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Vidal Fleury, Aqui e no Viva a Granja

               Fui convidado pelo Marcio, editor do portal Viva a Granja, a escrever uma coluna de vinhos no site que fala das coisas de minha querida Granja Viana onde vivo já faz 28 anos e encontrei meu shangrilá neste mundo louco que é a São Paulo metropolitana. Toda a segunda-feira publicarei matéria quase sempre inédita e que, posteriormente, virá parar aqui no blog. Alternando dicas e comentários de vinhos com wine education, iniciei minhas atividades como colunista nesta última Segunda (28), falando de uma saborosa degustação que tive a honra de participar, em que traçamos 11 rótulos da Vidal Fleury que agora nos chega pelas mãos dos competentes amigos da Vinea.

              Dentro de minha filosofia de garimpar o mercado por aqueles vinhos que nos oferecem mais do que o valor pago, ou pelo menos geram essa percepção, minha primeira matéria para o Viva a Granja, tratou de dois rótulos realmente imperdíveis em função da ótima relação Qualidade x Preço x Prazer. Desses, você vai ter que clicar aqui para ler mais, mas hoje quero falar de outros dois rótulos marcantes e que, a meu ver, talvez sejam os grandes vinhos da degustação.

             Provamos vinhos de R$56,00 a 560,00, todos muito bons. Um Condrieu muito bom, mas puxado no preço, um Côtes du Rhône básico muito saboroso por apenas R$56,00 (verdadeiro achado!), um Chateauneuff-du-Pape de muita qualidade, um estupendo Hermitage e dois Côte-Rotie (assemblage de Syrah com Viognier) que é um vinho que me encanta; o La Chatillonne 2004 que custa R$554,00 e o Brune et Blonde da mesma safra por R$328,00, ambos magníficos exemplares de Côte-Rotie mas tenho que confessar que o que me deu maior prazer foi o mais barato que me seduziu pela incrível e complexa paleta olfativa que convida a levar a taça à boca onde o vinho nos traz um enorme prazer com seu bom equilíbrio, textura gostosa completada por taninos finos que compõem um conjunto de grande elegância com um final carnudo e mineral, um grande vinho que deixa, desde já, saudades. Para mim, o melhor vinho de todos eles, mas que matou o delicioso Entrecôte de Paris que foi servido. Do ponto de vista de harmonização, o Côtes-du-Rhône Village de apenas R$65,00 matou a pau!

           Dois vinhos, no entanto, me marcaram pois são vinhos de grande qualidade por um preço que, dentro do que nos entregam de prazer e satisfação, muito em conta. O Vacqueyras, aquele que meu bolso elegeria como o vinho do encontro, e o Crozes-Hermitage, dois belos vinhos numa faixa de preços bem competitiva se olharmos o que mais existe no mercado dessas AOCs.

Vacqueyras Rouge 2007, por R$109,00 um vinho realmente sedutor e, parafraseando aquele velho anuncio,  muito “bom de boca”. Assemblage de Grenache (50%) com Syrah e Mourvédre que mostra boa estrutura e harmonia montado sobre um tripé de acidez x álcool x taninos muito bem balanceados e sem arestas. Paleta olfativa sedutora com muita fruta, toque floral, alguma especiaria e nuances terrosas. Na boca é muito rico, bom volume de boca, taninos delicados de muito boa qualidade, harmônico, boa textura, médio corpo para encorpado, boa concentração e pasmem, somente 13.5% de teor alcoólico, com um final de boca muito apetecível e longo que deixa aquela vontade de quero mais na taça. Fico pensando nele acompanhando uma perna de cabrito assada e minha boca se enche d’água!  Show de bola e a maioria dos convidados o colocou como destaque da degustação e realmente merece todos os elogios.

Crozes-Hermitage 2007, 100% Syrah de muita elegância. Os Hermitage, uma pequena colina, são vinhos bastante másculos, encorpados e de longa guarda. Os Croze-Hermitage são os vinhos que vem da colina atrás de Hermitage e estão um degrau abaixo, mas o patamar é tão alto……! Este vinho é mais manso, mais amistoso ao palato e deve ser tomado agora, quando já nos dá muito prazer, e nos próximos dois a três anos imagino eu. Teor alcoólico muito educado, para os dias de hoje, com 13%, equilibrado, frutas negras e couro no olfato, algo defumado na boca, salumeria, taninos aveludados e um final saboroso de boa persistência e elegante. Um vinho que surpreende e custa R$112,00, um boa compra.

              Por hoje é só. Amanhã é dia de post com a degustação virtual da Confraria em que diversos amigos blogueiros e eu, estaremos comentando e compartilhando com os amigos nossas impressões sobre vinhos Sauvignon Blanc sul-africanos. Até lá. Salute e kanimambo pela visita.

Hoje é Dia!!

               Toda a Sexta é dia de alto astral já que anuncia a chegada do fim de semana! Hoje é mais ainda, é dia de festa já que daqui a pouco tem um embate que pode ser um joguinho ou jogão! Amigos portugueses e brasileiros grudados na televisão, outros no estádio para ver um Portugal x Brasil na copa do mundo, coisa que não se via desde 1966 e que espero possa repetir o placar. É, não adianta reclamar não, o Brasil já está classificado, então sou Portugal desde criancinha! Eheh. Tem mais, seria uma bela lição no prepotente e arrogante “professor” de más maneiras, o tal de Dunga que está merecendo uma lição para ver se desce de seu salto XV! Nunca uma seleção esteve tão distante de seu povo, mas enfim, sinal dos tempos. Mais uma, Carlos Queiroz, o técnico de Portugal, é primo de meu padrasto e Macua como eu, nascidos que somos em Nampula, norte de Moçambique, ou seja; quase familia e conterrâneo! Bem, mas este não é o lugar para falar de futebol então minha sugestão de hoje é também por um embate entre dois vinhos, obviamente um luso e outro brasuca, numa faixa de preço média acessível à maioria.

