Países & Produtos

Pericó Icewine – Fazendo História.

e eu estava lá! Sim, fiz parte de um pequeno e privilegiado grupo de pessoas convidado para participar do pré-lançamento, em grande estilo diga-se de passagem, deste produto que é único no Brasil. Fui expectador de um momento importante da história vitivinicola brasileira, “history in the making” diriam os ingleses,  em que vieram á tona; a criatividade de Roberto Rabaschino que teve a idéia, de Wander Weege que “comprou “ a idéia e perseguiu o objetivo na sua Pericó,  assim como a maestria de Jefferson Nunes o enólogo encarregado da elaboração muito bem sucedida deste primeiro e único “vinho do gelo” brasileiro.

        No Canadá e Alemanha, onde este vinho já fez história e é objeto de cobiça dos amantes do vinho espalhados pelo mundo, as uvas usadas são essencialmente brancas porém neste caso usaram a Cabernet Sauvignon por ser a uva que com amadurecimento mais tardio nos vinhedos da vinícola capaz de persistir  nas parreiras até a chegada das temperaturas negativas do inverno na altitude na região de São Joaquim. Vem daí a cor rosada, puxando para o âmbar, que aparece na deslumbrante taça da Strauss especialmente desenvolvida para acompanhar este vinho.

        Baixíssimo rendimento de um cacho por broto, cerca de meio quilo de uva por planta, e um enorme problema, os pássaros que já com menos disponibilidade de comida em Junho, descobrem nas doces uvas maduras um verdadeiro pitéu! Por falar em doçura, estas uvas alcançaram 34 brix (340grs de açúcar por kg) atingindo 15% de teor alcoólico natural. Colhida congelada após a temperatura ideal de menos de seis graus negativos ter sido alcançada, exatos – 7,5°, em dois dias diferentes numa vigília diária entre os dias 4  e 22 de Junho de 2009, o pequeno volume de uvas chega à cantina onde as máquinas são cobertas por gelo para que o mosto obtido alcançasse a menor temperatura possível. A glória, quatro graus negativos!

         Com um total de cerca de 13.400 kgs de uva que geraram aproximadamente 600 litros de mosto, estamos diante de um vinho surpreendente do qual somente 3.676 garrafas foram produzidas, algumas das quais tivemos o enorme prazer de degustar após um ano de passagem por barricas francesas novas. São 84grs de açúcar residual perfeitamente balanceados por uma acidez total de 6,73 que conferem a este vinho um tremendo equilíbrio. Em 2010 não tiveram colheita e só Deus sabe quando terão novamente pois a dependência das condições ideais climáticas é total e todos sabemos que a natureza anda se revoltando contra os maus tratos sofridos, então há que se tratar bem cada uma dessas poucas garrafas produzidas.

       Não sou nenhum expert neste estilo de vinho e muito menos de Icewine, porém gosto de vinhos de sobremesa especialmente daqueles que conseguem esse equilíbrio tão delicado entre doçura e acidez. O Pericò Icewine tem esse predicado e mostra-se com uma cor linda, brilhante, límpido com nuances que fazem lembrar um Tawny Colheita 10 ou 20 anos, com aquele toque âmbar. Nos aromas é doce, sutil com um toque de licor de cereja inicial que evolui para algo mais complexo como figos secos, segundo alguns, e eu encontrei baunilha. Na boca é uma coisa! Muito rico, um equilíbrio perfeito do álcool, doçura e acidez extremamente bem integrados com um final de boca longo e persistente com notas amendoadas. Vibrante, sedutor, sem arestas, estamos diante de um vinho cativante, extremamente elegante e fino que deve ser tomado a uma temperatura em torno dos 10°.

          Vem numa latinha linda, aliás todo o projeto gráfico é muito bem feito e de extremo bom gosto mostrando uma eficiência profissional nos mínimos detalhes, preta com imagens extraídas do quadro “Vindima na Neve” da artista Tereza Martorano também Catarinense, mas bem que poderia vir de fraque e cartola que lhe caberiam muito bem! Na apresentação, a descoberta dos chocolates Nugali de Pomerode, um projeto todo Catarinense, que elaboraram para este momento tão somente, uns bombons exclusivos que têm como ingrediente um pouco deste Icewine, DI-VI-NOS!

