Países & Produtos

Surpreendente, Valmarino & Churchill Extra Brut 2009

 

Pequena produção, somente 1250 garrafas disponibilizadas para venda, quatro meses de barricas francesas de primeiro uso, uma perlage e um colar que há muito não via numa taça de espumante. Tudo muito bonito e convidativo, mas e na boca? Eh, eh, é aí que ele surpreende para valer e adoraria ver esse espumante sendo servido ás cegas numa prova em que participassem os melhores rótulos nacionais e alguns champagnes. Delicioso, fino, muito fino, perlage consistente, muito equilibrado , fresco sem exageros, brioche, sutil fruta citrica, cremoso, complexo e absolutamente sedutor. Um belo espumante que não vai se encontrar por aí em qualquer lugar, só em lugares especiais como na Vino & Sapore (eh,eh), mas certamente daqueles que valem ser comprados de caixa e guardados porque, com esse pequeno volume de produção, vai faltar! Parabéns Nathan, mais uma tacada de mestre e essa parceria com a Valmarino, que já deu certo com o Cabernet Franc, realmente mostra que boas uvas, vinificação adequada e barricas de qualidade bem usadas rendem bons dividendos.

Um salute especial e kanimambo pelo privilégio.

Alvarinho Disfarçado de Riesling

      Me parece que há uma certa concordância de que a Alvarinho tem um “je ne se quois” (acordei cheio das frescuras hoje, rs) de Riesling e o Minho é o Mosel de Portugal ou, quem sabe, o Mosel é o Minho deles! Enfim, para os efeitos deste post isso não vem ao caso, pois corremos o risco do papo virar meio nacionalista, porém tenho que confessar que nunca pus na boca um Alvarinho tão Riesling apesar do corpo! Aliás, pelo corpo talvez mais Alsacia que Mosel, mas acho que já entenderam, certo?

Gloria, um vinho com a característica de acidez rasgante que faz o sucesso dos vinhos da região do Vinho Verde no Minho, norte de Portugal, porém com uma mineralidade muito presente que assume papel protagonista neste vinho. Aqueles aromas típicos dos vinhos bem minerais em que sobressaem o petróleo, e pedra de isqueiro surpreendendo á primeira fungada quem porventura esperasse aquela complexidade de aromas de frutas tropicais e cítricos da maioria destes vinhos. Sim, o mineral também é característica dos vinhos da sub-região de Monção, mas neste caso extrapola.

Já na boca essa mineralidade retoma um caminho mais equilibrado com a fruta cítrica aparecendo mais do meio de boca para o final com boa persistência e corpo, tendo também sentido agradáveis e sutis nuances de damascos frescos no retrogosto. No todo, um vinho bastante agradável que chega ao mercado numa faixa de preços em torno de R$60,00, bem razoável para um Alvarinho de boa qualidade que tem tudo a ver com nosso verão.   $

Aproveitando o ensejo, eis o que o site da Adega Alentejana nos diz sobre esta casta típica de Portugal que também produz belos vinhos na vizinha Rías Baixas, com o nome de Albariño, já do outro lado da fronteira na Galicia, Espanha:

          A casta Alvarinho é considerada uma das mais nobres castas brancas existentes em Portugal. Num país em que a grande maioria dos vinhos é de lote (vinhos elaborados com várias castas), os vinhos Alvarinhos foram os primeiros monocastas a se diferenciarem. O cacho de uvas Alvarinho é pequeno, pouco compacto e com uma forma peculiar, a “asa”. O bago é de tamanho médio, redondo, de cor amarela chegando a tons rosados quando bem maduro.

         A uva Alvarinho é cultivada sobretudo nos municípios de Melgaço e Monção, uma pequena subregião ao norte dos Vinhos Verdes. Nos últimos anos começou a ser plantada também em outras regiões mais ao sul. As videiras de Alvarinho produzem poucos cachos. O rendimento das uvas também é pequeno, sendo necessários 1,6 Kg de uva para fazer uma garrafa de 0,75 litro. Nas outras castas o normal é 1,0 Kg de uva para uma garrafa. Estas são as razões que justificam o preço mais alto deste vinho.

