar, queria tecer meus comentários sobre algo além do vinho, mas que me chamou a atenção. A relação entre pai e filha. O amor, o respeito e a admiração um pelo outro são algo digno de salientar e não muito comum nos dias de hoje. Talvez isso tenha sido o que mais me marcou ao ouvir Filipa falar sobre seu pai nessa noite e ao Luis Pato falar de sua filha em outros momentos. Brindo à longevidade dessa admiração mútua com uma taça de 3b da Filipa e outra do novo espumante de Touriga Nacional do Luis Pato. Afinal, porquê se contentar com uma quando podemos aproveitar da maestria dos dois?! Os vinhos da Filipa Pato são de exclusiva distribuição da Casa Flora.

Salute e kanimambo.

Vinho do Porto – Uma Incrível e Rara Experiência

            Quantas vezes na vida se tem o privilégio de tomar um vinho com 36 anos de idade? E se esse vinho for um Porto branco?! Eu, apesar de ser gamado num Porto, nem sabia que havia brancos tão antigos! Pois bem, essas e outras foram palco de uma incrível degustação com harmonização realizada pelo IVDP (Instituto do Vinho do Douro e Porto) há alguns meses em São Paulo e repetida no Rio e Brasilia. A apresentação, esta ficou a cargo de José Maria Santana, representante do Solar do Vinho do Porto no Brasil junto com o “inventor” de delicados e saborosos docinhos, que harmonizavam com cada estilo de Vinho do Porto degustado, o Chef Pastissiére Henri Schaeffer do Le Vin Boulangerie . Como dizem que também comemos com os olhos, eis uma foto que mostra bem o que nos esperava!

 Porto e doces

Foram apresentados cinco estilos de Vinho do Porto, um deles uma verdadeira raridade, que marcaram este meu caminho de aprendizado pelos caminhos de nossa vinosfera. Adoro Vinho do Porto, dos Tawnies envelhecidos, passando pelos LBV até chegar aos maravilhosos Vintages e esta degustação foi um verdadeiro privilégio. Cada vinho foi harmonizado com dois docinhos (foto) especialmente criados para este evento, mostrando toda a capacidade deste incrível Chef, numa experiência sensorial magnífica.

 1 – Porto Branco Envelhecido Santa Eufémia (vide baixo)

  • Bugnes Lyonnaise com Mel
  • Creme Brulée Catalane com Framboesa

 2 – Vallegre Porto Tawny 10 anos (Muito bom – Importadora NOR-Import. Prove também o LBV)

  • Praline de Avelã com Sal no copo e Biscoito com Limão Siciliano
  • Torta de Amêndoas

3 – Noval Porto Tawny 20 anos (Grande vinho. Importadora Grand Cru)

  • Speculoos de Canela com Frutas Secas e Mousse de Chocolate Branco
  • Macaron de Nozes com Damasco e Roquefort

4 – Graham´s Porto LBV 2003 (Um dos mais tradicionais e bons LBVs no mercado – Mistral)

  • Calisson D’Aix eu Provence
  • Éclair Romeu e Julieta

5 – Niepoort Porto Vintage 2005 (Muito bom Vintage, mas muito jovem, prefiro com mais de 15 anos. Vintage é para comprar, guardar e deixar envelhecer – Mistral – Prove também o LBV 2004, está divino)

  • Mil Folhas de Chocolate Amargo
  • Cone de Mousse de Cassis.

         Pois bem, todas as harmonizações deliciosas e ótimos portos muito bem escolhidos, mostrando toda a tipicidade de cada estilo. Os participantes desta degustação, no entanto, foram agraciados com o especial privilégio provar um Porto Branco envelhecido, datado de 1973, uma verdadeira raridade e o néctar mais marcante de toda esta degustação, até em função de ser algo inusitado. Por isso mesmo destaco o Santa Eufémia Branco 1973, um verdadeiro néctar dos Deuses, desde já candidato a um dos assentos disponíveis no meu “Deuses do Olimpo” anual.