        Já tenho preço para divulgar, mas com todos esses predicados e exclusividade, certamente não poderia ser barato. Esta pequena, delicada e linda garrafa com apenas 200ml, mais parecendo um perfume que uma garrafa de vinho, deverá estar nas prateleiras de algumas poucas lojas especializadas, em torno de R$280 a R$300,00  aqui em Sampa com toda a carga tributária em cima das “importações” de Santa Catarina. Caro? Sei lá, é único, é histórico, é exclusivo, é inovador e de quantidade limitada então me parece lógico que tenha que ser altamente valorizado, mas… Não o vejo como um produto de massas e sim como um objeto de desejo e curiosidade hedonista para os amantes dos doces néctares, algo diferente para aquele que já tem tudo, só não tem um Icewine brasileiro e, ainda por cima, de grande qualidade. Na vida tudo é relativo, preço também, então …….., sei lá. Desta feita não faço juizo de preço, mas acho que se estivesse em torno dos R$200 seria mais aceitável. De qualquer forma, o mercado será o julgador final desse quesito.

       Eu tenho uma garrafa e penso em adquirir mais uma. Tomo uma, dia 1 de Janeiro para que o ano se inicie doce e assim perdure, e a outra guardo, é história! Segue imagem do vinhedo a 7,5° abaixo de zero, lindissíma e idílica paisagem.

Salute e kanimambo. I’m Back!

 

Um Tinto Uruguaio de Respeito, Abraxas 2007.

                 É, nesta última Quarta fiz um suspense para falar deste vinho, porém aqui estou para o comentar, um senhor vinho. Daqueles que vestem fraque e cartola com eximia destreza e elegância apesar de um porte musculoso e viril. Abraxas, um vinho elaborado com 100% do melhor tannat plantado em Rocha, no norte do Uruguai já próximo de Punta Del Este.

Encorpado, grande estrutura, teor de álcool aquém do esperado com somente educados 12,5% que nos permitem passar da terceira taça! E olha que dá fácil para isso, uma pena que não tivesse um belo pedaço de bife ancho para acompanhar, pois seria divino. Frutos negros no olfato, como a cor que insiste em tingir a taça com laivos violeta, e terroso. Na boca explode numa complexa sinfonia em que prevalece o equilíbrio. Taninos aveludados de muito boa qualidade, rico, untuoso e sedutor com a madeira já bem integrada, denso, final longo em que aparece algum moka com toques de especiarias. Talvez não possua a mesma capacidade de guarda do 2002 que ainda está pujante, porém talvez seja mais rico em sabores e mais harmonioso, um conjunto mais cativante e apetitoso para ser curtido e apreciado sem pressa, mais do que meramente bebido.

              Realmente é de tirar o chapéu para o que os enólogos fazem por lá com essa uva.  Seus vinhos premium estão num patamar de grande qualidade e este não nega a raça. Um dos bons rótulos nesta gama de qualidade a um preço abaixo da média o que o faz saber ainda melhor, eheh! Acha-se por aí na faixa dos R$100,00 e este eu recomendo como um belo custo x beneficio que certamente faria alguns dos bons vinhos do Mandiran enrubescerem. Importado pela Dominio Cassis, sei que na Portal dos Vinhos tinha e também terá na Vino & Sapore, uma no Morumbi em Sampa e a outra na Granja Viana em Cotia. Ah, ia-me esquecendo, a garrafa é poderosa e, nas mãos erradas, pode virar uma arma letal. A bichinha deve pesar uns 5 kgs!!!!!!!

Salute e kanimambo

Um Branco Vibrante e Um Tinto de Tirar o Fôlego

             Pelo menos foram essas as principais sensações percebidas ao tomar esses dois vinhos neste último fim de semana. O primeiro, o branco de Chablis, quando me dei conta tinha acabado e faltou garrafa! Já o tinto, bem, esse dosei com parcimônia e veio confirmar a boa fase pela qual passa este produtor uruguaio de região pouco conhecida.