         Os vinhos Alvarinhos atingem facilmente a graduação alcoólica de 13%, os aromas são intensos a frutos citrinos (laranja e limão) e tropicais (manga e maracujá). São vinhos encorpados e com uma bela frescura ácida. Estas qualidades permitem que o Alvarinho possa ser consumido com até cinco anos de vida, o que não é comum nos outros Vinhos Verdes.

Salute, kanimambo e uma bela semana para todos

Soalheiro, melhor Vinho de 2010 para a Revista Wine.

            Soalheiro Primeiras Vinhas 2009 eleito o “MELHOR VINHO DO ANO” pela revista Wine – A Essência do Vinho em Portugal. De acordo com a revista, “Não raras vezes é apresentado como o “Riesling português”. A comparação é elogiosa, ainda que o Soalheiro seja um vinho bem português, do Alto Minho fronteiriço com a Galiza. Fruta, frescura e acidez são atributos que o fazem distinguir-se entre semelhantes e que também lhe permitem uma guarda por períodos mais longos que os habituais no caso dos brancos.” Eu tive a oportunidade de o tomar e comentar, tendo ainda há poucos dias falado dele para uns amigos. Realmente há Alvarinhos mais famosos em terras lusas, mas poucos são páreo para os vinhos deste produtor. Do mais simples rótulo aos mais complexos, sempre garantia de grande prazer e satisfação! ir a Portugal e não trazer umas garrafas na mala é crime inafiancável!! por aqui, quem o traz é a Mistral.

Um salute especial ao Soalheiro!

Assassinei meu Bife Ancho

Arma usada, um Cobos “calibre” (rs) 2002! Como o João Pedro, amigo e colega blogueiro português, alentejano de boa cepa e autor do Copo de 3, gosto de meus vinhos mais “cordatos no trato do que abruptos e sem modos.”

         Bem, não posso deixar de reconhecer que cometi aqui um erro, devia ter me aprofundado ainda mais na escolha do vinho antes de o abrir. De forma simplista, pensei que um vinho Malbec de 2002, nove aninhos nas costas e que descansava em minha adega há cerca de sete anos, já deveria ter-se encontrado e apresentaria uma nuance mais equilibrada e fina até porque os vastos elogios, teve até um blog que se referiu a ele como uma “dama”, e alta pontuação o procediam e indicavam um vinho de excepcional qualidade. Ledo engano, o bicho veio soltando labaredas pelas ventas tendo como combustível seus enormes 15.8% de teor alcoólico e uma tremenda camada de borra solidificada nos ombros da garrafa.

            Já tive oportunidade de participar juntos com os amigos “panas” de uma degustação de poderosos Malbecs de Mendoza e minha opinião só se confirmou com este Cobos, não dá! Tudo bem, tem gente que gosta e respeito, mas são excessivos em tudo especialmente no álcool que toma conta do todo, não há equilíbrio que agüente!!! Pior é que dava para sentir, especialmente no palato, que existia uma base de boa qualidade por baixo, mas que o álcool não permitia que aparecesse. Pode até ser que daqui a mais uns dez anos ele se encontre e se torne um pouco mais cordato, mas neste momento, mesmo que podendo até existirem alguns potenciais predicados qualitativos a serem descobertos, deixa muito a desejar no aspecto hedonístico da degustação e certamente prejudica qualquer harmonização. Num momento desses, essencialmente hedonístico e não técnico, é dificil tentar desvendar esses potenciais predicados. No popular, é como se alguém chegasse para te conhecer e emvez de um abraço te desse um tapa na cara. Você perde o rumo e fica, justificavelmente, dificil buscar eventuais aspectos positivos nesse encontro!

          Sei que provavelmente levarei porrada de tudo que é canto e ignorante deverá ser o menor dos insultos , parte aceita em função da péssima escolha de harmonização, porém não poderia deixar de compartilhar com os amigos esta incrível experiência. De qualquer forma, ainda tentarei repetir a prova com outro prato ou solo, porque como já diz o amigo Álvaro Galvão “um dia podemos não estar bem, noutro o vinho então só há terceira podemos fazer uma avaliação mais justa”, mas o preço é bem puxado o que limita eventuais testes e “colheres de chá”. O de 2006 (RP 98/99) está por volta dos R$700 (não pago para ver!) e o 2002 (RP 92/94) é difícil de se achar e custava algo em torno dos R$300,00.

