Países & Produtos

Perez Cruz na Wine Company

                   Uma vinícola chilena de primeiro nível, moderna, sem o tamanho das outras, mas ancorada em estreitos parâmetros de qualidade. Trazendo o vinho com exclusividade para o Brasil, a Wine Company, uma empresa que há muito prima por comercializar bons vinhos por bons preços. Tive a oportunidade de degustar a linha completa de seus produtos e verificar que realmente, minhas experiências anteriores estavam corretas, estamos diante de belos vinhos e alguns se destacaram.

                  Em um evento realizado pela amiga e competente Denise Cavalcante no Sofitel, em que nos deliciamos com um belo Buffet de entradas e sobremesas, enquanto para acompanhar os saborosos vinhos servidos nos foi servido um Carré de Cordeiro divino.  A vinícola fica situada na região de Maipo Alto a apenas 45 kms de Santiago o que, por si só, já invoca a uma visita. Empresa ainda recente, engarrafou sua primeira safra em 2002, possui uma bodega moderna e de altíssimo nível. São 140 hectares de vinhedos em que a Cabernet Sauvignon é maestra com 85% das vinhas, porém lá se encontram também Carmenére, Merlot, Syrah, malbec (que eles chamam de Cot) e Petit Verdot. Todas as parcelas são trabalhadas com baixos rendimentos (de 3.5 a 8 tons/ha) e a colheita feita à mão o que resulta em vinhos de muito boa concentração e profunda elegância. Como quem dorme em berço esplêndido pode acordar no chão, eles já se movimentam no intuito de buscar novas cepas que se adaptem a seu terroir e já se encontram experimentando com Mouvédre e Grenache na busca do inusitado, do diferente.

           Para que tenhamos uma idéia de tamanho, pensemos que sua produção anual é hoje de cerca de 60.000 cxs de 12 garrafas com planos de chegar a 100 mil dentro de um par de anos mais, o que significa um dia da produção da Concha y Toro! Agora falemos dos vinhos:

           O rótulo de entrada na pequena família de produtos da Perez Cruz é o Reserva Cabernet Sauvignon que é responsável por 75% da produção da vinícola. É um vinho de muito boa tipicidade, frutado, taninos redondos, macio, muito equilibrado com um final muito agradável, porém um pouco curto. Um belo Cabernet chileno por um preço bem acessível, por volta dos R$65,00

          Depois entramos na família Limited Edition composta pelo Cot (Malbec), Carmenére e o Syrah.  O Cot, com uma produção pequena de cerca de 18.000 garrafas, segue o padrão desta cepa no Chile em que, cada vez mais, geram vinhos em que a elegância supera a potência. Este se mostrou algo resinoso ao nariz, mostrando aromas sutis de fruta madura. Na boca é fino e mineral. O Carmenére com uma produção de cerca de 40.000 garrafas anuais de vinhedos de baixo rendimento, é um bom vinho, porém não chega a encantar. Agora, o grande vinho deles desta gama de rótulos é, em minha opinião, o Syrah. Não é de hoje que falo deste vinho e este encontro só veio confirmar tudo o que penso dele. Com uma produção anual de cerca de 24.000 garrafas, mostra todo aquele pacote típico dos bons Syrahs – fruta fresca/especiarias e ervas aromáticas formando uma paleta olfativa sedutora. Taninos muito finos, harmonioso, elegante, encorpado no ponto, sem excessos nem arestas, ótima textura, um vinho que dá grande satisfação tomar, com um final muito apetecível e longo. Um dos melhores Syrahs chilenos que mereceu 92 pontos da Wine Spectator e, se tivesse que pontuar, certamente seria em torno disso. Preço desta linha está em torno dos R$125,00.

            Na linha de vinhos top de gama, dois rótulos muito especiais e, como todos os vinhos nesta faixa, de alto valor o que os tornam em vinhos para poucos. O Liguai, potentoso corte de Syrah, Cabernet Sauvignon e Carmenére , é um grande vinho elaborado com uvas de baixíssimo rendimento, em torno de 3,5 tons/ha, que passa 16 meses em barricas. Após cerca de 6 meses se faz o corte, ficando o vinho a evoluir já pronto em barricas pelo restante do tempo. Muito aromático, taninos finos e sedosos, grande estrutura, é vinho para muitos anos de guarda com um preço em torno dos R$200,00.

            O topo da pirâmide é ocupado pelo excelente Quelen que me seduziu faz dois anos e segue me encantando a cada esporádico gole que tomo. Uma pena que o preço em torno de R$300,00 não seja mais acessível, mas é resultado da pouca disponibilidade mundial versus grande demanda. O corte é exótico com uma maior participação de Petit Verdot acompanhada de Carmenére e Cot (malbec). Muito boa intensidade aromática, algo herbáceo, boa concentração e ótima estrutura, harmônico, entra potente e com grande impacto, amaciando na boca com um delicioso e muito longo final de boca. Um vinho de boutique, raro, um grande prazer e um grande privilégio ter oportunidade de voltar a tê-lo na minha taça.

            A Wine Company passa por uma reformulação de seu portfólio, mas fez questão de manter esse produtor de grande nível, sábia decisão.  Vinhos de qualidade, desde a gama de entrada até o topo de linha. Meus preferidos são o Cabernet Sauvignon Reserva, uma bela relação Custo x Beneficio e o Syrah que a meu ver é um dos melhores do Chile. Os outros dois são para quem pode!

Salute e kanimambo.

SISAB 2010!

            Para quem ainda não conhece, a SISAB é uma das mais importantes feiras de negócios do setor agro-alimentar português que neste ano comemora sua décima quinta edição. Em um setor em que Portugal possui grande destaque internacional, é uma feira que nossos empresários brasileiros não deveriam deixar de lado colocando-a em sua agenda anual de eventos a visitar.

            A feira será realizada no Pavilhão Atlântico do Parque das Nações, região que respira modernidade, em Lisboa, onde estarão reunidas cerca de 250 empresas exportadoras, algumas com presença por aqui e outras não, das mais diversas atividades do setor agro-alimentar entre eles; pescados, azeites, laticínios, pecuária, confeitaria, etc. sendo o setor de vinhos o de maior representação com cerca de 120 empresas exibindo seus produtos. Certamente uma grande oportunidade de, em apenas três dias, ver e negociar com um grande número de potenciais fornecedores. Entre outros estarão presentes a Herdade do Meio, Herdade do Pinheiro, Herdade Grande, Quinta do Infantado e Quinta do Lago que pouco ou nada tenho visto entre nós, porém também vi uma série de vinícolas menos conhecidas que aguçaram a minha curiosidade já que é nesses encontros que muitas vezes descobrimos as pepitas mais valiosas! Uma das quais aguardo ansiosamente a visita é a Adega Cooperativa do Cadaval com seus brancos sutis, leves e saborosos.