            Um Petit Chablis como os chardonnays têem que ser, pelo menos a meu ver. Sou um apaixonado pelos vinhos da região de Chablis assim como pelos brancos do Loire. Me encanta essa ausência total, ou quase, do uso de madeira nos vinhos junto com a acidez e mineralidade preponderantes do terroir que nos fornece enorme prazer e frescor. Um Petit Chablis é a base da pirâmide dos vinhos da região e não é incomun encontrar produtos bastante ralos e ligeiros que, em minha opinião, não valem o que pedem por eles. Provar um bom Grand Cru e Premier Cru é uma experiência que deixa marcas e até hoje me lembro de um que comprei em Londres, um delicioso Chablis 1er Cru Beauregard do Domaine Jean-Claude Martin, safra 2000 que tomei há uns cinco anos atrás. É, é isso mesmo, cinco anos e quando penso nele ainda me dá água na boca. Vinho bom é assim mesmo, de longa persistência…….na memória! Bem, já estou devaneando então voltemos ao meu J. Moreau & Fils Petit Chablis 2008.

             Longe de querer esperar a complexidade e profundidade de um Primer Cru, porém este está alguns degraus acima de outros Petit Chablis já tomados e me deu enorme prazer de tomar. Tudo de forma mais leve e suave, porém está tudo lá. A maçã verde, aquela mineralidade acentuada, o frescor, frutado com toques de limonada suíça (viajei legal agora, eheh), vibrante e balanceado, daqueles vinhos que nos fazem querer mais e mais e mais, e ……..enfim, um vinho divertido que alegra o palato e o espírito. Falta-lhe corpo, profundidade e persistência, mas se tivesse tudo isso seria um Chablis, talvez um Primer Cru! Os Chablis, mesmo os Petit, são tradicionalmente caros, este é um pouco menos, por volta dos R$90,00. Um bom cartão de entrada para esse maravilhoso mundo de Chablis, pequena comuna localizada no topo da região de de borgonha, tome-o acompanhando frutos do mar grelhados, salmão, lulas á doré e divirta-se!

           O segundo vinho foi um tinto encorpado, complexo, ainda muito jovem. Um vinho mais sério e compenetrado, um caldo mais contemplativo. Um Tannat Premium de uma região pouco explorada e de um produtor menos mediático. Já comentei aqui o 2002 que gostei muito, agora tomei a versão 2007, mas esse comentarei daqui a uns dias.

Salute e  kanimambo.

Falando do Meia Pipa

              Um dos mais conhecidos vinhos top de gama portugueses será certamente o Quinta da Bacalhôa da vinícola do mesmo nome situado em Terras do Sado, ou seja região Setúbal. Podemos até discordar, mas o vinho fez a fama no mercado internacional e muitos são fãs de carteirinha, virou um clássico! Cá entre nós, apesar de o achar um vinho muito bom, de grandes atributos especialmente quando tomado com cerca de uns seis para sete anos de vida, acho que é um pouco sobre valorizado havendo na casa outros vinhos que, talvez menos midiáticos, valem mais a pena em função da relação Qualidade x Preço x Prazer que oferecem. Acho o Só Touriga um grande vinho e uma pena que seu preço deste lado do atlântico seja tão caro, pois é um exemplar varietal dessa nobre casta lusa que dignifica a vitivinicultura portuguesa.

            Uma das melhores opções e, na minha opinião, um dos mais injustiçados rótulos produzidos pela casa é o Meia Pipa que com três a quatro anos de guarda nos presenteia com uma riqueza de sabores que me encanta e não é de hoje! É um pouco como o Quinta de Camarate Tinto, o branco também é muito bom,  vinho da mesma região produzido por José Maria da Fonseca e que por aqui andou há cerca de uns cinco para seis anos atrás pelas mãos do Pão de Açucar. De lá para cá desandaram a trazer rótulos mediáticos e caros, esquecendo-se desse belo vinho. Bem, mas voltemos ao Meia Pipa, um blend da tradicional Castelão com Cabernet Sauvignon e Syrah que passa cerca de 11 meses em meias pipas de carvalho Allier, daí seu nome. Boa estrutura, taninos doces e finos, boca macia, textura sedosa, aromas bem frutados, notas de chocolate, alguma baunilha, madeira bem colocada, sem exageros, no geral bem balanceado e muito apetecível. O único senão talvez seja um teor de álcool levemente acima da média nas proximidades dos 14% que, apesar de não aparecer nem no nariz como na boca devido a seu enorme equilibrio, torna-se um pouco mais pesado depois da terceira taça, até porque ele é tão cativante que a tendência é passar fácilmente da terceira! rs.