Escalei o Ceirós Tinto 2006, um vinho para quem não tem pressa pois vai desabrochando na taça conforme o papo corre solto, mostrando-se menos rústico que o 2004. Um tradicional blend duriense de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca é vinho complexo produzido pela Quinta do Bucheiro uma vinícola familiar com mais de 250 anos localizada na região de Sabrosa (será que é de lá que vem o Simão, jogador português?!) no Douro. Direto da garrafa para a taça, o vinho é impactante, vinhoso de aromas em que a fruta madura predomina com boa intensidade.  Deixe-o respirar e desfrute de um vinho untuoso, fruta madura (ameixa), bom volume de boca, rico, taninos presentes mas bem equacionados num final de boca longo, macio e algo apimentado. Um vinho muito particular e marcante, equilibrado e guloso com boa acidez que pede comida e agrada sobremaneira. Importado pela Vinhas do Douro custa por aí em torno dos R$50,00.

 

uma escalação complicada, mas devido á falta de opções no mesmo patamar de preços, sim porque há que se manter um mínimo de bom senso comparativo, caí num hibrido! Sim, porque a mão do enólogo é português e as castas também de lá se originam, o bom Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005, um corte de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz produzido pela Miolo na região de Campanha, próximo da fronteira com o Uruguai. Surpreendente e prova inequívoca da melhora de qualidade dos vinhos brasileiros num projeto muito interessante. Frutos negros maduros com algo resinoso no nariz, madeira, fruta passa, bem estruturado com taninos finos, equilibrado, saboroso com um final de boca agradável e de boa persistência em que se manifestam nuances herbáceas. Está pronta a beber, é um de meus “nacionais” mais requisitados à mesa e meu amigo Rui Miguel do excelente blog português Pingas no Copo (link aqui do lado) o elogiou demais e comentou, “Olhando para o prontuário, dicionário e outros acessórios gramaticais apenas ocorreu a seguinte definição: Complexo e distinto.” Veja o resto dos comentários dele aqui.  O preço anda também pela casa dos R$50 a 59,00 dependendo de onde estiver.

           Que ganhe o que performar melhor, mas não deixe de levá-los á mesa acompanhados debons amigos e pratos. Se o jogo for tão bom como esse embate viníco, estaremos bem servidos! Que assim seja e como o jogo começa às 11, já dá para abrir um espumante no intervalo, algo leve, suave e fácil sem muita complexidade, um espumante brasileiro vai muito bem ou até um Prosecco como o Moinet. Brasileiros, podem ser; um leve Moscatel bem equilibrado como o da Marco Luigi ou Garibaldi, ou os; Marco Luigi Brut, Ponto Nero Brut, Valduga Arte Brut ou Aurora Blanc de Noir elaborado com Pinot Noir, todas ótimas opções de espumantes secos, mas vibrantes e cheios de vida que ajudam a alegrar o momento.

           Como, espero, o resultado final deverá ser empate, daí Portugal se classifica e sai em segundo pegando jogos mais “fáceis” na sequência, celebrarei com um Vértice Gouveio, um dos melhores espumantes hoje produzidos em Portugal. Para quem quer algo mais jovial, uma garrafita do rosé 3b da Filipa Pato também não é má pedida, não! Na eventualidade, mesmo que remota (eh,eh), de dar Brasil, bem, aí um Miolo Millésime/ Cave Geisse Nature ou Ponto Nero Extra Brut cairão muito bem. Aliás, já dizia Napoleão, “merecido nas vitórias e necessário nas derrotas”!

Salute, kanimambo e Segunda estarei de volta com Dicas da Semana, inclusive de boas compras.

Ps. Bolas, faltaram e muito para o meu conterrâneo Queiroz. Metesse o Hugo Almeida enfiado entre o Juan e o Lucio (este o melhor da partida de hoje) e acho que meu desejado 1 x 0 teria sido possível. Joguinho, não?! Sabem qual a diferença entre o rugby e futebol? É o seguinte; rugby é um jogo de animais jogado por cavalheiros, enquanto o futebol é um jogo de cavalheiros jogado por animais! O Felipe Melo não é uma prova disso?!!!

Cuatro Pasos e um Repto

          Dois tintos que me souberam muito bem e ganharam espaço em minha adega. Um espanhol e outro português, mais uma vez uma dupla Ibérica muito apetecível.

O Cuatro Pasos 2007 é um vinho da região de Bierzo elaborado com 100% da cepa Mencia que no Dão (Portugal) é conhecida como Jaen. Esta cepa vem ganhando espaço nos vinhos de ambas as regiões e este é um dos poucos rótulos que provei com ela, mas certamente o que mais me agradou. Não é um grande vinho nem pretende sê-lo, porém é um vinho vibrante, jovem e bem feito que seduz facilmente, com leve passagem de dois meses por barricas de carvalho e faz aquilo que é essencial a um vinho, nos enche de prazer e alegria. Franco, nariz de frutas vermelhas maduras e algo balsâmico apresentando-se muito redondo na boca com taninos finos já integrados, frutado e fresco com um saboroso final algo mineral de média persistência que certamente se dará bem com fondue de queijo, caldo verde, bacalhau, rondele 4 queijos com molho rosé,  até uma carninha grelhada sem grandes condimentos. Aqui em casa se deu muito bem com queijos e frios, num gostoso bate-papo em família. Para o que se propõe, um bom vinho que agradou sobremaneira e, como sugestão, uma garrafa é pouco pois acaba muito rapidamente. Custa em torno de R$65,00 e é importado pela Peninsula.

