Países & Produtos

Divindades Ibéricas

         Todo o ano publico uma lista de minhas Divindades que assumem um lugar entre os doze Deuses do Olimpo. Estamos longe do final do ano, porém alguns rótulos já mostraram que dificilmente deixarão de estar lá, entre eles o Champagne Mailly Blanc de Noir de que falei ontem, pois deixaram marcas que dificilmente serão esquecidas sendo, assim, vinhos de excecção, vinhos de enorme persistência na memória. Para se candidatar a entrar no Olimpo, o vinho necessita; ou de ser um grande vinho ou de despertar grandes emoções ou, melhor ainda, ser uma conjugação dos dois.

          Desta feita vou inumerar dois vinhos muito especiais; o primeiro português e uma raridade difícil de encontrar no mercado e certamente indisponível por aqui, e o segundo um Espanhol raro por estas bandas já que sua produção está sempre vendida com muita antecedência e a Peninsula conseguiu trazer algumas caixas este ano.

Tapada do Chaves – três blogueiros, 11 espumantes e para finalizar, dois belos vinhos, um deles inesquecível tendo ofuscado o também muito bom e mais “jovem”  Portalegre 1992 da Cooperativa desta região no Alentejo, terra do amigo João Pedro, foi o Tapada do Chaves Frangoneiro Reserva 1986, um Clássico Alentejano elaborado com Trincadeira, Grand Noir (baga?) e Castelão. Os parceiros de copo, gajos fixes e de grande gabarito enófilo, só engrandeceram este momento que espero não venha a ser único. Como falar sobre este vinho absolutamente inebriante? Gosto de vinho “velho” e, mesmo este já se achando numa trajetória declinante, mostrou muita elegância como um culto gentleman já de certa idade seduzindo-nos com suas estórias e experiências de vida. Ainda bem vivo apesar da idade, frutado, acidez presente e equilibrada, algo balsâmico na boca, aromas apaixonantes e convidativos, humos e tabaco bem presentes mostrando bem o terroir, enfim, uma dose tripla de êxtase engarrafada! Mais nariz que boca, mas daqueles vinhos absolutamente inesquecíveis e marcantes que nos encantam e seduzem de uma forma tal que perdemos o rumo. Da mesma forma que o Rui se agarrou aquela garrafa de Millésime da Miolo, eu me agarrei nesta, divino! Um vinho que vem demonstrar a grande capacidade de guarda de alguns vinhos do Alentejo, apesar do João ter nos confidenciado que uma outra garrafa aberta tinha ido direto para o ralo! Dizem que as novas safras estão longe dos vinhos que se faziam antes de 2000, não sei se é vero pois não conheço bem este afamado produtor, mas que eu não deixaria umas velhinhas dessas na prateleira, lá isso garanto que não! 

Carraovejas Crianza 2006 – trazido pelo Juan (Peninsula) numa visita que me fez aqui na Granja Viana para conhecer a Vino & Sapore, chegou fora de temperatura e fora de forma à mesa. Os vinhos deste produtor são cobiçados pelo mundo afora e há anos que o Juan e Javier buscavam trazer seus rótulos. Desta feita, devido á crise de 2009, conseguiram algumas caixas de dois rótulos, o Reserva já esgotado e este Crianza que certamente terá lugar de destaque em minha Seleção Especial do Enófilo (um canto com divindades que pretendo ter na loja). Pois bem, foi este vinho o protagonista do almoço, onde a comida do Ney (Pattio Viana, um marco do bairro), mesmo que boa, ficou em segundo plano sendo coadjuvante para um vinho que desabrochou quando atingiu a temperatura ideal. Café, chocolate, baunilha, couro, a complexidade é enorme tanto no olfato como no palato onde ele faz a festa. Bom volume de boca, taninos firmes porém de grande elegância, quase sedoso mostrando um grande equilíbrio, frutado com um final algo especiado, vibrante e rico, algum defumado, um vinho que encheu a taça e alma de alegria. Muito bom vinho, pronto agora mas que deve crescer muito com mais uns dois a três anos de guarda. Foto fraquinha, não fazendo jus ao vinho, feita com o celular.

Salute e kanimambo.

Champagne Mailly Grand Cru Blanc de Noir, Exuberante!

                 Eis aqui um espumante digno do meu pequeno Bruno. Nesta Domingo de Páscoa, iniciamos nosso almoço com um brinde especial a meu neto, á felicidade, á saúde e união da família abrindo uma garrafa que minha querida Karina me trouxe de Paris especialmente para este momento. Gente, existem vinhos que são realmente difíceis de serem descritos devido sua exuberância e impacto sobre nossas pupilas gustativas e este é um caso, um espumante que nos deixa sem palavras, literalmente boquiabertos enquanto nos deixamos levar pelo êxtase gustativo que mexe com nossas emoções. Champagne Mailly Grand Cru Blanc de Noir, elaborado com 100% de uvas Pinot Noir deste que é um dos únicos 17 Grand Crus da região de Champagne que espero, um dia, poder visitar.

Nariz que já desnuda o elixir que está por vir, não com estardalhaço, mas sim com sutileza e grande elegância deixando transparecer leves nuances florais, um brioche muito suave e um toque cítrico formando uma paleta olfativa complexa e de boa intensidade. Na boca segue o mesmo padrão mostrando-se de uma harmonia ímpar em que o todo é mais importante que as partes enchendo-nos de prazer e êxtase ao sorver o primeiro gole deste verdadeiro néctar abençoado pelos deuses. Frutado ( pêssego/nectarina) uma perlage muito fina e abundante que não termina nunca nem na taça nem na boca, cremoso, fino, muito looooongo e mineral! Já tinha gostado muito do Brut Reserve, mas este que pelo que sei o importador não traz, é excepcional e já é um de meus candidatos a tomar um lugar na minha lista anual de Deuses do Olimpo.

                Soberbo, delicado, sedutor e arrebatador, um espumante que quem tomou não esquece. Afora o incrível Comtes de Champagne 98 da Taittinger, de longe o melhor espumante que já tomei. Na Europa, o Mailly Blanc de Noir custa em torno de 30 a 40 euros, imperdível e um tremendo achado. Quem for a Paris não esqueça do Vô aqui!!!

Salute e kanimambo

Encontro de Brasileiros na Rosso Bianco.