Bem, falar sobre meu bife ancho a esta altura dos acontecimentos é sacanagem,  o Cobos atropelou, deu ré passou por cima de novo sem dó nem piedade, fugindo deixando um rastro de destruição! Só nos restou o triste ritual de ter que enterrar o bife ancho que não resistiu a tamanhos maus tratos! Tenho minhas sérias criticas a este estilo de vinho  que, mais uma vez, comprova minha tese da “Terceira taça”, este nível de teor alcoólico num vinho não fortificado simplesmente não dá, meu genro que o diga, pois na segunda taça já estava assim……. digamos, em estado, quase, catatônico! Já eu, bem, eu não fiquei muito atrás e fui obrigado a dar um “time” para me recuperar.

          Apesar de tudo isso tenho que reconhecer, lá no fundo da alma esse vinho apresenta alguns predicados porém, a meu ver e dentro de meus limitados conhecimentos, nada que o catapulte ao estrelato, pelo menos este que tomei. Sim, apesar de tudo e numa visão mais técnica, a fruta estava lá e os taninos nem estavam assim tão agresssivos mostrando bastante qualidade, acidez correta, difícil foi apreciar tudo isso sob aquele manto de álcool encobrindo todas essas potenciais qualidades. Servi a cerca de 17 graus, quem sabe se eu o tivesse resfriado um pouco mais?! Enfim, para quem gosta do estilo certamente é um prato, digo, taça cheia, já eu, bem, eu dispenso!

         Salute e kanimambo

Rito de Passagem – Paella, Rosé de Navarra e Anna de Codorniu!

Gosto da passagem de ano. Me atrai esse sentimento de ter alcançado mais uma etapa da vida, de conseguir alcançar mais uma e de renovar esperanças. De rever erros e acertos aprendendo com eles, de reformular o que tem que ser, de traçar novas rotas e definir objetivos. É, tradicionalmente para mim, um momento de reflexão importante mas que antes tem que ser festejado com mesa farta e saborosa bem temperada por um vinho à altura e um bom espumante.

Desta feita minha festa foi algo prejudicada por uma visita ao hospital no dia 30 que acusou a presença, graças a Deus ainda leve, de uma diverticulite tratada á base de antibióticos por uma semana! Desnecessário dizer que a gula, companheira destes momentos, teve que ser controlada, porém não deixei de dar alguns poucos goles.

Na ceia, uma incrível Paella da Dona Sagrário, célebre aqui na região da Granja Viana, que estava absolutamente divina! Conheço a Dona Sagrário e sua paella há mais de 20 anos e incrível como a qualidade se mantém, sem um único deslize ao longo de todos estes anos. Só a chegada dela à mesa já é um motivo de festa e deleite para os olhos, esse você pode ver na foto, e olfato com seus aromas envolventes  anunciando o prazer que certamente sentiremos no palato à primeira garfada. Para acompanhar, certamente o melhor ainda é uma sangria (faço uma da hora e ainda publicarei minha receita) mas com todo o trabalho deste final de ano, abri a loja no dia 31 até as 16 horas, esqueci!Não seria por isso, no entanto, que passaríamos a seco, então escolhi três vinhos; um branco Verdejo, um Rioja tinto básico e um Rosé de Navarra. Aclamado por todos, foi com o Señorio de Sarría Rosé que a paella mostrou melhor harmonia. Uma bela pedida, mesmo que em doses homeopáticas no meu caso, tendo o vinho demonstrado ter corpo e perfil adequado para acompanhar muito bem este magnífico prato. Obviamente, rs, que repeti a dose no almoço de dia 1, mesmo que comedidamente!!