Repto 2007 é um vinho produzido por brasileiro no Douro, em Portugal. (recebi comentário abaixo que contesta esta informação então resolvi fazer este adendo ao post neste dia 15/12/2010 – “”Os vinhos repto são produzidos e engarrafados na região do Douro por um Português chamado João Carlos C. P. Teixeira Bessa (como podem verificar no rotulo”). Mauricio Gouveia se prepara para trazer suas criações para o Brasil e me deu uma garrafa do Repto Gran Reserva 2007 a provar e confesso que gostei. Blend das castas típicas do Douro; Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinto Cão e Touriga Franca de vinhedos em encostas de xisto com exposição solar abundante, o vinho vem comprovar a característica de elegância dos vinhos desta safra produzidos na região. Fermentado em lagares de inox, estagia em barricas de carvalho por cerca de seis meses e depois por mais um período em garrafa antes de chegar ao mercado. Um vinho de linhagem mais moderna, bem frutado com nuances florais no nariz. Taninos finos e aveludados, rico, boa acidez, equilibrado nos seus imperceptíveis 14% de teor alcoólico muito bem integrados no conjunto de boa estrutura e volume de boca onde a madeira foi muito bem usada aportando uma certa complexidade sem que se tenha destacado em momento nenhum. Final de boca longo e um vinho que certamente deverá evoluir por mais um par de anos em garrafa, mas que já se mostra muito bom. Ainda não está disponível no Brasil, mas sei que o Mauricio está trabalhando nisso e em breve teremos boas noticias.

           Neste ano o foco seria conhecer mais vinhos italianos, o que até tenho feito, mas é incrível o que cai de vinho Ibérico na minha taça! Será que é perseguição ou destino? Melhor é que a qualidade tem comprovado a excelente fase porque passam os vinhos desta região.

Salute e kanimambo

Goats do Roam Red, um Tinto Jovial.

               Pela primeira vez participo da degustação/post tema da CBE, para os menos íntimos a Confrararia Brasileira de Enoblogs, que mensalmente, no mesmo dia, publicam seus posts sobre o vinho (s) de acordo com um tema pré-determinado por um dos confrades. Neste mês de Junho abriram uma exceção e aproveitando a Copa escolheram um tema extra para que os confrades comentassem nesta Quarta  dia 16 de Junho, dia de ressaca após um joguinho muito meia boca, e eu embarquei nessa viagem. Vinhos sul africanos, uma grande coleção de rótulos provados que os amigos devem explorar visitando o site dos Confrades que listo abaixo com os links. Deverão ser cerca de 31 rótulos diferentes avaliados e comentados, que certamente aguçarão a curiosidades dos amigos apreciadores de bons caldos. Eu certamente fuçarei muito, pois gosto de viajar por esta vinosfera atrás de novidades e sabores nunca dantes provados. Vamos á lista dos blogues:

Amando Vinhos / De Vinho em Vinho / Atlan Vitis / Azpilicueta / Bebendo com Os OlhosEnodeco / Blog do JerielDegusteno / Diário de Baco /  / Enoleigos / Escrivinhos / Gourmandise / I Vini Vinhos / Le Vin Au Blog / Nosso Vinho / O Avaliador de Vinhos / O Tanino / Pequenos Prazeres / Vim, Vinho, Venci / Vinho com Prosa / Vinhos de Corte / Vinhos e Vinhas / Vitis Vinifera / Viva o Vinho / Vivendo Vinhos / Tintos, Brancos e Borbulhas / Notas Etilicas / Vinho Para Todos / Le Vin Quotidien / Marcelo di Morais e espero não ter esquecido nenhum.

        Eis alguns rótulos, entre vários outros, que serão ou foram, acho que dei um fora na data e era ontem (15) postados, então há que navegar:

  • AVONDALE RESERVE MUSCAT  BLANC 2007 (Le vin Au Blog) 
  • ENGELBRECHT ELS 2007 (Notas Etílicas)
  • THE WOLFTRAP BLEND 2008 (Vinhos de Corte)
  •  NEDERBURG CABERNET SAUVIGNON 2008 (De Vinho em Vinho)
  •  RUST EN VREDE MERLOT 2008 (EnoDéco)
  •  SPICE ROUTE PINOTAGE 2008 (Blog do Jeriel)
  •  TRIBAL ESPUMANTE (Marcelo Di Morais)
  •  CLUB DES SOMMELIERS PINOTAGE (Amando Vinhos)
  • AVONDALE CHENIN BLANC (Pequenos Prazeres)
  • THE WOLFTRAP BLEND 2008 (Vinho para Todos)
  • GUARDIAN PEAK CABERNET SAUVIGNON 2007 (Nosso Vinho)
  • NEDERBURG TWENTY 10 DRY ROSÉ 2009 (Enoleigos)

              A minha escolha recaiu sobre um vinho que não visitava minha taça já fazia dois anos e mostrou que, mesmo de cara nova, preferia o rótulo mais clássico, o vinho continua sendo um belo achado mesmo que com mudanças no blend. Goats do Roam Red, que tem esse nome tanto por razões criativas já que o produtor também é criador de cabras e bodes, como para criar uma certa alusão aos vinhos de Cotes du Rhône já que é um blend de Syrah, Cinsault, Grenache, Mourvedre e Carignan, originárias das regiões de Paarl e Swartland na província do Cabo. A Goats do Roam Wine Company pertence ao grupo Fairview capitaneado pelo criativo Charles Back e produz além deste vinho alguns outros que hoje fazem parte do portfólio da Ravin.

                O vinho é franco, sedutor, produzido num estilo moderno com fruta vermelha (ameixa) abundante tanto no olfato como no palato, notas defumadas e um certo toque de anis. Na boca mostra-se  fresco, médio corpo, taninos equacionados e sedosos, macio e redondo, vibrante, fácil de gostar com um final de boca de média persistência e algo mineral com toques de especiarias que convidam á próxima taça. O 2005 possuía Cabernet e Pinotage o que lhe dava um pouco mais de corpo e estrutura, mas segue sendo um vinho muito agradável e saboroso para ser tomado jovem, entre dois a quatro anos de vida, enquanto ainda mantém essa personalidade jovem e sedutora por um preço que acredito seja bastante convidativo já que seus R$42,00 são bastante justos versus o prazer que ele nos proporciona. Como dica, sugiro servi-lo um pouco mais refrescado que o normal, mais para os 15/16º dos que os 17/18º.