             Trazido pela Portuscale e disponível nas boas lojas do ramo, (criativo não?),  por cerca de R$50 a 55,00, venderia maravilhosamente bem se a R$45,00, é um rótulo que vale a pena ser conferido antes de partir para os big brothers da casa e este 2007 confirma tudo aquilo que já conhecia e um pouco a mais. Eu gosto e minha avaliação é bem positiva, então esta é minha dica para este fim de semana alongado com feriadão na terça. Salute, boa comida, bons vinhos e boa companhia, a vida não fica muito melhor que isso!

Kanimambo e nos vemos por aqui.

Bom Vinho Rima com Boa Comida

              É, dá para tomar bons vinhos solo, mas a grande maioria foi feita para acompanhar comida, preferencialmente bem acompanhado(a).  A minha dica de hoje, na verdade duas, tem a ver com essa constatação e não deixem de brindar. Não interessa ao quê, pegue uma garrafa de espumante e faça deste dia um dia especial!

Restaurant Week – no Dicas da Semana da semana passada, tinha dado destaque e sugerido a visita ao Hitan, um local diferente a ser conferido. Hoje tenho o prazer de de destacar um restaurante pertinho de casa, o Açafrão da Terra. Local muito agradável que possui a Chef Cacilda (conhecida na região) comandando a cozinha, é um restaurante jovem com menos de seis meses de vida, mas que já começa a mostrar ao que veio com muito dinamismo e competência. Melhor ainda, é aqui na Granja Viana, um local especial com ampla carta de vinhos e uma ótima opção á zorra que se tornou Sampa. Vejam abaixo e não deixem de prestigiar, especialmente os moradores da região da Raposo Tavares.

Chef Márcia é Ideia Gourmet – estamos em plena Restaurant Week,  mas tem gente que gosta mesmo é de receber e se aventurar pelos segredos da boa culinária, em casa! Nesse caso, tanto você pode encomendar os serviços da simpática e sempre alegre Chef Márcia de Paula como aproveitar de seu conhecimento tomando umas aulas e visitando seu site da Ideia Gourmet. Eu tenho isso no meu wish list! Agora com a abertura da loja, não pude nem pensar nisso, mas deixa a coisa acalmar que estarei batendo na sua porta para marcar minhas aulas.

               Para acompanhar as dicas acima, um bom vinho sempre vai bem. Desta forma fica aqui a minha sugestão para um espumante. Falo muito destes vinhos borbulhantes, mas já faz um tempinho que não publicava nenhum comentário aqui. Desta feita venho recomendar um de uma casa produtora nacional, mais precisamente de Garibaldi, relativamente nova porém com um respaldo enorme de conhecimento já que pertence ao grupo Valduga, é a já muito premiada Domno. Sua marca, Ponto Nero, da qual sou gamado no Extra-brut que já comentei aqui por diversas vezes,  vem crescendo em diversidade e incorporando marcas importadas usando sua rede de ditribuição. Hoje gostaria de comentar o Ponto Nero Brut, seu espumante “básico” desta gama (tem outros) produzido pelo método charmat e mui recentemente premiado na avaliação do Guia 4 Rodas, em que ficou no segundo lugar na classificação geral de melhores espumantes do Brasil, sendo o mais bem colocado na categoria charmat.

Corte de Chardonnay com Pinot Noir e um tico de Riesling, mostra-se muito fresco e especialmente vivaz, talvez por esse tempero do riesling que lhe dá um toque mais mineral. Cremoso e de perlage fina, creio que advindo do uso do método charmat longo em que passa seis meses sobre lies, é cítrico com nuances de tostado e levedura, possui interessante volume de boca e é  muito bem balanceado dando-nos enorme prazer ao tomar. Pode ser tomado solo, como eu fiz no Domingo, ou acompanhando saladas, peixes grelhados sem grandes temperos, frutos do mar fritos (lula, camarãozinho), etc.. Um espumante que se vende no mercado por volta dos R$35,00 preço justo para o que entrega e, mesmo não sendo exuberante, não é esse seu papel e se buscar isso vá de extra-brut, é um espumante muito agradável e fácil de se gostar. Tomei e recomendo.