             Agora, ir a Lisboa e ficar só na feira não dá, né? Tire pelo menos uns dois ou três dias (já fique a semana) e gaste sola de sapato caminhando pelas estreitas ruas da baixa e ir de elétrico até Belém para visitar o Mosteiro dos Jeronimos / Torre de Belém e Museu dos Coches, pagar penitência na fábrica de pastéis de Belém (rs), comer castanhas assadas no cais do Sodré, dar uma passada no Castelo de São Jorge e deslumbrar a linda Lisboa a seus pés, ir almoçar aos pés do Cristo Rei (Almada) no Amarra ó Tejo, dar uma passada no Solar de Vinho do Porto, comprar um CD com as melhores canções de Carlos do Carmo e escutar o “Amarelo da Carris”, “Lisboa Menina e Moça” e “Estrela da Tarde”  (poesia em forma de música) entre outras delicias desse ícone da música portuguesa, jantar no O Caseiro ou dar um pulo a Cascais para desfrutar de uma refeição divina com frutos do mar no Montemar que fica em lugar idílico com o mar batendo nas rochas, enfim, Lisboa e arredores são uma festa para os olhos e porquê não dizer, para o palato com ricos sabores a serem desfrutados e apreciados.

            Eu estarei por lá e na volta conto como foi. Para quem tiver interesse e oportunidade, a feira se realizará no próximos dias 22, 23 e 24 e os dados para contato estão aqui.

Salute e kanimambo, nos vemos por lá?

Vinho do Porto Garrafeira e Demijon?

          Você que já sabe tudo, já tinha ouvido falar em pelo menos um dos dois? Bem, eu que sigo sendo um eterno “gafanhoto” nesse caminho de aprendizado das coisas de nossa vinosfera confesso que não e aprendi mais uma ontem ao abrir o blog Copo de 3 do amigo João Pedro de Carvalho. Um dos melhores enobloguers de Portugal, com o Pingas no Copo os meus preferidos, nos traz um matéria muito legal sobre mais uma preciosidade saída das encostas do Douro, o Niepoort Garrafeira!  Eis parte do post, o restante você terá que clicar no Copo de 3 para apreciá-lo em sua totalidade.

Situadas na Rua Serpa Pinto, Vila Nova de Gaia, as caves da Niepoort servem de ginásio a todos os vinhos do porto deste produtor, é ali que os vinhos se colocam em forma até estarem prontos a sair para o mercado. As máquinas à disposição naquele espaço variam desde as madeiras, garrafas ou os peculiares demijons, sob batuta atenta do Masterblender, Sr. José Nogueira, cuja ligação familiar à Niepoort remonta já ao seu pai, e estendeu-se em 2006 ao seu filho. É neste mesmo local que a magia acontece, uma autêntica fábrica de sonhos engarrafados, seja no formato Ruby, Tawny ou Garrafeira.

Nos dias que correm, o estilo de Porto, Garrafeira, é um exclusivo da Niepoort, e pelos preços que atingem tendo em conta a raridade dos mesmos, tornam-se objecto de culto e poucos são aqueles que lhes têm acesso. Comprova a sua raridade as poucas vezes em que foi feito e se apontei correctamente todos os anos (caso falte algum é favor indicarem): 1931, 1933, 1938, 1940, 1948, 1950, 1952, 1964, 1967 e 1977 (este último ainda por sair para o mercado).

O Garrafeira Niepoort é sempre de um ano específico, tal como os Colheita, onde após um estágio em madeira que poderá variar entre os 3 e os 6 anos, o vinho é transferido para demijons. Um demijon ou “demijohns”, é uma espécie de balão de vidro que varia entre os 7 e os 11 litros de capacidade. Foram comprados pelo bisavô de Dirk Niepoort no séc. 19, tendo sido produzidos na Alemanha em Flensburg no século 18.”

             Sei que ao terminar de ler o post fiquei com uma água na boca e me perguntei, será que esse elixir ainda passará por minha taça e minha boca? Não sei, mas que vai para o topo de meu wish list, lá isso vai!!!

Salute e kanimambo

Uvas & Vinhos – Touriga Nacional

       Este primeiro post do ano sobre as mais diversas castas de nossa vinosfera, traz a estréia de um novo parceiro que muito me honra e que tem tudo a ver, pois daremos enfoque ás uvas autóctones durante os próximos meses. Alguns poucos o conhecem, mas a grande maioria não, então deixem-me lhes apresentar o Miguel Ângelo Vicente Almeida , jovem enólogo português formado no instituto Superior de Agronomia em Lisboa, berço de alguns dos mais conceituados enólogos portugueses, com licenciatura Agro-industrial em Enologia. Antes de chegar ao Brasil e à Miolo, andou por terras germânicas, Douro e Alentejo, tendo assumido o projeto da Fortaleza do Seival em 2008 e agora também da Almadén. É uma grande honra para mim, e acredito que para os amigos leitores, ter o amigo Miguel a escrever sobre as uvas autóctones portuguesas, começando pela mais famosa delas. apresentação feita, fico por aqui. Deixemos quem sabe das coisas, quem elabora os vinhos falar sobre esta emblemática cepa portuguesa, a Touriga Nacional.

“Tanta parra para tão pouca uva” – A Touriga Nacional

           Como enólogo, sempre achei nesta frase uma consequência técnica positiva, a tão moderna e famosa concentração. Mas se falar com o agrônomo, este já é capaz de lembrar a falta de equilíbrio entre parte vegetativa e parte produtiva, mais, avisa-nos do cuidado e assistência que é preciso entregar à gestão e manejo da copada. O viticultor tem a prima e primária tendência de se sentir burlado e foi este sentimento de fraude que levou a melhor casta tinta portuguesa e provavelmente a melhor do mundo – para o ser faltou-lhe a origem gaulesa – à quase extinção. Veio depois o seu massivo ressurgimento nos rótulos dos vinhos e só agora e em resultado de investigação massal e clonal é que muito tem aparecido nas vinhas.

              Em Portugal é a casta mais difundida por todo o território continental, daí o termo Nacional como complemento democrático-geográfico a esta surpreendente Touriga. Estados Unidos da América, Austrália, África do Sul, Argentina, Chile, Brasil são países que a naturalizaram porque dupla-cidadania, como um Shiraz australiano, um Malbec argentino, um Carménère chileno, um Tannat uruguaio ou o mais recente Merlot brasileiro, ainda ninguém lhe conferiu.

               Com natural singeleza, elegância, potência e monstra polivalência a Touriga Nacional pode aparecer na forma de:

  • – vinho espumante, como por exemplo os Murganheira Blanc de Blancs Touriga Nacional e do Luis Pato na Bairrada;
  • – vinho tinto seco fino, aqui prefiro a delicadeza dos Tourigas do Dão em detrimento dos Tourigas do Douro porque são fruto de solos de origem granítica e sedimentar e de amenas temperaturas bem típicas de um qualquer verão beirão;
  • – vinho licoroso, seja qual for Vinho do Porto Vintage ou Late Bottled Vintage originário dos melhores patamares de um bardo da mais antiga Região Demarcada do Mundo.

         Por característica, a Touriga Nacional é uma variedade muito fértil, isto é, todas as gemas deixadas à poda brotam e brotam também muitas feminelas que adensam a copada, embora seja pouco produtiva porque é propícia ao desavinho (acidente fisiológico em que não ocorre a transformação das flores em fruto) e à bagoinha (acidente fisiológico em que no mesmo cacho aparecem, além de bagas normais, bagas de dimensões reduzidas, bagas que não são bagas). Possui, no entanto,  baixa produtividade geralmente decorrente do seu elevado vigor e do seu carácter retumbante que juntos dificultam o ótimo arejamento da flor, impedindo assim o correto desenvolvimento da fecundação, resultando menos cachos. Portanto, esta é uma casta muito exigente quanto à forma de ser conduzida.