Por hoje é só, amanhã tem mais Curiosidades do País da Copa. Salute e kanimambo.

Falando um Pouco mais de Espanha

Como havia dito, é incrível a quantidade de bons vinhos chegando ao mercado e de todos os preços e estilos. Ainda tenho de falar do encontro que tive com os vinhos da Viña Sastre (Peninsula), isso faço na semana que vem, mas agora aqui vão algumas dicas de vinhos que se mostraram muito bem dentro de suas respectivas faixas de preço.

Erumir Crianza 2004 –  um dos bons custos x beneficio encontrados recentemente nesta viajem pelos vinhos de Espanha. Este é da região de Penédes, ali próximo a Barcelona, sendo um blend de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tempranillo. Vinho muito agradável, bem frutado, leve para médio corpo, maduro, pronto a tomar, taninos suaves e macios que formam um conjunto amistoso e fácil de gostar. Preço ao redor de R$45 a 50,00 e a importação é da Mercovino.

Vega Sauco Piedras Crianza 2005 – mais um que agrada sobremaneira tanto na boca quanto no bolso. Este vem da região de Toro e é um rótulo elaborado tão somente para o Brasil com a Tinta de Toro, que nada mais é do que a famosa Tempranillo cultivada na região. Tem a nossa cara, é vinho vibrante e de médio corpo , produzido com cepas de vinhedos entre 18 a 30 anos. Possui boa estrutura e interessante volume de boca, taninos amistosos e finos presentes e bem integrados, equilibrado, final com toques de torrefação e algo mineral com boa persistência. Surpreende pelo preço de R$49,00 e é de importação da Ravin.

Vega Sauco Reserva Adoremus 2001 – Ainda em Toro e com o mesmo produtor,  só que damos um salto de qualidade bastante grande num vinho também elaborado com 100% Tinta Del Toro, “pero” de vinhedos de mais de 30 anos e de uma safra genial e muito especial para toda a Espanha. Vinte e quatro meses de barrica muito bem integrada ao vinho que se mostrou complexo, rico, taninos maduros e sedosos, licoroso, fruta confitada com nuances de couro, um vinho espetacular, daqueles que a gente precisa de tempo para apreciar e refletir após cada gole até que não sobre uma só gota o que, neste caso, seria algo muito fácil de acontecer! Importação Ravin e preço R$169,00.

Juan Gil 12 meses 2006 – um vinho 100% monastrel, verdadeiramente encantador. Esta cepa, pouco divulgada por aqui, é comum nesta região de Espanha e produz vinhos muito amistosos e agradáveis de diversos níveis de complexidade. Este, como diz o nome, passa por 12 meses de barricas francesas e mostra-se muito equilibrado, paleta olfativa frutada de boa intensidade com nuances florais que convidam a levar a taça à boca onde comprova seu apelo olfativo. Fino na boca, taninos sedosos, corpo médio, bom volume de boca, fruta madura e um final muito saboroso e mineral com toques de baunilha e torrefação. Ótima relação preço x qualidade, por volta dos R$90,00 (importação Mercovino) e um desvio por outros sabores de Espanha afora a já famosa Tempranillo.

               Como podemos ver, entre este post e o anterior quando falei da Señorio de Sarría, vinhos de regiões menos conhecidas e uvas como Graciano e Monastrel para provar que a Espanha também possui diversidade bastante interessante devendo ser melhor explorada, tanto por consumidores como pelos importadores. Bem, por hoje é só e aproveitem o fim de semana para se aventurarem por novos caminhos e novos sabores, esse é o grande barato do mundo do vinho.

Salue e kanimambo.

Vinhos de Espanha I – Señorio de Sarría

Já disse e repito, se pudesse ter uma loja só com produtos enogastronomicos Ibéricos, viveria nas estrelas. No entanto, isso é um pouco mais complicado do que parece e requer uma especialização e caixa que estão longes de minhas posses. Fico então, como “mero” consumidor me deliciando com a rica e diversa gastronomia assim como sorvendo os bons caldos hoje disponíveis no mercado.

                De Portugal, há muito que nos deparamos com bons rótulos de preços bem acessíveis e algumas verdadeiras estrelas de nossa vinosfera, inclusive alguns grandes vinhos brancos que poucos ainda conhecem.  Da Espanha era um pouco diferente. Primeiramente, os produtores espanhóis sempre eram muito bem vendidos especialmente nos mercados de maior consumo como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, entre outros, ficando o Brasil como um mercado de menor interesse e de menor investimento. Segundo, as importadoras não davam muita bola e eram poucos os rótulos que aqui chegavam, na maioria de vinhos mais caros o que deu a estes vinhos, uma áurea de vinhos de elite e, por último, creio que o mercado por falta de conhecimento e disponibilidade, também não se interessava muito.

                  Tudo isto vem mudando rapidamente depois que a crise tomou conta dos mercados internacionais, havendo a necessidade de os produtores buscarem novos nichos no mercado mundial e o importadores viram nisso uma oportunidade tendo aumentado em muito o número de rótulos espanhóis em seu portfólio. Antigamente restrito a Rioja e Ribera Del Duero com os eventuais brancos de Rueda e Rias baixas na Galícia e rosados de Navarra, agora se encontram vinhos de boa qualidade e bom preço de todas as regiões. Toro, Bierzo, Cigales, Penédes, Priorato, Navarra, Jumilla enfim, uma imensidão de rótulos e origens para tudo o que é preço e gosto. Estive em uma degustação divina da Viña Sastre (Ribera Del Duero) realizada nas bonitas instalações da Ville du Vin em Moema com o apoio do Juan e Javier da Peninsula, a qual comentarei na semana que vem, mas hoje quero falar de algo absolutamente novo no mercado; a Import Gourmet e os Vinos da Señorio de Sarria.