Para celebrar a entrada em mais um ano de nossas vidas, abrimos um cava que está entre meus favoritos desde há muito tempo e que, quando se encontra no Free Shop de chegada a cerca de USD17, é uma barganha irresistível, para comprar de caixa! Elaborada com Chardonnay, o Anna de Codorniu é um cava diferenciado que deixa marcas na memória.  Às cegas, certamente passaria por champagne e foi uma bela maneira de celebrar o Novo Ano, muito bom! Enfim, um rito de passagem hispânico  muito saboroso que espero seja um sinal de boa colheita neste novo ano.

Agora restam-me mais cinco dias de tratamento e no próximo Domingo um belo churrasco com Tannat ou Malbec, estou na dúvida se abro um Abraxas ou Cobos 2002,  me espera e aí tiro a barriga da miséria!

Amanhã, meus Deuses do Olimpo. A primeira de uma coletânea de listas com o que de melhor passou por minha taça em 2010. Salute e kanimambo!

Salvar

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É Hora de Champagne Canard-Duchêne na CBE

         É, foi essa a minha escolha para o tema do mês escolhido pelo Silvestre para a Confraria Brasileira de Enoblogs. Após 10 dias de secura, a CBE me trouxe de volta, mas é que tenho trabalhado sete dias por semana, tido diversos eventos e realmente não tenho tido tempo para me dedicar ao blog. A partir de Janeiro, já com outra programação de trabalho, volto a escrever com mais assiduidade e regularidade.

           Bem, mas falemos deste champagne brut que, por seus R$165,00, se mostrou ser um achado num segmento de vinhos espumantes em que não é fácil encontrar algo abaixo dos R$200, quanto muito R$180,00 ou em alguma oferta esporádica. A Canard-Duchêne existe desde 1860 e está em sua terceira geração, agora com aporte do grupo Alain Thienot, ou seja; entende do riscado e isso está bem presente no caldo provado.

            Elaborado com 40% de Pinot Noir, 40% de Pinot Meuniére e 20% de Chardonnay, apresenta bolhas finas, abundantes e persistentes como tem que ser todo bom champagne. Aromas de boa tipicidade com o brioche bem presente, complexo e sutil. Na boca é tudo de bom e onde ele mais mostra seus predicados, com a chardonnay, mesmo que como coadjuvante no assemblage, mostrando sua cara de forma escancarada como que te dizendo “sou mais eu”! Delicado, fresco, mostrando uma faceta mais cítrica, termina cremoso e com boa persistência deixando aquele gostinho de quero mais na boca.

        Um bom Champagne que faz bonito na taça e satisfaz sobremaneira. Uma boa opção para este final de ano ou qualquer outro momento especial que mereça celebração!

Salute

Vinho do Mês na Confraria – Anakena Pinot Noir

O vinho escolhido pela Confraria Brasileira de Enoblogs para mais esta grande degustação virtual, foi um Pinot Noir de até R$100,00. Eu deveria ter publicado, assim é a regra do jogo, dia 1, porém, como sempre, estou atrasado.

          Até R$100 temos muitas opções inclusive francesas de bom nível, mas quis buscar algo mais pé no chão partindo da seguinte questão; pode um pinot de R$50,00 satisfazer? Minha escolha recaiu sobre este  Anakena Pinot do Vale de Leyda.

            A Anakena tem três níveis de Pinot, o básico que vem do Vale Central, este e o Ona de Casablanca que leva algo de Syrah, Merlot e Viognier que lhe aporta um tempero diferenciado e muito interessante.  De qualquer modo, falemos deste Anakena de Leyda, um Single Vineyard de 2009.

           Nariz muito interessante, de boa complexidade em que afloram toques terrosos e animais fazendo-nos lembrar de Borgonha. Na cor, algo intermediário entre Borgonha e Chile, porém ainda bem claro e brilhante. Na boca entrega menos do que promete no nariz, porém é agradável apresentando características mais de Velho do que Novo Mundista. Fino, saboroso, de razoável persistência para um vinho que não chega nos R$50,00. Deverá ser um bom acompanhamento para embutidos, arroz de pato ou perdiz e, yummy, abre bem na taça! Apesar de novinho, os leves taninos já se encontram bem incorporados e acredito deva chegar em seu pico durante o ano que vem.