Como virtudes ela revela:

– estar bem adaptada a uma grande diversidade de solos;

– ser satisfatoriamente rústica, suportando condições médias de stress hídrico;

– ser muito resistente às doenças e pragas habituais da vinha;

– ter uma maturação intermediária, originando cachos pequenos a médios, ligeiramente compactos, de baga pequena com película espessa e cor negro-azulada.

Comportamento enológico

           A Touriga Nacional é uma casta muito consistente em termos de qualidade dos vinhos originados ao longo dos anos. Os mostos apresentam um teor alcoólico médio a elevado e uma acidez total titulável média a elevada, ou seja, gerando equilíbrio.  Os vinhos têm cor retinta intensa, com forte presença de tonalidades violáceas. O aroma é igualmente intenso desde os frutos pretos maduros (amoras, framboesas) às perfumadas flores (violetas, rosas), lembrando por vezes também algo mais silvestre, rosmaninho, alfazema, esteva, etc. Muito rico em substâncias fenólicas, na boca é volumoso, estruturado e persistente, possuindo um elevado potencial para envelhecimentos prolongados.

        Portanto, vinificada em varietal, por si, sem carvalho, a tendência é gerar vinhos intensamente corados, frescos, bem equilibrados em álcool e ácidos, de taninos macios. A passagem por barrica aumenta a sua complexidade aromática e tende a melhor estruturá-los. Quando usada em cortes, porta-se como o nariz, o perfume do vinho. 

            Em suma, que raio de casta tinta é esta que produz poucos cachos, cachos pequenos, de bagas pequenas, intensamente coradas, plenas de precursores aromáticos, espessas e bem resistentes a pragas e doenças e ótimas para suaves e longos processos de maceração?! A Touriga Nacional Portuguesa é com certeza uma grande casta a nível internacional. Para findar lembro e como bom português puxo a brasa à minha sardinha: quem tiver oportunidade não deixe de ser surpreendido pelo brasileiro Sesmarias 2008! E com isto não afirmo que a Touriga Nacional é uma das seis variedades deste lindo vinho. Mas posso estar enganado!

Harmonização

Agora é a vez do amigo Álvaro Galvão (Divino Guia) dar seus pitacos sobre a harmonização dos vinhos elaborados com esta cepa muito especial que é a Touriga Nacional, que ainda espero ver  adotar seu nome de direito “Touriga Portuguesa” .

Falar da Touriga Nacional no quesito harmonização é muito fácil, pois ela abrange vários pratos, cocções e paladares. A ´Touriga Nacional, uva “símbolo” de Portugal, tem uma característica multifacetada em aromas e paladar, o que contribui muito para facilitar a harmonização. 

Com seu toque frutado, me vejo degustando uma lebre(coelho) ao molho, e leitão assado, as partes mais gordas. Suas especiarias me seduzem a fazê-lo com comida Indiana, que leva coco, especiarias diversas, que ao contrário do que muitos possam imaginar, é uma gastronomia leve, complexa, mas leve. Caças em geral vão bem com a Touriga Nacional, em várias cocções, tanta assadas, como cozidas em molhos, e quando falo de caça penso também em aves, apesar destas não terem tanta gordura para amaciá-las, e fazerem contraponto com o bom nível de acidez desta uva.

Quem nunca experimentou um marreco ao molho de damascos e uma taça de Touriga, não sabe o que está perdendo. Carneiro fica ótimo, mas na minha preferência a paleta e pernil ficam melhor, o lombo e carré(com o ossinho), são mais delicados. Pelo seu tradicional toque floral de violetas, me vejo em plena ousadia, degustando uma entrada fria com figos maduros, alcachofras(não aquelas curtidas em azeite ou vinagre), e Cream Chese(esta entrada eu já testemunhei).

Saladas de palmito Pupunha, com tomates cereja e especiarias, também creio que a Touriga não faria feio. Se não for para ousar, basta ler o que os tradicionais manuais que falam das harmonizações descrevem, não acham?

Os Vinhos

Bem, agora chegamos na minha praia com a difícil tarefa, de enumerar alguns bons rótulos para vocês conhecerem, ou para quem já conhece eventualmente curtir um ou outro rótulo que provei e recomendo.  Tenho uma predileção muito especial por vinhos elaborados com esta cepa e existem alguns grandes vinhos no mercado. Tenho que compartilhar uma curta estórinha com os amigos; no Desafio de merlots do Mundo, tinha um português entre os cerca de 14 rótulos degustados ás cegas. Um dos vinhos da taça, encantador por sinal, dava demonstrações aromáticas que nos transportavam aos Vinhos do Porto, tendo a maior parte da banca apontado esse vinho como o português. Ao descobrir as garrafas, a enorme surpresa de ver que era o Wente Merlot Crane Ridge, da Califórnia. Aí, pesquisamos e verificamos que a cada ano esse vinho passa por um corte diferente tendo nesse ano recebido um aporte de 2% de Touriga Nacional! A conclusão tire você.

Rótulos 100% Touriga Nacional de satisfação garantida

  • Quinta da Cortezia/CVR Lisboa (Casa Flora)
  • Adega de Borba/Alentejo (Adega Alentejana)
  • Dal Pizzol/Brasil – Vale dos Vinhedos
  • Angheben/Brasil – Encruzilhada
  • Quinta do Cachão/Douro – (Casa Flora)
  • Raquel Mendes Pereira/Dão (Malbec do Brasil)
  • Quinta dos Roques/Dão (Decanter)
  • Cortes de Cima/Alentejo (Adega Alentejana)
  • Só Touriga Nacional (Portuscale)
  • Quinta dos Carvalhais/Dão (Zahil)
  • Quinta do Crasto/Douro (Qualimpor)
  • Quinta do Vallado/Douro

Saindo fora dos primeiros cinco rótulos, dê tempo aos outros néctares que só desabrocham mesmo a partir do quarto ou quinto ano devido a sua complexidade. Por sinal, a Raquel Mendes Pereira tem um Rosé de Touriga que é uma delicia. Uma pena que a produção é muito pequena e não chega ao Brasil.

Cortes com Touriga Nacional – aqui a lista seria imensa, já que a maior parte dos vinhos do Douro, do Porto e cada vez mais do restante das regiões produtoras portuguesas, têm algum porcentual desta cepa. Do Brasil, um bom exemplo de um vinho desse estilo é o Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005, vinho que destaquei em uma de minhas listas de Melhores do de 2009, elaborado pela Miolo sob a batuta do amigo Miguel de Almeida.

Quer mais? Então sugiro que tome alguns desses bons vinhos acima e tire suas próprias conclusões. Por hoje é só.