              Esta empresa recentemente instalada por aqui, nos traz vinhos e produtos gastronômicos espanhóis, tendo sido uma grata descoberta em meus garimpos para compor portfólio da Vino & Sapore. Possui diversos vinhos, outros estão por chegar, em diversas gamas de qualidade. Eu tive oportunidade de degustar diversos, entre eles três rótulos de que gostei bastante com um, em especial, que me encantou. Da linha mais básica, com preço em lojas que deve chegar ao redor de R$50, o Señorio de Sarria Rosado e o Crianza, assim como da linha mais alta, o Viñedo 7 que é um varietal de Graciano.

Señorio de Sarría Rosado 2008 – eles possuem um premiadíssimo rosado (Viñedo 5) que é considerado como um dos melhores de Espanha na atualidade, mas eu gostei bastante deste chamado básico. Foge um pouco daqueles aromas mais comuns de morango e cereja frescos, leves e meio adocicados, mostrando alguma evolução tanto no nariz como na boca, mostrando-se mais complexo e interessante, cremoso, saboroso e muito agradável. Sua ótima acidez o faz uma boa companhia para pratos mais ligeiros, saladas, frutos do mar grelhados, paella, salmão e até um peru á califórnia acho que casaria legal. Por vinhos como este é que a região ganhou fama de produtor de belos rosés.

Señorio de Sarría Crianza 2006 – incrível que já se encontrem crianzas no mercado nesta faixa de preços, lembrando que um vinho crianza passa por 18 a 24 meses de envelhecimento entre barricas e garrafa. Neste caso, um vinho bastante interessante fruto de um corte de Tempranillo e Cabernet Sauvignon que passa por doze de barrica e seis em garrafa com um resultado muito agradável mostrando uma paleta olfativa de frutos do bosque negros (mirtillo/framboesa) com toques balsâmicos e algo herbáceo de fundo. Na boca a fruta aparece mais, de forma muita fresca apoiada numa acidez gastronômica que deixa um final de boca muito apetitoso e chamativo à próxima garfada. Bom volume de boca, taninos aveludados, um vinho que, se não é nenhum  blockbuster, certamente faz bonito á mesa e é fácil de se gostar.

Viñedo Nº 7 2005 – pulamos alguns degraus e provamos um vinho que, tenho que confessar, jamais tinha provado em varietal. A Graciano é comumente usada nos cortes das diversas regiões espanholas assim como a Garnacha, mas um 100% Graciano, foi minha primeira vez e adorei! Tem o estilo de vinho que me seduz; riqueza de aromas e sabores, taninos finos, equilíbrio e uma tremenda elegância, um vinho que deveria vir vestido de fraque e cartola.  Nariz de boa intensidade em que sobressai uma fruta vermelha fresca, algum alcaçuz e nuances de terra molhada que convidam a levar a taça à boca. De boa estrutura e volume de boca, possui taninos suaves e sedosos, rico, frutado, harmonioso, longo e muito delicado com um final mineral com toques de baunilha muito sutis, um vinho absolutamente sedutor que deverá estar nas lojas por volta dos R$100.

                Eles possuem diversos outros rótulos, alguns dos quais fiquei curioso de provar, sendo um produtor para se ficar de olho. Vinhos de Espanha, certamente vinhos a serem provados e apreciados, tenho gostado muito do que tenho visto e degustado, então este será o primeiro de uma série de posts com vinhos deste importante país produtor quando comentarei alguns dos frutos do garimpo. Por hoje é só, salute, kanimambo e tenham um ótimo fim de semana.

Prova de Barbera

                Volta e meia o amigo Walter Tommasi da revista Freetime, por sinal uma bela revista focada no mundo dos executivos, me chama para compor sua banca de avaliação em provas de vinho com os mais diversos temas. Aprendo muito já que os vinhos são sempre de grande qualidade e os colegas presentes gente do maior gabarito em nossa vinosfera. A Barbera, uva do Piemonte (cidades de Alba e Asti próximo a Turin) sobre a qual já falei aqui, é essencialmente feminina, por isso ser tão apreciada (rsrs), gerando vinhos deliciosos, equilibrados, taninos finos e de muito boa acidez sendo uma ótima escolha para estar sobre a mesa neste Dia das Mães que se aproxima. Provamos onze vinhos, alguns de grande relação Custo x Benefício, então aproveitem para ver abaixo como foi a performance de cada rótulo na ordem de classificação final e média dos comentários a banca, lembrando que a degustação foi às cegas como manda o figurino.

Barbera D’Alba Fides 2006 – Pio Cesare – Granada de média concentração, halo de evolução. Complexo, frutas vermelhas em compota, figo seco, toque balsâmico, floral, café, tostado e especiarias lembrando pimenta-preta. Na boca, o tripé acidez, taninos e álcool perfeitamente equilibrado, sem arestas, persistência longa e retrogosto balsâmico com um toque de chocolate amargo. DECANTER – Preço R$ 191,20 – Nota 88,6. Este foi meu segundo vinho e um dos Barberas que mais me encantam por sua complexidade.

Villa Giada Barbera D’Asti Surí 2007 – Andrea Faccio– Rubi, média concentração, leve halo. Aromas evoluídos, frutas vermelhas, cereja, ameixa, especiarias, terroso, animal, couro. Na boca, muito macio, ótima acidez, taninos finos, corpo médio, persistência longa e retrogosto terroso. EXPAND GROUP –  Preço R$ 59,00 – Nota 87,6. Talvez a maior surpresa da noite no cômputo geral.