               A resposta a minha indagação foi positiva, satisfaz e não deixa buraco no bolso, o que sempre é um fator a ser considerado, mostrando que garimpando sempre conseguimos encontrar algo interessante mesmo nas faixas mais baixas de preço. Salute e mais uma vez minhas desculpas aos confrades pelo atraso na publicação.

kanimambo

No Caminho do Berardo uma Cova da Ursa

É meus amigos, faz alguns poucos dias estive presente numa apresentação de vinhos portugueses o que, para mim, é sempre um motivo de grande alegria, Desta feita o convite veio da Portuscale através da  amiga e competente assessora de imprensa Denise Cavalcante, para darmos uma volta pelo bom portfólio da Quinta da Bacalhôa e em especial do mais novo lançamento o Berardo Reserva Familiar. Presentes, a alta direção da empresa e o homem por detrás do produto, o comendador José Berardo, ou Joe Berardo como é mais conhecido desde o tempo que passou na África do Sul, que dá o nome ao vinho.

Falar da Quinta da Bacalhôa é chover no molhado pois seus vinhos são quase todos de amplo conhecimento dos enófilos de plantão e seu Quinta da Bacalhôa tinto é certamente um dos se não o melhor Cabernet Sauvignon de Portugal, estando na elite dos vinhos portugueses. No ano passado até dei umas voltas por lá tendo comentado minha visita aqui no blog e, em Fevereiro deste ano tive a oportunidade de conhecer o incrível jardim budista (semana que vem publico um slide show com algumas das fotos tiradas) criado pelo comendador na Quinta de Loridos, próximo ao Cadaval e Òbidos na região Lisboa, uma visita inesquecível com estátuas gigantescas.

Bem, mas falar de Quinta de Bacalhôa é falar de vinhos e sempre gosto de mencionar os meus preferidos entre seu bom portfólio são os menos midiáticos; SÓ Touriga, Meia Pipa e o incrível Moscatel de Setúbal Roxo 1998 que já comentei aqui e que é de lamber os beiços! Hoje anexei mais dois vinhos a esta lista de preferidos. O Berardo Reserva Familiar 2007, elaborado com Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot e duas castas portuguesas  que o comendador declinou de mencionar mas tenho quase que certeza de que pelo menos uma delas é a Touriga Nacional. Um vinho bastante rico e surpreendentemente pronto para um rótulo deste porte e ainda tão jovem. Boa estrutura, complexo, um vinho que enche a boca de prazer e faz-nos pedir mais.

No caminho do Berardo, no entanto, não tinha uma pedra, tinha um Cova da Ursa, a grande surpresa da noite para mim, o vinho da noite até pelo inesperado! Um belo Chardonnay amadeirado no ponto, cremoso e de muita personalidade mostrando que os brancos portugueses estão realmente num patamar de qualidade entusiasmante. O problema é que como mercado não é de brancos, estes pouco têm destaque na mídia e para comprar um vinho desses por cerca de R$100 tem que conhecer. Agora, é certamente um vinho para colocar ás cegas em uma prova e vê-lo detonar nomes bem mais conhecidos de franceses a chilenos, um grande vinho que deixou marcas e vontade de comprar uma garrafas para ter em casa!

Bem, por hoje é só e semana que vem termino meus comentários sobre o painel de espumantes de preço módico. Um bom fim de semana para todos, salute e kanimambo

Luis Otavio (Enopira) Comenta Degustação de Chateauneuf-du-Pape

             Ainda tentando voltar ao normal, valho-me dos amigos para dar sequência aos posts do blog. Entre matéria minha e deles, certamente bastante coisa para ir matando a curiosidade de alguns e despertá-la em outros. Esta o Luis Otavio realizou lá mesmo, na Enopira, em sete de Outubro.

Vinhos apresentados:

 Château de La Gardine Blanc 2007

Produtor- Château de La Gardine- Châteauneuf-du-Pape- Côtes-du-Rhône- França.

Castas- 40% Roussanne, 30% Grenache Blanc, 20% Clairette e 10% Bourbolenc

Teor alcoólico- 14%

Amadurecimento- 30% do vinho estagia em barricas usadas por um ano.