A bonita e boa loja capitaneada pelo Tiago fica situada em Jundiaí onde nos encontramos com o amigo Marcio Marson e equipe da Eivin para provar alguns dos rótulos brasileiros que hoje distribui.  Uma bela experiência que contou com a presença dos amigos blogueiros Cristiano (Vivendo Vinhos), Daniel (Vinhos de Corte), Alexandre (Diario de Baco), Beto (Nosso Vinho), Marcelo ( Emporio Vila Buarque), Jeriel (blog do Jeriel) e Guilherme Grando da vinícola Villaggio Grando e um convidado especial, Eduardo Milan, enófilo que, para minha agradável surpresa é granjeiro também. Tanto o Marcio como o Alexandre, trouxeram algumas novidades e preciosidades que tornaram este encontro muito especial.

              Vejam só o que estava sobre a mesa: Para iniciar os “trabalhos’ dois bons espumantes nacionais, o Marson Brut Champenoise e o Stellato Rosé. Na sequência, Villaggio Grando Chardonnay, Cordilheira de Sant’Ana Gewurztraminer Reserva Especial, Prelúdio da Vinha Solo, Corte Bordalês C de Vilmar Bettu, Terragnolo Marselan, e direto da barrica, Villaggio Grando Innominabile Lote IV e  Além Mar. Eis os meus comentários sobre os vinhos provados:

MARSON Brut Champenoise – já uma velha conhecida minha e um dos bons espumantes nacionais do momento fruto do blend de Chardonnay com Pinot Noir e uso de leveduras capsuladas. Frutos tropicais, brioche aparecendo de forma muito sutil, boa perlage, acidez balanceada, um espumante que me agrada e não é de hoje. Deu-se muito bem no meu Grande Desafio de Espumantes no final do ano passado, uma prova às cegas com 42 espumantes das mais diversas origens e estilos, um baita desafio sensorial não muito do agrado dos mais tradicionalistas. 

STELLATO Rosé da vinícola Santo Emilio em Santa Catarina, a 1200 metros de altitude. Um rosé diferenciado em função do uso de Cabernet Sauvignon e Merlot em sua composição.  Charmat longo com sur lie de 3 meses e uma fermentação malolática parcial, dão-lhe grande complexidade aromática que se repete na boca. Uma fruta mais madura que aparece de forma muito sutil, fino, elegante, ótima acidez, toques de fermento, um vinho todo ele muito delicado, fresco e apetecível com um volume de boca muito interessante em relação a outros espumantes rosés que costumam ser algo mais ligeiros. Já tinha chamado atenção para ele quando da Expovinis 2009, mas o preço ……..

Villaggio Grando Chardonnay 2008 sem passagem por madeira e produzido em Campos de Herciliópolis na região de Caçador a 1300 metros de altitude em Santa Catarina. A Villaggio Grando, quem me acompanha há mais tempo sabe que sou fã desta vinícola, produziu cerca de 12.000 garrafas deste gostoso caldo que tem o meu estilo de chardonnay, um vinho leve, fresco, rico com uma certa mineralidade sem perder o charme da cepa que, mais que nunca por não estar mascarada por trás dos excessos de madeira, mostra-se em toda a sua plenitude. Fino, cheio de sutilezas, leve toque de abacaxi e baunilha que pode levar a pensar em uso de madeira, flor de laranjeira, boa acidez e um final muito saboroso.

Cordilheira de Sant’ana Gewurztraminer Reserva Especial 2008, um clássico desta cepa em terras brasilis, com somente umas 3.300 garrafas produzidas. Para o meu gosto o vinho precisa de mais tempo de garrafa, mostrando-se algo curto e verde, seco, com um final algo abrupto e um nariz muito convidativo mostrando toda a tipicidade da uva.

Prelúdio 2007 da Vinha Solo, fruto do novo projeto de Marco Daniele em Campos de Cima da Serra, o primeiro dos bons tintos provados neste agradável noite na companhia de tanta gente boa. Blend de merlot, cabernet sauvignon e cabernet franc, um prato cheio para quem gosta dos vinhos do velho mundo, estilo Bordeaux da margem direita. Nariz complexo, intenso, terroso, couro e fruta vermelha bem presentes formando uma paleta olfativa inebriante. No palato não reproduz a mesma exuberância, porém mostra-se um vinho muito agradável de tomar , médio-corpo com  bom volume, taninos bem colocados, finos e aveludados, acidez no ponto produzindo um bom equilíbrio, com um final de boa persistência e muito saboroso. Um vinho que me seduziu e fez minha cabeça com um valor adicional, bom preço!

Corte Bordalês C 2001, produzido pelo “garagista” Vilmar Bettú, pequeno artesão do vinho que produz alguns dos vinhos mais caros e mais exclusivos do Brasil, tendo virado ícone para muitos dos críticos e especialistas do vinho. Desta feita estamos frente a frente com um caldo de reduzida produção, somente 580 garrafas envelhecidas em “madeira velha” por 13 meses. Um vinho que, após 9 anos, ainda se mostra bem robusto com taninos firmes e até algo rústicos. No palato é tímido abrindo-se lentamente em taça e, apesar da idade, um vinho que certamente se beneficiaria muito de um tempo de decantação. Na boca, tenho que confessar e pode até ser uma heresia, não me encantou. Esperava mais, pois as expectativas geradas eram muito grandes, porém senti alguma coisa verde e vegetal no final de boca que me incomodou. Não lhe tiro qualidades, muito pelo contrário, porém eu e ele necessitamos de outra conversinha tete a tete e em outro ambiente e devidamente decantado por pelo menos uma hora .

Terragnolo Marselan 2009 – uma amostra de barrica (12 meses de carvalho francês) e mais um vinho de pequena produção, neste caso 400 garrafas. Surpreendente e imagino como ele deverá ficar quando sair ao mercado dentro de mais uma meia dúzia de meses! Tinha como parâmetro desta cepa, o vinho 4º Geração, porém depois deste vinho fica claro que tinha porque a Terragnolo subiu o nível em diversos degraus. Nariz muito agradável em que se destaca a fruta fresca e, apesar dos taninos ainda muito presentes, mostrou grandes qualidades sendo muito rico, saboroso, ótima estrutura já mostrando um bom equilíbrio, aliando corpo com elegância, que deverá se acentuar com o tempo. Um vinho que deve chegar para chacoalhar o mercado! De tirar o chapéu, só precisamos ver a que preço virá já que a produção é muito limitada.