La Cresta Barbera D’Alba 2005 – Rocche dei Manzoni  – Violáceo, média concentração, sem halo. Boa complexidade com destaque para frutas vermelhas, floral, especiarias, pimenta-branca, baunilha, café. Acidez correta, taninos finos, corpo médio e persistência longa. Redondo. INTERFOOD CLASSIC –  Preço R$ 141,50 – Nota 87,4

Camp Du Rouss D’Asti 2005 – Luiggi Coppo – Rubi, média concentração, leve halo. Aromas confeitados, complementados por frutas evoluídas, cereja, sottobosco e empireumáticos. Na boca elegante, ótima acidez, taninos finos, corpo médio e boa persistência, ligeiro amargor. MISTRAL –  Preço R$ 79,00 – Nota 87,1

Valfieri D’Asti Superiore 2002 – Granada, média concentração, halo de evolução presente. Aromas evoluídos, ameixa, sottobosco, toque químico e um agradável tostado. Ótima acidez, taninos finos, bom corpo e persistência, retrogosto lembrando alcaçuz. VINEA – Preço R$ 114,00 – Nota 87,0

Braida – Il Monello D’Asti 2006 – Giacomo Bologna – Granada, pouca concentração, halo de evolução. Balsâmico, frutas vermelhas em compota, especiarias, couro e toque de baunilha. Vinho simples, mas honesto, bem equilibrado, corpo médio, boa persistência, final frutado. EXPAND GROUP – Preço R$ 58,00 – Nota 86,9

Cipressi della Court D’Asti 2006 – Michele Chiarlo – Rubi, média concentração, sem halo. Ameixa, tostado, caixa de charuto, floral, violeta, levemente adocicado. Ótima acidez, taninos presentes, corpo e persistência corretos, ligeiramente alcoólico. ZAHIL – Preço R$ 128,00 – Nota 86,7

Brea Barbera D’Alba 2005 – Azienda Bróvia – Rubi, média concentração, sem halo. Frutas vermelhas em compota, violetas, pimenta, baunilha e tostado e leve mentolado. Macio, tripé equilibrado, ligeiro retrogosto frutado, toque adocicado, fácil de beber. PREMIUM – Preço R$148,00 – Nota 86,4

Barbera D’Asti Libera 2007 – Bava  Azienda Cocconato – Violeta, muito concentrado, sem halo. Frutas vermelhas maduras, toques floral, herbáceo, especiarias, pimenta-preta e lácteo. Redondo, acidez correta, taninos finos, corpo médio, persistência longa, retrogosto frutado. WORLD WINE – Preço R$ 74,00 – Nota 86,4. Não sendo superior ao Fides de Pio Cesare, nesta noite foi o vinho que me arrebatou o coração. Ótima acidez e muito vibrante na boca, um vinho realmente sedutor mostrando toda a tipicidade e sutileza dos bons vinhos produzidos na região.

Seghesio Barbera D’Alba 2006 – Violáceo, alta concentração, sem halo. Cereja, especiarias, noz-moscada, lácteo e toque herbáceo. Ótima acidez, taninos finos, corpo e persistência média, retrogosto vinoso. MISTRAL – Preço R$ 82,00 – Nota 86,2

Arquatesi – Colli Piacentini 2008 – Granada, média concentração, sem halo. Vinoso, morango, químico, animal, toque herbáceo. Boa acidez, taninos ainda verdes, bom corpo e persistência, vinho jovem e rústico. ANA IMPORT – Preço R$ 52,00 – Nota 84,1

        Cada um dos degustadores teve seu preferido, comum nestes casos de provas ás cegas, porém tendências ficaram claras. Veja quem esteve presente neste delicioso encontro, os vinhos preferidos de cada um e nota dada.

  • Aguinaldo Záckia Albert – Barbera D’Alba Fides – Nota 89
  • Alessandro Tommasi – Villa Giada Barbera D’Asti Surí – Nota 90
  • Alvaro Cezar Galvão – La Cresta Barbera D’Alba – Nota 90
  • Beto Acherboim – Villa Giada Barbera D’Asti Surí – Nota 89,5
  • Carlos Hakim – Barbera D’Alba Fides – Nota 89
  • Gustavo Andrade – Barbera D’Alba Fides – Nota 89
  • João Filipe Clemente – Barbera D’Asti Libera – Nota 89
  • Nelson Luiz Pereira – Seghesio Barbera D’Alba – Nota 89
  • Paulo Sampaio – Barbera D’Alba Fides – Nota 88,5
  • Ralph Schaffa – Barbera D’Asti Libera – Nota 88,5
  • Walter Tommasi – Barbera D’Alba Fides – Nota 91

OS CAMPEÕES

Melhor Vinho da Noite

Barbera D’Alba Fides – Pio Cesare – Nota 88,6 – Decanter – Preço R$ 191,20

Melhor relação Custo x Beneficio

Villa Giada Barbera D’Asti Surí – Expand – Nota 87,6 – Expand – Preço R$ 59,00

              Espero que tenham aproveitado e que tenhamos podido jogar uma luz nos vinhos elaborados com esta cepa. Muito mais existe no mercado e fica claro, mais uma vez, que preço não é documento em nossa vinosfera, mesmo que o Melhor Vinho tenha sido o exemplar mais caro na prova, coisa que deve ser esperada. Senti-me muito honrado em sentar com essas feras para desfrutar desta bela disputa de vinhos, de onde saiu a idéia para meus Desafios de Vinho.  Logo após esta prova ainda fizemos uma degustação vertical do famoso vinho chileno VIU 1. Estupendo o 1999, ótimo o 2001, mas marcante mesmo, o vinho que mais me chamou a atenção pelo nível de complexidade, vigor e elegância, um grande vinho de uma grande safra.

 Salute, kanimambo e tenham um bom fim de semana.

Fui Rever um Barolo e Descobri um Barbaresco

A convite dos novos importadores da Batasiolo no Brasil, a Ferace Distribuidora (ex-franquia da Expand) do Rio de Janeiro e seu distribuidor em São Paulo a Ravin, estive presente num agradável jantar no La Vechia Cucina de Sergio Arno. A primeira surpresa da noite estava á porta do salão, quando me deparei com o amigo e mentor de meus primeiros passos no mundo do vinho, o Ângelo Fornara que já algum tempo trabalha para os irmãos Dogliani, proprietários deste importante grupo produtor, que possuem um dos poucos sites de produtores internacionais com a opção do idioma português. Sempre bom rever os amigos e brindamos com um espumante delicioso que me encantou e seduziu por seu refinamento;  Batasiolo Método Classico Dosage Zero – Chardonnay (75%) com Pinot Noir vinificados em separado quando após cerca de 8 meses em tanques de aço, os enólogos decidem o cuvée mediante a assemblage dos dois vinhos com a segunda fermentação sendo efetuada em garrafa  como manda o figurino. A perlage é abundante, fina e persistente, ótima mousse, complexo, longo, muito frescor e seco na medida certa, um belo exemplar de espumante que, se o preço estiver bom já que ainda não chegou para comercialização, deverá estar nas prateleiras da Vino & Sapore.