Salute e kanimambo

Quinta das Marias Garrafeira 2005, um Vinho em Dois Tempos

Momento 1 – A principio, um vinho de bom impacto olfativo com boa fruta madura, especiarias e um certo toque balsâmico, bastante convidativo. Uma entrada de boca muito elegante, sedutora e delicada que desandou daí  para a frente ao me travar a boca com sua potência de taninos ainda muito agressivos, álcool ainda muito presente (15%) mostrando-se algo rústico mesmo após uma meia hora de decanter. Certamente muito over para o bacalhau que tinha sido escolhido para sua companhia. Encostei o vinho e recorri a outra garrafa (outra estória para um outro dia), um ótimo branco encorpado que mesmo com seus 14% de teor alcoólico, na temperatura certa deu conta do recado. Cerca de uma hora e meia depois, voltei ao Garrrafeira  que já se apresentava melhor porém ainda “pegando” um pouco. Retornei o vinho para a garrafa usando um funil com filtro e, impressionante, a lateral do decanter (como a garrafa) era só borra! Garrafa devidamente fechada com vacu-vin e de volta para a adega.

Momento 2 – Almoço do dia seguinte, Ravioli recheado de mussarela de búfala e manjericão, molho de tomate e pernil assado. Tinha previsto um Chianti Clássico, mas me lembrei do Garrafeira já aberto que não poderia, de forma alguma, ser deperdiçado. Tirei-o da adega e voltei com ele mais uma hora e meia de decanter sobre prato com gelo para manter-lhe a temperatura. Mamma-mia, que chianti que nada!!! O vinho, finalmente, encontrara seu equilíbrio. Estava todo lá como o dia anterior, o olfato de fruta madura e especiarias, porém agora com um pouco de baunilha e nuances defumadas mostrando sutilmente as nuances de barrica e algumas notas florais provávelmente advindas de um bom porcentual de Touriga Nacional no corte. Na boca a mesma delicadeza e riqueza sem a agressividade do dia anterior que possibilitou desvendar algumas qualidades adicionais. Untuoso, denso, encorpado, taninos sedosos, ótima acidez e um mineral de final de boca longo que chama comida e compatibilizou maravilhosamente bem com o almoço. Bão demais da conta sô e uma pena que só tinha uma garrafa porque terminou rápido demais.

            Conclusão, um baita vinho de grande qualidade que me foi sugerido pelo Miguel da Garrafeira Nacional em minha visita de Abril passado a quem agradeço a indicação, mostrando que nem tudo o que começa mal assim acaba! Por um preço bem camarada, por volta dos 13 euros lá porque por aqui ainda não chegou, é uma grande opção de compra para quem quiser um vinho de guarda e não queira gastar muito. Um vinho de grande estrutura que pode ser tomado já, com paciência e trato como fiz acima, mas que deve evoluir maravilhosamente por mais três ou quatro anos antes de atingir seu apogeu. Agora fiquei curioso por provar o Touriga Nacional deles do qual terei que fazer uma encomenda a algum amigo que esteja por viajar a terras Lusas! Alguma boa alma se candidata?! (rs)

Salute, felizes festas e kanimambo.

Rioja x Ribera del Duero, um Grande Páreo.

           Como em Portugal em que existem duas grandes e principais regiões produtoras de maior reconhecimento internacional Alentejo e Douro, a Espanha também tem as suas; Ribera Del Duero e Rioja. Ambos os países são extremamente ricos em diversidade de terroir e regiões, mas estas são as principais conhecidas. Pensando bem, cada país produtor do velho mundo tem lá sua rivalidade viníca de maior destaque; na Itália é Piemonte e Toscana, na França Bordeaux e Bourgogne, na Alemanha Mosel e Rhein, etc. A revista Freetime, uma revista que todo o executivo deveria ter em casa ou escritório pois tem uma diversidade editorial muito interessante, recentemente fez uma degustação às cegas de vinhos destas duas principais regiões produtoras e, gentilmente, nos cedeu a matéria. Todas as amostras dos vinhos foram escolhidas e enviadas diretamente pelas importadoras e casas especializadas. Foram convidados cerca de 14 experts para formar a banca degustadora que se utilizaram de fichas de degustação padrão de 50 a 100 pontos, em que o aspecto visual vale 10, o olfativo 30, e o gustativo 60, básicamente a mesma que uso em meus Desafios de Vinhos.   Na média das notas, visando evitar distorções, toma-se o cuidado de eliminar a nota mais alta e a mais baixa de cada vinho analisado.

            Foram um total de 25 vinhos em prova, dos quais 16 de Rioja e 9 de Ribera Del Duero. Como não houve número igual de participantes, tomei a liberdade de pegar somente os primeiros nove colocados de Rioja para efeito comparativo tendo dado Rioja com um total de 805,90 pontos contra os 798,7 alcançada pela Ribera Del Duero. No entanto, os dois primeiros colocados foram de Ribera Del Duero, tendo o incrível Pago de Santa Cruz da Vina Sastre, sido o grande campeão. Aliás, quando somamos todos os pontos por região e apuramos a média, aí a Ribera Del Duero leva uma pequena vantagem ou seja, um páreo duríssimo. O pago de Santa Cruz é um estupendo vinho que tive o privilégio de provar recentemente e um dos meus melhores provados em 2009, então fico feliz com esse resultado. Por sinal, o Prado Rey Elite, também biquei e é outro grande vinho que me chamou a atenção em uma degustação de vinhos de Espanha de que participei. Bem, mas chega de lero, na verdade você está interessado mesmo é em saber como os participantes da prova “perfomaram”, então vamos ao que interessa, eis os vinhos e comentários em ordem de classificação na prova:

PAGO DE SANTA CRUZ – VIÑA SASTRE – RIBERA DEL DUERO – 2003  Rubi profundo com alta concentração e leve halo de evolução. Complexo, frutas vermelhas em compota, ameixas, chocolate, café, lácteo, toffee, especiarias, tostado, lembra um Bordeaux. Carnudo com ótima acidez, taninos muito finos, envolvente, volumoso, persistência longa e retrogosto frutado com toques de alcaçuz. PENÍNSULA – (011) 3822- 3986 – Preço R$ 429,00 – Nota 91,2

 PRADO REY ELITE – RIBERA DEL DUERO – 2005 – Rubi violáceo, alta concentração, sem halo. Complexo, frutas negras, cerejas, floral, violetas, resinoso, tostado bem integrado, toques lácteos. Estruturado, alta acidez, taninos ainda verdes mas muito finos, persistência longa e retrogosto frutado, um vinho ainda jovem que irá evoluir muito. DECANTER – (047) 3326-0111 – Preço R$ 303,00 – Nota 90,4

CONDE SIRUELA RESERVA – RIBERA DEL DUERO – 2001 – Violáceo, alta concentração, sem halo. Nariz instigante, frutas negras, defumado, café, baunilha, chocolate, herbáceo e toques terrosos. Redondo, ótima acidez, taninos finos, encorpado, persistência longa e final de boca frutado, traz características de vinhos do Novo Mundo. D’OLIVINO – (011) 5532-1820 – Preço R$214,00 – Nota 90,2

 SOMSIERRA RESERVA – RIOJA – 2002 – Granada, média concentração e halo de evolução. Muito complexo, frutas vermelhas maduras, ameixas, chá-preto , funghi, ervas aromáticas, menta, ligeiro químico e toques terrosos. Elegante, acidez correta, taninos finos, corpo médio e persistência longa com final de boca frutado lembrando figos secos. CASA DO WHISKY – (011) 5055-5244 – Preço R$ 96,20 – Nota 90,2