Villaggio Grando Inominabile Lote IV – ainda tenho que provar o Lote III que está na adega, mas sou fã deste vinho e não é de agora, já que desde Novembro de 2008 que nossos caminhos se encontram. É um vinho diferenciado tanto em sua elaboração como conceito e origem já que vem de cerca de 1300 metros de altitude próximo a Caçador na serra catarinense, um dos locais mais frios do Brasil com um terroir muito particular que se reflete em seus vinhos. Os Lotes I e II primavam pela elegância, o que este também tem, porém talvez lhe faltasse um pouco de pegada. A um assemblage de Cabernet Sauvignon / Cabernet Franc / Merlot / Malbec e Pinot Noir, agora agregaram um pouco de Petit Verdot que lhe aporta corpo e uma complexidade adicional, de certa forma preenchendo uma lacuna e tornando-o mais completo, mais harmônico e um vinho que promete, lembrando que esta foi uma prova de barril, pois o vinho ainda não foi engarrafado. No mercado está o Lote III, que já leva Petit Verdot, o qual comentarei assim que o tomar, mas este apresentou um ótimo volume de boca, os taninos presentes ainda algo verdes, mas já denotando muita qualidade, complexo, rico e um final de muito boa persistência. Um vinho do velho mundo e certamente mais um que surpreenderia o meu amigo Rui Miguel (Pingas no Copo) blogueiro de primeira linha na vinosfera lusa. Eu, que já gostava do vinho, desta feita me seduzi pelo caldo e acho que o vinho apresenta enorme potencial que só o tempo nos poderá confirmar, eu aposto nisso!

Além Mar da Villaggio Grando – apenas 8000 litros produzidos em conjunto com o conceituado enólogo português António Saramago e o enólogo da casa o francês Jean Pierre Rosier. Barricas de primeiro uso francesas, um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec que, dentro de alguns anos será só de castas portuguesas ainda em processo de evolução na vinha. Mais uma amostra de barrica que vai dar o que falar quando sair ao mercado. Vinho encorpado, cheio, de ótima estrutura, boa acidez, de certo um ótimo companheiro da boa gastronomia. Gosto dos vinhos deste produtor. Têm um estilo que combina comigo, e este é mais um que virá para marcar presença. Uma pena que apesar dos esforços deles, o maior mercado consumidor de vinhos no Brasil (São Paulo) lhes seja vetado por uma carga tributária absurda imposta por nosso governo estadual que caminha num sentido contrário ao de Santa Catarina que baixou impostos. Teimosamente seguimos tentando e a Eivin é um parceiro importante nesse projeto. Grato aos dois pelo privilégio de provar esses ótimos caldos.

              No geral, uma excelente oportunidade de rever amigos e nos deleitarmos com vinhos de muito boa qualidade que só vêm confirmar a excelente fase que vive a produção brasileira. Houvesse mais bom senso na órbita governamental (Estado de São Paulo e Governo Federal) com a redução de impostos e favorecimento tributário aos estados produtores, nada de compensar aumentando dos importados ou promovendo absurdos como a lei do selo que só prejudicam o consumidor, assim como um maior acerto na distribuição e políticas comerciais que em geral ainda deixam a desejar, e certamente teríamos um cenário bem mais propicio ao maior consumo e continuo aprimoramento do vinho brasileiro. Quem sabe ainda viverei para ver isso acontecer!

Salute e kanimambo

Melhores Vinhos Portugueses de 2009

Tinha uma previsão de publicar hoje um relato sobre uma saborosa e surpreendente degustação com vinhos nacionais que fizemos em Jundiaí, mas não consegui terminar a tempo, então decidi postar esta matéria que também andava atrasada. Cada um tem lá seus vinhos preferidos dependendo dos rótulos que provou no ano., neste caso a Vini Portugal junto com a  APWI (Association of Portuguese Wine Importers – UK) promove anualmente no Reino Unido a escolha de um jornalista/wine writer que tenha se destacado na divulgação dos vinhos portugueses. Já tivemos os jornalistas Richard Mayson, Charles Metcalfe, Simon Woods e Jamie Goode (08), tendo no ano passado sido eleita a wine writer Sarah Ahmed que passou seis semanas viajando as regiões produtoras (50 vinícolas) provando vinhos, tendo chegado nesta “listinha” de preciosidades. Essa, até eu que sou mais bobo queria!

           Abaixo, a lista dos vinhos divididos por região produtora, sendo que coloquei um asterisco naqueles que você poderá comprar (a partir de Junho) na minha loja na Granja Viana, tenho que aproveitar para fazer meu merchandising (rs), a Vino & Sapore.

SARAH AHMED’S 50 GREAT PORTUGUESE WINES 2009

OS BRANCOS:

LISBOA

  •  Quinta do Chocapalha Arinto 2008 100% Arinto, DOC Bucelas.

 VINHO VERDE/MINHO

  •  Quinta de Ameal Loureiro 2008 100% Loureiro* 
  •  Anselmo Mendes Contacto Alvarinho 2008 100% Alvarinho
  • Atlantico Quinta do Louridal Poema Alvarinho 2007 100%
  • Castas Soalheiro Primeiras Vinhas Alvarinho 2008 100%*

TEJO

  • Vale d’Algares Seleccion,  Viognier (55%) and Alvarinho (45%).

BAIRRADA

  • Quinta das Bágeiras Vinho Branco Garrafeira 2007, Maria Gomes & Bical

BEIRA INTERIOR

  • Quinta do Cardo Siria 2008, 100% Siria
  • Quinta dos Currais Colheita Seleccionado 2007, 50% Fonte Cal, 25% Siria, 25% Arinto

DAO

  • Quinta de Saes Reserva Branco 2008, 80% Encruzado 20% Cercial.

DOURO

  • Poeira Pó de Poeira Branco 2008 65% Alvarinho, 35% Gouveio.
  • Niepoort Reserva Redoma Branco 2008 Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho and Arinto.

ALENTEJO

  • J. Portugal Ramos Vila Santa Branco 2008, Antão Vaz, Arinto & Verdelho
  • Pera Manca White 2007, Antão Vaz & Arinto*

OS TINTOS:

COLARES

  • Quinta das Vinhas de Areia Fundação Oriente Ramisco 2005, 100% Ramisco

 ALGARVE

  • Monte da Casteleja Maria Selection 2007, Alfrocheiro & Bastardo

LISBOA

  • Monte d’Oiro Reserva 2006, 96% Syrah & 4% Viognier *

BEIRA INTERIOR

  • Quinta dos Currais Reserva 2003 50% Touriga Nacional, 25% Aragonês and 25% Castelao.

BEIRAS

  • Filipa Pato Lokal Silex 2008, 75% Touriga Nacional & 25% Alfrocheiro Preto*
  • Luis Pato Vinha Barrosa 2005, 100% Baga*.