Essas, no entanto, foram só as primeiras surpresas da noite, pois tinha mais por vir:

Chardonnay 2007, uma ótima companhia para um Tartar de Vitelo muito saboroso que demonstrou claramente o que ocorre quando a harmonização é perfeita, o ganho de sabor e êxtase é geométrico! Uma maravilha esta combinação, não só pela maestria do Chef, mas também pelas ótimas qualidades de um vinho muito bem feito onde os 6 meses de carvalho serve de aporte a uma paleta olfativa muito frutada e um palato muito balanceado, de bom volume de boca e boa acidez. Após os seis meses de barrica, passa ainda mais seis em garrafa. Muito agradável, um vinho elaborado com uvas da região do Langhe crescendo entre os vinhedos de Nebbiolo.

Babaresco 2006, me seduziu pelo nariz e me encantou no palato onde se mesclou maravilhosamente ao Risoto de Funghi com Fonduta de queijo Brie. Doze meses de carvalho em barricas de 750 ltrs, mais doze meses de guarda e afinamento na garrafa dão luz e brilho  a este vinho que encanta pelo nariz complexo onde aparecem nuances animais, tabaco, com notas terrosas e florais, até algo tostado. Na boca é vibrante, taninos suaves e sedosos, rico, estrutura e secura no ponto, sem exageros nem excessos, tudo no ponto tendo como resultado uma perfeita harmonia. Na minha modesta opinião, o vinho da noite e mais um que terá que fazer o caminho até a Granja Viana para se aninhar nas prateleiras da Vino & Sapore.

Barolo Corda della Briccolina 2003, derivado de um “vigneto” de apenas 1,63 hectares situado no território de Serralunga d’Alba no coração da região de Barolo. É um de meus Barolos preferidos da Batasiolo, o outro sendo o Cerequio, uma outra belezura. Já tinha feito uma degustação com os Barolos deste produtor há dois anos, tendo escrito uma matéria sobre o assunto. O mesmo 2003 que tomei na degustação anterior evoluiu de forma diferente e, não sei se para melhor. Está mais pronto, mas me pareceu que perdeu um pouco daquele vigor, mineralidade e frescor que me seduziu na primeira degustação, ou será que fiquei mais exigente e chato? Segue sendo um grande vinho, mas eu o tomaria agora até no máximo 2012, depois não sei.  De vinhedos com mais de 45 anos, passa por no mínimo 24 meses de carvalho francês resultando num vinho de muito bom corpo, mas fino e elegante que cresce muito com o tempo em taça mostrando um final aveludado e mineral, mesmo que sem o “vibe” de dois anos atrás.

Moscatel Tardio e Moscato d’Asti , dois vinhos brancos de sobremesa para acompanhar uma Panacota com Calda de Frutas Vermelhas e Gengibre. O Moscatel, mesmo que muito bom, ficou um pouco abaixo da panacota devido á ausência de uma maior acidez. Já o Moscato d’Asti Bosc Dla Rei, meu velho conhecido de cara nova, com uma acidez estupenda, algo frisante na entrada de boca, casou maravilhosamente com a sobremesa mostrando-se muito harmônico e vibrante. òtima companhia como sobremesa assim como aperitivo num encontro informal, chá da tarde (rs). Vai faltar prateleira!!!

Ótima companhia, ótimos pratos, belíssimos vinhos, como diz o amigo Didu, deve ser uma pé ser vendedor de parafusos! Como os ingleses dizem, “cant get much better than this”, mas ainda bem que em nossa vinosfera sempre existirá uma nova surpresa ao virar a esquina, mesmo que a mesma de sempre.

Salute e kanimambo.

Mais uma Dupla Ibérica na Taça.

                Vou fazer o quê? Parte escolha e parte obra do acaso, ou do destino, em dois fins de semana diferentes mais uma dupla Ibérica de peso. Cá entre nós, se pudesse e fizesse sentido comercialmente, mais da metade dos vinhos em minha loja seriam desta região. Tanto Portugal como Espanha possuem enorme diversidade e uvas autóctones de grande prestigio, ótimos produtores e, na maioria das vezes, vinhos de boa relação preço x qualidade quando comparado a outras regiões de história e tradição similares com rótulos do mesmo porte. Estes tomados não são dos mais baratos, pois se tratam de vinhos já conceituados, mas fazem jus ao que se cobra por aqui, considerando-se da realidade Brasileira. Quando comparado aos preços que pagamos lá fora, aí é outra conversa!

Domingo de Páscoa – tenho que reconhecer que sou um apaixonado pela Touriga Nacional, cepa que faz parte do blend de grande parte dos vinhos portugueses e é vinificado em varietal resultando em alguns dos melhores vinhos lusos. Para acompanhar o bacalhau escolhi este Só Touriga Nacional, velho conhecido, um rótulo produzido pela Quinta da Bacalhoa na região do Sado (Setúbal), uma visita obrigatória para quem vai a Lisboa, pois fica a apenas 40 minutos do outro lado do Tejo. Menos na mídia do que os grandes vinhos, este é um rótulo que me agrada muitíssimo e um de meus preferidos que sempre compro em minhas viagens a Portugal. Aliás, vai aqui uma curta dica de vinhos obrigatórios para quem lá vai que valem muito o que lá se paga já que não passam dos 12 Euros; Só Touriga Nacional /  Cortes de Cima Alentejo / Vila Santa Tinto / Quinta do Camarate / Post Scriptum / Quinta do Ameal Escolha Branco / Alvarinho Soalheiro / Grainha Branco, vinhos que costumam compor minha bagagem de retorno. Falemos, no entanto, do que bebi, do Só Touriga Nacional 2005. È um vinho que está no ponto certo de ser tomado e tenho visto que os varietais de Touriga Nacional crescem bem com tempo em garrafa, desabrochando e mostrando todo o seu potencial entre os 4 e os 6 anos, obviamente havendo vinhos que amadurecem bem mais tarde como, por exemplo, um Vallado ou Quinta do Crasto.