 OSBORNE MONTECILLO GRAN RESERVA – RIOJA – 1998 – Granada, média concentração, halo de evolução presente. Balsâmico, ameixa, chá, toques terrosos, sottobosco, animal e tostado agradável lembrando madeira de longo uso. Macio com acidez correta, taninos maduros e finos, bom corpo e persistência, final de boca vivo e fresco com retrogosto frutado.  MIOLO – (0800) 9704165 – Preço R$ 131,00 – Nota 90,1

DON JACOBO GRAN RESERVA – RIOJA – 1995 – Granada, média concentração, leve halo de evolução. Frutas passas lembrando figo e uva, floral, chá, chocolate, caramelo e toques herbáceos. Alta acidez, taninos bem presentes, encorpado, persistência longa, com final de boca muito elegante. Retrogosto balsâmico. Vinho evoluído que não perdeu o vigor. SEM IMPORTADORA – BODEGAS CORRAL www.donjacobo.es . Preço R$? – Nota 90,1

 AMAREN LUIZ CAÑAS – RIOJA – 2002 – Rubi violáceo, média concentração, sem halo. Frutas lembrando cereja, floral, violetas, tostado elegante, café, especiarias, anis, toques balsâmicos.  Excelente exemplo de vinho equilibrado, acidez correta, taninos finos, bom corpo e persistência, retrogosto frutado e final de boca muito agradável. DECANTER – (047) 3326-0111 – Preço R$ 284,00 – Nota 90,0

FUENTESPINA RESERVA – RIBERA DEL DUERO – 2001 – Rubi, boa concentração e halo de evolução. Complexo, Frutas negras em compota, chá-preto , tabaco, animal, carne, terroso, chocolate,  borracha, ligeiro mentolado e tostado agradável.  Alta acidez, taninos marcados, corpo amplo e persistência longa, retrogosto frutado. EXPAND GROUP – (011) 3847-4700 – Preço R$275,00 – Nota 90,0

MARQUÉS DE RISCAL GRAN RESERVA – RIOJA – 2000 – Rubi com toques de evolução, boa concentração. Predominância de aromas terciários, tostado, animal, couro, especiarias, sottobosco, frutas vermelhas maduras, floral, violetas. Redondo, acidez correta, taninos finos, encorpado e persistência longa, retrogosto frutado. INTERFOOD CLASSIC – (011) 2602-7255 – Preço R$ 243,30 – Nota 89,8

ONTAÑON RESERVA – RIOJA – 2001 – Violáceo,  média concentração, sem halo. Frutas passas, ameixas, especiarias, couro, tabaco, herbáceo e toques florais. Ótima acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto frutas passas. D’OLIVINO – (011) 5532-1820 – Preço R$ 141,00 – Nota 89,7

 VINA ARDANZA RESERVA – RIOJA – 2006 – Rubi com baixa concentração, leve halo. Frutas maduras, ameixa, madeira bem presente, baunilha, sottobosco e toques terrosos. Elegante, com ótima acidez, taninos finos, corpo médio, persistência longa. GRAND CRU – (011) 3062-6388 – Preço R$ 198,00 – Nota 89,6

 PROTOS RESERVA – RIBERA DEL DUERO – 2003 – Rubi,  boa concentração, sem halo. Frutas vermelhas maduras, floral, violetas, tostado, baunilha, chocolate, pimenta-do-reino. Alta acidez, taninos finos, bom corpo e persistência, retrogosto frutado. PENINSULA – ( 011)  3822-3986 – Preço R$ 261,00 – Nota 89,1

 RODA RESERVA – RIOJA – 2004 – Rubi,  média concentração, sem halo. Predominância de aromas terciários, tabaco, tostado, especiarias, pimenta, frutas negras e toque lácteo. Ótima acidez, taninos firmes e doces, bom corpo e persistência, retrogosto frutado.  EXPAND GROUP – (011) 3847-4700 – Preço R$ 198,00 – Nota 88,8

 BÁRBARO RESERVA – RIOJA – 2005 – Violáceo, boa concentração, leve halo de evolução. Aromas de frutas vermelhas maduras, floral, anis, tostado agradável, toque químico. Acidez alta, seco, taninos ainda verdes, corpo e persistência longa, vinho jovem de muita potência. SEM IMPORTADORA – BODEGAS FRANCO ESPAÑOLAS www.francoespanolas.com – Preço R$? – Nota 87,6

TORRES CELESTE CRIANZA – RIBERA DEL DUERO – 2005 – Rubi escuro, boa concentração, sem halo. Aroma terroso, funghi, bala de cevada, frutas negras, tostado agradável, pimenta-branca, toque herbáceo. Boa acidez, estruturado, taninos ainda jovens, bom corpo e persistência, final de boca muito agradável. RELOCO – (021) 2215-8055 – Preço R$ 160,00 – Nota 87,5

 TAMARAL CRIANZA – RIBERA DEL DUERO – 2003 – Granada, média concentração, leve halo. Complexo, chá-preto , frutas vermelhas evoluídas, ameixa, funghi, terroso, chocolate, caramelo e toque resinoso. Alta acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto lembrando ameixas. CASA DO WHISKY (Barrinhas)-  (011) 5055-5244 – Preço R$ 107,00 – Nota 87,4

 OSBORNE MONTECILLO RESERVA – RIOJA – 2005 – Rubi brilhante, média concentração, halo de evolução. Aromas terciários, chá-preto, tostado, chocolate, especiarias, frutas secas, herbáceo, toque químico. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência longa. MIOLO – (0800) 9704165 – Preço R$ 71,00 – Nota 87,1

 ATALAYAS DE GOLBAN CRIANZA – RIBERA DEL DUERO –  2005 – Rubi, alta concentração, sem halo. Floral, violetas, frutas vermelhas, tostado, chocolate, menta, terroso com ligeiro toque químico. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência longa, retrogosto de after eight (menta e chocolate). MISTRAL – (011) 3372-3400 – Preço R$ 130,00 – Nota 86,8

 ORBEN CRIANZA – RIOJA – 2005 – Rubi, alta concentração, sem halo. Frutas vermelhas maduras, especiarias, canela, herbáceo, erva-doce, tostado. Alta acidez, taninos ainda verdes, corpo médio e persistência longa, retrogosto lembrando erva-doce. Bom potencial de envelhecimento. PENINSULA – ( 011)  3822-3986 – Preço R$ 198,00 – Nota 86,7

 CANTIGA DE DANIEL PURAS CRIANZA – RIOJA – 2004 – Granada, média concentração, leve halo. Nariz austero, sottobosco, tostado marcado,frutas negras maduras,químico, toque de ervas aromáticas. Acidez correta, quente, taninos finos, corpo e persistência longa, final ligeiramente adocicado. TERROIR – ( 011)  3168-2200 – Preço R$ 105,00 – Nota 86,1

 RACAMONTE CRIANZA – RIBERA DEL DUERO – 2004 – Violáceo, média concentração, sem halo. Floral, violetas, alcoólico, pimenta-do-reino, frutas negras, ameixas, toque herbáceo. Acidez correta, taninos verdes, encorpado, persistência longa. Ainda muito alcoólico. SEM IMPORTADORA www.grupoyllera.com – Preço R$ ? – Nota 86,1

VIÑA CERRADILLA CRIANZA – RIOJA – 2004 – Rubi, média concentração, sem halo. Floral, lavanda, sottobosco, frutas em compota, especiarias, chocolate, leve mentolado. Alta acidez, taninos ainda verdes, corpo médio e persistência longa. SEM IMPORTADORA www.vallemayor.com – Preço R$? – Nota 86,1