BAIRRADA

  • Dāo Sul Encontro 1 2007, 50% Baga, 50% Touriga Nacional
  • Quinta da Dona Bairrada 2004 100% Baga

 DÃO

  •  Quinta da Falorca Touriga Nacional 2007, 100% Touriga Nacional
  •  Quinta de Cabriz Colheita Seleccionada 2007, Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional.*
  • Quinta da Pellada Tinto Reserva 2006, Touriga Nacional, Tinta Pinheira, Jaen & Alfrocheiro
  •  Vinha Paz Reserva 2005, 80% Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro
  •  Quinta dos Roques Garrafeira 2003, Touriga Nacional 65%, Alfrocheiro 15%, Tinto Cão 10% e Tinta Roriz 10%.

 DOURO

  • Quinta de S Jose Colheita 2007 35-40% Touriga Franca, 30-35% Touriga Nacional e Tinta Roriz
  • CARM Quinta do Côa 2007, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e outras variedades locais.
  • Quinta do Noval Cedro do Noval 2007 30% cada; Syrah, Touriga Nacional e Tinta Franca com 10% de Tinta Roriz
  •  Quinta do Noval Labrador 2007 100% Syrah
  • Niepoort Redoma 2007, vinhas velhas do Douro entre elas  Tinta Amarela, Touriga Franca, Tinta Roriz .
  • Lemos & Van Zeller Curriculum Vitae “C.V” 2007, vinhas velhas durienses*.
  • Quinta do Crasto Vinha de Ponte 2007, vinhas velhas (22 castas plantadas juntas).
  • Quinta Macedos Pinga do Torto 2005, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz afora um mix de vinhas velhas
  • Domingos  Alves de Sousa Abandonado Tinto 2005, de vinhas velhas.
  • Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2004
  • Quinta do Vale Dona Maria 2004 vinhas velhas de Cristiano van Zeller*.

ALENTEJO

  • Herdade dos Grous 23 Barricas 2008, Touriga Nacional & Syrah
  •  Terrenus Tinto 2007, vinhas velhas com mais de 80 anos, entre elas cepas como Aragones, Trincadeira, Alicante Bouschet, Castelao, Baga  e Touriga Nacional.
  •  Herdade de São Miguel dos Descobridores Reserva 2007, 70% Touriga Franca, 30% Aragonês.
  • Herdade do Esporão Private Selection Garrafeira tinto 2007, Alicante Bouschet e Aragones.
  •  Herdade do Rocim Grande Rocim 2007, 90% Alicante Bouschet, 10% Touriga Nacional.
  • Herdade da Malhadinha Nova Malhadinha Tinto 2007, Syrah, Cabernet Sauvignon, Aragonês, Touriga Nacional e Alicante Bouschet.
  • Herdade de Mouchão Tonel 3-4 2005, 100% Alicante Bouschet
  • Quinta do Zambujeiro 2004, 48 % Touriga Nacional, 24% Aragonez, 24% Alicante Bouschet, 4% Castelao.
  •  Quinta do Mouro 2004, Aragonês 50%, Alicante Bouschet 25%, Touriga Nacional 20% e 5% Cabernet Sauvignon.

 VINHOS DOCES:

  • Quinta do Portal Late Harvest 2007, Moscatel 45%,Rabigato 50%, Viosinho
  • Quinta da Bacalhoa Moscatel de Setúbal Roxo 1999, 100% Moscatel Roxo .*

E você, tem sua lista de favoritos? Quais vinhos, já tomados, você levaria para duas semanas numa ilha gourmet? Lusos ou não, sua livre escolha!

Salute e kanimambo.

Novidades da Quinta Mendes Pereira

Aproveitando minha ida à SISAB 2010, fora as visitas, garimpos e descobertas  na feira, ainda tive o enorme prazer de sair para jantar com os amigos Raquel e Carlos da Quinta Mendes Pereira vinícola que vem se destacando no Dão, tendo já sido alvo de diversos comentários meus e muito recentemente foi destaque na Revista de Vinhos onde foi agraciada com o titulo de Melhores de 2009 da região. Vale a pena acompanhar esta outra matéria feita pela revista mostrando em detalhes esta vinícola que desponta na região e que tem sangue brasileiro tocando a obra.

É uma produtora que produz vinhos num estilo de que gosto; complexos, médio-corpo para encorpados, elegantes, ricos, de taninos aveludados e muito saborosos dando-nos enorme prazer de tomar. Tive a oportunidade de provar dois novos vinhos e rever um outro. Revi o Rosé de Touriga Nacional, que é realmente um vinho muito fresco e saboroso que convida à próxima taça, um ótimo aperitivo ou pode acompanhar lulas ou polvo à provençal ou até uma paella. O Escolha da Produtora 2006, tem tudo a ver com o nome escolhido,  mostrando-se um vinho muito fino de taninos macios e sedosos, absolutamente pronto mas que pode, e deve, evoluir mais ainda com mais uns dois anos de garrafa, um vinho feminino no seu jeito delicado e sutil de ser. Já o Reserva 2007, uma amostra  do que ainda será engarrafado e preparem-se, porque vem aí mais um estupendo vinho. Apesar de a Raquel me ter dito que este só será engarrafado e colocado no mercado a partir do ano que vem, é um caldo que já mostra grandes predicados e que, por mim, podia vir para o mercado já.

Não tomei notas nem fotografei deixando-me tomar pelo prazer de rever amigos e desfrutar de uma boa refeição tomando bons vinhos, mas cada vez que provo os caldos desta produtora, mais me enamoro por seus vinhos. Kanimambo amigos por um ótimo jantar e minhas desculpas por não ter podido retribuir nesta semana passada em função da forte gripe que me pegou e derrubou! Fico devendo e pago na próxima vinda de vocês a Sampa (rs).

Salute e kanimambo

Finalizando a Cobertura da SISAB 2010

Cheguei ao fim de mais uma viagem exploratória, desta feita em terras lusas, tendo navegado por três dias na  SISAB 2010 e por uma Lisboa que poucos conhecem. Uma Lisboa mais moderna nascida de uma grande área degradada, mostrando que onde há vontade há soluções, mesmo que tenha sido necessária a Expo 1998 para que isso tivesse ocorrido. Quem sabe, sempre há esperanças apesar dos sinais contrários, Rio 2016 não poderá ter o mesmo resultado?!