Salute e kanimambo

Garimpando Itália

        Venho tentando tirar o atraso na minha litragem de vinhos italianos, falha em 2009, e devagarinho vou chegando lá. Estes são alguns que me agradaram bastante e que agora compartilho com vocês. Tinha publicado este post na Sexta, mas devido a falhas na internet (fiquei sem sinal no meio) tinha saído só parcialmente, então tomei a liberdade de o apagar e repostar hoje. Eis cinco rótulos de que gostei e que acho possuem uma relação custo x beneficio bastante interessante.

Comecemos por esta variação de Sangiovese de regiões produtoras diferentes; Toscana, Umbria e Marche com preços variando entre R$56 e 68,00.

  • Poggio Bertaio Stucchio da região da Umbria, o mais surpreendente dos vinhos provados. Vibrante, boa intensidade aromática com presença de fruta madura e algo de baunilha, na boca mostra-se com bom volume, taninos finos e aveludados, muito equilibrado, com um final de boa persistência e algo especiado. Um belo vinho que satisfaz sobremaneira e quando penso nele penso também num belo filé à parmeggiana, será?
  • Garofoli Montereale Rosso da região de Marche é o mais jovial e descompromissado dos três vinhos. Saboroso, taninos suaves e macios, boa acidez e fácil de agradar, me pareceu  uma ótima companhia para pizza, hamburger e carnes grelhadas sem temperos fortes.
  • Palagetto Chianti Colli Senesi, ó único que não é 100% Sangiovese, levando uma pitada de Colorino e Merlot. Foi o vinho que se mostrou com maior estrutura de boca, porém sem perder a elegância possuindo taninos de qualidade e aveludados. Apresenta  já alguma complexidade tanto aromática como de sabores adicionando á fruta, algo de cacau, café e nuances terrosas. Boa acidez, característica de um bom chianti, bem balanceado é um chianti que agrada bastante e apresenta um bom preço pelo prazer que entrega. Só faltou uma bela pasta com molho ao sugo ou porpeta !

                    

e vinhos da região do Veneto de um produtor muito especial, Tedeschi. Muita qualidade de uma DOC italiana nem sempre bem compreendida gerando muita coisa boa mas também alguns caldos de muita baixa qualidade que denigrem o nome Valolicella. Não é o caso aqui! Estamos diante de um grande produtor com vinhos muito agradáveis  que tive o prazer de provar na companhia dos amigos da Vinea.

              Tedeschi é sinônimo de qualidade no Vêneto onde a família produz vinhos desde 1824. Seus Amarones são grandes vinhos, mas a qualidade impera desde o mais básico Valpolicella provado, neste caso o Classico Superiore 2006. Mais uma bela tacada da Vinea que só vem enobrecer, mais ainda, seu bom portfólio. Neste encontro, no entanto, dois vinhos tiveram forte impacto sobre mim não só por sua riqueza, mas também pelo preço que é um fator importante a ser considerado e avaliado.

Capitel dei Nicalo Appassimento Breve Valpolicella 2005, um vinho intermediário entre o Valpolicella Superiore e o Superiore Ripasso blend de Corvina, Corvinone e Rondinella, levando ainda 10% de um mix de Rossignola, Oseleta, Negrara e Dindarella todas uvas autóctones da região. Enche a boca de prazer por cerca de R$89,00 sendo rico, pleno de sabor, bom volume de boca, taninos redondos e sedosos, gastronômico e balanceado com boa persistência. A meu ver, a melhor relação Qualidade x Preço x Prazer desta degustação.

Capitel San Rocco Classico Superiore Ripasso 2005. Gosto muito dos vinhos elaborados pelo método Ripasso (uso do resto das borras do Amarone ou adição de uvas parcialmente secas ao sol numa segunda fermentação dando-lhe mais cor e estrutura) que são mais palatáveis e fáceis de beber do que os Amarones e a um preço que cabe no bolso sem provocar grandes rombos. Sem contar que não há a necessidade de esperar um tempão olhando o vinho decantar para depois o tomarmos. rs. Bem, falemos deste bom Ripasso, o vinho que mais me entusiasmou desta leva de bons rótulos trazidos pela Vinea. Taninos macios e doces, fruta madura compotada, taninos muito finos e perfeitamente balanceados com uma acidez perfeita, rico em sabores, complexo e guloso formando um conjunto que encanta e satisfaz por um preço justo, R$113,00. Gamei!