 MILETO CRIANZA – RIOJA – 2005 – Granada, média  concentração, leve halo. Frutas maduras, cereja, chocolate, químico e toques florais, madeira de longo uso. Boa acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto lembrando cereja. SEM IMPORTADORA www.bodegasalvar.com – Preço R$? – Nota 85,9

 ALLENDE CRIANZA – RIOJA – 2004 – Rubi, boa concentração, sem halo. Frutas vermelhas maduras, químico, pimenta-do-reino, tostado bem integrado, chocolate. Alta acidez, taninos finos, corpo médio e persistência longa, ligeiro amargor. PENÍNSULA – (011) 3822-3986 – Preço R$ 159,00 – Nota 85,4

DON FAUSTINO VII JOVEN – RIOJA – 2007 – Granada, média concentração, leve halo. Frutas vermelhas maduras, tostado intenso, caramelo, toque químico. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência média. Rústico. CAVA DE VINHOS – (011) 3467-9917 – Preço R$ 60,00 – Nota 84,9

 Os campeões em suas classes:

 Gran Reserva

Pago de Santa Cruz – Ribera Del Duero – Nota 91,2 – Península – Preço R$ 429,00

Reserva

  • Somsierra – Rioja  – Nota  90,2 – Barrinhas /Casa do Whisky – Preço R$ 96,20
  • Conde de Siruela – Ribera Del Duero – Nota 90,2 – D’Olivino – Preço R$ 214,00

Crianza

Torres Celeste – Ribera del Duero – Nota 87,5 – Reloco – Preço R$ 160,00

          Interessante o resultado de dois vinhos que, a meu ver e mesmo não tendo estado presente nessa degustação, me chamaram a atenção pois mostraram possuir uma tremenda relação custo x beneficio que foram o Somsierra (na minha regra de desempate, menor preço, seria terceiro na classificação geral) e o Osborne Montecillo Reserva, dois rótulos que entram na minha lista de vinhos a conferir e os seus? Quais são os rótulos que lhe aguçaram a curiosidade? Podendo, não hesite em tomar o Pago de Santa Cruz, um dos grandes vinhos de Espanha.

Salute e kanimambo

Três Dias Rodando por Borgonha

O amigo Evandro, parceiro e confrade da banca degustadora de meus Desafios de Vinho, tirou uns dias de férias para se aventurar pelas pequenas cidades e vinícolas da região de Bourgogne na França, berço da Pinot Noir. Inveja, tenho que confessar,  porém da boa diga-se de passagem, daquela de querer estar junto e não de estar em seu lugar! Para os amigos que, como eu, não conhecem e querem ficar com uma aguinha na boca, para aqueles que pensam em tomar o mesmo caminho, o relato do Evandro no blog de sua confraria 2 Panas é imperdível e um colírio para os olhos e a mente.  Valeu por compartilhar essa experiência conosco mon ami.

Eu quero, eu quero …….!

Grande Desafio de Espumantes – os Brasileiros

           Não é de agora que os espumantes brasileiros são bons, mas faz um pouco mais de três para quatro anos que a mídia e os produtores iniciaram um trabalho mais forte de divulgação. Contrariamente aos vinhos tranqüilos onde a produção nacional, apesar da grande melhora de qualidade, perdeu espaço no mercado desde 2005 para os importados, no segmento de espumantes o inverso acontece com um crescimento de participação porcentual do mercado de cerca de 64% em 2004 para 75% em 2009. Somente neste ano o crescimento de vendas atingiu 14% sendo no Moscatel onde essa média é mais alta, cerca de 22%. Daí a começarmos a falar que o Brasil se tornou um dos três melhores produtores do mundo e que em alguns casos até champagne bate, num afã nacionalista muito típico nosso, não demorou muito. Minha avaliação geral é que, sim nos Moscatel estamos muito bem e entre os melhores do mundo, mas nos Rosés e Brancos apesar dos bons rótulos produzidos, ainda temos muito a crescer, inclusive no quesito regularidade.

          Deixo claro que é uma opinião particular, compartilhe ou jogue pedra quem quiser, mas acho que afora os investimentos necessários no vinhedo e na produção, um dos principais problemas para nos tornarmos realmente membros da elite dos espumantes é a falta de constância. Isto pelo que tenho observado nos últimos quatro para cinco anos, com algumas poucas exceções. Ainda é muito comum um determinado produtor estourar na mídia e na critica num determinado ano e no outro ficar bem aquém. Precisamos tempo para poder demonstrar nossa qualidade, humildade para seguir trabalhando na melhoria, constância de qualidade e um maior intercâmbio com o mercado e produtores internacionais. Temos muito bons espumantes, alguns até ótimos, bons preços, mas mantenhamos os pés na terra e deixo o forum aberto para comentários.

          Pessoalmente gosto muito dos nossos espumantes que trazem um frescor e uma característica cítrica muito interessantes que, a meu ver, são muito a cara do Brasil. Por isso convidei alguns dos principais produtores nacionais tendo o Brasil representado  cerca de 36% dos rótulos em prova com quinze espumantes que, só para relembrar, listo agora com menção do método de elaboração usado: Miolo Millésime Brut – R$75 (tradicional), Salton Evidence  Brut– R$65 (tradicional), Chandon Excellence Brut – R$90 (charmat), Marson Brut– R$59 (tradicional), .Nero Gran Reserva Extra Brut – R$45 (charmat longo), Valduga Gran Reserva Extra Brut 2004 – R$90 (tradicional), Cave Geisse Nature 2007 – R$45 (tradicional),Pizzato Brut – R$45 (tradicional), Dal Pizzol Brut – R$45 (tradicional), Do Lugar – R$32 (charmat), Don Giovanni Ouro – R$75 (tradicional), Marco Luigi Reserva da Família Brut – R$30 (tradicional), Villaggio Grando /SC – R$40 (charmat), Valduga 130 Brut – R$65 (tradicional) e Don Giovanni Nature – R$50 (tradicional). Destes, os que mais se destacaram na prova foram, por ordem de classificação, os que seguem:

1º Chandon Excellence Cuvée Prestige – Um senhor espumante que consegue juntar o frescor e característica cítrica dos espumantes nacionais com a complexidade dos franceses, não fosse a casa produtora originária de lá. Este não peca pela ausência de constância e a cada vez que o provo ele se mantém neste alto nível. Perlage muito boa, fina e abundante, mostrando que o método charmat pode sim gerar espumantes muito elegantes, formando um colar de espuma atraente na taça. Mineral bem presente, cítrico invocando laranja confitada, algo de fermento e brioche com nuances tostadas compõem uma paleta olfativa bastante complexa e delicada.  Já na boca é cremoso, gostosa textura, um produto de muita qualidade que seduz os mais exigentes e termina muito fresco com algo de frutas secas e novamente aquela presença gostosa de notas minerais.

2º Marson Brut – Uma grata surpresa de um espumante bastante tradicional no mercado que mostra uma perlage bastante fina e de boa persistência. No mais, talvez o mais exótico de todos com presença de frutas tropicais maduras como abacaxi e banana combinadas com um frescor imenso, fruto da ótima acidez muito bem balanceada formando um conjunto que satisfaz sobremaneira deixando na boca um gostinho de quero mais. Leve, gostoso, um final bem frutado e de boa persistência que abre o apetite.