           Falemos, no entanto, dos últimos momentos deste importante e bem sucedido evento eno/agro-alimentar de promoção dos produtos portugueses da área. Certamente muita coisa interessante que deveria merecer mais importância e forte presença do empresariado brasileiro do setor já que somos berço para a maior colonia de imigrantes portugueses e seus descendentes . Por outro lado, fica o alerta aos órgãos promocionais portugueses e ao secretário de estado encarregado deste importante setor da economia portuguesa, para que se empenhem na derrubada das barreiras sanitárias impostas pelo governo brasileiro e que funcionam, na verdade, como artimanhas tarifárias para coibir as importações. Reclamações foram generalizadas tanto dos exportadores portugueses quanto dos importadores contatados aqui.  Tivessem as autoridades brasileiras “tamanho zelo” pelo doméstico, talvez não víssemos e vivenciássemos as aberrações que por cá  acontecem, mas enfim, isso é papo para um escalão bem mais alto e num outro espaço.

          ENOPORT  é um grupo que cresce em área produtiva, distribuição  e comercialização de vinhos pelo mundo e em Portugal onde, por exemplo, distribuem os excelentes Vinhos da Madeira Henrique & Henrique’s. O grupo nasce da união de diversas vinícolas como a Adega Camillo Alves, Caves Don Teodósio, Caves velhas, Caves Moura Bastos, Cavipor e Caves Acácio. Uma empresa jovem (2005),  porém com uma enorme experiência advinda de seus associados e marcas com história, algumas delas bem conhecidas entre nós como os vinhos verdes Moura Bastos, Cabeça de Toiro, Casaleiro, Cardeal e Vinhos do Porto Borges, todos um pouco mais populares na linha de entrada de gama. Agora chega, informação fresca, pelas mãos da Domno (do grupo Valduga e produtor em Garibaldi dos bons espumantes Ponto Nero) com uma série de novos rótulos inclusive os; Romeira, Devessa, Alma Grande e Magna Carta entre outros. Ainda procura um importador para sua linha topo de gama, Quintas. Para buscar uma melhor presença no mercado, estarão deslocando o Pedro Dias para residir por aqui e ajudar em seu processo de crescimento. Seja bem-vindo Pedro.

            Junto com seu enólogo chefe, Osvaldo Amado que fala com paixão sobre seus vinhos e seu trabalho, provei alguns vinhos à base da casta branca Arinto, tendo verificado as artes deste enólogo com esta cepa. Do básico, gostei bastante do Serradayres um vinho simples, mas bem feito, fácil de gostar e uma boa opção como aperitivo sem grandes compromissos. Já o Bucelas Arinto mostra-se bem mais evoluído com aromas de erva cidreira, lima que se comprova na boca com muito boa acidez, final saboroso e sedutor. O Quinta do Boição Arinto Old Vineyard 2008 engarrafado em 2009, elaborado com cepas de vinhedos com mais de 40 anos e uma produção de apenas 1.5 toneladas por hectare, é um capitulo à parte e um grande vinho branco de muita complexidade, frutas tropicais, lima, um vinho muito harmônico que respira elegância. Um bom espumante, o Bucelas Bruto Reserva de boa perlage, bem cítrico com uma delicada e saborosa entrada de boca.

         Para finalizar esta experiência com vinhos de Arinto, um estupendo Quinta do Boição Cuvée Extra Bruto 2006, um blend com cepas de parcelas diferentes com parte do lote passando por um curto período de barrica de meia tosta resultando num espumante complexo, fino, boa acidez cítrica com notas de fermento, padaria tudo bastante sutil num caldo de bom volume de boca que impressiona pela qualidade e fineza. Acho que é páreo para os mais afamados espumantes portugueses do momento. Como disse o Osvaldo, “busco fazer o mais “champagne” dos espumantes portugueses” e acho que encontrou o caminho. Muito saboroso também o vinho Quinta do Boição Licoroso elaborado com esta cepa, mostrando toda a sua verstilidade e riqueza. Um vinho que passa no minímo 3 anos em barricas de carvalho, nogueira e cerejeira com um teor de açucar residual na casa das 150 grs e uma boa acidez para lhe dar o necessáro equilibrio. Boca doce, sem exageros, em que aparece doce de laranja confitada e frutos secos numa composição bastante agradável. Uma aula prática sobre a Arinto!

              Bem, os melhores momentos estão todos nestes posts “SISAB 2010”,  tendo sido um privilégio ter podido participar deste evento agradecendo à direção pelo convite e apoio. Bobeei ao não ter dedicado um tempo para conhecer melhor as coisas dos Açores, seus vinhos e seus queijos, mas isso eu pretendo corrigir numa próxima oportunidade.  Achei legal uma releitura do famoso e tradicional Licor Beirão que era servido antes dos saborosos almoços servidos no local, elaborado com gelo, um pouco de limão maçerado, e uma dose do licor. Refrescante e gostoso! Fiquem com o slide show do evento, salute e kanimambo.

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Mais da SISAB 2010

              É, já faz um pouco mais de dez dias que a feira acabou, mas só agora estou conseguindo terminar a reportagem do que vi e provei no último dia, sendo que alguma coisinha ainda fica para a semana que vem. Realmente foi uma feira em que os resultados foram, aparentemente pelas informações obtidas junto aos expositores, muito positivos e incrível como os países do leste europeu estão descobrindo os sabores de Portugal. Eram muitos os visitantes dessa região numa feira de negócios enogastronomica que teve seus objetivos alcançados, gerar novos negócios para os produtores portugueses.

Provam – esta é uma casa produtora composta de 10 vinicultores da sub-região de Monção no Minho, norte de Portugal e fundada em 1992 sendo importado e distribuido pela Casa Flora. Produtor que priva de minha intimidade pois é de constante presença em casa (será na loja também) com seu Varanda do Conde e, menos costureiramente, como o Portal do Fidalgo. Não conhecia ainda o Vinha Antiga que é um alvarinho delicioso, fresco e complexo, de bom corpo que passa por cerca de quatro a cinco meses em carvalho.  Ótima prova e passei mais de um dia para dar uma bicada, eheh!

Adega Cooperativa do Cadaval – CVR Lisboa, é um produtor em ascensão. Sou fã de seus brancos e recém conheci seu espumante Confraria Bruto, um DOC Óbidos sobre o qual tecerei maiores comentários em post em separado quando falarei de alguns bons espumantes provados durante esta curta visita a Portugal, fora dos que participaram do Desafio. Dois vinhos para o dia-a-dia e que têm tudo a ver com nosso calor e nossos pratos costeiros, os Adega da Confraria branco leve e rosé, vinhos que de certo se dariam bem por terras brasilis com uma vantagem adicional, são baratos e gostosos, mesmo que sem qualquer objetivo de complexidade. Esta, podemos encontrar sim, no Espumante e no Confraria Tinto, um tinto bastante agradável e fácil de tomar mas já situado num patamar diferente e ainda possuem um reserva em fase de apuramento. Seu Confraria Branco Leve é outro parceiro do verão que regularmente visita minha casa e minha mesa. Gente para ficar de olho por aqui e em Maio na Vino & Sapore.