Preço- R$ 180,00

Serviço- Aberto meia hora antes e servido a 10º C

Comentário: Amarelo claro, brilho intenso, lagrimas bem formadas, longas e verticais. Nariz com leve suspiro , casca de limão, papaia e erva doce. Na boca mostrou-se muito agradável, fresco, mineral, álcool um pouco quente, com sensações de casca de limão, açúcar cristal, papaia, erva doce, zimbro e gengibre. Corpo médio, equilibrado, com evolução muito boa; retrogosto muito intenso e bom, com boa persistência. Nota 83/16,5

Clos des Papes Blanc 2001

Produtor- Clos des Papes- Châteauneuf-du-Pape- Côtes-du-Rhône- França.

Castas- Grenache Blanc, Roussanne, Clairette, Picpoul, Bourbolenc e Picardan

Teor alcoólico- 14%

Amadurecimento- 6 meses Sur Lie.

Preço- R$ 435,00

Serviço- Decantado por meia hora e servido a 10º C

Comentário: Ao abrir- Pano mofado, banana figo verde e carambola verde. Depois de decantado, Amarelo clarinho, brilho médio para intenso, lagrimas bem formadas, finas, longas e verticais. Nariz com leve carambola, erva doce, aniz, açúcar cristal, leve papaia e óleo Singer. Na boca mostrou-se muito agradável, com notas de evolução e sensações de carambola, aniz, erva doce, papaia e notas de óleo mineral. Corpo médio, equilibrado, com ótima evolução; retrogosto muito intenso e muito bom, com boa persistência. Nota 83/16,5

Bosquet des Papes Cuvée Tradition 2007

Produtor- Boiron Maurice & Nicolas- Châteauneuf-du-Pape- Côtes-du-Rhône- França.

Castas- 75% Grenache Noir, 10% Mourvédre, 10% Syrah e 5% Cinsault

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento-  12 a 18 meses em Foudres, tanques de Beton e barricas demi-muids

Preço- R$ 145,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Comentários: Rubi granada, brilho médio para intenso, lagrimas abundantes, finas e verticais. Nariz com frutas vermelhas, iodado e kirsch. Na boca mostrou-se muito agradável, boa acidez, frutado, com sensações de frutas vermelhas, gengibre, zimbro, notas terrosas e cereja em licor. Encorpado, equilibrado, com evolução muito boa; retrogosto muito agradável e muito bom, com ótima persistência. Nota 83/16,5

B. des Papes A La Gloire de mon Grand Pere 2007

Produtor- Boiron Maurice & Nicolas- Châteauneuf-du-Pape- Côtes-du-Rhône- França.

Castas- 100% Grenache Noir

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 12 a 18 meses em Foudres, tanques de Beton e barricas demi-muids

Preço- R$ 200,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Comentários: Rubi acastanhado, brilho intenso, lagrimas abundantes, finas e verticais.

Nariz com frutas vermelhas, iodado, terra ,carne e um leve esparadrapo (Brett). Na boca mostrou-se muito agradável, lembrando um Priorat, elegante, viril, harmônico, com sensações de cereja, bala de café, anis e pizarra. Encorpado, muito equilibrado, com excelente evolução; retrogosto muito intenso e excepcional, com ótima persistência. Nota 87/17,5

Obs- eu gostei muito deste vinho, mas a maioria dos participantes não.

 Château de La Gardine 2007

Produtor- Château de La Gardine- Châteauneuf-du-Pape- Côtes-du-Rhône- França.

Castas- 70% Grenache Noir, 15% Mourvèdre, 10% Syrah e 5% Muscardin

Teor alcoólico- 14%

Amadurecimento- 9 a 14 meses em tonéis usados de carvalho

Preço- R$ 225,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Comentários: Rubi púrpura, brilho médio para intenso, lagrimas abundantes, finas e verticais.

Nariz  com frutas vermelhas, carnosidade, sous bois e kirsch. Na boca mostrou-se muito agradável, boa acidez, sensação de frutas vermelhas, anis, caramelo e pimenta vermelha. Encorpado, muito equilibrado, com evolução muito boa; retrogosto muito intenso e muito bom, com boa persistência. Nota 84/17

 Clos des Brusquières 2006

Produtor- Clos des Brusquières- Châteauneuf-du-Pape- Côtes-du-Rhône- França.