3º Miolo Millésime Brut 2006 – Top dos espumantes da Miolo, é um pouco pálido na cor, mostrando-se ao nariz com aromas mais presentes de levedura e algo cítrico com nuances de amêndoas torradas. Na boca apresenta maior corpo, enche mais a boca e a cremosidade advinda de uma espuma abundante invade a boca com muito frescor. Perlage de tamanho médio, abundante e de boa persistência. Na boca é equilibrado, saboroso, um espumante que nos seduz facilmente e que já é boa companhia para uma refeição.

4º Salton Evidence Brut – Nariz citrino com nuances de flores brancas, tudo muito sutil e delicado convidando a levar a taça á boca. Na boca é fino, equilibrado, bom colar de espuma, muito boa perlage, fina, regular e consistente que nos massageia a boca com pequenas agulhas e mostra nuances tostadas, algo de padaria e bem mineral com um final onde desponta algo de maçã verde e muito boa acidez.

5º .Nero Extra Brut –  Elaborado pelo método charmat longo de seis meses que resulta num número considerável de bolhinhas bem finas e persistentes, muito cítrico e fresco numa boca gulosa, franca sem grande complexidade, mas muito saboroso que nos faz pedir mais uma taça, e outra, e outra … Prima pela finesse, final elegante, vibrante com toques de maracujá. Entre os Brasileiros, foi considerado o Melhor Custo x Beneficio

6º Cave Geisse Nature 2007 –  Aromas muito agradáveis, com um leve brioche intermediado por algo cítrico, nuances doces (mel) e toques florais muito sutis e elegantes. Na boca é cremoso, acidez maravilhosa que aporta um incrível frescor, balanceado, final muito saboroso, delicado com notas minerais e muito longo. Um espumante muito fino e sedutor tendo apresentado um leve amargor final que não chegou a incomodar.

          Todos espumantes que fazem juz aos comentários positivos da mídia especializada, ou seja sem grandes surpresas, que eu compraria sem exitar pois me agradaram muitíssimo. Na sequência os outros nove desafiantes: Valduga 130 / Pizzato Brut / Marco Luigi Reserva da Família Brut 2008 / Do Lugar Brut / Dal Pizzol Brut / Villaggio Grando (recém lançado nem rótulo tinha ainda, sendo a primeira prova dele) / Don Giovanni Brut Ouro / Valduga Extra Brut Gran Reserva 2004 e Don Giovanni Nature que compuseram um nível de qualidade bastante alto.

         Em Fevereiro deverei ir a Portugal e quero armar, com alguns amigos blogueiros de lá,  um Desafio Luso-Brasileiro de Espumantes durante minha estadia. Serão oito rótulos (os TOP 6 acima mais dois convidados) versus sete portugueses, meu primeiro Desafio Internacional. Bem, por hoje é só, na sequência outros posts sobre esta deliciosa maratona de espumantes que, neste quente verão, são um must! Nada de ficar esperando ocasiões especiais, abra um espumante e faça o momento especial. Quer coisa mais chique do que naquele encontro com os amigos abrir um espumante de boas-vindas? Melhor, não precisa nem gastar muito para isso!

Salute, abraço e kanimambo.

Sou um Privilegiado! Provei os Porto Vintage 2007.

              Eu e mais umas 25 a 30 pessoas que se reuniram a convite do IVDP (Instituto do Vinho do Douro e Porto – link aqui do lado) para provar alguns dos Vinhos do Porto Vintage 2007. Quem me acompanha há um tempo, sabe que uma de minhas taras são os Vinhos do Porto  e o Vintage é quintessência dos vinhos ruby, necessário explicar porque os tawnies envelhecidos são também preciosidades abençoadas pelos deuses, especialmente quando, pelo menos a meu ver, são tomados com algumas décadas de tempo de guarda. Um Vintage de qualidade de um grande produtor com vinte ou trinta anos, é um verdadeiro elixir dos deuses, e algo que me traz imenso prazer tomar e compartilhar com amigos.

            Tenho uma pequena coleção em casa, pois a cada casamento de um de meus filhos abro uma garrafa com sua idade, tendo a última sido um Quarles Harris 1977. Depois, cada filho tem mais uma garrafa que deverá ser aberta somente quando completarem 50 anos, nesse momento nenhuma das garrafas terá menos de 30 anos, com a obrigatoriedade de a compartilhar com os irmãos. Aí tem uma garrafa para aniversários de casamento, outra para quando completar sessenta anos, outra para setenta, e por aí vai, desculpas/razões é que não faltam para celebrar.

           Pois bem, apesar de diversas casas produtoras declararem vintage num determinado ano, porque sua produção especifica alcançou os padrões mínimos de qualidade exigido pelo IVDP, o ano somente será declarado clássico quando a grande maioria das casas atinge esse patamar e o Instituto assim o declare. Costumam existir de dois a três anos clássicos por década e nesta já tivemos em 2000, 2003 e agora 2007. O Ano Vintage de 2007 tem algumas  peculiaridades que o tornam especial e potencialmente o melhor da década até agora, provavelmente semelhante em qualidade ao fantástico ano de 1994. A principio, este é o ano da elegância, de taninos mais prontos e aveludados, riqueza de sabores e equilíbrio com enorme frescor. Foi isso que fomos comprovar nesta excelente prova de 29 Vinhos do Porto Vintage 2007. A primeira degustação deste porte a ser realizada fora de Portugal para este Vintage, uma honra estar presente nessa degustação.

           É, essa taça aí em cima é de um dos meus preferidos da degustação, o Fonseca Vintage 2007. Mas não foi só ele que possuía essa cor retinta, púrpura que literalmente tingia a taça. Por sua tenra idade e ausência de decantação não foram vinhos de grande intensidade aromática, exceção a uns dois ou três, sendo na boca que mostraram seu enorme potencial. Provamos; Burmester, Churchill, Cockburn’s, Companhia Velha, Dalva, Dow’s, Duorum, Ferreira, Fonseca, Graham’s, Kopke, Messias, Niepoort, Poças, Quevedo, Quinta da Pedra Alta, Quinta da Romaneira, Quinta das Tecedeiras, Quinta do Crasto, Quinta do Noval, Quinta de Noval Silval, Quinta do Portal, Quinta do Vale D. Maria, Quinta do Vesúvio, Quinta Nova de Nossa Sra. do Carmo, Rozés, Taylor’s, Vallegre e Warre’s.

          De todos estes bons Portos Vintage e ao meu palato, dez se sobressairam, me encantaram e mexeram com minhas emoções dando-me grande satisfação e prazer e, na minha humilde opinião, aqueles rótulos que os amigos colecionadores e apreciadores destas preciosidades devam colocar em seu “wish list”, todos grandes vinhos com enorme capacidade de guarda. São eles, por ordem de preferência; Quinta do Vesúvio,  Fonseca, Graham’s, Quinta do Noval, Warre’s, Cockburn, Taylor’s, Churchill, Dow’s e Quinta da Romaneira. Todos maravilhosos, mas os primeiros três, no entanto, me arrebataram e seduziram, deixando-me com uma vontade danada de fazer algumas adições a minha coleção, somente precisando de encontrar alguma desculpa, o que não é difícil já que agora começo a chegar no estágio dos netos! Três vinhos excepcionais, todos absolutamente retintos na cor, sobre os quais tentarei tecer alguns comentários, apesar da dificuldade que é tentar colocar emoções no papel.