Domingos Alves de Sousa – produtor que dispensa apresentações e que há muitos anos faz parte do portfólio da importadora Decanter, um parceiro meu tanto no blog quanto na loja. Dificil encontrar um vinhos deste produtor que não se goste. Desde o mais simples, Estação Douro, um daqueles rótulos de ótima relação custo x beneficio no mercado até seu mais elaborado vinho, Abandonado, todos são vinhos que enobrecem sua região, o Douro. Sem contar que o Domingos, quarta geração e seu filho Tiago vem seguindo seus passos para compor a quinta, é uma pessoa muito especial, muito gentil, simpático e sabedor das coisas, difícil separar o homem dos vinhos. Último dias, já meio da tarde e eu e ele sentados batendo papo e conhecendo alguns de seus vinhos topo de gama aos quais, por aqui, são de acesso mais difícil do ponto de vista monetário.

                “Brincamos” de fazer uma vertical com seus vinhos, porém com rótulos diferenciados. O interessante, é que as parcelas são colhidas e vinificadas separadamente, para depois serem feitos os blends que comporão os diversos rótulos baseado na caraceristica que se quer dar a cada rótulo. Não pergunte qual a composição de castas de cada vinho pois, a principio, todos são um blend das castas autóctones da região; Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Cão, Tinta Barroca e Tinta Roriz mais um montão de outras menos conhecidas,  podendo o porcentual de cada uma variar ano a ano dependendo de como cada parcela colhida se desenvolve. Eis os principais vinhos provados em ordem de safra, não na que foram provados.

  • Reserva Pessoal 2003 – composto de três vinhedos da mesma parcela com uma complexidade de aromas produzidos por cepas de idades diversas. Cor ainda rubi, muito vivo com uma presença tânica bem maior que os outros três vinhos anteriormente provados, taninos esses que se desenvolvem na boca de forma elegante terminando aveludado e muito harmônico mostrando ser um vinho de grande estrutura que ainda deve evoluir bem por mais alguns anos.
  • Porto LBV 2004 – sou fã deste vinho. Já tinha provado anteriormente, mas não canso de me surpreender com sua elegância, riqueza de sabores, fruta compotada, doce mas equilibrado por uma acidez no ponto em perfeito equilíbrio. Não é produzido todos os anos e são poucas as garrafas, sendo que desta safra foram só 8.000! Um dos ótimos LBVs existentes no mercado e na minha adega (eheh).
  • Quinta da Gaivosa 2005 – um dos ícones do Douro, um blend de 15 a 20 cepas de vinhedos com mais de sessenta anos. Um grande vinho, encorpado, denso, de taninos finos e grande elegância, notas tostadas, final longo com notas minerais, um vinho de grande personalidade e complexidade que encanta e dignifica a região. Elaborado a três cabeças e seis mãos; do próprio Domingos, seu filho Tiago e seu enólogo consultor Anselmo Mendes, outro nome que dispensa apresentações.
  • Quinta Vale da Raposa Grande Escolha 2006 – Nariz de boa intensidade com algumas notas florais, fruta madura  e algum chocolate que convidam à taça. Ótimo volume de boca, firme, um pouco austero no inicio, encorpado, fruta compotada com alguma presença de madeira e um final com toques  algo vegetais. Um belo vinho.
  • Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo 2007 – só vinho bala meus amigos, só vinhaço! Esse realmente mexeu com minhas estruturas. Para terem idéia do privilégio, é um vinho elaborado com uvas de um vinhedo com mais de 100 anos e dos quais se fazem, quanto muito, umas 4.000 garrafas ano! Estamos diante de um daqueles vinhos de autor muito especiais e longo, extremamente longo tanto na boca como na memória que é onde os grandes vinhos marcam presença. É daqueles vinhos para serem tomados daqui a 10 anos com grande satisfação, mas que já está magnífico e pronto a beber. Tenho provado alguns vinhos desta estirpe que, arrisco dizer, são o que os fazem grandes e me lembro muito claramente do Viñedos Chadwick 2005 (chileno) que possuía bem essa característica.  No nariz ainda algo tímido, alguma fruta madura compotada, mas é na boca com uma entrada marcante e sedutora que ele diz ao que veio. Complexo, muito rico, denso, de taninos ainda bem presentes porém muito finos mostrando uma elegância ímpar, no final aparecem uns toques de especiarias entre os frutos negros e alguma mineralidade. Acho que não preciso dizer que gamei, né?!

Segredos do Paladar – no estande do lado, uma empresa que comercializa e distribui diversos produtos que nos enchem o palato de satisfação. Seja com a ginginha Amo-te com flocos de ouro 24k, passando por delicias como o queijo de cabra biológico (orgânico) Herdade do Escrivão, as Broas de Alfarim com passas e pinhão, a Farinha Torrada um quitute que não conhecia e é de lamber os beiços, até chegar nos vinhos do Dão das Terras de Sto. Antonio. Pequeno produtor com uma produção de cerca de somente 25.000 garrafas produz dois rótulos, o Colheita (20.000 gfas) e o Reserva, provei ambos, até porque não resisto aos vinhos do Dão, muito pouco trabalhados no mercado externo e mesmo no doméstico.

  • Terras de Sto. Antonio Colheita 2005 – passa dez meses em barricas de carvalho francês e americano que passam despercebidos. Corte de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, é um vinho que já se apresenta mais pronto a beber, redondo, elegante com um final mineral muito agradável e sedutor, fácil de agradar e muito apetecível.
  • Terras de Sto. Antonio Reserva 2006 – mesmo blend de castas porém com cerca de 3 meses mais de barrica, mostra-se ainda um pouco fechado, médio corpo, taninos finos, fruta escura muito bem casada com a madeira, uma acidez muito boa que pede comida, final longo, maior complexidade, mas que já se toma bem hoje devendo melhorar e evoluir com mais um a dois anos de garrafa.

           Bem por hoje é só, mas ainda tem mais. Tem a reportagem sobre os vinhos da Enoport (Caves Velhas) e sua nova investida no Brasil em parceria com a Domno (furo, em primeira mão) e meu agradável jantar com a Raquel e o Carlos da Quinta Mendes Pereira onde tomei um delicioso lançamento Escolha da Produtora entre outros rótulos com o já tradicional carimbo de qualidade desta casa.