         Os Vinhos do Porto brancos, são tradicionalmente vinhos mais leves, secos ou doces, próprios para serem tomados jovens. Este Santa Eufémia 1973, foi obra do acaso e até hoje é a única safra engarrafada. Apesar de não ser muito comum, aparentemente começa a existir, de forma tímida ainda, um segmento de Vinhos do Porto brancos envelhecidos ainda por ser regulamentado pelo IVDP. Isto, no entanto, não é razão para que não nos esbaldemos nas delicias deste verdadeiro caudal de emoções que é este vinho. Certamente, a degustação como um todo ficou meio que ofuscada por este néctar, até porque foi o primeiro a ser servido, então vou me permitir expor minhas sensaçõesvinhos-eufemia e contar um pouco da história por trás do vinho que possui o nome correto de Reserva Especial Branco da Casa Santa Eufémia. Nas palavras do enólogo e proprietário, Pedro Carvalho; “Pois bem, este vinho é da colheita de 1973, não é um vinho datado porque o meu Pai deixou caducar o seu registro, na altura a Quinta de Santa Eufêmia só produzia vinho mas não comercializava, pois só estavamos sediados no DOURO (e não em Gaia), como tal vendíamos parte das colheitas para a casa Exportadora que melhor nos pagasse. Normalmente o meu Pai ia para Vila Nova de Gaia vender os vinhos entre Março e Maio e foi ai que no ano de 1974 houve a revolução Portuguesa de 25 de Abril (Revolução dos Cravos) e como tal o meu Pai nesse ano não vendeu nada. A partir daí, esse vinho branco começou a ficar mais louro deixando de ter interesse para os exportadores, pois eles só queriam brancos jovens, e foi ficando.”

             Foi dessa “sobra” que acidentalmente nasceu este grande vinho. Um Vinho com história, com V maiscúlo, caráter e personalidade. Um vinho que deixa rastros por onde passa tendo-me marcado a memória, daqueles vinhos de exceção que quando provados jamais são esquecidos. Uma obra, até hoje, única e rara, mas certamente ainda veremos novidades num futuro próximo. Quanto ao vinho, difícil descrevê-lo e mais ainda todas as emoções sentidas, é um vinho que mexe com a gente. De extrema complexidade tanto no nariz quanto na boca, possui, antes de mais nada, uma perfeita harmonia em que nada se destaca a não ser o conjunto. A cor é âmbar, mostrando sua idade, linda e convidativa. Nos aromas, algo de pêssego, frutos secos, damasco tudo muito sedutor e delicado. Na boca demonstra mais uma vez todo o seu equilíbrio de uma forma untuosa, gorda e macia num ótimo volume de boca lembrando um tawny envelhecido, enorme riqueza de sabores, complexo, muito equilibrado com a acidez ainda bem presente e balanceada, final muito longo em que as amêndoas, mel e frutos secos se apresentam muito presentes e com enorme persistência. Surpreendente e arrebatador!

          Mandarei vir umas garrafas, mas quem quiser comprar por aqui, a importação é da World Wine e é um daqueles néctares que não devemos deixar de provar, especialmente se acompanhando doces conventuais portugueses á base de ovos e amêndoas, algo para não esquecer fácilmente e para fazer de qualquer momento, algo muito especial! Preço aqui está ao redor de R$300.

Salute e kanimambo

Meus TOP 50 Vinhos – Uma Homenagem às 50 Edições do Planeta Morumbi.

Planeta 50Esta última edição do Planeta Morumbi já circulando desde o inicio do mês, foi a quinquagésima a ser distribuída na região. Já são mais de 16.000 exemplares mensais que, por solicitação dos condomínios, já chegam diretamente a 12.000 apartamentos complementando sua distribuição com 70 pontos de distribuição estrategicamente posicionados em shoppings, bancas e pontos de referência no bairro como supermercados, cabeleireiros, hortifruttis, etc. A coluna Falando de Vinhos tem acompanhado este crescimento e solidificação de uma imagem na região, a mídia de maior cobertura local, há 22 edições e não poderia deixar de homenagear o jornal através de seu editor e meu amigo Henrique Farina. A coluna de Agosto foi publicada com a escolha de meus TOP 50 vinhos tomados ao londo desse período em que por lá deixo minhas impressões e comentários sobre as coisas de nossa vinosfera. Um para cada edição do jornal e todos, vinhos que deixaram marcas ao passar assim como cada edição do jornal.