  • Graham’s, daqueles vinhos que ficarão na história e os que tiverem o privilégio de abrir uma garrafa dessas daqui a quinze, vinte ou trinta anos certamente o tomarão de joelhos. Púrpura, denso e carnoso, equilibrado, muito frutado, taninos redondos e finos, complexo e muito rico em boca com um final interminável.  Nariz frutado, especiarias com nuances florais sutis mostrando a presença de um bom volume de Touriga Nacional no blend. Delicioso, ótima acidez e textura um vinho que espero rever dentro de 18 anos. Porquê dezoito? Porque precisarei comemorar os 18 anos de meu neto, ué!
  • Fonseca, talvez o vinho que mais me tenha surpreendido nessa prova. Tradicionalmente, pelo menos os que já provei e confesso que não sou nenhum Cabral, os vinhos do porto da Fonseca tendem a ser extremamente encorpados, robustos e duros, especialmente na sua juventude. Pois não foi nada disso que encontrei, muito pelo contrário, um vinho de grande estrutura sim, porém delicado, sedoso e cremoso, fruta em compota, algo de capuccino e menta num conjunto muito complexo no palato. No olfato fruta escura, fechado, pedindo tempo. Arrebatador e certamente será com ele que comemorarei os 18 de meu segundo neto que sequer foi concebido ainda!
  • Quinta do Vesúvio, o mais pronto deles todos e o que melhor transmite todas as carcteristicas da safra. Não sei se terá a mesma longevidade dos outros dois acima ou até de vinhos como Dow’s, Quinta do Noval e Warre’s por exemplo, mas está excepcional no momento e foi o que mais me seduziu. Fruta negra madura em abundância, licor de ginjas com nuances florais de violeta compõem uma intrigante paleta olfativa que nos chama á taça. Na boca sente-se bem a presença de taninos doces, ótima acidez que lhe dá um frescor muito especial, equilíbrio, harmonia, concentrado, taninos finos, macios e sedosos num corpo de boa estrutura, enorme riqueza de sabores com um final longo e algo terroso. Um gentleman, um lorde de fraque e cartola para ser apreciado desde já, mas que deverá estar ainda melhor quando o abrir daqui a dezessete anos nas minhas, inshala, bodas de ouro!

           Bem, como viram, razões para celebrar não faltam e sua criatividade certamente encontrará diversas outras e pessoais razões para o levar a comprar uma destas garrafas que, por lá, valem entre 45 a 55 Euros o que, convenhamos, não é nenhuma fortuna para o produto. Grato ao Carlos Soares do IVDP, à Fernanda Fonseca a organizadora do evento, ao pessoal da Aicep, do consulado, realmente um momento único em minha curta, porém intensa, vida de enófilo comentarista das delicias que tornam esta vinosfera um lugar muito especial para se habitar.

Salute e kanimambo.

Casa Silva visita a Assemblage Vinhos

        Tenho que confessar que nunca senti muita atração pelos vinhos da Casa Silva, produtor chileno, que tem como seu enólogo principal o Mario Geisse, maestro de alguns dos melhores espumantes brasileiros. Quando isso acontece gosto de conferir porque muitas vezes tendemos a generalizar situações baseado em alguma má experiência e já fazia tempo que não tomava estes vinhos. Tenho que confessar que me surpreendi e revi posição.

Chilean Vineyards

       A Casa Silva é uma empresa familiar com raízes na produção de vinhos datando do século XIX com três vinhedos; Em Los Lingues de onde vem a Carmenére, a Cabernet Sauvignon e Petit Verdot; Em Angostura de onde vem a Chardonnay e Sauvignon Gris e Loloi de onde vem a Sauvignon Blanc, Syrah e Viognier. Provamos alguns vinhos de sua linha Collecíon (20% do lote passa por madeira), Reserva ( 50% do lote passa por madeira) e Gran Reserva (de 80 a 100% passam por madeira).

Chardonnay 2009 em que somente uns 10% passam por madeira – Claro, translucido, nariz tímido de boa tipicidade com abacaxi, maçã verde e nuances algo florais. Suave, fresco, acidez rasgante ainda por equilibrar já que fazia pouco tempo do engarrafamento, persistência muito boa, mas algo quente em função do alto teor de álcool para um vinho branco. Bom e saboroso, para tomar em 2010 quando deverá estar mais balanceado, acompanhando comida. Seus 14% de teor alcoólico me incomodaram um pouco.

Collecíon Carmenére 2008 – Rubi intenso, resinoso com notas herbáceas e algo de pimentão que gritam, soy chileno! Taninos sedosos, macio, leve para médio corpo, mesmo não sendo uma cepa pela qual morra de amores, este é bastante agradável, mesmo que não seja um blockbuster, mas também não é esse seu intuito.

Cabernet Sauvignon Reserva 2007 – 50% do lote passa por 8 meses em barrica, mas a madeira está bem integrada, ressaltado as virtudes da uva, não encobrindo-a. Frutado, algo terroso, textura sedosa, taninos aveludados, boa acidez, saboroso com um final de boa persistência com notas suaves de mentol.

Casa Silva - Assemblage 001

Los Lingues Carmenére Gran Reserva 06 – Fruta madura e toques herbáceos sutis ao olfato, convidam a levar a taça à boca. Com onze meses de barrica, o vinho possui uma complexidade vibrante no palato, taninos finos, macio, redondo, boa acidez em equilíbrio total com os taninos, um carmenére para até os críticos desta cepa se dobrarem. Eu me dobrei, é um belo vinho, digno de ter na adega, tendo subido alguns degraus nesta degustação.

Los Lingues Gran Reserva Petit Verdot 2006 – Não subimos degraus com este vinho, pulamos! Estupendo é a palavra que me vem à mente quando penso nele e, especialmente, enquanto ele dançava em minha boca. Olfato algo tímido com alguma fruta, nuances terrosas e toques florais que não chegam a encantar, sendo no palato que ele mostra todo o seu valor, um tremendo vinho de muita personalidade que seduz e encanta facilmente os amantes do vinho conseguindo aliar potência com grande elegância, compondo um conjunto harmônico, muito rico e delicioso. Interessante ver como alguns produtores do novo mundo estão conseguindo domar esta cepa que costuma ser bastante tânica. Este Los Lingues mostra muito estrutura, encorpado, equilibrado, denso, porém de tanino finos e redondo podendo ser tomado agora com muito gosto, mas que certamente melhorará muito com um bom par de anos de garrafa. Um grande vinho que me surpreendeu muito positivamente.                                                                                      

Assemblage 003Muito grato ao Marcel e Bete pelo gentil convite e a casa cheia mostrou bem o interesse da clientela por estes vinhos tão bem apresentados pelo Lucas  Cordeiro representando o importador, Vinhos do Mundo. Uma noite muito agradável que mais uma vez me fez ver que em nossa vinosfera, nada como um dia depois do outro. Mudam os vinhos, mudamos nós, uma verdadeira “metamorfose ambulante”, que bom!

Salute e kanimambo.