          Falei que essa feira foi dez e tudo isto em somente três dias! Salute, kanimambo e amanhã tem o resultado do Desafio Luso-Brasileiro de Espumantes.

SISAB 2010 – Acabou!!! Sniff.

Acabou-se, a feira que a meu ver foi um grande sucesso, inclusive pelo feedback que obtive de uma série de expositores. Há no entento, muita matéria acumulada em que parte relato abaixo de forma resumida e que finalizarei no meu retorno ao Brasil. Por enquanto, vejam um pouco do resultado de meu garimpo:

Quinta de Baldias – Vinhos do Porto de muito boa qualidade e preço convidativo. Já fez parte do portfólio da Lusitana de Vinhos e Azeites, mas hoje está em busca de novos caminhos. No Sudeste do Brasil já iniciou um trabalho, mas esperemos para ver o que acontece nos mercados mais interessantes; São Paulo /Minas e Rio de Janeiro. Gosto muito de seus tawnies que são de excelente qualidade, tendo provado um estupendo 10 anos e um LBV 1987 de muita qualidade que está muito sedoso, cor atijolada mostrando a idade, mas ainda muito vivo. Este é dos bons, como são todos os outros.

Quinta Seara d’Ordens – Por falar em bom, este que já andou no portfólio da falecida Wine Premium e negocia com alguns potenciais novos importadores, possui uma linha de produtos de excelente qualidade, tantos os deliciosos Vinhos do Porto como alguns vinhos tranqüilos, já conhecia mas o conjunto da obra me surpreendeu.

Seu Douro 2007 é um belo vinho, muito agradável, boa pegada,sedutor, porém seu destaque é o Talentus, um grande vinho em qualquer lugar e por qualquer parâmetro comparativo, produto de um blend de Touriga Nacional, Touriga Franca e Roriz que passa 12 meses em carvalho francês. Ataque de boca delicioso e vibrante com bastante complexidade em que se destaca alguma especiaria, taninos firmes ainda, mas sem agressividade amaciando no meio de boca terminando sedoso e longo.Vinho de grande persistência onde ele mais interessa, na memória!

É nos Portos, no entanto, que a empresa mostra toda a sua vocação. Tanto o Fine Ruby quanto Fine Tawny são acima de média e os Reserva Ruby e Tawny são excepcionais com um preço muito bom o que lhes aporta um plus difícil de bater. Espero vê-los em breve no Brasil. Como o Baldias, têm lugar cativo neste blog e nas prateleiras da Vino & Sapore.

Azeite, Mel e otras cositas mais na Mafyl – Eis uma empresa que surpreende, especialmente no que se refere ao design arrojado e criativo de seus produtos. Azeites em garrafas que farão uma mesa ainda mais bonita com rótulo de tecido e conteúdo bem saboroso com diversos temperos, mel com gengibre ou com rosas, compotas, patês, etc. Muito legal, talvez um pouco exagerado o apelo publicitário que confunde um pouco o consumidor, mas uma lufada de ar fresco na mesmice que tende a imperar no segmento. Para quem quiser conhecer toda a linha de produtos em maior detalhe, sugiro uma visita ao site, vale a pena e tem uma série de seus produtos disponíveis no Free Shop de Lisboa que servem como belos presentes.

Casa de Sabicos ou Casa Agrícola Santana Ramalho – Para terminar a cobertura do dia (tem ainda muito mais) deixei para falar desta casa que nos é trazida pela Adega Alentejana. Pequeno produtor, pesquisador das coisas do vinho com amplo conhecimento da vinosfera brasileira, é um estilista do vinho. Desde seu “básico” Montoito, um vinho muito agradável, redondo e fácil de gostar, passando pelo muito bom Casa de Sabicos Reserva 2005, com um meio de boca incrível e cheio, rico, bom volume e textura, que termina muito fresco e longo, passando pelo estupendo Joaquim Madeira Branco 2006 um incrível corte de Chardonnay e Antão Vaz fermentados juntos em barrica, ao qual se adiciona posteriormente o Arinto que foi fermentado em inox separadamente. Um corte magnífico em que a untuosidade e corpo advindos do Chardonnay e Antão Vaz, são cortados pela ótima acidez e fruta do Arinto. Um grande branco que envelhece maravilhosamente bem!

Para finalizar, uma obra prima, o Avó Sabica 2004 que decantou por 4 horas e ainda estava com uma grande estrutura e complexidade ímpares que enchem a boca de satisfação deixando marcas difíceis de apagar. Um vinho único, de grande personalidade como são todos os vinhos deste produtor. O Sr. Joaquim Madeira, produtor, e sua simpática  esposa Graça, são duas pessoas muito especiais e gentis que me atenderam de uma maneira tal que também deixaram suas marcas, tal como seus vinhos. Uma experiência e tanto no meio de um monte de grandes momentos passados neste evento,

Bem, agora só haverão mais posts após o meu retorno a Sampa, pois ficarei uns dias com algumas dificuldades de acesso á rede. Salute, kanimambo e na volta finalizo a reportagem sobre esta interessante feira de negócios e suas peculiaridades.

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Directamente da SISAB 2010

 Meus amigos, cá sigo minha sina navegando pelos corredores da SISAB conversando e provando, não sei qual é melhor! Visitando os stands tanto de produtores de queijo quanto de embutidos, a grita é geral quanto às barreiras fito-sanitárias brasileiras aos produtos portugueses. Aliás, a grita também é geral em função de toda a absurda burocracia (ou será burrocracia?) nas importações e alta carga tributária que faz com que o Brasil seja um dos países mais difíceis de serem trabalhados no mercado mundial. Protecionismo disfarçado que só complica e encarece os produtos que nós consumidores compramos. Enfim, deixem-me lhes contar um pouco do que vi ontem (23) e que vocês lerão aqui nesta Quinta-feira, dia em que a feira já terá se encerrado.

Altas Quintas – Produtor Alentejano bem conhecido em Terras Brasilis onde é importado e distribuído com exclusividade pela Decanter. Dois lançamentos aqui em Portugal que já chegaram ao Brasil e em breve deverão estar disponíveis nas lojas.