Castas- 75% Grenache, 10% Syrah, 10% Mourvèdre e 5% de outras

Teor alcoólico- 15%

Amadurecimento- tanques de beton e barricas demi-muids

Preço- R$ 240,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Comentário: Rubi claro, brilho intenso, lagrimas abundantes, finas, longas e verticais. Nariz com cereja, ameixa, kirsch e leve tostado. Na boca mostrou-se muito agradável, sutil, viril, com sensações de cereja , ameixa, kirsch e leve tostado. Encorpado, muito equilibrado, mesmo com seus 15% de álcool, evolução excelente; retrogosto muito intenso e muito bom, com ótima persistência. Nota 86/17

Font de Michelle Cuvée Etienne Gonnet 2005

Produtor- Etienne Gonnet- Bedarrides- Côtes-du-Rhône- França

Castas- 70% Grenache Noir, 15%Syrah e 15% Mourvédre

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 18 meses em barricas de carvalho de segundo uso.

Preço- R$ 341,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Comentários: Rubi, brilho médio para intenso, lagrimas finas, longas e verticais. Nariz com frutas vermelhas, notas terrosas, tostado e pimenta. Na boca mostrou-se muito agradável, elegante, harmônico, com sensações de frutas vermelhas, pimenta, chocolate amargo, kirsch e mogno. Encorpado, muito equilibrado, evolução excelente; retrogosto muito intenso e muito bom, com ótima persistência. Nota 87/17,5.

Château La Nerthe Cuvée des Cadettes 2005

Produtor- Château La Nerthe- Châteauneuf-du-Pape- Côtes-du-Rhône- França.

Castas- 43% Grenache Noir, 36% Syrah e 21% Mourvèdre

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 18 meses em barricas de carvalho

Preço- R$ 450,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Comentários: Rubi granada, brilho intenso, lagrimas abundantes, finas, longas e verticais. Nariz com chocolate ao leite, ameixa, cereja, groselha e pimenta. Na boca mostrou-se muito agradável, viril, harmônico, um pouco quente, com sensações de frutas vermelhas e pretas bem maduras, notas licorosas, pimenta, chocolate, caramelo ao leite e café. Encorpado, equilibrado, com evolução excelente; retrogosto muito intenso e muito bom, com ótima persistência. Nota: teria dado 89 para este vinho, mas como para mim não mostrou a tipicidade de um Châteauneuf Du Pape, ficando num perfil moderno, podendo ser confundido com um vinho do novo mundo, a minha nota é 87/17,5.

 Ch. de La Gardine Cuvée des Générations Gaston Philippe 2001

Produtor- Château de La Gardine- Châteauneuf-du-Pape- Côtes-du-Rhône- França.

Castas- Grenache Noir, Mouvédre, Syrah

Teor alcoólico-14%

Amadurecimento- 9 a 14 meses em barricas novas de carvalho

Preço- R$ 565,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Comentários: Rubi granada, brilho médio para intenso, lagrimas abundantes, finas e verticais. Nariz discreto com frutas vermelhas, sous bois e leve madeira. Na boca mostrou-se muito agradável, complexo, elegante, sutil, harmônico, com sensações de frutas vermelhas, café, notas licorosas, leve notas terrosas. Encorpado, muito equilibrado, evolução excelente; retrogosto muito intenso e excepcional, com ótima persistência. Nota 89/18.

Observação– as notas são na escala 0-100/0-20, tendo referência o padrão europeu e não o padrão 50-100 da escala americana.

Os vinhos foram exemplares dos seguintes cru de Châteauneuf du Pape, em sentido horário:

  •  Les Bosquet- Centro-Norte- Châteauneuf du Pape
  •  La Gardine- Oeste- Châteauneuf du Pape
  •  Les Brusquières- Norte- Châteauneuf du Pape- divisa com Orange
  •  La Font de Michelle- Leste- Bedarrides
  •  La Nerthe- Sudeste- Châteauneuf du Pape
  •  Les Clos- Centro-Sul- Châteauneuf du Pape