            Como disse, abri esta garrafa no momento certo. Um floral muito típico sobe da taça ao nariz trazendo-nos aquele aroma de violetas de boa intensidade porém delicado, mostrando também algumas notas de fruta vermelha compotada compondo uma complexa e agradável paleta olfativa que nos incita a levar a taça á boca. No palato mostra-se um vinho muito equilibrado, rico, ótimo volume de boca sem ser pesado, taninos finos e aveludados, rico, um final saboroso, longo e especiado que encanta e pede bis. Pouca garrafa para tanta gula e um perfeito acompanhamento para o Bacalhau à Braz que preparamos. Fosse de uma safra mais nova e seus taninos firmes se sobressairiam, mas este encaixou á perfeição e mostrou ser um lobo em pele de cordeiro já que, no meu conceito, é um vinho que surpreende e ás cegas certamente bateria um monte de rótulos mais afamados e caros. Após aquele maravilhoso champagne Mailly Grand Cru Blanc de Noir, um magnífico complemento para a primeira Páscoa com meu neto e uma digna celebração por sua chegada. Grandes vinhos, ótima comida e a companhia certa, receita para grandes momentos! O rótulo é trazido pela Portuscale anda na casa dos R$130 nas lojas especializadas.

Domingo Seguinte – mais uma celebração, a primeira visita de meu neto em casa. Lá fui eu para a cozinha preparar meu já tradicional Fetuccine com Salmão e Espinafre tendo como aperitivo polvo de caldeirada (esta em conserva) com um pãozinho italiano. O que acompanhar? Bem, certamente um vinho branco e pensei no delicioso Alvarinho Soalheiro que me aguardava na adega, mas aí caiu a ficha, porquê não algo diferente já que era um dia especial em que recebíamos um “convidado” para lá de especial? Busquei assim o presente que ganhei do Juan (Peninsula) quando do nascimento do Bruno, uma deliciosa cava, Juve y Camps Vintage Reserva 2006, estupenda! Mais uma vez faltou garrafa para tanta gula e a harmonização com ambos os pratos foi perfeita. Já tomei o Reserva da Familia Grand Reserva Nature 2004 deste mesmo produtor, por sinal também muito boa, mas tenho que reconhecer que para o meu gosto e para esta harmonização o Vintage 2006 se mostrou superior e desde já declaro que estará entre minha seleção de espumantes na Vino & Sapore.  Frutado (frutos brancos) no nariz com toques florais e nuances de brioche e leveduras sutilmente presentes. A perlage mostrou-se muito persistente, fina e abundante teimando em produzir estrelas no céu da boca. Bom corpo, cítrico, boa acidez, muito balanceado e agradável, crescendo muito com a comida e mostrando-se um ótimo companheiro de garfo afora se comportar maravilhosamente bem como aperitivo acompanhando umas tapas. É importado pela Peninsula e anda pela casa dos R$95 a 105 pelas lojas pesquisadas.

            Mais uma vez o Bruno iluminou o ambiente e me levou a tirar algumas preciosidades da adega que vieram alegrar o dia e dar enorme satisfação à família reunida em volta da mesa. Pena que ele ainda só tenha boca para leite, mas aguardo ansioso o dia em que tomaremos juntos a primeira taça.

Salute e kanimambo

Fonseca Vintage 2007, o Vinho do Bruno.

                Acho que já comentei aqui que possuo uma pequena, mas boa coleção de Portos Vintage. Grande parte destas garrafas estão comprometidas com datas e pessoas. Tem as das datas de nascimento de meus filhos para tomarmos quando casarem, cada um tem outra garrafa para tomar com os irmãos quando completarem 50 anos, tem a do meu 35º aniversário de casamento, do meu sexagésimo de vida, e por aí afora. Pois bem, não sei se 2010 haverá vintage e se será um bom ano, então quis garantir que meu neto comemorasse seu trigésimo aniversário com um grande vinho. Que como esse grande vinho ele cresça e evolua com o tempo mantendo seu esplendor e saúde. Podia ser um Graham´s, um Quinta do Vesúvio ou um Fonseca, todos grandes vinhos, porém a escolha recaiu sobre o ùltimo. Os outros dois também se filiaram a minha adega, aproveitei bem a viagem recente a Portugal de onde também veio um incrível Santa Eufemia Porto Reserva Especial Branco 1973, porém estes terão outros destinos.

             Este Fonseca Vintage 2007 foi uma das estrelas daquela fantástica degustação de vinte e nove Vintages dessa incrível safra de Vinhos do Porto tendo o DOW’s  2007, outra das estrelas desta safra,  acabado de levar 100 pontos da Wine Spectator. O Dow’s e o Fonseca dividiram a premiação da revista portuguesa Wine – Essência do Vinho para o Melhor Vinho do Ano de 2009 ou seja, sem duvida alguma este Fonseca será um vinho que ainda vai dar muito o que falar e que me dará enorme prazer em tomar, até porque a companhia será muito especial. Ainda preciso pensar numa data para alocar um DOW’s! rsrs Será que precisa?

              Espero ainda estar por aqui para poder compartilhar do momento, mas certamente esse Fonseca Vintage será meu elo com esse dia e esse momento. Por outro lado, quem sabe não tomamos juntos quando ele fizer vinte e um?!

Salute, kanimambo e um belissmo fim de semana para todos.