  • Mensagem 2007 – um vinho elaborado com 100% trincadeira de 600metros de altitude que passa 12 meses em barrica. De nariz é tímido e algo químico, porém cresce muito na boca mostrando-se muito rico, taninos sedosos, ótima acidez e um vinho realmente sedutor. A casta é complicada de trabalhar sozinha, mas o produtor conseguiu um grande resultado.
  • Obsessão2004 – 80% de Alicante Bouschet com Trincadeira, 18 meses de barrica e 3 anos em garrafa antes de chegar ao mercado. Com reduzida produção, foi lançado em Outubro de 2009 e já em Novembro se havia esgotado. Dos poucos no mercado internacional que puderam importar o produto, a Decanter e o padrinho do vinho ao qual deu o nome, o Adolar.

Belos vinhos de um produtor já conhecido por seus produtos de qualidade.

Luis Pato II – Só um adendo ao meu comentário anterior sobre os novos vinhos A.M. , provei or três. O Branco é muito sutil e delicado, fresco e equilibrado; o tinto é diferente, talvez um pouco mais complicado de harmonizar, mas bem saboroso por si só; o Rosé, para meu gosto o mais divertido e vibrante dos três, talvez o vinho desta família que mais surpreende. Vinhos a conferir e que eu recomendo, esperando que o preço seja condizente.

Ervideira – Um produtor de vinho Alentejano com uma vasta linha de produtos. Provei um Antão Vaz com leve passagem por madeira  (Conde d’Ervideira Reserva Branco) e recém engarrafado (ainda sem rótulo) que é de muita qualidade. Seu Tinto Reserva é também um grande vinho e hoje pego dois ou três outros vinhos que levarei ao Brasil para uma degustação mais detalhada. Hoje trabalha no Brasil via Mercovino em São Paulo e a Domaine Montes Claros em Fortaleza. Breve, espero, também deverá estar nas prateleiras da Vino & Sapore (eheh)

Adega Mayor – adega pertencente ao grupo de café Delta, com azeites vinhos de muita qualidade. A linha de vinhos é composta de dois brancos com um mais “básico” resultado de um corte de Roupeiro/Antão Vaz/Arinto e Fernão Pires sem madeira só passando por inox com fermentação em câmera fria, um vinho  saboroso, frutado e fresco, mas é o Reserva do Comendador, que passa por seis meses de estágio em madeira nova francesa, o grande vinho branco da casa demonstrando muita sofisticação,complexo e de ótima acidez que pede comida.

Nos tintos; um vinho de gama de entrada interessante e bem feito bom para o dia-a-dia, um Touriga Nacional diferenciado menos floral e macio e, mais uma vez, é o Reserva do Comendador 2006, corte de Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet com 18 meses de garrafa e um ano de garrafa que impressiona por seua elegância e ausência de super extrações, taninos macios e um final com notas de café muito sedutor.

Olho neste pessoal!

Queijo da Serra – quem nunca comeu não sabe o manjar dos deuses que é este queijo artesanal produzido na região da Serra da Estrela (norte de Portugal) elaborado com leite de ovelha e amanteigado. Tradicionalmente, corta-se a casca acompanhando a circunferência superior do queijo e retira-se a “tampa” servindo-se o queijo com uma colher. Comido com torradinhas e, preferencialmente, acompanhado de um bom vinho do porto ruby, é de babar. Eu babei, mais uma vez, e desta feita com o saboroso queijo da Queijaria Flor das Beiras.

 Por hoje é só, amanhã tem mais. Salute e kanimambo.

Em Directo da SISAP 2010

como diriam os amigos da imprensa portuguesa. Pois bem, cá estou na linda Lisboa que mostra uma modernidade a que os turistas que por aqui passam poucovêm já que se limitam a visitar a parte mais antiga da capital portuguesa. Sobre isso, no entanto, comentarei mais tarde, hoje quero só dar algumas curtas noticias do pouco que vi ontem com alguns furos de reportagem. Hoje tem muito mais e não é só vinho não!

Luis Pato – é, o mestre também está por aqui e me mostrou algumas novidade que estão por chegar ao Brasil pelas mãos da Mistral.  Um espumante de Maria Gomes (a cepa) e três vinhos de sobremesa sob a mesma bandeira (marca) a A M (abafado molecular) nas versões branco, rosé e tinto todos com um toque de Baga, sua marca registrada, e teor alcoólico em torno dos 10 a 11% e, de acordo com ele, muito boa acidez para balancear a doçura do vinho. Como exemplo, me disse que o rose está com 12 de acidez para 180grs de açúcar residual e no branco 7,5 para 136grs. Não provei, mas é algo d novo a ser conferido.

Henriques & Henriques Bual 15 anos – um dos néctares provados na Expovinis de 2009 e um de meus Best in Show.  Este estupendo produtor de vinhos Madeira estava com a Expand, não está mais, e descobri que acabaram de assinar com a Zahil, oba!!! Também provei o néctar e realmente é impressionante, um daqueles vinhos que podemos passar largos momentos somente cheirando-o para depois sorver pequenos e extasiantes goles deste verdadeiro elixir dos deuses. Boa noticia e um grande vinho.

Porco Preto – uma iguaria portuguesa que poucos no Brasil conhecem e sobre o qual ainda falarei em mais pormenores, porém um manjar dos deuses que os amigos que aqui vêm não devem deixar de provar. Seja no formato de presunto cru, rivaliza com os melhores italianos e espanhóis, seja em churiços, paios, painhos e outras coisas tais. Imperdível e por aqui na SISAB vi muito!

Alimentos – por trás de normas e dificuldades impostas pelo governo brasileiro à importação de queijos e embutidos, nos vemos desprovidos de algumas das delicias que por cá existem. Interessante que estes produtos portugueses sejam exportados para o mundo inteiro (EUA, Reino Unido,França, Austrália, Japão, Alemanha, etc) e no Brasil as dificuldades são imensas e os caminhos dos mais tortuosos. Algo que, a meu ver, deveria receber das autoridades portuguesas um enfoque especial nas conversas e negociações entre estados pois, pelo para mim, fica claro que são barreiras alfandegárias impostas sob um disfarce duvidoso de proteção á saúde do consumidor.

AZAL – delicia de azeites gourmet que estavam no Brasil (RJ) nas mãos da C-Trade mas que agora chega em São Paulo pelas mãos da Allfood. Esse, podem crer, estará nas prateleiras da Vino & Sapore, esperem e verão. Muita qualidade e eu me apaixonei pelo Terra, produção orgânica, uma de-li-cia!!! Como diz seu logo, azeites com alma e digo mais, com personalidade e respeito pela natureza.

Amanhã ou depois tem mais, já que tenho mais dois dias de feira, mas a reportagem completa só na minha volta. Salute de terras lusas e kanimambo pela visita.