Salute e kanimambo

Frei Gigante e Invisível, dois Brancos em Tempo de Tintos

          É, o tempo anda frio e pede um tinto, porém há muito que me deixei levar pelas sutilezas e sedução dos vinhos brancos e não vejo porquê não me aventurar por essas bandas especialmente se a comida assim o indicar. Desta feita dois vinhos lusos, que por aqui ainda não chegaram, bastante diferentes e curiosos.

Começemos pelo Frei Gigante, um vinhos dos Açores (ilha do Pico) que provei na Sisab, mas esta garrafa me foi oferecida pelo meu amigo e solicitador em Portugal, o Sérgio Pinto que esteve nos açores de férias e se lembrou de mim. Bem, os amigos daqui pouco ou nada devem conhecer dos açores, exceção feita aos de Santa Catarina e parte do litoral paranaense onde a colônia é grande. Assim que tenha tempo, se algum amigo leitor quiser contribuir sinta-se á vontade para me enviar matéria que a publicarei com os devidos créditos, farei uma pesquisa para falar um pouco mais dos açores e de seus vinhos. Uma outra coisa muito boa lá da ilha que vale a pena provar e carregar alguns exemplares, são os queijos, deliciosos!

           Este vinho branco é muito interessante, passando por fermentação em barricas americanas e inox, é muito agradável e diferenciado na boca, com uma bela cor palha com laivos dourados cor de mel que pouco aparecem na foto, mas estão lá! rs É untuoso, quase gordo, corpo médio, muito bem balanceado, cremoso no palato com bom volume de boca, frutado, acidez correta, sem excessos, final muito agradável e saboroso algo amendoado com toques de manteiga bem sutil. Um vinho que me surpreendeu muito positivamente, até porque sai fora dos padrões mostrando uma personalidade muito própria.

Já que falei de personalidade própria, eis um outro vinho que se mostra diferente, é um Blanc de noir, ou seja um vinho elaborado com uvas tintas, neste caso aragonês, porém vinificado em branco, no Alentejo! “Exquisite”, seria a melhor palavra para o descrever, mas não consegui traduzir isso para português. É o Quinta da Ervideira Invisível 2009, um vinho realmente diferenciado a começar pela cor que lhe dá o nome, quase transparente com laivos rosa que já nos deixa curiosos na análise visual. No nariz, algo floral e frutas brancas que nos levam a pensar em melão e pêra, algo que se repete no palato onde o equilíbrio predomina com bom volume e um resultado de final de boca levemente adocicado.  Quem sabe uma boa companhia para a bem condimentada comida asiática. Não é um blockbuster, diferentemente do Antão Vaz que produzem, mas é bastante agradável de tomar. Este trouxe da SISAB em Fevereiro, por sinal estou em divida com o pessoal de lá, e era lançamento, tanto que a garrafa nem rótulo tinha.

            Pelo que sei, lamentavelmente nenhum dos dois está disponível no mercado e a Quinta de Ervideira que trabalha o mercado brasileiro com, creio, três diferentes importadores, ainda não conseguiu convencer nenhum a trazer este rótulo. De qualquer forma, se estiver programando uma viagem a Portugal, eis aqui duas dicas interessantes e diferentes para você conferir.

Salute, kanimambo e um ótimo fim de semana para todos.

Quimera, um sonho alcançado!

Fazia tempo que minhas garrafas da 2004 piscavam para mim cada vez que abria a adega e me mandavam mensagens telepáticas, me toma, me toma, me toma! Ontem olhei e pensei, porquê fazê-lo, porquê não, ai fui lá e fi-lo, peguei uma garrafa. Antes de falar do vinho, no entanto, vejamos o que diz o, falho mas prestativo, Wikipedia sobre o nome Quimera; “Quimera é uma figura mítica que, apesar de algumas variações, costuma ser apresentada como um ser de cabeça e corpo de leão, além de duas outras cabeças, uma de dragão e outra de cabra. Outras descrições trazem apenas duas cabeças ou até mesmo uma única cabeça de leão, desta vez com corpo de cabra e cauda de serpente, bem como a capacidade de lançar fogo pelas narinas. Graças ao caráter eminentemente fantástico de tal figura mítica, o termo quimerismo e o adjetivo quimérico se referem a algo que não passa de fruto da imaginação, uma ilusão, um sonho.”