         Uso agora o blog para terminar esta homenagem e para quem quiser fuçar e conhecer melhor o jornal, não deixe de navegar pelos links aqui do lado, tanto na versão on-line como do blog com noticias diárias do bairro. A relação está em ordem alfabética e as safras podem não mais estar disponíveis no mercado, mas foram as que me marcaram indepentemente de preço, já que existem rótulos a partir de 100 Reais até quase 1.000. Tem diversos outros como o Graham’s Porto Vintage 1980, um Graham´s Tawny 40 anos (ambos Mistral), Clos-Vougeot Grand Cru 05 do Chateau De La Tour (Decanter), Grainha 2006 (Vinea) e Vina Tondonia Banco Reserva 1989 (Vinci) que mereceriam estar aqui, mas …….. em algum lugar tem que se passar a linha e fazer uma seleção deste porte é, efetivamente, um exercício salomônico. Salute Planeta Morumbi, salute meu amigo Henrique, que venham muitas mais edições por aí e kanimambo pelo privilégio de poder dar meus pitacos por aí.

Vinho

País

Importador

Achaval Ferrer Mirador 2006 Argentina Expand
Almaviva 2004 Chile Diversos
Amarone Classico C’a del Pipa Cinque Stelle 2004 Itália Decanter
Barollo Corda della Bricolina 2000 Itália Expand
Bouzeron Aligoté 2005 (branco) França Expand
Casa Marin Miramar Syrah 2005 Chile Vinea
Catena Zapata Estiba Reservada 2002 Argentina Mistral
Chacra Cincuenta y Cinco Pinot Noir 2007 Argentina Expand
Chateau de Tracy Pouilly-fumé 2006 (branco) França Decanter
Chateau la Puy 2001 França Casa do Porto
Chateauneuf-du-Pape Vieux Télegraphe Telegramme 2005 França Expand
Chinon le Pallus 2005 França Vinci
Chryseia 2001 Portugal Mistral
Comtes de Champagne 98 – Taittinger França Expand
Cote-Rotie La Divine 2005 França Decanter
Cuvelier Los Andes Grand Vin 2006 Argentina Expand
Dehesa la Granja Selección 2000 Espanha Mistral
Domaine Baumard Quarts de Chaume 2006 (branco doce) França Mistral
Domaine de Bouzerau Puligny Montrachet Champs Gain 2005 (branco) França Decanter
Domaine Huet Vouvray Sec Le Haut Lieu 2006 (branco) França Mistral
Elderton Ashmead Cab. Sauvignon 2002 Austrália Expand
Erdener Treppchen Riesling Auslese 2003 (branco) Alemanha Expand
Familia Deicas 1er Cru garage Uruguai Expand
Figurehead 2004 África do Sul Decanter
Herencia Remondo La Montesa Res. 2004 Espanha Vinci
Leonardo Porto Tawny 20 anos Portugal Lusitana
Luis Pato Vinha Barrosa 2005 Portugal Mistral
Malhadinha 2003 Portugal Épice
Marcel Deiss Mambourg Grand Cru 2002 (branco) França Mistral
Marques de Murrieta 2004 Espanha Expand
Moscatel Roxo de Setubal 1997 (branco doce) Portugal Portuscale
Pago de Cirsus Selección de la Familia 2004 Espanha Decanter
Penfolds BIN 389 Austrália Mistral
Perez Cruz Quelén 2005 Chile Wine Company
Pio Cesare Barberad’Alba Fides 2005 Itália Decanter
Pisano Arretxea Tannat/Petit Verdot 2004 Uruguai Mistral
Porto Branco Res. Especial Santa Eufêmia 1973 Portugal World Wine
Protos Gran Reserva 2001 Espanha Peninsula
Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2005 Portugal Qualimpor
Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004 Portugal Mistral
Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 2000 Portugal Zahil
Quinta dos Roques Dão Encruzado 2007 (branco) Portugal Decanter
Sassicaia Bolgheri 2004 Itália Expand
Savigny-les-Baune 1er Cru Clos de Guettes 2005 França Vinea
Seña 2005 Chile Expand
Tiara 2007 (branco) Argentina Decanter
Tignanello 2004 Itália Winebrands
Viña Arana Reserva 1998 Espanha Zahil
Viña Real Gran Reserva 1998 Espanha Vinci
Viña Tondonia Gran Reserva 1987 Espanha Vinci
Viñedo Chadwick 2004 Chile Expand