             Achaval-Ferrer, Quimera 2004 um sonho perseguido e alcançado, é isso que o vinho é.  Uma enorme fonte de prazer, um nome muito bem escolhido para um vinhaço que busca a perfeição, tanto que não conseguimos nos manter em uma só garrafa tendo consumido duas já que minha cunhada que não gosta de vinhos argentinos, eheh, gamou. Como diria meu amigo mineirinho, “bão demais da conta, sô”!

            Corte de Malbec/Cabernet Sauvignon/Cabernet Franc e Merlot, é  produzido com vinhas velhas de baixa produção o que equivale dizer, neste caso, que para cada garrafa se necessita do fruto de duas plantas. Cor escura, vinho denso e intenso em tudo, na cor, nos aromas e na boca. Encorpado, gordo com taninos finos num final de boca sedoso, longo e reflexivo, um vinho exuberante. Com álcool de 13 a 13.5º, dependendo da safra, muito comportado e bem equilibrado, é um deleite para os sentidos e mostra que os bons vinhos argentinos não necessitam ser só força e potência, a elegância tem lugar nas mãos de quem sabe. Vinho para decantar por volta de 45 minutos ou tomar com o mínimo de 4 a 5 anos da safra para poder desfrutar de todo o seu potencial. Este 2004 com seis anos de idade está no seu apogeu, uma maravilha que seduz os sentidos e ao qual se deve dedicar tempo para apreciar, não é um vinho para se ter pressa para tomar. Quando tomei o 2003, em 2008, tinha dito que que estava uma maravilha mas que dava para esperar mais um ano, ou dois, tranqüilamente, pois este confirma essa minha primeira impressão.

        Ano que vem tomo minhas garrafas de 2006, de uma safra magnífica na Argentina, mas guardarei pelo menos uma para 2012 pois acho que o vinho evoluirá mais ainda. Agora, deste produtor tudo é bom. Do Malbec “básico” ao seu magnífico Mirador, o de 2006 foi um dos melhores vinhos que já tomei, obras de artista que valem cada tostão, se não aos preços de cá, pelo menos nos de lá. Muitos amigos me perguntam o que comprar quando vão à Argentina, então fica aqui minha dica, vinhos da Achaval Ferrer.

       Sei, hoje é dia de Dicas da Semana, mas depois de tanto tempo sem falar de vinho e depois desta soberba experiência de domingo, tinha que falar do Quimera. O Dicas vem amanhã ou Quarta!

Salute e Kanimambo

Churchill Cabernet Franc, um Vinho Diferenciado.

             A CBE (Confraria Brasileira de Enoblogs) escolheu um Cabernet Franc brasileiro para prova e este já há tempos piscava para mim de dentro da adega. Um produto diferenciado, sem dúvida alguma, que mostrou que precisa de tempo ainda, ou pelo menos um tempinho de aeração no decanter, pero no mucho. A tipicidade da cepa, de acordo com Oz Clarke em seu livro Grapes & wines, tradicionalmente gera vinhos perfumados, frutados de textura sedosa e menos tânica que sua prima mais famosa, a Cabernet Sauvignon. Pode ser influência de Oz Clarke, mas senti tudo isto de forma surpreendente neste vinho, porém não no primeiro dia e sim dois dias depois após o ter guardado com o uso do Vacu-vin.

           A primeira taça me apresentou um vinho ainda fechado tanto no nariz quanto na boca e achei com um amadeirado excessivo que não me incentivou a dar seguimento à degustação. Fechei, podia ser eu ou o vinho, abrindo-o dois dias depois e a conversa mudou de tom. Agora a fruta apareceu, algo compotada como a maioria dos vinhos nacionais, mas cheia de vigor mesmo que não exuberante. Na boca, onde ele mostra todo o seu potencial, a madeira estava harmoniosamente colocada, mesmo que com 11 meses de barrica, sedoso, taninos finos , médio corpo com um volume de boca gostoso, rico com toques de salumeria e um leve tostado. Final longo, sem qualquer amargor, algum café e toffee de retrogosto, um vinho que me surpreendeu neste segundo encontro e me deixou com aquele gostinho de quero mais. Faltou vinho nessa garrafa, pelo menos essa foi a sensação, será que colocaram menos na garrafa para render ?!  rs Uma observação, tomei-o mais refrescado que o normal, talvez uns 15 ou 16º, e achei que isso também fez diferença porém creio ser essencial aerar o vinho num decanter por pelo menos uns 30 a 45 minutos dando-lhe o tempo necessário para que ele se encontre e mostre toda a sua personalidade.

         O nome vem do sobremome do idealizador e produtor deste projeto que rendeu meras 600 garrafas deste belo caldo nesta safra de 2006. Nathan Churchill é americano e vive no Brasil onde vende barricas americanas. Com este projeto Nathan tentou e conseguiu, mostrar as qualidades exponenciais que podem ser obtidas através do uso adequado de suas barricas usando uvas da Valmarino onde o vinho também é vinificado. Certamente um vinho que espero poder rever, agora da safra de 2008, já que aparentemente foram produzidas um pouco mais do dobro das garrafas e é um belo de um produto. Por outro lado, aguçou a minha curiosidade para provar o vinho da Valmarino. Interessante o rótulo que é uma homenagem ao Romanée-Conti.

Salute e kanimambo

Polkadraai Branco

               O vinho do mês escolhido pelo Luis Sérgio (http://vitisvinifera.wordpress.com) . para a Confraria dos enoblogs foi um Sauvignon Blanc da África do Sul. Bem, eu tinha escolhido o Fairview, porém o amigo Jeriel já o tinha comentado no mês anterior e eu gosto de aproveitar estas oportunidades para trazer algo novo, então consultei o Gil e mudei. É sul africano, é branco, tem Sauvignon Blanc, porém a cepa protagonista é a Chenin Blanc, uva do Loire que se deu muito bem na região do Cabo. Este é o Polkadraai Branco, assemblage de 60% Chenin com Sauvignon Blanc que nos chegou recentemente pelas mãos da Mercovino e que comento agora.

Antes de falar do vinho, no entanto, falemos de Polkadraai Hills uma AOC nova na região e que por aqui se denomina W.O. (Wine of Origin). Polkadraai se refere a uma região de colinas acompanhando uma estrada sinuosa, porta de entrada para Stellenbosch. Draai, em Afrikaans, quer dizer curva e polka a dança que os carros faziam na antiga estrada repleta de curvas apertadas e perigosas. Hoje, uma estrada ainda sinuosa, porém menos perigosa, nos leva a vinhedos que em sua maioria se encontram na face sul e sudeste das colinas recebendo o efeito das brisas oceânicas que refrescam a região e dão ás uvas brancas uma característica muito própria. Polkadraai Hills comporta cerca de 12 produtores entre eles esta vinícola, Stellenbosch Hills que também produz um Pinotage/Merlot muito saboroso e possui uma linha de gama alta que me pareceu bastante interessante.

O Polkadraai Branco com 12.5% de teor alcoólico é um vinho suave, seco, que marca pela acidez muito presente sendo ótima companhia para pratos de comida oriental, especialmente os sushis e sashimis, saladas, frutos do mar grelhados, camarãozinho frito, lulas á dorê, etc. Possui uma paleta olfativa simples, direta, bem frutada com um toque floral e algo de grama molhada de intensidade média. Na boca é uma profusão de frutas tropicais, muito fresco, agradável e balanceado, final de boca seco com algum amargor final que deverá sumir se servido mais próximo dos 6º. Não é nenhum blockbuster, mas dá conta do recado e agrada fácil, tendo se dado bem com um queijinho de cabra e um bom e descompromissado papo entre familia antes do jogo Argentina e México. Custa em torno de R$37,00.

É isso aí, navegue pelos vinhos sul africanos e os blogs da confraria para conhecer um pouco mais dos rótulos de Sauvignon Blanc disponíveis no mercado. Por hoje é só, salute e kanimambo pela visita.